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Livro Eletrônico
Aula 00
Conhecimentos EspecÃ-ficos p/ Prefeitura de Vilhena (Professor NÃ-vel III - História) -
Pós-Edital
Professor: Sergio Henrique
Aula Demonstrativa
Prof. Sérgio Henrique 
Aula 02 - Teoria da História 
 
 
História. 
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 1 
112 
SUMÁRIO 
00. Bate Papo Inicial. ..................................................................................................... 2 
1. Introdução: Princípios e Conceitos fundamentais da Teoria da História ..................... 3 
2. A História Antes da História ....................................................................................... 6 
3. Constituição do Campo Disciplinar ............................................................................. 9 
4. Teoria: O que é isso? ................................................................................................ 14 
5. O Paradigma Historiográfico .................................................................................... 21 
6. Dois paradigmas em contraposição: Positivismo e Historicismo ............................... 26 
7. Materialismo Histórico ............................................................................................. 30 
8. A Moderna Matriz Disciplinar da História ................................................................. 36 
9. Escola dos Annales ................................................................................................... 39 
10. Escola Inglesa do Marxismo ................................................................................... 48 
11. Escola de Frankfurt ................................................................................................ 51 
12. Micro-História ........................................................................................................ 57 
13. Historiografia sobre o Tempo: Reinhart Koselleck .................................................. 61 
14. Exercícios ............................................................................................................... 66 
14.1. Bibliografia Utilizada no Comentários das Questões ...................................................... 107 
15. Referências Bibliográficas .................................................................................... 109 
15.1. Indicações Bibliográficas para estudo ............................................................................. 110 
16. Considerações Finais. ........................................................................................... 112 
 
 
 
 
 
 
 
Sergio Henrique
Aula 00
Conhecimentos Específicos p/ Prefeitura de Vilhena (Professor Nível III - História) - Pós-Edital
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Prof. Sérgio Henrique 
Aula 02 - Teoria da História 
 
 
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112 
00. BATE PAPO INICIAL. 
 Olá, querido amigo. É com muita alegria que o recebo para discutirmos os 
Conhecimentos Específicos da disciplina de nesta jornada em busca de um excelente História
resultado no concurso da . Prefeitura Municipal de Vilhena-RO
 É com grande prazer com que venho desenvolver com vocês esta disciplina. Sou o 
professor Sérgio Henrique, Historiador, licenciado em geografia e professor de Ciências 
Humanas no Estratégia concursos e cursos presenciais. Sou professor há mais de 15 anos e já 
ministrei várias disciplinas, do ensino fundamental ao superior, como servidor público e na rede 
privada. Nos primeiros anos de carreira focando em ensino e aprendizado para jovens e 
empreendedorismo. Na última década dedico-me para exames de alta complexidade e exigência 
em concursos públicos militares e preparatórios para o ENEM. O fórum de dúvidas é um 
instrumento fundamental de contato e para que possamos nos comunicar com maior 
dinamismo. 
 Neste curso teremos um conteúdo bem completo e trabalhado em detalhes, muitas 
questões comentadas, resumos e vídeo aulas detalhadas e produzidas sob medida para seu 
certame. 
Está tentando ingressar no serviço público, uma área que atrai por várias razões: Tanto 
pela estabilidade e possibilidades de progressão na carreira quanto pelo viés cidadão de ocupar 
uma vaga de um cargo importante para a sociedade. São várias as motivações pelas quais você 
está tentando. Um salário melhor, estabilidade para cuidar da família... Enfim. São tantas coisas. 
E elas devem te acompanhar a todo o momento de preparação. É onde você 
encontrará motivação nas horas mais difíceis, quando até mesmo podemos ter a ideia absurda 
de desistir. A motivação é o combustível necessário para a sua preparação. Motivação associada 
à disciplina de estudos é a chave do sucesso. 
 Motivação, Disciplina e Estratégia. É o tripé do sucesso e estou aqui com a equipe 
Estratégia Concursos para levá-lo ao sucesso e alcançar seus objetivos. Vamos logo, pois não 
temos tempo a perder. Nosso tempo é valioso. Mas fique tranquilo. O nosso conteúdo tem uma 
quantidade razoável de assuntos, mas que distribuídos em várias aulas, bem detalhadas. Vamos 
estudar tudo, bem detalhadamente, então pode conter a ansiedade. Tudo vai correr bem e foi 
devidamente distribuído para que você possa alcançar seu almejado sucesso. Leia e releia suas 
aulas. Faça e refaça seus exercícios. A repetição é a mãe do aprendizado. A memorização deve 
vir da repetição dos exercícios e do acúmulo das leituras. É a melhor forma de memorizar o 
conteúdo. Aos poucos e através da repetição. 
 Sem mais delongas, vamos ao trabalho. 
 
Sergio Henrique
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1. INTRODUÇÃO: PRINCÍPIOS E CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA TEORIA DA 
HISTÓRIA 
A teoria da história é uma subdisciplina da História que procura compreender as diversas 
formulações do conhecimento histórico e da escrita da História ou historiografia. Por não existir 
uma concepção única e consensual para a análise do passado, se fala em teorias da história, no 
plural, uma vez que as diversas teorias da história alimentam debates constantes entre os 
defensores de diversas concepções. Porém, não se tratam de concepções historiográficas 
aleatórias e subjetivas, ao passo que a História busca certa objetividade na lida com o passado. 
Portanto, é necessário o método historiográfico, que define as correntes historiográficas, as 
quais podemos citar: Positivismo, Historicismo, Escola dos Annales, Nova História, Micro-
história, entre outras. 
A teoria da história constitui um campo de estudos fundamental para a formação do 
historiador. Não é possível desenvolver uma adequada consciência historiográfica, nos atuais 
quadros de expectativas relacionadas ao seu ofício, sem saber se utilizar de conceitos e 
hipóteses, sem compreender as relações da História com o Tempo, com a Memória ou com o 
Espaço, ou sem conhecer as grandes correntes e paradigmas teóricos disponibilizados aos 
historiadores através da própria história da historiografia. Essa consciência histórica inseparável 
de uma adequada reflexão sobre o tipo de conhecimento que se produz com a História, sobre as 
relações possíveis desse conhecimento com alguma base concreta de realidade, sobre as 
singularidades da História como um "campo disciplinar" muito específico que se situa ou se 
desloca no quadro geral das outras formas de conhecimento e que com elas trava disputas e 
diálogos interdisciplinares1. 
Como entender a História sem reconhecer a sua complexidade, sem vislumbrar o 
labirinto das suas modalidades internas, sem compreender como – na interconexão entre essas 
várias modalidades – trabalham os historiadores como uma comunidade profissional bastante 
específica? Como apreender, por fim, essa enigmática relação entre aHistória e a história – 
entre uma forma de conhecimento bem singular que é essa que é produzida pelos historiadores, 
e o seu próprio objeto de estudos, que corresponde à "história vivida" que lhes chega através de 
vestígios trazidos pelas chamadas "fontes históricas"? Todas essas inúmeras questões – 
''teóricas'' por excelência – fazem parte dos aspectos disciplinares que podem ser referidos 
como uma teoria da história2. 
 
1 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, p.11. 
2 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, p.12. 
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Conforme destaca o historiador Jörn Rüsen, em sua obra Razão histórica (2001, p.14), a 
Teoria da História se refere ao "pensamento histórico em sua versão científica". De acordo com 
essa perspectiva, pode-se estabelecer uma distinção mais clara entre as "filosofias da história" 
ou outras formas de concepção histórica como as ''teologias da história", e as ''teorias da 
história'' propriamente ditas, considerando que estas se vinculam ao novo momento em que a 
historiografia passa a reivindicar um estatuto de cientificidade3. 
Mas vale dizer que a proposta de pensar a História com um viés cientificista é inaugurado 
na passagem do século XVIII para o XIX, movido pelas propostas iluministas e a racionalização. 
Em todo caso, já existiam formas de conhecimento histórico bem antes da passagem do século 
XVIII ao XIX, que é esse momento particular em que se passa a tomar com parâmetro para a 
historiografia a cientificidade e no qual, portanto, já se pode falar em ''teorias da história''. 
Contudo, naqueles momentos anteriores – como a Antiga Grécia, o mundo romano, a Idade 
Média, o Renascimento, ou o Moderno Absolutismo – apresentavam-se para a historiografia 
referências muito diversas, como ''a anamnese grega, o patriotismo romano, o providencialismo 
medieval, ou o oficialismo absolutista''4. O próprio século XVIII, na antessala para o surgimento 
das ''teorias da história'' que passarão a vigorar no século XIX, também já oferece, com as 
"filosofias da história'' ao modo de Herder ou de Kant, uma outra maneira de pensar sobre a 
História que não é bem exemplificadas no século seguinte pelos paradigmas do Positivismo, do 
Historicismo, ou do Materialismo Histórico, todos inarredavelmente alicerçados por uma 
metodologia documental que já estará na base do surgimento da figura do historiador 
profissional e da inserção da História como disciplina universitária5. 
As "filosofias da história", que se alastram no século XVIII e se estendem até as 
realizações de Hegel no século XIX, constituem um gênero filosófico-historiográfico à parte, e 
devem ser bem distinguidas das "teorias da história'' propriamente ditas. Tanto as ''filosofias da 
história'' como as ''teorias da história'' já são enunciadas em uma nova era historiográfica, 
distinta de tudo o que até então se tinha feito nas tradicionais ''histórias'' representadas pelos 
inúmeros gêneros historiográficos que precederam o trabalho dos historiadores modernos. 
Existe entre as ''filosofias da história'' e as ''teorias da história'' tanto uma certa cumplicidade, 
como também uma diferença radical que será preciso considerar. 
Ora, vale a pena dizer que é, senão em um contexto no qual a cientificidade se apresenta 
como um referencial para a historiografia, aspecto que se afirma consistentemente na 
passagem do século XVIII para o século XIX, que se pode falar da emergência de ''teorias da 
história'' como grandes sistemas de compreensão sobre a História e a Historiografia. Nesse 
 
3 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, p.85. 
4 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, p.86. 
5 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, p.86. 
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período, começaram a surgir tanto uma ''matriz disciplinar'' mais definida para História, como os 
primeiros grandes paradigmas historiográficos. 
Uma teoria constitui certa visão de mundo relacionada a um ou outro dos diversos 
campos científicos, uma Teoria da História, ou um Paradigma Historiográfico, corresponderá a 
uma certa visão histórica do mundo, ou mesmo a determinada visão sobre o que vem a ser a 
própria História e seus registros. Qualquer Teoria da História pressupõe, simultaneamente, uma 
determinada concepção sobre o que é a História e sobre o que deve ser a historiografia, isto é, o 
campo processual.6 
Em termos de teorias da história, podemos nos remeter tanto àquelas que se referem a 
objetos historiográficos específicos (eventos ou processos como a Revolução Francesa, o 
Nazismo, as crises específicas do Capitalismo), ou às teorias mais amplas, mais generalizadoras, 
que se referem a séries de eventos (não uma teoria sobre a Revolução Inglesa ou a Revolução 
Francesa, mas uma teoria sobre as ''revoluções''; não uma teoria sobre o nazismo alemão ou 
sobre o fascismo italiano, mas uma teoria sobre o ''totalitarismo''). Há, portanto, tipos diversos 
de teorias: umas mais particularistas e outras mais genéricas. Os historiadores podem fornecer 
uma teoria que diga respeito a determinado evento, a uma série de eventos, a um período, ao 
desenvolvimento de instituições segundo um entrecruzamento cultural e assim por diante. 
No limite máximo de generalização, os historiadores podem oferecer teorias acerca do 
que seja a própria Historiografia. O que é a História, como ela se constrói, quais as tarefas do 
historiador diante da produção desse tipo de conhecimento? Para que serve a História? Que 
tipo de conhecimento é a Historiografia? É possível, ou desejável, que o historiador faça 
previsões do futuro a partir de suas observações do passado? Que tipo de envolvimento – 
contemplativo, distanciado, comprometido, militante – deve ter o historiador em relação à 
História de sua própria época? Deve a Historiografia ser colocada a serviço de alguma causa, ou 
deve conservar o ideal de constituir um tipo de conhecimento desinteressado? Essas são 
perguntas fundamentais que movem o ofício do historiador e conduzem a escrita da História.7 
 
 
 
 
 
 
 
6 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 87-88. 
7 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 88-89. 
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2. A HISTÓRIA ANTES DA HISTÓRIA 
A ideia de que "a História tem uma história'' é uma proposição instigante, aliás, 
igual e teà i stiga teà à lida à o à esteà o t asteà e t eà aà Hist ia ,à o à H à aiús ulo,à
enquanto campo de conhecimento ou disciplina universitária (ou mesmo enquanto "discurso" 
ueàseàesta ele eàso eàosàp o essosàhist i os ,àeàaà hist ia ,à o à h à i ús ulo,àe ua toà
devir que a tudo arrasta em seu interminável jogo de processos e acontecimentos. 
A História é a única disciplina ou campo de saber que traz como sua própria designação 
um nome que coincide diretamente com o seu objeto de estudo. História (historiografia) é, de 
um lado, o discurso e o tipo de conhecimento que um historiador elabora; mas é também o 
nome do seu próprio objeto de estudo: o campo processual dos acontecimentos. 8 
Há a emblemática frase que diz: "Heródoto é o pai da História". Mas pode-se dizer que, 
na verdade, a História – enquanto discurso que se organizasobre acontecimentos – já existia 
muito antes de Heródoto, e que, de acordo com o historiador François Hartog, remonta à 
monarquia de Akkad (2.270-2.083 a.C.), na Mesopotâmia. Já naqueles ainda mais remotos 
tempos, uma vez que motivados pelo interesse de unificar o país sob uma autoridade única, os 
monarcas akkadianos já haviam começado a utilizar os seus escribas para escrever a sua própria 
história9. Mas se Heródoto não pode ser rigorosamente considerado o "pai da História", pois 
não foi o primeiro a deixar registrado algum tipo de discurso que pode ser definido como um 
gênero historiográfico, por outro lado pode-se dizer que Heródoto foi certamente o ''pai dos 
historiadores". Ainda acompanhando as reflexões de François Hartog, é com Heródoto que 
su ge,àpelaàp i ei aàvez,àaàfigu aàdoà histo iado àp ofissio al à– não um escriba historiográfico e 
anônimo instituído diretamente pelo poder político, mas um indivíduo – uma "figura subjetiva" 
dotada de autonomia e poder de escolha, que elege para si um campo de discurso e reflexão 
sobre a história. Com Heródoto, a figura do historiador se institui a partir de uma prática 
escolhida pelo indivíduo pensante, de maneira similar ao que já ocorria com o filósofo ou com o 
poeta lírico na Grécia Antiga.10 
Seja a História uma filosofia que desce à Terra e se volta para o vivido, ou seja ela uma 
Poesia que se deixa aprisionar pela necessidade e pelo compromisso de relatar rigorosamente o 
já acontecido, podemos extrair importantes implicações do fato de que a História, entre os 
gregos, deixa de ser uma imposição ou uma tarefa que vinha sendo atribuída de fora, por vezes 
 
8 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, pp. 29-30. 
9 HARTOG,2003:13 apud D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, p. 31. 
10 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, p. 32. 
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posta a cargo de escribas subalternos e de talentosos escravos, para, a partir daí, passar a ser 
uma escolha exercida criativamente pro um homem livre. 
O que o praticante da História fará desta sua escolha – a de se tornar um historiador e de 
construir um discurso historiográfico – é já uma outra coisa. Mas o fato é que, ainda que um 
historiador possa ter decidido dar um sentido eminentemente político ao seu discurso, e ainda 
que decida servir à Política, a verdade é que desde Heródoto o seu trabalho já não é instituído 
primordialmente pelos poderes públicos no âmbito mais íntimo de suas práticas. Ser historiador 
constitui uma decisão pessoal e implica no ato de se entregar a uma prática que se estabelece a 
partir de um sujeito, tal como ocorre com a decisão de alguém se tornar filósofo, poeta ou 
músico. Desde Heródoto, e parodiando um famoso dito de Jean-Paulà“a t e,à o historiador está 
condenado a ser livre . 
A menção a Heródoto pode ainda nos ajudar a adentrar noutro conjunto de reflexões, já 
relacionadas às tentativas de identificar aquilo que a História teria de mais singular, ou, por 
assim dizer, a sua "identidade mínima" (identidade esta que, em última instância, estará sempre 
igualmente sujeita a transformação no decurso do próprio devir). Na época dos antigos gregos – 
muito antes de se relacionar a uma investigação específica sobre o passado vivido, ou de trazer 
para a centralidade de suas operações a noção de temporalidade –, a História esteve 
simultaneamente associada às três noções de: à i vestigaç o , (2) elato àeà à teste u hoà
o ula . Essa tríade de sentidos, intimamente imbricados no termo grego istorie (ἱστορία ,à
antecipa surpreendentemente a complexidade futura da palavra História, uma vez que desde 
então a nova prática parecia querer se referir simultaneamente a um tipo de pesquisa, a um 
modo de escrita e às fontes deste tipo de conhecimento. áà pes uisa , para Heródoto, deveria 
se dar em forma deàu à i u ito ,à o à i te ç oàdeàve dade ; a escrita assumiria o gênero 
narrativo, e as fontes, para os historiadores gregos, ainda deveriam ser preferencialmente 
oriundas de testemunhas oculares dos próprios acontecimentos. 
Ora, o objeto da História é o mundo humano, o que para a antiguidade grega já foi uma 
originalidade, uma vez que neste ponto a História começou a se destacar muito claramente da 
Filosofia – esta nobre prática intelectual que tinha por objeto o mundo supralunar 
(especialmente depois de Platão), muito acima da transitoriedade humana e das singularidades 
do vivido – da mesma forma que aquela mesma História também começou a se destacar muito 
visceralmente da Mitologia, que se referia apenas aos deuses e àquilo que estava além ou acima 
do homem. A História, portanto, já desde a Antiguidade Clássica, coloca-se como uma 
investigação sobre a realidade humana, ou ao menos sobre a realidade das ações humanas no 
tempo.11 
 
11 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, pp. 34-35. 
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Mas o tipo de conhecimento verdadeiro que era buscado pelos historiadores gregos, que 
imediatamente seguiram o modelo inaugurado por Heródoto – opondo-se ao filósofo que 
buscava regularidades e verdades eternas em uma realidade atemporal – o que poderia se 
tornar factível de ser apreendido e conhecido pelos seres humanos será precisamente esse 
mundo de ações humanas em permanente mudança. Essa postura, diga-se de passagem, seria 
retomada de maneira ainda mais sofisticada por Vico no século XVIII, que em sua Ciência Nova 
chama atenção para o fato de que só podemos conhecer verdadeiramente aquilo do qual 
efetivamente participamos. Isso implica que o homem só pode compreender aquilo que é 
humano. 
A Historiografia teve muitos desenvolvimentos posteriores aos seus primórdios na época 
de Heródoto, e conheceu uma ampla variedade de gêneros que, com alguma liberdade, 
pode ía osà atego iza à o oà g e osà histo iog fi os . A Historiografia Pré-moderna, por 
exemplo, apresentava ou apresentou muitos objetivos e funções nas suas várias formas e 
o textosà so iais.à Evita à oà es ue i e to à o oà e t eà osà g egos ,à e si a à à vida (historia 
vitae magistra), tal como propunham os teóricos renascentistas da política, "glorificar povos e 
nações", à maneira dos historiadores que se puseram a serviço das monarquias absolutista da 
primeira modernidade – estes eram alguns de seus nortes refundadores. 
Na história da historiografia que precede a Modernidade, apesar da existência de 
métodos os mais difere iadosàpa aà assegu a à aà ve dade , e ao lado dos diversos usos para 
esta verdade histórica que era perseguida pelos historiadores gregos, romanos, medievais, 
renascentistas, podemos dizer que entre todas estas formas históricas pré-historiográficas a 
inte ç oà deà ve dade à o upavaà u à luga à e t alà aà p oduç oà desteà tipoà deà o he i e to,à
como ainda hoje. Todavia, se a intenção de verdade já era condição sine qua non para a História 
(historiografia), e isto praticamente já em todas as suas variações pré-modernas, no que passou 
após a modernidade a busca pela verdade histórica, ou o seu registro, eram vistos acima de 
tudo como uma atitude moral, como um princípio retórico da própria historiografia. É a partir 
desse princípio que surge o campo disciplinar específico da História.12 
 
 
 
 
 
 
 
12 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, pp. 38-42. 
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3. CONSTITUIÇÃO DO CAMPO DISCIPLINAR 
Toda disciplina é constituída, antes de mais nada, por um certo "campo de interesses", o 
que inclui desde um interesse mais amplo que define esse campo como um todo, até um 
conjunto mais privilegiado de objetos de estudo e de temáticas a serem percorridas pelos seus 
praticantes (ou de desafios a serem enfrentados, para o caso dos campos disciplinares que, tal 
como a Medicina, envolvem uma prática, mais ainda do que uma reflexão teórica e uma 
pesquisa). A História, que tem em comum com a Antropologia, com a Sociologia ou com a 
Psicologia o estudo do Homem – e que, portanto, partilha com essas ciências alguns de seus 
objetos de estudo – a certa altura deverá ser definida como a ciência que coloca no centro de 
seu campo de interesses "o estudo das ações do homem no tempo". Os objetos da História – 
isto é, o seu "campo de interesses" – em que pese que pareçam coincidir em um primeiro 
momento com os objetos possíveis das demais ciências sociais e humanas, serão sempre 
objetos "historicizados'', "temporalizados", marcados por uma atenção à mudança em alguns de 
seus níveis. O conjunto de interesses temáticos de uma disciplina, particularmente no que se 
refere aos seus desdobramento e possibilidades de objetos de estudo, também está sujeito a 
transformações no decorrer de sua própria história disciplinar.13 
Cada disciplina possui a sua singularidade, aqui entendida como o conjunto dos seus 
parâmetros definidores, ou como aquilo que a torna realmente única, específica, e que justifica 
a sua existência – em poucas palavras: aquilo que define a disciplina em questão por oposição 
ou contraste em relação a outros campos disciplinares. Polarizando, será preciso entender o 
fenômeno inverso: embora cada campo de saber apresente certamente uma singularidade que 
o faz único e lhe dá identidade, não existe, na verdade, um só campo disciplinar que não seja 
construído e constantemente reconstruído por diálogos (e oposições) interdisciplinares. 
Queiram ou não os seus praticantes, toda disciplina está mergulhada na Interdisciplinaridade. 
Ora, para se constituir no seio de uma rede já existente de saberes, todo novo campo de saber 
deve enfrentar duras lutas com campos já estabelecidos, nas quais frequentemente se verá 
inserido em uma verdadeira disputa territorial, ou pelo menos em uma partilha interdisciplinar, 
além de enfrentar o desafio de mostrar a capacidade e potencialidade para se posicionar com 
eficácia diante de antigos e novos problemas que as disciplinas mais tradicionais já vêm 
enfrentando com seus próprios métodos e aportes teóricos. Não é raro, aliás, que um novo 
campo de saber surja a partir de certos desdobramentos de um campo disciplinar já existente, 
ou que se desprenda desse campo original adquirindo identidade própria, ou mesmo que o 
 
13 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 19-22. 
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novo campo disciplinar se forme a partir de elementos dispersos oriundos de vários outros 
campos.14 
A dinâmica de transformações no vasto universo que abarca os campos disciplinares 
produz um eterno movimento: novos campos podem surgir, e outros desaparecer; uns podem 
se desprender de outros, e alguns podem se formar do casamento entre duas ou mais 
perspectivas disciplinares. Há também o caso das "refundações", e essa ideia parece ser bem 
adequada para entender a história da escrita da História, uma vez que esta correspondia a um 
campo de práticas e expressões já milenar quando, a partir de fins do XVIII e início do XIX, será 
como que "refundada" para se constituir como ''historiografia científica". A partir dessa 
refundação, e da consolidação do estatuto do "historiador profissional", pode-se dizer que a 
História passa de um conjunto de práticas muito diversificadas – da história dos cronistas à dos 
antiquários, dos filósofos da história e dos teólogos – para a formação de uma "matriz 
disciplinar'' mais bem definida.15 
Essas tendências se apresentam como uma característica de praticamente todos os 
"campos disciplinares" no período contemporâneo, especialmente com a crescente 
especialização. Na verdade, isso tem sido um aspecto inerente à história do conhecimento na 
civilização ocidental, sobretudo a partir da Modernidade, o que não impede que os efeitos mais 
criticáveis da hiper-especialização sejam constantemente compensados pelos movimentos 
interdisciplinares e transdisciplinares, voltados para uma "religação dos saberes" em um mundo 
no qual os campos de produção de conhecimento vivem a constante ameaça do isolamento. 
Neste sentido, há três aspectos fundamentais a serem considerados quando se fala na 
constituição de um "campo disciplinar" – eles se relacionam ao fato de que nenhuma disciplina 
adquire sentido sem que desenvolvam ou ponham em movimento certas teorias, metodologias 
e práticas discursivas. Mesmo que tome emprestados conceitos e aportes teóricos originários de 
outros campos de saber, que incorpore métodos e práticas já desenvolvidas por outras 
disciplinas, ou que se utilize de vocabulário já existente para dar forma ao seu discurso, não 
existe disciplina que não combine de alguma maneira Teoria, Método e Discurso. 
Por outro lado, um campo disciplinar não se desenvolve no sentido de possuir apenas 
uma única orientação teórica ou metodológica, mas sim de apresentar um certo repertório 
teórico-metodológico que é preciso considerar, e que se torna conhecido pelos seus praticantes, 
gerando adesões e críticas variadas. 
O desenvolvimento de um campo disciplinar acaba gerando uma linguagem comum 
através da qual poderão se comunicar os seus expoentes, teóricos, praticantes e leitores. Há até 
 
14 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 23-24. 
15 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, p. 26. 
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campos disciplinares que acabam gerando certo repertório de jargões, facilmente reconhecidos, 
mesmo externamente. De todo modo, qualquer campo se inscrevendo em certa modalidade de 
Discurso, por vezes com dialetos internos. É por isso que não é possível a ninguém se 
transformar em legítimo praticante de determinado campo disciplinar se o iniciante no novo 
campo de estudos não se avizinhar de todo um vocabulário que já existe previamente naquela 
Disciplina, e através do qual os seus pares se intercomunicam.16 
À questão da Interdisciplinaridade, ao se colocarem em contato dois campos disciplinares 
(seja de forma interdisciplinar ou transdisciplinar) podem enriquecer sensivelmente um ao 
outro nos seus próprios modos de ver as coisas e a si mesmos. Particularmente a História, no 
decorrer do século XX e além, foi beneficiada por uma longa história de contribuições 
interdisciplinares às concepções e abordagens dos historiadores. A Geografia, a Antropologia, a 
Psicologia, a Linguística, etc., estiveram fornecendo frequentemente conceitos e metodologias 
aos historiadores, e certos desenvolvimentos em campos como História Cultural ou a História 
das Mentalidades não teriam sido possíveis, certamente, sem os respectivos diálogos 
interdisciplinares com a Antropologia e com a Psicologia. 
Obviamente, não é possível pensar umadisciplina sem admitir o seu lado de fora, uma 
zona de interditos ou aquilo que se coloca como proibido aos seus praticantes. O exterior de um 
campo de saber é tão importante para uma disciplina como aquilo que ela inclui, como as 
teorias e métodos que ela franqueia aos seus praticantes, como o discurso que ela torna 
possível, como as escolhas interdisciplinares estimuladas ou permitidas. O que se interdita em 
uma disciplina, como tudo mais, também é histórico, sujeito a transformações, e as temáticas e 
ações possíveis que um dia estiveram dentro de certo campo disciplinar podem ser 
processualmente deslocadas para fora, como também algo do que estava fora também pode vir 
para dentro, para um espaço de inclusão legitimado pela rede de praticantes da disciplina. 
Existe de fato uma densa e complexa rede humana, constituída por todos aqueles que já 
praticaram ou praticam a disciplina considerada e pelas suas realizações – obras, vivências, 
práticas realizadas – e também isto é certamente tão inseparável da constituição de um campo 
disciplinar que poderíamos propor a hipótese de que a entrada de cada novo elemento humano 
em certo campo disciplinar já o modifica em alguma medida, da mesma maneira que cada obra 
produzida sobre um campo de saber ou no interior desse mesmo campo de saber já o modifica 
em menor ou maior grau, às vezes indelevelmente, às vezes tão enfaticamente a ponto de se 
tornar visível o surgimento de novas direções no interior desse campo disciplinar. 
Ao se falar em uma "rede humana" para cada campo disciplinar, também temos de ter 
em vista, é claro, que essas redes encontram-se frequentemente interferidas por uma "rede 
institucional" (universidades, institutos de pesquisa, circuitos editoriais de revistas científicas, 
 
16 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 28-29. 
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etc.), e também por uma constelação de grupos de pesquisa e outras formas de parcerias e 
associações dentro da qual essa vasta rede humana também se acomoda de uma maneira ou de 
outra. A rede humana do campo disciplinar, dessa forma, assume aqui a forma de uma 
"comunidade científica".17 
Conforme Michel Foucault já fez notar com especial nitidez em seu ensaio A ordem do 
discurso
18, nem todos podem dizer tudo o tempo todo, o que nos remete mais uma vez à 
questão dos ditos e interditos permitidos e hierarquizados por um campo disciplinar. A rede de 
discursos que constitui uma das dimensões integrantes do campo disciplinar é também, ela 
mesma, uma rede de textos e realizações, em dinâmica de interconexão. 
Também Michel de Certeau, que examinou os desdobramentos deste campo disciplinar 
que é a História, em seu clássico texto A operação historiográfica19, procura mostrar como cada 
realização empreendida por cada historiador coparticipante da rede historiográfica enunciativa 
termina por fazer emergir "uma operação que se situa em um conjunto de práticas". 
A certa altura de seu amadurecimento como campo disciplinar, começam a ser 
produzidos, cada vez mais frequentemente no seio do próprio campo de saber em constituição, 
os "olhares sobre si". Começam a surgir, elaboradas pelos próprios praticantes da disciplina, as 
"histórias do campo'', aqui entendidas no sentido de narrativas e análises elaboradas pelos 
praticantes do campo disciplinar acerca da própria rede de homens e saberes em que estão 
inseridos. Compreender-se historicamente é o resultado mais visível desse "olhar sobre si". 
Temos, então, dez dimensões importantes nesta caminhada para tentar compreender 
uma disciplina, qualquer que ela seja: o seu campo de interesses (1), a sua singularidade (2), os 
seus campos intradisciplinares (3), o seu padrão discursivo (4), as suas metodologias (5), os seus 
aportes teóricos (6), as suas Interdisciplinaridades (7), os seus interditos (8), bem como a 
extensa "rede humana" (9) que, através de suas realizações, empresta uma forma e dá 
concretização ao campo disciplinar, sem contar o "olhar sobre si" que essa mesma rede 
estabelece a certa altura de seu próprio amadurecimento (10). 
Torna-se importante, portanto, compreender adicionalmente que cada uma das dez 
dimensões atrás citadas, além de interligada às demais, está mergulhada ela mesma, por inteiro, 
na própria história. Os padrões interdisciplinares se alteram, os desdobramentos 
intradisciplinares se multiplicam ou se restringem, as teorias se redefinem, as metodologias se 
recriam, o padrão discursivo se renova, os interditos são rediscutidos, e mesmo algo da 
singularidade que permite definir uma "matriz disciplinar" no interior da rede de saberes pode 
 
17 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 30-33. 
18 Cf. FOUCAULT, 1996. 
19 Cf. DE CERTEAU, 1982. 
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sofrer variações mais ou menos significativas à medida que surgem novos paradigmas e 
contribuições teórico-metodológicas. Cada campo de saber está constantemente produzindo 
ovosà olha esàso eàsià es o àdeàa o doà o àasàt a sfo aç esà ueàseàd oàde t oàeàfo aàdoà
campo – do contexto histórico-social às transformações teóricas e tecnológicas. Tudo é 
histórico, enfim, e essa máxima é também válida para todo o conjunto de elementos daquilo 
que vem a constituir um determinado campo disciplinar. 
Uma vez tornado visível e reconhecido como novo espaço cientifico ou forma de 
expressão, cada campo disciplinar (ou cada campo de saber, dito de outra maneira), passa a se 
constituir em patrimônio de todos os que podem ou pretendem praticá-lo. Esse imenso 
universo ou sistema que constitui um campo disciplinar, de todo modo, é anônimo, não 
pertence especificamente a ninguém, embora dele nem todos possam se apossar.20 
Conforme ressalta Foucault, um campo disciplinar depende de desencadear expansões 
para existir, isto é, para que haja disciplina é preciso, pois, que haja possibilidade de formular e 
de formular indefinidamente, proposições novas.21 
Portanto, a História (campo de conhecimento) jamais será constituída por tudo o que se 
pode dizer de verdadeiro sobre a história (campo dos acontecimentos). Para que uma 
proposição pertença à disciplina História em certa época é preciso que essa proposição 
responda às condições desta disciplina tal como a definem ou definiram os seus praticantes de 
então. A História, como qualquer outra disciplina, estará sempre atraindo para dentro de si ou 
repelindo para fora de suas margens determinado conjunto de saberes, proposições e domínios 
que em momento anterior poderiam ter estado ali, e que em um momento subsequente da 
história dos saberes e dos discursos já não estão.22 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 35-38. 
21 FOUCAULT, 1996, p. 30. 
22 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 39-40. 
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4. TEORIA: O QUE É ISSO? 
Qualquer campo disciplinar, seja qual ele for, apresenta uma escrita, uma linguagem 
própria, uma organização interna que tende a se consolidar sob a forma de "espaços 
intradisciplinares", uma tendência a estabelecer no seu exterior certos diálogosinterdisciplinares com outros campos de saber, um conjunto de procedimentos e alternativas 
metodológicas, um "olhar sobre si" que passa progressivamente a refletir uma maior tomada de 
consciência dos integrantes do campo disciplinar acerca de suas próprias realizações, e, por fim, 
um certo repertório de possibilidades relacionadas à teoria. 
Quando dizemos que a Teoria é uma "visão de mundo", podemos discutir esta afirmação 
em três níveis, a saber: 
1) Um "modo de apreender o mundo"; 
2) Um "campo de estudos"; 
3) E cada um dos "modelos" ou "sistemas" explicativos criados para compreender um 
determinado fenômeno, aspecto da realidade ou objeto de estudos. 
Uma teoria é uma visão de mundo. É através de teorias que os cientistas e os estudiosos 
de qualquer área de saber conseguem e xe ga àaà ealidade,à ap ee de àoà u do àouàosàseusà
objetos de estudo, de formas específicas, seja qual for o seu campo de conhecimento de 
atuação. É particularmente interessante constatar que a noção de "teoria" sempre esteve ligada 
à ideia de "ver" – ou de "conceber" –, isso desde a Antiguidade: para a maior parte dos filósofos 
gregos da Antiguidade, theoria significativa "contemplação". Isso prossegue sendo válido até os 
diasàdeàhoje,à o oà odoàdeàap ee de àoà u do à– ou mesmo como maneira de agir diante da 
realidade ou do mundo imaginário – a Teoria se contrapõe ao agir intuitivo, ao comportamento 
emotivo, ao impulso instintivo, à recepção mística da ''palavra revelada", e a outros tantos 
modos de conhecer ou de se movimentar no mundo. 
A teoria pode ser abordada, em um segundo nível, como um "campo de estudos", ou 
como uma espécie de território constituído por todas as realizações teóricas proporcionadas 
pelos praticantes de determinado campo de saber. São nesses territórios teóricos, definidos por 
cada uma das diversas ciências, que encontraremos, em graus vários de amadurecimento e de 
interação, as linguagens conceituais específicas de cada campo de saber, os seus modos de 
enxergar a realidade, os paradigmas disponíveis aos praticantes do campo, ou as próprias 
perguntas que são possíveis de se levantar, naquele momento, com relação aos objetos de 
estudo típicos do campo de saber em questão. 
Em terceiro lugar, podemos falar de "teorias" quando nos referimos a cada um dos 
modelos ou sistemas explicativos de que os cientistas se utilizam apara compreender os 
fenômenos, aspectos e objetos que se relacionam às suas especialidades. Há teorias sobre 
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objetos ou processos muito singulares. Mas há também teorias sobre questões muito mais 
amplas.23 
A teoria é filha da Razão e irmã da Metodologia Científica. Não é uma forma melhor nem 
pior de apreender o mundo ou de nele se movimentar é apenas uma forma específica. A teoria 
corresponde a certa maneira de "ver" e de pensar sobre as coisas. A expressão ''teoria" deve 
estar associada a um modo de ver que se estabelece processualmente através da razão 
discursiva (isto é, de uma verbalização que se impõe passo a passo) bem como através de 
mediações várias entre o sujeito e o objeto "contemplado". É importante se ter em vista que o 
processo de elaboração teórica é contínuo e circular, de modo que nele estarão sempre 
reaparecendo estes diversos mediadores – os conceitos e a linguagem de observação que darão 
certa consistência à leitura da realidade trazida pelo sujeito que produz o conhecimento, as 
hipóteses que serão formuladas, os procedimentos argumentativos e comprovações empíricas, 
as análises encaminhadas através da demonstração, e a verbalização dos resultados através de 
uma forma específica de discurso, racionalizada. 
Pa aàdeixa à aisà la o,àpode osàe u e a àessesà ediado esàte i os :àa àHip teses;à à
Procedimentos argumentativos; c) Demonstrações (por exemplo, através de procedimentos 
analíticos); d) Verbalização dos resultados; e) Linguagem de observação; e f) Conceitos. 
O fato é que a Ciência opera essencialmente no "modo teórico", e é por essa via que 
tendemos a seguir quando praticamos uma disciplina que se pauta por algum padrão de 
cientificidade. A Teoria, associada ao Método, é a principal forma de obter conhecimento aceito 
pela Ciência. 24 
Desde o início do século XX, e incluindo as próprias ciências exatas e da natureza, 
cientistas como Albert Einstein e filósofos como Karl Popper, começaram cada vez mais a 
ha a àate ç oàpa aàoàfatoàdeà ueà àaà ossa àTeo iaà ue decide o que podemos observar, ou 
como observar. A teoria transforma a realidade observada, ou ao menos revela certos aspectos 
de uma realidade observada e não outros, conforme essa teoria seja construída de uma maneira 
ou de outra, ou a parir de certos pontos de vista e parâmetros. O que se pode perceber da 
realidade acha-se francamente interferido pelo ponto de vista do sujeito que produz o 
conhecimento.25 
Paul Veyne, em seu livro Como se escreve a História26, já chamava a atenção para o fato 
de que "a formação de novos conceitos é a operação mediante a qual se produz o 
 
