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MODELOS DE GESTÃO E GESTÃO POR PROJETOS Prof. Sandro Fabiano da Luz AULA 4 2 INTRODUÇÃO Princípios de Gerenciamento de Projetos Como analisado anteriormente, o Guia PMBOK é uma das principais publicações sobre gerenciamento de projetos disponíveis no mundo. Para conhecer a evolução do pensamento sobre gerenciamento de projetos é necessário se debruçar sobre a história escrita nas páginas deste guia ao longo de todas as suas edições. Nesta sétima e mais atual edição, o Guia levanta importantes considerações sobre como os projetos devem ser geridos e que tipo de atenção os envolvidos devem ter. Para isso, são apresentados alguns pilares importantes de atenção, e um destes pilares é chamado de Princípios de Gerenciamento de Projetos. Nesta etapa, entenderemos o que são estes princípios e como eles afetam de forma significativa um projeto. TEMA 1 – PADRÃO DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS Existem vários formatos e ferramentas que proporcionam um eficiente gerenciamento de projetos. A cada dia um novo software, formato ou modelo é idealizado e auxilia de forma impactante em como gerenciar um projeto, independentemente do cenário em que este projeto está sendo realizado. Este tipo de informação é necessário, contudo, para que um projeto seja gerenciado de forma plena, independentemente das ferramentas utilizadas e do cenário onde ele está sendo executado, é importante se atentar a um padrão e referencial teórico que solidifique as decisões e, por consequência, auxilie na usabilidade de qualquer ferramenta. Este conceitual pode ser denominado como padrão de gerenciamento de projetos, que é composto por alguns itens que aprofundaremos neste momento. 1.1 Introdução sobre padrões de gerenciamento de projetos O entendimento sobre como realizar um pleno gerenciamento de projetos passa por um padrão lógico e único que fará com que todos os projetos realizados por uma instituição sejam otimizados. Neste sentido, é necessário entender sobre o que o Guia PMBOK (PMI, 2021) chama de Padrão de 3 Gerenciamento de Projeto, que nada mais é do que os princípios de gerenciamento que auxiliam na orientação do comportamento e das ações da equipe do projeto e, também, de todos os demais interessados. Este Padrão de Gerenciamento é um capítulo do guia que é composto por três pilares principais, que são: uma introdução sobre projetos; a análise de um sistema de entrega de valor; e, também, dos princípios de gerenciamento de projetos. Estes três pilares formam o que chamamos de Padrão de Gerenciamento de Projetos, e auxilia na operação com projetos em diversas instituições. De forma geral, a introdução sobre projetos é um espaço destinado à apresentação conceitual sobre os projetos e que servirá como abordagem inicial e como nivelamento importante de conhecimento para todos os envolvidos. Abordar inicialmente conceitos como portfólio, projetos e programas, por exemplo, é extremamente importante, e de antemão darão mais rapidez ao entendimento dos assuntos tratados na sequência. A parte introdutória do Padrão de Gerenciamento de Projetos trata de um tema importante, que é o aprofundamento sobre o público-alvo do Guia PMBOK. Entender o público-alvo também nos ajuda a envolver de forma mais aprofundada sobre os conceitos que serão de alguma forma impactados por eles. Neste sentido, segundo o Guia PMBOK (PMI, 2021), os envolvidos no Padrão de Gerenciamento de Projetos são: pessoas que prestam contas ou são responsáveis pela entrega dos resultados do projeto; pessoas que ensinam ou estudam gerenciamento de projetos; entre diversos outros. A seguir será apresentado o Quadro 1 com a informação do público-alvo para a leitura do Padrão de Gerenciamento de Projetos. Quadro 1 – Público do padrão de gerenciamento de projetos Público-alvo Prestam contas ou são responsáveis pela entrega dos resultados do projeto Trabalham em projetos em tempo integral ou parcial Trabalham com portfólios, programas ou em escritórios de gerenciamento de projetos (EGPs) Estão envolvidos com o patrocínio de projetos, propriedade de produtos, gerenciamento de produtos, liderança executiva ou governança de projetos Estão envolvidos com o gerenciamento