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REFERENCIAL CURRICULAR DO MUNICÍPIO DO JABOATÃO DOS GUARARAPES NOVEMBRO/2020 Prefeitura Municipal do Jaboatão dos Guararapes Revisão: XXXXXX XXXXXX Capa: Wendell Carlos da Silva Produção gráfica:XXXX ISBN Impresso no Brasil Ficha catalográfica (COM A GRÁFICA) Prefeito Anderson Ferreira Rodrigues Vice-Prefeito Ricardo Cesar Valois de Araújo Secretária Municipal de Educação Ivaneide Farias Dantas Secretária Executiva de Gestão Pedagógica Iany Michelle de Oliveira Gama Jardim Secretaria Executiva de Gestão em Educação Maria Givonete da Silva Lubarino Superintendente de Ensino Igor Fontes Cadena Gerências Cássia Simone Souza Costa Lima – Normatização/Educação Especial/Anos Iniciais Gilson Alves do Nascimento- Anos Finais/EJA Pedro Portela Silva-Gestão Educacional Maria Betânia dos Santos- Programa de Leitura Maria Vilma Ribeiro Wanderley - Educação Infantil Coordenação de Articulação Institucional Roberta Maria Tinoco Machado de Albuquerque Coordenação de Ensino Fundamental/Formação Reginaldo Araújo de Lima Coordenação de Educação Infantil Amanda Christina Gomes Pereira Falcão Coordenação de Educação Especial Lauriceia Tomaz da Silva Gomes Coordenação de Interlocução Escolar Comunitária Lenildo Pereira de Souza Coordenação de Gestão Democrática e Direitos Humanos Cassiana Maria Lopes Ferreira Pereira Coordenação de Tempo Integral Sandra Regina Rodrigues Vieira Núcleo de Creche Eraciane de Lima Tommasi Núcleo de Pré-Escola Lilian Maria dos Santos Carvalho Núcleo de Ensino Fundamental – Anos Iniciais Walkiria Andrade Chaves Silva Núcleo de Ensino Fundamental – Anos Finais Patrícia Silva Lemos Núcleo de Educação de Jovens e Adultos - EJA Elionai Rodrigues Núcleo de Educação Especial Mabel Maria dos Santos Núcleo de Avaliação e Monitoramento Ana Carolina de Souza Assis Núcleo de Normatização Édna Maria de Lima Silva Núcleo de Ordenamento de Rede Adriana Oliveira Souza de Araújo Comissão de Elaboração da Proposta Amanda Christina Gomes Pereira Falcão Ana Carolina de Souza Assis Ednea Rodrigues de Albuquerque Irana Ramos Britto da Silva Maria de Fátima Moura de Lima Michely Mendonça do Nascimento de Almeida Reginaldo Araújo de Lima Suely Maria de Souza Revisão Técnico-Pedagógica Solidade Menezes Cordeiro Revisão Ortográfica Anderson José Alacoque Dias EQUIPES DE ELABORAÇÃO Educação Infantil Creche/Pré-Escola Abimali Soares da Silva Adilma Pereira de Mendonça Eliza de Oliveira Nascimento Flávia Luiza de Lira Livia de Miranda Amorim Luciana Costa Couto Maria Consuelo dos Santos Maria da Conceição Lira da Silva Paloma da Silva Santos Regina Célia Cruz de Queiroz Verônica Nascimento da Silva Abreu Viviane da Silva Almeida Zenaide Oliveira dos Santos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Ana Caroline Marino Araújo Andreia Maria de Santana Cristiane Valesca Athanasio Edilange Batista Galvão Érica Maria Silva Montenegro Irana Ramos de Brito da Silva Izauriana Borges Lima Juliana Bonfim Souza Gusmão Araújo Kelly Daniela Farias de Souza Cascão Maria da Conceição Cavalcante Maria de Fátima Moura de Lima Marta Oliveira dos Santos Michely Mendonça do Nascimento de Almeida Mônica Falcão Cabral Sandra Regina Silva Oliveira Silvia de Souza Aragão Anos Finais do Ensino Fundamental Ana Catarina de Souza Cabral Anderson José Alacoque Dias Antônio José Soares Emannuelle Joanne de Souza Flávio Henrique de M S Chaves Georgos de Assunção Santos Gilvania Maria de S Silva Hilda Alves da Silva Irenilda Francisca de Oliveira e Silva Juliana de Lima Barros Libânia Conceição Nascimento Mônica Alves Coelho dos Santos Neemias Dinarte da Silva Sandra Maria da Silva Arcanjo Sueli Tavares de Souza Silva Educação Especial Ana Paula Aguiar da Costa Carvalho Charlene de Lima Alexandre da Silva Claudia Madalena Oliveira da Silva Daisy Maria de Morais Autran Ednéa Rorigues de Albuquerque Eurides Bomfim de Melo Georgia Daniella Feitosa Ivanilton Portela Leão Jeane da Silva Pantaleão Luciana Viana Simas de Almeida Maria Cristina Silva Luckwu Rocha Mércia Ramos de Barros Nayana Pedrosa Carneiro Leão Silva Neli Rocha Mendonça Patricia Karla Oliveira de Freitas Silvana Medeiros Costa Reis Sônia Maria Gomes de Brito Verônica Marques da Silva Wilka Maria da Cruz Santos Educação de Jovens e Adultos Ana Verônica da Cruz e Silva Prado Edilene Amara da Rocha Evanilson Alves de Sá Juliana Marques Vieira da Silva Lucineide Moreira Santos de Lima Mário Antunes da Silva Júnior Maria Del Carmem Calafell Roig Simone Maria Jorge Simony Carla Barbosa e Silva Suely Maria de Souza Avaliação e Formação Daisinalva Amorim Elma Gerlany Barbosa dos Santos Poliana Jacqueline Tarrago de Figueroa Faria Adriana Pita Rocha de Oliveira Silva Escola de Tempo Integral Ana Paula Santos Roberta Nunes Programa de Leitura Adriana Cezar de Souza Shinohara Lúcia Regina Malaquias da Silva COLABORADORES Normatização Adriana Saraiva do Nascimento Alcélia Cristiane Gomes Silva Amanda Karinne Batista de Oliveira e Silva Ana Paula da Silva Pereira Aureli Barbosa de Sales Cristiane Basílio de Souza Silva Daniela Franklin Martins de Arruda Gerlane Maria da Silva Gizely Mendes Cavalcanti Grace Kelly Barros Grace Santos Couto Ivone Maia Domingos da Silva Janini Paula da Silva Maria Dolores Andrade Estelita Mônica Oliveira da Silva Osenilda Maria da Silva Torres Rakelly Nogueira do Nascimento (in memoriam) Rosangela Rodrigues Gouveia da Silva Equipe de Suporte Aderson Claybson Batista de Menezes Adilene Marina da Silva Ribeiro Adriano Gomes Nogueira Ana Kécia Ribas Lins Ferraz Bruno Freitas Soares Oliveira Danilo Augusto da Silva Deama Luciana Tabatchnik Pedro Martins dos Santos Agradecimentos aos docentes da Rede Municipal do Ensino pelas contribuições na construção deste Referencial Curricular fortalecendo, assim, a política educacional do Município do Jaboatão dos Guararapes. ÍNDICE 1. APRESENTAÇÃO 1.1. Aspectos Históricos e Geográficos 1.2. Regionais Administrativas do Município do Jaboatão dos Guararapes 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1.Concepção de Educação 2.2.Concepção de Prática Pedagógica, Ensino e Aprendizagem 2.3. Sujeitos de Direitos de Aprendizagem 2.3.1.Crianças 2.3.2. Adolescentes e Jovens 2.3.3. Adultos 2.4.Concepção de Alfabetização 2.4.1.Alfabetização de Criança: ler e escrever para além da escola 2.4.2.Alfabetização de Jovens e Adultos: desafios a seremconsiderados 2.5.Concepção de Currículo: por um currículo crítico-emancipatório e multicultural 2.6.As Competências Gerais da BNCC Como Premissa Básica para Construção do RCMJG 2.7.Concepção de avaliação da aprendizagem 2.8.Concepção de Formação de Professores 2.8.1.Formação Continuada dos Professores 2.9.Concepção de Leitores 3. ETAPAS/MODALIDADES DE ENSINO 3.1 Educação Infantil 3.1.1 Concepção de Educação Infantil: teoria sociointeracionista 3.1.2 Marcos Legais: o direito de ser criança 3.1.3 As 10 (dez) Competências Gerais na Educação Infantil 3.1.4. Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento 3.1.5. Campos de Experiência 3.1.6. Aproximação da Cultura Escrita 3.1.7. Ambiente de Aprendizagem 3.1.8. Estrutura Curricular 3.1.9. Direito à Infância: as Continuidades na Educação Infantil 3.2 Ensino Fundamental 3.2.1. Quadro Alfanumérico da BNCC 3.2.2. Quadro Alfanumérico do Ensino Fundamental no Município do Jaboatão dos Guararapes 3.3. Educação em Tempo Integral 3.4. Educação de Jovens e Adultos 3.4.1. Marco Histórico e Concepção da Educação de Jovens e Adultos 3.5. Educação Especial 4. TEMAS INTEGRADORES 4.1. Educação das Relações Étnico-raciais e Ensino da História e Cultura Afro- brasileira, Africana e Indígena (Leis nº 10.639/2003 e 11.645/2008, Parecer CNE/CP nº 03/2004, Resolução CNE/CP nº 01/2004 e Parecer CNE/CEB nº 14/2015 4.2. Educação em Direitos Humanos – EDH (Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, 2006, Decreto nº 7.037/2009, Parecer CNE/CP nº 8/2012 e Resolução CNE/CP nº 1/2012) 4.3. Direitos da Criança e Adolescente (Lei nº 8.069/1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 12.852/2013 – Estatuto da Juventude, Lei nº 13.257/2016 – Marco Legal da Primeira Infância, de 08 de março de 2016) 4.4. Processo de Envelhecimento, Respeito e Valorização do Idoso (Lei nº 10.741/2003) 4.5. Educação Ambiental (Lei nº 9.795/1999, Parecer CNE/CP nº14/2012, Resolução CNE/CP nº 2/2012 e Programa de Educação Ambiental de Pernambuco - PEA/PE 2015) 4.6. Educação para o Consumo e Educação Financeira e Fiscal (Parecer CNE/CEB nº 11/2010 e Resolução CNE/CEB nº 07/2010) 4.7. Diversidade Cultural (Parecer CNE/CEB nº 11/2010 e Resolução CNE/CEB nº 07/2010) 4.8. Relações de Gênero (Parecer CNE/CEB nº 07/2010, Resolução CNE/CEB nº 02/2012, Lei no 11.340/2006 – Lei Maria da Penha, Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, 2006 e Portaria MEC nº 33/2018) 4.9. Educação Alimentar e Nutricional (Lei nº 11.947/2009) 4.10. Educação para o Trânsito – (Lei nº 9.503/1997) 4.11. Trabalho, Ciência e Tecnologia (Parecer CNE/CEB nº 11/2010 e Resolução CNE/CEB nº 07/2010) 4.12. Saúde, Vida Familiar e Social (Parecer CNE/CEB nº 11/2010, Resolução CNE/CEB nº 07/2010, Decreto nº 7.037/2009, Parecer CNE/CP nº 08/2012 e Resolução CNE/CP nº 01/2012) 5. AS ÁREAS DO CONHECIMENTO E SUAS ORGANIZAÇÕES CURRICULARES 5.1 Área I - Linguagens 5.1.1. Componente Curricular da Língua Portuguesa 5.1.1.1. Práticas de Oralidade 5.1.1.2. Práticas de Leitura de Textos 5.1.1.3. Práticas de Produção de Textos 5.1.1.4. Práticas de Análise Linguística 5.1.2. Componente Curricular de Arte 5.1.3. Componente Curricular de Educação Física 5.1.3.1. A Educação Física no Ensino Fundamental - Anos Iniciais 5.1.3.2. A Educação Física no Ensino Fundamental - Anos Finais 5.1.4. Componente Curricular da Língua Inglesa 5.1.4.1. Língua Inglesa nos Anos Finais do Ensino Fundamental 5.2 Área II - Matemática 5.2.1. Componente Curricular de Matemática 5.3. Área III - Ciências da Natureza 5.3.1. Componente Curricular de Ciências 5.4. Área IV - Ciências Humanas 5.4.1. Componente Curricular de Geografia 5.4.2. Componente Curricular de História 5.5. Área V - Ensino Religioso 5.5.1. Componente Curricular de Ensino Religioso 6. ORGANIZADORES CURRICULARES 6.1. Organizador Curricular da Educação Infantil 6.2. Organizadores Curriculares do Ensino Fundamental 6.3. Organizadores Curriculares da Educação de Jovens e Adultos 7. REFERÊNCIAS 7.1. Aspectos Históricos e Geográficos 7.2. Fundamentação Teórica 7.3. Avaliação 7.4. Formação 7.5. Concepção de Leitores 7.6. Educação Infantil 7.7. Ensino Fundamental 7.8. Educação em Tempo Integral 7.9. Educação de Jovens e Adultos 7.10. O Jovem e o Adulto 7.11. Educação Especial 7.12. Temas Integradores 7.13. As Áreas do Conhecimento e suas Organizações Curriculares 7.13.1. Língua Portuguesa 7.13.2. Arte 7.13.3. Educação Física 7.13.4. Língua Inglesa 7.13.5. Matemática 7.13.6. Ciências da Natureza 7.13.7. Geografia 7.13.8. História 7.13.9. Ensino Religioso 8. FICHA TÉCNICA 1. APRESENTAÇÃO O Município do Jaboatão dos Guararapes através da Rede Municipal de Ensino e Secretaria Municipal de Educação é vanguarda quando se trata de construir documentos que norteiam práticas pedagógicas inovadoras e significantes em uma longa caminhada, a partir de discussões acerca de currículo e avaliação, envolvendo docentes e técnicos. Essa prática teve início no período de 2007 a 2010, culminando na Proposta Curricular vigente, validada no ano de 2011. Em 2017, a partir da aprovação da Base Nacional Comum Curricular–BNCC pelo Conselho Nacional de Educação–CNE através da Resolução Nº 02/2017 CNE/MEC e homologação pelo Ministério da Educação/MEC, em 20 de dezembro de 2017 foi definido o conjunto de aprendizagens essenciais a serem garantidas às crianças, jovens e adultos brasileiros inseridos no processo de escolarização na Educação Básica. As discussões foram retomadas acerca do Currículo da Rede Municipal de Ensino, tendo como objetivo estabelecer Direitos de Aprendizagens a todos os estudantes, em uma perspectiva que garanta as condições necessárias para sua efetivação. Dessa forma, a Secretaria Municipal de Educação propõe que o Currículo seja vivenciado considerando as premissas básicas das Diretrizes Curriculares Nacionais – CNE/CEB, seguindo seus preceitos e ajustando-os aos projetos didáticos, acompanhados das experiências que produzam conhecimento consolidando os Direitos de Aprendizagem. Em 2020, também foi definida a temática “Educando para as Relações Étnico-raciais” em cumprimento aos preceitos das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, oportunizando aos docentes a construção de um currículo emancipatório e multicultural, de forma democrática, dinâmica e participativa. No artigo 7 da Resolução nº 02/2017 BNCC/CNE/MEC, consta: Os currículos escolares relativos a todas as etapas e modalidades da Educação Básica devem ter a BNCC como referência obrigatória e incluir uma parte diversificada, definida pelas instituições ou redes escolares de acordo com a LDBEN, as diretrizes curriculares nacionais e o atendimento das características regionais e locais, segundo normas complementares estabelecidas pelos órgãos normativos dos respectivos Sistemas de Ensino. Parágrafo único. Os currículos da Educação Básica, tendo como referência a BNCC, devem ser complementados em cada instituição escolar e em cada rede de ensino, no âmbito de cada sistema de ensino, por uma parte diversificada, as quais não podemser consideradas como dois blocos distintos justapostos, devendo ser planejadas, executadas e avaliadas como um todo integrado.(grifo nosso) A Parte Diversificada do currículo, também obrigatória, que se compõe de objetos de conhecimento complementares, identificados na realidade regional e local, que devem ser escolhidos em cada sistema ou rede de ensino e em cada escola. Assim, a escola tem autonomia para incluir temas do interesse da sua comunidade. A parte diversificada serve para que os profissionais da educação tenham a oportunidade de adequar seus currículos e práticas à realidade de sua instituição de ensino e do local onde está inserida. Deve ser dinâmica, flexível e ser ajustada ao âmbito escolar (Projeto Político-Pedagógico), em sala de aula e no nível individual. A parte diversificada do currículo deve abranger as características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos estudantes de cada unidade escolar. Na elaboração da Parte Diversificada do currículo municipal, os docentes da Rede Municipal de Ensino, seguindo os trâmites da BNCC que orientam a consolidação do Referencial Curricular Municipal do Jaboatão dos Guararapes - RCMJG, contribuíram de forma significativa, considerando o processo de inclusão dos estudantes com deficiências, transtornos do desenvolvimento global, das altas habilidades ou superdotação, com vistas a elaboração dos planos de trabalho de suas práticas educativas e inclusivas, tendo como referência o documento base e os organizadores curriculares do RCMJG para todos os estudantes da Educação Infantil - Creche e Pré- Escola, Ensino Fundamental – anos iniciais e finais - e na Educação de Jovens e Adultos – I e II Segmentos. É bem verdade que o Referencial Curricular não torna obrigatória a abordagem objetos de conhecimento a serem ensinados nas unidades escolares. Entretanto, há de se considerar que uma proposta pedagógica deve conter uma base universal para a Rede, o que é salutar para evitar rupturas de aprendizagem com, por exemplo, no caso de um estudante matriculado em unidade escolar que, ao ser transferido para outra unidade, em outra regional do município. Convém salientar que o documento é um guia orientador na construção de propostas curriculares das unidades educacionais. Esse compromisso foi assumido pela gestão municipal e por todos os profissionais da educação. A Proposta Curricular, já existente, foi revisitada e ressignificada. Contribuições foram apresentadas e analisadas pela equipe técnica e especialistas, sendo incorporadas à nova versão, garantindo, assim, efetiva participação na construção coletiva e democrática, tendo como premissa básica as Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN/MEC. Após oficializado e publicado, o documento curricular será referência para subsidiar a revisão e a reorganização dos documentos institucionais de ensino da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, numa perspectiva da construção e ampliação das competências exigidas para além dos domínios da escola, espaço socialmente reconhecido como responsável pela construção do conhecimento científico. Assim sendo, destaca-se que este é um documento dinâmico, flexível, processual e de caráter formador em atendimento às demandas do ensino e de aprendizagens nas Unidades Educacionais da Rede Pública Municipal e da Educação Infantil da Rede Privada de Ensino e, pelo que reza a resolução da BNCC, deverá ser revisitado em 2023. 1.1 Aspectos Históricos e Geográficos do Município de Jaboatão dos Guararapes O Município do Jaboatão dos Guararapes está situado no litoral do Estado de Pernambuco, tem uma extensão territorial de 258,7 quilômetros quadrados. Limita-se ao Norte com o município do Recife (capital de Pernambuco) e o município de São Lourenço da Mata, ao Sul com o município do Cabo de Santo Agostinho, a Leste com o Oceano Atlântico e a Oeste com município de Moreno. Faz parte da Região Metropolitana do Recife (RMR). Fica em uma posição geográfica estratégica e possui o núcleo central da logística do Estado e do Nordeste Oriental, cortado pelas Rodovias Federais BR 408, BR 101 e BR 232 e Rodovias Estaduais PE 07(Recife/Moreno), PE 08 (Estrada da Batalha), PE 09(Recife/Cabo de Santo Agostinho), PE 17 (Integração da Muribeca), PE 25(Entre Vila Rica/Cabo); próximo do Aeroporto Internacional dos Guararapes/Gilberto Freyre, do Distrito Industrial de Suape, principal polo de desenvolvimento do Estado, além de contar com infraestruturas ferroviária e metroviária. Ao longo das praias de Piedade, Candeias e Barra de Jangada, existem arrecifes aflorando e em alguns pontos se formam piscinas naturais, embora na maior parte da costa as formações sejam submersas. Possui a maior lagoa de restinga em área urbana do Brasil (Lagoa Olho D`água) e formação vegetal diversificada: mata atlântica, manguezais e restinga são destaques do município. Apresenta um clima quente e úmido, com chuvas predominantes de outono–inverno (Köppen),a temperatura média anual é de http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=272 28 graus centígrados e a presença do Rio Jaboatão, que se lança diretamente no Oceano Atlântico. Indústrias, faculdades, hotéis de bandeira internacional, monumentos históricos, shoppings, além de movimentado centro comercial conferem ao município um grande potencial econômico e turístico. É também considerado o berço da nacionalidade e do Exército Brasileiro, pela expulsão dos holandeses, ocasionado por tropas formadas de brancos, ibéricos, negros e indígenas. O Município teve sua origem na produção de açúcar gerada a partir da fundação de vários engenhos, entre os quais, o Engenho Nossa Senhora da Assunção, o Engenho Santana, o Engenho Palmeira, o Engenho Velho, o Engenho Socorro, o Engenho Duas Unas e o Engenho Jaboatão. Com o aumento da população foi necessária à construção da “paróquia de JABOATÃO, sob a invocação de Santo Amaro, no ano de 1598”. Em 1873, Jaboatão tornou-se Vila através da Lei Provincial Nº1.093,de 24 de março; a Vila foi elevada à categoria de Cidade pela Lei Provincial Nº.1.811 de 27 de junho de 1884 e se tornou município autônomo por força da Lei Orgânica Nº54 de 03 de agosto de 1892, quando conquista o direito de eleger seu primeiro prefeito. A partir de 1989, a tentativa de emancipação do então Distrito de Muribeca dos Guararapes fez com que a prefeitura mudasse a Sede da Cidade de Jaboatão e o município tivesse seu nome alterado para o atual Jaboatão dos Guararapes, pela Lei Nº004 de 05 de maio de 1989. O nome Guararapes é homenagem ao local das batalhas históricas dos Montes Guararapes, onde está localizada uma das mais belas igrejas de Pernambuco, a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, construída em 1565, única igreja de Pernambuco cuja fachada é revestida em azulejo e primeira igreja da América a ser dedicada ao culto de Nossa Senhora – local onde se realiza todos os anos uma das mais famosas festas do Estado de Pernambuco, a famosa Festa da Pitomba. Apesar da existência de mais de uma explicação para a origem do nome do Município, a que prevaleceu afirma que a denominação é originada da palavra indígena YAPOATAN, do Tupi-guarani, que significa tronco linheiro, nome de uma árvore utilizada na fabricação de mastros para embarcações comuns à época. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, o município do Jaboatão dos Guararapes, apresenta, em 2019, uma população estimada de 702.298 habitantes, tornando-se o segundo município mais populoso do Estado de Pernambuco. A densidade demográfica municipal é estimada em 2.492 Hab/km² e o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em torno de 0,717. 1.2 Regionais Administrativas do Município do Jaboatão dos Guararapes Na perspectivade desenvolvimento da vocação econômica e social de cada área do Município, foi implantada uma Política de Regionalização a qual, além da valorização setorial, possibilita de acordo com a Lei Municipal Nº05 de 08 de janeiro de 2009, formatada na nova divisão administrativa, mapeando o município em 07 Regionais, contribuindo, do ponto de vista da estrutura organizacional, para maior eficiência dos serviços públicos favorecidos pela descentralização. Surgem, portanto, as gerências regionais para agilidade da execução das ações demandadas pela população, conforme mapa a seguir: MANASSU FLORIANO SANTO ALEIXO VARGEM FRIA VISTA LEGRE A BULHÕES VILA RICA CENTRO SANTANA ENGENHO VELHO SOCORRO COMPORTAS PRAZERES MORENO JARDIM JORDÃO GUARARAPES PIEDADE CANDEIAS BARRA DE JANGADA MURIBEQUINHA MURIBECA MARCOS FREIRE CURADO CAVALEIRO SUCUPIRA DOIS CARNEIROS ZUMBI DO PACHECO R01 R03 R02 R04 R07 R05 R06 R01 - Jaboatão Centro R02 - Cavaleiro R03 - Curado R04 - Muribeca R05 - Prazeres R06 - Praias R07 - Guararapes Regional 01 – JABOATÃO CENTRO (os bairros de Jaboatão Centro: Engenho Velho, Floriano, Manassu, Muribequinha, Santana, Santo Aleixo, Socorro, Vargem Fria, Bulhões, Vila Rica e Vista Alegre); Regional 02–CAVALEIRO (os bairros de Cavaleiro: Dois Carneiros, Sucupira e Zumbi do Pacheco) Regional 03– CURADO (os bairros do Curado: Curados I, II, III, IV e V) Regional 04– MURIBECA DOS GUARARAPES (os bairros da Muribeca dos Guararapes: de Marcos Freire). Regional 05 – PRAZERES (os bairros de Cajueiro Seco, Comportas, Guararapes, Jardim Jordão e Prazeres) Regional 06 – PRAIAS (os bairros de Barra de Jangada, Candeias e Piedade) Regional 07–GUARARAPES (Jardim Jordão, Massaranduba, Rio das Velhas e Prazeres). 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. Concepção de Educação Refletir sobre educação nos leva a considerar as contradições político- pedagógicas e ideológicas presentes na sociedade brasileira. Essas contradições nos apontam a necessidade de construir uma educação que não se limite a interpretar o mundo, mas que contribua para desenvolver uma ação transformadora, pautada na percepção crítica da sociedade, com seus problemas, valores, objetivos e ideais. É baseada nessa concepção que a escola pode contribuir para um projeto de transformação social. Assim, essa concepção de educação permite estabelecer uma relação dialógica, no intuito de efetivar diretrizes educacionais pela socialização de suas convicções políticas, pelo compartilhar das tradições culturais e pela expressão de suas múltiplas formas de sentir, pensar e agir no mundo, contribuindo com a formação de um espaço educativo no qual se respeite o direito de falar, opinar, ser solidário e participativo. Diante da concepção emancipatória de educação, Freire afirma que: A construção de relações dialógicas sob os fundamentos da ética universal dos seres humanos, enquanto prática específica humana, implica a conscientização dos seres humanos, para que possam de fato inserir-se no processo histórico como sujeitos fazedores de sua própria história”. (FREIRE, 1996, p. 10.) Os princípios de uma relação dialógica que compreendem o ser humano como sujeito histórico, corroboram com as premissas que pautam uma educação emancipatória, que segundo Menezes e Santiago (2014) “visa ao desenvolvimento da consciência crítica para a formação de sujeitos competentes, capazes de exercer sua participação cidadã – educação comprometida com a humanização que possibilita romper com a relação verticalizada entre professor(a) e estudante”. Desta forma, compreendemos a educação emancipatória, acreditando numa escola que se oponha aos valores de uma formação tecnicista (lógica individualista, competitiva e desigual), buscando uma formação intensiva, dialógica, dinâmica, voltada para o interesse de todos e que considera o sujeito como um ser integral. Desse modo, a escola se torna um lugar onde a autonomia se configura como a liberdade substantiva dos sujeitos em exercer as mediações educativas necessárias que se articulam com as práticas cotidianas, reforçando a necessidade de posicionamentos frente aos assuntos polêmicos, e a percorrer caminhos nos quais precisa negociar suas perspectivas, fazer concessões e viabilizar consensos. 2.2. Concepção de Prática Pedagógica, Ensino e Aprendizagem Compreender o ensino nos convida a olhar sobre as diversas variáveis que compõem o processo educativo e os sujeitos envolvidos nesse contexto. Todos esses processos se configuram pela prática educativa que, segundo Zabala (2010, p.16), “[...] obedece a múltiplos determinantes, tem sua justificação em parâmetros institucionais, organizativos, tradições metodológicas, possibilidades reais dos professores, dos meios e condições físicas existentes etc.”. Dessa forma, consideramos que a ação educativa é uma prática social, está relacionada a objetivos e finalidades muitas vezes explícitos e está envolvida numa intencionalidade. Como nos afirma Souza (2012): Encara-se a prática pedagógica como uma ação coletiva, por isso argumentada e realizada propositadamente com objetivos claros que possam vir a garantir a realização da finalidade da educação e de certos objetivos de acordo com os problemas em estudo, explicitamente assumidos por uma instituição (SOUZA, 2012, p. 179) A prática pedagógica docente é constituída a partir das experiências, das crenças e das visões de mundo, adquiridas no decorrer da vida e que, em sua grande maioria, refletem a organização social vigente. Numa perspectiva histórica, o pensamento da modernidade, que concebia uma visão de mundo fragmentada e disciplinarizada, pautou a história da educação no Brasil. Esse pensamento compreendia a relação de ensino-aprendizagem como uma mera transmissão do conhecimento, no qual o estudante se transformava num passivo receptor. Essa prática foi denominada por Paulo Freire em seu livro Pedagogia do Oprimido (1975) Educação Bancária. “Na visão ‘bancária’ da educação, o ‘saber’ é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber” (FREIRE, 1975, p. 33). A visão moderna das relações de ensino-aprendizagem, não conseguia responder as questões que emergiam no seio da escola, dada a complexidade dos sujeitos que compõem esse contexto. Sendo assim, a centralidade do conhecimento se desloca do docente e vai para o estudante, considerando suas dimensões cognitivas, sociais, culturais e afetivas. Essa nova forma de olhar para o conhecimento se traduz numa prática profissional que dialoga com o que nos diz Sacristãn (1998): É um processo de ação e de reflexão cooperativa, de indagação e experimentação, no qual o professor/a aprende a ensinar e ensina porque aprende, intervém para facilitar, e não para impor nem substituir a compreensão dos estudantes/as, a reconstrução de seu conhecimento experiencial; e ao refletir sobre sua intervenção exerce e desenvolve sua própria compreensão (SACRISTAN, 1998, p. 379). Compreender o ensino considerando o sujeito em sua complexidade nos dá possibilidade de ampliar o olhar para as relações de ensino aprendizagem e suas múltiplas referências que emergem do processo educativo. 2.3. Sujeitos de Direitos de Aprendizagem 2.3.1. Crianças Antes de iniciarmos a abordagem das diversas concepções de infância e criança é preciso que se expliquem algumas questões. Qual é o nosso referencial de infância? De que crianças falamos ou em que crianças pensamos quando planejamos as aulas? Afinal, quem é esta criança real? É importante que se tenha cuidado para não romantizar e idealizar a criança e, assim, interferir diretamente nas vivências necessárias na infância. A criança ganhou visibilidade mundial. A Organizaçãodas Nações Unidas - ONU proclamou a Declaração Universal dos Direitos da Criança (1959), fez a Convenção dos Direitos da Criança (1989), realizou uma Conferência Mundial sobre a Criança (1990), e assinou o documento Um Mundo para a Criança (2002). Seus organismos especializados – UNESCO, UNICEF, OMS – realizaram e continuam realizando conferências mundiais - apoiando iniciativas nacionais, estaduais e municipais - e elaborando documentos com o objetivo de impulsionar políticas públicas de atenção aos direitos da criança. Nas Américas também houve várias reuniões de ministros, declarações e compromissos dos governos em dar maior atenção às crianças por meio de políticas públicas. As formulações relacionadas a uma educação de boa qualidade adotam, como base, o conceito de criança como sujeito de direitos, situado social e historicamente, que vivência e produz bens de cultura, ao compartilhar contextos de vida distintos com seus pares e com os adultos, segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil (2009). Para entender como se deu o processo do desenvolvimento dessa concepção de infância, é importante analisar as diferentes mudanças e destacar que tais concepções que se tem de criança atualmente é resultante do que foi historicamente construído ao longo dos anos. As mudanças no conceito de criança se fizeram necessárias em virtude das novas exigências da sociedade em termos econômicos e sociais, que foram responsáveis pela ruptura de concepções das infâncias, com a abordagem meramente assistencialista, transformando-se em uma proposta pedagógica, a qual reconhece a criança de forma integral nas suas particularidades. Para Áries (1981) “O sentimento de infância não significa o mesmo que afeição pelas crianças, corresponde à consciência da particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto, mesmo jovem” (ÁRIES,1981, p. 99). Neste sentido, o sentimento de infância caracteriza a criança com o seu jeito próprio, modo de pensar e agir, diferenciando-se do adulto. A infância, portanto, é uma construção sócio-histórica produzida pelo conjunto da sociedade a partir de ideias, práticas e valores que se referem, sobretudo, às crianças, num contexto de vivências coletivas que estabelecem forma e sentido, reproduzidos social e culturalmente. Acerca do conceito de criança, é importante que se perceba que segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei Nº 8.069/2013, no Art. 2º: “Considera-se criança, para os efeitos desta a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescentes entre doze e dezoito anos de idade”. O Plano Nacional pela Primeira Infância subdivide essa etapa e agrupa as crianças de zero a seis anos, na Primeira Infância, tendo esse grupo necessidades e desenvolvimento específicos, que devem ter assegurados seus direitos nos âmbitos da assistência, saúde e especialmente, educação. O direito à educação está legitimado pela Constituição Federal de 1988, como um direito social (Art. 6º da CF/88). Assim, o Estado tem por obrigação a garantia de uma educação de qualidade a todos os brasileiros. É importante ressaltar, porém, que o Poder Público não é o único responsável pela garantia desse direito. Conforme previsto no Art. 205 da Constituição Federal, a educação também é dever da família e cabe à sociedade promover, incentivar e colaborar para a realização desse direito. Especificamente em relação às crianças e aos adolescentes, tanto a Constituição Federal (Art. 227, CF/88) quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente (Art. 4º da Lei 8.069/90) preveem que a família, a sociedade e o Estado devem assegurar os direitos fundamentais desses sujeitos, e aí se inclui a educação, com absoluta prioridade. A infância permite a criança experienciar a vida e compreender o mundo, protagonizando-o. Compreender a infância em sua real dimensão requer perceber nas crianças a sua singularidade e conceber as diferentes culturas e saberes que produzem. Dessa forma, é necessário trilhar novos caminhos, nos tempos e espaços da escola e da gestão da sala de aula, que promovam a inserção da cultura infantil, valorizando as trocas entre os pares e que possam recriar as relações da sociedade contemporânea, expressando emoções e formas de significar o mundo, construindo a autonomia. A função social da escola vai além do direito efetivo dos aspectos legais. As propostas pedagógicas viabilizam práticas que promovem a verdadeira acolhida da criança. Além disso, o desenvolvimento da criança remete a reflexão de como a infância ou infâncias acontecem dentro e fora da escola. 2.3.2 Adolescentes e Jovens Juventude e adolescência muitas vezes são vistas como sinônimos, porém têm conceitos distintos, ainda que sobrepostos. Adolescência seria um processo biológico segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) englobando a adolescência e a pré- adolescência, enquanto a juventude considera-se uma categoria sociológica, agrupando os que compartilham a mesma fase da vida, preparando o indivíduo para a vida adulta e abrangendo uma multiplicidade de experiências. Essas categorias não se limitam apenas à idade, mas ao processo de naturezas distintas pelas quais cada sujeito perpassa (CORTI et SOUZA, 2005). A Adolescência é o período de transição entre a infância e a vida adulta, caracterizado pelos impulsos do desenvolvimento físico, mental, emocional, sexual e social e pelos esforços do indivíduo em alcançar os objetivos relacionados às expectativas culturais da sociedade em que vive. Os limites cronológicos da adolescência são definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) entre 10 e 19 anos (adolescents) e pela Organizaçao das Naçoes Unidas (ONU) entre 15 e 24 anos (youth), critério este usado principalmente para fins estatísticos e políticos. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei 8.069, de 1990, considera criança a pessoa até 12 anos de idade incompletos e define a adolescência como a faixa etária de 12 a 18 anos de idade (artigo 2o), e, em casos excepcionais e quando disposto na lei, o estatuto é aplicável até os 21 anos de idade (artigos 121 e 142). Nessa perspectiva, o referido Estatuto destaca o papel dos responsáveis, pais e mães perante o direito de apropriação dos processos pedagógicos que rege a instituição de ensino e ainda da participação efetiva nas definições de propostas educacionais, fortalecendo a concepção de escola enquanto comunidade de aprendizes. (BRASIL, 2005). Conforme, a lei Federal Nº 12.852/13 que aprovou o Estatuto da Juventude estabelece, em seu § 1º, que “são consideradas jovens as pessoas com idade entre 15 (quinze) e 29 (vinte e nove) anos de idade”. Essa adequação se dá por considerar o período escolar e a vulnerabilidade psicossocial da população que se enquadra nessa fase da vida no país. No entanto, no âmbito deste currículo, a questão meramente etária é formal, tendo em vista que os sujeitos classificados como adolescentes e jovens em nosso Município apresentam incontáveis especificidades e anseios que perpassam desde a maturidade a sua condição social, onde a desigualdade social na sua forma mais complexa atinge a maioria de nossos adolescentes e nos remetem ao compromisso efetivo das políticas públicas educacionais, haja vista que a segunda etapa da Educação Básica, o Ensino Fundamental, de acordo com o Art. 11 da LDBEN 9.394/1996 é oferta prioritária do município, daí a importância de atender ao que preceituam os Art. 53 e 54 do ECA, assegurando-lhes os direitos fundamentais e o cumprimento de princípios básicos expressos nas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica – DCNGEB (2010) como: o “cuidar e educar”, o “acesso e permanência” e “igualdade e equidade” no atendimento a esta faixa etária, que é majoritariamente predominante nomunicípio. Cada sociedade, de acordo com o seu momento histórico e com sua cultura, define o conceito de jovem como pessoa pertencente a um grupo, que determina a duração e as características dessa fase da vida. O certo é que a duração da juventude é uma questão complexa de especificar, pois depende de vários fatores, como a capacidade física, biológica, psicológica, laboral, entre outras. Tendo em vista essa concepção de juventude, ressalta-se que jovens de diferentes culturas, etnias, classes sociais, orientações religiosas, diversidade de gênero, moradores da zona urbana ou rural terão experiências distintas dessa fase transitória entre a adolescência e a vida adulta, (CORTI et SOUZA, 2005). Portanto, é dever do Estado, da família e da sociedade assegurar e efetivar, com absoluta prioridade, o processo de escolarização do adolescente e jovem na educação básica e nas suas respectivas modalidades. 2.3.3. Adultos Considera-se a fase adulta pessoas com faixa etária dos 30 aos 60 anos de acordo com o Estatuto da Juventude (BRASIL, 2013). Essa fase é formada por inúmeras situações que conduzem a pessoa a agir, a pensar e decidir de diferentes maneiras. A fase adulta se caracteriza por estabilidade emocional, sem grandes mudanças. Por vezes, vemos em diversas literaturas a ideia de adulto como sujeito já maduro, sem conflito, portanto, sem problemas. Sabemos, no entanto, que somos sujeitos inacabados como já dizia Paulo Freire (1996). É na certeza dessa incompletude que há, nessa fase da vida, dúvidas e conflitos, incertezas e imaturidades. Bourtinet cita que a vida adulta é deixada, aparentemente, nas suas antigas certezas como a idade sem problemas, uma vez definida como idade de referência (SOUSA, 2007, apud BOURTINET, 2000). Dessa forma, não obstante a visão que se tem do adulto como um ser dotado de plena responsabilidade, ele enfrenta tantos desafios quanto os outros seres que estão nas outras fases da vida. Assim, faz-se necessário que consideremos o adulto como ser humano instável e em construção com suas fragilidades, suas angústias, seus anseios e suas dificuldades. 2.4. Concepção de Alfabetização As concepções que sustentam nossa prática dão conta de uma educação cujos princípios possam ser aplicados no cotidiano, pelos estudantes, quaisquer que seja a sua realidade, de maneira que, a partir do que aprendeu na escola, possa intervir sobre seu meio social e mudar a sua realidade. Nesse processo, na escola os estudantes passam por situações cotidianas que podem prepará-los para agir frente às mais diversas situações. Portanto, a fase da aprendizagem da leitura e da escrita é um período essencial à construção de habilidades para essa vivência em sociedade, o que se traduz numa perspectiva de educação emancipatória, por meio da qual o sujeito se utiliza de suas construções para intervir e modificar a sua realidade. Em nossa cultura, na qual se valoriza a leitura e a escrita, a escola tem o papel de sistematizar os conhecimentos necessários à vivência de práticas reais e com significado. Para Freire (1989), “a leitura do mundo precede a leitura da palavra” (p.9), o que significa que, antes mesmo de entrar na escola, as pessoas já experimentam diversas formas de ler o mundo, o que é fundamental para ser alfabetizado. A concepção de alfabetização tratada neste documento pauta-se nos estudos de Ferreiro e Teberosky (2005), Soares (2006) e Morais (2012), dentre outros, que filiados à perspectiva sociointeracionista, tomam a alfabetização como um processo no qual o sujeito aprende os princípios do Sistema de Escrita Alfabética–SEA, a partir da inserção em práticas de letramento. Nossa interação com a cultura escrita atingiu níveis tão complexos que já não nos vemos longe da imensa gama de informações escritas que circulam ao nosso redor, portanto, em nosso município, compreendemos que não se pode alfabetizar sem ter como premissa o processo de letramento. A priori, deixemos claro que alfabetização e letramento são concepções distintas, com habilidades específicas a serem desenvolvidas para se adquirir cada uma. No entanto, essas habilidades caminham juntas, se interligam, não podendo se trabalhar um deixando o outro de fora. Assim, “é bom lembrar que viver em um mundo letrado, mediado por situações de leitura e escrita, não é o mesmo que dominar esses processos com autonomia (SILVA, 2005, p.136)1. Por isso, é necessário 1 SILVA, Roseane Pereira da. Leitura e escrita na alfabetização. In: MORAIS, ARTUR Gomes de; ALBUQUERQUE, Eliana Borges Correia de; LEAL, Telma Ferraz. Alfabetização: apropriação do sistema de escrita alfabética. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. que as crianças participem de atividades de letramento, situações reais de leitura e de escrita e, aos poucos, quando se apropriem das especificidades do sistema de escrita alfabética, elas se tornem alfabetizadas. Alguns autores não tratam mais do termo letramento separadamente de alfabetização porque, para eles, o letramento já é inerente ao processo. Em linhas gerais, letramento é “o estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita” (SOARES, 2006, p.18). Neste documento, destacamos a prevalência da expressão alfabetização em vez de alfabetização e letramento por compreendermos, à luz de Ferreiro (2013), que o processo de alfabetização se consolida atrelado às práticas reais de uso da leitura e da escrita. Dadas essas relações, sabemos que as pessoas chegam às escolas com muitas situações de uso da leitura e da escrita que irão fomentar suas aprendizagens no campo dessas práticas. Assim, a construção da alfabetização acontece por etapas, considerando os estudantes como protagonistas nesse processo, de modo que suas descobertas se estabelecem na relação entre o que eles já sabem sobre esse objeto de estudo e o que precisam saber. Um exemplo dessa compreensão do processo de aprendizagem de cada sujeito é a realização permanente de protocolos de escrita2, cujo objetivo é avaliar e analisar o percurso individual dos estudantes para poder intervir e ajudar-lhes a prosseguir. Sem essa perspectiva de avaliação permanente da aprendizagem, não é possível contribuir com o caminho construído, mas apenas nos limitarmos a classificar e descrever as turmas ou grupos de estudantes. Considerando essa premissa, nos deparamos com a necessidade de organizar o processo de apropriação dos princípios que constituem o SEA para que o sujeito aprenda a ler e escrever inserido em situações reais de produção de texto, leitura e oralidade. A consolidação da alfabetização, portanto, é um direito a ser assegurado, prioritariamente, no ciclo da infância, o que vai permitir que nossos estudantes leiam e 2 Os protocolos de escrita ora mencionados se referem aos testes realizados pelos professores, para compreender em que hipótese da Psicogênese os estudantes de encontram. Esses protocolos são importantes para que o professor planeje situações interventivas a partir dos resultados apresentados pelos estudantes nessas avaliações. São chamados de protocolos porque sua utilização exige um rigor, uma organização por parte do professor tanto no que diz respeito à aplicação, como à interpretação dos dados. produzam textos, com autonomia, podendo inserir-se nas práticas de letramento, atuando em seus espaços para qualificar e/ou modificar sua realidade. 2.4.1. Alfabetização de Crianças: ler e escrever para além da Escola Conforme a teoria da Psicogênese da Escrita, elaborada por Ferreiro e Teberosky (2005), as crianças passam três períodos principais, nos quais desenvolvem diferentes hipóteses ou explicações à construção e funcionamento da escrita alfabética: pré-silábico, silábico e alfabético. Com a continuidade de seus estudos,Ferreiro (2013) incluiu subníveis em cada um deles, por compreender que há também um movimento interno em que os sujeitos vão se deslocando, conforme as mediações. Nesse sentido, quando acompanhamos, cuidadosamente, a evolução da escrita espontânea, vemos que os sujeitos elaboram hipóteses semelhantes, apontadas por Ferreiro e Teberosky (2005) e que estas vão sendo testadas e superadas. Então se faz necessário trabalhar nesta perspectiva da escrita, considerando o erro como parte do processo de ensino-aprendizagem, para ajudar as crianças a superar suas concepções. A partir de atividades significativas, pautadas nas práticas reais de uso da leitura e da escrita, como prevê a Psicogênese da Língua Escrita, experimentada no cotidiano das práticas de letramento (ALBUQUERQUE, 2012), os professores vão ajudando as crianças a reelaborar suas hipóteses, de modo que elas são protagonistas do processo de aprendizagem. Ou seja, “alfabetizar, sim, mas sabendo que a criança, sujeito da aprendizagem, é um ser pensante; que a ação educativa pode apelar para sua inteligência, exatamente para não inibir a reflexão nascente” (FERREIRO e TEBEROSKY, 2005, p.33). Evidentemente, cada sujeito se coloca nesse movimento de aprendizagem em torno da linguagem escrita e vai organizando, com a ajuda dos professores, os seus conhecimentos e superando essas fases. Tal reflexão consciente sobre a linguagem pode envolver palavras, partes das palavras, sentenças, características e finalidades dos textos, bem como as intenções dos que estão se comunicando oralmente ou por escrito. Assim, o processo de alfabetização precisa incluir professores experientes, que possam utilizar-se dos gêneros discursivos como base para a alfabetização, que acompanhem o processo evolutivo das crianças e que sejam capazes de intervir sobre o erro cotidianamente. Nesse processo, a alfabetização numa perspectiva emancipatória se efetiva e ampliamos as condições de inserção na sociedade, por meio da leitura e da escrita, na idade certa (ALBUQUERQUE, 2012) e no tempo construído por cada sujeito, dentro do seu processo de aprendizagem. 2.4.2. Alfabetização de Jovens e Adultos: desafios a serem considerados O processo de alfabetização na EJA deve ser progressivo e contínuo, uma vez que nossos estudantes têm suas especificidades, pois já carregam um grande conhecimento do mundo letrado, trazem arraigadas algumas habilidades construídas, que serão utilizadas nesse processo tão amplo. Ao alfabetizar jovens e adultos, o professor deve se despir das práticas que vivenciam com crianças e vestir-se de práticas diferenciadas levando-se em consideração os acontecimentos do cotidiano. Assim, o professor deve utilizar temáticas e estratégias que interessem ao jovem e ao adulto, para fomentar suas práticas, de modo que se faz necessário repensar novas metodologias. Desse modo, dizer que um estudante está alfabetizado vai além de vê-lo se apropriar da leitura e escrita, mas envolve outras habilidades, em sentido amplo da palavra. A alfabetização está interrelacionada com o letramento, sendo assim, formamos não só leitores como também cidadãos críticos, que se veem como protagonistas de sua própria história. Reiteramos que, na perspectiva adotada neste documento, alfabetizar implica inserir o estudante nas práticas de leitura e da escrita na escola, ao mesmo tempo em que esse conhecimento é usado em práticas sociais em seu dia a dia, uma vez que “[...] é, pois, o letramento, em seus eventos e práticas, também responsável pela alfabetização, inclusive na educação de Jovens e Adultos, na qual os estudantes já chegam à escola dotados de seus valores e saberes” (XAVIER, 2011, p.124). Nesse sentido, não é simplesmente se apropriar da leitura e da escrita, mas saber fazer o uso desse novo conhecimento no dia a dia, como enviar uma mensagem via “WhatsApp”, seguir uma instrução na tela do caixa eletrônico para receber seu salário, ler uma bula de receita médica, tomando a quantidade adequada de medicamentos de acordo com o que foi prescrito pelo médico, utilizar as redes sociais para ler mensagens, notícias, propagandas e postar opiniões. Ou seja: saber utilizar esses e outros conhecimentos em seu cotidiano melhora sua qualidade de vida, tornando-o um sujeito independente e integrado à sociedade. Alfabetizar em EJA requer que o professor tenha ciência do seu papel, assim como do que é preciso para que esse estudante se alfabetize, quais etapas devem ser percorridas e quais habilidades devem ser construídas, até que se possa afirmar que este estudante está alfabetizado. Para Soares e Batista (2005): O termo alfabetização designa o ensino e o aprendizado de uma tecnologia de representação da linguagem humana, a escrita alfabético-ortográfica. O domínio dessa tecnologia envolve um conjunto de conhecimentos e procedimentos relacionados tanto ao funcionamento desse sistema de representação quanto às capacidades motoras e cognitivas para manipular os instrumentos e equipamentos de escrita (SOARES; BATISTA, 2005, p. 24). Nesse sentido, ser alfabetizado significa apropriar-se de uma tecnologia escrita fazer uso dela. Para o jovem e o adulto, cada conhecimento adquirido torna-se uma possibilidade de empoderamento e emancipação. Esses estudantes, por sua vez, devem ter ciência de que a educação e os conhecimentos adquiridos através dela serão a maior riqueza que podem ter. Esse pensamento e prática tornam-se emancipadores à medida que o conhecimento adquirido ninguém pode tomar, é individual e intrínseco. É uma fonte de independência que, usada de maneira correta, pode libertá-lo da opressão que decorre da ausência ou mau uso daquilo que se aprende na escola, dando-lhe esperança de um futuro promissor. 2.5. Concepção de Currículo: por um Currículo Crítico- Emancipatório e Multicultural Para avançar nos preceitos trabalhados ao longo da construção deste documento e dos aspectos filosóficos e históricos sociais destacados na apresentação, precisamos compreender em que ponto o currículo influencia o trabalho dos professores3 em sala de aula e a rotina da escola. Nesse sentido, a BNCC se constitui como referência que orientará as escolas, de nosso Sistema Municipal de Ensino, com vistas à promoção de uma educação emancipatória e embasado nos princípios éticos, políticos, estéticos e inclusivos, que assegurem a formação humana integral, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento de todos os estudantes ao longo de todos os níveis, etapas e modalidades da Educação Básica. A BNCC é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenha assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação – PNE. (BRASIL, 2017). A Base foi conduzida a partir dos preceitos legais que a instituíram – dentre os quais, o Art. 210 da Constituição Federal, o Art. 26 da LDBEN, as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais – DCNG (2012) e o Plano Nacional de Educação – PNE/2014. Portanto, configura-se como um documento de caráter normativo que define os saberes essenciais de cada Componente Curricular, a serem promovidos pelas propostas curriculares mediadas pelas práticas pedagógicas dos professores. Tendo em vista a adoção de uma Educação Emancipatória como concepção para o nosso Município, compreendemos o Currículo a partir desta lente, aqui visto também numa perspectiva crítico-emancipatória e multicultural. De acordo com SAUL et GOUVÊA (2009, p.225), “conceber o currículo sob a ótica da racionalidade emancipatória implica compreendê-lo como um processo dependente da participação dos sujeitos envolvidos na açãoeducativa. ” Esse tipo de currículo dá à população a liberdade de se tornar partícipe da construção do saber 3 Optamos pela palavra “professor” em todo corpo do texto no sentido semântico, pois nos fortalece enquanto categoria, porém adotamos a concepção de professor de Paulo Freire (1921-1997), que nos diz “O papel do professor é estabelecer relações dialógicas de ensino e aprendizagem; em que professor, ao passo que ensina, também aprende. Juntos, professor e estudante aprendem juntos, em um encontro democrático e afetivo, em que todos podem se expressar”. https://educacaointegral.org.br/noticias/paulo-freire-em-seu-devido-lugar/ culturalmente entregue à elite, pois se tinha o mito que só cabia a esta decidir sobre as necessidades de todos. Muitos foram os desafios encontrados e rompidos até que essa cultura fosse desmistificada, para que as classes menos favorecidas tivessem acesso ao que a classe dominante monopolizava. O termo “Currículo Emancipatório” apesar de ser muito difundido no Brasil a partir dos nos anos 1990 por Paulo Freire não emergiu em nosso país, porque “as ideias que fundamentam o currículo crítico-emancipatório tiveram início nos anos de 1970, nos Estados Unidos, com o movimento de “reconceitualização do currículo”, originado na rejeição do caráter prescritivo e no reconhecimento do caráter político do pensamento e da prática curricular. ” (Menezes e Santiago, 2014, p.47) Assim, viu-se a necessidade de uma educação voltada para todos, na qual estudantes e educadores fossem protagonistas da sua aprendizagem, desenvolvendo competências gerais e habilidades baseadas nos “Direitos de Aprendizagem e no Cuidar e Educar” das diretrizes curriculares para a Educação Básica, que os fizessem seres plenos, inseridos verdadeiramente na sociedade e emancipados para o mundo. Com a visão de corroborar para a libertação do estudante, na perspectiva crítico-emancipatória, desenvolvendo-o como um ser em sua totalidade, deve estar baseada a reestruturação curricular. Compreender o conhecimento organizado numa visão de mundo crítico- emancipatória, permite a construção de “[...] um currículo que possibilite a conscientização pelos sujeitos dos condicionantes das estruturas sociais que alienam e oprimem – currículo pautado na compreensão de mundo, de ser humano e de sociedade como unidade dialética, os quais se movem na inter-relação de complementaridade” (Menezes e Santiago, 2014, p.60). Assim, professores e estudantes estarão sempre em busca de conhecimento, atuando como sujeitos pesquisadores, num processo dinâmico, numa pedagogia ativa, contemplando nos espaços educativos temáticas com questões discutidas em sociedade, que possibilitem aos indivíduos refletir sobre sua condição no mundo, galgando conhecimentos suficientes para querer se libertar, procurando melhores condições para viver e, assim, usufruir de seus direitos como cidadãos. De acordo com Freire: [...] a reorientação curricular proposta pelos projetos curriculares interdisciplinares implica uma reorganização de tempo e espaços escolares, exigindo trabalho coletivo dos educadores em pesquisas constantes da realidade local junto à comunidade e em órgãos públicos, na busca de informações sobre os objetos analisados. Além dessas fontes, é necessário [...] buscar um aprofundamento dos conhecimentos específicos nas diferentes áreas que não constam dos livros didáticos tradicionais – demanda um “leque temático” (Freire, [1968] 1988, p. 109). A escola deve estar aberta e alerta para entender o estudante como um todo, considerando como ele foi culturalmente construído. Sendo assim, a compreensão que todos saem ganhando com essa pluralidade cultural deve estar contemplada no currículo. Dessa forma: Insistimos, inicialmente, na necessidade de uma nova postura, por parte do professorado e dos gestores, no esforço por construir currículos culturalmente orientados. [...] que se reescrevam os conhecimentos escolares, que se evidencie a ancoragem social desses conhecimentos, bem como que se transforme a escola e o currículo em espaços de crítica cultural, de diálogo e de desenvolvimento de pesquisas. (MOREIRA e CANDAU, 2007, p.31) Para tanto, a escola precisa oportunizar a interação entre os indivíduos, tendo em vista serem nelas que as competências se formam, se desenvolvem e tomam sentido por implicar um domínio conceitual e prático que vai além das ciências. As competências são amplas, múltiplas e não se excluem. 2.6. As Competências Gerais da BNCC como premissa básica para a construção do RCMJG Este currículo está pautado nas 10 (dez) competências gerais propostas pela BNCC, que dizem respeito ao desenvolvimento integral do estudante e às competências específicas, que se referem aos produtos dos objetos do conhecimento. Portanto, de acordo com a BNCC (2017), o trabalho do professor deverá ser orientado a partir da seleção de saberes que possibilitem aos estudantes: 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. (CONHECIMENTO) 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.(PENSAMENTO CIENTÍFICO, CRÍTICO E CRIATIVO) 3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. (REPERTÓRIO CULTURAL) 4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.(COMUNICAÇÃO) 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. (CULTURA DIGITAL) 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. (TRABALHO E PROJETO DE VIDA) 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. (ARGUMENTAÇÃO) 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. (AUTOCONHECIMENTO E CUIDADO) 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquernatureza. (EMPATIA E COOPERAÇÃO) 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. (RESPONSABILIDADE E CIDADANIA) Nessa perspectiva, as práticas educativas vivenciadas, em particular na sala de aula, “lócus privilegiado do saber e de aprendizagem”, devem viabilizar as necessárias mediações para os estudantes desenvolverem competências que lhes permitam atuar no mundo em que vivem. Trata-se de um novo projeto, que trabalhará o desenvolvimento articulado de conhecimentos, emoções e atitudes, na perspectiva do desenvolvimento humano em sua integralidade, ou seja, holisticamente. 2.7. Concepção de Avaliação da Aprendizagem A avaliação no contexto escolar é uma prática organizada e sistematizada que dá suporte ao processo de ensino-aprendizagem. Tal prática, não ocorre de forma neutra e está fortemente fundamentada na concepção de educação que norteia suas intenções e usos. Assim, ao optar por uma Educação Emancipatória, que valoriza o diálogo estabelecido entre os sujeitos envolvidos em todo processo de aprendizagem, legitima-se a necessidade de uma concepção qualitativa de avaliação, que avance em sua perspectiva e que tenha como objetivo mais que a mensuração da realidade, como nos indica Demo (2004): A avaliação qualitativa pretende ultrapassar a avaliação quantitativa, sem dispensar esta. Entende que no espaço educativo os processos são mais relevantes que os produtos, não fazendo jus à realidade, se reduzida apenas às manifestações empiricamente mensuráveis. (p.156). Sob essa perspectiva, a avaliação distancia-se do enaltecimento aos procedimentos de comparação e classificação com base no certo/errado, bem como da atribuição de apenas “um número a um acontecimento ou a um objeto, de acordo com uma regra logicamente aceitável” (Hadji 2001, p.27). Há, desde a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN Nº9.394/96, Art.24), um movimento favorável e um compromisso com uma avaliação contínua e processual. Assim sendo, emerge a necessidade de se obter informações sobre os conhecimentos prévios e singularidades de cada estudante, uma vez que cada um deles chega com “uma bagagem determinada e diferente em re lação às experiências vividas, conforme o ambiente sociocultural e familiar em que vive, e condicionado por suas características pessoais” (ZABALA,1998, p.199). Além disso, entende-se que tais informações são indicadores importantes que possibilitam a definição e organização de intervenções durante o processo de aprendizagem. Trata-se, portanto, da avaliação da apropriação dos saberes construídos pelos sujeitos, do conhecimento dos diferentes caminhos percorridos nessa construção e da mediação na aquisição de novos conhecimentos. Na Educação Infantil, a avaliação tem suas especificidades, visto que é nesta etapa da Educação Básica que o processo avaliativo cumpre o importante papel de oferecer elementos para que o professor possa conhecer melhor as crianças, suas características pessoais, suas emoções, seus comportamentos, seus interesses e o modo pelo qual se apropriam do mundo, para que, assim, possam compreender o processo educativo como contínuo e diferenciado para cada criança. De acordo com o disposto no Art.31 da LDBEN 9.394/96, alterado pela Lei 12.796/2013, a Educação Infantil precisa ser organizada com regras comuns, “mediante o acompanhamento e o registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental”. As Diretrizes Curriculares Nacionais em consonância com a LDBEN, Art.10, nos Incisos I, II, III, IV, V apontam orientações para a prática avaliativa e o acompanhamento contínuo do desenvolvimento das crianças, que necessitam ser dinâmicos e considerar as diferentes situações em que ocorrem as aprendizagens. Dessa forma, podemos considerar que a Avaliação na Educação Infantil significa observar, refletir, analisar e redirecionar, sem o peso do julgamento dos resultados, criando um clima acolhedor de escuta, confiança e diálogo entre os envolvidos, conforme nos aponta Hoffmann (2012): “[...]a avaliação na Educação Infantil tem por base a observação permanente das crianças no cotidiano e a aproximação dos professores com sua diversidade sociocultural, à luz de suas próprias representações, teorias, experiências profissionais e de vida” (p.30). Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental de 9 anos, considerado período de alfabetização (conforme disposto no Parecer CNE/CP Nº15/2017), é vedada a avaliação como mera verificação de conhecimentos, visando ao caráter classificatório, assim como a retenção do estudante sem a conclusão do referido período. Tal posicionamento não se apoia na concepção de aprovação automática, uma vez que essa “é caracterizada, geralmente, pela ausência da avaliação, estimulando que a criança avance de um ano ao outro sem se preocupar com o monitoramento”, conforme apontam Albuquerque e Cruz (2012b, p.08). A opção de não retenção aqui tratada, está intimamente ligada ao conceito de progressão continuada, proposta nos ciclos de alfabetização, assentada no princípio do respeito ao desenvolvimento das crianças e no compromisso com as aprendizagens ao longo do ano escolar e do ciclo, de modo a garantir que os estudantes progridam em três dimensões: [...]progressão escolar, relacionada ao direito que a criança tem de avançar na escolaridade; progressão do ensino, que requer a organização e elaboração de direitos de aprendizagem em todas as áreas de conhecimento e anos escolares de cada ciclo; e progressão das aprendizagens, que está diretamente ligada à qualidade crescente das aprendizagens construídas ao longo do ano e entre os anos do ciclo de alfabetização pelas crianças.(ALBUQUERQUE;CRUZ,2012a,p.09). Nas demais turmas dos anos iniciais dessa etapa de ensino, a avaliação das aprendizagens do estudante deverá ser realizada através de instrumentos diversificados e registrada sob a forma de parecer avaliativo e de notas, sem desconsiderar o caráter diagnóstico, cumulativo, participativo e formativo da aprendizagem. Nos anos finais, a avaliação e seus registros devem continuar se efetivando, na prática dos professores, de forma diversificada, mesmo que esses sejam oficialmente traduzidos através de notas, que, por sua vez, não devem ser consideradas como a única forma de registrar todo processo de avaliação. Na Educação de Jovens e Adultos vale salientar que a avaliação dos estudantes com deficiência, Transtorno do Espectro Autista-TEA e superdotação/altas habilidades, em quaisquer que sejam os anos da Educação Básica, sob a perspectiva inclusiva, deverá estar pautada nas características, interesses, capacidades/potencialidades e necessidades específicas de aprendizagem de cada um deles. Faz-se necessário, portanto, o acompanhamento da evolução de todo processo educativo e observação do progresso em suas competências com relação às atividades da vida cotidiana. Assim, podemos afirmar que a avaliação necessita estar presente em todas as atitudes e estratégias adotadas pelos professores, através do uso de instrumentos e registros avaliativos4 que sirvam de baliza para o planejamento e para o desenvolvimento de ações no cotidiano educativo. 2.8. Concepção de Formação de Professores Ensinar é uma tarefa complexa. Esta envolve uma diversidade de pessoas com pensamentos, ideologias, crenças, condições sociais e pessoais diferentes, que interferem no processo de ensino. Atender as necessidades e exigências de cada indivíduo tem se tornado um desafio para o professor e para a escola, passando, prioritariamente, pela formação docente. Essa formação depende tanto da escolaquanto dos professores, uma vez que estes estão inseridos em uma sociedade em constante transformação. De acordo com pensamento de Nóvoa (1997, p. 28): [...] da mesma maneira que a formação não se pode dissociar da produção de saber, também não se pode alhear de uma intervenção no terreno profissional. As escolas não podem mudar sem o empenho dos professores; e estes não podem mudar sem uma transformação das instituições em que trabalham. O desenvolvimento profissional dos professores tem de estar articulado com as escolas e os seus projetos. Dessa forma, fica visível que para que ocorra uma transformação no processo de aprendizagem é imprescindível que escola e professores se transformem coletivamente. De nada servirá a formação, a reflexão, o reconhecimento e a valorização dos saberes docentes se a escola continuar com práticas pedagógicas que não permitam a continuidade do processo de formação. Com a democratização da escola, a possibilidade de acesso de todos às instituições de ensino ampliou - mas não as propiciou condições necessárias para atender a todos os envolvidos no processo de maneira igualitária ou ao menos 4 As orientações dos instrumentos e registros avaliativos institucionalizados pela Rede de Ensino serão explicitadas em Instruç ão Normativa a ser expedida. equivalente. Alguns aspectos devem ser pensados no processo de ensino-aprendizagem para que este produza resultados significativos para a sociedade. Entre eles, destaca-se a formação dos professores. É importante salientar que essa formação não se encerra com as aulas da graduação, mas deve ser contínua, visto que a sociedade está sempre em transformação, exigindo dos professores atualização constante para lidar com os processos educativos. Fortalecendo essa ideia, revisitamos as palavras de Freire (2001, p.20): A educação é permanente não porque certa linha ideológica ou certa posição política ou certo interesse econômico o exijam. A educação é permanente na razão, de um lado, da finitude do ser humano, de outro, da consciência que ele tem de finitude. Mais ainda, pelo fato de, ao longo da história, ter incorporado à sua natureza não apenas saber que vivia, mas saber que sabia e, assim, saber que podia saber mais. A educação e a formação permanente se fundamentam aí. Trata-se, apenas, de uma etapa do processo formativo, que tem início desde o nascimento do sujeito, seja ele professor ou outro profissional. Tardif (2010) afirma que a transformação da formação do professor no decorrer do tempo é procedente de sua experiência profissional. Dessa forma, as mudanças sociais e temporais interferem em seus saberes, desafiando-o a evoluir profissionalmente para atender as exigências do processo de ensino. Além dos saberes curriculares da formação profissional, é pertinente reconhecer e valorizar os saberes experienciais do professor em seu processo formativo: as memórias e as histórias de vida do professor devem ser valorizadas. Ele precisa ser visto e ouvido para que se reconheça como sujeito pensante, no contexto de formação e ensino. No espaço escolar, o professor utiliza sua experiência para resolver os conflitos diários que ocorrem no ambiente. Os docentes não podem contar apenas com os saberes adquiridos na formação acadêmica, uma vez que seu objeto de trabalho está em constante transformação. Destarte, em termos de qualificação profissional, é essencial proporcionar uma formação contínua, levando em conta seu conhecimento. O professor precisa ser respeitado como ser humano que detém uma ampla experiência educacional, antes e depois de tornar-se professor. Assim, é pertinente perceber e utilizar seus saberes experienciais na formação continuada dos mesmos. Nóvoa (1997, p. 25) diz que “a formação não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexão crítica sobre as práticas e de (re) construção permanente de uma identidade pessoal [...]”. O exercício de refletir sobre a prática possibilita, associada à escrita de si, a autoformação, utilizando a (auto)biografia como processo de formação que influencia o processo de ensino. Ainda no tocante à formação, Nóvoa (1997) reforça a necessidade de incluir a rotina profissional docente nos cursos de formação. Em seu planejamento, o docente deve valorizar as experiências exitosas, seus hábitos, seu saber, aglutinando-os com os saberes científicos e filosóficos numa abordagem interdisciplinar e epistemológica. Dessa forma, o professor, na realização de seu trabalho, vai ver-se como sujeito pensante, construtor de seu próprio conhecimento e capaz de relacionar teoria e prática, como pontua Tardif (2010, p. 234): Noutras palavras, o trabalho dos professores de profissão deve ser considerado como espaço prático específico de produção, de transformação e de mobilização de saberes e, portanto, de teorias, de conhecimento e de saber-fazer específicos ao ofício de professor. Essa perspectiva equivale a fazer do professor – tal como o professor universitário ou pesquisador da educação- sujeito do conhecimento, um ator que desenvolve e possui sempre teorias, conhecimentos e saberes de sua própria ação. Professores e estudantes devem ser valorizados e reconhecidos no desenvolvimento do processo de ensino como seres pensantes e ativos, que estão na escola com o propósito de aprender e construir conhecimentos; contrariando, de vez, a ideia de que professor e estudante são meros transmissores e receptores de saber produzido pelos pesquisadores. É relevante reconhecer, portanto, a pluralidade de saberes docente, bem como suas influências na formação do professor. O Sistema Municipal de Ensino através do Programa de Formação Continuada, no item 4, p. 16, das Ações, contempla a qualificação profissional dos docentes. Este programa foi elaborado e documentado. Cabe a oportunidade de um debate a este respeito sobre as políticas públicas educacionais para os docentes da Rede Municipal de Ensino quanto ao processo da formação continuada, dialogando-se constantemente em fóruns, sobre as Metas 12 e 13 e suas Estratégias do Plano Municipal de Educação – Lei Municipal nº 1.203/2015, percorrendo um caminho de participação coletiva e intersetorial, sabendo-se que a responsabilidade da formação continuada não se limita somente na responsabilidade do poder público municipal, mas de um acordo chamado Regime de colaboração entre os entes federados e, portanto cabe-nos também, a elaboração de ações de forma conjunta, que atendam aos anseios dos/das professores/as na valorização do magistério. 2.8.1. Formação Continuada dos Professores No decorrer das últimas décadas o cenário político-social do país vem passando por consideráveis mudanças. Dentro desse contexto, encontramos os programas de políticas públicas voltados para o desenvolvimento de uma educação de qualidade. A partir dos anos 90, com a profissionalização docente estabelecida pela Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional - LDBEN, Lei Nº 9394/96, a formação inicial e a continuada dos professores ganhou destaque como elemento primordial que necessita ser revisitado e aperfeiçoado. A formação continuada dos professores, ressaltada na LDBEN 9394/96, deve estar articulada às políticas que visam à melhoria do ensino-aprendizagem e a busca por uma valorização profissional que refletirá em uma educação escolar de qualidade, voltada para o desenvolvimento da sociedade. No que se refere ao Programa de Formação Continuada da Rede Municipal de Jaboatão dos Guararapes, apresenta-se uma proposta formativa que valoriza os saberes que os professores já construíram no exercício de suas atividades pedagógicas, favorecendo a reflexão e a reconstrução de seu próprio fazer, associando, sempre, teoria àprática profissional. Dessa forma, os momentos de formação possibilitam construir conhecimentos coletivamente e, assim, contribuir para que a escola seja formadora de cidadãos participativos e críticos, favorecendo o desenvolvimento de um projeto reflexivo sobre as práticas e de construção de uma identidade profissional. A reflexão sobre a prática (dupla conceitualização e teorização da prática) se destaca como fundamental no contexto de formação continuada, sendo considerada uma oportunidade de pesquisa, de mudança de comportamento, de inovação e emancipação, que se baseia na valorização do saber profissional e na construção do conhecimento por meio da reflexão da prática. Dessa maneira, a aprendizagem se torna significativa para todos envolvidos no processo, como afirma Freire (1996): Na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática. (1996, p.44) Nessa perspectiva, é necessário romper com a ausência de articulação entre o que se propõe para a formação continuada e a real necessidade da busca por soluções para as problemáticas encontradas pelos professores no cotidiano escolar, valorizando as práticas pedagógicas e construindo novos saberes. Para dinamizar esse processo formativo, a Rede definiu o Programa de Formação Continuada como o momento de planejamento, de execução e de avaliação das práticas pedagógicas, garantindo a articulação entre o que se conceitua e o que se executa, em um processo dinâmico e que se retroalimenta. 2.9. Concepção de Leitores e escritores Antes mesmo de nascer, o ser humano já é capaz de ouvir e reconhecer a voz da mãe e de outras pessoas e é essa a premissa que sustenta a necessidade de ler para as crianças desde a mais tenra idade. O encantamento pela leitura pode ser despertado desde os primeiros meses de vida. O bebê já é capaz de ler imagens e na medida em que vai crescendo, enxerga o mundo a sua volta e começa a interagir com a leitura, quando vê placas, rótulos, outdoors, embalagens, jornais, revistas e através deste contato ele vai identificando a presença da escrita em seu meio. Assim, a criança entra em contato com as imagens antes mesmo da interação. Esse contexto da formação de leitores é ampliado com as letras e é por isso que as ilustrações exercem um papel tão importante no processo de formação de leitores, uma vez que enriquecem o texto. Mediante essas relações que se estabelecem entre a criança e os textos, é atribuído à escola o papel de sistematizar as atividades que fomentam o processo de leitura e escrita. Nesse contexto, também se estabelecem as relações com o texto literário, de modo que as pessoas vão se constituindo leitoras a partir da convivência com bons textos e com atividades realizadas em torno do texto literário. Sobre o fato de vivermos em um país no qual a leitura faz parte do cotidiano de uma pequena parcela da população, Azevedo (2004) observou: Fala-se muito em formação de leitores. Nosso país realmente vai ser outro quando sua população for formada por leitores, gente que saiba diferenciar uma obra literária de um texto informativo, gente que leia jornais, mas também leia poesia; gente, enfim, que saiba utilizar textos em benefício próprio, seja para receber informações, seja por motivação estética, seja como instrumento para ampliar sua visão de mundo, seja por puro entretenimento. Considerando nosso desequilíbrio social, formar leitores evidentemente é um imenso desafio. A maioria de nossas crianças é filha de pais analfabetos ou semianalfabetos, ou seja, voltando para casa elas não têm com quem discutir suas lições. E nem mesmo espaço, uma vez que suas casas, muitas vezes um único cômodo, não costumam possibilitar isolamento mínimo que a leitura requer (AZEVEDO, 2004, p.21). Ainda conforme o autor, grande parte dos brasileiros não tem acesso à leitura e, por isso, não é fácil incentivar as crianças em idade escolar a se tornarem leitoras. Cabe, pois, à escola, incentivar o hábito de leitura, como afirma Guedes (1998): Ler e escrever são tarefas da escola, questões para todas as áreas, uma vez que são habilidades indispensáveis para a formação de um estudante, que é responsabilidade da escola. Ensinar é dar condições ao estudante para que ele se aproprie do conhecimento historicamente construído e se insira nessa construção como produtor de conhecimento. Ensinar é ensinar a ler para que o estudante se torne capaz dessa apropriação, pois o conhecimento acumulado está escrito em livros, revistas, jornais, relatórios, arquivos. Ensinar é ensinar a escrever porque a reflexão sobre a produção de conhecimento se expressa por escrito(GUEDES,1998,p.13). É na escola que grande parte dos estudantes têm seu primeiro contato e, em muitos casos, o único, com a literatura. Daí a importância de garantir que essa aproximação seja feita por meio de livros de qualidade. Por serem a leitura e a escrita elementos indispensáveis para a inserção social do indivíduo e para a formação da cidadania, estamos cientes de que a habilidade leitora e de produção de textos possibilitam a construção de novas relações com as palavras e com as informações que circulam no mundo, de modo dinâmico, crítico e autônomo. A leitura precede a escrita em todos os momentos de construção da alfabetização e da identidade cultural do indivíduo não somente na escola, mas em qualquer ambiente alfabetizador. Sabendo-se que jamais na escola, se pode intensificar o trabalho pedagógico somente com a escrita, para não se transformar meramente em transcrições/cópias. Só escreve quem lê. E a escrita é o resultado do estudante leitor que imagina e conversa com quem vai ler sua produção. Portanto a Rede Municipal de Ensino preocupa-se com as duas dimensões da produção cultural do estudante: leitura e escrita. Assim, neste currículo, trazemos reflexões sobre a formação de leitores/escritores tendo como foco o Programa de Leitura oferecido pela Rede Municipal, cujo objetivo é incentivar o prazer e o interesse pela leitura e pela escrita, por meio da distribuição de livros literários para a constituição da biblioteca particular dos estudantes. Além da garantia do acesso ao livro, o programa de leitura é responsável pelo fomento às práticas leitoras que incluem o livro, numa perspectiva lúdica e literária, para ampliar as possibilidades de formação de leitores. Além disso, são estimuladas atividades com os livros literários lidos nas escolas, bem como a consultoria e assessoramento das unidades escolares para a organização de suas bibliotecas escolares e/ou espaços de leitura. Também destacamos como produto desse trabalho com o texto literário a formação dos comportamentos leitor e escritor proficientes, promovendo interações entre os estudantes e as obras literárias. Para tanto é fornecido aos estudantes, anualmente, um acervo literário individual, selecionado pelos Coordenadores Educacionais do Município, juntamente com a Coordenação do Programa de Leitura, de forma a garantir a diversidade de gêneros literários e contribuir com o desenvolvimento socioafetivo e cognitivo dos estudantes nas áreas e modalidades de ensino. Os critérios para escolha das obras passam pela literariedade, ou seja, a forte ligação do texto com os aspectos do literário, que vão desde o texto, propriamente dito, aos aspectos estéticos e de gráficos. Desse modo, faz-se necessário dedicar-se a escolher obras que fomentem a leitura e a produção de textos, mas que, sobretudo, levem o leitor a se familiarizar com os textos, bem como apreciá-lo e, a partir de então, tornar-se um leitor proficiente.Guilherme (2013) destaca que “não basta colocarmos os livros à disposição de crianças e jovens para que eles compreendam a importância desse capital cultural e sejam seduzidos pela leitura” (GUILHERME, 2013, p.2). Do mesmo modo, os adultos precisam ser capturados pela leitura, para que as ações em torno do livro deixem de ser tomadas como luxo e passem a ser colocadas como algo cotidiano, ao qual todos têm acesso. Por isso, se faz importante também investir na formação de professores para que sejam mediadores