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Índice para catálogo sistemático: Crônicas brasileiras Literatura gravataiense FICHA CATALOGRÁFICA Bibliotecária responsável Bruna Abatti Chaffe CRB-10/2017 R332 Referencial do território de Gravataí/ Gravataí: SMED, 2019 889 p. I. Título II. Educação II. Educação em Gravataí CDU 37(816.5) MARCO AURÉLIO SOARES ALBA PREFEITO ÁUREO MUNIZ TEDESCO VICE-PREFEITO SONIA OLIVEIRA SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO SILVANA TERESINHA SILVEIRA PRESIDENTE DO CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE GRAVATAÍ (CMEG) MAGDA ELY COORDENADORA PEDAGÓGICA KATIUSCIA DE ALMEIDA CUSTODIO ORGANIZADORA E COORDENADORA GERAL DO REFERENCIAL DO TERRITÓRIO DE GRAVATAÍ COMISSÃO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO ATUANTE NO REFERENCIAL DO TERRITÓRIO DE GRAVATAÍ ADRIANA CONCEIÇÃO SANTOS DOS SANTOS LICENCIADA EM PEDAGOGIA – SUPERVISÃO ESCOLAR ESPECIALISTA EM METODOLOGIA E EM ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO ENSINO MESTRA EM EDUCAÇÃO TEXTOS INTRODUTÓRIOS AGNALDO DE LIMA E SILVA LICENCIADO E BACHAREL EM GEOGRAFIA ESPECIALISTA EM MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE ÁREA DAS CIÊNCIAS HUMANAS CAROL RODRIGUEZ MUNNÉ LICENCIADA EM BIOLOGIA ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA DANIELA DOS SANTOS LICENCIADA EM MATEMÁTICA, ESPECIALISTA EM GESTÃO ESCOLAR ÁREA DE MATEMÁTICA GISELA MARIA LEWANDOWSKI NAVARINI LICENCIADA EM PEDAGOGIA, ESPECIALISTA EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL E CLÍNICA ÁREA DE ENSINO RELIGIOSO GIZELA LUCENA DA SILVEIRA LICENCIADA EM PEDAGOGIA, ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSIVA, PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL E GESTÃO ESCOLAR ÁREA DA EDUCAÇÃO INFANTIL JANES SOLON MALHEIROS LICENCIADO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, ESPECIALISTA EM MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA KATIUSCIA DE ALMEIDA CUSTODIO LICENCIADA EM LETRAS, HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA INGLESA E LITERATURAS DA LÍNGUA PORTUGUESA, INGLESA E NORTE-AMERICANA ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO DE SURDOS, GESTÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO MESTRA EM LINGUÍSTICA APLICADA ÁREA DE LINGUAGENS LEA ARAÚJO MONDO LICENCIADA EM PEDAGOGIA, ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO INCLUSIVA, INSPEÇÃO ESCOLAR E EDUCAÇÃO INFANTIL ÁREA DO ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS NAYALA SILVA RAMOS LICENCIADA EM PEDAGOGIA, ESPECIALISTA EM PSICOPEDAGOGIA E SUPERVISÃO ESCOLAR ÁREA DO ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS TAÍS MARTINEZ ANJOS TRINDADE LICENCIADA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO INCLUSIVA (SMED) TEXTOS INTRODUTÓRIOS REDATORES E COLABORADORES DOS COMPONENTES CURRICULARES ARTE MARCIA ISABEL TEIXEIRA DE VARGAS LICENCIADA EM ARTES VISUAIS BACHAREL EM MUSEOLOGIA ESPECIALISTA EM SUPERVISÃO ESCOLAR (EMEF PRES. GETÚLIO VARGAS) MIRIAM ROSANGELA BARBOSA ESPECIALISTA EM ENSINO DA ARTE (EMEF INSTITUTO BAHA’I) CIÊNCIAS DA NATUREZA FERNANDA DA SILVA MOREIRA DOUTORA EM GENÉTICA E BIOLOGIA MOLECULAR (EMEF BRENO JARDIM GARCIA) EDUCAÇÃO FÍSICA GABRIEL HAHN TOSCA ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR (EMEM SANTA RITA DE CÁSSIA) SINARA FERREIRA DE SOUZA LICENCIADA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, ESPECIALISTA EM GESTÃO ESCOLAR: SUPEVISÃO / ORIENTAÇÃO, ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO, EDUCAÇÃO INTEGRAL INTEGRADA, NEUROPSICOPEDAGOGIA E EDUCAÇÃO ESPECIAL, PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL E CLÍNICA, NEUROCIÊNCIA E APRENDIZAGEM (EMEF PRES. TANCREDO NEVES) EDUCAÇÃO INFANTIL ANDRÉIA JARDIM PINHEIRO ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO INFANTIL E ARTICULAÇÃO EM ENSINO FUNDAMENTAL (EMEI OLENCA VALENTE) GREYCE DA SILVA RODRIGUES ESPECIALISTA EM PSICOMOTRICIDADE (EMEI BARRO VERMELHO) ILZA MARIA ALVES DOS REIS ESPECIALSTA EM EDUCAÇÃO INFANTIL (EMEF AUGUSTO LONGONI) ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS CARINA FABIANA SOARES GRADUADA EM PEDAGOGIA, ESPECIALISTA EM NEUROPSICOPEDAGOGIA (EMEF VILA NEÓPOLIS) DANIELE HECK ALBRECHT GRADUADA EM PEDAGOGIA, ESPECIALISTA EM SUPERVISÃO ESCOLAR (EMEI BARNABÉ / EMEF DUQUE DE CAXIAS) LARISSA CARDOSO PAIXÃO FAORO HABILITAÇÃO EM ENSINO FUNDAMENTAL – SÉRIES INICIAIS (EMEF ANTÔNIO AIRES DE ALMEIDA) REGINA SANTOS DO COUTO GRADUADA EM PEDAGOGIA, ESPECIALISTA EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL E CLÍNICA (EMEF AUGUSTO LONGONI) THAIS DE ASSIS ROCHA GRADUADA EM PEDAGOGIA, ESPECIALISTA EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL E CLÍNICA (EMEF JOSÉ MARIANO GARCIA MOTTA) ENSINO RELIGIOSO LIZANDRA AZEVEDO DA CUNHA GRADUADA EM LETRAS, ESPECIALISTA EM SUPERVISÃO EDUCACIONAL (EMEF ÁUREA CELI BARBOSA) MARCO AURÉLIO FIGUEIREDO LICENCIADO EM GEOGRAFIA (EMEF CERRO AZUL) GEOGRAFIA ALEXANDRE DALLA BARBA DE ALMEIDA MESTRE EM ENSINO DA GEOGRAFIA (EMEF VILA NEÓPOLIS) ANELISE SILVEIRA CARDOSO MESTRA EM GEOGRAFIA (EMEF BRENO JARDIM GARCIA) HISTÓRIA NICOLL SIQUEIRA DA ROSA MESTRA EM HISTÓRIA (EMEF PREF. JOSÉ LINCK) TUANE LUDWIG DIHL MESTRA EM ESTUDOS HISTÓRICOS LATINO-AMERICANOS (EMEF DUQUE DE CAXIAS) LÍNGUA INGLESA E LÍNGUA PORTUGUESA ANDREZA RAQUEL NUNES FREITAS LICENCIADA EM LETRAS, HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA INGLESA E LITERATURAS DA LÍNGUA PORTUGUESA, INGLESA E NORTE-AMERICANA ESPECIALISTA EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL (EMEF ANTONIO RAMOS DA ROCHA / EMEF VINÍCIUS DE MORAES) ANE MINUZZO LICENCIADA EM LETRAS, HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA INGLESA E LITERATURAS DA LÍNGUA PORTUGUESA, INGLESA E NORTE-AMERICANA, ESPECIALISTA EM LITERATURA BRASILEIRA (EMEF ALBINO DIAS DE MELO) MATZA FABIANA RAMOS DA SILVA LICENCIADA EM LETRAS, HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA INGLESA E LITERATURAS DA LÍNGUA PORTUGUESA, INGLESA E NORTE-AMERICANA, ESPECIALISTA EM METODOLOGIA DE ENSINO NA LÍNGUA PORTUGUESA E INGLESA (EMEF PRES. JOÃO GOULART) ROBERTA FONSECA BORTOLUZZI LICENCIADA EM LETRAS, HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA INGLESA E LITERATURAS DA LÍNGUA PORTUGUESA, INGLESA E NORTE-AMERICANA, ESPECIALISTA NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA (EMEF OSÓRIO RAMOS CORRÊA) MATEMÁTICA DANIELA ALÓS DA COSTA LICENCIADA EM MATEMÁTICA ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO INCLUSIVA (EMEF VINÍCIUS DE MORAES) RUBENS ROSA DA SILVA ESPECIALISTA EM METODOLOGIA DE ENSINO DA MATEMÁTICA PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA (EMEF JERÔNIMO TIMÓTEO DA FONSECA) TEXTOS INTRODUTÓRIOS ADRIANA CONCEIÇÃO SANTOS DOS SANTOS LICENCIADA EM PEDAGOGIA – SUPERVISÃO ESCOLAR ESPECIALISTA EM METODOLOGIA E EM ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO ENSINO MESTRA EM EDUCAÇÃO ALEXANDRA GNOATTO LICENCIADA EM PEDAGOGIA, ESPECIALISTA EM PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR, EDUCAÇÃO INCLUSIVA, LIBRAS – LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS, EDUCAÇÃO ESPECIAL – DEFICIÊNCIA AUDITIVA (ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL ESPECIAL PARA SURDOS) ANA PAULA BRAUN GRADUADA EM PEDAGOGIA SUPERVISÃO ESCOLAR, ESPECIALISTA EM ORIENTAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR (EMEF DUQUE DE CAXIAS) BIANCA MIGLIAVACCA GRADUADA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, ESPECIALISTA EM SUPERVISÃO ESCOLAR (EMEF BRENO JARDIM GARCIA) CLAUDIA MARIA PANASSOLO REBÉS GRADUADA EM PEDAGOGIA SÉRIES INICIAIS, ESPECIALISTA EM SUPERVISÃO ESCOLAR (EMEF AUGUSTO LONGONI) EVANISE LUZ LICENCIADA EM LETRAS PORTUGUÊS E LITERATURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA, ESPECIALISTA EM DEFICIÊNCIA AUDITIVA, PSICOPEDAGOGIA DO MENOR CARENTE, SUPERVISÃO EORIENTAÇÃO EDUCACIONAL (ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL ESPECIAL PARA SURDOS) FABIANA BARCELLA MILANEZI LICENCIADA EM LETRAS, ESPECIALISTA EM SUPERVISÃO ESCOLAR (SMED / EMEF DORIVAL CÂNDIDO LUZ DE OLIVEIRA) MARIUR INÊS RIBEIRO BATISTA LICENCIADA EM PEDAGOGIA SÉRIES INICIAIS E SUPERVISÃO ESCOLAR, ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL (ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL ESPECIAL PARA SURDOS) MARLEI URSSULIN DA ROSA LICENCIADA EM PEDAGOGIA, ESPECIALISTA EM PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL, DÉFICIT COGNITIVO E EDUCAÇÃO DE SURDOS PATRICK GONÇALVES ESPECIALISTA EM PSICOMOTRICIDADE E SUPERVISÃO ESCOLAR, MESTRE EM CIÊNCIAS DO MOVIMENTO HUMANO (ESCOLA MUNCIPAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL CEBOLINHA) SILVIA REGINA SILVEIRA ASSISTENTE SOCIAL, DOUTORA EM SERVIÇO SOCIAL (ESCOLA MUNCIPAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL CEBOLINHA) REVISORES ORTOGRÁFICOS ANDREZA RAQUEL NUNES FREITAS ANE MINUZZO KATIUSCIA DE ALMEIDA CUSTODIO MATZA FABIANA RAMOS DA SILVA ROBERTA FONSECA BORTOLUZZI SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 14 1. GRAVATAÍ ENTRE O PASSADO E O PRESENTE: ECONOMIA, ........................................... 17 CULTURA E INTEGRAÇÃO ........................................................................................................... 17 2. PRINCÍPIOS ORIENTADORES DO DOCUMENTO ................................................................ 23 2.1 EDUCAÇÃO ..................................................................................................................... 23 2.2 APRENDIZAGEM ............................................................................................................. 28 2.3 CURRÍCULO .................................................................................................................... 33 2.4 EDUCAÇÃO INTEGRAL................................................................................................... 37 2.5 AVALIAÇÃO ..................................................................................................................... 39 2.6 FORMAÇÃO CONTINUADA ............................................................................................ 42 2.7 AS COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC ........................................................................ 45 2.8 A TRANSVERSALIDADE DOS TEMAS COTIDIANOS ..................................................... 50 3. MODALIDADES DE ENSINO .................................................................................................. 54 3.1 EDUCAÇÃO DO CAMPO E AS NOVAS RURALIDADES ..................................................... 54 3.2 EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA ................................................................................ 59 3.3 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS ................................................................................ 65 3.4 A EDUCAÇÃO ESPECIAL NO MUNICÍPIO DE GRAVATAÍ .................................................. 70 3.4.1 ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL CEBOLINHA .................................. 82 3.4.2 ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL ESPECIAL PARA SURDOS (EMEES) ................................................................................................................................. 86 4. ETAPA DA EDUCAÇÃO INFANTIL ......................................................................................... 90 4.1 BEBÊS (ZERO A 1 ANO E 6 MESES) .................................................................................. 94 4.2 CRIANÇAS BEM PEQUENAS (1 ANO E 7 MESES A 3 ANOS E 11 MESES) .................... 106 4.3 CRIANÇAS PEQUENAS (4 ANOS A 5 ANOS E 11 MESES) .............................................. 122 5. A ETAPA DO ENSINO FUNDAMENTAL ............................................................................... 139 5.1 ÁREA DE LINGUAGENS ................................................................................................ 145 5.1.1 ARTE ....................................................................................................................... 147 5.1.2 EDUCAÇÃO FÍSICA ................................................................................................ 161 5.1.3 LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS ........................................................................... 249 5.1.4 LÍNGUA INGLESA ................................................................................................... 261 5.1.5 LÍNGUA PORTUGUESA ......................................................................................... 300 5.2 ÁREA DA MATEMÁTICA ................................................................................................ 482 5.2.1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................. 482 5.2.2 CONCEPÇÕES DA ÁREA DA MATEMÁTICA .............................................................. 482 5.3 ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA ............................................................................ 626 5.4 ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS ................................................................................... 677 5.4.1 GEOGRAFIA ........................................................................................................... 680 5.4.2 HISTÓRIA ............................................................................................................... 758 5.5 ÁREA DE ENSINO RELIGIOSO ..................................................................................... 857 14 INTRODUÇÃO A Base Nacional Comum Curricular1 (doravante, BNCC) foi homologada em dezembro de 2017, após um extenso trabalho de construção coletiva efetivado sob a coordenação do MEC e da participação dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, além da ampla participação da sociedade. Sua criação já estava contemplada de forma indireta na Constituição Federal de 19882, no artigo 210, no qual se explicita a necessidade de determinar “conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais”. Posteriormente, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional3 (Lei 9.394/96), o inciso IV do Artigo 9º, determina como estando a União incumbida de, juntamente com Estados, Distrito Federal e municípios, estabelecer competências e diretrizes a fim de nortear os currículos de toda a Educação Básica, assegurando uma formação básica comum. Também o PNE4 de 2014 enfatiza a necessidade de haver uma base comum nos currículos, garantindo a diversidade regional e local. Dessa forma, a BNCC é um documento normativo que tem como proposta, garantir uma gama de aprendizagens essenciais que devem ser comuns a todos os estudantes brasileiros, visando à igualdade e à equidade da educação nacional. Igualdade no sentido de oportunizar as mesmas aprendizagens e equidade ao garantir o mesmo direito de aprendizagem a todos os alunos, reconhecendo que os estudantes têm diferentes necessidades que devem ser levadas em consideração ao se construir os currículos, contudo, sem negar a possibilidade que estados e municípios construam sua parte diversificada, considerando suas características locais. Assim, em dezembro de 2018, pautado sobre as competências gerais estabelecidas pela BNCC, o Referencial Curricular Gaúcho5 (doravante RCG) é homologado, após uma construção colaborativa entre Secretaria de Estado da Educação do Rio Grande do Sul (SEDUC/RS), União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação do Rio Grande do Sul (UNCME-RS) e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação do Rio Grande do Sul (UNDIME/RS) e 1 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. 2 BRASIL. Constituição da RepúblicaFederativa do Brasil. Presidência da República. 5 de outubro de 1988. Brasília, DF. 3 BRASIL. Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Presidência da República. Brasília, DF. 4 BRASIL. Lei nº 13.005. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Plano Nacional de Educação PNE 2014-2024: Linha de Base. – Brasília, DF: Inep, 2015. 5 RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Departamento 15 Pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial Curricular Gaúcho. Porto Alegre, 2018. 16 a participação de professores e da sociedade em geral. O RCG apresenta as especificidades de nosso Estado e orienta as escolas a construírem os seus currículos e os municípios seus documentos orientadores que incluirão sua parte diversificada. Seguindo nesse direcionamento de inserir a parte diversificada significativa dos diversos municípios gaúchos, apresentamos o Referencial do Território de Gravataí (doravante, RTG), documento orientador das escolas que oferecem as etapas da Educação Básica situadas em nosso município. O RTG busca contribuir com os conceitos já dispostos na BNCC e no RCG, trazendo as especificidades de nossa cidade: nossa cultura, nossas tradições, nossas características, nossas perspectivas enquanto conhecedores do local onde atuamos e que desejamos construir uma educação de mais qualidade, seguindo os princípios preconizados pela BNCC de igualdade e equidade. A construção do RTG foi coordenada pela Secretaria Municipal de Educação, a qual disponibilizou às redes pública e privada de ensino formas de participação e de contribuição. O trabalho foi consolidado com a atuação de educadores desejantes das diversas áreas que atuam em escolas da rede municipal e houve a contribuição de profissionais das diversas escolas da rede municipal e algumas escolas privadas de educação infantil. A orientação e aprovação do presente documento foi efetivada pelo Conselho Municipal de Educação de Gravataí. O RTG está disposto em três partes fundamentais: os textos introdutórios que trazem as concepções norteadoras para a educação, além das diversas modalidades presentes no Município; a Etapa da Educação Infantil; e a Etapa do Ensino Fundamental, organizado por Áreas do Conhecimento, do 1º ao 9º ano. O presente Documento, mais do que apenas cumprir sua função legal, almeja contribuir como um balizador, estabelecendo diretrizes e destacando aspectos relevantes que orientarão a construção dos currículos escolares. Katiuscia de Almeida Custodio Coordenadora Geral do Documento do Território de Gravataí 17 1. GRAVATAÍ ENTRE O PASSADO E O PRESENTE: ECONOMIA, CULTURA E INTEGRAÇÃO Agnaldo de Lima e Silva Alexandre Dalla Barba de Almeida Anelise Silveira Cardoso Nicoll Siqueira da Rosa Tuane Ludwig Dihl Gravataí é um município do Estado do Rio Grande do Sul localizado na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). Sua área é de 467,54 km², de acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano de Gravataí (SMDUR - GEPRO), e possui como limítrofes os municípios de Glorinha (a leste), Novo Hamburgo e Taquara (ao norte), Sapucaia do Sul e Cachoeirinha (a oeste), e Viamão e Alvorada (ao sul). A população, de acordo com estimativas do IBGE (2017), é de 275.146 habitantes, sendo o sexto município gaúcho entre as maiores concentrações populacionais do Estado. As características físico-geográficas da paisagem gravataiense transformaram a região num local de passagem de paleoindígenas6, uma vez que é um ponto de confluência entre serra e litoral, além da presença de um importante corpo de água, o Rio Gravataí7. A formação de Gravataí está inserida no contexto das disputas ibéricas por territórios no sul da América. Em 1750, as Coroas portuguesa e espanhola assinaram o Tratado de Madri, no qual acordaram que Portugal devolveria a colônia de Sacramento8 à Espanha em troca dos Sete Povos das Missões9. Contudo, os Guarani habitantes dessas reduções dificultaram a efetivação do referido arranjo ao resistirem à desapropriação do local, guerreando durante anos contra espanhóis e portugueses no confronto conhecido como Guerra Guaranítica (1754 - 1756). Milhares de nativos fugiram desse conflito e estabeleceram-se em território português, principalmente nas proximidades de Rio Pardo - região localizada no limite entre as duas Coroas. Interessados em manter os indígenas missioneiros sobre seu controle e preocupados com a 6 O termo refere-se aos primeiros povos indígenas povoadores do continente americano. 7 SOUZA, José Otávio Catafesto de. Do passado originário ao presente etnográfico: trajetória das coletividades indígenas na região de Gravataí. In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Tomo 1. Porto Alegre: Edições EST, 2011, p.53. 8 Foi fundada em 1680 por portugueses no atual território do Uruguai, que naquela pertencia aos domínios espanhóis na América. 9 Diz respeito ao conjunto de sete aldeamentos indígenas formados por Jesuítas espanhóis na região nordeste do atual Rio Grande do Sul. Também era chamado de Missões Orientais em razão da localização a leste do Rio Uruguai. 18 possibilidade dos espanhóis os recambiar, Portugal procurou afastá-los da proximidade dos castelhanos10. Por volta de 1760, iniciou-se sob o comando do Capitão Antônio Pinto Carneiro, a transferência de mais de mil Guarani de Rio Pardo para o interior da província, especificamente para as terras correspondentes hoje à Gravataí que na época pertenciam à Freguesia de Viamão. Foi para abrigar esse contingente originário dos Sete Povos das Missões que a Aldeia Nossa Senhora dos Anjos formou-se11. Embora não se tenha registro da data exata de sua criação, convencionou-se o dia 8 de abril de 1763 como marco oficial, ainda que exista documentação a respeito de doação de sesmarias na região a portugueses e luso-brasileiros desde 175512. Somente a partir de 1769, com o governador José Marcelino de Freitas, a organização da Aldeia recebeu mais atenção, tanto que nessa época tornou- se o maior aldeamento indígena do Rio Grande do Sul, comportando cerca de 3 mil pessoas. Entre as instruções e intervenções propostas por José Marcelino destacaram-se a uniformização dos valores para a utilização do trabalho dos indígenas pelos moradores e a promoção da ocidentalização dos mesmos, através do ensino da língua portuguesa e da erradicação das línguas, danças e festas da cultura Guarani13. Entre as atividades econômicas da Aldeia dos Anjos nessa época, é possível citar resumidamente a existência de fábricas de tijolo, louça e telha, moinhos para produção de farinha, e a própria Estância dos Povos que foi criada para prover o sustento dos que aqui viviam. Com o fim do governo de José Marcelino, iniciou-se um processo de exploração privada da Aldeia dos Anjos, o qual foi acompanhado por um rápido declínio populacional no local: em 1770 existiam 2.618 indígenas; em 1774 somente 884. O declínio seguiu durante o século XVIII, de modo que no século XIX já não existia quase nada do aldeamento14. Ainda que o próprio nome Gravataí remeta a essa influência guaranítica em sua formação, uma vez que a etimologia da palavra é proveniente da língua guarani (“gravatá” é o nome de uma espécie de planta abundante na região e “hy” significa rio), apenas, recentemente, a memória do aldeamento passou a ser revigorada. Afinal, foi 10 NEIS, Mons Ruben. A aldeia de Nossa Senhora dos Anjos. In: SIMPÓSIO ESTADUAL SOBRE A CULTURA GRAVATAIENSE, 1º, 1987. Anais... Porto Alegre: Evangraf, p.170. 11 Embora esses Guarani sejam originários dos Sete Povos das Missões, não se pode considerar que a Aldeia dos Anjos, construída para abrigá-los, seja uma Missão Jesuítica. Afinal, não se reproduziram aqui os modelos de organização e catequização existentesna região missioneira. 12 RAMOS, Eloísa Helena Capovilla da Luz. A terra e os moradores da região do Rio Gravataí (Séc. XVIII). In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Tomo 1. Porto Alegre: Edições EST; Evangraf, 2011. 13 KÜHN, Fábio. O “Governo dos Índios”: a Aldeia dos Anjos durante a administração de José Marcelino de Figueiredo (1769-1780). In: ESCRAVIDÃO E LIBERDADE NO BRASIL MERIDIONAL, 3º, Anais. , Florianópolis, 2007, p.4. 14 Idem, p.13. 19 em 2019 que se criou um monumento para esse fim: a Cruz Missioneira na rótula que liga a Avenida Centenário a ERS-118. Após 46 anos da oficialização da Aldeia dos Anjos, o local tornou-se distrito de Porto Alegre através da Provisão Real de 7 de outubro de 1809. Em 11 de junho de 1880, Nossa Senhora dos Anjos adquiriu a condição de vila e, meses depois, em 23 de outubro de 1880, foi elevada a município. Nesse percurso deve-se destacar novamente a importância da localização geográfica de Gravataí como de integração. Dada a proximidade em relação a Porto Alegre e estando no caminho para o litoral norte e Santo Antônio da Patrulha, inúmeras carretas de mercadorias passavam por aqui, indo e vindo desses e para esses locais15. A memória sobre o meio de transporte que movimentou a economia gravataiense no século XIX é cultivada até os dias de hoje entre os habitantes da cidade, uma vez que, anualmente, ocorre a Carreteada Estadual de Gravataí. O evento é realizado desde 1987 com o apoio da Prefeitura, mas se iniciou anos antes através da idealização do casal Ramon e Eleonora16. A Festa da Carreteada, como é popularmente chamada, reúne centenas de carreteiros que realizam o tradicional Desfile das Carretas e acampam no Recanto das Carretas – espaço localizado nas proximidades do Morro Agudo, onde também se promovem festejos, concursos e apresentações artísticas ao público. Sendo um ponto de integração, a região de Gravataí abrigou outros povos além dos portugueses e dos Guarani, de forma que os aspectos culturais da cidade remontam às mais variadas vertentes. Vindos junto aos senhores, diversos escravos africanos foram trazidos para a Aldeia dos Anjos. Já em 1807, a chamada Freguesia de Nossa Senhora dos Anjos contava com 828 escravos e 186 libertos, africanos ou nascidos no Brasil, contabilizando juntos 38% da população da aldeia17. Não é de se estranhar, portanto, que existam na cidade alguns quilombos, como o Quilombo do Paredão (na divisa com a cidade de Taquara), o Quilombo Manoel Barbosa (no bairro Barro Vermelho) e o Quilombo Ferreira-Fialho (no bairro Cavalhada). Embora não se possa datar precisamente a instituição desses espaços, admite-se que desde o final do 15 BARROSO. Vera Lúcia. Gravataí: lugar de memórias. In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Porto Alegre: Edições EST; Evangraf, 2011, p.29. 16 KSSESINKSI, Vanusa Silva de Lima. Carreta de bois: um passado mais que presente. In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Tomo 3. Porto Alegre: Edições EST; Evangraf, 2011, p.49-50. 17 Os brancos contabilizavam 1192 indivíduos, correspondendo a 45% da população, e os indígenas 449, sendo 17%. ALADRÉN, Gabriel. Os escravos de Dona Francisca: alforria, cidadania e hierarquia de cor na Freguesia de Nossa Senhora dos Anjos (1780-1830). In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Tomo 1. Porto Alegre: Edições EST; Evangraf, 2011, p. 124. 20 século XIX as regiões em que estão localizados fossem utilizadas para a permanência de afro-brasileiros18. Devido à discriminação racial sofrida pelos afro-brasileiros na região sul, o associativismo foi uma das formas encontradas pelos negros para participar da comunidade e manter viva sua cultura. Espaços de socialização e, com eles, festejos específicos, foram sendo criados em Gravataí ao longo do tempo. No centro da cidade, o Beco dos Catutas, como ficou conhecida a Travessa Adão Pedro dos Santos, nos anos 1970, foi o reduto dos fundadores da Escola de Samba Acadêmicos de Gravataí, que ainda hoje participa do Carnaval de Porto Alegre, e do Clube Beneficente Seis de Maio, atual Associação Cultural e Beneficente Seis de Maio, entre outros19. O Clube Seis de Maio, cabe dizer, criado em 1956, foi importante local de ajuda mútua entre a comunidade negra, impedida de participar dos festejos organizados por brancos20. Gravataí também foi destino de imigrantes açorianos. A vinda de casais provenientes das Ilhas dos Açores para a América no século XVIII e sua eventual dispersão na região sul do país - mais precisamente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina - está alinhada com a política portuguesa de povoamento dos locais brasileiros conquistados por aquele país, mas também à tentativa dos açorianos de fugir do excesso populacional e dos eventos sísmicos- vulcânicos que assolavam as Ilhas21. Dentre as primeiras cidades colonizadas por açorianos está Gravataí e, por isso, a cultura desse povo também passou a ser difundida aqui. A Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul (CAERGS), instituição criada em 2003, a partir de estímulo do Governo Regional dos Açores, promove diversas atividades relacionadas à cultura açoriana na cidade e no Estado, como seminários, festivais de Folclore, palestras e os mais distintos projetos22. A residência que serve de sede para a CAERGS, o 18 CARLE, Cláudio Baptista. O quilombo do paredão: resistência negra em Gravataí. In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Tomo 1. Porto Alegre: Edições EST; Evangraf, 2011, p.147. LOPES, Joice da Luz. O imaginário dos quilombolas do Quilombo Manoel Barbosa, do Munícipio de Gravataí, diante da busca da identidade africana. In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Tomo 1. Porto Alegre: Edições EST; Evangraf, 2011, p.163. 19 SANTOS, Carlos Alberto Nunes dos; VIEIRA, Valdete Silva Stang. O beco dos catututas. In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Tomo 1. Porto Alegre: Edições EST; Evangraf, 2011, p.182. 20 SANTOS, Gabriela Cruz de Oliveira dos. Associação cultural e beneficente 6 de maio. In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Tomo 1. Porto Alegre: Edições EST; Evangraf, 2011, p.195. 21 ORTIZ, Jairton. Festa do Divino Espírito Santo em Gravataí: estudos sobre a reinvenção açorianidade no século XXI. In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Tomo 2. Porto Alegre: Edições EST; Evangraf, 2011, p.233. 22 GOMES, Régis Albino Marques. Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul (CAERGS). In: JACHEMET, Célia Silva; BARROSO, Vera Lúcia Maciel (org.). Raízes de Gravataí: Memória, História e cidadania. Tomo 4. Porto Alegre: Edições EST; Evangraf, 2011, p. 257-259. 21 Casarão dos Fonseca, é patrimônio histórico de Gravataí, tombado em 2005; foi construída por Manuel Fonseca, um açoriano, em 1877, sendo um dos prédios mais antigos do Município. Um dos festejos açorianos celebrados na cidade é a Festa do Divino Espírito Santo, tradição trazida por esses primeiros açorianos colonizadores. Durante o século XIX e começo do século XX, Gravataí se manteve como uma cidade de atividade majoritariamente agrícola constituindo, num primeiro momento, um espaço territorial focado principalmente na agricultura de subsistência com produtos primários, tais como milho, engenhos, selarias e alambiques. O primeiro ciclo econômico do Município caracterizou-se pelo cultivo de mandioca, integrandoo processo produtivo de diversos povos como indígenas, açorianos e alemães que se estabeleceram em Gravataí. Essas atividades impulsionaram a construção das primeiras estradas para o transporte dos produtos agropecuários. Pode-se, também, destacar outros ciclos, como o do leite e do extrativismo de argila, grês e saibro para fabricação de louças, telhas e construção de casas, o que contribuiu para o desgaste dos morros localizados ao longo do Município. Após a emancipação, ocorreu a intensificação da cultura do arroz, pois boa parte da produção do Estado partia de Gravataí. Através do início da industrialização, em 1926, ocorreu o enfraquecimento da cultura arrozeira e hoje encontram-se apenas resquícios da rizicultura deste período. A partir de 1960, Gravataí passou de uma dinâmica socioeconômica essencialmente rural ligada à agricultura para uma voltada à indústria e à área urbana com a implantação da ICOTRON, empresa pioneira que iniciou o crescimento industrial em larga escala no município. Mais tarde, foi implantado o Distrito Industrial que incentivou a vinda de outras indústrias para a cidade, dentre elas a Pirelli na década de 1970, a General Motors (GM) em 1997 e demais empresas de setores de metalurgia, mecânica, borracha e materiais elétricos. A instalação dessas indústrias foi efetuada levando em conta fatores condicionantes locais como mão de obra disponível, malha viária atrativa (a presença das rodovias ERS-020, ERS-030, ERS-118 e BR-290) e recursos naturais atraentes (sobretudo as águas do Rio Gravataí) e a convergência de políticas de planejamento nas múltiplas esferas federal, estadual e municipal do Poder Público. Essa dinâmica trouxe modificações na estrutura urbana do Município, marcando o rápido crescimento da população, impulsionado pela forte migração regional e até mesmo internacional, acarretando transformações significativas em áreas como habitação, transportes, comércio e na infraestrutura urbana de forma geral. Entre as décadas de 1970 e 1980 a população gravataiense mais que dobrou e segue em ritmo de ininterrupto crescimento, fato que evidencia as rápidas alterações ocorridas no município da década de 1960 até o momento atual. 22 Nas últimas décadas, Gravataí tem se consolidado como polo industrial, comercial e de serviços, representando a quarta maior economia dentre os municípios gaúchos. Seu rápido crescimento econômico vinculado aos setores secundário e terciário vem trazendo a expansão da área urbana, que já corresponde a mais de um quarto da área total do município e que segue crescendo exponencialmente ao longo dos últimos anos. Essa expansão também traz consigo desafios que envolvem a expansão urbana desordenada, a degradação ambiental, a mobilidade, a violência e desigualdades socioeconômicas. Na área rural, por outro lado, a agricultura ligada ao cultivo de grãos, frutas, verduras e legumes, assim como a pecuária associada aos laticínios também impulsionam a economia local articulando o setor primário à dinâmica econômica municipal. Ao longo desse texto de apresentação para o Referencial do Território de Gravataí (RTG), foram apontadas algumas das principais características históricas, geográficas e culturais do município. Conforme exposto, a localização entre a serra e o litoral, bem como a presença do Rio Gravataí e a proximidade à Porto Alegre foram aspectos essenciais para o Município durante toda sua história e, em especial, para o povoamento e para o desenvolvimento socioeconômico gravataiense. 23 2. PRINCÍPIOS ORIENTADORES DO DOCUMENTO 2.1 EDUCAÇÃO Adriana Conceição Santos dos Santos Claudia Maria Panassolo Rebés O Sistema Educacional Brasileiro, ao longo do tempo, passou por mudanças políticas, sociais, econômicas e históricas, levando a sociedade a uma importante reflexão sobre os grandes desafios da educação deste novo século. Com uma demanda primordial, a escola tem que dar conta de atender às novas necessidades sócio-integradoras em seu cotidiano, fazendo com que se repense a concepção de educação usada, a fim de proporcionar aos estudantes uma identidade cultural e pedagógica compatível com este novo modo de ver, ser e estar no mundo. A forma de ensinar e de aprender deve ser repensada, bem como as formas de relação entre a ética e o agir pedagógico, para que haja entendimento das dificuldades existentes, frente à pluralidade cultural de uma sociedade que sofre mudanças nos processos de formação identitária e social. Neste sentido, é preciso entender quem são os protagonistas deste processo educativo, a partir deste novo perfil de estudante. Esta caracterização é fundamental para que se possam constituir espaços e tempos de ensinagem que, de fato, produzam aprendizagens e constituam competências para a vida, conforme os preceitos apontados na Base Nacional Comum Curricular23 (BNCC). Para formar o novo perfil do estudante do século XXI, devem ser trabalhadas competências que desenvolvam o pensamento crítico, a resolução de problemas, a consciência cultural, a liderança e a flexibilidade para lidar com diferentes tipos de pessoas. A educação para este século traz um grande desafio para os educadores, fazendo com que a dinâmica mude consideravelmente dentro da sala de aula, pois esta nova educação pressupõe o estímulo à curiosidade e à interação. Os estudantes atuais estão acostumados com a pluralidade e simultaneidade na realização de suas tarefas – estudam enquanto assistem aos programas televisivos, acessam suas redes sociais ou ouvem música. Essa geração nasceu atrelada ao mundo de tecnologia, sendo impossível dar continuidade nas tarefas cotidianas sem a internet, smartphones, computadores, videogames com gráficos cada vez mais apurados, iPods e televisores de alta definição. 23 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2017. 24 No entanto, por estarem acostumados a serem bombardeados por muita informação em tempo real, podem apresentar dificuldades, tanto em atenção quanto em dedicação aos estudos, para lidar com a gama de conteúdos em seu processo de aprendizagem – conteúdos que correm o risco de se tornarem obsoletos diante do avanço constante das tecnologias. Segundo Freire24, O que me parece fundamental para nós, hoje, mecânicos ou físicos, pedagogos ou pedreiros, marceneiros ou biólogos é a assunção de uma posição crítica, vigilante, indagadora, em face da tecnologia. Nem, de um lado, demonologizá-la, nem, de outro, divinizá-la. O autor sinaliza que a tecnologia está a serviço da inovação pedagógica, com o objetivo de estímulo e desafio à curiosidade dos alunos. Assim, a escola deve prepará-los a fim de utilizá-la com responsabilidade e autonomia. A atenção necessária com esses jovens consiste, principalmente, no amadurecimento dos mesmos, na orientação adequada quanto ao uso das ferramentas digitais e a sua atuação na sociedade, pois a quantidade de itens tecnológicos e informações desnecessárias acabam por tirar sua atenção e torná-los alheios à realidade em que vivem e tudo que os rodeiam. É preciso que o aluno torne-se autônomo no uso da tecnologia e que essa sirva como meio de acesso ao conhecimento. A educação do século XXI vem com a proposta de ser movida por interação e estímulo à curiosidade. Não se pode mais conceber que os estudantes encontrem nas ruas e na televisão mais provocações do que encontram em sala de aula. É neste ponto que cabe refletir sobre a educação e seus processos. É fato afirmar que a matemática não mudou e nem a física, por exemplo. O ponto, entretanto, é que a maneira de se comunicar com o estudante mudou. O que deu certo por muitas décadas no processo educativo, por si só, já não é o suficiente. Este novo século, trouxe grandes transformações na forma de ver e agir em sociedade, necessitando de um novo olhar sobre o ensino. Diante de todas estas perspectivas, surgem questionamentosque se tormam pertinentes, relativos a fatores como: a postura dos estudantes diante da aprendizagem, que nos dias atuais tem sido alvo de crescentes críticas; a necessidade de atualização – através de formações constantes - dos professores, visando desenvolver aulas mais atrativas. Todas estas questões, fundamentais e prementes, não possuem respostas fáceis. Porém, é notório que a escola necessita de mudanças para se adaptar às novas maneiras de como os estudantes encaram e lidam com a vida, maneiras estas que, ao longo 24 FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992, p. 133. 25 das últimas décadas, vem diferindo cada vez mais do que nós, professores, experenciamos enquanto estudantes. De acordo com Vaz25, Saber apertar os botões certos no Facebook não é o papel do professor, mas incitar o pensamento crítico do aluno sobre porque o Facebook cresce tanto sendo uma ferramenta de externalização de nosso desejo de como nós queremos parecer para o mundo, isso sim, é papel do mestre. Fazer com que o aluno cresça como um ser humano e cidadão pensante e crítico é papel do professor. …muitos professores, por não se posicionarem como um estrategista em sala de aula – mostrando o caminho – acabam por tentar competir com o aluno no jogo dele, o de ferramenteiro. No mundo em que se vive, os estudantes também têm a capacidade de ensinar, possibilitando seu crescimento pessoal e rompendo com a concepção tradicional onde só o professor é visto como detentor do conhecimento. Nesta atualidade é possível superar a visão da escola como um depósito do saber, buscando uma abordagem mais inclusiva, que valorize a diversidade, principalmente no reconhecimento de que somos todos seres aprendentes e ensinantes, em constante processo. É papel da educação orientar para este novo século, na busca pela transição para um modelo de ensino mais ligado ao enriquecimento de conhecimentos, tendo a responsabilidade de envolver todos os seus agentes na construção de sua diversidade, instigando aprendizagens significativas, capaz de gerar ações que diminuam os efeitos das desigualdades, através de uma leitura de mundo. Portanto, a proposição de construção de um Referencial do Território de Gravataí (RTG), vem na lógica de embasar as ações educativas, oportunizando uma aprendizagem que contextualize os clássicos conceitos necessários a formação humana, dentro dos movimentos e instrumentos tecnológicos, ou seja, uma aprendizagem que dialogue com esta geração de alunos “conectados” e tecnologicamente interativos, mas que também lhes proporcionem o desenvolvimento de senso crítico e criativo. Este movimento remete para pensar o “como” ensinar sob a ótica de um mundo cuja geração de crianças e adolescentes apropria-se de múltiplos fatores, onde a capacidade intelectual de absorver uma quantidade de informações é muito maior, mas que precisa ser organizada e ressignificada. É importante destacar a educação como uma ação contínua de transformação, percebendo o desenvolvimento integral do ser, em seus aspectos físico, intelectual, emocional, afetivo, social e cultural, possibilitando a inserção social com foco na educação que proporcione sua emancipação e sua alteração social, tornando-o um ser crítico-emancipatório, oportunizando as mesmas condições de aprendizagem para todos e reconhecendo o direito de 25 VAZ, Conrado Adolpho. Os 8 Ps do marketing digital: o guia estratégico de marketing digital. São Paulo: Novatec, 2011, p. 8. 26 cada indivíduo. Ao promover-se a equidade, sem privilégios e preconceitos, temos como consequências naturais para este indivíduo a construção de seus valores, bem como o desenvolvimento de sua autonomia e independência diante das diversas situações da vida. Assim, tão importante quanto aprender conteúdos, é preparar para a construção de uma sociedade mais ética, democrática, responsável, inclusiva, sustentável e solidária, respeitando e promovendo a diversidade e os direitos humanos, sem preconceitos de qualquer espécie, tendo como objetivo a garantia de aprendizagem efetiva e consequentemente a superação das desigualdades. O papel do professor para a educação do século XXI em um mundo digital é desafiador. É preciso refletir, reconstruir e compartilhar um espaço escolar que possa acompanhar as mudanças e informações a que os alunos estão expostos diariamente, para motivá-los na construção dos seus próprios conhecimentos. Trata-se de desenvolver habilidades e competências para formar o aluno na sua integralidade, desenvolvendo metodologias educacionais, que o motive a tornar-se protagonista de seu saber, pensando em estratégias que oportunizem as mesmas aprendizagens para todos, mas respeitando os tempos e movimentos individuais. Em síntese, refere-se a “o que aprender, para que aprender, como ensinar, como promover redes de aprendizagem colaborativa e como avaliar o aprendizado26”. Assim, para que o processo de escolarização produza um efeito real na ação condutora educativa, os processos de aprendizagem devem ser organizados de forma interdisciplinar e transdisciplinar, com diversificadas metodologias para a construção do conhecimento, desenvolvendo habilidades e competências em todas as etapas do ensino, articulando-as com as macro competências da Base Nacional Comum Curricular e fomentando o protagonismo juvenil no processo educacional, conforme é proposto no Referencial Curricular Gaúcho27 (RCG): contextualização e sistematização dos conceitos articulados com processos de aprendizagem organizados de forma interdisciplinar e transdisciplinar, na construção do conhecimento orientado pelo professor em atividades diversificadas com foco no desenvolvimento de competências e habilidades de cada etapa de ensino, vinculando as macro competências da 26 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017, p. 14. 27 RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial Curricular Gaúcho. Porto Alegre: Secretaria de Estado da Educação, Departamento Pedagógico, 2018, p. 22. 27 BNCC, e no entendimento do estudante como protagonista no processo educativo. Cada vez mais, o professor terá a necessidade de se reinventar e buscar ferramentas para trabalhar com esta geração revolucionada pela era digital e suas tecnologias que inovam-se a cada dia. Desta forma, o professor também assume a função de preparar a nova geração para este novo modelo de sociedade que vem se configurando, orientando os alunos, por exemplo, sobre a facilidade de conexão e interação entre as pessoas nos meios virtuais. A relação dos alunos com as novas tecnologias, sendo pautada e orientada em direção à ética, ao respeito e uso responsável, terá uma valiosa contribuição para seu aprendizado e enriquecimento cultural. À guisa de conclusão, pode-se apontar que, para a evolução da humanidade, é de extrema importância e de essencial grandeza o desenvolvimento de uma educação que se conceptue a partir da integralidade do ser, praticando a capacidade da empatia, do diálogo, da resolução de conflitos, de cooperação e respeito ao outro e a si mesmo, respeitando os direitos humanos e valorizando as várias formas de diversidades sem qualquer natureza de preconceitos. Para isso, é necessária uma mudança de hábitos e perspectivas da escola e de todo o processo de ensino e aprendizagem, bem como o fazer pedagógico a favor de uma educação encaminhada para o hoje e para o futuro. 