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MEDIAÇÃO
Caio Pacca F. de Camargo
Mestre em Direito. 
Aluno da pós-graduação Stricto Sensu de disciplinas isoladas 
na Universidade Federal do Paraná (UFPR). 
Especialista em Direito Civil (EPM). 
Especialista em Direito Notarial e Registral Imobiliário 
(EPM). 
Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana 
Mackenzie (UPM). 
Bacharel em Relações Internacionais pelo Centro 
Universitário UniFMU. 
Registrador Civil e Notário no Estado de São Paulo. 
Lattes: http://lattes.cnpq.br/7228338839777576.
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS
Faculdade de Direito - Campus Naviraí
Núcleo de Prática Jurídica 
Projeto de extensão
Núcleo comunitário de mediação e conciliação
https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=4C91E2C879258D73D369C039331D811E
Roteiro da aula
Apresentação da noção de mediação; 
Contexto da mediação como Meio Alternativo (ou não-adversarial) de Resolução 
de Conflitos;
Teoria do conflito;
Teoria dos Jogos e Equilíbrio de Nash e sua relevância à mediação;
Conceito de mediação e o mediador;
Princípios da mediação;
Aspectos práticos;
A noção de mediação
É uma negociação facilitada por um terceiro ou grupo 
deles, imparcial e neutro aos interesses em conflito;
É um método de criação, restauração e facilitação do 
diálogo entre as pessoas em conflito;
As partes, elas próprias, são quem chegam à solução. O 
mediador só facilita o diálogo entre elas, que geralmente 
está bem prejudicado.
O contexto...
A intensificação das relações humanas (evolução das Tecnologias da Informação e 
Comunicação – TICs, internacionalização, maior trânsito de informação, serviços, 
bens e pessoas) = surgimento de novas relações jurídicas e..... novos conflitos;
Faz-se necessária uma imbricação dessa nova realidade com o sistema de Justiça 
para que as controvérsias tenham adequado tratamento pelo Estado num tempo 
razoável;
O processo judicial adversarial, mostra não mais poder, sozinho, dar conta dessa 
realidade dinâmica e cada vez mais complexa; 
Frank Sander, professor da Harvard Law School, apresentou, em 1976, numa 
palestra de abertura da Pound Conference, em Saint Paul, Minessotta, o conceito de 
Tribunal Multiportas (Multidoor Court House), no qual num único centro de 
justiça deve estar à disposição das partes a triagem do conflito para que a partir 
das características do próprio conflito, escolha-se um MÉTODO mais adequado 
para alcançar resultados mais satisfatório;
Começa-se assim um grande movimento de experiência de novos métodos, 
especialmente nas Cortes de Pequenas causas norte-americanas de utilização dos 
meios alternativos de solução de conflitos “Alternative Dispute Resolution” 
(ADR)/ ‘Resolução Alternativa de Disputas’ (RADs), denominação do conjunto 
dos métodos alternativos ao julgamento pelo Judiciário;
Isso influenciou fortemente o legislador brasileiro quando incluiu a conciliação no 
sistema dos juizados especiais, todavia, a autocomposição da Lei n. 9.099/1995 se 
distinguiu significativamente da norte‑americana por sua menor ênfase às 
TÉCNICAS, ao PROCEDIMENTO a ser seguido e treinamento;
A proposta dos ADRs (Alternative Dispute Resolution) e 
o sistema Multiportas de Justiça
Atualmente, se entende como mais adequada a expressão “Resolução 
‘Adequada’ (ou mesmo ‘Amigável’, ou não-adversarial) de Disputas” 
para denotar uma escolha consciente de um método de resolução de 
conflitos, entre vários possíveis, considerando o contexto fático da disputa;
O sistema público de resolução de conflitos envolve o Poder Judiciário e 
outros órgãos de PREVENÇÃO ou RESOLUÇÃO de disputas 
(Defensoria Pública, Ministério Público, Secretarias de Justiça, etc) – é 
composto, atualmente, por vários processos distintos;
Esse espectro de processos (judicial, arbitragem, conciliação, mediação etc) 
forma um SISTEMA PLURIPROCESSUAL. 
