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Explicar as bases biológicas e fisiológicas do envelhecimento ➜ Com o estudo do envelhecimento, tentaram identificar e categorizar as características celulares e moleculares do envelhecimento. ➜ Proporam 9 marcas que geralmente são consideradas como contribuintes para o processo de envelhecimento e, juntas, determinam seu fenótipo. Cada "marca" deve cumprir os seguintes critérios: (I) deve se manifestar durante o envelhecimento normal; (II) seu agravamento experimental deve acelerar o envelhecimento; (III) sua melhoria experimental deve retardar o processo normal de envelhecimento e, aumentar a vida útil saudável. ➜ Essas marcas são: instabilidade genômica, atrito de telômeros, alterações epigenéticas, perda de proteostase, desregulação de nutrientes, disfunção mitocondrial, senescência celular, exaustão de células-tronco e alteração da comunicação intracelular INSTABILIDADE GENÔMICA ➜ Um denominador comum do envelhecimento é o acúmulo de danos genéticos. Muitas doenças do envelhecimento prematuro, como síndrome de Werner e de Bloom, são consequência do aumento do acúmulo de danos ao DNA. ➜ Integridade e estabilidade do DNA são continuamente desafiadas por agentes físicos, químicos e biológicos exógenos, e endógenas, incluindo erros de replicação, reações hidrolíticas espontâneas e espécies reativas de oxigênio (ROS). ➜ As lesões genéticas decorrentes de danos extrínsecos ou intrínsecos são diversas e incluem mutações pontuais, translocações, ganhos e perdas cromossômicas, encurtamento de telômeros e interrupção gênica. Para minimizar essas lesões, os organismos desenvolveram uma rede complexa de mecanismos de reparo de DNA que são capazes de lidar com a maioria dos danos infligidos ao DNA nuclear. Os sistemas de estabilidade genômica também incluem mecanismos específicos para manter comprimento e funcionalidade apropriados dos telômeros e garantir integridade do DNA mitocondrial (mtDNA). Além dessas lesões diretas no DNA, defeitos na arquitetura nuclear, conhecidos como laminopatias, podem causar instabilidade do genoma e resultar em síndromes de envelhecimento prematuro DNA Nuclear � Mutações somáticas se acumulam dentro de células de humanos idosos. Outras formas de danos ao DNA, como aneuploidias cromossômicas e variações de número de cópias, também foram associadas a envelhecimento. Todas, podem afetar genes essenciais e vias transcricionais, resultando em células disfuncionais que se não eliminadas por apoptose/senescência, podem comprometer a homeostase do tecido e do organismo. Ainda mais relevante quando danos ao DNA afetam a competência funcional das células-tronco, comprometendo seu papel na renovação �Evidências para ligações propostas entre aumento ao longo da vida no dano genômico e envelhecimento surgiram mostrando que deficiências nos mecanismos de reparo de DNA causam envelhecimento acelerado em camundongos e estão subjacentes a várias síndromes progeroidianas humanas. Camundongos transgênicos que superexpressam BubR1 (ponto de verificação mitótico= segregação dos cromossomos) exibem maior proteção contra aneuploidia e câncer e prolonga a vida útil saudável. DNA mitocondrial � O mtDNA tem sido alvo para mutações somáticas associadas ao envelhecimento devido ao microambiente oxidativo das mitocôndrias, falta de histonas protetoras e eficiência limitada dos mecanismos de reparo do mtDNA �Devido a multiplicidade de genomas mitocondriais, permite coexistência de genomas mutantes e normais dentro da mesma célula (heteroplasma). No entanto, análises unicelulares revelaram que, apesar do baixo nível geral de mutações do mtDNA, a carga mutacional das células em envelhecimento individuais se torna significativa e pode atingir um estado de homoplasma (mutante domina o normal). A maioria das mutações de mtDNA em células adultas ou envelhecidas parece ser causada por erros de replicação no início da vida, e não por danos oxidativos. Arquitetura nuclear � Além dos danos genômicos que afetam o nuclear ou mtDNA, defeitos na lâmina nuclear também podem causar instabilidade do genoma, essas, participam da manutenção do genoma, fornecendo um andaime para amarrar complexos de cromatina e proteínas que regulam a estabilidade genômica. Mutações em genes que codificam componentes proteicos dessa estrutura, ou fatores que afetam sua maturação e dinâmica, causam síndromes de envelhecimento acelerado. Alterações da lâmina nuclear e produção de uma forma de prelamina A aberrante chamada progerina também foram detectadas durante o envelhecimento normal. ATRITO DE TELÔMEROS ➜ Acúmulo de danos ao DNA com a idade, afeta o genoma aleatoriamente, mas algumas regiões cromossômicas, como telômeros, são particularmente suscetíveis à deterioração relacionada à idade. As polimerases de DNA replicativas não têm capacidade de replicar completamente as extremidades terminais de moléculas lineares de DNA, função da telomerase. Mas, a maioria das células somáticas não expressa telomerase e isso leva à perda progressiva e cumulativa de sequências de proteção de telômeros das extremidades cromossômicas. A exaustão de telômero explica a capacidade proliferativa limitada de alguns tipos de células, chamada senescência replicativa. A expressão ectópica da telomerase é suficiente para imortalidade a células mortais, sem transformação oncogênica ➜ Telômeros podem ser considerados quebras de DNA que são tornadas invisíveis para maquinaria reparo de DNA através da formação de complexo especializado de nucleoproteína conhecido como shelterina. Não apenas telômeros são progressivamente encurtados na ausência de telomerase, mas, mesmo na presença, danos exógenos ao DNA às telômeros torna-se invisível para as máquinas de reparo devido à presença de shelterinas. Portanto, dano do DNA em telômeros causa um persistente dano ao DNA que leva a efeitos celulares deletérios, incluindo senescência/apoptose ➜ Deficiência de telomerase é associada a desenvolvimento prematuro de doenças (fibrose pulmonar, disqueratose congênita e anemia aplástica) que envolvem perda da capacidade regenerativa de diferentes tecidos. Vários modelos de perda de função para componentes de proteção são caracterizados pelo rápido declínio da capacidade regenerativa dos tecidos e envelhecimento acelerado, que ocorre mesmo em telômeros com comprimento normal ➜ Modelos animais geneticamente modificados estabeleceram ligações entre perda de telômeros, senescência celular e envelhecimento do organismo. Camundongos com telômeros encurtados ou alongados exibem diminuição ou aumento da vida útil. Evidências indicam que o envelhecimento pode ser revertido pela ativação da telomerase. O envelhecimento prematuro de camundongos deficientes em telomerase pode ser revertido quando a telomerase é geneticamente reativada. Em humanos, meta-análises recentes indicaram uma forte relação entre telômeros curtos e risco de mortalidade, particularmente em idades mais jovens ➜ Então, envelhecimento normal é acompanhado por atrito de telômeros. Além disso, a disfunção patológica de telômeros acelera o envelhecimento, enquanto estimulação experimental da telomerase pode atrasar envelhecimento em camundongos, cumprindo assim todos os critérios para uma marca registrada do envelhecimento ALTERAÇÕES EPIGENÉTICAS ➜ Uma variedade de alterações epigenéticas afeta as células e tecidos ao longo da vida. As alterações epigenéticas envolvem alterações nos padrões de metilação do DNA, modificação pós-traducional das histonas e remodelação da cromatina. O aumento da acetilação da histona H4K16, a trimetilação H4K20 ou a trimetilação H3K4, bem como a diminuição da metilação de H3K9 ou trimetilação