de portfólio ou programas Provisionam recursos para o trabalho do projeto 4 Mantêm o foco na entrega de valor de portfólios, programas ou projetos Ensinam ou estudam gerenciamento de projetos Estão envolvidos com qualquer aspecto da cadeia de entrega de valor do projeto Fonte: Sandro Fabiano da Luz, 2022. Principalmente a partir dos anos de 1990, o setor público passou por mudanças significativas no Brasil. Neste sentido, a utilização de um modelo de gestão baseado na autonomia e descentralização virou uma tendência. Uma importante reflexão sobre gestão pública se faz importante muito por conta da reforma administrativa e gerencial realizada em diversas esferas nacionais. Em conjunto, tanto a esfera privada quanto a pública vêm passando por transformações que exigem melhor qualificação profissional, grande comprometimento e flexibilidade na execução das atividades diárias (Peters, 2008). Assim, o aprimoramento e entendimento de todas as vertentes que influenciam no gerenciamento de projetos se faz necessário. Em especial, nas instituições públicas, as atualizações visualizadas no modelo de gestão necessitam de aprimoramento constante, tanto no que se refere à aplicação de ferramentas inovadoras quanto às práticas de gerenciamento de projetos. Por isso, a importância de solidificar o entendimento sobre um padrão para o gerenciamento de projetos. TEMA 2 – SISTEMA DE ENTREGA DE VALOR O segundo pilar do Padrão de Gerenciamento de Projeto é o entendimento sobre um sistema de entrega de valor tão importante para as organizações. Desta forma, um sistema de entrega de valor deve se atentar a uma governança organizacional, um entendimento sobre a criação de valor e outros pilares importantes que auxiliarão em como o projeto é encarado na organização. Uma clara visualização de um sistema de entrega de valor nos auxilia a entender a maturidade da instituição para com o gerenciamento de projetos. 2.1 Abordagem de um sistema de entrega de valor em projetos De forma inicial é importante entender um sistema de entrega de valor em projetos como uma coleção de atividades estratégicas relativas ao projeto, que 5 são destinadas a construir, sustentar e/ou promover uma organização. Neste sentido, projetos, programas e portfólios de projetos podem ser entendidos como um sistema organizacional para a entrega de valor. Assim, um projeto precisa ser encarado nesta perspectiva, na qual ele deve compor um racional necessário para a criação de valor organizacional. Se esta realidade está distante da observada em um cenário, é possível que o projeto não consiga se encaixar com a estratégia organizacional e, assim sendo, a sua continuidade deve ser questionada. Os componentes utilizados para a criação de valor (projetos, programas ou portfólios de projetos) podem ser usados individualmente ou coletivamente. Quando realizados de forma conjunta, o trabalho destes componentes compõe um sistema de valor que auxilia em diversos âmbitos o trabalho de uma organização, como aumentar o bem-estar social, atualizar a carteira de serviços disponíveis para a comunidade, entre diversas outras possibilidades (PMI, 2021). Para auxiliar na criação de valor percebida pelos projetos é importante que exista um fluxo de informações capaz de auxiliar nesta atividade. Ou seja, um real sistema de entrega de valor opera com bons resultados somente quando as informações pertinentes forem compartilhadas em conjunto pelos envolvidos. A comunicação é uma importante aliada no trabalho de manter o sistema de valor alinhado com a estratégia organizacional. Créditos: NicoElNino/Shutterstock.6 É importante a aderência dos projetos com a estratégia como meio para realização do planejamento institucional. Neste sentido é vital observar que uma organização bem-sucedida possui um fluxo de projetos para lidar com a mudança inevitável enfrentada por ela (Cleland et al., 2002). Contudo, para que também o projeto opere de forma efetiva é importante citar outro pilar importante que compõe um sistema de entrega de valor, conhecido como Sistema de Governança Organizacional. Este é mais um componente que se enquadra no campo de entendimento mais amplo de projetos. Assim, um sistema de governança se relaciona com o próprio