23 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 40-48. 
24 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 53-55. 
25 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 60-63. 
26 Cf. VEYNE, 1998. 
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enriquecimento da visão". A essa formulação, o historiador francês seguia argumentando que 
Tucídides, Eginhard, ou Santo Tomás de Aquino não teriam podido enxergar, nas sociedades de 
seu tempo, aquilo que hoje nelas procuramos: "classes sociais", "mentalidades", "mobilidade 
social", ''atitudes econômicos", ou tantos outros aspectos que aprendemos a ver nas diversas 
sociedades históricas através de conceitos que nós mesmos formulamos ou que herdamos, para 
modificá-los ou não, de nossos predecessores na análise historiográfica. 
É uma determinada teoria e seus instrumentos fundamentais, os conceitos, o que nos 
possibilita formular uma determinada leitura da realidade histórica e social, enxergar alguns 
aspectos e não outros, estabelecer conexões que não poderiam ser estabelecidas sem os 
mesmos instrumentos teóricos de que nos valemos. A teoria pode ser considerada como fator 
de importância fundamental para a constituição de qualquer campo de conhecimento, o que 
inclui a História. Por outro lado, a teoria remete ainda aos conceitos e categorias que serão 
empregados para encaminhar uma determinada leitura da realidade, à rede de elaborações 
mentais já fixadas por outros autores (e com as quais o pesquisador irá dialogar para elaborar o 
seu próprio quadro teórico). Do mesmo modo, a teoria remete frequentemente a 
generalizações, ainda que essas generalizações se destinem a serem aplicadas em um objeto 
específico ou a um estudo de caso delimitado pela pesquisa. Ao lado disto, a teoria também 
implica uma visão sobre o próprio campo de conhecimento que se está produzindo. Enfim, a 
Teoria tanto remete à maneira como se concebe certo objeto de conhecimento ou uma 
determinada realidade examinada, a partir de dispositivos específicos que são os conceitos e 
fundamentos teóricos de diversos tipos, como também se refere ao modo como o pesquisador 
ou cientista enxerga sua própria disciplina ou seu próprio ofício. 
Enquanto a teoria refere-se a um "modo de pensar" (ou de ver), a "metodologia " refere-
se a claramente um "modo de fazer''. Esses dois verbos – "ver" e "fazer" – constituem os gestos 
fundamentais que definem, respectivamente,Teoria e Método. A "Metodologia" remete 
sempre a uma determinada maneira de trabalhar algo, de eleger ou constituir materiais, de 
extrair algo específico desses materiais, de se movimentar sistematicamente em torno do tema 
e dos materiais concretamente definidos pelo pesquisador. A metodologia vincula-se a ações 
concretas, dirigidas à resolução de um problema; mais do que ao pensamento, remete à ação e 
a prática. Por exemplo, a "análise de discurso'' (exame minucioso, crítica, estudo) de que um 
historiador lança mão para compreender as suas fontes históricas, são relacionados ao âmbito 
dos procedimentos técnicos e das metodologias. Quando o historiador situa um conjunto de 
documentos em série, e procura incidir sobre ela um determinado questionário ou uma 
tabulação de tópicos e critérios, estará certamente empregando uma "metodologia''. 27 
 
27 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 64-67. 
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Faz parte da Metodologia tudo aquilo que é pertinente ao "fazer da história" – às 
situações concretas e práticas com as quais deve o historiador se defrontar em seu processo de 
pesquisa, de análise de fontes, ou mesmo de exposição de resultados. Elementos de 
importância máxima, que perpassam toda a Metodologia da História e que correspondem de 
certo modo ao seu centro, são precisamente as Fontes Históricas. 
São elementos pertinentes à Teoria todos aqueles aspectos, fatores e artifícios que se 
relacionam às "maneiras de ver" e às concepções historiográficas. Os "conceitos", por exemplo, 
são importantes instrumentos da Teoria. Quando formulamos um conceito como o de "Classe 
Social" estamos nos proporcionando uma certa maneira de enxergar a sociedade, pois 
imediatamente passamos a concebê-la como dividida de uma forma específica, do mesmo 
modo que começamos a enxergar a partir dessa divisão hierarquizações e antagonismos 
específicos entre os vários grupos sociais resultantes dessa concepção da sociedade. 
A Historiografia também estabelece "diálogos interdisciplinares" importantes – muitos 
dos quais de cunho teórico, e outros relacionados ao âmbito metodológico – com outros 
campos do conhecimento como a Antropologia, a Geografia, a Economia, a Sociologia, a 
Psicologia, e tantos outros. Por isso, os "diálogos interdisciplinares" atravessam tanto a teoria 
como a metodologia da História. 
Quando atinge certo nível de complexidade, muito habitualmente um campo de saber 
começa a produzir "espaços intradisciplinares", e a permitir, obviamente, conexões as mais 
diversas entre esses espaços intradisciplinares de acordo com cada objeto de estudo. Olhar que 
um campo de estudos estabelece sobre si, identificando e constituindo seus espaços internos, é 
também uma questão teórica, um modo de enxergar a si mesmo, que no caso da História 
corresponde a mais uma das tarefas da Teoria da História. 
A Historiografia também desenvolve inúmeros procedimentos e metodologias para 
constituir as fontes históricas, para analisá-las, para serializá-las, para utilizá-las como fontes de 
indícios e informações historiográficas, ou para abordá-las como discursos que devem ser 
decifrados, analisados, incorporados criticamente pelo historiador. Inúmeros âmbitos 
relacionados aos "métodos e técnicas" poderiam ser aqui indicados, e a História Oral, a 
Arqueologia, a Análise de Discurso, ou o tratamento serial e estatístico constituem apenas 
alguns exemplos. 
É imprescindível à Metodologia da História, ainda, o próprio "planejamento da pesquisa" 
e, neste sentido, o "Projeto de Pesquisa" constitui um recurso metodológico importante. Um 
bom Projeto de Pesquisa também falará de Teoria, uma vez que faz parte de um bom 
planejamento indicar as referências conceituais, discutir o quadro teórico que orientará a 
análise, formular hipóteses, e dialogar com a historiografia e teoria já existente. A ideia é que 
uma decisão "teórica" pode encaminhar também uma escolha "metodológica". 
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Reciprocamente, a metodologia – ou uma certa maneira de fazer as coisa – também pode 
retroagir sobre a concepção teórica do pesquisador, modificando sua visão de mundo e 
levando-o a redefinir os seus aportes teóricos. Há certas implicações metodológicas a partir de 
certos pressupostos teóricos e, inversamente, quando optamos por uma certa maneira de fazer 
as coisas, de enfrentar situações concretas apresentadas pela pesquisa, também estamos 
optando por um certo posicionamento teórico. 
A pesquisa em História e a sua posterior concretização em escrita da História (isto é, a 
apresentação dos resultados da pesquisa em forma de texto) envolvem este confronto 
interativo entre teoria e metodologia. O ponto de partida teórico, naturalmente, corresponde a 
uma determinada maneira como vemos o processo histórico. Podemos alicerçar nossa leitura da 
História na ideia de que esta é movida pela ''luta de classes". Mas se quisermos identificar essa 
"luta de classes" na documentação que constituímos para examinar este ou aquele período 
histórico específico, teremos de nos valer de procedimentos técnicos e metodológicos especiais. 
Será talvez uma boa ideia empreender uma "análise de discurso" sobre textos produzidos por 
indivíduos pertencentes a esta ou àquela "classe social", por exemplo.28 
Existem metodologias que favorecem ou que inviabilizam o encaminhamento de certas 
perspectivas teóricas. A interação entre Teoria e Metodologia também aparece de maneira 
muito clara na elaboração de "hipóteses". Via de regra, uma hipótese é gerada a partir de certo 
ambiente teórico, e frequentemente é formulada a partir de conceitos muito específicos. Posto 
isto, não há sentido em formular uma hipótese que não possa ser demonstrada – pois, se assim 
for, não estaremos diante de uma verdadeira hipótese, e sim de uma mera conjectura. É depois 
que formulamos uma hipótese, e quando partimos para a sua demonstração, que surge a 
necessidade de uma "metodologia". 
Nas ciências históricas, qualquer hipótese apresentada deve buscar respaldo nas fontes 
primárias, e na análise dessas fontes, ou, ao menos, deve ser referida a evidências que tenham 
chegado ao historiador de alguma maneira. Estes procedimentos – o levantamento de fontes, a 
constituição de um corpus documental, a verificação comparada de informações e a análise dos 
discursos trazidos pela documentação – estão ancorados na Metodologia. Para verificar uma 
hipótese, ou para rejeita-la, é preciso de método. Uma hipótese nasce no mundo teórico, a 
partir de uma determinada maneira de enxergar a realidade, mas em seguida ela se dirige ao 
âmbito metodológico em busca de comprovação. Torna-se mais um dos inúmeros elos que 
podem ser estabelecidos entre a Teoria e a Metodologia. Se há uma interpenetração possível 
entre concepções teóricas e práticas metodológicas disponíveis ao historiador ou a qualquer 
outro tipo de pensador/pesquisador, deve-se ter sempre em vista que "teoria" e "método" são 
 
28 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 69-73. 
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coisas bem distintas, da mesma maneiraque "ver" e "fazer" são atitudes verbais e práticas 
diferenciadas, embora possam se interpenetrar. 
Um ponto interessante que pode ser ressaltado para o caso da Teoria é que pode existir 
uma grande diversidade de teorias possíveis para qualquer objeto de investigação ou para 
qualquer campo de conhecimento examinado, e que as diversas teorias podem se contrapor, se 
sucederem ou se sobreporem umas às outras. Uma vez que cada teoria propõe ou se articula a 
uma determinada "visão de mundo", e ela também corresponde à formulação de determinadas 
perguntas e, consequentemente, abre espaço a um certo horizonte de respostas. Na mesma 
medida em que as teorias se diversificam, também variam muito as respostas proporcionadas 
por cada teoria em relação a uma certa realidade ou objeto examinado.29 
Thomas Kuhn, autor do célebre livro A estrutura das revoluções científicas30, de 1962, já 
considerava que uma teoria frequentemente se afirma em detrimento de outra, precisamente 
porque responde a algumas questões que a outra teoria não respondia. Nessa perspectiva, as 
mudanças de teoria (ou as opções por uma ou outra teoria) ocorrem porque uma teoria passa a 
satisfazer mais do que outra, isto é, porque as questões a que a nova teoria adotada dá resposta 
começam a ser consideradas mais importantes ou relevantes pelo sujeito que produz o 
conhecimento. Dito de outra maneira, cada teoria, ao corresponder ou ao equivaler a uma 
determinada visão de mundo, permite que sejam formuladas certas perguntas e, 
frequentemente, uma nova teoria contrasta com as teorias anteriores que abordaram esta ou 
aquela questão precisamente pela sua capacidade de colocar novas perguntas. 
O pensar no "modo teórico" deve se amparar, nos dias de hoje, em certos procedimentos 
e pressupostos que foram reforçados pelo padrão de cientificidade da vida moderna. A "teoria" 
sem demonstração, sem encadeamento coerente de suas partes, sem verificabilidade, pode se 
converter meramente em um conjunto de "conjecturas", pelo menos de acordo com o 
pensamento que passou a predominar no mundo contemporâneo. A Ciência, compreendida 
como forma específica de produzir conhecimento, pode ser identificada a partir da co-presença 
de alguns aspectos que lhe são inerentes. Deve antes de tudo visar e constituir um 
conhecimento a ser produzido sistematicamente, com rigor metodológico. O saber científico 
também deve ultrapassar, necessariamente, o mero nível descritivo ou narrativo, de modo a 
fornecer explicações ou "sistemas para a compreensão" acerca dos fenômenos que examina. 
Em última instância, não busca, a Ciência, no seu sistemático processo de produzir o 
conhecimento, fornecer valorações éticas ou que tenham por escopo final julgar os fenômenos 
observados de acordo com algum ponto de vista moral (tal como ocorre com a Ética ou com a 
Religião). Sobretudo, trata-se de um conhecimento demonstrado, tanto a partir de uma lógica 
 
29 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 75-77. 
30 Cf. KUHN, 1998. 
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argumentativa, como no que se refere à comprovação de dados que lhe sirvam de base 
informativa. É por fim, e este é um dos seus aspectos mais definidores, um conhecimento que 
deve ser "testável", isto é passível de ser verificável ou percorrido mais de uma vez por qualquer 
pesquisador que se proponha a seguir todos os passos da pesquisa original. Para tanto, o 
conhecimento produzido cientificamente deve explicitar necessariamente o "caminho'' e os 
"pressupostos" que permitiram que o mesmo fosse produzido (o "método" e também a "visão 
de mundo", isto é, a "teoria", que o sustenta), assim como deve esclarecer as condições de 
produção do conhecimento em questão. 
Portanto, a História, desde o momento em que postulou se tornar científica, ou ao menos 
se pôs a dialogar com as sociedades científicas, trouxe para o centro de suas preocupações um 
extremo cuidado em indicar as suas fontes. Essa é uma questão "metodológica" da maior 
importância para a História. É através da indicação das fontes utilizadas por um historiador que 
um outro, que deseje submeter o seu trabalho à prova, poderá percorrer o mesmo caminho 
traçado pelo primeiro pesquisador. A fonte está na base da dimensão de verificabilidade 
possível à História. Se na Química o pesquisador pode repetir em laboratório a experiência 
produzida pelo primeiro pesquisador, na História se deve assegurar que todos tenham acesso às 
fontes examinadas. Faz parte da ideia de teoria a possibilidade de demonstração (de confirmar 
ou de extrair consequências daquilo que é formulado). Para estarmos no âmbito da Teoria 
também é necessário que o que se formula teoricamente seja submetido a um diálogo com 
outras proposições teóricas, seja para reforço ou para refutação. Por isso as diversas teorias 
relacionam-se, por contraste ou por interação, no interior de um campo de conhecimento mais 
vasto, que é o campo científico que se tem em vista. 31 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 80-83. 
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5. O PARADIGMA HISTORIOGRÁFICO 
Pertencem ao âmbito da teoria da história os grandes paradigmas historiográficos e os 
sistemas teóricos mais amplos que se destinam a encaminhar a compreensão e análise 
historiográfica. Os paradigmas Positivista, Historicista e o Materialismo Histórico, entre outros, 
pertencem ao quadro de grandes correntes teóricos disponíveis aos historiadores (embora 
frequentemente essas correntes também envolvam aspectos metodológicos).32 
Mas o que é um paradigma? Ora, paradigma é um conceito das ciências e da 
epistemologia (a teoria do conhecimento) que define um exemplo típico ou modelo de algo. É a 
representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma 
teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica 
com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de 
modelo para estudos e pesquisas. 
Como dito alhures, a segunda metade do século XVIII é um momento de passagem 
importante para um novo momento na historiografia, até o século XIX, quando se consolidará a 
historiografia científica. Esta metade de século em que surgem as "filosofias da história" é como 
que uma antessala para algo ainda mais inovador, que será o ambiente de surgimento das 
"teorias da história" ainda na primeira metade do século XIX. Estes dois momentos da 
historiografia, embora distintos, fazem parte de um mesmo movimento que já podemos situar 
no ambiente de uma nova era historiográfica. 
Embora fosse já antiga a prática da historiografia, ou de vários tipos de pesquisa e de 
elaboração de textos assemelhados à historiografia, surgiria efetivamente em fins do século 
XVIII a primeira formulação do conceito atualà deà hist ia,à e te didaà o oà u à si gula -
oletivo ,à istoà ,à o oà aà i te aç oà deà todasà asà expe i iasà hu a as,à desapa e e doà aà
te d iaà aà seà fala à e à hist ias ,à oà plu al,à sepa adasà u asà dasà out as.à Essaà uda çaà
semântica anuncia efetivamente os novos tempos: a partir de então um mesmo conceito – 
"História" passaria a designar simultaneamente a realidade vivida (a história enquanto processo 
de acontecimentos) e a reflexão sobre esta realidade vivida (a historiografia produzida peloshistoriadores na sua narração ou análise da história). Daqui em diante, a História passará a 
carregar o nome de sua carne. 
O novo tipo de historiador extrairá parte de suas inspirações e traços essenciais não 
apenas dos filósofos, como também dos teólogos e filólogos; além do que, é claro, aquilo que 
naturalmente se extrairá dos antigos praticantes de gêneros cronísticos e proto-historiográficos. 
 
32 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, p. 70. 
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As interessantes observações da filósofa Hannah Arendt33 sob uma sutil mudança que ocorria 
pela mesma época (fins do século XVIII) na própria história da Filosofia, pois esta mudança no 
ambiente mental dos filósofos vai de fato ao encontro da emergência da nova mentalidade 
historiográfica que já vinha surgindo por outras vias. Arendt observou que a história do 
chamado "pensamento filosófico ocidental" conheceu três grandes épocas, a saber: 
1) Era filosófica – extraordinariamente extensa na história do pensamento ocidental, no 
que concerne a esta questão específica que seria a determinação da principal tarefa do 
filósofo, seria aquela que foi atravessada por uma filosofia que valorizava 
prioritariamente a Metafísica. Teríamos aqui aquela filosofia que, desde Platão e 
Aristóteles, havia fixado como tarefa maior e mais nobre da Filosofia investigar as "causas 
primeiras" (isto é, aquelas que estão acima do mundo humano, que se referem às 
reflexões sobre o próprio Ser enquanto Ser, examinado como se estivesse fora da história 
e do fugaz e revolto mundo humano). De Aristóteles até fins da Idade Média, passando 
pelos tomistas, esta teria sido a tônica maior da história da Filosofia que precede o 
período moderno. 
2) Primeira Modernidade – os séculos XVI e XVII trarão, em seguida, a ''primeira 
modernidade''. A "primeira modernidade" se traduz efetivamente em mudanças 
importantes na história do pensamento filosófico com relação a esta questão específica, 
isto é, "qual seria a principal tarefa do filósofo?". Do inquérito metafísico sobre as causas 
primeiras, a tarefa maior e mais nobre da Filosofia passa a ser vista, nos séculos XVI e 
XVII, como aquela que é cumprida pelas Teorias Políticas. De Maquiavel (1469-1527) a 
Locke (1632-1704) e a Hobbes (1469-1527), há fartos exemplos. A Filosofia, já desde a 
primeira modernidade, passa a ser preocupar enfaticamente com o mundo humano, com 
a sua organização política, com o mundo da "ação". Não que esta Filosofia como na 
Filosofia da Antiguidade também se tratou muito do "Político''), mas sim que, neste novo 
período, o ''Político" é que passa a ser enfatizado como a temática mais importante. 
3) Segunda Modernidade – O último terço do século XVIII (coincidindo precisamente com o 
período que Jorn Rusen qualificará como do surgimento de uma nova era historiográfica) 
assistira ao "concomitante" declínio do interesse pelo puramente político". Diante do 
portal que introduz, no século XIX, a "segunda modernidade". Esta já nasce, por assim 
dize ,àdisti tiva e teà a adaàpelaà " o s i iaàhist i a .àDeàu aà a ei aàat àe t oà
inédita a História passa a contaminar a Filosofia, toda ela se torna histórica, e se auto 
percebe como mergulhada na história. Esta é pelo menos a tendência geral, da qual 
Hegel nos oferecerá o mais bem acabado exemplo. 34 
 
33 ARENDT, 2009, p. 101 apud D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, p. 45. 
34 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, pp. 43-50. 
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A "Verdade" não está mais fora da história, de maneira transcendente; ao contrário, 
daqui em diante ela está dentro da história. Rigorosamente falando, a Verdade é a própria 
história. A noção de "processo histórico'' se impõe a partir daqui. A verdade a ser apreendida, 
seja pelos filósofos ou por estes novos intelectuais que serão os historiadores, dá-se na história, 
está inarredavelmente inscrita no tempo. É por isso que a História deixa de ser aquela 
modalidade de prática intelectual ou literária que antes parecia destinada a fornecer exemplos 
para a Teoria Política, tal como em Maquiavel. Ela (a história) é o próprio processo a ser 
estudado. Isto vai se impor com tanta força que o século XIX vai ser cognominado de ''século da 
história". 
Diante da nova concepção de que a história corresponderia a uma realidade vivida 
efetiva, a função do historiador, por isto mesmo, passaria a ser a de apreender esta realidade, 
ou algo desta realidade, o que nos leva desde já ao segundo traço apontado por Jorn Rusen em 
sua caracterização deste novo modo de conceber e elaborar a História que começa a se afirmar 
a partir do último terço do século XVIII. Assim, enquanto o primeiro traço referia-se à natureza 
da história-efetiva, isto é, à maneira como a natureza da história passa a ser compreendida pela 
nova historiografia, já o segundo traço refere-se à ligação ou ao tipo de ligação que deve ser 
estabelecido entre a historiografia e a história, que a primeira toma para objeto de 
conhecimento. 
A Historiografia passa a ser entendida cada vez mais como "forma de conhecimento'' (e 
não mais como mero meio pragmático ou voltado para o aprimoramento ético). Como nova 
forma de conhecimento a ser cuidadosamente definida em suas especificidades, a principal 
estratégia cognitiva da historiografia para lidar com a experiência do passado deverá ser 
necessariamente a "racionalidade do método". Surgirá aqui, concomitantemente, um novo 
conceito importante para ser considerado no âmbito dos procedimentos metodológicos da 
historiografia: a "objetividade". 
Osàhisto iado esàlogoà o eça a àaàpe gu ta àaàsià es os:à ueàele e tosàdaà ealidadeà
histórica podem ou devem ser apreendidos pelosàhisto iado es? ,àouàai da,à" o oàaàHist iaà– 
ou a verdade histórica – poderá tornar-se apreensível para o sujeito que produz o 
o he i e to? .àE àte osà aisàsi ples e teàhisto iog fi os,àosàhisto iado esà o eça àaàseà
preocupar com duas coisas: ''o que buscar na história", e "que métodos e procedimentos 
empregar nesta busca". Estas duas perguntas, a partir da segunda metade do século XVIII, e 
sobretudo no século XIX, estarão presentes na mente de todos os historiadores ou eruditos que 
procuram elaborar algum tipo de conhecimento sobre a experiência do passado. As respostas 
que serão dadas a estas perguntas, contudo, darão origem a correntes diferenciadas do 
pensamento historiográfico. 
Boa parte dos iluministas da segunda metade do século XVIII, por exemplo, haviam 
passado a responder à primeira pergunta ("o que encontrar na História") em termos de uma 
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grande busca de leis ou generalizações. Almejavam compreender, na História, o que estava por 
trás da própria História. Haveria "leis" presentes por trás do desenvolvimento das sociedades 
humanas, tal como havia leis que regiam os fenômenos físicos? Esta busca também foi a dos 
positivistas no século seguinte. 
Já os primeiros românticos do século XVIII, e mais tarde os historicistas do XIX, não 
estavam propriamente interessados em leis gerais, em grandes generalizações que permitissem 
compreendera história como um desenvolvimento único e sob a perspectiva de uma 
universalidade que abarcasse toda a humanidade. Essencialmente, buscavam na história as 
singularidades, as diversidades, a especificidade de cada sociedade ou processo histórico. Sua 
perspectiva historiográfica, em uma palavra, seria "particularizante", e não "universalizante". 
Quanto à pergunta metodológica (''que estratégias cognitivas deveriam ser utilizadas 
pa aà lida à o à aà expe i iaà doà passado? ,à asà espostasà fo a à ta à v ias,à asà aà aisà
consistente seria trazida pelos historicistas que se afirmariam a partir do início do século XIX: a 
historiografia deveria desenvolver métodos sistemáticos de críticas das fontes, das evidências 
que registravam as experiências do passado humano. Este trato sistemático das fontes ficaria 
conhecido como "Crítica Documental", e foi de fato uma das maiores contribuições do 
Historicismo dos primeiros tempos – e da Escola Histórica Alemã em particular – ao 
desenvolvimento da historiografia como um todo. 
Outras duas contribuições, para além da própria difusão do paradigma historicista, foram 
a inserção e consolidação da História como disciplina universitária, e a instituição da figura do 
historiador profissional como aquele sujeito humano que, legitimamente, poderia tomar a seu 
cargo a tarefa da escrita da História com base em uma rigorosa especialização laboriosamente 
conquistada. A nova figura do historiador profissional logo passaria a se contrapor à do sábio 
erudito que, entre inúmeros outros interesses, já vinha escrevendo no século XVIII também as 
suas obras historiográficas, a exemplo de filósofos iluministas como Voltaire, Montesquieu ou 
David Hume. De igual maneira – em que pese que eventualmente as ''teorias da história" do 
século XIX achem-se eventualmente impregnadas de alguma ''filosofia da história" (como o 
Positivismo comtiano ou a perspectiva da marcha teleológica da civilização para o socialismo 
que se acha inserida no materialismo Histórico de Marx e de Engels) o historiador do século XIX, 
o "historiador científico", passa a se dedicar cada vez mais ao exame do concreto vivido trazido 
pelas suas fontes, e a se distanciar cada vez mais das perspectivas teleológicas daquelas 
"filosofias da história" que buscavam antecipar um futuro e refletir essencialmente sobre o 
sentido e o ponto de chegada da história, mais do que sobre a história em si mesma. 35 
 
35 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, pp. 53-55. 
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O historiador profissional que surge no século XIX, e que seguirá pelos séculos 
posteriores, estará muito claramente ocupado em sedimentar as suas reflexões em evidências, 
e em se afastar de especulações não comprováveis ou sem alguma base empírica. 
Em face da necessidade de estabelecer um método que o tornasse capaz de atingir a 
essencialidade do processo histórico ou da experiência humana examinada, passaram a ocupar 
uma centralidade fundamental para a produção do conhecimento histórico estes materiais, 
vestígios ou evidências de todos os tipos que vão sendo deixados pelas sucessivas épocas e pela 
a ação humana através do tempo. Em uma palavra: a ideia de História, no sentido moderno, 
passa a ser quase que automaticamente associada ao conceito de ''Fonte Histórica", embora a 
definição sobre o que poderia ou não ser considerado como fonte histórica tenha passado por 
sucessivas transformações ao longo do desenvolvimento da historiografia, em geral na direção 
de uma gradual expansão que terminaria por abarcar um universo praticamente infinito de 
possibilidades. Desde então, destacam-se dois elementos entre aqueles que mais habitualmente 
associamos à matriz disciplinar que constitui este campo de conhecimento que denominamos 
História: a Fonte Histórica, e a referência ao Tempo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6. DOIS PARADIGMAS EM CONTRAPOSIÇÃO: POSITIVISMO E 
HISTORICISMO 
A historiografia dos séculos XIX ao XXI oferece um arco interessante e diversificado de 
posições relacionadas à questão da oposição e interação entre Objetividade e Subjetividade em 
História. Praticamente o século XIX abre-se e encerra-se com este debate, pois, além de ser o 
século da História, será constituído de décadas de confronto entre duas posições fundamentais 
com relação a esta questão: o Positivismo e o Historicismo. Adicionalmente, surge em meados 
do século XIX uma nova Teoria da História, mas sem estar ainda acompanhada por um número 
significativo de obras historiográficas propriamente ditas: o Materialismo Histórico, que no 
século XX traria inúmeras contribuições historiográficas já produzidas por historiadores ligados 
ao Materialismo Histórico. 
A oposição fundamental entre Positivismo e Historicismo dá-se em torno de três aspectos 
fundamentais: (1) a dicotomia Objetividade/Subjetividade no que se refere à possibilidade ou 
não de a História chegar a Leis Gerais válidas para todas as sociedades humanas; (2) o padrão 
metodológico mais adequado à história (de acordo com o modelo das Ciências Naturais, ou um 
padrão específico para as ciências humanas); e (3) a posição do historiador face ao 
conhecimento que produz (neutro, imerso na própria subjetividade ou engajado na 
transformação social). 
Ambos, o Positivismo e o Historicismo, pautaram-se na ideia de que a História se refere a 
uma realidade humana temporalizada, e na perspectiva de que poderia se tornar objeto de 
conhecimento este mundo humano real a ser compreendido no tempo. De igual maneira, com 
estes dois paradigmas historiográficos concorrentes, já entramos no âmbito das "teorias da 
história". 
É importante ressaltar que, enquanto o Positivismo, como paradigma, já está 
praticamente pronto desde o início do século XIX – já que herda uma série de pressupostos do 
Iluminismo, embora por vezes invertendo a sua aplicação social e vindo a constituir de fato uma 
visão de mundo tendencialmente conservadora, ao contrário dos setores mais revolucionários 
do pensamento Ilustrado –, já o Historicismo estará construindo o seu paradigma no decurso do 
próprio século XIX. Influências mais isoladas lhe chegavam de autores precursores como Herder 
ou Vico, que já estavam no século XVIII atentos à relatividade das sociedades humanas contra a 
tendência predominante na intelectualidade da época, o Iluminismo, que tendia a pensar na 
Natureza Universal do Homem e em uma história "universalizante", e não "particularizante".36 
 
36 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, pp. 63-65. 
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Os Positivistas contam de fato com toda uma fortuna crítica que inclui as já clássicas 
discussões iluministas em torno de questões que lhes seriam caras: (1) a possibilidade de um 
conhecimento humano inteiramente objetivo; (2) a construção de uma história universal, 
comum a toda a humanidade; (3) a possibilidade de amparar um conhecimento científico sobre 
as sociedades humanas com base na ideia de imparcialidade do sujeito que produz o 
conhecimento. Estes três princípios, no que apresentamde mais essencial, sustentam-se sobre a 
noção de que haveria uma "natureza imutável do Homem''. São estes fundamentos, que já 
vinham sendo discutidos há muito pelo pensamento Ilustrado, que o Positivismo tomaria para 
si, emprestando-lhes uma nova coloração. Por isso, podemos dizer que, no essencial das 
questões que irá colocar a si mesmo, o Positivismo já inicia o século XIX com um quadro 
bastante claro de seus posicionamentos. 
Naturalmente que a ideia de uma "imparcialidade absoluta'' será sempre um problema. O 
Iluminista, contudo, via a si mesmo como um homem desprovido dos ''preconceitos'' que 
seriam tão típicos da Igreja, dos partidários da Monarquia Absoluta, dos defensores dos 
privilégios da Aristocracia, ou mesmo do povo mais humilde, por estar sujeito à ignorância que 
lhe impunham aqueles que o dominavam. O Homem ilustrado, burgueses e intelectuais, livres 
de preconceitos e dotados de pensamento crítico, estaria apto a enxergar as coisas como elas 
são, sendo esta a ideia que será retomada mais tarde pelo Positivismo. Além disso, a noção de 
progresso e linearidade histórica também emergem do pensamento iluminista, ao passo que 
conservavam a ideia de que o transcurso das ações dos homens no tempo constituía um 
acumulo de experiências (como nas ciências naturais) que vão sendo selecionadas e guiadas de 
forma teleológica, objetivando alcançar sempre o aperfeiçoamento da humanidade.37 
Já para os primeiros historicistas, como dito, nada de fato estava propriamente pronto no 
início do século XIX. O Historicismo ainda precisará construir a si mesmo, estendendo 
contribuições diversas em um arco que irá de Ranke – ainda preocupado em ''narrar os fatos tal 
como eles aconteceram'' – até Droysen e Dilthey, historicistas relativistas que já se ocupam em 
trazer à historiografia uma reflexão sobre a subjetividade do próprio sujeito que constrói a 
História, bem como sobre a singularidade do padrão metodológico a ser encaminhado pela 
Historiografia: um padrão "compreensivo'' e não ''explicativo'' como nas ciências naturais. Esta 
mesma discussão estende-se através do século XX, chegando a nomes como Gadamer, Paul 
Ricoeur e outros historicistas modernos, como Marrou.38 
Para deixar mais claro, a distinção fundamental entre Positivistas e Historicistas, de um 
lado, refere-se ao contraste de suas perspectivas sobre o Homem – percebido como uma 
natureza imutável, pelos positivistas, e como um ser em movimento e em processo de 
 
37 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, p. 66. 
38 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, p. 67. 
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diferenciação, pelos historicistas. De outro lado, os dois paradigmas também se opõem 
precisamente no que se refere ao papel da Objetividade e da Subjetividade na produção do 
conhecimento histórico: aferrados a um modelo cientificista que procura aproximar ou mesmo 
fazer coincidir os modelos das Ciências Naturais e das Ciências Socais e Humanas, os Positivistas 
tendem a enxergar a subjetividade – do mundo humano examinado, mas também do 
historiador – como um problema para uma história que procurava ocupar um lugar entre as 
demais ciências; em contrapartida, os Historicistas, que construirão seus posicionamentos em 
torno desta questão ao longo da várias décadas do século XIX, tenderam a enxergar a 
subjetividade não como um problema, mas sim como uma inestimável riqueza, ou mesmo como 
aquilo que precisamente permite à História constituir-se em um conhecimento de novo tipo, 
dotado de uma especificidade própria. Dito de outra forma, para os Positivistas o historiador 
deveria deixar-se guiar pela objetividade cruamente, enquanto que para os Historicistas o 
historiador deveria ter compreensão da subjetividade presente nas próprias fontes e até mesmo 
da sua subjetividade no exercício da escrita e análise dos fatos. 
Os maiores nomes entre os historicistas das últimas décadas do século XIX, que estendem 
sua contribuição para uma continuidade com os historicistas do século XX, chegam a realizar 
efetivamente a virada relativista, e a lidar com a subjetividade como algo que não compromete 
a cientificidade do trabalho historiográfico. Em vista disto, será fundamental para estes 
Historicistas opor o paradigma explicativo das Ciências Naturais (e reivindicado pelos 
Positivistas) ao paradigma da Compreensão, aspecto que é operacionalizado de maneiras 
distintas por alguns Historicistas quando contrapostos entre si. Além disso, é importante 
ressaltar que a passagem das filosofias da História para as teorias da História é muito tênue, por 
vezes eivada de ambiguidades. Não raro, correntes já historiográficas afirmaram sua pretensão 
de elaborarem uma história científica, depurada de toda filosofia, e foram depois acusadas por 
outras correntes que as sucederam de ocultarem na verdade filosofias da História, precisamente 
aquilo que alguns de seus historiadores declaravam ter superado. Na verdade, a relação entre 
historiografia e filosofia é muito íntima, e, a não ser que se pretenda elaborar uma história 
meramente factual e descritiva – o que de resto é rejeitado nos dias de hoje – pode-se dizer que 
a historiografia em sentido moderno ampara-se necessariamente em uma Teoria da História e, 
por que não dizer, em uma Filosofia da História, que corresponde à especulação dos 
historiadores sobre o seu próprio ofício.39 
Para finalizar esse tópico, sintetizamos abaixo o paralelo comparativo entre Positivismo e 
Historicismo: 
 
 
39 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, pp. 68-71. 
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A) Fundamentos do Positivismo: Leis Gerais / Universalidade Humana (As sociedades 
humanas são reguladas por leis naturais, invariáveis, independentes da ação humana). 
Identidade de Métodos entre as Ciências Humanas e as Ciências Naturais. Objetividade 
Científica / Neutralidade (O objeto de estudo já está na natureza, e o cientista dele se 
apropria. Separado de seu objeto de estudo, o historiador pode ser neutro e imparcial, 
indo de encontro à verdade dos fatos). 
 