MÉTODOS DE RESOLUÇÃO ADEQUADA (ou 
NÃO-ADVERSARIAL) DE CONFLITOS
Os principais Métodos de Resolução Não-adversarial de 
Disputas
Negociação;
Mediação; 
Conciliação;
Arbitragem;
Avaliação de terceiro neutro (early neutral evaluation);
Mini-trial / Summary Jury Trial;
Juiz de aluguel (rent-a-judge); 
Acordo; 
Transação; 
Conciliação;
Renúncia e desistência;
Etc.
Escolha do método = característica do conflito
Poder Judiciário = centro de resolução de disputas = Centro de Justiça 
organizado pelo Estado
A escolha do método mais indicado deve levar em conta as características de cada 
caso: 
✔ custo financeiro;
✔ celeridade;
✔ sigilo;
✔ manutenção de relacionamentos;
✔ flexibilidade procedimental;
✔ exequibilidade da solução;
✔ custos emocionais na composição da disputa;
✔ adimplemento espontâneo do resultado; e 
✔ recorribilidade.
Escolha do método = característica do conflito
Em razão disso a mediação costuma ser muito utilizada para situações que 
pressupõem um relacionamento anterior e duradouro das partes em relação 
ao surgimento do conflito e a necessidade de manutenção dessa relação após 
a superação ou término do conflito
Art. 165, § 3º, do CPC/2015: 
[...]
§ 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver 
vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos interessados a compreender 
as questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo 
restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções 
consensuais que gerem benefícios mútuos.
Antes do método de solução, o conflito! 
Não dá para propormos nenhuma solução àquilo que não conhecemos;
Por isso, para resolver qualquer problema, primeiro, é preciso conhecê-lo e 
compreendê-lo;
Logo, é preciso que entendamos, antes de saber o que é a mediação e como 
devemos conduzi-la, primeiro entendermos o que vem a ser um conflito;
O que é um conflito?
O que o conflito nos causa? 
Será que a resolução de um processo judicial resolve o conflito? 
Teoria do Conflito
O conflito é um processo ou estado em que duas ou mais pessoas DIVERGEM 
(divergir é ruim???) em razão de metas, interesses ou objetivos individuais 
percebidos como mutuamente incompatíveis;
Temos a tendência a conceber um conflito sempre como um fenômeno negativo 
das relações sociais que, sempre causará perdas para ao menos um dos envolvidos;
Em situações negativas, o corpo apresenta sempre uma resposta biológica padrão, 
liberando adrenalina, substância química que prepara o organismo para situações 
de perigo nas quais se exige respostas imediatas e impulsivas;
O fato de se perceber o conflito como algo negativa automaticamente desencadeia 
uma reação denominada “retorno de luta ou fuga (ou apenas luta ou fuga) ou 
resposta de estresse agudo;
Teoria do Conflito
A adrenalina no controle: retorno de luta ou fuga!
O retorno de luta ou fuga consiste na teoria de que animais reagem a ameaças 
com uma descarga ao sistema nervoso simpático impulsionando‑o a lutar ou fugir;
O mecanismo de luta ou fuga consiste em uma resposta que libera a adrenalina 
causadora das reações biológicas imediatas de exaltação (transpiração, 
taquicardia, ruborização, elevação do tom de voz, irritação, raiva, hostilidade, 
descuido verbal etc);
A percebermos um conflito sempre como algo negativo, o mecanismo de luta ou 
fuga é automaticamente desencadeado, pois o corpo entende ser sempre uma 
situação de ameaça;
Teoria do Conflito
Passo 2: espirais de conflito
Quando se desencadeia o mecanismo de luta ou fuga, há quase invariavelmente 
uma escalada progressiva do conflito. Ele vai aumentando!;
Nas relações conflituosas de viés negativo, forma-se um círculo vicioso de ação e 
reação em que cada reação torna‑se mais severa do que a ação que a precedeu e 
cria uma nova questão ou ponto de disputa;
Esse modelo foi descrito, a partir dos estudos de Jeffrey RUBIN, Dean PRUITT (1) 
e Louis KRIESBERG (2), como o de ESPIRAL DE CONFLITO;
Com a escalada dessa espiral, a causa originária do conflito progressivamente 
torna‑se secundária porque os envolvidos estão mais preocupados em responder a 
uma ação que imediatamente antecedeu sua reação;
PRUITT,Dean; RUBIN, Jeffrey. Social Conflict: Escalation, Stalemate and Settlement. 1986.