sistema de entrega de valor para facilitar o entendimento sobre os fluxos de trabalho, gerenciamento de mudanças e no apoio à tomada de decisão no ambiente de projetos (PMI, 2021). Um sistema de governança pode ser também entendido como de grande serventia para o apoio e estrutura destinada aos projetos. Neste sentido, ele corrobora com o sistema de entrega de valor. A governança deve se atentar a uma estrutura integrada para avaliar as mudanças nos projetos, assim como riscos e comunicação entre diversos outros existentes. Outro pilar importante para o sistema de criação de valor é o ambiente do projeto, que influencia e é influenciado pelo projeto em si. Um entendimento do cenário em que os projetos estão sendo realizados auxilia na tomada de decisão em diversos níveis. Assim, ambientes internos ou mesmo externos ao projeto devem ser continuamente monitorados e influenciam o planejamento de forma decisiva. Importante entender que esta influência pode ser positiva ou negativa ao projeto e, assim, proteger o projeto ou atuar para se beneficiar de melhor maneira das mudanças que podem ocorrer. Sobre o ambiente interno é importante verificar que diversos componentes deste cenário podem impactar no projeto, como a experiência com projetos anteriores da organização; cultura e estrutura para com projetos; documentos de projetos anteriores; e disponibilidade de recursos, entre diversos outros (PMI, 2021). Sobre o âmbito de cultura e estrutura, são aspectos de uma organização que incluem a visão, missão, valores, crenças e até mesmo o estilo de liderança interna. Vale salientar que ainda questões sobre normas, relações com autoridades e hierarquia também podem ser consideradas como pilares a serem observados no âmbito de ambiente interno do projeto. 7 Outro fator importante e que influencia os projetos da esfera pública é a disponibilidade de recursos que incluem restrições a contratações, acordos de colaboração e normas de compras. A disponibilidade de recursos tanto de pessoas quanto de maquinário impacta no andamento das atividades e podem ocasionar atrasos nas entregas do projeto. Por fim, o ambiente externo também deve ser considerado neste campo que se atenta ao ambiente do projeto. Fatores externos como condições financeiras de mercado; influência de questões culturais; ambiente regulatório; e ambiente físico do projeto devem ser considerados. No que tange o ambiente regulatório, deve-se considerar a legislação vigente, tanto nacional quanto estadual e municipal, questões relativas à segurança e proteção de dados, juntamente com licenciamento e aquisições. Estas questões externas são apenas algumas que devem ser observadas continuamente para garantir que a entrega do projeto será realizada conforme o planejamento inicial. Nacionalmente visualiza-se que o sucesso verificado na experiência com o gerenciamento de projetos pode alavancar profissionais de todas as outras áreas a se atentarem em inovadoras formas de conseguir maior eficiência e eficácia na gestão. Ou seja, observar as diferentes fases que compõem um projeto auxilia na obtenção de resultados e, também, colabora para o equilíbrio institucional e ao alcance de maiores níveis de maturidade. TEMA 3 – PRINCÍPIOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS Dentro dos Padrões de Gerenciamento de Projetos, o pilar de maior atenção no processo de gerenciamento são os Princípios de Gerenciamento de Projetos, isso porque eles são fundamentais e podem ser considerados como uma base importante para que todas as ações relativas aos projetos sejam realizadas. Assim, princípios podem ser considerados como uma diretriz que auxilia o progresso das atividades no ambiente de projetos. 