H3K27, constituem marcas epigenéticas associadas à idade. Modificações na Histona �A metilação de histona atende aos critérios para uma marca do envelhecimento. Histonas desmetilases modulam a vida útil visando componentesdas principais rotas de longevidade, como a via de sinalização de insulina/IGF-1. � A família sirtuina de proteínas deacetilases dependentes de NAD e ADP-ribosiltransferases tem sido estudada como potenciais fatores antienvelhecimento. O interesse nesta família de proteínas em relação ao envelhecimento decorre de uma série de estudos em leveduras, moscas e vermes que relatam que o único gene sirtuin desses organismos, chamado Sir2, teve uma atividade de longevidade notável. A superexpressão de Sir2 foi mostrada pela primeira vez para estender a vida útil replicativa em Saccharomyces cerevisiae, e relatórios subsequentes indicaram que a expressão aprimorada dos ortologs de verme (sir-2.1) e mosca (dSir2) poderia prolongar a vida útil em ambos os sistemas modelo Essas descobertas foram recentemente questionadas, no entanto, com o relatório de que a extensão da vida útil originalmente observada nos estudos de verme e mosca foi principalmente devido a diferenças de fundo genético confuso e não à superexpressão de sir-2.1 ou dSir2, respectivamente. Na verdade, reavaliações cuidadosas indicam que a superexpressão do sir-2.1 só resulta em uma extensão modesta da vida útil em C. elegans � Nos mamíferos, estudos mostraram que várias das 7 sirtuinas podem retardar parâmetros de envelhecimento. Em particular, a superexpressão transgênica do SIRT1, homólogo do invertebrado Sir2, melhora aspectos da saúde, mas não aumenta longevidade. Os mecanismos envolvidos nos efeitos benéficos do SIRT1 são complexos e interligados, incluindo ampla gama de ações celulares, desde a melhoria da estabilidade genômica até aumento da eficiência metabólica. Evidências convincentes para um papel de pró-longevidade mediada por sirtuína foram obtidas para o SIRT6, que regula estabilidade genômica, sinalização NF-κB e homeostase da glicose através da desacetilação da histona H3K9, enquanto camundongos transgênicos machos que superexpressam Sirt6 têm uma vida útil mais longa do que os animais de controle, associados à redução de ndicadores de sinalização IGF-1. Foi relatado que o SIRT3 localizado na mitocôndria media alguns dos efeitos benéficos da restrição alimentar na longevidade, embora seus efeitos não sejam devidos a modificações de histonas, mas à desacetilação de proteínas mitocondriais. Foi relatado que a superexpressão do SIRT3 reverte a capacidade regenerativa das células-tronco hematopoiéticas envelhecidas Metilação do DNA �A relação entre a metilação do DNA e o envelhecimento é complexa. Estudos iniciais descreveram uma hipometilação global associada à idade, mas análises subsequentes revelaram que vários loci, incluindo aqueles correspondentes a vários genes supressores de tumor e genes-alvo Polycomb, realmente se tornam hipermetilados com a idade. Células de pacientes e camundongos com síndromes progeroidianas exibem padrões de metilação do DNA e modificações de histonas que recapitulam em grande parte as encontradas no envelhecimento normal . Todos esses defeitos epigenéticos ou epimutações acumulados ao longo da vida podem afetar especificamente o comportamento e a funcionalidade das células-tronco. No entanto, até agora não há demonstração experimental direta de que a vida útil do organismo possa ser estendida alterando os padrões de metilação do DNA. Remodelação de cromatina �As enzimas modificadoras de DNA e histona atuam em conjunto com as principais proteínas cromossômicas, como a proteína HP1α e fatores de remodelação da cromatina, como as proteínas Polycomb ou o complexo NuRD, cujos níveis são diminuídos em células normalmente e patologicamente envelhecidas. Alterações nesses fatores epigenéticos, juntamente com modificações epigenéticas determinam mudanças na arquitetura da cromatina, como perda e redistribuição global de heterocromatina, que constituem características do envelhecimento. �Há conexão notável entre formação de heterocromatina em domínios de DNA repetido e estabilidade cromossômica. Em particular, a montagem de heterocromatina em regiões pericêntricas requer trimetilação das histonas H3K9 e H4K20, bem como ligação HP1α, e é importante para a estabilidade cromossômica. As repetições teloméricas também são enriquecidas por modificações de cromatina, indicando que as extremidades dos cromossomos são montadas em domínios de heterocromatina. As regiões subteloméricas também mostram características da heterocromatina constitutiva, incluindo trimetilação H3K9 e H4K20, ligação HP1α e hipermetilação do DNA. Alterações epigenéticas podem entrar diretamente na regulação do comprimento dos telômeros. Além disso, em resposta aos danos ao DNA, o SIRT1 e outras proteínas modificadoras de cromatina se relocalizam para quebras de DNA para promover o reparo e a estabilidade genômica. SIRT1 também modula a proteostase, a função mitocondrial, as vias de detecção de nutrientes e a inflamação, ilustrando a interconexão entre as marcas do envelhecimento Alterações transcricionais �O envelhecimento está associado a um aumento no ruído transcricional e a uma produção aberrante e maturação de muitos mRNAs. Comparações baseadas em microarranjos de tecidos jovens e velhos de várias espécies identificaram alterações transcricionais relacionadas à idade em genes que codificam componentes-chave de vias de degradação inflamatória, mitocondrial e lisossômica. Essas assinaturas transcricionais associadas ao envelhecimento também afetam os RNAs não codificantes, incluindo uma classe de miRNAs (gero-miRs) que está associada ao processo de envelhecimento e influencia a vida útil visando componentes de redes de longevidade ou regulando o comportamento das células-tronco Reversão de alterações epigenéticas �Ao contrário das mutações no DNA, as alterações epigenéticas são - pelo menos teoricamente - reversíveis, oferecendo oportunidades para o design de novos tratamentos antienvelhecimento. A restauração da acetilação fisiológica de H4 através da administração de inibidores da histona deacetilase, evita a manifestação de comprometimento da memória associado à idade em camundongos, indicando que a reversão de alterações epigenéticas pode ter efeitos neuroprotetores. Os inibidores das histonas acetiltransferases também melhoram o fenótipo do envelhecimento prematuro e prolongam a longevidade dos camundongos progeroides. Além disso, a recente descoberta da herança epigenética transgeracional da longevidade em C. elegans sugere que a manipulação de modificações específicas da cromatina nos pais pode induzir uma memória epigenética da longevidade em seus descendentes. Conceitualmente semelhante aos inibidores da histona acetiltransferase, os ativadores da histona deacetila pode promover a longevidade. O resveratrol tem sido extensivamente estudado em relação ao envelhecimento e entre seus múltiplos mecanismos de ação está a regulação ascendente da atividade do SIRT1, mas também outros efeitos associados a déficits energéticos PERDA DE PROTEOSTASE ➜ O envelhecimento e algumas doenças relacionadas a ele estão ligados à homeostase proteica prejudicada ou proteostase. Todas as células aproveitam uma variedade de mecanismos de controle de qualidade para preservar a estabilidade e a funcionalidade de seus proteomas. A proteostase envolve mecanismos para a estabilização de proteínas corretamente dobradas, mais proeminentemente a família de proteínas de choque térmico, e mecanismos para a degradação de proteínas pelo proteassoma ou pelo lisossoma. Além disso, existem