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MODELOS DE GESTÃO E 
GESTÃO POR PROJETOS 
Prof. Sandro Fabiano da Luz 
AULA 4
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Princípios de Gerenciamento de Projetos 
Como analisado anteriormente, o Guia PMBOK é uma das principais 
publicações sobre gerenciamento de projetos disponíveis no mundo. Para 
conhecer a evolução do pensamento sobre gerenciamento de projetos é 
necessário se debruçar sobre a história escrita nas páginas deste guia ao longo 
de todas as suas edições. 
Nesta sétima e mais atual edição, o Guia levanta importantes 
considerações sobre como os projetos devem ser geridos e que tipo de atenção 
os envolvidos devem ter. Para isso, são apresentados alguns pilares importantes 
de atenção, e um destes pilares é chamado de Princípios de Gerenciamento de 
Projetos. Nesta etapa, entenderemos o que são estes princípios e como eles 
afetam de forma significativa um projeto. 
TEMA 1 – PADRÃO DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS 
Existem vários formatos e ferramentas que proporcionam um eficiente 
gerenciamento de projetos. A cada dia um novo software, formato ou modelo é 
idealizado e auxilia de forma impactante em como gerenciar um projeto, 
independentemente do cenário em que este projeto está sendo realizado. Este 
tipo de informação é necessário, contudo, para que um projeto seja gerenciado 
de forma plena, independentemente das ferramentas utilizadas e do cenário 
onde ele está sendo executado, é importante se atentar a um padrão e 
referencial teórico que solidifique as decisões e, por consequência, auxilie na 
usabilidade de qualquer ferramenta. Este conceitual pode ser denominado como 
padrão de gerenciamento de projetos, que é composto por alguns itens que 
aprofundaremos neste momento. 
1.1 Introdução sobre padrões de gerenciamento de projetos 
O entendimento sobre como realizar um pleno gerenciamento de projetos 
passa por um padrão lógico e único que fará com que todos os projetos 
realizados por uma instituição sejam otimizados. Neste sentido, é necessário 
entender sobre o que o Guia PMBOK (PMI, 2021) chama de Padrão de 
 
 
3 
Gerenciamento de Projeto, que nada mais é do que os princípios de 
gerenciamento que auxiliam na orientação do comportamento e das ações da 
equipe do projeto e, também, de todos os demais interessados. 
Este Padrão de Gerenciamento é um capítulo do guia que é composto por 
três pilares principais, que são: uma introdução sobre projetos; a análise de um 
sistema de entrega de valor; e, também, dos princípios de gerenciamento de 
projetos. Estes três pilares formam o que chamamos de Padrão de 
Gerenciamento de Projetos, e auxilia na operação com projetos em diversas 
instituições. 
De forma geral, a introdução sobre projetos é um espaço destinado à 
apresentação conceitual sobre os projetos e que servirá como abordagem inicial 
e como nivelamento importante de conhecimento para todos os envolvidos. 
Abordar inicialmente conceitos como portfólio, projetos e programas, por 
exemplo, é extremamente importante, e de antemão darão mais rapidez ao 
entendimento dos assuntos tratados na sequência. 
A parte introdutória do Padrão de Gerenciamento de Projetos trata de um 
tema importante, que é o aprofundamento sobre o público-alvo do Guia PMBOK. 
Entender o público-alvo também nos ajuda a envolver de forma mais 
aprofundada sobre os conceitos que serão de alguma forma impactados por 
eles. Neste sentido, segundo o Guia PMBOK (PMI, 2021), os envolvidos no 
Padrão de Gerenciamento de Projetos são: pessoas que prestam contas ou são 
responsáveis pela entrega dos resultados do projeto; pessoas que ensinam ou 
estudam gerenciamento de projetos; entre diversos outros. A seguir será 
apresentado o Quadro 1 com a informação do público-alvo para a leitura do 
Padrão de Gerenciamento de Projetos. 
Quadro 1 – Público do padrão de gerenciamento de projetos 
Público-alvo 
Prestam contas ou são responsáveis pela entrega dos resultados do projeto 
Trabalham em projetos em tempo integral ou parcial 
Trabalham com portfólios, programas ou em escritórios de gerenciamento de projetos 
(EGPs) 
Estão envolvidos com o patrocínio de projetos, propriedade de produtos, gerenciamento 
de produtos, liderança executiva ou governança de projetos 
Estão envolvidos com o gerenciamento de portfólio ou programas 
Provisionam recursos para o trabalho do projeto 
 
