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Brenna G Bonfante 
 
1 
Urologia 
 
Definição 
É uma especialidade cirúrgica da medicina que trata do aparelho urinário de homens 
e mulheres e do sistema reprodutor masculino (testículos, pênis, epidídimos, ductos 
deferentes, vesículas seminais, próstata e pênis). 
 
Rim 
- Órgãos pares, retroperitoneais. Pesam 150 g no homem e 135 g na mulher e 
medem cerca de 10-12 cm. 
- Rim direito é mais caudal devido ao fígado e situa-se a nível de L1-L3 e o esquerdo 
ao nível de T12-L3. 
- É o 3º órgão mais lesado no trauma abdominal fechado. E pode sofrer inúmeras 
lesões iatrogênicas durante a cirurgia renal, como a lesão esplênica durante 
nefrectomia esquerda. 
- Rim “em ferradura”: alteração anatômica onde 2 rins 
funcionantes são ligados por um istmo no polo inferior. 
Ocorre durante a 5ª semana de gestação e a ascensão 
durante o desenvolvimento embriológico é impedida pela 
artéria mesentérica inferior. 
 
Anatomia intrarrenal 
- Pelve renal: Estrutura coletora formada pela porção superior expandida do ureter 
que se comunica com a medula renal. Possui o hilo renal, que dá acesso ao seio renal, 
onde se localiza a pelve renal, tecido adiposo, vasos e nervos. É mais medial. Em 
direção à medula, a pelve ramifica-se em 2 ou 3 grupos calicinais maiores, que irão 
se ramificar em cálices menores (8 a 18). 
-Medula renal: porção média do rim que apresenta de 8 a 18 pirâmides renais em 
forma de cone. A base de cada pirâmide volta-se para o córtex renal (mais 
externamente). Da base, a pirâmide projeta estruturas filiformes chamadas raios 
medulares, para o interior do 
córtex. O ápice de cada pirâmide 
termina em uma papila renal que 
se abre no cálice menor e a urina 
drenada segue dali para os cálices 
maiores, pelve e ureter. 
- Córtex renal: parte mais externa, que pode ser dividida em 2 porções: 
externa/subcapsular e justamedular. Tem aparência granulosa e se estende até a 
base das pirâmides renais. Projeções de córtex renal entremeiam as pirâmides e são 
chamadas colunas renais. 
Anatomia Vascular 
- Pedículo renal: 1 artéria e 1 veia; mas podem ter variações anatômicas. 
- Aorta abdominal -> artérias renais (abaixo da mesentérica superior) -> ramos para 
adrenais, pelve renal e ureter ipsilateral -> atinge o seio renal e dá 5 ramos chamados 
de artérias segmentares ( superior, médio, inferior, posterior e apical) -> no interior 
do seio renal forma as artérias lobares -> artérias interlobares (ao lado das 
pirâmides) -> artéria arqueadas -> artérias interlobulares -> arteríolas aferentes. 
- Cada artéria segmentar supre uma região diferente, sem a existência de circulação 
colateral entre elas. Ou seja, a oclusão/lesão causará infarto segmentar renal. Essa 
característica anatômica também permite a identificação de um plano renal avascular 
na congruência do ramo posterior com os 
ramos anteriores (linha avascular de Brodel), 
essencial para a execução de incisões no 
parênquima renal com menor perda sanguínea. 
- A veia renal posiciona-se anteriormente à 
artéria renal no hilo renal. A pelve renal é posterior às estruturas vasculares. 
- Drenagem venosa: veias interlobulares -> arqueadas -> interlobares -> lobares -
> segmentares -> veia renal -> veia cava inferior. 
- A veia renal esquerda tem 3 tributárias: veia gonadal esquerda, veia adrenal 
esquerda e veia lombar. Já a direita não recebe tributárias, sendo a adrenal e 
gonadal direita drenadas para a VCI. 
 