28 2.2 APRENDIZAGEM Adriana Conceição Santos dos Santos Claudia Maria Panassolo Rebés A educação sempre esteve ligada à demanda social. A partir da década de 70, com a flexibilização de diferentes setores da sociedade, transformações na forma de organização do trabalho, cultura como objeto de consumoe expansão da informática, desencadeou-se o que Marcuse (1997) chamou de “adesão voluntária à sociedade vigente”28. Desde então, tornou-se impossível desassociar a evolução dos tempos através dos séculos e as mudanças indispensáveis ao seu acompanhamento. Frente a isso, a aprendizagem ganha destaque e proporção, pois será o meio pelo qual o aluno irá adquirir tais ferramentas. No entanto, não há como falar de concepção de aprendizagem sem falar de construção de conhecimento, pois ambos estão implicados num mesmo processo de compreensão acerca do que se ensina e do que se aprende, bem como das ações pedagógicas dela decorrentes. Essa constatação implica urgente necessidade de uma reflexão sobre o processo de ensino e aprendizagem, relacional e dialética, pois um só existe na relação com o outro. A atenção aos indivíduos deste novo século também se volta para analisar as aprendizagens processadas a partir deles, ou seja, nas ações educativas vigentes se percebe uma expressiva quantia de professores que seguem privilegiando a maneira como foram ensinados, reforçando práticas antigas de ensino. Não se trata de crítica ao como se ensinava ou como se aprendia, mas é necessário considerar que vivemos outros tempos, cuja educação deve atender a outro tipo de estudante. O fato é que esta mesma prática, em comparação aos processos educativos deste dinâmico século, acaba por afastar os alunos do processo de construção do seu conhecimento, refletindo em uma sociedade que perpetuará um modelo que produz seres com dificuldades de criar, pensar, construir e reconstruir conhecimento. Dentro dessa visão, Moraes29 afirma que: Não se muda um paradigma educacional apenas colocando uma nova roupagem, camuflando velhas teorias, pintando a fachada da escola, colocando telas e telões nas salas de aula, se o aluno continua na posição de mero expectador, de simples 28 MARCUSE, Hebert. Algumas implicações sociais da tecnologia moderna. Revista de estudos marxistas. São Paulo: Boitempo, 1997, n.01.p. 113-140. 29 MORAES, M. C. Educar na biologia do amor e da solidariedade. São Paulo: Fundação Peirópolis, 2000, p. 17. 29 receptor, presenciador e copiador, e se os recursos tecnológicos pouco fazem para ampliar a cognição humana. A construção do conhecimento acontece num contexto dinâmico e não numa perspectiva fragmentada ou estática. Sabe-se que, no processo de ensino e aprendizagem, o sujeito é considerado um ser de emoção e razão, visto que fatores afetivos, motivacionais e relacionais interferem na aprendizagem. A forma de organizar situações de aprendizagens, o relacionamento cooperativo entre professores e alunos, bem como as dúvidas geradas em torno de temas e conceitos trabalhados influenciam de forma decisiva no processo de construção de novos significados que os alunos atribuem aos conteúdos escolares. Nesse sentido, o Referencial do Território de Gravataí (RTG), a partir da Base Nacional Curricular30 (BNCC) e do Referencial Curricular Gaúcho31 (RCG), traz, em sua concepção de educação e de currículo, propostas desafiantes no que se refere ao “como fazer”, para tornar os estudantes socialmente competentes nas diversas áreas do conhecimento. A mesma preocupação já constava no relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, publicado no Brasil em 1998, mas formulado originalmente no período de 1993 a 1996. Esse documento já propunha que a Educação deveria se organizar em torno de quatro aprendizagens fundamentais ao longo da vida, muito úteis para o conhecimento, que são, conforme Delors: Aprender a conhecer, que significa adquirir instrumentos de compreensão para acesso ao conhecimento, ao invés da aquisição do repertório dos saberes socialmente construídos; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente, está associado estreitamente à formação profissional, à prática; aprender a viver juntos, pois a participação e cooperação com os outros, em todas as atividades humanas, aponta como alternativa para a redução de muitos dos conflitos numa educação orientada pelo respeito aos valores, a compreensão mútua e a paz; e aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes, pois a educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa para que possa elaborar pensamentos autônomos e críticos, bem como formular juízos próprios de valor, a fim de que possa decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida.32 30 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2017. 31 RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial Curricular Gaúcho. Porto Alegre: Secretaria de Estado da Educação, Departamento Pedagógico, 2018. 32 DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, São Paulo: Cortez, 1998, p. 15. 30 Essa interpretação de Delors sobre as aprendizagens fundamentais corroboram com a posição da BNCC acerca das competências a serem construídas pelos alunos ao longo da Educação Básica. No entanto, o desenvolvimento de tais competências demanda uma proposta de ensino flexível, que proporcione aos estudantes aprendizagens que de fato tenham significado para sua vida prática, ou seja, a aprendizagem se tornará significativa à medida que o aluno perceber sua utilidade para a vida prática e para a sua interação social. A iniciativa de promover aprendizagens significativas deve estar pautada em um modelo mais dinâmico, onde o estudante é levado a protagonizar o seu próprio aprendizado, (re)construindo e formando conceitos sobre o mundo, oportunizando o seu (re)agir frente à realidade. A aprendizagem resulta de associações entre estímulos e respostas, relacionando conhecimentos prévios com conhecimentos novos à sua estrutura cognitiva e ao meio ao qual está inserido. Segundo Furtado33, A aprendizagem significativa é o que ocorre a partir de uma associação com aprendizagens anteriores, criando, inicialmente, um sentido e posteriormente um significado que permite a ampliação do repertório de quem aprende. Em outras palavras, os novos conhecimentos adquiridos relacionam-se com o conhecimento prévio que a pessoa possui. Nesse contexto, fica claro que não é possível formar simplesmente trabalhadores para o mercado, mas sujeitos completos, com conhecimentos e habilidades, sem desprezar uma formação voltada para a cidadania, seus direitos e deveres na construção de um mundo melhor. O professor, como agente de transformação, deve ter uma visão pluralista, tornando a sala de aula um espaço de interação de ideias que exercite a reflexão e o pensamento, com vistas a promover a aprendizagem e as diferentes capacidades cognitivas. Assim, o processo de aprendizagem acontecerá através da aquisição de conhecimentos, habilidades, valores e atitudes, que são proporcionados por meio do estudo, do ensino ou das experiências, reunidas por diversos fatores neurológicos, emocionais, ambientais e relacionais, visto que “a sala de aula é um espaço que proporciona a interação social, as descobertas, os desafios e as superações.” 34 33 FURTADO, Júlio. O papel do professor. Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa. 2017, p. 50. 34 RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial Curricular Gaúcho. Porto Alegre: Secretaria de Estado da Educação, Departamento Pedagógico, 2018, p. 22. 31 Por conta disso, caberá ao professor cada vez mais a necessidade de se reinventar. Mesmo que o aluno seja o protagonista do processo de aprendizagem, o papel do educador continua sendo importante, mas não mais como o transmissor de conteúdo, mas um mediador, um facilitador para ensinarao educando habilidades de como estudar, como buscar informações, como aprender melhor, como pesquisar e como desenvolver pensamento crítico para ser mais analítico. A ideia é que o aluno interaja, critique, escreva e faça, pois o processo somente terá êxito com o engajamento de ambos. De acordo com Paro35, a construção de conhecimento é sempre mediada, ou seja, é sempre construída no âmbito das relações interpessoais, pois é na relação com o outro que o sujeito ativo desenvolve a autonomia de pensar e agir nas diversas situações do cotidiano. A aprendizagem significativa traz a certeza de que não há mais lugar para a falta de contextualização e para a repetição automática. Para que ocorra essa aprendizagem, deve haver uma (re)construção do conhecimento, ou seja, a aprendizagem deve se originar de um significado emocional e contextual, onde ocorre a construção do conceito, proporcionando utilizá-lo em variados contextos, oportunizando ao aluno definir conceitos com sua própria linguagem e relacionando logicamente a variados conceitos, por meio do texto falado, escrito, verbal e não-verbal, ocorrendo a transformação com interferência na realidade. Somente assim será possível significar a ação pedagógica para esse desafio, entendendo as atitudes acolhidas em cada etapa, habilitando o estudante a efetivar a aprendizagem significativa. Para que ocorra essa aprendizagem, deve haver a construção de sentido por meio da inter-relação dos conceitos e habilidades curriculares ao cotidiano do aluno. Na mesma ótica, Furtado afirma que “toda aprendizagem só é, de fato, significativa caso se insira de forma ativa na realidade. Intervir no real é o fim último da aprendizagem36”. E, ao constatar a construção de sentido no processo de aprendizagem, cria-se o conceito de que houve a compreensão dos elementos reunidos através da percepção de fatos e características. O professor, como mediador no processo de ensino e de aprendizagem, deve oportunizar condições para que o aluno desenvolva competências que atendam suas experiências e necessidades, centradas na ação educativa e no desenvolvimento de habilidades que incentivem a criatividade do aluno para expressão e elaboração livre de suas ideias, dentro daquilo que entendeu. O 35 PARO, Vitor Henrique. Estrutura da escola e prática educacional democrática. Caxambu (MG): ANAIS da ANPED, GT 05 (Estado e Política Educacional), 2007, p. 38. 36 FURTADO, Júlio. O papel do professor. Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa. 2017, p. 50. 32 professor não pode estar isento às transformações; ao contrário, precisa acompanhá-las, modificando seu papel docente com a consciência de que “os saberes penetram e enriquecem os outros37”. Quando o aluno consegue argumentar, passa a ter condições de transformar. Toda a aprendizagem só é de fato significativa quando for introduzida de maneira ativa na realidade. Ao professor cabe conduzir o aluno a simular sua ação em um contexto real, através do desenvolvimento de projetos, de ideias novas e da resolução de problemas, executando o conceito na prática de sua vida. Ademais, salienta-se que o ambiente de aprendizagem, baseado em construção de competências, permite que os alunos tragam sua realidade para a escola e reflitam sobre ela, buscando formas de contribuir com a mesma. A aprendizagem deve envolver o aluno como pessoa e, para isso, as técnicas de ensino devem estar em sintonia com esse novo paradigma. A escola deve deixar de ser um espaço de mera transmissão de conteúdo e se tornar um espaço de desenvolvimento de competências, somando conhecimentos, habilidades, atitudes e valores. É necessário assegurar a aprendizagem dos alunos, ampliando a capacidade de lidar com o pensamento crítico, autonomia, diversidade, argumentação, autoconhecimento, projeto de vida, criatividade, comunicação, sensibilidade cultural, cultura digital e tecnologias, colaboração, ética, consciência socioambiental, autocuidado, empatia, emoções, responsabilidade, cidadania, entre outras perspectivas essenciais para a vida do século XXI. Outro ponto a se considerar é que deve- se preparar as novas gerações para uma realidade em permanente estado de mudança, com desafios do mundo atual, com incertezas, ambiguidades, complexidade e alto grau de volatilidade. 37 DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. São Paulo: Cortez, 1998, p. 104. 33 2.3 CURRÍCULO Adriana Conceição Santos dos Santos Ana Paula Braun De acordo com o Parecer CNE/CEB nº 07/2010, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, a educação se constitui em um processo de socialização da cultura da vida, que envolve construção, manutenção e transformação de conhecimentos e valores. Partindo dessas reflexões, o Referencial do Território de Gravataí (RTG) propõe um diálogo com a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), com o Referencial Curricular Gaúcho (RCG) e com as referências locais deste território, no que diz respeito ao currículo escolar e às áreas de conhecimento que o organizam, tendo como base o Artigo 26 da LDBEN nº 9.39438, de 20 de dezembro de 1996: Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. Neste sentido, é correto afirmar que o currículo é a expressão formal do “todo” a ser desenvolvido pela escola. Representa, de forma organizada, uma trajetória a ser percorrida e está associado, segundo o Referencial Curricular Gaúcho (RCG), “ao conjunto de esforços pedagógicos desenvolvidos com intenções educativas”39. De acordo com o Parecer CNE/CEB nº 07/2010, currículo é definido como: [...] experiências escolares que se desdobram em torno do conhecimento, permeadas pelas relações sociais, buscando articular vivências e saberes dos alunos com os conhecimentos historicamente acumulados e contribuindo para construir as identidades dos educandos.40 38 BRASIL. Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Presidência da República. Brasília, DF. 39 RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial Curricular Gaúcho. Porto Alegre: Secretaria de Estado da Educação, Departamento Pedagógico, 2018, p. 25. 40 BRASIL. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Parecer CNE/CEB nº 7, aprovado em 07 de abril de 2010. 34 O referido Parecer ainda evidencia que, na Educação Básica, a organização do tempo curricular deve ser construída em função das peculiaridades de seu meio e das características próprias dos seus estudantes, não se restringindo às aulas das várias disciplinas. A complexidade das questões referentes aos conhecimentos escolares nos apresenta a necessidade de desdobrar o currículo em diferentes dimensões: filosófica, sócio-antropológica, psicológica e epistemológica. A primeira se refere ao tipo de educação direcionada a uma cultura. Está baseada na concepção de sujeito, sociedade, propósitos e conteúdos necessários para a formação desse “homem” que se pretende. É responsável pelos elementos problematizadores, uma vez que é na observância de aspectos dessa dimensão que se questiona se os alunos estão sendo respeitados em suas variadas maneiras de aprender. O aspecto sócio-antropológico diz respeito ao reconhecimento das constantes transformações da sociedade. A escola precisa ter presente os padrões comportamentais que influenciam os alunos: forças econômicas, estrutura familiar, formas de comunicação, entre outros. A dimensão psicológica se faz presenteao analisarmos e considerarmos que as crianças raciocinam de forma e em ritmos igualmente diferentes. A observância de aspectos epistemológicos diz respeito à reflexão metódica sobre o saber, sua organização, sua formação, seu desenvolvimento e seus produtos intelectuais. O conhecimento dessas dimensões e, a partir disso, do que sejam os elementos centrais do currículo, são imprescindíveis para que o mesmo represente a seleção de conhecimentos relevantes e significativos. O RCG explicita que: relevância, neste sentido, sugere conhecimentos e experiências que corroborem na formação de sujeitos sensíveis, autônomos, críticos e criativos, que se sintam capazes de analisar como as coisas passaram a ser o que são e como fazer para mudá-las.41 Para Goodson, “o currículo não é construído de conhecimentos válidos, mas de conhecimentos socialmente válidos42”. Desse modo, o que consta ou deixa de constar no currículo de uma escola está intrinsecamente relacionado com a visão de sociedade e de educação. Portanto, o currículo deve estar articulado de tal forma que produza sentido à aprendizagem dos alunos, sendo o ponto a partir do qual a escola se compromete em atuar. 41 RIO GRANDE DO SUL, op. cit., p. 26. 42 GOODSON, Ivor F. Currículo: teoria e história. 9. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010, p.9. 35 Assim sendo, estabelecer as relações entre os conhecimentos escolares, sociedade, escola, saberes e práticas é condição básica de um currículo que se propõe a formar cidadãos que vivem em um mundo globalizado, onde a informação gira quase que instantaneamente e que também trazem em sua bagagem de vida os valores regionais. Trata-se, portanto, de um Currículo voltado para o viver local, mas com um pensar global. A BNCC e os currículos se complementam, no sentido de assegurar as aprendizagens dos alunos nas diferentes etapas da Educação Básica. O ajuste da BNCC à realidade local representa o currículo em ação. É a expressão de todos os esforços pedagógicos com intencionalidade educativa. Esses esforços, essas decisões, essa intencionalidade, referem-se, especialmente, a: contextualizar os conteúdos, de forma a torná-los significativos; buscar formas de organização interdisciplinar, lançando mão de estratégias dinâmicas e interativas; utilizar metodologias diversificadas, buscando o engajamento e a motivação dos alunos nas aprendizagens; conceber a avaliação como um conjunto de procedimentos que servirão de referência para a melhoria do desempenho da escola, do professor e dos alunos. Um currículo estruturado por competências (conceito balizador da BNCC) precisa romper com velhos hábitos nas escolas. Dentre esses, podemos destacar: a apresentação dos conteúdos de forma sistematizada; a fixação e a pressa em cumprir todos os conteúdos previstos; o conceito de erro (que precisa ser visto como parte do processo) e a visão linear dos conteúdos. De acordo com Macedo (2009, p. 25): “o melhor momento e lugar para formar competências e habilidades válidas para qualquer profissão e que têm valor para a vida como um todo é na educação básica, ou seja, no sistema de ensino que a compõe43”. Sob essa ótica, o Referencial do Território de Gravataí (RTG) ganha peso e substância, pois propõe um documento que acompanha a BNCC, na recuperação do verdadeiro sentido de educar, ou seja, precisa-se de indivíduos competentes para viver numa era cujos mecanismos de busca de informações já não dependem apenas da escola. No entanto, saber usar tais informações com consciência, ética e empatia, tornaram-se necessidades urgentes do processo de aprendizagem e cabe ao currículo ser redesenhado para formar e não mais apenas informar. É papel da organização curricular assegurar a comunicação entre as áreas do conhecimento, proporcionando uma maior interdisciplinaridade, 43 MACEDO, Lino de. Por que competências e habilidades na educação Básica? In: Rio Grande do Sul. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. Referenciais Curriculares do Estado do Rio Grande do Sul: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Porto Alegre: SE/DP, 2009, v.1. 35 contextualização e transdisciplinaridade. Esta visão não é uma tendência, mas uma constatação com eco em vários autores que já vêm apontando para um currículo que não seja organizado em conteúdos isolados, uma vez que vivemos em um mundo onde as coisas não podem ser vistas e explicadas por um só ângulo. A ideia de construção de um currículo integrado teve como principal suporte teórico os conceitos de Santomé44. Para ele, o currículo integrado enfatiza a necessidade de uma compreensão global do conhecimento e de maiores parcelas de interdisciplinaridade em sua construção. Perrenoud, em 1999, discute o significado da Integração Curricular nos currículos baseados no desenvolvimento de competências. Para esse autor, trabalhar as competências não significa rejeitar ou renunciar as disciplinas. Estas precisam servir como instrumentos, como meios de se chegar ao objetivo desejado. Alguns temem que desenvolver competências na escola levaria a renunciar às disciplinas de ensino e apostar tudo em competências transversais e em uma forma pluri, inter ou transdisciplinar.. Esse temor é infundado: a questão é saber qual concepção das disciplinas escolares adotar. Em toda hipótese, as competências mobilizam conhecimentos, dos quais grande parte é e continuará sendo de ordem disciplinar [...].45 As Diretrizes Curriculares Nacionais apontam a interdisciplinaridade e a contextualização como os elementos que devem assegurar a universalidade do conhecimento de diferentes disciplinas e eixos temáticos. A superação do saber fragmentado passa, obrigatoriamente, pela implementação de metodologias que deem conta de articular os conhecimentos. É tarefa dos professores, portanto, reconhecer esses pontos de ligação. O aluno precisa ser desenvolvido como um “corpo” completo de saberes e não com “pedaços” colados um ao lado do outro. O RCG esclarece que: A interdisciplinaridade pode ser entendida pela seguinte tríade: interlocução de saberes em detrimento dos conhecimentos fragmentados, aproximação na apropriação dos conhecimentos pelos professores e estudantes e intensidade das aproximações dos conhecimentos num mesmo projeto.46 No que diz respeito ao currículo, vale lembrar que, aos Sistemas de Ensino cabem, ainda, incorporar aos planejamentos a abordagem de temas 44 SANTOMÉ, Jurjo T. Globalização e Interdisciplinaridade - o currículo integrado. Porto Alegre, Artmed, 1998. 45 PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre, Artmed, 1999, p. 40. 46 RIO GRANDE DO SUL, op. cit., p. 31. 36 contemporâneos, que estão relacionados à vida humana, nas diferentes escalas: local, regional e global. A construção dos currículos das escolas será orientado, portanto, pela BNCC , RCG e RTG considerando a trajetória pedagógica da escola e as especificidades locais. Concluindo, é importante ressaltar que um currículo voltado à potencialidade humana, deverá propor estratégias cotidianas para ensinar e aprender, de modo a levar o aluno ao exercício regular de propor e resolver problemas, de tomar decisões, de criar situações complexas e de desenvolver projetos e pesquisas, permitindo que o mesmo tenha uma aprendizagem significativa, constante e interativa, que permita a transformação da realidade. 37 2.4 EDUCAÇÃO INTEGRAL Bianca Migliavacca Educação Integral é uma concepção que vem sendo defendida já há algum tempo nos estudos referentes à educação, guiada por aportes teóricos, pesquisas e pela própria legislação brasileira. A Constituição Federal47 (1988), o Estatuto da Criança e do Adolescente48 (Lei nº 8069/90) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação49 (Lei nº 9.394/96) são marcos legais que trazem à perspectiva de educação a garantia do direito à proteção integral dos sujeitos. Tanto a BaseNacional Comum Curricular (BNCC), quanto o Referencial Curricular Gaúcho50 (RCG) se comprometem com a educação integral, assumindo uma visão plural e singular da criança, do adolescente, do jovem e do adulto, garantindo a formação e o desenvolvimento humano global. A Educação Integral aqui discutida é diferente de escola em tempo integral, a qual pressupõe ampliação da jornada escolar em, no mínimo, 7 horas, repensando suas práticas pedagógicas para atender os estudantes nesse feraz espaço de tempo. O conceito de Educação Integral com o qual esse documento está enlaçado se refere à formação integral do ser humano, nas dimensões intelectual e afetiva, criando possibilidades para que os estudantes ampliem os repertórios de competências e habilidades e se desenvolvam enquanto cidadãos críticos, capazes de conviver e participar da vida pública. A BNCC, ao contextualizar a educação integral, afirma que a mesma: se refere à construção intencional de processos educativos que promovam aprendizagens sintonizadas com as necessidades, as possibilidades e os interesses dos estudantes e, também, com os desafios da sociedade contemporânea. Isso supõe considerar as diferentes infâncias e juventudes, as diversas culturas juvenis e seu potencial de criar novas formas de existir.51 47 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Presidência da República. 5 de outubro de 1988. Brasília, DF. 48 BRASIL. Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 16 jul. 1990. 49 BRASIL. Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Presidência da República. Brasília, DF. 50 RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial Curricular Gaúcho. Porto Alegre: Secretaria de Estado da Educação, Departamento Pedagógico, 2018. 51 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. 38 Assim, o conhecimento precisa estar conectado à realidade, e os educadores têm papel fundamental nessa perspectiva, repensando o currículo no qual a Educação Integral apareça como eixo central desse processo; reavaliando suas práticas pedagógicas e desfragmentando o conhecimento enquanto disciplina para encorajar sua aplicação na vida real. Como espaço de constante desenvolvimento, a escola deve oportunizar o aprendizado da convivência democrática, o reconhecimento e respeito às diferenças e do exercício da igualdade, desnaturalizando qualquer forma de violência presente na sociedade. Compartilhando de tais concepções, o Referencial do Território de Gravataí (RTG) firma compromisso com a Educação Integral, entendendo que o estudante de hoje, além de conhecedor das culturas digitais e receptivo ao novo, necessita ser formado na sua integralidade, por meio de habilidades e competências que o preparem para fazer o uso crítico e significativo das tecnologias, entendendo e explicando a realidade, participando e valorizando práticas artístico-culturais; compartilhando informações e experiências com os demais, fazendo-se respeitar e consequentemente respeitando o outro. Com o intuito de construir uma sociedade mais justa e democrática, nossas crianças e jovens precisam não somente produzir conhecimentos a fim de resolver problemas, mas também saber comunicar-se, defender ideias e tomar decisões baseadas em princípios éticos, inclusivos, sustentáveis e solidários em busca de uma sociedade mais justa. 39 2.5 AVALIAÇÃO Bianca Migliavacca Estamos vivendo uma era pragmática em que o saber fazer e o saber agir/ser são imprescindíveis para se alcançar o sucesso pessoal e profissional. A partir dessas novas demandas, surge a necessidade de construir um currículo escolar organizado por habilidades e competências, objetivando formar um aluno melhor preparado para enfrentar o mundo, com consciência do seu papel enquanto cidadão e protagonista na construção do seu projeto de vida. Ao analisarmos as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver ao longo da Educação Básica, cabe refletirmos sobre como a avaliação deve ser pensada a fim de que o planejamento do professor garanta o desenvolvimento natural e progressivo das competências e habilidades que irão preparar o aluno para a vida em sociedade. Portanto, a avaliação não deve ser isolada, mas permear todo o processo pedagógico. Sabe-se que os estudantes aprendem de formas diferentes, em tempos não homogêneos, tendo como base suas vivências pessoais e experiências anteriores. Portanto, ao avaliar, o professor precisa utilizar técnicas diversas e instrumentos variados, para que possa diagnosticar o ponto de partida de sua ação pedagógica, o caminho que irá traçar e o que busca alcançar no fim. Segundo Luckesi52, a avaliação, diferentemente da verificação, envolve um ato que ultrapassa a obtenção da configuração do objeto, exigindo decisão do que fazer com ele. A verificação é uma ação que “congela” o objeto; a avaliação, por sua vez, direciona o objeto numa trilha dinâmica da ação. O autor ainda complementa afirmando que a avaliação é um juízo de qualidade que se faz sobre uma determinada realidade, que deve ser expressa por meio de algum símbolo seja ele numérico (nota) ou verbal (conceito), sendo este último uma simbologia bastante aplicada por força das teorias pós-modernas de organização curricular e de renovadas visões de ensino e aprendizagem. A avaliação é um processo pelo qual é preciso definir o ponto em que se quer chegar, por meio do qual os critérios são estabelecidos para, então, escolher os procedimentos adequados a serem adotados e definir quais os caminhos que serão traçados para alcançar o ponto desejado. O processo é tão ou mais importante que o resultado, pois ele explicita quais conhecimentos, atitudes, competências e habilidades os alunos já adquiriram num determinado ponto do percurso e quais dificuldades ainda precisam ser trabalhadas. É 52 LUCKESI, Cipriano C. Avaliação do aluno: a favor ou contra a democratização do ensino? Avaliação da aprendizagem escolar: Estudos e proposições. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1995. 40 através dessa construção contínua das aprendizagens que o aluno toma consciência do seu desenvolvimento intelectual, social e afetivo, através do qual o professor consegue realizar a análise reflexiva dos avanços e dificuldades dos estudantes, revendo e redefinindo sua prática pedagógica. O professor, então, assume o papel de mediador e facilitador no processo de ensino aprendizagem, mediação essa que nos reporta ao conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), trazido por Vygotsky53 (2015) que é a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial do aluno. Assim, a tarefa do professor é promover a aproximação dessas duas zonas, desenvolvendo a autonomia do aluno e favorecendo a aprendizagem, adequando o saber ao modo de raciocínio de cada aluno. Avaliar o processo de aprendizagem de forma diagnóstica e formativa é fundamental para acompanhar o desenvolvimento dos estudantes e ajudá-los a enfrentar os eventuais obstáculos. Por essa razão, ensinar através de situações desafiadoras, que possuam valor sócio-cultural e um grau crescente de complexidade para manter a motivação é uma ação docente importante. Os alunos necessitam fazer conexões entre suas aprendizagens e a vida real, aplicando verdadeiro sentido a elas. Da mesma forma, os conteúdos precisam ser ensinados com o propósito de desenvolver as competências; o conteúdo pelo conteúdo, fragmentado, não cabe mais nessa perspectiva. A avaliação, sob essa ótica, deixa de ser um instrumento para aprovação/reprovação, passando a ser o diagnóstico de uma situação, visando à autocompreensãodo aluno. O foco do processo é fornecer informações acerca das ações de aprendizagem, auxiliando na construção da autonomia por parte do estudante como mencionado anteriormente. O Referencial Curricular Gaúcho (RCG) reafirma essa ideia, ao declarar que: A avaliação precisa ocorrer concomitantemente e vinculada ao processo de aprendizagem, numa perspectiva interacionista e dialógica, atribuindo ao estudante e a todos os segmentos da comunidade escolar a responsabilidade do processo de construção e avaliação do conhecimento. Assim, o sucesso do aluno não depende somente dele ou do professor, é também responsabilidade da família e do contexto social em que está inserido.54 O desafio da avaliação escolar requer inovação, reflexão e ação por parte dos docentes, que precisam repensar suas práticas pedagógicas e oportunidades que ofertam para que a aprendizagem aconteça. É por meio das metodologias empregadas e dos processos avaliativos realizados que o 53 VYGOSTSKI, L. S. A formação social da mente: o Desenvolvimento dos Processos Psicológicos Superiores. Martins Fontes. 7ª ed. São Paulo, 2015. 54 RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial Curricular Gaúcho. Porto Alegre, 2018, p. 33. 41 professor poderá oportunizar ao estudante o desenvolvimento de competências que garantam sua participação ativa na transformação da sociedade, tendo sua convivência pautada na igualdade e equidade. 42 2.6 FORMAÇÃO CONTINUADA Adriana Conceição Santos dos Santos Bianca Migliavacca Ao longo de toda a construção teórica do presente Referencial do Território de Gravataí (RTG), há um olhar para esta nova geração de estudantes que surge com advento do século XXI. São apontadas características de desenvolvimento intelectual que não é mais “transmitido” ou “descoberto” pelo professor. Novos mecanismos tecnológicos despontam no caminho da escola que ainda insiste numa permanência que não podemos nem chamar de tradicional, mas sim de “retrô”. Neste movimento de acomodação da escola se encontra o professor. Como será visto por esta nova perspectiva? Por este contexto do novo século? Será considerado obsoleto e substituível por máquinas ou algo parecido? As respostas para estas questões estão na compreensão da intencionalidade que a Base Nacional Curricular Comum55 (BNCC) traz em seu bojo ao elencar dez competências a serem alcançadas ao longo da Educação Básica. Ao professor não lhe foi tirada a função de ensinar, apenas a função ganhou uma complexidade que exigirá maior estudo e preparo para serem executadas, pois requerem entender dos processos mentais e as características desta nova geração de alunos. E dentro dessa necessidade de mais estudo e aprofundamento, entra o papel essencial da formação continuada. A formação continuada é a formação que dá continuidade à apropriação dos saberes. É um processo dinâmico, garantido pela legislação. No Art. 3 da Resolução nº 2, de 1º de julho de 2015, que trata sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior e formação continuada, destaca-se que: [...] formação docente inicial e continuada para a educação básica constitui processo dinâmico e complexo, direcionado à melhoria permanente da qualidade social da educação e à valorização profissional, devendo ser assumida em regime de colaboração pelos entes federados nos respectivos sistemas de ensino e desenvolvida pelas instituições de educação credenciadas.56 É preciso incentivar os professores ao apoderamento dos saberes que os levem a um processo crítico-reflexivo das suas práticas em múltiplas dimensões, tecendo na vida cotidiana escolar as experiências dos estudantes. A partir da fundamentação teórica, o professor se torna o sujeito investigador da sala de aula, formulando estratégias e reconstruindo seu fazer pedagógico. Segundo Mello e Rego (2002), a preparação e desempenho dos professores liga-se a dois fatores básicos: 55 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2017. 56 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução Nº 2 de 1º de julho de 2015. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/docman/agosto-2017- pdf/70431-res-cne-cp-002-03072015-pdf/file>. Acesso em 09/09/2019. 43 […] o novo perfil que a escola e os professores devem assumir para entender as demandas do mundo contemporâneo [...] os avanços no sentido de universalizar o acesso ao ensino obrigatório, transformam significativamente as expectativas educacionais.57 Já temos bem definida a ideia de que os alunos que temos nas salas de aula hoje, não são os mesmos de dez ou vinte anos atrás. No entanto, muitos profissionais atuantes nas escolas, tiveram suas formações iniciais concluídas, em outros tempos. Diante dessa realidade, a formação continuada deve ser o espaço em que o professor possa repensar suas práticas diante dessa nova realidade de ensino. A questão tecnológica, os modelos de ensino, o binômio eficiência e eficácia da instituição de ensino são elementos essenciais na construção e atualização das escolas, no atendimento das necessidades de alunos com origens e interesses diversos, para quem a escola até então, não havia feito muito sentido e que até então eram excluídos ou não considerados. Na sala de aula, o professor é o mediador entre os estudantes e os conteúdos escolares e é por intermédio da sua competência docente que irá construir de maneira sistemática e intencional a aprendizagem de conhecimentos, competências e habilidades nos alunos. O estudo contínuo é essencial e ele deve se concentrar em dois pilares: na própria pessoa do professor e na escola, como lugar de crescimento profissional permanente. É a partir dos contextos e práticas diárias da escola, que acontecerão as trocas que levarão a questionamentos críticos e reflexões conscientes. Paro (2007)58 afirma que, ao longo dos anos, a didática vem investindo na criação de métodos, técnicas e procedimentos que produzam no aluno a vontade de aprender. Porém, é preciso romper com a racionalidade técnica. Uma possibilidade é a ideia de parceria colaborativa. Nesta parceria, a partir da interação entre os pares que assumem papéis específicos no processo, a reflexão e a intervenção na realidade se viabilizam. É preciso trabalhar em conjunto e a escola precisa oferecer esse espaço de formação e troca. Encontros pensados nos anseios dos professores e nas possíveis dificuldades encontradas pelos estudantes, onde, a partir dos novos saberes, discuta-se o que será aplicado na prática para transpor tais obstáculos. O que o trabalho em conjunto na escola busca é que esta integração entre os profissionais facilite o direcionamento do percurso escolar dos estudantes. É necessário um direcionamento das discussões e de aprofundamento teórico dos conhecimentos construídos para atingir melhores resultados, levando à construção de novas perspectivas de ensino de acordo com as necessidades de cada grupo de estudantes e a partir das experiências de seus professores. A formação continuada não pode se limitar a cursos de curta duração, simpósios ou reuniões. Não que esses meios de apropriação de saberes não 57 MELLO, Guiomar Namo de; REGO, Teresa Cristina. Formação de professores na América Latina e Caribe: a busca por inovação e eficiência. Conferência Internacional: desempenho de professores na América Latina, Tempo de Novas Prioridades. Brasília, 2002, p. 4. 58 PARO, Vitor Henrique. Estrutura da escola e prática educacional democrática. Caxambu (MG): ANAIS da ANPEd, GT 05 (Estado e Política Educacional), 2007. 44 sejam válidos, mas segundo SCHNETZLER (2000)59 acabam mantendo o professor atrelado ao papel de ‘simples executor e aplicador de receitas que, na realidade, não dão conta de resolver os complexosproblemas da prática pedagógica. A formação continuada precisa ser encarada como um processo construído no cotidiano escolar de forma constante, para dar conta de acompanhar todas as mudanças que vêm acontecendo em nosso ensino. As Diretrizes Curriculares Nacionais também trazem à discussão a formação inicial e continuada para os novos paradigmas propostos para o ensino fundamental: [...] hoje, exige-se do professor mais do que um conjunto de habilidades cognitivas, sobretudo se ainda for considerada a lógica própria do mundo digital e das mídias em geral, o que pressupõe a aprender a lidar com os nativos digitais. Além disso, lhe é exigida com pré-requisito para o exercício da docência, a capacidade de trabalhar cooperativamente, em equipe, e de compreender, interpretar e aplicar a linguagem e os instrumentos produzidos ao longo da evolução tecnológica, econômica e organizativa”.60 Manter-se atualizado sobre as novas metodologias de ensino e desenvolver práticas pedagógicas mais eficientes são desafios da profissão de professor. A graduação é apenas uma das etapas do processo de capacitação que não pode ser detido enquanto houver jovens querendo aprender. Nóvoa afirma que: Precisamos reconhecer, com humildade, que há muitos dilemas para os quais as respostas do passado já não servem e as do presente ainda não existem. Para mim, ser professor no século XXI é reinventar um sentido para a escola, tanto do ponto de vista ético quanto cultural.61 Por isso, é preciso considerar a formação inicial e continuada como processos reflexivos que contribuirão diretamente para a formação dos cidadãos que se almeja, ou seja, críticos e capazes de conviver e participar democraticamente da vida em sociedade. Dessa forma, fica clara a necessidade da formação de professores, capacitando-os para enfrentar os novos paradigmas da educação, a era digital e tecnológica e, especialmente, para entender essa geração de alunos que não é passiva, mas questionadora, sedenta não somente pela informação, mas pela troca de saberes e experiências. 59 SCHNETZLER, R. P. O professor de ciências: problemas e tendências de sua formação. In: SCHNETZLER, R. P.; ARAGÃO, R. M. R. (orgs.). Ensino de Ciências: fundamentos e abordagens. Piracicaba: Capes/Unimep, 2000. 60 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica. Brasília, 2013, p. 53. 61 GENTILE, Paola; NÓVOA; Antonio. Professor se forma na escola. Nova Escola, 2001, p. 6. Disponível em: <https://novaescola.org.br/conteudo/179/entrevista-formacao- antonio-novoa>. Acesso em: 25/06/2019. 45 2.7 AS COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC Adriana Conceição Santos dos Santos Ana Paula Braun A Base Nacional Comum Curricular (BNCC)62 está alicerçada no desenvolvimento de DEZ COMPETÊNCIAS GERAIS que precisam ser asseguradas aos estudantes, no trabalho proposto para as três etapas da Educação Básica. Elas tornam explícito o compromisso da educação, no Brasil, com a formação integral e com a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva. Tais competências incluem muitas ações que não são totalmente novas com relação ao trabalho desenvolvido nas Escolas. A grande questão é provocar a reflexão para que aquilo que, muitas vezes é proposto intuitivamente, passe a ser realizado a partir de uma intencionalidade, de um planejamento para que a competência se construa. Considerando a importância desse conceito, faz-se necessário um breve aprofundamento conceitual. Vivemos um momento de mudanças significativas nas formas de produção e apropriação dos saberes. O saber “fazer” (uso do conhecimento e habilidades motoras) e o saber “ser/agir” (capacidade de mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes, conjunto que representa o conceito de competência) são fundamentais diante desse novo “aprender”, que precisa ensinar a pensar e a pesquisar. Deve, ainda, desenvolver o raciocínio lógico e a autonomia, a capacidade de síntese, de planejar e resolver situações-problema. Tudo isso aproxima o aluno do que se pode qualificar como “competente”. A busca deste “tornar-se competente” depende, diretamente, de decisões pedagógicas e metodologias pensadas nesse sentido. Alguns procedimentos didáticos são fundamentais, tais como: Relacionar o tema com a experiência do aluno e de outros personagens do contexto social; Desenvolver a pedagogia da pergunta, encarando-a como princípio educativo; Proporcionar uma relação dialógica com o aluno; Envolver o aluno num processo que conduz a resultados, conclusões ou compromissos com a prática; Oferecer um processo de autoaprendizagem e co- responsabilidade no processo de aprendizagem. 62 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2017. 46 Quando utilizamos a proposta de competências com o intuito de “entender e desenvolver o currículo, dirigir o ensino, organizar a aprendizagem dos estudantes e balizar a avaliação63” estamos cumprindo o papel central da educação. É preciso, portanto, organizar o processo de ensino e aprendizagem de modo a favorecer que o aluno utilize um conjunto diversificado e coordenado de recursos nas suas construções. Para Júlio Furtado64, competência é “a capacidade para solucionar situações complexas que exijam, ao mesmo tempo, conhecimentos, habilidades, experiências e atitudes de diversas naturezas. Ser competente significa saber fazer escolhas, decidir, mobilizar recursos e agir”. A BNCC define competência como, a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho65. Essas competências estão inter-relacionadas e desdobram-se no trabalho proposto para as três etapas da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e médio). Há, portanto, uma intenção direcionada não só ao desenvolvimento cognitivo, mas a todo o desenvolvimento socioemocional que possa estar envolvido na construção de uma competência. Segundo Lopes66, a organização curricular por competência não está centrada no conhecimento escolar e nas disciplinas escolares, pois estes são submissos às competências, às habilidades e às tecnologias a serem adquiridas e implementadas pelos alunos. Ainda, segundo o autor, as competências prescritas, por si só, passariam a se constituir como princípios de integração curricular, em função de que mobilizariam saberes e habilidades relacionadas aos diferentes componentes curriculares. Na intenção de explicitar o compromisso da educação brasileira com a formação humana integral e com a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva, a BNCC apresenta as competências gerais da educação básica67: 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital 63 SACRISTÁN, G. 10 teses sobre a aparente utilidade das competências em educação. In: SACRISTÁN, G. e col (org.). Educar por Competências, o que há de novo? Ed. Artmed, 2011, p. 13. 64 FURTADO, Julio. Habilidades e Competências na sala de aula: o que sai e o que fica? Escola Particular - Publicação mensal do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo. São Paulo,, ano 22. n. 240, mar. 2008. 65 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2017, p. 8. 66 LOPES, A. C. Competências na organização curricular da reforma do ensino médio. Boletim Técnico do SENAC, Rio de Janeiro, v. 27, n. 3, set./dez., 2001. 67 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2017, p. 9-10. 47 para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção deuma sociedade justa, democrática e inclusiva. 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 4. Utilizar diferentes linguagens - verbal (oral ou visual-motora como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital - , bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva, e ética nas diversas prática sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimentos e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 48 As Competências gerais da BNCC abrangem toda a Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio). A fim de apresentar tais competências de uma maneira mais dinâmica, o RCG68 as trouxe em formato de mandala, conforme ilustração a seguir. Fonte: RCG (RIO GRANDE DO SUL, 2018, p. 29). Salienta-se que o presente Referencial do Território de Gravataí, baseado nos princípios da BNCC e do RCG, ao reforçar a necessidade da 68 RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial Curricular Gaúcho. Porto Alegre, 2018. 49 observância do ensino por competências, visa a promover um desenvolvimento educacional integral, proporcionando uma experiência escolar mais humanizada e acessível a todos os estudantes do município. Ao indicar como essas competências evoluem, ao longo da educação básica, o documento torna mais fácil para o professor entender o que os alunos precisam desenvolver, como promover essas aprendizagens e como acompanhar os resultados. 