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PSICOLOGIA EXPERIMENTAL 
INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA EXPERIMENTAL 
Valéria Guedes Caruso 
 
Iniciar 
OLÁ! 
Você está na unidade Introdução à Psicologia Experimental. Conheça aqui a psicologia como a 
ciência que estuda o comportamento humano e suas características individuais e coletivas. Teremos a 
oportunidade de pautar sobre as suas origens históricas, filosóficas e epistemológicas, e como se analisa um 
experimento científico no campo da psicologia. O que se estuda na psicologia experimental, memória, 
motivação, não só na psicologia infantil, como na social e educativa. 
 
Bons estudos! 
1 Origens histórica, filosófica e epistemológica 
Em diversos momentos de nossa vida pessoal ou profissional fazemos uso do termo “psicologia” para 
nos referirmos a contextos de senso comum, na maioria das vezes. Ou seja, retratando um conhecimento 
sem verificação metodológica (científica). Conhecimento este que se transmite de pessoa para pessoa, sem 
método ou conferência. Mas, para a Psicologia chegar a ser uma ciência teve que evoluir e tornar seu estudo 
algo possível de reprodução, objetivando avaliar limitações e capacidades de determinada ideia, separando 
o conhecimento científico do conhecimento místico. 
E, dessa forma, dar o salto para reconhecer a realidade sobre uma ótica estudada, pensada, reflexiva, 
não intuitiva. Assim, não fazendo uso de expressões “parece que sim”, “ele é assim mesmo”, “todos os 
profissionais de atendimento ao público são estressados” etc. Devemos ter claro que a preocupação na 
identificação dos motivos que levam o ser humano a fazer de uma forma ou de outra algo, o domínio deste 
conhecimento interessa a grande parte das pessoas desde sempre, mas mesmo sendo uma dúvida antiga, 
ela é atualíssima. 
1.1 História da psicologia 
Os primeiros indícios de estudos sobre Psicologia remontam à antiguidade, quando os gregos, no auge 
de sua cultura e riqueza, produziram conhecimentos em arquitetura, física e geometria. O conceito de 
democracia. E devido a toda essa riqueza era possível alguns trabalharem (escravos) e os cidadãos (livres) 
podiam se interessar por filosofia, artes. Os filósofos gregos, em suas reflexões sobre o ser humano e sua 
interioridade, chegam a nos colocar que: 
https://sereduc.blackboard.com/bbcswebdav/library/Library%20Content/%28LMS%29%20-%20Do%20Not%20Delete/%28LMS%29%20DOL%20-%20Do%20Not%20Delete/SCORM/PSICOLOGIA%20EXPERIMENTAL/UNIDADE%201/index.html#section_1
[...] termo psicologia vem do grego psyché, que significa alma, e de logos, que significa razão. A alma 
ou espírito era concebida como a parte imaterial do ser humano e abarcaria o pensamento, os sentimentos 
de amor e ódio, a irracionalidade, o desejo, a sensação e a percepção (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, 
p. 33). 
Assim, temos Sócrates (469-399 a.C) que, na busca por diferenciar o homem dos animais, aponta 
como nossa característica a razão. E seu discípulo Platão (427-347 a.C) define o lugar onde ocorre a razão 
= a cabeça e a alma humana. Em sequência, o discípulo de Platão, Aristóteles (384-322 a.C), coloca que 
não há dissociação entre alma e corpo. Segundo Bock, Furtado e Teixeira (2008), Aristóteles estudou as 
diferenças entre a razão, a percepção e as sensações humanas elaborando o primeiro tratado em Psicologia, 
“Da anima”. 
Após a Antiguidade teremos a Idade Média e o Cristianismo, que com Santo Agostinho (354-430) 
separa a alma humana do corpo humano. Com o surgimento do Protestantismo, São Tomás de Aquino 
diferencia essência e existência. E o Renascimento é caracterizado pela descoberta de novas terras (América, 
Índia). E, o surgimento do capitalismo se baseia nas nações enriquecendo (França, Itália, Espanha, Inglaterra, 
Portugal), e o conhecimento evoluindo em vários setores. 
Somam-se as colocações já apresentadas de Bock, Furtado e Teixeira (2008, p.36), René Descartes 
(1596-1659), importante filósofo da época “postula a separação entre mente (alma, espírito) e corpo, 
afirmando que o homem possui uma substancia material e uma substancia pensante, e que o corpo, 
desprovido do espírito, é apenas uma máquina”. 