Acesso Cirúrgico Renal 
 
Laparoscopia 
- Transperitoneal 
- Retroperitoneoscópica 
 
Lombotomia 
- Posição: decúbito lateral com extensão do flanco. 
Etapas: 
1. Incisão acompanhando a 12ª costela, supra ou infracostal 
2. Incisão dos músculos: grande dorsal, oblíquo externo, oblíquo interno, transverso 
do abdome 
3. Acesso ao retroperitônio 
4. Ressecção subperiosteal da 12ª costela (opcional) para ganhar campo 
- A incisão vertical dorsal posterior é uma opção, mas está em desuso. Lombotomia 
vertical posterior: 3 camadas – folheto anterior, posterior e do quadrado lombar 
 
Brenna G Bonfante 
 
2 
 
 
 
 
Laparotomia Transversa 
- Posição: decúbito dorsal horizontal 
Etapas: 
1. Incisão infracostal, com extensão variável (geralmente da linha axilar anterior até 
metade do retoabdominal contralateral 
2. Incisão da bainha anterior e posterior do reto abdominal e dos músculos oblíquo 
externo, oblíquo interno e transverso do abdome 
3. Acesso ao retroperitônio através da incisão da goteira parietocólica 
 
 
Laparotomia mediana 
- Técnica habitual de laparotomia mediana 
- Deve ser usada no caso de tratamento cirúrgico de traumas renais. Nesses casos, 
o índice de lesões associadas é alto e toda a cavidade abdominal deve ser explorada. 
 
Acesso Percutâneo 
- Punção guiada por radioscopia do sistema coletor através dos cálices menores, após 
pielografia (injeção de contraste por meio de um cateter no ureter) 
- Dilatação do trajeto até a via coletora, permitindo a passagem de materiais 
endoscópicos para a remoção de cálculos, ressecção de tumores de pelve renal e 
colocação de nefrostomia. 
 
 
Ureter 
- Pode ser dividido em 3 porções: superior, média e inferior. Ou pode se dividir como 
ureter abdominal (da pelve aos vasos ilíacos) e pélvico (abaixo destes). 
- A porção superior inicia na 
junção ureteropiélica, posterior aos 
vasos renais. Direciona-se 
inferiormente sobre o músculo psoas 
e os processos transversos e 
estende-se até a borda superior do 
sacro. 
- Porção média é a extensão ao nível da articulação sacroilíaca e Porção inferior 
vai desde a borda inferior do sacro até a bexiga. 
- Pontos de estreitamento: São 3. A junção ureteropiélica, o cruzamento com vasos 
ilíacos e a junção ureterovesical. 
- Irrigação: ureter abdominal por ramos 
das artérias renal, gonadal, aorta e ilíaca 
comum. Já o ureter pélvico pela ilíaca 
interna e seus ramos. 
- Atenção: No trajeto abdominal, os ramos 
arteriais atingem o ureter medialmente. Na 
porção pélvica, após cruzar os vasos ilíacos, 
a irrigação o atinge lateralmente. 
Acesso Cirúrgico Ureteral 
 
Laparoscopia 
- Transperitoneal 
- Retroperitoneoscópica 
 
Brenna G Bonfante 
 
3 
Cirurgia aberta 
 
Ureter proximal 
- Lombotomia 
- Laparotomia subcostal (reto abdominal, oblíquo externo e interno, transverso, 
envelope peritoneal e psoas maior) 
- Lombotomia vertical posterior 
Lombotomia Laparotomia subcostal 
 Laparotomia vertical posterior 
 
Ureter médio 
- Incisão de Gibson (inicia-se na linha média do abdome e se torna arqueada até 
chegar à sínfise púbica) 
 
Ureter inferior 
- Incisão de Gibson 
- Incisão de Pfannenstiel 
 
 
Bexiga 
- Órgão oco, de formato tetraédrico, que se divide em cúpula, teto, 2 paredes laterais 
e base (ou assoalho). 
- Devido a relação com o íleo e cólon, a bexiga é o principal órgão acometido por 
fístulas com o trato digestivo. 
- O trígono da bexiga é 
uma área triangular na 
superfície posterior que não 
exibe rugas. É limitado por 3 
vértices: os pontos de 
entrada dos 2 ureteres e o ponto de saída da uretra e sua importância clínica se dá, 
pois, as infecções tendem a persistir nesta área. 
- Irrigado pelas artérias vesicais superior, média e inferior (ramos da ilíaca interna) 
e suplementarmente pelas umbilicais, obturatórias e glútea inferior. 
 