Kriesberg, Louis. Constructive Conflicts: from escalation to resolution. Lanham: Rowman & Littlefield, 2007.
Teoria do Conflito
Espirais de conflito e o processo destrutivo
Nesse quadro, o conflito ganha vida própria porque se torna “independente de suas 
causas iniciais”, e assume feições competitivas onde cada parte busca “vencer” a 
disputa;
Pressupõe que os interesses das partes não podem coexistir, o que impede qualquer 
tentativa de cooperação, sempre desaguando na competição;
RESULTADO:
Cria-se um processo destrutivo, descrito por Morton DEUTSCH, na obra The Resolution of 
Conflict: Constructive and Destructive Processes como aquele em que há um 
enfraquecimento/ rompimento da relação social preexistente à disputa em razão da 
forma pela qual esta é conduzida;
Teoria do conflito
Será que não se pode tirar nada de bom de um conflito? 
Conflito como processo construtivo!
Nem sempre há alguém totalmente errado e o outro totalmente certo! É 
possível que os interesses tenham pontos convergentes!
Ou seja, se é possível conjugar interesses, vale a pena conversar;
Ou seja, é necessário despolarizar a comunicação, de modo que os 
interessados não se vejam como partes antagônicas (um certo e outro errado);
O que há são interesses que buscaremos conciliar;
Teoria do conflito
Será que não se pode tirar nada de bom de um conflito? 
Conflito como processo construtivo!
Se enxergarmos um conflito sempre como uma situação negativa, fica inviável 
imaginar qualquer método adequado a uma situação que sempre ensejará a 
mesma resposta biológica;
O conflito é um fenômeno natural em qualquer relação;
Ora, se é algo natural, pode-se, sim, dele extrair resultados positivos 
(aprendizados, amadurecimento, crescimento, aprimoramento);
Nessa perspectiva, o corpo passa a não enxergar o conflito como uma situação 
de risco e, assim, impede-se o desencadeamento do mecanismo de luta ou 
fuga;
Teoria do conflito
Será que não se pode tirar nada de bom de um conflito? 
Conflito como processo construtivo!
Quando superamos uma dificuldade, perdemos medo dela e nos sentimos mais 
fortes, não é verdade? 
A mesma coisa pode ocorrer com um conflito encarado e superado positivamente;
Se as partes conseguirem superá-lo sem os danos da espiral do conflito, 
fortalecerão sua relação social preexistente à disputa ou estabelecerão um forte 
vínculo a partir daí;
Esse é um processo construtivo de resolução de conflitos, pois gera empatia;
Nesse caso, há um legado positivo para o futuro! É uma solução 
PROSPECTIVA!
A teoria dos jogos e a mediação
A teoria dos jogos, inicialmente desenvolvida pelo matemático francês Émile 
Borel a partir da análise do comportamento das pessoas em um jogo de cartas, lida 
com os comportamentos da seguinte maneira: “eu penso que você pensa que eu 
penso que você pensa...” As ações de cada parte são tomadas com base na 
expectativa do que a outra parte pode fazer. Nessa dinâmica a situação é quase 
infinita;
Essa dinâmica é parecida àquela descrita na espiral do conflito;
Mas o que interessa dessa teoria dos jogos para nós que estamos falando de 
mediação?
Na década de 1950, o matemático John Forbes Nash Jr., pressupondo a 
possibilidade de estratégias cooperativas nas dinâmicas dos jogos, concebeu o que 
se chamou Equilíbrio de Nash;
A partir da teoria dos jogos, o conflito é entendido como a situação na qual duas 
pessoas têm de desenvolver estratégias para melhorar seus ganhos de acordo com 
certas regras preestabelecidas, .
 Quando superamos uma dificuldade, perdemos medo dela e nos sentimos mais 
fortes, não é verdade? 
