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INTRODUÇÃO 
Farmacologia deriva do grego pharmákon, que significa fármaco, e logos, estudo. Assim estabelece-se o estudo dos fármacos e seus efeitos no organismo. 
Define-se fármaco como uma substância química de estrutura conhecida, que não seja ingrediente ou nutriente essencial à dieta, a qual, quando administrada em um ser vivo, produz efeito biológico. 
CONCEITOS BÁSICOS DE FARMACOLOGIA 
Pode-se entender a farmacologia como a ciência que estuda a ação de substâncias químicas em um organismo. O estudante de medicina veterinária deve permanecer alerta ao fato de que as espécies de animais respondem de maneira diferente a determinadas drogas. São essas diferenças que distinguem a farmacologia veterinária da humana, bem como o fato de que a maioria dos animais que tratamos são para consumo humano. 
Ainda de acordo com Brown e Davis (2003), o estudo comparado das farmacologias humana e veterinária é essencial para que o médico veterinário prescreva medicamentos de maneira racional e sem lesar o paciente. O tratamento farmacológico é um grande marco evolutivo dentro da medicina; nos últimos anos, através de estudos, pesquisas e descobertas, como a biologia molecular, muitas vidas foram salvas, sejam humanas ou animais. O Quadro 1 apresenta a definição dos principais termos e conceitos básicos de farmacologia, fundamentais para a compreensão da disciplina. 
Pode-se entender a farmacologia como a ciência que estuda a ação de substâncias químicas em um organismo. O estudante de medicina veterinária deve permanecer alerta ao fato de que as espécies de animais respondem de maneira diferente a determinadas drogas. São essas diferenças que distinguem a farmacologia veterinária da humana, bem como o fato de que a maioria dos animais que tratamos são para consumo humano. 
Ainda de acordo com Brown e Davis (2003), o estudo comparado das farmacologias humana e veterinária é essencial para que o médico veterinário prescreva medicamentos de maneira racional e sem lesar o paciente. O tratamento farmacológico é um grande marco evolutivo dentro da medicina; nos últimos anos, através de estudos, pesquisas e descobertas, como a biologia molecular, muitas vidas foram salvas, sejam humanas ou animais. O Quadro 1 apresenta a definição dos principais termos e conceitos básicos de farmacologia, fundamentais para a compreensão da disciplina.
Farmacocinética 
Esse é o estudo do caminho de alguma substância química (principalmente fármacos) dentro de um organismo vivo. A compreensão da absorção, distribuição, biotransformação (metabolização) e excreção de cada fármaco é fundamental tanto para o desenvolvimento de novos medicamentos quanto para a aplicação adequada da terapêutica.
Para que esses processos ocorram perfeitamente e o fármaco exerça seu efeito em determinado local dentro do organismo, é necessário que o medicamento ultrapasse as barreiras celulares e alcance seu local de ação. 
No geral, as concentrações dos fármacos no plasma sanguíneo são o foco da farmacocinética. No caso de alguns fármacos, utiliza-se a concentração plasmática na prática clínica para determinar a dose de cada indivíduo de modo a obter a dose terapêutica desejada e diminuir os possíveis efeitos colaterais. Na medicina veterinária, têm-se como exemplo a monitoração plasmática de digoxina e fenobarbital. Nota-se que a concentração excessiva desses fármacos pode trazer graves efeitos colaterais aos pacientes. O conhecimento do comportamento farmacocinético em animais e humanos é essencial para estudos clínicos e aprimoramento tanto de novas substâncias quanto das já conhecidas. 
ABSORÇÃO 
A absorção é uma série de processos pelos quais uma substância externa passa em um ser vivo, sem causar lesão, chegando até o sangue. Para que um medicamento seja absorvido, precisa passar por várias camadas, como o endotélio vascular, o epitélio gastrointestinal e as membranas plasmáticas. É importante observar: a constituição das membranas celulares; o pH do meio; e a constante de dissociação do medicamento. Pode-se considerar as membranas celulares como mosaicos fluidos de unidades funcionais formadas por complexos de lipoproteínas. Uma das características da camada dupla, formada por lipídeos anfipáticos (moléculas com afinidade pela água em uma extremidade, denominadas cabeças hidrofílicas, e estruturas hidrofóbicas na outra, denominadas caudas polares), é a impermeabilidade à maioria das moléculas polares e aos íons, sendo, portanto, permeável às moléculas não-polares.
