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Literatura Comparada Tópicos de Literatura de Língua Espanhola Prof. Dr. Lucas Toledo de Andrade • Unidade de Ensino: 4. • Competência da Unidade: Introduzir os principais tópicos sobre a literatura de língua espanhola para, então, tratar da poesia e da prosa hispano latino-americana. • Resumo: Nesta aula, busca-se conhecer parte da produção literária em língua espanhola, lidando com movimentos estéticos específicos da Espanha e dos países latino-americanos, falantes do espanhol. • Palavras-chave: Literatura espanhola. Literatura hispano-americana. Estudos comparatistas. • Título da Teleaula: Tópicos de Literatura de Língua Espanhola. • Teleaula nº: 4. Contextualização Quais são os aspectos que fazem parte da Literatura Espanhola? Que contexto envolve a Épica, a Lírica e as Narrativas Modernas Espanholas? Que autores e obras compreendem a Poesia na Literatura Hispano Latino-Americana? E a Prosa Hispano Latino-Americana, que cenários ela envolve? Literatura Espanhola: poesia épica e narrativa renascentista • Cantar de mio Cid. • Estilo épico. • Relato oral. “Você já parou para pensar que o estudo da literatura espanhola prescinde a formação do Estado-nação da Espanha, de forma a manter um contato bastante íntimo com a literatura de língua portuguesa, a qual também prescinde a instituição de Portugal?” (ARANTES, Adriana Junqueira. et. al. Tópicos de literatura de língua espanhola. Londrina: Editora e Distribuidora educacional, 2019.) Poesia épica espanhola A inauguração do romance moderno: O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes. A narrativa renascentista na Espanha 1 2 3 4 5 6 “Rimos das palhaçadas de Dom Quixote e Sancho; mas, quando descobrimos que o fazemos em companhia do tolo duque e da tola duquesa, pode ser que não nos sintamos tão à vontade com nosso riso; nesse caso, o romance passa a ser não só um livro engraçado sobre malucos como uma exploração da ética e da graça e da incerta linha divisória entre a loucura e a lucidez.” (RUTHEFORD, John. Introdução. In: CERVANTES, Miguel de. Dom Quixote (vol. 1). Tradução de Ernani Ssó. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2012.) Dom Quixote de La Mancha Literatura Espanhola: poesia lírica e romance espanhol Poesia Lírica Espanhola • Garcilaso de la Veja (1501 – 1536) • Teresa de Ávila (1515 – 1582) • Fray Luís de Leon (1527 – 1591) • Luis de Góngora (1561 – 1627) • Rosália de Castro (1837 – 1885) • Federico García Lorca (1898 – 1936) ESTE É O PRÓLOGO “[...] O poeta é uma árvore com frutos de tristeza e com folhas murchas de chorar o que ama. O poeta é o médium da Natureza que explica sua grandeza por meio de palavras. O poeta compreende todo o incompreensível e as coisas que se odeiam, ele, amigas as chama. [...]” (LORCA, Frederico García. Este é o prólogo. Tradução de Manuel Bandeira. Revista Poesia Sempre, Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, n. 7, 1996.) Romance espanhol • Miguel de Unamuno (1864 – 1936) - Niebla (1914). • Carmem Martin Gaite (1925 – 2000) - Lo raro es vivir (1997) • Enrique Vila-Matas (1948) - Paris não tem fim (2003). • Javier Marías (1951) - Assim começa o mal (2014). O Mal de Montano “Quero livrar-me do mal e por isso escrevo obsessivamente sobre ele. Agora, eu sei que, se conseguisse, não poderia comentar que o consegui, não poderia escrevê-lo porque, se o fizesse, isso demonstraria [...] que ainda continuava pensando nele de alguma forma, algo que obviamente seria tão terrível como o próprio mal e acabaria dando-me a impressão de que minha marcha para a morte e minha marcha até a palavra se faziam com um mesmo passo.” (VILA-MATAS, Enrique. O Mal de Montano. São Paulo: Cosac Naify, 2005, p. 164.) 