Ferreira nos auxilia a confirmar a colaboração de Descartes para a Psicologia quando (2005, p. 23-24) 
[...] no início do século XVII, Descartes propõe a separação entre esses domínios, entendidos agora 
como duas substâncias distintas. [...] Nossa mente e cérebro se identificam pois ao sujeito, restando ao corpo 
o papel de mero objeto, de mera máquina opaca ao nosso conhecimento imediato. [...] Essa dualidade marcou 
o início da psicologia no século XVIII, e ainda está presente nas discussões sobre a relação entre alma e 
corpo, que acompanham a psicologia até os dias de hoje. 
A humanidade dá um grande salto na questão conhecimento pôs Renascimento, que pode ser visto 
na tabela “A evolução histórica das Escolas de Pensamento Psicológico”, desenvolvido por Schultz e Schultz 
(2005, p. 1-17). 
 
 
Clique para abrir a imagem no tamanho original 
Tabela 1 - A evolução histórica das Escolas de pensamento psicológicoFonte: SCHULTZ; SCHULTZ, 
2005, p. 1-17. 
#PraCegoVer: Na imagem, há um quadro de três colunas e oito linhas, apresentando uma 
determinada década, fatos que aconteceram naquela época de relevantes e que escola da psicologia de 
formou durante aquele período e seu fundador. 
 
 
A tabela nos mostra que a Psicologia, assim como as demais ciências, evoluiu em decorrência da 
cultura da época, das forças externas que deram direção. O estudo do contexto permite identificar as ideias 
predominantes oriundas da cultura da época, como das forças sociais, econômicas e políticas (SCHULTZ; 
SCHULTZ, 2005). Ainda, é possível identificar que o Behaviorismo surge num momento histórico que a 
sociedade vivenciava, acreditar ou não no conhecimento científico. 
 
 
Um bom exemplo é o ocorrido com o professor John Scopes (escola pública americana/1925). 
Contrariando a lei, ministrou uma aula em que apresentava a teoria do Evolucionismo, de Charles Darwin, “A 
Origem das Espécies” e, por isso, foi processado e julgado. O acontecimento ficou conhecido como o 
“Julgamento do Macaco”. E foi decorrente da acomodação social entre crer na teoria do Evolucionismo e 
acreditar no que a Bíblia diz. A situação promoveu revisão no sistema educacional americano (SCHULTZ; 
SCHULTZ, 2005). 
Outro seria os estudos desenvolvidos durante a 1ª Guerra Mundial (1914 a 1918) sobre desempenho 
das tropas. Vamos ter o surgimento do termo Behaviorismo, com John B. Watson, em artigo publicado 1913, 
como nos colocam Bock, Furtado, Teixeira (2008, p. 58): 
Psicologia: como os behavioristas a veem. O termo behavior significa ‘comportamento’; por isso, para 
denominar essa tendência teórica, usamos Behaviorismo – e, também, Comportamentalismo, Teoria 
Comportamental, Análise Experimental do Comportamento, Análise do Comportamento. 
Este foi um evento histórico, que apresentou a Psicologia de forma científica, em um artigo 
com conhecimento e prática sistematizada. 
1.2 Epistemologia da Psicologia 
O estudo da Psicologia apresenta seus conceitos de forma lógica, classificando e validando o 
conhecido, com dados consistentes, com narrativa e cronologia. O conhecimento pode ser tratado como teoria 
e passa a ser referenciado. W. Wundt (1832-1926), em 1875, que contava com um Laboratório de 
Experimentos em Psicofisiologia (Alemanha), trouxe estudos traduzidos em “marco histórico significou 
o desligamento das ideias psicológicas de ideias abstratas e espiritualistas, que defendiam a existência de 
uma alma nos homens” (BOCK. FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 24-25). No laboratório de Wundt vários outros 
psicólogos se formaram, a exemplo Titchener (1867 – 1927). 
Cabe no momento retomar a ideia das características fundamentais de um estudo científico; 
iniciamos com o objeto de estudo = foco do estudo, o que se pretende investigar. E, ao apresentar as 
informações de modo que tenhamos conhecimento,é necessária uma linguagem precisa e rigorosa, o 
domínio das normas e métricas definidas para o tipo de investigação (objeto de estudo) e dados de maneira 
programada, sistemática e controlada. 
Para identificar melhor qual é o nosso objeto de estudo, buscamos Bock, Furtado, Teixeira (2008, p. 