3.1 Conceito dos princípios de gerenciamento de projetos Em linhas gerais, os princípios, como conceito, podem ser entendidos como uma diretriz fundamental que auxilia na estratégia e na tomada de decisão. Para algumas áreas e profissões, os princípios são uma organização de padrões 8 e regras definidas. Contudo, os Princípios de Gerenciamento de Projetos pretendem orientar o comportamento dos indivíduos envolvidos exclusivamente no ambiente de projeto (PMI, 2021). Com uma diretriz definida, a atuação com projetos e o ganho de maturidade no ambiente organizacional serão de muita relevância. Segundo Kerzner (2006), o aumento da maturidade em gerenciamento de projetos eleva a probabilidade de sucesso. Os resultados observados na aplicação de modelos de maturidade foram, entre outros, no incremento da relação de melhorias no gerenciamento de projetos; também no aprendizado proporcionado pelo monitoramento de mudanças; e na observação de forças e fraquezas. A ganho de maturidade com projetos possibilita alcançar os objetivos estratégicos de forma mais focada. Neste sentido, os princípios de gerenciamento de projetos possuem ligação com um código de ética e conduta profissional. Eles se relacionam com responsabilidade, respeito, equidade e honestidade; estas quatro características são vitais para um profissional atuante na área de projetos. De forma geral, são doze os Princípios de Gerenciamento de Projetos idealizados pelo Guia PMBOK (PMI, 2021), que estão alinhados com valores identificados no código de ética profissional do envolvido em gerenciamento de projetos e que devem ser desenvolvidos e engajados continuamente no ambiente de projetos. Os doze Princípios de Gerenciamento de Projetos são: Administração; Equipe; Partes Interessadas; Valor; Visão Sistêmica; Liderança; Tailoring; Qualidade; Complexidade; Risco; Adaptabilidade e resiliência; Mudanças. Analisaremos estes princípios separadamente, contudo, de forma inicial, podemos observar seu relacionamento conforme o quadro a seguir: Quadro 2 – Relacionamento dos princípios de gerenciamento de projetos Princípio Relacionamento Administração Seja um administrador diligente, respeitoso e atencioso. Equipe Crie um ambiente colaborativo para a equipe do projeto. Partes interessadas Envolva-se de fato com as partes interessadas. Valor Concentre-se no valor. 9 Visão sistêmica Reconheça, avalie e reaja às interações do sistema. Liderança Demonstre comportamentos de liderança. Tailoring Faça a adaptação de acordo com o contexto. Qualidade Crie qualidade nos processos e nas entregas. Complexidade Navegue pela complexidade. Risco Otimize as respostas a riscos. Adaptabilidade e resiliência Adote a capacidade de adaptação e resiliência. Mudanças Aceite as mudanças para alcançar o futuro previsto. Fonte: Sandro Fabiano da Luz, 2022. Vale salientar que não existe um princípio mais importante do que o outro no ambiente de projetos. O que pode acontecer em uma realidade é que um determinado princípio pode ser mais demandado que outro por uma questão estrutural, contudo a não observância da importância destes princípios pode comprometer de sobremaneira o andamento das atividades de um projeto. TEMA 4 – PRINCÍPIOS RELATIVOS AO TRABALHO DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS Neste momento, analisaremos de forma mais focada os seis primeiros princípios que versam pelas relações humanas e atividade de gerenciamento de projetos. São eles: Intendência; Equipe; Partes Interessadas;Valor; Visão Sistêmica; e Liderança. Posteriormente analisaremos de forma mais focada os seis outros princípios. A intenção deste estudo é verificar o que mais pode impactar um projeto realizado na área pública e, assim, conseguir seguir o planejamento anteriormente idealizado. 4.1 Análise dos seis primeiros princípios O primeiro princípio que analisaremos aqui é o que versa sobre a administração, que nada mais é do que a observância da integridade, cuidado e confiabilidade, sempre mantendo atenção às diretrizes internas e externas. Neste sentido, o princípio relativo à administração observa que o profissional de projeto deve atuar com liderança, transparência e confiabilidade. Pilares importantes para o progresso profissional de muitas áreas. 