Modelo fluido mosaico 
De acordo com Flório, De Sousa e Górniak (2014), as moléculas não-polares se dissolvem em gordura. Em outras palavras, possuem a capacidade de atravessar a camada lipídica da membrana pelo processo de difusão simples. Portanto, medicamentos lipossolúveis são facilmente absorvidos nesses casos, ao passo que medicamentos com hidrossolúveis precisam de processos diferenciados para atravessar as membranas. 
A maioria dos medicamentos são absorvidos por processos passivos. Entretanto, em alguns casos, ocorre o transporte ativo, com ou sem gasto de energia, onde são empregadas substâncias carreadoras. 
Na difusão simples, as moléculas do fármaco atravessam a barreira lipídica por transporte passivo. Essas moléculas do soluto (medicamento), então, distribuem-se respeitando o gradiente de concentração; ou seja, da região em que estão mais concentradas para a qual apresentam menor concentração. 
As moléculas suficientemente pequenas (hidrossolúveis, polares ou não-polares) podem atravessar a membrana por filtração, pelos canais aquosos postulados. Flório, De Sousa e Górniak (2014) mostram que a permeabilidade às substâncias químicas através dos canais aquosos é importante na excreção renal, na passagem de substâncias químicas através da membrana sinusoidal hepática e na remoção das substâncias químicas do líquido cerebroespinhal. 
Dentre os principais transportes mediados por substâncias carreadoras, destaca-se: 
● DIFUSÃO FACILITADA: Trata-se de um tipo de transporte no qual não se gasta energia. É mediado por um carreador, no qual o medicamento (substrato) se move a favor do gradiente de concentração. A velocidade desse tipo de difusão é maior que a da difusão simples e o transporte por difusão de glicose e aminoácidos, por exemplo, possibilita a passagem para o meio intracelular sem que ocorra gasto energético. Isso permite que a célula reserve a energia que outrora seria gasta com outros mecanismos que a demandam.
● TRANSPORTE ATIVO: Ocorre quando o substrato se move através de carreadores contra o gradiente de concentração. Para que isso ocorra é necessário o gasto de energia através da hidrólise de ATP e de outras ligações com grande quantidade de energia. Esse processo, em sua maioria, exibe alto grau de especificidade estrutural. Assim, quando duas substâncias correlatas físico-quimicamente se oferecerem para o transporte ao mesmo tempo, uma inibirá o transporte da outra. Cita-se como exemplo de transporte ativo a bomba de sódio e potássio. 
Esquema de transporte transmembranal 
Outros fatores que alteram a absorção dos fármacos são o pH e a constante de dissociação (pKa). A maior parte das drogas é composta por ácidos ou bases orgânicas fracas. Portanto, em solução aquosa, apresentam-se de forma parcialmente ionizada. Geralmente, a forma não ionizada é mais lipossolúvel e pode se difundir mais facilmente através da membrana celular para atingir a mesma concentração de equilíbrio em ambos os lados. 
A proporção entre a parte ionizada e não ionizada de um fármaco é determinada pelo pH do meio onde se encontra dissolvido e da constante de dissociação do medicamento. Para o cálculo da proporção entre a forma ionizada e a não-ionizada, utiliza-se a fórmula de Henderson--Hasselbalch, a qual descreve a fórmula de um ácido fraco ou uma base fraca em uma solução. 
A parte não ionizada das moléculas de um fármaco é menos polar e mais lipossolúvel que a ionizada, mais hidrofílica. Apósa dissociação, a forma não dissociada dos compostos, que possui carga neutra, ultrapassa as membranas celulares a favor de um gradiente de concentração até atingir o equilíbrio. 