B) Fundamentos do Historicismo: Relatividade do Objeto Histórico (Inexistem leis de 
caráter geral que sejam válidas para todas as sociedades. Qualquer fenômeno social só 
pode ser compreendido dentro das transformações no tempo). Distinção de Métodos 
entre as Ciências Humanas e as Ciências Naturais (Prevalece a diferença entre fatos 
históricos e fatos naturais). Subjetividade do Historiador (O historiador também está 
mergulhado na História). 
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7. MATERIALISMO HISTÓRICO 
O Materialismo Histórico é uma abordagem metodológica dedicada ao estudo da sociedade, 
da economia e da história que foi elaborada originalmente por Karl Marx (1818-1883) e Friedrich 
Engels (1820-1895), apesar de eles próprios nunca terem empregado essa expressão. Em todo 
caso, Marx e Engels foram os criadores de uma nova forma de compreensão da sociedade que 
permitiu superar tanto o idealismo como o materialismo do seu tempo. Essa nova abordagem 
desvelou o caráter limitado e a natureza mistificadora da filosofia e da economia política burguesa.Dessa forma, com o propósito de estudar histórica e cientificamente a sociedade de sua época, 
Marx e Engels começaram por criticar as teorias existentes, para então e formularem uma nova 
forma de interpretação da realidade. É nesse sentido que, analisando as teorias dos idealistas, dos 
metafísicos, dos materialistas ingênuos, representantes do pensamento burguês, eles elaboraram 
uma explicação radicalmente oposta. 
A partir da análise das teorias sociais existentes, Marx e Engels realizaram a ruptura com o 
pensamento de vários teóricos. Entre eles, o pensamento de Hegel (1770-1831), filósofo alemão 
que acreditava que a ideia constitui-se a própria realidade, ou seja, que são os pensamentos, as 
ideias, que determinam a vida material; e o pensamento de Feurbach (1804-1872), que dizendo-se 
materialista, toma a essência genérica do homem como ponto de partida da história, admitindo a 
existência do indivíduo isolado, abstraído do seu contexto histórico. Além desses dois pensadores, 
Marx faz também, severas críticas a Proudhon (1809-1865) que, devido à sua concepção pequeno-
burguesa, analisa as relações sociais capitalistas como imutáveis. 
Portanto, vale perguntar: se Marx critica esse materialismo existente até então, como ele vê 
o indivíduo? Qual o conceito de história que ele propõe? Em que consiste o Materialismo Histórico 
proposto por Marx e Engels? Ora, o materialismo histórico procura as causas de desenvolvimentos 
e mudanças na sociedade humana nos meios pelos quais os seres humanos produzem 
coletivamente as necessidades da vida. As classes sociais e a relação entre elas, além das 
estruturas políticas e formas de pensar de uma dada sociedade, seriam fundamentadas em sua 
atividade econômica. O materialismo histórico, na qualidade de sistema explanatório, foi 
expandido e refinado por milhares de estudos acadêmicos desde a morte de Marx. 
Na obra A Ideologia Alemã, escrita conjuntamente por Marx e Engels, a ruptura com o 
filósofo Feuerbach, o principal expoente da filosofia neohegeliana, ocupa lugar central. Discordam 
enfaticamente do princípio de que é o pensamento quem determina e direciona a vida humana, de 
que as ideias, os princípios, os pensamentos, são os determinantes da forma de ser dos homens. 
Nessaàa liseàdeàFeue a hà àaà o s i iaà ueàdete i aàaàvida,àse doàassi ,à aàIdeiaà o stitui-
se a própria realidade, na medida em que o mundo real nada mais é que a exteriorização 
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deliberada da Ideia. Decorre daí que o pensamento não depende das coisas mas estas é que 
depe de àdele 40. 
Nessa perspectiva, não se leva em consideração a história real, em vez de ser interpretado 
como produto do trabalho humano, o homem é concebido como fruto do seu próprio 
pensamento. É, portanto, abstraído do seu contexto histórico, das relações sociais estabelecidas na 
produção da vida material. Assim, parte-se do que os homens dizem, representam ou imaginam e 
não dos homens em seu processo real de vida. 
Feuerbach, concebe o real apenas como objeto sensível. Não concebe assim, o homem em 
sua conexão social com outros homens e com a natureza, não chega aos homens ativos, existentes, 
p oduto esà deà suaà p p iaà exist ia,à eleà fi aà s à aà a st aç oà doà ho e .à Naà edidaà e à ueà
Feuerbach é materialista, não aparece nele a história e, na medida em que toma a história em 
consideração, não é materialista. Materialismo e história aparecem completamente divorciados 
ele .41 
Além disso, Marx também deixa claro que se diferencia de Hegel, a sua fundamentação 
teórica e o seu método dialético não só difere do hegeliano, mas é também a sua antítese direta. 
Para Hegel, o processo de pensamento, que ele, sob o nome de ideia, transforma num sujeito 
aut o o,à àoàde iu goàdoà eal,à ealà ueà o stituiàape asàaàsuaà a ifestaç oàexte a.à Pa aà i ,à
pelo contrário, o ideal não é nada mais que o material transposto para a cabeça do homem e por 
elaà i te p etado 42. Marx distancia-se do modo hegeliano abstrato e a-histórico de entender o 
homem, ao afirmar que não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a 
consciência. Quando Marx fala da produção da vida, ele está tratando de uma atividade produtiva 
concreta que decorre da maneira de viver do homem. Esta noção de produção do homem pelo 
trabalho ocupa um papel de suma importância no seu pensamento. É da produção que ele parte 
para explicar a própria sociedade, é pela produção que se entende o caráter social e histórico do 
homem. 
Para Marx, as explicações para as questões postas na sociedade devem ser buscadas na 
práxis material dos homens. A categoria da práxis ocupa lugar central na teoria marxiana, por isso, 
toma a produção da vida material como po toàdeàpa tida:à I divíduosàp oduzi doàe àso iedadeà– 
portanto uma produção de indivíduos socialmente determinada, este é, naturalmente, o ponto de 
pa tida 43. A leitura de Marx é uma leitura da realidade social e a categoria de práxis ocupa um 
lugar fundamental em sua obra. É precisamente sobre a concepção do homem como ser prático e 
 
40 MARCUSE, 1978, p.19 apud SOUZA; DOMINGUES, 2009, p. 2. 
41 MARX, 1986, p. 40 apud SOUZA; DOMINGUES, 2009, p. 2. 
42 MARX, 1983, p. 20 apud SOUZA; DOMINGUES, 2009, p. 2. 
43 MARX, 1983, p. 201 apud SOUZA; DOMINGUES, 2009, p. 4. 
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social que repousa na ideia capital do trabalho como forma modelar de práxis, vale dizer, o único 
modo de criação, é precisamente a partir dessa concepção que Marx elabora a sua teoria da 
história. 
Portanto, podemos dizer que, do ponto de vista de Marx e Engels, as relações sociais de 
produção são construídas a partir das condições materiais existentes. É o entendimento dessas 
condições que permite a compreensão de todas as questões humanas. Dessa forma, a base da 
sociedade está no trabalho. O trabalho em Marx é uma categoria essencial que permite além de 
explicar o mundo e a sociedade, explicar também a própria constituição do homem, um ser que 
pelo trabalho se constituiu homem. Para Marx, o trabalho é um processo entre o homem e a 
natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu 
metabolismo com a natureza. Não se trata aqui das primeiras formas instintivas, animais, de 
trabalho. A ideia é que o trabalho pertence exclusivamente ao homem. No fim do processo de 
trabalho obtém-se um resultado que já no início deste existiu na imaginação do trabalhador, e 
portanto idealmente. Ele não apenas efetua uma transformação da forma da matéria natural; 
realiza, ao mesmo tempo, na matéria natural, o seu objetivo. Os elementos simples do processo de 
trabalho são a atividade orientada a um fim ou o trabalho mesmo, seu objeto e seus meios. O 
processo de trabalho é a atividade orientada a um fim para produzir valores de uso, apropriação 
do natural para satisfazer a necessidades humanas, condição universal do metabolismo entre o 
homem e a natureza, condição eterna da vida humana e, portanto, comum a todas as suas formas 
sociais.44 
O trabalho é apontado por Marx como a primeira necessidade humana, a partir da 
satisfação dessa necessidade, outras vão sendo criadas no interior do processo de produção. Nesse 
sentido, todas as questões humanas são produtos do trabalho, e só podem ser compreendidas no 
contexto em que foram produzidas. Podemos afirmar entãoque, em suas análises, Marx parte dos 
indivíduos reais, produtores de suas ações, de suas condições de vida, de suas ideias. Assim é que, 
produzindo seus meios de vida, produzem sua própria vida material. "Tal como os indivíduos 
manifestam sua vida, assim são eles. O que eles são coincide, portanto, com sua produção, tanto 
com o que produzem, como o modo como produzem. O que os indivíduos são, portanto, depende 
das condições materiais de sua produção"45. 
Para tanto, Marx diz que existe uma única ciência, a da história, que pode ser examinada 
sob dois aspectos: a história da natureza e a dos homens. Essas duas são inseparáveis e coincidem 
reciprocamente. Para ele, o homem é um ser natural, criado pela própria natureza e que está 
sujeito as suas leis. Mas, ao mesmo tempo, o homem não se confunde com a mesma natureza de 
que ele faz parte, transformando-a conscientemente segundo suas necessidades. É no processo de 
 
44 MARX, 1983 apud SOUZA; DOMINGUES, 2009, p. 5. 
45 MARX 1986, p.28 apud SOUZA; DOMINGUES, 2009, p. 5. 
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busca da satisfação de suas necessidades materiais que o homem trabalha, criando a si mesmo e à 
sua história nesse processo. 
Para Marx, a história não é um movimento linear, não é determinista, ela se dá através de 
o t adiç es,à deà a tago is osà eà o flitos,à e fi ,à à u à a poà a e toà deà possi ilidades:à Osà
homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob 
circunstâncias de sua escolha e sim sob aquela com que se defrontam diretamente, legadas e 
t a s itidasàpeloàpassado .46 
A busca pela satisfação das necessidades vitais para a manutenção da vida humana faz com 
que os homens produzam os meios de satisfazê-las, esse é para Marx o primeiro ato histórico. 
Desse modo, a satisfação dessas necessidades leva a outras. A própria divisão do trabalho por 
exemplo, se deu a partir das necessidades reais desses homens que produziam em sociedade. 
Assim, o próprio mundo sensível é um produto histórico, o resultado da atividade de toda uma 
série de gerações. 
Nasàpalav asàdeàMa x:à áàhist iaà adaà aisà à doà ueàaà su ess oàdeàdife e tesàge aç es,à
cada uma das quais explora os materiais, os capitais e as forças de produção a ela transmitidas 
pelas gerações anteriores; ou seja, de um lado prossegue em condições completamente diferentes 
a atividade precedente, enquanto, de outro lado, modifica as circunstâncias anteriores através de 
u aàatividadeàtotal e teàdive sa 47. 
Nesse contexto, a consciência do homem pode ser entendida como fruto do seu trabalho, já 
que na produção social da própria vida os homens estabelecem determinadas relações que, por 
sua vez corresponde a uma certa etapa de desenvolvimento das forças produtivas. O conjunto 
dessas relações de produção formam a estrutura da sociedade que corresponde a formas sociais 
determinadas de consciência. Sendo assim, o representar, o pensar, o intercâmbio espiritual, 
aparecem como emanação do comportamento material dos homens. 
A análise da realidade, portanto, deve se dar a partir da teoria da infraestrutura e 
superestrutura que circundam um determinado modo de produção. Isto significa dizer que a 
história sempre está ligada ao mundo dos homens enquanto produtores de suas condições 
concretas de vida e, portanto, tem sua base fincada nas raízes do mundo material, organizado por 
todos aqueles que compõem a sociedade. Os modos de produção são históricos e devem ser 
interpretados como uma maneira que os homens encontraram, em suas relações, para se 
desenvolver e dar continuidade à espécie. Segundo Marx, não é a consciência que determina a 
vida, mas a vida que determina a consciência. 
 
46 MARX, 1985, p.1 apud SOUZA; DOMINGUES, 2009, p. 5. 
47 MARX, 1986, p.70 apud SOUZA; DOMINGUES, 2009, p. 5. 
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Marx deixa claro o método que está propondo para a história: é o método que parte dos 
fenômenos reais – não se parte do que os homens dizem, representam ou imaginam, nem 
tampouco do homem predicado, pensado, representado ou imaginado, para chegar, partindo 
daqui, ao homem de carne e osso; parte-se do homem que realmente atua e, partindo de seu 
processo de vida real, se expõe também o desenvolvimento dos reflexos ideológicos e dos ecos 
deste processo de vida. Tão logo se expõe este processo ativo de vida, a história real deixa de ser 
uma coleção de fatos mortos, ainda abstratos, como o é para os empiristas, ou uma ação 
imaginária de sujeitos imagináveis como o é para os idealistas. Ao propor o seu método, Marx 
acredita que não está desenvolvendo um conhecimento contemplativo, mas um conhecimento 
que implica na possibilidade de transformar o real. O real é um movimento contraditório, marcado 
por conflitos e interesses antagônicos. A ciência da história deve buscar desvendar esse 
movimento que é a base para a compreensão da economia, da história, da política, enfim, de 
qualquer campo de estudo48. 
Assim, o entendimento de qualquer fenômeno, implica em compreendê-lo a partir da 
realidade concreta do qual faz parte. Além disso, Marx fala que as ideias da classe dominante são 
em cada época as ideias também dominantes. A classe que tem em seu poder os meios de 
produção, tem também em suas mãos os instrumentos de dominação, já que é a classe consciente, 
pensante. A produção intelectual se transforma com a produção material. As ideias dominantes de 
uma época sempre foram apenas as ideias da classe dominante. Por isso, que as ideias dominantes 
expressam as relações que estão estabelecidas, ou seja, as relações materiais dominantes. Nesse 
sentido, o Manifesto do Partido Comunista escrito por Marx e Engels, buscando superar o que está 
posto, colocando as bases da teoria social de um novo socialismo e de uma política revolucionária, 
que expressa teoricamente a perspectiva de classe proletária na qual o proletariado constitui-se 
como sujeito histórico revolucionário. 
A análise de Marx revela que, quando se desenvolvem as forças produtivas que a relação 
capitalista de produção é capaz de conter, esta, de forma de desenvolvimento das forças 
produtivas transforma-se no seu entrave. Em uma certa etapa de seu desenvolvimento, as forças 
produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes 
ou, o que nada mais é do que a sua expressão jurídica, com as relações de propriedade dentro das 
quais aquelas até então se tinham movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, 
essas relações se transformam em seus grilhões. Sobrevém então uma época de revolução social. 
Nesse contexto, manifesta-se com toda potência a contradição entre forças produtivas 
sociais e a relação de produção. Se a ordenação da sociedade em classes distintas foi 
historicamente necessária em decorrência do insuficiente nível de desenvolvimento das forças 
 
48 MARX, 1986, p.37 apud SOUZA; DOMINGUES, 2009, p. 6. 
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produtivas, as lutas de classes no capitalismocriaram a possibilidade da abolição de toda relação 
social fundada no antagonismo de classes. 
Para Marx, as relações de produção burguesas são a última forma contraditória do processo 
de produção socia. Mas, contraditória não no sentido de uma contradição individual, mas de uma 
contradição que nasce das condições de existência social dos indivíduos. No entanto, as forças 
produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa, criam ao mesmo tempo as 
condições materiais para resolver esta contradição. Assim, para Marx se deve conhecer essas 
estruturas, pois conhecer implica em transformar, isto é, conhecer uma dada realidade para 
modificá-la. A realidade que Marx quis conhecer e na qual centrou os seus estudos foi a sociedade 
burguesa industrial. Ele estudou o modo capitalista de produção no movimento histórico do seu 
devir, sua existência, sua extinção, ou seja, partiu da análise da sociedade de classes, mas o que 
pretendia mesmo era chegar à sociedade sem classes, ao explicar o significado da crise da ordem 
burguesa. 
Marx diz também que, os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diversas maneiras, 
o importante é transformá-lo. Podemos dizer, portanto, que o método de Marx usa de uma chave 
evolutiva, pensando a evolução histórica e transformadora das sociedades, de maneira que desde 
as sociedades mais remotas até a atual essa evolução se dá pelos confrontos entre diferentes 
classes sociais – a luta de classes – decorrentes da "exploração do homem pelo homem". 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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8. A MODERNA MATRIZ DISCIPLINAR DA HISTÓRIA 
A Matriz Disciplinar da História, embora não com esta designação, foi bem analisada por 
Michel De Certeau em um importante ensaio intitulado A operação historiográfica49, no qual a 
História (a historiografia) é apresentada como constituída simultaneamente por um Lugar de 
Produção, uma Prática e uma Escrita. Dos aspectos acima arrolados, pode-se dizer que o Lugar de 
Produção – o lugar de onde se produz esta forma de conhecimento específica que é a História – 
relaciona-se diretamente à Comunidade de Historiadores. Todos os historiadores, com tudo o que 
até hoje já se produziu em termos de conhecimento histórico e de discursos historiográficos, 
influenciam de alguma maneira, ainda que de maneira indelével na maior parte dos casos, no 
trabalho de cada historiador em particular. 
O discurso historiográfico sistematicamente decifrado por Michel De Certeau situa-se bem 
ancorado na encruzilhada de "um lugar social", "uma prática", "uma escrita". O estudo 
historiográfico aparece, assim, mais como produto de um lugar que de uma disposição individual, e 
afirma-se de maneira particular à tradicional tônica da relação do trabalho historiográfico com o 
Presente, esta que já era lugar-comum nos anos de 1970 e que remonta ao antigo dito de 
Benedetto Croce que proclamava que ''toda história é contemporânea''.50 
A comunidade dos historiadores, interferindo diretamente sobre o trabalho de cada 
historiador em particular, expressa-se através de inúmeros mecanismos de pressão e 
contrapressão, inclusive institucionais. Por outro lado, inegavelmente a comunidade de leitores 
que consomem a História enquanto produto cultural, gênero literário ou modalidade acadêmica, o 
que já nos conduziria a um outro campo de reflexões, como as que foram desenvolvidas por 
autores como Paul Ricoeur em Tempo histórico e narrativa (1982-1983). O leitor, diante das 
múltiplas possibilidades de sentido de um texto, que se estabelecem mesmo para além das 
intenções originárias do autor-historiador, é ele mesmo parte integrante do lugar de produção do 
texto historiográfico. 
Para além de um Lugar de Produção, a Matriz Disciplinar da História define também uma 
Escrita – vale dizer, um modo de Escrita específico, autorizado pela comunidade de historiadores, 
pelas expectativas já consolidadas pelos diversos gêneros historiográficos, e pelas possibilidades 
oferecidas pelas expectativas e competências dos leitores. Este aspecto – o padrão de escrita do 
texto historiográfico – sofre naturalmente transformações ao longo da própria história da 
historiografia, mas pode-se dizer que, essencialmente, a Escrita da História tem desde os primeiros 
tempos alternado relato, sob a forma de narrativa ou descrição, e a análise, por vezes com o 
 
49 DE CERTEAU, 1982. 
50 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, p. 58. 
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predomínio de um ou outro destes polos conforme o paradigma historiográfico em questão, a 
escola histórica ou o estilo pessoal de cada historiador. 
Conforme também ressalta Michel De Certeau, a Historiografia produz necessariamente um 
discurso que se "desdobra sobre si mesmo", uma vez que ela coloca em interação ou alterna 
necessariamente o discurso do historiador e o discurso de suas fontes, de múltiplas maneiras. Essa 
forma de escrita alicerçada na consideração do texto ou da "fala do outro" tem sido uma 
constante no trabalho do historiador desde seus primórdios, embora admitindo inúmeras 
possibilidades expressivas, e por isso pode ser indicada como um traço essencial da identidade 
mínima definida pela Matriz Disciplinar da História, presente em todos os paradigmas 
historiográficos até hoje surgidos.51 
Existe, por fim, uma Prática. Essa Prática faz parte da prática historiográfica, por exemplo, o 
trabalho obrigatório e metodologicamente conduzido a partir das Fontes Históricas – isto é, 
evidencias, vestígios e materiais de toda espécie deixados pelos processos históricos e pelas ações 
humanas. Essa base da pesquisa do historiador na "fonte histórica'', ou em documentos e vestígios 
de todos os tipos, faz parte da identidade mínima da História no que se refere à sua Prática. Bem 
entendido, a maneira de se trabalhar com as fontes históricas, ou ainda o que pode e deve ser 
definido ou constituído como fonte histórica, se pode mudar com os próprios desenvolvimentos da 
história da historiografia, mas dificilmente mudará algum dia o fato de que o historiador deve 
necessariamente trabalhar com fontes históricas de modo a legitimar as afirmações e reflexões 
que produz sobre as sociedades, processos e realidades históricas que está examinando, ou 
mesmo de modo a se aproximar de alguma maneira destes processos ou realidades discursivas 
com os quais irá trabalhar. Até o presente momento, a Fonte Histórica é o único recurso que 
permite ao historiador acessar uma época e uma sociedade que não estão mais no presente. 
A historiografia contemporânea, a partir do século XX, estabeleceu como exigência mínima 
para o historiador que ele elabore a sua historiografia a partir de "problemas", e na verdade esta 
exigência já aparece mesmo em diversos historiadores do século anterior, tal como Johann Gustav 
Droysen que, em sua Historik (1858), explicita claramente a norma de que "o ponto de partida de 
toda pesquisa é a pergunta histórica"52. Deste modo, já não é possível, pelo menos para um 
historiador que almeje ser reconhecido pela comunidade de historiadores profissionais, que se 
faça uma historiografia meramente narrativa ou descritiva, sem incluir algum tipo de análise ou 
interpretação dos fatos e dados. A historiografia, nos dias de hoje, é necessariamente 
problematizada – é uma "História-Problema".51 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, pp. 59-60. 
52 DROYSEN, 2009, p. 46 apud D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, p. 62. 
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O trato com o ''Tempo", a "Intenção de Verdade", a "Problematização'' estes e outros, 
enfim, são alguns elementos que constituiriam a Prática hoje definida pela Matriz Disciplinar da 
História, consistindo naquilo que aparece no trabalho de qualquer historiador, independente do 
seu Paradigma, da escola historiográfica a que se filia, de seu estilo pessoal, do sistema conceitual 
como o qual habitualmente lida. 
Existe ainda um outro aspecto que pode ser postulado como um traço que foi incorporado à 
Matriz Disciplinar da História no último século: a tendência do campo da história à ''Abertura 
Interdisciplinar". A História, mais do que qualquer outra disciplina, passou a incluir na sua prática 
corrente a Interdisciplinaridade. A História tem incorporado muito naturalmente conceitos e 
métodos oriundos de outros campos de saber, os (re)apropriando para seus próprios fins, e no 
decurso do século XX conheceu sucessivas vagas de interdisciplinaridade que a trouxeram para o 
diálogo com ciências sociais diversas como a Economia, a Geografia, a Sociologia, a Antropologia, a 
Linguística, a Psicologia, e ainda outras.53 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014, p. 63. 
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9. ESCOLA DOS ANNALES 
áà exp ess oà es olaà hist i a à dizà espeitoà aà algu asà dasà li hasà eà o t i uiç esà
historiográficas do século XX. Mas os historiadores, obviamente, não se definem apenas pelo 
pertencimento a escolas, e muitos deles não pertencem de fato a escola alguma. Os conceitos de 
es ola ,à pa adig a àeà a poàhist i o ,àe t eàout osà o eitosàeà oç esà o oàaàdeà o e teà
histo iog fi a àeà li hasàdeàpes uisa ,àajuda àaà o fe i àu aàide tidadeà aisàp e isaàaosàdive sosà
historiadores. Ora, o que caracteriza uma escola é um certo programa de ação, uma determinada 
identidade que se forma, um campo de escolhas (teóricas, metodológicas, temáticas, éticas, 
associativas, geradoras de inclusão e exclusão) que permite ao praticante do campo sintonizar-se 
com outros que a ele se assemelham nas mesmas escolhas. E não é só isso. Os membros de uma 
escola costumam atuar juntos e podem se reconhecer reciprocamente quando são 
contemporâneos (pois devemos lembrar que uma escola pode atravessar largos períodos de 
tempo e envolver também gerações não contemporâneas). Ou seja, existe certo jogo de 
identidade que se harmoniza a partir do pertencimento a uma escola.54 
A Escola dos Annales, por seu turno, é um movimento historiográfico do século XX que se 
constituiu em torno do periódico acadêmico francês Annales d'histoire économique et sociale, 
tendo se destacado por incorporar métodos das Ciências Sociais à História. Fundada por Lucien 
Febvre e Marc Bloch em 1929, propunha-se a ir além da visão Positivista da história como crônica 
de acontecimentos, substituindo o tempo breve da história dos acontecimentos pelos processos de 
longa duração, com o objetivo de tornar inteligíveis a civilização e as mentalidades. Marc Bloch foi 
morto pela Gestapo durante a ocupação alemã da França, na Segunda Guerra Mundial, e Febvre 
seguiu com a abordagem dos Annales nas décadas de 1940 e 1950. Nesse período, orientou 
Fernand Braudel, que se tornou um dos mais conhecidos expoentes dessa escola. A obra de 
Braudel definiu uma segunda geração na historiografia dos Annales e foi muito influente nos anos 
1960 e 1970, especialmente por sua obra, O Mediterrâneo e o mundo mediterrânico na época de 
Felipe II. Já a terceira geração dos Annales é conduzida por Jacques Le Goff e ficou mais conhecida 
como a Nova História, segundo a qual toda atividade humana é considerada história. Além de Le 
Goff, nesse período se destaca também seu companheiro de profissão, Pierre Nora. 
Foi o historiador Peter Burke que fez essa divisão, que já se tornou clássica, acerca da Escola 
dos Annales, estabelecendo da seguinte forma: 
Esseà ovi e toà podeà se à divididoà e à t sà fases.à E à suaà p i ei aà fase,à deà 9 à aà 9 ,à
caracterizou-se por ser pequeno, radical e subversivo, conduzindo uma guerra de guerrilhas contra 
a história tradicional, a história política e a história dos eventos. Depois da Segunda Guerra 
 
54 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 11-15. 
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Mundial, os rebeldes apoderaram-se do establishement histórico. Essa segunda fase do 
ovi e to,à ueà aisà seà ap oxi aà ve dadei a e teà deà u aà es ola ,à o à o eitosà dife e tesà
(particularmente estrutu aàeà o ju tu a àeà ovosà todosà espe ial e teàaà hist iaà se ial àdasà
mudanças na longa duração), foi dominada pela presença de Fernand Braudel. Na história do 
movimento, uma terceira fase se inicia por volta de 1968. É profundamente marcada pela 
fragmentação. A influência do movimento, especialmente na França, já era tão grande que perdera 
uitoàdasàespe ifi idadesàa te io es .55 
A escola dos Annales renovou e ampliou o quadro das pesquisas históricas ao abrir o campo 
da História para o estudo de atividades humanas até então pouco investigadas, rompendo com a 
compartimentação das Ciências Sociais (História, Sociologia, Psicologia, Economia, Geografia 
humana e assim por diante) e privilegiando os métodos pluridisciplinares. 
A supremacia da escola francesa sobre a produção historiográfica ocidental se apresentou 
profunda e duradoura. A historiografia dos Annales se consolida como corrente dominante a partir 
de uma crítica a história realizada em seu tempo. Para se firmar como corrente historiográfica 
dominante na França, e estender posteriormente sua influência a outros países da Europa e 
também da América, os fundadores e consolidadores dos Annales precisaram estabelecer uma 
arguta e impiedosa crítica da historiografia de seu tempo – particularmente daquela historiografia 
que epitetaram de História Historizante ou de História Eventual – buscando combater mais 
especialmente a Escola Metódica Francesa e certos setores mais conservadores do Historicismo. 
Os Annales, em busca de sua conquista territorial da História, precisavam enfrentar as tendências 
historiográficas então dominantes, mas também se afirmar contra uma força nova que começava a 
trazer métodos e aportes teóricos inovadores para o campo do conhecimento humano: as 
nascentes Ciências Sociais. É contra o pano de fundo deste duplo desafio que o movimento inicia a 
sua aventura historiográfica.56 
O movimento dos Annales – ao lado do Materialismo Histórico e das contribuições da 
Hermenêutica Historicista – constitui certamente uma das influências mais impactantes e 
duradouras sobre a historiografia ocidental. O impacto dos Annales sobre a historiografia ocidental 
como um todo, e sobre a historiografia brasileira em particular, não deixa de ser produzido por 
uma parte efetiva de contribuições substanciais e extremamente inovadoras para a historiografia, 
eà ta à po à u aà pa teà oà e osà sig ifi ativaà deà e epç oà favo velà doà ito à o st uídoà
pelosprimeiros líderes do movimento em sua ascensão ao domínio do território institucional. Em 
função desta dupla característica – o t i uiç oàefetiva e teà i ovado aàeà itoàdaà i ovaç o à–, 
algumas ambiguidades iniciais merecem ser pontuadas. Os Annales representam a Nova História 
o t aà u aà Velhaà Hist ia ,à talà o oà postula a à osà p i ei osà fu dado esà doà ovi e to,à eà
 
55 BURKE, 1992, pp. 13-14. 
56 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2010, p. 5. 
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também os seus refundadores? Se representaram de fato uma Nova História, foram eles os únicos 
setores da historiografia que puderam se auto perceber como uma Nova História? E quanto aos 
seto esà estig atizadosà pelosà p i ei osà a alistasà o oà u aà Velhaà Hist ia ,à estava à todosà
mergulhados, em sua inteireza, em uma velha história totalmente retrógrada e inadaptada aos 
novos tempos? Estas perguntas podem ser colocadas provocativamente a respeito dos Annales, e 
algumas delas se expressam em ambiguidades relacionadas à própria designação do movimento. 
Frequentemente, quase como um sinônimo para a contribuição dos Annales ou para o tipo 
de historiografia que se pretende que este movimento tenha inaugurado, é empregada a 
expressão Nova História em seu sentido ampliado, o que inclui tanto a Escola dos Annales 
propriamente dita como a corrente à qual, a partir dos anos 1970, muitos se referem também 
como Nouvelle Histoire, mas agora em sentido mais restrito. Por outro lado, uma vez que os mais 
recentes historiadores da Nouvelle Histoire muito habitualmente reivindicam uma herança 
historiográfica que remete às duas primeiras gerações dos Annales, não é raro o uso da expressão 
Es olaà dosà á ales à deà odoà aà a a a à asà dive sasà ge aç esà deà histo iado esà ueà t à o oà
referência a Revista dos Annales. 
Para além do importante diálogo bibliográfico que já existe em torno dos Annales, é 
fundamental considerar, antes de tudo, as fontes que revelam diretamente o pensamento dos 
historiadores dos Annales. Afirmam-se aqui obras já clássicas, como: A apologia da História, de 
Marc Bloch; os Combates pela História, de Lucien Febvre; os ensaios de Fernand Braudel incluídos 
na obra A escrita da história; o ensaio Território do historiador, de Ladurie; o livro História, ciência 
social, de Pierre Chaunu; os ensaios reunidos por François Furet em 1982 sobre a rubrica A oficina 
da história; ou ainda as grandes coletâneas coordenadas por historiadores da Nouvelle Histoire, 
como Jacques Le Goff e Pierre Nora, entre os quais a coletânea Faire de I’Hisoire ou a coletânea 
Nouvelle Histoire. 
Finalmente, a própria atuação de cada historiador ligado aos Annales, no exercício de sua 
prática e elaboração de estudos históricos específicos, deixa entrever novas nuances. Obras como 
Os Reis Taumaturgos, de Marc Bloch, o Rabelais de Lucien Febvre, A crise da economia francesa no 
Antigo Regime de Labrousse, O Mediterrâneo de Fernand Braudel, ou Sevilha e o Atlântico de 
Pierre Chaunu, tornaram-se aqui páginas privilegiadas para a identificação de um novo e complexo 
padrão historiográfico que iria deixar seus traços definitivos na história da historiografia. 57 
No tocante ao programa comum partilhado pelos historiadores que se identificavam com a 
Escola dos Annales, podemos identificar que alguns itens referem-se tanto à primeiras gerações de 
historiadores dos Annales – as gerações Bloch-Febvre-Braudel – como aos historiadores ligados à 
chamada Nouvelle Histoire, que reivindicam para si mesmos a herança do movimento, e 
 
