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Gabriella R Oliveira - Clínica Cirúrgica II - 7ºP HÉRNIAS DE PAREDE ABDOMINAL: Hérnia: Etimologia (latim) → Ruptura → abdominal: ruptura da parede abdominal Definição: Protrusão anormal de um órgão ou tecido por defeito/fraqueza da parede abdominal, normalmente em pontos fisiológicos, pode ser por força externa também • Ocorrem em locais onde a aponeurose e a fáscia não são cobertas por músculo estriado → EX: linha média Incidência: 5% da população é acometida por tipo de hérnia de parede abdominal; Hernioplastia é a cirurgia mais realizada em todo o mundo. • Epigástrica • Umbilical • Inguinal • Incisional HÉRNIA INGUINAL: 75% de todas as hérnias de parede abdominal • Mais prevalente em homens que em mulheres (25 vezes mais em homens) • Divididas em DIRETAS e INDIRETAS (mais comuns – 2/3 dos casos) • Região inguinal é a porção ínfero-lateral da parede abdominal; • No subcutâneo, entramos as fáscias de Camper e Scarpa; Os músculos da parede abdominal anterolateral são: • Oblíquos externo; • Oblíquo interno • Transverso do abdome. borda lateral do músculo reto lateral, embaixo: ligamento inguinal, meio → incisão > fáscia de camper > fáscia de scarpa > cordão espermático anel inguinal externo → palpável ligamento inguinal na sequência palpar, aprofundar o dedo, e subir, ligamento inguinal fica por cima, procurando o anel inguinal interno, entrar na dobra cutânea rebate anel inguinal superficial, depois interno, profundo • Canal Inguinal: ✓ Espaço virtual de aproximadamente 4 cm; ✓ Local onde por onde passam, nos homens, o cordão espermático e, nas mulheres, o ligamento redondo do útero. ✓ O canal inguinal é maior e mais proeminente nos homens. (mais fácil perceber e movimentar) normalmente esse canal se oblitera, podendo ter permanência desse após vida embrionária • Limites • Parede Anterior • Parede Posterior • Limite Superficial • Assoalho (onde avalia a fraqueza da parede abdominal) • PAREDE ANTERIOR • Aponeurose do m. oblíquo externo (toda a extensão do canal) • Fibras do m. oblíquo interno (parte lateral) • PAREDE POSTERIOR • Fáscia transversal • Foice inguinal (tendão conjunto) • Ligamento (inguinal) reflexo • LIMITE SUPERFICIAL - TETO • Fáscia transversal (lateralmente) • Arcos musculares aponeuróticos dos mm. Oblíquo interno e transverso do abdome (centralmente) • Pilar medial da aponeurose do m. oblíquo externo (medialmente) • ASSOALHO • Trato iliopúbico (lateralmente) • Sulco formado pelo ligamento inguinal invaginado (centralmente) • Ligamento lacunar (medialmente) AVALIA NA ABORDAGEM CIRÚRGICA • Borda lateral do m. reto abdominal: Ligamento inguinal: • Vasos epigástricos inferiores: TRIÂNGULO DE HASSELBACH • Medialmente: Margem lateral do músculo reto abdominal • Inferiormente: ligamento inguinal • Superolateral: Vasos epigástricos inferiores → É A PARTIR DELE, AVALIA SE É DIRETA OU INDIRETA, TEM D E ESQUERDO • Hérnia diretas – surgem dentro do triângulo (medial aos vasos) • Hérnias indiretas – surgem fora do triângulo (lateral aos vasos) OBS: HÉRNIA MISTA: ACONTECE OS 2, ESTÁ DENTRO E TAMBÉM FORA (ANEL HERNIÁRIO) HÉRNIA INGUINAL – DIRETA e INDIRETA INÍCIO ACIMA DOS VASOS EPIGÁSTRICOS INFERIORES: INDIRETA, FORA INÍCIO ABAIXO DOS VASOS EPIGÁSTRICOS INFERIORES: DIRETA, DENTRO PALPA: ANEL INGUINAL EXTERNO → SENTIDO ANEL INGUINAL INTERNO, SOPRAR DORSO DA MÃO, ASSOPRAR, SE OCORRER PROTUSÃO NO MEIO DO DEDO - DIRETA, INDIRETA VAI ESTAR NA PONTA DO DEDO DÁ PARA SABER PELA ANAMNESE: UMA É CONGÊNITA OUTRA É ADQUIRIDA DIRETA: • A protusão do saco herniário ocorre medial ao anel inguinal interno e aos vasos epigástricos; DENTRO DO TRIÂNGULO DE HASSELBACH • Fraqueza da parede do canal inguinal; • Pessoas mais velhas e que se submetem a um grande esforço abdominal → É ADQUIRIDA • Exemplo: Profissionais, esporte, tosse crônica, constipação, obesidade. LEVANTA MUITO PESO • Fatores predisponentes: • Tabagismo; • Idade avançada; • Desnutrição; • Comorbidades (DPOC, etc); • Alterações da síntese de colágeno. INDIRETA: • Ocorrem devido a uma falha congênita da região inguinal – Persistência do Conduto Peritônio Vaginal. → É CONGÊNITA • Exemplo: Crianças e adultos jovens (MUITO COMUM EM CRIANÇAS) PERCORRE TODO CANAL INGUINAL → ANEL EXTERNO, INTERNO E ATÉ BOLSA ESCROTAL • O saco herniário com seu conteúdo atravessa o anel inguinal interno, podendo descer até o anel inguinal externo e chegar até o escroto Quadro Clínico: Abaulamento na região inguinal, com dor discreta associada, que piora com o esforço abdominal (tosse, evacuação, exercício, levantar objetos pesados). SITUAÇÕES QUE AUMENTAM PRESSÃO INTRA ABDOMINAL EXAME FÍSICO: • O médico percebe o abaulamento da região inguinal, que fica mais evidente quando o paciente aumenta a pressão abdominal por solicitação do médico. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: • Hidrocele • Adenite inguinal • Varicocele • Testículo ectópico – NÃO DESCEU PARA BOLSA ESCROTAL, OU ESTÁ EM LOCAL ERRADO • Lipoma • Hematoma • Linfoma • Torção testicular CLASSIFICAÇÃO: –> CAI NO INTERNATO –> AVALIAR ANATOMIA E NO TAMANHO DO DEFEITO –> III - DIRETA, OU INDIRETA, OU FEMURAL –> IV: RECIDIVADA INGUINAL: ACIMA DO LIGAMENTO INGUINAL HÉRNIA FEMORAL: • 3% das Hérnias da virilha; • Mulheres obesas > 45 anos; • 40% encarceradas ou estranguladas; • Medial aos vasos e nervo femorais no canal femoral; • Ligamento inguinal é a borda superior ABAIXO DO LIGAMENTO INGUINAL Quadro Clínico: • Dor vaga na região inguinal; • Sensação de peso ou queimação na região inguinal; • Abaulamento na região inguinal, com redução espontânea; • Perda da simetria abaixo da cicatriz umbilical. ONDE TEM A HÉRNIA TEM ASSIMETRIA, INSPECIONAR OS 2 LADOS, MESMO SENDO BILATERAL, POIS CRESCEM DE FORMA DIFERENTE Tratamento: NÃO OPERATÓRIO: cintas, ataduras/suspensório, tirou volta, só tira antes de dormir, usa em pós-operatório para evitar hérnia, usa em casos de maior risco cirúrgico, acamados, paliativos • Cirurgia convencional • Cirurgia laparoscópica • Cirurgia convencional: Bassini (1884): O reforço é realizado através de sutura dos arcos músculoaponeuróticos do transverso abdominal e do oblíquo interno (ou tendão conjunto) ao ligamento inguinal; McVay (1948): Aproximação da borda da aponeurose do transverso abdominal ao Ligamento de Cooper desde o tubérculo púbico até os vasos femorais, a partir dos quais a fixação é feita com o trato iliopúbico até o anel inguinal interno. Uma incisão de relaxamento curvilínea é feita a 1 cm do tubérculo púbico até a borda lateral do reto abdominal para diminuir a tensão. Shouldice (1949): Imbricação em 4 planos músculo-aponeuróticos: 1) A linha de sutura inicial fixa o arco aponeurótico transverso ao trato iliopúbico; 2) Os músculos oblíquo interno, transverso e aponeuroses são suturadas ao ligamento inguinal; 3) A terceira e a quarta linhas de sutura fecham o ligamento inguinal fixando a parte inferior do oblíquo externo no oblíquo interno Stoppa (1973): • Substituição da fáscia transversais na região inguinal por uma grande prótese; • É especialmente apropriado para o reparo de hérnias bilaterais e recorrentes pois minimiza o risco de complicações (atrofia testicular e neuralgia crônica); • Tem como objetivo envolver o saco peritônio-visceral tornando-o inextensível em vez de reparar os defeitos na parede abdominal; • Reparo sem suturas e livre de tensão; Lichtenstein (1986) • Incisão transversa ínguino- abdominal a cerca de 2 cm da sínfise púbica; • Abertura do subcutâneo, passando pelas fáscias de Camper e Scarpa; • Abertura da aponeurose do oblíquo externo a partir do anel inguinal externo no sentido das fibras e em direção à espinha ilíaca anterosuperior; • Isolamento do cordão espermátivo junto ao púbis; • Abertura do Cremaster (continuação do Oblíquo interno); • Dissecção e isolamento dos elementos do cordão (Ducto Deferente, Artéria Espermática e Plexo panpiliforme); • Fixaçãode tela de Marlex no Cooper com Prolene 0 e sutura contínua com o mesmo fio fixando a borda lateral da tela no Ligamento Inguinal, interrompida após ultrapassar o anel inguinal interno; • A tela é fendida longitudinalmente a partir do limite superior até o nível da borda inferior do anel inguinal interno; • O segmento medial é fixado no Ligamento Inguinal, confeccionando novo orifício do anel inguinal interno; • Pontos simples de Prolene fixam a borda medial da tela no Oblíquo