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Responsabilidade Civil
CONCEITO
• “(...)ligação jurídica realizada entre a conduta 
ou atividade antecedente e o dano, para fins 
de imputação da obrigação ressarcitória”. 
(CAITLIN MULHOLLAND apud FARIAS, 
2019:556)
• - A noção de causalidade é lógico- jurídica, pois 
depende do valor atribuído pelo legislador a 
conduta antecedente.
• - A determinação do nexo de causalidade em 
duas situações com Fatos e danos idênticos 
poderá variar, por exemplo, caso a 
responsabilidade seja objetiva ou subjetiva.
EXEMPLO
• Empregada Paula que ao servir café para João, 
terceiro, tem um mal súbito e desconhecido e 
derrama o líquido quente, lesionando João.
- Caso tal fato ocorra numa Cafeteria, poderá o 
dono ser responsabilizado.
Caso ocorra em uma residência não haverá nexo 
de causalidade, sendo tal fato considerado Caso 
Fortuito/Força Maior.
• (...)a causalidade física é suplantada por uma 
causalidade jurídica, normativa, na qual a 
identificação da causalidade não resultará 
propriamente de um liame entre o dano e um 
fato, mas sim entre o evento lesivo e o fator 
de atribuição previamente selecionado pelo 
legislador.(FARIAS, 2019:556)
FUNÇÕES
• - Pressuposto da responsabilidade
• - Determinar a extensão da responsabilidade 
(valor da indenização). (CC/2002, art. 403)
• Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo 
do devedor, as perdas e danos só incluem os 
prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito 
dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto 
na lei processual.
• “ No setor da responsabilidade civil, o nexo causal exercita duas funções: 
a primeira (e primordial) é a de conferir a obrigação de indenizar aquele 
cujo comportamento foi a causa eficiente para a produção do dano. 
Imputa-se juridicamente as consequências de um evento lesivo a quem os 
produziu (seja pela culpa ou risco, conforme a teoria que se adote). A seu 
turno, a segunda função será a de determinar a extensão desse dano, a 
medida de sua reparação. Ou seja, pela relação da causalidade seremos 
capazes de determinar quem repara o dano e quais os efeitos danosos que 
serão reparados”. (FARIAS, 2019:556)
TEORIAS
• - Teoria da equivalência das condições/dos 
antecedentes causais.
• - Teoria da causalidade adequada
• - Teoria da causalidade direta e imediata
Teoria da equivalência das condições
• - Todos as condições que influenciam no 
resultado são consideradas causa.
• “Pela teoria da equivalência das condições, toda e qualquer circunstância que haja 
concorrido para produzir o dano é considerado como causa. A sua equivalência 
resulta de que, suprimida uma delas, o dano não se verifica”(GONÇALVES, 
2019:526)
• Para Teoria da equivalência das Condições:
• CONDIÇÃO (Circunstâncias) = CAUSA
• - Para determinar se determinada circunstância é 
causa, utiliza-se a Formula de eliminação 
hipotética.
• “Observe que, da última parte do dispositivo, 
pode-se extrair uma fórmula de eliminação 
hipotética (de Thyrén), segundo a qual causa 
seria todo o antecedente que, se eliminado, faria 
com que o resultado desaparecesse”. 
(GAGLIANO, 2019:153) 
Exemplo: Morte por disparo de arma de fogo - Condições
Venda da 
Arma e Munição
Fabricação 
da Munição
Disparo 
da Arma 
Fabricação da 
Arma
Morte da 
Vítima
pólvora
Aço
• - Adotada no CPB – art. 13
• Art. 13. O resultado, de que depende a existência do crime, somente é
• imputável a quem lhe deu causa. Considera-se a causa a ação ou
• omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
•
CRITICA
• - Investigação ao Infinito do nexo causal
• “Nas palavras de GUSTAVO TEPEDINO, em excelente artigo 
sobre o nexo causal, “a inconveniência desta teoria, logo 
apontada, está na desmesurada ampliação, em infinita espiral 
de concausas, do dever de reparar, impu-tado a um sem-
número de agentes. Afirmou-se, com fina ironia, que a 
fórmula tenderia a tornar cada homem responsável por todos 
os males que atingem a humanidade” (GUSTAVO TEPEDINO 
apud GAGLIANO, 2019:153)
• “Nessa linha, se o agente saca a arma e dispara o
projétil, matando o seu desafeto, seria
considerado causa, não apenas o disparo, mas
também a compra da arma, a sua fabricação, a
aquisição do ferro e da pólvora pela indústria
etc., o que envolveria, absurdamente, um
número ilimitado de agentes na situação de
ilicitude” (GUSTAVO TEPEDINO apud GAGLIANO,
2019:153)
Teoria da causalidade adequada
• - Para essa teoria, somente o fato, 
abstratamente considerado, segundo um juízo 
de probabilidade, que possa ser considerado 
adequado a causar o resultado será 
considerado causa.
• “Para os adeptos desta teoria, não se poderia 
considerar causa “toda e qualquer condição que 
haja contribuído para a efetivação do resultado”, 
conforme sustentado pela teoria da equivalência, 
mas sim, segundo um juízo de probabilidade, 
apenas o antecedente abstratamente idôneo à 
produção do efeito danoso(...),(GAGLIANO, 
2019:154)
• - Considerar de forma abstrata é ignorar as 
circunstâncias especiais do caso concreto.
- Fazer o juízo de probabilidade é estabelecer se 
determinado tipo de conduta, normalmente 
conduz a determinada espécie de resultado(dano).
• - Assim a pergunta que deve ser respondida 
pelo julgador é, se determinada conduta, 
considerada de forma abstrata, normalmente 
conduziria aquele tipo de resultado. 
