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12/07/2022 15:47 Tecnologia da Informação e Produção de Textos
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Aula 03
Contexto e Estilo
Caro estudante,
Na tentativa de construir bons textos, devemos levar em conta o contexto em que este é escrito e o
contexto do tema tratado. Nesta aula, analisaremos os processos de contextualização que podemos
utilizar nos diferentes gêneros textuais, bem como a importância de desenvolvermos um estilo
próprio e e�caz de redação. Vamos lá?
Neste momento, vamos focar o nosso estudo na contextualização e nos seus processos.
Você já deve ter ouvido falar muito na palavra contexto, mas você sabe exatamente qual seu
signi�cado e importância em um texto?
O Dicionário Houaiss da língua portuguesa de�ne como contexto o “conjunto de condições de uso da
língua, que envolve, simultaneamente, o comportamento linguístico e o social, e é constituído de
dados comuns ao emissor e ao receptor”.
Contextualização
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Orlandi (1986) destaca que o texto diz respeito ao que não é ele. Isso signi�ca que o texto se
relaciona com outros elementos que gravitam em torno dele e que produzem a sua signi�cação.
Muitas vezes, há a necessidade de se ter o conhecimento de mundo para se entender um texto.
Essas concepções de mundo podem ter diversos variantes, tempo, autor, momento.
O processamento do texto depende não apenas das características internas dele, mas
principalmente do conhecimento dos usuários, pois é esse conhecimento que de�ne as estratégias
a serem utilizadas na produção e na recepção do texto. Todo e qualquer processo de produção de
textos caracteriza-se como um processo ativo e contínuo do sentido, está ligado a uma rede de
unidades e elementos suplementares, ativados necessariamente em relação a um dado contexto
sociocultural.
Assim, pode-se admitir que a construção do sentido só ocorre num dado contexto. Temos a
capacidade de receber novas informações e, assim, entendermos o que se passa ao redor, porque as
informações adquiridas associam-se à rede de representações conceituais de que dispomos e que
está armazenada em nossa mente.
Nesse sentido, nada nos é totalmente novo e aquilo que não entendemos consiste em informações
que não conseguimos associar à nossa rede de relações.
Essa rede, ainda que parcialmente, é partilhada pelos membros de uma comunidade, e, a partir dela,
cria-se o contexto cultural comum nos membros dessa comunidade. Desse modo, a transmissão de
informações deve estar associada à criação (ou recriação) desse contexto comum, por meio de
procedimentos discursivos variados, os quais dependem de um estilo escolhido pelo autor e
reconhecido pela experiência do interlocutor.
O sentido de um texto é construído (ou reconstruído) na interação texto-sujeitos (ou texto-
coenunciadores) e não como algo prévio a essa interação.
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O contexto engloba todos os tipos de conhecimento arquivados na memória dos membros de uma
comunidade. Esses conhecimentos são acionados por ocasião do intercâmbio verbal:
O conhecimento linguístico, o conhecimento enciclopédico, quer declarativo, quer episódico
(frames, scripts), o conhecimento da situação comunicativa e de suas “regras” (situacionalidade), o
conhecimento dos tipos textuais, o conhecimento estilístico (registros, variedades de língua e sua
adequação às situações comunicativas), o conhecimento sobre os variados gêneros adequados às
diversas práticas sociais, bem como o conhecimento de outros textos que permeiam nossa cultura
(intertextualidade).
Processos de Contextualização
Os processos de contextualização são múltiplos e variados, entre eles mencionam-se até alguns
externos ao texto: nome do autor, publicação, seção (se periódico), natureza do texto. Todos esses
dados funcionam como contextualizadores, pois permitem ao ouvinte/leitor avançar expectativas
acerca daquilo que está a ouvir ou ler.
Os recursos internos são responsáveis por apresentarem o assunto e situarem no universo
conceitual do ouvinte/leitor. Em outros termos, eles criam o espaço comum partilhado entre o
produtor e o receptor.
Estilos e Gêneros Discursivos
É preciso reconhecer que só é possível se comunicar verbalmente por algum gênero, ou seja, por
algum texto. Em outras palavras, a comunicação verbal só é possível por algum gênero textual. Daí a
centralidade da noção de gênero textual no trato da produção linguística. São inúmeros os gêneros
textuais que circulam na nossa sociedade. Quase incontáveis, já que são produtos do cotidiano,
emergentes e suscetíveis a mudanças e adaptações conforme a necessidade de uso dos falantes. Já
os tipos de textos são limitados e designam uma espécie de sequência retórica subjacente de�nida
pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações
lógicas, estilo). O tipo caracteriza-se muito mais como sequências linguísticas (sequenciação de
enunciados, um modo retórico) do que como textos materializados; a rigor, são modos textuais
quanto ao seu número e não partem de experiências sociais, estando mais ligados à forma.