 
4 
Mantêm o foco na entrega de valor de portfólios, programas ou projetos 
Ensinam ou estudam gerenciamento de projetos 
Estão envolvidos com qualquer aspecto da cadeia de entrega de valor do projeto 
Fonte: Sandro Fabiano da Luz, 2022. 
Principalmente a partir dos anos de 1990, o setor público passou por 
mudanças significativas no Brasil. Neste sentido, a utilização de um modelo de 
gestão baseado na autonomia e descentralização virou uma tendência. Uma 
importante reflexão sobre gestão pública se faz importante muito por conta da 
reforma administrativa e gerencial realizada em diversas esferas nacionais. Em 
conjunto, tanto a esfera privada quanto a pública vêm passando por 
transformações que exigem melhor qualificação profissional, grande 
comprometimento e flexibilidade na execução das atividades diárias (Peters, 
2008). 
Assim, o aprimoramento e entendimento de todas as vertentes que 
influenciam no gerenciamento de projetos se faz necessário. Em especial, nas 
instituições públicas, as atualizações visualizadas no modelo de gestão 
necessitam de aprimoramento constante, tanto no que se refere à aplicação de 
ferramentas inovadoras quanto às práticas de gerenciamento de projetos. Por 
isso, a importância de solidificar o entendimento sobre um padrão para o 
gerenciamento de projetos. 
TEMA 2 – SISTEMA DE ENTREGA DE VALOR 
O segundo pilar do Padrão de Gerenciamento de Projeto é o 
entendimento sobre um sistema de entrega de valor tão importante para as 
organizações. Desta forma, um sistema de entrega de valor deve se atentar a 
uma governança organizacional, um entendimento sobre a criação de valor e 
outros pilares importantes que auxiliarão em como o projeto é encarado na 
organização. Uma clara visualização de um sistema de entrega de valor nos 
auxilia a entender a maturidade da instituição para com o gerenciamento de 
projetos. 
 
2.1 Abordagem de um sistema de entrega de valor em projetos 
De forma inicial é importante entender um sistema de entrega de valor em 
projetos como uma coleção de atividades estratégicas relativas ao projeto, que 
 
 
5 
são destinadas a construir, sustentar e/ou promover uma organização. Neste 
sentido, projetos, programas e portfólios de projetos podem ser entendidos como 
um sistema organizacional para a entrega de valor. 
Assim, um projeto precisa ser encarado nesta perspectiva, na qual ele 
deve compor um racional necessário para a criação de valor organizacional. Se 
esta realidade está distante da observada em um cenário, é possível que o 
projeto não consiga se encaixar com a estratégia organizacional e, assim sendo, 
a sua continuidade deve ser questionada. 
Os componentes utilizados para a criação de valor (projetos, programas 
ou portfólios de projetos) podem ser usados individualmente ou coletivamente. 
Quando realizados de forma conjunta, o trabalho destes componentes compõe 
um sistema de valor que auxilia em diversos âmbitos o trabalho de uma 
organização, como aumentar o bem-estar social, atualizar a carteira de serviços 
disponíveis para a comunidade, entre diversas outras possibilidades (PMI, 
2021). 
Para auxiliar na criação de valor percebida pelos projetos é importante 
que exista um fluxo de informações capaz de auxiliar nesta atividade. Ou seja, 
um real sistema de entrega de valor opera com bons resultados somente quando 
as informações pertinentes forem compartilhadas em conjunto pelos envolvidos. 
A comunicação é uma importante aliada no trabalho de manter o sistema de 
valor alinhado com a estratégia organizacional. 
 