Ressalta-se que ácidos fracos são fármacos melhor absorvidos no meio ácido, como o estômago, ao passo que bases fracas, no meio básico, como o intestino). Desequilíbrios fisiológicos no pH alterarão a absorção normal dos fármacos. 
As barreiras tissulares corporais e as vias de administração dos fármacos também influenciam na absorção.
Dentre as barreiras tissulares corporais, destaca-se: mucosa gastrointestinal; barreiras epiteliais, como a pele, córnea e bexiga; barreira hematoencefálica, como sistema nervoso central; barreira hematotesticular; barreira placentária; e barreiras capilares. Os fármacos atravessam essas barreiras através da difusão ou transporte ativo. 
As vias de administração mais utilizadas na medicina veterinária são: 
● Via oral: A absorção pode ocorrer na boca, estomago e intestino. A vantagem é o baixo custo e a desvantagem, o efeito de primeira passagem. Esse efeito se dá pelo metabolismo do fármaco pelo fígado, no qual uma quantidade significativa do medicamento é inativada; 
● Vias parenterais (injetáveis): Via intravenosa: o fármaco cai direto na corrente sanguínea e o efeito é praticamente imediato; 
● Via intramuscular: a aplicação é feita diretamente dentro da musculatura. Após ser absorvido pelo tecido muscular, o fármaco cai na corrente sanguínea. A ação demora um pouco mais em relação à via intravenosa; 
● Via subcutânea: a aplicação é feita no tecido subcutâneo. O medicamento precisa atravessar o tecido cutâneo e toda a musculatura para cair na corrente sanguínea. Essa via é mais demorada em relação à via intravenosa e a via intramuscular; 
● Via retal: Aplica-se o fármaco diretamente no reto e a mucosa intestinal o absorve, o que significa um efeito rápido. A desvantagem é a pouca quantidade de medicamento que pode ser utilizado por essa via; 
● Via intracardíaca: Injeta-se o fármaco diretamente dentro do coração. Só se usa essa via em casos de emergência, como o uso de adrenalina em parada cardíaca ou quando não se tem acesso venoso viável; 
● Vias indiretas: Aplicação de pomada na pele, colírio nos olhos, vacinas intranasais dentre outros. 
DISTRIBUIÇÃO 
Após a administração do fármaco e sua ultrapassagem por todas as barreiras para chegar na corrente sanguínea, inicia-se o processo de distribuição para que ele chegue no seu local de ação (através da circulação sistemática e, secundariamente, a linfática). Esse processo é afetado por diferenças na perfusão sanguínea, ligação aos tecidos, pH e permeabilidade das membranas celulares. Ressalta-se que só o medicamento na forma livre é distribuído para os tecidos. 
Após a administração do fármaco e sua ultrapassagem por todas as barreiras para chegar na corrente sanguínea, inicia-se o processo de distribuição para que ele chegue no seu local de ação (através da circulação sistemática e, secundariamente, a linfática). 
Esse processo é afetado por diferenças na perfusão sanguínea, ligação aos tecidos, pH e permeabilidade das membranas celulares. Ressalta-se que só o medicamento na forma livre é distribuído para os tecidos.
Os fármacos saem da via circulatória através do processo de difusão ou por poros e fenestras existentes nas paredes dos capilares. O equilíbrio entre a forma livre do medicamento e o líquido dos demais compartimentos está ligado à vascularização. Órgãos bem vascularizados, como o cérebro, coração e rins, entram em equilíbrio muito mais rapidamente do que pele, ossos e compartimentos de gordura. 
O grau de distribuição de um fármaco nos tecidos depende do grau de ligação às proteínas plasmáticas e ao tipo de tecido. As principais proteínas que interagem com os fármacos são: albumina; alfa-1 glicoproteína ácida; e a betaglobulina. No geral, os fármacos ácidos se ligam principalmente à albumina e os fármacos básicos, à alfa-1 glicoproteína ácida e à betaglobulina. Quando ligados a tais proteínas, os fármacos ficam impossibilitados de passar por difusão pela membrana do órgão alvo. Assim, a concentração do fármaco livre na circulação sistêmica determina a concentração do fármaco no local ativo (eficácia do fármaco). 