Pequeno recurso à teoria dos jogos:
O equilíbrio de Nash e o acordo mediado
O equilíbrio de Nash: Prevê “a combinação de estratégias que os jogadores 
preferencialmente devem escolher é aquela na qual nenhum jogador faria melhor 
escolhendo uma alternativa diferente dada a estratégia que o outro escolhe. A 
estratégia de cada jogador deve ser a melhor resposta às estratégias dos outros;
Dizendo de outra forma: o equilíbrio é um par de estratégias em que cada uma é a 
melhor resposta à outra: é o ponto em que, dadas as estratégias escolhidas, 
NENHUM DOS JOGADORES SE ARREPENDE, ou seja, não teria incentivo 
para mudar de estratégia, caso jogasse o jogo novamente;
Eis aí o ponto de interesse! Uma boa mediação deve deixar esse gostinho aos que 
dela participaram de: “eu não faria diferente”!;
Isso é possível quando as partes se convencem que as dinâmicas (ou jogos) 
cooperativos, podem ser mais interessantes que os competitivos. Ainda que cada 
um só se importe com a vantagem, os dois podem sair ganhando;
Mediação
É uma negociação facilitada por uma terceira pessoa ou um painel delas, 
sem interesse na causa, para encaminhar a comunicação entre as partes de 
modo a tentar se chegar a um acordo; 
É um método composto por vários atos procedimentais pelos quais o(s) 
terceiro(s) imparcial(is) FACILITA(M) A COMUNICAÇÃO entre as 
pessoas em conflito, habilitando‑as a melhor compreender suas posições e 
a encontrar soluções que se compatibilizam aos seus interesses e 
necessidades;
Os interessados NÃO SÃO OBRIGADOS a participar da mediação e 
podem abandoná-la, se assim desejarem;
Podem, ou não, estarem acompanhadas de advogado, sendo importante o 
mediador validar a importância desse profissional, cuja atuação, nesse 
caso, deve ser para explicar as consequências jurídicas das opções 
aventadas;
Mediação
O mediador é um facilitador da conversa, de modo que as partes não só podem como 
devem se comunicar diretamente durante a mediação, devendo o mediador, inclusive, 
incentivar, isso!
O mediador, diferentemente do conciliador, NÃO PROPÕE soluções, apenas tenta 
“costurar” aquelas que lhe são expostas pelas partes;
A mediação pode produzir efeitos para além do caso ao qual está sendo aplicada, pois, 
as partes, percebendo sua vantagem e efetividade, sentem-se capacitadas 
(empoderamento);
Efeito colateral de educação sobre técnicas de negociação que podem ser usadas pelas 
próprias partes para compor seus futuros conflitos ou de outrem;
Proporcionam‑se aos interessados efetivos meios de aprendizado quanto à resolução de 
disputa, obtendo‑se também o reconhecimento mútuo de interesses e sentimentos, o 
que gera uma aproximação real das partes;
Escolas da mediação
1ª Escola: Da Negociação Assistida (problem solving)
Desenvolvida no programa de negociação de Harvard e considera a mediação a 
partir de dois tipos de abordagens: (a) Adversarial: A situação envolve um recurso 
limitado (dinheiro) e as partes devem decidir se vão dividi-lo e como; (b) De solução de 
problemas: Tem por finalidade revelar e compor os interesses subjacentes das partes;
2ª Escola: Da Mediação Transformativa
Pressupõe que os conflitos não devem ser enxergados como problemas, mas 
oportunidades de transformação das partes, sob dois pontos de vista: (a) 
autoconhecimento; e (b) conhecimento do lado adverso. O foco aqui é o próprio 
processo da mediação.
3ª Escola: Da mediação circular narrativa:
Baseada na relação, e não no resultado. Vê a conversa como forma mais 
transcendental de aprendizado humano.
Fonte: GABBAY, Daniela Monteiro. Mediação & Judiciário: Condições necessárias para a institucionalização dos meios autocompositivos de solução de conflitos. 2011. 
274 f. Tese (Doutorado em Direito) – Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, p. 52.