Créditos: NicoElNino/Shutterstock.6 
É importante a aderência dos projetos com a estratégia como meio para 
realização do planejamento institucional. Neste sentido é vital observar que uma 
organização bem-sucedida possui um fluxo de projetos para lidar com a 
mudança inevitável enfrentada por ela (Cleland et al., 2002). 
Contudo, para que também o projeto opere de forma efetiva é importante 
citar outro pilar importante que compõe um sistema de entrega de valor, 
conhecido como Sistema de Governança Organizacional. Este é mais um 
componente que se enquadra no campo de entendimento mais amplo de 
projetos. Assim, um sistema de governança se relaciona com o próprio sistema 
de entrega de valor para facilitar o entendimento sobre os fluxos de trabalho, 
gerenciamento de mudanças e no apoio à tomada de decisão no ambiente de 
projetos (PMI, 2021). 
Um sistema de governança pode ser também entendido como de grande 
serventia para o apoio e estrutura destinada aos projetos. Neste sentido, ele 
corrobora com o sistema de entrega de valor. A governança deve se atentar a 
uma estrutura integrada para avaliar as mudanças nos projetos, assim como 
riscos e comunicação entre diversos outros existentes. 
Outro pilar importante para o sistema de criação de valor é o ambiente do 
projeto, que influencia e é influenciado pelo projeto em si. Um entendimento do 
cenário em que os projetos estão sendo realizados auxilia na tomada de decisão 
em diversos níveis. Assim, ambientes internos ou mesmo externos ao projeto 
devem ser continuamente monitorados e influenciam o planejamento de forma 
decisiva. Importante entender que esta influência pode ser positiva ou negativa 
ao projeto e, assim, proteger o projeto ou atuar para se beneficiar de melhor 
maneira das mudanças que podem ocorrer. 
Sobre o ambiente interno é importante verificar que diversos componentes 
deste cenário podem impactar no projeto, como a experiência com projetos 
anteriores da organização; cultura e estrutura para com projetos; documentos de 
projetos anteriores; e disponibilidade de recursos, entre diversos outros (PMI, 
2021). 
Sobre o âmbito de cultura e estrutura, são aspectos de uma organização 
que incluem a visão, missão, valores, crenças e até mesmo o estilo de liderança 
interna. Vale salientar que ainda questões sobre normas, relações com 
autoridades e hierarquia também podem ser consideradas como pilares a serem 
observados no âmbito de ambiente interno do projeto. 
 
 
7 
Outro fator importante e que influencia os projetos da esfera pública é a 
disponibilidade de recursos que incluem restrições a contratações, acordos de 
colaboração e normas de compras. A disponibilidade de recursos tanto de 
pessoas quanto de maquinário impacta no andamento das atividades e podem 
ocasionar atrasos nas entregas do projeto. 
Por fim, o ambiente externo também deve ser considerado neste campo 
que se atenta ao ambiente do projeto. Fatores externos como condições 
financeiras de mercado; influência de questões culturais; ambiente regulatório; e 
ambiente físico do projeto devem ser considerados. 
No que tange o ambiente regulatório, deve-se considerar a legislação 
vigente, tanto nacional quanto estadual e municipal, questões relativas à 
segurança e proteção de dados, juntamente com licenciamento e aquisições. 
Estas questões externas são apenas algumas que devem ser observadas 
continuamente para garantir que a entrega do projeto será realizada conforme o 
planejamento inicial. 
Nacionalmente visualiza-se que o sucesso verificado na experiência com 
o gerenciamento de projetos pode alavancar profissionais de todas as outras 
áreas a se atentarem em inovadoras formas de conseguir maior eficiência e 
eficácia na gestão. Ou seja, observar as diferentes fases que compõem um 
projeto auxilia na obtenção de resultados e, também, colabora para o equilíbrio 
institucional e ao alcance de maiores níveis de maturidade. 
TEMA 3 – PRINCÍPIOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS 
Dentro dos Padrões de Gerenciamento de Projetos, o pilar de maior 
atenção no processo de gerenciamento são os Princípios de Gerenciamento de 
Projetos, isso porque eles são fundamentais e podem ser considerados como 
uma base importante para que todas as ações relativas aos projetos sejam 
realizadas. Assim, princípios podem ser considerados como uma diretriz que 
auxilia o progresso das atividades no ambiente de projetos. 
3.1 Conceito dos princípios de gerenciamento de projetos 
Em linhas gerais, os princípios, como conceito, podem ser entendidos 
como uma diretriz fundamental que auxilia na estratégia e na tomada de decisão. 
Para algumas áreas e profissões, os princípios são uma organização de padrões 
 