Acesso Cirúrgico Vesical 
- Cirurgia aberta: laparotomia mediana suprapúbica 
- Cirurgia endoscópica 
- Cirurgia videolaparoscópica 
 
 
 
Testículos e Escroto 
- O escroto é uma bolsa localizada na região genital, que abriga os testículos, os 
epidídimos e elementos do funículo espermático. 
- Abaixo da pele está a túnica dartos formada por fibras musculares lisas que é 
contínua com as fáscias perineal superficial e superficial do abdome. 
- Os testículos possuem 2 polos (superior e inferior), 2 margens (lateral e medial) e 
2 faces (anterior e 
posterior). São irrigados 
pela artériatesticular 
(ramo da aorta), 
deferencial (ramo das 
vesicais) e cremastérica 
(ramo da epigástrica inferior); além de ramos da ilíaca interna. 
- Devido a angulação de 90º da veia testicular esquerda na veia renal, forma-se 
uma longa coluna hidrostática, com alta pressão, que em virtude da incompetência 
valvular venosa, dilata o plexo pampiniforme, causando a varicocele mais comumente 
à esquerda. 
 
Epidídimos, Ductos Deferentes e Vesículas Seminais 
- Epidídimo está localizado na face posterolateral dos testículos e podem ser divididos 
em cabeça, corpo e cauda. Irrigado pela artéria epididimária (ramo da testicular), 
deferencial e testicular. 
 
Brenna G Bonfante 
 
4 
- Ductos deferentes são a continuação da cauda dos epidídimos. Ao passarem pelos 
canais inguinais, curvam-se em torno das artérias epigástricas inferiores, cruzam as 
ilíacas externas e penetram na pelve. Cruzam os ureteres e se continuam como 
vesículas seminais. Nessa região, ficam dilatados e tortuosos, sendo chamados ampolas 
do ducto deferente. São irrigados pela artéria ilíaca interna. 
- As vesículas seminais são órgãos alongados que recebem os ductos deferentes. 
Vascularizadas pela ilíaca interna, deferente, vesical inferior e retal média. 
 
 
Próstata 
- Divide-se em 4 zonas: central, periférica, de transição e anterior. A zona periférica 
é a maior região prostática e o principal local de desenvolvimento de neoplasia 
maligna de próstata. 
- O crescimento patológico da zona de transição é responsável pelas manifestações 
clínicas observadas na hiperplasia prostática benigna. 
- A artéria vesical inferior (ramo da ilíaca interna) dá origem às artérias prostáticas 
que através de seus 2 ramos (uretrais e capsulares) irrigam a próstata. 
 
Vias de Acesso Prostática 
 
Via suprapúbica 
- Transvesical - Retropúbica 
 
 
 
 
Via perineal 
1. Incisão arqueada em “U” invertido a 2 cm da borda anal 
2. Divulsão da musculatura perineal e do elevador do ânus 
3. Secção do musculo e do tendão retouretral e liberação posterior do reto 
 
 
Via videolaparoscópica 
 
Via endoscópica 
 
 
Pênis 
- Composto por 1 corpo esponjoso e 2 corpos cavernosos. O corpo esponjoso, medial, 
contém a uretra e distalmente forma a glande. Os corpos cavernosos são laterais 
- As pudendas internas (ramo da ilíaca interna) após emitir ramos perineais passa 
a se chamar artéria comum do pênis, que dá origem à artéria bulbouretral, dorsal 
do pênis e artéria cavernosa. 
 
 
Adrenais 
- As glândulas adrenais estão acima dos rins e são envolvidas pela fáscia de Gerota. 
- A suprarrenal direita tem contato com a veia cava inferior, a esquerda não. 
- Suprimento arterial das artérias suprarrenais superior, média e inferior que se 
originam da frênica inferior, aorta abdominal e da renal. 
 