Mediação – Legislação e normas aplicáveis
A Lei 9.099/95, dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, só previu 
expressamente a conciliação (não a mediação); 
Resolução CNJ nº 125, de 29 de novembro de 2010 + Emenda 
2/2016***
Instituiu a Política Pública de Tratamento Adequado dos Conflitos de 
Interesses (competência do CNJ, Tribunais)
Determinou a criação dos Núcleos Permanentes de Métodos 
Consensuais de Solução de Conflitos (NUPEMECs), 
Determinou a criação dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e 
Cidadania(CEJUSCs);
Fixou a forma de admissão dos conciliadores
Fixou parâmetros de estatísticas e avaliação;
Nos seus anexos fixou: (a) o programa dos cursos de capacitação e 
aperfeiçoamento; (b) Código de Ética de Conciliadores e Mediadores 
Judiciais
Mediação – Legislação e normas aplicáveis
Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil)***
Arts. 3º, §3º; 
Art. 165 ao 175; 
Art. 250, III; 
Art. 303, II; 
Art. 308, §3º;
Art. 319, VII;
Do art. 334 ao 335;
Art. 340, §§3º e 4º;
Art. 359;
Art. 565;
Arts. 694 ao 696;
Lei n° 13.140, de 26 de junho de 2015:
Dispõe sobre a mediação entre particulares como meio de solução de controvérsias e 
sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da administração pública; altera a Lei 
nº 9.469, de 10 de julho de 1997, e o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; e 
revoga o § 2º do art. 6º da Lei nº 9.469, de 10 de julho de 1997 
Mediação – Legislação e normas aplicáveis
Provimento-CSM nº 422, de 26 de setembro de 2018 (TJMS)
Disciplina o exercício das funções de mediador e conciliador no âmbito do Poder Judiciário do 
Estado de Mato Grosso do Sul e dá outras providências;
REQUISITOS PARA SER MEDIADOR:
ser civilmente capaz; 
possuir graduação há pelo menos 2 (dois) anos, em curso de ensino superior
não ter sido condenado criminalmente por decisão transitada em julgado; 
CURSO DE CAPACITAÇÃO:
Duas etapas denominadas como Módulo Teórico e Módulo Prático (Estágio Supervisionado), na 
forma do Anexo I da Resolução n.º 125, 10 de novembro de 2010 do Conselho Nacional de 
Justiça-CNJ
Depois de concluído o curso = Cadastro de mediadores e conciliadores do NUPEMEC-TJ/MS;
Há remuneração (R$ 50,00 para mediação) limitada a R$ 4.214,21 (art. 26, §1º);
MEDIAÇÃO ELETRÔNICA (art. 334, §7º, do CPC):
Portaria nº 775/2015 (TJMS),
Mediador tem de comprar certificado digital, de acordo com as especificações Secretaria de 
Tecnologia de Informação
Mediação – Legislação e normas aplicáveis
Provimento nº 67/2018 do CNJ:
Dispõe sobre os procedimentos de conciliação e de mediação nos serviços notariais e de 
registro do Brasil. Art. 1º Dispor sobre os procedimentos de conciliação e de mediação nos 
serviços notariais e de registro do Brasil.
PRINCÍPIOS da Mediação
O CPC/2015 estabelece, no art. 166, os princípios da 
mediação:
Art. 166: A conciliação e a mediação são informadas pelos 
princípios da independência, da imparcialidade, da 
autonomia da vontade, da confidencialidade, da oralidade, 
da informalidade e da decisão informada. 
Futuros mediadores: muito cuidado! Esses princípios devem ser 
observados à risca, inclusive sob pena de responsabilização de 
vocês!
