Prévia do material em texto
Ovários Cistos Não Neoplásicos ● Prevalentes; ● Associados com hiperestrogenismo e hemorragia uterina disfuncional; ● Cistos foliculares: folículos ovarianos não rotos (muito comuns); ○ <2cm, únicos ou múltiplos, superfície interna lisa sem vegetações; ○ Conteúdo seroso, cristalino ou discretamente hemorrágico; ○ Regridem espontaneamente em 2 ou 3 meses. Cistos foliculares, alguns com conteúdo discretamente hemorrágico. ● Cistos do corpo lúteo: hemorragia excessiva no corpo lúteo + fechamento cicatricial precoce no ponto de ovulação; ○ >2,5cm, parede castanho-amarelada, superfície interna lisa e o conteúdo é hemorrágico no início e incolor quando ocorre reabsorção. Cisto de corpo lúteo. ● Cistos luteínicos da gravidez: únicos ou múltiplos, formados por ação prolongada de gonadotrofinas coriônicas resultando em luteinização da teca; ○ Volumosos com líquido citrino; ○ Involuem após parto ou remoção da causa; ○ Macroscopicamente simulam neoplasia. ● Cistos endometrióticos: formas císticas de endometriose; ○ + frequente 40-50 anos; ○ Uni ou bilaterais, quase sempre múltiplos; ○ Nódulos vermelho-azulados ou pardo-amarelados cobertos por aderências fibrosas → podem atingir 15cm; ○ Causam dor e até infertilidade; ○ Conteúdo vermelho-escuro (cistos achocolatados); ○ Podem se associar a CA de endométrio ou CA endometrioide do ovário. Cisto endometriótico. Cisto volumoso com conteúdo hemorrágico ocupando todo o ovário (cisto achocolatado). ● Cistos de inclusão do epitélio de superfície (celômicos), cistos de corpos albicans e cistos de Walthard (revestidos por epitélio urotelial metaplásico) são frequentes, porém pequenos e assintomáticos, sem atividade hormonal. Doença de Ovários Policísticos ● Afeta 6 a 10% das mulheres em idade reprodutiva; ● Caracterizada por: (1) ovários esclerocísticos, (2) oligoamenorreia e ciclos anovulatórios, levando a infertilidade, (3) manifestações androgênicas (hirsutismo, acne e alopecia); ● Obesidade, resistência à insulina e DM2 estão associados; ● Devido ao hiperestrogenismo prolongado, as pacientes apresentam risco aumentado de hiperplasia e adenocarcinoma endometriais e carcinoma da mama; ● A doença pode ser tratada com hormônios reguladores do ciclo menstrual, fármacos indutores de ovulação ou cirurgia com ressecção em cunha dos ovários; ● Macroscopicamente, os ovários estão geralmente aumentados de volume e têm superfície externa brancacenta, perolada e lisa (aparência de “ovos de galinha”). A superfície de corte mostra cistos subcapsulares de tamanhos variados, envoltos por estroma denso. Ovários policísticos (síndrome de Stein-Leventhal). Numerosos cistos na cortical ovariana e espessamento do estroma (setas). Hiperplasia. Hipertecose Estromal ● Hiperplasia das células tecoestromais e ninhos de luteinização; ● Após menopausa; ● Um ou ambos os ovários estão aumentados de volume e têm superfície de corte branco-amarelada e firme. Torção e Infarto ● Simula apendicite; ● Mais comuns em pacientes com tumores e cistos volumosos do ovário, seguidos de torção do seu pedículo → necrose e inundação hemorrágica (apoplexia) geralmente englobando a tuba uterina. Edema ● Aos 21 anos; ● Resultado de torção intermitente de mesovário; ● 90% é unilateral; ● Tratamento cirúrgico ou conservador (pexia do ovário). Edema acentuado do ovário. Ovário volumoso, com superfície gelatinosa e brilhante. Inflamações/Ooforites ● Raras e quase sempre secundárias a inflamações da tuba uterina; ● + comuns: gonococos, estafilococos e anaeróbias. Neoplasias ● A maioria é benigna (80%) e menos comuns do que tumores do colo e do endométrio; ● 5% das neoplasias do sistema