50 2.8 A TRANSVERSALIDADE DOS TEMAS COTIDIANOS Adriana Conceição Santos dos Santos Vivemos numa época em que a inovação nas práticas pedagógicas é obrigatória, sob pena de se tornar obsoleto e desinteressante aos olhos dos estudantes, cujo acesso à informação tecnológica está ao alcance das mãos. Nesse contexto, a transversalidade se constitui como uma possibilidade de se instituir na educação uma aprendizagem inovadora sobre os conhecimentos teóricos e as questões da vida real, aprendendo a realidade na realidade. Segundo Yus69, a transversalidade nos possibilita esta condição, pois trabalha com assuntos como: Ética, meio ambiente, orientação sexual, pluralidade cultural, trabalho, pluralidade étnica, consumo, saúde, educação fiscal e tantos outros, que permitem aos alunos pensar sobre o futuro, sobre as relações humanas, sobre o processo cultural que a cada dia que passa está mais rápido e diversificado. Transversalizar é tratar sobre temas atuais e complexos que fazem parte da formação da sociedade70. Neste sentido, a escola precisa dar-se conta que não é mais seu papel apenas munir os estudantes de informação; hoje a escola e o processo educacional como um todo passam a assumir um papel muito mais importante: o papel formador, orientador, que tem por função principal propiciar elementos didáticos, pedagógicos e curriculares que permitam ao estudante analisar e selecionar as informações ao seu alcance de modo a formar sua própria opinião sobre as circunstâncias vividas. O papel formador da escola não lhe dá o direito de impor suas escolhas e preferências, muito antes pelo contrário, o papel formador da escola lhe impõe a obrigatoriedade de explorar todas as possibilidades que um fato, situação, informação ou objeto podem apresentar e de posse de todos os subsídios de análise, faça com que o estudante tenha condições de chegar a suas próprias conclusões ou julgamentos. Os filósofos Deleuze e Guatarri, em sua obra Mil Platôs: Capitalismo e esquizofrenia, trazem quatro vetores de sustentação de sua construção filosófica: “Desconstrução do racismo de Estado; Desnaturalização de padrões; Valorização das singularidades; Exercícios das diferenças71”. Estes vetores 69 YUS, R. Temas Transversais em busca de uma nova escola. Tradução de Ernani F. da Rosa. Porto Alegre: Artmed, 1998. 70 Ibid., p. 52. 71 DELEUZE & GUATARRI. Mil Platôs: Capitalismo e esquizofrenia. Ed.34, Rio de Janeiro, 1995, p. 87. 51 aliados ao conteúdo da Base Nacional Comum Curricular72 (BNCC), que propõe que sejam desenvolvidas no processo educativo competências e habilidades que permitam ao estudante concluir a Educação Básica, entendendo que é preciso resgatar a empatia e a alteridade que nos caracteriza enquanto “SER” humano, possibilita a escola oferecer um conteúdo que promova a tão sonhada Educação Integral. A partir disto, vale ressaltar que a escola não opera no vazio, ela é a construção de vários saberes, e a questão da transversalidade no currículo da educação básica é mais uma dessas construções. No livro “Temas Transversais em Educação: Bases para uma Formação Integral”, Maria Dolors Busquets (2000), aponta que a transversalidade de temas da vida real, como sendo o principal elo de ligação entre os níveis e modalidade: entende que os conteúdos curriculares tradicionais formam um eixo longitudinal do sistema educacional e, em torno dessas áreas de conhecimentos, devem circular, ou perpassar, transversalmente esses temas, mais vinculados ao cotidiano da sociedade. Assim, nessa concepção, se mantém as disciplinas que estamos chamando de tradicionais do currículo (como a Matemática as Ciências e a Língua), mas os conteúdos devem ser impregnados com os temas transversais73. O currículo compreendido como seleção de conteúdos e elementos que priorizam um núcleo cultural comum acaba não respeitando as particularidades regionais e/ou locais. Assim sendo, é importante destacar o significado dos temas transversais em cada nível de ensino da educação básica, ou seja, para a Educação Infantil, que tem comofoco principal o aprimoramento da sociabilidade das crianças, centrada em práticas de Cuidado e Educação, o objeto de suas ações são as relações educativas ocorridas num espaço de convívio coletivo, isto é, as interações sociais estabelecidas na escola de Educação Infantil. Ao incluir conceitos, atividades e/ ou dinâmicas metodológicas que se referem a temas transversais, o professor e a escola como um todo estão inferindo diretamente na (re)elaboração de sentimentos, ideias e percepções positivas sobre si e sobre o outro, construindo desde cedo uma educação de convivência respeitosa com a diversidade, com a natureza e com a sociedade. Para o Ensino Fundamental, as transversalidades são temas contínuos e graduais, contínuo porque devem ser tratados ao longo do ano e gradual porque a cada ano, seus conceitos e conteúdos devem ser complexados de acordo com a do amadurecimento etário e educacional dos estudantes. 72 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2017. 73 BUSQUETS, Maria Dolores. Temas transversais em Educação: Bases para uma formação integral. São Paulo, Ed. Ática, 2000, p. 13. 52 É no Ensino Fundamental que ocorre a transição entre o processo de percepção do mundo e as interações sociais decorrentes desta percepção e a compreensão de como se dá o processo de valoração cultural intencionalmente construído nesta sociedade. Essa transição se dá através, de inclusão qualificada de conteúdos e conceitos transversalizados nos diferentes componentes curriculares e nas diferentes áreas do conhecimento, ou seja, a tarefa do Ensino Fundamental, neste contexto é garantir referenciais das diferentes temáticas transversais no processo de ensino-aprendizagem durante o ano letivo em todas as áreas de conhecimento, com o intuito principal de subsidiar o estudante com elementos que os permitam avançar para um novo nível de compreensão e análise. Portanto, é importante que se destaque o entendimento da adequada forma que os referidos temas devem ser tratados, bem como as práticas metodológicas e cotidianas das escolas, pois sem este entendimento, de nada adianta o extenso material legal que sustenta a obrigatoriedade dos Temas Transversais no currículo das escolas em todos os níveis e modalidades da educação brasileira. É preciso, que no processo de formação, sejam elaboradas estratégias e métodos pedagógicos que levem em consideração a integração entre o saber fazer e os demais saberes; a correlação entre teoria e prática, ciência, tecnologia e sociedade, e os conhecimentos adquiridos em sala de aula com os saberes constituídos pela vida. Paro ressalta que: a construção de conhecimento é sempre mediada, ou seja, é sempre construída no âmbito das relações interpessoais, pois é na relação com o outro que o sujeito ativo desenvolve a autonomia de pensar e agir nas diversas situações do cotidiano74. A abordagem interdisciplinar em uma proposta centrada a partir de temas transversais é o “divisor de águas” e o que diferencia uma ação pontual estanque e sem continuidade, de uma ação cuja proposta de conteúdos e metodologias valorize os diferentes temas, permitindo e estimulando o trabalho conjunto entre dois ou mais campos distintos, em busca de uma interdisciplinaridade. É importante destacar que a educação interdisciplinar não elimina as disciplinas, ao contrário, reorganiza para torná-las comunicativas entre si. Transversalizar as diferentes temáticas, no âmbito de todo currículo, é entender que nem sempre é necessária a criação de um novo projeto, mas exercitar a percepção temática de modo a inseri-la nos projetos já existentes. No planejamento interdisciplinar, a transversalidade é o que estabelece uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados 74 PARO, Vitor Henrique. Estrutura da escola e prática educacional democrática. Caxambu (MG): ANAIS da ANPEd, GT 05 (Estado e Política Educacional), 2007, p. 38. 53 (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real e de sua transformação (aprender na realidade e da realidade). É o tema em relação aos componentes. Portanto, no afã de atender o proposto no Referencial do Território de Gravataí (RTG), ou seja, a busca por uma educação que se renove e se aprimore a partir do atendimento às necessidades do aluno, é preciso perceber que a escola deve estar preparada para educar, principalmente, para a vida e é exatamente isto que a abordagem dos temas transversais proporcionam, uma educação para a vida. Assim, ao encerrar este texto, é interessante relembrar que o conhecimento do conteúdo dos temas transversais (já abordados neste texto anteriormente), bem como o profundo conhecimento do seu próprio componente curricular, são essenciais para a identificação dos elementos que demonstrem a necessária interlocução com áreas do conhecimento e/ou componentes curricular a serem abordados, pois o processo educativo excede os limites dos conteúdos formais de cada componente. 54 3. MODALIDADES DE ENSINO 3.1 EDUCAÇÃO DO CAMPO E AS NOVAS RURALIDADES Adriana Conceição Santos dos Santos Gravataí se constituiu, no tempo histórico, enquanto uma cidade de bases econômicas estruturada na agricultura, tendo a produção da mandioca como seu principal produto até meados do século XX. Segundo o setor de Geoprocessamento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDUR) da Prefeitura Municipal de Gravataí, o município, possui 467,54 km² de área total deste, 315,30 km² ainda são consideradas áreas rurais, representando 67,43% do total do território. A partir da década de 30, Gravataí passa a adquirir contornos desenvolvimentistas, direcionando-se para um processo de urbanização. Fontoura menciona que “a relação campo-cidade nasce desde o surgimento da cidade, pois só é possível na medida em que o campo produz mais alimentos do que necessita e, gera excedentes capazes de garantir a subsistência na cidade75”. Nos anos 70, com a instalação das primeiras indústrias, a criação do Distrito Industrial e a construção da Free-Way (BR-290), com acesso à cidade, há um grande avanço, econômico e tecnológico, gerando um novo perfil ao município, trata-se da modernização do rural. A cidade passa a ter uma leitura territorial vinculada e remanescente do tempo histórico, mas com acesso a bens e serviços disponíveis apenas nas zonas urbanas, ou seja, “a proximidade (física, funcional e socioeconômica) com os principais centros urbanos está relacionada, principalmente, ao uso generalizado do automóvel e ao acesso facilitado pelas modernas vias de comunicação.” 76 Muitos são os elementos envolvidos nesta dicotomia entre o rural e o urbano, entre o que chamamos de rural tradicional e de rural moderno, este último influenciado pela urbanização do território tratado por Wanderley (2009) em três aspectos: Em primeiro lugar, transforma as formas tradicionais do trabalho agrário, favorecendo a introdução das experiências de 75 FONTOURA, Luiz Fernando Mazzini. A relação campo-cidade como método. In: MEDEIROS, Rosa Maria Vieira; FALCADE, Ivanira (orgs). Tradição versus tecnologia: as novas territorialidades do espaço agrário brasileiro. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009, p. 269. 76 WANDERLEY, M. N. B. O mundo rural brasileiro: acesso a bens e serviços e integração campo cidade. In: Estudos Sociedade e Agricultura. Rio de Janeiro: CPDA/UFRRJ, v. 17, n. 1, 2009, p. 242. 55 “não trabalho” e a “predominância do consumo sobre o trabalho no meio rural”; em segundo lugar “transforma o espaço fechado do village em um espaço aberto, definido por campo de relações e tende a se tornar análogo ao da cidade”. Finalmente, em terceiro lugar, a urbanização estimula a mobilidade profissional e social dos agricultores tornando o meio rural, também sob este aspecto, mais semelhante ao modelo das cidades.77 Assim, surge a concepçãode “nova ruralidade”, demandando de seus sujeitos um “redescobrir identitário”, que não se vincula mais ao modo tradicional de ver a zona rural em detrimento da zona urbana, tampouco tem claro qual seu papel neste rural moderno. Demanda, ainda, redescobrir o significado destas novas territorialidades, que rompem com os conceitos demarcados pelas “zonas”. Construir esta nova ruralidade é um desafio ao sujeito rural, mas é muito mais desafiante ainda à escola que nela está inserida com a pretensa proposição de uma Educação do/no campo. Na perspectiva de compreender a emergência de uma nova educação do campo, é preciso considerar que o campo, atualmente, abriga uma grande diversidade de ocupações, serviços e atividades produtivas, bem como de uma maior interação com o entorno urbano, “que além de trazer novos elementos para a compreensão deste rural, ainda pode inverter o movimento de uma fração da população em direção às áreas rurais78”. É importante para esta compreensão ainda, observar as distintas categorias sociais que compõem esta ruralidade, que vai desde famílias de agricultores até assentados oriundos de programas sociais ou outros movimentos, passando por comunidades quilombolas e tantos outros que buscam no “conceito territorial do campo” refúgio para os problemas sociais da urbanização. Para que se construa um currículo escolar que, de fato, dialogue com este indivíduo, em processo de redescobrir-se, é preciso construir uma concepção de Educação que problematize esta visão romântica da vida do campo e da educação que lá se desenvolve, pautada num modo de vida alternativo, natural, sustentável, livre dos problemas que afetam as grandes cidades, tais como drogas, violência, precarização do trabalho, entre outros. Segundo Vygotsky79, o aprendizado está sempre relacionado ao desenvolvimento, pois representa "um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas". Para esse autor, a escola deve ser justamente o lugar onde a relação entre aprendizagem e desenvolvimento 77 Ibid., p. 248. 78 KAGEYAMA, Ângela. Desenvolvimento Rural: conceito e aplicação ao caso brasileiro. Porto Alegre, Editora da UFRGS, 2008, p. 20. 79 VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984, p. 101. 56 sofrem uma transformação qualitativa, e onde o ambiente cultural é pedagogicamente preparado para respeitar as interações do educando com a cultura, interesses e necessidades ligados ao meio onde vive. Neste sentido, é desafio desta construção teórica, propor uma releitura da pedagógica com o propósito de criar elementos de aprendizagem ao mesmo tempo em que constrói subsídios junto à comunidade local para a formação da identidade desta “nova ruralidade”. Para tanto é condição fundamental questionar todos os envolvidos nos processos educativos da escola, se os mesmos têm consciência da necessidade de interação entre o conhecimento “formal” e os interesses, perspectivas, sonhos e modos da vida dos alunos, e isto deve estar contido na concepção de educação, na organização curricular, nos métodos de ensino, na avaliação escolar, e demais procedimentos didáticos realizados pela escola? E qual a visão de educação daria a possibilidade de construção dessa interação? Ao buscar respostas para estas questões, a escola propõe-se a renovação, a reestruturação da prática, da abordagem junto à comunidade, da maneira de perceber como o aluno aprende e principalmente a necessidade de adequar o “como se aprende” ao “como se ensina”. Segundo o Parecer CNE/CEB nº 02/201880, As Diretrizes para a Educação do Campo tem a finalidade de pensar o processo de construção de um projeto de educação para o campo como espaço de vida, da cultura, do saber e da formação de identidades, gestado desde o ponto de vista dos sujeitos do campo e da trajetória de lutas de suas organizações... Compreende a Educação Básica em suas etapas e modalidades: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Técnico Integrado e destina-se ao atendimento às populações do campo em suas mais variadas formas de produção da vida – agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, assentados e acampados da Reforma Agrária, quilombolas, caiçaras, indígenas e outros. Dado esse novo conceito de educação do campo, a proposta pedagógica deve ter por objetivo principal a formação integral, envolvendo suas famílias e a comunidade como um todo, na prática pedagógica, no exercício do diálogo entre os diferentes partícipes do processo educativo do aluno, fazendo com que o mesmo conheça e valorize o seu modo de vida, a cultura local, despertando sua criticidade e ampliando seu conhecimento a cerca dos conhecimentos do entorno. Na prática, o aluno pensa a vida neste novo processo de ruralidade, a partir de manifestações culturais, políticas, sociais ou religiosas, confrontando a 80 BRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes operacionais para a educação básica nas escolas do campo: CNE. Resolução CNE/CEB 2/2018. Diário Oficial da União, 9 de abril de 2002, Seção 1, p. 32. 57 teoria com a prática, pesquisando, experimentando e trocando experiências, enquanto reflete teoricamente, consolidando e aprofundando questões apensadas e adquiridas durante seu processo de (re)descoberta. A ideia é de oportunizar uma comunidade rural que educa e se educa, de fazer com que todo o bairro, se transforme num lugar de experiências de trocas de saberes de valores, de experiências de vida, de culturas. É fazer com que a escola deixe de ser esse lugar trancado, assim como que esse cenário de aulas só para os alunos venha a se transformar num centro irradiador de cultura em diálogo constante com a comunidade. Para tanto a escola deve repensar suas estruturas tradicionalmente constituídas. Que os professores nela inseridos, organizem seus componentes curriculares, planos, metodologias e currículos de modo a obter sucesso neste novo procedimento de ensino e aprendizagem. A nova Base Nacional Curricular Comum81 e todos os movimentos dela decorrente até chegar ao Referencial do Território Gravataí, traz o momento e as ferramentas ideais para constituir Projetos Políticos Pedagógicos e Planos de Estudos coerentes com concepções de ensino que de fato vão proporcionar à escola desenvolver ações que tornem os alunos competentes para a real, onde tenha por princípio, muito mais que sua compreensão, mas a sua transformação no ideal. Para Nascimento82 (2005, p.68) “a família não possui o saber científico. Por isso, o Plano de Estudo é uma forma de valorizar o saber popular existente e presente na realidade do educando/a”. Esse instrumento pedagógico tem como função favorecer o diálogo entre o saber popular e o saber científico entre família e escola, escola e comunidade. O que é importante dessa dinâmica é que a pesquisa, ou seja, a reflexão exigida na construção de planos de estudos coerentes terá de provocar uma tomada de atitude frente ao problema estudado. Ainda referente ao Plano de Estudo, Gimonet83 (2007) diz: O Plano de Estudo é a atividade de base para desencadear o processo formativo na experiência e coleta de dados do terreno. A Colocação em comum representa a atividade de junção entre os dois espaços-tempos do processo de formação. Dela emerge um questionamento que constitui o ponto de partida para pesquisas e aprofundamentos. A visita de estudo e/ou a intervenção externa de um prático trazem um outro exemplo de prática profissional, de organização ou de outro aspecto. Elas constituem, sobretudo, para o grupo, uma 81 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. 82 NASCIMENTO, Claudemiro Godoy do. A educação camponesa como espaço de resistência e recriação da cultura: um estudo sobre as concepções e práticas educativas da Escola Família Agrícolade Goiás - EFAGO. Dissertação de mestrado – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, 2005, 308 p. 83 GIMONET, op. cit., p. 70. 58 referência comum sobre o qual os aportes teóricos podem se basear. Todo este conjunto forma o fundamento para os aportes e aprofundamentos teóricos de natureza diversa e variada segundo os temas tratados com um conteúdo técnico ou tecnológico e outro mais geral (mais científico para uns, mais econômicos ou culturais para outros...). Desta forma, os conteúdos encontram-se abordados e associados em habilidades, que de maneira cruzada e interdisciplinar, possibilita a construção de aprendizagens significativas, onde a relação e articulação entre os saberes e as aprendizagens, se veem otimizadas na alternância com a realidade local. À guisa de conclusão, este documento recomenda diálogo intenso e permanente com as escolas que se encontram no território rural do Município de Gravataí, a fim de que as mesmas possam construir, em conjunto com a mantenedora, este entendimento de resgate identitáro. A escola, hoje, é vista como polo irradiador de políticas públicas e, na grande maioria das vezes, é o único espaço coletivo e cultural de uma comunidade, daí sua importância para o autorreconhecimento desta ruralidade. É condição sine qua non para a construção desta “nova ruralidade” local a participação ativa e consciente da escola enquanto desencadeadora deste processo. 59 3.2 EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA Adriana Conceição Santos dos Santos As histórias de quilombos nascem em todo Brasil como forma de resistência à escravidão por toda parte onde havia escravos. No Brasil, os primeiros quilombos surgiram no período colonial, e o trabalho escravo africano foi usado como mão de obra compulsória nas lavouras de cana, na extração da borracha e do ouro, na produção do açúcar, fumo, algodão e charque, conforme a região do Brasil. Foi na ilha de São Tomé, por volta de 1545, que surgiram os primeiros levantes de escravos. As colinas da ilha viraram refúgio dos rebeldes que se escondiam nas matas da ilha, onde faziam seus mocambos. No Município de Gravataí, a história quilombola nasce com a história da própria cidade. Muito embora o Município se reconheça oficialmente como uma cidade formada por imigrantes açorianos e indígenas que aqui já viviam, o processo histórico traz, com a vinda de tropeiros paulistas, a presença de negros escravizados com maior visibilidade para o sul do País. Mais tarde, com o fim da Guerra do Paraguai, muitos negros dela participantes ganham a liberdade e, com ela, alguns deles ganham terras de seus antigos donos e outros ganham dinheiro com o qual compram terras. Desta feita, surge o que conhecemos hoje como Quilombo Manoel Barbosa e Quilombo Ferreira Filho, na cidade de Gravataí, Quilombo Tia Anastácia em Viamão e Quilombo do Paredão na divisa com Taquara, antes denominado como ”Campos de Viamão”. Durante muito tempo estes espaços serviram de refúgio para negros escravizados que, em fuga, buscavam escapar dos maus tratos de seus senhores. O termo quilombo tem assumido novos significados na literatura especializada e também para grupos, indivíduos e organizações. Vem sendo ressemantizado para designar a situação presente dos segmentos negros em regiões e contextos do Brasil. Contemporaneamente, quilombo não se refere a resíduos ou resquícios arqueológicos de ocupação temporal ou de comprovação biológica. Não se trata de grupos isolados ou de população estritamente homogênea, nem sempre foram constituídos a partir de movimentos insurrecionais ou rebelados. Sobretudo consistem em grupos que desenvolveram práticas cotidianas de resistência na manutenção e na reprodução de seus modos de vida característicos e na consolidação de território próprio. A identidade desses grupos não se define por tamanho e número de membros, mas pela experiência vivida e as versões compartilhadas de sua trajetória comum e da continuidade como grupo. Neste sentido, constituem grupos étnicos conceitualmente definidos pela antropologia como um tipo 60 organizacional que confere pertencimento por meio de normas e meios empregados para indicar afiliação ou exclusão84. As chamadas “Terras de Preto” são terras doadas, entregues ou adquiridas por comunidades negras após a abolição e desagregação do latifúndio ou extensões que permaneceram em isolamento relativo, mantendo regras de direito consuetudinário com apropriação comum dos recursos. Há ainda os chamados quilombos urbanos que são sítios geográficos onde se agrupavam os negros que se rebelavam contra o sistema escravista da época, formando comunidades livres. Estes sítios localizavam-se no entorno das cidades e devido ao crescimento urbano foram absorvidos. São grupos que lutam até os dias atuais pela garantia de salvaguardar seus territórios, para consolidar sua história de resistência e autonomia, além do acesso a serviços públicos, infraestrutura básica e emprego. Essas comunidades buscam o reconhecimento de sua identidade e a segurança jurídica de seu direito à propriedade para romper o ciclo da segregação espacial, prática naturalizada que restringe aos negros o direito de viver em determinados espaços urbanos, principalmente os mais valorizados e dotados de infraestrutura. A partir da constituição de 1988, cem anos após a abolição, os quilombos voltam a ter visibilidade e atenção. O texto da constituição, em seu artigo 68 das disposições transitórias, diz o seguinte: “aos remanescentes das comunidades de quilombos, que estejam ocupando suas terras é reconhecida sua propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos85”. Entretanto, foi apenas em 2003, através do Decreto Federal Nº 4.87886 que foi regulamentado o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos, sendo o Incra o órgão competente na esfera federal. Recentemente, o termo quilombo tem assumido novos significados. O termo não se refere apenas a resíduos ou resquícios arqueológicos de ocupação temporal ou ocupação biológica, mas a grupos que desenvolvem práticas cotidianas de resistência na manutenção e reprodução dos seus modos de vida característicos bem como na consolidação de um território próprio de uso comum, baseado em laços de parentesco e solidariedade. É neste contexto que surge o processo educativo, enquanto equipamento de resgate, aprofundamento e consolidação da história e cultura deste povo que teve no evento da escravização suas crenças, usos e costumes p. 2. 84 O’DWYER, Eliane Cantarino. Terra de Quilombo. Rio de Janeiro: ABA/UFRJ,, 1995, 85 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Presidência da República. 5 de outubro de 1988. Brasília, DF. 86 Presidência da República-Casa Civil. Decreto 4887. Brasília, 20 de novembro de 2003. 61 subtraídos e renegados por longos anos, num total esmaecimento de sua identidade. Na cidade de Gravataí, o contexto das comunidades de quilombos se entrecruza com o contexto rural do município, havendo, portanto, a necessidade de reescrever-se dentro desta “nova ruralidade”, porém observando que essa reescrita estará impregnada de um olhar específico da Educação Escolar Quilombola. Neste sentido, parafraseando o texto da Educação no Campo contido neste referencial, este documento repete aqui alguns apontamentos lá descritos, no intuito de reafirmar esta postura. Um deles diz respeito ao processo de reconhecimento desta nova ruralidade que precisa de uma pedagogia que expresse este “redescobrir” de valores existenciais e principalmente do lugar em que, cada indivíduo envolvido no processo, fala o que se vê representando. Para tanto a escola deve, através da pedagogia da Alternância, criar mecanismos didáticos pedagógicos que lhe permita estar intrinsecamente ligada à comunidade a qual seinsere, permitindo formar sua identidade local. Este movimento da escola não será benéfico apenas à comunidade, mas também a si própria, pois “o entrosamento local da escola é uma alternativa válida para agarrar e gerir as novas figuras e contornos da escolarização e que minam a ‘sacralização’ e à legitimidade do velho ‘programa institucional87”. No que tange às comunidades quilombolas, esta tarefa da escola ganha valor ainda mais potente, pois não se trata apenas de redescobrir-se enquanto rural, sob essa nova ótica, mas propor a estes indivíduos remanescentes de negros escravizados, a descoberta das suas raízes “além mar”, redesenhada com as culturas locais, buscado na memória dos mais velhos contributos que permitirão aos mais novos reconstituir sua identidade e pertencimento afrodescendente. Esta estratégia de envolvimento e interação entre crianças e idosos, na condição de ensinantes e aprendentes, traz à tona outro viés pedagógico que permeia a Educação Escolar Quilombola, chamada de “Pedagogia Griô”. Assim sendo, a escola, ao se dispor a aliar a proximidade do currículo à comunidade, tal qual descrito no texto da Educação do Campo, ao envolvimento cultural necessário a uma identificação progressiva de quilombola, enquanto seu pertencimento étnico-racial, propõem-se a uma renovação, a uma reestruturação da prática, da abordagem junto a esta comunidade, repensando a maneira de como o aluno aprende e principalmente a necessidade de adequar o “como se aprende” ao “como se ensina”. A Educação Escolar Quilombola é desenvolvida em unidades educacionais inscritas em suas terras e cultura, requerendo pedagogia própria em respeito à especificidade étnico-cultural 87 DUBET, François. Le travail sur autrui em mutation. Lovaina: Henac (Rentrée académique), 2003, p. 12. 62 de cada comunidade e formação específica de seu quadro docente, observados os princípios constitucionais, a base nacional comum e os princípios que orientam a Educação Básica brasileira. Na estruturação e no funcionamento das escolas quilombolas, deve ser reconhecida e valorizada sua diversidade cultural88. De acordo com a Resolução CNE/CEB 08/1289, em seu artigo 9, Educação Escolar Quilombola é compreendida como: “Escolas Quilombolas e Escolas que atendem a estudantes oriundos de territórios quilombolas. Por escolas quilombolas entende-se aquelas localizadas em territórios quilombolas.” Assim, o Município de Gravataí possui, oficialmente, três escolas em territórios quilombolas, ou que recebem alunos oriundos de quilombos, sendo elas as EMEF Santa Cecília, EMEF Mariante Soares Pacheco e EMEF Santa Cruz, situadas, respectivamente, as duas primeiras, no bairro Barro Vermelho, junto ao quilombo Manoel Barbosa e, a terceira, no Distrito de Morungava, próximo ao Quilombo do Paredão que, apesar de pertencer ao Município de Taquara, muitas das crianças e jovens desta comunidade acabam por frequentar a escola, por estar situado na divisa com o Município de Gravataí. Do ponto de vista do atendimento ao resgate cultural e histórico da identidade dos afrodescendentes, a Resolução CNE/CEB nº 08/2012 em seu art.1º, parágrafo1º inciso I, tem um direcionamento muito claro do que a escola que se encontra em situação de Educação Escolar Quilombola tem o dever de desenvolver: I - organiza precipuamente o ensino ministrado nas instituições educacionais fundamentando-se, informando-se e alimentando- se: a) da memória coletiva; b) das línguas reminiscentes; c) dos marcos civilizatórios; d) das práticas culturais; e) das tecnologias e formas de produção do trabalho; f) dos acervos e repertórios orais; g) dos festejos, usos, tradições e demais elementos que conformam o patrimônio cultural das comunidades quilombolas de todo o país; h) da territorialidade. A Base Nacional Curricular Comum90 (BNCC), ao trazer dentre seu roll de competências, o repertório cultural para a valorização das diversas 88 BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes operacionais para a educação básica nas escolas do campo: CNE. Resolução CNE/CEB 4/2010. Diário Oficial da União, 9 de abril de 2010, p. 42. 89 BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes operacionais para a educação básica nas escolas do campo: CNE. Resolução CNE/CEB 8/2012. Diário Oficial da União, 8 de novembro de 2012, Seção 1, p. 32. 90 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. 63 manifestações artísticas e culturais e a empatia e cooperação para fazer-se respeitar e promover o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade, sem preconceitos de qualquer natureza, tem por propósito fazer com que a escola contribua para a construção de uma sociedade mais ética, democrática, inclusiva que respeite e promova a diversidade e os direitos humanos, sem preconceitos de qualquer natureza. Assim sendo, é fundamental o trato das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola e para Educação do Campo na Educação Básica, considerando que é urgente garantir aos estudantes o direito de se apropriar dos conhecimentos tradicionais oriundos das comunidades remanescentes de quilombos e das suas formas de produção de modo a contribuir para o seu reconhecimento, valorização e continuidade. O mesmo desconhecimento é percebido em relação às comunidades rurais na inexistência de uma organização curricular que atende para hibridez, característica destas comunidades que vivem no limite entre a zona rural e urbana. As referidas normas, ora a emitida pelo CNE, sob o nº 08/2012, que aponta a construção do projeto político-pedagógico da Escola quilombola, ora a emitida pelo CEED, sob o nº 342/2018, que aponta para a definição de diretrizes para a Educação no Campo, deverão pautar-se na realização de diagnóstico da realidade destas comunidades e seu entorno, num processo diagnóstico que envolva as pessoas da comunidade, as lideranças e as diversas organizações existentes no território. Tais dados devem compor e/ou ser levados em conta no repertório que norteará a construção do projeto político-pedagógico das escolas, onde, para as Escolas de Educação Quilombolas deverá considerar: Os conhecimentos tradicionais, a oralidade, a ancestralidade, a estética, as formas de trabalho, as tecnologias e a história de cada comunidade quilombola; as formas por meio das quais as comunidades quilombolas vivenciam os seus processos educativos cotidianos em articulação com os conhecimentos escolares e demais conhecimentos produzidos pela sociedade mais ampla. Além disso, a questão da territorialidade, associada ao etnodesenvolvimento e à sustentabilidade socioambiental e cultural das comunidades quilombolas deverá orientar todo o processo educativo definido no projeto político- pedagógico91. Fica, portanto, a perspectiva de que o presente Referencial do Território de Gravataí deve impulsionar a construção de uma visão coletiva positiva das 91 RIO GRANDE DO SUL. Secretaria Estadual de Educação. Diretrizes curriculares para a educação do campo: CNE. Resolução CEE/CEB 342/2018. Diário Oficial do Estado,11 abril de 2018, p. 35. 64 comunidades remanescentes de quilombos e dos afrodescendentes em geral contidos na comunidade gravataiense, em particular, mas também na sociedade brasileira como um todo, possibilitando apropriação conceitual e erradicando discriminações e preconceitos a partir de uma Educação Antirracista e Antidiscriminatória como grande objetivo da escola que desenvolve Educação Escolar Quilombola. 65 3.3 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Adriana Conceição Santos dos Santos A modalidade de Educação de Jovens e Adultos – EJA - na perspectiva do Referencial do Território de Gravataí (RTG) possui uma grande responsabilidade, pois não se trata de construir uma política curricular, mas de apresentar uma descrição filosófica / pedagógica desta modalidadedo Ensino Fundamental e seu significado na educação gravataiense. A EJA, atualmente, se caracteriza por um público composto por adultos que não tiveram acesso à escolaridade e jovens que, por algum motivo, estão em defasagem idade/escolaridade. Esses estudantes buscam atender à demanda do mercado de trabalho, concluindo essa etapa de ensino por meio de uma modalidade voltada às suas necessidades. Devido a isso, a EJA exige uma aprendizagem que principie das experiências e conhecimentos que os alunos já possuem, para que haja, dessa forma, uma troca entre o saber já adquirido com o que será aprendido, construindo uma aprendizagem significativa, transformadora e que faça sentido para a vida deles. A Constituição Federal de 198892 estendeu o direito ao Ensino Fundamental aos cidadãos de todas as faixas etárias, o que estabelece o imperativo de ampliar as oportunidades educacionais para aqueles que já ultrapassaram a idade de escolarização regular. Mais tarde, esse direito também foi ratificado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96)93, estabelecendo no seu artigo 37, capítulo II, seção V a Educação de Jovens e Adultos que diz: “A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou oportunidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. Essa definição da EJA, esclarece o potencial de educação inclusiva e compensatória que essa modalidade de ensino possui. Assim sendo, este texto traz consigo duas questões: a primeira diz respeito a pontuar o contexto que a Educação de Jovens e Adultos se insere neste documento e a segunda é apresentar uma característica específica do que se propõe o Município em termos de Educação de Jovens e adultos a partir deste quadro. É fato que o ser humano está sempre em processo de aprendizagem, dentro e fora dos muros da escola, seja na lógica de construção da autonomia, de conhecimentos que favoreçam sua participação na vida social e a interação ativa e crítica com o meio físico e social; seja para o tratamento da informação e a expressão por meio das múltiplas linguagens e tecnologias. Gadotti (2006), 92 BRASIL. Constituição (1988): Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. 93 BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96. Brasília, DF: Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental, 1996. 66 traz em seu texto uma citação de Comênio, que já no século XVII, apontava para o acesso ao saber durante toda a vida enquanto ser aprendente. Almejamos que possa ser integralmente ensinando e, dessa forma, ascender à humanização completa, não apenas um homem, ou muitos homens, mas todos os homens em conjunto e cada um isoladamente, jovens, velhos, ricos, pobres, plebeus, homens e mulheres, em resumo, todo o ser humano; para que, finalmente, todo o gênero humano seja instruído, qualquer que seja, sua idade, estado, sexo, nacionalidade... Assim como o mundo todo é uma escola para todo o gênero humano do começo ao fim dos séculos, assim como a idade de cada homem é uma escola do berço ao túmulo... Não há idade para aprender, e os limites impostos aos homens pela vida e pela aprendizagem são os mesmos.94 Ao se pensar numa Educação de Jovens e Adultos com tal propósito, é imprescindível que se considere alguns aspectos dentro do papel da escola, ou seja, com uma educação que expresse uma prática político-pedagógica realizada pelo intercâmbio de experiências de pessoas e movimentos que se complementem e que se fortaleçam no seu fazer educativo quando partilham as suas vivências e testemunhos, “um modo de ser e de fazer”, que definam o tipo de intervenção e a instrumentalização didático-pedagógica necessária para uma adequada comunicação entre professores e estudantes. Isso implica dizer que todo o processo que a escola realiza no cumprimento de sua função formal e socializadora envolve o planejamento, o desenvolvimento e a avaliação de um currículo vivo e real. A Declaração de Hamburgo95, já em 1997, em seu artigo 10, trazia este conceito de aprendizagem para a vida e durante toda a vida como algo novo e um diferencial do processo educativo nesta modalidade: O novo conceito de educação de jovens e adultos apresenta novos desafios às práticas existentes, devido à exigência de um maior relacionamento entre os sistemas formais e os não- formais e de inovação, além de criatividade e flexibilidade. Tais desafios devem ser encarados mediante novos enfoques, dentro do contexto da educação continuada durante a vida.96 Isso significa dizer que o currículo, em seu conteúdo e nas formas através das quais se apresenta tanto aos professores quanto aos estudantes, não é o resultante de um processo neutro, supostamente consensual, mas sim o resultado de um processo que reflete interesse de uma dada sociedade, vivendo em um determinado tempo e mediado por valores que regem também os processos educativos. 94 COMENIO. In: GADOTTI, M. História das Ideias Pedagógicas 8ª ed. São Paulo: Ática, 2006, p. 57. 95 V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos (V CONFINTEA), realizada em julho de 1997, em Hamburgo, Alemanha. 96 Id., 1997, artigo 10. 67 Neste sentido, é importante ressaltar que a definição de um currículo cujas bases são determinadas, principalmente, por competências a serem desenvolvidas ao longo da educação básica, conforme descrito na Base Nacional Comum Curricular97 (BNCC), nos faz refletir sobre as especificidades desses alunos, ou seja, indivíduos que já construíram muitas destas competências citadas na BNCC, através das experiências vividas, na base da tentativa e erro. Sendo assim, as questões que servem para pensarmos e buscarmos respostas são: Quem são os estudantes público-alvo da Educação de Jovens e Adultos na atualidade? A formalização do Nível de Ensino Fundamental se aplica a esta modalidade em sua íntegra? Quais conhecimentos devem ser contemplados? Quais podem ser excluídos? Que critérios usar para selecionar alguns em detrimento de outros? Quais são os procedimentos de ensino e avaliação adequados? A educação de adultos, conforme citado na Declaração de Hamburgo (1997), Engloba todo o processo de aprendizagem, formal ou informal, onde pessoas consideradas "adultas" pela sociedade desenvolvem suas habilidades, enriquecem seu conhecimento e aperfeiçoam suas qualificações técnicas e profissionais, direcionando-as para a satisfação de suas necessidades e as de sua sociedade. A educação de adultos inclui a educação formal, a educação não-formal e o espectro da aprendizagem informal e incidental disponível numa sociedade multicultural, onde os estudos baseados na teoria e na prática devem ser reconhecidos98. O desenvolvimento de habilidades e competências na sala de aula implica o conhecimento do contexto histórico social, considerando a importância da interdisciplinaridade, a diversidade cultural presente nas relações educacionais de modo que os conhecimentos sejam reorganizados e modificados, permitindo uma aprendizagem significativa que favoreça ao indivíduo interagir e transformar a realidade. A competência implica, portanto, operacionalizar e mobilizar saberes, atitudes e valores. Essas competências devem ser definidas com referência às situações que os estudantes deverão ser capazes de compreender e dominar. Somente após essas definições é que se selecionam os conteúdos de ensino. Em síntese, em vez de partir de um corpo de conteúdos disciplinares existentes, com base no qual se efetuam escolhas para cobrir os conhecimentos considerados mais importantes, a elaboração de um currículo que tem por base competências, parte da análise de situações concretas e da definição de competências requeridas por essas situações. 97 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2017. 98 Id., 1997,artigo 03. 68 O termo competência significa o agir com eficiência, utilizando-se dos conhecimentos, valores e vivências adquiridos para enfrentamento de situações reais. No contexto educacional, a ideia de competência é abrangente e refere-se a atributos intelectuais, cognitivos, afetivos e sociais. O fundamento de um currículo por competências é a redefinição dos conteúdos de ensino, de modo a atribuir sentido prático aos saberes escolares, abandonando a preeminência dos saberes disciplinares para se centrar em competências supostamente verificáveis em situações e tarefas específicas. Assim, de acordo com Cruz (2001), competência é: A capacidade que as pessoas desenvolvem de articular, relacionar, os diferentes saberes, conhecimentos, atitudes e valores, constituídos por intermédio de sua vivência e por meio dos conhecimentos construídos na escola. Essa articulação e relação se constrói a partir da necessidade da vida diária, das emoções e dos enfrentamentos das situações desafiadoras com as quais temos que dialogar99. Para aprender a utilizar seus recursos intelectuais próprios é preciso que o ser humano seja levado regularmente a propor e resolver problemas, a tomar decisões, a criar situações complexas e a desenvolver projetos e pesquisas. Se o que se pretende é que os estudantes jovens e adultos construam competências, essas são as tarefas que eles têm de enfrentar não só uma vez, mas ao longo do seu cotidiano. Ressignificar este propósito de tornar indivíduos competentes para a vida cotidiana, talvez seja o ponto de aproximação a ser estabelecido na EJA da atualidade, ou seja, repensar seu papel diante deste novo contexto sócio- político-econômico, em que tanto adolescentes quanto adultos procuram essa modalidade devido às dificuldades anteriores encontradas, não conseguindo concluir o Ensino Fundamental. Esse público, por meio da EJA, tem uma oportunidade, não só a de retomar os estudos, mas também de repensar seu papel na sociedade, como um sujeito crítico que compreenda o que está acontecendo na sua cidade, no seu estado, no seu país, e que busque alternativas para as demandas que surgem. Nesse contexto, é fundamental o papel dos professores no processo de definição curricular, já que são eles os que, de fato, atuam mais diretamente no desenvolvimento do currículo em sala de aula. No entanto, a participação dos gestores (direção, coordenação) nessa definição também é imprescindível, uma vez que são estes os que gerenciam recursos financeiros disponíveis, além de desempenharem o papel de impulsionadores das ações pedagógicas. 99 CRUZ, Carlos Henrique Carrilho. Competências e Habilidades: Da Proposta À Prática. Edição Loyola, São Paulo, 2001, p. 29. 69 Nessa perspectiva, o presente documento define as intenções educativas para a Educação de Jovens e Adultos por meio de competências apresentadas na BNCC e fundamentadas no Referencial Curricular Gaúcho100 (RCG), respeitando o princípio do desenvolvimento dos alunos ao longo da escolaridade e as suas experiências. Isso não significa um esvaziamento dos conteúdos escolares nem a redução dos conhecimentos a serem aprendidos. A proposição é dar significado aos objetos de conhecimento, pois, ao definir competências, estimula-se a expressão de uma variedade de saberes, valores e atitudes a serem alcançadas. Pensando, assim, o público atual da EJA é parte de um mundo globalizado, competitivo e pleno de diversidades que, na maioria dos casos, tornou-se fruto da incompreensão do processo educativo ou do sistema social que não lhe possibilitou na idade certa concluir seus estudos. A EJA, enquanto uma modalidade do Ensino Fundamental, na garantia de instrumentalizar os alunos que recebem para uma inserção participativa na sociedade em que vive, deve proporcionar não somente conhecimentos, mas também a compreensão dos mecanismos da construção desses conhecimentos, instrumentalizando os estudantes com mecanismos de inserção no mundo do trabalho e a construção de valores para o convívio numa sociedade solidária. 100 RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial Curricular Gaúcho. Porto Alegre, 2018. 70 3.4 A EDUCAÇÃO ESPECIAL NO MUNICÍPIO DE GRAVATAÍ Fabiana Barcella Milanezi Patrick da Silveira Gonçalves Taís Martinez dos Anjos Trindade No Brasil, pode-se pensar que o atendimento às pessoas com deficiência ainda não contempla a inclusão e o respeito aos direitos desses sujeitos. No entanto, cabe destacar que alguns avanços foram conquistados no percurso histórico da sociedade brasileira. O primeiro atendimento às pessoas com deficiência ocorreu ainda no período imperial, com a criação de duas instituições: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, em 1845, atual Instituto Benjamim Constant - IBC e o Instituto de Surdos e Mudos, em 1857, hoje denominado Instituto Nacional da Educação dos Surdos (INES), no Rio de Janeiro. No início do século XX, no ano de 1926, foi fundado o Instituto Pestalozzi, instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência intelectual; em 1945 é criado pela psicóloga e pedagoga Helena Antipoff o primeiro Atendimento Educacional Especializado (AEE) às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi e, em 1954, foi fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Em relação aos aspectos legais referentes à Educação Especial, a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN (BRASIL, 1961101) assegurou as diretrizes para que as pessoas com deficiência, até então chamadas de excepcionais, fossem inseridas no sistema educacional brasileiro. A segunda LDBEN, Lei 5692/1971,102 determinava que os estudantes com deficiência física, mental e os superdotados tivessem acesso à Educação Especial. Em 1973, o Ministério da Educação criou o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP), órgão orientador da educação especial no país. A partir da Constituição Federal vigente,103 a educação especial passou a ser dever do Estado e seu desenvolvimento passou a ser assegurado preferencialmente na rede regular de ensino com o apoio do AEE. Essa legislação regula e normatiza a educação, assegurando o acesso à educação das pessoas com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas 101 BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União: Seção 1, Brasília, DF, v. 7, p. 11429, 1961. 