de leitura capazes de estimular, mas também de vivenciar ações em torno do literário, preferencialmente com foco no deleite e na formação de hábitos de leitura, não apenas no referencial didático metodológico a que se refere a obra literária. Outro aspecto relevante são as metas para a formação de leitores que, por meio das práticas dos professores e profissionais que trabalham com mediação de leitura e contação de histórias na Rede Municipal, vão sendo revistas e ampliadas. Desse modo, é importante destacar algumas questões, para o exercício efetivo para aquisição da leitura e produção textual, tais como a promoção e incentivo do gosto pela leitura e escrita, facilitando o acesso ao acervo literário. Importante possibilidade de trabalho que precisa ser observada é o desenvolvimento de estratégias e procedimentos de leitura, levando-os a refletir, criticamente, sobre o que leem e escrevem, de modo que se tornem leitores e escritores proficientes. Para tanto, propor situações didáticas que garantam vivências com os mais diversos gêneros literários e não literários, elencados em função das leituras realizadas, é muito importante, assim como oportunizar situações reais e significativas de leitura e escrita, mediadas por discussões sobre obras literárias. A partir do trabalho com a leitura literária também contribuímos para a humanização, uma vez que a literatura tem o poder de oferecer ferramentas para esse processo, quando mediada de forma adequada, por profissionais experientes, capazes de articular as questões que decorrem da leitura de um texto literário, conforme defendido por Candido (2018). Também é relevante pensar que, por meio da leitura literária, o estudante pode se apropriar das questões relativas à língua propriamente dita e que, assim, poderá, entre outras competências, identificar as características dos gêneros estudados, reconhecendo os recursos linguísticos, estilísticos e estratégias discursivas, a fim de utilizá-los adequadamente. Na era da informação, ser um leitor proficiente torna-se relevante porque é necessário que o estudante aprenda a lidar com uma imensa gama de informações, selecionando-as, organizando-as e interpretando-as, utilizando-se delas para inserir-se em sua comunidade e atuar no mercado de trabalho. Todas as etapas/anos da Educação Básica possuem marcos com aprofundamentos específicos a serem alcançados pelos estudantes e, por essa razão, este currículo destaca que a leitura literária deve pautar-se na formação do leitor e não apenas na didatização do texto literário. Nesse sentido, é importante que os professores apresentem a maior diversidade de gêneros (textos semióticos), mas também que conheçam os gêneros preferidos pela turma, promovendo atividades nas quais os estudantes sejam protagonistas. Destarte, é imprescindível a imersão dos professores no universo de leitura da turma, para que possa conhecer e mediar as leituras dos estudantes ao mesmo tempo em que lhes apresenta outros gêneros e outras formas de ler. Segundo Bamberger (1977), As preferências literárias se estabelecem de acordo com a faixa etária do leitor e, de fato, esse é um aspecto que facilita o trabalho com a literatura na escola. Uma vez conhecendo os tipos de interesses mais comuns nas etapas escolares/idades das crianças, será mais fácil planejar vivências de letramento literário e estimular a leitura em sala de aula (ROSA,2010). Nos primeiros anos, a leitura precisa ser bastante estimulada, de modo que as crianças possam compreender a importância do hábito e descubram, ao mesmo tempo, o prazer de ler. Na Educação Infantil, especialmente, isso será relevante para que, ao adentrar na próxima etapa, a criança tenha se utilizado da literatura para iniciar a construção das competências para tornar-se leitora proficiente. Corroboramos com os estudos de Rosa (2010), no que se refere ao trabalho com leitura na primeira etapa do Ensino Fundamental. Para esta autora, “a ajuda do professor no desenvolvimento de interesses e do prazer em ler é extremamente necessária, tendo o cuidado para não romper o interesse da criança por brincadeiras” (ROSA, 2010, p.40). Portanto, o exemplo do professor torna-se fundamental para a formação desse comportamento leitor. Esta prerrogativa se perpetua nesta fase do Ensino Fundamental, quando são inseridos outros gêneros literários e vivenciadas experiências de leitura mais intensas e mais sistematizadas, considerando, no entanto, que a leitura nessa fase ainda está profundamente ligada à construção do imaginário e à busca pelo prazer de ler. Nessa fase é importante lembrar que a leitura deve ser prazerosa e não feita por obrigação ou para ganhar uma nota. No entanto, devemos atentar que a leitura, quando desprovida de crítica, pode levar à simples aceitação mecânica, se transformar em rotina mecânica, perder seu prazer e, consequentemente, não ter nenhum sentido para quem lê (ROSA, 2010). A fase seguinte, dos anos finais do Ensino Fundamental, inclui o desafio de manter as crianças e jovens lendo iniciando-se, portanto, na fase de leituras sobre aventuras. Caso contrário, se as crianças e os jovens não se manifestem para ler com prazer, “inicia-se o período de resgate de um leitor” (ROSA, 2010, p.41) e esse desafio pode estender-se por toda a fase de escolaridade e mesmo perdurar pela vida adulta. Assim, destacamos aqui a importância de todos os professores, neste processo de alimentação da leitura literária como fonte de prazer e de encontro com as questões relativas à adolescência. Sobre isso, destacamos a relevância do trabalho da escola para “ajudar a criança a tornar-se leitor de textos que circulam no social e não a limitar a leitura de um texto pedagógico, destinando apenas a ensiná-lo a ler” (FOUCAMBERT, 1989, p.10). Essa questão do envolvimento de todas as áreas do conhecimento na formação de leitores foi discutida por Guedes (1998): Nós professores de todas as áreas, em vez de nos limitarmos a choramingar que nossos estudantes não têm o hábito da leitura, devemos nos dedicar a propiciar prazer, diversão, conhecimento, liberdade, uma vida melhor, enfim. E essas oportunidades terão de ser tantas quantas forem necessárias para que o estudante passe a gostar de ler e, por isso, contraria a necessidade da leitura e que esta vire hábito (GUEDES, 1998, p.15). Assim compreendemos, neste processo de reestruturação curricular, que a leitura é um aspecto relevante o suficiente para que se torne compromisso de toda a comunidade escolar. Desse modo, a criação e manutenção de espaços de leitura na cidade torna-se um compromisso do município do Jaboatão dos Guararapes, de modo que compreendemos a importância das bibliotecas nesse processo. E partindo desta premissa, destacamos que a escola precisa, enquanto força primordial na formação de leitores, instrumentalizar-se para atuar nessa frente, organizando sua biblioteca escolar, cantinhos da leitura e bibliotecas de classe, mantendo um compromisso com a formação do leitor. Todos devem trabalhar com a leitura a partir da realidade dos estudantes e, então, desafiá-los a participarem da construção de uma sociedade letrada, na qual estejam inseridos como leitores, partícipes da comunidade que compreende a literatura como fundante da formação humana e, portanto,indispensável a qualquer pessoa. A formação de leitores também deve priorizar os processos de estímulo à autoria, partindo da concepção de que é na escola que as práticas sociais de leitura e escrita de gêneros literários podem ser fortalecidas. Não obstante, é importante lembrar que a leitura literária não deve ser usada como princípio para a escolarização dos textos de ficção e não ficção. Ainda assim, é importante considerar que a leitura literária também impulsiona a escrita, caso sejam dadas as devidas orientações com base na perspectiva da autoria e da escrita criativa. Desse modo, a formação de leitores e, por conseguinte, escritores, deve ser uma prioridade dentro dos programas de leitura, desde que sejam considerados os aspectos relacionados à literariedade e fabulação como pontos de partida. Ou seja, à escola caberá a organização de processos de mediação de leitura e contação de histórias, feiras literárias, eventos de natureza cultural relacionados à literatura propiciando aos estudantes a oportunidade de se tornarem leitores e escritores proficientes. Nesse sentido, a escola cumprirá seu papel de agência de letramento literário (MONTENEGRO DE MÉLO, 2019), para garantir que as crianças tenham acesso a bons textos, condição sine qua non para que possam viver em sociedade fazendo as leituras que lhes são indispensáveis à atuação, cumprimento de papeis e criação de novas oportunidades. 3. ETAPAS/MODADLIDADES DE ENSINO 3.1. Educação Infantil 3.1.1. Concepção de Educação Infantil: teoria sociointeracionista O Referencial Curricular da Educação Infantil da Rede de Jaboatão dos Guararapes está ancorado nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil - DCNEI que trazem como eixos centrais do trabalho pedagógico, as Interações e as Brincadeiras. Desta maneira, a interação requer a realização de atividades nas quais as crianças troquem saberes entre elas, com o professor e com o conhecimento. O brincar, por sua vez, é tomado como primordial para o desenvolvimento da criança e se apresenta de formas variadas no contexto educativo-dirigido, livre, fantasiando e representando papéis sociais. Assim, dialogamos com a concepção Vygotskyana, a qual aponta que o ser humano se forma em contato com a sociedade. Dessa forma, a aprendizagem ocorre por meio de uma relação dialética entre o sujeito e a sociedade. A teoria sociointeracionista valoriza a interação que cada pessoa estabelece com determinado ambiente, a partir de uma experiência pessoalmente significativa. Vygotsky formulou o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal - ZDP. Para ele o bom ensino é aquele que estimula a criança a atingir um nível de compreensão e habilidade que ainda não domina completamente. Assim a intervenção pedagógica provoca avanços que não ocorreriam espontaneamente. A referida teoria ressalta, dentre outros aspectos, que somos sujeitos históricos, culturais e sociointerativos e, dessa forma, olhamos as crianças em seu modo ativo e interativo de ser e habitar o mundo, atuando na criação de relações sociais, nos processos de aprendizagem e de produção de conhecimento desde muito pequenas e a Educação Infantil, constitui-se como espaço relevante no seu processo de aprendizagem e desenvolvimento, lócus potencializados da socialização das crianças. Alinhamo-nos à teoria Vygotskyana e à importância dada à mediação para a promoção da autonomia, pois, segundo esta concepção, quando há interação entre um parceiro mais experiente (que pode ser um adulto ou outra criança) atua-se na zona de desenvolvimento proximal. Ainda de acordo com o autor “[...]aquilo que uma criança pode fazer com assistência hoje, ela será capaz de fazer sozinha amanhã” (VYGOTSKY, 2007, p.98). Dessa forma, reportamos ao conceito que o psicólogo apresenta sobre as zonas de desenvolvimento real, proximal e potencial. Na abordagem sociointeracionista a zona de desenvolvimento real está relacionada com os conhecimentos que as crianças já possuem, a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), por sua vez, trata do lugar da intervenção pedagógica onde o professor propõe desafios às crianças, nesse caso, mais especificamente a Educação Infantil, na qual vemos que o professor, como o mais experiente, planeja para as crianças situações de aprendizagem atuando dentro da ZDP. Assim, o professor ou outra criança mais experiente é um mediador de aprendizagem e, aos poucos, fortalece seu grupo, levando as crianças ao desenvolvimento potencial a partir do momento que o grupo avança. Segundo Pimentel, (2007) A ZDP transforma-se em um parâmetro para a atuação pedagógica. Funcionando como princípio educativo, implica a relação entre o nível de desenvolvimento real-determinado pela capacidade de solução de problemas de modo independente-e o nível de desenvolvimento potencial em que se encontram as funções psicológicas em processo de amadurecimento, potencialmente emergentes, mas suficientemente potencializadas. (p.224) 3.1.2. Marcos Legais: o direito de ser criança A partir do marco legal a ser apresentado neste Referencial Curricular, podem-se perceber os avanços constitucionais da criança, ao longo dos anos. Desse modo, o surgimento da Constituição Federal de 1988, contribuiu para a ampliação de políticas públicas voltadas para a criança, as quais asseguram os seus direitos e entre esses, destaca-se aquele voltado à educação, concebido como um direito de todos e dever do Estado e da família. O documento também determina que é dever dos Municípios atuarem de maneira prioritária no Ensino Fundamental e na Educação Infantil (Art.211, §2º, CF). Sendo assim, o direito constitucional à educação é iniciado na etapa da Educação Infantil, devendo ser ofertado em Creches e Pré-Escolas, às crianças até 5 (cinco) anos de idade, nos termos do inciso IV do Art.208 da Constituição. A Lei Federal Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN, em seu Art.29, define a Educação Infantil como “primeira etapa da Educação Básica, que tem como finalidade promover o desenvolvimento integral da criança de Zero a Cinco anos de idade em seus aspectos físico, afetivo, intelectual, linguístico e social, complementando a ação da família e da comunidade”. O Art.2º da referida Lei, dispõe sobre os princípios e fins da educação nacional, destacando o papel da família e do Estado, leia-se, do Poder Público, em promover o pleno desenvolvimento do educando, preparando-o para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. Como ampliação da legislação introduzida pela Constituição Federal de 1988, foi constituído o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei Nº8.069/90, Art.53), documento que contempla todos os direitos da população infanto-juvenil pontuados pela Declaração Universal dos Direitos das Crianças e que reitera a criança como sujeito de direitos. Dessa forma, a infância - que era compreendida como responsabilidade única da família -, após amparos legais, passou a ter as atenções e os cuidados compartilhados com o Estado e com os diversos segmentos da sociedade. Nesse sentido, respaldado pelo valor da igualdade entre as pessoas, o direito à educação foi consagrado pela primeira vez em nossa Constituição Federal de 1988 como um direito social (Art. 6º da CF/88). Com isso, o Estado passou formalmente a ter a obrigação de garantir educação de qualidade a todos os brasileiros. É importante destacar, que o Poder Público não é o único responsável pela garantia desse direito. Conforme previsto no Art. 205, da Constituição Federal, a educação também é dever da família e cabe à sociedade promover, incentivar e colaborar para a realização desse direito. Destaca-se também o Parecer CNE/CEB Nº 20/2009, no qual a Educação Infantil é representada com um caráter não assistencialista,com foco no papel social de Cuidar e Educar crianças de zero a cinco anos, considerando os dois termos indissociáveis. Nessa perspectiva, a relação entre educar e cuidar é importante princípio para definição de práticas educativas significativas em que a criança seja o sujeito dos seus processos de desenvolvimento e aprendizagem. Refletir acerca da concepção de criança preconizada nas DCNEIs (2010), remete ao estabelecimento de uma relação entre a Educação Infantil e os direitos assegurados ao longo do tempo na legislação brasileira. Segundo Kramer (2003, p.56) “o direito deve ser garantido porque é nossa responsabilidade social, enquanto professores, mulheres e homens, cidadãos, tratarmos as crianças como cidadãos de pequena idade”. Nesse sentido, os direitos legitimados, para o atendimento às crianças não devem acontecer apenas porque está na lei, mas efetivados pela compreensão de responsabilidade social. Outro documento de amparo legal de extrema importância é o Plano Nacional de Educação (PNE–Lei Nº 13.005/14) para o decênio 2014-2024, que tem como meta 1 “universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de quatro e cinco anos e ampliar a oferta da Educação Infantil de modo a atender, até 2016, a trinta por cento e, até 2020, a cinquenta por cento da população de até três anos”. Soma-se a esses avanços a aprovação do Marco Legal da Primeira Infância (Lei Nº13.257/2016), em 08 de março de 2016, que promove programas de incentivos voltados ao desenvolvimento da criança de forma integral (de 0 a 6 anos). Esses programas abrangem áreas essenciais, tais como: a saúde, a alimentação e nutrição, a Educação Infantil, a convivência familiar e comunitária, a assistência social, a cultura, o brincar e o lazer, o espaço e o meio ambiente, a proteção frente a toda forma de violência, bem como a prevenção de acidentes. Em continuidade ao processo de garantias de diretos da infância, é homologada a Base Nacional Comum Curricular–BNCC (Resolução CNE/CP Nº2, de 22 de dezembro de 2017), documento normativo para as redes de ensino públicas e privadas, que vem cumprir a exigência legal já sinalizada na LDBEN 9.394/96(Art. 26), nas DCNEB/2010 (p.31) e no PNE/2014 (Estr. 7.1). Reafirmando as interações e as brincadeiras como eixos estruturantes das práticas pedagógicas numa estrutura curricular inovadora, com foco nos cinco campos de experiências e seis direitos de aprendizagens de acordo com objetivos de aprendizagens e desenvolvimento por faixa etária. Outro dispositivo legal, o PME (Plano Municipal de Educação) Lei Municipal Nº 1.387/2018, realizado no município do Jaboatão dos Guararapes–PE, de forma democrática e deliberativa, assegura para a Educação Infantil a META 1: Universalizar, até 2020, o atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar, até 2024, a oferta de Educação Infantil em creche, atendendo a 75% da população de até 3 anos e onze meses (Alterada na COMUDE 2018). Assim, a homologação deste Referencial Curricular Municipal é instrumento de legitimação na efetivação e materialização dos direitos da criança, no que concerne o acesso à etapa da Educação Infantil na perspectiva de uma educação de qualidade. 3.1.3. As 10 (dez) Competências Gerais na Educação Infantil O Currículo foi inspirado, na perspectiva de Campo de Experiência, nos indicadores italianos em Reggio Emilia, não podendo ser concebido sob a ótica de uma organização disciplinar conteúdista. Na concepção italiana, a escola é vista como espaço de “construção de valores, tais como amizade, solidariedade, respeito às diferenças, diálogos, emoções, afeição” (Rinalddi, 2012, p.41). O ambiente de aprendizagem é organizado por ateliês, onde as crianças vivenciam experiências sendo protagonistas da sua aprendizagem. Associando à realidade jaboatonense, esses ateliês são materializados nos diversos “cantinhos” da sala de referência da Educação Infantil, como ferramentas com poder desafiador e que despertam a curiosidade das crianças. Este currículo emerge do meio cultural no qual as crianças estão inseridas, buscando uma relação de pertencimento, envolvendo-se em experiências, a partir do seu interesse, fazendo uso da imaginação, da ludicidade, da alegria, da beleza, do raciocínio, do cuidado consigo e com o mundo. Barbosa e Richter (2015) baseadas em Malaguzzi, ressaltam que [...]precisamos seguir as crianças e não os planos. São as crianças, em suas brincadeiras e investigações, que nos apontam os caminhos, as questões, os temas e os conhecimentos de distintas ordens que podem ser por elas compreendidos e compartilhados no coletivo. O professor, com seu olhar de quem está com a criança, mas também com os saberes e conhecimentos, realiza a complexa tarefa educacional de possibilitar encontros, de favorecer interações lúdicas, constituir tempos e espaços para a experiência das crianças, sem nenhuma garantia de que essa possa acontecer.(BARBOSA;RICHTER,2015,p.195) Assim, é de suma relevância valorizar a cultura das crianças e compreender que o currículo parte da escuta das experiências que elas trazem em consonância com os conhecimentos propostos pelo professor, que é um mediador da aprendizagem. Rinaldi (2012) apresenta a reflexão sobre “a pedagogia relacional da escuta”, que é enaltecida por Reggio Emilia. Nesta concepção, as crianças desde a mais tenra idade são vistas como seres ativos que tem muito a dizer acerca de seus desejos e percepção do mundo e por isto a escuta se torna imprescindível para se conceber a sua educação. [...]escutar é dar a si próprio e aos outros um tempo para ouvir. Por trás de cada ato de escuta, há um desejo, uma emoção, uma abertura às diferenças, a valores e pontos de vistas distintos. Por conseguinte, devemos escutar e dar valor às diferenças, aos pontos de vista dos outros, sejam homens, mulheres ou crianças, especialmente para lembrar que, por trás de cada ato de escuta, restam a criatividade e a interpretação de ambas as partes. (RINALDI,2012, p.2009). Nesse sentido, a escuta é um requisito para a integração das e entre as crianças, uma vez que a ela acontece na multiplicidade, pois não se vive em um mundo harmônico e sim no mundo com diversas visões, cada ser é diferente e, através da “Pedagogia da Escuta”, é possível entrar no universo de cada um, renunciando a verdades absolutas e negociando na medida do possível. Ouvir a criança implica em reconhece-la como produtora de cultura, em qualquer situação e aspectos ligados aos seus direitos. Na educação, não é diferente, temos que ouvi-las, pois é um dos critérios de elaboração para um currículo vivo e dinâmico, e portanto, pede a participação delas. “Os países presentes à Conferência Mundial sobre a Criança, realizada pela ONU em 2002, assumiram dez compromissos, sendo o nono: ouvir as crianças e assegurar sua participação. As crianças e os adolescentes são cidadãos valiosos que podem ajudar a criar um futuro melhor para todos. Devemos respeitar seus direitos de se expressar e de participar em todos os assuntos que lhes dizem respeito, de acordo com sua idade e maturidade.(GUIA DO PMPI -2020) O Referencial Curricular de Jaboatão dos Guararapes tem como uma de suas inspirações o currículo de Reggio Emilia, pois valoriza a curiosidade das crianças concebendo-as como sujeitos comunicantes. Dessa forma, o planejamento deve partir do interesse das crianças e valorizando seus conhecimentos prévios. É necessário, assim, que a escola ofereça situações que favoreçam a essa aprendizagem e desenvolvimento da criança. Assim, as aprendizagens deverão assegurar às crianças o desenvolvimento das dez competências gerais, que se consolidam por meio dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Em consonância com as dez competências gerais e considerando que aspráticas pedagógicas na Educação Infantil têm como eixos estruturantes as interações e as brincadeiras, a BNCC propõe ainda seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento, que asseguram condições de aprendizagens nas quais as crianças sejam protagonistas, vivenciando e resolvendo situações desafiadoras. 3.1.4. Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento Os direitos de aprendizagem e desenvolvimento estão fundamentados nos princípios éticos, políticos e estéticos citados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI (2009). Os princípios éticos equivalem aos conceitos relacionados à autonomia, à responsabilidade, à solidariedade e ao respeito ao bem comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identidades e singularidades, por meio de vivências que possibilitem às crianças a expressão de seus desejos e opiniões, promovendo atitudes de respeito e solidariedade. Os princípios políticos estabelecem os direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática. Esses valores se materializam quando as crianças são oportunizadas a expressar seus sentimentos, ideias e respeitar as opiniões dos outros diante de conflitos. Os princípios estéticos estão relacionados aos valores da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais. Eles são demonstrados por meio das manifestações e práticas educativas que valorizam a construção das crianças e ampliação das expressões e organização do pensamento. Esses princípios estão materializados em seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento que asseguram condições para que as crianças aprendam em situações significativas. A BNCC estabelece os seguintes Direitos5 de Aprendizagem e Desenvolvimento: Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas. Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando. Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da palavra natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia. Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens. Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário. 5 Fonte: BNCC, 2017, p. 36 Esses direitos são materializados por meio dos Campos de Experiência que são apresentados a seguir. 3.1.5. Campos de Experiência A BNCC propõe 05 (cinco) Campos de Experiência que orientam e norteiam os currículos das instituições educacionais. Os campos de experiência, apontados pela BNCC são: O eu, outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. Para a BNCC, esses campos “constituem um arranjo curricular que acolhe as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural. (BRASIL, 2017 p.38). Nesse contexto, é primordial que exista um diálogo entre as experiências pessoais trazidas pelas crianças e os direitos de aprendizagem e desenvolvimento propostos pela BNCC, tendo como ponto de partida os conhecimentos prévios das crianças para a arrumação das experiências. Segundo Pinazza: A experiência não é simples sensação, fruto do contato com os objetos, com seus atributos isoladamente, uma vez que não recebemos passivamente as impressões dos objetos. Pelo contrário, as experiências efetivam-se pelas relações que as pessoas estabelecem com os objetos e seus atributos em um processo de discriminação e identificações por meio da experimentação. (Pinazza, 2007.p.72) Assim, as experiências precisam ser compreendidas como uma experimentação oferecida no ambiente escolar e que valorize o protagonismo infantil. Constitui-se como um desafio para o professor da Educação Infantil compreender esta nova organização curricular por Campos de experiência, pois concebe uma nova forma de aprendizagem, que valoriza as experiências vividas pelas crianças. O Campo de Experiência “O eu, o outro e o nós” propõe vivências com outros grupos culturais e sociais de forma a ampliar os conhecimentos das crianças sobre si mesma e sobre o mundo, valorizando sua identidade e respeitando os outros. Assim, as crianças constroem sua autonomia e senso de autocuidado, de reciprocidade e de interdependência com o meio por intermédio das interações e das brincadeiras. O Campo de Experiência “Corpo, gestos e movimentos” oportuniza a organização de vivências que possibilitam às crianças a exploração de músicas, danças, teatro e brincadeiras de faz de conta por meio do corpo, de gestos e de movimentos. A ludicidade precisa permear as vivências que serão proporcionadas, assim como a expressão livre das crianças imbuídas de suas emoções e linguagem. O Campo de Experiência “Traços, sons, cores e formas” aponta as experiências das crianças com as diversas manifestações culturais, artísticas e científicas, inserindo o contato com as diferentes linguagens com o olhar no crítico e no estético. No cotidiano das instituições, as crianças precisam ser oportunizadas, a ampliar seu repertório musical, de diferentes objetos sonoros ou instrumentos musicais, o respeito as suas preferências, festas populares, entre outros. Como também instigar a sensibilidade no campo visual, que envolvam apreciação de obras de arte, pinturas, colagem, escultura, fotografia e gravuras, valorizando as experiências estéticas das crianças. No Campo de Experiência “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações”, salienta-se a importância da valorização da curiosidade das crianças a respeito do seu corpo, do espaço, do tempo, das relações familiares dos fenômenos naturais e socioculturais. Além de aspectos a respeito dos conhecimentos matemáticos (contagem, ordenação, classificação, relações entre quantidades, medidas, formas geométricas, noções sobre gráficos, entre outros). É importante que sejam vivenciadas experiências nas quais as crianças possam manipular objetos, fazer observações, investigar, explorar o espaço ao seu redor, levantar hipóteses e consultar diferentes fontes de informação para encontrar respostas as suas curiosidades e questionamentos. O Campo de Experiência “Escuta, fala, pensamento e imaginação” concebe que desde o nascimento as crianças estão em constante interação com o meio que as cerca, sendo seres ativos que a cada dia manifesta curiosidades sobre o mundo. Nestecampo de experiência, valoriza-se a comunicação entre as crianças e com os adultos, ou seja, as interações que ocorrem nos diferentes espaços educativos devem ser potencializadas. É importante promover experiências com a cultura oral, numa perspectiva de ampliação o repertório linguístico das crianças, assim como a escuta de histórias desde a creche, através da realização de rodas de conversas, reconto de histórias, entre outros. Com relação |à linguagem escrita, é relevante a vivência de experiências de leituras de diferentes gêneros, convívio com diferentes textos, aproximando as crianças com a cultura escrita. Assim, as crianças, ao escrever, refletirão espontaneamente, conhecendo letras, construindo hipóteses sobre a escrita e percebendo que esta é uma representação da língua. É imprescindível que as experiências garantam que os direitos de aprendizagem e desenvolvimento sejam efetivados. 3.1.6. Aproximação da Cultura Escrita Concebemos que, na atualidade, as crianças já nascem no universo letrado, no entanto, o acesso delas ao mundo da leitura e da escrita acontece de maneira desigual, de acordo com Teberosky e Colomer (2003,p.17) “em determinadas famílias, as crianças interagem com materiais e com tarefas de leitura e escrita desde muito cedo. E essas interações provavelmente estão relacionadas e influenciam nas aprendizagens posteriores”. Assim, a forma como as crianças são estimuladas irá repercutir em aprendizagens posteriores. Diante das desigualdades sociais encontradas no Brasil, questiona-se se as crianças da escola pública têm as mesmas oportunidades de acesso aos bens culturais da leitura e da escrita que as crianças da escola privada. A polêmica em torno dessa dicotomia se torna ainda maior quando se trata da discussão sobre ensinar ou não a língua escrita na Educação Infantil, nas instituições públicas de ensino. A esse respeito, reportamo-nos a Kramer (2008, p.66), “Por que se começou a questionar o trabalho com a leitura e a escrita exatamente no momento em que a população, antes excluída da Educação Infantil, começou a frequentá-la?”. Esta é uma questão que merece ser pensada, pois as crianças têm os mesmos direitos, independente da classe social na qual estão inseridas. Nessa perspectiva, afirma Morais (2013, p.116): [...]para enfrentar o “apartheid educacional” do nosso país, a escola pública precisa iniciar, no final da Educação Infantil, um ensino que permita às crianças não só conviver e desfrutar, diariamente, de práticas de leitura e produção de textos escritos, mas também refletir sobre as palavras ,brincando, curiosamente, com sua dimensão sonora e gráfica. Assim, faz-se necessário um professor que seja um bom modelo de leitor, que leia para as crianças, que planeje situações de leitura e escrita com significado e, além disso, que propicie reflexões sobre essa escrita, considerando os aspectos sonoros da língua. É oportuno ressaltar que, entre os especialistas da Educação Infantil, não há um consenso com relação ao trabalho com a língua escrita nessa etapa da Educação Básica. De acordo com Brandão e Leal (2010), há três caminhos distintos, no que tange a aquisição do Sistema de Escrita Alfabético: o da “obrigação da alfabetização”, o do “letramento sem letra” e o do “ler e escrever com significado na Educação Infantil”. Oportunamente, explica-se: no primeiro caminho, o da “obrigação da alfabetização”, o ensino se limita à cópia de vogais e famílias silábicas, com ênfase em habilidades perceptuais e de coordenação motora. Nessa visão, a escrita é vista como um código e o ensino é pautado apenas nos aspectos da repetição. O segundo caminho, denominado pelas autoras de “letramento sem letra”, parte da premissa que na Educação Infantil não se deve ensinar a linguagem escrita, pois este seria um conteúdo escolar que caberia ao Ensino Fundamental e, assim, na Educação Infantil não haveria espaço para o ensino de letras. Nesta concepção há uma visão preconceituosa na qual o ensino da língua escrita é concebido como algo negativo. Vale aqui ressaltar que esses dois caminhos ora apresentados são extremistas: nos quais se propõe um trabalho com a escrita de forma mecânica e repetitiva ou se nega a presença dela. Brandão e Leal (2005) apresentam como alternativa um terceiro caminho, o “ler e escrever com significado na Educação Infantil”, inspirado na concepção de Ferreiro e Teberosky. Nessa visão, as crianças pensam sobre a escrita antes de serem alfabetizadas, formulando hipóteses. Diante dessas considerações, esta Rede de Ensino adotará o trabalho com a escrita pautada nessa última alternativa, pois [...]aponta-se a possibilidade de ensinar a escrita na Educação Infantil de forma sistemática, incluindo aspectos relativos à apropriação do sistema alfabético de escrita, sem desconsiderar os objetivos e as atividades do letramento, bem como outras necessidades relativas ao desenvolvimento e vivências da infância. [...] (p.21). Nessa perspectiva, a Rede Municipal do Jaboatão dos Guararapes no Campo de Experiência “Escuta, fala, pensamento e imaginação”, deverá ampliar os Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento propostos na BNCC no que concerne à aproximação da cultura escrita, tendo em vista que os objetivos de letramento apresentados no referido documento nacional foram inseridos nesta proposta curricular, entretanto, apresentam lacunas quanto aos objetivos relacionados aos aspectos da língua escrita. Acredita-se que estas lacunas do documento norteador se deram pela falta de consenso com relação ao acesso e desenvolvimento do Sistema de Escrita Alfabético na Educação Infantil. Isso aponta para a permanência nos espaços educativos de práticas nos quais são priorizadas atividades de consistem em cópias de letras e exercícios repetitivos ou a ausência do trabalho com a língua escrita, tendo em vista que os professores permanecem sem ter uma clareza do que se deve ensinar com relação à escrita nesta etapa da Educação Básica. A este respeito, concordamos com Brandão e Leal (2010) e Morais (2013), que defendem que as crianças da Educação Infantil podem aprender alguns princípios do sistema alfabético, dentro de uma perspectiva lúdica, respeitando a infância e suas peculiaridades. Assim, no Referencial Curricular Municipal do Jaboatão dos Guararapes há o posicionamento que haja investimentos em atividades que contribuam para o processo de apropriação do Sistema de Escrita Alfabética, envolvendo a dimensão lúdica. Nas interações e nas brincadeiras, voltadas à aprendizagem das crianças, a apropriação da cultura escrita deverá permear as práticas dos professores, de maneira lúdica. Sendo assim, as crianças poderão, por exemplo, comparar palavras quanto ao tamanho, descobrir palavras que rimam nas parlendas, brincar com palavras que tenham o mesmo som inicial, entre outras vivências que sejam significativas envolvendo o letramento e a reflexão sobre a escrita. 3.1.7. Ambiente de Aprendizagem Segundo Rinaldi (2006), há uma clara relação entre a qualidade do espaço e a qualidade do aprendizado, definida pela autora como “terceiro educador”. Assim, a criança possui o direito a um ambiente de qualidade, e de inclusive contribuir com a construção desse ambiente. Considerando que a criança é um ser ativo, e que, desde o nascimento, possui o material biológico que lhe permite dar significado ao mundo, por meio da interação com o outro, pensar no ambiente que favoreça seu desenvolvimento é tão essencial quanto o próprio brincar. Nessa perspectiva, interagir é um princípio básico da escola infantil, pois é na interação com o outro e com o meio que a criança poderá se desenvolver e aprender. A ideia de desenvolvimento humano por meio da interação vem sendo discutida por diferentes teóricos e áreas do conhecimento. Corroborando com ateoria sociointeracionista, proposta por Vygotsky, adotada por este Referencial Curricular, a qual favorece as discussões acerca da importância das interações sociais e do meio. Considerando ainda que, interação e brincadeira são eixos norteadores do currículo, cabe à escola infantil considerar o significado da interação e do brincar para o desenvolvimento da criança. De acordo com Horn (2004), dialogando com Wallon, o conceito de meio é fundamental, pois, ele influencia no desenvolvimento infantil. A criança pequena irá reagir ao ambiente no qual está inserida a partir das relações que vão sendo estabelecidas com ela, reagindo aos estímulos. Entretanto, ela precisa de uma resposta a qual permitirá dar forma as suas atitudes, adquirindo significado. Nesse sentido, Horn (2004) coloca que [...]assim se estabelece uma reciprocidade que o acompanhará pelo resto da vida e nesse aspecto, a união do sujeito com ambiente desempenha um papel fundamental. Por isso um ambiente sem estímulos, no qual as crianças não possam interagir desde a tenra idade umas com as outras, com os adultos e com os objetos e materiais diversos, esse processo de desenvolvimento não ocorrerá em sua plenitude. (HORN,2004, p.17) Para a efetivação de um ambiente criador de referências e de vínculos saudáveis, estáveis e produtivos, faz-se necessária a construção e o fortalecimento dos vínculos entre o professor e a criança. Essas interações podem ser através das relações entre pares, da organização do espaço e do tempo, bem como, a partir de elementos diversos, como atividades permanentes e com a utilização de materiais, as quais favorecem uma aprendizagem significativa e desafiadora. Vale ressaltar que as referidas interações ocorrem desde que a criança entra na creche/escola, ao relacionar-se e interagir com seus pares, visto que é um momento no qual a criança se encontra em um espaço distinto do ambiente familiar. Essa mudança de cenário comum ao início da vida escolar pode causar estranhamento e favorecer a insegurança, choro, mordidas e resistências. Para tal, além da organização do ambiente, faz-se necessário acolher a criança, de maneira cuidadosa, atenciosa e respeitosa. Nesse sentido, as interações sociais apontadas por Vygotsky sinalizam para a construção de aprendizagens a partir dessa relação com o meio. Para ele, o indivíduo se desenvolve sempre em relação com o meio, e sua aprendizagem é mediada por sistemas simbólicos e pelo outro. As crianças interagem com o outro e com o meio de acordo com a fase do desenvolvimento em que se encontram, ou seja, respondem conforme as possibilidades daquele momento. Por isso, é importante desenvolver vínculos que fortaleçam a afetividade nas relações estabelecidas entre a família, comunidade escolar e equipe pedagógica, reunindo-os, sempre que possível, e especialmente no início do ano letivo, para que as relações e as transições entre o ambiente familiar e o escolar sejam menos danosos. Horn (2004) coloca que o professor pode ser o parceiro mais experiente e provocar avanços ao interferir na zona de desenvolvimento potencial das crianças. No âmbito da Educação Infantil, tal interferência pode ocorrer na organização de cenários desafiadores que possibilitem a troca de experiências entre as crianças. Oliveira, Z.R. (2013) compreende o professor como um “cenógrafo”, pois ele pode criar os cenários para as atividades das crianças, planejando situações e espaços nos quais elas interajam entre si e com o meio, de modo que essas situações permitam que “as crianças imitem- se, criem diálogos, disputem objetos, briguem e se consolem são preciosos momentos de desenvolvimento. ” (OLIVEIRA, Z.R., 2013, p.89). Desse modo, é de fundamental importância a organização do ambiente acolhedor dos espaços de referência das crianças, e que os materiais estejam afixados nas paredes respeitando a altura da criança. Sempre que o docente for planejar as suas aulas, é necessário pensar o que será proposto para as crianças, antes de selecionar quais as atividades permanentes serão vivenciadas, com o objetivo de serem realizadas de forma interligada, sem fragmentá-las. É fundamental considerar as necessidades de quem vivencia essa rotina em sala de aula, pois serão eles que definirão como será exposta essa sequência. No entanto, organizar a rotina com as crianças proporciona noção e compreensão de tempo, além de desenvolver o papel ativo na construção deste contexto. Assim, os ambientes devem possibilitar expressões e linguagens das crianças, convívio e diversidade, valores, construção da identidade, cooperação e autonomia. A rotina necessita de uma consciência crítica do professor em compreender que esta é responsável pela organização e cumprimento das metas do dia a dia escolar, visando ao desenvolvimento integral da criança. 