 
8 
e regras definidas. Contudo, os Princípios de Gerenciamento de Projetos 
pretendem orientar o comportamento dos indivíduos envolvidos exclusivamente 
no ambiente de projeto (PMI, 2021). 
Com uma diretriz definida, a atuação com projetos e o ganho de 
maturidade no ambiente organizacional serão de muita relevância. Segundo 
Kerzner (2006), o aumento da maturidade em gerenciamento de projetos eleva 
a probabilidade de sucesso. Os resultados observados na aplicação de modelos 
de maturidade foram, entre outros, no incremento da relação de melhorias no 
gerenciamento de projetos; também no aprendizado proporcionado pelo 
monitoramento de mudanças; e na observação de forças e fraquezas. A ganho 
de maturidade com projetos possibilita alcançar os objetivos estratégicos de 
forma mais focada. 
Neste sentido, os princípios de gerenciamento de projetos possuem 
ligação com um código de ética e conduta profissional. Eles se relacionam com 
responsabilidade, respeito, equidade e honestidade; estas quatro características 
são vitais para um profissional atuante na área de projetos. 
De forma geral, são doze os Princípios de Gerenciamento de Projetos 
idealizados pelo Guia PMBOK (PMI, 2021), que estão alinhados com valores 
identificados no código de ética profissional do envolvido em gerenciamento de 
projetos e que devem ser desenvolvidos e engajados continuamente no 
ambiente de projetos. Os doze Princípios de Gerenciamento de Projetos são: 
Administração; Equipe; Partes Interessadas; Valor; Visão Sistêmica; 
Liderança; Tailoring; Qualidade; Complexidade; Risco; Adaptabilidade e 
resiliência; Mudanças. 
Analisaremos estes princípios separadamente, contudo, de forma inicial, 
podemos observar seu relacionamento conforme o quadro a seguir: 
Quadro 2 – Relacionamento dos princípios de gerenciamento de projetos 
Princípio Relacionamento 
Administração Seja um administrador diligente, respeitoso e 
atencioso. 
Equipe Crie um ambiente colaborativo para a equipe do 
projeto. 
Partes interessadas Envolva-se de fato com as partes interessadas. 
Valor Concentre-se no valor. 
 
 
9 
Visão sistêmica Reconheça, avalie e reaja às interações do 
sistema. 
Liderança Demonstre comportamentos de liderança. 
Tailoring Faça a adaptação de acordo com o contexto. 
Qualidade Crie qualidade nos processos e nas entregas. 
Complexidade Navegue pela complexidade. 
Risco Otimize as respostas a riscos. 
Adaptabilidade e resiliência Adote a capacidade de adaptação e resiliência. 
Mudanças 
 
Aceite as mudanças para alcançar o futuro 
previsto. 
Fonte: Sandro Fabiano da Luz, 2022. 
Vale salientar que não existe um princípio mais importante do que o outro 
no ambiente de projetos. O que pode acontecer em uma realidade é que um 
determinado princípio pode ser mais demandado que outro por uma questão 
estrutural, contudo a não observância da importância destes princípios pode 
comprometer de sobremaneira o andamento das atividades de um projeto. 
TEMA 4 – PRINCÍPIOS RELATIVOS AO TRABALHO DE GERENCIAMENTO DE 
PROJETOS 
Neste momento, analisaremos de forma mais focada os seis primeiros 
princípios que versam pelas relações humanas e atividade de gerenciamento de 
projetos. São eles: Intendência; Equipe; Partes Interessadas;Valor; Visão 
Sistêmica; e Liderança. Posteriormente analisaremos de forma mais focada os 
seis outros princípios. A intenção deste estudo é verificar o que mais pode 
impactar um projeto realizado na área pública e, assim, conseguir seguir o 
planejamento anteriormente idealizado. 
4.1 Análise dos seis primeiros princípios 
O primeiro princípio que analisaremos aqui é o que versa sobre a 
administração, que nada mais é do que a observância da integridade, cuidado 
e confiabilidade, sempre mantendo atenção às diretrizes internas e externas. 
Neste sentido, o princípio relativo à administração observa que o profissional de 
projeto deve atuar com liderança, transparência e confiabilidade. Pilares 
importantes para o progresso profissional de muitas áreas. 
 