Na noção de tipo textual predomina a identi�cação de sequências linguísticas como norteadora; e,
para a noção de gênero textual, predominam os critérios de padrões comunicativos, ações,
propósitos e inserção sócio-histórica. No caso dos domínios discursivos, não lidamos propriamente
com textos, e sim com formações históricas e sociais que originam os discursos. Conhecemos
basicamente cerca de meia dúzia de categorias, conhecidas como: narração, argumentação,
exposição, descrição, injunção.
Vejamos um exemplo:
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Um telefonema pode envolver argumentações, narrativas e descrições, ou seja, ele é heterogêneo.
Nesse gênero, observamos a presença de mais de um tipo textual. Mas há diversas maneiras de usar
o telefone:
há a conversa telefônica (por telefone móvel ou �xo) que nós mantemos todos os dias para a
nossa mãe, �lhos, amigos, colegas de trabalho ao qual chamamos de telefonema;
há o telefonema que a companhia telefônica faz por nós e se chama de telegrama fonado;
há o telefonema na forma de um recado gravado ou recado em secretária eletrônica;
há os telefonemas de aniversário, casamento, etc., por meio de agências conhecidos como
telemensagens.
A competência sociocomunicativa do falante/ouvinte é que o conduz a distinção dos gêneros e,
consequentemente, a sua competência textual permite-lhe saber quais sequências predominam em
um texto para classi�car o seu tipo, a�rma Koch (2003).
Os falantes/ouvintes da língua têm a todo instante contato com algum texto, seja ele verbal ou não
verbal. Assim, todos eles desenvolvem certa capacidade de diferenciação entre um texto e outro
por algumas características próprias de cada texto. Segundo Marcuschi (2003, p. 22-23),
Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir os
textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam
características sócio-comunicativas de�nidas por conteúdos, propriedades funcionais,
estilo e composição característica.
(MARCUSCHI, 2003, p. 22-23).
Dessa forma, vemos que os gêneros estabilizam as atividades comunicativas do nosso cotidiano,
embora não sejam uma materialização textual in�exível. Eles são entidades sociodiscursivas
relativamente estáveis. Provavelmente, por conta dessa mobilidade é que os gêneros sejam de
difícil de�niçãoformal, pois não se caracterizam por particularidades linguísticas, e sim cognitivas e
institucionais.
Ainda conforme Marcuschi (2003, p. 22),
Usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de construção teórica de�nida
pela natureza lingüística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais,
relações lógicas}. Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias
conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção.
(MARCUSCHI, 2003, p. 22).
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Em geral, em um gênero textual encontramos mais de um tipo dessas sequências, cabendo ao
gênero uma heterogeneidade que faz dele um instrumento importante para agirmos em situações
sociocomunicativas.
Segundo Fairclough (2003, p. 159), é preciso considerar outro conceito relativo à identidade para a
melhor compreensão do “eu”: “O que você é, trata-se parcialmente de como você fala, como
escreve, assim como é também uma questão de expressão corporal – como você olha, a forma como
�ca parado, como se move e assim por diante”.
Nesse sentido, Fairclough (2003) lança o conceito de estilos, de�nido como “o aspecto discursivo
das formas do ser, ou seja, das identidades”. Os estilos, por sua vez, levam a um novo conceito ao
qual estão ligados – a identi�cação – que é nada mais do que a forma como as pessoas se
identi�cam e são identi�cadas pelas outras. Segundo Fairclough, o processo de identi�cação
envolve os efeitos constitutivos do discurso e deve ser visto como um processo dialético no qual o
discurso está inculcado nas identidades.
Esses novos conceitos são um novo direcionamento para a questão da formação identitária, que
deve ser vista de forma mais abrangente. Nessa nova abordagem, é levado em conta o fato de não
se poder restringir o conceito de identidade como sendo apenas social, mas sim o resultado da
Estilos
SAIBA MAIS
E por falar em contexto, vamos aproveitar a nossa disciplina, a qual trata de leitura e
produção de texto, para mostrar algumas dicas de pontuação e de ortogra�a. Clique e leia os
textos:
Dicas de pontuação
Dicas de ortogra�a
Alguns cuidados ao escrever
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soma de identidade social mais personalidade. Isso não signi�ca a�rmar que o conceito de
identidade seria facilmente satisfeito por um cálculo matemático, mas contribui para considerar
uma relação dialética entre identidade social e identidade pessoal ou personalidade.