102 BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa diretrizes e bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. Diário Oficial da União: Seção 1, Brasília, DF, p. 6377, 1971. 103 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. 71 habilidades. A mesma legislação ainda garante o direito de todos à educação, visando ao desenvolvimento pleno da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania, sua qualificação para o trabalho, a igualdade de condições de acesso e a permanência na escola. Corroborando com a Constituição Federal (BRASIL, 1988), a atual LDBEN104 aponta que a escolarização das pessoas com deficiência, preferencialmente, se dará na rede regular de ensino, buscando aprofundar e qualificar o desenvolvimento do trabalho realizado com este público. Essa mesma lei garante currículos, métodos e organizações específicas para atender às necessidades das pessoas com deficiência, assegurando a terminalidade específica àqueles que não atingiram o nível exigido para conclusão do ensino fundamental. Ainda, para aqueles cuja inclusão nas classes comuns do ensino regular não seja possível em decorrência de suas deficiências, será asseguradoo atendimento especializado em classes, escolas ou serviços especializados. Referente à educação de surdos, um importante marco legal foi reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais, através da Lei de Libras105 como uma das formas de comunicação e expressão oficial em todo o território nacional. Ratificando a Lei de Libras, o Decreto Federal 5.626/2005106 fomenta os cursos para a formação docente de profissionais para o ensino de Libras. Também, a Lei da Acessibilidade determina que o poder público deva se encarregar da implementação dos programas de formação profissional para intérpretes de Libras. O Decreto nº 7.611/2011107, dispõe sobre a Educação Especial, o atendimento especializado e dá outras providências, possibilitando que as instituições especializadas devidamente credenciadas nos sistemas públicos de ensino possam receber financiamento por escolarização de estudantes da Educação Especial. A Educação Especial, de acordo com a Conferência Nacional de Educação Básica108 salienta: Na perspectiva da educação inclusiva, cabe destacar que a educação especial tem como objetivo assegurar a inclusão 104 BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n° 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 134, n. 247, p. 27733- 27834, 20 dez. 1996. 105 . Lei de Libras. Lei n° 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Brasília, DF, 2002. 106 . Decreto n° 5.626 de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Brasília, DF, 2005. 107 . Decreto n° 7.611 de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Brasília, DF, 2011. 108 . Conferência Nacional da Educação Básica: Documento Final, 2008b, p. 64. 72 escolar de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas turmas comuns do ensino regular, orientando os sistemas de ensino comum, a participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados de ensino; a transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; a oferta do atendimento educacional especializado; a formação de professores para o atendimento educacional especializado e aos profissionais da educação, para a inclusão; a participação da família e da comunidade; a acessibilidade arquitetônica nos transportes, mobiliários, nas comunicações e informações; e a articulação intersetorial na implementação de políticas públicas. A Educação Especial tem em sua concepção a educação escolar o princípio da diversidade oferecida aos alunos com deficiência física, intelectual ou sensorial; alunos com transtornos globais de desenvolvimento (TGD); transtorno do espectro autista (TEA) e alunos com altas habilidades/superdotação em todos os níveis, etapas e modalidades que estruturam a oferta educacional no Município de Gravataí. Ao longo da história da humanidade, evidenciam-se teorias e práticas sociais segregadoras inclusive quanto ao acesso ao conhecimento (IMBERNÓN, 2000109). É possível pensar que por muito tempo as pessoas com deficiência viveram escondidas, abandonadas pelas suas famílias, muitas vezes confinadas em instituições ou, até mesmo, condenadas à morte. No âmbito do Sistema Municipal de Ensino, o principal órgão para a regulamentação da legislação educacional, fiscalização e proposta de medidas para melhoria das políticas públicas municipal, o Conselho Municipal de Educação de Gravataí (CMEG), em consonância com a Constituição Federal (BRASIL, 1988) e com a LDBEN (1996), valoriza o processo e a relevância social que traz à sociedade esta discussão, a qual é embasada na experiência municipal no âmbito educacional. A educação especial, na perspectiva da educação inclusiva, garante o direito à igualdade, trazendo como pressupostos básicos que todos podem aprender, respeitando diferenças de idade, sexo, gênero, etnia, língua, deficiência, classe social ou qualquer outra natureza.110 De acordo com a Resolução CMEG 02/2015, a rede municipal de ensino de Gravataí é formada por “Escolas de Educação Infantil, Escolas de Ensino 109 IMBERNÓN, F. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. São Paulo: Cortez, 2000. 110 GRAVATAÍ. Conselho Municipal de Educação. Comissão Especial de Educação Especial. Resolução CMEG nº 02/2015. Dispõe sobre as diretrizes para a Educação Especial no Sistema Municipal de Ensino de Gravataí, p. 2. 73 Fundamental, Escola de Ensino Fundamental Especial para Surdos, Escola Especial e Escola de Ensino Médio111”. O mesmo documento no art. 13 salienta que a Secretaria Municipal de Educação (SMED) em parceria com a Secretaria da Saúde e Assistência Social prevê a criação de um Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE) contando com, no mínimo, um professor especialista em educação especial, um psicólogo, um assistente social, um fonoaudiólogo, um terapeuta ocupacional, um fisioterapeuta, um psiquiatra e um neurologista para o atendimento das pessoas com deficiência, TEA e/ou altas habilidades/superdotação da rede municipal de ensino. Além disso, a SMED deve garantir para a efetivação da qualidade de ensino da rede pública recursos humanos na área da educação especial, com formação inicial e continuada e conhecimentos específicos da área, sendo eles: intérprete de LIBRAS, professor para Atendimento Educacional Especializado e demais profissionais, contando ainda com agente de apoio e profissional de apoio pedagógico, se necessário, com formação em nível médio Curso Normal e/ou estudante de licenciatura, mediante avaliação da equipe pedagógica e professor de AEE, em consonância com a SMED/Núcleo de Educação Especial (NEE). Os aspectos legais supracitados visam a garantir a educação especial, na rede municipal, a todos os sujeitos que dela necessitarem. Certamente, é possível pensar que a escola é um espaço marcado pela heterogeneidade de sujeitos que vivem as suas singularidades de maneiras bem específicas. Isto é, cada sujeito é único em suas características sociais e culturais, sendo atribuição da escola acolher essa diversidade, no sentido da superação das desigualdades que ainda perduram de maneira significativa na sociedade.112 Esses sujeitos, que igualmente devem ter o seu direito de aprendizagem assegurado, assim como deve ser garantida a sua formação para o pleno exercício da cidadania, devem ter a seu favor propostas condizentes com a atenção que necessitam. Isto é, a educação deve ser pensada para além das diferenças socioculturais, físicas, cognitivas, psicológicas, afetivas e sensoriais dispondo de apoios, adaptações e flexibilizações que ofereçam suporte ao seu processo de ensino-aprendizagem-avaliação.113 Essas disposições envolvem a adaptação de todos os tempos e espaços escolares como, por exemplo, a forma de comunicação estabelecida na instituição de ensino, que ocorre no ensino de surdos, onde a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) desempenha papel fundamental na escolarização. Considera-se, que a educação inclusiva é o processo que se constrói na aliança do ensino regular com a educação especial, como forma de incluir os 111 Ibid., p. 1. 112 ABRAMOWICZ, A; MOLL, J. (org). Para além do fracasso escolar. 6 ed. Campinas, SP: Papirus, 2003. 113 MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003. 74 sujeitos historicamente excluídos do processo educacional – e de certa forma da vida em sociedade, seja pelas impossibilidades de acesso, pelas imposições metodológicas propostas pelas instituições de ensino ou até mesmo pelo preconceitoinstaurado nos mais diversos ambientes sociais. A educação especial elabora a perspectiva de processos de ensino- aprendizagem-avaliação que não se constituem como uma dicotomia ao ensino regular ou como uma possibilidade paralela, mas como um ambiente capaz de acolher e dar suporte às crianças/estudantes público-alvo da educação especial em seus processos de escolarização. Essa modalidade propõe adequar os tempos e espaços escolares para que a aprendizagem das crianças/estudantes com deficiência seja efetiva e o desenvolvimento de suas potencialidades se efetive, sem que isso prejudique o seu processo de socialização e inserção na sociedade.114 Dentro de uma concepção maior de educação e em consonância com a LDBEN (BRASIL, 1996), essa modalidade devem estar voltada à formação do indivíduo em sua complexidade, tendo como objetivo promover e formar para o exercício da cidadania e para a educação ao longo de sua vida. Ainda que as necessidades educacionais especiais se expressem em diferentes sujeitos no universo escolar, a Política Nacional de Educação Especial (BRASIL, 2006) sugere que algumas diversidades podem ser consideradas prioritárias em relação à oferta do apoio e nas adequações ao processo de ensino-aprendizagem-avaliação. Estes sujeitos, apontados pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008a, p. 9115) são aqueles que têm “impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental ou sensorial que, em interação com diversas barreiras podem ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade”. Entre os indivíduos que apresentam tais impedimentos, encontram- se aqueles com deficiência, TEA e altas habilidades/superdotação, conforme destacado também pela LDBEN (BRASIL, 1996). Dessa forma, é possível pensar a escola como um espaço que contempla os diferentes sujeitos como sendo essenciais ao processo educacional e para a construção de uma sociedade justa e livre das desigualdades, devendo ainda atuar de forma a acolher as diferenças, tal qual a metáfora do caleidoscópio descrita por Mantoan (2003), onde a diversidade de cores, formas e pedaços compõem o efeito complexo e rico da figura observada. A escola deve, portanto, ser um espaço livre de estranhezas, estereótipos ou conceitos pré-estabelecidos, promovendo a todos a sua construção para o exercício da cidadania e para o mundo do trabalho. 114 BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Saberes e práticas da inclusão: recomendações para a construção de escolas inclusivas. 2 ed. Coordenação geral SEESP/MEC. Brasília: MEC, Secretaria de Educação Especial. 2006. 115 BRASIL. Política Nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Brasília, MEC, 2008a. 75 Conforme a Política Nacional de Educação Especial (BRASIL, 2008a), identifica-se as seguintes classificações em que deve ocorrer a ênfase nas propostas educacionais especiais: Altas habilidades/superdotação As altas habilidades/superdotação compreendem os indivíduos com notável desempenho e elevada potencialidade em sua capacidade intelectual geral, em alguma aptidão acadêmica específica, no pensamento criativo ou produtivo, na capacidade de liderança, no talento especial para as artes e/ou em sua capacidade psicomotora. Transtorno do espectro autista (TEA) As pessoas com TEA, anteriormente descrito como transtorno global do desenvolvimento (TGD) ou transtorno invasivo do desenvolvimento são os indivíduos que demonstram déficits persistentes na comunicação e interação social em múltiplos contextos e padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades.116 Deficiência auditiva/surdez A deficiência auditiva/surdez se caracteriza pela perda parcial ou total, ocasionados por fatores congênitos ou adquiridos, da capacidade de compreender a fala e outros estímulos sonoros pelo ouvido. Deficiência física A deficiência física compreende as condições não sensoriais que interferem na mobilidade, na coordenação motora geral ou de fala por motivo de lesões neurológicas, neuromusculares, ortopédicas e/ou malformações congênitas ou adquiridas, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade, excluindo-se as deformidades estéticas e/ou que não comprometam o desempenho das funções físicas e motoras. Deficiência intelectual A deficiência intelectual diz respeito aos sujeitos que possuem limitações significativas em suas funções intelectuais comprometendo o seu comportamento adaptativo (habilidades conceituais, sociais e práticas de vida diária); de participação, interação e papéis sociais; de saúde (física e mental); e de contexto (ambiente e cultura).117. Deficiência visual/cegueira A deficiência visual/cegueira consiste na redução ou perda total da capacidade visual de forma irreversível podendo assim manifestar-se como cegueira. 116 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5: Manual diagnóstico de estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2014. 117 Ibid. 76 Deficiência múltipla A deficiência múltipla se caracteriza pela associação de duas ou mais deficiências em um mesmo indivíduo e que causa comprometimento e atraso no desenvolvimento global e na capacidade adaptativa. Certamente, tais classificações não se constituem como forma de estabelecer estigmas, mas sobretudo, como forma de identificar quais, dentre elas, possivelmente necessitarão de diferentes arranjos nos seus tempos e espaços escolares para que a aprendizagem se efetive. Da mesma forma, ao abordarmos a temática da inclusão e dos sujeitos para quem ela é destinada, deve-se compreender que o fim para o qual a escola deve se direcionar aponta para vislumbrar e valorizar as diferenças. Mantoan118 aponta que ao longo dos anos, “com a democracia de massas, destruíram-se muitas diferenças que nós hoje consideramos valiosas e importantes”. A mesma autora sugere que a escola deve buscar a construção de uma ética que possibilite o reconhecimento e a legitimidade das diferentes culturas que compõem a sociedade, assim como a pluralidade das manifestações, intelectuais, sociais e afetivas. Cabe destacar que, embora diversos avanços tenham ocorrido, sobretudo nas últimas décadas, a organização escolar, tal qual como se apresenta na atualidade, ainda não consegue dar conta da pluralidade que a compõe. Assim, torna-se necessária a oferta de serviços de apoio pedagógico, flexibilizações e adaptações curriculares, além de tempos e espaços escolares condizentes às necessidades das crianças/estudantes e que permitam a aprendizagem, a comunicação e a locomoção de todos os sujeitos inseridos no ambiente escolar (BRASIL, 2008a). O Atendimento Educacional Especializado caracteriza-se como conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestando de forma complementar ou suplementar a formação das crianças/estudantes público-alvo da Educação Especial, provendo condições de acesso ao currículo, participação e aprendizagem, devendo ser prestado nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) ou em CAEE público ou filantrópico (GRAVATAÍ, 2015). Além da Constituição Federal (BRASIL, 1988), o mesmo também está fundamentado nas resoluções do Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2009a119; 2009b) que estabelecem as diretrizes operacionais para o AEE na educação básica e na Resolução do CMEG (GRAVATAÍ, 2015), que estabelece que a Secretaria Municipal de Educação seja responsável por garantir o AEE às crianças/estudantes da Educação Especial, da rede municipal, em todas as etapas e modalidades da educação básica 118 Op. cit., 2003, p. 21. 119 BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 4, de 02 de Outubro de 2009.Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. Portal MEC, Brasília, DF, out. 2009a. 77 prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais da própria escola, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo à classe comum e podendo ser realizado também no CAEE. No município de Gravataí, tal proposta ocorre nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) que consistem no ambiente físico das escolas de educação básica das redes públicas e privadas onde, prioritariamente, deve ser desenvolvido o AEE. Estes espaços têm como função “identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas”.120 Na Perspectiva da Educação Inclusiva, a educação especial integra a proposta pedagógica da escola de ensino regular, promovendo o atendimento às necessidades específicas das crianças/estudantes. Portanto, o AEE deve estar contemplado no Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola e deve contar com professores que possuam conhecimentos específicos, formação inicial com habilitação para a docência e uma formação específica para a Educação Especial, conforme legislação (BRASIL, 2009a; GRAVATAÍ, 2015). Porém, para atender as diferenças e necessidades das crianças/estudantes, é necessário que vários conhecimentos sejam colocados em prática pelo professor. Cabe à escola definir um currículo diferenciado para os crianças/estudantes com deficiência, que preveja o uso de instrumentos, adaptações e avaliações que contemplem as suas necessidades, uma vez que se refere ao “ponto central de referência na melhoria da qualidade do ensino, na mudança das condições da prática, no geral e nos projetos de inovação dos centros escolares”.121 Este currículo, caso seja necessário, de acordo com as singularidades de cada aluno, deverá ser direcionado ao desenvolvimento das habilidades relacionadas ao cotidiano, incluindo Atividades de Vida Diária (AVD), oportunizando e priorizando a autonomia, a participação na sociedade, o acesso e a construção do conhecimento. Para os estudantes que, mesmo com todos os recursos, não conseguirem atingir a etapa exigida para a conclusão do ensino fundamental, tendo o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional assegura o Certificado de Terminalidade Específica. A Resolução CMEG nº 02/2015, assegura ainda, que o Histórico Escolar deve conter o Parecer Descritivo das habilidades desenvolvidas pelos alunos que cursarem o mínimo de nove anos de escolarização. O objetivo da educação especial inclusiva é ensinar a todas crianças/estudantes, sem distinção e com qualidade, favorecendo condições de 120 BRASIL. Parecer CEB/CNE nº 13, de 24 de setembro de 2009. Diretrizes Operacionais para o atendimento educacional especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. Diário Oficial da União, Brasília, 2009b, p. 1. 121 SACRISTÁN J. G. O currículo: os conteúdos do ensino ou uma análise prática. In: PÉREZ GÓMEZ, A. I. Compreender e transformar o ensino. 4.ed. Porto Alegre: Artmed, p. 119- 148, 2000, p. 32. 78 acessibilidade, permanência e promovendo seu processo de ensino- aprendizagem, bem como seu desenvolvimento global. Entre diversos documentos orientadores, a Declaração de Salamanca122 defende que o princípio orientador da escola deve ser o de propiciar a mesma educação a todas as crianças/estudantes, atendendo suas demandas. Portanto, a inclusão traz como eixo orientador a legitimação das diferentes práticas pedagógicas em uma mesma sala de aula para que a criança/estudante possa acessar o objeto de conhecimento. O “fazer pedagógico” de uma instituição que trabalha com a educação especial deve ser voltado a reflexões sobre como garantir que as crianças/estudantes não estejam somente matriculadas, mas que tenham suas demandas atendidas. A equipe de professores precisa refletir sobre as estratégias significativas, os objetivos pedagógicos adequados, o processo avaliativo e o conteúdo necessário a ser desenvolvido com cada sujeito que se encontre na escola. Segundo a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), o currículo é construído a partir do projeto pedagógico da escola e possibilita a sua operacionalização, orientando as atividades educativas, as formas de executá-las e definindo as suas finalidades. O mesmo documento usa as palavras “Adequações Curriculares” para referir-se ao currículo como sendo um elemento dinâmico da educação para todos e que a sua viabilização para as crianças/estudantes com deficiência pode ser realizado através da flexibilização na prática educacional, com o objetivo de atender todos os sujeitos. Pensar em adequação curricular significa considerar o cotidiano das escolas, levando-se em conta as necessidades e capacidades dos seus alunos e os valores que orientam a prática pedagógica. Para os alunos que apresentam necessidades educacionais especiais essas questões têm um significado particularmente importante.123 Neste sentido, a LDBEN124 assegura aos sujeitos público-alvo da Educação Especial currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organizações que sejam capazes e necessárias para atender as suas necessidades. 122 UNESCO. Ministério da Educação e Ciência da Espanha. Declaração de Salamanca e linhas de ação sobre necessidades educativas especiais: acesso e qualidade. Brasília: CORDE, 1994. 123 BRASIL. Estratégias para a educação de alunos com necessidades educacionais especiais. Coordenação Geral: SEESP / MEC; Maria Salete Fábio Aranha (org.). Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2003, p. 33. Disponível em:< http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/serie4.pdf>. Acesso em 30/07/2019. 124 Op. cit., 1996. 79 O Conselho Nacional de Educação (CNE) destaca que a adequação curricular é um direito subjetivo e que as escolas da rede regular de ensino devem organizar suas classes comuns com o intuito de oferecer suporte para: Flexibilização e adaptações curriculares que considerem o significado prático e instrumental de conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diversificados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento de estudantes que apresentam necessidades educacionais espaciais, em consonância com o projeto político pedagógico da escola, respeitada a frequência obrigatória.125 Nessa mesma perspectiva, a Resolução 02/2015 do CMEG (GRAVATAÍ, 2015) torna legítimo no Município o entendimento de que: [...] as adaptações curriculares devem ser entendidas como instrumento individual que irá possibilitar o planejamento e dimensionamento do que, quando e como ensinar o aluno com deficiência ou não, constituindo-se como possibilidades educacionais frente às dificuldades de aprendizagem do mesmo e tornando o currículo mais apropriado as suas peculiaridades. Não se trata de um processo isolado do professor, mas um trabalho conjunto com a equipe pedagógica da escola e a participação da família sempre que necessário. 126 A maioria das adequações curriculares realizadas na escola é considerada menos significativas, pois compreendem modificações menores no currículo regular e podem ser facilmente realizadas pelo professor em planejamento comum de suas atividades docentes, construindo-se de ajustes dentro do contexto escolar. São as adequações menos significativas, segundo documento Saberes e práticas da inclusão (BRASIL, 2006): Adaptações organizativas: referem-se às disposições dos móveis em sala de aula, o agrupamento de crianças/estudantes, materiais necessários para a realização de uma atividade e o tempo que demandará. Adaptações relativas a objetivos e conteúdos: referem-se à determinadas áreas do conhecimentopara o fomento das habilidades sociais, da cooperação e de persistência para a conclusão de atividades através da seleção de objetivos principais. 125 BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB n. 2, de 11 de setembro de 2001. Institui diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica Brasília: CNE/CEB, 2001, p. 2. 126 GRAVATAÍ. Conselho Municipal de Educação. Comissão Especial de Educação Especial. Resolução CMEG nº 02/2015. Dispõe sobre as diretrizes para a Educação Especial no Sistema Municipal de Ensino de Gravataí, p. 19. 80 Adaptações avaliativas: referem-se à variação de métodos avaliativos que consigam contemplar as especificidades das crianças/estudantes com deficiência. Adaptações em procedimentos didáticos e em atividades de ensino-aprendizagem: referem-se ao uso de uma abordagem metodológica que consiga produzir sentido nas criança/estudantes e para que ocorram novas aprendizagens. Deve-se ter o cuidado de fornecer recursos de apoio e diferentes níveis de complexidade. Adaptações em temporalidade: Referem-se às adequações no tempo para a realização de determinada atividade ou tarefa para que a criança/estudante da educação especial consiga concluí-la. As adequações significativas são aquelas aplicadas quando às medidas curriculares menos significativas não atenderem as especificidades das crianças/estudantes são resultantes de fatores como complexidade crescente de atividades e avanço na escolarização, defasagem entre sua competência curricular e de seus pares. De acordo com o documento orientador Saberes e Práticas da Inclusão (BRASIL, 2006), essas adequações abrangem: Adaptações relativas a objetivos: compreende as ações específicas ao sujeito com necessidade especial como, por exemplo, a introdução de objetivos específicos não previstos para os demais alunos. Os objetivos gerais previstos aos demais estudantes podem ser substituídos apenas para a criança/estudante com necessidade educativa especial, respeitando as suas possibilidades. Adaptações relativas a conteúdos: envolvem a inclusão de conteúdos não previstos ou a substituição daqueles que, embora relevantes ao processo de escolarização, são inviáveis frente à condição de aprendizagem da criança/estudante. Essas adaptações geralmente ocorrem em conjunto com os objetivos modificados e/ou substituídos. Adaptações relativas à metodologia: haverá casos de crianças/estudantes cujas necessidades exigirão adoção de métodos bastante específicos de ensino, levando em conta que o processo de aprendizagem seja efetivo. Os professores deverão ser orientados por profissionais especializados. Adaptações relativas à avaliação: estão vinculadas às alterações em conteúdos que foram acrescidos ou eliminados, evitando-se assim cobrança de resultados que possam estar além da capacidade do estudante. Adaptações significativas em temporalidade: são ajustes temporais realizados para que a criança/estudante adquira 81 aprendizagens necessárias a seu desenvolvimento, considerando seu próprio ritmo. Incluem o parcelamento dos conteúdos propostos, mesmo que seja necessário o período maior de escolarização. Não significa, no entanto, que deva ser considerada a retenção, mas o tempo maior para que o estudante consiga atingir determinados objetivos. O currículo para uma escola inclusiva não se restringe a adaptações feitas ao estudante com deficiência ou demais necessidades educacionais especiais. É preciso romper com currículos rígidos e carregados de conteúdos nos quais se fortalecem a segregação e a exclusão. A principal característica de um currículo inclusivo é a flexibilidade que se dá a ele. Um currículo que atenda a diversidade deve ser passível de adaptações tanto de objetivos específicos, quanto de metodologias utilizadas, mantendo um eixo previsto dentro de cada nível ou etapa. O currículo não deve ser restrito que não permita novas experiências que trarão a possibilidade de incluir a criança/estudante, nem tão difuso que justifique experiências educativas acontecerem de maneira irrefletida e sem intencionalidade. Canoas, 2003. 82 3.4.1 ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL CEBOLINHA Silvia Regina Silveira A origem da Escola Municipal de Educação Especial Cebolinha está ligada à criação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Gravataí (APAE), na data de 12 de junho de 1969. A APAE surgiu da necessidade de ampliar os atendimentos oferecidos no Município às crianças com deficiência intelectual que até o momento eram atendidas apenas em uma classe especial situada no Colégio Dom Feliciano. Por meio de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Gravataí e a APAE, firmada através da assinatura de decreto pelo então Prefeito Dorival Cândido Luz de Oliveira, a classe especial foi transformada em escola. À época, Dorival Cândido Luz de Oliveira também presidia a APAE e, nessa escola, tendo como uma de suas primeiras alunas, a filha do referido prefeito. Em setembro de 1972, foi fundada e oficializada a Escola Municipal de Educação Especial Cebolinha, possuindo como finalidade: Prestar atendimento pedagógico-clínico, reabilitação e estimulação precoce, objetivando o desenvolvimento integral do aluno, oportunizando-lhe condições que favorecem sua comunicação, desenvolvimento do pensamento lógico, interpretação e preparação para o trabalho127. A escola dispunha de uma equipe multidisciplinar, composta pelos serviços de neurologia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia e serviço social. A instituição oferecia o atendimento de estimulação precoce de zero até 03 anos, turmas de maternal, pré-escola, alfabetização, turmas de transição (preparação para inserção no Ensino Fundamental Regular), além de projetos de capoeira, horta e jardinagem, escolinha de futebol. Outra frente de trabalho na escola era a profissionalização, oportunizando experiências de trabalho através de oficinas (Oficina Protegida/ Fábrica de Chocolates) e estágios128. Neste momento histórico, a escola era mantida no formato de parceria pela Prefeitura Municipal, que contratava e designava os recursos humanos e pela APAE que supria os recursos materiais (prédio, veículos para o transporte escolar e utensílios). Com as mudanças no marco regulatório da Educação Especial, dando ênfase na educação inclusiva, a prática da escola passa a ser repensada, tendo em vista a prevalência e a forte influência do aspecto clínico que perpassa a educação das pessoas com deficiência, bem como sua oferta em 127 APAE. Gravataí 30 anos: APAExone-se por essa causa. Gravataí: APAE, 1999, p.03. 128 SILVEIRA, S. R. Um Convite a Prática do Serviço Social na Área Escolar. Canoas, 2003. 83 escolas especiais. A partir de 2006 registra-se a transferência de um grande número de estudantes da referida escola para a rede regular de ensino. Neste período, a orientação da Secretaria Municipal de Educação de Gravataí era de centralizar a matrícula desses estudantes nas escolas que já contavam com o Atendimento Educacional Especializado oferecido nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) pretendendo, assim, promover a inclusão. Na medida em que foi ampliada a oferta de atendimentos, ampliou-se, também o número de estudantes com deficiência matriculados na rede regular, ficando na Escola Municipal Especial Cebolinha os sujeitos com deficiência que estavam sendo assistidos, em sua maioria, unicamente pela equipe multidisciplinar da escola, não estando em turma específica com professor. Com a nova concepção de Educação Especial, todos os sujeitos com deficiência têm o direito de estar matriculados, seja em escola regular com apoio do AEE, seja na Escola Especial. Tais alterações na oferta também refletem no convênio firmado entre Prefeitura Municipal de Gravataí e a APAE, havendo, por parte da mantenedora, necessidade de promovera separação das ações das duas instituições129, uma vez que a APAE não se destina à educação formal desses sujeitos. Com isso, os técnicos que integravam a equipe multidisciplinar, exceto a assistente social da instituição, foram remanejados para outros espaços de trabalho. Atualmente, não há mais a realização de serviços integrados, bem como convênios com a educação. Embora ambas as instituições ocupem o mesmo espaço físico, a APAE desenvolve atendimentos de estimulação precoce e Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (convênios mantidos com a Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social). No entanto, a trajetória histórica que deu origem à Escola Cebolinha, que nasce ligada à APAE, bem como os serviços prestados à comunidade de Gravataí e região se confundem até os dias de hoje fazendo com que muitas pessoas e instituições pensem que a Escola Municipal de Educação Especial Cebolinha e a APAE constituem a mesma instituição. Essa compreensão é reforçada, pois, como dito, as instituições desenvolvem suas ações no mesmo prédio. A Escola Municipal de Educação Especial Cebolinha está fundamentada no princípio de que todos têm direito ao acesso e permanência na escola, com a garantia de aprendizagens significativas que possibilitem o desenvolvimento pleno de suas capacidades. A escola, seguindo a premissa da gestão democrática, propõe um espaço de participação da comunidade escolar, de socialização e desenvolvimento de projetos condizentes com a realidade dos estudantes que dela fazem parte. Nossa ação pedagógica está voltada para o que o estudante deve e pode aprender, assumindo a responsabilidade pelo desenvolvimento das aptidões de cada um e de todos, identificando as especificidades e 129 SILVEIRA, S. R. Um Convite a Prática do Serviço Social na Área Escolar. 84 possibilidades de aprendizagem, a fim de levar cada sujeito a construir a sua identidade, a sua autonomia e o seu protagonismo nos grupos sociais que integra130. Para tanto, a pedagogia de projetos garante maior integração e participação de todos no processo de aprendizagem, desenvolvendo a perspectiva da colaboração, da cooperação, do respeito e da parceria entre toda a comunidade escolar131. A elaboração do currículo, embasado na legislação vigente, deve levar em consideração qual será o percurso formativo proposto pela instituição a seus estudantes; para quem tal percurso se destinará, sendo consideradas as suas experiências nos outros ambientes dos quais faz parte; para que ele deve ser desenvolvido; e como deve ser trabalhado. Para tanto, o currículo da escola é entendido como um conjunto de saberes e atividades desenvolvidos através de experiências que acontecem dentro e fora da escola, planejadas por todos os trabalhadores envolvidos na educação dos estudantes e em consonância com as características culturais que estes últimos partilham. A escola sustenta no processo de avaliação dos estudantes que todos são capazes de aprender, respeitados seus limites, potencialidades, possibilidades e o tempo que demandam para fazê-lo. Cada estudante tem seu currículo individual, que acolhe sua condição de sujeito e seu processo de aprendizagem. Levando isso em consideração a avaliação é processual e contínua, onde o que é proposto deverá ser avaliado a cada momento pelo professor e permitindo, assim, uma nova abordagem, sendo devidamente registrado a fim de que a informação auxilie na elaboração do parecer descritivo desenvolvido semestralmente e do portfólio construído junto aos alunos anualmente. Destaca-se que tais instrumentos devem ser construídos coletivamente e abordando o percurso formativo durante o período letivo, evidenciando-se as aprendizagens desenvolvidas132 e não como um processo protocolar meramente para prestar contas à comunidade escolar. Com relação à avaliação de ingresso dos estudantes, antes de efetuar a sua matrícula, estes deverão ser avaliados pela equipe multidisciplinar da escola para que seja possível conhecer a realidade vivenciada pelo estudante, suas potencialidades, habilidades e especificidades para além do laudo médico tendo, a escola, a propriedade pedagógica necessária para avaliar a melhor proposta de trabalho para o estudante de acordo com as suas necessidades. Realizada a avaliação, é, então, efetuada a matrícula na escola especial ou encaminhado para a escola mais próxima de sua casa, via Central de Matrículas, com as devidas observações e sugestões de encaminhamentos, caso necessitem. 130 MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003. 131 HERNADEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: projetos de trabalho. Porta Alegre: Artmed, 1998. 132 Op. cit. 85 É importante destacar que a Escola Municipal de Educação Especial Cebolinha vive um importante momento de autoavaliação e de reformulação de seu fazer educacional. Ao longo dos anos, desde a sua fundação, a escola já passou por diferentes mudanças no marco regulatório da Educação Especial, mantendo-se em funcionamento mesmo com o forte paradigma da educação inclusiva que encerrou o funcionamento de muitas escolas especiais em todo o país. Com base nisso, fomenta-se a reflexão sobre a função que a escola tem na oferta da educação especial municipal, visto sua trajetória na oferta desta modalidade ao longo dos anos. Lutamos para transformar a escola na referência de atendimento educacional aos sujeitos com deficiência intelectual, transtorno do espectro autista, associados ou não a outras deficiências, em um prédio próprio e adaptado às necessidades dos mesmos, bem como uma equipe multidisciplinar que possa subsidiar o trabalho desenvolvido pela escola junto aos estudantes e demais membros da comunidade escolar. Atualmente, o público-alvo da Escola Municipal de Educação Especial Cebolinha compreende estudantes entre 06 e 18 anos de idade, com deficiência intelectual e/ou TEA, associados ou não com outras deficiências, cujas características as escolas do ensino regular se encontram impossibilitadas de efetivar a inclusão. O processo de escolarização ocorre em diferentes níveis e etapas de aprendizagem, onde é oferecido aos estudantes o ensino globalizado, as experiências na brinquedoteca, a aprendizagem de Atividades da Vida Diária (AVD) e a Educação Física. A escola, por compreender o estudante como sujeito de direitos, entende que a garantia do direito à educação pública de qualidade aos sujeitos com deficiência perpassa, também, pela viabilização dos demais direitos sociais, tais como: saúde, cultura, esporte, lazer, assistência social, habitação, mobilidade urbana, acessibilidade, dentre outros. É através do trabalho intersetorial entre as diferentes políticas sociais que promoveremos o atendimento integral aos sujeitos, contribuindo para desenvolvimento de sua autonomia e protagonismo social. 86 3.4.2 ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL ESPECIAL PARA SURDOS (EMEES) Alexandra Gnoatto Evanise Luz Mariur Inês Ribeiro Batista Marlei Urssulin da Rosa A Escola Municipal de Ensino Fundamental Especial para Surdos (EMEES) foi criada em 11 de junho de 1996, inicialmente como anexo da Escola Parque dos Eucaliptos, atendendo 17 alunos. Em 2000, a EMEES obteve sua autorização de funcionamento, pelo Conselho Estadual de Educação, como Escola de Ensino Fundamental Especial para Surdos. A mobilização social que originou a criação da escola deu-se por um grupo de pais e professores que acreditavam que a criança surda deveria receber uma educação diferenciada, em um ambiente linguístico favorável onde sua língua materna (LIBRAS) fosse respeitada e desenvolvida desde a mais tenra idade. Desde então, a escola atende alunos com surdez e surdez associada a outras deficiências, desde a Educação Infantil de 4 a 5 anos e 11 meses de idade até o Ensino Fundamental do primeiro ao nono ano. O trabalho se dá sistematicamenteem defesa da Língua Brasileira de Sinais como meio de instrução e fortalecimento da cidadania, respeitando-a assim como primeira língua dos alunos surdos. Atualmente a escola atende 32 alunos oriundos de diversas localidades/bairros da cidade de Gravataí e provenientes de outros municípios. A escola conta com uma equipe multidisciplinar composta por fonoaudiologia, serviço social, supervisor escolar e orientador educacional. A Escola adota como filosofia o bilinguismo, em que a Língua Brasileira de Sinais é trabalhada como primeira língua (L1) e a Língua Portuguesa, na modalidade escrita, como segunda língua (L2). Nesta perspectiva, considera a realidade dos alunos/crianças surdas, seus conhecimentos prévios, suas necessidades e expectativas, em respeito à sua identidade cultural. Entende-se que é o professor surdo, com formação nesta área e proficiência em LIBRAS, quem deve trabalhar aspectos relacionados à cultura surda e oferecer o modelo linguístico natural aos alunos/crianças. Para tanto, a escola, desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental, adota como metodologia o tema gerador, que pressupõe o estudo da realidade da qual emerge uma rede de relações entre situações significativas como dimensão individual, social e histórica. É uma rede de relações que orientam a discussão da interpretação dessa realidade, que dá suporte para a elaboração e desenvolvimento dos projetos. No Ensino Fundamental, a organização curricular é por ciclos, assegurando aos alunos o acesso, a permanência, a terminalidade dos 87 estudos, a compreensão do processo social como um todo, proporcionando- lhes uma renovação contínua, tanto em conceitos como em atitudes e ações, com duração de nove anos, sendo três anos para cada ciclo. Em cada ciclo, é prevista uma turma de progressão, na qual a frequência dos alunos não tem um tempo/permanência determinado, dada a necessidade de cada indivíduo desenvolver-se respeitando seu ritmo de aprendizagem, além de contar com plano de estudos individualizado. A turma de progressão também assegura aos alunos que não alcançam os objetivos no final do ciclo, um tempo maior para seus estudos, podendo a qualquer tempo avançar para o ciclo seguinte. O currículo desenvolvido nas turmas de progressão é a base necessária para que o aluno avance para o ciclo seguinte. A organização curricular por ciclos pressupõe ação integrada dos professores ao longo dos anos, numa divisão de responsabilidades quanto aos avanços das aprendizagens dos alunos, respeitando suas fases evolutivas, mostrando a preocupação de atender às peculiaridades de desenvolvimento intelectual em que se encontra o aluno, atentando para seu ritmo, tempo e experiências. Nesta organização é respeitado o desenvolvimento psicogenético da criança, o aluno é colocado com seus pares de idade, o que facilita as trocas socializantes e a construção de sua identidade. A avaliação da aprendizagem é considerada parte de uma ação coletiva entre professores e equipe multidisciplinar que busca a formação das crianças e dos alunos em seu percurso formativo, garantindo o desenvolvimento em todos os aspectos. Neste sentido, a avaliação é tema recorrente do planejamento, uma vez que contribui também para a construção da autonomia de todos os envolvidos na tomada de decisões. O processo avaliativo tem como características a participação de todos os segmentos. A avaliação é entendida como contínua, participativa, com função diagnóstica e investigativa, cujas informações propiciam o redimensionamento da ação pedagógica e educativa, reorganizando as próximas ações do educando, da turma, do professor, do coletivo, do ciclo e mesmo da escola, no sentido de avançar no atendimento e desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. O resultado da avaliação se dá através da elaboração de parecer descritivo semestral. Conforme artigo 24 da Resolução CMEG nº 02/2015133, deve ser assegurado, de acordo com o Decreto 5.626/2005134, na educação de surdos, o que segue: I - Educação bilíngue, LIBRAS como primeira língua e a Língua Portuguesa escrita como segunda língua; 133 GRAVATAÍ. Conselho Municipal de Educação. Comissão Especial de Educação Especial. Resolução CMEG nº 02/2015. Dispõe sobre as diretrizes para a Educação Especial no Sistema Municipal de Ensino de Gravataí. Gravataí, RS, 2015. 134 BRASIL. Decreto n° 5.626 de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Brasília, DF, 2005. 88 II - Profissionais bilíngues em todas as etapas e modalidades da educação básica; III - Professor para o ensino de LIBRAS na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental com curso de pedagogia ou curso normal superior em que LIBRAS e Língua Portuguesa escrita tenham constituído línguas de instrução, viabilizando a formação bilíngue; IV - Professor para o ensino da LIBRAS nos anos finais do ensino fundamental e ensino médio com formação superior em licenciatura plena em Letras/LIBRAS ou em Letras/LIBRAS/ Língua Portuguesa como segunda língua; V - Professor de LIBRAS, usuário dessa língua com curso de pós-graduação ou com formação superior e certificado de proficiência em LIBRAS, promovido pelo MEC; VI - Instrutor de LIBRAS, usuário dessa língua com formação de nível médio e com certificado obtido por meio de exame de proficiência em LIBRAS, promovido pelo MEC; VII - Professor ouvinte bilíngue LIBRAS/Língua Portuguesa, com pós-graduação ou formação superior e com certificado obtido por meio de exame de proficiência em LIBRAS, promovido pelo MEC; VIII - Serviço de tradutor/intérprete de LIBRAS e Língua Portuguesa; IX - Atendimento precoce e encaminhamento para a área da educação. Parágrafo único: nos casos previstos nos incisos V e VI as pessoas surdas terão prioridade para ministrar a disciplina de LIBRAS. A escola entende que uma educação de qualidade e o desenvolvimento integral do sujeito estão embasados em estudo, compromisso, respeito e que a participação das famílias é imprescindível para a construção de uma educação onde o aluno/criança possa desenvolver suas potencialidades, tornando-se um cidadão participativo, inserido socialmente e sujeito protagonista de sua história. 