genital feminino; ● Precisam ser diferenciados de: lesões expansivas não neoplásicas (cistos funcionais – folicular e do corpo lúteo), lesões císticas da tuba uterina (abscesso), leiomiomas uterinos subserosos; ● Diagnóstico é tardio → alta mortalidade; ● Células dos ovários: ○ Mesoteliais: na superfície → origem do epitélio celomático mulleriano; ○ Germinativas: multipotentes; ○ Do estroma gonadal diferenciado: células foliculares e da teca → produtoras de hormônios esteroides; ○ Do estroma não especializado: fibroblastos. ● Classificação: ○ Neoplasias epiteliais (70% dos casos); ■ Serosas → Benigna (cistadenoma); Borderline/malignidade limítrofe; Maligna (cistadenocarcinoma); ■ Mucinosas → Benigna (cistadenoma); Borderline/malignidade limítrofe; Maligna; ■ Neoplasia endometrioide; ■ Carcinoma de células claras; ■ Tumor de Brenner; ■ Carcinoma indiferenciado. ○ Neoplasia de células germinativas (20%); ■ Teratomas → Imaturo (geralmente sólido); Maduro (geralmente cístico); Monodérmico (struma ovarii, carcinoide); ■ Disgerminoma, Coriocarcinoma, Carcinoma embrionário, Tumor do seio endodérmico ou do saco vitelínico, Poliembrioma, Tumor misto de células germinativas. ○ Neoplasias do estroma ovariano funcionantes – cordões sexuais – e não funcionante – fibroblastos (5%); ■ Tumor de células da granulosa, Tecoma, Luteoma, Fibroma, Tumores de células de Sertoli-Leydig, Ginandroblastoma. ○ Metástases (5-10% dos tumores ovarianos). ● Fatores de risco incluem nuliparidade, menor uso de contraceptivos orais, disgenesia gonadal e história familiar de câncer de ovário e mama; ○ Teoria de que mais ovulações poderiam predispor a reparo tecidual exagerado… ● A maioria é esporádica, mas até 10% tem componente familiar associado a mutação germinativa em BRCA1 e BRCA2 ou síndromes hereditárias (Lynch). Manifestações Clínicas ● Desconforto abdominal vago, dor e pressão pélvica… ● Ca-125 está presente em 80% das neoplasias malignas (50% das iniciais); ○ No entanto, eleva-se em outras condições como endometriose → serve para avaliar a resposta ao tratamento. Neoplasias Epiteliais ● Mais comuns - 70%; ● Podem ser benignas, malignas ou borderline (lesão proliferativa atípica ou de baixo potencial maligno); ○ Borderline se caracteriza por proliferação celular maior que nos tumores benignos, estratificação de núcleos, mitoses, atipias discretas ou moderadas, mas sem invasão → prognóstico melhor que adenocarcinoma. ● Císticos ou sólido-císticos; ● 90% das malignas são epiteliais/superficiais. → Neoplasias Serosas ● A maioria das neoplasias ovarianas (40%); ● Benignas ou malignas; ○ As benignas (adenomas ou cistoadenomas) constituem 60% dos casos; ■ Surgem na idade reprodutiva; ■ Assintomáticos/achado acidental; ○ As malignas (adenocarcinomas) correspondem a 30%; ■ Idade mais avançada (56a); ■ Podem causar dor pélvica crônica e dor aguda associada a torção; ■ Adenocarcinoma é o mais comum (pode ser bem diferenciado - grau 1 -, grau 2 ou grau 3 - carcinoma seroso de alto grau). ● O estádio da doença é o fator prognóstico mais importante; mais de 70% dos carcinomas serosos de alto grau são diagnosticados em estádio avançado (estádio III), com sobrevida de 5 anos em 25% das pacientes. ○ As borderline correspondem a 10%. ■ Ampla faixa etária, mas mais comum em adultos jovens; ■ Pode crescer na superfície do ovário, formar implantes e recidivar; ■ Pode transformar em carcinoma seroso de baixo grau com implantes invasivos. Benignos Malignos Unilaterais em cerca de 90% dos casos Bilaterais em cerca de 60% dos casos Cápsula íntegra Cápsula rota Geralmente móvel Aderente, fixo Superfície lisa Superfície nodulosa, irregular, papilífera