57 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 53-59. 
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pretendem desenhar sua imagem como a de uma terceira e quarta gerações dos Annales. Outros 
dos itens expostos indicam pontos de discordância entre esses blocos, como é o caso da oposição 
entre a ideia de História Total, típica das duas primeiras gerações annalistas, e a Fragmentação 
Temática que não é propriamente apresentada como um ponto programático pelos próprios 
historiadores da Nouvelle Histoire, mas que tem sido indicada por alguns de seus críticos como 
traço característico deste grupo historiográfico. 
O primeiro item programático dos Annales a ser considerado – ao mesmo tempo 
coincidindo com uma estratégia de projeção da escola no meio acadêmico, e com uma concepção 
com a qual Bloch e Febvre pessoalmente já estavam sintonizados antes mesmo de seu encontro na 
Universidade de Estrasburgo – é a interdisciplinaridade. 
Esta orientação interdisciplinar tornou-se um dos itens mais importantes do programa de 
História dos Annales, e continuaria tendo a mesma importância na época da geração de 
historiadores franceses que se autodenominaria Nouvelle Histoire. Por outro lado, ao entrar em 
contato com novos aportes e metodologias, com novos sistemas conceituais e mesmo com novas 
linguagens, e, sobretudo, ao ampliar cada vez mais suas temáticas para além das instâncias da 
política oficial, a História também iniciou um movimento de diversificação interna. A multiplicação 
de campos interdisciplinares, ou a proliferação de identidades que pareciam diversificar por dentro 
o saber histórico, surgiu como uma consequência quase natural para os historiadores que abriram 
seus horizontes interdisciplinares, que ampliaram seus objetos de estudo, e que passaram a 
trabalhar com novos tipos de fontes e problemas. 
Podemos exemplificar o desenvolvimento de um campo mais sistemático que poderia ser 
denominado História Econômica, oportunizado ao lado das realizações historiográficas ligadas ao 
Materialismo Histórico, ainda por se desenvolver, e também de outras escolas de História 
Econômica que já vinham se desenvolvendo em outros países. Além de uma História Política, os 
historiadores agora poderiam pensar em uma História Econômica, assim como poderiam em breve 
redefinir em novos termos um campo a ser conhecido como História Cultural. Alguns dos campos 
históricos foram surgindo primeiro, em função de uma fortuna crítica pregressa ou de contextos 
históricos específicos. A História Econômica, surgida junto a um campo ainda um tanto vago que 
foi batizado de História Social, uma História Demográfica que emergia no próprio contexto das 
expansões demográficas na primeira metade do século XX, uma nova forma de consideração do 
espaço pelos historiadores que resultaria na consolidação de uma Geo-história, a promessa de 
uma futura Psico-história incentivada pelo diálogo entre História e Psicologia – cada uma dessas 
possibilidades começou a ser explorada atentamente pelos historiadores dos Annales, de modo 
que a multiplicação de campos intradisciplinares confirmou-se como um item importante no 
programa dos Annales. 
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Já a História Problema tornou-se de longe o instrumento mais combativo e reluzente do 
programa dos Annales, pois permitia afrontar, a partir de um novo conceito e de uma nova 
definição para uma história que se queria nova, o frágil universo dos modelos de historiografia que 
se limitavam a narrar os fatos ou a expor informações, de maneirameramente descritiva. A 
bandeira da História Problema, uma novidade necessária nos inícios da atividade dos historiadores 
dos Annales, em 1929, tinha cores bem vivas e transluzia à distância, sobretudo quando era bem 
agitada nos manifestos da Escola dos Annales. 
Esta História problematizada é hoje, no século XXI, lugar-comum para qualquer historiador 
formado historiador, isto é, formalmente bacharelado em curso superior universitário, e já era 
lugar quase comum na ocasião da retomada desta tremulante bandeira por Lucien Febvre em 
1946, assim como o fora ao menos para um setor importante da historiografia do século XIX 
anterior à própria pré-história dos Annales. Todavia, mesmo quando a História Factual já estaria 
longe de ser dominante, percebe-se a força deste conceito de guerra, o mais comovente de todos 
os instrumentos programáticos empunhados pelos annalistas. Mas é as gerações dos Annales que 
vieram a refletir sobre questões relevantes para o avanço historiográfico e ampliando as 
possibilidades de análise históricas pensando uma história total ou global.58 
Vale destacar também que a possibilidade de ultrapassar os estreitos limites dos fatos 
políticos também ensejou uma ampliação no universo de fontes dos historiadores, de modo que 
aqui interagem dois dos itens programáticos da Escola dos Annales: a História Problema e a 
ampliação de fontes históricas. A expansão da tipologia de fontes históricas – a multiplicação das 
possibilidades de fontes abertas aos historiadores – constituiu-se por isso mesmo em mais uma 
das notas importantes do acorde programático dos Annales. Doravante, seria preciso afirmar com 
convicção cada vez mais fortalecida que não mais deveriam interessar aos historiadores apenas as 
fontes de arquivo e as crônicas que dizem respeito à História Política tradicional. Qualquer vestígio 
ou qualquer evidência – dos objetos da cultura material às obras literárias, das séries de dados 
estatísticos às imagens iconográficas, das canções aos testamentos, dos diários de pessoas 
anônimas aos jornais – podia ser agora legitimamente utilizado pelos historiadores. A revolução 
documental e a nova definição de fonte histórica constituíram uma das grandes novidades trazidas 
pelas primeiras gerações da Escola dos Annales. Décadas depois, esta mesma expansão 
documental será evocada pelos historiadores da terceira geração do movimento, substituindo a 
história baseada em textos e documentos escritos, por uma história fundamentada numa ampla 
variedade de documentos escritos de todos os tipos, documentos iconográficos, resultados de 
escavações arqueológicas, documentos orais, etc. Uma estatística, uma curva de preço, uma 
 
58 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 102-130. 
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fotografia, um filme, ou, quando se trata de um passado mais longínquo, vestígios de pólen fóssil, 
uma ferramenta, um ex-voto são documentos de primeira ordem para a História Nova.59 
Outro aspecto importante é acerca da transformação da noção de espaço. O espaço, é 
importante dizer, não será tratado pela nova historiografia apenas como lugar no interior do qual 
se acomoda o homem. Tal como Marc Bloch demonstrou em sua exemplar obra sobre os 
Caracteres originais da história rural francesa (1931), o espaço também é construído pelo próprio 
homem, a ação humana está constantemente remodelando a paisagem, dando ao espaço a face 
humana que têm os campos de cultivo, e neles imprimindo sob forma visível sua própria história. 
Daí que o espaço natural, nas mãos dos novos historiadores, pode se tornar fonte histórica com a 
mesma legitimidade que um grande conjunto documental. 
Obviamente que, como não poderia deixar de ser, esta história que enxerga seus objetos 
num ponto, em uma linha, na profundidade – em outras palavras, esta história que percebe seus 
objetos concretamente situados no espaço e impregnados de uma realidade que emana das três 
dimensões do mundo físico, mesmo que seja preciso percebê-las por meio de fontes indiretas –, 
tampouco não poderia deixar de lidar criativamente com a quarta dimensão: o tempo. Talvez 
algumas das contribuições mais criativas dos Annales tenham sido as experimentações em torno 
das novas formas de lidar com o tempo, e este item certamente faz parte de seu programa. O 
mestre nestas realizações, certamente, foi o líder da segunda geração dos Annales: Fernand 
Braudel. Com ele concretiza-se um item programático de vital importância para a Escola dos 
Annales, que é a proposta de uma maior criatividade em relação ao tempo histórico.60 
Fernand Braudel, autor do estudo sobre o Mediterrâneo e Felipe II, no qual é possível 
encontrar três formas de temporalidade diferentes: a primeira é referente a uma história quase 
sem tempo (homem e ambiente); já a segunda uma história das estruturas civilizacionais dos 
territórios banhados pelo mediterrâneo (tempo lento); a terceira uma história dos acontecimentos 
(tempo curto). Em tal obra enfatizou a mudança das estruturas, desejando alcançar o 
entendimento dos fatos em sua totalidade. Produziu um trabalho voltado para a longa duração, 
característica marcante da segunda geração dos Annales. 61 
A linha de pesquisa de Braudel era baseada em tempos heterogêneos (temporalidades 
diferentes), sendo ela a longa duração, o tempo conjuntural e o factual. O factual estava sujeito à 
longa duração. Braudel teve considerável influência da Antropologia e criou uma entidade 
interdisciplinar, a Maiso des Scie ces de I’Ho e (Casa das Ciências Humanas), onde passou a ter 
 
59 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 140-141. 
60 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 150-151. 
61 REIS, 2012. 
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contato com intelectuais, como Pierre Bourdieu e Claude Lévi-Strauss. Tal contato com a 
Antropologia pôde promover, por parte de Braudel, um trabalho voltado para o estruturalismo. 
Afirmando a crise das Ciências do Homem, que, segundo o mesmo, são meras acumulações 
de novos conhecimentos e estão esmagadas sob seus próprios progressos, pregava a completa 
união de tais ciências, mas destacando a utilidade da história em relação às outras. Para Braudel, a 
história estaria no centro de todas as ciências sociais e, por isso, era mais importante, sendo capaz 
de tratar do passado e da atualidade, sendo esta, para Braudel, a fórmula da história indispensável 
a todas às ciências sociais, pois englobava as múltiplas temporalidades. 62 
Para Braudel, o tempo curto representava o tempo dos eventos. Fala do evento como algo 
explosivo, que enche a consciência das pessoas, mas que, ao mesmo tempo, não dura. A visão de 
Braudel com relação ao tempo curto era contrária à dos filósofos, que, baseados em uma série de 
significações, atribuem ao evento um tempo muito maior do que sua verdadeira duração. Falam 
do evento como sendo apenas uma parte que se anexa, que se liga – ou não – a toda uma série de 
acontecimentos. 
Para o historiador, o evento significa o tempo curto, afirmando que tal tempo existe em 
vários âmbitos: social, econômico, religioso, geográfico, entre outros. Foi esta a principal 
característica da história política (ocorrencial, factual, baseada praticamente só no documento) do 
século XIX, que foi criticada não só pela primeira geração dos Annales, mas também por Braudel na 
segunda geração. Ele enfatizaassim a passagem do foco da produção da história política para a 
produção da história econômica e social, permitindo estas últimas, conforme sua visão, uma 
análise muito mais ampla do que a primeira.63 
Temos a forma de abordagem histórica recitativa estrutural. Assim chegamos ao Tempo 
Lento (longa duração). Passa-se, assim, à análise da mudança pelo tempo lento no econômico e 
social, dando grande ênfase ao aspecto da quantificação. Tal aspecto ajudará na elaboração de 
análises de temporalidades dentro da própria história econômica, buscando aplicação social, 
como, por exemplo, preços que sobem em um determinado período e que baixam em outro. 
Como o aspecto mais estrutural para os historiadores, segundo Braudel, é algo que se 
veicula muito lentamente (ao contrário do pensamento de Lévi-Strauss, que considera as 
estruturas invariáveis; por isso Braudel, mesmo utilizando-se de tal modelo, o estrutural, aplica a 
temporalidade da história, dizendo que, mesmo que muito lentamente, as estruturas se 
modificam), tais aspectos são as prisões de longa duração, porque são onde o homem está 
 
62 REIS, 2012. 
63 REIS, 2012. 
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enraizado. Elementos estáveis como os quadros mentais e mais ainda a coerção geográfica. Pode-
se perceber as durações da história propostas por Braudel, mas não separadas e, sim, solidárias. 64 
Braudel chega a falar das diferenças entre o tempo do historiador e o tempo do sociólogo. 
Para ele, o historiador passaria do tempo curto ao longo e depois ao muito longo, proporcionando 
uma análise aprofundada, dentro daquilo que Braudel chama de história inconsciente (que 
ultrapassa a simples superficialidade dos eventos). Já o sociólogo estaria mais voltado apenas para 
análise particular, não dando ênfase ao todo. 
Sendo assim, segundo o pensamento Braudeliano, a história lidaria muito melhor com a 
temporalidade do que a sociologia e as demais ciências sociais, proporcionado uma análise 
completa e aprofundada. Por isso, ela seria superior às outras ciências. Isso se torna mais evidente 
a partir dos diálogos com Lévi-Strauss. Há, deste modo, a reaproximação e, ao mesmo tempo, a 
disputa e críticas entre a história e as outras ciências sociais no contexto pós-guerra. São 
justamente estes diálogos e críticas que levarão Braudel a uma abordagem mais estrutural, típica 
da antropologia. Isso proporcionou a formulação de uma linha de pensamento dos Annales na 2ª 
geração: noção precisa da multiplicidade do tempo e grande valorização da longa duração.65 
Ademais, vale dizer que a consciência da relação entre o presente e o passado é 
precisamente outro dos itens programáticos importantes para a Escola dos Annales. Marc Bloch 
le a à ueàestaà i te aç oàexisteà e àduasà vias:à Co p ee de àoàp ese teàpeloàpassado ,à asà
ta à o p ee de àoàpassadoàpeloàp ese te ,à o stitue àasàduasàviasàdestaà o plexaà elaç o.à
Marc Bloch também elabora uma definição de História que se tornou clássica. Em oposição à 
a tigaàdefi iç oàdeà ueà aàHist iaà àoàestudoàdoàpassadoàhu a o ,àBlo hàp opu haàaàdefi iç oàdeà
ueà aà Hist iaà à aà i iaà dosà ho e sà oà te po .à Dize à issoà sig ifi aà ueà oà i po ta,à
rigorosamente, se o historiador estuda esta ou aquela época do passado, ou se estuda mesmo o 
presente, disputando um território com os sociólogos e antropólogos. O que faria de um 
historiador um historiador seria o fato de que ele estuda os homens imerso na temporalidade, 
vivendo o tempo, percebendo o tempo, produzindo o tempo. O mesmo historiador que estuda o 
passado, de acordo com esta perspectiva, poderia estudar o tempo presente – que, de fato, estaria 
em breve por se converter, em um futuro não muito distante, em mais uma modalidade histórica: 
a Hist iaà doà Te poà P ese te .à Po à fi ,à u aà últi aà i pli aç oà doà afo is oà lo hia o:à estaà
ciência dos homens no tempo, as temporalidades poderiam dialogar a partir da mediação 
historiador. 
Ora, a História que traz a consciência de que o passado é diferente do presente é bem 
distinta da História na qual o presente pretende aprender do passado uma velha lição. Febvre 
 
64 REIS, 2012. 
65 REIS, 2012. 
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pa e eàda àseuà e adoàaà espeitoàdaàvelhaàideiaàdaàhist iaà est aàdaàvida .àáàHist iaàte àalgoàaà
nos ensinar, mas não de maneira linear, como uma fórmula que pode ser sempre empregada, uma 
vez aprendida através de ciclos que sempre se repetem. A História não se repete, diz Febvre.66 
Podemos concluir esta lembrança de que também as ausências constituem um programa – 
tanto as proibições escolares como aquilo que não é mencionado no programa ou nos manifestos 
e que deixam aos membros do grupo um espaço livre para se movimentar nesta escola.67 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, pp. 182-186. 
67 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012, p. 205. 
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10. ESCOLA INGLESA DO MARXISMO 
Vamos dar um outro exemplo de escola historiográfica, na história da historiografia 
europeia. Este exemplo será oportuno, pois contrasta com o exemplo do movimento dos Annales 
em pelo menos um aspecto, pois enquanto os historiadores ligados aos Annales possuíam as mais 
diversificadas tendências teóricas, e desenvolviam variadas orientações metodológicas em seus 
trabalhos, os historiadores ligados à Escola Britânica do Marxismo possuíam a singularidade de se 
autodefinirem todos no interior de um único paradigma: o Materialismo Histórico. 
Como dissemos, existem escolas que podem reunir sob a sua identidade historiadores 
pertencentes aos vários paradigmas teóricos, mas também podem existir escolas que se localizam 
no interior de um único paradigma ou orientação teórica. No âmbito do paradigma do 
Materialismo Histórico, por exemplo, não são raras as escolas mais específicas de historiadores. 
A Escola Britânica do Marxismo, também chamada de "Escola Inglesa", reuniu, na segunda 
metade do século XX, historiadores de orientação relacionada ao materialismo histórico. Todos 
eles viviam em países ligados ao Reino Unido. Muitos viviam na Inglaterra, tal como Eric 
Hobsbawm (1917-2012), Edward Thompson (1924-1993) e Christopher Hill (1912-2003). E havia 
outros, como o australiano Gordon Childe (1892-1957), que viviam em outros países ligados à 
comunidade britânica. 
Um outro aspecto que nos habilita a nos referirmos a este grupo de historiadores como uma 
escola é o fato de que eles desenvolviam trabalhos coletivos, e tinham um veículo importante para 
a divulgação de trabalhos dos historiadores do grupo, que era a revista inglesa "Past & Present". Já 
fizemos notar que as escolas históricas, com frequência, possuem uma revista sob sua 
administração, através da qual podem produzir ou motivar a produção de uma Historiografia 
correspondente ao seu programa de ação e pensamento. 
Todos os historiadores da "Escola Britânica" relacionavam-se a um projeto em comum de 
renovação do Materialismo Histórico, cuja principal característicaera a valorização da "Cultura", 
não mais postulada como mero epifenômeno da "Economia". Destarte, cada um destes 
historiadores continuava trabalhando com os pressupostos fundamentais do Materialismo 
Histórico: Dialética, Materialismo, Historicidade Radical. Utilizavam também, como todos os 
historiadores materialistas históricos, conceitos básicos para este paradigma: "modo de 
produção", "luta de classes", "classe social", "revolução". A questão é que estes historiadores 
trabalham de modo mais flexível com estes conceitos, evitando esquematismos muito simples e 
procurando apreender uma totalidade mais complexa da vida social. 
A renovação dos estudos culturais trazida pela Escola Inglesa tem sido fundamental para 
repensar o Materialismo Histórico nos dias de hoje – particularmente para flexibilizar o já 
desgastado esquema de uma sociedade que ainda era vista, por muitos marxistas, a partir de uma 
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cisão entre infraestrutura e superestrutura. Com a Escola Inglesa do Marxismo, o mundo da 
Cultura passa a ser examinado como parte integ a teàdoà odoàdeàp oduç o ,àeà oà o oàu à
mero reflexo da infraestrutura econômica de uma sociedade. Existiria, de acordo com esta 
perspectiva, uma interação e uma retroalimentação contínua entre a Cultura e as estruturas 
econômico-sociais de uma Sociedade, e a partir deste pressuposto desaparecem aqueles 
esquemas simplificados que preconizavam um determinismo linear e que, rigorosamente falando, 
também já havia sido criticado por Antonio Gramsci, outro historiador marxista especialmente 
preocupado com o campo cultural. Será oportuno citar uma memorável passagem de Thompson: 
U aàdivis oàte i aàa it iaà o oàesta,àdeàu aà aseàe o i aàeàu aàsupe est utu aà ultu al,à
pode ser feita na cabeça e bem pode assentar-se no papel durante alguns momentos. Mas não 
passa de uma ideia na cabeça. Quando procedemos ao exame de uma sociedade real, seja qual for, 
rapidamente descobrimos (ou pelo menos deveríamos descobrir) a inutilidade de se esboçar a 
espeitoàdeàu aàdivis oàassi .68 
Thompson rejeita, inclusive, a habitualàp io idadeài te p etativaàat i uídaàaoà E o i o .à
“eà algu esà j à seàdisseà ueà se àp oduç oà oàh àhist ia ,à oà histo iado à i gl sà a es e ta,à o à
algu aà i o ia:à se à ultu a,à oà h à p oduç o .à Po à vezes,à oà se iaà es oà possívelà sepa a à
economia e cultura com relação a certos processos ou fatos históricos, mesmo já referentes ao 
período moderno. 
O exemplo mais brilhante desta impossibilidade de separar economia e cultura no estudo de 
alguns processos históricos específico foi dado pelo próprio Edward Thompson em suas pesquisas 
sobre as revoltas populares na Inglaterra no século XVIII, que foram expressas em um texto escrito 
em 1971 com o título A Economia Moral da multidão inglesa do século XVIII. Thompson demonstra 
que neste contexto social era em nome dos princípios morais que se faziam as queixas, confiscos 
de grãos e pães, e inúmeros outros processos pertinentes ao mundo econômico e também à 
Política. A Economia, neste contexto social e relativamente a estes diversos processos, não era, 
portanto, separável de certas concepções morais que circulavam na sociedade em questão. 
Economia e Moral, e, portanto, Economia e Cultura, não eram separáveis. Separá-las 
historiograficamente seria equivalente a perder a possibilidade de compreender aqueles processos 
históricos. Em vista disto, Thompson introduz um novo conceito no âmbito das reflexões 
histo iog fi as:àoàdeà E o o iaàMo al à aàve dade,à o fo eà i di aàTho pso ,àaàexp ess oà j à
havia sido empregada na própria Inglaterra do século XVIII, em uma polêmica deàB o te eàO’B ie à
contra os autores vinculados à Economia Política). Posteriormente, o conceito foi incorporado às 
análises historiográficas e passou a ser utilizados por historiadores para a análise de contextos 
diversos. 
 
68 THOMPSON, 2001, p.258. 
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Outro historiador notável da Escola Britânica do Marxismo foi Christopher Hill, que trouxe 
grande impacto aos meios teóricos ligados ao Materialismo Histórico ao propor uma leitura inédita 
da Revolução Inglesa de 1640, com o livro O Mundo de Ponta-Cabeça. Nesta obra, Christopher Hill 
propõe uma hipótese inusitada sobre aquele processo histórico: a de que a Revolução Inglesa não 
foi um processo único, unilinear, homogêneo, ou sequer uma única revolução. Na verdade, teriam 
ocorrido, durante os acontecimentos que ficaram conhecidos como Revolução Inglesa, duas 
revoluções paralelas, tensionando-se uma contra a outra. A revolução que representava os 
interesses da burguesia acabou por prevalecer e por apagar a outra, a revolução dos grupos 
radicais, determinando consequentemente os rumos do processo revolucionário inglês a partir do 
triunfo da ética protestante e dos interesses burgueses. Contudo, teria existido uma outra 
revolução, radical – representada por grupos como os diggers, ranters, levellers, quacres – esta sim 
propondo uma radical reviravolta da sociedade. É este olhar para uma história esquecida, apagada 
por uma historiografia que trouxe os vencedores para o centro do palco, o que Christopher Hill 
procura trazer. Aqui temos outro aspecto importante da escola Britânica do Marxismo, que é uma 
espe ialàate ç oàaoà ueàTho pso à ha ouàdeàu aà Hist iaàVistaàdeàBaixo . 
O terceiro grande nome da Escola Britânica do Marxismo é bem conhecido no Brasil: Eric 
Hobsbawm. Com sua série de livros intitulados "eras" – a Era das Revoluções, a Era dos Impérios e 
a Era dos Extremos – Hobsbawm tornou-se de grande sucesso no meio editorial. Tento alcançado 
uma grande longevidade, viveu todo o século XX, o que resultou em outro livro, intitulado Tempos 
Interessantes - Uma Vida no século XX, que permite mostrar um historiador que assiste à passagem 
de sucessivas eras neste século no qual o tempo parece ter se comprimido tal a velocidade das 
transformações políticas, tecnológicas e ambientais nele implicadas. Hobsbawm também traz a 
marca da Escola Britânica, escrevendo ensaios teóricos Sobre a História (1998), e também 
revelando sua faceta de historiador cultural na série de críticas sobre o Jazz que publicou durante 
anos, e que resultou finalmente no livro intitulado História Social do Jazz. 
Conforme podemos ver, sem abrir mão dos elementos essenciais do paradigma do 
Materialismo Histórico, os historiadores da Escola Britânica o renovam, rediscutindo seus 
conceitos, e trazendo um novo olhar sobre a Cultura e sobre a "História Vista de Baixo". 
Constituem um exemplo oportuno de escola que se desenvolve no interior de um único 
paradigma.69 
 
 
 
 
 
69 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011. 
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11. ESCOLA DE FRANKFURT 
A Escola de Frankfurt nasceu no ano de 1924, em uma quinta etapa atravessada pela 
Filosofia Alemã, depois do domínio de Kant e Hegel em um primeiro momento; de Karl Marx e 
Friedrich Engels em seguida; posteriormente de Nietzsche; e finalmente, já no século XX, após a 
eclosão dos pensamentos entrelaçadosdo existencialismo de Heidegger, da fenomenologia de 
Husserl e da ontologia de Hartmann. A produção filosófica germânica permaneceu viva no 
Ocidente, com todo vigor, de 1850 a 1950, quando então não mais resistiu, depois de enfrentar 
duas Guerras Mundiais. 
A Escola de Frankfurt reuniu em torno de si um círculo de filósofos e cientistas sociais de 
mentalidade marxista, que se uniram no fim da década de 1920. Estes intelectuais cultivavam a 
conhecida Teoria Crítica da Sociedade. Seus principais integrantes eram Theodor Adorno, Max 
Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Leo Löwenthal, Erich Fromm, Jürgen Habermas, 
e t eà out os.à Estaà o e teà foià aà espo s velà pelaà disse i aç oà deà exp ess esà o oà i dúst iaà
ultu al àeà ultu aàdeà assa . 
A Escola de Frankfurt foi praticamente o último expoente, o derradeiro suspiro da Filosofia 
Alemã em seu período áureo. Ela foi criada por Félix Weil, financiador do grupo, Max Horkheimer, 
Theodor Adorno e Herbert Marcuse, que a princípio a administraram conjuntamente. Ernst Bloch e 
o psicólogo Erich Fromm acompanhavam à distância o despertar desta linha filosófica, que vem à 
luz justamente em um momento de agitação política e econômica vivido pela Alemanha, no auge 
da famosa República de Weimar. Seus membros seriam partícipes e observadores das principais 
mutações que convulsionariam a Europa durante a Primeira Guerra Mundial, seguida por outros 
movimentos subversivos, dos quais ninguém sairia impune. 
Esta Escola tinha uma sede, o Instituto para Pesquisas Sociais; um mestre, Horkheimer, 
substituído depois por Adorno; uma doutrina que orientava suas atitudes; um modelo por eles 
adotado, baseado na união do materialismo marxista com a psicanálise, criada por Freud; uma 
receptividade constante ao pensamento de outros filósofos, tais como Schopenhauer e Nietzsche; 
e uma revista como porta-voz, publicada periodicamente, na qual eram impressos os textos 
produzidos por seus adeptos e colaboradores. O programa por eles adotado passou a ser 
conhecido como Teoria Crítica. 
Os integrantes da Escola assistiram, surpresos e assustados, a deflagração da Revolução 
Russa, em 1917, o aparecimento do regime fascista, e a ascendente implantação do Nazismo na 
Alemanha, que culminou com um exílio forçado deste grupo, composto em grande parte por 
judeus, a partir de 1933. Esta mudança marcou definitivamente cada um deles, principalmente 
depois do suicídio de Walter Benjamin, em 1940, quando provavelmente tentava atravessar os 
Pireneus, temeroso de ser capturado pelos nazistas. 
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Eles se tornam nômades, viajando de Genebra para Paris, então para os EUA, até se fixarem 
na Universidade de Columbia, em Nova York. A primeira obra produzida pelo grupo foi 
denominada Estudos sobre Autoridade e Família, gerada em Paris, na qual eles questionam a real 
vocação da classe operária para a revolução social. Assim, eles naturalmente se distanciam dos 
trabalhadores, atitude que se concretiza com o lançamento do livro Dialética do Esclarecimento, 
lançado em 1947, em Amsterdã, que já praticamente elimina do ideário destes filósofos a 
expressão a xis o .àE i hàF o àeàMa useàd oàu aàgui adaàte i aàaoàju ta àosà o eitosàdaà
Teoria Crítica aos ideais psicanalíticos. Marcuse, que optou por ficar nos Estados Unidos depois da 
volta do Instituto para o solo alemão, em 1948, foi um dos integrantes da Escola que mais 
receptividade encontrou para sua produção intelectual, uma vez que inspirou os movimentos 
pacifistas e as insurreições estudantis, fundamentais em 1968 e 1969, os quais alcançaram o auge 
no chamado Maio de 68. 
Por outro lado, Adorno, até hoje tido como um dos filósofos mais importantes da Escola de 
Frankfurt, prosseguiu sua missão de transformação dialética da racionalidade do Ocidente, na sua 
obra Dialética Negativa. Sua morte marca a passagem para o que alguns estudiosos consideram a 
segunda etapa da Escola, que encontra seu principal líder em Jürgen Habermas, ex-assessor de 
Adorno e, posteriormente, seu crítico mais ardoroso.70 
O trabalho da Escola de Frankfurt pode ser completamente compreendido sem igualmente 
entenderem-se as intenções e os objetivos da teoria crítica. Inicialmente delineada por Max 
Horkheimer no seu Teoria Tradicional e Teoria Crítica, de 1937, a teoria crítica não pode ser 
definida como uma autoconsciência social crítica que é o objetivada na mudança e na 
emancipação através do esclarecimento, e não se liga dogmaticamente aos seus próprios 
pressupostos doutrinais. 
Horkheimer a opôs à "teoria tradicional", que se refere à teoria no modo positivista, 
cientificista, ou puramente observacional, isto é, do qual derivam generalizações ou leis sobre 
diferentes aspectos do mundo. Baseando-se no pensamento sociológico de Max Weber, 
Horkheimer argumentou que as ciências sociais são diferentes das ciências naturais, visto que 
generalizações não podem ser feitas facilmente supostas por experiências, porque o entendimento 
de uma experiência social em si é sempre moldada por ideias que estão nos pesquisadores. O 
pesquisador não percebe que é capturado em um contexto histórico cujas ideologias moldam o 
pensamento; portanto, a teoria estaria em conformidade com as ideias na mente do pesquisador 
mais do que na própria experiência. A ideia é que os fatos que os nossos sentidos apresentam para 
nós são socialmente efetuados de duas maneiras: através do caráter histórico do objeto percebido 
e através do caráter histórico do órgão que percebe. Ambos não são simplesmente naturais, ao 
 