21), que explicam que devemos questionar qual seria o objeto de estudo da Psicologia. Se for 
um psicólogo comportamentalista teremos que é o comportamento humano. Já um psicólogo 
psicanalista diria que é o inconsciente. Ou seja, pode ser tanto a consciência humana como 
a personalidade, e irá depender da teoria de psicologia que embasa o estudo. 
Previous 
O caminho percorrido em busca do conhecimento em Psicologia, desenvolvido por suas diversas 
Escolas de Pensamento, possibilitou a Regulamentação desta ciência, que no Brasil chegou em 27 de agosto 
de 1962, pela Lei n. 4.119 de 1962. Data que hoje é comemorado o Dia do Psicólogo (27 de agosto), 
marcando o direito de uma profissão. Cabe descrever mais a situação ocorrida: 
Antes de ser juridicamente reconhecida, a Psicologia estava presente em campos como a Educação, 
a Saúde, o Trabalho e o Direito, sendo ensinada nas Escolas Normais e Faculdades de Filosofia e em centros 
de excelência como a Universidade de São Paulo, a partir de 1958. Seu estabelecimento como profissão, 
contudo, enfrentou resistências da área médica, que considerava como privativas, práticas associadas à 
clínica. Apesar dessas resistências, a lei que regulamenta a profissão assegurou o trabalho do(a) psicólogo(a), 
definido como "uso de métodos e técnicas psicológicas para a solução de problemas de ajustamento". A 
regulamentação da profissão de psicólogo(a) em lei não era comum à época. Com a exceção de Estados 
Unidos, Canadá e Egito (CRP, s.d.). 
2 Visão geral da experimentação em Psicologia 
Mesmo a Psicologia sendo uma ciência estudada de forma sistematizada, desde o século XIX é 
considerada uma ciência jovem e ainda não explica diversas situações sobre o homem. Este fato também 
justifica a diversidade de objetos de estudo. O ser humano vive em sociedade e só esta situação já distingue 
todos os estudos das ciências humanas, em particular a Psicologia. 
Vamos refletir um pouco: o homem se expressa manifestando seu comportamento (possível de ser 
estudado); já os sentimentos (não se observa – só quando é manifestado), além disto, cada um de nós é de 
“um jeito” (nossa singularidade) e, ao mesmo tempo, somos iguais geneticamente. Difícil é o homem-corpo, 
homem-pensamento, homem-afeto, homem-ação, outro conceito humano de nossa subjetividade (BOCK; 
FURTADO; TEIXEIRA, 2008). 
Como explicam Schultz e Schultz (2005, p. 110), na reprodução de texto original “A Textbook of 
Psychology” (1909), de E.B. Titchener, “todo conhecimento humano é derivado da experiência humana, não 
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há outra fonte de conhecimento. Todavia a experiência humana, como vimos, pode ser analisada a partir de 
pontos de vistas distintos”. 
2.1 Primeiros passos da Psicologia Experimental 
O Estruturalismo, da Escola Americana em Psicologia, tem início com as pesquisas E. B. Titchener 
(1867-1927), com o estudo da estrutura consciente da mente, e sua sensações. A ótica seria a experiência 
consciente do indivíduo, através da reflexão deste sobre sua experiencia pessoal. Simplificando, Titchener 
analisa conteúdos mentais e sua conexão mecânica, por associação, sem considerar a intuição (lembre-se 
do conceito de senso comum) (SCHULTZ, 2009). 
Nesta análise da experiência humana de Titchener, o importante é descobrir a natureza 
das experiências conscientes para determinar sua estrutura, por meio da análise das partes que a formam. 
A principal divergência quanto ao objeto de estudo da Psicologia para Wundt (1832-1926), que fora seu mentor 
na Alemanha, é que esta análise deve se atentar ao estudo da consciência através da introspecção, 
utilizando somente elementos estruturais da consciência. (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). 
2.2 Contribuições da Escola Estruturalismo 
Para Schultz e Schultz (2005, p.114), Titcherner (1867 – 1927), em decorrência de seus estudos no 
Laboratório de W. Wundt (1832-1926), contribui para a evolução dos estudos em Psicologia quando propõe: 
“1. reduzir os processos conscientes aos seus componentes mais simples; 2. determinar as leis de 
associação desses elementos da consciência; 3. conectar os elementos às suas condições fisiológicas”. 
Ou seja, uma definição clara do objeto de estudo: a experiência consciente. 