10 No quesito confiabilidade vale destacar que atentar-se a esta característica é cumprir com a legislação vigente, regulamentos e exigências que limitam a atuação em projetos. Assim, os profissionais de projetos devem se esforçar para atender as diretrizes destinadas e proteger a organização, a comunidade ou o próprio projeto. O segundo princípio atenta-se a preocupações com a equipe do projeto e a importante missão de criar um ambiente colaborativo para que eles desenvolvam as entregas necessárias para o projeto. Neste sentido é importante salientar que as equipes de projetos são formadas por indivíduos com diferentes habilidades e conhecimentos. Assim, as equipes que trabalham de forma colaborativa podem alcançar os objetivos do projeto de forma mais eficaz. Para se criar um ambiente colaborativo é importante observar três aspectos, que são: acordos com a equipe; estrutura organizacional; e processos. No que tange a acordos com a equipe vale salientar que representam um conjunto de parâmetros comportamentais de trabalho estabelecidos pela equipe e que precisam ser respeitados. Estes acordos devem ser identificados logo no início do projeto e podem ser realizados desde que não causem dano a algum âmbito do projeto. O terceiro princípio observa as partes interessadas do projeto. Esta atividade é muito importante e pode afetar de forma definitiva o andamento das atividades no projeto. Neste sentido o engajamento das partes interessadas deve ser proativo e de forma a contribuir com o sucesso do projeto (PMI, 2021). Analisar as partes interessadas em projetos vai muito além do que conhecer a equipe do projeto. Nesta área também são considerados os envolvidos externos que atuam em conjunto no projeto ou que serão recursos dele ao longo do progresso das atividades. Neste sentido, este princípio se preocupa com fornecedores, clientes, equipe interna do projeto e que podem atuar e afetar alguma atividade do projeto. Para que todas as ações sejam realizadas nesta área, é de suma importância a utilização de comunicação. É necessário acompanhar, inspirar, planejar o sucesso da equipe, compreender a dinâmica de cada situação e seus impactos e, também, integrar todas as outras áreas de gerenciamento para que, em conjunto, seja possível alcançar o sucesso (Batchelor, 2013). Assim, existem algumas atividades necessárias que podem auxiliar o processo de gerenciamento desta área, que são: identificar as partes 11 interessadas; planejar o engajamento destas; e realizar o gerenciamento e monitoramento delas continuamente. Uma tarefa importante para este princípio consiste na identificação das partes interessadas. Esta atividade pode ser entendida como o processo de identificação constante de todas as partes interessadas do projeto. Além de realizar uma análise e documentação das informações relevantes sobre seus respectivos interesses, bem como seu envolvimento, interdependência, influência e impacto potencial no sucesso do projeto. Em projetos da área pública, as partes interessadas estão em diferentes níveis da instituição e para a realização de sua identificação o auxílio da equipe do projeto é fundamental. Inicialmente, porque ele é o primeiro processo e depende muito dele o sucesso da atuação com as partes interessadas a ser realizado posteriormente. Só é possível ter interação com determinada parte interessada se ela for identificada logo no início dos trabalhos. Depois, da posse de identificação das partes interessadas, será possível fazer a criação de uma matriz que não apenas identifique a parte interessada, mas também apresente o grau de envolvimento dela para com o projeto, bem como as suas expectativas. Então, será possível por meio da comunicação atender a expectativa desta parte interessada ou realizar o planejamento de mudanças de acordo com cada realidade. Créditos: Fizkes/Shutterstock 12 O princípio seguinte para a realização de um padrão de gerenciamento de projetos é a atenção ao valor, ou seja, o valor criado pelo projeto, mas aqui pela ótica de princípio. O valor inclui resultados pela perspectiva do cliente final do projeto, que é um indicador definitivo para a verificação do progresso das atividades. Neste sentido, o valor se concentra no resultado do projeto. Para ter estas informações atendidas é necessário verificar continuamente a justificativa do projeto, pois ela se conecta à necessidade observada pelo negócio que está sendo construído. A justificativa apresenta o motivo do investimento válido para o projeto e o motivo de ele ser considerado no momento presente. Apesar de que, tanto as justificativas para o projeto quanto diversas ferramentas disponíveis no mercado são originárias ou destinadas a administração do segundo setor, exigências crescentes dos