70 SANTANA, 2019. 
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passo que eles são moldados pela atividade humana e também pelas percepções individuais deles 
mesmos como receptivos e passivos no ato da percepção. 
Para Horkheimer, abordagens para o entendimento nas ciências sociais não podem 
simplesmente imitar aquelas das ciências naturais. Apesar de várias abordagens teóricas tornarem-
se próximas de romper as restrições ideológicas que as restringem, como o positivismo, 
pragmatismo, neo-Kantianismo e fenomenologia, Horkheimer argumentaria que elas falharam, 
porque todas estavam sujeitas a um prejuízo "lógico-matemático" que separava a atividade teórica 
da vida real (significando que todas aquelas escolas tentaram encontrar uma lógica que sempre 
permaneceria verdadeira, independentemente de consideração pelas atividades humanas 
correntes). De acordo com Horkheimer, a resposta apropriada para este dilema é o 
desenvolvimento de uma teoria crítica. 
O problema, Horkheimer argumentou, é epistemológico: nós não deveríamos meramente 
reconsiderar o cientista, mas o conhecimento individual em geral. Diferente do marxismo 
ortodoxo, que meramente aplica um "padrão" não original a tanto crítica quanto ação, a Teoria 
Crítica procura ser uma autocrítica e rejeita quaisquer pretensões de uma verdade absoluta. A 
teoria crítica defende a primazia nem da matéria (materialismo) nem da consciência (idealismo), 
argumentando que ambas as epistemologias distorcem a realidade para o benefício, afinal, de 
algum grupo pequeno. O que a teoria crítica tenta fazer é colocar ela mesma fora de estruturas 
filosóficas e do confinamento das estruturas existentes. Entretanto, como um modo de pensar e 
"recuperar" o autoconhecimento da humanidade, a teoria crítica frequentemente se inspirano 
marxismo pelos seus métodos e ferramentas. 
Horkheimer sustentou que a teoria crítica deveria ser direcionada para a totalidade da 
sociedade na sua especificidade história, assim como ela deveria melhorar o entendimento da 
sociedade integrando todas as maiores ciências sociais, incluindo a geografia, economia, história, 
ciência política, antropologia e psicologia. Enquanto a teoria crítica deve em todas as vezes ser 
autocrítica, Horkheimer insistiu que uma teoria é somente crítica se é explicativa. A Teoria Crítica 
deve, portanto, combinar pensamento prático e normativo para que possa explicar o que está 
errado com a realidade social corrente, identificar atores para mudá-la e fornecer normas claras 
para o criticismo e finalidades práticas para o futuro. Visto que a teoria tradicional pode apenas 
refletir e explicar a realidade como presentemente é, o propósito da teoria crítica é mudá-la; nas 
palavras de Horkheimer, o objetivo da teoria crítica é a emancipação dos seres humanos das 
circunstâncias que os escravizam. 
Os teóricos da Escola de Frankfurt foram explicitamente associados com a filosofia crítica de 
Immanuel Kant, na qual o termo crítica significou reflexão filosófica nos limites de reivindicações 
feitas por certos tipos de conhecimento e uma conexão direta entre crítica e a ênfase na 
autonomia moral – como oposta às tradicionais deterministas e estáticas teorias de ação humana. 
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Em um contexto intelectual definido pelos dogmáticos positivismo e cientificismo em uma mão e o 
dogmático "socialismo científico" em outra, teóricos críticos pretenderam reabilitar as ideias de 
Marx através de uma abordagem filosoficamente crítica. 
Já que pensadores ortodoxos marxista-leninistas e social-democratas viam Marx como um 
novo tipo de ciência positiva, os teóricos da Escola de Frankfurt, como Horkheimer, 
preferencialmente basearam o seu trabalho na base epistemológica do trabalho de Karl Marx, que 
apresentava ele mesmo como crítica, como em O Capital. Eles, assim, enfatizaram que Marx estava 
tentando criar um novo tipo de análise crítica orientada em direção à unidade de teoria e prática 
revolucionária mais do que um novo tipo de ciência positiva. Crítica, no senso marxista, significa 
tomar a ideologia de uma sociedade – a crença na liberdade individual ou no livre mercado sob o 
capitalismo – e criticá-la comparando-a com a realidade social daquela mesma sociedade – 
desigualdade social e exploração. A metodologia na qual os teóricos da Escola de Frankfurt 
fundamentaram essa crítica veio a ser o que foi antes sendo estabelecido por Hegel e Marx, 
nomeadamente o método dialético. 
A Escola de Frankfurt também tentou reformular a dialética como um método concreto. O 
uso de tal método dialético pode ser devido à filosofia de Hegel, quem concebeu a dialética como 
a tendência de uma noção para atravessar pela sua própria negação como o resultado do conflito 
entre os seus aspectos contraditórios inerentes. Em oposição aos modos anteriores de 
pensamento, os quais viam coisas em abstração, cada uma por si mesma e como pensamento 
dotado com propriedades fixas, a dialética hegeliana tem a habilidade de considerar ideias 
conforme os seus movimentos e mudança no tempo, assim como consoante suas inter-relações e 
interações. 
A História, de acordo com Hegel, prossegue e desenvolve-se de uma maneira dialética: o 
presente incorpora a abolição racional, ou "síntese", de contradições passadas. A História pode 
assim ser vista como um processo inteligível que é mover-se em direção a uma específica condição 
– a percepção racional de liberdade humana. Entretanto, considerações sobre o futuro não eram 
de interesse de Hegel, para quem a filosofia não pode ser prescritiva porque ela é entendida 
apenas depois do ocorrido. O estudo da história é assim limitado à descrição do passado e de 
realidades presentes. Por isso, para Hegel e seus sucessores, dialéticas inevitavelmente levam à 
aprovação do status quo. 
Istoà foià fe oz e teà iti adoà po à Ma xà eà pelosà jove sà hegelia os ,à ueà afi a a à ueà
Hegel havia ido muito longe ao defender sua co epç oà a st ataà deà Raz oà a soluta à eà haviaà
falhadoà e à o se va à asà eais à o diç esà deà vidaà daà lasseà t a alhado a.à I ve te doà aàdial ti aà
idealista de Hegel, Marx explicou a sua própria teoria de materialismo dialético, argumentando 
que não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social 
que determina as suas consciências. A teoria de Marx seguiu uma lei de história e espaço 
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materialistas, em que o desenvolvimento das forças produtivas é visto como o motivo primário 
para deflorar uma mudança histórica, e de acordo com qual as contradições material e social 
inerentes ao capitalismo irão inevitavelmente levar a sua negação, desse modo substituindo o 
capitalismo por uma nova forma racional de sociedade: o comunismo. 
Marx assim contou vastamente com uma forma de análise dialética. Esse método, para 
saber a verdade descobrindo as contradições em ideias presentemente predominantes e, por 
extensão, nas relações sociais às quais elas estão ligadas, expõe a luta básica entre forças opostas. 
Para Marx, é apenas tornando-se consciente da dialética de tais forças opostas, em uma luta pelo 
poder, que os indivíduos podem se libertar e mudar a ordem social existente. 
De outro lado, os teóricos da Escola de Frankfurt rapidamente vieram a perceber que um 
método dialético poderia apenas ser adotado se pudesse ser aplicado a si mesmo – o que é dizer, 
supondo que eles adotassem um método autocorretivo – um método dialético que lhes permitiria 
corrigir falsas interpretações dialéticas anteriores. Do mesmo modo, a teoria crítica rejeitou os 
dogmáticos historicismo e materialismo do marxismo ortodoxo. De fato, as tensões materiais e 
lutas de classes das quais Marx falou não eram mais vistas pelos teóricos da Escola de Frankfurt 
como tendo o mesmo potencial revolucionário dentro das sociedades ocidentais contemporâneas 
– uma observação que indicou que as interpretações dialéticas e as previsões de Marx estavam 
incompletas ou incorretas. 
Contrário à práxis ortodoxa marxista, que somente procura implementar uma imutável e 
estrita ideia de "comunismo" na prática, os teóricos críticos tomaram que a práxis e a teoria, 
seguindo o método dialético, deveriam ser interdependentes e deveriam influenciar mutuamente 
uma a outra. Quando Marx expôs nas suas Teses de Feuerbach que filósofos têm apenas 
interpretado o mundo de muitos modos, dizendo que o ponto é mudá-lo, a sua ideia real era que a 
única validade da filosofia era em como ela informa a ação. Teóricos da Escola de Frankfurt 
corrigiriam isso afirmando que quando a ação falha, então o orientador da teoria deve ser revisto. 
Em suma, ao pensamento filosófico socialista tem de ser dada a habilidade de criticar a si mesmo e 
"subjugar" seus próprios erros. Enquanto a teoria deve participar da práxis, a práxis deve também 
ter uma chance de participar da teoria. 
A Escola de Frankfurt também foi alvo de diversas críticas, dentre elas está a crítica do 
intelectual italiano Umberto Eco. Ele teceu diversas críticas aos frankfurtianos, entre elas o 
anacronismo e a posição elitista de seus teóricos, a defesa da cultura erudita e a rejeição da cultura 
de massa. No livro Apocalípticose integrados,àeleàosà lassifi aà o oà apo alípti os ,àadjetivoàusadoà
largamente na crítica à Escola de Frankfurt. Segundo o autor, eles seriam responsáveis por esboçar 
teorias sobre a decadência, enquanto aos integrados, pela falta de teorização, só lhes restaria 
p oduzi àeàafi a:à Oàápo alipseà àu aào sess oàdoàdisse ti ,àaài teg aç oà àaà ealidadeà o etaà
dos que não dissentem. Caberia aos apocalípticos o papel de consolar o leitor, já que, em meio à 
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at st ofe,àseàeleva ia àosà supe -ho e s ,àouàseja,àa uelesàa i aàdaà dia,à ueàolha ia àpa aàoà
u doà o àdes o fia ça .à 
Para Umberto Eco, essa atitude seria um convite à passividade. O problema estaria em 
pensar a cultura de massa como algo bom ou mau. O verdadeiro problema reside em aceitar que 
se vive em uma sociedade industrial na qual os meios de massa são uma realidade. A partir de tal 
premissa, o teórico questiona qual seria então o modo pelo qual as massas medias poderiam servir 
para transmitir valores culturais. 
Durante os anos 1980, os socialistas antiautoritários no Reino Unido e Nova Zelândia 
também criticaram a visão rígida e determinista sobre a cultura popular implantada dentro das 
teorias da Escola de Frankfurt a respeito da cultura capitalista, que parecia excluir qualquer papel 
pre-figurativo para a crítica social dentro desse trabalho. Recentes críticas da Escola de Frankfurt 
feitas pelo libertário Instituto Cato focadas na afirmação de que a cultura tem crescido mais 
sofisticada e diversificada como consequência da liberdade econômica e da disponibilidade dos 
nichos culturais para a mídia de massa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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12. MICRO-HISTÓRIA 
A Micro-História, como o próprio nome sugere, é um gênero da historiografia que reduz a 
escala de observação de seus objetos na pesquisa histórica. Ora, vale lembrar que existem várias 
formas de se escrever história. A ciência História é definida por várias metodologias que resultam 
em técnicas de pesquisas diferenciadas. A forma tradicional de se escrever História fazia uso de 
uma abordagem narrativa geral, identificando estruturas que se alteravam em eventos de longa 
duração. Mas o desenvolvimento da ciência permitiu o florescimento de novas metodologias que 
enriqueceram o campo. 
Entre 1981 e 1988 surgiu uma coleção, na Itália, organizada pelos historiadores Carlo 
Ginzburg e Giovanni Levi e intitulada de Microstorie. A coleção fez muito sucesso apresentando sua 
forma inovadora de se abordar o objeto de pesquisa e passou a influenciar historiadores em várias 
partes do mundo com as novas metodologias. 
Como dito, a Micro-História é uma forma de se pesquisar e escrever História na qual a 
escala de observação é reduzida. Sem deixar de levar em consideração as estruturas estabelecidas 
pela História Geral, a Micro-História se foca em objetos bem específicos para apresentar novas 
realidades. A proposta é que o historiador desenvolva uma delimitação temática extremamente 
específica em questão de temporalidade e de espaço para conseguir observar realidades que não 
são retratadas pela História Geral. 
A Micro-História oferece grandes serviços à História Geral, já permite revelar fatos e 
realidades até então desconhecidas. Assim, a Micro-História aborda o cotidiano de comunidades 
determinadas ou apresenta biografias que complementem o contexto geral, mesmo que os 
indivíduos destacados fossem figuras anônimas. Na verdade, é isso que permite esclarecer as 
realidades conjunturais existentes dentro das estruturas já conhecidas. 
A diferença da Micro-História para a História Geral é notória também quando é escrita. 
Enquanto esta se desenvolveu como um gênero mais ligado à narrativa histórica, a Micro-História 
se dedica a uma profunda exploração das fontes, utilizando os artifícios da narrativa, as vezes até 
retórica, mas também da descrição etnográfica. Ainda assim, a Micro-História demorou a se tornar 
conhecida no mundo. Durante muito tempo permaneceu como um método muito característico e 
restrito aos italianos. 
A relação da Micro-História com a História Social se demonstrou muito frutífera. Uma vez 
que esta procura dar voz às camadas mais baixas da sociedade, a Micro-História contribui 
fornecendo elementos enriquecedores para permitir que os excluídos da História Geral se 
expressem. 
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A Micro-História forneceu um grande benefício também para a ciência História como um 
todo, já que incluiu no trabalho dos historiadores uma gama imensa de fontes de pesquisa até 
então desconsideradas. O trabalho do historiador se enriqueceu muito, mostrando-se capaz de 
reconstituir com melhores detalhes o cotidiano do passado.71 
Por ser um campo historiográfico muito recente, ainda hoje gera muitas polêmicas com 
relação às suas possibilidades de definição. Uma questão complicadora é que a Micro-História 
começou a desabrochar com um grupo muito específico de historiadores italianos, que possui, até 
os dias de hoje, publicação própria (os Quaderni Storici), e por isto não é raro que se confunda a 
Micro-História – enquanto nova possibilidade de abordagem historiográfica – com este grupo. O 
olhar micro-historiográfico, deve-se dizer, pode ser conectado aos mais distintos aportes teóricos, 
e é assim que ele tem aparecido inclusive na historiografia brasileira das últimas décadas. 
Outra confusão sem nenhum fundamento que algumas vezes se faz surge quando se 
relaciona equivocadamente a História Regional e a Micro-História, apesar de estes serem campos 
radicalmente distintos no que concerne às suas motivações fundadoras. Quando um historiador se 
propõe a trabalhar dentro do âmbito da História Regional, ele mostra-se interessado em estudar 
diretamente uma região específica (ou, melhor dizendo, uma determinada espacialidade). O 
espaço regional, é importante destacar, não estará necessariamente associado a um recorte 
administrativo ou geográfico, podendo se referir a um recorte antropológico, a um recorte cultural 
ou a qualquer outro recorte proposto pelo historiador de acordo com o problema histórico que irá 
examinar. Mas, de qualquer modo, o interesse central do historiador regional é estudar 
especificamente este espaço, ou as relações sociais que se estabelecem dentro deste espaço, 
mesmo que eventualmente pretenda compará-lo com outros espaços similares ou examinar em 
algum momento de sua pesquisa a inserção do espaço regional em um universo maior (o espaço 
nacional, uma rede comercial). 
Que a região é uma construção do historiador, do geógrafo ou do cientista social que 
examina uma determinada questão, isto já o sabem de longa monta os historiadores regionais. A 
região não existe obviamente como espaço pré-estabelecido, ela é construída dentro das 
coordenadas de uma determinada pesquisa ou de uma certa análise sociológica ou historiográfica. 
Por isto, aliás, é preciso que o pesquisador – ao delimitar o seu espaço de investigação e defini-lo 
o oà u aà egi o à – esclareça os critérios que o conduziram a esta delimitação. Posto isto, é 
vioà ueàoà espaço ,àsejaàesteàdefi idoào oàespaçoàfísi oàouà o oàespaçoàso ial,à àu aà oç oà
fundamental dentro deste campo de estudos que pode ser enquadrado como História Regional. 
Enquanto a História Regional corresponde a um domínio ou a uma abordagem 
historiográfica que foi se constituindo em torno da ideia de construir um espaço de observação 
 
71 GASPARETTO JUNIOR, 2013. 
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sobre o qual se torna possível perceber determinadas articulações e homogeneidades sociais (e a 
recorrência de determinadas contradições sociais, obviamente), já a Micro-História corresponde a 
um campo histórico que se refere a uma coisa bem distinta: a uma determinada maneira de se 
aproximar de uma certa realidade social ou de construir o objeto historiográfico. A Micro-História, 
sustentaremos aqui, relaciona-se a uma abordagem, mais do que a qualquer outra coisa. 
Antes de mais nada, é preciso deixar claro que a Micro-História não se refere 
necessariamente ao estudo de um espaço físico reduzido ou delimitado, embora isto possa até 
ocorrer. O que a Micro-História pretende é uma redução na escala de observação do historiador 
com o intuito de se perceber aspectos que, de outro modo, passariam desapercebidos. Quando um 
micro-historiador estuda uma pequena comunidade, ele não estuda propriamente a pequena 
comunidade, mas estuda através da pequena comunidade (não é por exemplo a perspectiva da 
História Local, que busca o estudo da realidade micro-localizada por ela mesma). A comunidade 
examinada pela Micro-História pode aparecer, por exemplo, como um meio para se atingir a 
compreensão de aspectos específicos relativos a uma sociedade mais ampla. Da mesma forma, 
pode-se tomar para estudo u aà ealidadeà i o à o àoài tuitoàdeà o p ee de à e tosàaspe tosà
de um processo de centralização estatal que, em um exame encaminhado do ponto de vista da 
macro-história, passariam certamente desapercebidos. 
O objeto de estudo do micro-historiador não precisa ser, desta maneira, o espaço micro-
recortado. Pode ser uma prática social específica, a trajetória de determinados atores sociais, um 
núcleo de representações, uma ocorrência (por exemplo, um crime) ou qualquer outro aspecto 
que o historiador considere revelador em relação aos problemas sociais ou culturais que está 
dispostoà aà exa i a .à “eà eleà ela o aà aà iog afiaà ouà aà hist iaà deà vida à deà u à i divíduoà eà
frequentemente escolherá um indivíduo anônimo) o que o estará interessando não é 
propriamente biografar este indivíduo, mas sim os aspectos que poderá perceber através do 
exame micro-localizado desta vida. 
Da mesma maneira, assim como a Micro-História não deve ser confundida com a História 
Regional ao examinar eventualmente um espaço micro-recortado, também não deve ser 
o fu didaà o àoà ha adoà estudoàdeà aso àaoàestuda àu aàp ti aàso ialàouàu aào o ia,àeà
e àse à o fu didaà o àaàBiog afiaàHist i aàaoàexa i a àu aà vida àouàu aàt ajet iaài dividual.à
Sempre que toma estes objetos – micro-localidade, prática social, ocorrência histórica, trajetórias 
individuais entrecruzadas ou vida individual – o micro-historiador está no encalço de algo mais do 
que estes objetos em si mesmos. A prática micro-historiográfica não deve ser definida 
propriamente pelo que se vê, mas pelo modo como se vê. 
Para utilizar uma metáfora conhecida, a Micro-História propõe a utilização do microscópio 
ao invés do telescópio. Não se trata, neste caso, de depreciar o segundo em relação ao primeiro. O 
que importa é ter consciência de que cada um destes instrumentos pode se mostrar mais 
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apropriado para conduzir à percepção de certos aspectos do universo (por exemplo, o espaço 
sideral ou o espaço intra-atômico). De igual maneira, a Micro-História procura enxergar aquilo que 
escapa à Macro-História tradicional, empreendendo para tal uma redução da escala de observação 
que não poupa os detalhes e que investe no exame intensivo de uma documentação. 
Considerando os exemplos antes citados, o que importa para a Micro-História não é tanto a 
unidade de observação, mas a escala de observação utilizada pelo historiador, o modo intensivo 
como ele observa, e o que ele observa. 72 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011. 
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13. HISTORIOGRAFIA SOBRE O TEMPO: REINHART KOSELLECK 
Vamos agora examinar uma das mais recentes e interessantes concepções sobre a relação 
entre Tempo e História, bem como sobre as mudanças constantes na sensibilidade coletiva diante 
do Tempo. O responsável por esta nova concepção historiográfica do Tempo foi o célebre 
historiador dos conceitos, recentemente falecido, Reinhart Koselleck (1923-2006). Começaremos 
por lembrar que foi em sua célebre obra Futuro Passado, publicada em 1979, que Reinhart 
Koselleck deu forma mais acabada à sua singular perspectiva de que cada Presente não apenas 
reconstrói o Passado a partir de problematizações geradas na sua atualidade – tal como 
propunham os Annales e outras correntes historiográficas do século XX – mas também de que cada 
Presente ressignifica tanto o Passado (referidoà aà o eituaç oà deà Koselle kà o oà a poà daà
expe i ia à o oàoàFutu oà efe idoà o eitual e teà o oà ho izo teàdeàexpe tativas .àMaisà
ainda, para Koselleck cada Presente concebe também de uma nova maneira a relação entre Futuro 
e Passado, ou seja, a assimetria entre estas duas instâncias da temporalidade, e não é por acaso 
que o título de sua mais conhecida coletânea de ensaios é Futuro Passado – contribuição à 
semântica dos tempos históricos (1979). 
Constitui a contribuição mais notável de Koselleck, para a Teoria da História, a apurada 
pe epç oàdestaàte s oà ueàse p eàseàesta ele eàe t eàoà espaçoàdeàexpe i ia àeàoà ho izo teà
deà expe tativas à – uma tensão que é própria da elaboração do conhecimento historiográfico e 
mesmo das múltiplas leituras sobre o fenômeno da temporalidade que vão surgindo em cada 
época, inclusive ao nível das pessoas comuns que vivenciam os padrões disponíveis de 
sensibilidade diante do tempo que lhes são oferecidos no momento em que vivem. Vamos discutir 
esta base conceitual, pois apenas a partir dela poderemos recolocar com as devidas proporções as 
eflex esàdeàKoselle kàa e aàdaà uptu aàe t eàp ese teàeàPassado à osàte posà o te po eos. 
áà expe i ia à eà aà expe tativa à s oà ap ese tadasà po à Koselle kà o oà duasà atego ias 
hist i asà duasà atego iasà pa aà usoà daà Teo iaà daà Hist ia,à elho à dize do à ueà e t elaça à
passadoà eà futu o 73. É oportuno salientar que tem sido considerada uma das mais importantes 
contribuições historiográficas recentes este esclarecimento koselleckiano, através das categorias 
da experiência e da expectativa, de que cada uma das temporalidades – o Passado, o Presente e o 
Futuro – pode imaginariamente se alterar, contrair ou se expandir conforme cada época ou 
sociedade, modificando-se também a maneira como são pensadas e sentidas as relações entre 
eles. 
Vamos entender, antes de mais nada, o próprio sistemaconceitual proposto por Koselleck 
pa aà lida à o à asà t sà te po alidadesà Passado,à P ese te,à Futu o .à Po ueà u à espaçoà deà
 
73 KOSELLECK, 2006, p.308 apud D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011. 
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expe i ia ;àeàpo ueàu à ho izo teàdeàexpe tativas ?àáàexpe i iaàpe te eàaoàPassadoà ueàseà
concretiza no Presente, de múltiplas maneiras: através da Memória, dos Vestígios, das 
Permanências e, para os historiadores, das fontes históricas. Talvez não haja definição mais precisa 
do que aquela que é trazida pelo próprio Koselleck: 
“A experiência é o passado atual, aquele no qual acontecimentos foram incorporados e podem ser 
lembrados. Na experiência se fundem tanto a elaboração racional quanto as formas inconscientes 
de comportamento, que não estão mais, que não precisam estar mais presentes no 
conhecimento. Além disso, na experiência de cada um, transmitida por gerações e instituições, 
sempre está contida e é preservada uma experiência alheia. Neste sentido, também a história é 
desde sempre concebida como conhecimento de experiências alheias”74. 
 
Já as expectativas – que visam o Futuro – correspondem a todo um universo de sensações e 
antecipações que se referem ao que ainda virá. Nossos medos e esperanças, nossas ansiedades e 
desejos, nossas apatias e certezas, nossas inquietudes e confianças – tudo o que aponta para o 
futu o,à todasà asà ossasà expe tativas,à faze à pa teà desteà ho izo teà deà expe tativas .à ásà
expectativas, além disto, não apenas são constituídas pelas formas de sensibilidade com relação ao 
futuro que se aproxima, mas também pela curiosidade a seu respeito e pela análise racional que o 
visa. A expectativa, enfim, é tudo aquilo que hoje (ou em um determinado Presente) visa o Futuro, 
crivando-o das sensações as mais diversas. É por isto que Koselleck lembra que, tal como a 
expe i iaà estaàhe a çaàdoàpassado àseà ealizaà oàP ese te,à ta àaàexpe tativaàseà ealizaà oà
hoje ,à o stitui do-se, portanto, em um futuro presente. 
Embora a experiência associe-se comumente ao Passado Presente, e a expectativa ao 
Futuro Presente, é importante atentar para a já mencionada afirmação de Koselleck de que estas 
duasà atego iasà e t elaça àoàFutu oàeàoàPassado .àElasà oàseàop e àu aà àout a, como em uma 
di oto iaà ual ue ;à eà deà fatoà expe i ia à eà expe tativa à est oà se p eà p o tasà aà epe uti à
uma na outra. São categorias complementares, visto que a experiência abre espaços para um certo 
horizonte de expectativas. Mais ainda, uma experiên iaà ouà oà egist oà deà u aà expe i ia à
referido a um passado remoto pode produzir, em outra época, expectativas relacionadas ao 
futuro. 
Outro aspecto particularmente interessante relaciona-se aos dois conceitos que se colocam 
aà expe i ia àeà expe tativa .àTe te osà o p ee de àpo ueàu à espaçoàdeàexpe i ia àeàu à
ho izo teà deà expe tativas .à áà pa ti à dosà o eitosà fu da e taisà deà Koselle k,à va osà o st ui à
u aàpossi ilidadeàdeàexpli aç oàeàe te di e toàdeà o oàfu io a àasài age sàdoà espaço àeàdoà
ho izo te à estasà duasà oç esà iadasà po à Koselle kà pa aà favo e e à u aà o p ee s oà aisà
complexas acerca das temporalidades. 
 
74 KOSELLECK, 2006, p.309-310 apud D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011. 
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Oà Passadoà P ese te à podeà elho à se à ep ese tadoà o oà u à espaçoà po ueà o e t aà
um enorme conjunto de coisas já conhecidas. Pensemos na figura acima como uma possibilidade 
de representação. Ela é composta de uma linha horizontal, que representará o horizonte de 
expectativas, e de um semicírculo colado a esta, que representará o campo de experiências. Existe 
uma infinita região do Passado que não é conhecida, e que, na verdade, jamais será conhecido. 
Podemos entender este Passado incognoscível, do qual jamais saberemos nada a respeito, como 
estando fora do semicírculo. Aquilo que não deixou memória, ou cujas memórias já pereceram; 
aquilo que não deixou vestígios, nem fontes para os historiadores; aquilo que não está 
materializado no presente a partir das permanências, das continuidades, da língua, dos rituais 
ainda praticados, dos hábitos adquiridos, tudo isto faz parte de uma experiência perdida, que se 
situaàfo aàdoàse i í ulo.àOà ueàest àde t oàdoàse i í ulo,à o tudo,à o espo deàaoà espaçoàdeà
expe i ia .àTudoàoà ueàfi ouàdoà ueàu àdiaàfoiàvivido,àeàseàp ojetaàhojeà oàp ese teàdeàalgu aà
maneira, está concentrado neste espaço que é fundamental para a vida, e particularmente vital 
para os historiadores – pois estes só podem acessar o que foi um dia vivido através deste espaço 
de experiências que se aglomeram sob formas diversas, e dos quais eles extraem as suas fontes 
históricas. Tal como esclarece Koselleck, a experiência elabora acontecimentos passados e tem o 
poder de torná-losàp ese tes,àeà esteàse tidoàest à satu adaàdeà ealidade .75 
Pode-seà pe sa à ai daà aà t a sfe iaà deà ele e tosà doà a poà deà expe i ia à pa aà
aquele espaço indefinido do passado que já se torna inacessível. Memórias podem se perder, 
fontes podem se deteriorar e se tornarem ilegíveis, arquivos podem se incendiar, rituais podem 
deixar de serem praticados e tradições podem passar a não mais serem cultivadas. Quando morre 
um indivíduo, certamente o mundo perde para este espaço exterior algo do que poderia ser 
conhecido, do que estava efemeramente situado dentro do semicírculo e que jamais poderá ser 
recuperado. A História Oral, uma modalidade mais recente das ciências históricas, apresenta, aliás, 
uma conquista extremamente importante para a historiografia, e mesmo para a humanidade. 
Através desta abordagem histórica, é possível fixar o que um dia irá perder, pois as memórias 
podem ser registradas em depoimentos, gravados ou anotados, e as visões e percepções de 
mundo de indivíduos que um dia irão perecer também podem encontrar o seu registro. É possível 
imaginar que algo que também parecia estar no espaço exterior também venha um dia para 
dentro do semicírculo, nos momentos em que os historiadores descobrem novas fontes, ou 
mesmo novas técnicas para extrair de fontes já conhecidas elementos que antes não pareciam 
faze àpa teàdoà espaçoàdeàexpe i ia . 
Qualquer Passado, qualquer coisa que hoje está no interior deste semicírculo que é o 
espaçoàdeàexpe i ia àouàoà PassadoàP ese te ,àassi à o oàai daàa uiloàoà ueàseàpe deuàpa aà
fora dele, mas que um dia também foi vivido, já correspondeu outrora a um Presente. Nosso 
 
75 KOSELLECK, 2006, p.312 apud D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011. 
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presente, cada instante que vivenciamos, logo se tornará um passado, e mesmo ocorrendo com o 
futuro que ainda não conhecemos. Por isto mesmo, a cada segundo, a cada novo presente, o 
espaço de experiência se transforma. O que podemos acessar de um vivido e de uma experiência 
que nos chega do passado revolve-se constantemente, reapresentando-se a cada vez de uma nova 
maneira. As próprias experiências já adquiridas podem se modificar com o tempo. 
Qua toàaoà Futu oàP ese te àesteàFutu oà ueàai daà oào o eu,à asà ujaàp oxi idadeàouà
distância repercute no Presente sob a forma das mais diversas expectativas), este é representável 
por uma linha. Na verdade, é representado por uma linha porque é efetivamente o que está para 
além desta linha, correspondendo àquilo que ainda não é conhecido. Temos apenas uma 
expe tativa à so eà oà futu o,à asà efetiva e teà oà pode osà dize à o oà eleà se .à Po à issoà aà
metáfora do horizonte – o extremo limite que se oferece à visão, e para além do qual sabemos que 
há algo, mas não sabemos exatamente o que é. Sempre que nos aproximamos do horizonte, ele 
recua, de modo que nunca deixará de persistir como uma linha além da qual paira o desconhecido, 
que logo se tornará conhecido porque se converterá em presente. Conforme as próprias palavras 
deàKoselle k,à ho izo teà ue àdize àa uelaàli haàpo àt s da qual se abre no futuro um novo espaço 
de experiência, mas um espaço que ainda não pode ser contemplado; a possibilidade de se 
descobrir o futuro, embora os prognósticos sejam possíveis, se depara com um limite absoluto, 
pois ela não pode ser experimentada 76. 
Entre estas duas imagens se comprime o Presente: um fugidio momento de difícil de 
representação visual que parece se comprimir entre o espaço concentrado que representa o 
Passado (e logo se incorporar a ele) e a linha fugidia que representa o Futuro – esta linha 
eternamente móvel (pois rapidamente o que ele traz, tão logo se torne conhecido, transforma-se 
por um segundo em Presente e logo depois passa a ser englobado pelo interior do semicírculo que 
o espo deàaoà espaçoàdeàexpe i ia à ua doà o se perde no Passado incognoscível situado 
fora do semicírculo). 
Éài po ta teà essalta àai daà ueàoà PassadoàP ese te àeàoà Futu oàP ese te ,àouàoà a poà
deà expe i ias à eà oà ho izo teà deà expe tativas ,à oà o stitue à o eitosà si t i os.à
Imaginariamente, o campo de experiência, o Presente, e o horizonte de expectativas podem 
produzir as relações mais diversas, e assim ocorre no decorrer da própria história. Há épocas em 
que o tempo parece aos seus contemporâneos se desenrolar lentamente, e outras em que parece 
estar acelerado, em função da rapidez das transformações políticas ou tecnológicas. Existem 
períodos da história, crivados de movimentos revolucionários, nos quais os agentes que deles 
participam desenvolvem a sensação de que o futuro é aqui agora, tendo se fundido ao presente. 
E àout os,à i lusive,à oà futu oàpa e eàpe a e e à at eladoàaoàpassado ,à talà o oà a uelesàe à
que as expectativas do futuro não se referem a este mundo, mas sim a um outro que será 
 
76 KOSELLECK, 2006, p.311 apud D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011. 
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escatologicamente trazido pela redenção dos tempos. As fusões e clivagens que se estabelecem 
imaginariamente entre as três temporalidades – Passado, Presente e Futuro – podem aparecer ao 
ambiente mental predominante em cada época, e às consciências daqueles que vivem nestas 
várias épocas, de maneiras bem diferenciadas. 
Para Koselleck, o Tempo Histórico é ditado, de forma sempre diferente, pela tensão entre 
expectativas e experiência. Há por exemplo ações e práticas humanas que são constituídas 
precisamente desta tensão, tal como ocorre com a elaboração deà p og sti os ,à ueà se p eà
exprimem uma expectativa a partir de um certo campo de experiências (portanto, a partir de um 
diag sti o .à Diz- osà ta à oà histo iado à ale oà ueà oà ueà este deà oà ho izo teà deà
expectativa é o espaço de experiência aberto pa aà oà futu o ,à oà ueà seà podeà da à deà últiplasà
maneiras, conforme a relação estabelecida entre as duas instâncias77. Como se disse, em cada 
época pode haver uma tendência distinta a reavaliar a tensão entre o espaço de experiência e o 
horizonte de expectativas (ou entre o Passado e o Futuro, através da mediação do Presente). 
Apenas para ilustrar com uma das hipóteses de Koselleck, na modernidade as expectativas passam 
a distanciar-se cada vez mais das experiências feitas até então; em contrapartida, em todo o 
ambiente mental predominante no ocidente até meados do século XVII, o futuro parecia 
permanecer fortemente atrelado ao próprio passado. Poderíamos mesmo pensar em duas 
representações para os dois momentos da história das sensibilidades europeias em relação ao 
Tempo, já que, no período propriamente moderno, o espaço de experiência deixa de estar limitado 
pelo horizonte de expectativa; os limites de um e de outro se separam. 
O aparato conceitual desenvolvido por Koselleck foi incorporado pela historiografia como 
aquilo que de mais eficaz se produziu até hoje para operacionalizar uma visão historiográfica do 
tempo.78 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
77 KOSELLECK, 2006, p.313 apud D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011. 
78 D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011. 
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14. EXERCÍCIOS 
 
 
1. (Quadrix - 2018 - SEDF - Professor Substituto - História) 
O grande medievalista francês Marc Bloch, autor do clássico Apologia da História ou o ofício 
doà histo iado ,à i augu ouà aà à o epç oà deà hist iaà o oà p o le a ,à e à oposiç oà aà u aàà
historiografia positivista que se apoiava em fatos, datas, grandes nomes e heróis. Com 
Lucien Febvre, ele foi um dos criadores da moderna historiografia conhecida como Escola dos 
Anais (Annales). 
Relativamente às transformações pelas quais passou a produção e a escrita do conhecimento 
histórico a partir das primeiras décadas do século XX, julgue o item seguinte. 
Uma característica marcante da nova história, na esteira das inovações trazidas pela Escola 
dos Anais, foi o radical afastamento da história em relação às demais ciências humanas e 
sociais. 
Comentários 
A afirmativa dessa questão está errada, uma vez que uma das grandes inovações da Escola dos 
Annales foi justamente a interdisciplinaridade, isto é, o aproveitamento e o diálogo com outras 
disciplinas, como a sociologia, a geografia, a estatística, a demografia, a ciência política, a 
psicologia, a linguística, a antropologia etc.: estiveram fornecendo frequentemente conceitos e 
metodologias aos historiadores, e certos desenvolvimentos em campos como História Cultural ou a 
História das Mentalidades não teriam sido possíveis, certamente, sem os respectivos diálogos 
interdisciplinares com a Antropologia e com a Psicologia. A Escola Positivista, que surgiu no século 
XIX, foi que segregou as disciplinas definindo campos específicos de investigação demarcados com 
barreiras aparentemente intransponíveis. A Escola dos Annales e, na esteira, a Nova História, ou 
terceira geração dos Annales, rompeu com essa postura disciplinar enveredando para outras 
propostas historiográficas, com novos problemas, novas abordagens e novos usos do passado. O 
fato sobre a interdisciplinaridade é que, ao se colocarem em contato dois campos disciplinares 
podem enriquecer sensivelmente um ao outro nos seus próprios modos de ver as coisas e a si 
mesmos. Particularmente a História, no decorrer do século XX e além, foi beneficiada por uma 
longa história de contribuições interdisciplinares às concepções e abordagens dos historiadores. 
(D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012). 
Gabarito: Errado 
 
 
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2. (UECE-CEV - 2018 - SEDUC-CE - Professor - História) 
Co side eà aà segui teà p oposiç o:à Pa aà supe a à aà es olaà vaziaà deà o he i e tosà
significativos, é necessário que os docentes alcancem um domínio complexo daqueles 
conteúdos que têm de ensinar, sob pena de se limitarem ao domínio da forma sem 
o teúdo . 
CAIMI, Flávia. O que precisa saber um professor de história? História & Ensino, Londrina, v. 
21, n. 2, jul./dez. 2015, p.112-3. Disponível em: 
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/histensino/article/ view/23853 
 
O que se espera do professor de história em relação ao domínio complexo do conteúdo é que 
ele 
A) reconheça todos os componentes do conteúdo, datas, nomes e eventos, para que possa 
transpô-los ao aluno de forma que este conheça como foi o passado. 
B) promova o conhecimento do conteúdo pelo aluno, no plano abstrato, já que a associação 
do conteúdo histórico com a realidade em que vivemos não é possível. 
C) conheça o conteúdo em aspectos como a sua historicidade, a natureza dos conceitos nele 
presentes e reconheça sua relevância como fundamental para torná-lo significativo para o 
aluno. 
D) desenvolva a capacidade mnemônica através do estudo da história de forma a conseguir 
realizar esta tarefa em seus alunos, tornando-os exímios conhecedores do passado. 
Comentários 
A alternativa A é falsa, pois é errado a ideia que compara o professor de História a uma 
enciclopédia, onde pode se encontrar a descrição pronta de todos os conteúdos, datas, nomes e 
eventos históricos. Na verdade, o conhecimento do professor de História é construído, remontado, 
adaptado aos contextos e cultura das salas de aula, não devendo ser considerado como algo 
uniforme e horizontal. 
A alternativa B também é falsa, pois mesmo que o conteúdo trabalhado pelo professor de História 
esteja estritamente vinculado ao que já não é mais, isto é, o tempo passado, não que dizer que 
seja algo inacessível. O trabalho do professor de História, bem como do historiador, tem como 
chave de acesso ao passado algumas ferramentas específicas, como a memória, os documentos, os 
artefatos, os monumentos, construções, relatos, contos, músicas, práticas culturais, modos de 
viver etc. 
A alternativa C está correta. O se defende é a centralidade do professor de História como um 
agente mediador decisivo na concretização das finalidades educativas desta disciplina e questiona-
se acerca de quais conhecimentos e capacidades um professor de História precisa manejar para 
dar conta das exigências que emergem dos atuais contextos social e escolar. No raciocínio 
empreendido, destaca-se três principais conjuntos de saberes a serem instrumentalizados na 
docência em História, a saber: os saberes a ensinar, circunscritos na própria história, na 
historiografia, na epistemologia da história, os conceitos historiográficos, dentre outros; os saberes 
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para ensinar, que dizem respeito, por exemplo, à docência, ao currículo, à didática, à cultura 
escolar; e os saberes do aprender, que se referem ao aluno, aos mecanismos da cognição, à 
formação do pensamento histórico etc. 
A alternativa D também é falsa, ao passo que o aprendizado da História não se trata de uma 
tabuada em que o estudante precisa decorar o conteúdo. O ensino de História deve ser voltado 
muito mais para o objetivo de que os estudantes possam fazer relações orgânicas e trabalhar o 
conhecimento mediante uma consciência histórica, do que um processo mecânico de memória e 
decoração. 
(LOWENTHAL, 1998; CAIMI, 2015). 
Gabarito: C 
3. (CESPE - 2018 - IPHAN - Técnico I - Área 10) 
Como o objeto da história (entendida como um constructo teórico) é o que aconteceu, 
abstraído tanto do presente quanto do futuro, então o tempo torna-se um dos elementos 
determinantes do conceito de história. Parece-me, no entanto, que nem a relação que o 
tempo mantém com outros elementos nem o sentido específico do seu efeito na história 
foram identificados até hoje com a clareza desejável, tampouco com a clareza possível. 
Georg Simmel. O problema do tempo histórico [1916]. In: Simmel. Ensaios sobre teoria da 
história. Rio de Janeiro: Contraponto, 2011, p. 9 (com adaptações). 
 