3.1.8. Estrutura Curricular De acordo com a orientação oriunda da BNCC (2017), o organizador curricular é constituído por três quadros: correspondendo aos subgrupos etários: bebês de 0 -1 ano e 6 meses, crianças bem pequenas de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses, crianças pequenas de 4 anos a 6 anos e 2 meses. Considerando a Instrução Normativa da Secretaria Municipal de Educação do Jaboatão dos Guararapes Nº01/2018, a Educação Infantil deverá ser organizada de acordo com o que preceituam as Diretrizes Curriculares Nacionais, considerando-se os seguintes critérios para a formação das turmas, das seguintes modalidades de ensino: DIVISÃO POR FAIXA ETÁRIA Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos e 5 anos e 11 meses) INFANTIL 1 INFANTIL 2 E INFANTIL 3 INFANTIL 4 E INFANTIL 5 Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento foram identificados por um Código Alfanumérico, como explicado abaixo: EI 03 EF 02 3.1.9. Direito à Infância: as Continuidades na Educação Infantil A Educação Básica no Brasil desde 2006 passou a ter nove anos de duração, direcionando as crianças com seis anos de idade para os anos iniciais. Desde então, vem-se demandando discussões acerca dos diferentes momentos de transição vividos pela criança, momentos esses apontados pela DCNEI como: transição casa/instituição de Educação Infantil, transição no interior da instituição de Educação Infantil, transição creche/pré-escola e transição Pré-Escola/Ensino Fundamental. (BRASIL, 2009). O primeiro par de letras indica a etapa de Educação Infantil. O primeiro par de números indica o grupo por faixa etária: 01 = Bebês (zero a 1 Ano e 6 meses) 02 = Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) 03 = Crianças pequenas (4 anos e 5 anos e 11 meses) O segundo par de letras indica o campo de experiências: EO = O eu, o outro e o nós; CG = Corpo, gestos e movimentos; TS = Traços, sons, cores e formas; EF = Escuta, fala, pensamento e imaginação; ET = Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. O último par de números indica a posição da habilidade na numeração sequencial do objetivo de aprendizagem de cada Campo de experiência. Na transição casa/instituição de Educação Infantil, o envolvimento com as famílias propicia a instituição apropriar-se das rotinas, hábitos, especificidades da criança, cuidados com a saúde e alimentação, elementos que são relevantes para promover o equilíbrio desse momento, sendo essencial essa parceria. A criação de uma rotina para a família participar desses momentos de transição minimiza insegurança e angústia da separação, tornando esses momentos mais confortáveis. Na transição que ocorre no interior da instituição de Educação Infantil,faz-se necessária a observação atenta e registros de diferentes momentos vivenciados durante o período de permanência das crianças, para planejar ações e dar continuidade ao seu processo de aprendizagem, no qual a equipe docente deve observar os documentos e relatórios descritivos das crianças. Na transição creche/pré-escola devem ser propostas ações que deem prazer e segurança à criança, respeitando as especificidades de cada uma em relação a choro, objetos de apego, os espaços preferidos, alimentação, controle dos esfíncteres, hora do banho, entre outros, favorecendo, assim, a adaptação mais tranquila das crianças bem pequenas. Na busca pela garantia da infância, em sua integralidade, este município propõe um diálogo entre os segmentos da Educação Infantil e o Ensino Fundamental que possa promover um olhar contínuo sobre os processos vivenciados pela criança no cotidiano das instituições de ensino. Conforme reflexões de diferentes autores, percebe-se que a discussão está pautada em “uma visão não dicotômica”, referente às etapas da Educação Básica, corroborando assim, com Kramer (2006), que afirma a Educação Infantil e Ensino Fundamental são indissociáveis. Assim, na transição pré-escola/Ensino Fundamental, destacam-se os princípios da continuidade e da ampliação, respeitando as necessidades e interesses das crianças e as especificidades próprias dessas duas etapas. É necessário o estabelecimento de estratégias de acolhimento e adaptação, de modo que essa nova etapa observe o que a criança já sabe e é capaz de fazer, evitando descontinuidade e fragmentação do trabalho pedagógico. Segundo a BNCC, o Ensino Fundamental deve considerar e conhecer os direitos e os objetivos de aprendizagens e desenvolvimento para ampliação e aprofundamento. Promover articulação entre docentes da Educação Infantil e Ensino Fundamental, para análise dos instrumentos de registros (relatórios, portfólios, fotografias, frequência, entre outros). Ressaltamos ainda, a importância de preservar o direito de brincar, nessa nova etapa do ensino, como balizador do desenvolvimento social e cognitivo da criança. Borba (2006) afirma que, no caderno de orientações para o Ensino Fundamental de nove anos, “brincar é uma experiência de cultura importante não apenas nos primeiros anos da infância, mas durante todo o percurso de vida de qualquer ser humano (...), portanto, o Ensino Fundamental tem um grande desafio na promoção do brincar que, muitas vezes, fica para segundo plano. ”. Desse modo, o município corrobora com as orientações que as Diretrizes Curriculares da Educação Infantil instituem para a transição da Educação Infantil/Ensino Fundamental, no qual as instituições de ensino devem ter previstas em suas propostas pedagógicas formas de garantir a continuidade do processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, respeitando as especificidades etárias, sem antecipação de conteúdos que serão trabalhados no Ensino Fundamental. 3.2. ENSINO FUNDAMENTAL No Ensino Fundamental, o estudante passa a vivenciar uma nova estrutura em sua vida escolar a partir do trabalho desenvolvido com os componentes curriculares. Constituída de nove anos, esta etapa é dividida em duas fases: anos iniciais (1ºano ao 5ºano) e anos finais (6ºano ao 9ºano). Em seu texto original, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN Nº 9.394/1996 apontou o Ensino Fundamental como etapa obrigatória e gratuita, inicialmente com a duração mínima de oito anos. Com a discussão acerca de sua ampliação, em 2005, foi alterado o Art. 6º pela lei Nº 11.114/05, a qual torna obrigatória a matrícula das crianças a partir dos seis anos de idade e, em seguida, com a Lei 11.274/2006, em que a duração do Ensino Fundamental foi ampliada para nove anos. Para que essas novas mudanças introduzidas no Ensino Fundamental possibilitem a melhoria na escolarização dos estudantes, se faz necessário um olhar atento ao desenvolvimento humano, com o objetivo de favorecer a aprendizagem considerando as particularidades da idade e os direitos das crianças, jovens e adultos, assegurados pela Constituição Federal e pela LDBEN 9.394/96. Considera-se, ainda, as especificidades dos estudantes matriculados no Sistema de Ensino do Município, assegurados na LDBEN (1996) descrito no Capítulo V que amplia o lócus e o público alvo da Educação Especial, bem como, as demais modalidades educacionais. A legitimidade do direito à educação, primando à concepção da educação inclusiva, deve ser contemplada na formulação e reformulação das ações pedagógicas. Tais legislações buscam garantir a oferta de escolarização básica pública, gratuita e de qualidade para todos os brasileiros. A partir da Emenda Constitucional Nº59/2009, cabe à Federação a responsabilidade de ofertar escolarização aos estudantes entre quatro a dezessete anos de idade, garantindo, inclusive, o acesso àqueles que não cursaram a Educação Básica na idade indicada. Nesta perspectiva, o Ensino Fundamental se insere na Educação Básica não como a etapa final obrigatória, mas como uma longa etapa intermediária em que se trabalha com um público amplo, trazendo consigo características únicas desses estudantes, as quais perpassam da infância à adolescência nesse período. O Ensino Fundamental - anos iniciais - é organizado em cinco anos de escolarização, e em consonância à Resolução do CNE/CP Nº2 de 22 de dezembro de 2017, o período de alfabetização deve acontecer nos dois primeiros anos desta etapa, o que pressupõe um trabalho organizado e sistematizado para esse fim. Entretanto, esse tempo de dois anos deve considerar as peculiaridades do público alvo da Educação Especial, bem como o que diz a Resolução Nº 07/2010 do CNE/CEB do Ensino Fundamental, no Art. 30 sobre a não retenção do estudante no primeiro para o segundo ano e deste para o terceiro ano do Ensino Fundamental também chamado de Ciclo Sequencial da Alfabetização. No que concerne aos anos finais do Ensino Fundamental, este se organiza em continuidade aos anos iniciais. Nesta fase de escolarização, os estudantes enfrentarão desafios de maior complexidade, os quais envolvem conhecimentos sistematizados, próprios de cada componente curricular. Nos anos finais é imprescindível o fortalecimento da autonomia dos estudantes por meio do acesso e interação crítica com os diferentes conhecimentos e informações. No Ensino Fundamental - anos iniciais e finais, conforme a LDBEN n.º 9.394/96, os estudantes deverão desenvolver a capacidade de aprender por meio do pleno domínio da leitura, da escrita, do cálculo, da compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, das tecnologias, das artes, dos valores em que se fundamenta a sociedade e resolver problemas, tornando-se, assim, autônomos e protagonistas de sua aprendizagem. Vale destacar que um dos aspectos importantes que necessitam de especial atenção na etapa do Ensino Fundamental é a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental e dos anos iniciais para os anos finais. O processo de transição deverá ser desenvolvido de maneira que possa favorecer um acolhimento afetivo que garanta segurança e pertencimento a nova organização escolar (diversidade de horários e tempo escolar, encaminhamentos metodológicos, número de professores, entre outras), tarefa a ser desenvolvida por toda a equipe. Outro aspecto importante a ser considerado na transição é a continuidade do trabalho pedagógico, pois os estudantes precisam compreender que os conhecimentos adquiridos em etapas anteriores são a base para os novos conhecimentos. Esse processo de continuidade favorece o interesse do estudante e sinaliza um ponto de partida para o trabalho do professor. Considerando tais aspectos do processo de ensino-aprendizagem no Ensino Fundamental, a BNCC, apresenta os direitos de aprendizagemcomuns a todos os estudantes, como forma de buscar garantir a equidade no processo de escolarização e permitir melhores condições para o desenvolvimento de capacidades estéticas, sensíveis, criativas, artísticas, culturais e outras, para o ser humano compreender e agir no mundo. O conjunto progressivo de aprendizagens definidas neste Referencial Curricular, procura ir além da transmissão de conhecimentos. Propõe que a questão fundamental seja a relação dos conhecimentos escolares com a prática social dos sujeitos. Em cada componente curricular, este documento traz uma parte introdutória na qual são apresentados aspectos que norteiam sua constituição como conhecimento científico organizado didaticamente. Ressalta-se que os direitos, os princípios e as orientações afirmadas na introdução geral do Currículo do Município de Jaboatão dos Guararapes perpassam todas as produções. Quanto ao quadro Organizador Curricular, procurou-se ampliar o proposto na BNCC, atendendo às especificidades de cada componente curricular. Dessa forma, apresenta-se a organização progressiva dos conhecimentos por componente e habilidade específica por ano do Ensino Fundamental a fim de auxiliar professores e equipes pedagógicas em suas práticas educativas. O Ensino Fundamental está estruturado em cinco áreas do conhecimento. Segundo o Parecer CNE/CEB Nº11/2010 e da Resolução Nº 07/2010 CNE/CEB, essas áreas “favorecem a comunicação entre os conhecimentos curriculares” (BRASIL, 2010) e se convergem na formação dos estudantes, sem perder as particularidades e os saberes próprios construídos e sistematizados em todos os componentes. Cabe destacar que cada área de conhecimento expressa, no texto de apresentação, seu papel na formação integral dos estudantes do Ensino Fundamental, ressaltando as especificidades tanto dos anos iniciais quanto dos anos finais, levando em conta as características dos estudantes quanto às necessidades pedagógicas desses níveis de escolarização. Nesse contexto, cada área de conhecimento indica competências específicas que necessitam ser garantidas ao longo dos nove anos. Vale salientar que as áreas que agregam mais de um componente curricular (Linguagens e Ciências Humanas) terão competências específicas do componente curricular (Língua Portuguesa, Arte, Educação Física, Língua Inglesa, Geografia e História) a serem desenvolvidas pelos estudantes do 1º ao 9ºano. É importante ressaltar, ainda, que as competências específicas favorecerão a articulação horizontal entre as áreas - percorrendo todos os componentes curriculares – e a articulação vertical, ou seja, a progressão entre anos iniciais e anos finais bem como, a continuidade das experiências dos estudantes - levando em conta suas especificidades. Nessa perspectiva, o desenvolvimento das competências específicas, de cada componente curricular está atrelado a um conjunto de habilidades. Essas, por sua vez, estão relacionadas a diferentes objetos de conhecimento compreendidos como conteúdo, conceitos e processos e organizados em unidades temáticas. As unidades temáticas determinam objetos de conhecimento para todo o Ensino Fundamental, ajustando as especificidades dos diferentes componentes curriculares. Os objetos de conhecimentos estão atrelados às habilidades que, por sua vez, expressam aprendizagens que precisam ser garantidas aos estudantes nos variados contextos escolares. É importante explicar que as habilidades não determinam ações ou condutas esperadas do professor, nem influenciam a opção por abordagens ou metodologias. Essas escolhas devem ser pensadas no âmbito do currículo e dos projetos pedagógicos, surgidos no chão da escola, considerando a realidade de cada instituição escolar, o contexto e as características dos seus estudantes. Nos quadros que apresentam as unidades temáticas, os objetos de conhecimento e as habilidades estabelecidas para cada ano, cada habilidade é identificada por um código alfanumérico conforme descrição abaixo: 3.2.1. Quadro Alfanumérico da BNCC: EF12 LP 01 O primeiro par de letras indica a etapa do Ensino Fundamental. O último par de números indica a posição da habilidade na numeração sequencial do ano ou do bloco de anos O primeiro par de números indica o ano (01 a 09) a que se refere à habilidade ou no caso de Língua Portuguesa, Arte e Educação Física, o bloco de anos. Como segue: 15= 1º ao 5º ano 69= 6º ao 9º ano 12= 1º e 2º anos 35= 3º ao 5º ano 67= 6º e 7º ano 89= 8º e 9º ano O segundo par de letras indica o componente curricular: AR= Arte CI= Ciências EF= Educação Física ER= Ensino Religioso GE= Geografia HI= História LI= Língua Inglesa LP= Língua Portuguesa MA= Matemática 3.2.2. Quadro Alfanumérico do Ensino Fundamental no Município de Jaboatão dos Guararapes: EF 01 LP 01.1JAB O primeiro par de letras indica a etapa do Ensino Fundamental. O segundo par de números indica a posição da habilidade na numeração sequencial do ano ou do bloco de anos O primeiro par de números indica o ano (01 a 09) a que se refere à habilidade ou no caso de Língua Portuguesa, Arte e Educação Física, o bloco de anos. Como segue: Língua Portuguesa/Arte 15= 1º ao 5º ano 69= 6º ao 9º ano 12= 1º e 2º anos 35= 3º ao 5º ano 67= 6º e 7º ano 89= 8º e 9º ano O segundo par de letras indica o componente curricular: AR= Arte CI= Ciências EF= Educação Física ER= Ensino Religioso GE= Geografia HI= História LI= Língua Inglesa LP= Língua Portuguesa MA= Matemática Sigla que caracteriza a posição da habilidade específica do Município. 3.3. EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL As muitas propostas educacionais postas em prática, desde o século XX, trazem como conceito pleno da educação a formação e desenvolvimento integral do ser humano. Os princípios políticos e filosóficos do conceito de Educação Integral inscrevem- se no espírito humanista do século XIX, que concebem o ser humano como um “ser total”, preconizando uma educação que integre suas múltiplas dimensões – intelectual, afetiva, física e moral. É sob esse novo olhar que surge a Pedagogia da Escola Nova, compreendendo o indivíduo com um ser único, que vive e interage em um mundo dinâmico. No Brasil, essa tendência é implementada a partir da década de 20, através do Manifesto dos Pioneiros da Educação (1932), que acreditava fortemente no poder da educação para moldar, unificar e civilizar a sociedade brasileira tendo em vista o progresso e o desenvolvimento econômico. As experiências da Escola Nova, propostas por Anísio Teixeira (1969), foram pontuais no país, mas emergiram em todo o mundo para chamar a atenção da sociedade sobre o papel e as possibilidades da educação, sem reduzi-la a mera instrução escolar. Entretanto, com a Política do Estado Novo e o período ditatorial no Brasil, esses ideais ficaram adormecidos. A partir da Constituição Federal (1988), em que se estabelece a redemocratização do país, é fortalecida a percepção da educação como um direito social fundamental, imprescindível para a conquista das mudanças sociais e políticas rumo à construção de um país democrático e justo. Estabeleceu-se, ainda, uma ampla rede de proteção à criança e ao adolescente, regulamentada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente-ECA (1990). A educação integral ganha outra dimensão e caráter, refletidos na LDBEN (1996) e no Plano Nacional de Educação (2001-2010), que fazem o indicativo do aumento progressivo da jornada escolar para 07 (sete) horas diárias como horizonte da política pública educacional, um avanço significativo para diminuir as desigualdades sociais e ampliar democraticamente as oportunidades de aprendizagem.Além dos marcos legais, destacam-se avanços educacionais como a quase universalização do acesso ao Ensino Fundamental para praticamente toda a população de 7 a 14 anos e obrigatoriedade da educação para a faixa etária de 4 a 17 anos. Segundo a Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD), realizada, em 2009, apenas 63,4% dos jovens concluem o ensino fundamental, o que significa que a dita universalização tem se revelado apenas no acesso e não na permanência nem num aprendizado de qualidade. Essas conquistas foram significativas e se revelaram como condições favoráveis ao movimento pela educação integral no Brasil. Porém, à medida que a educação se tornou uma política de Estado, o desenvolvimento dessa forma integral restringiu-se à universalização e à preparação para o mundo do trabalho. Com isso, esvaziou-se a noção de formação integral, tomada, então, como um privilégio destinado a poucos. Em 2004, o Brasil passa a viver um contexto político e social favorável ao debate da Educação Integral com demonstrações explícitas a favor da agenda e da implementação de políticas de educação integral em tempo integral ou educação integral em jornada ampliada: Conferência Nacional de Educação, Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, a União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, as universidades públicas, além da Emenda Constitucional 134/07, que trazia como proposição a universalização da jornada diária de 7 (sete) horas na escola fundamental, em um período de dez anos (Caderno: Bairro- Escola, 2007). Em 2007, o Ministério da Educação - MEC no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) cria o Programa Mais Educação – PME (atualmente, Novo Mais Educação - PNME) realizado por meio de parcerias entre a esfera federal, governos estaduais e municipais para propiciar o aumento da jornada escolar para 07 horas diárias a um número cada vez maior de estudantes. A legislação, mais recente do Programa (2010), destaca como princípios da educação integral: “a articulação dos componentes curriculares com diferentes campos de conhecimento e práticas socioculturais; “a constituição de territórios educativos para o desenvolvimento da educação integral”; “a integração entre as políticas educacionais e sociais, em interlocução com as comunidades escolares”; “a afirmação da cultura dos direitos humanos” (Caderno Bairro-Escola, 2007). A experiência da Educação Integral própria no município do Jaboatão dos Guararapes foi influenciada pelo Programa Mais Educação (Novo Mais Educação), que em 2013 alcançava quase a totalidade de escolas do Ensino Fundamental. Na época, era difundido que os recursos financeiros e as orientações do Programa potencializavam estrutural e pedagogicamente as escolas, promovendo novos olhares sobre o processo educativo. Frente a esse cenário, colocou-se em pauta na Secretaria Municipal de Educação a criação de um programa de escolas de tempo integral próprio do município. Uma equipe da Secretaria de Educação construiu a primeira minuta do Programa de Escolas de Tempo Integral do Jaboatão dos Guararapes e, depois de vários encontros - contando com a participação de vários atores políticos - chegou-se à versão final do programa, com o perfil de educação integral para além do tempo integral, tendo como direcionamento a ampliação e a diversificação curricular como estratégia de melhor qualificação da aprendizagem. O Programa foi oficializado pela Lei Municipal n°849/2013, o que demonstrou a preocupação em garantir a institucionalidade enquanto política de Estado. A pesquisa documental preliminar sobre os textos da educação em tempo integral do Jaboatão dos Guararapes, no período de 2013 até o momento atual, nos leva a perceber, de maneira evidente, o seu caráter híbrido , contendo influência de diferentes debates e de diferentes agentes que atuam no campo educacional. Nessa perspectiva, o Programa Escolas de Tempo Integral apresenta-se como produto de embates, articulações e conflitos entre sujeitos da política e como o resultado da absorção de influências de políticas contemporâneas nos âmbitos nacional (o Programa Novo Mais Educação) e estadual (o Programa de Educação Integral), como de concepções e experiências históricas de formação integral humana segundo a vertente liberal, que no Brasil teve como expoente o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932) - um marco no país para o debate da educação como direito e as práticas de educação integral propostas por Anísio Teixeira (1969). De acordo com a experiência de educação adquirida, o município de Jaboatão dos Guararapes, no ano de 2013, organizou-se e implantou, de forma gradativa, as Escolas de Tempo Integral - ETI. No ano de 2016, após um período de descontinuidade na liberação de recursos financeiros da União para o Programa Mais Educação, já existiam 10 (dez) Escolas de Tempo Integral implantadas no município, com sua proposta de trabalho diferenciada. Foi instituída nessas escolas uma nova Matriz de Referência Curricular (SME/2016), que contempla, em sua carga horária, os saberes da base legal (áreas de conhecimento dos componentes curriculares), como também outros saberes instituídos na parte diversificada dessa Matriz (distribuídos por eixos temáticos vivenciados nas atividades complementares). Essa construção busca uma educação integral baseada nos 04 (quatro) pilares propostos no Relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, 2010), na qual garante ao estudante o direito de desenvolver suas competências e habilidades para conhecer, conviver, ser e produzir no mundo atual. Tendo o estudante como a razão do processo educativo e acreditando que é preciso cuidar de sua formação, auxiliá-lo no seu desenvolvimento integral, as ETIs buscam garantir não apenas a permanência do estudante na instituição de ensino, durante todo o dia, mas, também, a realização de atividades que possam reforçar e complementar o processo de ensino-aprendizagem. No intuito de pensar as práticas educativas de forma planejada e coletiva, a Instrução Normativa Nº01/2019, gestores, supervisores escolares e professores realizam no espaço escolar a formação em serviço, havendo, assim, uma readequação da jornada escolar ampliada e a vivência cotidiana das atividades complementares dos Eixos Temáticos da Matriz de Referência Curricular. A partir da Instrução Normativa Nº02/2019, foi criado o Eixo Temático Pesquisa Orientada, concebida como aula presencial e demais atividades desenvolvidas extraclasse, concomitante à formação em serviço dos profissionais, favorecendo o estímulo ao aprendizado através do hábito à pesquisa, com participação ativa dos estudantes nos projetos integrados da escola: [...]a opção por um projeto educativo integrado, em sintonia com a vida, as necessidades, possibilidades e interesses dos estudantes. Um projeto em que crianças, adolescentes e jovens são vistos como cidadãos de direitos em todas as suas dimensões. Não se trata apenas de seu desenvolvimento intelectual, mas também do físico, do cuidado com sua saúde, além do oferecimento de oportunidades para que desfrute e produza arte, conheça e valorize sua história e seu patrimônio cultural, tenha uma atitude responsável diante da natureza, aprenda a respeitar os direitos humanos e os das crianças e adolescentes, seja um cidadão criativo, empreendedor e participante, consciente de suas responsabilidades e direitos, capaz de ajudar o país e a humanidade a se tornarem cada vez mais justos e solidários, a respeitar as diferenças e a promover a convivência pacífica e fraterna entre todos.(MEC,2015). Trata-se, pois, de uma concepção de Educação Integral que compreendeo espaço social no qual se insere a escola como constitutivo do processo educativo, articulando os diferentes atores institucionais da escola, da comunidade e do governo, garantindo, assim, o cumprimento do dever do Estado, da responsabilidade dos educadores e da família e fortalecendo as políticas públicas educacionais. Esse entendimento de educação integral reconhece, além de compreender o ser humano como um todo, a diversidade de espaços e agentes educativos que devem fazer parte desse processo. A educação não ocorre apenas dentro da escola, de forma sistemática, mas o aprendizado está em todos os espaços, ampliando, dessa forma, a capacidade de intervir de forma crítica e autônoma. Essa nova visão de educação, como recomendam alguns documentos de referências: Trajetórias Criativas: Propostas – Identidade (Ministério da Educação, 2014);Bairro-Escola (educação comunitária) - Associação Cidade Escola Aprendiz; MEC - UNICEF e Trilhas Educativas: diálogo entre o território e escola-Associação Cidade Escola Aprendiz, 2011, pressupõe o envolvimento de todos, profissionais da Educação, das escolas e do seu entorno, buscando parcerias e potenciais da comunidade, do bairro, da cidade, oportunidades educativas em que todos se sintam responsáveis, criando, assim, as cidades educadoras. Segundo Isa Guará (Cadernos CENPEC, 2006) a ideia de formação integral do ser humano está fundamentada, principalmente, em princípios éticos e humanistas, desenvolvidos nos projetos de educação para a paz, dos direitos humanos e da educação para valores. Nessa perspectiva, a educação integral propõe articular os saberes a partir de projetos integradores, ampliando o processo para a rede de espaços de aprendizagens. O foco está em organizar as vivências e a ação pedagógica em projetos, integrando conhecimento acadêmico com saberes da vida social, aproximando o currículo ao contexto da vida. A participação na vida pública, hoje, mais que nunca, envolve o cuidado com o meio ambiente, o cuidado com a vida em todas as suas formas e a responsabilidade de cada um na construção de um mundo melhor. Considerar as vivências com a natureza em salas de aula ou espaços ao ar livre no processo de desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças e jovens, faz-se presente no cotidiano da educação integral. Adotar práticas socioambientais e princípios educativos do fazer coletivo (Mutirão Agroecológico) nas escolas de tempo integral do município tem sido uma prática sistemática desde março de 2017. A concepção pedagógica das práticas teve como inspiração o PEADs - Programa Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável (1989), SERTA–Serviço de Tecnologia Alternativa, com o propósito de desenvolver, juntamente com os estudantes, professores e comunidades, atividades que priorizem práticas democráticas, troca de saberes, formação de rede agroecológica e ação de planejamento participativo para transformação de realidades, em consonância com a Matriz de Referência Curricular, o Currículo Escolar e Projeto Político Pedagógico (PPP) das ETIs. Assim, pensar qualquer concepção pedagógica supõe dirigir o olhar para questões mais amplas que apontam demandas e oportunidades presentes, inovações que se instalam como exigências, interesses e expectativas peculiares às atuais gerações. Essas questões impõem que se construa uma nova compreensão sobre os papéis do professor, estudante e do conhecimento, tripé sobre o qual se constitui a relação ensino-aprendizagem, base de toda a atividade educativa. 3.4. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 3.4.1. Marco Histórico e Concepção da Educação de Jovens e Adultos A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é vista como uma forma de alfabetizar quem não teve oportunidade de estudar na infância ou aqueles que, por algum motivo, tiveram de deixar a escola em tempo regular. Para se ter uma noção de como a EJA aconteceu no Brasil, se faz necessário um retrospecto da história das últimas décadas da ação do Estado no campo da EJA: “Fundação Mobral (1967–1985), da Fundação Nacional para Educação de Jovens e Adultos – Fundação Educar (1986–1990) e do Programa Brasil Alfabetizado” (SUZUKI, 2009, p.16). A Alfabetização de Jovens e Adultos passa a fazer parte do sistema público educacional elementar do país somente a partir da década de 1930, período que teve como fatores marcantes do processo de industrialização e a concentração populacional em centros urbanos. Nascia, então, a preocupação do Governo Federal em oferecer ensino básico gratuito a diversos setores sociais em todo país, inclusive aos adultos. Em 1945, o país começa a viver um momento de redemocratização com o fim da ditadura de Vargas, o mundo vivia uma nova realidade com o fim da Segunda Guerra Mundial e a criação da Organização das Nações Unidas (ONU). Tudo isso contribuiu para que a educação de adultos ganhasse destaque dentro da educação elementar comum. Havia a necessidade do governo de integrar as massas populacionais de imigrações recentes e incrementar a produção. Em 1947 foi instituída a Campanha da Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), idealizada pelo educador Lourenço Filho e dirigida para pessoas maiores de 15 anos, com o currículo focado no aprendizado da leitura e da escrita. A CEAA se configurou como um movimento de massa para educação de adolescentes e adultos que pretendia, numa primeira etapa, a alfabetização em três meses e a condensação do curso primário em dois períodos de sete meses. Na sequência viria a segunda etapa, visando a capacitação profissional e o desenvolvimento comunitário. Apesar do sucesso inicial, na década de 1950, a campanha começou a fracassar, sendo extinta sob a acusação de conceber o analfabetismo como causa e não como efeito da situação econômica, social e cultural do País. Partindo-se dessa visão, o adulto analfabeto era concebido como uma pessoa incapaz e marginal. No final da década, surgem críticas à CEAA não somente em relação às deficiências administrativas e financeiras, como também a sua orientação pedagógica, ou seja, o caráter superficial do aprendizado face ao curto período de duração, utilização de método inadequado à população adulta e a falta de programa de educação (metodologia) de acordo com a regionalidade, pois, o programa era único para todo o País. Surge assim um novo paradigma pedagógico para a educação de adultos tendo como principal expoente o Professor Paulo Freire. O educador pernambucano desenvolveu uma proposta de alfabetização de adultos inspirada na Educação Popular, que passou a ser empreendida por grupos e organizações não governamentais destacando, entre esses, o Movimento de Educação de Base (MEB), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Centro de Cultura Popular (CPC), organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), que contava com o apoio de artistas e intelectuais. O Governo Federal, em 1964, aprovou o Plano Nacional de Alfabetização, que foi banido pelo golpe militar, no mesmo ano. Após o golpe militar, o único programa que sobreviveu foi o Movimento de Educação de Base (MEB), com uma rede de Escolas Radiofônicas, vinculadas à Igreja Católica. Para tanto, teve os seus métodos de ensino reestruturados. Com a ditadura militar, o Governo Federal institui o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), em 1967. Passando a atuar a partir da década de 1970, o MOBRAL apresentava três características básicas: independência institucional e financeira face ao sistema regular de ensino e demais programas de adulto; articulação operacional descentralizada apoiada em comissões municipais e a centralização das orientações do processo educativo. Com a aprovação da Lei Federal Nº 5.692/72, Lei de Reforma do Ensino de 1º e 2º Graus, incorpora-se ao Sistema Nacional de Educacional o Ensino Supletivo comoalternativa para pessoas adultas, mediados pelo ensino à distância, através de provas de conhecimento, adquirirem a certificação nos níveis primário e secundário. Em 1985, no interior do processo de redemocratização, o MOBRAL deu lugar à Fundação Educar. A Fundação Educar, vinculada ao MEC, atuava com o apoio financeiro às prefeituras municipais e às organizações da sociedade civil na execução de programas destinados àqueles que não tiveram acesso à escola na idade própria ou que dela foram excluídos. Com a promulgação da Constituição Federal em 1988, que confere à Educação de Jovens e Adultos “status” de modalidade ensino, regulamentada em 1996 com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN - Lei Federal 9.394/96. A LDBEN incorpora os postulados da Conferência da Educação Mundial para todos, que aconteceu na Tailândia em 1990. Sendo que, naquele mesmo ano, o Governo Federal extinguiu a Fundação Educar e criou o Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania (PNAC). O programa foi inspirado nos ideais da referida Conferência. Em 1991, o MEC transfere as obrigações com a educação supletiva que eram do Governo Federal para os Governos dos Estados e dos Municípios. A Lei Nº 9.394/96 - LDBEN reservou o Art. 37, para regulamentar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) como Modalidade de Ensino e, em seguida, no Art. 38 trata dos cursos e exames supletivos. Ancorada na nova LDBEN, são aprovadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos (Resolução CNE/CEB Nº1, de 5 de julho de 2000), dando ênfase às parcerias com sociedade civil mediante convênios e estímulo ao voluntariado. Em 2007, dois importantes marcos contribuíram para o desenvolvimento da modalidade: a reorganização do Programa Brasil Alfabetizado, através do Decreto Nº 6.093 de 24 de abril de 2007, cujo objetivo era a universalização da alfabetização de Jovens e Adultos, a partir dos 15 anos ou mais de acordo com as políticas públicas da época, e a inclusão da modalidade no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB - Emenda constitucional Nº 53/2006), regulamentado pela Lei Nº 11.494/2007 e pelo Decreto Nº 6.253/2007 em substituição ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF), que incluiu a EJA no contexto de financiamento da Educação Básica. Ainda com o escopo de fortalecer e proteger a Educação de Jovens e Adultos como Modalidade de Ensino, se insurge os Planos Nacionais de Educação aprovados, respectivamente, pelas Leis Federais Nº 10.172/2001 e Lei n° 13.005/2014. Na modalidade de Educação de Jovens e Adultos - EJA, a organização curricular do Município do Jaboatão dos Guararapes – PE obedecerá a Resolução que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, Parecer CNE/CEB Nº 11/2000, e Resolução Nº 03/2010 do CNE/CEB, considerando as situações, os perfis dos estudantes, as faixas etárias; e se pautará pelos princípios da igualdade, enquanto condição de acesso, respeitando-se as diferenças e as diversidades como direito, como percurso necessário à equidade, bem como a proposição de um modelo pedagógico próprio da modalidade. Nessa perspectiva, o modelo pedagógico aqui proposto, oportuniza o protagonismo dos professores e estudantes, o qual se pauta na concepção da escolarização como direito social, que viabiliza e desencadeia a prática de outros direitos que garantam aos humanos sua condição de humanidade, sua humanização, que é, essencialmente, a consciência crítica, o discernimento, compreendidos como capacidades cognitivas complexas, as quais os diferenciam dos demais seres, na busca da autonomia como ponto de referência para a empatia e cooperação, para o exercício do diálogo, resolução de conflitos, objetivando a promoção do respeito ao outro e aos direitos humanos, além de acolher e valorizar a diversidade, sem preconceito de qualquer natureza. Este se constitui o maior desafio para o Sistema de Ensino: oferecer uma educação de qualidade social também para os sujeitos jovens e adultos que não puderam ter acesso à escola ou nela permanecer no tempo considerado regular, reconhecendo e valorizando o conhecimento empírico acumulado por estes sujeitos, o que implica competências desenvolvidas à proporção que se organize a modalidade em menor número de anos, sem perder de vista a BNCC, adequando-as às especificidades, visando atender às necessidades, aos ritmos e aos objetivos dos estudantes. Nesse processo, a BNCC desempenha papel fundamental, pois explicita as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver e expressa, portanto, a igualdade educacional sobre a qual as singularidades devem ser consideradas e atendidas. Essa igualdade deve valer também para as oportunidades de ingresso e permanência em uma escola de Educação Básica, sem o que o direito de aprender não se concretiza (BNCC,2018). Nessa organização, é imprescindível a clareza de alguns aspectos: o papel da escola, espaço concreto de vivência e aprendizado dos direitos humanos e dos saberes socialmente reconhecidos necessários à construção dos saberes científicos; o papel do conhecimento, bem cultural que proporciona a superação das condições de subordinação; o papel do estudante, sujeito construtor de seu próprio conhecimento, que cria e recria o mundo; o papel do professor, intermediador e articulador do conhecimento. Faz-se necessário, ainda, situar este Currículo em alguns aspectos fundamentais, como: a dimensão humanizadora da educação; a realidade local; situação de exclusão social/educacional da população igual ou maior de 15 anos; os aspectos legais da Educação de Jovens e Adultos; a formação do professor; e com relação ao currículo, tratamento dos conteúdos e sua distribuição no programa; as competências gerais e específicas e por área de conhecimento. Estudos realizados por Machado (2007); Rodrigues (2007); Garcia (2007); Michels (2007); Carvalho (2009) destacam elementos sobre o perfil dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) que devem ser considerados na organização do currículo, atendendo a novas demandas decorrentes da restruturação do perfil dos sujeitos da referida Modalidade de Ensino, quais sejam: a juvenilização, os estudantes com deficiência e a educação profissional ou qualificação para o trabalho. Os sujeitos da EJA, principalmente os afetos ao 2º Segmento, com relação à faixa etária, enquadram-se no perfil definido como adolescente jovem, com idade compreendida entre 15 e 18 anos. A Lei Nº 12.852 2013 (Estatuto da Juventude) define que são consideradas jovens as pessoas com idade entre 15 e 29 anos de idade. Portanto, são denominados adolescentes jovens as pessoas com idade entre 15 e 18 anos de idade, aos quais se aplica a Lei Nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente) e, excepcionalmente, Estatuto o Estatuto da Juventude, quando não conflitar com as normas de proteção integral do adolescente. Essa assertiva nos permite questionar a modalidade de ensino definida como aquela destinada às pessoas que não tiveram acesso à escola na idade própria (6 -14 anos), sendo constituída atualmente por adolescentes jovens que tiveram acesso à escola na idade indicada e que, por diversos fatores, apresentam uma trajetória de insucesso, por vezes condensada no fracasso escolar. Os fenômenos destacados consolidam o que vem sendo definido como juvenilização da Educação de Jovens e Adultos - EJA. A juvenilização, intensificada na contemporaneidade, decorre das deficiências do sistema escolar como a evasão e a repetência, que ocasionam a defasagem entre a idade e série; da busca pela certificação escolar oriunda da necessidade de trabalhar; da de acesso; da ausência demotivação para o retorno a escola, entre outras. (Carvalho, 2009, p.1) Na caracterização desses sujeitos, verifica-se a inserção significativa de pessoas com deficiência, que, por diversos fatores, foram tangenciados para a modalidade da Educação de Jovens e Adultos. No ano de 2009, houve 37.985 matrículas de estudantes com deficiência (INEP/MEC) na EJA, sendo 34.730 na EJA nível fundamental, e 3.255 no nível médio. Tal alunado corresponde a 0,81%do número de matrículas totais da Educação de Jovens e Adultos, com prevalência de matrículas no nível Ensino Fundamental (DI PIERRO, 2015, p.1122) A educação é compreendida como prática social ampla, que se especializa nas instituições de ensino, tendo por finalidade a humanização das pessoas, devendo, nesse processo, também cuidar da profissionalização e da empregabilidade. Os estudantes da Educação de Jovens e Adultos demandam por processos educativos que vinculem a formação humana à formação e qualificação para o mundo do trabalho. Nesse cenário, os processos de juvenilização, a inclusão de pessoas com deficiência, a necessária formação profissional e a qualificação para o trabalho tencionam o currículo e a prática pedagógica. Contudo, a ressignificação da prática pedagógica na Educação de Jovens e Adultos–EJA demanda por formação continuada, tomando-se como referência os conteúdos curriculares e os pedagógicos, objetivando, assim, construir a identidade do profissional da educação com exercício na modalidade. A formação continuada também poderá contribuir para a construção da representação social de professores da Educação de Jovens e Adultos - EJA como um direito que acompanha o ser humano por toda sua existência. Segundo postulado da UNESCO (2010, p.6), a [...]aprendizagem ao longo da vida, “do berço ao túmulo”, é uma filosofia, um marco conceitual e um princípio organizador de todas as formas de educação, baseada em valores inclusivos, emancipatórios, humanistas e democráticos, sendo abrangente e parte integrante da visão de uma sociedade do conhecimento. A Educação de Jovens e Adultos – EJA também deverá atender às necessidades de aprendizagem das pessoas idosas, respeitando-as como sujeitos de direitos, com estatuto jurídico próprio6, com seu arcabouço de conhecimentos e saberes, cujo tempo humano não mais se coaduna com a pressa própria dos tempos escolares. A presença da pessoa idosa na escola não a descaracteriza como espaço de exercício de direito e de construção de conhecimentos e saberes, mas demanda outras lógicas nas relações estabelecidas entre quem ensina e quem aprende. As referidas lógicas são ressignificadas pelos conhecimentos e saberes próprios da ancestralidade. Assim, as pessoas idosas, ávidas por conhecimentos e saberes, reconhecem na escola espaços de convivência e lazer, onde saberes e conhecimentos se misturam na tessitura do novo. Conforme afirma Cora Coralina, no seu Vintém de Cobre (1976): “Saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humanos” A formação inicial de professores para atuar no 1º Segmento da Educação de Jovens e Adultos é ofertada, prioritariamente, em cursos de licenciaturas em pedagogia em contextos acadêmicos; a formação para o 2º Segmento ocorre nas diversas licenciaturas, que devem considerar a natureza dos processos educativos vinculados às pessoas jovens, adultas e idosas, considerando as suas diferentes formas de ser e estar no mundo. 