Pequenas diferenças na ligação da proteína (por exemplo, 99,5% contra 99%) podem ter grandes efeitos na concentração e eficácia do fármaco livre. Mudança nos níveis de proteína plasmática, como a hipoproteína, aumenta a toxicidade do fármaco, pois haverá mais moléculas em sua forma livre. Um exemplo prático da rotina veterinária é o uso do anestésico geral Propofol; 98% das moléculas são depuradas e apenas 2% apresentam o fármaco em sua forma livre, o que produzirá o efeito anestésico desejado. Ao anestesiar um cão com hipoproteinemia, o anestesiologista veterinário precisa ser cauteloso e adaptar a dose ao paciente em questão. 
A administração simultânea de dois fármacos que se ligam à mesma proteína plasmática pode aumentar a atividade ou toxicidade de um deles. Isso ocorre porque os medicamentos competem pelo mesmo sítio de ligação nas proteínas, havendo, portanto, o deslocamento para a forma livre de um deles, o que causa toxicidade. 
O acúmulo de fármacos nos tecidos e compartimentos corporais pode prolongar sua ação, pois os tecidos liberam o fármaco acumulado à medida que diminui sua concentração plásmatica. O anestésico barbitúrico Tiopental é altamente solúvel em lipídios e penetra o encefálo rapidamente. Consequentemente, apresenta um efeito anestésico rápido, mas de curta duração. Portanto, à medida que o fármaco se distribui para o tecido adiposo, muitas vezes é necessária reaplicá-lo. Entretanto, o medicamento acumulado no tecido adiposo tem liberação lenta, o que pode provocar demora na recuperação anestéscia. É necessária atenção redobrada ao usar fármacos em animais obesos. 
Outro ponto importante para o estudo da farmacocinética é a meia-vida (T ½) de eliminação dos medicamentos, isto é, o tempo necessário para que a concentração plasmática de um fármaco se reduza pela metade. Por exemplo, se, logo após injetado, a concentração de um medicamento é de 100 ng/ml, quantas horas levarão para que essa concentração diminua para 50 ng/ml? A resposta é: T ½ = 4 horas. 
Saber a meia-vida de um fármaco é importante para determinar a duração do efeito do fármaco após uma única dose; o intervalo entre doses; e o tempo necessário tanto para que ele entre em equilíbrio dinâmico quanto para a eliminação plasmática.
Curva da queda da transformação plasmática da morfina versus o tempo. Fonte: FLÓRIO; SOUSA; 
BIOTRANSFORMAÇÃO (METABOLIZAÇÃO) 
A biotransformação é o processo da transformação química de substâncias (fármacos ou toxinas) dentro de um organismo, convertendo-os em moléculas mais polares e menos lipossolúveis, o que favorece sua eliminação. Embora esse processo inative os medicamentos, alguns metabólitos são farmacologicamente ativos e podem provocar efeitos similares (pró-fármacos) ou tóxicos. 
O fígado é o principal órgão onde ocorre a biotransformação de medicamentos, apesar de outros órgãos e tecidos possuírem enzimas que metabolizam substratos endógenos e exógenos. Toda substância química absorvida pelo sistema gastrointestinal vai para o fígado através da veia porta, onde ocorre o efeito de primeira passagem, para, depois, alcançar o restante do organismo. Finalmente, ressalta-se que os índices individuais de biotransformação podem ser influenciados por fatores genéticos e doenças pré-existentes (principalmente cardiopatias e hepatopatias). 
