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MEDIAÇÃO Caio Pacca F. de Camargo Mestre em Direito. Aluno da pós-graduação Stricto Sensu de disciplinas isoladas na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Especialista em Direito Civil (EPM). Especialista em Direito Notarial e Registral Imobiliário (EPM). Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Bacharel em Relações Internacionais pelo Centro Universitário UniFMU. Registrador Civil e Notário no Estado de São Paulo. Lattes: http://lattes.cnpq.br/7228338839777576. Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS Faculdade de Direito - Campus Naviraí Núcleo de Prática Jurídica Projeto de extensão Núcleo comunitário de mediação e conciliação https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=4C91E2C879258D73D369C039331D811E Roteiro da aula Apresentação da noção de mediação; Contexto da mediação como Meio Alternativo (ou não-adversarial) de Resolução de Conflitos; Teoria do conflito; Teoria dos Jogos e Equilíbrio de Nash e sua relevância à mediação; Conceito de mediação e o mediador; Princípios da mediação; Aspectos práticos; A noção de mediação É uma negociação facilitada por um terceiro ou grupo deles, imparcial e neutro aos interesses em conflito; É um método de criação, restauração e facilitação do diálogo entre as pessoas em conflito; As partes, elas próprias, são quem chegam à solução. O mediador só facilita o diálogo entre elas, que geralmente está bem prejudicado. O contexto... A intensificação das relações humanas (evolução das Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs, internacionalização, maior trânsito de informação, serviços, bens e pessoas) = surgimento de novas relações jurídicas e..... novos conflitos; Faz-se necessária uma imbricação dessa nova realidade com o sistema de Justiça para que as controvérsias tenham adequado tratamento pelo Estado num tempo razoável; O processo judicial adversarial, mostra não mais poder, sozinho, dar conta dessa realidade dinâmica e cada vez mais complexa; Frank Sander, professor da Harvard Law School, apresentou, em 1976, numa palestra de abertura da Pound Conference, em Saint Paul, Minessotta, o conceito de Tribunal Multiportas (Multidoor Court House), no qual num único centro de justiça deve estar à disposição das partes a triagem do conflito para que a partir das características do próprio conflito, escolha-se um MÉTODO mais adequado para alcançar resultados mais satisfatório; Começa-se assim um grande movimento de experiência de novos métodos, especialmente nas Cortes de Pequenas causas norte-americanas de utilização dos meios alternativos de solução de conflitos “Alternative Dispute Resolution” (ADR)/ ‘Resolução Alternativa de Disputas’ (RADs), denominação do conjunto dos métodos alternativos ao julgamento pelo Judiciário; Isso influenciou fortemente o legislador brasileiro quando incluiu a conciliação no sistema dos juizados especiais, todavia, a autocomposição da Lei n. 9.099/1995 se distinguiu significativamente da norte‑americana por sua menor ênfase às TÉCNICAS, ao PROCEDIMENTO a ser seguido e treinamento; A proposta dos ADRs (Alternative Dispute Resolution) e o sistema Multiportas de Justiça Atualmente, se entende como mais adequada a expressão “Resolução ‘Adequada’ (ou mesmo ‘Amigável’, ou não-adversarial) de Disputas” para denotar uma escolha consciente de um método de resolução de conflitos, entre vários possíveis, considerando o contexto fático da disputa; O sistema público de resolução de conflitos envolve o Poder Judiciário e outros órgãos de PREVENÇÃO ou RESOLUÇÃO de disputas (Defensoria Pública, Ministério Público, Secretarias de Justiça, etc) – é composto, atualmente, por vários processos distintos; Esse espectro de processos (judicial, arbitragem, conciliação, mediação etc) forma