Complementando, Schultz e Schultz (2005, p. 111) lecionam que: 
No estudo da experiência consciente, Titcherner fez um alerta a respeito de se cometer o que chamou 
de erro de estímulo, que gera uma confusão entre o processo mental e o objeto da observação. Por exemplo: 
o observador que vê uma maçã e a descreve apenas como a fruta maçã em vez de descrever elementos 
como a cor, o brilho e a forma que está percebendo, comete o erro de estímulo. O objeto da observação 
não deve ser descrito na linguagem cotidiana, mas em termos do conteúdo consciente elementar da 
experiência. 
Tal proposta favorece o objeto de estudo, mas os métodos empregados vão se desgastando com 
a evolução do conhecimento científico. E temos a principal crítica ao pensamento da escola Estruturalista, 
que é a percepção sobre introspecção. Além desta situação, estudos da Psicologia voltados aos animais e às 
crianças não eram reconhecidos pelo fundador do Estruturalismo, pois não corroboravam com sua visão de 
Psicologia. 
Assista aí 
 
 
3 Vertentes da Psicologia Experimental 
O foco de estudo da Psicologia Experimental é o comportamento humano e, ao estudá-lo, centra 
a investigação e a experimentação em fatos observáveis. A prática de análise ocorre em situações 
controladas, propriamente em laboratórios. As variáveis de análise relacionam o comportamento com a 
cognição. Aqui tem-se a principal diferenciação entre a Psicologia Experimental e as demais Escolas de 
Psicologias, por se centrar em eventos controlados e com variáveis determinadas, apresentando resultados 
estatísticos que facilita a compreensão pelos demais. Nos primeiros 40 anos da Psicologia, não só os 
conceitos e premissas de Watson corroboraram para o seu desenvolvimento, mas a biologia também rumava 
frente a questão. Schultz e Schultz (2005, p.228) colocam que 
As premissas básicas do beharviorismo de Watson eram simples, diretas e ousadas. Ele buscava uma 
psicologia científica que lidasse exclusivamente com os atos comportamentais observáveis e passíveis de 
descrição objetiva, por exemplo, em termos de ‘estímulo’ e ‘resposta’. 
Este é um ponto significativo da Teoria, que somado às colocações a seguir, retratam bem claramente 
como “pensa” um psicólogo comportamental, uma vez que os termos “imagem”, “sensação”, “mente” e 
“consciência” não compõem o repertório da ciência do comportamento. 
3.1 Rumo à ciência do Behaviorismo 
Watson mesmo não sendo o mentor exclusivo das ideias básicas do beharviorismo, em muito 
contribuiu ao estruturar seus conceitos e apresentá-los, os quais seriam: a tradição filosófica objetivista e 
mecanicista; a psicologia animal e a psicologia funcional. Ideias estas já discutidas desde Descartes - 
filosofo/matemático (1596 – 1650), conhecido como “o fundador da filosofia moderna e pai da matemática 
moderna”, significativo para o Pensamento Ocidental. 
Há também a colaboração de Auguste Conte – filósofo (1798-1857), fundador do Positivismo. Com 
estas colocações, conseguimos descrever o ambiente do conhecimento no século XX, no qual inicia o 
Behaviorismo. Assim, Schultz e Schultz (2005, p.229) apresentam a seguinte colocação: 
[...] quando Watson começou a trabalhar com o behaviorismo, as suas ideias,já tão impregnadas pelas 
influências objetivas, mecanicistas e materialistas, deram origem a um novo tipo de psicologia – disciplina que 
excluía a consciência, a mente ou a alma -, com enfoque apenas em algo visível, audível ou palpável. O 
resultado foi uma ciência do comportamento que enxergava o ser humano como uma máquina. 
Dessa forma, o objetivo da Escola Comportamentalista é ser uma ciência de estudo rigorosamente 
científico, em que temos como método científico aquele que tem procedimentos que contam com regras 
básicas, que investigam e obtém resultados confiáveis. Através da observação dos fatos, a 
atenção à interdisciplinaridade, ou seja, o ser humano está num contexto complexo e conta com diversas 
disciplinas que o explicam. Importante fazer uso de todas as ferramentas disponíveis para a pesquisa 
científica, independente da disciplina. Com a quantificação, fazer uso de métodos estatísticos e, assim, 
apresentar a teoria e a submeter à verificação, não esquecendo a neutralidade que todo o conhecimento 
deve demonstrar. 