 
10 
No quesito confiabilidade vale destacar que atentar-se a esta 
característica é cumprir com a legislação vigente, regulamentos e exigências que 
limitam a atuação em projetos. Assim, os profissionais de projetos devem se 
esforçar para atender as diretrizes destinadas e proteger a organização, a 
comunidade ou o próprio projeto. 
O segundo princípio atenta-se a preocupações com a equipe do projeto 
e a importante missão de criar um ambiente colaborativo para que eles 
desenvolvam as entregas necessárias para o projeto. Neste sentido é importante 
salientar que as equipes de projetos são formadas por indivíduos com diferentes 
habilidades e conhecimentos. Assim, as equipes que trabalham de forma 
colaborativa podem alcançar os objetivos do projeto de forma mais eficaz. 
Para se criar um ambiente colaborativo é importante observar três 
aspectos, que são: acordos com a equipe; estrutura organizacional; e processos. 
No que tange a acordos com a equipe vale salientar que representam um 
conjunto de parâmetros comportamentais de trabalho estabelecidos pela equipe 
e que precisam ser respeitados. Estes acordos devem ser identificados logo no 
início do projeto e podem ser realizados desde que não causem dano a algum 
âmbito do projeto. 
O terceiro princípio observa as partes interessadas do projeto. Esta 
atividade é muito importante e pode afetar de forma definitiva o andamento das 
atividades no projeto. Neste sentido o engajamento das partes interessadas 
deve ser proativo e de forma a contribuir com o sucesso do projeto (PMI, 2021). 
Analisar as partes interessadas em projetos vai muito além do que 
conhecer a equipe do projeto. Nesta área também são considerados os 
envolvidos externos que atuam em conjunto no projeto ou que serão recursos 
dele ao longo do progresso das atividades. 
Neste sentido, este princípio se preocupa com fornecedores, clientes, 
equipe interna do projeto e que podem atuar e afetar alguma atividade do projeto. 
Para que todas as ações sejam realizadas nesta área, é de suma importância a 
utilização de comunicação. É necessário acompanhar, inspirar, planejar o 
sucesso da equipe, compreender a dinâmica de cada situação e seus impactos 
e, também, integrar todas as outras áreas de gerenciamento para que, em 
conjunto, seja possível alcançar o sucesso (Batchelor, 2013). 
Assim, existem algumas atividades necessárias que podem auxiliar o 
processo de gerenciamento desta área, que são: identificar as partes 
 
 
11 
interessadas; planejar o engajamento destas; e realizar o gerenciamento e 
monitoramento delas continuamente. 
Uma tarefa importante para este princípio consiste na identificação das 
partes interessadas. Esta atividade pode ser entendida como o processo de 
identificação constante de todas as partes interessadas do projeto. Além de 
realizar uma análise e documentação das informações relevantes sobre seus 
respectivos interesses, bem como seu envolvimento, interdependência, 
influência e impacto potencial no sucesso do projeto. 
Em projetos da área pública, as partes interessadas estão em diferentes 
níveis da instituição e para a realização de sua identificação o auxílio da equipe 
do projeto é fundamental. Inicialmente, porque ele é o primeiro processo e 
depende muito dele o sucesso da atuação com as partes interessadas a ser 
realizado posteriormente. Só é possível ter interação com determinada parte 
interessada se ela for identificada logo no início dos trabalhos. 
Depois, da posse de identificação das partes interessadas, será possível 
fazer a criação de uma matriz que não apenas identifique a parte interessada, 
mas também apresente o grau de envolvimento dela para com o projeto, bem 
como as suas expectativas. Então, será possível por meio da comunicação 
atender a expectativa desta parte interessada ou realizar o planejamento de 
mudanças de acordo com cada realidade. 
 