Brenna G Bonfante 
 
5 
- A veia adrenal direita é curta e drena quase imediatamente para a veia cava 
inferior, já a veia adrenal esquerda é mais longa e drena para a renal esquerda. 
Essa diferença é importante no planejamento de adrenalectomias. 
- Podem causar neoplasias funcionantes com produção exacerbada de corticoides e 
catecolaminas. Ao realizar procedimentos cirúrgicos sobre essas glândulas, deve-se 
cuidar com a manipulação e a ligadura precoce da veia adrenal, com o intuito de 
diminuir a liberação aguda desses hormônios na corrente sanguínea, o que pode 
acarretar arritmias cardíacas, crise hipertensiva e eventos cerebrovasculares. 
 
 
Patologias urinárias mais frequentes 
- Litíase urinária - Uropatia obstrutiva 
- Anomalias genitais - Infecção urinária 
- DST - Incontinência urinária 
- Infertilidade masculina - Estenose de JUP 
- Disfunção sexual masculina (DAEM) - Hiperplasia prostática 
- Tumores urogenitais - Hidrocele 
- Gangrena de Fournier - Fimose 
 
Principais procedimentos urológicos 
- Sondagem vesical - Cistoscopia 
- Cistostomia (punção ou incisão suprapúbica) - Postectomia (fimose) 
- Plastia de freio prepucial - Vasectomia 
- Cirurgia da Incontinência urinária de esforço 
- Ureterolitotripsia - Biópsia de próstata 
- Nefrolitotripsia percutânea - Prostatectomia radical 
- Nefrectomia parcial ou total - Cistectomia 
- Cirurgias endoscópicas (RTU de bexiga e próstata) 
 
Cistostomia – Punção supra púbica 
- O cateter é colocado no interior da bexiga através de punção supra púbica com o 
trocar. 
- Pode ser usada como método diagnóstico 
- Paciente com bexiga repleta; desinfecção da pele da região supra púbica; puncionar 
a pele e a bexiga ao nível do terço inferior da linha que une o umbigo à sínfise 
púbica; aspiração da urina em coletor externo 
Indicações 
- Obstrução do colo vesical - Estenose de uretra 
- Trauma vesical - Trauma uretral 
- Pós uretroplastia - Pós cistoplastias 
- Trauma raquimedular - Retenção urinária 
- Hiperplasia prostática benigna - Cálculo impactado 
É de execução mais simples (que a céu aberto), rápida, podendo ser realizada com 
anestesia local no próprio leito do paciente. 
Contraindicações 
- Pacientes submetidos a radioterapia ou a cirurgia pélvica pois o peritônio parietal, 
ou as alças intestinais podem se aderir a sínfise púbica podendo ser lesadas durante 
a punção. 
- Portadores e suspeitas de tumores malignos de bexiga. 
Técnica Cirúrgica e Passos 
1. Assepsia e campo 
2. Anestesia (xilocaína 2% sem vasoconstritor) 
3. Incisão de 0,5 a 1 cm na linha mediana, 4 cm acima da sínfise púbica 
4. Introdução do trocar até interior da bexiga (mais fácil se globo vesical 
mantido) 
5. Retirada da porção central do trocar (ponteira), mantendo a bainha 
posicionada no interior da bexiga 
6. Introdução do cateter através da bainha do trocar 
7. Remoção da bainha mantendo o cateter posicionado 
8. Fixação do cateter na pele com um ponto de fio monofilamentar 
 
 
 
Brenna G Bonfante 
 
6 
Complicações 
- Infecção no local da punção 
- Extravasamento de urina peri-vesical e/ou subcutâneo 
- Perda de urina ao redor do cateter 
- Obstrução ou deslocamento do cateter 
- Infecção urinária 
- Incrustações calcárias ao redor do cateter 
- Perfuração da parede posterior da bexiga e/ou do reto (força excessiva na punção) 
 