7 8 9 10 11 12 A Poesia na literatura latino-americana: América do Sul e América Central O modernismo hispano-americano • Atitudes inconformistas, como a boemia e o decadentismo. • Os poetas eram aqueles que escandalizavam as pessoas comuns. • Afastamento da poesia espanhola e aproximação da poesia de línguas francesa e inglesa. • Forte traço de resistência ao imperialismo norte- americano. • Marcas de influência da ética e da estética dos poetas hispanohablantes das Américas. Poetas da América Central Rubén Darío (1867 – 1916) (Nicarágua) • Sentimentos íntimos e evocações exóticas. • Influenciado pelos simbolistas. • Poemas de caráter cosmopolita. • Visão de solidariedade latino-americana. Ernesto Cardenal (1925) (Nicarágua) • Temas: História da América Central, instabilidades causadas pela revolução em seu país, amor, crítica social, vida espiritual transcendente, povos aborígenes e relações entre ciência e religião. Ao Perder-te, Ernesto Cardenal “Ao perder-te eu a ti tu e eu teremos perdido. Eu, porque tu eras o que eu mais amava; e tu, porque era eu o que te amava mais. Mas, de nós dois tu perdes mais do que eu. Porque eu poderei amar a outras como amava a ti, Porém a ti não te amarão mais do que eu te amava!” (Disponível em: https://bit.ly/2KFB7ts. Acesso em: 28. jun. 2023.) Poetas da América do Sul • Alejandra Pizarnik (1936 – 1972) (Argentina) • Gabriela Mistral (1889 – 1957) (Chile) • Pablo Neruda (1904 – 1973) (Chile) • Emilio Oribe (1893 – 1975) (Uruguai) • José Asuncíon Silva (1865 – 1896) (Colômbia) • Maria Mercedes Carranza (1945 – 2003) (Colômbia) • César Vallejo (1892 – 1972) (Peru) Os Homens, Pablo Neruda “Somos torpes transeuntes, nos atropelamos de cotovelos, de pés, de calças, de maletas, descemos do trem, do jato, do navio, descemos com roupas amassadas e chapéus funestos. Somos culpáveis, somos pecadores, chegamos de hotéis estagnados ou da paz industrial, esta é talvez a última camisa limpa, perdemos a gravata, mas ainda assim, deslocados, solenes, [...] somos os mesmos e o mesmo diante do tempo, diante da solidão: os pobres homens que ganharam à vida e à morte trabalhando [...]” (NERUDA, Pablo. A rosa separada. 2 ed. bilingue. Tradução Olga Savary. Porto Alegre – RS: L & PM, 1987. p. 27.) 13 14 15 16 17 18 Os vários aspectos da literatura espanhola Situação-problema A direção do Museu da Língua Portuguesa decidiu organizar uma série de exposições em homenagem a algumas de suas línguas-irmãs, ou seja, línguas de origem latina. Nessa exposição, serão apresentados aspectos da literatura de idiomas como espanhol, italiano, francês e romeno. Especialistas serão convidados a escrever textos que respaldem partes da mostra. Você será o especialista em literatura de língua espanhola. Situação-problema Como você executaria essa tarefa? Resolução da situação-problema • Tratar de Dom Quixote e da importância dessa obra para a literatura ocidental. • Tratar da relação entre Dom Quixote e a épica medieval. • Apresentar romancistas do século XIX e XX para falar da força da tradição literária espanhola. Dom Quixote na contemporaneidade Hora de refletir... Por que o título da canção é “Dom Quixote”? Quais elementos da canção lembram o enredo escrito por Miguel de Cervantes? As atitudes de Dom Quixote são atuais? Por quê? 19 20 21 22 23 24 A poesia na literatura latino-americana: América do Norte e Países Insulares • Octavio Paz (1914 – 1988) (México) Prêmio Nobel de Literatura em 1990. Escreveu sobre a tensão entre Ocidente e Oriente. Manteve elementos da prosa na poesia. • José Emílio Pacheco (1939 – 2014) (México) Busca pelo que permanece em segredo. Buca pela palavra e tom corretos ao se escrever. Poetas da América do Norte (Disponível em: https://bityli.com/NbjQXUY. Acesso em: 17. out. 2022.) “Sou homem: duro pouco e é enorme a noite. Mas olho para cima: as estrelas escrevem. Sem entender compreendo: Também sou escritura e neste mesmo instante alguém me soletra.” (PAZ, Octavio. Irmandade. Tradução de Antônio Moura. Disponível em: https://bit.ly/2xhONlm. Acesso em: 28 jul. 2023.) Irmandade, Octavio Paz • José Martí (1853 – 1895) (Cuba). • Herberto Padilla (1932 – 2000) (Cuba). • Jeannete Miller(1944) (República Dominicana). Poetas dos Países Insulares Duas pátrias eu tenho: Cuba e a noite. Ou as duas são uma? Nem bem retira sua