Sem ascite (se existir, é citrina) Com ascite Peritônio livre Peritônio com implantes Cístico de parede lisa Sólido com áreas císticas; necrose e excrescências Se sólido, é firme Áreas de amolecimento por necrose Superfície de corte uniforme Superfície variegada ● Fatores de risco: nuliparidade e HF; ● Fatores de proteção: ACO e laqueadura tubária; ● Bilaterais em 30% dos casos e têm papilas na luz dos cistos ou na superfície externa; Morfologia ● Benignos: cistos uni ou multiloculados (cistoadenomas); de 5 a 20cm de diâmetro, parede fina e superfície interna lisa ou com papilas (cistoadenoma seroso pailífero); o conteúdo é um líquidoclaro ou citrino; ○ Se o componente fibroso do estroma proliferar → cistadenofibroma. ● Borderline: maior quantidade de papilas e maior complexidade; papilas com núcleos estratificados, atipias discretas ou moderadas e mitoses, sem invasão; ● Adenocarcinoma seroso de alto grau: papilas complexas, áreas sólidas, atipias acentuadas, muitas mitoses e nítida INVASÃO DO ESTROMA; forte expressão de p53; ○ CORPOS PSAMOMATOSOS: necrose focal das papilas com calcificação distrófica. Aspectos macroscópicos de tumor seroso do ovário. A. Cistadenoma. Cisto de parede fina, lisa e vascularizada (face interna). B. Cistadenocarcinoma papilífero. As papilas crescem tanto na superfície externa como na luz dos cistos, infiltram-se no estroma ovariano adjacente e formam massas sólidas brancacentas. ● Cistoadenocarcinoma papilar seroso: invasão do estroma (versão maligna); ○ Tipo 1; ○ Tipo 2 → originado da tuba uterina; ○ Áreas sólidas + císticas. → Neoplasias Mucinosas ● 20% dos tumores de ovário; ● 75-80% são benignos (cistadenoma mucinoso); ● 10-15% são borderlines; ● 3% são malignos; ● Geralmente formam CISTOS VOLUMOSOS com mais de 15cmm de diâmetro, UNILATERAIS e RESTRITOS AO OVÁRIO ao diagnóstico (estádio inicial); ● Tabagismo é fator de risco!; ○ Mutações do KRAS; ○ Mutação de TP53 e amplificação do HER2 são tardios. ● Se for um tumor metastático, tende a ser pequeno, multinodular e bilateral; ● Não responde bem à quimioterapia. Morfologia ● Massas císticas multiloculadas, conteúdo gelatinoso, de grandes dimensões e peso; ● Formas malignas têm áreas sólidas e de necrose; ● Mais importante do que o grau de diferenciação, no entanto, é o tipo de invasão: expansiva ou infiltrativa. Crescimento expansivo associa-se a melhor prognóstico, enquanto o infiltrativo é mais agressivo e tem pior prognóstico. A. Cistadenoma mucinoso. Lesão cística multiloculada contendo material gelatinoso. B. Parede cística revestida por epitélio simples colunar, mucossecretor. C. Tumor mucinoso borderline. Cisto unilocular revestido por células mucosas. Notar múltiplas projeções papilíferas brancacentas projetando-se na luz do cisto. * Pseudomixoma peritoneal: grande quantidade de muco na cavidade peritoneal; * Tumor de Krukenberg: metástase originada do TGI que pode confundir com neoplasia mucinosa. → Neoplasias Endometrioides ● Neoplasias constituídas por células com diferenciação epitelial semelhante à do endométrio; ● Há 2 tipos: borderline (muito raro) e adenocarcinoma endometrioide (o segundo mais comum de todo o ovário - 10-15% do total); ● A associação de adenocarcinoma endometrioide do ovário e do endométrio constitui tumor sincrônico; ● Podem ser císticos ou sólido-císticos, multiloculados, com conteúdo hemorrágico ou achocolatado, contendo nódulos sólidos ou papilas; ● 15% dos casos são bilaterais; → Carcinoma de Células Claras ● 5-10% dos adenocarcinomas do ovário; ● Entre 50-70 anos; ● Até 50% associa-se a endometriose; ● O tumor forma massa nodular sólido-cística ou microcística, de