3.2 A influência da Psicologia animal 
É notório, observando colocações de Watson, que as pesquisas com animais favoreceram o 
desenvolvimento do Behaviorismo. Schultz e Schultz (2005, p.133) esclarecem sobre a influência das 
Teorias de Darwin (séc. XIX) na Psicologia contemporânea: 
(1) o enfoque na psicologia animal, que formou a base da psicologia comparativa; (2) a ênfase nas 
funções e não na estrutura da consciência; (3) a aceitação da metodologia e dos dados de diversas áreas; (4) 
o enfoque na descrição e mensuração das diferenças individuais. 
Isto traz a ideia de que é possível estudar o homem sem considerar a introspecção experimental e, 
mais à frente, iremos observar a significância das diferenças individuais do ser humano. Colaborando com a 
ideia central, temos J. Loeb fisiologista/zoólogo (1859 – 1924), que “desenvolveu uma teoria do 
comportamento animal baseado no conceito de tropismo, o movimento forçado involuntário. [...] reação 
direta e automática do animal a um estímulo [...] reação comportamental forçada pelo estímulo, não cabendo 
[...] definição consciente do animal” (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p. 229). 
Aqui creio que posso discutir com você alguns movimentos que nós seres humanos apresentamos 
sem consciência: reação ao som do trovão; a mudança brusca de luminosidade; alteração de temperatura; 
entre outros. Você lembra mais alguns? 
 Estudos 
 Condicionamento 
 Conceito de reforço 
Thorndike contribuiu especialmente ao formular a Lei do Efeito, grande salto para nosso estudo. Os 
organismos animais tendem a repetir o comportamento se este for recompensado (no mundo do trabalho 
seriam exemplos os salários; os planos de carreira). Já no contexto contrário, o comportamento tende a 
não ocorrer se a consequência não for agradável (seguindo o exemplo quando o profissional atinge os 
resultados, mas não percebe a contrapartida “prometida” – PLR.). 
3.3 A Psicologia funcional 
No século XIX, o “conhecimento” ou as “pesquisas” quanto ao contexto natureza humana estavam 
muito envoltos em conceitos, por vezes, místicos; sem definir efetivamente o objeto de estudo, ou melhor, 
com dificuldade para definir o objeto de estudo. Então iremos apontar a visão de pesquisadores em Psicologia 
que, neste contexto, buscam identificar a função de consciência e como a consciência influencia o 
comportamento. 
O filósofo/psicólogo W. James (1842-1910) discorre sobre a ideia de que a Psicologia não busca o que 
promove a experiência do indivíduo, e sim o estudo sobre a acomodação dos seres humanos ao meio 
ambiente. Busca apontar que a consciência humana orienta e é vital para a nossa sobrevivência, pois sem 
esta não evoluiríamos ou estaríamos no ponto que estamos da humanidade. Em contrapartida temos 
caracteres não racionais: emoção e paixão. O ser humano na concepção de James não é totalmente racional. 
Ferreira e Gutman (2005, p. 121) trazem que os estudos se centravam na pesquisa pura, não 
preocupada com as demandas práticas do conhecimento; o objeto de estudo é o entendimento que o 
indivíduo detém de sua vivência, “objeto problematizado por correntes como a psicanálise e o behaviorismo”, 
assim, afiançando que a experiência humana é comum a todos os indivíduos. Faz uso da introspecção 
controlada para observar as sensações humanas. E o caráter mais complexo da pesquisa foi “por conta das 
exigências do método, não estuda os sujeitos comuns (muito menos crianças, animais e loucos); estuda outros 
psicólogos devidamente treinados na profissão de fé da fisiologia para chegarem aos meandros da nossa 
experiência mais pura” (FERREIRA; GUTMAN, 2005, p. 121. 
Todo o profissional deve avaliar o próprio desempenho. Preferencialmente, diariamente, 
anotando os acertos e os erros, redigindo o aprendido. Toda a atividade deve ser isenta com definição de 
objeto de estudo. Assim, é ser pesquisador. Em paralelo, estude sempre. Mantenha-se atualizado. O 
conhecimento nunca é demasiado, e sim necessário. 
4 Método científico da psicologia experimental 
Chegamos ao ápice da Psicologia Experimental, pois suas pesquisas efetivamente fazem uso 
de método científico, assim formula-se a hipótese, planeja-se o passo a passo do estudo, coleta-se os 
dados e, finalmente, compara-se/analisa-se estes e reconhece-se ou não a hipótese formulada. Retomando 
colocações de Schultz e Schultz (2005, p.265) sobre os métodos do Behaviorismo temos que: 
Watson insistia em que a psicologia se limitasse aos dados das ciências naturais, ao que fosse passível 
de observação. [...] a psicologia devia limitar-se ao estudo objetivo do comportamento. Somente os métodos 
objetivos rígidos de investigação deviam ser adotados [...]. Para Watson, esses métodos incluíam: 
· a observação, com e sem o uso de instrumentos, 
· método de teste, 
· o método de relato verbal e 
· o método do reflexo condicionado. 