Podemos dividir o processo em duas fases: 
● Fase I: As reações dessa fase (oxidação, redução ou hidrólise) são catabólicas e seus produtos podem ser: mais reativos, denominados pró-fármacos; menos ativos; ou inativados. Em sua maioria, essas reações acontecem no sistema microssomal hepático, no interior do retículo endoplasmático liso. O sistema enzimático mais importantedessa etapa é o CYP450, uma superfamília microssômica que catalisa e hidrolisa muitos fármacos. A oxidação dos fármacos pela CYP450 requer: o substrato (medicamento); oxigênio molecular; nicotinamida-adenina-dinucleotídeo fosfato (NADPH); e nicotinamida-adenina-dinucleotídeo (NADH). O mecanismo que evolve essa reação é bem complexo, mas o resultado é simples. A adição de um átomo de oxigênio (do oxigênio molecular) ao fármaco forma: um produto hidroxilado; uma molécula de água; e três CYP450 oxidados livres e prontos para recomeçar o ciclo com uma nova molécula de medicamento. Existem também 
processos enzimáticos que não ocorrem nos microssomos, dentre os quais se destaca a oxidação de álcoois por desidrogenases hepáticas (LAD), encontradas também nos pulmões e nos rins. Outro complexo enzimático não-microssomal são as monoaminoxidases (MAO), capazes de gerar a cisão oxidativa de ligações de aminas primárias. O objetivo da Fase I é inativar ou diminuir os efeitos dos fármacos para que eles não produzam mais efeitos sobre o organismo, exceto no caso dos pró-fármacos, administrados em sua forma inativa e ativados no processo de biotransformação; e 
● Fase II: As reações dessa fase também podem ser chamadas de reações sintéticas ou de conjugação. Nessa fase, ocorre o acoplamento dos metabólitos ou fármacos da fase I a um substrato endógeno, como o ácido glicurônico, radicais sulfatos, acetatos ou aminoácidos. Após a conjugação com essas moléculas endógenas de alta polaridade, eles se tornam mais hidrossolúveis e de mais fácil excreção pela urina. É importante lembrar que, apesar da maioria dos fármacos passarem pelas duas fases, existem aqueles que passam somente pela fase I, os que vão diretamente para a fase II, e fármacos extremamente hidrossolúveis, excretados em sua forma ativa. 
EXCREÇÃO 
Os três órgãos principais envolvidos na excreção são: rins, onde os medicamentos hidrossolúveis são excretados; pulmões, responsáveis pela excreção de medicamentos voláteis, como o anestésico isofluorano; e fígado, onde, após a biotransformação, os fármacos são excretados pela bile. Em animais de produção, torna-se importante também a excreção pelo leite e ovos. 
A filtração renal corresponde à maior parte da excreção de fármacos. Quase um quinto do plasma que chega no glomérulo é filtrado pelos poros do endotélio glomerular. Os princípios de passagem transmembranal governam o controle renal dos fármacos e aqueles ligados às proteínas plasmáticas continuam na circulação; apenas os livres se encontram no filtrado glomerular. As formas não ionizadas de fármacos e seus respectivos metabolitos são imediatamente reabsorvidas dos líquidos tubulares, mas alguns metabólitos dependem do transporte ativo. 
A creatinina e a inulina são exemplos de substâncias que não se ligam às proteínas plasmáticas, não são secretadas e nem reabsorvidas, o que permite que suas depurações sejam utilizadas como medidas da taxa de filtração glomerular. 
De acordo com Le (2019), o pH urinário também afeta a reabsorção e excreção dos fármacos, pois determina a ionização de um ácido ou base fraca. Uma urina acidificada aumenta a reabsorção e diminui a excreção de ácidos fracos, mas diminui a reabsorção de bases fracas. Já uma urina alcalina tem o efeito oposto. A secreção tubular ativa no túbulo proximal é importante na eliminação de muitos fármacos; depende de energia e pode ser bloqueada por metabólitos inibidores. 
Ânions e cátions são manuseados por diferentes mecanismos de transporte. O sistema secretor de ânions elimina metabólitos conjugados como glicina, sulfato ou ácido 
glicurônico. Já os cátions ou bases orgânicas são secretados pelos túbulos renais; processo que pode ser inibido por certos fármacos, como a cimetidina e o cetoconazol. 