Créditos: Fizkes/Shutterstock 
 
 
12 
O princípio seguinte para a realização de um padrão de gerenciamento de 
projetos é a atenção ao valor, ou seja, o valor criado pelo projeto, mas aqui pela 
ótica de princípio. O valor inclui resultados pela perspectiva do cliente final do 
projeto, que é um indicador definitivo para a verificação do progresso das 
atividades. Neste sentido, o valor se concentra no resultado do projeto. 
Para ter estas informações atendidas é necessário verificar 
continuamente a justificativa do projeto, pois ela se conecta à necessidade 
observada pelo negócio que está sendo construído. A justificativa apresenta o 
motivo do investimento válido para o projeto e o motivo de ele ser considerado 
no momento presente. 
Apesar de que, tanto as justificativas para o projeto quanto diversas 
ferramentas disponíveis no mercado são originárias ou destinadas a 
administração do segundo setor, exigências crescentes dos cidadãos por 
serviços públicos de qualidade têm elevado a importância da utilização de 
práticas eficientes também no setor público (Pestana et al., 2010). 
O princípio que observa a visão sistêmica reconhece e avalia as 
interações neste sistema onde o projeto está sendo realizado. Assim sendo, 
reconhecer, avaliar e responder às circunstâncias dinâmicas no âmbito e ao 
redor do projeto influenciam positivamente o desempenho do projeto (PMI, 
2021). 
Por fim, o sexto princípio que apresentaremos aqui é o que se atenta à 
liderança no projeto. Demonstrar liderança e apoiar as necessidades individuais 
em projetos é missão de todos os cargos na administração pública ligados a 
projetos. A atuação de liderança de projetos aliada a uma boa comunicação faz 
com que a tomada de decisão seja realizada de forma clara, não impactando no 
andamento das atividades negativamente. 
TEMA 5 – PRINCÍPIOS RELATIVOS AO GERENCIAMENTO DE PROJETOS 
Agora analisaremos os seis demais princípios que são pilares na atenção 
com projetos. São eles: Tailoring; Qualidade; Complexidade; Risco; 
Adaptabilidade e resiliência; Mudanças. Estes princípios restantes são de 
importante atenção e, se não observados com constância, podem comprometer 
o andamento das atividades. 
 
 
 
13 
5.1 Demais princípios de gerenciamento de projetos 
O primeiro princípio a ser analisado aqui observa a importância do 
Tailoring. Na literatura de projeto, este termo está diretamente ligado a um 
projeto realizado sob medida a uma comunidade local. Esta ação de realizar algo 
extremamente direcionado é uma ação importante e que toda a equipe do projeto 
deve estar atenta. 
Este princípio observa a importância de criar uma abordagem de 
desenvolvimento do projeto com base no seu contexto, objetivos, partes 
interessadas, governança e no ambiente. A sua intenção é maximizar o valor 
com atenção ao custo e velocidade dos trabalhos. 
Isso porque muitos projetos são extremamente específicos e serão 
utilizados de forma plena somente por este usuário final, ou comunidade local. 
Assim, estar atento a ferramentas e atualizações para com o gerenciamento de 
projetos é vital nesta realidade. 
O princípio seguinte se atenta à qualidade necessária para o projeto. 
Assim, manter o foco na qualidade para cumprir as entregas de formaplena. 
Neste sentido, qualidade está diretamente ligada a um leque de conformidades 
do produto final desenvolvido pelo projeto que precisa estar em conformidade. 
Assim, a qualidade para com projetos está também ligada a quesitos de 
desempenho, confiabilidade, satisfação, eficiência e uniformidade. Para projetos 
da área pública a atenção a estas particularidades é extremamente importante. 
 
Créditos: Den Rise/Shutterstock. 
A complexidade é outro importante princípio seguinte, que avalia 
continuamente a complexidade do projeto para que as abordagens e planos 
 
 
14 
permitam que a equipe observe o sucesso ao longo da realização dos trabalhos. 
A complexidade de um projeto em alguma medida está ligada a incertezas e 
ambiguidades crescentes no mundo atualmente. 
Pode ser entendida como uma condição obscura que não nos possibilita 
entender plenamente uma situação. A ambiguidade pode surgir quando as 
decisões no ambiente da esfera pública podem seguir por dois diferentes 
caminhos sem a total clareza de qual das escolhas seria a melhor. Eventos não 
necessariamente esclarecidos, ou ainda situações de emergência, podem ser 
determinantes para a ambiguidade. 
Outro princípio importante é a atenção aos riscos no projeto. A função de 
um planejamento de riscos, como uma espécie de documento, visa coletar e 
monitorar informações de ações para com os riscos no projeto. Um documental 
que sustente as ações para com os riscos se torna importante, porque ele terá a 
função de esclarecer de forma clara sobre o entendimento e sobre a atuação 
com relação a riscos. 
Uma das ações iniciais para com os riscos é a realização de uma 
identificação destes. Ela deve ser constante, pois novos riscos devem surgir ao 
longo do projeto. Porém, uma consideração importante que deve ser realizada é 
a análise dos riscos positivos e riscos negativos para o projeto. Assim, em um 
projeto podem ser identificados riscos que podem comprometer negativamente 
alguma parte do escopo do projeto, porém, também podem ser identificados 
riscos que podem trazer algum benefício a alguma parte do escopo. 
Um exemplo de risco positivo pode ser identificado pela deflação de algum 
componente para o projeto, que sofreu uma redução de preço, e agora podem 
ser adquiridas em quantidade maior que a anteriormente idealizada. Ou mesmo 
a flutuação do câmbio, que pode ser identificada como um risco negativo ou 
positivo para compra de insumos importados para o projeto. O valor da 
mercadoria pode ser maior ou menor de acordo com a cotação do dia, ou seja, 
pode ser um risco negativo ou positivo para o projeto. 
Posteriormente à identificação e tratamento do risco é importante realizar 
um planejamento de resposta aos riscos. Segundo Clements et al. (2014), o 
processo de planejar as respostas aos riscos pode ser entendido como o 
conjunto definido de ações que visam prevenir ou até mesmo reduzir o impacto 
do risco, posteriormente ao risco ocorrer de fato no projeto. O principal benefício 
da realização de um planejamento de resposta aos riscos é visualizar de forma 
 