 
Aqui cabe apontar que todo o indivíduo, ao pesquisar, não deve defender sua ótica em detrimento de 
outro conhecimento, pois os instrumentos apresentam características diferentes, que implicam em 
resultados diferentes. Assim, separar os valores pessoais na ação científica é primordial para possibilitar uma 
resposta fidedigna. Como já apontado anteriormente, o conhecimento por ser acumulativo com 
limitações do momento, pois em ciência, algo é verdadeiro até que se prove o contrário. 
4.1 O objeto de estudo do Behaviorismo 
Os elementos do comportamento são os objetos de estudo da Psicologia Experimental. E o que 
seriam os elementos do comportamento? São os movimentos musculares do corpo e as secreções 
glandulares. Assim, só se analisa o que é possível de ser descrito de forma objetiva. 
Ampliando tal entendimento, Schultz e Schultz (2005, p.267) acredita que “apesar de a meta 
estabelecida reduzir todo comportamento em unidades de estímulo-resposta (E-R), o behaviorista 
basicamente devia envidar esforços para compreender o comportamento do organismo na totalidade”. 
Então, identifica-se que a observação e análise de todo e qualquer “ato” (termo utilizado por Watson) deve 
ser bem desenvolvida para que a identificação possa ser descrita e retratada. 
Tem-se aqui o entendimento que os “atos” seriam: um piscar de olhos, comer, escrever, dançar, brincar 
etc. E as respostas podem ser observáveis, sendo explicitas ou implícitas, quando ocorrem dentro do 
indivíduo, como uma dor de barriga. 
Cabe avaliar que os estímulos, como as respostas de um dado comportamento, podem ser simples ou 
complexos. Assim, 
A psicologia behaviorista de Watson investiga o comportamento de todo organismo em relação ao seu 
ambiente. Para propor leis específicas do comportamento, primeiramente é necessário analisar os complexos 
de estímulo-resposta, reduzindo-os em estímulos elementares e nas unidades de resposta”. (SCHULTZ; 
SCHULTZ, 2005, p.267-268). 
Até aqui percebe-se que Watsonbuscava uma ciência que fosse a mais objetiva possível, comparável 
com a física ou a matemática. Mas quando se trata de comportamento humano, fica impossível não 
reconhecer situações como: instinto, emoção e pensamento. Então, vamos analisar como a psicologia de 
Watson tratou estas situações, focado na ideia de que todos os comportamentos humanos possam ser 
identificados como estímulo-resposta. 
Os estudos de Watson, em 1914, inicialmente descrevem o que entendia por instintos, foram 11 (até 
o comportamento aleatório). Mas, na continuidade dos estudos, apresentou uma outra resposta. Em 1925, 
“reavaliou sua posição e eliminou o conceito de instinto. Alegou que os comportamentos aparentemente 
instintivos são, na verdade, respostas condicionadas socialmente” (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p.268). 
Temos aqui um salto significativo nos estudos da Teoria Comportamentalista, pois em continuidade, 
as colocações de Watson revelam que: 
Ao adotar a visão de que aprendizagem - ou o condicionamento - seria a chave para a compreensão 
do desenvolvimento humano, tornou-se um ambientalista radical, indo mais longe não apenas negava os 
instintos como se recusava a admitir no seu sistema, qualquer tipo de talento, temperamento ou capacidade 
herdada. (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p.268). 
Aqui temos uma situação bem importante, Watson aponta que, ao seu ver, não há limitações ao ser 
humano, contanto que se trabalhe a situação pretendida desde o nascimento, tudo é possível. Um 
entendimento que até atualmente é bem presente; com treinamento se chega aonde se pretende. Muitos 
cientistas corroboram com tal posição, pois a Psicologia não teria como modificar o instinto, mas sim treiná-
lo. 
Continuando nossa análise sobre os estudos de Watson quanto às emoções, para o 
pesquisador seriam respostas fisiológicas a estímulos específicos. O exemplo mais evidente seriam os 
batimentos cardíacos que se aceleram quando o indivíduo sofre alguma ameaça; nesta hipótese, há recusa 
de se observar qualquer nível de consciência sobre as emoções. O indivíduo sente a emoção e não se faz 
nada quanto. Se fica roborizado, simples, é comportamento implícito. 