89 EDUCAÇÃO INFANTIL 90 4. ETAPA DA EDUCAÇÃO INFANTIL Andréia Jardim Pinheiro Gizela Lucena da Silveira Greyce da Silva Rodrigues Ilza Maria Alves dos Reis O Referencial do Território do Município de Gravataí (RTG) compreende a Educação Infantil como o alicerce da Educação Básica, pois é nesta etapa que a criança constrói conhecimentos que serão ampliados e enriquecidos, ao longo de sua vida. Assim, leva-se em consideração o avanço histórico, construído na trajetória da Educação Infantil no Município. O fato da Educação Infantil, em suas esferas pública e privada (particulares, comunitárias, confessionais e filantrópicas) passar a ser de responsabilidade da Secretaria de Educação, não mais pertencendo à Secretaria de Assistência Social, revela a mudança de paradigma sobre essa etapa da educação, uma vez que o EDUCAR e o CUIDAR tornam-se indissociáveis nesta primeira etapa da Educação Básica. Neste sentido, é necessário refletir sobre os conceitos citados: [...] cuidar e educar significa afirmar na educação infantil a dimensão de defesa dos direitos das crianças, não somente aqueles vinculados à proteção da vida, à participação social, cultural e política, mas também aos direitos universais de aprender a sonhar, a duvidar, a pensar, a fingir, a não saber, a silenciar, a rir e a movimentar-se135 (BRASIL, 2009c, p.68). Esses conceitos são os norteadores de todas as práticas pedagógicas da escola, uma vez que nos momentos de alimentação, escovação de dentes, troca de fraldas, entre outros, o professor uneo cuidado com a intencionalidade de proporcionar o desenvolvimento de aprendizagens, a fim de que ampliem sua autonomia. Assim como no ato de contar uma história, organizar um jogo ou brincadeira, o docente igualmente precisa estar atento às questões relacionadas à saúde dos alunos (febre, tosse, dores, etc.) e até mesmo com a troca de temperatura (por exemplo: se é preciso colocar o casaco porque 135 BRASIL. Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica e Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Projeto de cooperação técnica MEC e UFRGS para construção de orientações curriculares para a educação infantil. Práticas cotidianas na educação infantil - bases para a reflexão sobre as orientações curriculares. Brasília, 2009c. 91 esfriou, tirar o casaco durantes brincadeiras agitadas, etc.). Este é o diferencial no trabalho do educador dessa etapa. Tendo em vista tais aspectos, a legislação precisa acompanhar as especificidades do universo infantil. E, desta forma, é imprescindível ressaltar que a rede municipal de Gravataí tem demonstrado potencial, no que se refere à legislação educacional, uma vez que reuniu os profissionais em educação, bem como a comunidade municipal para discutir e aprimorar questões relevantes sobre esta etapa, como por exemplo: CONAE136 (2014), PME137 (2015) e o Caderno Orientador da Educação Infantil (2017), que foi construído através de sugestões e discussões com os professores da rede municipal de ensino, para nortear o trabalho pedagógico. Cabe destacar que o mesmo está em consonância com a BNCC138. Com base nesse contexto, outra particularidade positiva no Município é o que traz na Resolução Nº 01/2016139, do Conselho Municipal de Educação de Gravataí (CMEG), a qual estabelece condições para a oferta da Educação Infantil no Sistema Municipal de Ensino de Gravataí, definindo que, somente profissionais com escolaridade mínima de Curso Normal (Magistério) podem atuar com essa faixa etária, primando pela qualidade na educação. A formação inicial e continuada dos professores, deve também abordar temáticas sobre a importância da afetividade na Educação Infantil, sendo esta essencial para estreitar a relação entre professor e criança. Desta forma, a criança se sentirá segura para participar do cotidiano escolar, visto que, o vínculo abre possibilidades para uma aprendizagem, onde o professor se torna mediador nas ações e práticas educativas e a criança protagonista do processo, ao qual está inserida. Destaca-se ainda que, se a existência da afetividade é inerente ao processo de aprendizagem, esta favorece a criança em diversos aspectos, como cognitivo, motor e social, pois, a ausência dos mesmos poderá trazer comprometimento no desenvolvimento em igual proporção. Por isso, a Base Nacional Comum Curricular140 (BNCC) destaca, conforme as DCNEIs141, que a Educação Infantil é centralizada em dois Eixos Estruturantes para o desenvolvimento das potencialidades individuais e coletivas da criança, que são as interações e a brincadeiras. Esses eixos destinam-se para uma prática pensada em facilitar o alcance dos Direitos de Aprendizagem. As interações estão ligadas ao convívio social entre crianças e adultos, e crianças e outras crianças o que propicia 136 Conferência Nacional de Educação. 137 GRAVATAÍ. Lei Ordinária Nº 3685 de 9 de outubro de 2015. Institui o Plano Municipal De Educação e dá outras providências. 138 Base Nacional Comum Curricular. 139 GRAVATAÍ, Conselho Municipal de Educação. Estabelece condições para a oferta da Educação Infantil no Sistema Municipal de Ensino de Gravataí. Resolução CMEG nº 01/2016, aprovada em 06 de julho de 2016. 140 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. 141Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. 92 aprender a conviver com as diferenças de sentimentos, hábitos, culturas, etc. As brincadeiras são partes fundamentais no cotidiano da criança, pois é através do brincar que ela amplia seu conhecimento. Partindo do princípio de que a escola deve proporcionar um ambiente afetivo, prazeroso, lúdico e seguro, a BNCC determina que as crianças tenham os Objetivos de Aprendizagem garantidos através dos SEIS DIREITOS (Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar e Conhecer-se), estabelecidos para assegurar o que a mesma determina. Por meio desses, é possível efetivar na prática pedagógica o que os Campos de Experiência propõem. É importante considerar que os Campos não são desconectados, pois cada um deles vai responder a uma aprendizagem necessária para a Criança de 0 a 5 anos. Sobre a concepção de criança, as Diretrizes Nacionais Curriculares da Educação Infantil (DCNEI) expressam da seguinte forma: A criança, centro do planejamento curricular, e sujeito histórico e de direitos que se desenvolvem nas interações, relações e práticas cotidianas a ela disponibilizadas e por ela estabelecidas com adultos e crianças de diferentes idades nos grupos e contextos culturais nos quais se insere. Nessas condições ela faz amizades, brinca com água ou terra, faz de conta, deseja, aprende, observa, conversa, experimenta, questiona, constrói sentidos sobre o mundo e suas identidades pessoal e coletiva, produzindo cultura142 (BRASIL, 2009b, p.06- 07). Assim, percebemos esta concepção, utilizando possibilidades de ensino que respeitam o que a criança tem de conhecimento prévio, buscando uma ideia pautada na experiência, colocando o sujeito como parte principal da ação pedagógica. Essa leitura ressalta que, através do contato com diferentes espaços e com a aprendizagem que ela traz do ambiente familiar, a criança possa chegar a uma melhor compreensão de mundo. É necessário observar todas as particularidades da infância, para também refletirmos sobre o processo de TRANSIÇÃO durante e após esta etapa. Quando se pensa em transição na Educação Infantil, logo se percebe o quão importante e complexo é este processo, pois está diretamente relacionado com adaptação. Adaptação esta, que uma criança perpassa ao longo da etapa, por exemplo, quando ingressa numa instituição de ensino e faz a transição do ambiente familiar para o escolar. Após adaptar-se e estar inserido em um agrupamento, em determinado momento passará por outras 142 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Parecer nº 20, de 11 de novembro de 2009. Revisa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília, 2009b. 93 transições, ao trocar de turma, progredir por idade, avançar etapa, conhecer outros professores, outros espaços ou até mesmo outras crianças. Quando finaliza a creche (compreendida entre 0 a 3 anos), a criança continua passando por mudanças, como por exemplo, uma possível diminuição dos educadores, estimulação da autonomia com aspectos relacionados ao cuidado com o corpo, a higiene e pertences pessoais, dependendo da realidade frequentar um banheiro fora da sala de atividades. Superadas as adaptações e as transições ocorridas na Educação Infantil, ao concluir essa etapa, a criança iniciará no Ensino Fundamental. Para que este avanço ocorra de forma natural e agradável é necessária muita organização, recepção e preparação também de adaptação, levando em consideração que o objetivo maior seja uma transição sem prejuízo ao universo infantil que é tão rico de fantasias, não devendo ser desconsiderado apenas porque a criança concluiu a Educação Infantil. Nestes processos de transições, a criança depara-se com a diversidade física, psíquica, social e cultural presente nesses espaços e nas pessoas com as quais vai conviver, desenvolvendo assim, as habilidades de respeito e tolerância consigo e com o outro. Portanto, pensar em transição requer um olhar sensível dentro de um processo que facilite para a criança, que independente de turma, faixa etária, etapa ou instituição, perceba-secomo centro deste tão importante contexto. Este olhar sensível deve estar presente nas práticas educacionais, envolvendo não somente os professores neste processo de compromisso coletivo, formando assim, uma rede de apoio às crianças e primando pela qualidade da Educação ofertada no território de Gravataí. Finalizando, cabe registrar que o Referencial do Território de Gravataí se efetivou a partir de uma construção coletiva. Foram disponibilizados pela Secretaria Municipal de Educação (SMED) variados instrumentos de pesquisas, oportunizando para todas as escolas a contribuição no documento. As sugestões enviadas foram acolhidas pelo grupo de redatores da Educação Infantil, tornando o RTG democrático e participativo. Entretanto, a concretização desse trabalho se dará mediante a reorganização curricular de cada instituição de ensino, em seus Projetos Políticos Pedagógicos, Planos de Atividades e o Planejamento Diário do professor. 94 EDUCAÇÃO INFANTIL 4.1 BEBÊS (ZERO A 1 ANO E 6 MESES) OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E CAMPO DE OBJETIVOS DE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO PROPOSTAS PELO EXPERIÊNCIAS APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO DA BNCC DESENVOLVIMENTO DO RCG DOCUMENTO ORIENTADOR DE GRAVATAÍ “O eu, o outro e o nós” (EI01EO01) Perceber que suas ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos. (EI01EO01RS-01) Mostrar-se ativa, sem a intervenção constante de um adulto. (EI01EO01RS-02) Envolver-se em jogos simples de dar e receber, lançar objetos no chão, e manifestar-se ao recebê-los de volta. (EI01EO01-G01) Socializar-se de forma espontânea, lúdica, desenvolvendo habilidades que o permitam ser protagonista do seu próprio processo educativo. (EI01EO01RS-03) Demonstrar interesse em seguir algumas normas em atividades da rotina, participando em contextos de convívio social, como brincar ao lado de outras crianças imitando ou mostrando suas ações. (EI01EO02) Perceber as possibilidades e os limites de seu corpo nas brincadeiras e interações das quais participa. (EI01EO02RS-01) Desenvolver a linguagem corporal, a atenção e a curiosidade por tudo que a rodeia. (EI01EO02RS-02) Interessar-se por experimentar novos movimentos ao explorar objetos ou brinquedos conhecidos, como segurar objetos nas mãos e levá-los à altura dos olhos na busca por explorá-los, subir em objetos volumosos, lançar objetos em (EI01EO02-G01) Participar de atividades experimentando as possibilidades e limites do próprio corpo, de acordo com o estímulo do professor. 95 determinada direção. (EI01EO03) Interagir com crianças da mesma faixa etária e adultos ao explorar espaços, materiais, objetos, brinquedos. (EI01E003RS-01) Experienciar situações do cotidiano em que exista o compartilhamento de materiais, brinquedos e espaços com outras crianças. (EI01E003RS-02) Participar de brincadeiras com professores, como esconder e achar, imitando os professores e/ou colegas e encadeando ações simples como derrubar uma torre de blocos ou pegar um caminhão e imitar seu som. (EI01E003RS-03) Interessar-se por brincar de faz-de-conta junto com outras crianças, compartilhando brinquedos e a representação das atividades sociais. (EI01EO03-G01) Compartilhar espaços, interagindo em brincadeiras que envolvam diferentes faixas etárias. (EI01EO04) Comunicar necessidades, desejos e emoções, utilizando gestos, balbucios, palavras. (EI01EO04RS-01) Vivenciar um processo de inserção que respeite o seu tempo e oportunize o seu acolhimento e adaptação. (EI01EO04RS-02) Comunicar-se com outros bebês e com adultos, fazendo uso de diferentes formas de comunicação, buscando contato, atenção e prolongamento das situações de interação. (EI01EO04RS-03) Usar gestos com a intenção de conseguir algo, apontando o que deseja, colocando a mão na barriga para (EI01EO04-G01) Utilizar movimentos corporais e sons para expressar-se. (EI01EO04-G02) Sentir-se acolhido durante o processo de adaptação de acordo com a construção de laços afetivos entre escola e família. (EI01EO04-G03) Perceber que durante o processo de adaptação o distanciamento familiar é temporário. 96 manifestar que está com fome, apontar para torneira demonstrando sede, apontar para pessoas ou objetos como forma de mostrar reconhecimento. (EI01EO04RS-04) Sentir-se confiante nas situações de comunicação e cuidados pessoais com o adulto que escuta, observa e responde aos seus interesses e necessidades. (EI01EO05) Reconhecer seu corpo e expressar suas sensações em momentos de alimentação, higiene, brincadeira e descanso. (EI01EO05RS-01) Desenvolver a autoestima e afetividade no convívio em grupo. (EI01EO05RS-02) Construir relações de vínculos profundos e estáveis com os professores, manifestando interesses e necessidades, através de diferentes formas de expressar- se e comunicar-se. (EI01EO05RS-03) Demonstrar prazer na participação em atividades relacionadas à sua alimentação, sono, descanso e higiene. (EI01EO05-G01) Experimentar os sentidos através de sucatas e brinquedos de diferentes texturas, disponíveis no ambiente escolar. (EI01EO05-G02) Vivenciar momentos de descanso através de laços afetivos. (EI01EO06) Interagir com outras crianças da mesma faixa etária e adultos, adaptando-se ao convívio social. (EI01EO06RS-01) Enriquecer os conhecimentos e as vivências na escola e no contato com familiares do seu grupo de convivência. (EI01EO06RS-02) Mostrar interesse pelas ações e expressões de seus colegas ou ter prazer em interagir com os companheiros em situações de brincadeira, buscando (EI01EO06-G01) Brincar, aprendendo a socializar com colegas da mesma faixa etária e com adultos. 97 compartilhar significados comuns. Corpo, gestos e movimentos (EI01CG01) Movimentar as partes do corpo para exprimir corporalmente emoções, necessidades e desejos. (EI01CG01RS-01) Deslocar seu corpo de forma autônoma no espaço, criando hipóteses e estimulando suas potencialidades, partindo do seu interesse. (EI01CG01RS-02) Brincar livremente, exercendo autonomia de fazer escolhas. (EI01CG01-G01) Participar de ações pedagógicas no ambiente externo da sala de aula (pátio), explorando além das intencionalidades do professor. (EI01CG02) Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes. (EI01CG02RS-01) Mover-se e deslocar-se no espaço, apresentando controle e organicidade. (EI01CG02RS-02) Escolher as posições mais adequadas para manipular objetos com tranquilidade ou para estar atenta ao seu entorno. (EI01CG02RS-03) Brincar com o próprio corpo, envolvendo-se em brincadeiras de encobrir e descobrir o rosto ou outra parte do corpo, ficar em pé, andar com cada vez mais destreza, subir pequenos degraus e depois descer, de acordo com seu tempo. (EI01CG02RS-04) Imitar movimentos de outros bebês ou adultos nas situações de jogos e brincadeiras; segurar objetos com mãos e pés, passando de uma mão para outra; chutar bola; andar segurando-se em mobiliários; arrastar-se em busca de (EI01CG02-G01) Interagir com o meio ampliando suas possibilidades corporais através de movimentos como: engatinhar, sentar, andar, rolar, empilhar objetos, amassar e rasgar papéis, etc. 98 brinquedos; virar o corpo com intenção de pegar brinquedos; pegar, amassar, empilhar, montar, encaixar, mover, lançar, interagir com objetos de diferentes formas, cores, pesos, texturas,tamanhos. (EI01CG02RS-05) Brincar com água, terra, areia, palha, barro e outros elementos naturais. (EI01CG02RS-06) Brincar de procurar e achar objetos escondidos, de esconder-se e ser encontrado, de entrar e sair de espaços pequenos, como caixas e túneis. (EI01CG03)Imitar gestos e movimentos de outras crianças, adultos e animais. (EI01CG03RS-01) Perceber seu corpo em relação ao contexto, encontrando uma postura adequada para determinada ação, de maneira autônoma e espontânea. (EI01CG03RS-02) Brincar imitando professores e/ou colegas, cuidando da boneca, movimentando o caminhão, utilizando seus gestos e movimentos para chamar a atenção do adulto ou dos colegas. (EI01CG03RS-03) Dançar com outras crianças ao som de músicas de diferentes gêneros. (EI01CG03RS-04) Acompanhar a narrativa ou leitura de histórias fazendo expressões e (EI01CG03-G01) Reproduzir sons de acordo com gravuras mostradas pelo professor. (EI01CG03-G02) Explorar sons produzidos pelo próprio corpo e por objetos cotidianos. 99 gestos para acompanhar a ação de personagens de histórias diversas lidas e/ou contadas pelo adulto. (EI01CG04) Participar do cuidado do seu corpo e da promoção do seu bem-estar. (EI01CG04RS-01) Envolver-se de forma ativa e com progressiva autonomia em momentos como troca de fraldas, alimentação e sono, partilhando com o adulto algumas ações como segurar a mamadeira, buscar seu travesseiro, segurar a fralda no momento da troca. (EI01CG04RS02) Reconhecer as pessoas que lhe cuidam, solicitando colo ou aconchego ao adulto referência, participando de situações de troca e interação com ele, desenvolvendo atitudes de respeito ao seu corpo e ao do outro. (EI01CG04-G01) Reconhecer as sensações de seu corpo em movimentos de alimentação, higiene e descanso. (EI01CG04-G02) Participar de atividades que envolvam sensações táteis e percepção das partes do seu corpo. (EI01CG04RS-03) Buscar o adulto quando sente algum desconforto ou desprazer, relacionados à ampliação dos vínculos e expressões de suas necessidades. (EI01CG04RS-04) Sensibilizar-se quando algum colega chora, buscando objetos de conforto para seus colegas ou para si. (EI01CG05) (EI01CG05RS-01) Ampliar o repertório, tanto no que diz respeito ao conhecimento de materiais distintos (metal, madeira, plástico, pequeno, grande, frio, quente) como no que se refere ao que fazer com eles (encaixar, desencaixar, rodar, acoplar, desacoplar, empurrar, puxar), além do espaço para imaginar (sons de água, vento,chuva). (EI01CG05-G01) Explorar diferentes Utilizar os materiais e objetos como, peças de montar, movimentos de jogos de encaixe, bolas e bambolês, preensão, encaixe e desenvolvendo a curiosidade. lançamento, ampliando suas possibilidades de manuseio de 100 diferentes materiais e objetos. (EI01CG05RS-02) Utilizar pequenos objetos com coordenação e precisão, como colocar argolas em pinos, encaixar chaves em fechaduras. Traços, sons, cores e formas (EI01TS01) Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente. (EI01TS01RS-01) Explorar os elementos da natureza e os espaços externos da escola descobrindo as cores, as formas,os cheiros e os sons produzidos pelo próprio corpo, pela voz e pelos diferentes materiais. (EI01TS01RS-02) Explorar o corpo e as diferentes fontes sonoras cotidianas e materialidades regionais gaúchas na vivência e participação em brincadeiras da música tradicional da infância local, regional e nacional, além da declamação e récita de canções e melodias típicas das culturas locais. (EI01TS01-G01) Participar de atividades lúdicas a fim de reconhecer sons diversificados. (EI01TS01-G02) Explorar materiais com características diversas como cor, forma, tamanho, peso e textura. (EI01TS02) Traçar marcas gráficas, em diferentes suportes, usando instrumentos riscantes e tintas. (EI01TS02RS-01) Realizar marcas gráficas com o próprio corpo ao lambuzar-se, tocar e experimentar, utilizando elementos como folhas, sementes, flores, terras de diferentes cores, texturas, densidades, formatos, modelagens. (EI01TS02-G01) Experimentar com as mãos e com os pés, diferentes cores de tinta guache, construindo assim diversas marcas gráficas. (EI01TS03) Explorar diferentes fontes sonoras e materiais para acompanhar brincadeiras (EI01TS03RS-01) Participar de situações que convidem a criar sons com o próprio corpo ou objetos/instrumentos ao escutar, interpretar, compor e improvisar músicas, experimentando a diversidade de estilos musicais e suas características na (EI01TS03-G01) Manusear instrumentos musicais confeccionados com materiais recicláveis. (EI01TS03-G02) Apreciar painel sonoro manuseando e descobrindo os diferentes 101 cantadas, canções, músicas e melodias. especificidade das brincadeiras cantadas típicas de sua localidade, estado e país, expressando, interpretando, imitando e criando gestos. (EI01TS03RS-02) Acompanhar o ritmo de músicas diversas ou apreciar brincadeiras cantadas, participando, imitando e criando gestos, explorando movimentos, fontes sonoras e materiais. sons e cores. Escuta, fala, pensamento e imaginação (EI01EF01) Reconhecer quando é chamado por seu nome e reconhecer os nomes de pessoas com quem convive. (EI01EF01RS-01) Participar de momentos de cantiga, reconhecendo seu nome e dos colegas. (EI01EF01RS-02) Reconhecer-se através de sua foto, de sua imagem no espelho e ao chamar seu nome. (EI01EF01RS-03) Reconhecer os colegas e os adultos referência por meio de fotografias e pelo nome. (EI01EF01RS-04) Reconhecer seus pertences pessoais quando acompanhados de sua foto ou da foto com a escrita de seu nome. (EI01EF01-G01) Identificar através da chamada o seu nome diferenciando dos demais. (EI01EF01-G02) Participar de brincadeiras para memorizar a escrita do nome nos seus objetos pessoais. (EI01EF01-G03) Participar da organização da rotina, relacionando algumas imagens aos momentos da mesma. (EI01EF02) Demonstrar interesse ao ouvir a leitura de poemas e a apresentação de (EI01EF02RS-01) Participar de brincadeiras de interação respondendo a comandos por meio de gestos, movimentos, balbucios, vocalizações. (EI01EF02-G01) Ouvir histórias e poemas musicalizados para desenvolver a apreciação dos ritmos de diversas culturas. 102 músicas. (EI01EF02RS-02) Participar de situações de escuta de poemas ou músicas imitando o adulto ou seus colegas. (EI01EF03) Demonstrar interesse ao ouvir histórias lidas ou contadas, observando ilustrações e os movimentos de leitura do adulto- leitor (modo de segurar o portador e de virar as páginas). (EI01EF03RS-01) Conhecer um conjunto de histórias, ampliando o repertório de histórias preferidas, imitando o comportamento do adulto ou de seus colegas ao explorar livros. (EI01EF03RS-02) Ampliar o conjunto de palavra conhecidas fazendo uso destas ao apontar ilustrações nos livros ou, ainda, abordar atitudes a serem desenvolvidas, como ter prazer ao escutar histórias lidas, contadas com fantoches, representadas em encenações, escutadas em áudios. (EI01EF03-G01) Participar de atividades de histórias contadas pelo professor desenvolvendo o uso de recursos (fantoches, dedoches, aventais e janelas pedagógicas). (EI01EF03-G02) Explorar livros diversos de forma espontânea, apenas pelo prazer do manuseio. (EI01EF04) Reconhecer elementos das ilustrações de histórias, apontando-os, a pedido do adulto- leitor. (EI01EF04RS-01) Observar e manusear livros com imagens, apontar fotos e figuras em livros, nomear os personagens ou objetos conhecidos em ilustrações dos livros. (EI01EF04RS-02) Interessar-se por ilustrações e imagens dos livros, buscando atribuir a elas algum significado e expressando-se de diferentes formas ao interagir com a narrativa. (EI01EF04-G01) Apreciar livros através do manuseio, reconhecendo algumas ilustrações. (EI01EF05) Imitar as variações de entonação e gestos realizados pelos adultos, ao ler (EI01EF05RS-01)Repetir acalantos, cantigas de roda, poesias e parlendas, explorando ritmo, sonoridade e a conotação das palavras ao escutar histórias, contos de repetição e poemas. (EI01EF05-G01) Participar de brincadeiras de faz de conta, imitando cenas do cotidiano que lhe sejam significativas. 103 histórias e ao cantar. (EI01EF06) Comunicar-se com outras pessoas usando movimentos, gestos, balbucios, fala e outras formas de expressão. (EI01EF06RS-01) Expressar-se com “sim” ou “não” balançando a cabeça, por meio da atenção compartilhada ao olhar para mesma coisa que o professor ou colega está olhando. (EI01EF06RS-02) Sinalizar, por meio da vocalização, balbucios, gestos, movimentos e expressões gráficas algo que deseja, além de fazer uso de palavras/frases que possam comunicar uma ideia, uma intenção, uma necessidade. (EI01EF06RS-03) Expressar-se utilizando gestos comuns em sua cultura, como dar “tchau” balançando a mão, falar “não” mexendo a cabeça ou o dedo indicador, brincar com o barco emitindo o som de impacto nas águas ou carro imitando som de acelerador. (EI01EF06-G01) Utilizar diferentes linguagens para comunicar-se e expressar- se (sorriso, choro, beijo, balanço da cabeça negativa ou positivamente, gestos, etc.). (EI01EF06-G02) Interagir com crianças e adultos dentro do espaço escolar, ampliando as formas de comunicar-se. (EI01EF07) Conhecer e manipular materiais impressos e audiovisuais em diferentes portadores (livro, revista, gibi, jornal, cartaz, CD, tablet etc.). (EI01EF07RS-01) Interessar-se pela exploração de diferentes materiais impressos e audiovisuais, solicitando sua utilização ou fazendo uso deles em suas brincadeiras. (EI01EF07RS-02) Dançar e cantar quando o adulto pegar CD, encenando frente a uma filmadora ou buscando sua imagem na máquina fotográfica. (EI01EF07-G01) Explorar diferentes materiais impressos. (EI01EF08) Participar de (EI01EF08RS-01) Divertir-se com a escuta de 104 situações de escuta de textos em diferentes gêneros textuais (poemas, fábulas, contos, receitas, quadrinhos, anúncios etc.). poemas, parlendas e canções, histórias, receitas, etc. (EI01EF09) Conhecer e manipular diferentes instrumentos e suportes de escrita. (EI01EF09RS-01) Participar de situações nos espaços de brincadeira, nas paredes da sala, nos objetos e materiais que fazem parte de seu cotidiano, que envolvam os instrumentos e suportes de escrita. (EI01EF09RS-02) Explorar, no espaço do faz de conta, embalagens de produtos de supermercado, livros variados: livro brinquedo, livro imagem, livros com textos, CDs e recursos audiovisuais. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações (EI01ET01) Explorar e descobrir as propriedades de objetos e materiais (odor, cor, sabor, temperatura). (EI01ET01RS-01) Explorar e descobrir as propriedades de objetos e materiais de diferentes texturas, odores, cores, sabores e temperaturas. (EI01ET01RS-02) Manipular materiais diversos, estruturados e não estruturados, para comparar as diferenças e semelhanças entre eles. (EI01ET01-G01) Observar e manipular objetos utilizados na higiene pessoal (sabonete, creme dental, esponja, escova), utilizando-os gradativamente, como instrumentos motivadores da autonomia. (EI01ET02) Explorar relações de causa e efeito (transbordar, tingir, (EI01ET02RS-01) Demonstrar interesse e curiosidade ao vivenciar situações de contato com a natureza (luz solar, chuva, vento, c0orrenteza) e com deferentes materiais. 105 misturar, mover e remover etc.) na interação com o mundo físico. (EI01ET03) Explorar o ambiente pela ação e observação, manipulando, experimentando e fazendo descobertas. (EI01ET03RS-01) Descobrir, por meio dos seus sentidos, os seres vivos próximos ao entorno que lhes atraem. (EI01ET03RS-02) Participar de brincadeiras com areia, com água, com grama, apreciando e manifestando curiosidade frente aos elementos da natureza, se entretendo com eles. (EI01ET03-G01) Apreciar e envolver-se em brincadeiras que desperte curiosidades em relação ao meio ambiente. (EI01ET04) Manipular, experimentar, arrumar e explorar o espaço por meio de experiências de deslocamentos de si e dos objetos. (EI01ET04RS-01) Acompanhar com os olhos os movimentos dos materiais, usando o corpo para explorar o espaço, virando-se para diferentes lados ou rastejando-se. (EI01ET04RS-02) Resolver problemas espaciais que envolvam obstáculos passando por cima, ao lado ou removendo-os, ou persistir em alcançar um brinquedo desejado. (EI01ET04-G01) Participar de experiências que envolvam o uso de materiais, objetos diversificados, expressando-se livremente. (EI01ET06) Vivenciar diferentes ritmos, velocidades e fluxos nas interações e brincadeiras (em danças, balanços, escorregadores etc.). (EI01ET06RS-01) Participar de brincadeiras que envolvam o canto, o movimento, divertindo-se com a exploração de seu corpo e a percepção rítmica. (EI01ET06RS-02) Interagir nas brincadeiras cantadas e dançadas, buscando corresponder seus gestos aos versosda canção, ajustando seus movimentos ao ritmo. (EI01ET06-G01) Realizar brincadeiras diversificadas, onde a música envolva as atividades a fim de explorar movimentos corporais. 106 4.2 CRIANÇAS BEM PEQUENAS (1 ANO E 7 MESES A 3 ANOS E 11 MESES) CAMPO DE EXPERIÊNCIAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO DA BNCC OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO DO RCG OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO PROPOSTAS PELO DOCUMENTO ORIENTADOR DE GRAVATAÍ “O eu, o outro e o (EI02EO01) (EI02EO01RS-01) Compartilhar ações e (EI02EO01-G01) Conhecer as diferentes nós” Demonstrar atitudes de brincadeiras em pequenos grupos, por meio manifestações culturais, respeitando a cuidado e solidariedade de situações em que pode dividir diversidade. na interação com brinquedos, negociar enredos para as crianças e adultos. brincadeiras, perceber gestos, sentimentos e ações dos colegas, com outras crianças e adultos. (EI02EO02) Demonstrar imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios. (EI02EO02RS-01) Vivenciar desafios e brincadeiras com o corpo, desenvolvendo noções de bem-estar e autoconfiança. (EI02EO02RS-02) Manusear, nos momentos de refeição, utensílios como colher, garfo e faca, progressivamente, passando a servir-se sozinha, com apoio do adulto. (EI02EO02RS-03) Explorar e reconhecer a própria imagem corporal: no espelho, brincando com luz e sombra, em fotografias e vídeos. (EI02EO02-G01) Aprimorar a descoberta do ambiente escolar, desenvolvendo sua autonomia para enfrentar obstáculos. (EI02EO02-G02) Explorar o ambiente ampliando o seu conhecimento através da interação com seus pares e com os adultos. (EI02EO02-G03) Aprimorar o uso de utensílios como colheres, copos e canecas, progredindo para o uso de garfo e faca (sem ponta), sob a supervisão dos adultos. 107 (EI02EO02RS-04) Demonstrar satisfação e confiança em suas possibilidades corporais, realizando escolhas e resolvendo desafios nas brincadeiras e interações com outras crianças. (EI02EO03) Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos. (EI02EO03RS-01) Desenvolver a partilha de brinquedos, objetos e espaços e a convivência com crianças da sua idade, de idades diferentes e adultos. (EI02EO03-G01) Observar o espaço e rotina da escola, bem como as crianças adultos que dela fazem parte, durante processo de adaptação escolar. a e o (EI02EO03RS-02) Explorar espaços diversos na sala referência, acessando e interagindo com uma diversidade de materiais e propostas que instiguem a descoberta, a interação, o brincar simbólicoe a organização em pequenos grupos. (EI02EO04) (EI02EO04RS-01) Vivenciar momentos diários em que as crianças possam falar e escutar umas às outras - nas rodas de conversa, nos momentos de refeição, nos espaços da sala referência, na brincadeira livre, no pátio, em duplas, trios ou pequenos grupos. (EI02EO04-G01) Perceber durante o Comunicar-se com os processo de adaptação na escola, que o colegas e os adultos, distanciamento familiar é temporário. buscando compreendê- los e fazendo-se compreender. (EI02EO04RS-02) Expressar-se, por meio de movimentos corporais, de produções artísticas e de representações ao brincar de faz-de-conta. 108 (EI02EO04RS-03) Relatar situações e fatos vividos, ampliando seu vocabulário e utilizando novas palavras e frases cada vez mais complexas. (EI02EO05) Perceber que as pessoas têm características físicas diferentes, respeitando essas diferenças. (EI02EO05RS-01) Participar de festividades e comemorações significativas para as crianças, as famílias e a comunidade local. (EI02EO05RS-02) Identificar algumas características físicas suas e reconhecer diferenças com as de outras crianças. (EI02EO05RS-03) Representar diferentes papéis e imitar ações e comportamentos de outras pessoas nas brincadeiras de faz-de- conta. (EI02EO05RS-04) Desenvolver o respeito às individualidades de cada ser humano através do diálogo, interações e brincadeiras. (EI02EO06) Respeitar regras básicas de convívio social nas interações e brincadeiras. (EI02EO06RS-01) Participar de passeios no entorno da escola, no bairro e na cidade, para conhecer e ampliar a experiência cultural e social. (EI02EO06-G01) Vivenciar o dia do brinquedo de casa, tendo como possibilidade de se relacionar consigo e com o mundo que a cerca. (EI02EO06RS-02) Explorar e conhecer histórias, brincadeiras, brinquedos e objetos típicos do folclore gaúcho e da cultura local. (EI02EO06-G02) Aprimorar as relações com os colegas nos momentos de partilha com o brinquedo trazido de casa. 109 (EI02EO06RS-03) Explorar e participar, cotidianamente, dos diferentes espaços da escola como refeitório, pátio, biblioteca, pracinha, assim como de espaços da comunidade local. (EI02EO06RS-04) Perceber e vivenciar gradativamente, regras simples de convívio em espaços diferentes e em momentos de alimentação, cuidados com seu corpo e nas brincadeiras. (EI02EO07) Resolver conflitos nas interações e brincadeiras, com a orientação de um adulto. (EI02EO07RS-01) Buscar o auxílio do adulto para resolver situações de conflito nas brincadeiras e em outros momentos do cotidiano. (EI02EO07RS02) Expressar, reconhecer e falar sobre seus sentimentos, criando estratégias para resolver conflitos com o apoio do adulto. (EI02EO07-G01) Sentir-se seguro para relatar ao adulto responsável, situações de conflito ocorridas nos ambientes que frequenta. “Corpo, Gestos e Movimentos” (EI02CG01) Apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras. (EI02CG01RS-01) Conhecer as diversas expressões da diversidade cultural regional e da comunidade local, através de jogos, brincadeiras, histórias, músicas, cantigas, danças típicas. (EI02CG01RS-02) Vivenciar práticas de cuidado de si como alimentar-se e vestir- se, além de realizar a higiene pessoal, gradativamente e com o apoio do adulto. (EI02CG01-G01) Participar de atividades culturais de sua localidade, como: teatros, histórias, caminhadas pelo bairro, entre outros. (EI02CG01-G02) Vivenciar práticas de cuidado com seu corpo, identificando quais partes podem ser tocadas e acariciadas por colegas e adultos do seu convívio, desenvolvendo a noção de privacidade. 110 (EI02CG01RS-03) Brincar com materiais naturais, tocos, pedras, folhas, água, areia, terra), com utensílios e brinquedos produzidos com materiais reais (chaleiras, panelas, colheres de pau, latas) e típicos da cultura local,aperfeiçoando as habilidades manuais. (EI02CG02) Deslocar seu corpo no espaço, orientando-se por noções como em frente, atrás, no alto, embaixo, dentro, fora etc., ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas. (EI02CG02RS-01) Brincar em espaços internos e em espaços externos e ao ar livre, em contato com a natureza, diariamente e por um tempo significativo. (EI02CG02RS-02) Explorar desafios oferecidos pelo espaço por meio de movimentos como correr, caminhar, saltar, subir, descer, escalar, rolar, arrastar-se, pendurar-se, equilibrar-se, balançar-se, bem como por meio de brincadeiras de esconder e achar, de percorrer trajetos no ambiente da escola, usando referências como perto, longe, em cima, embaixo, atrás, entre outras. (EI02CG03) Explorar formas de deslocamento no espaço (pular, saltar, dançar), combinando movimentos e seguindo orientações. (EI02CG03RS-01) Explorar suas capacidades motoras, por meio de atividades lúdicas e significativas, tanto nas atividades orientadas pelo professor como as de livre escolha. (EI02CG03RS-02) Explorar posturas e (EI02CG03-G01) Movimentar-se por meio do engatinhar em diferentes espaços passando sobre obstáculos, por baixo de mesas e cadeiras, sobre caminhos marcados no chão. 111 movimentos corporais diversos, como mímicas, dramatizações, danças. (EI02CG03RS-03) Utilizar brinquedos estruturados e com regras, assim como não estruturados e que possibilitem o jogo simbólico e a criação de diferentes estratégias e enredos (panos, tocos, potes, cones, caixas, cordas, entre outros). (EI02CG03RS04) Vivenciar momentos de relaxamento e de movimentação. (EI02CG04)Demonstrar progressiva independência no cuidado do seu corpo. (EI02CG04RS-01) Interessar-se pelo cuidado do próprio corpo, solicitando o auxílio do adulto e realizando com progressiva independência os cuidados de atenção pessoal (escovar os dentes, limpar o nariz, limpar-se após usar o banheiro, pentear o cabelo, trocar a roupa, colocar o calçado). (EI02CG04RS-02) Participar dos momentos de refeição, manuseando utensílios como prato, copo, talheres e manifestando preferência por determinados alimentos e interesse por experimentar novos. (EI02CG04-G01) Criar hábitos que favoreçam o controle do esfíncter, respeitando a maturação fisiológica. (EI02CG04-G02) Demonstrar desconforto com o uso das fraldas interessando-se por utilizar o banheiro para suas necessidades fisiológicas. (EI02CG04-G03) Diferenciar quando sente fome, sono ou dor relatando suas necessidades para os responsáveis. (EI02CG05) Desenvolver progressivamente as habilidades manuais, (EI02CG05RS-01) Aprimorar a motricidade fina, realizando movimentos manuais, sem caráter de repetição e (EI02CG05-G01) Experienciar e construir habilidades motoras partindo de ações lúdicas que desenvolva a coordenação motora fina. 112 adquirindo controle para desenhar, pintar, rasgar, folhear, entre outros. treinamento, mas considerando a brincadeira e a criatividade das crianças. (EI02CG05RS-02) Descobrir e coordenar movimentos manuais por meio de brincadeiras e ações com objetos diversos e de diferentes materialidades, como carregar, segurar, amassar, rasgar, recortar, modelar, encaixar, empilhar, construir, equilibrar, lançar, pegar. (EI02CG05-G02) Participar de atividades que exijam atenção, equilíbrio e movimentos de pinça, como: carregar uma tampa de garrafa em um tecido pequeno, segurando pelas bordas; brincadeiras com prendedores; rasgar e amassar papéis; caminhar em cima de uma corda disposta no chão, etc. (EI02CG05RS-03) Experimentar suas possibilidades motoras e expressivas por meio de gestos, posturas e ritmos para expressar-se e comunicar-se, ampliando a capacidade de interagir com o meio. Traços, Sons,Cores e Formas (EI02TS01) Criar sons com materiais, objetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos ritmos de música. (EI02TS01RS-01) Explorar e criar sons e movimentos próprios para acompanhar músicas e danças do repertório cultural regional e local. (EI02TS01RS-02) Utilizar e confeccionar objetos para a exploração sonora, a partir de materiais diversos como madeira, metal, plástico, entre outros. (EI02TS01-G01) Construir, através de materiais recicláveis, instrumentos musicais para evidenciar ritmos culturais, municipais e regionais. (EI02TS01-G02) Associar sons às ações do cotidiano (barulho de batida na porta, som da chuva, ronco de uma pessoa dormindo, som de animais bravos, som de carro dando partida, etc.). (EI02TS01RS-03) Apreciar e conhecer músicas, canções, acalantos, cantigas de roda, brincos e outras manifestações relacionadas às diferentes culturas. (EI02TS01-G03) Criar dramatizações utilizando sons e movimentos. 113 (EI02TS02) Utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação (argila, massa de modelar), explorando cores, texturas, superfícies, planos, formas e volumes ao criar objetos tridimensionais. (EI02TS02RS01) Utilizar materiais e suportes diversos para a exploração grafo plástica (tinta, aquarela, carvão, giz, lápis, papel, argila, massa de modelar, entre outros). (EI02TS02RS-02) Visualizar e apreciar as próprias produções na sala referência e nos demais espaços da escola, à altura das crianças. (EI02TS02RS-03) Participar de eventos culturais apropriados à faixa etária e conhecer espaços artísticos diversificados. (EI02TS02RS-04) Manusear materiais diversos, tanto naturais (tocos, pedras,folhas, sementes, areia, barro) como industrializados (potes, caixas, tampas, tecidos), para montar, encaixar, empilhar e produzir construções e objetos tridimensionais. (EI02TS02-G01) Realizar testagens de pigmentos (lápis de cor, canetinha, tintas guache e natural, carvão, cola colorida,...) em diferentes superfícies (folhas brancas e coloridas, isopor, plástico, lixas,...). (EI02TS02-G02) Relatar o significado de suas produções artísticas (desenhos, esculturas, sons, movimentos) para colegas e professores. (EI02TS02-G03) Apreciar e conhecer símbolos do Município de Gravataí, como: hino, bandeira, brasão, bromélia. (EI02TS03) Utilizar diferentes fontes sonoras disponíveis no ambiente em brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias. (EI02TS03RS-01) Explorar brincadeiras musicais, instrumentos, cantigas e músicas do folclore regional e local, por meio de jogos e brincadeiras que envolvam a dança e a improvisação musical. (EI02TS03RS-02) Reconhecer e imitar sons da natureza (canto de pássaros, sons de animais, barulho do vento e da chuva), (EI02TS03-G01) Perceber que o som produzido por seu corpo é uma maneira de comunicação, iniciando as vocalizações e o desenvolvimento das capacidades de diferenciação da fala humana. 114 sons da cultura (vozes humanas, sons de instrumentos musicais, produzidos por máquinas e objetos), desenvolvendo a sensibilidade e a percepção de sonoridades diversas. (EI02TS03RS03) Apreciar canções e músicas de diferentes culturas, cantando junto e realizando movimentos e gestos comuns. Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação (EI02EF01) Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões. (EI02EF01RS-01) Vivenciar momentos diários de diálogo, conversa e relatos sobre assuntos propostos pelo adulto e pelas crianças. (EI02EF01RS-02) Comunicar-se e interagir oralmente, ampliando gradualmente seu vocabulário para formular perguntas, iniciar diálogos e ter atenção para escutar o outro. (EI02EF01-G01) Expressar-se nos momentos de rodas de conversa com suas ideias e comentários sobre os temas abordados, respeitando o outro através da escuta e esperando a sua vez de falar. (EI02EF02) Identificar e criar diferentes sons e reconhecer rimas e aliterações em cantigas de roda e textos poéticos. (EI02EF02RS-01) Explorar e criar diferentes sonoridades para contar e recontar histórias, declamações, rimas, parlendas, rodas cantadas, entre outras, ampliando o vocabulário, a imaginação e a criatividade. (EI02EF02RS-02) Divertir-se com os sons e as rimas ao imitar gestos e entonações dos personagens de histórias do repertório universal, regional e local. 115 (EI02EF03) Demonstrar interesse e atenção ao ouvir a leitura de histórias e outros textos, diferenciando escrita de ilustrações, e acompanhando, com orientação do adulto- leitor, a direção da leitura (de cima para baixo, da esquerda para a direita). (EI02EF03RS-01) Ouvir a leitura de histórias e outros textos, acompanhando, com orientação do adulto-leitor, a presença dos diferentes índices gráficos que compõem a obra (capa, título, autor, páginas, texto, ilustração, entre outros). (EI02EF03RS-02) Demonstrar curiosidade e apreciar histórias e contos do folclore regional e local, ampliando o repertório e reconhecendo a diversidade das culturas. (EI02EF03-G01) Desenvolver alguns comportamentos de leitores (manusear livros, revistas, jornais e impressos de modo geral), percebendo a orientação da leitura: da esquerda para a direita, de cima para baixo, virar as páginas no sentido de incorporar a prática de leitura. (EI02EF04) Formular e responder perguntas sobre fatos da história narrada, identificando cenários, personagens e principais acontecimentos. (EI02EF04RS-01) Recontar ou dramatizar histórias narradas, apoiada em ilustrações, cenários e adereços, falando sobre características dos personagens e cenários. (EI02EF04RS-02) Identificar aspectos da estrutura da narrativa, respondendo perguntas como “quem?”, “o que?”, “quando?”, “como?” e “porquê?”. (EI02EF05) Relatar experiências e fatos acontecidos, histórias ouvidas, filmes ou peças teatrais assistidos etc. (EI02EF05RS-01) Expressar-se oralmente em pequenos grupos, trios e duplas, compartilhando ideias, observações e experiências, incentivada e escutada pelo adulto. (EI02EF05RS-02) Participar de situações (EI02EF05-G01) Participar de conversa coletiva, apoiando-se não apenas na fala complementar do adulto, mas também em sua memória e em seus recursos expressivos. 