Alguns medicamentos passam pela excreção hepática por intermédio da bile. Vários fatores determinam a excreção biliar, como a polaridade da molécula do medicamento a ser eliminado e, principalmente, o peso molecular (PM). Le (2019) nos mostra que, enquanto a excreção urinária é preferencial para a eliminação de medicamentos com PM menor que 250, torna-se desprezível para compostos com PM maior que 800, sendo, nesses casos, preferível a excreção biliar. Algumas substâncias eliminadas na bile podem ser reabsorvidas ao alcançarem o intestino, o que dependerá da lipossolubilidade ou da conjugação desses medicamentos com glicuronídeos. 
A excreção pulmonar varia pela influência de vários fatores, como: intensidade de ventilação; solubilidade do fármaco no sangue; e tensão do vapor. Em medicina veterinária, ocorre principalmente pelo uso de anestésicos voláteis. 
Farmacodinâmica 
Esse é o estudo dos efeitos farmacológicos e bioquímicos dos fármacos no organismo e descreve: os efeitos terapêuticos; efeitos colaterais; interações químicas; local de ação; e mecanismo de ação. Assim como na farmacocinética, vários fatores influenciam na farmacodinâmica, como a idade do paciente, fatores genéticos e doenças pré-existentes. 
Os estudos dos efeitos de uma droga podem se estender desde os mecanismos bioquímicos e moleculares básicos até as respostas celulares, efeitos nos órgãos ou sistemas. 
LOCAL DE AÇÃO 
Trata-se dos sítios ou receptores nos quais uma substância endógena ou exógena (fármacos) interage para promover uma resposta fisiológica ou farmacológica. O alvo de ligação dessas substâncias são macromoléculas com funções proteicas de: enzimas; moléculas transportadoras; canais iônicos; receptores de neurotransmissores; e ácidos nucleicos. 
Existem vários tipos de ligações químicas entre os medicamentos e os receptores. As principais são: 
● Ligações iônicas polares (íon-dipolo ou dipolo-dipolo): Estabelecidas quando íons de cargas opostas são atraídos através de forças eletroestáticas. A força desse tipo de ligação diminui proporcionalmente com o aumento da distância entre os pares de íons e com o aumento da constante elétrica do meio. Portanto, a capacidade de um fármaco de estabelecer interações iônicas com o sítio de ligação do receptor aumenta com a aproximação e orientação corretas. Os resíduos carregados em pH fisiológico, como lisina, arginina, ácido aspártico e ácido glutâmico são comumente presentes em interações iônicas;
● Ligações de ponte de hidrogênio: Ocorrem entre o átomo de hidrogênio e dois ou mais átomos eletronegativos. Em princípio, as ligações de ponte de hidrogênio são consideradas fracas. Entretanto, quando organizadas em redes no complexo fármaco-receptor, as energias são intensificadas. Um exemplo de fármaco que utiliza esse tipo de ligação é a sildenafila (viagra); 
● Ligações hidrofóbicas: De interações fracas, essas ligações ocorrem por conta da interação de cadeias ou subunidades apolares. Essas cadeias hidrofóbicas, presentes tanto no receptor quanto no ligante, encontram-se solvatadas por moléculas de água. Quando as superfícies hidrofóbicas se aproximam, a estrutura organizada de água colapsa, o que permite a interação ligante-receptor; 
● Ligações covalentes: Possuem elevado índice de energia e são dificilmente clivadas sem a ação de processos enzimáticos. Os complexos fármaco-receptor nos quais se envolve esse tipo de ligação raramente se desfazem, o que resulta em uma inibição enzimática irreversível ou inativação do sítio receptor. Um exemplo é o ácido acetilsalicílico, que atua como inibidor enzimático irreversível da enzima prostaglandina endoperóxido sintase; e 
● Ligações de Van der Waals: Esse tipo de ligação ocorre quando diferentes moléculas se aproximam e o momento de dipolo temporário de uma das moléculas induz a formação de um momento de dipolo oposto na outra. O papel dessas interações é importante por induzir mudanças 
conformacionais nos receptores. 