Empreender estudos discursivos signi�ca, portanto, dispor-se a entender, entre outras coisas, como
se dá a formação das identidades na pós-modernidade, uma formação que se apresenta
fragmentada. Em linha próxima Hall (2007, p. 38) a�rma que “A identidade é realmente algo
formado, ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo inato, existente na
consciência do momento do nascimento. Existe sempre algo ‘imaginário’ ou fantasiado sobre sua
unidade”.
O Estilo
O autor Van Leeuwen (2005 apud ORMUNDO, 2007, p. 69-70) recorre à de�nição de estilo como
sendo o modo de fazer algo. A�rma que...
O discurso constitui o modo de expressar o gênero, a coisa feita, e...
O estilo, o MODO DE FAZER.
Para esse autor, a semiótica social concentrou-se mais no discurso e no gênero do que no estilo. No
entanto, como o estilo de vida começou a recon�gurar a classe social, a pesquisa sobre estilo
tornou-se importante na sociedade contemporânea. Para o autor, as questões de classe social e de
pro�ssão não são mais os elementos que constroem a identidade, mas o relevante é aquilo que a
pessoa consome, ou seja, a própria informação.
O autor diz que, como o estilo de vida recon�gurou a classe social, nas ações de consumo, a
informação também passou a ser um bem de consumo. O autor tenta atualizar a abordagem de
estilo da semiótica social com base na iniciativa de Fairclough (2003), que aplicou os conceitos
tanto de gênero e discurso como de estilo para a análise da linguagem do novo capitalismo. Van
Leeuwen (2005) apresenta seis tipos de estilos, enunciados a seguir.
Estilo Individual:
Enfatiza diferenças individuais, apesar do fato de que tudo que é falado, escrito e feito é, de alguma
forma, regulado socialmente, isto é, há lugar para diferenças sociais na forma de fazer as coisas. O
estilo tem signi�cado importante ao expressar sentimentos e atitudes em relação ao que é dito,
pois isso expressa a personalidade de quem diz.
Estilo Social:
Consiste na determinação social do estilo e expressa a posição social do agente, fornecendo
informações de “quem somos”, como padrões de classe, gênero, idade, relações sociais, bem como
informações sobre “o que fazemos”, ao falar das atividades sociais reguladas e os papéis que são
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representados. O estilo social é externamente motivado e determinado por fatores sociais que
estão fora do nosso controle. A ideia do indivíduo não desaparece, mas a sua importância diminui
nessa abordagem.
Estilo de Vida:
O estilo de vida combina o estilo individual e o estilo social. Entretanto, ele é social, um estilo do
grupo, mesmo se os membros desse grupo estiverem geogra�camente separados, dispersos em
cidades do mundo. Tais grupos se caracterizam não pelo estabelecimento de posições sociais, como
classe, gênero e idade ou por pro�ssões, mas por compartilhar comportamentos de consumo
(gostos compartilhados), atividades de lazer (por exemplo, um interesse por esportes similares,
mesmos destinos turísticos) ou determinados tipos de atitude (por exemplo, atitudes relativas ao
meio ambiente ou à defesa de direitos).
Estilo Linguístico:
Baseia-se no princípio do estilo de vida, que segundo Van Leeuwen (2005) traduz o estilo social e
individual.
Estilo de Textos Publicitários:
Desenvolveu-se não apenas para vender produtos e serviços, mas também para modelar
identidades e valores da sociedade de consumo. Foi a primeira variedade da linguagem corporativa
e teve um papel importante naquilo que Fairclough (1993) denomina marketização do discurso.
Agora que a sociedade de consumo está existindo por si própria, o mesmo acontece com o estilo do
texto publicitário. Ele está se espalhando rapidamente e se in�ltrando em outros gêneros.
Estilo Conversacional:
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Conversação é essencialmente um discurso privado, um diálogo necessariamente entre iguais. Os
elementos do estilo conversacional têm sido introduzidos na comunicação pública pois podem dar
uma aparência de igualdade a formas de comunicação que de fato são profundamente desiguais,
por exemplo, a comunicação na mídia, na qual os espectadores e ouvintes não podem falar de volta,
e também na comunicação política.