um SISTEMA PLURIPROCESSUAL. MÉTODOS DE RESOLUÇÃO ADEQUADA (ou NÃO-ADVERSARIAL) DE CONFLITOS Os principais Métodos de Resolução Não-adversarial de Disputas Negociação; Mediação; Conciliação; Arbitragem; Avaliação de terceiro neutro (early neutral evaluation); Mini-trial / Summary Jury Trial; Juiz de aluguel (rent-a-judge); Acordo; Transação; Conciliação; Renúncia e desistência; Etc. Escolha do método = característica do conflito Poder Judiciário = centro de resolução de disputas = Centro de Justiça organizado pelo Estado A escolha do método mais indicado deve levar em conta as características de cada caso: ✔ custo financeiro; ✔ celeridade; ✔ sigilo; ✔ manutenção de relacionamentos; ✔ flexibilidade procedimental; ✔ exequibilidade da solução; ✔ custos emocionais na composição da disputa; ✔ adimplemento espontâneo do resultado; e ✔ recorribilidade. Escolha do método = característica do conflito Em razão disso a mediação costuma ser muito utilizada para situações que pressupõem um relacionamento anterior e duradouro das partes em relação ao surgimento do conflito e a necessidade de manutenção dessa relação após a superação ou término do conflito Art. 165, § 3º, do CPC/2015: [...] § 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. Antes do método de solução, o conflito! Não dá para propormos nenhuma solução àquilo que não conhecemos; Por isso, para resolver qualquer problema, primeiro, é preciso conhecê-lo e compreendê-lo; Logo, é preciso que entendamos, antes de saber o que é a mediação e como devemos conduzi-la, primeiro entendermos o que vem a ser um conflito; O que é um conflito? O que o conflito nos causa? Será que a resolução de um processo judicial resolve o conflito? Teoria do Conflito O conflito é um processo ou estado em que duas ou mais pessoas DIVERGEM (divergir é ruim???) em razão de metas, interesses ou objetivos individuais percebidos como mutuamente incompatíveis; Temos a tendência a conceber um conflito sempre como um fenômeno negativo das relações sociais que, sempre causará perdas para ao menos um dos envolvidos; Em situações negativas, o corpo apresenta sempre uma resposta biológica padrão, liberando adrenalina, substância química que prepara o organismo para situações de perigo nas quais se exige respostas imediatas e impulsivas; O fato de se perceber o conflito como algo negativa automaticamente desencadeia uma reação denominada “retorno de luta ou fuga (ou apenas luta ou fuga) ou resposta de estresse agudo; Teoria do Conflito A adrenalina no controle: retorno de luta ou fuga! O retorno de luta ou fuga consiste na teoria de que animais reagem a ameaças com uma descarga ao sistema nervoso simpático impulsionando‑o a lutar ou fugir; O mecanismo de luta ou fuga consiste em uma resposta que libera a adrenalina causadora das reações biológicas imediatas de exaltação (transpiração, taquicardia, ruborização, elevação do tom de voz, irritação, raiva, hostilidade, descuido verbal etc); A percebermos um conflito sempre como algo negativo, o mecanismo de luta ou fuga é automaticamente desencadeado, pois o corpo entende ser sempre uma situação de ameaça; Teoria do Conflito Passo 2: espirais de conflito Quando se desencadeia o mecanismo de luta ou fuga, há quase invariavelmente uma escalada progressiva do conflito. Ele vai aumentando!; Nas relações conflituosas de viés negativo, forma-se um círculo vicioso de ação e reação em que cada reação torna‑se mais severa do que a ação que a precedeu e cria uma nova questão ou ponto de disputa; Esse modelo foi descrito, a partir dos estudos de Jeffrey RUBIN, Dean PRUITT (1) e Louis KRIESBERG (2), como o de ESPIRAL DE CONFLITO; Com a escalada dessa espiral, a causa originária do conflito progressivamente torna‑se secundária porque os envolvidos estão mais preocupados em responder a uma ação que imediatamente antecedeu sua reação; PRUITT,Dean; RUBIN, Jeffrey. Social Conflict: Escalation, Stalemate and Settlement. 