É comum que o mesmo receptor se ligue ao medicamento utilizando mais de um tipo de interação química. O conhecimento das características dos receptores farmacológicos e suas respectivas funções no organismo levou ao desenvolvimentode fármacos cada vez 
mais específicos e com menos efeitos colaterais.
O Quadro 2 mostra os principais tipos de receptores e suas funções. 
Principais receptores em farmacologia.
MECANISMO DE AÇÃO 
Podemos definir esses mecanismos como a ação dos fármacos em seus respectivos receptores, produzindo seus efeitos terapêuticos ou colaterais. O mecanismo de ação difere conforme a classe do medicamento. Dependendo do tipo, os fármacos são divididos em dois grandes grupos: 
● Fármacos de ação inespecífica: 
Correspondem à minoria dos medicamentos. Esses fármacos não precisam de ligação com alvos moleculares (canais iônicos ou enzimas). Agem através da interação com moléculas ou íons do organismo, conforme as suas propriedades físico-químicas, como: solubilidade; grau de ionização; tensão superficial; e capacidade de absorção. Por não possuírem relação entre a atividade que exerce e a estrutura química, geralmente são medicamentos que exigem quantidade elevada para obter a resposta terapêutica. De acordo com Nobre (2018), os anestésicos gerais são um exemplo de substâncias que pertencem a essa classe de fármacos. Seu mecanismo de ação envolve a depressão inespecífica de biomembranas lipoprotéicas, elevando o limiar de excitabilidade celular ou a interação inespecífica com sítios hidrofóbicos de proteínas do sistema nervoso central e provocando perda da consciência; e 
● Fármacos de ação específica: 
Correspondem à maioria dos fármacos e atuam pela interação seletiva com uma determinada biomacromolécula alvo, que apresenta, na maior parte dos casos, propriedades de enzima, proteína sinalizadora (receptor), canal iônico ou ácido nucleico. 
Os fármacos de ação específica podem atuar sobre enzimas (ativação ou inibição) através de antagonismo, ação nas membranas ou transcrição gênica. Como ativadores de enzimas, agem de duas maneiras: 1) com o íon inorgânico interagindo com o inibidor de enzima, inativando-o e permitindo que a enzima realize sua ação; ou 2) o íon inorgânico interage diretamente com a enzima, modificando sua estrutura de estado inativo para ativo. 
Esses fármacos também podem atuar como inativadores de enzima de duas maneiras: 
● INIBIÇÃO COMPETITIVA: O fármaco e o substrato natural competem pelo sítio ativo da enzima. Nesse caso, deve-se considerar a concentração do substrato e do inibidor; à medida que a concentração do substrato se torna maior que a do inibidor, o substrato desloca o inibidor do sítio ativo da enzima, ativando-a. Além disso, o inibidor deve possuir semelhança estrutural com o substrato da enzima;
● INIBIÇÃO NÃO-COMPETITIVA: O fármaco se combina com a enzima ou com o complexo enzima-substrato em um local diferente do sítio catalítico. Um exemplo dessa inibição é o iodeto de ecotiofato, que atua no sítio alostérico (sítio onde os inibidores podem se ligar) da enzima acetilcolinesterase. Dessa forma, inativa a enzima e aumenta a concentração de acetilcolina. Nesse tipo de inibição, a ação do fármaco não depende da concentração do substrato, mas, unicamente, de sua concentração e velocidade de dissociação.
Essas drogas também podem atuar interagindo com as proteínas carreadoras que transportam substâncias através da membrana. No caso, esses fármacos competirão com essas substâncias pelo sítio de ligação. Um bom exemplo é a amitriptilina, um antidepressivo tricíclico bastante utilizado como parte do tratamento de gatos com obstrução do trato urinário. 