cidadãos por serviços públicos de qualidade têm elevado a importância da utilização de práticas eficientes também no setor público (Pestana et al., 2010). O princípio que observa a visão sistêmica reconhece e avalia as interações neste sistema onde o projeto está sendo realizado. Assim sendo, reconhecer, avaliar e responder às circunstâncias dinâmicas no âmbito e ao redor do projeto influenciam positivamente o desempenho do projeto (PMI, 2021). Por fim, o sexto princípio que apresentaremos aqui é o que se atenta à liderança no projeto. Demonstrar liderança e apoiar as necessidades individuais em projetos é missão de todos os cargos na administração pública ligados a projetos. A atuação de liderança de projetos aliada a uma boa comunicação faz com que a tomada de decisão seja realizada de forma clara, não impactando no andamento das atividades negativamente. TEMA 5 – PRINCÍPIOS RELATIVOS AO GERENCIAMENTO DE PROJETOS Agora analisaremos os seis demais princípios que são pilares na atenção com projetos. São eles: Tailoring; Qualidade; Complexidade; Risco; Adaptabilidade e resiliência; Mudanças. Estes princípios restantes são de importante atenção e, se não observados com constância, podem comprometer o andamento das atividades. 13 5.1 Demais princípios de gerenciamento de projetos O primeiro princípio a ser analisado aqui observa a importância do Tailoring. Na literatura de projeto, este termo está diretamente ligado a um projeto realizado sob medida a uma comunidade local. Esta ação de realizar algo extremamente direcionado é uma ação importante e que toda a equipe do projeto deve estar atenta. Este princípio observa a importância de criar uma abordagem de desenvolvimento do projeto com base no seu contexto, objetivos, partes interessadas, governança e no ambiente. A sua intenção é maximizar o valor com atenção ao custo e velocidade dos trabalhos. Isso porque muitos projetos são extremamente específicos e serão utilizados de forma plena somente por este usuário final, ou comunidade local. Assim, estar atento a ferramentas e atualizações para com o gerenciamento de projetos é vital nesta realidade. O princípio seguinte se atenta à qualidade necessária para o projeto. Assim, manter o foco na qualidade para cumprir as entregas de formaplena. Neste sentido, qualidade está diretamente ligada a um leque de conformidades do produto final desenvolvido pelo projeto que precisa estar em conformidade. Assim, a qualidade para com projetos está também ligada a quesitos de desempenho, confiabilidade, satisfação, eficiência e uniformidade. Para projetos da área pública a atenção a estas particularidades é extremamente importante. Créditos: Den Rise/Shutterstock. A complexidade é outro importante princípio seguinte, que avalia continuamente a complexidade do projeto para que as abordagens e planos 14 permitam que a equipe observe o sucesso ao longo da realização dos trabalhos. A complexidade de um projeto em alguma medida está ligada a incertezas e ambiguidades crescentes no mundo atualmente. Pode ser entendida como uma condição obscura que não nos possibilita entender plenamente uma situação. A ambiguidade pode surgir quando as decisões no ambiente da esfera pública podem seguir por dois diferentes caminhos sem a total clareza de qual das escolhas seria a melhor. Eventos não necessariamente esclarecidos, ou ainda situações de emergência, podem ser determinantes para a ambiguidade. Outro princípio importante é a atenção aos riscos no projeto. A função de um planejamento de riscos, como uma espécie de documento, visa coletar e monitorar informações de ações para com os riscos no projeto. Um documental que sustente as ações para com os riscos se torna importante, porque ele terá a função de esclarecer de forma clara sobre o entendimento e sobre a atuação com relação a riscos. Uma das ações iniciais para com os riscos é a realização de uma identificação destes. Ela deve ser constante, pois novos riscos devem surgir ao longo do projeto. Porém, uma consideração importante que deve ser realizada é a análise dos riscos positivos e riscos negativos para o projeto. Assim, em um projeto podem ser identificados riscos que podem comprometer negativamente alguma parte do escopo do