reguladores da proteotoxicidade relacionada à idade, como o MOAG-4, que atuam através de uma via alternativa distinta das chaperonas moleculares e proteases. Todos esses sistemas funcionam de forma coordenada para restaurar a estrutura de polipeptídeos dobrados incorretamente ou para removê-los e degrada-los completamente, evitando assim o acúmulo de componentes danificados e garantindo a renovação contínua de proteínasintracelulares. Assim, muitos estudos demonstraram que a proteostase é alterada com o envelhecimento. Além disso, a expressão crônica de proteínas desdobradas, mal dobradas ou agregadas contribui para o desenvolvimento de algumas patologias relacionadas à idade, como a doença de Alzheimer, a doença de Parkinson e a catarata Dobragem e estabilidade de proteínas mediadas por chaperona �Síntese induzida pelo estresse de chaperonas citosólicas específicas de organelas é prejudicada no envelhecimento. Vários modelos animais apoiam um impacto causador do declínio da chaperona na longevidade. Em particular, vermes transgênicos e moscas que superexpressam acompanhantes são de longa duração. Além disso, camundongos mutantes deficientes em uma co-chaperona da família de choque térmico exibem fenótipos de envelhecimento acelerado, enquanto as cepas de camundongos de longa duração mostram uma regulação acentuada de algumas proteínas de choque térmico. Além disso, a ativação do regulador mestre da resposta de choque térmico, o fator de transcrição HSF-1, aumenta a longevidade e a termotolerância em nematóides, enquanto os componentes de ligação ao amiloid podem manter a proteostase durante o envelhecimento e prolongar a vida útil �Várias abordagens para manter ou melhorar a proteostase visam ativar a dobramento de proteínas e a estabilidade mediada por chaperonas. A indução farmacológica da proteína de choque térmico Hsp72 preserva a função muscular e retarda a progressão da patologia distrófica em modelos de distrofia muscular de camundongos. Pequenas moléculas também podem ser empregadas como chaperões farmacológicos para garantir o redobramento de proteínas danificadas e melhorar os fenótipos relacionados à idade em organismos modelo Sistemas proteolíticos �As atividades dos 2 principais sistemas proteolíticos implicados no controle da qualidade da proteína, a saber, o sistema autosssômico de autofagia e o sistema ubiquitina-proteassoma, diminuem com o envelhecimento, apoiando a ideia de que o colapso da proteostase constitui uma característica �Em relação à autofagia, camundongos transgênicos com uma cópia extra do receptor de autofagia mediado por chaperona LAMP2a não experimentam declínio associado ao envelhecimento na atividade autofágica e preservam a melhoria da função hepática com o envelhecimento �Intervenções usando indutores químicos da macroautofagia (outro tipo de autofagia diferente da autofagia mediada por chaperona) estimularam um interesse extraordinário após a descoberta de que a administração constante ou intermitente do inibidor mTOR rapamicina pode aumentar a vida útil de camundongos de meia-idade . O efeito de extensão da vida útil da rapamicina é estritamente dependente da indução de autofagia em leveduras, nematóides e moscas. No entanto, evidências semelhantes ainda não existem para os efeitos da rapamicina no envelhecimento de mamíferos e outros mecanismos, como a inibição da proteína ribossomal S6 quinase 1 (S6K1) implicada na síntese de proteínas, podem contribuir para explicar os efeitos pró-ongevidade da rapamicina (veja a seção sobre sensoriamento A espermidina, outro indutor de macroautofagia que, em contraste com a rapamicina, não tem efeitos colaterais imunossupressores, também promove a longevidade em leveduras, moscas e vermes através da indução da autofagia. Da mesma forma, a suplementação de nutrientes com preparações de poliamina contendo espermidina ou o fornecimento de uma flora intestinal produtora de poliamina aumenta a longevidade em camundongos. �Em relação ao proteassoma, a ativação da sinalização EGF estende a longevidade em nematóides, aumentando a expressão de vários componentes do sistema ubiquitina-proteasome. Da mesma forma, o aumento da atividade do proteassoma por inibidores da deubiquitylase ou ativadores do proteassoma acelera a depuração de proteínas tóxicas em células cultivadas humanas e prolonga a vida útil da replicação na levedura. �Então, há evidências de que o envelhecimento está associado a proteostase perturbada, e a perturbação experimental da proteostase pode precipitar patologias associadas à idade. Há também exemplos promissores de manipulações genéticas que melhoram a proteostase e retardam o envelhecimento DETEÇÃO DE NUTRIENTES DESREGULADA ➜ O eixo somatotrófico em mamíferos compreende o hormônio do crescimento (GH), produzido pela hipófise anterior, e seu mediador secundário, o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), produzido em resposta à GH por muitos tipos de células, principalmente hepatócitos. A via de sinalização intracelular do IGF-1 é a mesma que a provocada pela insulina, que informa as células sobre a presença de glicose. Por esse motivo, a sinalização de IGF- 1 e insulina são conhecidas como a via de 'sinalização de insulina e IGF-1' (IIS). Notavelmente, a via IIS é a via de controle do envelhecimento mais conservada na evolução e entre seus múltiplos alvos estão a família FOXO de fatores de transcrição e os complexos mTOR, que também estão envolvidos no envelhecimento e conservados através da evolução. Polimorfismos genéticos ou mutações que reduzem as funções de GH, receptor IGF-1, receptor de insulina ou efetadores intracelulares a jusante, como AKT, mTOR e FOXO, têm sido ligados à longevidade, tanto em humanos quanto em organismos modelo, ilustrando ainda mais o grande impacto das vias tróficas e bioenergéticas ➜ Consistente com a relevância da detecção de nutrientes desregulada como uma marca registrada do envelhecimento, a restrição alimentar (DR) aumenta a vida útil ou a duração da saúde em todas as espécies de eucariotas investigadas, incluindo organismos unicelulares e multicelulares de vários filos distintos, incluindo primatas não humanos A via de sinalização de insulina e IGF-1 �Múltiplas manipulações genéticas que atenuam a intensidade da sinalização em diferentes níveis da via IIS prolongam consistentemente a vida útil de vermes, moscas e camundongos. Análises genéticas indicam que essa via mede parte dos efeitos benéficos da DR na longevidade em vermes e moscas. Entre os efetadores a jusante da via IIS, o mais relevante para a longevidade em vermes e moscas é o fator de transcrição FOXO. Em camundongos, há quatro membros da FOXO, mas o efeito de sua superexpressão na longevidade e seu papel na mediação do aumento da expectativa de saúde por meio da redução do IIS ainda não foi determinado. Mouse FOXO1 é necessário para o efeito supressor tumoral da DR, mas ainda não se sabe se esse fator está envolvido na extensão da vida útil mediada pela DR. Camundongos com aumento da dosagem do supressor tumoral PTEN exibem uma modulação geral para baixo da via IIS e um aumento do gasto de energia associado ao melhor metabolismo oxidativo mitocondrial, bem como a uma atividade aprimorada do tecido adiposo marrom. De acordo com outros modelos de camundongos com diminuição da atividade do IIS, camundongos que superexpressam Pten, bem como camundongos PI3K hipomórficos, mostram um aumento da longevidade �Paradoxalmente, os níveis de GH e IGF-1 diminuem durante o envelhecimento normal, bem como em modelos de camundongos de envelhecimento prematuro. Assim, uma IIS diminuída é uma característica comum do envelhecimento fisiológico e acelerado, enquanto