116 de conversas, relatando acontecimentos e situações significativas e interessando-se por escutar relatos de seus colegas. (EI02EF06) Criar e contar histórias oralmente, com base em imagens ou temas sugeridos. (EI02EF06RS-01) Contar e recontar histórias oralmente, utilizando recursos de imagens, fantoches, adereços, dramatização. (EI02EF06RS-02) Ampliar a oralidade e o vocabulário através da exploração de contos, parlendas, rimas, charadas, trava- línguas, poemas, canções que envolvam a cultura regional e local. (EI02EF07) Manusear diferentes portadores textuais, demonstrando reconhecer seus usos sociais. (EI02EF07RS-01) Manusear diferentes portadores textuais, associados e relevantes aos contextos de brincadeira presentes nos espaços da sala referência (revistas, jornais, catálogos, encartes, cardápios, manuais, livros de receitas, agendas, blocos, calendários, entre outros), demonstrando reconhecer seus usos sociais. (EI02EF07RS-02) Visualizar materiais escritos presentes nos diferentes espaços da escola (cartazes, recados, comunicados às famílias, agendas, cardápios, entre outros), reconhecendo suas diferentes funções sociais. (EI02EF07-G01) Apreciar histórias através de variados recursos digitais, como: computador, celular, tablet, televisão, projetor, entre outros. (EI02EF08) Manipular textos e participar de (EI02EF08RS-01) Ouvir a leitura diária feita pelo professor de textos diversos para (EI02EF08-G01) Realizar leitura,mesmo que de forma não convencional através de 117 situações de escuta para ampliar seu contato com diferentes gêneros textuais (parlendas, histórias de aventura, tirinhas, cartazes de sala, cardápios, notícias etc.). ampliar o contato com diferentes gêneros textuais e como repertório de histórias universais, da cultura regional e local. diversos portadores textuais (livros, gibis, revistas, encartes, jornais, entre outros). (EI02EF09) Manusear diferentes instrumentos e suportes de escrita para desenhar, traçar letras e outros sinais gráficos. (EI02EF09RS-01) Manusear diferentes instrumentos e suportes de escrita, associados e relevantes aos contextos de brincadeira presentes nos espaços da sala referência e de acordo com o interesse das crianças (agendas, blocos de anotações, calendários, canetas, lápis, carimbos, teclados, entre outros), para desenhar, traçar letras e outros sinais gráficos. (EI02EF09RS-02) Imitar comportamentos de escritor, usando desenhos, garatujas, símbolos gráficos e outras formas de grafar inventadas pela criança, com a intenção de comunicar ideias, sentimentos, histórias. (EI02EF09-G01) Utilizar recursos disponíveis no ambiente que desenvolvam habilidades de arte e escrita. (EI02EF09-G02) Expressar ideias e sentimentos por meio de desenhos, comunicando experiências e registrando lugares, pessoas e objetos. Espaços, Tempos, Quantidade, Relações e Transformações (EI02ET01) Explorar e descrever semelhanças e diferenças entre as características e propriedades dos (EI02ET01RS-01) Observar e nomear características de objetos e materiais presentes no cotidiano. (EI02ET01-G01) Explorar, por meio dos sentidos, as características dos elementos naturais, dos materiais e do ambiente, tais como: quente, frio, liso, áspero, grosso, fino, doce, azedo, salgado, sons agudos, graves, 118 objetos (textura, massa, tamanho). (EI02ET01RS-02) Mostrar curiosidade em explorar os diversos materiais, suas características, semelhanças e diferenças, por meio da investigação e da brincadeira com água, terra, plantas, tintas, objetos diversos, entre outros. fortes e fracos (volume), odores, etc. (EI02ET02) Observar, relatar e descrever incidentes do cotidiano e fenômenos naturais (luz solar, vento, chuva etc.). (EI02ET02RS-01) Observar, apreciar e relatar os fenômenos naturais, nas diferentes estações do ano, por meio de passeios ao ar livre e em contato com anatureza. (EI02ET02RS-02) Brincar ao ar livre, em contato com elementos naturais, diariamente, e por um tempo significativo. (EI02ET02-G01) Participar de diferentes atividades que envolvam a observação e a elaboração de hipóteses sobre a ação da luz, do calor, do som, da força e do movimento. (EI02ET03) Compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela. (EI02ET03RS-01) Plantar, cuidar, ver crescer, colher, observar e admirar o ciclo de vida de plantas diversas (árvores frutíferas nativas e exóticas, legumes, hortaliças, flores,chás,ervas),nos espaços daescola e no seu entorno. (EI02ET03RS-02) Apreciar e explorar as diferentes sensações do contato com elementos naturais, como cheiros, gostos, sons, texturas, temperaturas. (EI02ET03RS-03) Subir e brincar em árvores presentes no pátio da escola, em parques, praças e outros espaços da comunidade local. (EI02ET03-G01) Perceber as relações de interdependência entre os seres vivos e de dependência destes com os componentes naturais. 119 (EI02ET03RS-04) Observar, identificar e relatar semelhanças e diferenças entre seres vivos e outros elementos e materiais de seu meio. (EI02ET04) Identificar relações espaciais (dentro e fora, em cima, embaixo, acima, abaixo, entre e do lado) e temporais (antes, durante e depois). (EI02ET04RS-01) Explorar e narrar as ações e movimentos realizados no espaço e no tempo e nomear as relações espaciais e temporais que vivenciam no cotidiano. (EI02ET04RS-02) Identificar pontos de referência para situar-se e deslocar-se nos espaços da escola e do seu meio. (EI02ET04RS-03) Participar da organização de festividades e comemorações e passagens significativas do tempo, da cultura regional e local, dos grupos familiares e da comunidade escolar. (EI02ET05) Classificar objetos, considerando determinado atributo (tamanho, peso, cor, forma etc.). (EI02ET05RS-01) Criar e brincar com coleções de objetos e materiais diversos, naturais e industrializados, explorando e nomeando quantidades, semelhanças, diferenças e seus atributos (tamanho, peso, cor, forma, entre outros). (EI02ET05RS-02) Quantificar, classificar, medir e ordenar materiais diversos, por meio do jogo heurístico (bandejas de experimentação). (EI02ET05-G01) Reconhecer e organizar objetos por critérios de semelhanças e diferenças, agrupando-os numa determinada categoria. (EI02ET06) Utilizar conceitos básicos de tempo (agora, antes, durante, depois, ontem, hoje, amanhã, lento, (EI02ET06RS-01) Explorar e utilizar conceitos básicos de tempo através de movimentos corporais, brincadeiras, histórias, deslocamentos nos espaços da (EI02ET06-G01) Identificar os momentos da rotina escolar, através de imagens, ampliando noções temporais e espaciais. 120 rápido, depressa, devagar). escola e nos diferentes momentos da jornada diária. (EI02ET06RS-02) Vivenciar, na jornada diária, momentos e atividades coletivas e individuais, dirigidas pelo adulto e de escolha das crianças, de movimento e de repouso, a partir de suas necessidades. (EI02ET06RS03) Brincar nos espaços externos, explorando diversos movimentos corporais e experimentando diferentes níveis de velocidade (correr, caminhar, saltar, escorregar, rolar, subir, descer). (EI02ET07) Contar oralmente objetos, pessoas, livros etc., em contextos diversos. (EI02ET07RS-01) Participar da organização e da distribuição de materiais e objetos que fazem parte do cotidiano, quantificando-os oralmente (utensílios de alimentação, brinquedos, objetos de uso pessoal e coletivo). (EI02ET07-G01) Participar na construção de listas, tabelas e gráficos, auxiliando na coleta e organização de dados. (EI02ET07RS-02) Identificar quantidades e contar oralmente através de canções, histórias, jogos e brincadeiras. (EI02ET07RS-03) Manusear objetos e materiais inseridos nos contextos reais e de brincadeira que contenham números, como no seu calçado, no telefone e nas brincadeiras de faz-de-conta, em que faça uso de calculadora, régua, fita métrica, teclado de computador, entre outros. 121 (EI02ET08) Registrar com números a quantidade de crianças (meninas e meninos, presentes e ausentes) e a quantidade de objetos da mesma natureza (bonecas, bolas, livros etc.). (EI02ET08RS-01) Explorar coletivamente a contagem de materiais, brinquedos, objetos e pessoas presentes no cotidiano, registrando essas quantidades com números, com apoio do adulto. (EI02ET08RS-02) Jogar e participar de brincadeiras que envolvam a contagem e que apresentem números escritos, como jogos de trilha, de tabuleiro, de ordenar peças, de rodas cantadas, de amarelinha, entre outros. 122 4.3 CRIANÇAS PEQUENAS (4 ANOS A 5 ANOS E 11 MESES) CAMPO DE EXPERIÊNCIAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMEN TO DA BNCC OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO DO RCG OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO PROPOSTAS PELO DOCUMENTO ORIENTADOR DE GRAVATAÍ “O eu, o outro e o nós” (EI03EO01) Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir. (EI03EO01RS-01) Perceber as diferentes emoções de cada ser humano, a importância da amizade, da confiança,do respeito à diversidade e gerenciar situações de frustração. (EI03EO01RS-02) Demonstrar interesse em construir novas relações, respeitando a diversidade. (EI03EO01RS-03) Conhecer e reconhecer os integrantes das famílias de seu grupo de convivência, percebendo as diversidades socioculturais, ampliando o conhecimento do outro e da comunidade em que se vive. (EI03EO01RS-04) Demonstrar respeito pelo outro, mostrando-se empático e solidário, expressando seus sentimentos e desejos através da comunicação oral. (EI03EO01-G01) Perceber-se como parte integrante dos grupos ao qual está inserido (família, escola, turma, entre outros). (EI03EO01-G02) Perceber as diferentes características ente meninos e meninas, bem como aprimorar o conhecimento sobre suas especificidades. 123 (EI03EO01RS-05) Engajar-se em decisões coletivas, aceitando a escolha da maioria. (EI03EO02) Agir de maneira independente, com confiança em suas capacidades, reconhecendo suas conquistas e limitações. (EI03EO02RS-01) Desenvolver a autonomia nas diversas situações, interagindo em diferentes ambientes e com diferentes pessoas. (EI03EO02RS-02) Relacionar-se com os outros, convivendo com a diversidade, brincando e expressando sentimentos. (EI03EO02RS-03) Respeitar as regras de convivência e diferenças culturais e sociais. (EI03EO02RS-04) Dialogar para a resolução de conflitos e trocas de experiências. (EI03EO02RS-05) Perceber sua capacidade de realizar atividades de vida diária de forma autônoma, como vestir- se, tomar banho, arrumar-se, entre outros, sem o auxílio do adulto, contribuindo para o desenvolvimento da autoconfiança e da autoestima. (EI03EO02-G01) Assumir pequenas responsabilidades no seu cotidiano como: organizar seus pertences e preservar os espaços comuns. (EI03EO02-G02) Conhecer regras e costumes de comportamento social, aprimorando o relacionamento entre seus pares. (EI03EO02-G03) Conhecer sua história de vida, por meio da construção de álbuns de fotografias, linhas do tempo, árvore genealógica etc. (EI03EO02-G04) Conhecer o espaço e a rotina da escola, bem como as crianças e adultos que dela fazem parte, durante o processo de adaptação escolar. (EI03EO03) Ampliar as relações interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação. (EI03EO03RS-01) Agir de maneira independente, com confiança em suas capacidades, reconhecendo suas conquistas e limitações. (EI03EO03RS-02) Colocar-se no lugar do outro, compreendendo que cada um tem o seu próprio tempo, as suas habilidades, o seu modo de perceber o mundo e as coisas à sua (EI03EO03-G01) Participar de saídas de campo pedagógicas aprimorando habilidades cognitivas e sociais como: observação, comparação, registro, interpretação, autonomia, responsabilidade, respeito, cooperação, tolerância, etc. (EI03EO03-G02) Participar através do voto, da tomada de decisões coletivas, respeitando e cumprindo a decisão da 124 volta. (EI03EO03RS-03) Ampliar as relações interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação, através de brincadeiras e jogos tradicionais da cultura regional e local. maioria. (EI03EO04) Comunicar suas ideias e sentimentos a pessoas e grupos diversos. (EI03EO04RS-01) Compreender a importância de respeitar o outro e de também se colocar no lugar dele, percebendo através de brincadeiras que a maneira de pensar e agir é diferente entre as pessoas. (EI03EO04RS-02) Desenvolver relações de amizade, demonstrando sentimento de afeto e valorização das pessoas. (EI03EO04RS-03) Reconhecer diferentes emoções em si mesmo e nos outros. (EI03EO04-G01) Relatar vivências familiares em rodas de conversa valorizando suas histórias e a dos colegas, construindo uma escuta sensível. (EI03EO04-G02) Conhecer a rotina da etapa a ser frequentada no ano seguinte, interagindo com crianças e adultos através de brincadeiras. (EI03EO05) Demonstrar valorização das características de seu corpo e respeitar as características dos outros (crianças e adultos) com os quais convive. (EI03EO05RS-01) Demonstrar valorização das características de seu corpo e respeitar as características dos outros (crianças e adultos) com os quais convive, incluindo a diversidade étnica do território regional e local. (EI03EO05RS-02) Reconhecer seu corpo e expressar suas sensações em momentos de alimentação, higiene,brincadeiras e descanso. (EI03EO05-G01) Vivenciar práticas de cuidado com seu corpo, identificando quais partes podem ser tocadas e acariciadas por colegas e adultos do seu convívio, desenvolvendo a noção de privacidade. (EI03EO06) Manifestar (EI03EO06RS-01) Expressar ideias e sentimentos sobre a cultura regional a pessoas (EI03EO06-G01) Perceber a diversidade religiosa do Município de Gravataí, 125 interesse e respeito por diferentes culturas e modos de vida. e grupos diversos. (EI03EO06RS-02) Reconhecer pessoas que fazem parte de sua comunidade próxima, conversar com elas(comunidade escolar). (EI03EO06RS-03) Conhecer e se relacionar com crianças e pessoas de outros grupos sociais, seja por meio de situações presenciais ou por outros meios de comunicação. (EI03EO06RS-04) Conhecer-se, construir a sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo assim uma imagem positiva de si e de seu grupo de pertencimento. (EI03EO06RS-05) Valorizar a diversidade cultural regional e local, através do reconhecimento de seus costumes, alimentação e vestuário. respeitando-a. (EI03EO06-G02) Identificar semelhanças e diferenças religiosas presentes na turma. (EI03EO07) Usar estratégias pautadas no respeito mútuo para lidar com conflitos nas interações com crianças e adultos. (EI03EO07RS-01) Ampliar atitudes de colaboração e partilha na interação com adultos e crianças, buscando soluções para conflitos interpessoais. (EI03EO07RS-02) Usar diferentes estratégias simples e pacíficas ao tentar resolver conflitos com outras crianças, buscando compreender a posição e o sentimento do outro. (EI03EO07RS-03) Usar estratégias para resolver seus conflitos relacionais considerando soluções que satisfaçam ambas (EI03EO07-G01) Compartilhar o brinquedo trazido de casa com seus pares, pedindo emprestado o dos colegas de forma respeitosa. (EI03EO07-G02) Identificar seus sentimentos (como medo, raiva, ciúmes, tristeza, alegria, entre outros), buscando estratégias, com o auxílio do professor, para manifestá-los de forma saudável. (EI03EO07-G03) Adaptar-se positivamente, 126 as partes. frente às situações adversas ou mudanças, desenvolvendo o senso de resiliência (saber perder, saber ganhar, reconsiderar seu ponto de vista, etc.). “Corpo, gestos e movimentos” (EI03CG01) Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos, sensações e emoções, tanto nas situações do cotidiano quanto em brincadeiras, dança, teatro, música. (EI03CG01RS-01) Desenvolver o domínio corporal na realização de tarefas do cotidiano, com crescente autonomia e independência. (EI03CG01RS-02) Apresentar desenvolvimento corporal saudável, evidenciado em atividades psicomotoras diversificadas. (EI03CG01RS-03) Coordenar diferentes movimentos, identificando seu corpo e suas nomenclaturas; dançar diferentes ritmos; cantar diferentes estilos de tons; interpretar as ações do corpo, através de brincadeiras e brinquedos tradicionais das diferentes culturas. (EI03CG01-G01) Perceber a diferença do ritmo respiratório e dos batimentos cardíacos durante as atividades ativas e tranquilas. (EI03CG01RS-04) Apresentar-se em situações de brincadeira ou teatro, desenvolvendo suas características corporais, seus interesses, sensações e emoções. (EI03CG01RS-05) Reconhecer suas habilidades ou atitudes e conseguir usá-lasem suas atividades diárias. (EI03CG01RS-06) Expressar e comunicar suas características por meio de diferentes 127 movimentos. (EI03CG01RS-07) Aceitar e valorizar suas características corporais, expressando-se de diferentes formas e construindo uma imagem positiva de si mesmo. (EI03CG02) Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos, escuta e reconto de histórias, atividades artísticas, entre outras possibilidades. (EI03CG02RS-01) Reconhecer seu corpo e seus limites ao dramatizar diferentes situações, ao representar diversas vivências do seu cotidiano,ao brincar e explorar habilidades sensoriais e motoras como andar, pular, correr e demais movimentos. (EI03CG02RS-02) Brincar em espaços externos e em contato com a natureza, favorecendo a brincadeira livre. (EI03CG02RS-03) Adaptar seus movimentos às situações proporcionadas nas brincadeiras coletivas, de pequenos grupos ou duplas. (EI03CG02RS-04) Participar de conversas em pequenos grupos, escutando seus colegas e esperando sua vez para falar. (EI03CG02RS-05)Movimentar-se seguindo uma sequência e adequando-se ao compasso definido pela música ou pelas coordenadas dadas por seus colegas em brincadeiras ou atividades em pequenos grupos. (EI03CG02-G01) Participar de brincadeiras por meio da ação corporal, em que se utilizem os conceitos de antes/depois, curto/longo, cedo/tarde, lento/rápido, forte/fraco. (EI03CG02-G02) Conhecer as partes do corpo de modo a adquirir consciência de suas potencialidades (força, velocidade, resistência, agilidade, equilíbrio e flexibilidade). (EI03CG03) Criar movimentos, gestos, olhares e (EI03CG03RS-01) Desenvolver o interesse por danças rítmicas, coreografias, teatros, atividades lúdicas, jogos e brincadeiras da (EI03CG03-G01)Perceber que para a realização de atividades artísticas como danças, dramatizações e músicas, faz-se 128 mímicas em brincadeiras, jogos e atividades artísticas como dança, teatro e música. cultura regional e local. (EI03CG03RS-02) Desenvolver habilidades motoras, por meio de atividades lúdicas e significativas, como atividades com culinária típica, brinquedos e brincadeiras tradicionais e danças típicas da cultura local e regional. necessária a organização de combinados e\ou regras. (EI03CG03-G02) Participar de pesquisas sobre repertório de jogos, brinquedos, brincadeiras, festejos, histórias, característicos da cultura local. (EI03CG04) Adotar hábitos de autocuidado relacionados à higiene, alimentação, conforto e aparência. (EI03CG04RS-01) Executar atividades com autonomia, como trocar de roupa, usar o banheiro (baixar e levantar as calças, fazer a higiene após as necessidades fisiológicas, lavar as mãos sem molhar a blusa, etc.), utilizando espelhos para que este cuidado contribua para estimular a autoestima. (EI03CG04RS-02) Realizar, de forma independente, ações de cuidado com o próprio corpo (buscar água quando sentir sede, identificar e valorizar alimentos saudáveis,etc.). (EI03CG04RS-03) Servir-se e alimentar-se com independência, participando do cuidado dos espaços coletivos, como o banheiro e o refeitório. (EI03CG04-G01) Perceber que bons hábitos, alimentares, de higiene e prática de lazer contribuem para ausência de doenças e promovem o bem-estar físico. (EI03CG05) Coordenar suas habilidades manuais no atendimento adequado a seus interesses e necessidades em (EI03CG05RS-01) Criar movimentos, gestos, olhares e mímicas em brincadeiras, jogos e atividades artísticas como dança, teatro e música. (EI03CG05RS-02) Desenvolver habilidade motora fina através de confecção de fantoches (EI03CG05-G01) Movimentar e coordenar os músculos da face por meio de brincadeiras: fazer caretas, assoprar apitos, língua de sogra, fazer bolhas de sabão, etc. 129 situações diversas. de diferentes culturas, confecção de brinquedos típicos regionais, pinturas, recortes e colagens com materiais diversos. (EI03CG05RS-03) Manipular objetos de diferentes tamanhos e pesos. (EI03CG05RS-04) Explorar materiais diversificados como barro, massinha de modelar, argila, massinhas caseiras, entre outros. (EI03CG05RS-05) Manipular objetos pequenos, construindo brinquedos ou jogos e utilizar instrumentos como palitos, rolos e pequenas espátulas em suas construções, cada vez com maior destreza. “Traços, sons, cores e formas” (EI03TS01) Utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. (EI03TS01RS-01) Utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas, enfatizando a cultura local eregional. (EI03TS01RS-02) Identificar sons de gaita, violão, violino, entre outros. (EI03TS01RS-03) Apreciar apresentações de músicas da cultura local e regional, reconhecendo os instrumentos tocados (violão, gaita, tambor, entre outros). (EI03TS01RS-04) Cantar canções conhecidas (EI03TS01-G01) Registrar através de desenhos sons do ambiente escolar, do trânsito, fenômenos da natureza, sons de animais. (EI03TS01-G02) Interpretar, improvisar e criar canções coletivas. 130 acompanhando o ritmo com gestos ou com instrumentos musicais. (EI03TS01RS-05) Apreciar e valorizar a escuta de obras musicais de diversos gêneros, estilos, épocas e culturas, da produção brasileira, rio- grandense e de outros povos e países. (EI03TS01RS-05) Produzir sons tentando reproduzir as músicas ouvidas, utilizando materiais alternativos. (EI03TS01RS-06) Produzir sons com o corpo, palmas, estalos, sopros, reconhecendo suas diversas possibilidades. (EI03TS02) Expressar-se livremente por meio de desenho, pintura, colagem, dobradura e escultura, criando produções bidimensionais e tridimensionais. (EI03TS02RS-01) Expressar-se livremente por meio de desenho, pintura, colagem, dobradura e escultura, criando produções bidimensionais e tridimensionais, a partir da cultura local e regional. (EI03TS02-G01) Experimentar diferentes pigmentos (lápis de cor, canetinha, tinta guache, tinta natural, esmalte, carvão, etc.) em diversas superfícies (folha branca e colorida, lixa, isopor, plástico, madeira, azulejo, entre outros). (EI03TS02-G02) Apreciar outras culturas ampliando o conhecimento comparando com o conhecimento prévio. (EI03TS02-G03) Apresentar suas produções para colegas e professores, relatando o significado das mesmas. (EI03TS02-G04) Apreciar obras de arte e criar releituras sobre as mesmas, com 131 diversas técnicas e materiais. (EI03TS03) Reconhecer as qualidades do som (intensidade, duração, altura e timbre), utilizando- as em suas produções sonoras e ao ouvir músicas e sons. (EI03TS03RS-01) Brincar com música, explorando objetos ou instrumentos musicais para experimentar e interpretar seu ritmo ou imitar, inventar e reproduzir criações musicais. (EI03TS03RS-02) Brincar com instrumentos musicais típicos da cultura local e regional. (EI03TS03-G01) Explorar ritmos por meio de jogos musicais corporais e brincadeiras cantadas. (EI03TS03-G02) Identificar os elementos do som, como: altura (grave, médio e agudo), intensidade (forte e fraco), duração (curtos e longos), entre outros. “Escuta, fala, pensamento e imaginação” (EI03EF01) Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências, por meio da linguagem oral e escrita (escrita espontânea), de fotos, desenhos e outras formas de expressão. (EI03EF01RS-01) Comunicar-se com diferentes intenções, em diferentes contextos, com diferentes interlocutores, respeitando sua vez de falar e escutando o outro com atenção. (EI03EF01RS-02)Valorizar a história da cultura local e regional, o vocabulário, as comidas, as vestimentas, as danças, as festividades típicas. (EI03EF01-G01) Participar de visitas culturais nos pontos turísticos do Município de Gravataí. (EI03EF01-G02) Expressar ideias, ajustando aos diferentes contextos e situações de comunicação habituais. (EI03EF02) Inventar brincadeiras cantadas, poemas e canções, criando rimas, aliterações e ritmos. (EI03EF02RS-01) Conhecer, explorar e recontar parlendas, lendas, cantigas folclóricas, cantos, músicas, versos, trovas, declamações, trava-línguas de artistas regionais para compor e recompor produções, canções e melodias de diferentes formas, brincadeiras de roda, poemas e ditados da cultura local e regional. (EI03EF02RS-02) Declamar poesias, parlendas (EI03EF02-G01) Utilizar o faz de conta para expressar emoções vivenciadas e/ou situações do cotidiano. 132 preferidas, fazendo uso de ritmo e entonação. (EI03EF02RS-03) Divertir-se e interessar-se por brincar com os textos poéticos, lendas, parlendas, cantos, entre outros, da cultura regional, em suas brincadeiras livres com outras crianças. (EI03EF03) Escolher e folhear livros, procurando orientar-se por temas e ilustrações e tentando identificar palavras conhecidas. (EI03EF03RS-01) Relacionar imagens à escrita, levantando hipóteses sobre as mesmas, por meio de livros com temas voltados aos contos e histórias da cultura local e regional. (EI03EF03-G01) Aprimorar o controle da expressão gráfica por meio da escrita espontânea. (EI03EF04) Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e de encenações, definindo os contextos, os personagens, a estrutura da história. (EI03EF04RS-01) Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente formas diferenciadas de apresentar a mesma utilizando diversos recursos tecnológicos. (EI03EF04RS-02) Identificar personagens, cenários, trama, sequência cronológica, ação e intenção dos personagens. (EI03EF04-G01) Apreciar apresentações de teatro de sombra, bem como utilizar sombra e luz para criar suas próprias histórias. (EI03EF05) Recontar histórias ouvidas para produção de reconto escrito, tendo o professor como escriba. (EI03EF05RS-01) Recontar coletivamente história ouvida, reinventando os finais de histórias, tendo o professor como escriba. (EI03EF05RS-02) Compreender que a escrita representa a fala. (EI03EF05-G01) Narrar fatos em sequência temporal, observando início, meio e fim. 133 (EI03EF05RS-03) Participar de situações coletivas de criação ou reconto de histórias. (EI03EF06) Produzir suas próprias histórias orais e escritas (escrita espontânea), em situações com função social significativa. (EI03EF06RS-01) Expressar vivências a partir de pesquisas, junto à família, de histórias regionais, relatando de forma oral ou através de desenhos. (EI03EF06RS-02) Produzir as próprias histórias, a partir de histórias e lendas contadas. (EI03EF06-G01) Explorar gêneros textuais (poesias, fábulas, contos, receitas, entrevistas, quadrinhos, carta, e-mail, cardápios, piadas, telefonemas, bilhete, anúncio, entre outros). (EI03EF07) Levantar hipóteses sobre gêneros textuais veiculados em portadores conhecidos, recorrendo a estratégias de observação gráfica e/ou de leitura. (EI03EF07RS-01) Levantar hipóteses em relação à linguagem escrita, realizando registros de palavras como de escrita espontânea. (EI03EF07RS-02) Interessar-se pela escuta da leitura de diferentes gêneros textuais. (EI03EF07-G01) Identificar letras que compõem o nome próprio em diversas situações. (EI03EF08) Selecionar livros e textos de gêneros conhecidos para a leitura de um adulto e/ou para sua própria leitura (partindo de seu repertório sobre esses textos, como (EI03EF08RS-01) Identificar um livro pela leitura do título. (EI03EF08RS-02) Apresentar uma história, mostrando a capa do livro, o título e o nome do autor. (EI03EF08RS-02) Identificar portadores e gêneros textuais que sejam típicos da cultura local e regional. 134 a recuperação pela memória, pela leitura das ilustrações etc.). (EI03EF09) Levantar hipóteses em relação à linguagem escrita, realizando registros de palavras e textos, por meio de escrita espontânea. (EI03EF09RS-01) Levantar hipóteses em relação linguagem escrita por meio da escrita espontânea. (EI03EF09RS-02) Compreender que textos como lista de compras, cardápio, carta, recado, receita, etc. tem uma função social. (EI03EF09RS-03) Reconhecer letras do seu nome e dos colegas, escrevendo espontaneamente. (EI03EF09RS-04) Apreciar e conhecer a biografia e obras de artistas da cultura local e regional. (EI03EF09-G01) Aprofundar o conhecimento sobre as letras do alfabeto através de brincadeiras e jogos. (EI03EF09-G02) Apreciar e conhecer os símbolos municipais e grupos artísticos locais, através de atividades lúdicas. (EI03EF09-G03) Participar de atividades com a etapa seguinte (integração entre as turmas), a fim de conhecer a rotina a ser frequentada no próximo ano. (EI03EF09-G04) Registrar de forma progressiva as letras do alfabeto associando a um nome familiar. “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações” (EI03ET01) Estabelecer relações de comparação entre objetos, observando suas propriedades. (EI03ET01RS-01) Estabelecer relações de comparação entre objetos da cultura local e regional, observando suas propriedades e comparando com objetos das demais culturas. (EI03ET01-G01) Adquirir noções de espaço e tempo de seu corpo, outras pessoas e objetos, ampliando representações mentais. (EI03ET01-G02) Medir e comparar diversos objetos, espaços e pessoas, oralmente ou com o uso de metro. (EI03ET02) Observar e descrever (EI03ET02RS-01) Participar de diversas situações de exploração de objetos, materiais e fenômenos. (EI03ET02-G01) Participar de atividades de preparação de alimentos, começando pela exploração de receitas culinárias. 135 mudanças em diferentes materiais, resultantes de ações sobre eles, em experimentos envolvendo fenômenos naturais e artificiais. (EI03ET02-G02) Participar em diferentes atividades que envolvam a observação e a pesquisa sobre a ação da luz, do calor, do som, da força e do movimento. (EI03ET03) Identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos, sua conservação. (EI03ET03RS-01) Perceber as mudanças climáticas e suas diferenças nas quatro estações do ano, comparando características da região onde vive com as demais regiões do Estado, observando suas semelhanças e diferenças. (EI03ET03RS-02) Realizar experiências como a da chuva, utilizando um vidro suspenso e uma chaleira, pequenos terrários e observar como ele se desenvolve. (EI03ET03-G01) Levantar hipóteses sobre os processos de transformação da natureza, através de discussões, mediadas pelo adulto, sobre mitos e ciência. (EI03ET03RS-03) Passear pelos arredores da escola e observar o relevo, expandir para observações de mapas, confeccionar maquetes para demonstrar depressões, planaltos, planícies, etc. (EI03ET04) (EI03ET04RS-01) Registrar observações, (EI03ET04-G01) Aprimorar noções lógico- Registrar manipulações e medidas, usando múltiplas matemáticas em situações concretas. observações, linguagens (desenho, registro por números ou manipulações e escrita espontânea), utilizando tabelas, gráficos, medidas, usando cartazes, medidas em receitas, desenhos. 136 múltiplas linguagens (desenho, registro por números ou escrita espontânea), em diferentes suportes. (EI03ET05) Classificar objetos e figuras de acordo com suas semelhanças e diferenças. (EI03ET05RS-01) Reconhecer e classificaros objetos da cultura local e regional. (EI03ET05-G01) Aprimorar o domínio do movimento de pinça, através de atividades com prendedores, tampinhas e canudinhos, assim como, segurando, amassando e rasgando com firmeza folhas de jornal, revista, papel sulfite, entre outras. (EI03ET05-G02) Seriar três ou mais objetos, posicionando-os do menor para o maior, do mais alto para o mais baixo, do mais largo para o mais estreito e vice-versa. (EI03ET06) Relatar fatos importantes sobre seu nascimento e desenvolvimento, a história dos seus familiares e da sua comunidade. (EI03ET06RS-01) Reconhecer sua identidade, seu nome, através de uma linha do tempo confeccionada com fotosdo nascimento até a idade atual. (EI03ET06RS-02) Identificar através de cenários (fotos, cenas, imagens), características da cultura local e regional como: comidas, jogos, vestuário, linguagem, crenças populares, bebidas, entre outras. (EI03ET06-G01) Preservar e valorizar o patrimônio local, como escola, bairro e Município percebendo-os como espaços da comunidade como um todo. (EI03ET06-G02) Reconhecer as diferentes configurações familiares, respeitando-as. (EI03ET06RS-03) Criar a sua árvore 137 genealógica com a ajuda dos familiares contando sua história de vida. (EI03ET07) Relacionar números às suas respectivas quantidades e identificar o antes, o depois e o entre em uma sequência. (EI03ET07RS-01) Relacionar números às suas respectivas quantidades e identificar o antes, o depois e o entre em uma sequência de forma oral. (EI03ET07-G01) Iniciar a relação dos números às suas respectivas quantidades em diversos momentos do cotidiano escolar (quantas meninas presentes, quantos meninos; total de crianças, etc.). (EI03ET07-G02) Perceber a relação entre produtos e valores, através de brincadeiras e jogos com encartes de lojas e mercados, cédulas e moedas simbólicas, brincadeiras de compra e venda, entre outras. (EI03ET08) Expressar medidas (peso, altura etc.), construindo gráficos básicos. (EI03ET08RS-01) Expressar medidas (peso, altura, etc.) de forma prática, coletiva e lúdica (gráficosbásicos). (EI03ET08RS-02) Compreender, analisar, descrever, vivenciar e relacionar situações de trajeto, percurso e localização no espaço físico externo. (EI03ET08-G01) Desenvolver estratégias pessoais para resolução de situações problema, através de jogos. (EI03ET08-G02) Aprimorar as noções espaciais (posição de pessoa e objetos: dentro/fora; em cima/ embaixo; esquerdo/direito; frente/ trás, etc.). 138 ENSINO FUNDAMENTAL 139 5. A ETAPA DO ENSINO FUNDAMENTAL Ana Paula Braun Léa Araújo Mondo Nayala Silva Ramos A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento normativo, que define o conjunto de competências e habilidades que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, assegurando seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, de acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE). Nesse sentido, cabe aos Sistemas e Redes de Ensino, complementar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Referencial Curricular Gaúcho (RCG) com as peculiaridades do seu Território e, às escolas, em seus Planos de Estudos locais. A BNCC afirma o compromisso com a educação integral do indivíduo, reconhecendo que a educação básica deve visar à formação e ao desenvolvimento humano global: O que implica compreender a complexidade e a não linearidade desse desenvolvimento, rompendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva. Significa, ainda, assumir uma visão plural, singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto – considerando-os como sujeitos de aprendizagem – e promover uma educação voltada ao seu acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades143. (BRASIL, 2017, p. 14) Considerando uma educação voltada ao acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno, faz-se necessário que os educadores estejam atentos para as transformações ocorridas nos períodos de transição ao longo do Ensino Fundamental. Na transição da Pré-Escola para o Ensino Fundamental é preciso garantir o equilíbrio entre as mudanças introduzidas, levando em consideração as experiências vivenciadas na Educação Infantil e articulando progressivamente com as dos anos iniciais, garantindo integração e continuidade dos processos de aprendizagem das crianças de forma progressiva. 143 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. 140 De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos, a entrada de crianças de 6 (seis) anos no Ensino Fundamental implica a garantia de aprendizagem e desenvolvimento pleno, atendendo para a grande diversidade social, cultural e individual dos alunos, recuperando o caráter lúdico da aprendizagem entre crianças de 6 a 10 anos, tornando as aulas mais prazerosas e desafiadoras. Devemos ter claro que o ensino nos anos iniciais do Ensino Fundamental deve ser desenvolvido através do lúdico, pois as brincadeiras possuem relação com o desenvolvimento global da criança. Brincar é uma necessidade biológica, psicológica e social que propicia um desenvolvimento saudável para a criança. Dessa forma, as atividades lúdicas que contemplam os jogos, os brinquedos e as brincadeiras assumem destaque no desenvolvimento dos alunos. Segundo Lino de Macedo (2017): Para as crianças, o brincar e o jogar são modos de aprender e se desenvolver. Não importa que não saibam disso. Ao fazer essas atividades, elas vivem experiências fundamentais. Daí porque se interessam em repeti-las e representá-las até criarem ou aceitarem regras que possibilitem compartilhar com colegas e brincar e jogar em espaço e tempos combinados. Brincar é muito mais do que aprender, é uma experiência, um modo de decidir como percorrer a vida com responsabilidade e inventar situações mediadas por pensamentos e histórias construídas nas brincadeiras. Para Macedo (2017): É estar entre, fora, longe, perto, acima, abaixo, é construir simbolicamente um modo de imitar, jogar, sonhar, comunicar e falar com o mundo, inventando uma história nos limites das possibilidades e necessidades144. Dessa forma, é importante enfatizar que a criança é um ser em evolução e que necessita de movimento para organizar suas aprendizagens. É, pois, na brincadeira, que a criança internaliza e problematiza sua realidade. Como aponta o Parecer CNE/CEB nº 11/2010, os conteúdos desenvolvidos nos diferentes componentes curriculares “[...] ao descortinarem às crianças o conhecimento do mundo por meio de novos olhares, lhes oferecem oportunidades de exercitar a leitura e a escrita de um modo mais significativo145” (BRASIL, 2010). 144 MACEDO, Lino de. Brincar é mais que aprender. Disponível em: <https://novaescola.org.br/conteudo/120/brincar-e-mais-que-aprender>. Publicado em Nova Escola 01 de agosto de 2017. Acesso em 30/07/2019. 145 BRASIL. Parecer CNE/CEB nº 11/2010 DE 09 de dezembro de 2010. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos. 141 Assim, para alfabetizar, é necessário fazer com que a sala de aula se torne um ambiente alfabetizador, um espaço onde os estímulos de aprendizagem estejam sempre presentes, promovendo um conjunto de situações de uso real de leitura e da escrita, onde todos têm a oportunidade de participar. Dessa maneira, a BNCC ressalta que: Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a alfabetização, a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seuenvolvimento em práticas diversificadas de letramentos. Quando falamos da apropriação do sistema de escrita alfabética e sistema numérico não podemos esquecer que letramento e alfabetização caminham juntos, mesmo sendo duas ações distintas, mas não inseparáveis. O ideal é alfabetizar letrando: ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se torne, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado. Dessa forma, deve ser priorizada a alfabetização no primeiro ano do Ensino Fundamental, porém, não se pode esquecer que deve acontecer em um ambiente de ludicidade e brincadeira. Complementando essa ideia, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) Anos afirmam que: Os três anos iniciais do Ensino Fundamental devem assegurar: a) a alfabetização e o letramento; b) o desenvolvimento das diversas formas de expressão, incluindo o aprendizado da Língua Portuguesa, a Literatura, a Música e demais artes, a Educação Física, assim como o aprendizado da Matemática, de Ciências, de História e de Geografia; c) a continuidade da aprendizagem, tendo em conta a complexidade do processo de alfabetização [...]. (BRASIL, 2010). Segundo Soares146 (2003), deve-se alfabetizar letrando, isto é, orientar a criança para que aprenda a ler e a escrever levando-a a conviver com práticas reais de leitura e de escrita: substituindo as tradicionais e artificiais cartilhas por livros, por revistas, por jornais, enfim, pelo material de leitura que circula na escola e na sociedade, e criando situações que tornem necessárias e significativas práticas de produção de textos. Alfabetização e letramento caminham juntos: o letramento antecede a alfabetização, permeando todo esse processo e continua a existir quando já estamos alfabetizados. 146 SOARES, Magda. Letramento e Escolarização. São Paulo: Global, 2003. 142 A BNCC aponta que, dando seguimento ao processo básico de alfabetização, terá seguimento outro bem mais longo, a ortografização, que complementará o conhecimento das regras ortográficas da língua portuguesa, podendo estender-se além dos anos iniciais do Ensino Fundamental, assim como as práticas sociais na área da leitura e da escrita que ultrapassem apenas o domínio do sistema de escrita alfabético e ortográfico. Além da transição já mencionada da etapa da Educação Infantil para o 1º ano do Ensino Fundamental, há também que se considerar outra transição importante nos anos iniciais. O 4º e 5º anos do Ensino Fundamental são uma fase escolar transitória entre os anos iniciais (1º ao 3º ano) e também entre os anos finais (6º ao 9º ano), na qual se consolida o processo de alfabetização e prepara-se para a abrangência do currículo e das competências específicas dos anos finais do Ensino Fundamental. Nesta fase, os alunos encontram-se no início das transformações para a fase da adolescência que refletem nas mudanças comportamentais, podendo interferir diretamente no processo de aprendizagem. Portanto, caberá à escola atuar diante desta fase, pensando em possibilidades que possam contribuir de forma positiva e favorável à adaptação dos alunos para cada etapa de transição escolar. No aspecto pedagógico, o currículo e as habilidades desta fase deverão contemplar a autonomia, o protagonismo e a criticidade do educando, para que este possa atuar ativamente diante de sua aprendizagem. Assim, ao longo de todo o Ensino Fundamental, o aluno deve consolidar suas aprendizagens anteriores, através da progressão dos conhecimentos, ampliando a autonomia intelectual, a compreensão de normas e os interesses pela vida social. Essa ampliação, conforme explicitado pela BNCC, vai proporcionar condições de lidar com sistemas mais amplos, estabelecendo relações entre os sujeitos, com a natureza, com as tecnologias, com a história, com a cultura e com o ambiente. Para que esses desafios de maior complexidade sejam possíveis de serem alcançados, surge a necessidade do aprofundamento dos conhecimentos relacionados às diferentes áreas do conhecimento. Mediante tal aprofundamento das áreas do conhecimento, cumpre aqui destacar a transição dos anos iniciais para os anos finais do Ensino Fundamental, caracterizada por mudanças significativas na estrutura educacional. O aluno deixa de ter a referência de um professor único, que trabalha todas as áreas do conhecimento e passa a ter vários professores, especialistas em suas disciplinas. Cabe à escola dedicar uma especial atenção a essa questão, apoiando os alunos e evitando uma ruptura no processo de aprendizagem. A modificação na rotina, as alterações no humor, a separação de determinados grupos de amigos e a rotatividade de professores, entre outros fatores, acabam tornando o processo de transição turbulento, sendo função da escola organizar o ambiente de aprendizagem de forma a superar essas dificuldades. 143 O desenvolvimento de estratégias pedagógicas diferenciadas, bem como a utilização de metodologias pensadas com a lógica da interdisciplinaridade, tornam-se indispensáveis nesse momento. A criação desse ambiente de aprendizagem não estanque, que “caminhe” pelas diferentes áreas do conhecimento, acaba auxiliando os alunos, também, a lidarem com outro fator importante nesse período, que é a fase da puberdade. Os estudantes, durante os anos finais do Ensino fundamental, passam por grandes transformações biológicas, psicológicas, sociais e emocionais. Os adolescentes, nesse período da vida, modificam as interações sociais e os laços afetivos, intensificando suas relações com os pares de idade, interessando-se muito sobre as aprendizagens referentes à sexualidade e às relações de gênero, acelerando o processo de ruptura com a infância, na tentativa de construir valores próprios, passando a ver as coisas a partir do ponto de vista dos outros e superando o egocentrismo, que é próprio da infância. Conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais, é possível, nessa etapa: [...] observar forte adesão aos padrões de comportamento dos jovens da mesma idade, o que é evidenciado pela forma de se vestir e também pela linguagem utilizada por eles. Isso requer dos educadores maior disposição para entender e dialogar com as formas próprias de expressão das culturas juvenis, cujos traços são mais visíveis, sobretudo, nas áreas urbanas mais densamente povoadas147 Ao professor cabe, portanto, estar atento a esse processo de desenvolvimento, buscando formas de trabalho pedagógico e de diálogo com os alunos, compatíveis com a idade desses. A velocidade de comunicação, nas mudanças nas relações, na produção de conhecimento, e no aprendizado obriga a escola a desafiar-se, constantemente, a cumprir seu papel na formação das novas gerações, além de considerar as necessidades e características próprias dessa idade. A partir de tudo que aqui foi mencionado, enfatiza-se que a concepção de uma educação contemporânea deve primar pela formação do sujeito em sua amplitude, respeitando suas características conforme cada fase, o seu contexto social, a diversidade cultural dos indivíduos, o conhecimento científico, a pluralidade de informações e os conhecimentos e experiências já construídos, tendo como desafio o despertar constante para o desejo do sujeito aprendente, respeitado em sua integralidade. 147 BRASIL. Parecer CNE/CEB nº 11/2010 DE 09 de dezembro de 2010. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos. 144 LINGUAGENS 145 5.1 ÁREA DE LINGUAGENS Katiuscia de Almeida Custodio A linguagem engloba um conjunto de atividades que propicia a comunicação humana, a expressão de ideias, de sentimentos, a troca de conhecimento, de experiências, entre outros aspectos. Nas palavras de Fiorin148 (2008, p. 29) “sem ela, o homem não pode conhecer-se nem conhecer o mundo. Sem ela não se exerce a cidadania, porqueela possibilita influenciar e ser influenciado. Sem ela não se pode aprender”, ou seja, a linguagem possibilita a participação nas diversas práticas sociais. Por meio dela, “as pessoas interagem consigo mesmas e com os outros, constituindo-se como sujeitos sociais149” (BRASIL, 2017, p. 63). Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a área da linguagem compreende os componentes curriculares Arte, Educação Física, Língua Inglesa e Língua Portuguesa. No presente documento, foi incluído o componente curricular Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) - o qual é referenciado na Competência Geral 4 da BNCC e na competência específica 3 da área - devido ao fato de constituir a proposta bilíngue da Escola Municipal de Ensino Fundamental Especial para Surdos, além de ser trabalhado em outras escolas e instituições presentes no Município, o que não o torna um componente curricular obrigatório nos currículos das demais escolas. Como linguagens a serem trabalhadas no âmbito escolar são definidas a linguagem verbal (oral ou visual-motora como a Língua Brasileira de Sinais), corporal, visual, sonora e digital. No contexto atual, onde a linguagem digital é altamente difundida, cabe à escola proporcionar ao aluno o trabalho com as diferentes tecnologias digitais, a fim de que os alunos deixem o lugar de apenas consumidores das mesmas e assumam uma postura crítica, utilizando-as com autonomia, criticidade, responsabilidade e ética. Assim, apresentamos a seguir as seis competências específicas da Área de Linguagens para o Ensino Fundamental, que se relacionam com as Competências Gerais da BNCC, bem como com as competências específicas de cada componente curricular que integra essa área. COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE LINGUAGENS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL 148 FIORIN, J. L. Linguagem e interdisciplinaridade. Alea, Rio de Janeiro, v. 10, n.1, p. 29-53, 2008. 149 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. 146 1. Compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural, de natureza dinâmica, reconhecendo-as e valorizando-as como formas de significação da realidade e expressão de subjetividades e identidades sociais e culturais. 2. Conhecer e explorar diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e linguísticas) em diferentes campos da atividade humana para continuar aprendendo, ampliar suas possibilidades de participação na vida social e colaborar para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva. 3. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital -, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao diálogo, à resolução de conflitos e à cooperação. 