Interno MUITAS TÉCNICAS → NENHUMA É A MELHOR, TODAS PODEM RECIDIVAR • Cirurgia Laparoscópica • Livre de tensão, baseado na abordagem pré peritoneal; • Vantagem para hérnias bilaterais ou recorrentes; • Abordagens: transabdominal pré-peritoneal (TAPP) e mais recentemente extraperitoneal total (TEP). • Transabdominal pré-peritoneal (TAPP): antes, no peritonio, sem dissecar plano subcutaneo • Extra-peritoneal total (TEP): não entra no peritônio, disseca só os planos • Desvantagens • Tempo cirúrgico prolongado • Aumento do custo • Dificuldades técnicas • Curva de aprendizado maior • Vantagens • Menor taxa de ISC • Recuperação mais rápida, alta precoce • Menor probabilidade de dor persistente pós-operatória - Taxa de recorrência é igual a técnica livre de tensão - Principais indicações • Hérnias Bilaterais • Hérnias Recidivadas HÉRNIA UMBILICAL: • A hérnia umbilical é causada por um defeito no fechamento da cicatriz umbilical, que pode ser congênito ou adquirido durante a vida. • Crianças: Congênito • Adultos: Adquirida • Nas crianças, em geral a hérnia umbilical se fecha até os dois anos, mas caso persista até os cinco anos, será necessário o tratamento cirúrgico. 2 anos: não fechou, mantém acompanhamento de perto → até 5 anos não fechou → opera Outras indicações cirúrgicas: Nas crianças: • Orifício maior que 2cm • Associada à derivação ventrículo peritoneal: hidrocefalia • Concomitante a hérnia inguinal Em Adultos: • Hérnias sintomáticas; • Concomitante a ascite volumosa. • O exame abdominal revela a presença de abaulamento umbilical, principalmente quando o paciente faz força com o abdome. • O tratamento é simples, e consiste na sutura do defeito umbilical. HÉRNIA EPIGÁSTRICA: • Abaulamentos do apêndice xifoide a cicatriz umbilical; ACIMA DA CICATRIZ UMBILICAL • 3 – 5% da população; • Mais comum em homens; • São tratadas com sutura do orifício herniário • As hérnias umbilicais e epigástricas apresentam baixo índice de recidiva PROBLEMA: PÓS OP: aumenta remit, pressão abdominal aumentada, diminui ventilação, esforço respiratório, volta para centro cirúrgico para fazer incisão de relaxamento, interna 1 sem antes, faz fisio resp para treinar pulmão e força a fazer pneumoperitônio, seringa - aspira ar e injeta todo dia um pouco HÉRNIA INCISIONAIS: Ocorrem em locais do abdome que já foram submetidos à incisão cirúrgica, e são resultantes da deiscência da aponeurose após seu fechamento. • Este tipo de hérnia tem como característica apresentar altos índices de recidiva e de complicações TER UMA CICATRIZ E PASSADO CIRÚRGICO - HPP, E HISTÓRIA DE ABAULAMENTO NA REGIÃO Fatores de Risco: • Infecção da ferida cirúrgica no pósoperatório • Uso de corticoides e quimioterapia (imunossupressor) • Complicações respiratórias (tosse) no pós-operatório • Má nutrição • Obesidade • Idade avançada • Diabetes • Ascite VOLUMOSA → MESMA PREOCUPAÇÃO DO PÓS-OP → VENTILATÓRIO HÉRNIA DE SPIEGEL: • Todo saco herniário que se anuncia entre a linha semilunar e bordo do reto abdominal; • Defeito da aponeurose do músculo transverso abdominal Denominações especiais da Hérnias: RESIDÊNCIA USP E UNICAMP Progressão das Hérnias: • Redutível: Seu conteúdo pode ser reposicionado; • Irredutível ou Encarcerada: Não pode ser reduzida; PODE CAUSAR DOR, COMPLICAÇÃO SOCIAL E PODE EVOLUIR PARA ESTRANGULADA, TUDO DEPENDE DO TAMANHO DO ANEL HERNIÁRIO • Estrangulada: Suprimento sanguíneo comprometido ou prejuízo da vascularização da alça, OPERAR COM URGÊNCIA → PODE TER COMPROMETIMENTO INTESTINAL, SINAIS FLOGÍSTICOS E DOR MAIS INTENSA • Irredutível ou Encarcerada: • Não pode ser reduzida; • Estrangulada • Suprimento sanguíneo comprometido ou prejuízo da vascularização da alça Podem resultar em complicações herniarias, PODE OU NÃO SER DE URGÊNCIA Complicações: • Encarceramento e o estrangulamento. • O encarceramento é a manutenção do conteúdo abdominal no saco herniário, ou seja, fora da cavidade abdominal, sem retorno deste conteúdo para o seu lugar correto • O estrangulamento, além do encarceramento, há o sofrimento do intestino, devido à falta de circulação. O encarceramento é uma urgência, e a cirurgia para o tratamento da hérnia deve ser realizado o mais rápido possível