uma IIS constitutivamente diminuída estende a longevidade. Essas observações aparentemente contraditórias poderiam ser acomodadas sob um modelo unificador pelo qual a modulação para baixo do IIS reflete uma resposta defensiva destinada a minimizar o crescimento e o metabolismo celular no contexto de danos sistêmicos. De acordo com essa visão, organismos com uma IIS constitutiva diminuída podem sobreviver por mais tempo porque têm taxas mais baixas de crescimento e metabolismo celular e, portanto, taxas mais baixas de dano celular. Na mesma linha, os organismos fisiologicamente ou patologicamente envelhecidosdiminuem o IIS na tentativa de prolongar sua vida útil. No entanto, e este é um conceito que se repetirá nas seções a seguir, as respostas defensivas contra o envelhecimento podem ter o risco de eventualmente se tornarem deletérias e agravantes. Assim, níveis extremamente baixos de sinalização IIS são incompatíveis com a vida, como exemplificado por mutações nulas de camundongos nas quinases PI3K ou AKT que são letais embrionárias. Outros sistemas de detecção de nutrientes: mTOR, AMPK e sirtuins �A quinase mTOR faz parte de 2 complexos multiproteínas, mTORC1 e mTORC2, que regulam essencialmente os aspectos do metabolismo anabólico. A regulação genética da atividade mTORC1 em leveduras, vermes e moscas estende a longevidade e atenua os benefícios de longevidade da DR. Em camundongos, o tratamento com rapamicina prolonga a longevidade no que é considerado a intervenção química mais robusta para aumentar a vida útil. Camundongos geneticamente modificados com baixos níveis de atividade mTORC1, mas níveis normais de mTORC2, aumentaram a vida útil, e camundongos deficientes em S6K1 são de longa duração, apontando assim para regulação negativa do mTORC1/S. A atividade do mTOR aumenta durante o envelhecimento em neurônios hipotalâmicais de camundongos, contribuindo para a obesidade relacionada à idade, que é revertida pela infusão direta de rapamicina no hipotálamo. �Os outros 2 sensores de nutrientes, AMPK e sirtuins, agem na direção oposta ao IIS e ao mTOR, sinalizam escassez de nutrientes e catabolismo. Assim, sua regulação ascendente favorece o envelhecimento saudável. A ativação do AMPK tem múltiplos efeitos no metabolismo e, desliga o mTORC1. Há evidências que indicam que a ativação do AMPK pode mediar a extensão da vida útil após a administração de metformina a vermes e camundongos. O SIRT1 pode desacetilar e ativar o co-ativador PGC-1α. O PGC-1α orquestra uma resposta metabólica complexa que inclui mitocondriagênese, defesas antioxidantes aprimoradas e melhor oxidação de ácidos. Além disso, o SIRT1 e o AMPK podem se envolver em um loop de feedback positivo DISFUNÇÃO MITOCONDRIAL ➜ À medida que as células e os organismos envelhecem, a eficácia da cadeia respiratória tende a diminuir, aumentando assim o vazamento de elétrons e reduzindo a geração de ATP. A relação entre disfunção mitocondrial e envelhecimento tem sido suspeita há muito tempo, mas dissecar seus detalhes continua sendo um grande desafio para a pesquisa sobre envelhecimento. Espécies reativas de oxigênio (ROS) �A teoria dos radicais livres mitocondriais do envelhecimento propõe que a disfunção mitocondrial progressiva que ocorre com o envelhecimento resulta em aumento da produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), que por sua vez causa maior deterioração mitocondrial e danos celulares globais . Vários dados apoiam um papel do ROS no envelhecimento, mas nos concentramos aqui nos desenvolvimentos dos últimos cinco anos que forçaram uma intensa reavaliação da teoria do envelhecimento do radical livre mitocondrial. De impacto particular tem sido a observação inesperada de que o aumento do ROS pode prolongar a vida útil em leveduras e C. elegans. Em camundongos, manipulações genéticas que aumentam o ROS mitocondrial e o dano oxidativo não aceleram o envelhecimento, manipulações que aumentam as defesas antioxidantes não estendem a longevidade e, finalmente, manipulações genéticas que prejudicam a Esses e dados semelhantes abriram o caminho para uma reconsideração do papel do ROS no envelhecimento. De fato, paralelo e separado ao trabalho sobre os efeitos prejudiciais do ROS, o campo da sinalização intracelular tem acumulado evidências sólidas do papel do ROS no gatilho de sinais proliferativos e de sobrevivência, em resposta a sinais fisiológicos e condições de estresse. As duas linhas de evidência podem ser harmonizadas se o ROS for considerado como um sinal de sobrevivência provocado por estresse destinado a compensar a deterioração progressiva associada ao envelhecimento. À medida que a idade cronológica avança, os níveis de ROS aumentam na tentativa de manter a sobrevivência até que traem seu propósito original e eventualmente agravem, em vez de aliviarem, o dano associado à idade. Integridade mitocondrial e biogênese �As mitocôndrias disfuncionais podem contribuir para o envelhecimento independentemente da ROS, como exemplificado por estudos com camundongos deficientes em DNA polimerase γ. Isso pode acontecer através de vários mecanismos, por exemplo, deficiências mitocondriais podem afetar a sinalização apoptótica, aumentando a propensão das mitocôndrias a permeabilizar em resposta ao estresse, e desencadear reações inflamatórias, favorecendo a ativação de inflamassomas mediada por ROS e/ou facilitada pela permea Além disso, a disfunção mitocondrial pode impactar diretamente na sinalização celular e na fala cruzada interorganelar, afetando as membranas associadas à mitocôndria que constituem uma interface entre a membrana mitocondrial externa e o retículo endoplasmático �A eficiência reduzida da bioenergética mitocondrial com o envelhecimento pode resultar de múltiplos mecanismos convergentes, incluindo a redução da biogênese das mitocôndrias, por exemplo, como consequência do atrito de telômeros em camundongos deficientes em telomerase, com subsequente repressão mediada por p53 de PGC-1α e PGC-1β Esse declínio mitocondrial também ocorre durante o envelhecimento fisiológico em camundongos selvagens e pode ser parcialmente revertido pela ativação da telomerase. O SIRT1 modula a biogênese mitocondrial através de um processo envolvendo o co-ativador transcricional PGC-1α e a remoção de mitocôndrias danificadas por autofagia. O SIRT3, que é a principal desacetilase mitocondrial, tem como alvo muitas enzimas envolvidas no metabolismo energético, incluindo componentes da cadeia respiratória, ciclo do ácido tricarboxílico, cetogênese e vias de oxidação β de ácidos graxos. O SIRT3 também pode controlar diretamente a taxa de produção de ROS desacetilando a superóxido dismutase de manganês, uma importante enzima antioxidante mitocondrial. Coletivamente, esses resultados apoiam a ideia de que as sirtuinas podem atuar como sensores metabólicos para controlar a função mitocondrial e desempenhar um papel protetor contra doenças associadas à idade. SENESCÊNCIA CELULAR ➜ A senescência celular pode ser definida como uma parada estável do ciclo celular acoplada a alterações fenotípicas estereotipadas. Este fenômeno foi originalmente descrito por Hayflick em fibroblastos humanos passados em série em cultura. Hoje, sabemos que a senescência observada por Hayflick é causada pelo encurtamento de telomeros, mas existem outros estímulos associados ao envelhecimento que desencadeiam a senescência independentemente desse processo telomérico. Mais notavelmente, o dano não telomérico ao DNA e a desrepressão do locus INK4/ARF, que ocorrem progressivamente com o envelhecimento cronológico, também são capazes de induzir a senescência. O acúmulo de células senescentes em tecidos