4. Utilizar diferentes linguagens para defender pontos de vista que respeitem o outro e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, atuando criticamente frente a questões do mundo contemporâneo. 5. Desenvolver o senso estético para reconhecer, fruir e respeitar as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, inclusive aquelas pertencentes ao patrimônio cultural da humanidade, bem como participar de práticas diversificadas, individuais e coletivas, da produção artístico-cultural, com respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas. 6. Compreender e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se comunicar por meio das diferentes linguagens e mídias, produzir conhecimentos, resolver problemas e desenvolver projetos autorais e coletivos. Considerando tais competências a serem trabalhadas na área de Linguagens ao longo da educação básica, ressalta-se que, “nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, o processo de alfabetização deve ser o foco da ação pedagógica” (BRASIL, 2017, p. 63). Nos anos finais do Ensino Fundamental, as práticas de linguagem ampliam-se e inclui-se o componente curricular de Língua Inglesa. Nessa fase, as práticas de linguagem artísticas, corporais e linguísticas vão sendo aprofundadas bem como o protagonismo e a autonomia dos estudantes. 147 5.1.1 ARTE Marcia Isabel Teixeira de Vargas Miriam Rosângela Barbosa No Ensino Fundamental, o componente curricular Arte está centrado nas seguintes linguagens: as Artes visuais, a Dança, a Música e o Teatro. Essas linguagens articulam saberes referentes a produtos e fenômenos artísticos e envolvem as práticas de criar, ler, produzir, construir, exteriorizar e refletir sobre formas artísticas. A sensibilidade, a intuição, o pensamento, as emoções e as subjetividades se manifestam como formas de expressão no processo de aprendizagem em Arte.150 O ensino e aprendizado da Arte contribuem no desenvolvimento intercultural, que se dá no exercício da cidadania e das interações sociais, no respeito às diferenças entre o eu e o outro, além da compreensão do contexto social onde o estudante está inserido e no entendimento da complexidade do mundo. No estudo das Artes Visuais, da Dança, da Música e do Teatro, encontram-se os elementos necessários ao entendimento dos contextos sociais dos estudantes, sua realidade socioeconômica interagindo diretamente com a cultura local, com seus pares e com o mundo ao seu redor. A arte facilita a compreensão do pensamento humano, possibilitando a discussão dos modelos sociais vigentes, produzindo sensações, sensibilidade e emoção. Arte integra o Artigo 3º, Inciso II da Lei de Diretrizes e Bases151 (LDB/1996), enquanto princípios que norteiam a educação nacional. Da mesma forma, em seu Art. 26º, § 6º determina que os Ensinos Fundamental e Médio devam observar uma base nacional comum, contemplando o currículo escolar através das linguagens das Artes Visuais, da Dança, da Música e do Teatro (Lei nº 13.278, de 2016). O fazer artístico é inerente ao ser humano, cada indivíduo carrega consigo a percepção da Arte na sociedade, sendo assim, é necessário aprimorar, conhecer e compreender as suas diferentes formas. Neste processo, temos uma abordagem triangular152, de Ana Mae Barbosa153, 150 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017, p. 193. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a- base>. Acesso em: 06/06/2019. 151 Lei de Diretrizes e Bases - Lei 9394/96 | Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: <https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/109224/lei-de-diretrizes-e- bases-lei-9394-96>. Acesso em: 07/07/2019. 152 O processo da Abordagem Triangular teve início na década de 1980 e foi sistematizada no período de 1987/1993 no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP. Essa proposta surge da necessidade de uma prática de ensino pós-moderno de arte e da 148 contextualizar, apreciar e praticar que devem ser articulados com os conceitos, conteúdos e experiências estéticas, colocando-a como objeto de estudo. A Arte está intimamente ligada a nossa cultura e ao nosso entorno. Ela representa nossas emoções que vêm impregnadas de percepções do mundo. As nossas crenças e sentimentos interferem diretamente na construção artística e no modo de apreciação da arte. Assim, a contextualização sobre a obra de arte permite-nos entender em que conjuntura social e cultural a mesma foi produzida, a compreensão e a análise de processos formativos dos segmentos sociais, constituídos no passado e no presente, nos projetam as perspectivas para o futuro. O processo de apreciar faz parte da capacidade de valorização da cultura local, regional, nacional e internacional e se constitui num fator de relevância. Na Arte, a fruição é o elemento que nos faz gostar ou não de um espetáculo,por exemplo. Nesse aspecto, restam as habilidades obtidas pelo estudante nos diálogos construídos entre o sujeito e as expressões da arte, que ao fruir atribuiu ou não significados ao objeto ao apreciá-lo. Em consonância a essas concepções, trazemos ao conhecimento dos professores, o Referencial do Território de Gravataí (RTG), construído a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Referencial Curricular Gaúcho (RCG), especificamente as orientações basilares do componente Arte que nortearão os currículos escolares, compreendendo as linguagens nos eixos das Artes Visuais, da Dança, da Música e do Teatro. A interdisciplinaridade permeia a ação artística em muitos aspectos. Acredita-se que, no ensino de Arte, faz-se necessário conciliar essas linguagens visando à formação integral, no estudo histórico dos contextos socioculturais, na pesquisa da biografia de artistas e suas obras, na observação da produção artística local, na experimentação de ferramentas e materiais, na criação, produção e autonomia artística dos envolvidos, dentro e fora da sala de aula. A ação pedagógica deve, sobretudo, objetivar o trabalho organizado com metodologia aplicada e consistente em ações relacionadas às experiências de vida, às necessidades sociais e ao território em que os estudantes estão inseridos. Outro aspecto a ser considerado é a realização de um trabalho voltado à responsabilidade cidadã na comunidade escolar, na identificação e na valorização individual e coletiva, contribuindo com aquisição de competências, de habilidades culturais e sociais e na compreensão do seu papel frente ao mundo. O empoderamento dos alunos se dá pela troca de procura de uma alternativa para prática de livre expressão do ensino moderno de arte que já não corresponde às inúmeras tendências e aspectos da realidade contemporânea. 153 É a principal referência no Brasil para o ensino da Arte nas escolas, tendo sido a primeira brasileira com doutorado em Arte-educação. Foi diretora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) e presidente do International Society of Education through Art (InSea). É professora visitante da The Ohio State University, nos EUA. 149 experiências durante o trabalho de produção das obras, sejam elas individuais, colaborativas ou coletivas. Outro ponto a ser destacado é que o processo de construção e criação, considerando-se a avaliação de todas as suas fases, é mais importante do que o resultado final. Nesse sentido, o estudante torna-se protagonista durante o seu percurso criativo, quando devidamente orientado pelo professor. Cada linguagem da arte, mesmo quando trabalhada de forma integrada com outra, guarda em si especificações por área do conhecimento. Considerando esse aspecto, a BNCC (2017) organiza os objetos de conhecimento em unidades temáticas, conforme disposto a seguir: Artes Visuais: é a expressão artística comunicada de forma visual, o uso de materiais e a transmutação ou modificação dos mesmos, com recursos tecnológicos, a partir de ferramentas digitais ou não, com base nos contextos sociais e culturais; Dança: constitui-se pela experiência corporal e inclui-se a riqueza de movimentos que envolvem corpo, espírito, mente e emoções. Instiga-se a investigação e a produção do movimento dançado, através do sensível, dos arranjos e da corporificação dos significados, em movimentos espontâneos ou na precisão de gestos que resultem na produção estética. Música: é uma das linguagens da arte que se dá pela comunicação sonora, em que o indivíduo ou grupo apreende e produz por meio da percepção, experimentação e reprodução de sons utilizando objetos variados, manuseio ou criação de instrumentos musicais aproximando a cultura musical à sala de aula. Teatro: pode ser considerada a forma mais complexa de comunicação das linguagens artísticas, por absorver o visual, o movimento corporal e a sonoridade na estética teatral. Além disso, permitir que a criação e a expressão sejam realizadas de forma individual ou coletiva. Portanto, [...] instaura a experiência artística multissensorial de encontro com o outro em performance. Nessa experiência, o corpo é lócus de criação ficcional de tempos, espaços e sujeitos distintos de si próprios, por meio do verbal, não verbal e da ação física154. (BRASIL, 2017, p. 196). Assim, a BNCC propõe a tessitura de seis (6) “Dimensões do Conhecimento” (2017) quais sejam: criação (o fazer artístico e investigativo), crítica (estudo e pesquisa, ação e pensamento articulados), estesia 154 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a-base>. Acesso em: 06/06/2019. 150 (sensibilidade e percepção, conhecer a si, o outro e o mundo), expressão (exteriorizar, difusão, comunicação), fruição (deleite, prazer e estranhamento) e reflexão (como criador ou como leitor, construir argumentos). O criar e experimentar são partes do desenvolvimento em relação à percepção e à construção de uma poética pessoal. Esses fatores proporcionam a visão crítica sensível, ao fazer prazeroso e a reflexão argumentativa no estudo da Arte, assim como, a sua expressão por meio de saraus, espaços de exposição, performances, ou espetáculos necessitam o acompanhamento orientado do professor e a reflexão constante por parte dos estudantes. As habilidades de cada objeto do conhecimento trazidas pela BNCC e complementadas pelo RCG155 e RTG, estão relacionadas a nove Competências Específicas do Ensino de Arte constantes na BNCC, abaixo apresentadas: COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE ARTE PARA O ENSINO FUNDAMENTAL 1. Explorar, conhecer, fruir e analisar criticamente práticas e produções artísticas e culturais do seu entorno social, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais brasileiras e de diversas sociedades, em distintos tempos e espaços, para reconhecer a arte como um fenômeno cultural, histórico, social e sensível a diferentes contextos e dialogar com as diversidades. 2. Compreender as relações entre as linguagens da Arte e suas práticas integradas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação, pelo cinema e pelo audiovisual, nas condições particulares de produção, na prática de cada linguagem e nas suas articulações. 3. Pesquisar e conhecer distintas matrizes estéticas e culturais-especialmente aquelas manifestas na arte e nas culturas que constituem a identidade brasileira –, sua tradição e manifestações contemporâneas, reelaborando-as nas criações em Arte. 4. Experienciar a ludicidade, a percepção, a expressividade e a imaginação, ressignificando espaços da escola e de fora dela no âmbito da Arte. 5. Mobilizar recursos tecnológicos como formas de registro, pesquisa e criação artística. 6. Estabelecer relações entre arte, mídia, mercado e consumo, compreendendo, de forma crítica e problematizadora, modos de produção e de circulação da arte na sociedade. 155 Rio Grande do Sul. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Referencial Curricular Gaúcho. Porto Alegre Secretaria de Estado da Educação, Departamento Pedagógico, 2018. V1. <http://www.educacao.rs.gov.br/referencial-curricular-gaucho-pode-ser-acessado-no-site- da-seduc>. Acesso em: 06/07/2019. 151 7. Problematizar questões políticas, sociais, econômicas, científica, tecnológicas e culturais, por meio de exercícios, produções, intervenções e apresentações artísticas; 8. Desenvolver a autonomia, a crítica, a autoria e o trabalho coletivo e colaborativo nas artes. 9. Analisar e valorizar o patrimônio artístico nacional e internacional, material e imaterial, com suas histórias e diferentes visões de mundo. 156 Dentre as diferentes áreas do conhecimento, é no ensino de Arte que os envolvidos, no exercício de experimentar,investigar, contextualizar, analisar e criar, são capazes de compreender ao outro através de si. Se construirmos espaços de experimentação, com exercícios e jogos lúdicos livres e/ou dirigidos, estaremos estimulando os estudantes à prática e análise de cada atividade em suas especificidades. Ao fazer uma dança, ou realizar uma pintura, por meio da escuta sonora, ou expressar gestos com a intenção de interpretar um texto, numa ação teatral, estamos estimulando os estudantes a reconhecer a sua própria imagem e construir conexões com o mundo que os cercam. No ensino da Arte é possível trabalhar a tolerância, a responsabilidade, a consciência cidadã, de ampliar a capacidade de julgar, agir e construir os valores essenciais nas relações sociais. A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental é um processo delicado e deve ser contínuo e gradual dentro das possibilidades cognitivas de cada criança. O brincar e a ludicidade devem ser gradativamente substituídos, suavemente, a fim de evitar rupturas abruptas e intempestivas. Além dos sentimentos e emoções, a Arte integra o trabalho psicomotor e cognitivo, a coordenação da motricidade ampla, desenvolvendo habilidades que resultem no amadurecimento consistente e progressivo do potencial criativo, sendo necessário estabelecer e assegurar aos alunos o desenvolvimento das competências relacionadas à alfabetização e ao letramento157 (BNCC - Arte, p 199) que ampliem as habilidades da comunicação verbal e não verbal. Em relação aos anos finais do Ensino Fundamental, especificamente, reportamo-nos aos Parâmetros Curriculares Nacionais158 (PCN), objetivando a 156 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017, p. 198. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a- base>. Acesso em: 06/06/2019. 157 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017, p. 199. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a- base>. Acesso em: 06/06/2019. 158 Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. 126p. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=12640:parametros-curriculares- nacionais-1o-a-4o-series>. Acesso em: 07/07/2019. 152 compreensão, o fazer e experimentar em Arte, constituindo-se no criar, refletir, contextualizar, fruir, produzir e expor. Garantir aos estudantes a ampliação de suas vivências com manifestações artísticas e culturais nacionais e internacionais, de diversas épocas e contextos. Essas práticas podem ser realizadas em vários espaços da escola e no seu entorno, facilitando a relação com a comunidade escolar. Nesta etapa deve-se considerar a relevância da cultura juvenil, propiciando diferentes experiências para cada linguagem. Desse modo, espera-se que o componente Arte contribua com o aprofundamento das aprendizagens nas diferentes linguagens – e no diálogo entre elas e com as outras áreas do conhecimento –, com vistas a possibilitar aos estudantes maior autonomia nas experiências e vivências artísticas159. Em se tratando de maior autonomia, é importante ressaltar que as ferramentas digitais fazem parte do cotidiano dos jovens, tornando-se um meio possível do fazer e da difusão artística. A sociedade produz cultura em tempo integral e a Arte é a parte viva da história através do fazer social, sensível a toda diversidade. Na atualidade, o uso de novas tecnologias se incorpora à arte contemporânea, colaborando desta forma para o conhecimento e reconhecimento da produção em arte a nível nacional e internacional, bem como para o registro e pesquisa de fontes e materiais artísticos. Para que uma avaliação de qualidade seja efetiva no ensino desse componente curricular, é preciso que o foco seja no ato de aprender. A proposta não é formar um artista, mas sim um estudante capaz de interagir de maneira autônoma diante da sociedade. As definições de bonito ou feio vêm de cada indivíduo e o estranhamento também é parte deste sentir. Deve-se orientar a criação a partir de conceitos e técnicas estudados, sem intervir no processo. A autoavaliação revisa o percurso do aluno, mostrando sua trajetória pelo seu próprio olhar. A Arte alicerça o saber pela pesquisa e pela investigação, transformando assim nossas experiências, afetando nossa visão de mundo. A análise, a discussão e a reflexão complementam a interação do estudante com o processo avaliativo, tornando-o rico e produtivo. A escola pode e deve ser ressignificada através da arte. A relação crítica e a problematização de questões políticas e sociais, ao mercado e aos meios de consumo pode mobilizar e motivar a comunidade escolar para que busque sua autonomia. Neste sentido, a valorização do patrimônio artístico e cultural da humanidade se dará de forma natural pelo próprio sentido da vida. A seguir, apresentamos os quadros que compreendem as unidades temáticas, os objetos de conhecimento e as habilidades dispostas na BNCC, no RCG e, também as criadas neste Referencial. Cabe ressaltar que tais 159 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017, p. 205. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/a- base>. Acesso em: 06/06/2019. 153 habilidades são complementares umas às outras e todas devem ser consideradas pelos professores ao construírem os currículos escolares e planejamentos de aula. Os quadros estão organizados da seguinte forma: 1º e 2º anos, 3º a 5º anos; 6º e 7º anos e 8º e 9º anos. 154 ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS COMPONENTE CURRICULAR: ARTE 1º e 2º ANO Unidade Temática Objeto de Conhecimento Habilidades Artes visuais Contextos e práticas BNCC RCG RTG (EF15AR01) Identificar e apreciar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético. (EF15AR01RS12) Explorar, conhecer e contemplar as diversas manifestações das artes visuais (desenho, pintura, escultura, gravura, fotografia, vídeo etc.) encontradas no âmbito familiar, escolar e da comunidade, possibilitando a construção do olhar, a ampliação da imaginação e da simbolização, a partir do repertório imagético pessoal e a valorização da diversidade cultural da comunidade local. (EF15AR01-G01) Utilizar o autorretrato como ferramenta de representação de si próprio. Artes visuais Elementos da linguagem (EF15AR02) Explorar e reconhecer elementos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, cor, espaço, movimento etc.). (EF15AR02RS12) Investigar e descobrir elementos formais no âmbito das artes visuais (ponto, linha, forma, volume), nos ambientes do cotidiano (sala de aula, escola, casa, espaço rural e urbano), explorando textura, cor, espaço, movimento e em outros (EF15AR02-G01) Reconhecer e identificar as cores primárias, compreendendo que a mistura entre elas resulta em novas cores. 155 sentidos além do visual. Artes visuais Matrizes estéticas e culturais (EF15AR03) Reconhecer e analisar a influência de distintas matrizes estéticas e culturais das artes visuais nas manifestações artísticas das culturas locais, regionais e nacionais. (EF15AR03RS12) Investigar, levantar, identificar e conhecer a influência de distintas matrizes estéticas e culturais das artes visuais nas manifestações artísticas das culturas no âmbito familiar, local, impulsionando a compreensão da diversidade cultural na sua formação pessoal e da comunidade. Artes visuais Materialidades (EF15AR04) Experimentar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia etc.),fazendo uso sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais. (EF15AR04RS12) Explorar diferentes formas de expressão bi e tridimensionais (desenho,pintura, colagem, dobradura, escultura, modelagem, etc.), estimulando o manuseio e a percepção da diversidade de materiais e suas consistências, os recursos dos instrumentos adequados, a forma de trabalhar nas técnicas convencionais, valorizando o uso sustentável dos materiais. (EF15AR04-G01) Explorar possibilidades de diferentes riscantes (giz de cera, carvão, caneta hidrocor, lápis de cor, giz de quadro, etc.), instrumentos de pintura (pincéis, rolo, algodão, esponja, etc.) e suportes variados (papel, plástico, madeira, etc.). Artes visuais Processos de criação (EF15AR05) Experimentar a criação em artes visuais de modo individual, coletivo e colaborativo, explorando diferentes espaços da escola e da comunidade. (EF15AR05RS12) Experimentar, fazer, refazer e criar em artes visuais, explorando diferentes espaços da escola (chão do pátio, pracinha, muro, árvore etc.), para perceber múltiplas possibilidades de vivências coletivo e colaborativo. 156 Artes visuais Processos de criação (EF15AR06) Dialogar sobre a sua criação e as dos colegas, para alcançar sentidos plurais. (EF15AR06RS12) Vivenciar momentos de comunicação, expressão e compartilhamento sobre a sua experimentação, desenvolvendo a escuta respeitosa das individualidades e singularidades nos processos de criação. (EF15AR06-G01) Participar e elaborar montagem de exposições com suas próprias produções e de outras crianças. Artes visuais Sistemas da linguagem (EF15AR07) Reconhecer algumas categorias do sistema das artes visuais (museus, galerias, instituições, artistas, artesãos, curadores etc.). (EF15AR07RS12) Desfrutar do contato com artistas e artesãos locais, experienciando e conhecendo diferentes processos de criação e a utilização dos elementos da linguagem, conforme habilidade EF15AR02RS12 e a materialidades descritas na habilidade EF15AR04RS12. (EF15AR07-G01) Conhecer artistas gaúchos/ gravataienses e sua obra, enaltecendo a importância dos mesmos para a cultura da região. Dança Contextos e práticas (EF15AR08) Experimentar e apreciar formas distintas de manifestações da dança presentes em diferentes contextos, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório corporal. (EF15AR08RS12) Investigar, testar, fazer e refazer movimentos corporais, presentes no cotidiano e em diferentes formas de dança locais, observando corpos parados, em equilíbrio e em ações, a capacidade de simbolizar, ampliação do repertório pessoal e a valorização da diversidade cultural na formação da comunidade local. (EF15AR08-G01) Conhecer os espaços de dança regional existentes na cidade. 157 Dança Elementos da linguagem (EF15AR09) Estabelecer relações entre as partes do corpo e destas com o todo corporal na construção do movimento dançado. (EF15AR09RS12) Experimentar e identificar os movimentos de partes do corpo (dedos da mão e dos pés, cabeça, pescoço, quadris, pernas, joelhos, braços, etc.) para compreender as possibilidades de criação de movimentos dançados. Dança Elementos da linguagem (EF15AR10) Experimentar diferentes formas de orientação no espaço (deslocamentos, planos, direções, caminhos etc.) e ritmos de movimento (lento, moderado e rápido) na construção do movimento dançado. (EF15AR10RS12) Vivenciar e perceber os movimentos dançados em diferentes tempos (movimentar-se devagar, muito devagar, rápido, muito rápido, caminhar, correr, gatinhar, rolar, deslizar etc.), de formas variadas (andar de costas, de lado, agachado, etc.) no espaço (plano, íngreme, etc.), introduzindo a compreensão da tríade corpo- espaço-movimento. Dança Processos de criação (EF15AR11) Criar e improvisar movimentos dançados de modo individual, coletivo e colaborativo, considerando os aspectos estruturais, dinâmicos e expressivos dos elementos constitutivos do movimento, com base nos códigos de dança. (EF15AR11RS12) Investigar, fazer, refazer, exercitar a criação e a improvisação repetidamente de diferentes movimentos preestabelecidos por coreografias prontas e novos movimentos a partir dos aprendizados das habilidades EF15AR08RS12, EF15AR09RS12 e EF15AR10RS12, para trabalhar o individual, o coletivo e o colaborativo, a tríade corpo-espaço-movimento e os códigos (características) de diversos ritmos dançantes. 158 Dança Processos de criação (EF15AR12) Discutir, com respeito e sem preconceito, as experiências pessoais e coletivas em dança vivenciadas na escola, como fonte para a construção de vocabulários e repertórios próprios. (EF15AR12RS12) Discutir no sentido de dialogar, escutar, comentar (em rodas de conversas) sobre as experiências pessoais e coletivas vivenciadas em dança, evitando considerações preconceituosas e estereotipadas de si e do outro, na construção de repertórios próprios. Música Contextos e práticas (EF15AR13) Identificar e apreciar criticamente diversas formas e gêneros de expressão musical, reconhecendo e analisando os usos e as funções da música em diversos contextos de circulação, em especial, aqueles da vida cotidiana. (EF15AR13RS12-1) Exercitar a escuta para identificar e apreciar sons, em ambientes internos e externos, na escola, na natureza (com olhos fechados, escutar sons altos e baixos, longe e perto, longos e curtos, graves e agudos). (EF15AR13RS12-2) Ampliar a experiência para identificar e apreciar sons que interferem na vida cotidiana (sinal da escola, apito do guarda de trânsito, jingle do carro de gás, ronco de motores etc.) e nas expressões musicais, valorizando a diversidade cultural na formação da comunidade local. (EF15AR13RS12-3) Identificar, apreciar e valorizar as cantigas folclóricas, quadrinhas, parlendas, trava-línguas e rimas cantadas pela comunidade local. (EF15AR13-G01) Reconhecer o silêncio como ausência de som e a sua importância no dia a dia. 159 Música Elementos da linguagem (EF15AR14) Perceber e explorar os elementos constitutivos da música (altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de jogos, brincadeiras, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musical. (EF15AR14RS12) Explorar e identificar os elementos básicos do som: altura (sons agudos e graves), duração (longos e curtos), intensidade (forte e fraco) e timbres (da voz e de instrumentos), utilizando jogos, brincadeiras, cantigas folclóricas e da comunidade local, canções e práticas diversas de composição/criação, canto, execução e apreciação musical. Música Materialidades (EF15AR15) Explorar fontes sonoras diversas, como as existentes no próprio corpo (palmas, voz, percussão corporal), na natureza e em objetos cotidianos, reconhecendo os elementos constitutivos da música e as características de instrumentos musicais variados. (EF15AR15RS12-1) Tocar, investigar, explorar, apreciar e identificar diferentes fontes sonoras com o uso de materiais do cotidiano (colheres, copos, cadeiras, garrafas pet, entre outros), de instrumentos musicais, da natureza (sons dos animais, do vento, da chuva) e sons do corpo (palmas, voz e percussão corporal) para reconhecer e comparar os elementos do som, trabalhados na habilidade EF15AR14RS12. (EF15AR15RS12-2) Experimentar, investigar, pesquisar e construir instrumentos musicais com materiais do cotidiano e reciclável (tambores de potes, pandeiros com tampinhas, entre outros) de tamanhos e possibilidades sonoras diversas, de forma sustentável. 160 Música Notação e registro musical (EF15AR16) Explorar diferentes formas de registro musical não convencional (representação gráfica de sons, partiturascriativas etc.), bem como procedimentos e técnicas de registro em áudio e audiovisual, e reconhecer a notação musical convencional. (EF15AR16RS12-1) Explorar e exercitar diferentes formas de registro musical não convencional por meio de representações de sons, palavras, desenhos, linhas, pontilhados, partituras criativas, entre outros (por exemplo, um registro para cada tempo do som, um desenho para sons curtos, repetidos desenhos para longo etc.). (EF15AR16RS12-2) Explorar e exercitar o registro musical em processos de áudio e/ou audiovisual. Música Processos de criação (EF15AR17) Experimentar improvisações, composições e sonorização de histórias, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumentos musicais convencionais ou não convencionais, de modo individual, coletivo e colaborativo. (EF15AR17RS12) Experimentar improvisações, composições e sonorização de histórias, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumentos musicais convencionais ou não convencionais, de modo individual, coletivo e colaborativo, utilizando os parâmetros do som, apresentados na habilidade EF15AR14RS12 e as fontes sonoras, presentes na habilidade EF15AR15RS12. 161 Teatro Contextos e práticas (EF15AR18) Reconhecer e apreciar formas distintas de manifestações do teatro presentes em diferentes contextos, aprendendo a ver e a ouvir histórias dramatizadas e cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório ficcional. (EF15AR18RS12-1) Observar e perceber formas de expressão, gestos, entonação de voz, expressão facial no convívio familiar, escolar e presentes no cotidiano, para ver e ouvir histórias reais e dramatizadas, oportunizando a construção de repertório, que valorize a diversidade cultural na formação da comunidade local e estimule o imaginário, a capacidade de simbolizar e a ampliação do repertório do faz de conta. (EF15AR18-G01) Explorar e participar de propostas de jogos simbólicos. Teatro Elementos da linguagem (EF15AR19) Descobrir teatralidades na vida cotidiana, identificando elementos teatrais (variadas entonações de voz, diferentes fisicalidades, diversidade de personagens e narrativas etc.). (EF15AR19RS12) Observar e perceber os elementos básicos do teatro: espaço (onde/local), personagem (quem/variadas entonações de voz, diferentes fisicalidades, gestualidades, movimentos, expressões corporais etc.) e narrativa (o que/história/enredo/ação), na busca de teatralidades (expressões) do cotidiano. Teatro Processos de criação (EF15AR20) Experimentar o trabalho colaborativo, coletivo e autoral em improvisações teatrais e processos narrativos criativos em teatro, explorando desde a teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes estéticas e culturais. (EF15AR20RS12-1) Experimentar, fazer e refazer diversas improvisações de cenas, a partir dos elementos teatrais explorados na habilidade EF15AR19RS12 e em processos narrativos criativos em teatro, explorando desde a teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes 162 estéticas e culturais, que ampliam o repertório do aluno e leva-o a vivenciar um problema e buscar soluções através da criação de cenas, que podem evoluir para encenações, de maneira colaborativa, coletiva e autoral. (EF15AR20RS12-2) Experimentar improvisações de cena em teatro de dedoches e fantoches, teatro de sombra, teatro de objetos animados, teatro de bonecos, entre outros. Teatro Processos de criação (EF15AR21) Exercitar a imitação e o faz de conta, ressignificando objetos e fatos e experimentando- se no lugar do outro, ao compor e encenar acontecimentos cênicos, por meio de músicas, imagens, textos ou outros pontos de partida, de forma intencional e reflexiva. EF15AR21RS12) Testar, fazer e refazer a imitação e o faz de conta, enquanto ferramentas para ações dramáticas, cuidando para não se restringir apenas à construção externa (caricata ou estereotipada) de uma imagem ou pessoa, ressignificando-as e experimentando-se no lugar do outro, ao compor e encenar acontecimentos cênicos, por meio de jogos teatrais, músicas, imagens, textos ou outros pontos de partida, de forma intencional. 163 Teatro Processos de criação (EF15AR22) Experimentar possibilidades criativas de movimento e de voz na criação de um personagem teatral, discutindo estereótipos. (EF15AR22RS12) Explorar, investigar possibilidades criativas de movimento e de voz, experimentando variadas emoções e observando e dialogando sobre seu processo de criação de um personagem teatral não estereotipado. Eixos transversais Processos de criação (EF15AR23) Reconhecer e experimentar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas. (EF15AR23RS12) Experimentar e investigar em projetos temáticos, os elementos, as materialidades e os processos criativos das linguagens artísticas, apropriados à sua forma de expressão dentro do coletivo, com respeito às singularidades. Eixos transversais Matrizes estéticas e culturais (EF15AR24) Caracterizar e experimentar brinquedos, brincadeiras, jogos, danças, canções e histórias de diferentes matrizes estéticas e culturais. (EF15AR24RS12) Vivenciar, identificar e diferenciar a riqueza da diversidade multicultural das matrizes da comunidade e seu entorno, valorizando-as em cantigas de roda, brinquedos, brincadeiras, jogos, danças, canções, obras, histórias, artesanato, entre outras. 164 Eixos transversais Patrimônio cultural (EF15AR25) Conhecer e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo-se suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas. (EF15AR25RS12) Conhecer, identificar, pesquisar e valorizar as características estéticas e culturais presentes no patrimônio material e imaterial da comunidade (de origem indígena, africana, europeia e asiática), para aproximar dados e fatos históricos e as manifestações populares de pequeno e grande porte, viabilizando a compreensão, o convívio e a interação através das brincadeiras de infância. (EF15AR25-G01) Conhecer espaços destinados a apresentações e apreciações artísticas (museu, teatro, etc.). Eixos transversais Arte e tecnologia (EF15AR26) Explorar diferentes tecnologias e recursos digitais (multimeios, animações, jogos eletrônicos, gravações em áudio e vídeo, fotografia, softwares etc.) nos processos de criação artística. (EF15AR26RS12) Descobrir, conhecer e desenvolver experiências individuais, coletivas e compartilhadas, introduzindo as potencialidades dos meios tecnológicos e digitais para a criação e interação em processos criativos, com outras linguagens artísticas. 165 ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS COMPONENTE CURRICULAR: ARTE 3º AO 5º ANO Unidade Temática Objeto de Conhecimento Habilidades Artes visuais Contextos e Práticas BNCC RCG RTG (EF15AR01) Identificar e apreciar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético. (EF15AR01RS35) Explorar, identificar e ampliar as diversas manifestações das artes visuais tradicionais e contemporâneas (desenho, pintura, escultura, gravura, fotografia, vídeo, cinema, animação, arte computacional etc.) locais e regionais, ampliando a construção do olhar, potencializando a capacidade de percepção, imaginação, simbolização e ressignificação do repertório imagético, com a valorização da diversidade culturalna formação da comunidade local e regional. (EF15AR01-G01Identificar e valorizar as expressões artísticas locais. Artes visuais Elementos da linguagem (EF15AR02) Explorar e reconhecer elementos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, cor, espaço, movimento etc.). (EF15AR02RS35) Ampliar a investigação e reconhecer elementos constitutivos das artes visuais e seu potencial poético (ponto, linha, forma, volume bi e tridimensional, textura, cor, (EF15AR02-G1) Identificar os elementos da linguagem visual presentes nos objetos do cotidiano. 166 espaço, movimento, luz e sombra), experimentando, identificando e percebendo as diversas formas de expressão das artes plásticas, audiovisuais, gráficas, tecnológicas e nas linguagens analógicas e digitais, em diferentes meios e nas obras de arte. Artes visuais Matrizes estéticas e culturais (EF15AR03) Reconhecer e analisar a influência de distintas matrizes estéticas e culturais das artes visuais nas manifestações artísticas das culturas locais, regionais e nacionais. (EF15AR03RS35) Levantar informações, identificar, reconhecer e distinguir a influência de distintas matrizes estéticas e culturais das artes visuais nas manifestações, articulando a compreensão da diversidade cultural, no patrimônio imaterial (celebrações, ofícios, saberes, habilidades, crenças e manifestações) e patrimônio material (bens históricos, paisagísticos, etnográficos e obras de arte) na formação da comunidade, da região, do estado e da sociedade brasileira. (EF15AR03-G01) Conhecer, identificar e explorar as contribuições das culturas africanas e indígenas na cultura gaúcha, reconhecendo a sua relevância na formação dos costumes da comunidade local, refletindo sobre essas influências. (EF15AR03-G02) Participar de eventos e atividades que promovam a valorização da cultura gaúcha representada nas artes visuais. Artes visuais Materialidades (EF15AR04) Experimentar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia etc.), fazendo uso sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais. (EF15AR04RS12) Pesquisar, identificar e praticar diferentes formas de expressão bi e tridimensionais (desenho, pintura, colagem, dobradura, escultura, modelagem, história em quadrinhos, fotografia, vídeo etc.), estimulando o manuseio e a percepção dadiversidade de materiais e suas consistências, os recursos dos instrumentos adequados, a forma de trabalhar nas técnicas convencionais, valorizando o uso sustentável dos (EF15AR04-G01) Explorar obras de artistas visuais com o fazer artístico, a partir de técnicas e materiais convencionais e não convencionais. 167 materiais,para concretizar uma obra. Artes visuais Processos de criação (EF15AR05) Experimentar a criação em artes visuais de modo individual, coletivo e colaborativo, explorando diferentes espaços da escola e da comunidade. (EF15AR05RS35) Experimentar e criar em artes visuais, ampliando a possibilidade em diferentes e novos espaços da escola e da comunidade, para consolidar e expandir o repertório criativo de modo individual, coletivo e colaborativo. Artes visuais Processos de criação (EF15AR06) Dialogar sobre a sua criação e as dos colegas, para alcançar sentidos plurais. (EF15AR06RS35) Dialogar e interagir sobre o seu processo de criação e dos colegas, sem a utilização de estereótipos e pré- conceitos (bonito e feio, certo e errado, talento, dom etc.), desenvolvendo a escuta respeitosa das individualidades e singularidades no fazer artístico. (EF15AR06-G01) Compreender e refletir sobre os processos de criação individuais e coletivos, respeitando a diversidade estética. 168 Artes visuais Sistemas da linguagem (EF15AR07) Reconhecer algumas categorias do sistema das artes visuais (museus, galerias, instituições, artistas, artesãos, curadores etc.). (EF15AR07RS35) Experienciar processos de criação e a utilização dos elementos da linguagem, conforme habilidade EF15AR02RS35 e as materialidades descritas na habilidade EF15AR04RS35, no contato com artistas, artesãos e curadores locais e regionais e em visita a museus, galerias e instituições de arte. (EF15AR07-G01) Conhecer espaços culturais locais, como museus, galerias de arte, teatros, analisando e refletindo sobre esses ambientes, compreendendo e fruindo a arte produzida. Dança Contextos e práticas (EF15AR08) Experimentar e apreciar formas distintas de manifestações da dança presentes em diferentes contextos, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório corporal. (EF15AR08RS35) Experimentar ao fazer e refazer movimentos corporais mais elaborados com intencionalidade, presentes no cotidiano e em diferentes formas de dança locais e de outras culturas, observando corpos parados, em equilíbrio e em ações, estimulando a percepção, a significação e a ampliação do repertório pessoal, em trabalhos individuais, coletivos e colaborativos, com a valorização da diversidade cultural na comunidade local e regional. (EF15AR08-G01) Identificar e reconhecer a diversidade das danças locais, conhecendo suas origens e influências, identificando vestimentas utilizadas, apreciando e valorizando essas danças em qualquer época do ano (dança tradicional gaúcha e outras). Dança Elementos da linguagem (EF15AR09) Estabelecer relações entre as partes do corpo e destas com o todo corporal na construção do movimento dançado. (EF15AR09RS35) Experimentar e identificar os movimentos de membros do corpo (superiores e inferiores), estabelecendo a relação com o todo corporal, para compreender e ampliar as possibilidades de criação de movimentos dançados. (EF15AR09-G01)Identificar o uso das partes do corpo no seu cotidiano, relacionando aos movimentos de danças locais. 169 Dança Elementos linguagem da (EF15AR10) Experimentar diferentes formas de orientação no espaço (deslocamentos, planos, direções, caminhos etc.) e ritmos de movimento (lento, moderado e rápido) na construção do movimento dançado. (EF15AR10RS35) Vivenciar, experimentar para ampliar a percepção dos movimentos dançados em diferentes tempos, investigando novas velocidades para a realização de ações simples (fazer o movimento de colocar a mão na cabeça, simular um caminhar bem lentamente, rolar, girar, saltar etc.), em diversos espaços, para compreender a potencialidade da tríade corpo-espaço-movimento. (EF15AR10-G01) Identificar e relacionar os movimentos dançados na observação da dança tradicional e contemporânea local. Dança Processos criação de (EF15AR11) Criar e improvisar movimentos dançados de modo individual, coletivo e colaborativo, considerando os aspectos estruturais, dinâmicos e expressivos dos elementos constitutivos do movimento, com base nos códigos de dança. (EF15AR11RS35) Explorar, fazer, refazer, exercitar a criação e a improvisação repetidamente de diferentes movimentos coreográficos individuais e coletivos, a partir dos aprendizados das habilidades EF15AR08RS35, EF15AR09RS35 e EF15AR10RS35, para ampliar a compreensão da tríade corpo- espaço- movimento e os códigos (características) de diversos ritmos dançantes. Dança Processos criação de (EF15AR12) Discutir, com respeito e sem preconceito, as experiências pessoais e coletivas em dança vivenciadas na escola, como fonte para a construção de vocabulários e repertórios próprios. (EF15AR12RS35) Discutir no sentido de dialogar, escutar, comentar (em rodas de conversas) e, progressivamente, construir argumentações sobre as experiências pessoais e coletivas vivenciadas em dança, evitando análises e comentários preconceituosose estereotipados de si e do outro, ampliando a construção de 170 repertórios próprios. Música Contextos e práticas (EF15AR13) Identificar e apreciar criticamente diversas formas e gêneros de expressão musical, reconhecendo e analisando os usos e as funções da música em diversos contextos de circulação, em especial, aqueles da vida cotidiana. (EF15AR13RS35-1) Exercitar a escuta atenta para identificar e apreciar diversas formas musicais representadas pela cultura regional e por suas diversas etnias culturais em diferentes gêneros (xote, fandango, milonga, polca, valsa, entre outros). (EF15AR13RS35-2) Ampliar a experiência para identificar e apreciar, progressivamente, gêneros musicais que interferem na vida cotidiana (jingle de comerciais no rádio e na televisão, vinhetas em vídeos da Internet, musicais típicas da comunidade executadas em momentos de celebrações, músicas religiosas, das culturas familiares etc.) e nas expressões musicais, valorizando a diversidade cultural na formação da comunidade local e regional. (EF15AR13-G01) Reconhecer a ausência de som como uma forma de expressão. (EF15AR13-G02) Identificar nas músicas locais palavras e expressões próprias, a manifestação da cultura, conhecendo e valorizando a história local. 171 Música Elementos da linguagem (EF15AR14) Perceber e explorar os elementos constitutivos da música (altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de jogos, brincadeiras, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musical. (EF15AR14RS35) Explorar e identificar os elementos básicos do som: altura (sons agudos e graves), duração (longos e curtos), intensidade (forte e fraco) e timbres (da voz e de instrumentos) em diversos gêneros musicais regionais e étnico-culturais por meio de jogos, brincadeiras, cantigas folclóricas, canções e práticas diversas de composição/criação, canto, execução e apreciação musical. Música Materialidades (EF15AR15) Explorar fontes sonoras diversas, como as existentes no próprio corpo (palmas, voz, percussão corporal), na natureza e em objetos cotidianos, reconhecendo os elementos constitutivos da música e as características de instrumentos musicais variados. (EF15AR15RS35-1) Experimentar, explorar, tocar e identificar fontes sonoras, buscando organizar os sons nas famílias dos instrumentos (cordas, madeiras, percussão, metais) utilizando os instrumentos convencionais e não convencionais (objetos do cotidiano) e sons do corpo (palmas, voz e percussão corporal), relacionando-os e trabalhando os elementos da música, conforme habilidade EF15AR14RS35. (EF15AR15RS35-2) Experimentar, investigar, pesquisar e construir instrumentos musicais não convencionais com possibilidades sonoras diversas, de forma sustentável, buscando a harmonia e a qualidade do som. (EF15AR15-G01) Conhecer e apreciar instrumentos musicais que caracterizam as músicas locais, reconhecendo e comparando os sons produzidos. 172 Música Notação e registro musical (EF15AR16) Explorar diferentes formas de registro musical não convencional (representação gráfica de sons, partituras criativas etc.), bem como procedimentos e técnicas de registro em áudio e audiovisual, e reconhecer a notação musical convencional. (EF15AR16RS35-1) Explorar diferentes formas de registro musical não convencional de canções e músicas por meio de representações de sons, palavras, desenhos, linhas, pontilhados, partituras criativas, entre outros (por exemplo, um registro para cada tempo do som, um desenho para sons curtos, repetidos desenhos para longo etc.). (EF15AR16RS35-2) Explorar e exercitar o registro musical em processos de áudio e/ou audiovisual. (EF15AR16RS35-3) Conhecer e reconhecer o registro musical convencional em diferentes canções e músicas. Música Processos de criação (EF15AR17) Experimentar improvisações, composições e sonorização de histórias, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumentos musicais convencionais ou não convencionais, de modo individual, coletivo e colaborativo. (EF15AR17RS35) Experimentar improvisações, composições e sonorização de histórias, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumentos musicais convencionais ou não convencionais, de modo individual, coletivo e colaborativo, utilizando os parâmetros do som, apresentados na habilidade EF15AR14RS35 e as fontes sonoras, presentes na habilidade EF15AR15RS35-1 e os instrumentos construídos na habilidade (EF15AR17-G01)Reconhecer as trovas populares como expressão cultural, explorando, fruindo e identificando seus elementos constitutivos. 