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Ondas – parte 2 - Acústica Ondas sonoras A acústica é a parte da Física que estuda as ondas sonoras e suas diversas manifestações. Os sons são ondas produzidas pela vibração de algum meio material. No caso da voz humana, o som ocorre pela vibração das cordas vocais. Os sons são ondas mecânicas, ou seja, precisam de um meio para se propagar, e são longitudinais (a direção de vibração é a mesma de propagação). Ao contrário das ondas no mar, da luz visível, ou das ondas em uma corda, as ondas sonoras não podem ser vistas pelo olho humano. Ondas sonoras Além do ar, o som pode se propagar em outros meios, sejam líquidos ou sólidos. A velocidade de propagação do som também muda com o meio. Quanto mais denso é o material, mais rápida é a propagação das ondas sonoras. Por exemplo, o som viaja muito mais rápido no alumínio do que no próprio ar. Isso ocorre porque as ondas sonoras se propagam devido à contração e à rarefação das moléculas. Em um gás, as moléculas são mais espaçadas, e por isso, a onda sonora se propaga mais lentamente. Ao lado temos a relação entre a velocidade do som em sólidos, líquidos e gases, além de uma tabela com alguns exemplos. Instrumentos musicais Todos os instrumentos funcionam da mesma forma: algum material é posto para vibrar, e quando essa vibração é transmitida para o ar, cria-se o som audível. Diferentes frequências correspondem à diferentes notas musicais. Nos instrumentos de corda, eles possuem cordas presas e tensionadas nas duas extremidades. Essa corda vibra quando é movimentada. São exemplos de instrumentos de corda: guitarra, violão, violino, cavaquinho, piano, etc. No caso dos instrumentos de sopro, a vibração é produzida em uma coluna de ar. O tamanho da coluna vibrante resulta nas diferentes notas musicais. São exemplos de instrumentos de sopro: flauta, tuba, saxofone, trombone, trompete, oboé, etc. Nos instrumentos de percussão, o som é produzido através da vibração de peças de madeira, de metal, de membranas esticadas, ou outros materiais. Alguns exemplos: bateria, reco-reco, tamborim, pandeiro, surdo, gongo, castanholas, etc. O ouvido humano O ouvido humano é capaz de captar frequências de 20 Hz até 20.000 Hz (20 KHz). Esse intervalo compreende os sons audíveis. Se a frequência for inferior a 20 Hz (infrassons) ou superior a 20.000 Hz (ultrassons) não percebemos, isto é, não poderemos ouvir o som. Infrassons e ultrassons As ondas infra-sônicas e ultra-sônicas não são audíveis pelo ouvido humano, mas existem animais (toupeira, elefante e tigre, por exemplo) que são de captar os infrassons, conseguindo ouvir as ondas dos tremores de terra (poucos Hz). Já os ultrassons podem ser ouvidos por certos animais como morcego (até 160.000 Hz), o golfinho (até 100.000 Hz), o cão e o gato (até 40.000 Hz) e também utilizados na medicina (ecocardiografia, ultra-sonografia obstétrica, etc.) . Qualidades fisiológicas do som Como funciona o sentido da audição? No ouvido externo onde o som é captado, as ondas sonoras atingem uma membrana chamada tímpano, que passa a vibrar com a mesma frequência das ondas emitidas pela fonte sonora, transmitindo ao cérebro, por meio de terminações nervosas (nervo acústico) os impulsos elétricos, que os transformam em sensação denominada som. O som musical, que provoca sensações agradáveis, é produzido por vibrações periódicas. O ruído, que provoca sensações desagradáveis, é produzido por vibrações aperiódicas. O aparelho auditivo do ser humano é capaz de distinguir certas características do som, denominadas qualidades sonoras, que são três: altura, intensidade e timbre. Altura do som A altura do som está relacionada com sua frequência, ou seja, a altura é a qualidade do som que permite ao ouvido distinguir um som grave, de baixa frequência, de um som agudo, de alta frequência. Exemplos de sons graves (baixas frequências): som de uma corneta, do barulho de um trovão, do bumbo de uma bateria, do surdo de uma escola de samba, das notas musicais produzidas por um contrabaixo, etc. Exemplos de sons agudos (altas frequências): som de um apito, de uma guitarra, de uma flauta, dos pratos de uma bateria, etc. Sons que possuem alta frequência são, por vezes, irritantes, como o barulho de um giz arrastando na lousa. Esse som possui frequência da ordem de 10.000 Hz. Altura do som Nos seres humanos, de uma forma geral, a voz feminina é mais aguda (voz fina) e a masculina é mais grave (voz grossa). A faixa de voz masculina costuma variar entre 80 Hz e 150 Hz, e a faixa feminina varia entre 150 Hz e 250 Hz. Curiosidade! Por que, quando ouvimos a nossa voz em uma gravação, ela parece tão diferente? Quando falamos, o som de nossa voz chega a nossos ouvidos de duas formas: pelo ar e pela vibração dos ossos da face. Na condução pelos ossos, a transmissão do som vai das nossas cordas vocais para a cóclea, estrutura em forma que caracol, localizada nas profundezas de nosso ouvido e responsável pela captação do som. A frequência desses sons enviados por nossas cordas vocais é diminuída ao longo do caminho e é por isso que nossa voz, quando gravada, nos parece mais aguda, porque a ouvimos com a frequência de sons normais, pois são enviados pelo ar. Intensidade sonora É a qualidade sonora que nos permite distinguir um som forte de um som fraco. Está relacionada com a energia transportada pela onda que, quanto mais perto da fonte mais forte será o som e mais afastado da fonte, mais fraco. Quando mexemos no botão de volume, é a intensidade e não a altura do som que alteramos! Exemplos de sons fortes: som de uma britadeira, som do motor de um avião, som de um rádio no volume máximo, etc. Exemplos de sons fracos: som das asas de uma mosca, do tic-tac de um relógio, do caminhar de uma pessoa, etc. Escala para expressar a intensidade sonora O decibel (dB) é a unidade de medida utilizada para calcular o nível de intensidade sonora, como se pode observar na tabela ao lado, que mostra algumas situações do cotidiano. Acima de 85 dB, o potencial auditivo pode diminuir e, dependendo do tempo de exposição a essa fonte de ruído, danos permanentes à audição podem ocorrer. Quanto mais forte o som, menor o tempo necessário para provocar uma lesão. Acima de 115 dB, os danos podem ser irreversíveis. Timbre O timbre é a qualidade que permite distinguir sons de mesma altura e mesma intensidade, emitidos por fontes diferentes. O timbre está associado à forma da onda; o cérebro humano é capaz de diferenciar o formato dessas ondas. Conseguimos distinguir, por exemplo, a mesma nota musical tocada, simultaneamente, por um violino e por um piano, graças ao timbre do som emitido pelos instrumentos.