6 Estatuto do Idoso, art. 20, dispõe que o idoso tem direito a educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade, Estatuto do Idoso - Lei no 10.741/2003. Partindo da premissa que o processo de envelhecimento não subtrai do sujeito a capacidade de aprendizagem, a EJA, descrita como os processos educativos destinados a jovens, adultos e idosos, com necessidades e interesses específicos, que desafiam a prática pedagógica. A partir desses desafios ocorre a demanda por formação continuada, entendida como processo formativo pautado em evidências definidas pela escola. A Secretaria Municipal de Educação do Jaboatão dos Guararapes - PE desenvolve uma política permanente de formação continuada, respaldando o professor como um ser em processo de formação, tanto no ambiente escolar com a presença dos Supervisores Escolares; quanto nos encontros formativos com os Coordenadores Educacionais. Para tanto se faz necessário refletir sobre suas ações tomando-se a prática pedagógica como objeto de estudo apoiando-se no currículo e na relação professor, estudante e aprendizagem. A escolha dos temas, surgem das necessidades citadas pelos professores e daquelas observadas pelos Coordenadores Educacionais no acompanhamento às escolas. Abordam, portanto, os conhecimentos científico e pedagógico, que contribuem para o desenvolvimento da identidade profissional e para a melhoria do ensino e aprendizagem, com foco no currículo e no desenvolvimento integral do sujeito. Estas formações continuadas tem o objetivo de contribuir para a melhoria da prática docente, assim como da aprendizagem dos estudantes. Sugere-se ainda ao professor que busque, além dessas formações oferecidas pela rede, cursos de extensão, especialização, mestrados, doutorados e afins em outras instituições, como possibilidade para a inovação e qualificação da prática pedagógica e ao seu enriquecimento como sujeito. O processo formativo desse profissional requer um pensar crítico e superador de perspectiva clássica de formação continuada, tendo em vista atender a construção de uma formação continuada que possibilite a constituição de uma postura docente crítica, transformadora e reflexiva, que considere as demandas da sociedade e do contexto escolar (SILVA, 2010, p.14). Assim, faremos das salas de aula campos de experimento e cenário para reflexão sobre a prática, com o intuito de promover uma aprendizagem significativa dos estudantes, corroborando na construção de uma sociedade com justiça social. Em consonância com a BNCC, nos quadros que apresentam as unidades temáticas, os objetos de conhecimento e as habilidades estabelecidas para cada módulo, a habilidade é identificada por um código alfanumérico conforme descrição abaixo: EJA MOD IV-V LP 01.1JAB 3.5. EDUCAÇÃO ESPECIAL Neste texto, a Secretaria Municipal de Educação, em consonância com a Coordenação de Educação Especial, objetiva recuperar, atualizar e reafirmar os pressupostos legais e teóricos, anunciados na versão da Proposta Curricular do Município do Jaboatão dos Guararapes-PE de 2011, referentes à modalidade da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Convém considerar que, ao longo desses oito anos da publicização do documento supracitado, muitos projetos foram efetivados nas escolas públicas municipais, mas ainda existem inúmeros desafios relativos à educação de qualidade para todos os estudantes com e sem deficiência. Tais desafios perpassam o enfrentamento das barreiras atitudinais, da efetivação da aprendizagem, do financiamento da educação, da avaliação processual e da acessibilidade em seu sentido macro. O par de números indica a posição da habilidade na numeração sequencial do módulo ou do bloco de módulos. O último número indica a posição da habilidade específica do Município. Sigla que indica a habilidade do Município. O segundo trio de letras, acompanhado de algarismos romanos, indica o módulo (I ao V) a que se refere à habilidade ou no caso de Língua Portuguesa, Arte e Educação Física, o bloco de módulos. Como segue: Língua Portuguesa/Arte MODI-III= I ao III módulo MODIV-V= IV e V módulo Língua Portuguesa/Educação Física MODI-II = I e II módulos MODIII= III móduloMODIV= IV módulo MODV= V módulo O segundo par de letras indica o componente curricular: AR= Arte CI= Ciências EF= Educação Física ER= Ensino Religioso GE= Geografia HI= História LI= Língua Inglesa LP= Língua Portuguesa MA= Matemática O trio de letras indica a modalidade. Apesar das constatações das dificuldades, que são enfrentadas nas unidades de ensino, muitos obstáculos foram superados como, por exemplo, a ampliação das Salas de Recursos Multifuncionais-SRM e o Atendimento Educacional Especializado-AEE para educandos, que constituem o público da Educação Especial, ou seja, estudantes com Deficiência, Transtorno do Espectro Autista - TEA e Altas Habilidades/Superdotação. Outras situações, que compõem o contexto da educação inclusiva, dizem respeito à contratação de intérpretes de Libras, braillista, aos apoios pedagógicos, aos estagiários, ao atendimento domiciliar, às tecnologias assistivas: “hands free, Livox”, à aquisição de materiais para as SRM e, também, à implantação dos seguintes projetos: Quebrando Barreiras Comunicacionais, Quebrando Barreiras da Alfabetização; e Estimulação Essencial e Precoce. Além disso, são desenvolvidas ações voltadas para a formação de professores do AEE com base na metodologia de Estudo de Caso e Plano de Desenvolvimento Individual Escolar - PDIE. Com a perspectiva de um novo instrumento legal para o Sistema de Ensino, ou seja, o Currículo de Educação Especial do Jaboatão dos Guararapes/PE, 2019, eleva-se a oportunidade de fortalecer o desenvolvimento do que já está garantido nos marcos legais da Constituição Federal de 1988, da Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional de 1996 e a Política da Educação Especial na Perspectiva Inclusiva (2008). Além disso, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs (1999) destacam a necessidade das adaptações curriculares e das estratégias para a educação de estudantes com necessidades especiais (termo utilizado no próprio texto). O referido documento reafirma a educação como direito de todos, dever do Estado e da família, tendo em vista o pleno desenvolvimento da pessoa em sua integralidade. Nesse sentido, nos últimos dezesseis anos, as políticas educacionais implementadas no contexto brasileiro, apresentam a modalidade Educação Especial sob o viés da perspectiva inclusiva. Tais políticas preconizam que todos os estudantes da Educação Especial em idade escolar obrigatória frequentem escolas regulares. O Decreto Nº 7.611/2011 prega a inclusão total e tem sua centralidade no Atendimento Educacional Especializado (AEE), assim como a Resolução Nº 04 de 02/10/2009, que institui as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC%207.611-2011?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC%207.611-2011?OpenDocument Esse decreto reafirma que a Educação Especial, já referendada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN/1996, em seu Capítulo V, Art. 58, é compreendida como modalidade de Educação Escolar, oferecida, preferencialmente, na Rede Regular de Ensino. Tal compreensão também está presente, na Proposta Curricular da Secretaria de Educação e Esportes do Estado de Pernambuco – Ensino Fundamental, que em texto introdutório, (2019, p. 22) declara: [...] a Educação Especial é uma modalidade de ensino que transversaliza todas as etapas e modalidades, identifica e disponibiliza recursos e serviços, orientando quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem e realiza o Atendimento Educacional Especializado/AEE junto aos estudantes matriculados nas turmas comuns do ensino regular, garantindo ações pedagógicas a fim de proporcionar a plena participação dos estudantes com necessidades educacionais específicas. Considerando o desenho da política pública educacional deste município, em relação à Educação Especial, a normatização contida na Resolução CNE/CP Nº 2, de 2017 que, institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular – BNCC, o Plano Municipal de Educação (2015-2024), a Resolução Nº 04 de 02/10/2009 que, Institui as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica e a Lei Nº 13.146/2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), impõe-se ressaltar a necessidade de um olhar direcionado às práticas pedagógicas inclusivas e ao processo de inclusão escolar nas diferentes, etapas, níveis e modalidades de ensino, na rede pública do Jaboatão dos Guararapes, em relação aos estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades /superdotação. No presente documento, a prática pedagógica inclusiva é compreendida como o conjunto de decisões e fazeres que, no cotidiano escolar, poderão concretizar o desenvolvimento da diferença e da diversidade individual e coletiva, com a finalidade de garantir o processo de ensino e da aprendizagem dos atores sociais. A prática pedagógica é indissolúvel das relações interativas, resilientes e afetivas, uma vez que é um elemento constituinte das intervenções didáticas, do currículo, do conteúdo de ensino, da avaliação educacional, do ensino colaborativo, da comunicação e da interrelação entre o atendimento educacional especializado e o ensino regular. Por conseguinte, o currículo representa o reconhecimento das diferenças e a potencialidade dos sujeitos como construtores de conhecimento. Suas necessidades passam a ser compreendidas de forma individual para que os instrumentos pedagógicos possam estar atrelados ao seu desenvolvimento escolar. No âmbito da escola, o currículo vai se constituindo e sua eficácia vai se materializando, quando a aprendizagem se torna evidente para todos. Assim, a inclusão escolar é compreendida como a ruptura do paradigma da normalidade, da patologia e responde à complexidade da instituição escolar, pois atende às necessidades basilares de cada estudante, que é compreendido como sujeito de sua própria história. Portanto, não pode ser categorizado com ou sem deficiência. O fortalecimento e a participação da família fomentam a promoção do sentimento de pertença à escola e à sala de aula. Logo, a educação inclusiva, considerada como um princípio educativo, se torna uma necessidade intrínseca de todos. Nesta perspectiva, a Educação Especial se contrapõe aos modelos clínico-terapêuticos, assistencialistas, filantrópicos e segregacionistas e, sobretudo, com a ideia de ser um substitutivo do ensino regular, conforme Beyer (2006, p.73): A educação inclusiva caracteriza-se como um novo princípio educacional, cujo conceito fundamental defende a heterogeneidade na classe escolar, como situação provocadora de interações entre crianças com situações pessoais as mais diversas. Nesse sentido, no processo de elaboração do Referencial Curricular para o Município do Jaboatão dos Guararapes, em 2019, com os fundamentos da BNCC (2017), para fortalecer a modalidade da Educação Especial na perspectiva inclusiva, é pertinente acatar um posicionamento de Beyer (2006), que ressalta o seguinte aspecto: as necessidades diferenciadas de cada estudante, que se manifestam desde a mais tenra idade ou, na condição de jovens e de adultos, irão demandar metodologias e estratégias pedagógicas, que sejam apropriadas à promoção de sua aprendizagem e, também, que evitem prejuízos ao seu processo de escolarização. Nessa mesma ótica, tem-se: As aprendizagens essenciais compõem o processo formativo de todos os educandos ao longo das etapas e modalidades de ensino no nível da Educação Básica, com direito de pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício dacidadania (BRASIL, 2017, p. 4). Certamente, a Educação Especial sozinha não será a panaceia para as dificuldades apresentadas pelos estudantes com e sem deficiência. Mas, na interlocução com a Educação Infantil, cuja legislação vigente estabelece direitos de aprendizagem e de desenvolvimento e com o Ensino Fundamental, considerando suas competências gerais e específicas, áreas de conhecimento e habilidades, existem possibilidades de diálogo e de construção de uma proposta pedagógica articulada com o Atendimento Educacional Especializado - AEE. No contexto escolar, tal proposta irá consolidar ações pedagógicas que promovam aprendizagens essenciais para a vida de cada estudante. A pluralidade e a singularidade de todas as pessoas, que compõem o ambiente escolar, são desafios que se impõem à educação inclusiva. A Educação Infantil concebe a criança como sujeito histórico e de direitos, que brinca, interage, deseja e aprende, por conseguinte, deverá atender às especificidades da criança pequena com deficiência. O conhecimento de si e do outro é ampliado na convivência com outras crianças e adultos, por isso a deficiência precisa ser identificada logo nas primeiras fases do desenvolvimento infantil. Conforme Mendes (2010), a Educação Infantil deve ser a opção preferencial de projetos políticos de implantação da inclusão, ou seja, precisa se tornar o foco prioritário das diretrizes políticas, o que poderá desencadear um avanço sistemático, gradual e contínuo da inclusão escolar. No Ensino Fundamental, a transversalidade da Educação Especial estará presente no currículo, que atende às legislações e às normas específicas. Logo, referendar temas como acessibilidade, pessoa com deficiência, diversidade humana tem a perspectiva de enriquecimento e de conhecimento do histórico de como as pessoas com deficiência foram compreendidas no contexto social. Por exemplo, o Município do Jaboatão dos Guararapes - PE, em seu marco legal, consta a Lei Municipal Nº 722/2012, que estabelece a realização da Semana Municipal da Pessoa com Deficiência, no período compreendido entre os dias 25 (vinte e cinco) a 31 (trinta e um) de agosto de cada ano. Este evento deve permanecer e continuar mobilizando a todos os profissionais da educação, famílias e comunidade para a efetivação da inclusão. Há, ainda, mais um elemento, que colabora com o planejamento das atividades voltadas ao desenvolvimento das habilidades dos estudantes da modalidade da educação especial: as descrições das Competências Gerais da BNCC. Tais referências se tornam fundamentais para a incrementação do currículo, de forma a conduzir os sujeitos às novas formas de aprender e de adquirir conhecimentos. Estas ações de caráter educacional, elencadas no Projeto Político Pedagógico e sinalizadas no Plano de Trabalho do AEE, fomentam inúmeras atividades inclusivas, que poderão facilitar o desdobramento de um currículo na perspectiva inclusiva, sustentada no conceito de acessibilidade, trazido no dispositivo legal de Nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, em seu Capítulo I, das Disposições Gerais, Art. 2º, como: [...] possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida (BRASIL, 2000, p. 1). A partir do conceito supracitado e de suas dimensões arquitetônica, comunicacional, metodológica, instrumental, programática e atitudinal, é indispensável procurar conhecer cada estudante para identificar suas potencialidades/necessidades, tendo em vista seu crescimento global. De que forma tais dimensões podem ser incluídas no currículo? A acessibilidade atitudinal, fundante na relação da prática pedagógica inclusiva, consiste no exercício da quebra de barreiras, existentes no âmbito escolar e na sociedade. Portanto, é indispensável promover discussões que enfoquem os seguintes aspectos: discriminação, preconceito e representações, que persistem em excluir sujeito por suas características físicas e classes sociais. A acessibilidade arquitetônica ocorre quando a instituição escolar começa a discutir os seguintes aspectos: localização territorial, infraestrutura, trajeto utilizado pelos estudantes, lugar onde ele se senta na sala de aula e faz suas atividades. A acessibilidade comunicacional ocorre pela utilização do código Braille, da Língua Brasileira de Sinais – Libras, de softwares e de outros instrumentos. A acessibilidade metodológica se concretiza a partir da definição das intervenções didáticas e de seus pressupostos teóricos. A acessibilidade instrumental diz respeito aos seguintes fatores: disposição e uso de materiais concretos, adaptadores de lápis, organização do estojo, objetos calmantes, plano inclinado, protetores e acesso aos recursos pedagógicos. Por fim, a acessibilidade programática está relacionada ao planejamento do professor, por conseguinte, depende de projetos e de programas disponibilizados pela rede de ensino e, também, das adaptações curriculares, que são necessárias ao ensino e à aprendizagem. Reafirmamos, também, que o Plano de Desenvolvimento Individual Escolar na Rede Municipal de Ensino do Jaboatão dos Guararapes, na atual gestão governamental, passa a ser entendido como uma proposta fundamental para responder às necessidades dos estudantes matriculados na SRM, bem como de outros estudantes que são estigmatizados, no contexto escolar, por suas diferenças. Ao longo da vigência desta proposta curricular, a Educação Especial, concebida como uma modalidade de ensino terá o desafio de discutir e implantar, na Rede Municipal de Ensino, um currículo que seja adaptado às condições dos que mais necessitam aprender. Portanto, a escola precisa levar em consideração o perfil dos seus estudantes. Nessa perspectiva, a BNCC, afirma: As instituições ou redes de ensino devem intensificar o processo de inclusão escolar dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades nas classes comuns do ensino regular, garantindo condições de acesso e de permanência com aprendizagem, buscando prover atendimento de qualidade (BRASIL, 2017, p. 7). Nessa linha de argumentação e corroborando com afirmação acima, a Lei Nº 13.146/2015, no Capítulo IV, que trata do direito à educação, prevê a incumbência do poder público de assegurar, criar, desenvolver, incentivar, acompanhar e avaliar um sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades de ensino. Assim, diante dos princípios da educação inclusiva, os Sistemas de Ensino, no âmbito dos Governos Federal, Estadual e Municipal devem garantir o direito à educação a todos, a partir da ressignificação dos modelos classificatórios e discriminatórios. Por conseguinte, cabe à escola a obrigatoriedade de planejar sua organização física e curricular, tendo em vista a pessoa com deficiência na sua integralidade. O planejamento escolar irá interferir nas ações constituintes do Projeto Político Pedagógico, na prática pedagógica, no trabalho docente e na participação da família. As ações terão como finalidade minimizar a superação de barreiras atitudinais no cotidiano da escola, através de práticas acessíveis, que promovam a aprendizagem e a autonomia das pessoas com e sem deficiência. Assim, o currículo, deve contemplar os princípios da educação inclusiva, estando articulados com a flexibilização de objetivos e de planejamentos mais individualizados, exigindo que a educação assuma um sentido mais amplo. Portanto, impõe-se refletir sobre aquelesque ainda estão excluídos do interior da escola e, ao mesmo tempo, tentar superar as dificuldades de diálogo com os estudantes e suas famílias. Logo, é indispensável manter um ambiente acolhedor e analisar a função da escola no que se refere às aprendizagens essenciais. Desse modo, o conjunto de esforços voltados para a formação de professores, a adaptação curricular e a formação de redes de apoio à educação inclusiva configuram- se como respostas para práticas pedagógicas inclusivas que se destinam aos estudantes frequentadores da escola atual. Com a implementação do novo currículo para a Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, gerenciada pelo Governo Municipal, novas perspectivas estão por vir em relação ao processo de inclusão de estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades/superdotação. Assim, em consonância com a BNCC, o presente currículo é um documento, que redireciona os fazeres das práxis e fortalece as políticas públicas para o Sistema de Ensino do Município do Jaboatão dos Guararapes, mediante o macro projeto: “unir para incluir”, instituído a partir de 2017, com a finalidade precípua promover a melhoria e a ampliação do processo de inclusão escolar, mediante o Atendimento Educacional Especializado - AEE para a Educação Básica na Rede Pública de Ensino. 4. TEMAS INTEGRADORES As Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos (Resolução CNE/CP nº 01/2012) prescrevem que, na Educação Básica, o currículo poderá ser estruturado tomando por base a perspectiva disciplinar, transversal ou mista, fundindo disciplinaridade e transversalidade. O currículo escolar é o grande norteador de todo o processo pedagógico de uma instituição educacional. A aprendizagem escolar está intrinsecamente vinculada ao currículo, sendo que este é organizado com o objetivo de orientar as ações dos professores e os diferentes níveis de ensino. Para que os estudantes de todo o país tenham acesso a uma formação integral, o Ministério da Educação (MEC) definiu que as instituições de ensino devem incorporar em seus planos pedagógicos os temas transversais/integradores, como saúde, meio ambiente, as relações étnico-raciais, orientação sexual, trabalho, consumo, diversidade etc. A transversalidade diz respeito à possibilidade de se instituir, na prática educativa, uma analogia entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real (aprender na realidade e da realidade). Os temas transversais/integradores dizem respeito a questões que atravessam as experiências dos sujeitos em seus contextos de vida e atuação e que, portanto, intervêm em seus processos de construção de identidade e no modo como interagem com outros sujeitos, posicionando-se ética e criticamente sobre e no mundo nessas interações. Os temas integradores perpassam objetivos de aprendizagem de diversos componentes curriculares, nas diferentes etapas da Educação Básica. Portanto, as temáticas devem ser sociais e contemporâneas. Ao manterem a orientação de sua abordagem transversal, por se referirem a assuntos que atravessam as experiências dos estudantes em seus contextos, contemplam aspectos que contribuem para uma formação cidadã, política, social e ética. O Referencial Curricular Municipal do Jaboatão dos Guararapes por sua vez, apresenta doze temáticas e bases legais, para que as unidades educacionais da Rede Municipal de Ensino os apreciem e escolham um ou mais os temas integradores definidos conforme proposições dos Projetos Políticos Pedagógicos. 4.1. Educação das Relações Étnico-raciais e Ensino da História e Cultura Afro- brasileira, Africana e Indígena (Leis nº 10.639/2003 e 11.645/2008, Parecer CNE/CP nº 03/2004, Resolução CNE/CP nº 01/2004 e Parecer CNE/CEB nº 14/2015) Essa temática deve ser trabalhada articulada a diferentes componentes curriculares, mas também no âmbito do currículo como um todo. Deve assegurar o conhecimento e o reconhecimento desses povos na formação cultural, social, econômica e histórica da sociedade brasileira, ampliando as referências socioculturais da comunidade escolar na perspectiva da valorização da diversidade étnico-racial, contribuindo para a construção e afirmação de diferentes identidades. É necessário que as práticas escolares contemplem nos seus currículos o ensino da história e cultura afro-brasileira, africanas e indígenas como forma de reconhecimento da contribuição que diversos povos deram para a história e cultura nacional e a diversas culturas mundiais. Desta maneira, será alcançada uma educação das relações étnico-raciais que respeite a diversidade brasileira e que busque a 000000erradicação da desigualdade, discriminação e combate ao racismo, ensejando a construção de uma sociedade baseada no reconhecimento das diferenças. Possibilitando a ampliação das práticas escolares para além da legislação. 4.2. Educação em Direitos Humanos – EDH (Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, 2006, Decreto nº 7.037/2009, Parecer CNE/CP nº 8/2012 e Resolução CNE/CP nº 1/2012) A Educação em Direitos Humanos - EDH, alicerçada no respeito e proteção à dignidade da pessoa humana, compreende o conjunto de práticas educativas fundamentadas nos direitos humanos, tendo como objetivo formar o sujeito de direito. Nesse contexto, o RCMJG pautou-a no compromisso pela construção de uma escola que se que reconheça como espaço pleno de vivências de direitos, premissa fundamental para embasar as relações humanas que acontecem na escola em todos os seus âmbitos. Ao fazer a opção por tratar a EDH na perspectiva transversal, o RCMJG filia- se ao entendimento de que a cultura dos direitos humanos, conteúdo da EDH, não cabe apenas em um componente curricular, devendo, assim, ganhar espaço no conjunto dos componentes que compõem o currículo. Materializada na perspectiva transversal, a EDH fortalece os paradigmas da educação integral, considerando os estudantes em todas as suas dimensões. Além disso, sedimenta uma cultura de paz na escola, fundamentada na defesa e reconhecimento da igualdade de direitos, valorização das diferenças e das diversidades, laicidade do Estado e democracia na educação. A escola, na perspectiva da EDH, deve desenvolver uma educação pautada em várias dimensões necessárias à formação cidadã: ciências, artes, cultura, história, ética, afetividade, entre outras. Assim, a escola é concebida como espaço sociocultural, lugar de convivência inclusiva, respeitosa e afetiva. O ambiente escolar deve proporcionar, também, uma convivência acolhedora, de autorresponsabilidade com o desempenho de cada estudante, de cada professor, consigo mesmo, bem como de cuidado com o outro, considerando a dignidade de todo ser humano. 4.3. Direitos da Criança e Adolescente (Lei nº 8.069/1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 12.852/2013 – Estatuto da Juventude, Lei nº 13.257/2016 – Marco Legal da Primeira Infância, de 08 de março de 2016) No campo da discussão dos Direitos da Criança e do Adolescente, o direito de brincar da criança e o direito de ser cuidada por profissionais qualificados, na primeira infância, devem ser prioridade nas políticas públicas. A criança tem, sobretudo, o direito a ter a presença da mãe, pai e/ou cuidador em casa nos primeiros meses por meio da licença-maternidade e paternidade concedida para cumprimento dos cuidados. Por sua vez, o direito à educação deve ser garantido a todas as crianças e adolescentes, observando o pleno desenvolvimento de suas potencialidades por meio de uma preparação cultural qualificada, uma base científica e humana na perspectiva de contribuir para a superação das desvantagens decorrentes das condições socioeconômicas e culturais adversas. Nessa direção, situamos também o Estatuto da Juventude, quevem corroborar a inserção social qualificada do jovem como lei complementar ao Estatuto da Criança e do Adolescente, visando garantir direitos de quem tem entre 15 e 29 anos de idade. O Estatuto da Juventude propõe expansão das garantias dadas à infância e à adolescência, além da compreensão de que o jovem deve ser visto nas suas necessidades no momento presente e não a posteriori. Desse modo, as aprendizagens essenciais devem ser contempladas, proporcionando o desenvolvimento das competências e habilidades necessárias, e possibilitando às crianças, adolescentes e jovens o direito a uma educação de qualidade para que possam atuar socialmente na construção de um mundo mais justo, equitativo, democrático e humano. O contexto escolar deve ser preparado visando a uma formação cidadã em que todas as crianças e adolescentes devem ser protegidos contra práticas que fomentem a exploração do trabalho infantil e discriminação étnico-racial, religiosa, sexual, de gênero, pessoa com deficiência ou de qualquer outra ordem. 4.4. Processo de Envelhecimento, Respeito e Valorização do Idoso (Lei nº 10.741/2003) O envelhecimento é um fenômeno natural da condição humana. Para além da cronologia, há um conjunto amplo de aspectos que também configuram essa etapa do desenvolvimento humano: biológicos, culturais, históricos, psicológicos e sociais. Embora o envelhecimento humano seja uma condição natural, as representações e sentimentos são construídos socialmente. Dessa forma, faz-se necessário que as escolas incluam, em suas práticas curriculares, ações que visem ao desenvolvimento de comportamentos e atitudes que aproximem as gerações, estimulem os estudantes para o convívio, destituído de preconceitos, com pessoas idosas e sejam educadas para o envelhecimento humano. O objetivo é garantir o respeito, a dignidade e a educação ao longo da vida. Assim, no âmbito escolar, deve-se também reconhecer o protagonismo da pessoa idosa enquanto estudante e como sujeito que, munido de experiências e saberes, aprende mais sobre si mesmo e sobre o mundo. 4.5. Educação Ambiental (Lei nº 9.795/1999, Parecer CNE/CP nº14/2012, Resolução CNE/CP nº 2/2012 e Programa de Educação Ambiental de Pernambuco - PEA/PE 2015) A Educação Ambiental é um processo contínuo, dinâmico, participativo e interativo de aprendizagem das questões socioambientais. Dessa forma, a Educação Ambiental constitui uma das dimensões do direito ao meio ambiente equilibrado e sustentável, prioridade na garantia da qualidade de vida das pessoas por meio de concepções e práticas inter/transdisciplinares, contínuas e permanentes, realizadas no contexto educativo. Priorizando as questões ambientais, devemos despertar no estudante a importância de manter relações harmoniosas entre a sociedade e a natureza, preservando a biodiversidade e as culturas. É nessa perspectiva que as atividades educativas devem envolver a escola e a comunidade em seu entorno, refletir sobre atitudes de proteção e preservação da natureza, dialogando por meio dos diferentes componentes curriculares. 4.6. Educação para o Consumo e Educação Financeira e Fiscal (Parecer CNE/CEB nº 11/2010 e Resolução CNE/CEB nº 07/2010) Esses temas apontam para abordagens na escola que proporcionem ao estudante ter uma compreensão sobre finanças e economia, consumo responsável, processo de arrecadação financeira e a aplicação dos recursos recolhidos como também sua importância para o valor social dos tributos, procedência e destinação. De modo geral, essas abordagens devem possibilitar ao estudante analisar, fazer considerações fundamentadas, tomar decisões e ter posições críticas sobre questões financeiras que envolvam a sua vida pessoal, familiar e da realidade social e, por conseguinte, compreender a cidadania, a participação social, a importância sobre as questões tributárias, o orçamento público, seu controle, sua execução e sua transparência, bem como a preservação do patrimônio público. 4.7. Diversidade Cultural (Parecer CNE/CEB nº 11/2010 e Resolução CNE/CEB nº 07/2010) Ao abordarmos a diversidade cultural, biológica, étnico-racial, devemos considerar a construção das identidades, o contexto das desigualdades e dos conflitos sociais. Este tema aborda a construção histórica, social, política e cultural das diferenças que estão ligadas às relações de poder, aos processos de colonização e dominação. Este currículo propõe ações e práticas educativas que contemplem essa temática na sala de aula e em toda comunidade escolar para que se promova o combate ao preconceito e à discriminação. É importante, no contexto escolar, possibilitar a compreensão de que a sociedade humana, sobretudo a brasileira, é composta por vários elementos que formam a diversidade cultural e a identidade de cada povo e de cada comunidade. A partir dessa perspectiva, devem ser desenvolvidas atitudes de respeito às diferenças, considerando que a completude humana é construída na interação entre as diferentes identidades. 4.8. Relações de Gênero (Parecer CNE/CEB nº 07/2010, Resolução CNE/CEB nº 02/2012, Lei no 11.340/2006 – Lei Maria da Penha, Lei de Racismo nº 7.716/89, Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, 2006 e Portaria MEC nº 33/2018) A relação de gênero é entendida como uma categoria de análise que ajuda a pensar a maneira como as ações e posturas dos homens e das mulheres são determinadas pela cultura em que estão inseridos (SCOTT, 1990). Deve ser também compreendida como um conceito baseado em parâmetros científicos de produção de saberes que transversaliza diversas áreas do conhecimento, sendo capaz de identificar processos históricos e culturais que classificam e posicionam as pessoas a partir de uma relação sobre o que é entendido como feminino e masculino, essencial para o desenvolvimento de um olhar referente à reprodução de desigualdades no contexto escolar. A perspectiva da ‘igualdade de gênero’, no currículo, é pauta para um sistema escolar inclusivo que crie ações específicas de combate às discriminações e que não contribua para a reprodução das desigualdades que persistem em nossa sociedade. Não se trata, portanto, de anular as diferenças percebidas entre as pessoas, mas sim de fortalecer a democracia à medida que tais diferenças não se desdobrem em desigualdades. A garantia desse debate e a elaboração de estratégias de enfrentamento às diversas formas de violência são, portanto, direitos assegurados por lei. Esses são pautados em demandas emergenciais e que reafirmam a necessidade de os espaços escolares serem lócus de promoção da cidadania e respeito às diferenças. Para efetivar isso, é necessária a implementação de ações com a perspectiva de eliminar atitudes ou comportamentos preconceituosos ou discriminatórios relacionados à ideia de inferioridade ou superioridade de qualquer orientação sexual, identidade ou expressão de gênero, em atendimento ao que concerne nas alterações da Lei Federal de Racismo nº 7.716/89 atualizada em 13 de junho de 2019 pelo Supremo Tribunal Federal.. 4.9. Educação Alimentar e Nutricional (Lei nº 11.947/2009) Esse tema deve ser vivenciado por toda comunidade escolar de forma contínua e permanente, visando desenvolver práticas educativas, na perspectiva da segurança alimentar e nutricional, que respeitem a cultura, as tradições, os hábitos alimentares saudáveis e as singularidades dos estudantes. Perpassa pela valorização da alimentação escolar, o equilíbrio entre qualidade e quantidade de alimentos consumidos, além do estudo sobre macro e micronutrientes necessários para a formação do indivíduo. Dessa forma, o currículo traz a educação alimentar e nutricional, inserindo conceitos de alimentação e nutrição nas diferentes etapas de ensino, considerando o acesso à alimentação saudável como algo fundamental parao crescimento e desenvolvimento dos indivíduos. Nessa dimensão, é necessário que o currículo desenvolva a percepção de que uma alimentação adequada e saudável é um direito humano, e que seja adquirida e consumida garantindo a segurança alimentar e nutricional. 