Tendo o texto precedente como referência inicial, julgue o item seguinte, relativos à relação 
entre tempo e história. 
A noção tripartite do tempo histórico desenvolvida em meados do século XX pelo historiador 
francês Fernand Braudel está calcada na distinção entre evento, conjuntura e longa duração. 
Comentários 
A afirmativa desta questão está certa. Fernand Braudel se tornou um dos mais conhecidos 
expoentes da Escola dos Annales. A obra de Braudel definiu uma segunda geração na historiografia 
dos Annales e foi muito influente nos anos 1960 e 1970, especialmente por sua obra, O 
Mediterrâneo e o mundo mediterrânico na época de Felipe II. Talvez algumas das contribuições 
mais criativas tenham sido as experimentações em torno das novas formas de lidar com o tempo. É 
possível encontrar três formas de temporalidade diferentes: a primeira é referente a uma história 
quase sem tempo, de longa duração (homem e ambiente); já a segunda uma história das 
estruturas civilizacionais dos territórios banhados pelo mediterrâneo, formando uma conjuntura 
(tempo lento); a terceira uma história dos acontecimentos ou eventos (tempo curto). Braudel 
chega a falar das diferenças entre o tempo do historiador e o tempo do sociólogo. Para ele, o 
historiador passaria do tempo curto ao longo e depois ao muito longo, proporcionando uma 
análise aprofundada, dentro daquilo que Braudel chama de história inconsciente (que ultrapassa a 
simples superficialidade dos eventos). Já o sociólogo estaria mais voltado apenas para análise 
particular, não dando ênfase ao todo. Sendo assim, segundo o pensamento Braudeliano, a história 
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lidaria muito melhor com a temporalidade do que a sociologia e as demais ciências sociais, 
proporcionado uma análise completa e aprofundada. Por isso, ela seria superior às outras ciências. 
(REIS, 2012). 
Gabarito: Certo 
4. (IFB - 2017 - IFB - Professor - História) 
Leia as afirmativas sobre o conceito de História do Tempo Presente. 
I) Refere-se ao campo da história que se dedica aos estudos do período após a II Guerra ao 
final do século XX. 
II) Consiste na produção historiográfica na qual não houve ruptura cronológica entre o tempo 
dos acontecimentos e o tempo da escritura de sua história. 
III) Identifica-se com os estudos historiográficos da História Contemporânea, que utilizam 
como metodologia a história oral. 
IV) Campo da história em que o historiador é contemporâneo dos acontecimentos que ele 
estuda, não havendo, portanto, o elemento de alteridade próprio dos estudos de períodos 
mais afastados. 
 
Assinale a alternativa que apresenta somente afirmativas CORRETAS: 
A) I, III e IV 
B) II e III 
C) I e III 
D) I e IV 
E) II e IV 
Comentários 
A alternativa E está correta, pois apenas as proposições II e IV são verdadeiras. 
áà oç oàdeà hist iaàdoàte poàp ese te à e eteàaàu aà oç oà ueà àaoà es oàte poà a alizada,à
o t ove saàeàai daài st vel.àElaài pli aàe àu aà eflex oàso eàoà Te po ,à ueàfoiàdu a teàlo gaà
data o impensado da disciplina histórica. Mas uma boa definição é a história do tempo presente éum campo dos estudos históricos voltado à análise das rupturas e permanências do passado no 
presente. Baseando-se no entendimento ampliado do ofício do historiador, a história do tempo 
presente pode ser pensada como mais uma renovação no campo da disciplina História ao deslocar 
o centro da pesquisa histórica do passado para o presente, colocando problemáticas que partem 
do presente para análise do passado. Deste modo, o que os estudiosos do campo propõem é 
compreender, a partir do presente, a constituição de permanências e rupturas temporais que, de 
algum modo, possuem eco ou reverberação na atualidade. Diferentemente da História do 
presente, da História imediata ou ainda do Jornalismo, a história do tempo presente busca colocar 
em contexto histórico as sociedades atuais por meio da investigação da construção de seu passado 
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e de seus usos públicos e políticos, argumentando que o tempo presente não é uma dimensão 
ligada apenas ao imediato, mas sim permeada por camadas de passados, lembranças e 
experiências. 
(DOSSE, 2012). 
Gabarito: E 
5. (CESPE - 2017 - SEDF - Professor de Educação Básica - História) 
Segundo Klaus Bergmann, refletir sobre a História a partir da preocupação da didática da 
História significa investigar o que é apreendido no ensino da disciplina (é a tarefa empírica da 
didática da História), o que pode ser apreendido (é a tarefa reflexiva) e o que deveria ser 
apreendido (é a tarefa normativa). Isso significa dizer que, na discussão da natureza e das 
dimensões do saber histórico escolar, é preciso considerar as múltiplas faces desse saber, 
desde os planos de prescrição até as representações difundidas a seu respeito e os efeitos da 
consciência histórica dentro e fora da escola, sem desprezar os processos objetivos de 
apreensão do conhecimento histórico pelos alunos e a construção de conceitos dele 
derivados. Os livros didáticos se apresentam como uma das mais importantes formas de 
currículo semielaborado, que nasce a partir de distintas visões e recortes acerca da cultura. 
Sonia Regina Miranda e Tania Regina de Luca. O livro didático de história hoje: um panorama 
a partir do PNLD. In: Revista Brasileira de História. ANPUH, vol. 24, n.º 48, jul.-dez./2004, p. 
134 (com adaptações). 
Considerando o texto como referência inicial e os aspectos inerentes ao ensino de História, 
julgue o item seguinte. 
Diferentemente da perspectiva positivista do passado, que resumia as fontes históricas aos 
documentos escritos, nos dias atuais podem ser considerados fontes para a História, entre 
muitos outros elementos, a imprensa, as mídias digitais, os acervos de museus, além da 
linguagem e da oralidade presentes na própria sala de aula. 
Comentários 
A afirmativa dessa questão está certa, uma vez que a moderna matriz disciplinar da História viu a 
mudança dos seus itens programáticos ainda no início do século XX, como a História Problema e a 
ampliação de fontes históricas. A expansão da tipologia de fontes históricas, isto é, a multiplicação 
das possibilidades de fontes abertas aos historiadores, constituiu-se por isso mesmo em mais uma 
das notas importantes do acorde programático principalmente da Escola dos Annales. Doravante, 
seria preciso afirmar com convicção cada vez mais fortalecida que não mais deveriam interessar 
aos historiadores apenas as fontes de arquivo e as crônicas que dizem respeito à História Política 
tradicional. Qualquer vestígio ou qualquer evidência, dos objetos da cultura material às obras 
literárias, das séries de dados estatísticos às imagens iconográficas, das canções aos testamentos, 
dos diários de pessoas anônimas aos jornais, quase tudo podia ser agora legitimamente utilizado 
pelos historiadores. A revolução documental e a nova definição de fonte histórica constituíram 
uma das grandes novidades trazidas pelas primeiras gerações da Escola dos Annales. Décadas 
depois, esta mesma expansão documental será evocada pelos historiadores da terceira geração do 
movimento, substituindo a história baseada em textos e documentos escritos, por uma história 
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fundamentada numa ampla variedade de documentos escritos de todos os tipos, documentos 
iconográficos, resultados de escavações arqueológicas, documentos orais, etc. Uma estatística, 
uma curva de preço, uma fotografia, um filme, ou, quando se trata de um passado mais longínquo, 
vestígios de pólen fóssil, uma ferramenta, um ex-voto são documentos de primeira ordem para a 
História Nova. 
(D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012). 
Gabarito: Certo 
6. (FGV - 2016 - SME - SP - Professor de Ensino Fundamental II e Médio - História) 
Defe doàvigo osa e teàaàopi i oàdeà ueàa uiloà ueàosàhisto iado esà i vestiga à à eal.àOà
ponto do qual os historiadores devem partir, por mais longe dele que possam chegar, é a 
distinção fundamental, para eles, absolutamente central, entre fato comprovável e ficção, 
entre declarações históricas baseadas em evidências sujeitas a evidenciação e aquelas que 
não o são. Nas últimas décadas, tornou-se moda (...) negar que a realidade objetiva seja 
acessível, uma vez que o que chamamos de 'fatos' apenas existem como uma função de 
o eitosàeàp o le asàp viosàfo uladosàe àte osàdosà es os. 
HOBSBAWM, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia da Letras, 1998. 
 
Nesse trecho, o autor 
A) alega que a realidade objetiva não é acessível, pois o passado não existe materialmente. 
B) afirma que o passado é uma construção mental operada pelo investigador com base em 
algumas evidências. 
C) defende que a qualidade da operação histórica depende de como os fatos são agrupados, 
verificados e interpretados. 
D) sustenta que dizer a verdade na história é narrar as diferentes visões sobre o processo 
histórico. 
E) critica que seja possível apontar qualquer tipo de tendência para a história com base no 
estudo do passado. 
Comentários 
A alternativa A é falsa, pois o que Eric Hobsbawm afirma no trecho é exatamente o contrário. A 
realidade do passado é uma manifestação que precisa de certa abstração para que seja 
compreendida. De fato, o passado já não é mais, mas os vestígios desse tempo que já se foi podem 
ser encontrados de diversas formas e nisso consiste o trabalho do historiador, isto é, trazer à luz os 
fatos comprováveis que ocorreram no passado através das mais variadas fontes históricas que 
possam contribuir com essa tarefa. 
A alternativa B também é falsa, uma vez que o passado não é uma construção metal, apesar de ser 
exigido do historiador certo nível de abstração na interpretação e trabalho com os fatos do 
passado. Mas a ideia de construção mental está mais ligada à ficção do que aos fatos 
comprováveis. A ficção histórica, por exemplo, um romance histórico, pode até se atrelar a fatos, 
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datas, períodos e pessoas que realmente existiram, mas a linguagem ficcional é diferente da 
linguagem do historiador, pois a ficção usa a construção mental como a sua principal ferramenta, 
enquanto que o historiador tem nas fontes históricas o seu ferramental e no método 
historiográfico o seu esteio. 
A alternativa C está correta. A operação historiográfica consiste em mostrarcomo a realização 
empreendida por cada historiador, entre o agrupamento dos fatos, o recorte temporal e temático, 
a seriação das fontes, o tratamento metodológico, até a coparticipação da rede historiográfica 
enunciativa, termina por fazer emergir uma operação que se situa em um conjunto de práticas. O 
trabalho do historiador depende muito dessas diretrizes, que são estabelecidas no exercício das 
investigações, pois é nesse processo que os fatos comprováveis do passado se mostram e de onde 
as hipóteses emergem, encaminhando para a sua comprovação ou não. 
A alternativa D também é falsa, de modo que a verdade na história pode ser entendida como as 
declarações históricas baseadas em evidências sujeitas a comprovação através de fontes históricas. 
As diferentes visões sobre o processo histórico são, na verdade, instrumentos para o historiador, 
uma vez que ele se vale dessas visões para empreender seu trabalho, organizar as fontes, definir 
seu tema, recortar seu objeto etc. 
A alternativa E também é falsa, pois se não for possível apontar qualquer tipo de tendência para a 
história com base no estudo do passado, então o trabalho do historiador deixa de existir. O estudo 
do passado é o campo de ação dos historiadores, até mesmo daqueles que trabalham com a 
História do Tempo Presente. Na verdade, o que diferencia o trabalho do historiador é justamente a 
forma como ele vê a disposição temporal, seja ela de forma processual, seja de forma serial, seja 
de forma recursiva, ou seja de forma hermenêutica, não importa, o que importa é que o trabalho 
do historiador é voltado para as ações dos homens no tempo, uma noção que pressupõe 
intrinsecamente o movimento, o passado. 
Gabarito: C 
7. (IF-TO - 2016 - IF-TO - Professor História) 
Leia o texto a seguir: 
Não obstante a grande obra de Marx ser a crítica ao modo de produção capitalista, sua 
análise não se faz apenas pelo aspecto econômico. Sua teoria considera a economia como 
parte da vida social, parte da história que é a produção da existência humana. Falamos, 
assim, sobre as classes sociais decorrentes da divisão social do trabalho, falamos da vida de 
homens e mulheres que não apenas trabalham. Eles comem, reproduzem-se, vivem em 
sociedade, relacionam-se, constroem laços de amizade e de colaboração e de competição, 
pertencem a diferentes grupos, têm ideologias, afetos, filiação religiosa etc. E constroem sua 
história em espaços-tempos determinados. 
Ciavatta, M. Da Educação Politécnica à Educação Integrada: Como se escreve a história da 
educação Profissional. Disponível em: < https://www.fe.unicamp.br> Acesso em 20 ago. 
2016. 
Analise as alternativas a seguir e assinale a que estiver em desconformidade com o 
desdobramento do texto: 
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A) Conforme Comte, a sociedade apresenta duas leis fundamentais: a dinâmica social e a 
estática social. De acordo com a lei da estática social, o desenvolvimento só pode ocorrer se a 
sociedade se organizar de modo a evitar o caos, a confusão. Uma vez organizada, porém, ela 
pode dar saltos qualitativos, e nisso consiste a dinâmica social. Essas duas leis são resumidas 
oàle aà o de àeàp og esso . 
B) Diferentemente da história tradicional, que registrou a vida humana dando protagonismo 
aos heróis, aos poderosos, aos grandes feitos, Marx eleva todos os atos da vida humana ao 
nível do acontecimento. 
C) A história é a produção social da existência (MARX, 1979), é sua concepção de história, tão 
bem apropriada por alguns historiadores que incorporaram novos temas, novos objetos, os 
grandes acontecimentos e os fatos do cotidiano (BURKE, 1991), como a École des Annales. 
D) Mesmo sem admitir a influência de Marx em seus estudos, seus historiadores trabalham, 
e à p i ei oà luga ,à aà su stituiç oà deà u aà hist iaà a ativaà deà a o te i e tosà po à u aà
história problema. Em segundo lugar, uma história de todas as atividades humanas e não 
ape asàhist iaàpolíti a . 
E) Como desfecho previsível desta ampliação de objetos e de concepção teórica da história, 
e à te ei oà luga ,à visa doà o pleta à osà out osà doisà o jetivos,à aà ola o aç oà o à out asà
disciplinas, tais como a geografia, a sociologia, a psicologia, a economia, a linguística, a 
a t opologiaàso ialàeàta tasàout as à BURKE,à 99 . 
Comentários 
A alternativa A é a resposta correta, pois é falso afirmar que Auguste Comte é um autor que 
apresenta sua teoria como um desdobramento da obra de Marx. Ora, Auguste Comte é o fundador 
da escola de pensamento que surge no século XIX chamada de Positivismo, que segue a 
perspectiva de que há um marcha teleológica da civilização para o progresso. O Positivismo, como 
paradigma, já está praticamente pronto desde o início do século XIX, uma vez que herda uma série 
de pressupostos do Iluminismo, embora por vezes invertendo a sua aplicação social e vindo a 
constituir de fato uma visão de mundo tendencialmente conservadora, ao contrário dos setores 
mais revolucionários do pensamento Ilustrado. O pensamento Positivista está atrelado à ideia de 
que há a possibilidade de um conhecimento humano inteiramente objetivo, de modo que também 
há possibilidade de construção de uma história universal, comum a toda a humanidade, e mesmo 
da possibilidade de amparar um conhecimento científico sobre as sociedades humanas com base 
na ideia de imparcialidade do sujeito que produz o conhecimento. 
A alternativa B não é a resposta certa, uma vez que de fato um dos desdobramentos do paradigma 
de Marx é a historicização, isto é, elevar todos os atos da vida humana ao nível do acontecimento 
no espaço e no tempo. 
A alternativa C também não é a resposta certa, pois de fato a concepção de história para Marx está 
disposta na ideia da procura das causas de desenvolvimentos e mudanças na sociedade humana 
nos meios pelos quais os seres humanos produzem coletivamente as necessidades da vida. Isso 
trouxe uma nova interpretação para os historiadores, pois é uma concepção distinta que vê a 
história como produto social da existência. 
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A alternativa D também não é a resposta certa, pois é certo dizer que a Escola dos Annales teve 
certa influência do marxismo, principalmente na interdisciplinaridade e descentramento das 
disciplinas com barreiras intransponíveis. Além disso, a ideia de que o trabalho humano é que 
produz a consciência e a história, o que também influenciou fortemente a historiografia do século 
XX, abrindo diversos subcampos de estudo. 
A alternativa E também não é a resposta certa, de modo que a ampliação de objetos e de 
concepção teórica da história pode ser encarada como um desdobramento do pensamento 
marxista, mesmo com as divergências posteriores, como a Escola dos Annales com a colaboração 
de outras disciplinas, tais como a geografia, a sociologia, a psicologia, a economia, a linguística, a 
antropologia social e tantas outras. 
(SOUZA; DOMINGUES, 2009) 
Gabarito: A 
8. (IF-TO - 2016 - IF-TO - Professor História) 
E à ápologia da História – ou,àOàOfí ioàdeàHisto iado ,àoà edievalistaà f a sàMa àBlo hà
apresenta algumas reflexões que são contribuições teórico-metodológicas significativas para 
as ciências humanas, em geral, e, em particular, para a história. A respeito das principais 
formulações conceituais desenvolvidas pela tendência historiográfica à qual pertencia Bloch, 
pode-se citar: 
I. História-problema. 
II. Materialismo histórico. 
III. História de longa duração. 
IV.Consciência de classe. 
 
É correto o que se afirma em: 
A) I e II. 
B) III e IV. 
C) II e IV. 
D) I e III. 
E) II e III. 
Comentários 
A alternativa D é a resposta certa, pois apenas proposições I e III estão de acordo com o enunciado 
da questão. 
A proposição I é verdadeira porque a historiografia contemporânea, a partir do século XX, 
estabeleceu como exigência mínima para o historiador que ele elabore a sua historiografia a partir 
de "problemas". A História Problema tornou-se de longe o instrumento mais combativo e 
reluzente do programa dos Annales, que teve Marc Bloch como um de seus fundadores. A História 
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Problema permitia afrontar, a partir de um novo conceito e de uma nova definição para uma 
história que se queria nova, o frágil universo dos modelos de historiografia que se limitavam a 
narrar os fatos ou a expor informações, de maneira meramente descritiva. A bandeira da História 
Problema, uma novidade necessária nos inícios da atividade dos historiadores dos Annales, em 
1929, tinha cores bem vivas e transluzia à distância, sobretudo quando era bem agitada nos 
manifestos da Escola dos Annales. Deste modo, já não é possível, pelo menos para um historiador 
que almeje ser reconhecido pela comunidade de historiadores profissionais, que se faça uma 
historiografia meramente narrativa ou descritiva, sem incluir algum tipo de análise ou 
interpretação dos fatos e dados. A historiografia, nos dias de hoje, é necessariamente 
problematizada – é uma "História-Problema". 
A proposição II é falsa, porque o Materialismo Histórico é uma abordagem metodológica dedicada 
ao estudo da sociedade, da economia e da história que foi elaborada originalmente por Karl Marx 
(1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), apesar de eles próprios nunca terem empregado essa 
expressão. Em todo caso, Marx e Engels foram os criadores de uma nova forma de compreensão 
da sociedade que permitiu superar tanto o idealismo como o materialismo do seu tempo. Essa 
nova abordagem desvelou o caráter limitado e a natureza mistificadora da filosofia e da economia 
política burguesa. Dessa forma, com o propósito de estudar histórica e cientificamente a sociedade 
de sua época, Marx e Engels começaram por criticar as teorias existentes, para então formularem 
uma nova forma de interpretação da realidade. 
A proposição III é verdadeira, porque Marc Bloch, em 1929, propunha-se a ir além da visão 
Positivista da história como crônica de acontecimentos, substituindo o tempo breve da história dos 
acontecimentos pelos processos de longa duração, com o objetivo de tornar inteligíveis a 
civilização e as mentalidades. Passa-se, assim, à análise da mudança pelo tempo lento no 
econômico e social, dando grande ênfase ao aspecto da quantificação. Tal aspecto ajudará na 
elaboração de análises de temporalidades dentro da própria história econômica, buscando 
aplicação social, como, por exemplo, preços que sobem em um determinado período e que baixam 
em outro. 
A proposição IV é falsa, porque o conceito de consciência de classe é utilizado especialmente pelas 
vertentes do Materialismo Histórico. A ideia é que não é a consciência que determina a vida, mas a 
vida que determina a consciência. Quando Marx fala da produção da vida, ele está tratando de 
uma atividade produtiva concreta que decorre da maneira de viver do homem. Esta noção de 
produção do homem pelo trabalho, ocupa um papel de suma importância no seu pensamento. É 
da produção que ele parte para explicar a própria sociedade, é pela produção que se entende o 
caráter social e histórico do homem. Para Marx, as explicações para as questões postas na 
sociedade devem ser buscadas na práxis material dos homens. 
(D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011). 
Gabarito: D 
9. (FUNCAB - 2015 - Faceli - Professor - História) 
Pa aàdeixa à la o:àoào jetivoàdeàseàt aça àaàevoluç oàhist i aàdaàhu a idadeà oà àa teve à
o que acontecerá no futuro, ainda que o conhecimento e o entendimento históricos sejam 
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essenciais a todo aquele que deseja basear suas ações e projetos em algo melhor que a 
clarividência, a astrologia ou o franco voluntarismo [...]". 
HOBSBAWN, Eric. Sobre História , 2011. 
De acordo com o texto: 
A) a função do historiador confunde-se com o misticismo de adivinhações da antiguidade. 
B) a evolução da humanidade é uma linha ascensional previsível através da história. 
C) o conhecimento histórico permite projetar uma sociedade futuristicamente igualitária. 
D) a história não produz conhecimento com base em previsões futurísticas. 
E) tanto as ciências como a astrologia são fundamentais à história. 
Comentários 
A alternativa A é falsa, pois o que Eric Hobsbawn afirma é exatamente o contrário. O historiador 
não é futurólogo, isto é, seu trabalho é tem o passado como objeto, e mesmo que consiga traçar 
evoluções históricas ou identificar avanços e recuos, o historiador não faz previsões sobre o que irá 
acontecer. 
A alternativa B também é falsa, de modo que a História não se constitui como uma linha evolutiva 
com processos previsíveis e tecnicamente calculados pelo historiador. 
áàalte ativaàCà ta à à falsa,àpoisà e à es oàaà o epç oàdeà Hist iaà est aàdaàvida à oà
traz essa ideia de ensino. A História, entretanto, tem sim algo a nos ensinar, mas não de maneira 
linear, como uma fórmula que pode ser sempre empregada, uma vez aprendida através de ciclos 
que sempre se repetem. 
A alternativa D está correta, uma vez que é exatamente isso que o fragmento citado de Eric 
Hobsbawn está afirmando. O trabalho do historiador não é fazer previsões, nem do passado, 
tampouco do futuro. O historiador trabalha com fontes, pesquisas, evidências, resolve hipóteses, 
organiza metodologicamente, utiliza ferramentas conceituais etc., coisas que o futuro não oferece, 
afinal o futuro não é ainda. 
A alternativa E está incorreta, pois a astrologia não tem nada a oferecer à História, senão como 
objeto de estudo muito específico e, diga-se de passagem, um tanto irreverente. 
Gabarito: D 
10. (UFMT - 2015 - IF-MT - Professor - História) 
A história de toda a sociedade até agora existente é a história de luta de classes. O homem 
livre e o escravo, o patrício e o plebeu, o barão feudal e o servo, o mestre de corporação e o 
oficial, em suma opressores e oprimidos, estiveram em constante antagonismo entre si, 
travaram uma luta ininterrupta, umas vezes oculta, aberta outras, que acabou sempre com 
uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com o declínio comum das classes 
em conflito. 
(MARX, K. e ENGELS, F. Manifesto do partido comunista. Lisboa: Avante, 1975.) 
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Sobre a historiografia marxista, é correto afirmar: 
A) Pensou a sociedade de uma perspectiva particularizante, destacou a cooperação entre as 
classes sociais e sujeitou o conhecimento histórico aos homens. 
B) Pensou a história a partir da objetividade científica, entendendo a neutralidade do 
conhecimento científico e sujeitando-a a uma causalidade cronológica. 
C) Pensou a sociedade estruturalmente, enfatizando o papel das contradições, priorizando o 
estudo dos conflitos sociais, atribuindoàs classes sociais o papel de sujeito histórico. 
D) Pensou a história como arte, relativizando o conhecimento produzido pelo historiador, 
sujeitando o homem à história como uma força exterior a ele. 
Comentários 
A alternativa A é falsa, uma vez que a historiografia marxista evidencia essencialmente a luta de 
classes e a coletividade, com os indivíduos produzindo em sociedade e resultando na produção de 
si mesmos socialmente. A leitura de Marx, é uma leitura da realidade social e a categoria de práxis 
ocupa um lugar fundamental em sua obra. É precisamente sobre a concepção do homem como ser 
prático e social que repousa na ideia capital do trabalho como forma modelar de práxis, vale dizer, 
o único modo de criação, é precisamente a partir dessa concepção que Marx elabora a sua teoria 
da história. 
A alternativa B também é falsa, ao passo que a afirmação diz respeito ao método programático da 
historiografia positivista e não da historiografia marxista. É o modelo positivista que pesava a 
História a partir da objetividade científica, entendendo a neutralidade do conhecimento científico, 
buscando leis gerais com a sua imparcialidade. Para Marx, por outro lado, a história não é um 
movimento linear, não é determinista, ela se dá através de contradições, de antagonismos e 
co flitos,à e fi ,à à u à a poà a e toà deà possi ilidades:à Osà ho e sà faze à suaà p p iaà hist ia,à
mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquela 
o à ueàseàdef o ta àdi eta e te,àlegadasàeàt a s itidasàpeloàpassado , diz ele. 
A alternativa C é a resposta certa, pois para a historiografia marxista as relações sociais de 
produção são construídas a partir das condições materiais existentes. A análise da realidade, 
segundo Marx, deve se dar a partir da teoria da infraestrutura e superestrutura que circundam um 
determinado modo de produção. Isto significa dizer que a história sempre está ligada ao mundo 
dos homens enquanto produtores de suas condições concretas de vida e, portanto, tem sua base 
fincada nas raízes do mundo material, organizado por todos aqueles que compõem a sociedade. 
Os modos de produção são históricos e devem ser interpretados como uma maneira que os 
homens encontraram, em suas relações, para se desenvolver e dar continuidade à espécie. Ainda 
segundo Marx, não é a consciência que determina a vida social, mas a vida social que determina a 
consciência. 
A alternativa D também é falsa, pois Marx pensava a história como ciência e não como arte. 
Inclusive, Marx diz que existe uma única ciência, a da história, que pode ser examinada sob dois 
aspectos: a história da natureza e a dos homens. Essas duas são inseparáveis e coincidem 
reciprocamente. Marx deixa claro o método que está propondo para a história: é o método que 
parte dos fenômenos reais: não se parte do que os homens dizem, representam ou imaginam, nem 
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tampouco do homem predicado, pensado, representado ou imaginado, para chegar, partindo 
daqui, ao homem de carne e osso; parte-se do homem que realmente atua e, partindo de seu 
processo de vida real, se expõe também o desenvolvimento dos reflexos ideológicos e dos ecos 
deste processo de vida. 
(SOUZA; DOMINGUES, 2009). 
Gabarito: C 
11. (UFMT - 2015 - IF-MT - Professor - História) 
“o eàaàHist iaàp oduzidaàpelaà Es olaàMet di a",àta à ha adaà positivista",àa aliseàasà
afirmativas. 
I - O Historiador não é juiz do passado, deve apenas narrar o que realmente aconteceu. 
II - Há intrínseca interdependência entre o sujeito do conhecimento e seu objeto. 
III - A História (res gestae) existe em si, objetivamente, e se oferece por meio dos 
documentos. 
IV - É imprescindível ao historiador a reflexão teórica e filosófica. 
 
Estão corretas as afirmativas 
A) II e IV. 
B) I e II. 
C) III e IV. 
D) I e III. 
Comentários 
A alternativa D é a resposta certa, pois apenas as proposições I e III são verdadeiras. 
A proposição I é verdadeira, pois a Escola Positivista de fato prezava pela neutralidade do trabalho 
historiográfico, na medida em que as sociedades humanas seriam reguladas por leis naturais, 
invariáveis, independentes da ação humana. Sendo assim, o melhor método seria das Ciências 
Naturais, que deveria ser incorporado pelas Humanas, visando a objetividade científica, uma vez 
que o objeto de estudo estaria na própria natureza, e o cientista dele se apropria. Separado de seu 
objeto de estudo, o historiador poderia ser neutro e imparcial, indo de encontro à verdade dos 
fatos. 
A proposição II é falsa, pois o método historiográfico positivista desconsidera a relatividade do 
objeto histórico, sendo que a subjetividade é completamente dispensada. 
A proposição III é verdadeira, na medida em que os positivistas acreditavam ir de encontro aos 
fatos passados concretamente quando estivessem em posse de algum documento. Isso faz parte 
da ideia de uma imparcialidade absoluta, consagrada pelo estatuto de verdade garantido através 
das fontes, e louvado na possibilidade de um conhecimento humano inteiramente objetivo que 
existe a favor da construção de uma história universal. 
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A proposição IV é falsa, pois o método positivista como um todo descartou a reflexão filosófica, 
que estaria ligada ao pensamento teleológico de uma filosofia da história que deseja conhecer 
apenas o motor da história. Os positivistas, por sua vez, pautaram-se na ideia de que a História se 
refere a uma realidade humana temporalizada, e na perspectiva de que poderia se tornar objeto 
de conhecimento este mundo humano real a ser compreendido no tempo. 
(D'ASSUNÇÃO BARROS, 2014). 
Gabarito: D 
12. (IF-PA - 2015 - IF-PA - Professor - História) 
áà dest uiç oà doà passadoà – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa 
experiência pessoal às das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e 
lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de 
presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que 
vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se 
mais importantes do ueà u aà oàfi àdoàsegu doà il io. 
(HOBSBAWM, E. A Era dos extremos.O breve século XX. 1914-1991. São Paulo: Companhia 
das Letras, 1995. p.13). 
 
Com base nas questões suscitadas pelo texto acima é correto afirmar que: 
A) Nossos jovens precisam de formação no campo da História 
B) Não há políticas públicas para preservação de patrimônios que representem as gerações 
passadas e a História. 
C) Cabe apenas aos historiadores a arte de lembrar e preservar o passado. 
D) A relação entre História e a memória carece do historiador e seu metiér. 
E) A memória do passado é um fenômeno em extinção e cabe ao historiador recuperá-la 
treinando a juventude. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois o texto supracitado de Eric Hobsbawm não ressalta a 
necessidade da formação dos jovens no campo da História, mas constata a experiência coletiva de 
uma espécie de presente contínuo no final do século XX, sem perspectivas ou relações com o 
passado (o que se pode dizer que adentra pelo século XXI). 
A alternativa B também está incorreta, pois o texto supracitado de Eric Hobsbawm não trata de 
forma específica das políticas públicas para preservação de patrimônio. A preocupação do autor é 
com a falta de lastro histórico entre as gerações, especialmentecom o imediatismo que surge no 
final do século XX. 
A alternativa C também está incorreta, na medida em que não se trata de tarefa única do 
historiador a arte de lembrar e preservar o passado, pois é algo que envolve desde a esfera 
pública, até ao indivíduo envolvido numa comunidade de pessoas que compartilham uma 
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experiência coletiva. Mas o historiador é visto como ator importante na cena final do segundo 
milênio, por causa da sua função de lembrar aquilo que os outros esquecem, numa época em que 
as pessoas parecem viver um presente contínuo. 
A alternativa D é a resposta certa, pois o historiador traz a experiência que pertence ao passado e 
a faz concretizar pela rememoração no presente. O historiador faz isso de múltiplas maneiras, 
trabalhando em seu ofício e usando as suas ferramentas metodológicas e conceituais específicas, 
como, por exemplo, através da memória, dos vestígios, das permanências e das mais diversas 
fontes históricas. É nesse sentido que o historiador é importante, principalmente numa sociedade 
que vive uma espécie de presente contínuo. 
A alternativa E também está incorreta, uma vez que o trabalho do historiador não é treinar a 
juventude para rememorar o passado. O fato é que o historiador é visto, aparentemente, como o 
guardião dessas memórias e promotor de uma memória coletiva orgânica. 
Gabarito: D 
(CESPE - 2010 - SEDU-ES - Professor B — Ensino Fundamental e Médio — História) 
Considerando a evolução sofrida pela escrita da História na contemporaneidade, 
especialmente após o surgimento da Escola dos Anais ou Escola Francesa, e pelos novos 
parâmetros que norteiam o ensino da História nos dias atuais, julgue os itens que se seguem. 
 