1986. Kriesberg, Louis. Constructive Conflicts: from escalation to resolution. Lanham: Rowman & Littlefield, 2007. Teoria do Conflito Espirais de conflito e o processo destrutivo Nesse quadro, o conflito ganha vida própria porque se torna “independente de suas causas iniciais”, e assume feições competitivas onde cada parte busca “vencer” a disputa; Pressupõe que os interesses das partes não podem coexistir, o que impede qualquer tentativa de cooperação, sempre desaguando na competição; RESULTADO: Cria-se um processo destrutivo, descrito por Morton DEUTSCH, na obra The Resolution of Conflict: Constructive and Destructive Processes como aquele em que há um enfraquecimento/ rompimento da relação social preexistente à disputa em razão da forma pela qual esta é conduzida; Teoria do conflito Será que não se pode tirar nada de bom de um conflito? Conflito como processo construtivo! Nem sempre há alguém totalmente errado e o outro totalmente certo! É possível que os interesses tenham pontos convergentes! Ou seja, se é possível conjugar interesses, vale a pena conversar; Ou seja, é necessário despolarizar a comunicação, de modo que os interessados não se vejam como partes antagônicas (um certo e outro errado); O que há são interesses que buscaremos conciliar; Teoria do conflito Será que não se pode tirar nada de bom de um conflito? Conflito como processo construtivo! Se enxergarmos um conflito sempre como uma situação negativa, fica inviável imaginar qualquer método adequado a uma situação que sempre ensejará a mesma resposta biológica; O conflito é um fenômeno natural em qualquer relação; Ora, se é algo natural, pode-se, sim, dele extrair resultados positivos (aprendizados, amadurecimento, crescimento, aprimoramento); Nessa perspectiva, o corpo passa a não enxergar o conflito como uma situação de risco e, assim, impede-se o desencadeamento do mecanismo de luta ou fuga; Teoria do conflito Será que não se pode tirar nada de bom de um conflito? Conflito como processo construtivo! Quando superamos uma dificuldade, perdemos medo dela e nos sentimos mais fortes, não é verdade? A mesma coisa pode ocorrer com um conflito encarado e superado positivamente; Se as partes conseguirem superá-lo sem os danos da espiral do conflito, fortalecerão sua relação social preexistente à disputa ou estabelecerão um forte vínculo a partir daí; Esse é um processo construtivo de resolução de conflitos, pois gera empatia; Nesse caso, há um legado positivo para o futuro! É uma solução PROSPECTIVA! A teoria dos jogos e a mediação A teoria dos jogos, inicialmente desenvolvida pelo matemático francês Émile Borel a partir da análise do comportamento das pessoas em um jogo de cartas, lida com os comportamentos da seguinte maneira: “eu penso que você pensa que eu penso que você pensa...” As ações de cada parte são tomadas com base na expectativa do que a outra parte pode fazer. Nessa dinâmica a situação é quase infinita; Essa dinâmica é parecida àquela descrita na espiral do conflito; Mas o que interessa dessa teoria dos jogos para nós que estamos falando de mediação? Na década de 1950, o matemático John Forbes Nash Jr., pressupondo a possibilidade de estratégias cooperativas nas dinâmicas dos jogos, concebeu o que se chamou Equilíbrio de Nash; A partir da teoria dos jogos, o conflito é entendido como a situação na qual duas pessoas têm de desenvolver estratégias para melhorar seus ganhos de acordo com certas regras preestabelecidas, . Quando superamos uma dificuldade, perdemos medo dela e nos sentimos mais fortes, não é verdade? Pequeno recurso à teoria dos jogos: O equilíbrio de Nash e o acordo mediado O equilíbrio de Nash: Prevê “a combinação de estratégias que os