envelhecidos tem sido frequentemente inferido usando marcadores substitutos, como danos ao DNA. Alguns estudos usaram diretamente a β-galactosidase associada à senescência (SABG) para identificar a senescência nos tecidos. Vale ressaltar que uma quantificação detalhada e paralela do SABG e do dano ao DNA no fígado produziu dados quantitativos comparáveis, produzindo um total de ~,8% de células senescentes em camundongos jovens e ~17% em camundongos muito velhos. Resultados semelhantes foram obtidos na pele, pulmão e baço, mas nenhuma alteração foi observada no coração, músculo esquelético e rim. Com base nesses dados, fica claro que a senescência celular não é uma propriedade generalizada de todos os tecidos em organismos idosos. No caso das células tumorais sencentes, há boas evidências de que elas estão sujeitas a rigorosavigilância imunológica e são removidas de forma eficiente por fagocitose. Concebemente, o acúmulo de células senescentes com o envelhecimento pode refletir um aumento na taxa de geração de células senescentes e/ou uma diminuição em sua taxa de depuração, por exemplo, como consequência de uma resposta imune atenuada. ➜ Como a quantidade de células senescentes aumenta com o envelhecimento, tem sido amplamente assumido que a senescência contribui para o envelhecimento. Mas, essa visão subvaloriza o que é concebivelmente o principal objetivo da senescência, que é evitar a propagação de células danificadas e desencadear sua morte pelo sistema imunológico. Portanto, é possível que a senescência seja uma resposta compensatória benéfica que contribui para livrar os tecidos de células danificadas e potencialmente oncogênicas. Este ponto de verificação celular, no entanto, requer um sistema eficiente de substituição celular que envolva apuração de células senescentes e a mobilização de progenitores para restabelecer o número de células. Em organismos envelhecidos, esse sistema de rotatividade pode se tornar ineficiente ou pode esgotar a capacidade regenerativa das células progenitoras, resultando eventualmente no acúmulo de células senescentes que podem agravar o dano e contribuir para o envelhecimento ➜ Nos últimos anos, tem sido apreciado que as células senescências manifestam alterações dramáticas em seu secretoma, que é particularmente enriquecido em citocinas pró-inflamatórias e metaloproteinases de matriz, e é referido como o "fenótipo secretor associado à senescência". Este secretoma pró-inflamatório pode contribuir para o envelhecimento O locus INK4a/ARF e p53 �Além do dano ao DNA, a sinalização mitogênica excessiva é o outro estresse mais robustamente associado à senescência. Uma conta recente listou mais de 50 alterações oncogênicas ou mitogênicas que são capazes de induzir a senescência. O número de mecanismos que implementam a senescência em resposta a essa variedade de insultos oncogênicos também cresceu, mas, ainda assim, os caminhos originalmente relatados p16INK4a/Rb e p19ARF/p53 permanecem, em geral, os mais importantes p. A relevância dessas vias para o envelhecimento torna-se ainda mais marcante quando se considera que os níveis de p16INK4a (em menor grau também p19ARF) se correlacionam com a idade cronológica de essencialmente todos os tecidos analisados, tanto em camundongos quanto em humanos. Não estamos cientes de nenhum outro gene ou proteína cuja expressão esteja tão robustamente correlacionada com o envelhecimento cronológico, entre tecidos, entre espécies e com uma gama de variações que, em média, é uma ordem de magnitude entre tecidos jovens e velhos. Tanto o p16INK4a quanto o p19ARF são codificados pelo mesmo locus genético, o locus INK4a/ARF. Uma meta-análise recente de mais de 300 estudos de associação em todo o genoma (GWAS) identificou o locus INK4a/ARF como o locus genômico que está geneticamente ligado ao maior número de patologias associadas à idade, incluindo vários tipos de doenças cardiovasculares, diabetes, glaucoma e doença de Alzheimer �O papel crítico de p16INK4a e p53 na indução da senescência celular favoreceu a hipótese de que a senescência induzida por p16INK4a e induzida por p53 contribuem para o envelhecimento fisiológico. De acordo com essa visão, a atividade pró-envelhecimento de p16INK4a e p53 seria um custo tolerável em comparação com seus benefícios na supressão de tumores. Em apoio a isso, camundongos mutantes com envelhecimento prematuro devido a danos extensos e persistentes, apresentam níveis dramáticos de senescência e seus fenótipos progeroides são melhorados pela eliminação de p16Ink4a ou p53. Este é o caso de camundongos deficientes em BRCA1, de um modelo de camundongo de HGPS e de camundongos com estabilidade cromosssomo defeituosa devido a uma mutação hipomórfica de BubR1. No entanto, outras evidências sugerem uma imagem mais complicada. Em contraste com seu papel pró-envelhecimento antecipado, camundongos com um aumento leve e sistêmico nos supressores de tumor p16Ink4a, p19Arf ou p53 exibem longevidade prolongada, que não pode ser explicada por sua menor incidência de câncer. Além disso, a eliminação do p53 agrava os fenótipos de alguns camundongos mutantes progeroides. Novamente, como discutido acima para a senescência, a ativação de p53 e INK4a/ARF pode ser considerada como uma resposta compensatória benéfica destinada a evitar a propagação de células danificadas e suas consequências no envelhecimento e no câncer. No entanto, quando o dano é generalizado, a capacidade regenerativa dos tecidos pode ser esgotada ou saturada e, sob essas condições extremas, as respostas p53 e INK4a/ARF podem se tornar deletérias e acelerar o envelhecimento. �Então, propomos que a senescência celular seja uma resposta compensatória benéfica aos danos que se tornam deletérios e aceleram o envelhecimento quando os tecidos esgotam sua capacidade regenerativa. Dadas essas complexidades, não é possível dar uma resposta simples à questão de saber se a senescência celular atende ao terceiro critério ideal para a definição de uma marca registrada. Um aprimoramento moderado das vias supressoras tumorais indutoras de senescência pode prolongar a longevidade e, ao mesmo tempo, a eliminação de células senescências em um modelo experimental de progeria atrasa as patologias relacionadas à idade. Portanto, duas intervenções que são conceitualmente opostas são capazes de prolongar a extensão da saúde. EXAUSTÃO DE CÉLULAS-TRONCO ➜ O declínio no potencial regenerativo dos tecidos é uma das características mais óbvias do envelhecimento. Por exemplo, a hematopoiese diminui com a idade, resultando em uma diminuição da produção de células imunes adaptativas, um processo chamado imunosenescência, e em um aumento da incidência de anemia e neoplasias mielóides. Um atrito funcional semelhante das células-tronco foi encontrado em essencialmente todos os compartimentos de células-tronco adultas, incluindo o cérebro do rato, o osso ou as fibras musculares. Estudos em camundongos idosos revelaram uma diminuição geral na atividade do ciclo celular das células-tronco hematopoiéticas (HSCs), com HSCs antigos passando por menos divisões celulares do que os HSCs jovens. Isso se correlaciona com o acúmulo de danos ao DNA e com a superexpressão de proteínas inibitórias do ciclo celular, como p16INK4a. Na verdade, os antigos INK4a−/− HSCs exibem melhor capacidade de enxerto e aumento da atividade do ciclo celular em comparação com os antigos HSCs do tipo selvagem. O encurtamento de telomeros também é uma causa importante do declínio das células-tronco com o envelhecimento em vários tecidos. Estes são apenas exemplos de um quadro muito maior onde o declínio das células-tronco emerge como a consequência integrativa de vários