consistência macia; ● Carcinoma de células claras é sempre de alto grau histológico. → Tumor de Brenner ● Menos de 5% das neoplasias ovarianas; ● Maioria benigna; ● Após 40 anos; ● Em geral, não funcionante; ● Unilateral, sólido e compacto, tamanho variado (2-20cm) e às vezes é achado acidental; ● Microscopicamente, constituído por tecido fibroso semelhante a estroma ovariano e por ninhos de células epiteliais homogêneas que lembram epitélio de transição/urotelial com fendas nucleares do tipo “grão de café”. Tumor de Brenner. Ilhotas de células epiteliais circundadas por tecido conjuntivo. → Carcinoma Indiferenciado ● Menos de 5% dos carcinomas do ovário; ● Não têm diferenciação reconhecível; ● A maioria é diagnosticada em estádio avançado; ● Macroscopicamente indistinguível dos outros carcinomas; ● Tumor de alto grau com células anaplásicas. Tumores de Células Germinativas ● Idade juvenil; ● Grupo mais comum de câncer ovariano em crianças; ○ Quanto mais jovem, maior a chance de ser maligno. ● Os tumores principais são teratomas, maduros ou imaturos, que formam tecidos derivados dos três folhetos embrionários (ecto, meso e endoderma); → Teratoma Maduro ● Neoplasia benigna mais comum dos tumores de células germinativas do ovário; ● Tipicamente, é cisto de 5-15cm de diâmetro, parede fibrosa e conteúdo pastoso amarelado (sebo) misturado com pelos → chamado de cisto dermoide; ● O cisto dermoide pode conter estruturas sólidas (cartilagem, ossos e dentes) coladas à parede, chamada promontório; ● Struma ovarii → teratoma monodérmico com TECIDO TIREOIDIANO NO OVÁRIO; ○ Pode causar hipertireoidismo. ○ ● Malignização rara (1%). Teratoma cístico (cisto dermoide). A. Lesão cística em cuja cavidade se encontram numerosos pelos; na parede são vistos dois dentes. B. Aspecto histológico, mostrando pele, anexos cutâneos e cartilagem madura. → Teratoma Imaturo ● Neoplasia maligna rara; ● Antes dos 20 anos; ● Predominantemente sólido com áreas de necrose, hemorragia e amolecimento; ● Mais comum a diferenciação neuroectodérmica com estruturas nervosas primitivas. Tumores Originados de Cordões Sexuais e do Estroma Gonadal - Sempre sólidos. → Tumor de células da granulosa ● Produtor de estrógenos; ● Mais frequente; ● Perimenopausa; ● Em crianças, causa puberdade precoce (5%); ● Amarelado, volumoso, lobulado e sólido, com áreas císticas de hemorragia; ● O tumor de células da granulosa é de baixa malignidade e tem comportamento indolente, mas apresenta recorrência pélvico-abdominal ou metástases tardias, muitas vezes 10 ou 20 anos após a retirada do tumor primário. Tumor de células da granulosa. A. Aspecto macroscópico. Tumor sólido e cístico, com coloração amarelada e áreas de hemorragia. B. Células com núcleos em grão de café, dispostas em trabéculas ou folículos (corpúsculos de Call-Exner). → Tecoma ● Tumor benigno sólido, encapsulado, firme, de coloração róseo-amarela, às vezes vermelho-tijolo; ● Tecoma surge sobretudo após a menopausa e produz estrógenos, que são responsáveis pelo maior risco de hiperplasia ou adenocarcinoma do endométrio. → Fibroma ● Tumor benigno unilateral, sólido, firme, brancacento e fasciculado, às vezes pediculado; ● Diferença para o tecoma → FIBROMA NÃO TEM LIPÍDIOS e TEM COR BRANCA BRILHANTE; ● Provoca, além de compressão local, ascite e hidrotórax em 50% dos casos (mais à direita), constituindo a síndrome de Meigs. Fibroma. Tumor sólido, firme e fasciculado. … Metástases Tumor de Krukenberg. A. Metástases em ambos os ovários de carcinoma mucossecretor do estômago. B. Aspecto microscópico das lesões vistas em A, mostrando neoplasia formada por células em anel de sinete (coloração pelo PAS).