jogadores preferencialmente devem escolher é aquela na qual nenhum jogador faria melhor escolhendo uma alternativa diferente dada a estratégia que o outro escolhe. A estratégia de cada jogador deve ser a melhor resposta às estratégias dos outros; Dizendo de outra forma: o equilíbrio é um par de estratégias em que cada uma é a melhor resposta à outra: é o ponto em que, dadas as estratégias escolhidas, NENHUM DOS JOGADORES SE ARREPENDE, ou seja, não teria incentivo para mudar de estratégia, caso jogasse o jogo novamente; Eis aí o ponto de interesse! Uma boa mediação deve deixar esse gostinho aos que dela participaram de: “eu não faria diferente”!; Isso é possível quando as partes se convencem que as dinâmicas (ou jogos) cooperativos, podem ser mais interessantes que os competitivos. Ainda que cada um só se importe com a vantagem, os dois podem sair ganhando; Mediação É uma negociação facilitada por uma terceira pessoa ou um painel delas, sem interesse na causa, para encaminhar a comunicação entre as partes de modo a tentar se chegar a um acordo; É um método composto por vários atos procedimentais pelos quais o(s) terceiro(s) imparcial(is) FACILITA(M) A COMUNICAÇÃO entre as pessoas em conflito, habilitando‑as a melhor compreender suas posições e a encontrar soluções que se compatibilizam aos seus interesses e necessidades; Os interessados NÃO SÃO OBRIGADOS a participar da mediação e podem abandoná-la, se assim desejarem; Podem, ou não, estarem acompanhadas de advogado, sendo importante o mediador validar a importância desse profissional, cuja atuação, nesse caso, deve ser para explicar as consequências jurídicas das opções aventadas; Mediação O mediador é um facilitador da conversa, de modo que as partes não só podem como devem se comunicar diretamente durante a mediação, devendo o mediador, inclusive, incentivar, isso! O mediador, diferentemente do conciliador, NÃO PROPÕE soluções, apenas tenta “costurar” aquelas que lhe são expostas pelas partes; A mediação pode produzir efeitos para além do caso ao qual está sendo aplicada, pois, as partes, percebendo sua vantagem e efetividade, sentem-se capacitadas (empoderamento); Efeito colateral de educação sobre técnicas de negociação que podem ser usadas pelas próprias partes para compor seus futuros conflitos ou de outrem; Proporcionam‑se aos interessados efetivos meios de aprendizado quanto à resolução de disputa, obtendo‑se também o reconhecimento mútuo de interesses e sentimentos, o que gera uma aproximação real das partes; Escolas da mediação 1ª Escola: Da Negociação Assistida (problem solving) Desenvolvida no programa de negociação de Harvard e considera a mediação a partir de dois tipos de abordagens: (a) Adversarial: A situação envolve um recurso limitado (dinheiro) e as partes devem decidir se vão dividi-lo e como; (b) De solução de problemas: Tem por finalidade revelar e compor os interesses subjacentes das partes; 2ª Escola: Da Mediação Transformativa Pressupõe que os conflitos não devem ser enxergados como problemas, mas oportunidades de transformação das partes, sob dois pontos de vista: (a) autoconhecimento; e (b) conhecimento do lado adverso. O foco aqui é o próprio processo da mediação. 3ª Escola: Da mediação circular narrativa: Baseada na relação, e não no resultado. Vê a conversa como forma mais transcendental de aprendizado humano. Fonte: GABBAY, Daniela Monteiro. Mediação & Judiciário: Condições necessárias para a institucionalização dos meios autocompositivos de solução de conflitos. 2011. 