4.10. Educação para o Trânsito – (Lei nº 9.503/1997) A alta incidência de violência no trânsito, inclusive com mortes, remete à necessidade de incentivar a conscientização por meio de um trabalho de Educação para o Trânsito, envolvendo valores e princípios fundamentais para um convívio social saudável: respeito ao próximo, solidariedade, prudência e cumprimento às leis. É preciso promover práticas educativas e intersetoriais que problematizem as condições da circulação e convivência nos espaços públicos desde a própria escola, seja no campo ou na cidade, para que se promova a convivência mais harmoniosa nos espaços compartilhados, de modo a incentivar uma circulação mais segura de forma eficiente e, sobretudo, mais humana. A educação para o trânsito deve prever, no currículo da Educação Básica, a construção de valores direcionados ao comportamento respeitoso, ao cuidado com as pessoas e com o meio ambiente, considerando o direito humano à vida, que se constitui no seu bem maior. 4.11. Trabalho, Ciência e Tecnologia (Parecer CNE/CEB nº 11/2010 e Resolução CNE/CEB nº 07/2010) Trazer essa temática para o currículo da Educação Básica contribui para a compreensão do Trabalho enquanto princípio educativo que envolve não só discussões acerca do mundo do trabalho, mas também acerca do desenvolvimento de capacidades humanas para transformação da realidade material, social. Relaciona-se ainda à compreensão da Ciência e Tecnologia enquanto dimensões capazes de provocar reflexões e intervenções sobre o mundo nos aspectos sociais e naturais sem perder de vista o caráter da sustentabilidade. Nesse sentido, é fundamental que os currículos e as práticas dos professores promovam a pesquisa, como princípio pedagógico, associada a uma abordagem reflexiva dos conteúdos que considere a relação complexa entre os potenciais do Trabalho, da Ciência e da Tecnologia para resolução de problemas, a ampliação da capacidade produtiva e empreendedora, bem como para a garantia de um espaço de reflexão e atuação crítica e ética sobre suas influências nos impactos ambientais e sociais. É importante que o currículo da Educação Básica, ao abordar essa temática, promova uma reflexão sobre as diversas formas de trabalho, o uso das tecnologias, as suas respectivas funções e organização social em torno de cada profissão, a contribuição dessas para o desenvolvimento da sociedade, bem como sobre as relações sociais e de poder que se estabelecem em torno do mundo do trabalho. 4.12. Saúde, Vida Familiar e Social (Parecer CNE/CEB nº 11/2010, Resolução CNE/CEB nº 07/2010, Decreto nº 7.037/2009, Parecer CNE/CP nº 08/2012 e Resolução CNE/CP nº 01/2012) A temática saúde é um conceito que nos remete não só a ausência de doença, mas, sobretudo, ao completo bem-estar que permeia as pessoas saudáveis. A concepção que se entende por saúde tem relações diretas com o meio cultural, social, político, econômico, ambiental e afetivo em que se vive. A visão histórica dos diversos significados de saúde também sofre variações ao longo do tempo. O currículo, ao desenvolver esse tema, deve considerar a saúde numa perspectiva mais ampla que envolve as várias dimensões do ser humano, tais como: saúde mental, comportamental, atitudinal, orgânica, física, motora, afetiva, sensorial, entre outras. É necessário que a pessoa se perceba em sua multidimensionalidade e que a esfera da saúde seja reconhecida sob os diversos aspectos que envolvem uma vida saudável. O contexto político relativo a como a sociedade está organizada também interfere na dimensão da saúde do cidadão. A estrutura da saúde pública, o planejamento das cidades, o saneamento básico, o estilo de vida do/no campo ou da/na cidade, o sistema de transporte e habitacional, as relações familiares e sociais poderão interferir na saúde. Os temas integradores, acima abordados, além de estarem presentes em habilidades e competências de diferentes componentes curriculares, devem estimular o desenvolvimento de atividades para serem vivenciadas no contexto da escola, envolvendo todas as áreas do conhecimento que compõem o currículo. Por isso, é necessário que se realize um trabalho interdisciplinar, motivador, inclusivo, resultando em uma experiência mais enriquecedora para os estudantes, os professores participantes e toda a comunidade escolar. 5. AS ÁREAS DO CONHECIMENTO E SUAS ORGANIZAÇÕES CURRICULARES 5.1. ÁREA I - LINGUAGENS A área de Linguagens, nos documentos oficiais, é composta pelos seguintes componentes curriculares: Língua Portuguesa, Arte, Educação Física nos Anos Iniciais, e nos Anos Finais com a Língua Inglesa. É imprescindível, pois, que os estudantes se apropriem das especificidades de cada linguagem sem, entretanto, se distanciar da visão do todo no qual elas estão inseridas. Portanto, é importante que eles percebam a dinamicidade das linguagens, considerando o fato de que todos são partícipes desse processo de transformação contínua. Tão importante quanto estudar a Língua Portuguesa é reconhecer que os outros componentes da área representam formas de encontro como novo ao mesmo tempo em que se estabelecem como conexões para as diversas realidades já vivenciadas pelos estudantes. O trabalho realizado para aproximar os estudantes da Arte se estabelece no cotidiano das escolas, a fim de aproximar realidades de produção cultural que vão do popular ao erudito. Uma vez que consideramos que toda manifestação de arte deve ser compreendida como forma de existência da atividade humana e de expressão de suas formas de ver e estar no mundo, estudar arte é condição “sine qua non” para o currículo escolar. É indispensável que nossos estudantes construam as habilidades relativas ao fortalecimento do seu corpo e de sua saúde, bem como que conheçam a história das práticas desportivas e sua influência para o desenvolvimento biopsicossocial do ser humano. De modo semelhante, é imprescindível que a língua estrangeira seja alvo de investimento dos anos finais do Ensino Fundamental uma vez que o mundo globalizado oferece oportunidades para que sejam ampliadas as relações a partir do estudo de uma segunda língua. Como preceitua a BNCC, o objetivo do ensino da Língua Portuguesa reside em possibilitar aos estudantes uma participação efetiva nas práticas das mais variadas linguagens, a fim de lhes ampliar as capacidades expressivas linguísticas e seus conhecimentos relativos a essas linguagens. Deve-se, ainda, observar que é essencial aprofundar as reflexões acerca dos conhecimentos dos componentes da área de Linguagem, visto que uma análise mais acurada sobre a questão é entendida como meio para o entendimento dos modos de se expressar e de participar no mundo e não como fim em si mesma. Para ensinar Língua Portuguesa, assim como os demais componentes curriculares, é fundamental que se reveja e se avalie concepções, objetivos, procedimentos e resultados, de forma que todas as ações pedagógicas possam convergir para um ponto comum: ampliar as competências comunicativo-interacionais dos educandos. O empenho de se fazer essa reflexão sobre a ação pedagógica, nas práticas diárias do ensino de língua, constitui-se em uma vigília constante sobre o que se pretende ensinar, para que se pretende ensinar, como se pretende ensinar, o que e como estão sendo avaliados os conteúdos escolares. Dessa forma, o professor encontra condições de não ser apenas um mero repetidor de listas de conteúdos, muitas vezes, alheios à língua que se fala, ouve, lê e escreve. 5.1.1. COMPONENTE CURRICULAR DA LÍNGUAPORTUGUESA Para ensinar Língua Portuguesa, assim como os demais componentes curriculares, é fundamental que se reveja e se avalie concepções, objetivos, procedimentos e resultados, de forma que todas as ações pedagógicas possam convergir para um ponto comum: ampliar as competências comunicativas interacionais dos estudantes. O empenho de se fazer essa reflexão sobre a ação pedagógica, nas práticas diárias do ensino de língua, constitui-se em uma vigília constante sobre o que se pretende ensinar, para que se pretende ensinar, como se pretende ensinar, e como estão sendo avaliados os conteúdos escolares. Dessa forma, o professor encontra condições de não ser apenas um mero repetidor de listas dos conteúdos, muitas vezes, alheios à língua que se fala, ouve, lê e escreve. Neste currículo a concepção de linguagem é vista em uma perspectiva sociointeracionista, a qual leva em consideração tanto as formas linguísticas quanto os aspectos envolvidos em seu funcionamento, os níveis de linguagem e interlocutores, numa visão na qual a língua é um elemento cognitivo e social, constitutiva da realidade e essencialmente dialógica. A partir dessa concepção de linguagem como interação, propõe-se que o ensino se efetive através de práticas articuladas de oralidade, leitura e escrita e análise linguística. Considerando esses pressupostos, em articulação com as competências gerais da BNCC, o componente curricular Língua Portuguesa deve garantir aos estudantes o desenvolvimento de competências específicas, de acordo com os seguintes eixos: 5.1.1.1. Práticas de Oralidade São práticas sociais interativas, que se apresentam sob variadas formas ou gêneros textuais, fundadas na realidade sonora. Elas são realizadas em níveis de registros do menos formal ao mais formal - nos variados contextos de uso. Nesse sentido, o papel da escola é mostrar aos estudantes a grande variedade da fala, conscientizando- os de que a língua não é homogênea e estática, trabalhando com eles diferentes níveis de linguagem, desde o coloquial até o mais erudito. Assim, não se deve considerar nos atos de interação oral o “certo” e o “errado”, mas saber que a variedade linguística utiliza, nos diferentes contextos sociais, o registro adequado às diferentes situações de comunicação, considerando as intencionalidades e os interlocutores envolvidos no ato comunicativo. Isso implica em considerar as variedades linguísticas existentes (geográfica ou diatópica, histórica ou diacrônica, social ou diastrática, dentre outras). É importante destacar que, embora a oralidade e a escrita da língua apresentem similaridades, há diferenças entre elas, pois a fala é, na maioria das vezes, espontânea, a interação se dá, quase sempre, face a face e é complementada com recursos gestuais, de entonação e outros, enquanto que a escrita pode ser planejada, elaborada e não dispõe de recursos extralinguísticos. 5.1.1.2. Práticas de Leitura de Textos A leitura de textos é uma atividade de interação entre sujeitos, indo além da simples decodificação de sinais gráficos. O leitor como um dos sujeitos da interação, busca recuperar, interpretar e compreender o conteúdo e as intenções do autor, por meio dos elementos gráficos, elaborando hipóteses, confirmando-as ou refutando-as e tirando suas conclusões. Muito do que o leitor consegue apreender faz parte do seu conhecimento de mundo, acerca dos elementos que constituem e facilitam a compreensão do texto. A leitura tem como funções: o acesso ao conhecimento produzido, o desenvolvimento do prazer estético, o acesso às especificidades da escrita, o lazer(hedonística), a fuga da realidade, o estímulo à criatividade, o preenchimento de tempo, a satisfação das pessoais, a moralidade; o auto respeito, dentre outras (MARCUSCHI,2008). As atividades de leitura em contextos escolares devem, assim, contribuir para a ampliação dos repertórios de informação do leitor. As experiências gratuitas do prazer de ler permitem também que se compreenda o que é típico da escrita formal dos textos da comunicação pública. 5.1.1.3. Práticas de Produção de Textos Marcuschi (2008) afirma que a escrita é usada em contextos sociais da vida cotidiana em paralelo com a oralidade. Em cada texto, as ênfases e os objetivos do uso da escrita são variados e diversos. Há relação entre a escrita e o contexto social de produção e recepção, fazendo surgir gêneros textuais, cada um com suas formas e funções, suas particularidades temáticas, suas intenções específicas e formas comunicativas. A atividade de escrita é interativa, com expressões e manifestações verbais de ideias, informações, intenções, crenças ou sentimentos que se quer partilhar. Embora o sujeito com quem se quer interagir pela escrita, muitas vezes, não esteja presente, é inegável que ele existe e é imprescindível ser levado em consideração no momento da produção escrita, assim como devem ser consideradas também as condições de recepção desse texto. Dessa forma, nas práticas de produção de texto, o professor deve dar ênfase a práticas de escritas com autoria, destinatário, referência, enfim, decidir sobre o que vai ser escrito, para que, para quem e como vai ser escrito, visto que, socialmente, não existe escrita “para nada”, “para não dizer nada” e “para não ser ato de linguagem” (MARCUSCHI,2008). 5.1.1.4. Práticas de Análise Linguística O desenvolvimento da competência discursiva dos estudantes dependerá de um trabalho sistematizado, tanto no nível da textualidade (estrutura macro e micro dos gêneros textuais) quanto no nível da gramática (competência linguística). Assim, o isolamento de unidades mínimas é um procedimento de análise que só tem sentido se retomado ao nível do texto. A análise do uso de determinada palavra em um texto só terá sentido se contribuir para a sua compreensão em um contexto comunicativo específico. Possenti (1999) define gramática a partir da noção de conjunto de regras: as que devem ser seguidas (gramática normativa), as que são seguidas (gramática descritiva) e as que o falante domina (gramática internalizada). Nessa perspectiva, o objetivo do ensino da língua não é formar gramáticos ou linguistas descritivistas, mas usuários da língua, pessoas capazes de interagir verbalmente, de modo autônomo e eficaz, na perspectiva dos propósitos das múltiplas situações de interação em que estejam engajados. Deve-se considerar como competência geral para o ensino da Língua Portuguesa a ampliação da capacidade discursiva do estudante em atividades de uso social da língua, de maneira a compreender outras exigências de adequação da linguagem. Segundo Beaugrande e Dressler(1983), há sete fatores que condicionam as situações de produção textual, quais sejam: a coerência e a coesão (de natureza linguística e conceitual); e a intencionalidade, a aceitabilidade, a situacionalidade, a informatividade e a intertextualidade (de natureza social e pragmática). Assim, um texto bem elaborado deve conter esses fatores de textualidade. Quanto mais variado for o contato do estudante com diferentes tipos e gêneros textuais, mais fácil será assimilar as regularidades que determinam o seu uso. Em relação à Literatura, esta tem sido uma forte aliada no desenvolvimento cultural dos estudantes. É importante não ser concebida como uma prática utilitária de leitura ou ainda que o texto literário sirva como pretexto para o trabalho da gramática ou de outros componentes do currículo, mas como atividade autônoma, funcionando como um jogo em torno da linguagem, das ideias, das formas, sem subordinação a um objetivo prático gramatical. 5.1.2. COMPONENTE CURRICULAR DE ARTE A arte surgiu ainda nos primórdios da humanidade, dada a necessidade de o ser humano primitivo expressar ideias e sentimentos na sua relação com anatureza. Sendo o ser humano dotado de raciocínio lógico, diversificou o seu modo de viver, pensar e agir. A partir daí a criatividade humana e a tecnologia existente levou à invenção de objetos, artefatos e utensílios para auxiliar tarefas do cotidiano, garantir a sobrevivência ou adornar corpos e ambientes, unindo o uso do raciocínio lógico ao das mãos no ato de “criar”. Revelou-se, então, como uma de suas primeiras ações sobre a natureza, em que o homem a utiliza e transforma (FISCHER, 1983). Disso surgiram as linguagens visual (pintura rupestre), oral (sons, palavras) e simbólica (gestos, escrita, vestimentas e adornos), ressignificando as ideias humanas em objetos (vasos, colares, utensílios, armas de caça), e atos artísticos (música, dança e teatro) que reuniam o senso auditivo e/ou visual. A Arte desenvolveu-se num processo sócio-histórico-político, relacionando ambiente (lugar, espaço, tempo), filosofia (pensamento, ideias), antropologia (comportamentos, modos de vida, costumes) e metafísica (crenças, valores, coisas místicas). É nela que se interpreta/reinterpreta, se cria/recria o mundo, nos contextos que influem a criação, expressão e manifestações artístico-culturais plenas de sentido, simbologia, empirismo e epistemologia. O contato com ela deve favorecer o diálogo, questionamento e análise do objeto e/ou ato artístico. A arte na educação como expressão pessoal e como cultura, é um importante instrumento para a identificação cultural e o desenvolvimento individual (BARBOSA, 2010). No ensino-aprendizagem em Arte, a celebrada proposta ou abordagem triangular de ensino da arte, pensada por Ana Mãe Barbosa prevê três ações básicas a serem contempladas: apreciar/ler, contextualizar e praticar/produzir. Esta tríade não privilegia qualquer dessas ações, alinhando-as no ato da fruição, decodificação e reprodução/releitura de um objeto artístico simultânea e dialogicamente. "A arte como linguagem aguçadora dos sentidos transmite significados que não podem ser transmitidos por meio de nenhum outro tipo de linguagem, tal como a discursiva ou a científica" (BARBOSA, 2010). No Sistema Municipal de Ensino do Jaboatão dos Guararapes - SMEJG, o estudo da Arte, como previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Nº 9.394/96 e estruturado na Base Nacional Comum Curricular, que vem adequar e atualizar os Parâmetros Curriculares Nacionais se dará a partir de quatro linguagens: Artes Visuais, Dança, Música e Teatro. A cultura brasileira deve, de acordo com as Leis 10.639/03 e 11.645/08, valorizar a história e cultura de matriz africana, afro-brasileira e indígena. A BNCC propõe que a abordagem das linguagens: Artes visuais, Dança, Música e Teatro articule seis dimensões do conhecimento que, de forma indissociável e simultânea, caracterizam a singularidade da experiência artística. Não se trata de eixos temáticos ou categorias, mas de linhas maleáveis que se interpenetram, constituindo a especificidade da construção do conhecimento em Arte na escola, sem nenhuma hierarquia ou ordem entre elas, para se trabalhar com cada uma no campo pedagógico. Essa referência busca facilitar o processo de ensino e aprendizagem em Arte, integrando os conhecimentos do componente curricular. Sendo os conhecimentos e as experiências artísticas constituídos por materialidades verbais e não verbais, sensíveis, corporais, visuais, plásticas e sonoras, é importante levar em conta sua natureza vivencial, experiencial e subjetiva. As dimensões são: • Criação: refere-se ao fazer artístico, quando os sujeitos criam, produzem e constroem. Trata do apreender o que está em jogo durante o fazer artístico, permeado por tomadas de decisão, entraves, desafios, conflitos, negociações e inquietações. • Crítica: refere-se às impressões que impulsionam os sujeitos em direção a novas compreensões do espaço em que vivem, através do estudo e pesquisa. Articula ação e pensamento propositivos, envolvendo aspectos estéticos, políticos, históricos, filosóficos, sociais, econômicos e culturais. • Estesia: é a experiência sensível dos sujeitos em relação ao espaço, ao tempo, ao som, à ação, às imagens, ao próprio corpo e materiais diversos. Nela, o corpo em sua totalidade (emoção, percepção, intuição, sensibilidade e intelecto) protagoniza a experiência, pela sensibilidade e percepção para se conhecer a si mesmo, o outro e o mundo. • Expressão: possibilidades de exteriorizar e manifestar as criações subjetivas por meio de procedimentos artísticos, individual e coletivamente. Emerge da experiência artística com os elementos constitutivos de cada linguagem, dos seus vocabulários específicos e das suas materialidades. • Fruição: refere-se ao deleite, ao prazer, ao estranhamento e à abertura para se sensibilizar durante a participação em práticas artísticas e culturais; implicando na relação continuada dos sujeitos com produções artísticas e culturais das mais diversas épocas, lugares e grupos sociais. • Reflexão: refere-se ao processo de construir argumentos e ponderações sobre as fruições, as experiências e os processos criativos artísticos e culturais. É a atitude de perceber, analisar e interpretar a arte, seja como criador ou leitor. A referência a essas dimensões busca facilitar o processo de ensino e aprendizagem em Arte, integrando os conhecimentos do componente curricular. Uma vez que os conhecimentos e as experiências artísticas são constituídos por materialidades verbais e não verbais, sensíveis, corporais, visuais, plásticas e sonoras. É importante levar em conta sua natureza vivencial, experiencial e subjetiva. Segundo a BNCC é importante que o componente curricular Arte considere o diálogo entre essas linguagens, com a literatura, e outras formas estéticas híbridas, como as artes circenses, o cinema e a “performance”, integrando aprendizagens amplas e complexas e propiciando entender os costumes e valores das culturas, manifestados na arte. Do ponto de vista histórico, social e político, isso contribui para a formação integral do Ser. Ao longo do Ensino Fundamental, os estudantes devem expandir seu repertório e ampliar sua autonomia nas práticas artísticas, por meio da reflexão sensível, imaginativa e crítica sobre os conteúdos artísticos e seus elementos constitutivos e também sobre as experiências de pesquisa, invenção e criação. Na BNCC de Arte, cada uma das quatro linguagens do componente curricular constitui uma unidade temática, que reúne objetos de conhecimento e habilidades articulados às seis dimensões apresentadas anteriormente. Além dessas, uma última unidade temática, Artes integradas, explora as relações e articulações entre as diferentes linguagens e suas práticas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação. Nessas unidades, as habilidades são organizadas em dois blocos (1º ao 5º ano e 6º ao 9º ano), para permitir que os sistemas e as redes de ensino, as escolas e os professores organizem seus currículos e suas propostas pedagógicas com a devida adequação aos seus contextos. Não sendo proposta de forma linear, rígida ou cumulativa com relação a cada linguagem ou objeto de conhecimento, mas relacionando cada nova experiência às anteriores e às posteriores na aprendizagem em Arte. Os agrupamentos propostos não devem ser tomados como modelo obrigatório para o desenho dos currículos. Assim, as competências específicas da área de Linguagens, no componente curricular Arte, deve garantir aos estudantes o desenvolvimento de algumas competências específicas. 1. Explorar, conhecer, fruir e analisar criticamente práticas e produções artísticas e diversas sociedades, em distintos tempos e espaços, para reconhecer a arte como um bem cultural do seu entorno social, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais brasileirase de fenômeno cultural, histórico, social e sensível a diferentes contextos e dialogar com as diversidades. 2. Compreender as relações entre as linguagens da Arte e suas práticas integradas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação, pelo cinema e pelo audiovisual, nas condições particulares de produção, na prática de cada linguagem e nas suas articulações. 3. Pesquisar e conhecer distintas matrizes estéticas e culturais – especialmente manifestas na arte e nas culturas que constituem a identidade brasileira –, sua tradição e manifestações contemporâneas, reelaborando-as nas criações em Arte. 4. Experienciar a ludicidade, a percepção, a expressividade e a imaginação, ressignificando espaços da escola e de fora dela no âmbito da Arte. 5. Mobilizar recursos tecnológicos como formas de registro, pesquisa e criação artística. 6. Estabelecer relações entre arte, mídia, mercado e consumo, compreendendo, de forma crítica e problematizadora, modos de produção e de circulação da arte na sociedade. 7. Problematizar questões políticas, sociais, econômicas, científicas, tecnológicas e culturais, por meio de exercícios, produções, intervenções e apresentações artísticas. 8. Desenvolver a autonomia, a crítica, a autoria e o trabalho coletivo e colaborativo nas artes. 9. Analisar e valorizar o patrimônio artístico nacional e internacional, material e imaterial, com suas histórias e diferentes visões de mundo. O mundo atual, influenciado pelas mídias, é carregado de informações de apelo visual que leva as pessoas a consumirem muitos produtos e serviços: imagens, vídeos e representações do real que se fazem cada vez mais presentes no cotidiano. Assim, as Artes Visuais tradicionalmente conhecidas – pintura, desenho, escultura, gravura, arquitetura, arte decorativa – fundamentam e se associam às expressões visuais contemporâneas: fotografia, cinema, televisão, vídeo, web arte, holografia, instalação, “design”, moda, performance, “flash mobile”, “lives”, entre outras, ditadas pela tecnologia. E as pessoas fazem imediatas associações com símbolos, signos, mensagens, códigos e outras formas de percepção visual e de valores culturais dos povos. Nesse contexto, o olhar é entendido como forma de aprendizagem, potencializando o simples fato de ver/enxergar para percebê-lo, compreendê-lo e reinterpretá-lo, ampliando a cultura visual, que sempre acompanhou o ser humano como um campo que aborda os hábitos e costumes visuais dos povos os considera como fonte de transmissão cultural e entendimento do mundo e da realidade, combinando estudos da cultura, arte, história e antropologia. Na escola as atividades com Artes Visuais devem levar o estudante a uma visão mais crítica, provocadora de sentidos e estesias e ajudá-lo a compreender como, por que e de que maneira o fenômeno visual acontece para, daí, reconstruir/ressignificar esse olhar num processo de contextualização, fruição e produção, a partir de diversas técnicas de composição visual (pintura, desenho, colagem, entre outras). No campo da linguagem corporal, a Dança sempre esteve associada ao raciocínio lógico, ampliando seu sentido e expressão para representar ideias e fatos e simbolizar elementos naturais e artificiais. Na primitividade, a dança, consistia na imitação (mimese) da natureza por meio do corpo, codificando o movimento dos astros, animais e plantas e embelezando expressões deíficas; quem criava os movimentos era considerado como alguém ligado ao “sagrado”, diferente dos demais seres humanos, conforme BERTHOLD(2010). Ainda, segundo RAMOS (2009), “A mimese, entendida não como mera imitação, cópia (sentido hegemônico modernamente), mas como produção que se constitui ontologicamente com identidade própria, será sempre a apresentação de algo que anteriormente inexistia, ou que só havia em potência, e agora se instaura, ou se repete, no sentido de suceder no tempo essa latência anterior, concreta ou imaginária, e se materializa diante dos nossos olhos como se fosse a própria natureza a fazê-lo”. (RAMOS, 2009) Assim, surgiram rituais, procissões, desfiles e expressões que, mesmo sem o uso da palavra, eram facilmente compreendidas pelos espectadores no contexto sociocultural e espaço-temporal, aprimorando-se e ganhando especificidades em cada cultura e transitando do sagrado para o mundano; dos palácios para as ruas; das procissões para a carnavalização; do erudito para o popular; confundindo-se com a gênese do Teatro e religiões primitivas. Na Antiguidade e Modernidade a Dança deu origem às danças: palaciana, pastoris (origem da quadrilha junina), clássica, moderna e contemporânea, popular (frevo, maracatu, caboclinho, forró), de rua (“street dance”, “break”, “hip hop”, “funk”); sempre para expressar alegria, tristeza, reverência, sentimentos nobres e outros aspectos da vida, coreografadas nas composições corporais dos povos (BERTHOLD, 2010). https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Estudo_cultural&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Estudo_cultural&action=edit&redlink=1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Antropologia No ambiente da escola, a Dança deve ser entendida como aprendizado corporal e cinestésico, valorização da cultura e identidade. Pode ser trabalhada a partir de cantigas de roda, experimentos corporais, montagens coreográficas e outras ações que contemplem a mesma, no fazer artístico dos estudantes. Deve priorizar as manifestações originais do país e da região, nas suas formas populares e eruditas. A Música é uma expressão originária de todos os povos, que abrange os diversos usos e funções: artísticas, culturais, sociais, religiosas, filosóficas e políticas, conforme apresentado na Proposta Curricular da Rede Municipal (2011). Sua aplicabilidade transdisciplinar no contexto educacional aciona estratégias cognitivas, motoras, afetivas, críticas e contribui para a formação integral do ser humano. O ensino da Música, previsto pela Lei Federal Nº 11.769/ 2008, torna a Música parte do componente curricular obrigatório na Educação Básica e instituída como constituinte da Arte. De acordo com Fonterrada (2008), pode-se compreender a educação musical como um espaço para inserção da arte na vida do ser humano, para atingir outras dimensões de si, do outro e com o mundo. Deve ter um sentido muito mais amplo que apenas divertir ou desenvolver habilidades. Ela desperta o respeito e a valorização aos saberes e à identidade dos estudantes. Adequando a sua prática ao trabalho com a diversidade cultural brasileira, a música possibilita compartilhar experiências e despertar a autonomia e dignidade. No campo científico, a neurociência revela que a música ativa diversas partes do cérebro, estimula e integra simultaneamente várias funções cognitivas: memória, associação sensorial e corporal, linguagem corporal e simbólica. A música nas escolas, se compreendida para o desenvolvimento da cidadania, faz superar as negatividades de quaisquer processos formativos, possibilitando as positividades presentes nas culturas, garantindo condições subjetivas e objetivas da humanização dos povos e formação cidadã. Pode ser trabalhada através de cantigas de roda, cancioneiro popular, grupos vocais e instrumentais, bandas musicais ou fanfarra, instrumentos alternativos e experimentos acústicos diversos. Ainda com a ideia de se expressar, o ser humano fez surgir o Teatro. Originado nele próprio, sua relação com a natureza e sua capacidade criativa, aparece em várias culturas, épocas e concepções variadas: nas expressões orientais (China, Japão e Índia) e heranças ocidentais (civilizações Mesopotâmica e Helênica), entre outras. O Teatro surge da expressão do corpo e da voz por seres humanos que, por exemplo, chamava a atenção, vestidos e adornados commovimentos ao redor das fogueiras, imitando a natureza e seres vivos e se diferenciando dos demais, o que lhes conferia um sentido mágico e encantatório: “o Xamã, que é o porta-voz do deus, o dançarino mascarado que afasta os demônios, o ator que traz a vida à obra do poeta - todos obedecem ao mesmo comando, que é a conjuração de uma outra realidade, mais verdadeira. (...)elevam o artista acima das leis que governam a vida cotidiana, o transforma no mediador de um vislumbre mais alto; e a presença de espectadores preparados para receber a mensagem desse vislumbre”. (BERTHOLD, 2010). Com a convenção dos gestos, sons, palavras, movimentos e espaços, o Teatro se desenvolveu, principalmente na Grécia e Roma, que criaram o aparato cênico (Theatron) e o texto teatral por volta de 500 a.C. e os gêneros da Tragédia e Comédia, celebrados até hoje por vários autores ao longo dos séculos, com variantes estilísticas a cada era. De natureza complexa, estabelece relações com outras linguagens da arte (música, dança, literatura e suas diversas modalidades), numa rede intercontextual e inter/transdisciplinar. Na escola, o Teatro deve favorecer a percepção do mundo, a vivência de personagens do cotidiano, a criação/recriação de dramaturgias escritas ou cênicas e o protagonismo individual e coletivo dos estudantes. Também desenvolver o senso crítico e reflexivo e a convivência em grupo; ajudar a lidar com: regras, tempo-ritmo de cada indivíduo, ética e respeito, desenvolvendo aspectos afetivos, cognitivos e socioculturais. Pode ser trabalhado com brincadeiras do faz-de-conta, jogos dramáticos ou teatrais, improvisações com lendas, contos e narrativas da tradição oral e textos dramáticos de autores nacionais e internacionais, jogos corporais, mímica e pantomima, entre outros. 5.1.3. COMPONENTE CURRICULAR DE EDUCAÇÃO FÍSICA O Referencial Curricular da Educação do Município do Jaboatão dos Guararapes, a partir da LDBEN - Lei Nº 9.394/96 atribui à Educação Física valor igual aos demais componentes curriculares da escola, abandonando o entendimento de ser uma mera atividade destituída de sentido e significado na prática educativa, passando a ser considerada como área do conhecimento, como estabelecido em seu Art.26 da Educação do Município. “A Educação Física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da Educação Básica, ajustando-se as faixas etárias e às necessidades da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos”.(BRASIL,1996). A referida Lei, então, passou por diferentes ajustes para garantir, no texto de seus artigos, o real entendimento da Educação Física enquanto componente curricular, sofrendo duas alterações: uma incluindo o termo “obrigatório”, por meio da Lei nº 10.328/2001; e a outra pela Lei nº 10.793/2003,definindo a atual redação: “Art. 26. (...) §3º A Educação Física integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da Educação Básica, sendo sua prática facultativa ao estudante que: cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas, maior de trinta anos de idade, que estiver prestando serviço militar inicial, ou que, em situação similar, estiver obrigada à prática da Educação Física, amparado pelo Decreto Lei n.1.044/69 e que tenha prole”. A Educação Física está inserida na área de Linguagens e segundo Daolio (2004), reflete a importância hoje atribuída ao movimento corporal humano como instância de comunicação, de interações recíprocas mediante expressões (significação e ressignificação) de gestos corporais culturalmente construídos, legitimados, reconhecidos e compartilhados como expressões das linguagens. Desse modo, a Educação Física é compreendida como o componente curricular responsável pelo ensino e aprendizagem das práticas corporais culturalmente construídas e constituídas como expressões das linguagens humanas ao longo do processo histórico de civilização. Nesta perspectiva, o desafio da Educação Física é contribuir para o desenvolvimento de uma educação compreendida como um processo de formação humana, que valoriza o domínio de conhecimentos, a formação política e ética dos sujeitos escolares, bem como garantir uma educação inclusiva. Esta área do conhecimento está comprometida com a construção de uma escola como tempo e espaço de convivência sociocultural, com o aprendizado de saberes e desenvolvimento do sujeito, respeitando a pluralidade das potencialidades humanas, valorizando o conhecimento, a arte, a identidade, os sentimentos e as suas múltiplas linguagens. Portanto, as práticas corporais na Educação Física, segundo a BNCC (2017) estão organizadas em seis unidades temáticas: Brincadeiras e Jogos; Esportes; Danças; Lutas; Ginásticas; Práticas Corporais de Aventura. A Unidade Temática Brincadeiras e Jogos abrange atividades voluntárias desenvolvidas dentro de determinados limites de tempo e espaço, caracterizadas pela criação e alteração de regras, pelo respeito de cada participante ao que foi acordado coletivamente, bem como pela perspectiva do ato de brincar em si. Essas práticas não têm um conjunto estável de regras e, portanto, ainda que possam ser reconhecidos como jogos similares em diferentes épocas e partes do mundo, são recriados, constantemente, pelos diversos grupos culturais. Desse modo, é possível reconhecer que um conjunto grande dessas brincadeiras e jogos é propagado através de redes de sociabilidade informais, o que possibilita reconhecê-los como populares. É de suma relevância estabelecer uma diferença entre jogo como conteúdo específico e jogo como ferramenta auxiliar de ensino. Sabe-se que, no campo educacional, jogos e brincadeiras são criados com o objetivo de provocar interações sociais específicas entre seus participantes ou para consolidar determinados conhecimentos. Nessa visão, o jogo, é compreendido como caminho para outra aprendizagem. Destaca-se, nesse contexto, a mesma importância atribuída aos jogos e brincadeiras presentes na memória dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, representando formas de conviver, possibilitando o reconhecimento de seus valores e formas de viver em diferentes contextos ambientais e socioculturais brasileiros. A Unidade Temática Esportes engloba as manifestações formais e derivadas dessa prática. O esporte é definido pela comparação de um determinado desempenho entre indivíduos ou grupos (adversários), gerido por um conjunto de regras formais, institucionalizadas por organizações (associações, federações e confederações esportivas), definidas por normas de disputa que promovem o desenvolvimento das modalidades em todos os níveis de competição. Entretanto, essas características não apresentam um único sentido ou apenas um significado entre aqueles que o praticam, principalmente quando o esporte é desenvolvido no contexto do lazer, da educação e da saúde. As práticas provenientes dos esportes preservam suas características formais de regulação das ações, mas adequam as demais normas institucionais aos interesses dos participantes, às características quanto ao espaço, número de jogadores, material disponível etc. Essa unidade temática está estruturada num modelo de classificação baseado na lógica interna, tendo como pressuposto os critérios de cooperação, interação com o adversário, desempenho motor e objetivos táticos da ação. Essa organização propicia a distribuição das modalidades esportivas em categorias, favorecendo as ações motoras intrínsecas, agrupando esportes que apresentam exigências motrizes semelhantes no desenvolvimento de suas práticas. Conforme a BNCC, os esportes estão classificados em sete categorias, o que facilita a compreensão do que caracteriza cada uma delas, mas não se constituem como prescrições das modalidadesa ser obrigatoriamente trabalhadas na escola. São elas: Marca: modalidades caracterizadas pela comparação de resultados registrados em segundos, metros ou quilos (todas as provas do atletismo, ciclismo, levantamento de peso etc.). Precisão: modalidades que se caracterizam por arremessar/lançar um objeto, visando acertar um alvo específico, estático ou em movimento, com a comparação do número de tentativas realizadas, a pontuação obtida em cada tentativa (maior ou menor do que a do adversário) ou a proximidade do objeto arremessado ao alvo (mais perto ou mais longe do que o adversário conseguiu deixar), como nos seguintes casos: bocha, golfe, tiro com arco, tiro esportivo etc. Técnico-combinatório: modalidades em que o resultado da ação motora comparado é a qualidade do movimento segundo padrões técnico-combinatórios (ginástica artística, ginástica rítmica). Rede/quadra dividida ou parede de rebote: modalidades que se caracterizam por arremessar, lançar ou rebater a bola em direção a setores da quadra adversária nos quais o adversário seja incapaz de devolvê-la da mesma forma ou que leve o adversário a cometer um erro dentro do período de tempo em que o objeto do jogo está em movimento. Alguns exemplos de esportes de rede são voleibol, vôlei de praia, tênis de campo, tênis de mesa, “badminton” e peteca. Já os esportes de parede incluem raquetebol, “squash” etc. Campo e taco: modalidades que se caracterizam por rebater a bola lançada pelo oponente o mais longe possível, para tentar percorrer o maior número de vezes as bases ou a maior distância possível entre as bases, enquanto os defensores não recuperam o controle da bola, e, assim, somar pontos (beisebol, críquete etc.). Invasão ou territorial: modalidades que se caracterizam por comparar a capacidade de uma equipe introduzir ou levar uma bola (ou outro objeto) a uma meta ou setor da quadra/campo defendida pelos adversários (gol, cesta, “touchdown” etc.) protegendo, simultaneamente o próprio alvo, meta ou setor do campo (basquetebol, “frisbee”, futebol, futsal, futebol americano, “handebol”, hóquei sobre grama, polo aquático, “rúgbi” etc.). Combate: modalidades caracterizadas como disputas nas quais o oponente deve ser subjugado, com técnicas, táticas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de um determinado espaço, por meio de combinações de ataque e defesa (judô, boxe, esgrima, “tae kwon do”, capoeira etc.). A Unidade Temática Ginásticas constitui propostas práticas com formas de organização e significados distintos, o que exige a necessidade de explicitar a classificação de cada uma: ginástica geral, de condicionamento físico e de conscientização corporal. A ginástica geral, também denominada como ginástica para todos, agrupa as práticas corporais que têm como elemento organizador a exploração das possibilidades acrobáticas e expressivas do corpo, a interação social, o compartilhamento do aprendizado e a não competitividade. Pode ser formada de exercícios no solo, no ar (saltos), em aparelhos (trapézio, corda, fita elástica), de maneira individual ou coletiva, e combina um conjunto diverso de piruetas, rolamentos, paradas de mão, pontes, pirâmides humanas etc. Compõem também essa prática os chamados jogos de malabar ou malabarismo. As ginásticas de condicionamento físico se caracterizam pela exercitação corporal voltada à melhoria do rendimento, à aquisição e à manutenção da condição física individual ou à modificação da composição corporal. Na maioria das vezes, são organizadas em sessões planejadas de movimentos repetidos, com frequência e intensidade definidas. As ginásticas de conscientização corporal são formadas por práticas que utilizam movimentos suaves e lentos, como a recorrência a posturas ou à conscientização de exercícios respiratórios, voltados à obtenção de uma melhor percepção sobre o próprio corpo (Pilates). Algumas dessas práticas que constituem esse grupo têm origem em práticas corporais milenares da cultura oriental como a “ioga” e o “taíchíchuan”. A Unidade Temática Danças compreende o conjunto das práticas corporais caracterizadas por movimentos rítmicos, organizados em passos e evoluções específicas, também podendo ser integradas a coreografias. As danças podem ser desenvolvidas de maneira individual, em duplas ou em grupos. Dessa maneira, além das danças presentes no contexto comunitário e regional, podem ser trabalhadas as danças do Brasil e do mundo, as de matrizes indígenas e africanas, as danças urbanas e folclóricas regionais e as danças de salão e contemporânea. A Unidade Temática Lutas é voltada para as disputas corporais, nas quais os participantes utilizam técnicas, táticas e estratégias específicas para imobilizar, desequilibrar, atingir ou excluir o oponente de um determinado espaço, combinando ações de ataque e defesa direcionadas ao corpo do adversário. Dessa maneira, além das lutas presentes no contexto comunitário e regional, podem ser trabalhadas lutas brasileiras (capoeira, “huka-huka”, luta marajoara etc.), bem como lutas de diversos países do mundo (judô, “aikido”, “jiu-jítsu”, “muay thai”, boxe, “chinese boxing”, esgrima, “kendo” etc.). Por fim, na Unidade Temática Práticas Corporais de Aventura, utilizam-se expressões e formas de experimentação corporal focados nas perícias e proezas provocadas pelas situações de imprevisto surgidas quando o praticante interage com um ambiente desafiador. Vale ressaltar que a diferenciação das Práticas Corporais de Aventura tem por base o ambiente onde são praticadas: na natureza e urbanas. As práticas de aventura na natureza são caracterizadas pela exploração das incertezas que o ambiente físico cria para o praticante (corrida orientada, corrida de aventura, corridas de “mountain bike”, rapel, tirolesa, arborismo etc.). Já nas práticas de aventura urbanas são explorados os ambientes da cidade para o desenvolvimento de “parkour”, “skate”, patins, “bike” etc. Vale ressaltar que, em princípio, todas as práticas corporais poderão ser objeto do trabalho pedagógico em qualquer etapa e modalidade de ensino. No entanto, alguns critérios de progressão do conhecimento devem ser garantidos, tais como os elementos específicos das diferentes práticas corporais, as características dos sujeitos e os contextos de atuação, sinalizando tendências de organização dos conhecimentos. É importante frisar que apesar de não ter sido apresentada como uma das práticas corporais do Currículo da Educação Física no Município, ressalta-se a necessidade, quando possível, dos estudantes terem a oportunidade de vivenciar práticas corporais aquáticas, em razão da sua relevância para a segurança pessoal e seu potencial de fruição durante o lazer. Essas práticas englobam tanto os esportes aquáticos (em especial, a natação em seus quatro estilos competitivos), quanto a proposta de vivenciar atividades aquáticas como aprender, entre outros movimentos básicos, o controle da respiração, a flutuação em equilíbrio, a imersão e os deslocamentos na água. Convém destacar que as práticas corporais na escola deverão ser recriadas com base em sua função social e suas possibilidades materiais e o cenário de cada contexto escolar, podendo ser desenvolvidas em qualquer etapa e modalidade de ensino. O Referencial Curricular do Município segue critérios de progressão do conhecimento, respeitando as especificidades de cada etapa/ano, numa perspectiva inclusiva, levando em conta o reconhecimento do direito assegurado pela Declaração de Salamanca aprovada na Conferência Mundial de Educação (1994). Assim, o componente curricular de Educação Física deve garantir aos estudantes o desenvolvimento de competências específicas. 