majestade o sol, com grandes véus e um cravo à mão, silenciosa Cuba qual viúva triste me aparece. Eu sei qual é esse cravo sangrento que na mão lhe estremece! Está vazio meu peito, destruído está e vazio onde estava o coração. Já é hora de começar a morrer. A noite é boa para dizer adeus. A luz estorva e a palavra humana. O universo fala melhor que o homem [...] (MARTÍ, José. Duas pátrias. Tradução de Olga Savary. In: PAZ, Octavio. Os filhos do barro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1974.) Duas Pátrias, José Martí A prosa na literatura latino-americana: países da América do Sul 25 26 27 28 29 30 “Há quase 50 anos, a América Latina surpreendeu e, em alguma medida, conquistou o mundo por meio da ficção. Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, Alejo Carpentier, Carlos Fuentes, Julio Cortázar e outros autores publicaram obras que tiveram ressonância no próprio continente, nos Estados Unidos e na Europa. [...]” (Santos, Márcio R. dos. A invenção do continente. In: Cândido- Jornal da Biblioteca Pública do Paraná. Disponível em: https://bit.ly/1PR0a3M. Acesso em: 28 jun. 2023.) O boom da literatura latino-americana • Boom literário latino-americano. • Marco inicial: Cem anos de solidão, Gabriel García Márquez – 1967. • Para Ángel Rama, O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar (1963), obra deflagradora do boom. • 1973, de acordo com os especialistas, marcaria o fim do movimento. • Período obscuro das ditaduras militares na América do Sul.” O boom da literatura latino-americana • Jorge Luis Borges (1899 – 1986) - A biblioteca de Babel (1944), (Argentina) • Julio Cortázar (1914 – 1984) - O jogo da amarelinha (1963), (Argentina) • Roberto Bolaño (1953 – 2004) - Detetives selvagens (1998), (Chile) • Horacio Quiroga (1878-1937) - Anaconda (1921), (Uruguai) • Gabriel García Márquez (1927-2014) - Cem anos de solidão (1967), (Colômbia) • Mario Vargas Llosa (1936) - A cidade e os cachorros (1962), (Peru) Prosadores da América do Sul “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré- históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo.” [...] (MÁRQUES, Gabriel García. Cem anos de solidão. Tradução de Eliane Zagury. Rio de Janeiro: Record, 2003, p. 5.) Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez A Prosa na literatura latino-americana: América do Norte, Países Insulares e América Central • Carlos Fuentes (1928 – 2012) - A morte de Artemio Cruz (1962), (México) Romancista e contista mexicano. Bastante influência na geração do boom da literatura latino-americana. Críticas à desigualdade e ao abuso de poder. • Juan Rulfo (1935 – 1986) - Pedro Páramo (1955), (México). Recluso e misterioso escritor mexicano. Tentou reproduzir a linguagem oral, sobretudo, dos campesinos mexicanos. Prosadores da América do Norte 31 32 33 34 35 36 “Vim a Comala porque me disseram que aqui vivia meu pai, um tal de Pedro Páramo. Minha mãe me disse. E eu prometi que viria vê-lo assim que ela morresse. Apertei suas mãos em sinal de que faria isso; pois ela estava morrendo, e eu decidido a prometer tudo. ‘Não deixe de ir visitá-lo’, recomendou ela. ‘O nome dele é assim e assado. Tenho certeza que ele vai gostar de conhecer você.’ Então não tive outro jeito a não ser dizer a ela que faria isso, e de tanto dizer continuei dizendo mesmo depois que minhas mãos tiveram trabalho para se safarem de suas mãos mortas.” (RULFO, Juan. Pedro Páramo. Tradução de Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro: BestBolso, 2018, p. 15.) Pedro Páramo, Juan Rulfo • Alejo Carpentier (1904 – 1980) - O reino deste mundo (1949), (Cuba) • Guillermo Cabrera Infante (1929-2005) - Três tristes tigres (1964), (Cuba) • Leonardo Padura (1955) - O homem que amava os cachorros (2009), (Cuba) • Wendy Guerra (1970) - Nunca fui primeira dama (2008), (Cuba) • Hilma Contreras (1913-2006) - Entre dos silêncios (1987), (República Dominicana) Prosadores dos Países Insulares “[...] Seguindo o amo, que montava um alazão de patas mais ligeiras, atravessara o