274 f. Tese (Doutorado em Direito) – Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, p. 52. Mediação – Legislação e normas aplicáveis A Lei 9.099/95, dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, só previu expressamente a conciliação (não a mediação); Resolução CNJ nº 125, de 29 de novembro de 2010 + Emenda 2/2016*** Instituiu a Política Pública de Tratamento Adequado dos Conflitos de Interesses (competência do CNJ, Tribunais) Determinou a criação dos Núcleos Permanentes de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (NUPEMECs), Determinou a criação dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania(CEJUSCs); Fixou a forma de admissão dos conciliadores Fixou parâmetros de estatísticas e avaliação; Nos seus anexos fixou: (a) o programa dos cursos de capacitação e aperfeiçoamento; (b) Código de Ética de Conciliadores e Mediadores Judiciais Mediação – Legislação e normas aplicáveis Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil)*** Arts. 3º, §3º; Art. 165 ao 175; Art. 250, III; Art. 303, II; Art. 308, §3º; Art. 319, VII; Do art. 334 ao 335; Art. 340, §§3º e 4º; Art. 359; Art. 565; Arts. 694 ao 696; Lei n° 13.140, de 26 de junho de 2015: Dispõe sobre a mediação entre particulares como meio de solução de controvérsias e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da administração pública; altera a Lei nº 9.469, de 10 de julho de 1997, e o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; e revoga o § 2º do art. 6º da Lei nº 9.469, de 10 de julho de 1997 Mediação – Legislação e normas aplicáveis Provimento-CSM nº 422, de 26 de setembro de 2018 (TJMS) Disciplina o exercício das funções de mediador e conciliador no âmbito do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso do Sul e dá outras providências; REQUISITOS PARA SER MEDIADOR: ser civilmente capaz; possuir graduação há pelo menos 2 (dois) anos, em curso de ensino superior não ter sido condenado criminalmente por decisão transitada em julgado; CURSO DE CAPACITAÇÃO: Duas etapas denominadas como Módulo Teórico e Módulo Prático (Estágio Supervisionado), na forma do Anexo I da Resolução n.º 125, 10 de novembro de 2010 do Conselho Nacional de Justiça-CNJ Depois de concluído o curso = Cadastro de mediadores e conciliadores do NUPEMEC-TJ/MS; Há remuneração (R$ 50,00 para mediação) limitada a R$ 4.214,21 (art. 26, §1º); MEDIAÇÃO ELETRÔNICA (art. 334, §7º, do CPC): Portaria nº 775/2015 (TJMS), Mediador tem de comprar certificado digital, de acordo com as especificações Secretaria de Tecnologia de Informação Mediação – Legislação e normas aplicáveis Provimento nº 67/2018 do CNJ: Dispõe sobre os procedimentos de conciliação e de mediação nos serviços notariais e de registro do Brasil. Art. 1º Dispor sobre os procedimentos de conciliação e de mediação nos serviços notariais e de registro do Brasil. PRINCÍPIOS da Mediação O CPC/2015 estabelece, no art. 166, os princípios da mediação: Art. 166: A conciliação e a mediação são informadas pelos princípios da independência, da imparcialidade, da autonomia da vontade, da confidencialidade, da oralidade, da informalidade e da decisão informada. Futuros mediadores: muito cuidado! Esses princípios devem ser observados à risca, inclusive sob pena de responsabilização de vocês! PRINCÍPIOS da Mediação Confidencialidade: tudo o que for trazido, gerado, conversado entre as partes durante a conciliação ou mediação é sigiloso (= o mediador não pode divulgar ou depor acerca de fatos ou elementos da mediação, §2º, do art. 166, do CPC); Imparcialidade: o conciliador/mediador não toma partido de nenhuma das partes (art. 170, do CPC – Impedimento = o mediador DEVE comunicar IMEDIATAMENTE e devolve o processo ao juiz ou ao coordenador do CEJUSC ou, se já iniciada a mediação, e constatado o impedimento, será ela interrompida e lavrada ata e distribuído p/ outro mediador); Art. 172 do CPC: O mediador fica IMPEDIDO, pelo prazo de 1 (um) ano, contado do término da última audiência em que atuaram, de assessorar, representar ou patrocinar qualquer das partes; PRINCÍPIOS da Mediação Voluntariedade: as partes permanecem no