tipos de danos. ➜ Embora a proliferação deficiente de células-tronco e progenitoras seja obviamente prejudicial para a manutenção a longo prazo do organismo, uma proliferação excessiva de células-tronco e progenitoras também pode ser deletéria ao acelerar a exaustão dos nichos de células-tronco. A importância da quiescência das células-tronco para a funcionalidade a longo prazo das células-tronco foi demonstrada de forma convincente no caso das células-tronco intestinais da Drosophila, onde a proliferação excessiva leva à exaustão e ao envelhecimento prematuro. Uma situação semelhante é encontrada em camundongos p21-nulo, que apresentam exaustão prematura de HSCs e células-tronco neurais. A este respeito, a indução de INK4a durante o envelhecimento e a diminuição do IGF-1 sérico, podem refletir uma tentativa do organismo de preservar a quiescência das células-tronco. Além disso, estudos recentes mostraram que um aumento na sinalização FGF2 no nicho de células-tronco musculares envelhecidos resulta na perda de quiescênciae, eventualmente, na depleção de células-tronco e diminuição da capacidade regenerativa, enquanto a supressão dessa via de sinalização resgata esses defeitos. Isso abre a possibilidade de projetar estratégias destinadas a inibir a sinalização FGF2 para reduzir a exaustão das células-tronco durante o envelhecimento. ➜ Um debate importante sobre o declínio na função das células-tronco é o papel relativo das vias intrínsecas celulares em comparação com as células extrínsecas. O trabalho recente forneceu forte apoio a este último. Em particular, a DR aumenta as funções intestinais e musculares através de mecanismos extrínsecos celulares. Da mesma forma, o transplante de células-tronco derivadas de músculos de camundongos jovens para camundongos progeroides prolonga a vida útil e melhora as alterações degenerativas desses animais, mesmo em tecidos onde as células doadoras não são detectadas, sugerindo que seu benefício terapêutico pode derivar de efeitos sistêmicos causados por fatores secretados. Além disso, experimentos de parabiose demonstraram que o declínio na função das células-tronco neurais e musculares em camundongos antigos pode ser revertida por fatores sistêmicos de camundongos jovens. ➜ Intervenções farmacológicas também estão sendo exploradas para melhorar a função das células-tronco. Em particular, a inibição do mTORC1 com rapamicina, que pode adiar o envelhecimento melhorando a proteostase e afetando a detecção de energia, também pode melhorar a função das células-tronco na epiderme, no sistema hematopoiético e no Isso ilustra a dificuldade de desvendar a base mecanicista para a atividade antienvelhecimento da rapamicina e ressalta a interconexão entre as diferentes características do envelhecimento discutidas aqui. Também vale a pena mencionar que é possível rejuvenescer as células senescentes humanas pela inibição farmacológica do GTPase CDC42, cuja atividade é aumentada em HSCs envelhecidos ➜ Então, a exaustão das células-tronco se desdobra como a consequência integrativa de vários tipos de danos associados ao envelhecimento e provavelmente constitui um dos principais culpados do envelhecimento dos tecidos e do organismo. Estudos promissores recentes sugerem que o rejuvenescimento das células-tronco pode reverter o fenótipo do envelhecimento no nível do organismo COMUNICAÇÃO INTERCELULAR ALTERADA ➜ Além das alterações celulares autônomas, o envelhecimento também envolve mudanças no nível da comunicação intercelular, seja endócrina, neuroendócrina ou neuronal. Assim, a sinalização neurohormonal tende a ser desregulada no envelhecimento à medida que as reações inflamatórias aumentam, a imunosvigilância contra patógenos e as células pré-malignas diminui e a composição do ambiente peri e extracelular muda Inflamação �Uma alteração proeminente associada ao envelhecimento na comunicação intercelular é "inflamatória", ou seja, um fenótipo pró-inflamatório ardente que acompanha o envelhecimento em mamíferos. A inflamação pode resultar de várias causas, como o acúmulo de danos no tecido pró-inflamatório, a falha de um sistema imunológico cada vez mais disfuncional em limpar efetivamente patógenos e células hospedeiras disfuncionais, a propensão de células senescência a secretar citocinas pró-inflamatórias, a ativação aprimorada do fator Essas alterações resultam em uma ativação aprimorada do inflamassomo NLRP3 e outras vias pró-inflamatórias, levando finalmente ao aumento da produção de IL-1ß, fator de necrose tumoral e interferons. A inflamação também está envolvida na patogênese da obesidade e do diabetes tipo 2, duas condições que contribuem e se correlacionam com o envelhecimento da população humana. Da mesma forma, as respostas inflamatórias defeituosas desempenham um papel crítico na aterosclerose. A recente descoberta de que a inflamação associada à idade inibe a função das células-tronco epidérmicas, apoia ainda mais a intrincada concatenação de diferentes características que reforçam o processo de envelhecimento. Em paralelo com a inflamação, a função do sistema imunológico adaptativo diminui. Essa imunosenescência pode agravar o fenótipo do envelhecimento no nível sistêmico, devido à falha do sistema imunológico em limpar agentes infecciosos, células infectadas e células à beira da transformação maligna. Além disso, uma das funções do sistema imunológico é reconhecer e eliminar as células senescentes, bem como as células hiperplóides que se acumulam em tecidos envelhecidos e lesões pré-malignas �Estudos globais sobre a paisagem transcricional de tecidos envelhecidos também enfatizaram a relevância das vias inflamatórias no envelhecimento. A sobreativação da via NF-κB é uma dessas assinaturas transcricionais de envelhecimento e expressão condicional de um inibidor de NF-κB na pele envelhecida de camundongos transgênicos que causa o rejuvenescimento fenotípico desse tecido, bem como a restauração da assinatura transcricional correspondente à idade jovem. Da mesma forma, a inibição genética e farmacológica da sinalização NF-κB previne características associadas à idade em diferentes modelos de camundongos de envelhecimento acelerado. Uma nova ligação entre inflamação e envelhecimento deriva do recente achado de que as respostas inflamatórias e de estresse ativam o NF-κB no hipotálamo e induzem uma via de sinalização que resulta na redução da produção do hormônio liberador de GnRH pelos neurônios. Esse declínio do GnRH pode contribuir para inúmeras mudanças como fragilidade óssea, fraqueza muscular, atrofia da pele e neurogênese reduzida. Consistentemente, o tratamento com GnRH previne a neurogênese prejudicada pelo envelhecimento e desacelera o desenvolvimento do envelhecimento em camundongos. Esses achados sugerem que o hipotálamo pode modular o envelhecimento sistêmico integrando respostas inflamatórias impulsionadas por NF-kB com efeitos neuroendócrinos mediados por GnRH �Mais evidências in vivo ligando inflamação e envelhecimento derivam do trabalho sobre o fator de decaimento do mRNA AUF1, que está implicado na cessação da resposta inflamatória pela mediação da degradação do mRNA de citocinas. Camundongos deficientes em AUF1 exibem uma senescência celular marcada e um fenótipo de envelhecimento prematuro que podem ser resgatados pela reexpressão desse fator de ligação ao RNA. Curiosamente, e além de direcionar o decaimento inflamatório do mRNA das citocinas, o AUF1 contribui para manter o comprimento dos telômeros, ativando a expressão da subunidade catalítica da telomerase TERT, demonstrando novamente que um único fator pode ter um forte impacto em diferentes marcas de envelhecimento. �Uma situação semelhante