PRINCÍPIOS da Mediação
Confidencialidade: tudo o que for trazido, gerado, conversado entre as 
partes durante a conciliação ou mediação é sigiloso (= o mediador não 
pode divulgar ou depor acerca de fatos ou elementos da mediação, §2º, do 
art. 166, do CPC); 
Imparcialidade: o conciliador/mediador não toma partido de nenhuma 
das partes (art. 170, do CPC – Impedimento = o mediador DEVE 
comunicar IMEDIATAMENTE e devolve o processo ao juiz ou ao 
coordenador do CEJUSC ou, se já iniciada a mediação, e constatado o 
impedimento, será ela interrompida e lavrada ata e distribuído p/ outro 
mediador); 
Art. 172 do CPC: O mediador fica IMPEDIDO, pelo prazo de 1 (um) 
ano, contado do término da última audiência em que atuaram, de 
assessorar, representar ou patrocinar qualquer das partes;
PRINCÍPIOS da Mediação
Voluntariedade: as partes permanecem no processo 
mediativo se assim desejarem; 
Autonomia da vontade das partes: a decisão final, qualquer 
que seja ela, cabe tão somente às partes, sendo vedado ao 
conciliador e ao mediador qualquer imposição
Punições pela inobservância dos princípios
Art. 173 do CPC: 
Será excluído do cadastro de conciliadores e mediadores aquele que:
I - agir com dolo ou culpa na condução da conciliação ou da mediação sob sua 
responsabilidade ou violar qualquer DOS DEVERES decorrentes do art. 166, §§ 1º e 2º 
(violar o dever de sigilo);
II - atuar em procedimento de mediação ou conciliação, apesar de IMPEDIDO (processo 
em que o mediador é parte, testemunha, perito, for advogado, marido/mulher, parente 
até o 2ºgrau – art. 144, CPC) ou SUSPEITO (amigo íntimo ou inimigo, herdeiro ou 
recebeu doação de uma das partes, aconselhou alguma das partes antes – art. 145, 
CPC);
§ 1º Os casos previstos neste artigo serão apurados em PROCESSO ADMINISTRATIVO;
§ 2º O juiz do processo ou o juiz coordenador do centro de conciliação e mediação, se 
houver, verificando atuação inadequada do mediador ou conciliador, poderá afastá-lo de 
suas atividades por até 180 (cento e oitenta) dias, por decisão fundamentada, informando 
o fato imediatamente ao tribunal para instauração do respectivo processo administrativo;
Mediação
O processo de mediação é utilizado para a solução de disputas que 
compreendam relações de trato continuado, as quais existem antes do 
surgimento do conflito e têm que se protrair após o seu 
desaparecimento;
O conflito é reconstruído a partir das angustias das partes, que são 
colocadas em debate e mediadas, a fim de facilitar o diálogo e sedimentar 
a solução da controvérsia;
A técnica da mediação pode variar de acordo com a natureza do conflito 
(patrimonial, familiar etc); 
O mediador age como um facilitador no processo de comunicação entre 
as partes, permitindo que cheguem a uma solução para a contenda por si 
sós, a partir da identificação dos interesses em jogo e fazendo a 
flexibilização de ambos os lados.
MÃOS À OBRA!
Preparando o ambiente: mesa redonda
Fonte: BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Azevedo, André Gomma de (Org.). Manual de 
Mediação Judicial, 6ª Edição (Brasília/DF:CNJ), 2016, p. 163.
Preparando o ambiente: mesa retangular
Fonte: BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Azevedo, André Gomma de (Org.). Manual de 
Mediação Judicial, 6ª Edição (Brasília/DF:CNJ), 2016, p. 163.
A abertura da sessão
Declaração de abertura 
Apresentar‑se 
Confirmar os nomes e como as partes preferem ser chamadas 
Explicar o propósito da mediação 
Explicar o papel do mediador 
Explicar o papel do advogado valorizando-o 
Abordar honorários conciliatórios 
Informar as regras básicas: 
Ordem da discussão 
Sem interrupções 
Confidencialidade 
Nenhum registro escrito ou gravação 
Explicar o objetivo de um acordo escrito 
Discutir o tempo 
Explicar as reuniões individuais 
Oportunidade para perguntas
As técnicas de condução da sessão
Habilidades interpessoais 
Seja neutro/sem preconceitos (as partes têm de perceber isso);
Crie um ambiente positivo; 
Seja paciente e perseverante;
Deixe as partes à vontade;
Usar linguagem apropriada para os usuários;
Seja empático, acessível e articulado (Senso de humor)
Habilidades em escutar 
Não interrompa; (evite questões paralelas)
Espere o relato completo da história; 
Concentre‑se; 
Escute ativamente; (técnica da escuta ativa)
Entenda as questões, reformule e interrogue às partes (é isso mesmo?); 
Identifique os interesses e sentimentos; 
Isso é basicamente a aplicação das TÉCNICAS DE ESCUTA ATIVA e RAPPORT (Atenção 
mútua; Sentimento positivo compartilhado; e dueto não verbal bem coordenado).