Cistoscopia 
- Método pouco invasivo para analisar problemas relacionados à bexiga. Possibilita 
a realização de biópsia. 
- É um exame que auxilia o médico no diagnóstico da patologia vesical, 
designadamente o cancro da bexiga, inflamação ou cálculos (litíase), entre outras. 
- Pode ser chamado de uretrocistoscopia quando se visualiza a uretra e a bexiga e 
no sexo masculino pode identificar partes da próstata que possam crescer para o 
interior da bexiga ou obliterar a uretra. Videocistoscopia é realizada através de vídeo. 
- Permite a visualização da uretra, esfíncter uretral, próstata, bexiga e orifícios. 
- Procedimento relativamente simples, podendo ser realizado em regime ambulatorial. 
Indicações 
Exame complementar de diagnóstico e terapêutica 
- Macro e/ou micro-hematúria - Hemospermia 
- Azoospermia - Incontinência 
- Distúrbios urinários - Dor pélvica crônica 
- Trauma - Uretrotomia 
- Tumores da bexiga - Endometriose 
- Suspeita de corpos estranhos 
- Injeções de botox para tratar a incontinência 
- Sintomas do trato urinário inferior (urgência, polaquiuria, disúria, nictúria, jato 
fraco) 
- Pode ser realizada com fins terapêuticos como fragmentar litíase, retirar cateter, 
distender bexiga, avaliar/tratar patologias do trato urinário alto (uréter e rim). 
Preparação para exame 
- Em alguns casos específicos pode estar indicado profilaxia com antibiótico antes ou 
imediatamente após o exame. 
- Paciente em posição ginecológica / litotomia 
- Não precisa de jejum. Recomendado a ingestão abundante de água após o exame 
para evitar infecções. 
- Desinfecção e colocação de campos 
- Anestésico local e lubrificante para uretra 
- Nohomem é mais desconfortável devido ao maior tamanho da uretra, presença de 
uretra prostática e esfíncter mais forte. 
- Pode ser realizada com anestésico local ambulatorialmente ou sob anestesia geral 
/ raquianestesia / sedação no bloco operatório 
- Ao final do exame colher amostra de urina para avaliação citológica 
Biópsias 
- Caso encontre lesões suspeitas na bexiga ou alterações no estudo citológico é 
recomendado a biópsia. 
- Podem ser realizadas com pinça (biópsia a frio) ou com ansa específica de ressecção 
da bexiga (biópsia a quente). 
- Pode ser necessário instilação prévia de anestésico no interior da bexiga. 
Contraindicações 
- Estenose de uretra - Infecção urinária 
 
 
Postectomia 
- Postectomia ou circuncisão é uma técnica cirúrgica que consiste na remoção do 
prepúcio (excesso de pele que recobre o pênis), quando outros tratamentos, como o 
uso de pomadas, não ajudam no descolamento da pele. 
- A fimose é um enrijecimento na parte distal do prepúcio, que impede a sua retração. 
É um estreitamento congênito ou adquirido na abertura prepucial, caracterizada por 
um prepúcio não retrátil, sem aderências, que pode causar acúmulo de secreção 
podendo resultar em irritação e balanites. Em casos extremos esse estreitamento pode 
resultar em obstrução verdadeira, interferindo na micção. 
- Os sintomas incluem disúria, sangramento e ocasionalmente retenção urinária e 
enurese. 
Indicações 
- Fimose verdadeira (cicatriz esbranquiçada e é rara antes dos 5 anos) 
- Bálano-postites recorrentes (eritema, inflamação prepucial, corrimento purulento 
que não responde a compressa morna, antibioticoterapia) 
- Infecções recorrentes do trato urinário 
- Masturbação dolorosa e dificuldade de penetração 
 
Brenna G Bonfante 
 
7 
Contraindicações 
- Prematuros - Anomalias congênitas penianas 
- Hipospádia - Epispádia 
- Pênis coberto - Chordée sem hipospadia 
Técnica cirúrgica 
- Realizada sob anestesia geral ou local, é uma técnica segura e simples indicada 
para meninos entre 07 e 10 anos, mas também podendo ser realizado na adolescência 
e vida adulta. 
- A postectomia clássica consiste na retirada parcial ou completa do prepúcio com a 
aproximação das margens da pele à borda mucosa restante do prepúcio. 
 
Potenciais riscos e complicações 
- Processo inflamatório com vermelhidão e saída de secreção ao redor dos pontos 
- Deiscência 
- Fístula uretral 
- Estenose de meato uretral 
- Necrose de pele e/ou glande 
- Quelóide ou hipertrofia na cicatriz 
 
Vasectomia 
- Procedimento cirúrgico de esterilização masculina. A cirurgia interrompe a circulação 
dos espermatozoides produzidos pelos testículos e conduzidos para os canais que 
desembocam na uretra, impedindo a gravidez. 
 
