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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE SETE LAGOAS Unidade Acadêmica de Ensino de Direito JHONEY BRAYHTNER RODRIGUES DE OLIVEIRA (036646) MAYRA CRISTINA SILVA PINHEIRO (037887) PROCESSO CIVIL IV : TUTELA PROVISÓRIA E PROCEDIMENTOS ESPECIAIS SETE LAGOAS 2022 JHONEY BRAYHTNER RODRIGUES DE OLIVEIRA MAYRA CRISTINA SILVA PINHEIRO PROCESSO CIVIL IV : TUTELA PROVISÓRIA E PROCEDIMENTOS ESPECIAIS Trabalho Acadêmico para curso de Direito, da Unidade Acadêmica de Ensino de Direito, do Centro Universitário de Sete Lagoas – UNIFEMM, como requisito de avaliação da matéria de Processo Civil IV. ORIENTADOR: Prof. Gustavo Figueroa SETE LAGOAS 2022 A ação de dissolução parcial de sociedade é resultado de uma evolução legislativa que permite, em situações legalmente previstas, que a sociedade permaneça em atividade, ainda que sem um sócio. Trata-se de ação judicial que exige a presença de pessoas específicas no polo ativo e no polo passivo da demanda. Rogério, Gustavo e você são sócios em uma gráfica, a Imagem e Ação Ltda. No ano passado, Rogério sofreu um grave acidente de trânsito que o deixou em estado de coma, situação que permanece até hoje, já passados 6 meses. Alguns atos da sociedade dependem da assinatura de todos os sócios, assim como a prática da gestão do negócio, embora fosse majoritariamente exercida por Rogério. Diante da ausência de Rogério, você e Gustavo decidiram que a melhor opção é proceder à dissolução parcial da sociedade. Conhecendo os trâmites processuais da ação de dissolução parcial de sociedade, responda: 1- Quem deve formar os polos ativo e passivo da demanda judicial? Justifique Nos termos do art. 600, inciso V do Código de Processo Civil, é a sociedade que tem legitimidade ativa na ação de dissolução parcial de sociedade nos casos em que a lei não autoriza a exclusão extrajudicial, como ocorre com a incapacidade superveniente do sócio nos termos do art.1030 do Código Civil. Ainda, nessa situação, o polo passivo da demanda deve ser formado apenas pelo sócio que se pretende excluir Rogério. Isso porque, nessa circunstância, a ação será proposta pela sociedade; caso contrário, se fosse proposta por apenas um dos sócios, seria necessário proceder à citação dos outros sócios e da sociedade, em litisconsórcio, de acordo com o art. 601 do Código Civil. 2- Quais os artigos de Direito Material e Processual devem ser alegados na causa de pedir? Justifique cada artigo. Os artigos a serem utilizados são: art. 599, CPC. (Direito Processual) e art. 1030, CC. ( Direito Material. Para o Direito Processual, conforme disposto anteriormente, não havia à disposição do sócio que gostaria de se retirar da sociedade, o que foi plenamente sanado de forma expressa, contudo, o CPC/15 inovou ainda mais não apenas em instituir uma ação que tivesse como escopo a retirada de sócio da sociedade, mas também dispôs a ação para a apuração de haveres do sócio retirante. Há alguma divergência doutrinária no tocante à natureza da Ação de Dissolução Parcial de Sociedade, que não seria compatível com o objeto de uma ação para apuração de haveres, porém, é entende-se que o legislador foi de certo inovador para o melhor, já que resolveu um problema não meramente teórico e doutrinário, data vênia aos grandes nomes que sustentam tais teses, mas sim uma questão prática e presente no contencioso empresarial. Assim, levando em conta os princípios da celeridade, economia processual e até mesmo fungibilidade – levando em conta que de certo haveria diversas ações erroneamente propostas, levando o nome de “Ação de Dissolução Parcial de Sociedade”, mas com o causa, pedido e objeto diversos e vice e versa –, foi por bem disponibilizar a mesma ação para causas diferentes, mas totalmente relacionadas. É certo dizer que são totalmente relacionadas, pois a apuração de haveres não existe sem a dissolução parcial da sociedade, e nem o contrário, de forma que mesmo que a dissolução não se tenha sido realizada pela via judicial, tanto o sócio dissidente quanto os sócios que permanecem na sociedade podem se valer desta via processual para apurar seus haveres. Desta forma, também podemos considerar que o legislador foi inovador por ir além da discussão doutrinária e da consideração de um cenário ideal para construção da lei, mas vislumbrou o panorama real e do contencioso e enfrentou os problemas e as questões recorrentes nos litígios empresariais com base na melhor doutrina e jurisprudência formulada. De acordo com o Direito Material, visto que a doutrina de Fábio Ulhoa Coelho, o Código Civil prevê sim a hipótese de o sócio ser excluído judicialmente da sociedade por incapacidade superveniente, mediante iniciativa da maioria dos demais sócios (art. 1.030). Além disso, a falta grave no cumprimento de suas obrigações sociais, ou seja, deixar de ser diligente no cumprimento de suas obrigações sociais, geram o direito a exclusão do sócio, desde que haja consenso da maioria dos sócios. Portanto, o artigo 1.030 , do CC abrange expressamente uma hipótese de exclusão de sócio. 3- Quais os pedidos e requerimentos que deverão ser apresentados na petição inicial? Em regra, utiliza-se o procedimento comum, salvo exceções dispostas no artigo 324. A Petição inicial é de fundamental importância para acionar a jurisdição (princípio da inércia), todavia deve atender determinados requisitos. Os pedidos, requeridos na petição inicial: a) a citação dos sócios e da sociedade para, no prazo de 15 dias, concordar com o pedido ou apresentar contestação, nos termos do art. 601 do CPC; b) a procedência do pedido para decretar a dissolução parcial, conforme art. 599, incs. I e II, do CPC; c) determinada a apuração dos haveres do sócio na sociedade, com base no art. 1.031 do CC e art. 599, inciso II, do CPC; d) a fixação da data da resolução da sociedade, conforme os arts. 604, inciso I, e 605, ambos do CPC; e) a definição do critério de apuração dos haveres, nos termos do art. 604, inciso II, do CPC; f) a nomeação do perito, conforme art. 604, inciso III, do CPC; g) a condenação da parte ré ao pagamento das custas e dos honorários advocatícios, na hipótese de não haver manifestação expressa e unânime pela concordância da dissolução; h) determinado o pagamento dos haveres apurados, com base no art. 609 do CPC; i) opção pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação, segundo os arts. 319, inciso VII, e 334, ambos do CPC; j) determinada à sociedade ou aos sócios que nela permaneceram, o depósito em juízo da parte incontroversa dos haveres devidos, com fundamento no art. 604, § 1º, do CPC.