projeto, porém, também podem ser identificados riscos que podem trazer algum benefício a alguma parte do escopo. Um exemplo de risco positivo pode ser identificado pela deflação de algum componente para o projeto, que sofreu uma redução de preço, e agora podem ser adquiridas em quantidade maior que a anteriormente idealizada. Ou mesmo a flutuação do câmbio, que pode ser identificada como um risco negativo ou positivo para compra de insumos importados para o projeto. O valor da mercadoria pode ser maior ou menor de acordo com a cotação do dia, ou seja, pode ser um risco negativo ou positivo para o projeto. Posteriormente à identificação e tratamento do risco é importante realizar um planejamento de resposta aos riscos. Segundo Clements et al. (2014), o processo de planejar as respostas aos riscos pode ser entendido como o conjunto definido de ações que visam prevenir ou até mesmo reduzir o impacto do risco, posteriormente ao risco ocorrer de fato no projeto. O principal benefício da realização de um planejamento de resposta aos riscos é visualizar de forma 15 estratégica como as ameaças e oportunidades podem comprometer algum âmbito do projeto. Assim, o trabalho para a realização de um completo planejamento de resposta aos riscos deve contemplar todas as particularidades de cada risco anteriormente identificado. A partir dele é possível realizar uma reflexão sobre que tipo de comportamento deve ser realizado após a incidência do risco no projeto. Cada ação escolhida como resposta ao risco deve levar em conta a complexidade de cada projeto e seus impactos. Sob a ótica de custo, no momento do planejamento, é possível fazer a escolha de qual ação pode ser considerada a menos onerosa financeiramente para a instituição. Por isso é importante que sejam escolhidas e documentadas todas as respostas aos riscos identificadas, bem como os seus devidos responsáveis. O princípio seguinte se atenta à capacidade de adaptação e resiliência, tão importante para diversas profissões atualmente. A adaptação é um importante ato de se preparar para adaptações possíveis no ambiente do projeto ou na equipe. O importante para o andamento das atividades é apresentar resiliência e continuar com as entregas relativas ao projeto. Por fim, o último princípio é o relativo a mudanças, assim, é necessário aceitar as mudanças que ocorrem no ambiente do projeto e redesenhar ações de acordo com esta nova realidade. É necessário preparar os envolvidos na mudança para que adotem e mantenham comportamentos e processos novos ou diferentes, necessários na transição do estado atual para o estado futuro pretendido e criado pelos resultados do projeto. Este princípio parece desafiador muito por conta de que as mudanças nos projetos e nas organizações públicas, por muitas vezes são complexas. Contudo, um gerenciamento de mudanças e uma comunicação otimizada em uma instituição eleva o nível de motivação e aderência à estratégia organizacional. Desta forma, estes doze princípios apresentam informação importantes para que o projeto seja realizado em qualquer organização. Vale salientar que eles interagem entre si impactando mutuamente, por isso o trabalho com projetos se torna complexo e dependente de avaliação constante. 16 REFERÊNCIAS BATCHELOR, M. Segredos de gerenciamento de projetos. São Paulo: Editora Fundamento, 2013. CLELAND, D. I.; IRELAND, L. R. Gerência de projetos. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso, 2002. CLEMENTS, J. P.; GIDO, J.; Gestão de Projetos. São Paulo: Cengage Learning, 2014. KERZNER, H. Gestão de projetos: as melhores práticas. Porto Alegre: Bookman, 2006. PMI. Project Management Institute. PMBOK – A guide to the project management body of knowledge (PMBOK Guide). 7. ed. Newtown Square: PMI, 2021. PESTANA, C. V. S.; VALENTE, G. V. P. Gerenciamento de projetos na administração pública: da implantação do escritório de projetos à gestão de portfólio na Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos do Espírito Santo. III Congresso Consad de Gestão Pública. Brasília: 2010. PETERS, G. B. Os dois futuros do ato de governar: processos de descentralização e recentralização no ato de governar. Revista do Serviço Público, Brasília, v. 59, n. 3, p. 289-307, jul./set. 2008.