processo mediativo se assim desejarem; Autonomia da vontade das partes: a decisão final, qualquer que seja ela, cabe tão somente às partes, sendo vedado ao conciliador e ao mediador qualquer imposição Punições pela inobservância dos princípios Art. 173 do CPC: Será excluído do cadastro de conciliadores e mediadores aquele que: I - agir com dolo ou culpa na condução da conciliação ou da mediação sob sua responsabilidade ou violar qualquer DOS DEVERES decorrentes do art. 166, §§ 1º e 2º (violar o dever de sigilo); II - atuar em procedimento de mediação ou conciliação, apesar de IMPEDIDO (processo em que o mediador é parte, testemunha, perito, for advogado, marido/mulher, parente até o 2ºgrau – art. 144, CPC) ou SUSPEITO (amigo íntimo ou inimigo, herdeiro ou recebeu doação de uma das partes, aconselhou alguma das partes antes – art. 145, CPC); § 1º Os casos previstos neste artigo serão apurados em PROCESSO ADMINISTRATIVO; § 2º O juiz do processo ou o juiz coordenador do centro de conciliação e mediação, se houver, verificando atuação inadequada do mediador ou conciliador, poderá afastá-lo de suas atividades por até 180 (cento e oitenta) dias, por decisão fundamentada, informando o fato imediatamente ao tribunal para instauração do respectivo processo administrativo; Mediação O processo de mediação é utilizado para a solução de disputas que compreendam relações de trato continuado, as quais existem antes do surgimento do conflito e têm que se protrair após o seu desaparecimento; O conflito é reconstruído a partir das angustias das partes, que são colocadas em debate e mediadas, a fim de facilitar o diálogo e sedimentar a solução da controvérsia; A técnica da mediação pode variar de acordo com a natureza do conflito (patrimonial, familiar etc); O mediador age como um facilitador no processo de comunicação entre as partes, permitindo que cheguem a uma solução para a contenda por si sós, a partir da identificação dos interesses em jogo e fazendo a flexibilização de ambos os lados. MÃOS À OBRA! Preparando o ambiente: mesa redonda Fonte: BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Azevedo, André Gomma de (Org.). Manual de Mediação Judicial, 6ª Edição (Brasília/DF:CNJ), 2016, p. 163. Preparando o ambiente: mesa retangular Fonte: BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Azevedo, André Gomma de (Org.). Manual de Mediação Judicial, 6ª Edição (Brasília/DF:CNJ), 2016, p. 163. A abertura da sessão Declaração de abertura Apresentar‑se Confirmar os nomes e como as partes preferem ser chamadas Explicar o propósito da mediação Explicar o papel do mediador Explicar o papel do advogado valorizando-o Abordar honorários conciliatórios Informar as regras básicas: Ordem da discussão Sem interrupções Confidencialidade Nenhum registro escrito ou gravação Explicar o objetivo de um acordo escrito Discutir o tempo Explicar as reuniões individuais Oportunidade para perguntas As técnicas de condução da sessão Habilidades interpessoais Seja neutro/sem preconceitos (as partes têm de perceber isso); Crie um ambiente positivo; Seja paciente e perseverante; Deixe as partes à vontade; Usar linguagem apropriada para os usuários; Seja empático, acessível e articulado (Senso de humor) Habilidades em escutar Não interrompa; (evite questões paralelas) Espere o relato completo da história; Concentre‑se; Escute ativamente; (técnica da escuta ativa) Entenda as questões, reformule e interrogue às partes (é isso mesmo?); Identifique os interesses e sentimentos; Isso é basicamente a aplicação das TÉCNICAS DE ESCUTA ATIVA e RAPPORT (Atenção mútua; Sentimento positivo compartilhado; e dueto não verbal bem coordenado). As técnicas de condução da sessão Estruturando questões e interesses Formule questões abertas ; Reformule asserções para identificação de preocupações