Watson, nesta questão, não encontra significativo apoio dos demais, pois seus experimentos com 
crianças, em que trabalhou respostas emocionais como medo, raiva e afeto, não foram obtidas as mesmas 
respostas. Mas Watson coloca que os medos, a raiva e o afeto manifestados pelo adulto são produzido 
socialmente em sua infância. Aqui discute com Freud, pois não reconhece inconsciente e consciente, uma 
vez que acredita que os medos são aprendidos, não traumas da infância. 
Os processos de pensamento para Watson ocorriam no cérebro, mas de forma imperceptível ao 
observador, pois não seriam passíveis de observação e de experimentação, por não haver movimento 
muscular. Schultz e Schultz (2005, p. 270-271) nos auxiliam no entendimento, quando colocam que: 
O sistema behaviorista de Watson tentou reduzir o pensamento a comportamento motor implícito. Ele 
alegava ser o pensamento, como todos os demais aspectos do funcionamento humano, uma espécie de 
comportamento sensório-motor. Partia do princípio de que o comportamento do pensamento envolvia 
movimentos ou reações de fala implícitas. 
Enquanto entre os cientistas ocorriam debates, a sociedade em si não se incomodava com todas estas 
colocações e/ou pesquisas. Mas, num dado momento, as colocações de Watson atingiram os populares, pois 
sugeriam à sociedade a possibilidade de se ter comportamentos controlados e moldados cientificamente, 
sem devaneios, sem condutas inadequadas e ou comportamentos convencionais. Esses conceitos ressoam 
como algo bem positivo, dando esperança às pessoas que desacreditavam na humanidade. 
Watson coloca que é capaz de “desenvolver”, a partir de bebês saudáveis, adultos especialistas na 
área que bem entender. Além de tais colocações, temos que os estudos de Watson e Albert, com o reflexo 
condicionado, demonstram que é possível que os distúrbios emocionais dos adultos de hoje são decorrentes 
de respostas condicionadas em suas infâncias ou adolescências, respostas ocorridas por condicionamento 
equivocado na infância ou adolescência. 
Schultz e Schultz (2005, p. 272) colocam que o pesquisador acredita que o “controle prático sobre o 
comportamento infantil [..] não era apenas possível como também absolutamente necessário. Ele desenvolveu 
um plano para melhoria da sociedade, um programa de ética experimental, baseado nos princípios do 
behaviorismo”. Mas, não teve oportunidade de praticar efetivamente seus pressupostos teóricos. 
 
 
4.2 Behaviorismo radical 
Complementando nossos conhecimentos sobre o método científico da Psicologia Experimental, 
devemos compreender os estudos desenvolvidos por Skinner (1904-1990), ou melhor, identificar o Princípio 
de reforço, que entendia que o ser humano não dispunha de livre arbítrio, pois a ação humana é resultado 
de ações anteriores. Se os resultados não forem favoráveis, dificilmente a ação será repetida; já se for positiva, 
há significativa possibilidade de ser repetida, repetida, repetida. 
 
O porquê do título de Behaviorismo Radical? O objeto de estudo é o comportamento dos seres 
vivos (homem) que se observa, somente. Nega expressões como mente, alma etc., próprias de outras 
vertentes da Psicologia. Reconhece a possibilidade de estudar o pensamento e as emoções, através da 
estrutura da linguagem. 
Skinner foi muito reconhecido nos Estados Unidos e no Brasil. Só confirmando o já exposto, o 
behaviorismo radical se atém ao comportamento dos organismos vivos e sua interação entre estímulos do 
ambiente e respostas do organismo, sendo determinado por três tipos de seleção: a filogenética, ontogenética 
e cultural. 
Assista aí 
5 Campo de atuação 
A Psicologia Experimental na atualidade, ao retomarmos a tabela “A evolução histórica das Escolas 
de pensamento psicológico”, percebe-se que nosso objeto de estudo seria a quarta escola a se apresentar 
na linha cronológica do conhecimento (Estruturalismo, Funcionalismo, Psicanálise e Behaviorismo). E, no 
aprofundamento de nosso conhecimento, identifica-se que a Escola Experimental se apresenta como uma 
que nos orienta até então (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). 
