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SÍNDROME DE DOWN Profa Andréa D Borgmann UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA CURSO DE FISIOTERAPIA 1 DE DESAI; FAYETTEVILLE (1997); ROIZEN; PATTERSON (2003); KAZEMI; SALEHI; KHEIROLLAHI (2016) HISTÓRICO 1838 A primeira descrição de uma criança com Síndrome de Down foi fornecida por Esquirol Seguin descreveu um paciente com características sugestivas de uma anomalia que mais tarde ficou conhecido como síndrome de Down John L. Down publicou um artigo descrevendo com precisão algumas das características dessa síndrome 1959 1866 1846 Lejeune, Gautier e Turpin descobriram a associação entre a síndrome de Down e um terceiro cromossomo 21. A síndrome de Down é a doença genética mais comum no mundo, uma anomalia congênita, autossômica (cromossomos não sexuais), facilmente reconhecida, associada a comprometimento cognitivo e motor e malformações congênitas (cardiovasculares) e características dismórficas; É causada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo, que ocorre na hora da concepção de uma criança; As pessoas com síndrome de Down, ou trissomia do cromossomo 21, têm 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população. Principal causa de deficiência intelectual na população O QUE É A SÍNDROME DE DOWN DESAI; FAYETTEVILLE (1997);ROIZEN; PATTERSON (2003); MOVIMENTO DOWN; KAZEMI; SALEHI; KHEIROLLAHI (2016); RUIZ-GONZÁLEZ et al. (2019); COLVIN; YEAGER (2017) 3 INCIDÊNCIA Tem incidência estimada em 0,1% em nascidos vivos (autores divergem 1 entre 400 e 1500 e 1 entre 700 e 800); A incidência varia muito com a idade materna (por exemplo, para mulheres de 35 a 39 anos, a incidência aumenta para 1 em 270); No Brasil a incidência é de 1 a cada 700 nascidos vivos; 90 a 95% dos indivíduos com Síndrome de Down tem a trissomia livre ou simples; (MOVIMENTO DOWN; KAZEMI; SALEHI; KHEIROLLAHI, 2016; RUIZ-GONZÁLEZ et al., 2019; PAPAVASSILIOU et al., 2015; MOVIMENTO DOWN) Quanto maior a idade, maior a chance de ter um filho com síndrome de Down; Chance de nascer uma criança com SD em relação à idade materna: (incidência da SD / 1000 nascimentos) 20-29 0,5 a 1,0 30-34 1,5 a 2,0 35-39 3,0 a 4,0 40-45 9,0 a 10,0 45 ou mais 15,0 a 17,5 Toda mulher que já tem um filho com síndrome de Down tem 1% mais chance de ter outro FATORES DE RISCO MOVIMENTO DOWN (2013); HOBSON-ROHRER; SAMSON-FANG (2013) Apesar da ocorrência acontecer mais frequentemente em gestações de mulheres mais velhas, a maioria dos bebês nascem de mães mais jovens, já que é esta faixa etária que tem maior taxa de natalidade. 5 É interessante que, no caso de uma gestação prévia de um bebê com síndrome de down, os pais fizessem um aconselhamento genético com um geneticista, pois sabendo todas estas variáveis, ele poderia dizer com mais precisão as chances de uma nova ocorrência; Não há predileção racial, social, econômica ou de gênero; FATORES DE RISCO MOVIMENTO DOWN (2013); HOBSON-ROHRER; SAMSON-FANG (2013) Apesar da ocorrência acontecer mais frequentemente em gestações de mulheres mais velhas, a maioria dos bebês nascem de mães mais jovens, já que é esta faixa etária que tem maior taxa de natalidade. 