As técnicas de condução da sessão
Estruturando questões e interesses 
Formule questões abertas ;
Reformule asserções para identificação de preocupações secundárias;
Capte informação suficiente;
Recontextualize
“Espere aí, e se...” = (ténica do parafraseamento);
Auxilie cada uma das partes a ouvir a outra; 
Resuma as questões e os interesses 
Técnica do resumo – resuma o litígio à questão essencial, mostrando que no resto 
não há divergência;
Estruture as questões claramente; 
Reestruture questões e interesses para discussão; 
Reconheça sentimentos; 
Selecione e planeje as questões para discussão; 
As técnicas de condução da sessão
Lidando com o conflito 
Mantenha-se calmo e atento; 
Mantenha o controle da reunião; 
Estabeleça o tom; 
Evite termos agressivos; 
Atente‑se para a resolução, não ao que ocorreu; 
Usevoz, contato visual, gestos; 
Use o silêncio; 
Reformule acusações como necessidades ou pedidos; 
Use monólogos apropriadamente; 
Modele um bom comportamento de negociação; 
Ensine habilidades de negociação;
É possível fazer sessões individuais de uns 10 min com cada parte 
separadamente (técnica do caucus)
Estratégias para acordo 
Seja prospectivo;
Atue como facilitador;
Faça um brainstorming 
Deixe as partes livres para sugerirem soluções, ainda que inicialmente parecem 
absurdas, depois essas ideias são discutidas uma a uma para ver sua validade como 
proposta de acordo
Oriente e se houver advogado, peça para ele também orientar a parte; 
Persuada;
Use questões “e se”; 
Faça verificações (ou testes) de realidade; 
Ganhe impulso ao encontrar algum ponto de acordo.
As técnicas de condução da sessão
O termo do acordo
CENTRO JUDICIÁRIO DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E CIDADANIA - CEJUSC/___
TERMO DE AUDIÊNCIA MEDIAÇÃO
PEDIDO Nº:
TIPO DA AÇÃO:
DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL
ACIONANTE:
ACIONADO(A):
Aos _ (_) dias do mês de _ do ano de _, às _h_min, na sala de audiências do Centro 
Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania no Fórum desta Comarca de _/MS, 
onde se achavam presentes os alunos do Curso de Direito/Mediadores _____, 
acompanhados da professor supervisor ______. Realizado o pregão, compareceram 
as partes abaixo assinadas e qualificadas. Aberta a sessão, foi esclarecido às partes 
que em razão dos princípios norteadores da Conciliação e da Mediação, 
previstos na Resolução nº 125/2010, do CNJ, e no art. 2º da Lei 13.140/2015, a 
voluntariedade e da confidencialidade, nada do que for discutido nesta 
audiência poderá ser consignado na presente ata, salvo se as partes se 
compuserem.
O termo do acordo
Iniciados os trabalhos os mediadores concitaram as partes para uma composição 
amigável, esclarecendo-lhes sobre as vantagens da mediação, tendo elas chegado ao 
seguinte acordo: 
As partes conviveram em União Estável de ___data____ até ____data__, ora decidindo, 
de comum acordo, PELA DISSOLUÇÃO DESSA UNIÃO ESTÁVEL, nos seguintes 
termos: 
DOS FILHOS: Da união do casal nasceu um(a) filho(a) (menor), chamado 
____________, nascido em _______. 
DA GUARDA: O acionado __________________________ renuncia ao direito de ter a 
guarda compartilhada de sua filha, chegando ao consenso de que será de forma unilateral, 
ficando a cargo da mãe _____________________. DO DIREITO DE VISITAS: Quanto 
à regulamentação das visitas, acontecerão da seguinte maneira: a) Aos domingos 
alternados, a partir das 09h às 18h, vez que o genitor trabalha em horário noturno; b) Na 
segunda-feira, a partir das 09h às 15h. 
O termo do acordo
DOS ALIMENTOS DA FILHA: o alimentante ___________ compromete-se a 
pagar a quantia, à título de prestação alimentícia, de R$ _______ (__________ 
reais), correspondendo a 30% (trinta por cento) dos rendimentos líquidos do 
acionado, que deverá ser pago mediante depósito bancário em conta corrente ora 
indicada pela genitora mantida no Banco ___, agência ___, C/C____, mediante 
depósito bancário até o dia 30 (trinta) de cada mês, iniciando no mês _____/____. 