13. 
A Nova História elimina a cronologia de suas preocupações e, na prática, repudia as datas 
como componente de seu campo de trabalho. 
Comentários 
A afirmativa desta questão está errada, pois o tópico principal que se pode destacar entre a 
metodologia da Nova História, também conhecida como terceira geração da Escola dos Annales, é 
a consideração segundo a qual toda atividade humana é considerada história. É falso, portanto, 
afirmar que a Nova História propõe uma ruptura tão brusca com toda uma tradição historiográfica 
ao ponto de eliminar a cronologia e repudiar as datas, afinal de contas, por mais que o trabalho do 
historiador tenha instrumentalizado o conceito e as noções de tempo de forma diferente, ele é 
imprescindível em seu trabalho. 
(D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012). 
Gabarito: Errado 
14. 
Por se confundir com literatura, a narrativa foi abolida da moderna concepção de História. 
Comentários 
A afirmativa desta questão está errada, uma vez que a História é entendida como um campo 
disciplinar que tem sua base fundada na narrativa. Não há História sem narrativa. A História se 
compõe de uma rede de discursos que são compostos por ditos e interditos, que são permitidos e 
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hierarquizados no interior da própria disciplina. A rede de discursos que constitui uma das 
dimensões integrantes do campo disciplinar da História é também, ela mesma, uma rede de textos 
e realizações, em dinâmica de interconexão. 
(D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012). 
Gabarito: Errado 
15. 
A História tradicional costumava valorizar ao extremo a ação individual dos grandes nomes, 
os heróis, enfatizando a política protagonizada pelos detentores do poder. 
Comentários 
A afirmativa desta questão está certa, de modo que a historiografia ao longo do século XX passou 
por transformações marcantes que redefiniram até mesmo a perspectiva do historiador. Uma 
radical reviravolta da sociedade historiográfica é o olhar para uma história esquecida, apagada por 
historiadores que trouxeram os vencedores para o centro do palco.àáà ha adaà Hist iaàVistaàdeà
Baixo à àu à o àexe ploàdessasà t a sfo aç es,à aà edidaàe à ueàoàolha àdoàhisto iado à foià
descentrado, migrou para a periferia, foi atrás de nomes até então esquecidos e encobertos pela 
noite dos tempos. Esta é uma historiografia que não está preocupada, por exemplo, com o nome 
do Imperador que conduziu a construção da Muralha, mas sim com a quantidade de material 
humano necessário para tal empreendimento. 
(D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011). 
Gabarito: Certo 
16. (CONSULPLAN - 2010 - Prefeitura de Congonhas - MG - Professor - História) 
F a çoisà Fu età o ie taà pedagogi a e teà aà hist ia-p o le a à o oà pe u soà pa aà ueà osà
alunos sejam investidos de um novo estatuto epistemológico – aquele de sujeitos ativos de 
seus processos de aprendizagem, diferentemente dos percursos tradicionais. Na perspectiva 
daà hist ia-p o le a ,à à o etoàafi a : 
á àPa aà ueàaà o epç oàdeà hist ia-p o le a àsejaà olo adaàe àp ti a,à à e ess ioà ueàaà
dinâmica de sala de aula também seja centrada na figura do professor, que se encarrega por 
sua vez, de expor os conteúdos que, em seguida, devem ser memorizados pelos alunos. 
B àNaà pe spe tivaà daà história-p o le a ,à oà histo iado à a açaà aà p ete s oà deà a a à tudoà
aquilo que se passou de importante na história da humanidade para que os alunos possam 
ter fundamentos históricos para problematizar os fatos, sejam do passado ou do presente. 
C) A evolução recente da historiografia mostra que passamos de uma narração cronológica 
pa aàu aà hist iap o le a à ueàvisaàoàexa eàa alíti oàdeàu àp o le a,àdeli ita doàu à
período e a parte do conjunto de acontecimentos em que está inserido, para o qual 
buscamos respostas, nunca definitivas. 
D àáàp eo upaç oàdaà hist ia-p o le a àest àe àseà o p o ete à o àoàdese volvi e toà
da noção da temporalidade histórica, para que a História não perca o seu verdadeiro objeto 
que é o estudo do tempo. 
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E) A problematização no processo dinâmico da sala de aula enfrenta obstáculos no processo 
de constituição da cidadania, pois essa deve partir de um traço central sugerido pelos 
governantes para não despencar para a concepção anárquica. 
Comentários 
A alternativa A é falsa, uma vez que a afirmação diz respeito ao método pedagógico autoritário em 
que o professor é visto como o detentor de um conhecimento inquestionável e o aluno como uma 
tábula rasa que é planificada para receber aquilo que o professor tem a dizer. Esse tipo de 
metodologia, por sua vez, não traz contribuições na proposta de empregar em sala de aula o 
modelo de uma História-Problema, pois o aluno é um mero receptor, uma figura passiva dentro do 
ambiente escolar. 
A alternativa B também é falsa, pois a ideia de que o historiador possa narrar tudo aquilo que se 
passou de importante na história da humanidade é, no mínimo, pretensão. O historiador não é 
uma enciclopédia que tem posse de todas os fatos e datas da História da humanidade. Além disso, 
esse não é um método problematizador, pois também nesse caso os alunos são figuras passivas 
dentro do ambiente escolar. 
A alternativa C está correta, na medida em que essa metodologia se vincula a ações concretas, 
dirigidas à resolução de um problema, mais do que ao pensamento, remete à ação e a prática. Por 
exemplo, a "análise de discurso'' (exame minucioso, crítica, estudo) de que um historiador lançamão para compreender as suas fontes históricas, são relacionados ao âmbito dos procedimentos 
técnicos e das metodologias. Quando o historiador situa um conjunto de documentos em série, e 
procura incidir sobre ela um determinado questionário ou uma tabulação de tópicos e critérios, 
estará certamente empregando uma metodologia que segue a problematização do objeto de 
estudo. Esta História problematizada é hoje, no século XXI, lugar-comum para qualquer historiador 
formado historiador, isto é, formalmente bacharelado em curso superior universitário. 
A alternativa D também é falsa, pois o verdadeiro objeto de estudo da história é a ação dos 
homens no tempo, e não o tempo em si, ao passo que o estudo do tempo em si é um trabalho 
essencialmente filosófico. Mas, acerca disso, o estudo sobre do tempo tem feito escola entre os 
historiadores, mas não com a mesma investigação dos filósofos, pois os historiadores se utilizam 
do tempo como categoria específica e distinguem o tempo histórico. Em todo caso, é a ação dos 
homens no tempo o objeto de estudo dos historiadores, e através do recorte desse objeto que a 
História-Problema é executada. 
A alternativa E também é falsa, uma vez que a afirmação não diz respeito ao conceito de História-
Problema. Além disso, a noção de cidadania sugerida na afirmação também é falsa, pois a 
cidadania não diz respeito aos programas veiculados pelos governantes, mas sim a consciência de 
coletividade e participação que deve imperar categoricamente entre os indivíduos de uma nação. 
(D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012). 
Gabarito: C 
 
 
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17. (CONSULPLAN - 2010 - Prefeitura de Congonhas - MG - Professor - História) 
Nadaà doà ueà à hu a oà se à ago aà alheioà aoà histo iado .à Daíà aà ultipli aç oà deà estudosà
sobre a cultura, os sentimentos, as ideias, as mentalidades, o imaginário, o cotidiano. E 
também sobre instituições e fenômenos sociais, antes considerados de pequena importância, 
se não irrelevantes, como o casamento, a família, organizações políticas e profissionais, 
igrejas, etnias, a doença, a velhice, a infância, a educação, as festas e rituais, os movimentos 
populares." 
Assinale a alternativa, que de acordo com o texto de José Murilo de Carvalho, sintetiza as 
finalidades do ensino de História: 
A) As finalidades do ensino de História apontam para novas possibilidades de organização 
curricular (História temática e o ensino por conceitos) e para a valorização do conteúdo e de 
visões plurais e críticas da História, considerando a construção da cidadania e dos direitos 
humanos. 
B) As finalidades do ensino de História têm como referência a própria ciência. A relação entre 
o saber científico e a historicidade é comprovada através dos documentos históricos escritos, 
principal instrumento de trabalho do historiador. 
C) As finalidades do ensino de História se resumem no domínio do conteúdo específico pelo 
professor. A valorização do conteúdo é indispensável para a construção das memórias 
coletivas e individuais. 
D) Baseada em objetivos precisamente propostos pela LDB, a finalidade da História é a de 
incorporar novas linguagens e tecnologias no ensino, pois o saber do passado já foi 
construído e deve ser apenas repassado com fidelidade. 
E) Baseados na construção de uma memória social, as finalidades da História visam a 
recuperação da historicidade do conhecimento numa organização linear e na forma 
cronológica de expor os fatos. 
Comentários 
A alternativa A é a resposta correta, de tal maneira que o ensino de História se beneficiou 
enormemente com as transformações no interior das correntes historiográficas, que inovaram as 
temáticas, os conceitos, o uso das fontes, a problematização etc. O ensino da História passou a se 
instrumentalizar com as ferramentas historiográficas, distanciando-se cada vez mais do antigo 
modelo positivista baseado no ensino mnemônico, quando os alunos focavam sua aprendizagem 
em decorar as datas, os fatos e os grandes nomes da História. Atualmente, o ensino de História 
tem proposto novas possibilidades de organização curricular, visando formar estudantes críticos, 
pautados por uma consciência cidadã e que valorizem os princípios dos direitos humanos. A 
disciplina se tornou campo importante para a formação individual, fazendo os estudantes 
refletirem sobre o seu papel na sociedade, trabalhando questões que até então eram tabus socias, 
questionando sobre a organização das sociedades etc., tudo isso através da aprendizagem das 
ações dos homens nos tempos passados. 
A alternativa B é falsa, uma vez que nas últimas décadas o ensino de História tem sido 
reformulado, pois o que os especialistas tem percebido é que a aprendizagem da História deve ser 
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diferenciada, utilizando de ferramentas educacionais próprias e de métodos particulares. Nesse 
sentido, o ensino de História tem se afastado da referência metodológica das ciências naturais, por 
exemplo, que se valem de fórmulas decoradas e cálculos proposicionais. Até mesmo as fontes e 
documentos trabalhados no ensino de História têm se transformado, ao passo que atualmente o 
uso de mídias e tecnologias tem favorecido enormemente a nova reflexão proposta pela disciplina. 
A alternativa C também é falsa, pois o ensino de História atualmente tem reforçado a ideia de que 
deve haver uma interação forte entre professor e estudantes, de modo que a função do professor 
passa a ser de orientador pedagógico. A ideia é que os estudantes não sejam vistos como tábulas 
rasas, indivíduos passivos dentro do ambiente escolar. Cada estudante tem uma experiência 
individual e deve ser valorizado o aprendizado que foi adquirido ao longo de suas vidas, sendo 
ponto importante para a construção de conhecimento. 
A alternativa D também é falsa, pois dentro do campo disciplinar da História não prevalece a ideia 
de que o saber sobre o passado já foi todo construído e que deve apenas ser replicado. 
Essencialmente, toda História é escrita no presente, o que significa que o conhecimento sobre o 
passado é dimensionado e redimensionado de acordo com as perguntas que são feitas pelos 
historiadores. É certo que não se trata de um relativismo absoluto, pois há pontos duros, como as 
datas de certos eventos, por exemplo. Mas a questão é que a História se trata de um saber 
construído e não testado, como faz um físico ou um químico trancado em seu laboratório. O 
historiador trabalha com hipóteses, séries documentais, faz recortes em seus objetos de pesquisa, 
formula perguntas que podem ou não ser respondidas, cruza informações novas com aqueles que 
outros obtiveram etc., mas o historiador nunca terá uma experiência empírica do seu objeto de 
estudo, pois o passado é aquilo que já não é mais. 
A alternativa E também é falsa, uma vez que o ensino de História baseado na organização linear e 
na forma cronológica de expor os fatos, favorece apenas ao método em que o aluno deve decorar 
as datas, os fatos, as sequencias dos acontecimentos, os grandes nomes etc., isto é, o modelo 
positivista. Atualmente, o ensino de História tem partido para uma perspectiva crítica, utilizando 
novos métodos, valendo-se de mídias e tecnologias e empregado processos pedagógicos 
inovadores, tudo para que a relação dos estudantes com a História os transforme é cidadãos 
agentes da própria história. 
Gabarito: A 
18. (IFC - 2010 - IFC-SC - Professor - História) 
Assinale a alternativa correta.A) Historiadores com Eric Hobsbawm, Perry Anderson e Edward Thompson, fazem suas 
próprias interpretações do pensamento marxista. Na atualidade esta linha de pesquisa é 
denominada de História Cultural. 
B) Na segunda geração da Escola dos Analles, surgiu a História Nova, idealizada por Jacques 
Le Goff e Pierre Nora. 
C) Os trabalhos de Fernand Braudel foram muito influentes e marcaram a terceira geração da 
Escola dos Analles. 
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D) A Escola dos Analles, surgiu na França (1929), através da revista Analles d´histoire 
économique et sociale, criada por Marc Bloch e Lucien Febvre. 
E) Os historiadores positivistas acreditam que a história deve ser escrita através da estrita 
observação dos fatos que permitam revelar a verdade histórica, onde o historiador não poder 
ser uma pessoa neutra. 
Comentários 
A alternativa A é falsa, uma vez que os historiadores citados fazem parte da corrente 
historiográfica britânica, que de fato propôs um revisionismo dentre da metodologia marxista. 
Contudo, não se trata da História Cultural, apesar de eles terem se voltado mais o olhar para as 
questões culturais, não postulando a economia como mero epifenômeno. Destarte, cada um 
destes historiadores continuava trabalhando com os pressupostos fundamentais do Materialismo 
Histórico: Dialética, Materialismo, Historicidade Radical. Utilizavam também, como todos os 
historiadores materialistas históricos, conceitos básicos para este paradigma: "modo de 
produção", "luta de classes", "classe social", "revolução". A questão é que estes historiadores 
trabalham de modo mais flexível com estes conceitos, evitando esquematismos muito simples e 
procurando apreender uma totalidade mais complexa da vida social. Já a História Cultural 
propriamente dita se sobrepõe, em sua abordagem, ao movimento francês da história das 
mentalidades e à chamada Nova História. Na França, um dos expoentes mais conhecidos da 
História Cultural é Roger Chartier. 
As alternativas B e C também são falsas, pois cometem equívocos acerca das gerações dos Annales. 
A segunda geração da Escola dos Annales teve como um dos mais conhecidos expoentes dessa 
escola a obra de Fernand Braudel, que definiu uma segunda geração de historiadores dos Annales 
e foi muito influente nos anos 1960 e 1970, especialmente por sua obra, O Mediterrâneo e o 
mundo mediterrânico na época de Felipe II. Já a terceira geração dos Annales que é conduzida por 
Jacques Le Goff e ficou mais conhecida como a Nova História, segundo a qual toda atividade 
humana é considerada história. Além de Le Goff, nesse período se destaca também seu 
companheiro de profissão, Pierre Nora. 
A alternativa D está correta. A Escola dos Annales é um movimento historiográfico do século XX 
que se constituiu em torno do periódico acadêmico francês Annales d'histoire économique et 
sociale, tendo se destacado por incorporar métodos das Ciências Sociais à História. Fundada por 
Lucien Febvre e Marc Bloch em 1929, propunha-se a ir além da visão Positivista da história como 
crônica de acontecimentos, substituindo o tempo breve da história dos acontecimentos pelos 
processos de longa duração, com o objetivo de tornar inteligíveis a civilização e as mentalidades. 
Marc Bloch foi morto pela Gestapo durante a ocupação alemã da França, na Segunda Guerra 
Mundial, e Febvre seguiu com a abordagem dos Annales nas décadas de 1940 e 1950. 
A alternativa E também é falsa, pois os historiadores positivistas estavam atrás de Leis Gerais na 
História, acreditando que haveria uma universalidade humana. Para eles, as sociedades humanas 
são reguladas por leis naturais, invariáveis, independentes da ação humana, de tal modo que a 
História deveria seguir uma relação de identidade de métodos com as Ciências Naturais. A 
objetividade científica seria encontrada na neutralidade. O objeto de estudo já está na natureza, e 
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o cientista dele se apropriaria. Separado de seu objeto de estudo, o historiador poderia ser neutro 
e imparcial, indo de encontro à verdade dos fatos. 
(D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011; D'ASSUNÇÃO BARROS, 2012). 
Gabarito: D 
19. (IBFC - 2013 - SEAP-DF - Professor - História) 
Um dos nomes mais importantes da Escola dos Annales foi o historiador medievalista francês 
Marc Bloch. Sua proposta epistêmica buscou romper com o paradigma positivista em que a 
ciência histórica estava apoiada no início do século XX, problematizando a própria noção de 
história, que naquele momento definia o passado como um dado rígido, inalterável. Em 
Apologia da História, publicado em 1949 por Lucien Febvre ou O Ofício do Historiador (2002), 
último texto escrito por Bloch, inacabado por causa da sentença de fuzilado imposta pela 
Gestapo em 1944, na cidade francesa de Saint Didier de Formans, por ter participado da 
Resistência em Lion contra o nazismo alemão, o referido livro traz grandes contribuições 
metodológicas para as ciências humanas, tendo influenciado muitos historiadores como 
Braudel, Duby, Le Goff, Ferro, Lepetit, entre outros. Dentre as contribuições conceituais 
desenvolvidas pela Escola dos Annales, também chamada posteriormente de História Nova, 
destacamos algumas noções desenvolvidas por essa corrente teórica: 
I. História de longa duração; 
II. História das mentalidades; 
III. História das multidões e das massas. 
 
Indique a opção que representa os conceitos desenvolvidos por tal escola teórica: 
A) I e III, apenas. 
B) I e II, apenas. 
C) II e III, apenas. 
D) I, II e III. 
Comentários 
A alternativa B é a resposta certa, uma vez que apenas as proposições I e II são verdadeiras. 
A Escola dos Annales, fundada por Lucien Febvre e Marc Bloch em 1929, propunha-se a ir além da 
visão Positivista da história como crônica de acontecimentos, substituindo o tempo breve da 
história dos acontecimentos pelos processos de longa duração, com o objetivo de tornar 
inteligíveis a civilização e as mentalidades. O novo movimento historiográfico foi muito impactante 
e renovador, colocando em questionamento a historiografia tradicional e apresentando novos e 
ricos elementos para o conhecimento das sociedades. Apresentava uma História bem mais vasta 
do que a que era praticada até então, apresentando todos os aspectos possíveis da vida humana 
ligada à análise das estruturas. Seus principais objetivos estavam no desenvolvimento de um tipo 
de História que levasse em consideração o acréscimo de novas fontes à pesquisa histórica e 
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realizasse um novo tipo de abordagem. Outros nomes importantes seguiram-se ao de Bloch e de 
Febvre, como o de Fernand Braudel, que se notabilizou, na década de 1940, por desenvolver um 
tipo de História que se mesclava com a Geografia e levava em conta grandes estruturas temporais, 
que ele deno i ouà deà lo gaà du aç o.à Oà aio à exe ploà dissoà à suaà o aà Oà Medite eo ,à
publicada em 1947. Outro exemplo é o do especialista em história medieval Jacques Le Goff, que, 
junto a outros historiadores herdeiros dos annales, como Pierre Nora, organizou o que ficou 
o he idoà o oà Hist iaàNova ,àu àtipoàdeàHist iaà ueàala gavaàai daà aisàasàpossi ilidadesàdeà
pesquisas abertas pela Escola dosAnnales. O movimento dos Annales – ao lado do Materialismo 
Histórico e das contribuições da Hermenêutica Historicista – constitui certamente uma das 
influências mais impactantes e duradouras sobre a historiografia ocidental. O impacto dos Annales 
sobre a historiografia ocidental como um todo, e sobre a historiografia brasileira em particular, 
não deixa de ser produzido por uma parte efetiva de contribuições substanciais e extremamente 
inovadoras para a historiografia, e também por uma parte não menos significativa de recepção 
favo velàdoà ito à o st uídoàpelosàp i ei osàlíde esàdoà ovi e toàe àsuaàas e s oàaoàdo í ioà
do território institucional. 
A proposição III é falsa, pois não existe uma corrente historiográfica definida como História das 
Multidões ou História das Massas. 
(D'ASSUNÇÃO BARROS, 2011). 
Gabarito: B 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS QUESTÕES 
Leia o texto abaixo. A construção do conceito de tempo histórico e abstrato representa o 
ponto final da descontextualização dos instrumentos de medição [...]. É necessário que haja 
antes todo um trabalho de aprendizagem, caminhando para esse entendimento altamente 
generalizado. É preciso que as atividades escolares favoreçam a compreensão da noção de 
tempo em suas variadas dimensões, ou seja, o tempo natural cíclico, o tempo biológico, o 
tempo psicológico [...]. 
Disponível em: <http://migre.me/ty4Qg>. Acesso em: 15 abr. 2015. Fragmento. 
 
20. (SEDUC-CE / 2016) 
De acordo com esse texto, a importância do tempo no ensino de História é explicada pela 
A) construção do calendário. 
B) diversidade de durações. 
C) ideia de progresso. 
D) ordenação cronológica. 
E) sequência linear. 
 
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Comentários 
A alternativa A é falsa, uma vez que a complexa noção de tempo não se resume ao calendário, 
tampouco apenas à explicação da construção histórica dele. Além disso, entre as mais diversas 
sociedades que existiram na História humana muitas delas se utilizaram de variadas formas de 
medir e contar o tempo, de acordo com ritmos de vida diferentes e costumes de vários grupos 
sociais. Portanto, a construção do calendário é demasiadamente redutora para se explicar a 
importância do tempo no ensino de História. 
A alternativa B está correta, pois é necessário que o estudante tenha em mente que há um tempo 
vivido que se relaciona com um tempo social e com um tempo bem mais complexo que é esse 
tempo histórico, das estruturas de longa, média ou curta duração, produto das ações e relações 
humanas, no qual coexistem as transformações e permanências, além das perspectivas de futuro 
que também compõe a noção de tempo. 
A alternativa C é falsa, de tal modo que a noção de tempo vai além da ideia de progresso, sendo 
que a associação entre tempo e a ideia de progresso ganha força especialmente na era moderna, 
quando é suposto que o tempo é: progressivo, pois sempre passa; é irreversível, pois nunca volta; 
e é ininterrupto, pois nunca para. Mas, o fato é que esta noção de tempo nem sempre esteve 
presente, de tal modo que podemos destacar a noção de tempo cíclico e a ideia de eterno retorno 
que se fez presente entre as culturas antigas. 
A alternativa D também é falsa, ao passo que a ordenação cronológica é resultado de uma noção 
específica de tempo que transfere as noções de sucessão e duração cronológica para uma 
perspectiva unificadora e progressista que enquadra o movimento do tempo em um aspecto 
historiográfico linear e ordenado. Sendo que há outras noções de tempo que precisão ser 
entendidas para além desta, como as de tempo natural cíclico, tempo biológico, tempo 
psicológico, etc. 
A alternativa E também é falsa, uma vez que a explicação do tempo como uma sequência linear é 
fruto da ideia de tempo cronológico que ordena o tempo de forma sequencial, como se fosse um 
amontoado de histórias, organizado em períodos e eras. Mas a explicação de tempo deve ir além 
desta marcação linear do tempo e identificarem diferentes durações de tempo. 
(SCALDAFERR, 2008). 
Gabarito: B 
21. (SEDUC-CE / 2016) 
Com base no texto, sobre o trabalho dos historiadores com as fontes, constata-se que 
A) as análises e credibilidade dos documentos dependem essencialmente de seu caráter 
estatal e oficial. 
B) as fontes históricas devem ser problematizadas, pois expressam intencionalidades. 
C) os documentos são fontes fiéis da história e falam por si mesmos. 
D) os historiadores devem narrar de forma objetiva e imparcial as informações presentes nos 
documentos históricos. 
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E) os registros deixados pela humanidade são testemunhos únicos dos fatos e 
acontecimentos históricos. 
Comentários 
As alternativas A e C são falsas pelo mesmo motivo, pois desconsideram a máxima da historiografia 
contemporânea, perpetuada pelo historiador Jacques Le Goff (1924-2014), quando diz que todo 
documento é monumento, isto é, que tal como um monumento que traz intenções que não se 
manifestam imediatamente a um olhar pouco atento, assim também seria um documento, de tal 
modo que há um não dito que precisa ser investigado. A questão é que até mesmo os documentos 
de caráter oficial não podem ser considerados neutros, julgando-os como fontes fiéis da história. 
Na verdade, o que está nas entrelinhas de um documento pode falar muito mais do que aquilo que 
aparece de forma evidente. 
A alternativa B é a resposta certa, uma vez que é necessário uma metodologia de pesquisa que 
compreenda o conhecimento das variáveis nas fontes e a autenticidade da pesquisa, devendo 
serem consideradas as condições contextuais de seus produtores e assentar-se na concepção 
crítica e dinâmica da linguagem para estabelecer um parecer satisfatório ao oficio do historiador. 
Entre esses aspectos, questionamentos significativos por parte dos historiadores, relativos aos 
agentes e autores da historiografia, inserem novas discussões sobre as fontes documentais que 
devem e podem ser usadas nas pesquisas e ensino. 
A alternativa D é falsa, uma vez que a objetividade e a imparcialidade são noções problemáticas na 
historiografia, ao passo que o oficio do historiador requer uma reflexão acerca das próprias 
perguntas que ele faz para seu objeto de investigação, de tal modo que se faz necessário 
esclarecer o viés que está sendo tomado no ato da pesquisa, com a pretensão de se aproximar de 
uma leitura pelo menos honesta da História. Mas o fato é que a objetividade e a imparcialidade 
são problemáticas porque a narrativa da História não é apenas uma enumeração de dados e fatos, 
mas sim uma proposta investigativa que requer do historiador ir além do aparente, mergulhando 
na trama que gravita em torno do objeto de pesquisa, fazendo com que ele também seja sujeito da 
historiografia, pois toda a História é reescrita no presente. 
A alternativa E também é falsa, pois os registros não são as únicas fontes ou tampouco as mais 
preciosas da historiografia, de tal modo que muitas metodologias de pesquisa tem renovado o seu 
arsenal teórico em busca de uma resignificação das formas de se pensar o passado. Como 
exemplo, é possível citar a Historia da Cultura Material, a História Oral, a História dos povos sem 
escrita, etc., as quais utilizam muitas vezes de artefatos e memórias como objeto de pesquisa. 
(VALLE; ARRIADA; CLARO, 2010). 
Gabarito: B 
 
Leia o texto abaixo. 
Assim, para os positivistas que estudaram a História, esta assume o caráter de ciência pura: é 
formadapelos fatos cronológicos e o que realmente significam em si. São objetivos à medida 
que possuem uma verdade única em sua formação (que é o seu sentido e sua única 
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possibilidade de compreensão) e não requerem a ação do historiador para serem entendidos: 
como já dito, o papel deste é coletá-los e ajeitá-los, constatando, pela análise minuciosa e 
liberta de julgamentos pessoais, sua validade ou não. O saber histórico, dessa forma, provém 
do que os fatos contêm, e assume um valor tal qual uma lei da Física ou da Química, ciências 
exatas. 
O Positivismo, Os Annales e a Nova História. Angela Birardi, Gláucia Rodrigues Castelani, Luiz 
Fernando B. Belatto. Disponível em: http://www.klepsidra.net/klepsidra7/annales.html. 
Acesso em 11/04/2016. 
 
22. (SEDUC-CE / 2016) 
Marque a opção que define, com precisão, o Positivismo em relação aos estudos da História. 
A) É uma leitura da História que se baseia na constante luta de classes. Dessa forma, sempre 
há uma classe dominante e uma classe dominada, sendo que ambas estão em confronto de 
interesses, já que uma explora a outra. Esse embate seria o motor da História, através do qual 
se daria o seu progresso e seria a origem das transformações na sua estrutura. 
B) Destaca-se por incorporar métodos das Ciências Sociais à História, o que ampliou o quadro 
das pesquisas históricas, com a incorporação de atividades até então pouco investigadas, 
rompendo assim com a compartimentação das Ciências Sociais (História, Sociologia, 
Psicologia, Economia, Geografia) e privilegiando os métodos pluridisciplinares. 
C) É, acima de tudo, a História das Mentalidades. Seus seguidores propõem que se estabeleça 
uma história serial das estruturas mentais das sociedades, e cabe ao historiador a análise dos 
dados. 
D) Acredita que os pesquisadores devem encontrar um fator que determine a verdadeira 
História. Ela seria indiscutível e encontrada nos documentos governamentais que, por isso, 
nunca estariam errados. De acordo com esse pensamento, apenas as histórias políticas 
teriam a importância de serem verificadas. 
E) Tem uma proposta de análise histórica que defende uma delimitação extrema do tema por 
parte do historiador (inclusive em termos de espacialidade e de temporalidade). Com todo 
esse objeto (tema) bem delimitado, a análise se desenvolve a partir de uma exploração 
exaustiva das fontes. 
Comentários 
A alternativa A é falsa, pois a luta de classes é uma concepção dialética proposta pela leitura 
marxista da História, que define uma filosofia da história que compreende as ações dos homens no 
tempo impulsionadas pelo conflito, a superação e o embate revolucionário das classes, 
teleguiando de tal modo a humanidade para um progresso a-histórico. No sentido que a 
historiografia marxista no século XIX pensava um progresso que levaria ao fim da História, pois a 
superação da luta de classes seria completa, quando não houvesse mais dominante e dominado, 
mas uma grande comunidade política. 
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A alternativa B também é falsa, de tal maneira que o positivismo se preocupava em disciplinar os 
saberes, ordenando as investigações e visando o progresso do conhecimento de forma científica. 
As disciplinas acumulariam conhecimento cada uma a seu lugar, pois se acreditava que esta 
especificidade promoveria resultados mais precisos. O historiador precisaria se ater às fontes para 
iluminar os fatos, como se os documentos tivessem como única intenção o relato dos 
acontecimentos. E ali o historiador acessaria o passado de forma neutra, sem imaginações ou 
intenções pessoais. Também o sociólogo, de outro lado, era um cientista que analisaria a 
sociedade de forma neutra, atendo-se aos dados, estatísticas, enumerações e prognósticos para 
formular o seu saber. O fato é que as disciplinas eram vistas como átomos que estabeleciam 
relações somente internas. 
A alternativa C também é falsa, ao passo que a História das Mentalidades é entendida como o 
estudo do conjunto de características intelectuais de uma época, que aparece como uma espécie 
de História das Ideias que procura ressaltar certas características intelectuais e psicológicas 
relacionadas a uma época a partir das obras de grandes personalidades intelectuais. Sendo que a 
História Positivista é essencialmente política. 
A alternativa D está correta. O pensamento Positivista do século XIX, fundado com a Filosofia de 
Augusto Comte e propagado com Émile Durkheim, na Sociologia e Fustel de Coulanges, na História, 
entre outros, contribuíram para fazer do Positivismo um posicionamento poderoso que acreditava 
na cientifização do saber. O que se acreditava era que se obtivesse resultados claros, objetivos e 
corretos. Os seguidores desse movimento acreditavam num ideal de neutralidade, isto é, na 
separação entre o pesquisador/autor e sua obra: esta, em vez de mostrar as opiniões e 
julgamentos de seu criador, retrataria de forma neutra e clara uma dada realidade a partir de seus 
fatos, mas sem os analisar. Os positivistas acreditavam que o conhecimento se explica por si 
mesmo, necessitando apenas seu estudioso recuperá-lo e colocá-lo à mostra. Tão objetiva é a 
História para os positivistas que um de seus maiores ensinamentos é a busca incessante de fatos 
históricos políticos e sua comprovação empírica. Daí a necessidade, como pregavam, de se utilizar 
na pesquisa e análise o máximo de documentos possíveis, principalmente oficiais. Coulanges chega 
a afirmar que a "História não é arte, mas uma ciência pura (...) a busca dos fatos é feita pela 
observação minuciosa dos textos, da mesma maneira que o químico encontra os seus em 
experiências minuciosamente conduzidas". 
A alternativa E está incorreta, uma vez que o que está em jogo no pensamento Positivista 
vinculado à História nem tanto é a delimitação extrema do tema e nem a exploração exaustiva das 
fontes, mas sim a consciência de que o motor e telos da História humana era essencialmente 
obtido nas práticas políticas que se estabelecem entre os homens, por isso eram elas que deveriam 
ser o objeto de investigação do historiador. O positivismo é um método que funda a História 
enquanto disciplina. É verdade que a humanidade sempre contou suas histórias, mesmo antes do 
século XIX, saindo da antiguidade clássica de Grécia e Roma até os povos cuja única forma de 
relatar suas memórias é a oracular. Mas é o positivismo que estabelece as fronteiras disciplinares 
do conhecimento. De tal modo a definir que a história dos homens no tempo era guiada pelas 
práticas políticas que estruturam o destino da humanidade, sendo digno, então, apenas o estudo 
de Reis e reinados, Príncipes e principados, grandes nomes, grandes homens, grandes feitos, 
acontecimentos ditos importantes. Todavia, mesmo que a estejam presentes a delimitação 
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extrema do tema e a exploração exaustiva das fontes para se obter a totalidade sobre os fatos e 
não deixar nenhuma margem de dúvida no que se refere à sua compreensão, a questão por detrás 
da definição de História positivista é que a busca desses fatos deva ser feita por mentes neutras. É 
a neutralidade do sujeito para encarar otema histórico de forma objetica, pois qualquer juízo de 
valor na pesquisa e análise altera o sentido e a verdade própria dos fatos, modificando, pois, a 
própria História. É a intenção de declarar a ausência do historiador em nome da clarividência 
completa dos fatos. 
(BARROS, 2010; BIRARDI; CASTELANI; BELATTO [s.d.]). 
Gabarito: D 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS QUESTÕES 
A História dá forma à identidade ao criar as chamadas narrativas-mestras ou discursos-
mestres. Essas narrativas expressam experiências, esperanças e ameaças da unidade e da 
diferença. Elas funcionam como um meio de orientação cultural na mudança temporal dos 
fazeres humanos. 
Jörn Rüsen. Cultura: universalismo, relativismo ou o que mais? In: História & Ensino. 
Londrina, v. 18, n.º 2, p. 281-91, jul./dez. 2011, p. 283 (com adaptações). 
 
23. (CESPE/UnB – SEDUC/CE – 2013) 
Tendo o texto acima como referência inicial, é correto afirmar que a história, como disciplina, 
A) resgata a verdade acerca do passado. 
B) inventa a cultura social. 
C) constrói o futuro. 
D) dá sentido ao passado das sociedades humanas. E determina as identidades dos 
indivíduos. 
Comentários 
A alternativa A é falsa, pois o oficio da História não é a tentativa de capturar o passado tal qual foi, 
acreditando poder ter a posse da verdade histórica. O fato é que toda História é feita no presente 
e por isso levanta problemas para as fontes que sobreviveram do passado através de inquietações 
advindas do próprio presente do historiador. Por isso, a disciplina de História deve esclarecer aos 
alunos esta peculiaridade do oficio do historiador, que a ação de refletir sobre as suas próprias 
reflexões historiográficas. 
A alternativa B também é falsa, uma vez que a História não tem a função de inventar ou criar nada, 
por isso as fontes são imprescindíveis, senão corre o risco de cair no foro da literatura. Por outro 
lado, há muitas instituições, principalmente políticas, que se valem do estudo da História para 
forjar símbolos, apagar ou reviver memórias, postular narrativas específicas sobre um fato, um 
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povo, uma nação, etc., com a intenção de criar certa consciência. Mas este não é o papel da 
disciplina de História. E se se ocupa disso é para desvelar as intenções. 
A alternativa C também é falsa, pois sendo a História o estudo dos homens no tempo, não é 
possível que ela construa um futuro. De todo modo, vale dizer que a relação com o futuro existe de 
fato no trabalho do historiador, mas como um desafio radical para uma orientação para o futuro, 
que reflita sobre a memória e a história. 
A alternativa D é a resposta certa, uma vez que a História enquanto disciplina é uma forma 
elaborada da narrativa histórico-memorial que vai além dos limites de uma vida individual e visa 
planificar o imaginário coletivo. Ela trama as peças do passado rememorado em uma unidade 
temporal aberta para o futuro, oferecendo às pessoas uma interpretação da mudança temporal. 
Elas creem precisar dessa interpretação para ajustar os movimentos temporais de suas próprias 
vidas e se reconhecerem como parte de algo que existia antes do seu nascimento e que continuará 
a existir após a sua morte. 
(RÜSEN, 2009). 
Gabarito: D 
24. (CESPE/UnB – SEDUC/CE – 2013) 
Ainda com relação ao texto apresentado, e considerando a História como disciplina, assinale 
a opção correta. 
A) Com relação aos direitos humanos, a narrativa da História permite comprovar um 
desrespeito milenar. 
B) Sobre o meio ambiente, a narrativa da História mostra a insensibilidade dos antepassados 
com relação à sua preservação. 
C) Do ponto de vista dos regionalismos, a narrativa da História tem a capacidade de alimentar 
os separatismos. 
D) Sobre a diversidade étnico-racial, a narrativa da História constitui a possibilidade de 
erradicar o racismo no presente. 
E) No que se refere às questões de gênero, a narrativa da História deve explicar as origens da 
discriminação. 
Comentários 
As alternativas A e B são falsas pelo mesmo motivo, pois a disciplina de História tem como um de 
seus deveres trazer exemplos do passado, mas sem cometer anacronismos. Isso quer dizer que não 
se pode determinar que uma época histórica desrespeitasse os direitos humanos ou que era 
insensível ao meio ambiente mesmo antes de eles existirem tais discussões. É possível, com 
certeza, trazer exemplos de certas práticas de um período anterior, mas é preciso que fique claro 
para os estudantes que se tratam apenas de exemplos didáticos, diferenciando bem as datas e os 
fatos em jogo, para que não caiam no anacronismo. 
A alternativa C está correta, uma vez que a História pode legitimar discursos e práticas que tenham 
certa intenção, neste caso, seja para unir ou separar grupos. Haja vista os movimentos políticos 
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regionais que se apegam à tradição e selecionam as memórias de um povo para angariar forças 
que sejam capazes de embasar certas posturas. Por exemplo, muitos políticos de Minas Gerais 
discursam em nome da liberdade, sempre recorrendo à figura de Tiradentes e os inconfidentes; ou 
os políticos paulistas que discursam em nome do progresso e do desenvolvimento, sempre 
recorrendo aos bandeirantes. Os exemplos podem ser variados e distintos. Mas a questão é que a 
História de fato motiva ações políticas e inspira grupos, gerando entre eles um sentimento de 
pertencimento a algo muito maior do que a existência de um indivíduo. 
A alternativa D também é falsa, de tal modo que por mais que certa narrativa da História possa 
mostrar as consequências, as lutas, os movimentos, as barbaridades que envolveram o tema do 
racismo no passado, não se pode ignorar que outra narrativa da História possa usar de má-fé um 
discurso que legitime o racismo. A questão em jogo é que não se pode encarar a História como 
uma ciência que se apoia na neutralidade objetiva, pois das entrelinhas da historiografia emergem 
intenções que precisam ser consideradas. Por isso, não há uma narrativa da História que sozinha 
consiga erradicar o racismo, necessitando, pois, de outros instrumentos que aliados a uma verdade 
ética consigam lidar com tal problema. 
A alternativa E também é falsa, de tal modo que não se trata de explicar as origens da 
discriminação, até porque esta tarefa de investigação das origens é entendida como um exercício 
nulo, pois sempre o historiador acaba tropeçando de forma recursiva na especulação mental, na 
abstração da imaginação ou em experimentos metafísicos na tentativa de explicar a gênese de tal 
prática. 
(FRANZEN, 2015). 
Gabarito: C 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1. (Quadrix - 2018 - SEDF - Professor Substituto - História) 
O grande medievalista francês Marc Bloch, autor do clássico Apologia da História ou o ofício 
do historiador, inaugurou a o epç oà deà hist iaà o oà p o le a ,à e à oposiç oà aà u aàà
historiografia positivista que se apoiava em fatos, datas, grandes nomes e heróis. Com 
Lucien Febvre, ele foi um dos criadores da moderna historiografia conhecida como Escola dos 
Anais (Annales). 
Relativamente às transformações pelas quais passou a produçãoe a escrita do conhecimento 
histórico a partir das primeiras décadas do século XX, julgue o item seguinte. 
Uma característica marcante da nova história, na esteira das inovações trazidas pela Escola 
dos Anais, foi o radical afastamento da história em relação às demais ciências humanas e 
sociais. 
 