 
15 
estratégica como as ameaças e oportunidades podem comprometer algum 
âmbito do projeto. 
Assim, o trabalho para a realização de um completo planejamento de 
resposta aos riscos deve contemplar todas as particularidades de cada risco 
anteriormente identificado. A partir dele é possível realizar uma reflexão sobre 
que tipo de comportamento deve ser realizado após a incidência do risco no 
projeto. 
Cada ação escolhida como resposta ao risco deve levar em conta a 
complexidade de cada projeto e seus impactos. Sob a ótica de custo, no 
momento do planejamento, é possível fazer a escolha de qual ação pode ser 
considerada a menos onerosa financeiramente para a instituição. Por isso é 
importante que sejam escolhidas e documentadas todas as respostas aos riscos 
identificadas, bem como os seus devidos responsáveis. 
O princípio seguinte se atenta à capacidade de adaptação e resiliência, 
tão importante para diversas profissões atualmente. A adaptação é um 
importante ato de se preparar para adaptações possíveis no ambiente do projeto 
ou na equipe. O importante para o andamento das atividades é apresentar 
resiliência e continuar com as entregas relativas ao projeto. 
Por fim, o último princípio é o relativo a mudanças, assim, é necessário 
aceitar as mudanças que ocorrem no ambiente do projeto e redesenhar ações 
de acordo com esta nova realidade. É necessário preparar os envolvidos na 
mudança para que adotem e mantenham comportamentos e processos novos 
ou diferentes, necessários na transição do estado atual para o estado futuro 
pretendido e criado pelos resultados do projeto. 
Este princípio parece desafiador muito por conta de que as mudanças nos 
projetos e nas organizações públicas, por muitas vezes são complexas. 
Contudo, um gerenciamento de mudanças e uma comunicação otimizada em 
uma instituição eleva o nível de motivação e aderência à estratégia 
organizacional. 
Desta forma, estes doze princípios apresentam informação importantes 
para que o projeto seja realizado em qualquer organização. Vale salientar que 
eles interagem entre si impactando mutuamente, por isso o trabalho com projetos 
se torna complexo e dependente de avaliação constante. 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
BATCHELOR, M. Segredos de gerenciamento de projetos. São Paulo: Editora 
Fundamento, 2013. 
CLELAND, D. I.; IRELAND, L. R. Gerência de projetos. Rio de Janeiro: 
Reichmann & Affonso, 2002. 
CLEMENTS, J. P.; GIDO, J.; Gestão de Projetos. São Paulo: Cengage 
Learning, 2014. 
KERZNER, H. Gestão de projetos: as melhores práticas. Porto Alegre: 
Bookman, 2006. 
PMI. Project Management Institute. PMBOK – A guide to the project 
management body of knowledge (PMBOK Guide). 7. ed. Newtown Square: PMI, 
2021. 
PESTANA, C. V. S.; VALENTE, G. V. P. Gerenciamento de projetos na 
administração pública: da implantação do escritório de projetos à gestão de 
portfólio na Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos do Espírito 
Santo. III Congresso Consad de Gestão Pública. Brasília: 2010. 
PETERS, G. B. Os dois futuros do ato de governar: processos de 
descentralização e recentralização no ato de governar. Revista do Serviço 
Público, Brasília, v. 59, n. 3, p. 289-307, jul./set. 2008.

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