DA INEXISTÊNCIA DE BENS: Durante o consórcio conjugal não houve a 
aquisição de bens imóveis ou móveis susceptíveis de partilha; 
DO USO DO NOME: Quando da celebração da escritura da União Estável, não 
houve acréscimo do sobrenome de ambos os companheiros, de modo que após a 
presente dissolução, manterão seus nomes tais quais atualmente usam. Ambos 
devidamente orientados requerem conjuntamente a homologação do presente 
acordo. 
O termo do acordo
E, como nada mais foi dito ou requerido, encerramos o presente termo, que lido e 
achado conforme, vai assinado por todos, remetendo-se o presente acordo ao Poder 
Judiciário desta Comarca de ______/_, para homologação pelo (a) MM.(a) Juiz (a). 
Nós, o digitamos e subscrevemos.
ACIONANTE:________________________________________________________
ACIONADO:________________________________________________________
MEDIADOR: __________________________________________________
PROF. SUPERVISOR:______________________________________________
Quando fizerem o relatório, lembrem:
O relatório não deve conter os fatos narrados pelas partes. 
Deve conter apenas um resumo de técnicas utilizadas na 
mediação. 
1. Quais técnicas foram bem aplicadas; 
2. Quais técnicas poderiam ter sido melhor aplicadas; 
3. Quais técnicas não foram aplicadas e como poderiam ter sido 
utilizadas. 
O relatório deve ser preenchido considerando o desenvolvimento 
da autocrítica do mediador quanto às habilidades e técnicas de 
mediação e como uma forma de estimular a sua melhoria 
contínua.
Referências
▪ BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Azevedo, André Gomma de (Org.). 
Manual de Mediação Judicial, 6ª Edição (Brasília/DF:CNJ), 2016. Disponível em: 
https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2015/06/f247f5ce60df2774c59d6e2dddbfec54.pdf. 
Acesso em 20 Abr. 2021.
▪ BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Resolução CNJ nº 125, de 29 de 
novembro de 2010. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/156 Acesso em 20 
Abr. 2021.
▪ BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Provimento nº 67 de 26/03/2018. 
Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/2532. Acesso em 20 Abr. 2021.
▪ BRASIL. Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm Acesso em 20 Abr. 2021.
▪ BRASIL. Lei nº 13.105/2015, de 16 de março de 2015. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm Acesso em 20 Abr. 
2021.
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/156
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/2532
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm
Referências
▪ BRASIL. Lei n° 13.140, de 26 de junho de 2015. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13140.htm Acesso em 20 Abr. 2021.
▪ DINO, João Paulo. Modelo mediação. Disponível em: 
https://joaopaulodinosouza.jusbrasil.com.br/modelos-pecas/757230107/modelo-mediacao?ref=feed. Acesso 
em 20 Abr. 2021.
▪ ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL. Tribunal de Justiça. Provimento-CSM nº 422, de 26 de 
setembro de 2018. Disponível em 
https://www5.tjms.jus.br/_estaticos_/conciliacao/legislacao/tjms/provimento422.pdf. Acesso em 20 Abr. 
2021.
▪ GABBAY, Daniela Monteiro. Mediação & Judiciário: Condições necessárias para a 
institucionalização dos meios autocompositivos de solução de conflitos. 2011. 274 f. Tese (Doutorado 
em Direito) – Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
▪ KRIESBERG, Louis. Constructive Conflicts: from escalation to resolution. Lanham: Rowman & 
Littlefield, 2007.
▪ PRUITT, Dean; RUBIN, Jeffrey. Social Conflict: Escalation, Stalemate and Settlement. 1986.
▪ DINO, João Paulo. Modelo mediação. Disponível em: 
https://joaopaulodinosouza.jusbrasil.com.br/modelos-pecas/757230107/modelo-mediacao?ref
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▪ Kriesberg, Louis. Constructive Conflicts: from escalation to resolution. Lanham: Rowman 
& Littlefield, 2007.
▪ PRUITT, Dean; RUBIN, Jeffrey. Social Conflict: Escalation, Stalemate and Settlement. 
1986.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13140.htm
https://www5.tjms.jus.br/_estaticos_/conciliacao/legislacao/tjms/provimento422.pdf
Muito obrigado pela atenção!
Sucesso!
Caio Pacca F. de Camargo

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