6 Tipos de Trissomia Diagnóstico pré-natal via amniocentese e amostragem de vilosidades coriônicas (CVS). A amniocentese e o CVS sensibilidade de 100%, mas oferecem risco de aborto espontâneo entre 0,5 e 1% Com base em marcadores moles, como osso nasal pequeno ou nulo, ventrículos grandes e espessura das pregas nucais, o risco de Síndrome de Down para o feto pode ser identificado por ultrassom geralmente entre 14 e 24 semanas de gestação (a translucência nucal fetal aumentada (acima de 2,5) indica um risco aumentado de Síndrome de Down), sensibilidade 80%; Sangue materno (dosar hormônios e proteínas) sensibilidade de 85 a 90% DIAGNÓSTICOS ASSIM et al. (2015) VILOSIDADES CORIÓNICAS OU VILOSIDADES CORIÔNICAS são vilosidades que florescem na placenta a partir dos córios de forma a permitir o máximo de área de contacto com o sangue materno durante uma gravidez. O CÓRION é uma membrana bastante vascularizada e que envolve tanto o embrião como todos os demais anexos embrionários, fornecendo proteção e nutrição. A TRANSLUCÊNCIA NUCAL é o exame genético feito durante a ultrassonografia. Nele, é analisado o acúmulo de líquido sob a pele atrás do pescoço fetal, sendo possível identificar possíveis complicações, como Síndrome de Down ALTERAÇÕES DA ESTRUTURA E DA FUNÇÃO DO CORPO - CIF 98% fenda palpebral oblíqua 12 Características Físicas pontos brancos nas íris conhecidos como manchas de Brushfield 13 Características Físicas 93% espaço entre os dedos do pé 50% prega na planta dos pés 14 Características Físicas 78% base do nariz achatada Perfil achatado ( occiptal achatado) Microcefalia (reduzido peso e tamanho do cérebro) ; Pescoço curto. 15 Características Físicas 75% cavidade bucal diminuída, macroglossia, língua protusa, palato elevado, dentes pequenos e espaçados irregularmente 16 Características Físicas Orelhas pequenas e com baixa implantação 17 33% prega palmar única (prega simiesca) Mãos grossas e curtas Características Físicas 18 Características Físicas Alterações na visão 70% (miopia, astigmatismo, nistagmo e estrabismo) 3% destas crianças têm cataratas congênitas importantes que devem ser extraídas precocemente. Também são mais frequentes os glaucomas 19 Características Físicas Alterações na audição 80% São muito frequentes as alterações auditivas nestas crianças devido a otites serosas crônicas e os defeitos da condução neurosensorial 20 Características Físicas O hipotireoidismo congênito é frequente (20%) As convulsões também são frequentes, com incidência de 10%. A imunidade celular está diminuída, pelo que são mais frequentes determinadas infecções, como as respiratórias. Habitualmente têm hipertrofia dos adenoides e das amígdalas. 50% a 75% desenvolverão apneia obstrutiva do sono 5% desenvolverão doença celíaca. 21 Características Físicas Há um atraso no crescimento com tendência para a obesidade redução do tônus dos órgãos fonoarticulatórios e, consequentemente, falta de controle motor para articulação dos sons da fala, além de um atraso no desenvolvimento da linguagem. 22 Resumindo Deficiência Mental deficiência mais comuns de nível genético a maioria dos indivíduos com síndrome de Down possuem comprometimento cognitivo leve (QI 50-70), moderado (QI 35-50) e severo (QI 20-35). (QI normal entre 85 a 100; 71 a 84 é limítrofe) 24 Comprometimento Neuromusculoesquelético e relacionado ao Movimento Hipotonia Fraqueza muscular Redução da Estabilidade Articular Hipermobilidade articular/ Lassidão ligamentar Redução de força no tronco, MMSS E II Déficit no Equilíbrio Estático e Dinâmico Déficit no Controle Postural Déficit na Coordenação Motora Comprometimento Neuromusculoesquelético e relacionado ao Movimento Alterações Posturais Pé plano Joelhos Valgos Hiperextensão dos joelhos Inclinação Anterior da Pelve Hiperlordose Lombar Protusão Abdominal Comprometimento Neuromusculoesquelético e relacionado ao Movimento Alterações Biomecânicas da Marcha Base Alargada Rotação Externa de Quadril Bilateral Comprometimento Neuromusculoesquelético e relacionado ao Movimento A frouxidão Ligamentar é responsável por: Pé plano Recurvato dos Joelhos Instabilidade do Joelho Instabilidade do Quadril Escoliose Hiperextensão