Os fármacos que atuam interferindo nos ácidos nucleicos afetam a função genética e podem atuar como inibidores da biossíntese dos ácidos nucleicos e da síntese nucleica. Eles não possuem seletividade e atuam com alto grau de toxicidade nas células de parasitas, animais e humanos. Note que eles agem sobre as enzimas envolvidas na formação de nucleotídeos ou ácidos nucleicos. Pode-se citar como exemplo a doxiciclina, um antibiótico da família das tetraciclinas comumente usado no tratamento de hemoparasitoses de cães e gatos. Por fim, ressalta-se que agentes quimioterápicos também atuam na síntese proteica, mas de maneira mais abrangente. 
Nesse grupo também se destacam os fármacos: 
● AGONISTAS: Ativam os receptores, causando o efeito farmacológico. A morfina, que imita a atividade das endorfinas nos receptores opioides, é um exemplo de fármaco agonista;
● ANTAGONISTAS: Atuam bloqueando o receptor, reduzindo ou mesmo anulando a atividade de outro fármaco. Um exemplo é a naloxona, um antagonista opioide, que pode ser usado em casos de intoxicação por morfina. 
Ilustração da ação de agonistas e antagonistas. Na primeira imagem, observa-se a atividade normal de um receptor e uma substância endógena. Na segunda, a atividade de um agonista promovendo o efeito farmacológico desejado. Na terceira, um antagonista bloqueando a atividade.
EFEITOS FARMACOLÓGICOS DAS DROGAS 
Pode-se definir a ação farmacológica de um medicamento como a expressão do mecanismo de ação, isto é, a interação bioquímica entre a droga e seu sítio de ação, que proporciona o efeito terapêutico ou colateral. 
Pode-se definir a ação farmacológica de um medicamento como a expressão do mecanismo de ação, isto é, a interação bioquímica entre a droga e seu sítio de ação, que proporciona o efeito terapêutico ou colateral. 
Um anti-inflamatório não-esteroidal (AINE), como o meloxicam, amplamente utilizado na clínica médica veterinária, atua por meio da inibição das enzimas ciclo-oxigenase (COX). As COX são as enzimas responsáveis pela liberação das prostaglandinas, as quais, por sua vez, são responsáveis por: 1) efeitos indesejados da inflamação, como dor, edema e calor; e 2) efeitos fisiológicos (benéficos), como o protetor do trato gastrointestinal, manutenção do fluxo sanguíneo renal, gregação plaquetária e homeostase vascular. 
 
Mecanismo de ação dos AINEs e sua ação nas COX 
A inibição da ciclo-oxigenase 2 (COX-2) diminuirá ou inibirá os efeitos inflamatórios (função terapêutica desejada), mas trará efeitos colaterais como úlceras gástricas e lesão renal. 
O efeito farmacológico dos AINEs consiste em inibir a COX, aliviando os efeitos da inflamação. Por outro lado, seus possíveis efeitos indesejados são: úlcera gástrica; alteração na perfusão renal; e problemas de coagulação, entre outros. Por isso, é fundamental avaliar previamente o paciente para aplicar a terapêutica adequada. Novas pesquisas clínicas culminarão no desenvolvimento de fármacos inibidores seletivos da COX-2, o que causará menos efeitos colaterais. 
Outro exemplo importante em medicina veterinária é o uso de benzodiazepínicos, como tranquilizantes, anticonvulsivantes e pré-anestésicos. Essa classe de fármacos atua no receptor GABA (depressor do sistema nervoso central) como agonistas, o que proporciona o efeito terapêutico desejado de tranquilização. Apesar de serem fármacos extremamente seguros, observa-se entre seus efeitos colaterais: depressão dos padrões fisiológicos (bradicardia e bradipneia) e efeitos extrapiramidais, isto é, excitação ao invés de tranquilização. 
Modelo de molécula de benzodiazepínico se acoplando no receptor GABA. Esses fármacos atuam como agonistas GABA, promovendo seu efeito sobre o sistema nervoso central. 
São fatores que podem alterar os efeitos farmacológicos: pré-disposição genética; doenças pré-existentes; e idade do paciente, entre outros. Uma anamnese completa, exames físicos minuciosos e exames complementares são de extrema importância para a escolha do fármaco ideal para cada paciente.