5.1.3.1. A Educação Física no Ensino Fundamental - Anos Iniciais Nos Anos Iniciais,o foco do ensino-aprendizagem é a valorização do trabalho lúdico a partir do resgate das vivências experimentadas na Educação Infantil de maneira articulada, progressiva e sistemática. Nesse contexto, a progressão do conhecimento, para os anos iniciais, deverá favorecer a consolidação das aprendizagens anteriores garantindo ampliação das práticas de linguagem e da experiência estética, inclusiva e intercultural das crianças. 5.1.3.2. A Educação Física no Ensino Fundamental - Anos Finais No que concerne aos Anos Finais, o trabalho a ser desenvolvido deverá explorar as práticas corporais numa perspectiva de vivência, apropriação, aprofundamento, ressignificação e reconstrução, no contexto histórico e social da cultura humana em geral, garantindo aos estudantes a aprendizagem num nível de experimento que os possibilite refletir sobre a ação, construir valores e o protagonismo comunitário. O desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem do componente curricular Educação Física nos Anos Iniciais e Finais deverá atender com base na BNCC , competências específicas, como: 1. Compreender a origem da cultura corporal de movimento e seus vínculos com a organização da vida coletiva e individual. 2. Planejar e empregar estratégias para resolver desafios e aumentar as possibilidades de aprendizagem das práticas corporais, além de se envolver no processo de ampliação do acervo cultural nesse campo. 3. Refletir, criticamente, sobre as relações entre a realização das práticas corporais e os processos de saúde/doença, inclusive no contexto das atividades laborais. 4. Identificar a multiplicidade de padrões de desempenho, saúde, beleza e estética corporal, analisando, criticamente, os modelos disseminados na mídia e discutir posturas consumistas e preconceituosas. 5. Identificar as formas de produção dos preconceitos, compreender seus efeitos e combater posicionamentos discriminatórios em relação às práticas corporais e aos seus participantes. 6. Interpretar e recriar os valores, os sentidos e os significados atribuídos às diferentes práticas corporais, bem como aos sujeitos que delas participam. 7. Reconhecer as práticas corporais como elementos constitutivos da identidade cultural dos povos e grupos. 8. Usufruir das práticas corporais de forma autônoma para potencializar o envolvimento em contextos de lazer, ampliar as redes de sociabilidade e a promoção da saúde. 9. Reconhecer o acesso às práticas corporais como direito do cidadão, propondo e produzindo alternativas para sua realização no contexto comunitário. 10. Experimentar, desfrutar, apreciar e criar diferentes brincadeiras, jogos, danças, ginásticas, esportes, lutas e práticas corporais de aventura, valorizando o trabalho coletivo e o protagonismo. 5.1.4. COMPONENTE CURRICULAR DA LÍNGUA INGLESA Na era da globalização digital, as novas tecnologias facilitam o acesso à informação e, ao mesmo tempo, provocam mudanças profundas na forma como as pessoas interagem, produzem, se relacionam e aprendem. Nesse cenário, aprender uma língua estrangeira é fundamental para participar ativa e criticamente em meio a essa sociedade interconectada e plural. Nessa perspectiva, o papel social da Língua Inglesa ultrapassa as fronteiras geográficas e políticas e é reconhecido como um dos principais instrumentos, capaz de ampliar os horizontes dos estudantes em termos profissionais e pessoais, contribuindo para a formação integral dos estudantes. (MOITA LOPES, 2005). Nesse contexto, o caráter formativo do estudo da Língua Inglesa está, portanto, intimamente ligado à noção de ação e transformação pessoal e social pela educação (linguística); consciente e crítica, na qual as práticas pedagógicas e políticas estão intrinsecamente ligadas. (BRASIL, 2017). Ao priorizarmos esse caráter formativo da aprendizagem da língua inglesa, reforçamos a função social e política do idioma, que é tratado em seu status de língua franca. Nesse viés, não há um padrão de língua inglesa a ser ensinado ou um modelo a Oralidade: envolve a compreensão (ou escuta) e a produção oral (ou fala), articuladas pela negociação na construção de significados partilhados entre os interlocutores. Leitura: aborda a interação dos estudantes com o texto escrito. Os significados são construídos com base na compreensão e na interpretação dos diferentes gêneros escritos em língua inglesa, que circulam nos diversos campos e esferas da sociedade. Escrita: considera a natureza processual e colaborativa do ato de escrever, e por outro lado, concebe o ato de escrever como prática social e reitera a finalidade da condizente com essa prática, oportunizando aos estudantes agir com protagonismo. Conhecimentos linguísticos e gramaticais: propõe a contextualização das práticas de uso, análise e reflexão sobre a língua, articulando às práticas de oralidade, leitura e escrita. O estudo do léxico e da gramática apresenta um caráter indutivo, para que os estudantes possam descobrir as regularidades e irregularidades do funcionamento sistêmico do inglês. Dimensão intercultural: esse eixo valoriza a diversidade entre povos e contempla o multiculturalismo que hoje caracteriza boa parte do globo visando uma reflexão mais ampla sobre o uso da língua inglesa no mundo, seus valores, seu alcance e seus efeitos nas relações entre diferentes pessoas e povos, tanto na sociedade contemporânea quanto em uma perspectiva histórica. (Brasil, 2017). 5.1.4.1. Língua Inglesa nos Anos Finais do Ensino Fundamental Apesar do ensino de uma língua estrangeira ser imprescindível na sociedade ser seguido. No entanto, os estudantes são convidados a refletir sobre o que é adequado e inteligível nas diferentes interações. O esquema curricular proposto pelo documento organiza as habilidades da área em cinco eixos: contemporânea, a obrigatoriedade do ensino de Língua Inglesa no Brasil é algo recente. Essa obrigatoriedade só foi ampliada no currículo do Ensino Fundamental com a Reforma do Ensino Médio (Lei n°13.415, 2017), que altera a LDBEN (n° 9.394, de 1996), na qual o ensino do idioma se torna obrigatório no país a partir do 6° ano do Ensino Fundamental ao lado de Língua Portuguesa e Matemática. Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s (Brasil, 1998), enfatizaram o ensinar e o aprender uma língua adicional no contexto escolar e, nessa perspectiva, o ensino do inglês no Ensino Fundamental permite o acesso a uma ampla rede de comunicação e a uma gama de informações presente na sociedade contemporânea. Isso significa dizer que a aprendizagem desse idioma é, portanto, necessária como instrumento de compreensão do mundo, de inclusão social e de valorização pessoal. Desse modo, os estudantes são incentivados a participar de diferentes práticas sociais mediadas pela língua. o que os leva a conhecer novas realidades, assim como a compreender melhor o contexto social que os cerca e, possivelmente, contribuir para transformá-lo. Segundo a BNNC (2017), ao longo dos anos finais do Ensino Fundamental, os estudantes devem desenvolver as seguintes competências relativas à língua inglesa. 1. Identificar o lugar de si e o do outro em um mundo plurilíngue e multicultural, refletindo, criticamente, sobre como a aprendizagem da língua inglesa contribui para a inserção dos sujeitos no mundo globalizado, inclusive no que concerne ao mundo do trabalho. 2. Comunicar-se na língua inglesa, por meio do uso variado de linguagens em mídias impressas ou digitais, reconhecendo-a como ferramenta de acesso ao conhecimento, de ampliação das perspectivas e de possibilidades para a compreensão dos valores e interesses de outras culturas e para o exercício do protagonismo social. 3. Identificar similaridades e diferenças entre a Língua Inglesa e a língua materna/outraslínguas, articulando-as a aspectos sociais, culturais e identitários, em uma relação intrínseca entre língua, cultura e identidade. 4. Elaborar repertórios linguístico-discursivos da língua inglesa usados em diferentes países e por grupos sociais distintos dentro de um mesmo país, de modo a reconhecer a diversidade linguística como direito e valorizar os usos heterogêneos, híbridos e multimodais emergentes nas sociedades contemporâneas. 5. Utilizar novas tecnologias, com novas linguagens e modos de interação para pesquisar, selecionar, compartilhar, posicionar-se e produzir sentidos em práticas de letramento na língua inglesa, de forma ética, crítica e responsável. 6. Conhecer diferentes patrimônios culturais, materiais e imateriais, difundidos na língua inglesa, com vistas ao exercício da fruição e da ampliação de perspectivas no contato com diferentes manifestações artístico-culturais. Dessa forma, espera-se que o estudo da Língua Inglesa sob o viés discursivo traga contribuições significativas para a formação escolar dos estudantes e que os auxilie na apropriação da língua, levando em conta necessidades, interesses e possibilidades de uso em um mundo globalizado e plural. 5.2. ÁREA II – MATEMÁTICA A Matemática, ciência indispensável para a resolução de problemas práticos da vida moderna, esteve presente, em todas as épocas, entre as formas de interação com o mundo físico, social e cultural, em resposta a um amplo leque de demandas, desde as mais elementares ações cotidianas até as relações de produção e de troca de bens e serviços que foram se diversificando e intensificando ao longo da história. Assim sendo, é reconhecida como produto da cultura humana e, como tal, está em constante evolução. A realidade global, na qual nos encontramos imersos, e os anseios da vida contemporânea decorrentes de tal realidade, tem mostrado a apropriação das habilidades matemáticas como um imperativo à inserção e sucesso em sociedade, marcada por rápidas e profundas mudanças, exigindo capacidade de adaptação a novos processos tecnológicos de produção e de comunicação. A Matemática, conforme organização apresentada na BNCC (2017), constitui área de conhecimento formada por cinco unidades temáticas específicas: números, álgebra, geometria, grandezas e medidas e probabilidade e estatística. Os componentes curriculares são considerados essenciais na promoção das aprendizagens numa perspectiva do letramento matemático, ou seja, a Matemática a ser ensinada deve proporcionar o desenvolvimento e manifestação do pensamento, do raciocínio e da argumentação, com base no conhecimento científico, para o exercício efetivo da cidadania. Dessa forma, demonstrar autonomia e pluralidade nos modos de pensar e agir, solucionar problemas de natureza numérica, algébrica, geométrica, probabilística ou estatística, com lógica e consistência diante de situações reais do cotidiano, ter espírito investigativo sendo capaz de ampliar as possibilidades do levantamento de hipóteses e ter capacidade de expressar-se apropriadamente sempre que necessário, compõem o conjunto que caracteriza a formação de um sujeito matematicamente letrado. Assim sendo, conforme Machado e D’Ambrosio (2014), apenas tornar a Matemática palatável para facilitar a aprendizagem de conteúdos que, ao longo da história da educação, resultaram falivelmente em tecnicidades insignificantes, não é suficiente. A didática e os procedimentos de ensino devem ser sólidos o suficiente para que os estudantes superem a limitação em unicamente memorizar fórmulas e axiomas, mas façam uso deles por meio de múltiplas estratégias e variados procedimentos de cálculo, pois a Matemática deve, antes de tudo, elevar as condições de [...] articulação entre a expressão e a compreensão de fenômenos; entre a análise argumentativa e a síntese que favorece a tomada de decisões; entre o enfrentamento de questões que a realidade concreta continuamente apresenta e o recurso a instrumentos abstratos que constituem meios de aproximação de tal realidade” (MACHADO e D’AMBROSIO, 2014, p.15). Ampliar as possibilidades do desenvolvimento da inteligência humana a partir da aprendizagem dos conteúdos de natureza lógica, científica e útil, próprios da Matemática, contribui na formação crítica e reflexiva desde os primeiros anos do Ensino Fundamental, devendo ser consolidada e aprofundada à medida que se avançam os níveis de escolaridade. Por fim, não menos importante, o uso de princípios, normas e propriedades da Matemática devem ser valorizados por sua relevância na análise e solução para as questões prementes da sociedade contemporânea. 5.2.1. Componente Curricular de Matemática Considerando esses pressupostos e em articulação com as competências gerais da Educação Básica, a área de Matemática e, por consequência, o componente curricular de Matemática deve garantir aos estudantes o desenvolvimento de competências específicas: 1. Reconhecer que a Matemática é uma ciência humana, fruto das necessidades e preocupações de diferentes culturas, em diferentes momentos históricos, e é uma ciência viva, que contribui para solucionar problemas científicos e tecnológicos e para alicerçar descobertas e construções, inclusive com impactos no mundo do trabalho. 2. Desenvolver o raciocínio lógico, o espírito de investigação e a capacidade de produzir argumentos convincentes, recorrendo aos conhecimentos matemáticos para compreender e atuar no mundo. 3. Compreender as relações entre conceitos e procedimentos dos diferentes campos da Matemática (Aritmética, Álgebra, Geometria, Estatística e Probabilidade) e de outras áreas do conhecimento, sentindo segurança quanto à própria capacidade de construir e aplicar conhecimentos matemáticos, desenvolvendo a autoestima e a perseverança na busca de soluções. 4. Fazer observações sistemáticas de aspectos quantitativos e qualitativos presentes nas práticas sociais e culturais, de modo a investigar, organizar, representar e comunicar informações relevantes, para interpretá-las e avaliá-las crítica e eticamente, produzindo argumentos convincentes. 5. Utilizar processos e ferramentas matemáticas, inclusive tecnologias digitais disponíveis, para modelar e resolver problemas cotidianos, sociais e de outras áreas de conhecimento, validando estratégias e resultados. 6. Enfrentar situações-problema em múltiplos contextos, incluindo-se situações imaginadas, não diretamente relacionadas com o aspecto prático- utilitário, expressar suas respostas e sintetizar conclusões, utilizando diferentes registros e linguagens (gráficos, tabelas, esquemas, além de texto escrito na língua materna e outras linguagens para descrever algoritmos, como fluxogramas, e dados). 7. Desenvolver e/ou discutir projetos que abordem, sobretudo, questões de urgência social, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários, valorizando a diversidade de opiniões de indivíduos e de grupos sociais, sem preconceitos de qualquer natureza. 8. Interagir com seus pares de forma cooperativa, trabalhando coletivamente no planejamento e desenvolvimento de pesquisas para responder a questionamentos e na busca de soluções para problemas, de modo a identificar aspectos consensuais ou não na discussão de uma determinada questão, respeitando o modo de pensar dos colegas e aprendendo com eles. Tais habilidades específicas levam em conta que os diferentes campos que compõem a Matemática reúnem um conjunto de ideias fundamentais que produzem articulações entre eles: equivalência, ordem, proporcionalidade, interdependência, representação, variação e aproximação. Essas ideias fundamentais são importantes para o desenvolvimento do pensamento matemático dos estudantes e devem se converter, na escola, em objetos de conhecimento.Assim, as cinco unidades temáticas, correlacionadas, orientam a formulação de habilidades a serem desenvolvidas ao longo do Ensino Fundamental, sendo que cada uma delas pode receber ênfase diferente, a depender do ano de escolarização. Na Unidade Temática Números, a Matemática está presente nas atividades mais simples do dia a dia e desde os mais remotos tempos civilizatórios. A gênese da Matemática está indissociavelmente relacionada às necessidades básicas humanas, à quantificação de objetos e à mensuração de grandezas. À medida que se intensificavam os usos da Matemática, a criação de símbolos e sinais que facilitassem a expressão e generalizassem o raciocínio matemático, lhe garantiu o status de linguagem universal. Assim sendo, é esperado que além da capacidade de fazermos usos dos números para quantificar, medir, ordenar coisas ou saber identificar ou criar códigos, também sejamos capazes de operar utilizando os números como forma de buscar soluções e respostas para inúmeras situações práticas. É importante destacar que essas respostas podem ser matematicamente expressas de forma exata, mas também por ideias de aproximação ou estimativa, tanto através da realização de cálculos mentais, algoritmos quanto pelo uso de calculadoras e outros recursos tecnológicos. O ensino dos números no Ensino Fundamental contempla o conhecimento dos números naturais e dos números racionais, nas representações fracionárias e decimais, como instrumentos eficazes para resolver determinados problemas e como objetos de estudo, considerando-se suas propriedades, relações e o modo como se configuram historicamente (MANDARINO, 2010, p.98). Desse modo, os estudantes devem ser estimulados a compreender os diferentes significados destes números e a relação existente entre eles, a valorizar e conhecer os diferentes percursos existentes para operar sobre eles e a ser capazes de estabelecer articulações com outras unidades temáticas. Na Unidade Temática Álgebra, as relações lógicas do conceito de número são construídas a partir de todos os tipos de relações que os sujeitos estabelecem entre os objetos do mundo físico (KAMIL, 1991). Dentre as várias relações lógicas destacam-se indispensáveis para o desenvolvimento do pensamento algébrico as relações de ordenação de uma grandeza expressas por ordem de seriação (quando se considera a ordem linear de grandeza), importante na aprendizagem da sucessão natural dos números, e por ordem de sequenciação, quando se considera a sucessão de elementos organizados por um padrão ou regra estabelecida. Assim sendo, a relação da álgebra com os números é bastante evidente no trabalho com sequências (recursivas e repetitivas) (BNCC, 2017), pois os números além de serem usados como instrumentos para a contagem de coleções, para identificar com um código uma pessoa ou um objeto, para medir e ordenar (MANDARINO, 2010, p.106) também são utilizados para localizar um elemento de uma sequência, identificar padrões de regularidade ou criar novos padrões. As ideias de regularidade, generalização de padrões e propriedades da igualdade, (BNCC, 2017) envolvidas no pensamento algébrico são expressas por meio de equações e sistema de equações a serem resolvidas no contexto da resolução de situações-problema, nas quais os estudantes devem ser capazes de indicar um valor desconhecido em uma sentença algébrica por meio de equações e inequações estabelecendo relações quantitativas representadas tanto por números quanto por letras ou outros símbolos (BNCC, 2017, p. 268-269). A Geometria está presente no nosso dia a dia e é vivenciada por nós desde o aprendizado dos primeiros movimentos e no reconhecimento dos objetos e do espaço que nos circunscreve, sendo, portanto, um campo da Matemática intrínseco à natureza humana (LIMA e CARVALHO, 2010, p. 135). É também originada das necessidades e das interações com o contexto social e se desenvolve continuamente nas artes, nas construções e em diversas outras ações rotineiras, como na realização de deslocamentos e na localização de pessoas ou objetos em diferentes representações gráficas (mapas, croquis, plantas baixas). O ensino da Matemática deve permitir o desenvolvimento de competências geométricas cada vez mais elaboradas de localização, de reconhecimento de deslocamentos, de representação de objetos do mundo físico, de classificação das figuras geométricas e de sistematização do conhecimento (LIMA e CARVALHO, 2010, p. 135), fazendo uso de estratégias interventivas que envolvam o estudo das representações em um sistema de coordenadas cartesianas, a identificação de figuras bidimensionais e tridimensionais (descrevendo algumas de suas características, estabelecendo relações entre elas e a representação de diferentes vistas de figuras tridimensionais e reconhecimento da figura representada por essas diferentes vistas), a resolução de situações-problema envolvendo cálculos de figuras geométricas e as aplicações e demonstração do teorema de Tales e de Pitágoras. Todos os dias realizamos várias operações mentais inerentes à Matemática e nem nos damos conta da presença dela em nossas vidas, assim, na Unidade Temática Grandezas e medidas olhamos as horas nos relógios, medimos os intervalos de tempo nos calendários, medimos os ingredientes para preparamos as refeições, compramos ou vendemos alguma coisa, medimos a velocidade, a distância, a temperatura e até os objetos do mundo físico ao nosso redor. Todas essas tarefas são possíveis a partir da determinação de uma unidade de medida capaz de comparar diferentes quantidades de uma mesma grandeza. Grandeza é tudo aquilo considerado como possível de ser medido e as grandezas estão relacionadas a um objeto geométrico ou a um fenômeno físico. A inclusão dos conteúdos dessa unidade temática justifica-se pelos seus usos sociais, por sua utilização nas técnicas e nas ciências, pelas conexões com outras disciplinas escolares e pelas articulações com outros conteúdos da Matemática, sobretudo com a geometria. Seu ensino deve contemplar a resolução de situações-problema envolvendo as grandezas comprimento, massa, capacidade, superfície, volume, ângulo, tempo, temperatura e velocidade; a realização de medições, estimativas e comparações em situações diversas; o reconhecimento das unidades de medida padrão, seus múltiplos e submúltiplos e das unidades não convencionais; a variação de duas grandezas direta ou inversamente proporcionais; medidas de superfície e de equivalência de figuras planas por composição e decomposição; e realização de cálculos de área de figuras planas pela decomposição e/ou composição em figuras conhecidas, ou por meio de estimativas, bem como o cálculo da área da superfície total de alguns sólidos e do volume de alguns prismas retos. Na Unidade Temática de Probabilidade e Estatística, a estatística é vista como uma ciência que lida com análises baseadas em um conjunto de dados estatísticos. A sua origem remonta aos tempos das antigas civilizações, cerca de 2.000 anos antes da era cristã, quando se deu início a necessidade do levantamento de informações sobre a realidade populacional e o acúmulo de riquezas (LIMA, 2019), sendo, portanto, de natureza intrínseca ao desenvolvimento tecnológico e científico da humanidade. A estatística a ser ensinada na escola deve considerar o papel social assumido por esta ciência e criar considerações favoráveis para o desenvolvimento de habilidades interpretativas, dos níveis elementares até os mais complexos, diante de informações divulgadas em diferentes mídias comunicativas, e estimular o pensamento crítico para que os leitores possam e saibam tomar decisões com base nessas informações. Deve ainda priorizar o desenvolvimento de capacidades investigativas que envolvam processos para a coleta, a construção de diferentes representaçõesgráficas, por meio de gráficos e tabelas, e a realização de análises baseadas nos dados coletados. A estatística também se utiliza das teorias probabilísticas e tem como finalidade levar os estudantes a compreender que nem todos os fenômenos são determinísticos. Para isso, o ensino deve se centrar no desenvolvimento da noção de aleatoriedade, de modo que os estudantes compreendam que há eventos certos, eventos impossíveis e eventos prováveis (BNCC, 2017, p. 272). A seleção de conteúdos deve priorizar a resolução de situações-problema envolvendo o espaço amostral, através do princípio multiplicativo e a indicação da probabilidade de um evento, a resolução de situações- problema de contagem indicando as possibilidades de sucesso de um evento. 5.3. ÁREA III - CIÊNCIAS DA NATUREZA A BNCC (2017) reforça a importância da área de Ciências da Natureza para a formação do estudante, uma vez que ensinar Ciências no Ensino Fundamental está diretamente relacionado à promoção e ao compromisso com o desenvolvimento do letramento científico, entendendo-se que esse envolve a capacidade de compreender, interpretar e transformar o mundo. Nesse contexto FREIRE (2002) reforça que ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo. Certamente isso é possível uma vez que os estudantes são capazes de emitir juízos de valor sobre problemáticas socioambientais de forma crítica, com base nos conhecimentos sociais, históricos e culturalmente construídos e integrados com os conhecimentos conceituais, procedimentais e atitudinais, vivenciados durante as aulas de ciências. Dessa forma, a sala de aula se configura como um espaço permanente de construção do conhecimento. Por sua vez, DELORS (2012), em seu estudo sobre a educação no século XXI, apresenta os quatro pilares que podem auxiliar o processo de aprendizagem dos estudantes: o aprender a conhecer (adquirir instrumentos de compreensão), o aprender a fazer (para poder agir sobre o meio envolvente), o aprender a viver juntos (cooperação com os outros em todas as atividades humanas) e o aprender a ser (formação de indivíduos autônomos, intelectualmente ativos e independentes, capazes, de estabelecer relações interpessoais, de se comunicarem e evoluírem permanentemente, de intervirem de forma consciente e proativa na sociedade). Os estudantes do Município do Jaboatão dos Guararapes têm a oportunidade de conviver em um local singular, que se caracteriza por apresentar uma diversidade tanto nos aspectos antrópicos (ciência, tecnologia, sociedade, cultura, turismo, indústria, comércio, agricultura), quanto nos aspectos naturais (remanescentes de Mata Atlântica, manguezais, praias, dentre outros). Do ponto de vista antrópico, as atividades econômicas desenvolvidas no município, permitem que o currículo da área de Ciências da Natureza seja vivenciado de forma contextualizada, mostrando aos estudantes que as diversas atividades humanas se configuram em potencialidades. No entanto, o desenvolvimento dessas potencialidades aponta para a necessidade do cuidado com os aspectos naturais, vislumbrando, assim, um caminhar para o processo da sustentabilidade. Em relação aos ambientes naturais, o Município possui remanescentes de Mata Atlântica, manguezais, uma faixa litorânea com aproximadamente 10 km de extensão, a maior lagoa urbana de restinga do Brasil, um rio que tem a maior parte de sua bacia hidrográfica localizada no município, dentre outros espaços que podem ser utilizadas como campo de estudo. Não bastasse essa riqueza natural, também possui um corpo docente, comprometido e envolvido em estudos e pesquisas, no intuito de construir saberes, transpondo-os didaticamente para os diversos níveis e modalidades de ensino. Os estudantes, alicerçados a partir de uma formação tecnológica e sustentável, são motivados, a refletir sobre suas ações (atitudes), considerando os impactos socioambientais, do passado, presente e futuro, numa perspectiva local e global. Dessa forma, as características antrópicas e naturais do Município favorecem o estudo de objetos de conhecimentos contidos na BNCC, observando-se que existe uma relação intrínseca entre a área de Ciências da Natureza, com as ações de observação, investigação, registro, construção de novos conhecimentos e socialização destes, vinculado ao desenvolvimento científico, tecnológico e sustentável. 5.3.1. Componente Curricular Ciências Os conhecimentos científicos e as tecnologias fazem parte do cotidiano dos estudantes, os quais têm acesso e mantêm interação em diversos aspectos, tais como na produção de fármacos, alimentos, materiais de limpeza, eletroeletrônicos, dentre outros. Desde os primórdios até os dias atuais, a ciência procura atender às necessidades sociais vigentes. Nessa perspectiva, o desenvolvimento das ciências e suas tecnologias estão relacionados às ondas de inovação científica e tecnológica. Essas ondas interferem diretamente nos movimentos de inovação do saber fazer ciência e tecnologia durante um determinado período. Nesse contexto, o professor deve estimular a curiosidade epistemológica do estudante a partir de suas vivências e visão de mundo. Inicialmente, na etapa da Educação Infantil, oportunizando a exploração de ambientes e fenômenos, assim como a relação com o próprio corpo e o bem-estar, proporcionando uma melhor qualidade de vida: Ao manipular brinquedos e outros objetos, ao lidar com a luz, as sombras, a água e o vento, ao observar o comportamento dos animais, o desenvolvimento de animais e plantas, e ao perceber o próprio corpo, as crianças vão construindo concepções que fundamentam suas expectativas quanto ao modo como as coisas funcionam. As elaborações feitas pelas crianças sobre os fenômenos naturais e o funcionamento das coisas tem como ponto de partida as interações socioculturais que ocorrem nas diversas esferas da comunidade, como por exemplo no meio familiar, ou partindo das aulas de Ciências. MORAIS e ANDRADE (2010). Dando continuidade e aprofundando esses conhecimentos nos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental e na Educação de Jovens e Adultos, utilizam-se práticas contextualizadas, integradas, desafiadoras e motivadoras. O ensino de Ciências deve propiciar ao estudante a construção do seu próprio conhecimento, de forma ativa, crítica e sustentável, com base na compreensão científico- tecnológica e na realidade sociopolítico-econômica-ambiental, proporcionando a formação integral, contribuindo para uma sociedade justa, democrática e inclusiva. O Currículo aqui estruturado está organizado em três unidades temáticas: Matéria e Energia, que visa ao estudo de materiais e suas transformações, fontes e tipos de energia utilizados de inúmeras formas na vida em geral, na perspectiva de construir conhecimento sobre a natureza da matéria e dos diferentes usos da energia. Vida e Evolução, que sugere o estudo de questões relacionadas aos seres vivos, às suas características e necessidades, à vida como fenômeno natural e social, aos elementos essenciais para sua manutenção e à compreensão dos processos evolutivos que geram a diversidade de formas de vida no planeta. Terra e Universo, que busca a compreensão de características da Terra, do Sol, da Lua e de outros corpos celestes – suas dimensões, composição, localizações, movimentos e forças que atuam entre eles e os principais fenômenos celestes. Toda organização desse currículo, em consonância com a BNCC, serve de alicerce para a estruturação dos objetos de conhecimentos de todas as etapas do Ensino Fundamental, com o intuito de desenvolver habilidades que superem a disciplinarização como forma de organização do currículo, garantindo, dessa maneira, o diálogo com as demais áreas do saber e com o contexto do estudante. O desenvolvimento das competênciasrelacionadas à área possibilitará uma compreensão mais ampla da estrutura de vida que temos e das condições que precisamos para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Para tanto, a área de Ciências da Natureza e o componente curricular de Ciências devem garantir aos estudantes o desenvolvimento das seguintes competências específicas: 1. Compreender as Ciências da Natureza como empreendimento humano, e o conhecimento científico como provisório, cultural e histórico. 2. Compreender conceitos fundamentais e estruturas explicativas das Ciências da Natureza, bem como dominar processos, práticas e procedimentos da investigação científica de modo a sentir segurança no debate de questões científicas, tecnológicas, socioambientais e do mundo do trabalho, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 3. Analisar, compreender e explicar características, fenômenos e processos relativos ao mundo natural, social e tecnológico (incluindo o digital), como também as relações que se estabelecem entre eles, exercitando a curiosidade para fazer perguntas, buscar respostas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das Ciências da Natureza. 4. Avaliar aplicações e implicações política, socioambientais e culturais da ciência e de suas tecnologias para propor alternativas aos desafios do mundo contemporâneo, incluindo aqueles relativos ao mundo do trabalho. 5. Construir argumentos com base em dados, evidências e informações confiáveis e negociar e defender ideias e pontos de vista que promovam a consciência socioambiental e o respeito a si próprio e ao outro, acolhendo e valorizando a diversidade de indivíduos e de grupos sociais, sem preconceitos de qualquer natureza. 6. Utilizar diferentes linguagens e tecnologias digitais de informação e comunicação para acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas das Ciências da Natureza de forma crítica, significativa, reflexiva e ética. 7. Conhecer, apreciar e cuidar de si, do seu corpo e bem-estar, compreendendo-se na diversidade humana, fazendo-se respeitar e respeitando ao outro, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza e as suas tecnologias. 8. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza para tomar decisões frente a questões científico-tecnológicas e socioambientais e a respeito da saúde individual e coletiva, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários. 5.4. ÁREA IV - CIÊNCIAS HUMANAS A área das Ciências Humanas se constitui historicamente através dos componentes curriculares de Geografia e História tendo como objeto de estudo o ser humano em suas relações com e na sociedade. Nos dias atuais, este objeto é tomado, do ponto de vista teórico e metodológico, numa perspectiva crítico-dialética que considera o ser humano sujeito histórico e cultural, vivendo e atuando na sociedade em vista de sua transformação e tem, dentre os espaços de formação, a escola que busca uma educação de qualidade humana e social através do desenvolvimento do sujeito autônomo, consciente e capaz de dialogar com o passado, articulando as categorias e os conhecimentos histórico-geográficos com o presente, construindo um futuro em que os valores sociais sejam voltados para o bem comum e que envolvam a solidariedade, a participação, o enfrentamento contra a desigualdade social, a liberdade individual e a diversidade de pensamento. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC): Os conhecimentos específicos na área de Ciências Humanas exigem clareza na definição de um conjunto de objetos de conhecimento que favoreçam o desenvolvimento de habilidades e que aprimorem a capacidade de os estudantes pensarem diferentes culturas e sociedades, em seus tempos históricos, territórios e paisagens (compreendendo melhor o Brasil, sua diversidade regional e territorial). E também que os levem a refletir sobre sua inserção singular e responsável na história da sua família, comunidade, nação e mundo. (BRASIL, 2017, P.306). É dessa forma que algumas categorias fundamentais das ciências humanas como tempo, espaço e movimento, permeiam o pensamento histórico-geográfico despertando nas crianças e adolescentes a leitura e a compreensão da sociedade e do espaço de vivência em que estão inseridos por meio de diversas linguagens. Por essa razão, os saberes produzidos precisam estar em consonância com as demandas da sociedade diversa e plural contemporânea, de forma que possa haver um diálogo entre passado e presente, na perspectiva de trabalhar na construção de um futuro no qual haja a valorização do indivíduo como um cidadão dotado de direitos e deveres, com um sentido de responsabilidade para valorizar os direitos humanos, o respeito ao meio ambiente e o fortalecimento de valores sociais, tais como a solidariedade, a participação e o protagonismo voltado para o bem em comum. Nessa perspectiva, o processo de ensino-aprendizagem deve ter como eixo condutor o desenvolvimento da autonomia dos estudantes a partir do estudo de problemas relacionados ao contexto em que estão inseridos, já que o papel do estudante é ser um sujeito problematizador e investigador. Dessa forma, vale ressaltar que o processo de ensino-aprendizagem que busca a relação entre teoria e prática promovendo a relação entre pensamento e ação, possibilitando a formação de indivíduos capazes de intervir na realidade, conviver e respeitar a multiculturalidade, a pluralidade de ideias, a diversidade de gênero, de religião, de sexualidade, de classe social e étnico-racial (respaldado na Lei Federal nº 11.645, de 10 março de 2008). Na área das Ciências Humanas o processo de ensino-aprendizagem, deve estar articulado com as competências gerais da BNCC, e com as competências específicas da área citadas abaixo: 1. Compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos. 2. Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico- informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo. 3. Identificar, comparar e explicar a intervenção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e propondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das dinâmicas da vida social. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2011.645-2008?OpenDocument 7. Interpretar e expressar sentimentos, crenças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhimento e a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 8. Comparar eventos ocorridos simultaneamente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados. 9. Construir argumentos, com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental, exercitando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 10. Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros textuais e tecnologiasdigitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, simultaneidade, sucessão, ritmo e conexão. É importante salientar que o documento curricular não traz modelos prontos a serem seguidos. No entanto, pode-se desenvolver a autonomia dos professores e das professoras na construção de caminhos a serem percorridos visando o bem comum da comunidade educacional. 5.4.1. Componente Curricular de Geografia A Geografia, enquanto ciência humana visa analisar as relações estabelecidas entre a sociedade e a natureza ao longo do tempo, buscando compreender a materialização dos fenômenos socioespaciais. O espaço, dessa forma, constitui-se o objeto de estudo da Geografia, sendo formado por um conjunto indissociável, solidário contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações no qual a história se dá. O espaço geográfico é assim, multidimensional no qual os indivíduos e os diferentes grupos sociais desenvolvem suas práticas, ou seja, produzem, socializam, consomem, lutam, sonham, enfim, vivem e fazem a vida caminhar. O Ensino da Geografia de acordo com a proposta curricular da BNCC (2017) prioriza o desenvolvimento do raciocínio geográfico, maneira pelo qual seu campo de estudo, acontece através da leitura dos lugares, das paisagens, da interpretação das espacialidades, dos territórios, da organização do espaço geográfico, potencializando e estimulando dessa forma, o desenvolvimento do pensamento espacial com aplicação de pesquisa e análise das informações obtidas no estudo. Para Neto, O raciocínio geográfico é a capacidade mental do indivíduo em fazer analogia e inferência dos eventos humanos e naturais desenvolvido pela Geografia escolar ancorado nas estratégias pedagógicas e nas categorias de análise da Geografia e de seus princípios lógicos de subcategorias que lhes possibilitam utilizarem (NETO, 2018). A BNCC enumera o raciocínio geográfico a partir dos seguintes princípios: Princípio da Analogia: um fenômeno geográfico sempre é comparável a outros. A identificação das semelhanças entre fenômenos geográficos é o início da compreensão da unidade terrestre. Princípio da Conexão: um fenómeno geográfico nunca acontece isoladamente, mas sempre em interação com outros fenômenos próximos ou distantes. Princípio da Diferenciação: é a variação dos fenômenos de interesse da geografia pela superfície terrestre (por exemplo, o clima), resultando na diferença entre áreas. Princípio da Distribuição: exprime como os objetos se repartem pelo espaço. Princípio da Extensão: espaço finito e contínuo delimitado pela ocorrência do fenômeno geográfico. Princípio da Localização: posição particular de um objeto na superfície terrestre. A localização pode ser absoluta (definida por um sistema de coordenadas geográficas) ou relativa (expressa por meio de relações espaciais topológicas ou por interações espaciais). Princípio da Ordem: ordem ou arranjo espacial é o princípio geográfico de maior complexidade. Refere-se ao modo de estruturação do espaço de acordo com as regras da própria sociedade que o produziu. O ensino da Geografia deve, portanto, despertar nos estudantes o protagonismo, o (re)conhecimento, a compreensão e o sentimento de pertencimento em seu espaço de vivência, bem como se sentir cidadão do mundo, cooperando para que as gerações futuras tenham um ambiente melhor, baseado em princípios éticos, respeitando a diversidade étnico racial enfatizados na Lei Federal Nº 11.645, de 10 março de 2008, combatendo a violência e o preconceito em todas as suas variáveis. Diante do exposto e dos desafios inerentes à ciência geográfica que por sua natureza é dicotômica, interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar, a BNCC para o Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Anos Finais), apresenta como unidades temáticas: O sujeito e seu lugar no mundo, a valorização da vida cotidiana e a percepção de suas relações sociais e étnico-raciais e espaciais ocorre através do raciocínio geográfico que busca ampliar o olhar do estudante para se desenvolver na sociedade como cidadão ativo, democrático, solidário e consciente de seu papel como sujeito social. Conexões e escalas, o foco passa a ser a analogia e a compreensão entre as diversas escalas (local e global) existentes no espaço de convivência, na sociedade e meio físico natural em diversos períodos históricos. Mundo do trabalho, essa abordagem perpassa pela compreensão de processos e técnicas construtivas, além do uso de diferentes materiais produzidos pelas sociedades em diversos tempos e espaços. Bem como pelas transformações promovidas pela Revolução Industrial e Técnico-científico-informacional nas relações de trabalho, emprego e renda no campo e na cidade. Formas de representação e pensamento espacial, o ensino se baseia em conceitos cartográficos e formas de representação espacial através da leitura, construção e/ou criação de mapas, gráficos, tabelas, audiovisuais, imagens de satélites, fotografias, histórias em quadrinhos, charges e uso de outras ferramentas tecnológicas, desenvolvendo dessa forma, o pensamento espacial e o raciocínio geográfico. Natureza, ambientes e qualidade de vida, favorece a articulação entre a Geografia física e a Geografia humana, tornando-se evidente e necessária uma vez que, as atividades antrópicas incentivadas pelo capitalismo e os impactos socioambientais decorrentes dessas atividades, estão presentes em todo o planeta. O conhecimento e a compreensão dessas transformações no meio natural, inclusive no ambiente rural (do Campo) e Urbano, leva o estudante a repensar sua relação com o meio ambiente. De acordo com a BNCC (2017), essas unidades temáticas, apresentam como objetivo a continuidade e a progressão das aprendizagens dos estudantes do Ensino Fundamental em níveis crescentes de complexidade, estimulando o desenvolvimento do Raciocínio Geográfico para melhor compreensão da sociedade em que está inserido. Dentro de sua formulação a BNCC (2017) apresenta as seguintes competências específicas para o ensino da Geografia: 1. Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação sociedade/ natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de resolução de problemas. 2. Estabelecer conexões entre diferentes temas do conhecimento geográfico, reconhecendo a importância dos objetos técnicos para a compreensão das formas como os seres humanos fazem uso dos recursos da natureza ao longo da história. 3. Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço, envolvendo os princípios de analogia, conexão, diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem. 4. Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações geográficas. 5. Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e soluções (inclusive tecnológicas) para questões que requerem conhecimentos científicos da Geografia. 6. Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza. 7. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, propondo ações sobre as questões socioambientais, com baseem princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários. 5.4.2. Componente Curricular de História O ensino de História tem como objeto de estudo a compreensão dos processos e dos sujeitos históricos, o desvendamento das relações estabelecidas entre os grupos humanos em diferentes tempos e espaços. Assim, as propostas pedagógicas no âmbito de ensino têm o compromisso com as práticas historiográficas, no sentido da produção do conhecimento histórico com as devidas especificidades e particularidades. O processo de construção do conhecimento histórico está diretamente ligado à interpretação que os historiadores fazem de outras épocas, ou melhor, das fontes desses diferentes períodos, travando constantes e significativos debates sobre os tempos históricos e suas dimensões social, cultural, econômica e política. Compreendemos a História com as diferentes e múltiplas possibilidades que se mostram nas sociedades, tanto nos dias atuais quanto no passado, as quais emergiram da ação consciente ou inconsciente dos homens, considerando desdobramentos, que se impuseram com o desenrolar das ações desenvolvidas por esses sujeitos. Cada época tem suas particularidades. A História é um conhecimento em constante construção e reconstrução realizada pelos homens no seu tempo carregando em si as marcas, experiências e valores de cada época. A produção do conhecimento Histórico se faz em diferentes linguagens, narrações sobre o mundo em que os indivíduos viveram e vivem, suas instituições e organizações sociais. Portanto, a História não é rememorar de fatos considerados marcantes, mas conhecer, analisar e criticar, além desse, também os acontecimentos do cotidiano de sua população, suas resistências e seus desejos, suas lutas, que, anonimamente, compõem o universo geral da existência humana e influenciam na construção do futuro. Segundo PINSKY (2009), os currículos escolares vêm se adequando aos estudos históricos nas Universidades. Ela ressalta que a velha História de fatos e nomes foi substituída pela História Social e Cultural e que as pessoas comuns já são reconhecidas como sujeitos históricos. Dessa forma, a proposta curricular de História do município de Jaboatão dos Guararapes pretende estimular ações nas quais professores e estudantes sejam sujeitos do processo de ensino e aprendizagem. Nesse sentido, eles próprios devem assumir uma atitude crítica diante dos conteúdos propostos no âmbito do Ensino Fundamental estimulando o movimento consciente e criador para conhecerem a própria história, realizando comparações e interpretações do mundo social relacionadas à formação cidadã. Sobretudo, o conhecimento do outro através de novas interpretações pautadas no respeito à diversidade. Ao reconhecer o Brasil como um país multiétnico e pluricultural deve ser garantido a todos o direito de aprender e construir conhecimentos, afirmando sua identidade e multiplicidade de culturas. Por isso, a valorização de uma educação multicultural na atualidade é resultado de anos de resistência e de luta política de diversos grupos e movimentos sociais no Brasil e no mundo. A partir de então, a luta e a mobilização desses grupos influenciaram o surgimento de políticas afirmativas, como a Lei Federal Nº 11.645/2008, que tornou obrigatória o ensino de História e Cultura Afro- Brasileira e Indígena nas escolas de todo o Brasil. Nessa perspectiva, a abordagem deste campo de conhecimento requer aprofundamento em seus conceitos estruturantes, tais como: Processo Histórico; Tempo; Sujeito Histórico; Cultura, Memória; Cidadania; Relações Sociais. A partir desse contexto seguem as competências específicas de História a serem desenvolvidas pelos estudantes na Educação Básica: 1. Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e processos e mecanismos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferentes espaços para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo. 2. Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como problematizar os significados das lógicas de organização cronológica. 3. Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, a cooperação e o respeito. 4. Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contexto histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 5. Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos, levando em conta o respeito e a solidariedade com as diferentes populações. 6. Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos norteadores da produção historiográfica. 7. Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, compreendendo seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. É importante enfatizar que as competências homologadas na BNCC podem se adequar as especificidades dos estados, municípios e comunidades. Nessa perspectiva, as escolas poderão tratar o contexto local a qual está inserido, flexibilizando a proposta do Referencial Curricular. Por fim, acreditamos que este currículo tem como objetivo estimular não só o aprendizado, mas também a conscientização dos estudantes como sujeitos ativos no processo histórico. Nesse sentido a BNCC legitima: “Por todas as razões apresentadas”, espera-se que o conhecimento histórico seja tratado como uma forma de pensar, entre várias; uma forma de indagar sobre as coisas do passado e do presente, de construir explicações, desvendar significados, compor e decompor interpretações, em movimento contínuo ao longo do tempo e do espaço. Enfim, trata-se de transformar a História em ferramenta a serviço de um discernimento maior sobre as experiências humanas e as sociedades em que se vive”. (BNCC, 2017, p.399). 5.5. ÁREA V - ENSINO RELIGIOSO Desde o surgimento da vida, o ser humano se constituiu da sua relação com a natureza, com os seres vivos e os objetos concretos e com as ideias, sentimentos e emoções, esses de natureza subjetiva. Essa dualidade estabeleceu no ser humano a dimensão concreta, factual, da realidade (imanência) e a dimensão astral, plena de símbolos, códigos, valores e crenças (transcendência), que se foram adensando nas diversas culturas ao longo da História. Essas dimensões permeiam as relações dos seres humanos entre si, nas suas semelhanças e diferenças (alteridades), com a natureza e com o sagrado/divino, possibilitando distinguir o “eu” e o “outro”, o “nós” e o “eles”, através de representações e símbolos que atuam diretamente na construção e estabelecimento das identidades. E na identificação dessas semelhanças e diferenças entre o eu e os outros e na compreensão desses símbolos, signos e códigos o ser humano promove a relação entre o concreto/imanente com o subjetivo/transcendente. Na transcendência se originam as manifestações religiosas nas quais os indivíduos e as coletividades buscam explicações para a vida e a morte, atribuindo sacralidade e sobrenaturalidade a coisas, pessoas e forças naturais, ressignificando a realidade objetiva. E para mediar essa dimensão transcendental atuam o símbolo, o mito e o rito, linguagens básicas da expressão religiosa. Nesse proceder, o ser humano fez surgir diversas expressões espirituaise ritualísticas nas quais aparecem cerimônias, festividades, celebrações, louvações, orações, peregrinações e outras, nas quais os códigos, ritos, mitos e símbolos atuam marcantemente. Os códigos ressignificando ideias, os ritos narrando gestualmente a ideia metafísica, utilizando lugares sacralizados (montanhas, mares, rios, florestas, templos, santuários, caminhos e outros), que se diferenciam dos outros graças ao caráter simbólico que adquirem na execução dos rituais observados nas diferentes culturas; os mitos corporificando atributos heroicos e/ou deíficos a serem decodificados pelos homens. E para presidir essas ações aparecem as figuras também simbólicas dos líderes espirituais, incumbidos das reuniões e rituais religiosos: xamãs, sacerdotes, pajés, yalorixás e babalorixás (pais-de-santo da afro-brasilidade), entre outros que, além de organizar os rituais e transmitir a doutrina e interpretar os textos sagrados, também fazem a divisão de atividades dos seguidores nas manifestações religiosas, transmitindo e incentivando práticas, princípios e valores inerentes a cada uma delas. Tal liderança de certa forma se confunde com aspectos políticos, econômicos, culturais, e ainda educacionais, ambientais e da saúde, numa relação cósmica dos entes envolvidos. Não obstante, surgem também nessa estruturação do fazer religioso, as filosofias de vida que são fundamentadas nas crenças, valores e tradições religiosas dos povos, refletindo-se nos mitos (ideia de como a vida cósmica foi criada), divindades (simbolizam a ação heroica e divina dos “seres superiores”), vida e post-mortem (imanência e transcendência), tradições orais e escritas (leis e orientações das práticas religiosas), doutrinas (base do pensamento sistemático religioso), crenças (ancestralidade, reencarnação, ressurreição, transmigração, entre outras), princípios e valores éticos (equalizadores do comportamento ritual e social). Essas filosofias permitem definir o que seria certo ou errado, permitido e não-permitido e, independentemente de religiosidades estabelecem posturas que mesmo pessoas não religiosas passam a adotar, embasadas em aspectos racionais, científicos e filosóficos, entre outros. “Esses princípios, geralmente, coincidem com o conjunto de valores seculares de mundo e de bem, tais como: o respeito à vida e à dignidade humana, o tratamento igualitário das pessoas, a liberdade de consciência, crença e convicções, e os direitos individuais e coletivos” (BNCC,2018). 5.5.1. Componente Curricular De Ensino Religioso O Ensino Religioso, de acordo com a BNCC, constitui uma Área do Conhecimento e um Componente Curricular específico que busca desenvolver o estudo dos aspectos religiosos inerentes ao ser humano e integrantes da formação do Ser. A prática desse componente apresenta um objetivo essencialmente social num processo de ensino-aprendizagem no qual o ser humano esteja voltado para o outro, visando desenvolver uma vivência e uma filosofia de vida fundamentada na ética, e na defesa dos direitos humanos, elementos fundamentais para a formação humanística. No ambiente escolar o Ensino Religioso prescinde de uma ação integrada, implicando numa proposta interdisciplinar e numa compreensão clara da relação entre religiosidade, fé e vida. Seus objetivos devem ser bem definidos, os conteúdos selecionados com uma equilibrada programação para cada ano, proporcionando um estudo sistemático e orgânico, situando o estudante no saber referente ao que seja religião, religiosidade, doutrina, cultura e expressão religiosa, e suscitando os temas: filosofias de vida, crenças, valores e representações diversas do universo transcendental. Do ponto de vista do magistério, o componente requer do profissional sua compreensão como fenômeno social, sua consciência da laicidade e não dogmatização no ensino de valores éticos e morais, contextualizando-os numa dimensão espaço-temporal, de acordo com os tópicos a seguir: Configuração do fenômeno religioso por meio das ciências da tradição religiosa; Conhecimento e sistematização do fenômeno religioso pelas tradições religiosas e suas teologias; Análise das tradições religiosas na estruturação e manutenção das diferentes culturas e manifestações socioculturais; Exegese dos textos sagrados orais e escritos das diferentes matrizes religiosas (africana, indígena, ocidental e oriental); Compreensão do sentido da atitude moral como consequência do pensamento religioso sistematizado na tradição e como expressão da consciência e da resposta individual e coletiva das pessoas. O Componente Ensino Religioso, ao considerar as diferentes vivências, percepções e elaborações que integram o substrato cultural da humanidade, a partir de relatos e registros elaborados sistematicamente, por diferentes grupos sociais, pretende, como Área de conhecimento: instigar, desafiar e subsidiar as gerações vindouras, oportunizar a liberdade de expressão religiosa e viabilizar a prática da “Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural” (UNESCO,2001). O Ensino Religioso deve ser de caráter facultativo, sendo vedada qualquer forma de discriminação, favoritismo ou sectarismo religioso. Sua prática na Educação Básica, visa a desenvolver as seguintes competências gerais: Compreensão da importância dos sujeitos na formação da sociedade; valorização das atitudes, das opiniões, das críticas de si mesmo e dos outros; manifestação de atitudes de respeito, cuidado e responsabilidade por si mesmo e pelo outro; respeito à natureza e reconhecimento da sua importância para a continuidade da vida; identificação do elemento transcendente; conhecimento dos símbolos, ritos e mitos das tradições religiosas a serem representadas em sala de aula; identificação de valores necessários para o convívio em sociedade. O componente curricular de Ensino Religioso deve garantir aos estudantes o desenvolvimento de competências específicas. 1. Conhecer os aspectos estruturantes das diferentes tradições/movimentos religiosos e filosofias de vida, a partir de pressupostos científicos, filosóficos, estéticos e éticos. 2. Compreender, valorizar e respeitar as manifestações religiosas e filosofias de vida, suas experiências e saberes, em diferentes tempos, espaços e territórios. 3. Reconhecer e cuidar de si, do outro, da coletividade e da natureza, enquanto expressão de valor da vida. 4. Conviver com a diversidade de crenças, pensamentos, convicções, modos de ser e viver. 5. Analisar as relações entre as tradições religiosas e os campos da cultura, da política, da economia, da saúde, da ciência, da tecnologia e do meio ambiente. 6. Debater, problematizar e posicionar-se frente aos discursos e práticas de intolerância, discriminação e violência de cunho religioso, de modo a assegurar os direitos humanos no constante exercício da cidadania e da cultura de paz. Como previsto na BNCC, o Ensino Religioso se dará mediante a observância das Unidades Temáticas, dos Objetos de Conhecimento e das Habilidades, que orientarão o Currículo ao longo de todo o Ensino Fundamental, notadamente nos Anos Iniciais. A Unidade Temática Identidades e Alteridades reúne as dimensões imanência (dimensão concreta, biológica) e transcendência (dimensão subjetiva, simbólica). Tais dimensões possibilitam que os humanos se relacionem entre si, com a natureza e com a(s) divindade(s), percebendo suas semelhanças e diferenças (alteridades) e distinguindo o “eu” e o “outro”, “nós” e “eles”, mediando suas relações dialógicas por referenciais simbólicos (representações, saberes, crenças, convicções, valores) inerentes à construção das identidades. Nessa unidade pretende-se que os estudantes reconheçam, valorizem e acolham o caráter singular e diverso do ser humano, por meio da identificaçãoe do respeito às semelhanças e diferenças entre o eu (subjetividade) e os outros (alteridades), da compreensão dos símbolos e significados e da relação entre imanência e transcendência. A dimensão da transcendência trata do fato de o ser humano ter conferido valor de sacralidade a objetos, coisas, pessoas, forças da natureza ou seres sobrenaturais, transcendendo a realidade concreta. Ela baseia os fenômenos e experiências religiosas e as respostas, sentidos e significados da vida e morte ansiadas pelos homens individual e coletivamente. Ela é mediada por linguagens específicas, tais como o símbolo, o mito e o rito que, junto a outros elementos, comporão a Unidade Temática Manifestações Religiosas. Unidade Temática Manifestações Religiosas engloba a dimensão transcendental é mediada por linguagens específicas como o símbolo, o rito e o mito. O símbolo é um elemento cotidiano ressignificado para representar algo além de seu sentido primeiro. Sua função é mediar realidades da experiência religiosa, que é uma construção subjetiva ali com diferentes práticas espirituais ou ritualísticas: cerimônias, celebrações, orações, festividades, peregrinações, entre outras. Enquanto linguagem gestual, os ritos narram, encenam, repetem e representam histórias e acontecimentos religiosos. Dessa forma, se o símbolo é uma coisa que significa outra, o rito é um gesto que também aponta para outra realidade. Os rituais religiosos são geralmente realizados coletivamente em espaços e territórios sagrados naturais ou construídos, que se distinguem dos demais por seu caráter simbólico, nos quais os diferentes sujeitos se relacionam, constroem, desenvolvem e vivenciam suas identidades religiosas. Realizados em territórios sagrados, tais rituais também apresentam lideranças que presidem e organizam os serviços religiosos. Sacerdotes, líderes, funcionários, guias ou especialistas, entre outros, desempenham funções específicas: difusão das crenças e doutrinas, organização dos ritos, interpretação de textos e narrativas, transmissão de práticas, princípios e valores, assumindo uma função religiosa, sociocultural e até política. Unidade Temática Crenças Religiosas e Filosofias de Vida, enfoca os aspectos estruturantes das diferentes tradições/movimentos religiosos e filosofias de vida, particularmente sobre mitos, ideia(s) de divindade(s), crenças e doutrinas religiosas, tradições orais e escritas, ideias de imortalidade, princípios e valores éticos. Os mitos, elemento estruturante das tradições religiosas, representam a tentativa de explicar a criação da vida, da natureza e do cosmos. Contam histórias dos deuses ou heróis divinos, relatando, por meio de simbolismos, a manifestação das divindades, estabelecendo uma relação entre imanência e transcendência. Situa-se numa relação espaço-temporal e apresenta-se como uma história verdadeira, repleta de elementos imaginários. Para o mito, a criação é uma obra de divindades, seres, entes ou energias que transcendem a materialidade do mundo. São representados de diversas maneiras, sob distintos nomes, formas, faces e sentidos, segundo cada grupo social ou tradição religiosa. O mito, o rito, o símbolo e as divindades alicerçam as crenças, entendidas como um conjunto de ideias, conceitos e representações estruturantes de determinada tradição religiosa. As crenças fornecem respostas teológicas aos enigmas da vida e da morte, que se manifestam nas práticas rituais e sociais sob a forma de orientações, leis e costumes. Daí surgem as narrativas religiosas que são preservadas e passadas de geração em geração pela oralidade: cosmovisões, crenças, ideia(s) de divindade(s), histórias, narrativas e mitos sagrados constituíram tradições específicas, inicialmente orais ou sob a forma de textos escritos. Estas narrativas reúnem afirmações, dogmas e verdades que procuram atribuir sentidos e finalidades à existência, bem como orientar as formas de relacionamento com a(s) divindade(s) e com a natureza. Se configurarão em doutrinas, do sistema religioso, sendo transmitidas e ensinadas aos seus adeptos de maneira sistemática para assegurar uma compreensão mais ou menos unitária e homogênea de seus conteúdos. As filosofias de vida se ancoram em princípios cujas fontes não advêm do universo religioso, decorrendo de fundamentos racionais, filosóficos, científicos, entre outros. Pessoas sem religião adotam princípios éticos e morais cuja origem tem relação com valores seculares de mundo e de bem, como o respeito à vida e à dignidade humana, a equidade das pessoas, a liberdade de consciência, crença e convicções, e os direitos individuais e coletivos. 6. ORGANIZADORES CURRICULARES Neste documento, os organizadores curriculares referentes às modalidades da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos, contempla as áreas de conhecimento, obedecendo a ordem sequencial e uma abordagem sobre cada componente curricular, e apresenta na sua estrutura, ano/eixo, unidades temáticas, objetos de conhecimento, habilidades BNCC e habilidades específicas do Jaboatão dos Guararapes. Nesse sentido, é fundamental que os currículos e as práticas dos professores promovam a pesquisa, como princípio pedagógico, associada a uma abordagem reflexiva dos conteúdos que considere a relação complexa entre os potenciais do Trabalho, da Ciência e da Tecnologia para resolução de problemas, a ampliação da capacidade produtiva e empreendedora, bem como para a garantia de um espaço de reflexão e atuação crítica e ética sobre suas influências nos impactos ambientais e sociais.(Currículo de PE - 2018) Constitui-se em um documento orientador do Sistema Municipal de Ensino para a Rede municipal e na modalidade da Educação Infantil das escolas privadas. Também é inspirador para as modalidades da educação básica, essas, por suas especificidades e singularidades, deverão ter adequações curriculares no interior das instituições. O estudo do Referencial Curricular Municipal do Jaboatão dos Guararapes deve acontecer de forma coletiva, assessorado pela supervisão educacional, dentro das instituições e/ou pelas reuniões sistemáticas na formação continuada da rede municipal de ensino. A consulta dos docentes aos organizadores curriculares, deverá acontecer de forma recorrente, na elaboração dos planos de trabalho para as práticas educativas nos estabelecimentos de ensino do Ensino Fundamental e nas unidades educacionais da Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino do Jaboatão dos Guararapes – PE. Por isso, a providência de deixar os organizadores curriculares em anexo, não desvirtua nem desmerece o valor do documento base, pelo contrário, cada organizador curricular é resultante da fundamentação segundo os preceitos da BNCC e do Currículo de Pernambuco, no Referencial Curricular Municipal do Jaboatão dos Guararapes. O planejamento de ensino e a avaliação perpassam pela análise conjunta dos docentes e técnicos educacionais da rede de ensino, na construção de um plano com base no exposto do documento base e dos organizadores curriculares, podendo ainda acontecer uma flexibilização sobre adequações da realidade da instituição e do seu entorno social em atendimento aos pressupostos das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (2010). 7. REFERÊNCIAS: 7.1. Aspectos Históricos e Geográficos https://jaboatao.pe.gov.br– Acesso em 30/10/2019 www.der.pe.gov.br›web›der›rodovias-do-estado–Acesso em 30/10/2019 https://cidades.ibge.gov.br›brasil›jaboatao-dos-guararapes http://www.cprm.gov.br/publique/media/geodiversidade/meiofisico_recife/jaboat ao/municipio.pdf-acesso em 30/10/2019 www.jaboataoguararapesredescoberto.com–acesso em 30/10/20197.2. Fundamentação Teórica BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular.Brasília,2017. COSTA, A. (2004). 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SANTOS, Arminda Maria Freitas et al. O Ensino Religioso na Pluralidade Cultural Brasileira. In: Currículo em debate. Goiânia: Secretaria de Estado da Educação, 2007. 8. FICHA TÉCNICA Participantes da formação para disseminação do dia “D” da BNCC nas Unidades de Ensino. Adelma Cassia Araújo Siqueira Adriana Lúcia do Amaral Adriana Maria Cordeiro Lima Adza de Carvalho Aida Cristina Monteiro Lira Alba Regina Alves Nagipe Alba Valeria Ferreira da Silva Alessandra Gois Da Silva Alessandra Travassos de Oliveira Alexandra Alves da Silva Alice de Fátima Melo Aline Maria de Melo Farias Alzenir Pacheco da Silva Amanda Cristina Lopes Amanda Rosalvo de Souza Amanda Sales Pereira Ana Celi Bezerra Silva de Amorim Ana Maria Alves Quixabeira Ana Maria Trajano de Vasconcelos Ana Neri Nogueira de Moraes Ana Paula do Nascimento Alves Anacarla Cursino Senhorinho Anaisa de Araújo Melo Andréa Antonino da Costa Andréa Carla Freitas de Cunha Andrezza Carla GonçalvesFerreira Anesa Gomes da Rocha Antônio Vagner de Almeida Arleide Santana Vieira Aryanny Teixeira Andrade Borba de Melo Brigida Maria da Costa Ferreira Carla Fernanda Alves Assunção Carmem Lúcia de Almeida Santos Carmem Maria de Carvalho Caroline Candy Dantas da Silva Charlyton Alberto da Silva Christiane de Paula S. de Oliveira Cibelly Maria de Moraes Bacalhau Cícera Maria Verçosa Pereira Clécia Maria Lima de Santana Cleide Cristina Pereira de Carvalho Cleidilene Almeida Silva Cristiane Barbosa Tosta de Silva Cristiane Pereira Cristiane Wanelle Souza e Souza Cybelle Pereira de Freitas Augusto Cynthia Maria Benevides Daisy Rodrigues Quirino Daniela Albuquerque Loeser de Menezes Daniela Alencar da Silva Danielle Montalioni Machado Danielly Rolim de Lima Darlene Patricia Silva dos Santos Darllene Virginia Ribeiro dos Santos Debora de Almeida Silva Ramalho Dione Firmino de Macena Diva Carneiro Alves Divani Ferreira da Silva Edilene Maria Costa Edilene Maria Santana da Silva Edinane Barbosa de Santana Edjane Cristina dos Santos Edna Gomes da Silva Edna Ribeiro de Oliveira Ednalva Maria dos Santos Ednice Pereira Liberato Edsandra Anita e Silva Elianai Araújo Nazário Mota Erika Maria Santos do Nascimento Erlania Andreia dos Santos Lima Estefania Gomes de Amorim Eunice Medeiros Gonçalves Euridice Nunes de Vasconcelos Everaldo Francisco Soares Extivia Patricia do Nascimento Fabiana Cristina de Santana Fabiana de Mendonca Mendes Fabiana Marilha Paulino de Souza Fabiana Morais Cavalcanti Fernanda Maria da Silva Fernanda Morais dos Santos Perruci Fernanda Pereira Gomes Mendonça Francisca Henrique dos Santos Guedes Gabriela Marques de Almeida Gecigeime Santa Cruz Xaves Genilda Lopes Gilma Cristina Barbosa Alburquerque Gilvanete Cabral de Mendoça Barreto Glauce Carneiro Dornelas Helga Santos de Oliveira Iane Maria Pereira Alves Ilma de Lima Mendonça Ilza Soares de Oliveira Inaira Magalhães Coelho Inês Delmira da Silva Melo Isabelle Lima Veras de Oliveira Isis Farias Rezende Pordeus Isolda Santana dos Santos Itamar Santos do Nascimento Jaciane Camilo de Lima Jacilene Ferreira da Silva Jacira de Souza Marques Jackeline Cristiana Borges Tavares Jadson Alcântara de Oliveira Janaina Maria dos Santos Jane Cleide do Nascimento Lima Jaqueline de Souza Silva Jaqueline Rodrigues Barcelos Jardelina Maria da Luz Jedeivani Moura Ramos Joana Darc dos Santos Cavalcanti Joana Olindina Maria Seabra Joelma Maria da Silva Ferreira Joseane Maria dos Santos Josenilda da Ressurreição Santos Lessa Josineide Pessoa Silva Josivaldo Fernando dos Santos Juarita da Silva Nunes Kalina Maria Sales dos Santos Karla Patrícia Freitas Bezerra Kesia Betânia de Moura Silva Leila Britto de Amorim Lima Leila Maria Dias de Oliveira Lígia Helena Soares Steedman Lígia Maria da Costa Silva Lisandro Jose Marcolino de Vasconcelos Luana Cristina Alves Escobar Luana Santana Luciana Maria da Silva Souza Luciana Ramos de Andrade Luciana Simone Batista Gomes Luciene Maria Melo de Souza Lucrécia Cibely da Luz Magda da Silva Chaves Marcony Henrique Ferreira Costa Margarida Ribeiro de Almeida Maria Albanir Gomes Domingues Maria Consuelo dos Santos Maria Cristina Rodrigues da Silva Maria da Conceição Freitas da Cruz Santos Maria da Conceição Pereira Marques Maria das Graças dos Santos Maria das Mercês Tavares de Souza Maria de Fátima Cavalcanti Fernandes Maria Ducilete de Paula Oliveira Maria Francileny Ferreira Fontes Maria Gorete Torres Maria Isabela de Andrade Veras Souza Maria Sueci Silvestra Ferreira Maria Verônica Alves Barros e Silva Maria da da Conceição Pereira Marques Marileyde Barros da Guarda Marili Clementino de Oliveira Marília Vieira de Medeiros Marilsa Sales Cabral de Souza Marinalva Lima de Melo Marion Carmelindo da Silva Mariza Maria de Lira Marques Mércia de Fátima Misael Micheline Leite Gomes Michelle Eugênia do Nascimento Miriam Paula de Souza Miriam Santos Sousa Natália Nunes Cavalcante Neide Maria dos Santos Patrícia Batista da Silva Paula da Rocha Gomes Paula Verônica de Melo Ribas Paulo Fernando Gomes de Lima Polliana Silva da Fonseca Polyana Albuquerque Ferraz Rafaella Oliveira Silva Renicleide Barbosa de Oliveira Rilda Soares dos Santos Rita de Cassia Peixoto dE Barros Rosana Maria de Arruda Dantas Rosangela Claudia Cavalvante Sandra Maria Pavão Leite Sandra Regina da Silva Wenceslau Sara Santos de Lira Selmo Cunha Sheila de Souza Shirley Peixoto de Barros Silene Sales da Silva Silvania Ferreira dos Santos Silvania Maria do Nascimento Silvia Regina do Nascimento Malaquias Silvia Tenório de Oliveira Simone Lindolfo da Silva Simonne Alves da Silva Suely Lopes Marinho Symone José da Silva Taciana Ferreira Bento Tânia Maria da Silva Tânia Valéria da Silva Rodrigues Tarciana Maria Rocha Valença Tereza Cristina Ralime dos Santos Tereza Maria Cavalcanti da Silva Vera Lúcia Pereira de Lima Vera Lúcia Soares Costa Veronice Damasceno de Oliveira Virgínia Valéria Soares da Silva Viviane Bezerra de Souza Viviane Ramos de Araújo Waldenir Pereira da Silva Wanessa Menezes Rodrigues Washington Albino dos Santos Zaira Beatriz da Silva Pereira Zuleide Cristiane Silva Para avançar nos preceitos trabalhados ao longo da construção deste documento e dos aspectos filosóficos e históricos sociais destacados na apresentação, precisamos compreender em que ponto o currículo influencia o trabalho dos professores em sala de... Nesse sentido, a BNCC se constitui como referência que orientará as escolas, de nosso Sistema Municipal de Ensino, com vistas à promoção de uma educação emancipatória e embasado nos princípios éticos, políticos, estéticos e inclusivos, que assegurem ... Tendo em vista a adoção de uma Educação Emancipatória como concepção para o nosso Município, compreendemos o Currículo a partir desta lente, aqui visto também numa perspectiva crítico-emancipatória e multicultural. De acordo com SAUL et GOUVÊA (2009, ... 2.8. Concepção de Formação de Professores Segundo Bamberger (1977), Nos primeiros anos, a leitura precisa ser bastante estimulada, de modo que as crianças possam compreender a importância do hábito e descubram, ao mesmo tempo, o prazer de ler. Na Educação Infantil, especialmente, isso será relevante para que, ao adent... Corroboramos com os estudos de Rosa (2010), no que se refere ao trabalho com leitura na primeira etapa do Ensino Fundamental. Para esta autora, “a ajuda do professor no desenvolvimento de interesses e do prazer em ler é extremamente necessária, tendo ... Essa questão do envolvimento de todas as áreas do conhecimento na formação de leitores foi discutida por Guedes (1998): CANDIDO, Antônio. O Direito à literatura. Ensaio. Revista prosa, verso e Arte. s/d. Disponível em:https://www.revistaprosaversoearte.com/o-direito-a-literatura-antonio-candido/Acesso em:02 jan.2018. BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Secretaria de Educação Básica.-Brasília:MEC,SEB,2009.