articular Instabilidade Atlanto-axial Há uma grande controvérsia sobre a instabilidade atlantoaxial. Radiologicamente, 15% ou mais dos casos apresentam evidência deste fato, mas há muito poucas crianças com problemas neurológicos associados (1 a 2%) Comprometimento Neuromusculoesquelético e relacionado ao Movimento 29 FUNCIONALIDADE E A INCAPACIDADE - CIF ESTRUTURA E FUNÇÃO DO CORPO Alt. Na Estrutura do SNC: reduzido número de células no SNC; redução da espessura do córtex cerebral; dovolume do tronco encefálico, do cérebro e cerebelo. Alterações na forma e no número de neurônios, alteração no processo de maturação do SNC e na liberação de neurotransmissores. COMORBIDADES ASSOCIADAS Neurológicos Cardíacos (40-50%) Hematológicos Hipertensão Gastrointestinais Alzheimer precoce Doença coronariana Defeito do septo atrioventricular (DSAV) Defeito do septo ventricular ou comunicação interventricular (CIV) Defeito do Septo Atrial ou Comunicação Interatrial (CIA) Forame Oval Patente (FOP) Persistência do canal arterial (PCA) Estenose da Valva Aorta Coartação da Aorta Estenose Mitral Atresia pulmonar Estenose pulmonar Atresia tricúspide Tetralogia de Fallot MOVIMENTO DOWN (2015); ASSIM et al. (2015) Risco relativo de leucemia de 10 a 20 vezes mais Tumores sólidos Tem 26 a 33 vezes mais chance de ter estenose duodenal (DST) e o ânus imperfurado (IA) Doença de Hirschprung Fístulas traqueo-esofágicas Defeito do septo ventricular (DSV) – “buraco” centralizado na região superior entre os dois ventrículos do coração. Aorta que se sobrepõe ao defeito septo-ventricular (ADSV) - presença de uma junção atrioventricular, que é uma valva aórtica com conexão biventricular. Hipertrofia do ventrículo direito; Diminuição do diâmetro do trato de saída do ventrículo direito, que pode ocorrer na valva pulmonar (estenose valvular) ou abaixo da valvular pulmonar (estenose infundibular). As cardiopatias congênitas afetam 40% (30- 60%) destas crianças (defeitos do septo e tetralogia de Fallot). São as principais causas de morte das crianças com este síndrome. No entanto, se forem corrigidas, a esperança de vida destas crianças é bastante elevada. 31 LIMITAÇÕES DE ATIVIDADE E RESTRIÇÕES DA PARTICIPAÇÃO- CIF Atraso no desenvolvimento motor, tanto nas habilidades grossas quanto nas finas; Crianças com SD levam 2x mais tempo para alcançar os marcos motores; Apesar do desenvolvimento motor ser mais lento, a sequencia da aquisição é similar; DESENVOLVIMENTO MOTOR TÍPICO/ SD Sorrir: 2m / 2m Segurar a cabeça: 3m / 3m Sentar com encosto: 4m / 5m Sentar-se sozinho: 6 a 8m / 11m Engatinhar: 8 a 10m / 15m Andar: 12 a 18m / 27m Jogar bola: 18m / 30m Chutar bola: 21m / 36m Correr: 24m / 36m Pedalar triciclo: 36m / 60m Falar mais de 3 palavras: 13m / 34m Desabotoar um casaco: 36m / 72m Virar as páginas de um livro uma a uma: 24m / 42m DESENVOLVIMENTO MOTOR TÍPICO/ SD MANEJO DA SÍNDROME DE DOWN Geneticista clínico Pediatra Cardiologista Pneumologista Oftalmologista Otorrinolaringologista Neurologista / Neurocirurgião Ortopedia Psiquiatra infantil Terapeuta ocupacional Fisioterapeuta Fonoaudiólogo ASSIM et al. (2015) Geneticista clínico - O encaminhamento para um programa de aconselhamento genético é altamente desejável Cardiologista - A avaliação cardiológica precoce é crucial para diagnosticar e tratar defeitos cardíacos congênitos, que ocorrem em até 60% desses pacientes Pneumologista pediátrico - Infecções recorrentes do trato respiratório são comuns em pacientes com SD Neurologista / Neurocirurgião - Até 10% dos pacientes com SD apresentam epilepsia; portanto, pode ser necessária avaliação neurológica Psiquiatra infantil - Um psiquiatra infantil deve liderar