173 EF15AR15RS35-2. Teatro Contextos e práticas (EF15AR18) Reconhecer e apreciar formas distintas de manifestações do teatro presentes em diferentes contextos, aprendendo a ver e a ouvir histórias dramatizadas e cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório ficcional. (EF15AR18RS12-1) Vivenciar e apreciar formas de expressão, gestos, entonação de voz, expressão facial e corporal presentes no cotidiano, para ver e ouvir histórias reais e dramatizadas, potencializando a construção de repertório, que valorize a diversidade cultural na formação da comunidade local e desenvolva o imaginário, a capacidade de simbolizar e a ampliação do repertório ficcional. (EF15AR18-G01) Conhecer e apreciar manifestações teatrais locais, bem como os artistas da comunidade. Teatro Elementos da linguagem (EF15AR19) Descobrir teatralidades na vida cotidiana, identificando elementos teatrais (variadas entonações de voz, diferentes fisicalidades, diversidade de personagens e narrativas etc.). (EF15AR19RS35) Explorar teatralidades na vida cotidiana, observando e identificando elementos básicos do teatro: espaço (onde), personagem (quem) e narrativa (o que/ação), bem como variadas entonações de voz, diferentes fisicalidades (gestualidades, movimentos, expressões corporais etc.). 174 Teatro Processos de criação (EF15AR20) Experimentar o trabalho colaborativo, coletivo e autoral em improvisações teatrais e processos narrativos criativos em teatro, explorando desde a teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes estéticas e culturais. (EF15AR20RS35-1) Experimentar o trabalho colaborativo, coletivo e autoral em improvisações teatrais e processos narrativos criativos em teatro, explorando desde a intencionalidade à teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes estéticas e culturais, que ampliam o repertório pessoal e possibilitam novas criações. (EF15AR20RS35-2) Experimentar improvisações de sequências de cenas em teatro de dedoches e fantoches, teatro de sombra, teatro de objetos animados, teatro de bonecos, entre outros. Teatro Processos de criação (EF15AR21) Exercitar a imitação e o faz de conta, ressignificando objetos e fatos e experimentando- se no lugar do outro, ao compor e encenar acontecimentos cênicos, por meio de músicas, imagens, textos ou outros pontos de partida, de forma intencional e reflexiva. (EF15AR21RS35) Exercitar a imitação e o faz de conta, ressignificando objetos e fatos e experimentando-se no lugar do outro, ao compor e encenar acontecimentos cênicos, por meio de jogos teatrais, músicas, imagens, textos ou outros pontos de partida, de forma intencional e reflexiva. 175 Teatro Processos de criação (EF15AR22) Experimentar possibilidades criativas de movimento e de voz na criação de um personagem teatral, discutindo estereótipos. (EF15AR22RS35) Investigar e explorar possibilidades criativas de movimento e de voz na criação de um personagem teatral, compreendendo e evitando a busca porsoluções prontas e estereotipadas. Artes integradas Processos de criação (EF15AR23) Reconhecer e experimentar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas. (EF15AR23RS35) Experimentar, investigar e produzir projetos temáticos, os elementos, as materialidades e os processos criativos das linguagens artísticas, dentro do coletivo, na busca de uma poética pessoal, respeitando as singularidades e diversidades. Artes integradas Matrizes estéticas e culturais (EF15AR24) Caracterizar e experimentar brinquedos, brincadeiras, jogos, danças, canções e histórias de diferentes matrizes estéticas e culturais. (EF15AR24RS35) Vivenciar, identificar e diferenciar, progressivamente, a riqueza da diversidade multicultural das matrizes da comunidade e seu entorno, valorizando-as em brincadeiras, jogos, danças, canções, obras, histórias, artesanato, apresentações, entre outras. 176 Artes integradas Patrimônio cultural (EF15AR25) Conhecer e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo-se suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas. (EF15AR25RS35) Identificar, pesquisar, reconhecer e valorizar as características estéticas e culturais presentes no patrimônio material e imaterial pertencentes à cultura local, regional e nacional (de origem indígena, africana e europeia), para aproximar dados e fatos históricos e as manifestações populares de pequeno e grande porte, viabilizando a compreensão, o convívio e a interação através das linguagens artísticas. (EF15AR25-G01) Identificar as diversas culturas presentes no patrimônio cultural local. Artes integradas Arte e tecnologia (EF15AR26) Explorar diferentes tecnologias e recursos digitais (multimeios, animações, jogos eletrônicos, gravações em áudio e vídeo, fotografia, softwares etc.) nos processos de criação artística. (EF15AR26RS35-1) Descobrir, conhecer e desenvolver múltiplas experiências individuais, coletivas e compartilhadas, explorando as potencialidades dos meios tecnológicos e digitais para a criação e interação em processos criativos, com outras linguagens artísticas. (EF15AR26RS35-2) Descobrir e conhecer a imaterialidade nas obras digitais: fotografia digital, audiovisual, vídeo (o que não é possível tocar fisicamente, que não se desgaste com o tempo, que pode ser reproduzido infinitamente e está salvo em arquivos digitais e virtuais). 177 ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS COMPONENTE CURRICULAR: ARTE 6º e 7º ANO Unidade Temática Objeto de Conhecimento Habilidades Artes visuais Contextos e práticas BNCC RCG RTG (EF69AR01) Pesquisar, apreciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, em obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais, de modo a ampliar a experiência com diferentes contextos e práticas artístico- visuais e cultivar a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético. (EF69AR01RS67) Explorar, reconhecer e investigar as diversas manifestações das artes visuais tradicionais e contemporâneas (desenho, pintura, escultura, gravura, fotografia, vídeo, cinema, animação, arte computacional etc.), que contemplem obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e matrizes estéticas e culturais (africana, indígena, popular, entre outras), possibilitando a expansão da experiência com diferentes contextos e práticas artístico-visuais e a compreensão e ressignificação da capacidade de percepção, de imaginação, de simbolização e do repertório imagético. (EF69AR01-G01) Pesquisar e investigar os diferentes artistas visuais locais, em diversas modalidades (desenho, pintura, grafite, escultura, gravura, fotografia, vídeo, cinema, animação, arte computacional, história em quadrinho e Cartoons etc.). (EF69AR01-G02) Analisar e estabelecer as relações existentes entre as obras de artistas nacionais e internacionais, com os artistas de Gravataí. (EF69AR01-G03) Reconhecer e valorizar as influências oriundas da 178 cultura africana (Quilombolas) e indígena (da região metropolitana) nos costumes da comunidade gravataiense (rituais religiosos, danças, culinária, artesanato, indumentária Açoriana e Gaúcha etc.). Artes visuais Contextos e práticas (EF69AR02) Pesquisar e analisar diferentes estilos visuais, contextualizando-os no tempo e no espaço. (EF69AR02RS67) Explorar e reconhecer diferentes estilos visuais, observando a contextualização que dialogue ao longo do tempo e do espaço possibilitando comparações (arte rupestre e grafite, pintura corporal indígena e bodyart etc.). (EF69AR02-G01) Explorar e reconhecer diferentes estilos visuais, observando a cronologia da história da arte. Artes visuais Contextos e práticas (EF69AR03) Analisar situações nas quais as linguagens das artes visuais se integram às linguagens audiovisuais (cinema, animações, vídeos etc.), gráficas (capas de livros, ilustrações de textos diversos etc.), cenográficas, coreográficas, musicais etc. (EF69AR03RS67) Investigar situações em que as linguagens das artes visuais possam interagir com outras linguagens audiovisuais (cinema, animações, vídeos etc.), gráficas (capas de livros, ilustrações de textos diversos etc.), cenográficas, coreográficas, musicais etc. 179 Artes visuais Elementos da linguagem (EF69AR04) Analisar os elementos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, direção, cor, tom, escala, dimensão, espaço, movimento etc.) na apreciação de diferentes produções artísticas. (EF69AR04RS67) Pesquisar e identificar os elementos visuais (ponto, linha, forma, direção, cor, tom, escala, dimensão, espaço, movimento etc.), que possibilitem a verificação e apreciação das alterações que ocorrem com o material e o meio em que a obra é realizada. (EF69AR04-G01Exercitar e experimentar através do desenho a construção da composição da imagem, utilizando os elementos da linguagem visual (como desenho de observação e tangram). Artes visuais Materialidades (EF69AR05) Experimentar e analisar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia, performance etc.). (EF69AR05RS67-1) Experimentar e explorar as diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, charges, cartoons, tirinhas dobradura, caricaturas, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia, performance, arte computacional etc.). (EF69AR05RS67-2) Experimentar e conhecer em cada expressão artística o suporte, os materiais, as ferramentas específicas em sua realização e os procedimentos de execução do trabalho, observando a diferença entre os elementos que constituem as materialidades convencionais e não convencionais. (EF69AR05-G01) Explorar e analisar as diferentes formas de expressão artística, refletindo sobre a sua produção em artes visuais considerando os diferentes suportes e materiais. 180 Artes visuais Processos de criação (EF69AR06) Desenvolver processos de criação em artes visuais, com base em temas ou interesses artísticos, de modo individual, coletivo e colaborativo, fazendo uso de materiais, instrumentos e recursos convencionais, alternativos e digitais. (EF69AR06RS67) Desenvolver processos de criação em artes visuais aplicando os conhecimentos adquiridos em novas criações, com base em temas ou interesses artísticos, de modo individual, coletivo e colaborativo, fazendo uso de materiais, instrumentos e recursos convencionais,não convencionais e tecnológicos. (EF69AR06-G01) Identificar nas diferentes modalidades de histórias em quadrinhos (mangás, cartoons, charge, etc.) produzidas por artistas internacionais, nacionais e locais, os aspectos sociais, em diferentes contextos culturais. Artes visuais Processos de criação (EF69AR07) Dialogar com princípios conceituais, proposições temáticas, repertórios imagéticos e processos de criação nas suas produções visuais. (EF69AR07RS67) Estabelecer relações em suas produções visuais, percebendo princípios conceituais que as embasam para novas proposições temáticas, ampliando o repertório imagético. (EF69AR07-G01) Relacionar os conceitos e características das expressões das artes visuais ao longo da história da arte com as suas produções artísticas individuais e coletivas. (EF69AR07-G02) Fruir esteticamente em exposições artísticas (museus artísticos, galerias, exposições virtuais, etc.), a partir dos conhecimentos adquiridos nas aulas de arte, qualificando a reflexão e o diálogo sobre os diferentes aspectos da sua produção visual. 181 Artes visuais Sistemas da linguagem (EF69AR08) Diferenciar as categorias de artista, artesão, produtor cultural, curador, designer, entre outras, estabelecendo relações entre os profissionais do sistema das artes visuais. (EF69AR08RS67) Identificar as categorias de artista, artesão, produtor cultural, curador, designer, entre outras, diferenciando o trabalho realizado por cada profissional envolvido, estabelecendo conexões entre estes profissionais. (EF69AR08-G01) Identificar e relacionar as diferentes categorias profissionais (artista, artesão, produtor cultural, curador, designer, entre outras) e Instituições culturais (Pinacotecas, Museus, Centros Culturais, Feiras de Artesanato). (EF69AR08-G02) Desfrutar do contato com artistas e artesãos locais, experienciando e conhecendo diferentes processos de criação e a utilização dos elementos das linguagens. Dança Contextos e práticas (EF69AR09) Pesquisar e analisar diferentes formas de expressão, representação e encenação da dança, reconhecendo e apreciando composições de dança de artistas e grupos brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas. (EF69AR09RS67) Observar, pesquisar, identificar, compreender e apreciar diferentes formas de expressão, representação e encenação da dança (espetáculos locais, danças de rua, jazz, dança de salão, vídeos, festivais, meios de comunicação etc.), ampliando e consolidando repertório de referência, baseado em manifestações de grupos brasileiros de diferentes regiões do país. (EF69AR09-G01) Observar, pesquisar, identificar, compreender e apreciar diferentes formas de expressão, representação e encenação da dança (espetáculos locais, danças de rua, jazz, dança de salão, vídeos, festivais, meios de comunicação etc.), ampliando e consolidando repertório de referência, baseado em manifestações de grupos locais. (EF69AR09-G02) Reconhecer, apreciar e valorizar os estilos de dança e práticas artísticas internacionais, nacionais, regionais e locais (como escolas de dança de diferentes modalidades, Escola de Samba - Acadêmicos de Gravataí; 182 Cultura Açoriana - Casa dos Açores; Cultura Gaúcha (CTGs), Festival de Folclore). Dança Elementos da linguagem (EF69AR10) Explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado, abordando, criticamente, o desenvolvimento das formas da dança em sua história tradicional e contemporânea. (EF69AR10RS67) Investigar e explorar movimentos espontâneos do cotidiano em espaços e tempos determinados, além de observar as possibilidades de transformação desses movimentos, atribuindo novos significados, a partir de questionamentos como: o porquê daquele gesto, o que levou a pessoa a movimentar-se daquela forma, qual a reação que aquele gesto pode causar em outras pessoas, qual sentimento aquele gesto comunica etc. (EF69AR10-G01) Explorar, analisar e compreender os gestos do cotidiano, integrados aos movimentos da dança. Dança Elementos da linguagem (EF69AR11) Experimentar e analisar os fatores de movimento (tempo, peso, fluência e espaço) como elementos que, combinados, geram as ações corporais e o movimento dançado. (EF69AR11RS67) Explorar, conhecer, vivenciar e praticar em ações corporais os fatores de movimento: tempo (é o ritmo que se dá para o início, meio e fim de um movimento: lento, moderado e rápido); peso (força necessária para os movimentos de suspensão, peso leve, pesado); fluência (movimentos contidos ou com liberdade de expressão, livre, interrompido, conduzido ou controlado); espaço (dimensão ocupada quando estica ao máximo os membros do corpo (EF69AR11-G01)Experimentar e analisar os fatores de movimento. (EF69AR11-G02)Explorar, conhecer, vivenciar e praticar em ações corporais de dança os fatores de movimento. 183 em todas as direções – frente, atrás, direita, esquerda, acima, abaixo, diagonais); dimensão (altura, largura e profundidade-encontro de duas dimensões); trajetória espacial (direta ou indireta) e deslocamento (pessoal ou global). Dança Processos de criação (EF69AR12) Investigar e experimentar procedimentos de improvisação e criação do movimento como fonte para a construção de vocabulários e repertórios próprios. (EF69AR12RS67) Investigar, experimentar e construir vocabulário e repertório pessoal dançante, com a repetição de diversas práticas de criação e improvisação, empregando os fatores de movimento trabalhados na habilidade EF69AR11RS67. (EF69AR12-G01) Investigar, experimentar e construir vocabulário e repertório pessoal dançante, com a repetição de diversas práticas de criação e improvisação a partir das vivências da cultura das danças locais. Dança Processos de criação (EF69AR13) Investigar brincadeiras, jogos, danças coletivas e outras práticas de dança de diferentes matrizes estéticas e culturais como referência para a criação e a composição de danças autorais, individualmente e em grupo. (EF69AR13RS67) Investigar e pesquisar a possibilidade de criação e composição de uma coreografia autoral, de maneira individual ou em grupo, que explore a liberdade de expressão, orientado pelas regras e focos dos jogos e brincadeiras, percebendo as diversas maneiras de movimentar-se em cada proposta, a partir das referências de múltiplas matrizes estéticas e culturais locais, regionais e nacionais. 184 Dança Processos de criação (EF69AR14) Analisar e experimentar diferentes elementos (figurino, iluminação, cenário, trilha sonora etc.) e espaços (convencionais e não convencionais) para composição cênica e apresentação coreográfica. (EF69AR14RS67) Experimentar, investigar, pesquisar os diferentes elementos da dança (figurino, iluminação, cenário, trilha sonora etc.), para identificar e compreender o potencial de contribuição de cada um na composição cênica e apresentação coreográfica. (EF69AR14-G01)Criar espaços cenográficos e coreográficos que representem a cultura local , bem como seus usos e costumes. Dança Processos de criação (EF69AR15) Discutir as experiências pessoais e coletivas em dança vivenciadas na escola e em outros contextos, problematizando estereótipos e preconceitos. (EF69AR15RS67) Descrever, comunicar e argumentar sobre as vivências individuais e coletivas experimentadas em dança, em rodas de conversa, para ampliar a compreensão e a reflexão na utilização dos fatores de movimentos, evitando colocações estereotipadas e preconceituosas. Música Contextos e práticas (EF69AR16) Analisar criticamente, por meio da apreciação musical, usos e funções da música em seus contextos de produção e circulação, relacionando as práticas musicais às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica,estética e ética. (EF69AR16RS67-1) Escutar, apreciar e contextualizar para compreender os ambientes e os momentos históricos em que ocorreu a produção musical brasileira e mundial, ampliando a possibilidade de estabelecer conexões estéticas e éticas entre os porquês de cada manifestação, principalmente as que trabalham questões sociais e culturais. (EF69AR16-G01) Pesquisar os estilos musicais e suas composições de acordo com a época de criação e relações com o contexto histórico e social. (EF69AR16-G02) Investigar, registrar e analisar os diferentes estilos musicais de acordo com as suas épocas de criação (história da música). (EF69AR16RS67-2) Escutar, apreciar e contextualizar as transformações que a música sofreu ao longo do século XX, 185 desde a inclusão do silêncio, dos ruídos e do uso da tecnologia, agregando componentes possíveis de serem transformados em música. Música Contextos e práticas (EF69AR17) Explorar e analisar, criticamente, diferentes meios e equipamentos culturais de circulação da música e do conhecimento musical. (EF69AR17RS67) Explorar e identificar os diferentes meios e equipamentos culturais e de circulação musical tradicional e alternativo (espaço público) para compreender a possibilidade de múltiplas funções: aprendizagem (ensaio), compartilhamento, apresentação, divulgação, disseminação e difusão. (EF69AR17-G01) Valorizar, participar e conhecer os espaços de difusão musical na cidade como espetáculos musicais, rádios, corais, bandas marciais. Música Contextos e práticas (EF69AR18) Reconhecer e apreciar o papel de músicos e grupos de música brasileiros e estrangeiros que contribuíram para o desenvolvimento de formas e gêneros musicais. (EF69AR18RS67) Pesquisar, identificar e reconhecer criações singulares de profissionais e/ou grupos musicais, para o exercício e o desenvolvimento do gosto pessoal na apreciação e valorização de gêneros específicos. 186 Música Contextos e práticas (EF69AR19) Identificar e analisar diferentes estilos musicais, contextualizando-os no tempo e no espaço, de modo a aprimorar a capacidade de apreciação da estética musical. (EF69AR19RS67) Fruir e acessar diferentes estilos musicais locais, regionais e nacionais por meio de espetáculos, festivais, vídeos, internet etc., para ampliar o vocabulário e o repertório pessoal, permitindo aprimorar a capacidade de apreciação da estética musical. (EF69AR19-G01) Ouvir, dialogar e interpretar os diferentes estilos musicais locais, regionais, nacionais e internacionais utilizando diferentes tecnologias digitais. Música Elementos da linguagem (EF69AR20) Explorar e analisar elementos constitutivos da música (altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de recursos tecnológicos (games e plataformas digitais), jogos, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musicais. (EF69AR20RS67) Experimentar, explorar e conhecer os elementos básicos constitutivos da música: ritmo (pulsação da música), melodia (sequência das notas musicais) e harmonia (encadeamento dos sons simultâneos), em jogos, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musicais, em continuidade à habilidade EF15AR14RS35 dos Anos Iniciais, que trabalha os elementos básicos do som: altura (sons agudos e graves), duração (longos e curtos), intensidade (forte e fraco) e timbres (da voz e de instrumentos). (EF69AR20-G01) Desenvolver e identificar os elementos básicos de sonoridade, ritmo, melodia e harmonia, através dos conceitos teóricos e da prática da audição em sala de aula (uso de áudio e audiovisual). 187 Música Materialidades (EF69AR21) Explorar e analisar fontes e materiais sonoros em práticas de composição/criação, execução e apreciação musical, reconhecendo timbres e características de instrumentos musicais diversos. (EF69AR21RS67) Experimentar, explorar, conhecer e analisar os diversos instrumentos que compõem os grandes grupos (de corda, de sopro – madeira e metais – e de percussão) para desenvolver a capacidade de escuta, possibilitando distinguir timbres e características de cada um. (EF69AR21-G01) Compreender as diferenças entre os sons (agudo, grave/alto e baixo). Música Notação e registro musical (EF69AR22) Explorar e identificar diferentes formas de registro musical (notação musical tradicional, partituras criativas e procedimentos da música contemporânea), bem como procedimentos e técnicas de registro em áudio e audiovisual. (EF69AR22RS67) Explorar, exercitar e conhecer notações musicais convencionais (pauta de cinco linhas) e não convencionais (desenhos gráficos), partituras criativas e procedimentos contemporâneos (de áudio e/ou audiovisual etc.), para registrar seus processos criativos. Música Processos de criação (EF69AR23) Explorar e criar improvisações, composições, arranjos, jingles, trilhas sonoras, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumentos acústicos ou eletrônicos, convencionais ou não convencionais, expressando ideias musicais de maneira individual, coletiva e colaborativa. (EF69AR23RS67) Explorar, criar e recriar improvisações, composições, arranjos, jingles, trilhas sonoras, entre outros, para exercitar a experimentação musical ampla e com liberdade, sem preocupação com o resultado final, na utilização de vozes, sons corporais e/ou instrumentos acústicos ou eletrônicos, convencionais ou não convencionais, de forma individual, coletiva e compartilhada. 188 Teatro Contextos práticas e (EF69AR24) Reconhecer e apreciar artistas e grupos de teatro brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas, investigando os modos de criação, produção, divulgação, circulação e organização da atuação profissional em teatro. (EF69AR24RS67) Conhecer e apreciar artistas e grupos de teatro locais e regionais de distintas épocas, pesquisando os modos de criação, a produção e a organização da atuação em teatro. (EF69AR24-G01) Conhecer, reconhecer e apreciar artistas e grupos de teatro de arte local, como por exemplo, o FESTIL e a Paixão de Cristo entre outros, em diferentes épocas, investigando os modos de criação, produção, divulgação, circulação e organização da atuação profissional em teatro. Teatro Contextos práticas e (EF69AR25) Identificar e analisar diferentes estilos cênicos, contextualizando-os no tempo e no espaço de modo a aprimorar a capacidade de apreciação da estética teatral. (EF69AR25RS67) Conhecer e diferenciar estilos cênicos (teatro, circo etc.), considerando o tempo e o espaço em que estão situados, para desenvolver a capacidade de apreciação da estética teatral. Teatro Elementos linguagem da (EF69AR26) Explorar diferentes elementos envolvidos na composição dos acontecimentos cênicos (figurinos, adereços, cenário, iluminação e sonoplastia) e reconhecer seus vocabulários. (EF69AR26RS67) Experimentar, investigar e estudar os diversos elementos envolvidos na composição dos acontecimentos cênicos (dramaturgia, figurinos, adereços, cenários, iluminação, sonoplastia, entre outros) e conhecer seus vocabulários, termos e conceitos, vivenciando-os em cenas e esquetes teatrais. (EF69AR26-G01) Perceber como os elementos da linguagem do teatro influenciam na composição de esquetes teatrais, baseadas em temáticas da realidade local. 189 Teatro Processos criação de (EF69AR27) Pesquisar e criar formas de dramaturgias e espaços cênicos para o acontecimento teatral, em diálogo com o teatro contemporâneo. (EF69AR27RS67) Investigar e descobrir formas de dramaturgia para o acontecimento teatral, dialogando com a cultura local e regional, para a criação cênica. Teatro Processos criação de (EF69AR28) Investigar e experimentar diferentes funções teatraise discutir os limites e desafios do trabalho artístico coletivo e colaborativo. (EF69AR28RS67) Pesquisar e experimentar diferentes funções teatrais (atuação, direção, iluminação, entre outras) e perceber os limites e desafios do trabalho coletivo e colaborativo, compreendendo a importância e necessidade de cada um dentro do processo artístico. (EF69AR28-G01)Valorizar a cooperação e o diálogo nos espaços de encenação cultural. Teatro Processos criação de (EF69AR29) Experimentar a gestualidade e as construções corporais e vocais de maneira imaginativa na improvisação teatral e no jogo cênico. (EF69AR29RS67) Investigar, explorar, fazer e refazer a gestualidade e as construções corporais e vocais, de modo a exercitar a imaginação nos jogos teatrais e nas improvisações cênicas. (EF69AR29-G01) Exercitar a imaginação nos jogos teatrais e nas improvisações cênicas de maneira a provocar a interação lúdica e prazerosa entre os participantes. 190 Teatro Processos criação de (EF69AR30) Compor improvisações e acontecimentos cênicos com base em textos dramáticos ou outros estímulos (música, imagens, objetos etc.), caracterizando personagens (com figurinos e adereços), cenário, iluminação e sonoplastia e considerando a relação com o espectador. (EF69AR30RS67-1) Experimentar, exercitar, fazer, repetir improvisações, esquetes e acontecimentos cênicos, a partir de estímulos variados (imagens, palavras, objetos, poemas, música etc.). (EF69AR30RS67-2) Investigar, criar e sugerir personagens (caracterizando-os com figurinos e adereços) e cenários, levando em consideração a relação com o espectador. (EF69AR30-G01) Estimular a criatividade dos estudantes envolvidos no processo de criação e atuação cênica. Artes integradas Processos criação de (EF69AR31) Relacionar as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética. (EF69AR31RS67) Observar e explorar diversas práticas artísticas, possibilitando a relação com diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética em contextos diversos. Artes integradas Processos criação de (EF69AR32) Analisar e explorar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas. (EF69AR32RS67) Explorar, exercitar e constituir, em projetos temáticos, os elementos, as materialidades e os processos criativos das linguagens artísticas (local, regional e nacional) apropriados à sua forma de expressão dentro do coletivo, com respeito às singularidades manifestadas em diferentes contextos. 191 Artes integradas Matrizes estéticas e culturais (EF69AR33) Analisar aspectos históricos, sociais e políticos da produção artística, problematizando as narrativas eurocêntricas e as diversas categorizações da arte (arte, artesanato, folclore, design etc.). (EF69AR33RS67) Explorar, reconhecer e valorizar a diversidade das matrizes culturais e dos aspectos históricos, sociais e políticos da produção artística, problematizando as narrativas eurocêntricas e as diversas categorizações da arte (arte, artesanato, folclore, design etc.). Artes integradas Patrimônio cultural (EF69AR34) Analisar e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, e favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas. (EF69AR34RS67) Explorar, conhecer e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo suas matrizes indígenas, africanas e europeias, locais, regionais e brasileiras de diferentes épocas, favorecendo a construção do repertório pessoal relativo às diferentes manifestações artísticas. Artes integradas Arte e tecnologia (EF69AR35) Identificar e manipular diferentes tecnologias e recursos digitais para acessar, apreciar, produzir, registrar e compartilhar práticas e repertórios artísticos, de modo reflexivo, ético e responsável. (EF69AR35RS67-1) Reconhecer e identificar as experiências individuais, coletivas e compartilhadas através de diferentes tecnologias e recursos digitais (fotografia digital, vídeos, arte computacional etc.) para acessar, apreciar, produzir, registrar e compartilhar práticas e repertórios artísticos, de modo reflexivo, ético e responsável. (EF15AR26RS67-2) Reconhecer a imaterialidade nas obras digitais: fotografia digital, audiovisual, vídeo (o (EF69AR35-G01) Apreciar as produções artísticas locais, utilizando diferentes recursos digitais, midiáticos e tecnológicos. 192 que não é possível tocar fisicamente, que não se desgasta com o tempo, que pode ser reproduzido infinitamente e está salvo em arquivos digitais e virtuais). 193 ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS COMPONENTE CURRICULAR: ARTE 8º e 9º ANO Unidade Temática Objeto de Conhecimento Habilidades Artes visuais Contextos e práticas BNCC RCG RTG (EF69AR01) Pesquisar, apreciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, em obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais, de modo a ampliar a experiência com diferentes contextos e práticas artístico-visuais e cultivar a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético. (EF69AR01RS89) Experienciar, pesquisar, analisar e apreciar as diversas manifestações das artes visuais tradicionais e contemporâneas (desenho, pintura, escultura, gravura, fotografia, vídeo, cinema, animação, arte computacional etc.) que contemplem obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e matrizes estéticas e culturais (africana, indígena, popular e entre outras), possibilitando a expansão da experiência com diferentes contextos e práticas artístico-visuais, a compreensão e ressignificação da capacidade de percepção, de imaginação, de simbolização e do repertório imagético. (EF69AR01-G01) Pesquisar e investigar os diferentes artistas visuais locais, com seus estilos e modalidades artísticas (desenho, pintura, grafite, escultura, gravura, fotografia, vídeo, cinema, animação, arte digital, história em quadrinhos, cartoons e etc.). (EF69AR01-G02) Relacionar as manifestações artísticas do final da Idade Média e início da Idade Moderna com as tendências das artes visuais e artistas contemporâneos locais. 194 Artes visuais Contextos e práticas (EF69AR02) Pesquisar e analisar diferentes estilos visuais, contextualizando-os no tempo e no espaço. (EF69AR02RS89) Explorar e reconhecer diferentes estilos visuais, observando a contextualização que dialogue ao longo do tempo e do espaço possibilitando as comparações (arte rupestre e grafite, pintura corporal indígena e bodyart etc.). (EF69AR02-G01) Pesquisar, compreender e apreciar a Arte nas Idades Moderna e Contemporânea relacionando as características dos estilos visuais com as obras dos artistas em cada tempo e espaço. Artes visuais Contextos e práticas (EF69AR03) Analisar situações nas quais as linguagens das artes visuais se integram às linguagens audiovisuais (cinema, animações, vídeos etc.), gráficas (capas de livros, ilustrações de textos diversos etc.), cenográficas, coreográficas, musicais etc. (EF69AR03RS89) Pesquisar e analisar situações em que as linguagens das artes visuais possam interagir com outras linguagens audiovisuais (cinema, animações, vídeos, vídeo instalação, etc.), gráficas (capas de livros, ilustrações de textos diversos etc.), cenográficas, coreográficas, musicais,performances, happening, land art etc. (EF69AR03-G01) Qualificar o processo criativo dos estudantes, fazendo as linguagens das artes visuais interagirem com as linguagens audiovisuais, gráficas, cenográficas, coreográficas. Artes visuais Elementos da linguagem (EF69AR04) Analisar os elementos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, direção, cor, tom, escala, dimensão, espaço, movimento etc.) na apreciação de diferentes produções artísticas. (EF69AR04RS89) Pesquisar, identificar e analisar os elementos visuais (ponto, linha, forma, direção, cor, tom, escala, dimensão, espaço, movimento etc.) que possibilitem a verificação e apreciação das alterações que ocorrem com o material e o meio em que a obra é realizada. (EF69AR04-G01) Estudar e compreender os elementos da linguagem visual na construção da ilusão de ótica e na representação da imagem tridimensional, com uso da sombra e da luz. (EF69AR04-G02) Explorar as formas geométricas sólidas (cone, esfera, cubo e cilindro). 195 Artes visuais Materialidades (EF69AR05) Experimentar e analisar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia, performance etc.). (EF69AR05RS89-1) Experienciar, pesquisar e analisar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, charges, cartoons, tirinhas dobradura, caricaturas, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia, performance, arte computacional etc.). (EF69AR05RS89-2) Experimentar e reconhecer em cada expressão artística o suporte, os materiais, as ferramentas específicas em sua realização e procedimentos de execução do trabalho observando a diferença entre os elementos que constituem as materialidades convencionais e não convencionais. (EF69AR05-G01) Explorar, manusear e analisar as diversas ferramentas digitais (celular, máquina fotográfica, filmadora, gravador e etc.) nas produções artísticas realizadas em sala de aula e fora dela. (EF69AR05-G02) Reconhecer as materialidades nas obras artísticas utilizando-se de visitas virtuais a museus e exposições com auxílio da internet e de ferramentas digitais. Artes visuais Processos de criação (EF69AR06) Desenvolver processos de criação em artes visuais, com base em temas ou interesses artísticos, de modo individual, coletivo e colaborativo, fazendo uso de materiais, instrumentos e recursos convencionais, alternativos e digitais. (EF69AR06RS89) Experimentar e aprimorar processos de criação em artes visuais, aplicando os conhecimentos adquiridos para desenvolver novas criações em artes visuais, com base em temas ou interesses artísticos, de modo individual, coletivo e colaborativo, fazendo uso de materiais, instrumentos e recursos convencionais, não convencionais e tecnológicos. (EF69AR06-G01) Utilizar os recursos tecnológicos para a criação e produção de processos artísticos que envolvam temas ou interesses individuais e coletivos (projetos, campanhas, eventos, datas comemorativas, assuntos de interesses da comunidade e assuntos em destaque), aprimorando o conhecimento em arte. 196 Artes visuais Processos criação de (EF69AR07) Dialogar com princípios conceituais, proposições temáticas, repertórios imagéticos e processos de criação nas suas produções visuais. (EF69AR07RS89) Compreender e estabelecer relações em suas produções visuais, percebendo princípios conceituais que as embasem para novas proposições temáticas, ampliando o repertório imagético. Artes visuais Sistemas linguagem da (EF69AR08) Diferenciar as categorias de artista, artesão, produtor cultural, curador, designer, entre outras, estabelecendo relações entre os profissionais do sistema das artes visuais. (EF69AR08RS89) Identificar e reconhecer as categorias de artista, artesão, produtor cultural, curador, designer, entre outras, diferenciando o trabalho realizado por cada profissional envolvido, estabelecendo conexões entre estes profissionais envolvidos que vão desde a criação até uma exposição de uma obra de arte. (EF69AR08-G01) Reconhecer e valorizar os profissionais que colaboram com o fazer e o expor artístico em seus espaços de trabalho, aproximando do estudante as diferentes categorias profissionais e instituições culturais (como Pinacotecas, Museus, Centros Culturais, Feiras de Artesanato, etc.). (EF69AR08-G02) Interagir e desfrutar do contato com artistas e artesãos locais, experienciando e conhecendo diferentes processos de criação, os elementos da linguagem visual, os materiais, as ferramentas e os suportes utilizados nas produções em artes. 197 Dança Contextos e práticas (EF69AR09) Pesquisar e analisar diferentes formas de expressão, representação e encenação da dança, reconhecendo e apreciando composições de dança de artistas e grupos brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas. (EF69AR09RS89) Pesquisar, identificar compreender e analisar diferentes formas de expressão, representação e encenação da dança (espetáculos, danças de rua, jazz, dança de salão, vídeos, festivais, meios de comunicação, Internet etc.), ampliando e consolidando repertório de referência, baseado em manifestações de grupos brasileiros e estrangeiros de diferentes culturas e estilos, enfatizando os coletivos contemporâneos. (EF69AR09-G01) Apreciar diferentes formas de expressão, representação e encenação da dança, ampliando e consolidando o repertório de referência, baseado em manifestações de grupos locais. (EF69AR09-G02) Valorizar os estilos de dança e práticas artísticas internacionais, nacionais, regionais e locais (como escolas de dança de diferentes modalidades, Escola de Samba - Acadêmicos de Gravataí; Cultura Açoriana - Casa dos Açores; Cultura Gaúcha (CTGs), Festival de Folclore). Dança Elementos da linguagem (EF69AR10) Explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado, abordando, criticamente, o desenvolvimento das formas da dança em sua história tradicional e contemporânea. (EF69AR10RS89) Pesquisar e explorar movimentos espontâneos do cotidiano em espaços e tempos determinados e observar as possibilidades de transformação desses movimentos, atribuindo novos significados, a partir de questionamentos como: o porquê daquele gesto, o que levou a pessoa a movimentar-se daquela forma, qual a reação que aquele gesto pode causar em outras pessoas, qual sentimento aquele gesto comunica etc., permitindo a articulação e compreensão das diferenças entre a dança tradicional e contemporânea. 198 Dança Elementos da linguagem (EF69AR11) Experimentar e analisar os fatores de movimento (tempo, peso, fluência e espaço) como elementos que, combinados, geram as ações corporais e o movimento dançado. (EF69AR11RS89) Explorar, reconhecer, vivenciar e praticar os fatores de movimento: tempo (é o ritmo que se dá para o início, meio e fim de um movimento: lento, moderado e rápido); peso (força necessária para os movimentos de suspensão: peso leve ou pesado); fluência (movimentos contidos ou com liberdade de expressão: livre, interrompida, conduzida ou controlada); espaço (dimensão ocupada quando estica ao máximo os membros do corpo em todas as direções: frente, atrás, direita, esquerda, acima, abaixo, diagonais); dimensão (altura, largura e profundidade: encontro de duas dimensões – vertical, horizontal, sagital ou planos da porta, mesa e roda em níveis alto, médio e baixo); trajetória espacial (direta ou indireta) e deslocamento (pessoal ou global), em movimentos dançados. (EF69AR11-G01) Estimular a percepção dos estudantes na observação e análise de como se inserem os fatores constitutivos da dança: movimento, peso, fluência, espaço, dimensão e trajetóriaespacial, através da visualização de vídeos e espetáculos de dança internacionais, nacionais e locais. (EF69AR11-G02) Ressignificar coreografias apresentadas em vídeos, acompanhando e criando novos movimentos corporais. Dança Processos de criação (EF69AR12) Investigar e experimentar procedimentos de improvisação e criação do movimento como fonte para a construção de vocabulários e repertórios próprios. (EF69AR12RS89) Pesquisar, desenvolver, construir e ampliar vocabulário e repertório pessoal dançante, com a ação simultânea e contínua de fruir manifestações contemporâneas e exercitar a criação e a improvisação, articulando os fatores de movimento trabalhados na habilidade EF69AR11RS89. (EF69AR12-G01) Investigar, experimentar e construir vocabulário e repertório pessoal dançante, com a repetição de diversas práticas de criação e improvisação a partir das vivências da cultura das danças locais. 199 Dança Processos de criação (EF69AR13) Investigar brincadeiras, jogos, danças coletivas e outras práticas de dança de diferentes matrizes estéticas e culturais como referência para a criação e a composição de danças autorais, individualmente e em grupo. (EF69AR13RS89) Pesquisar, fazer e refazer ações de criação e composição de uma coreografia autoral, de maneira individual ou em grupo, que explore a liberdade de expressão, estimulada por diversas fontes de inspiração (imagens, objetos, observação cotidiana etc.) percebendo as diversas maneiras de movimentar-se, a partir das referências de múltiplas matrizes estéticas e culturais nacionais e internacionais contemporâneas. (EF69AR13-G01) Pesquisar e estimular o fazer em dança, relacionando-o com as datas comemorativas, eventos, campanhas e projetos de interesse da comunidade escolar. Dança Processos de criação (EF69AR14) Analisar e experimentar diferentes elementos (figurino, iluminação, cenário, trilha sonora etc.) e espaços (convencionais e não convencionais) para composição cênica e apresentação coreográfica. (EF69AR14RS89-1) Experimentar, pesquisar e explorar os diferentes elementos da dança (figurino, iluminação, cenário, trilha sonora etc.), para identificar e valorizar as múltiplas formas de se expressar na composição cênica e apresentação coreográfica, em espaços convencionais e não convencionais. (EF69AR14RS89-2) Experienciar as diferentes funções no processo criativo, proporcionadas pelos elementos da dança (figurino, iluminação, cenário, trilha sonora etc.), para identificar suas próprias singularidades em relação ao todo do universo dançante. (EF69AR14-G01) Criar performances, relacionando as artes visuais e a dança, usufruindo dos diversos espaços cenográficos relacionados à realidade local. 200 Dança Processos de criação (EF69AR15) Discutir as experiências pessoais e coletivas em dança vivenciadas na escola e em outros contextos, problematizando estereótipos e preconceitos. (EF69AR15RS89) Comunicar, argumentar e debater as experiências individuais e coletivas em dança, para compreender e refletir sobre o processo de criação, evitando colocações estereotipadas e preconceituosas em relação a si e ao outro. (EF69AR15-G01) Analisar e dialogar sobre o respeito e a aceitação da diversidade local dos ritmos e das expressões em dança. Música Contextos e práticas (EF69AR16) Analisar criticamente, por meio da apreciação musical, usos e funções da música em seus contextos de produção e circulação, relacionando as práticas musicais às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética. (EF69AR16RS89-1) Escutar, apreciar, analisar e compreender criticamente a razão de cada uma das expressões da Música Popular Brasileira, ampliando a possibilidade de estabelecer conexões estéticas e éticas entre os porquês de cada manifestação, principalmente as que trabalham questões sociais e culturais. (EF69AR16RS89-2) Aprimorar a escuta e a apreciação para ampliar a compreensão das transformações que a música sofreu ao longo do século XX, desde a inclusão do silêncio, dos ruídos e do uso da tecnologia (analógica e digital) e componentes possíveis de serem transformados em música. (EF69AR16-G01) Analisar as composições musicais (letras) interpretando os seus significados e representando-os através da imagem. (EF69AR16-G02) Investigar, registrar e analisar os diferentes estilos musicais de acordo com as suas épocas de criação (história da música). 201 Música Contextos e práticas (EF69AR17) Explorar e analisar, criticamente, diferentes meios e equipamentos culturais de circulação da música e do conhecimento musical. (EF69AR17RS89) Explorar, identificar, conhecer, analisar e comparar os diferentes meios e equipamentos culturais e de circulação musical tradicional e alternativo (espaço público), para compreender progressivamente a possibilidade de múltiplas funções: aprendizagem (ensaio), compartilhamento, apresentação, divulgação, disseminação e difusão. (EF69AR17-G01) Pesquisar e estimular o fazer musical e/ou o uso da música, relacionando-a com as datas comemorativas, eventos, campanhas e projetos de interesse da comunidade escolar. (EF69AR17-G02) Valorizar, participar e conhecer os espaços locais de difusão musical (espetáculos musicais, rádios, corais, bandas marciais, entre outros). Música Contextos e práticas (EF69AR18) Reconhecer e apreciar o papel de músicos e grupos de música brasileiros e estrangeiros que contribuíram para o desenvolvimento de formas e gêneros musicais. (EF69AR18RS89) Pesquisar, identificar e reconhecer e analisar criações singulares de profissionais e/ou grupos musicais nacionais e internacionais contemporâneos, para o exercício e desenvolvimento do gosto pessoal na apreciação e valorização de gêneros musicais de diversas culturas. (EF69AR18-G01) Pesquisar os gêneros musicais ao longo do tempo e do espaço, em seus diversos estilos e os ícones que marcaram as transformações da música, nacional e internacional, ao longo da história. Música Contextos e práticas (EF69AR19) Identificar e analisar diferentes estilos musicais, contextualizando-os no tempo e no espaço, de modo a aprimorar a capacidade de apreciação da estética musical. (EF69AR19RS89) Fruir, acessar e analisar progressivamente diferentes estilos musicais regionais, nacionais e internacionais, por meio de espetáculos, festivais, vídeos, Internet etc., para ampliar o vocabulário e o repertório pessoal, permitindo aprimorar a capacidade de apreciação da estética musical. (EF69AR19-G01) Explorar, dialogar e fruir progressivamente diferentes estilos sonoros, sobre o respeito e a aceitação da diversidade dos ritmos e das expressões musicais. 202 Música Elementos da linguagem (EF69AR20) Explorar e analisar elementos constitutivos da música (altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de recursos tecnológicos (games e plataformas digitais), jogos, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musicais. (EF69AR20RS89-1) Explorar, conhecer e analisar os elementos básicos constitutivos da música: ritmo (pulsação da música), melodia (sequência das notas musicais) e harmonia (encadeamento dos sons simultâneos), exercitando-os progressivamente em jogos, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musicais, em continuidade à habilidade EF15AR14RS35 dos Anos Iniciais, que trabalha os elementos básicos do som: altura (sons agudos e graves), duração (longos e curtos), intensidade (forte e fraco) e timbres (da voz e de instrumentos) por meio de recursos tecnológicos (games e plataformas digitais), jogos, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musicais. (EF69AR20RS89-2) Apreciar