Indicações 
- Homens acima de 25 anos, ou, pelo menos com dois filhos vivos ou nos casos em 
que a gravidez do cônjuge poderá gerar risco de vida. 
Técnica cirúrgica 
- Rápida, de pequena complexidade 
- Após a anestesia local é acessado e retirado um fragmento de cada um dos dois 
ductos deferentes, seccionando ambos e fazendo a ligadura de cotos. 
- 15 a 20 minutos e não há necessidade de internação, podendo ser feita 
ambulatorialmente. 
 
 
Complicações 
- Edema - Hematoma 
- Inflamação e infecção (raros) - Síndrome de dor pós-vasectomia 
Vida sexual 
- A secção dos ductos apenas impede a chegada dos espermatozoides na uretra. O 
líquido seminal que é produzido na próstata e vesícula seminal, continua sendo 
eliminado durante a ejaculação normalmente. 
- O volume ejaculado continua o mesmo e não há influência na função erétil ou 
potência sexual uma vez que não envolve os nervos e vasos responsáveis pela ereção 
peniana. 
 
Nefrectomia 
Procedimento cirúrgico para remover a totalidade ou parte de um rim. Dependendo 
da indicação cirúrgica, uma nefrectomia envolve a remoção apenas da parte 
danificada de um rim ou de todo o órgão, podendo ainda implicar a remoção da 
glândula suprarrenal circundante e gânglios linfáticos 
Tipos de Nefrectomia 
- Nefrectomia simples: remoção de todo o rim. É efetuada uma incisão através da 
qual se cortam os vasos sanguíneos do rim e suas conexões com a bexiga e a retirada 
do órgão. 
- Nefrectomia parcial: retirada de apenas uma parte do rim. Após alcançar o rim 
e interromper temporariamente a circulação sanguínea no seu interior, o cirurgião 
remove a região afetada e reconstrói o órgão para que sua anatomia fique reposta, 
sem sangramento ou saída de urina do interior do rim 
- Nefrectomia radical (completa): é removido todo o rim e, por vezes, estruturas 
adicionais como a suprarrenal e gânglios linfáticos próximos 
- Nefrourectomia: semelhante a nefrectomia radical, mas neste caso todo o ureter 
deve ser removido. Indicada quando há tumor com origem no urotélio. 
 
Brenna G Bonfante 
 
8 
Quando fazer parcial? 
- Tumores bilaterais - Tumor em rim único 
- Cistos complexos - Pielonefrite crônica 
- Unidade exclusa: duplicação pielocalicinal, rim em ferradura e divertículo calicinal. 
- Diabetes mellitus - Hipertensão arterial sistêmica 
- Litíase recorrente 
 
Indicações 
- Neoplasia - Trauma renal grave 
- Lesões no rim - Insuficiência renal 
- Infecções renais crônicas - Atrofia renal adquirida 
- Deformações congênitas - Doações 
- Destruição renal por infecção ou hidronefrose 
- Litíase complicada 
- Rim contraído secundário a pielonefrite ou glomerulonefrite 
O tratamento do câncer renal é cirúrgico em sua essência. 
Técnica cirúrgica 
- Sempre realizada sob anestesia geral. 
- Antes da cirurgia, é introduzido um cateter urinário. 
- A escolha do método cirúrgico depende das características da doença a ser tratada, 
experiência do cirurgião e disponibilidade de meios em cada centro 
Cirurgia laparoscópica convencional ou robótica: minimamente invasivo, maior 
precisão, menor hemorragia, recuperação mais rápida e menos dolorosa. 
 