Para estar sempre atualizado quanto aos conhecimentos, é muito significativo que você leia 
sobre as vertentes da Psicologia na atualidade. Temos as que acompanham o Behaviorismo desde os 
primórdios a Psicanálise; a evolução do conhecimento psicológico na Cognitiva. E, hoje, identificamos outras 
como: psicologia positivista e psicologia evolucionista. Mas, a mente do pesquisador ou do aprendiz deve 
sempre buscar a ciência e suas comprovações. 
Mesmo que conceitos e/ou vocábulos das demais escolas façam parte dos discursos de 
profissionais ou não da área, dificultando o discurso, tal dificuldade compromete a fala dos psicólogos no 
dia a dia de atuação quanto ao Behaviorismo. Para os puristas da escola, mesmo isto ocorrendo de fato, não 
se reconhecem os conceitos ou vocábulos que abordem as ideias sobre o inconsciente, por estes não serem 
compatíveis com a observação e análise imparciais. A pesquisa não possibilita que se obtenham definições 
de conceitos ou ferramentas de trabalho fidedignas, assim, a ciência não seria preservada no final. 
5.1 Necessidades da sociedade contemporânea 
Identificando as necessidades do século XXI, buscamos Martin e Pear (2009, p. 3) com sua colocação, 
mesmo sendo uma fala de 2009, se mostra bem atual: 
Muitas das melhores conquistas da sociedade, assim como alguns de seus mais prementes desafios 
sociais e de saúde – como racismo, doenças cardíacas, síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), 
terrorismo -, estão firmemente embasadas os em comportamento. 
Alguns autores apontam que estamos vivendo uma “crise” em termos de comportamento social e 
individual. A sociedade não identifica plenamente o como se comportar;os conflitos entre as gerações (no 
trabalho e fora dele); a imaturidade dos adultos apontada por filósofos, sociólogos, antropólogos, psicólogos 
entre estudiosos e práticos. 
Quando estamos “lidando” com indivíduos numa instituição acadêmica, com foco na inclusão por 
exemplo, temos crianças com diversos transtornos só descritos neste século. Uma criança que pouco se 
socializa ou que não tem aparentemente interesse em se socializar ou comunicar; outra com ritmo de 
aprendizagem divergente do padrão. Nossa interação com estes indivíduos não deve se apegar no que 
“imaginamos” que esteja ocorrendo, pois não temos domínio efetivo deste saber. Somos profissionais e 
devemos trabalhar com base no observável, na busca de respostas para uma ação produtiva para o 
indivíduo inIcialmente e, em consequência, para a comunidade. 
Observando outros eventos do cotidiano, como: jogar lixo no chão; improdutividade; não respeito às 
normas e regras de convivência no trânsito, no condomínio, na escola, na empresa; transtornos de 
comportamento (fobias); doenças profissionais e sociais; gerenciamento da vida pessoal, financeira etc., que 
também corroboram com as práticas e ferramentas do Teoria Behaviorista. 
Falta apontar, em particular, a utilização de tais ferramentas no mundo esportivo, nações fazem uso 
da prática no preparo de seus esportistas na busca de melhor desempenho pessoal e coletivo. 
5.2 Divergências 
Os conceitos de Psicologia na vertente Behaviorismo são amplos e destinados a todos os indivíduos. 
Na atualidade, objetivando resposta às demandas sociais, é necessário identificar teorias, técnicas e 
ferramentas de ação. O Behaviorismo social vem enfrentando tal situação. 
Então lembramos que outros seguidores de Skinner, como Bandura e Rotter, tomaram caminhos um 
tanto divergentes do mentor inicial, trabalhando com conceitos e abordagens menos radicais. 
Desenvolveram pesquisas quanto à autoeficácia e modificação dos comportamentos socialmente anormais, 
se distanciando do Behaviorismo Radical e das práticas objetivas de pesquisa, de certa forma. 
Assista aí 
É ISSO AÍ! 
Nesta unidade, você teve a oportunidade de: 
 compreender que a Psicologia é um estudo presente na nossa história desde seus primórdios; 
 entender sobre a dicotomia, mente e razão; 
 identificar os diversos momentos históricos em que a Psicologia buscou se tornar uma ciência; 
 reconhecer as primeiras Escolas de Psicologia e a relação com a evolução do conhecimento 
científico; 
 a influência da Psicologia animal no estudo do Behaviorismo; 
 o comportamento sendo estudado na Psicologia funcional; 
 a identificação do objeto de estudo e a ênfase ao método científico; 
 a atuação do profissional de Psicologia frente às demandas atuais.

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