EXEMPLO
• “Retornemos, pois, ao exemplo do vendedor do boi
infectado cuja venda gerou não apenas a morte do
animal, como também e, consequentemente, a
morte de 100 reses, a perda da safra, a alienação
judicial da fazenda da vítima, a internação de sua
esposa e o seu próprio decesso. Em toda essa trágica
espiral, o vendedor do animal responderia por
qual(is) dano(s)?” (FARIAS, 2019:563)
• “Tendo como suporte a teoria da causalidade adequada, o 
magistrado realizará uma análise do processo causal em 
abstrato, segundo a estatística. Nessa prognose, a posteriori, 
de caráter retrospectivo, serão ignoradas as circunstâncias 
especiais do caso concreto, pois a investigação será 
direcionada a compreender o curso natural dos 
acontecimentos todas as vezes que uma pessoa vende um 
animal doente para outra sem lhe revelar a patologia 
incubada”. (FARIAS, 2019:563)
• “Em outras palavras, segundo as regras da experiência, a morte
de 100 animais, a perda da safra, a internação da esposa e o
suicídio seriam consequências ordinárias daquele negócio
jurídico? Se a resposta for positiva, ou seja, se o juiz entender que
regularmente os resultados seriam estes, forma-se um juízo de
probabilidade pela condenação. Mas, se a prognose concluir que
essa relação de causa e efeito é extraordinária no mundo real,
que essas consequências são estranhas à normalidade e que só se
manifestariam por força de circunstâncias especiais, a causa
(venda de uma vaca) não será tida como adequada e a demanda
será julgada improcedente”. (FARIAS, 2019:563)
Exemplo: João presenteia Pedro com uma passagem aérea. Pedro
utiliza a passagem e falece em decorrência de um acidente aéreo. A
conduta de João poderá ser considerada causa do acidente?
Fato considerado 
de forma abstrata: 
Dar de presente 
uma passagem 
aérea
Resposta: Não há nexo 
de causalidade.
A conduta não é 
adequada para causar o 
resultado 
Juízo de 
Probabilidade:
Normalmente leva a 
um acidente de avião
CRITICA
• - Acentuado Grau de Discricionariedade do Julgador.
• “Se a teoria anterior peca por excesso, admitindo uma 
ilimitada investigação da cadeia causal, esta outra, a despeito 
de mais restrita, apresenta o incon-veniente de admitir um 
acentuado grau de discricionariedade do julgador, a quem 
incumbe avaliar, no plano abstrato, e segundo o curso normal 
das coisas, se o fato ocorrido no caso concreto pode ser 
considerado, realmente, causa do resultado danoso.” 
(GAGLIANO, 2019:156)
Teoria da Causalidade Direta ou Imediata/ Interrupção do Nexo
Causal
• “Causa, para esta teoria, seria apenas o 
antecedente fático que, ligado por um vínculo 
de necessariedade ao resultado danoso,determinasse este último como uma 
consequência sua, direta e imediata”. 
(GAGLIANO, 2019:156)
• (...)a análise se faz em concreto, avaliando-se
unicamente o contexto em que se situavam as
partes para ao cabo se concluir se o dano
necessariamente se justifica pelo
comportamento do agente, ou seja, se ele foi
uma consequência certa do ilícito.” (FARIAS,
2019:568)
• - o Julgador avaliar dentre as diversas 
circunstâncias ocorridas, qual teria sido 
determinante (necessária) para o resultado, e 
por conseguinte sua causa direta.
Exemplo: João presenteia Pedro com uma passagem aérea. Pedro
utiliza a passagem e falece em decorrência de um acidente aéreo. A
conduta de João poderá ser considerada causa do acidente?
Fato considerado 
de forma concreta: 
João presentear 
Pedro com uma 
passagem aérea
Resposta: Não há nexo 
de causalidade.
A conduta não foi causa 
determinante (direta) 
para o resultado 
Aferição da relação de 
necessariedade:
Foi causa
determinante para o
acidente?
• “Caio é ferido por Tício (lesão corporal), em uma discussão após a
final do campeonato de futebol. Caio, então, é socorrido por seu
amigo Pedro, que dirige, velozmente, para o hospital da cidade.
No trajeto, o veículo capota e Caio falece. Ora, pela morte da
vítima, apenas poderá responder Pedro, se não for reconhecida
alguma excludente em seu favor. Tício, por sua vez, não res-
ponderia pelo evento fatídico, uma vez que o seu comportamento
determinou, como efeito direto e imediato, apenas a lesão
corporal”. (GAGLIANO, 2019:157)
EXEMPLO CLÁSSICO
• Note-se, portanto, que a interrupção do nexo causal
por uma causa superveniente, ainda que
relativamente independente da cadeia dos acon-
tecimentos (capotagem do veículo) impede que se
estabeleça o elo entre o resultado morte e o
primeiro agente, Tício, que não poderá ser
responsabilizado”. (GAGLIANO, 2019:157)
Caio é ferido por 
Tício
Caio chega ao hospital.
Possibilidades: Cura ou 
óbito 
Caio é socorrido e 
levado de ambulância
FLUXO 
NORMAL
INTERRUPÇÃO DO 
NEXO CAUSAL
TEORIA ADOTADA NO BRASIL
• - Divergência Doutrinária –
• Causalidade Adequada: Sergio Cavalieri (2019:67),
Cristiano Chaves de Farias (2019:568) entre outros
• Causalidade Direta ou Imediata: Pablo Stolze
Gagliano (2019:159) , Carlos Roberto Gonçalves
(2019:

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