 
 
Cirurgia aberta 
1. Paciente em decúbito dorsal 
2. Assepsia e colocação de campos 
3. Laparotomia mediana supraumbilical 
4. Inspeção de cavidade abdominal 
5. Dissecção de peritônio parietal posterior na goteira parietocólica esquerda 
6. Dissecção da fáscia renal (de Gerota) – inicial pelo polo inferior e 
prosseguir cranialmente até total liberação 
7. Exposição das estruturas vasculares do hilo renal 
8. Ligadura da artéria e veia renal com fio de seda 0 ou 1 (3 ligaduras 
sendo 2 proximais e 1 distal) 
9. Ligadura do ureter, com fio categute 0 ou 1 (também 3 ligaduras) 
10. Retirada do rim da cavidade 
11. Revisão da hemostasia e ligadura do ureter 
12. Fechamento do peritônio parietal com categute 4-0 em sutura contínua 
13. Fechamento da aponeurose em sutura separada e fio de seda ou prolene 
2-0 
14. Fechamento da pele com nylon 4-0 em pontos simples 
- Rim esquerdo é mais fácil por ter pedículo mais longo, já o rim direito apresenta 
maior dificuldade porque o lobo direito do fígado é junto ao rim. 
Complicações 
- Lesões vasculares - Lesões de órgãos vizinhos 
- Fístulas urinárias - Sangramento e hemorragia 
- Infecção - Hipertensão arterial 
- Doença renal crônica - Pneumonia pós-operatória 
 
 
 
Brenna G Bonfante 
 
9 
Ressecção Transuretral de Próstata 
Procedimento cirúrgico endoscópico para o tratamento da hiperplasia prostática 
benigna, em que há um aumento volumétrico da glândula e quando comprime a uretra 
gera sintomas miccionais característicos. É muito comum em homens acima dos 50 
anos. 
Indicações 
- Próstatas de 30 a 80 gramas. 
- Dificuldade de micção (jato fraco) por conta do crescimento da próstata que entope 
a uretra 
- Demora para início do jato de urina 
- Necessidade constante de urinar 
- Aumento da frequência urinária a noite 
- Incapacidade de urinar. 
Técnicas Cirúrgicas 
- Raquianestesia ou geral 
- Realizada por meio endoscópico, através da uretra e a região interna do órgão éremovida por meio de eletrocauterização. A cápsula prostática (externa) é preservada. 
- Ressecção do adenoma através da luz uretral, com via de acesso transuretral. 
- Ao final da cirurgia, o paciente deverá permanecer com sonda vesical por 1 a 2 
dias com o objetivo de eliminar os coágulos que possam existir dentro da bexiga. 
- Tempo médio de internação: 2 a 4 dias. 
 
 
 
Contraindicações 
- Infecção urinária 
 
Complicações 
-Ejaculação retrógrada ( “ejaculação seca”) 
- Incontinência urinária 
- Sangramento e estreitamento do canal 
- Ressecção endoscópica da próstata 
- Cirurgia minimamente invasiva em que se realiza raspagem da glândula prostática 
por dentro do canal urinário 
 
Correção de estenose de JUP 
A obstrução da junção pieloureteral é definida como um processo de restrição ao 
fluxo urinário da pélvis renal para o ureter e, conforme o grau de obstrução, pode 
evoluir com perda progressiva da função da renal. 
- A JUP é o local mais frequente de obstrução do trato urinário e a estenose de 
JUP é a causa mais comum de obstrução urinária na infância. Mais frequente no 
sexo masculino. 
 
Tipos e causas de estenose de JUP 
- Estenose JUP congênita: é a mais comum, frequente em recém-nascidos e crianças, 
causada por má formação na musculatura da JUP ou pela presença de vasos 
sanguíneos adicionais que comprimem a região da JUP. 
- Estenose de JUP adquirida: frequente em pacientes acometidos por quadros 
recorrentes de litíase renal (cálculos renais) ou pacientes que realizaram cirurgias 
prévias no sistema urinário. 
Além disso, a estenose de JUP pode também ser classificada em relação ao número 
de JUP que apresenta a estenose 
- Estenose de JUP unilateral: apenas uma JUP (um lado) apresenta estenose 
- Estenose de JUP bilateral: ambas as JUPs (dois lados) apresentam estenose 
 