intervenções de ligação, terapias familiares e avaliações psicométricas 35 FISIOTERAPIA - OBJETIVOS Segundo a CIF: Para atividade e participação: Adquirir habilidades motoras grossas e finas; Adquirir marcha independente na idade esperada; Diminuir o atraso na aquisição de habilidades funcionais de autocuidado, mobilidade e função social; Melhorar a realização de tarefas físicas no contexto escolar; Diminuir as dificuldades para desempenhar habilidades práticas e sociais; FISIOTERAPIA - OBJETIVOS Segundo a CIF: 2) Para estrutura e função do corpo: Aumentar a força muscular; Aumentar a estabilidade articular; Melhorar o equilíbrio estático e dinâmico; Adquirir e aumentar o controle postural; Acompanhar a evolução da instabilidade atlanto-axial; Melhorar o padrão de marcha idenpendente. *Fisioterapia cardiorrespiratória http://www.movimentodown.org.br/wp-content/uploads/2015/10/Guia-de-estimula%C3%A7%C3%A3o-PARA-DOWNLOAD.pdf http://www.movimentodown.org.br/rededeativadores/wp-content/uploads/2014/10/Guia-de-estimula%C3%A7%C3%A3o-2014.pdf PROGNÓSTICO A prevalência da condição tem aumentado na população geral em consequência do aumento de sua sobrevida, e fica clara que tratamentos e terapias, em especial a estimulação precoce com fisioterapia e fonoaudiologia mostram uma contribuição para melhor desenvolvimento e desempenho social do portador da síndrome de Down. 55 a 60 anos (MOREIRA; EL-HANI; GUSMÃO, 2000). A SD é uma forma de demonstração da diversidade humana. Se as pessoas com SD forem atendidas e estimuladas adequadamente, elas terão o potencial de desenvolver uma vida saudável. https://www.amigodown.org/ http://www.movimentodown.org.br/ 40 REFERÊNCIAS ASIM, A. et al. “down syndrome: An insight of the disease”Journal of Biomedical ScienceBioMed Central Ltd., , 11 jun. 2015. BORSSATTI, Francieli; ANJOS, Francine BatistA; RIBAS, Danieli Isabel Romanovitch. Efeitos dos exercícios de força muscular na marcha de indivíduos portadores de Síndrome de Down. Fisioterapia em Movimento, v26, n 2, Curitiba, p. 329-335, abr./jun. 2013, DESAI, Sindoor S. Down syndrome: a review of the literature. Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology, Oral Radiology, and Endodontology, v. 84, n. 3, p. 279-285, 1997. HOBSON-ROHRER, W. L.; SAMSON-FANG, L. Down syndrome. Pediatrics in review, v. 34, n. 12, p. 573, 2013. KAZEMI, M.; SALEHI, M.; KHEIROLLAHI, M. Down Syndrome: Current Status, Challenges and Future Perspectives. International journal of molecular and cellular medicine, v. 5, n. 3, p. 125–133, 2016. LÉVY, J. O despertar do bebê: Práticas de educação psicomotora. 10. ed. São Paulo : [s.n.]. MOREIRA, L. M.; EL-HANI, C. N.; GUSMÃO, F. A. A síndrome de Down e sua patogênese: considerações sobre o determinismo genético. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 22, n. 2, p. 96–99, jun. 2000. MOVIMENTO DOWN. Guia de estimulação para bebês com Síndrome de Downs. Versão ampliada ed. Rio de Janeiro: [s.n.]. MOVIMENTO DOWN. Guia de estimulação para crianças com Síndrome de Down. Rio de Janeiro: [s.n.]. PAPAVASSILIOU, P. et al. Mosaicism for trisomy 21: A reviewAmerican Journal of Medical Genetics, Part A. Wiley-Liss Inc., , 1 jan. 2015. ROIZEN, Nancy J.; PATTERSON, David. Down's syndrome. The Lancet, v. 361, n. 9365, p. 1281-1289, 2003. RUIZ-GONZÁLEZ, L. et al. Physical therapy in Down syndrome: systematic review and meta-analysisJournal of Intellectual Disability ResearchBlackwell Publishing Ltd, , 2019. TECKLIN, Jan. Fisioterapia Pediátrica. 3ª edição, Artmed Editora. Porto Alegre, 2006. VASCONCELOS M.M. Retardo Mental. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, 2004. http://www.movimentodown.org.br/