2. (UECE-CEV - 2018 - SEDUC-CE - Professor - História) 
Co side eà aà segui teà p oposiç o:à Pa aà supe a à aà es olaà vaziaà deà o he i e tosà
significativos, é necessário que os docentes alcancem um domínio complexo daqueles 
conteúdos que têm de ensinar, sob pena de se limitarem ao domínio da forma sem 
o teúdo . 
CAIMI, Flávia. O que precisa saber um professor de história? História & Ensino, Londrina, v. 
21, n. 2, jul./dez. 2015, p.112-3. Disponível em: 
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/histensino/article/ view/23853 
 
O que se espera do professor de história em relação ao domínio complexo do conteúdo é que 
ele 
A) reconheça todos os componentes do conteúdo, datas, nomes e eventos, para que possa 
transpô-los ao aluno de forma que este conheça como foi o passado. 
B) promova o conhecimento do conteúdo pelo aluno, no plano abstrato, já que a associação 
do conteúdo histórico com a realidade em que vivemos não é possível. 
C) conheça o conteúdo em aspectos como a sua historicidade, a natureza dos conceitos nele 
presentes e reconheça sua relevância como fundamental para torná-lo significativo para o 
aluno. 
D) desenvolva a capacidade mnemônica através do estudo da história de forma a conseguir 
realizar esta tarefa em seus alunos, tornando-os exímios conhecedores do passado. 
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3. (CESPE - 2018 - IPHAN - Técnico I - Área 10) 
Como o objeto da história (entendida como um constructo teórico) é o que aconteceu, 
abstraído tanto do presente quanto do futuro, então o tempo torna-se um dos elementos 
determinantes do conceito de história. Parece-me, no entanto, que nem a relação que o 
tempo mantém com outros elementos nem o sentido específico do seu efeito na história 
foram identificados até hoje com a clareza desejável, tampouco com a clareza possível. 
Georg Simmel. O problema do tempo histórico [1916]. In: Simmel. Ensaios sobre teoria da 
história. Rio de Janeiro: Contraponto, 2011, p. 9 (com adaptações). 
 
Tendo o texto precedente como referência inicial, julgue o item seguinte, relativos à relação 
entre tempo e história. 
A noção tripartite do tempo histórico desenvolvida em meados do século XX pelo historiador 
francês Fernand Braudel está calcada na distinção entre evento, conjuntura e longa duração. 
 
4. (IFB - 2017 - IFB - Professor - História) 
Leia as afirmativas sobre o conceito de História do Tempo Presente. 
I) Refere-se ao campo da história que se dedica aos estudos do período após a II Guerra ao 
final do século XX. 
II) Consiste na produção historiográfica na qual não houve ruptura cronológica entre o tempo 
dos acontecimentos e o tempo da escritura de sua história. 
III) Identifica-se com os estudos historiográficos da História Contemporânea, que utilizam 
como metodologia a história oral. 
IV) Campo da história em que o historiador é contemporâneo dos acontecimentos que ele 
estuda, não havendo, portanto, o elemento de alteridade próprio dos estudos de períodos 
mais afastados. 
 
Assinale a alternativa que apresenta somente afirmativas CORRETAS: 
A) I, III e IV 
B) II e III 
C) I e III 
D) I e IV 
E) II e IV 
 
 
 
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5. (CESPE - 2017 - SEDF - Professor de Educação Básica - História) 
Segundo Klaus Bergmann, refletir sobre a História a partir da preocupação da didática da 
História significa investigar o que é apreendido no ensino da disciplina (é a tarefa empírica da 
didática da História), o que pode ser apreendido (é a tarefa reflexiva) e o que deveria ser 
apreendido (é a tarefa normativa). Isso significa dizer que, na discussão da natureza e das 
dimensões do saber histórico escolar, é preciso considerar as múltiplas faces desse saber, 
desde os planos de prescrição até as representações difundidas a seu respeito e os efeitos da 
consciência histórica dentro e fora da escola, sem desprezar os processos objetivos de 
apreensão do conhecimento histórico pelos alunos e a construção de conceitos dele 
derivados. Os livros didáticos se apresentam como uma das mais importantes formas de 
currículo semielaborado, que nasce a partir de distintas visões e recortes acerca da cultura. 
Sonia Regina Miranda e Tania Regina de Luca. O livro didático de história hoje: um panorama 
a partir do PNLD. In: Revista Brasileira de História. ANPUH, vol. 24, n.º 48, jul.-dez./2004, p. 
134 (com adaptações). 
Considerando o texto como referência inicial e os aspectos inerentes ao ensino de História, 
julgue o item seguinte. 
Diferentemente da perspectiva positivista do passado, que resumia as fontes históricas aos 
documentos escritos, nos dias atuais podem ser considerados fontes para a História, entre 
muitos outros elementos, a imprensa, as mídias digitais, os acervos de museus, além da 
linguagem e da oralidade presentes na própria sala de aula. 
 
6. (FGV - 2016 - SME - SP - Professor de Ensino Fundamental II e Médio - História) 
Defe doàvigo osa e teàaàopi i oàdeà ueàa uiloà ueàosàhisto iado esà i vestiga à à eal.àOà
ponto do qual os historiadores devem partir, por mais longe dele que possam chegar, é a 
distinção fundamental, para eles, absolutamente central, entre fato comprovável e ficção, 
entre declarações históricas baseadas em evidências sujeitas a evidenciação e aquelas que 
não o são. Nas últimas décadas, tornou-se moda (...) negar que a realidade objetiva seja 
acessível, uma vez que o que chamamos de 'fatos' apenas existem como uma função de 
o eitosàeàp o le asàp viosàfo uladosàe àte osàdosà es os. 
HOBSBAWM, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia da Letras, 1998. 
 
Nesse trecho, o autor 
A) alega que a realidade objetiva não é acessível, pois o passado não existe materialmente. 
B) afirma que o passado é uma construção mental operada pelo investigador com base em 
algumas evidências. 
C) defende que a qualidade da operação histórica depende de como os fatos são agrupados, 
verificados e interpretados. 
D) sustenta que dizer a verdade na história é narrar as diferentes visões sobre o processo 
histórico. 
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E) critica que seja possível apontar qualquer tipo de tendência para a história com base no 
estudo do passado. 
 
7. (IF-TO - 2016 - IF-TO - Professor História) 
Leia o texto a seguir: 
Não obstante a grande obra de Marx ser a crítica ao modo de produção capitalista, sua 
análise não se faz apenas pelo aspecto econômico. Sua teoria considera a economia como 
parte da vida social, parte da história que é a produção da existência humana. Falamos, 
assim, sobre as classes sociais decorrentes da divisão social do trabalho, falamos da vida de 
homens e mulheres que não apenas trabalham. Eles comem, reproduzem-se, vivem em 
sociedade, relacionam-se, constroem laços de amizade e de colaboração e de competição, 
pertencem a diferentes grupos, têm ideologias, afetos, filiação religiosa etc. E constroem sua 
história em espaços-temposdeterminados. 
Ciavatta, M. Da Educação Politécnica à Educação Integrada: Como se escreve a história da 
educação Profissional. Disponível em: < https://www.fe.unicamp.br> Acesso em 20 ago. 
2016. 
Analise as alternativas a seguir e assinale a que estiver em desconformidade com o 
desdobramento do texto: 
A) Conforme Comte, a sociedade apresenta duas leis fundamentais: a dinâmica social e a 
estática social. De acordo com a lei da estática social, o desenvolvimento só pode ocorrer se a 
sociedade se organizar de modo a evitar o caos, a confusão. Uma vez organizada, porém, ela 
pode dar saltos qualitativos, e nisso consiste a dinâmica social. Essas duas leis são resumidas 
oàle aà o de àeàp og esso . 
B) Diferentemente da história tradicional, que registrou a vida humana dando protagonismo 
aos heróis, aos poderosos, aos grandes feitos, Marx eleva todos os atos da vida humana ao 
nível do acontecimento. 
C) A história é a produção social da existência (MARX, 1979), é sua concepção de história, tão 
bem apropriada por alguns historiadores que incorporaram novos temas, novos objetos, os 
grandes acontecimentos e os fatos do cotidiano (BURKE, 1991), como a École des Annales. 
D) Mesmo sem admitir a influência de Marx em seus estudos, seus historiadores trabalham, 
e à p i ei oà luga ,à aà su stituiç oà deà u aà hist iaà a ativaà deà a o te i e tosà po à u aà
história problema. Em segundo lugar, uma história de todas as atividades humanas e não 
ape asàhist iaàpolíti a . 
E) Como desfecho previsível desta ampliação de objetos e de concepção teórica da história, 
e à te ei oà luga ,à visa doà o pleta à osà out osà doisà o jetivos,à aà ola o aç oà o à out asà
disciplinas, tais como a geografia, a sociologia, a psicologia, a economia, a linguística, a 
a t opologiaàso ialàeàta tasàout as à BURKE,à 99 . 
 
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8. (IF-TO - 2016 - IF-TO - Professor História) 
E à ápologiaàdaàHist iaà – ou,àOàOfí ioàdeàHisto iado ,àoà edievalistaà f a sàMa àBlo hà
apresenta algumas reflexões que são contribuições teórico-metodológicas significativas para 
as ciências humanas, em geral, e, em particular, para a história. A respeito das principais 
formulações conceituais desenvolvidas pela tendência historiográfica à qual pertencia Bloch, 
pode-se citar: 
I. História-problema. 
II. Materialismo histórico. 
III. História de longa duração. 
IV. Consciência de classe. 
 
É correto o que se afirma em: 
A) I e II. 
B) III e IV. 
C) II e IV. 
D) I e III. 
E) II e III. 
 
9. (FUNCAB - 2015 - Faceli - Professor - História) 
Pa aàdeixa à la o:àoàobjetivo de se traçar a evolução histórica da humanidade não é antever 
o que acontecerá no futuro, ainda que o conhecimento e o entendimento históricos sejam 
essenciais a todo aquele que deseja basear suas ações e projetos em algo melhor que a 
clarividência, a astrologia ou o franco voluntarismo [...]". 
HOBSBAWN, Eric. Sobre História , 2011. 
De acordo com o texto: 
A) a função do historiador confunde-se com o misticismo de adivinhações da antiguidade. 
B) a evolução da humanidade é uma linha ascensional previsível através da história. 
C) o conhecimento histórico permite projetar uma sociedade futuristicamente igualitária. 
D) a história não produz conhecimento com base em previsões futurísticas. 
E) tanto as ciências como a astrologia são fundamentais à história. 
 
10. (UFMT - 2015 - IF-MT - Professor - História) 
A história de toda a sociedade até agora existente é a história de luta de classes. O homem 
livre e o escravo, o patrício e o plebeu, o barão feudal e o servo, o mestre de corporação e o 
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oficial, em suma opressores e oprimidos, estiveram em constante antagonismo entre si, 
travaram uma luta ininterrupta, umas vezes oculta, aberta outras, que acabou sempre com 
uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com o declínio comum das classes 
em conflito. 
(MARX, K. e ENGELS, F. Manifesto do partido comunista. Lisboa: Avante, 1975.) 
Sobre a historiografia marxista, é correto afirmar: 
A) Pensou a sociedade de uma perspectiva particularizante, destacou a cooperação entre as 
classes sociais e sujeitou o conhecimento histórico aos homens. 
B) Pensou a história a partir da objetividade científica, entendendo a neutralidade do 
conhecimento científico e sujeitando-a a uma causalidade cronológica. 
C) Pensou a sociedade estruturalmente, enfatizando o papel das contradições, priorizando o 
estudo dos conflitos sociais, atribuindo às classes sociais o papel de sujeito histórico. 
D) Pensou a história como arte, relativizando o conhecimento produzido pelo historiador, 
sujeitando o homem à história como uma força exterior a ele. 
 
11. (UFMT - 2015 - IF-MT - Professor - História) 
“o eàaàHist iaàp oduzidaàpelaà Es olaàMet di a",àta à ha adaà positivista",àa aliseàasà
afirmativas. 
I - O Historiador não é juiz do passado, deve apenas narrar o que realmente aconteceu. 
II - Há intrínseca interdependência entre o sujeito do conhecimento e seu objeto. 
III - A História (res gestae) existe em si, objetivamente, e se oferece por meio dos 
documentos. 
IV - É imprescindível ao historiador a reflexão teórica e filosófica. 
 
Estão corretas as afirmativas 
A) II e IV. 
B) I e II. 
C) III e IV. 
D) I e III. 
 
12. (IF-PA - 2015 - IF-PA - Professor - História) 
áà dest uiç oà doà passadoà – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa 
experiência pessoal às das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e 
lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de 
presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que 
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vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se 
aisài po ta tesàdoà ueà u aà oàfi àdoàsegu doà il io. 
(HOBSBAWM, E. A Era dos extremos.O breve século XX. 1914-1991. São Paulo: Companhia 
das Letras, 1995. p.13). 
 
Com base nas questões suscitadas pelo texto acima é correto afirmar que: 
A) Nossos jovens precisam de formação no campo da História 
B) Não há políticas públicas para preservação de patrimônios que representem as gerações 
passadas e a História. 
C) Cabe apenas aos historiadores a arte de lembrar e preservar o passado. 
D) A relação entre História e a memória carece do historiador e seu metiér. 
E) A memória do passado é um fenômeno em extinção e cabe ao historiador recuperá-la 
treinando a juventude. 
 
(CESPE - 2010 - SEDU-ES - Professor B — Ensino Fundamental e Médio — História) 
Considerando a evolução sofrida pela escrita da História na contemporaneidade, 
especialmente após o surgimento da Escola dos Anais ou Escola Francesa, e pelos novos 
parâmetros que norteiam o ensino da História nos dias atuais, julgue os itens que se seguem. 
 
13. 
A Nova História elimina a cronologia de suas preocupações e, na prática, repudia as datas 
como componente de seu campo de trabalho. 
 
14. 
Por se confundir com literatura, a narrativa foi abolida da moderna concepção de História. 
 
15. 
A História tradicional costumava valorizar ao extremo a ação individualdos grandes nomes, 
os heróis, enfatizando a política protagonizada pelos detentores do poder. 
 
16. (CONSULPLAN - 2010 - Prefeitura de Congonhas - MG - Professor - História) 
F a çoisà Fu età o ie taà pedagogi a e teà aà hist ia-p o le a à o oà pe u soà pa aà ueà osà
alunos sejam investidos de um novo estatuto epistemológico – aquele de sujeitos ativos de 
seus processos de aprendizagem, diferentemente dos percursos tradicionais. Na perspectiva 
daà hist ia-p o le a ,à à o etoàafi a : 
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á àPa aà ueàaà o epç oàdeà hist ia-p o le a àsejaà olo adaàe àp tica, é necessário que a 
dinâmica de sala de aula também seja centrada na figura do professor, que se encarrega por 
sua vez, de expor os conteúdos que, em seguida, devem ser memorizados pelos alunos. 
B àNaà pe spe tivaà daà hist ia-p o le a ,à oà histo iado à abraça a pretensão de narrar tudo 
aquilo que se passou de importante na história da humanidade para que os alunos possam 
ter fundamentos históricos para problematizar os fatos, sejam do passado ou do presente. 
C) A evolução recente da historiografia mostra que passamos de uma narração cronológica 
pa aàu aà hist iap o le a à ueàvisaàoàexa eàa alíti oàdeàu àp o le a,àdeli ita doàu à
período e a parte do conjunto de acontecimentos em que está inserido, para o qual 
buscamos respostas, nunca definitivas. 
D) A p eo upaç oàdaà hist ia-p o le a àest àe àseà o p o ete à o àoàdese volvi e toà
da noção da temporalidade histórica, para que a História não perca o seu verdadeiro objeto 
que é o estudo do tempo. 
E) A problematização no processo dinâmico da sala de aula enfrenta obstáculos no processo 
de constituição da cidadania, pois essa deve partir de um traço central sugerido pelos 
governantes para não despencar para a concepção anárquica. 
 
17. (CONSULPLAN - 2010 - Prefeitura de Congonhas - MG - Professor - História) 
Nada do que é humano será agora alheio ao historiador. Daí a multiplicação de estudos 
sobre a cultura, os sentimentos, as ideias, as mentalidades, o imaginário, o cotidiano. E 
também sobre instituições e fenômenos sociais, antes considerados de pequena importância, 
se não irrelevantes, como o casamento, a família, organizações políticas e profissionais, 
igrejas, etnias, a doença, a velhice, a infância, a educação, as festas e rituais, os movimentos 
populares." 
Assinale a alternativa, que de acordo com o texto de José Murilo de Carvalho, sintetiza as 
finalidades do ensino de História: 
A) As finalidades do ensino de História apontam para novas possibilidades de organização 
curricular (História temática e o ensino por conceitos) e para a valorização do conteúdo e de 
visões plurais e críticas da História, considerando a construção da cidadania e dos direitos 
humanos. 
B) As finalidades do ensino de História têm como referência a própria ciência. A relação entre 
o saber científico e a historicidade é comprovada através dos documentos históricos escritos, 
principal instrumento de trabalho do historiador. 
C) As finalidades do ensino de História se resumem no domínio do conteúdo específico pelo 
professor. A valorização do conteúdo é indispensável para a construção das memórias 
coletivas e individuais. 
D) Baseada em objetivos precisamente propostos pela LDB, a finalidade da História é a de 
incorporar novas linguagens e tecnologias no ensino, pois o saber do passado já foi 
construído e deve ser apenas repassado com fidelidade. 
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E) Baseados na construção de uma memória social, as finalidades da História visam a 
recuperação da historicidade do conhecimento numa organização linear e na forma 
cronológica de expor os fatos. 
 
18. (IFC - 2010 - IFC-SC - Professor - História) 
Assinale a alternativa correta. 
A) Historiadores com Eric Hobsbawm, Perry Anderson e Edward Thompson, fazem suas 
próprias interpretações do pensamento marxista. Na atualidade esta linha de pesquisa é 
denominada de História Cultural. 
B) Na segunda geração da Escola dos Analles, surgiu a História Nova, idealizada por Jacques 
Le Goff e Pierre Nora. 
C) Os trabalhos de Fernand Braudel foram muito influentes e marcaram a terceira geração da 
Escola dos Analles. 
D) A Escola dos Analles, surgiu na França (1929), através da revista Analles d´histoire 
économique et sociale, criada por Marc Bloch e Lucien Febvre. 
E) Os historiadores positivistas acreditam que a história deve ser escrita através da estrita 
observação dos fatos que permitam revelar a verdade histórica, onde o historiador não poder 
ser uma pessoa neutra. 
 
19. (IBFC - 2013 - SEAP-DF - Professor - História) 
Um dos nomes mais importantes da Escola dos Annales foi o historiador medievalista francês 
Marc Bloch. Sua proposta epistêmica buscou romper com o paradigma positivista em que a 
ciência histórica estava apoiada no início do século XX, problematizando a própria noção de 
história, que naquele momento definia o passado como um dado rígido, inalterável. Em 
Apologia da História, publicado em 1949 por Lucien Febvre ou O Ofício do Historiador (2002), 
último texto escrito por Bloch, inacabado por causa da sentença de fuzilado imposta pela 
Gestapo em 1944, na cidade francesa de Saint Didier de Formans, por ter participado da 
Resistência em Lion contra o nazismo alemão, o referido livro traz grandes contribuições 
metodológicas para as ciências humanas, tendo influenciado muitos historiadores como 
Braudel, Duby, Le Goff, Ferro, Lepetit, entre outros. Dentre as contribuições conceituais 
desenvolvidas pela Escola dos Annales, também chamada posteriormente de História Nova, 
destacamos algumas noções desenvolvidas por essa corrente teórica: 
I. História de longa duração; 
II. História das mentalidades; 
III. História das multidões e das massas. 
 
Indique a opção que representa os conceitos desenvolvidos por tal escola teórica: 
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A) I e III, apenas. 
B) I e II, apenas. 
C) II e III, apenas. 
D) I, II e III. 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS QUESTÕES 
Leia o texto abaixo. A construção do conceito de tempo histórico e abstrato representa o 
ponto final da descontextualização dos instrumentos de medição [...]. É necessário que haja 
antes todo um trabalho de aprendizagem, caminhando para esse entendimento altamente 
generalizado. É preciso que as atividades escolares favoreçam a compreensão da noção de 
tempo em suas variadas dimensões, ou seja, o tempo natural cíclico, o tempo biológico, o 
tempo psicológico [...]. 
Disponível em: <http://migre.me/ty4Qg>. Acesso em: 15 abr. 2015. Fragmento. 
 
20. (SEDUC-CE / 2016) 
De acordo com esse texto, a importância do tempo no ensino de História é explicada pela 
A) construção do calendário. 
B) diversidade de durações. 
C) ideia de progresso. 
D) ordenação cronológica. 
E) sequência linear. 
 
21. (SEDUC-CE / 2016) 
Com base no texto, sobre o trabalho dos historiadores com as fontes, constata-se que 
A) as análises e credibilidade dos documentos dependem essencialmente de seu caráter 
estatal e oficial. 
B) as fontes históricas devem ser problematizadas, pois expressam intencionalidades. 
C) os documentos são fontes fiéis da história e falam porsi mesmos. 
D) os historiadores devem narrar de forma objetiva e imparcial as informações presentes nos 
documentos históricos. 
E) os registros deixados pela humanidade são testemunhos únicos dos fatos e 
acontecimentos históricos. 
 
 
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Leia o texto abaixo. 
Assim, para os positivistas que estudaram a História, esta assume o caráter de ciência pura: é 
formada pelos fatos cronológicos e o que realmente significam em si. São objetivos à medida 
que possuem uma verdade única em sua formação (que é o seu sentido e sua única 
possibilidade de compreensão) e não requerem a ação do historiador para serem entendidos: 
como já dito, o papel deste é coletá-los e ajeitá-los, constatando, pela análise minuciosa e 
liberta de julgamentos pessoais, sua validade ou não. O saber histórico, dessa forma, provém 
do que os fatos contêm, e assume um valor tal qual uma lei da Física ou da Química, ciências 
exatas. 
O Positivismo, Os Annales e a Nova História. Angela Birardi, Gláucia Rodrigues Castelani, Luiz 
Fernando B. Belatto. Disponível em: http://www.klepsidra.net/klepsidra7/annales.html. 
Acesso em 11/04/2016. 
 
22. (SEDUC-CE / 2016) 
Marque a opção que define, com precisão, o Positivismo em relação aos estudos da História. 
A) É uma leitura da História que se baseia na constante luta de classes. Dessa forma, sempre 
há uma classe dominante e uma classe dominada, sendo que ambas estão em confronto de 
interesses, já que uma explora a outra. Esse embate seria o motor da História, através do qual 
se daria o seu progresso e seria a origem das transformações na sua estrutura. 
B) Destaca-se por incorporar métodos das Ciências Sociais à História, o que ampliou o quadro 
das pesquisas históricas, com a incorporação de atividades até então pouco investigadas, 
rompendo assim com a compartimentação das Ciências Sociais (História, Sociologia, 
Psicologia, Economia, Geografia) e privilegiando os métodos pluridisciplinares. 
C) É, acima de tudo, a História das Mentalidades. Seus seguidores propõem que se estabeleça 
uma história serial das estruturas mentais das sociedades, e cabe ao historiador a análise dos 
dados. 
D) Acredita que os pesquisadores devem encontrar um fator que determine a verdadeira 
História. Ela seria indiscutível e encontrada nos documentos governamentais que, por isso, 
nunca estariam errados. De acordo com esse pensamento, apenas as histórias políticas 
teriam a importância de serem verificadas. 
E) Tem uma proposta de análise histórica que defende uma delimitação extrema do tema por 
parte do historiador (inclusive em termos de espacialidade e de temporalidade). Com todo 
esse objeto (tema) bem delimitado, a análise se desenvolve a partir de uma exploração 
exaustiva das fontes. 
 
 
 
 
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TEXTO PARA AS PRÓXIMAS QUESTÕES 
A História dá forma à identidade ao criar as chamadas narrativas-mestras ou discursos-
mestres. Essas narrativas expressam experiências, esperanças e ameaças da unidade e da 
diferença. Elas funcionam como um meio de orientação cultural na mudança temporal dos 
fazeres humanos. 
Jörn Rüsen. Cultura: universalismo, relativismo ou o que mais? In: História & Ensino. 
Londrina, v. 18, n.º 2, p. 281-91, jul./dez. 2011, p. 283 (com adaptações). 
 
23. (CESPE/UnB – SEDUC/CE – 2013) 
Tendo o texto acima como referência inicial, é correto afirmar que a história, como disciplina, 
A) resgata a verdade acerca do passado. 
B) inventa a cultura social. 
C) constrói o futuro. 
D) dá sentido ao passado das sociedades humanas. E determina as identidades dos 
indivíduos. 
 
24. (CESPE/UnB – SEDUC/CE – 2013) 
Ainda com relação ao texto apresentado, e considerando a História como disciplina, assinale 
a opção correta. 
A) Com relação aos direitos humanos, a narrativa da História permite comprovar um 
desrespeito milenar. 
B) Sobre o meio ambiente, a narrativa da História mostra a insensibilidade dos antepassados 
com relação à sua preservação. 
C) Do ponto de vista dos regionalismos, a narrativa da História tem a capacidade de alimentar 
os separatismos. 
D) Sobre a diversidade étnico-racial, a narrativa da História constitui a possibilidade de 
erradicar o racismo no presente. 
E) No que se refere às questões de gênero, a narrativa da História deve explicar as origens da 
discriminação. 
 
 
 
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112 
 
 
1. Alternativa E 
2. Alternativa C 
3. Alternativa C 
4. Alternativa E 
5. Alternativa C 
6. Alternativa C 
7. Alternativa A 
8. Alternativa D 
 
9. Alternativa D 
10. Alternativa C 
11. Alternativa D 
12. Alternativa D 
13. Alternativa E 
14. Alternativa E 
15. Alternativa C 
16. Alternativa C 
 
17. Alternativa A 
18. Alternativa D 
19. Alternativa B 
20. Alternativa B 
21. Alternativa B 
22. Alternativa D 
23. Alternativa D 
24. Alternativa C 
 
 
 
 
14.1. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA NO COMENTÁRIOS DAS QUESTÕES 
CáIMI,àFl viaàEloísa.à Oà ueàp e isaàsa e àu àp ofesso àdeàhist ia? .àHistória & Ensino, Londrina, 
v. 21, n. 2, p.105-124, 5 dez. 2015. Universidade Estadual de Londrina. 
http://dx.doi.org/10.5433/2238-3018.2015v21n2p105. 
D’á““UNÇÃO BARROS, José. A Escola dos Annales: considerações sobre a História do Movimento. 
In: <http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/historiaemreflexao/article/view/953/588> 
Acessado em: 13 jun. 2011. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. A Escola Britânica do Marxismo. 2011. Disponível em: 
<http://escritasdahistoria.blogspot.com/2011/01/escola-inglesa-do-marxismo.html>. Acesso em: 
13 jun. 2019. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. Blog Escrita da História. Disponível em: 
<http://escritasdahistoria.blogspot.com/>. Acesso em: 13 jun. 2019. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. O Campo da História. 8 ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2011. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. Teoria da História – A Escola dos Annales e a Nova História. 
Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. Teoria da História – Acordes Historiográficos. Petrópolis: Editora 
Vozes, 2011. 
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112 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. Teoria da História – Os primeiros paradigmas: Positivismo e 
Historicismo. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. Teoria da História - Princípios e Conceitos Fundamentais. 5. ed. 
Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. 
DO““E,à F a çois.à Hist iaà doà te poà p ese teà eà histo iog afia . Revista Tempo e Argumento, 
Florianópolis, v. 04, n. 01, p.05-22, 1 jun. 2012. Universidade do Estado de Santa Catarina. 
http://dx.doi.org/10.5965/2175180304012012005. 
LOWENTHAL, David. Como conhecemos o Passado. In: Revista do programa de estudos pós-
graduados em história e do departamento de história: traduções. São Paulo: Editora PUC/SP, 
novembro 1998, pp.63-201. 
REIS, Pérola. O tempo para Braudel. 2012. Disponível em: 
<http://escoladosruralis.blogspot.com/2011/05/o-tempo-para-braudel.html>. Acesso em: 13 jun. 
2019.SOUZA, Osmar Martins de; DOMINGUES, Analéia. O Materialismo-Histórico: Uma nova leitura da 
forma de ser dos homens. 2009. Núcleo de Pesquisa Multidisciplinar. IV Encontro de Produção 
Científica e Tecnológica. Disponível em: 
<http://www.fecilcam.br/nupem/anais_iv_epct/PDF/ciencias_humanas/10_MARTINS_DOMINGUE
S.pdf>. Acesso em: 13 maio 2019. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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112 
15. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BURKE, Peter. A revolução francesa da historiografia: a Escola dos Annales (1929-1989). São 
Paulo: Ed. UNESP, 1992. 
D’á““UNÇÃOàBáRRO“,àJos .àA Escola dos Annales: considerações sobre a História do Movimento. 
In: <http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/historiaemreflexao/article/view/953/588> 
Acessado em: 13 jun. 2011. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. A Escola Britânica do Marxismo. 2011. Disponível em: 
<http://escritasdahistoria.blogspot.com/2011/01/escola-inglesa-do-marxismo.html>. Acesso em: 
13 jun. 2019. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. Blog Escrita da História. Disponível em: 
<http://escritasdahistoria.blogspot.com/>. Acesso em: 13 jun. 2019. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. O Campo da História. 8 ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2011. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. Teoria da História – A Escola dos Annales e a Nova História. 
Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. Teoria da História – Acordes Historiográficos. Petrópolis: Editora 
Vozes, 2011. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. Teoria da História – Os primeiros paradigmas: Positivismo e 
Historicismo. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. 
D'ASSUNÇÃO BARROS, José. Teoria da História - Princípios e Conceitos Fundamentais. 5. ed. 
Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. 
DE CERTEAU, Michel. A Operação Historiográfica. In: _____________, Michel. A Escrita da História. 
Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1982. 
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. 3. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1996. 79 p. (Leituras 
Filosóficas). Tradução de Laura Fraga de Almeida Sampaio. Aula inaugural no Collège de France, 
pronunciada em 2 de dezembro de 1970. 
GASPARETTO JUNIOR, Antonio. Micro-História. 2013. Disponível em: 
<https://www.infoescola.com/historia/micro-historia/>. Acesso em: 13 jun. 2019. 
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 110 
112 
KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. 5. ed. São Paulo: Editora Perspectiva. 1998, 
259 p. 
REIS, José Carlos. Escola dos Annales – a inovação em História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000. 
REIS, Pérola. O tempo para Braudel. 2012. Disponível em: 
<http://escoladosruralis.blogspot.com/2011/05/o-tempo-para-braudel.html>. Acesso em: 13 jun. 
2019. 
SANTANA, Ana Lucia. Escola de Frankfurt. 2019. Disponível em: 
<https://www.infoescola.com/filosofia/escola-de-frankfurt/>. Acesso em: 12 jun. 2019. 
SOUZA, Osmar Martins de; DOMINGUES, Analéia. O Materialismo-Histórico: Uma nova leitura da 
forma de ser dos homens. 2009. Núcleo de Pesquisa Multidisciplinar. IV Encontro de Produção 
Científica e Tecnológica. Disponível em: 
<http://www.fecilcam.br/nupem/anais_iv_epct/PDF/ciencias_humanas/10_MARTINS_DOMINGUE
S.pdf>. Acesso em: 13 maio 2019. 
THOMPSON, Edward Palmer. As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. Campinas: 
UNICAMP, 2001. 
VEYNE, Paul Marie. Como se escreve a história: Foucault revoluciona a história. 4. ed. Brasília: 
Editora Universidade de Brasília, 1998, 285 p. Tradução de Alda Baltar e Maria Auxiliadora Kneipp. 
 
15.1. INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS PARA ESTUDO 
 
BARTHES, Roland. Elementos de Semiologia. São Paulo: Cultrix, 1996. 
BLOCH. Marc. Apologia da História. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. 
BRAUDEL, Fernando. Escritos sobre a História. São Paulo: Perspectiva, 1978. 
BURKE, Peter. A Escola dos Annales. São Paulo: UNESP, 1991. 
CARDOSO, C. F. e VAINFAS, R. (orgs), Domínios da História. Rio de Janeiro: Campus, 1986. 
DOSSE, François. A História em Migalhas - dos Annales à Nova História. Campinas: Unicamp. 1992. 
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112 
FEBVRE, Lucien. Combates pela História. Lisboa: Editora Presença, 1989. 
HEGEL. Fenomenologia do Espírito. Petrópolis: Vozes, 2007. 
HILL, Christopher. O Mundo de Ponta-Cabeça - idéias radicais durante a Revolução Inglesa de 
1640. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. 
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: o Breve Século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das 
Letras: São Paulo, 1994. 
HOBSBAWM, Eric. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, São Paulo, 1990. 
HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 
HOBSBAWM, Eric. Tempos Interessantes: Uma vida no século XX. São Paulo: Companhia das 
Letras, 2002. 
KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado – contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de 
Janeiro: Contraponto, 2006. 
NISBET, Robert. História da idéia de Progresso. Brasília: UNB, 1985. 
REIS, José Carlos. Nouvelle Histoire e Tempo Histórico. São Paulo: Ática, 1994. 
REIS, José Carlos. O surgimento da Escola dos Annales e o seu programa. In.: Escola dos Annales – 
a inovação em História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000, p.65-90. 
REIS, José Carlos. Tempo, História e Compreensão Narrativa em Paul Ricoeur. Locus, vol.12, n°1, 
jan/jul 2006. 
ROJAS, Carlos Antônio Aguirre. Os Annales e a Historiografia Francesa – tradições críticas de Marc 
Bloch a Michel Foucault. Maringá: UEM, 2000. 
THOMPSON, Edward Palmer. A Formação da Classe Trabalhadora Inglesa. Rio de Janeiro: Paz e 
Terra, 1987 
THOMPSON, Edward Palmer. A miséria da teoria ou um planetário de erros: uma critica ao 
pensamento de Althusser. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. 
THOMPSON, Edward Palmer. As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. Campinas: 
UNICAMP,2001. 
THOMPSON, Edward Palmer. Costumes em comum. Estudos sobre a cultura popular tradicional. 
São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 
 
 
 
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16. CONSIDERAÇÕES FINAIS. 
 Muito bem, querido concurseiro. Se você chegou até aqui é um bom sinal: o de que tentou 
praticar todos os exercícios. Não se esqueça da importância de ler a teoria completa e sempre 
consultá-la. Não se esqueça, também, dos seus objetivos e dedique-se com toda a força para 
alcançá-los.à “o heà alto,à poisà ue à se teà oà i pulso de voar, nunca mais se contentará em 
asteja .àE o t oàvo à aà ossaàp xi aàaula.à 
Bons estudos, um grande abraço e foco no sucesso. 
 
 Até logo... 
 
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