 
Brenna G Bonfante 
 
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Indicações 
- Hidronefrose associada à perda da função renal ( < 40%) 
Formas Cirúrgicas 
- Laparoscopia aberta (desmembrado ou com retalhos de pelve) 
- Endoscopia - Robótica 
- Pieloplastia desmembrada 
- Pieloplastia pela técnica Foley Y-V - Flap em espiral 
Técnicas Cirúrgicas 
- Incisão pode ser feita a lombotomia posterior (que quase não secciona músculos) 
ou a incisão subcostal transversa extraperitoneal. 
- Em rins pélvicos, a incisão de Pfannenstiel pode ser usada. 
Etapas 
- Paciente em decúbito lateral, coloca-se um coxim sob o flanco e eleva-se o lado a 
ser operado. Identifica-se a extremidade da 12ª e da 11ª costela. 
- A incisão estende-se medialmente subcostal por 5 cm de comprimento. Os músculos 
são seccionados, a fáscia lombodorsal é incisada, o peritônio rebatido medialmente e 
a fáscia de gerota aberta. 
- O ureter normal, distal ao estreitamento, é incisado na face lateral. A colocação 
de um cateter no interior do ureter facilita a sutura da pelve renal ao ureter. 
- Sutura com pontos simples ou contínua, sempre com os nós externos ao fluxo da 
urina. Usar fio absorvível preferencialmente 5-0 a 7-0 
 
 
Contraindicações 
- Má-rotação renal - Ectopia renal 
- Reoperações - Anomalias de fusão renal 
- Segmento estenótico muito longo 
 
Ureterolitotripsia flexível 
Tem como objetivo a fragmentação e retirada de cálculos do rim por método 
endoscópico, fazendo o caminho contrário da urina, a partir do orifício da uretra. 
Não é necessário incisões. 
- Anestesia geral, em ambiente hospitalar, procedimento endoscópico. 
- É passado o ureteroscópio flexível, que possui uma microcâmera, pela uretra 
atingindo a bexiga e seguindo em direção ao rim pelo ureter até a identificação dos 
cálculos. 
- Uma vez localizada, as pedras são fragmentadas por laser e os fragmentos são 
retirados com uma cesta especial, chamada basket ou dormia. 
- Colocação de cateter duplo J que é um fino tubo maleável posicionado dentro do 
ureter com uma extremidade dentro do rim e outra na bexiga que impede que haja 
obstrução do ureter no período pós-operatório e facilita a saída de cálculos que ainda 
estejam no paciente. 
 
Contraindicações 
- Infecção urinária - Cálculo renal > 1,5 cm 
- ASA pré-operatório > 3 
 
Nefrolitotripsia percutânea 
É o tratamento cirúrgico indicado para cálculos renais grandes e complexos, em geral 
> 2,0 cm. 
- É realizado uma pequena incisão nas costas para acessar e visualizar a pedra no 
interior do rim com o auxílio do nefroscópio. Ela é removida completamente ou 
fragmentada com o litotriptor ultrassônico, ou até mesmo com o laser. 
- Realizada em ambiente hospitalar sob anestesia geral 
 
Brenna G Bonfante 
 
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- É colocado um cateter no ureter usando o cistoscópio. A função deste cateter é 
aplicar contraste no rim, o que permitirá a identificação do cálculo renal e também 
a anatomia do órgão facilitando o acesso com auxílio do raio-x ou ultrassom. 
- O rim é puncionado com uma agulha fina e é introduzido um fio-guia e dilatadores. 
Assim é possível introduzir o nefroscópio, outro endoscópio que, conectado a uma 
câmera permite a avaliação da parte interna do rim, localizar o cálculo, fragmentá-
lo e retirar os fragmentos com pinças. 
- Após a retirada dos fragmentos é avaliada a necessidade de drenagens com sondas 
e cateteres. O duplo J pode ser usado como forma de dreno interno, para impedir 
que coágulos ou fragmentos de cálculos obstruam o canal do ureter. 
 
 
 
Ureterolitotomia aberta 
Pouco usada pois tem sido substituída por técnicas minimamente invasivas 
Indicações 
- Cálculos de grande volume e complexos 
- Falha do tratamento endoscópico 
- Anormalidades anatômicas 
- Exclusão renal funcional 
- Comorbidades 
- Cirurgia aberta concomitante 
 
 
 
 
Cirurgia laparoscópica

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