ocorre com sirtuins, que também podem ter um impacto nas respostas inflamatórias associadas ao envelhecimento. Vários estudos revelaram que, desacetizando histonas e componentes de vias de sinalização inflamatória, como NF-κB, o SIRT1 pode diminuir os genes relacionados à inflamação. Consistente com esses achados, a redução dos níveis de SIRT1 se correlaciona com o desenvolvimento e progressão de muitas doenças inflamatórias, enquanto a ativação farmacológica do SIRT1 pode prevenir respostas inflamatórias em camundongos. SIRT2 e SIRT6 também podem reregular a resposta inflamatória através da desacetilação de subunidades NF-kB e repressão transcricional de seus genes-alvo Outros tipos de comunicação intercelular �Além da inflamação, a acumulação de evidências indica que as alterações relacionadas ao envelhecimento em um tecido podem levar à deterioração específica do envelhecimento de outros tecidos, explicando a coordenação entre órgãos do fenótipo do envelhecimento. Além das citocinas inflamatórias, existem outros exemplos de "envelhecimento contagioso" ou efeitos de espectadores em que as células senescentes induzem senescência em células vizinhas por meio de contatos e processos celulares-células mediados porjunção de lacunas envolvendo ROS. O microambiente contribui para os defeitos funcionais relacionados à idade das células T CD4, conforme avaliado usando um modelo de transferência adotiva em camundongos. Da mesma forma, a função renal prejudicada pode aumentar o risco de doenças cardíacas em humanos. Por outro lado, manipulações que prolongam a vida útil direcionadas a um único tecido podem retardar o processo de envelhecimento em outros tecidos Restaurando a comunicação intercelular defeituosa �Existem várias possibilidades para restaurar a comunicação intercelular defeituosa subjacentes aos processos de envelhecimento, incluindo intervenções genéticas, nutricionais ou farmacológicas que podem melhorar as propriedades de comunicação célula-célula que são perdidas com o envelhecimento. De especial interesse a esse respeito são as abordagens de DR para prolongar a vida saudável, e as estratégias de rejuvenescimento baseadas no uso de fatores sistêmicos transmitidos pelo sangue identificados em experimentos de parabiose. Além disso, a administração a longo prazo de agentes anti-inflamatórios, como a aspirina, pode aumentar a longevidade em camundongos e o envelhecimento saudável em humanos. Além disso, dado que o microbioma intestinal molda a função do sistema imunológico do hospedeiro e exerce efeitos metabólicos sistêmicos, parece possível prolongar a vida útil manipulando a composição e a funcionalidade do complexo e dinâmico ecossistema bacteriano intestinal do corpo humano CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS ➜ Uma visão global das 9 marcas de envelhecimento enumeradas permite agrupá-las em três categorias: primárias, antagônicas e integrativas. A característica comum das primárias é o fato de que todas são inequivocamente negativas. Este é o caso de danos ao DNA, incluindo aneuploides cromossômicas, mutações mitocondriais no DNA e perda de telômeros, deriva epigenética e proteostase defeituosa. As marcas antagônicas têm efeitos opostos, dependendo de sua intensidade. Em níveis baixos, eles mediam efeitos benéficos, mas em níveis altos, eles se tornam deletérios. Este é o caso da senescência, que protege o organismo do câncer, mas em excesso pode promover o envelhecimento; da mesma forma, as espécies reativas de oxigênio (ROS) mediam a sinalização celular e a sobrevivência, mas em níveis altos podem produzir danos celulares. Uma terceira categoria compreende as marcas integrativas, exaustão de células-tronco e comunicação intercelular alterada, que afetam diretamente a homeostase e a função dos tecidos. Apesar da interconexão entre as marcas, propomos algum grau de relação hierárquica entre elas. As marcas primárias podem ser os gatilhos iniciadores cujos eventos prejudiciais se acumulam com o tempo. As marcas antagônicas, sendo em princípio benéficas, tornam-se progressivamente negativas em um processo que é parcialmente promovido ou acelerado pelas marcas primárias. Finalmente, as marcas integrativas surgem quando os danos acumulados causados pelas marcas primárias e antagônicas não podem ser compensados por mecanismos homeostáticos teciduais. Como as marcas coexistem durante o envelhecimento e estão interconectadas, entender sua rede causal exata é um desafio emocionante para o trabalho futuro. ➜ A definição de marcas do envelhecimento pode contribuir para construir uma estrutura para estudos futuros sobre os mecanismos moleculares do envelhecimento, bem como para projetar intervenções para melhorar a saúde humana. ➜ No entanto, ainda há inúmeros desafios pela frente em relação à compreensão desse complexo processo biológico. ➜ O rápido desenvolvimento de tecnologias de sequenciamento de próxima geração pode ter um impacto especial na pesquisa de envelhecimento, facilitando a avaliação das mudanças genéticas e epigenéticas especificamente acumuladas por células individuais em um organismo envelhecido. ➜ Essas técnicas já estão sendo usadas para determinar a sequência de todo o genoma de indivíduos com longevidade excepcional, para realizar estudos genômicos comparativos entre espécies e cepas animais de curta e longa duração e para analisar mudanças epigenéticas associadas à idade na resolução máxima. ➜ Estudos paralelos in vivo com modelos animais de ganho ou perda de função serão necessários para ir além das análises correlativas e fornecer evidências causais a favor da implicação dessas marcas propostas no processo de envelhecimento. ➜ Além da caracterização de marcas individuais, as abordagens de biologia de sistemas serão necessárias para entender as ligações mecanicistas entre os processos que acompanham e levam ao envelhecimento. ➜ Além disso, a análise molecular das interações genoma-ambiente que modulam o envelhecimento ajudará a identificar alvos de drogas para a promoção da longevidade. Nós supomos que abordagens cada vez mais sofisticadas para desvendar as complexidades do envelhecimento normal, acelerado e atrasado acabarão resolvendo muitas das questões pendentes. Discutir as condições sociais e assistenciais do idoso ➜ É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular direitos às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. DO DIREITO À VIDA ➜ O envelhecimento é um direito e a sua proteção um direito social, nos termos desta Lei e da legislação vigente. ➜ É obrigação do Estado garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade. DO DIREITO À LIBERDADE, AO RESPEITO E À DIGNIDADE ➜ O direito à liberdade compreende, entre outros, os seguintes aspectos: I - ir, vir e estar nos lugares públicos e espaços comunitários II - opinião e expressão; III - crença e culto religioso; IV - prática de esportes e de diversões; V - participação na vida familiar e comunitária; VI - participação na vida política ➜ O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral, abrangendo a preservação da imagem, identidade, autonomia, valores, ideias e crenças, dos espaços e dos objetos pessoais. ➜ É dever de todos zelar pela dignidade do idoso, colocando-o a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. DOS ALIMENTOS ➜ Os alimentos serão prestados ao idoso na forma da lei civil. ➜ Se o idoso ou seus familiares não possuírem condições econômicas de prover o seu sustento, impõe-se ao Poder Público esse provimento, no âmbito da assistência social. DO DIREITO À SAÚDE ➜ É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde ➜ A prevenção e a manutenção da saúde do idoso serão efetivadas