bairro dos que viviam do mar, com os seus armazéns a cheirar a salmoura, a suas lonas tensas de humidade, os seus biscoitos que tinham que ser partidos a murro, antes de desembocar na Rua Direita, ensolarada a essa hora matinal com os lenços aos quadrados de cores vivas das negras domésticas que voltavam do mercado.” (CARPENTIER, Alejo. O reino deste mundo. Tradução de José Manuel Lopes. São Pedro: Camões e Companhia, 2011, p. 23.) O Reino Deste Mundo, Alejo Carpentier Poesia latino- americana e questões migratórias Situação-Problema Você é professor de uma especialização em estudos migratórios na América Latina, um assunto sério que é, a um só tempo, antigo e atual. Você, como professor da área de Literatura, pretende não focar apenas os aspectos históricos, geográficos e políticos da migração, mas também como eles se refletem nas artes. Situação-Problema Em termos de poesia, o que poderia ser abordado por você? 37 38 39 40 41 42 Resolução da Situação-Problema • Abordar a literatura chicana e a literatura produzida em spanglish. • Abordar a literatura da diáspora cubana, por meio de poetas, como: Luis Omar Salinas, Margarita Cota- Cárdenas e Giannina Brasch. • Tratar da violência dos processos migratórios e o modo como isso aparece na arte. • Tratar da relação entre país de origem e país de exílio. Literatura latino- americana de língua espanhola Hora de refletir... Quando se observa a produção poética hispano latino- americana, nota-se que se trata de uma produção variada e com muitas características. Nesse contexto, a questão político-social pode ser entendida como uma coerência possível entre essas diversas literaturas. Hora de refletir... Levando em consideração o que foi estudado, responda: Qual motivo faz que a questão político-social seja uma temática forte na literatura dos países hispano latino-americanos? Vamos revisar? Revisando... Literatura Espanhola: poesia épica e narrativa renascentista. Literatura Espanhola: poesia lírica e romance espanhol. A poesia na literatura latino-americana: América do Sul e América Central. A poesia na literatura latino-americana: América do norte e países insulares. A prosa na literatura latino-americana: América do Sul. A prosa na literatura latino-americana: América do Norte, países insulares e América Central. 43 44 45 46 47 48 Referências Referências ARANTES, Adriana Andrade Junqueira de Brito; COELHO, Elisa Domingues; GUERRA, Bruna Tella. Literatura comparada. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. ARANTES, Adriana Junqueira. Tópicos de literatura de língua espanhola. et. al. Londrina: Editora e Distribuidora educacional, 2019. CARPENTIER, Alejo. O reino deste mundo. Tradução de José Manuel Lopes. São Pedro: Camões e Companhia, 2011. GUERRA, Bruna Tella. Tópicos de literatura de língua espanhola. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2019. LORCA, Frederico García. Este é o prólogo. Tradução de Manuel Bandeira. Revista Poesia Sempre, Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, n. 7, 1996. MARQUES, Gabriel García. Cem anos de solidão. Tradução de Eliane Zagury. Rio de Janeiro: Record, 2003. Referências MARTÍ, José. Duas pátrias. Tradução de Olga Savary. In: PAZ, Octavio. Os filhos do barro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1974. NERUDA, Pablo. A rosa separada. 2 ed. bilingue. Tradução Olga Savary. Porto Alegre – RS: L & PM, 1987. PAZ, Octavio. Irmandade. Tradução de Antônio Moura. Disponível em: https://bit.ly/2xhONlm.Acesso em: 03 out. 2020. RULFO, Juan. Pedro Páramo. Tradução de Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro: BestBolso, 2018, p. 15. RUTHEFORD, John. Introdução. In: CERVANTES, Miguel de. Dom Quixote (vol. 1). Tradução de Ernani Ssó. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2012. SANTOS, Márcio R. dos. A invenção do continente. In: Cândido- Jornal da Biblioteca Pública do Paraná. Disponível em: https://bit.ly/1PR0a3M. Acesso em: 17 ago. 2022. VILA-MATAS, Enrique. O Mal de Montano. São Paulo: Cosac Naify, 2005. 49 50 51