por meio de: �atendimento geriátrico e gerontológico em ambulatórios; �unidades geriátricas de referência �atendimento domiciliar ➜ Fornecer aos idosos, gratuitamente, medicamentos, especialmente os de uso contínuo, assim como próteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação. ➜ Ao idoso que esteja em condições mentais é assegurado o direito de optar pelo tratamento de saúde que lhe for reputado mais favorável.Não estando o idoso em condições de proceder à opção, esta será feita: I - pelo curador, quando o idoso for interditado; II - pelos familiares, quando o idoso não tiver curador ou este não puder ser contactado em tempo hábil; III - pelo médico, quando ocorrer iminente risco de vida e não houver tempo hábil para consulta a curador ou familiar; IV - pelo próprio médico, quando não houver curador ou familiar conhecido, caso em que deverá comunicar o fato ao Ministério Público. ➜ As instituições de saúde devem atender aos critérios mínimos para o atendimento às necessidades do idoso, promovendo o treinamento e a capacitaçãodos profissionais, assim como orientação a cuidadores familiares e grupos de auto-ajuda. DA EDUCAÇÃO, CULTURA, ESPORTE E LAZER ➜ O idoso tem direito à educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade. ➜ O Poder Público criará oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados. ➜ Os cursos especiais para idosos incluirão conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e demais avanços tecnológicos, para sua integração à vida moderna. ➜ Os idosos participarão das comemorações de caráter cívico ou cultural, para transmissão de conhecimentos e vivências às demais gerações, no sentido da preservação da memória e da identidade culturais. ➜ A participação dos idosos em atividades culturais e de lazer será proporcionada mediante descontos de pelo menos 50% nos ingressos para eventos, bem como o acesso preferencial aos respectivos locais. ➜ Os meios de comunicação manterão espaços ou horários especiais voltados aos idosos, com finalidade informativa, educativa, artística e cultural, e ao público sobre o processo de envelhecimento. ➜ O Poder Público apoiará a criação de universidade aberta para as pessoas idosas e incentivará a publicação de livros e periódicos, de conteúdo e padrão editorial adequados ao idoso, que facilitem a leitura, considerada a natural redução da capacidade visual. DA PROFISSIONALIZAÇÃO E DO TRABALHO ➜ O idoso tem direito ao exercício da atividade profissional, respeitadas suas condições físicas, intelectuais e psíquicas ➜ Na admissão do idoso em qualquer trabalho, é vedada a discriminação e a fixação de limite máximo de idade ➜ O 1º critério de desempate em concurso público será a idade, dando-se preferência ao de idade mais elevada. DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ➜ Os benefícios de aposentadoria e pensão do Regime Geral da Previdência Social observarão, na sua concessão, critérios de cálculo que preservem o valor real dos salários sobre os quais incidiram contribuição, nos termos da legislação vigente. ➜ A perda da condição de segurado não será considerada para a concessão da aposentadoria por idade, desde que a pessoa conte com, no mínimo, o tempo de contribuição correspondente ao exigido para efeito de carência na data de requerimento do benefício. DA ASSISTÊNCIA SOCIAL ➜ Aos idosos, a partir de 65 anos, que não possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado benefício mensal de 1 salário-mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) ➜ Todas as entidades de longa permanência, ou casa-lar, são obrigadas a firmar contrato de prestação de serviços com a pessoa idosa abrigada. ➜ No caso de entidades filantrópicas, ou casa-lar, é facultada a cobrança de participação do idoso no custeio da entidade. DA HABITAÇÃO ➜ O idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada. ➜ As instituições que abrigarem idosos são obrigadas a manter padrões de habitação compatíveis com as necessidades deles, bem como provê-los com alimentação regular e higiene indispensáveis às normas sanitárias e com estas condizentes, sob as penas da lei. DO TRANSPORTE ➜ Aos maiores de anos fica assegurada a gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semi-urbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando prestados paralelamente aos serviços regulares. ➜ Nos veículos de transporte coletivo, serão reservados 10% dos assentos para os idosos, devidamente identificados com a placa de reservado preferencialmente para idosos. ➜ No sistema de transporte coletivo interestadual observar-se-á, nos termos da legislação específica: I - a reserva de 2 vagas gratuitas por veículo para idosos com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos; II - desconto de 50%, no mínimo, no valor das passagens, para os idosos que excederem as vagas gratuitas, com renda igual ou inferior a 2 salários-mínimos Apresentar as mudanças na pirâmide etária da população brasileira ➜ Até os anos 1980 o Brasil era considerado um país jovem. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (2013), os anos de 1980 apresentaram importantes alterações demográficas no país, como o achatamento da base da pirâmide etária e o alargamento de seu ápice. A transição demográfica decorre de um envelhecimento pela base, isto é, advindo da queda das taxas de fecundidade, seguido por um envelhecimento pelo topo, ou seja, pela redução das taxas de mortalidade no substrato populacional de idade mais avançada. ➜ Destarte, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra por Domicílios (PNAD), em 2014 a população brasileira era de 203,2 milhões de pessoas, o que apresentou um crescimento de 0,9% em relação ao ano anterior, sendo que a participação dos idosos foi de 13,7% da população, o que significa um crescimento de 0,7% relativo a 2013 (IBGE, 2015). Em estudo recente salienta-se que um país é reconhecido como estruturalmente envelhecido, quando pelo menos 7% de sua população é composta por pessoas de 60 anos ou mais, o que de acordo com a PNAD mostra que o Brasil está envelhecendo ➜ Desse modo, projeta-se para 2025 uma população de 35 milhões de idosos, colocando o Brasil como o sexto maior país do mundo em número de pessoas idosas. Ainda, estima-se que em 2050 a população idosa brasileira atinja o patamar de 64 milhões de pessoas, representando uma proporção de um idoso para cada cinco pessoas ➜ Considerando a mudança do perfil etário da população, o Brasil apresentou, em 2007, o crescimento mais acentuado do grupo de pessoas com 75 anos ou mais de idade. As mulheres são maioria nesse grupo, numa razão de 79 homens para cada 100 mulheres ➜ Foi a partir de 1970 que o Brasil teve seu perfil demográfico transformado: de uma sociedade majoritariamente rural e tradicional, com famílias numerosas e alto risco de morte na infância, passou-se a uma sociedade principalmente urbana, com menos filhos e nova estrutura nas famílias brasileiras. ➜ Redução na taxa de mortalidade e natalidade Discutir o papel da família na atenção do idoso (como melhora na qualidade de vida, convívio social) ➜ O Estado e a família têm um papel primordial na proteção do idoso. De acordo com a Constituição Federal de 1988 é dever do Estado e da Família “amparar as pessoas idosas assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem estar e garantindo-lhes o direito à vida”. Porém, diversos conflitos se instalam no seio familiar assim que os pais envelhecem e começam a precisar comumente do cuidado familiar. ➜ De acordo com Mendes, et; al (2005) a família responde pela segurança emocional do idoso, pela manutenção de seu vínculo social e contribui significativamente para a sua qualidade de vida.