secundárias; Capte informação suficiente; Recontextualize “Espere aí, e se...” = (ténica do parafraseamento); Auxilie cada uma das partes a ouvir a outra; Resuma as questões e os interesses Técnica do resumo – resuma o litígio à questão essencial, mostrando que no resto não há divergência; Estruture as questões claramente; Reestruture questões e interesses para discussão; Reconheça sentimentos; Selecione e planeje as questões para discussão; As técnicas de condução da sessão Lidando com o conflito Mantenha-se calmo e atento; Mantenha o controle da reunião; Estabeleça o tom; Evite termos agressivos; Atente‑se para a resolução, não ao que ocorreu; Usevoz, contato visual, gestos; Use o silêncio; Reformule acusações como necessidades ou pedidos; Use monólogos apropriadamente; Modele um bom comportamento de negociação; Ensine habilidades de negociação; É possível fazer sessões individuais de uns 10 min com cada parte separadamente (técnica do caucus) Estratégias para acordo Seja prospectivo; Atue como facilitador; Faça um brainstorming Deixe as partes livres para sugerirem soluções, ainda que inicialmente parecem absurdas, depois essas ideias são discutidas uma a uma para ver sua validade como proposta de acordo Oriente e se houver advogado, peça para ele também orientar a parte; Persuada; Use questões “e se”; Faça verificações (ou testes) de realidade; Ganhe impulso ao encontrar algum ponto de acordo. As técnicas de condução da sessão O termo do acordo CENTRO JUDICIÁRIO DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS E CIDADANIA - CEJUSC/___ TERMO DE AUDIÊNCIA MEDIAÇÃO PEDIDO Nº: TIPO DA AÇÃO: DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL ACIONANTE: ACIONADO(A): Aos _ (_) dias do mês de _ do ano de _, às _h_min, na sala de audiências do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania no Fórum desta Comarca de _/MS, onde se achavam presentes os alunos do Curso de Direito/Mediadores _____, acompanhados da professor supervisor ______. Realizado o pregão, compareceram as partes abaixo assinadas e qualificadas. Aberta a sessão, foi esclarecido às partes que em razão dos princípios norteadores da Conciliação e da Mediação, previstos na Resolução nº 125/2010, do CNJ, e no art. 2º da Lei 13.140/2015, a voluntariedade e da confidencialidade, nada do que for discutido nesta audiência poderá ser consignado na presente ata, salvo se as partes se compuserem. O termo do acordo Iniciados os trabalhos os mediadores concitaram as partes para uma composição amigável, esclarecendo-lhes sobre as vantagens da mediação, tendo elas chegado ao seguinte acordo: As partes conviveram em União Estável de ___data____ até ____data__, ora decidindo, de comum acordo, PELA DISSOLUÇÃO DESSA UNIÃO ESTÁVEL, nos seguintes termos: DOS FILHOS: Da união do casal nasceu um(a) filho(a) (menor), chamado ____________, nascido em _______. DA GUARDA: O acionado __________________________ renuncia ao direito de ter a guarda compartilhada de sua filha, chegando ao consenso de que será de forma unilateral, ficando a cargo da mãe _____________________. DO DIREITO DE VISITAS: Quanto à regulamentação das visitas, acontecerão da seguinte maneira: a) Aos domingos alternados, a partir das 09h às 18h, vez que o genitor trabalha em horário noturno; b) Na segunda-feira, a partir das 09h às 15h. O termo do acordo DOS ALIMENTOS DA FILHA: o alimentante ___________ compromete-se a pagar a quantia, à título de prestação alimentícia, de R$ _______ (__________ reais), correspondendo a 30% (trinta por cento) dos rendimentos líquidos do acionado, que deverá ser pago mediante depósito bancário em conta corrente ora indicada pela genitora mantida no Banco ___, agência ___, C/C____, mediante depósito bancário até o dia 30 (trinta) de cada mês, iniciando no mês _____/____. DA INEXISTÊNCIA DE BENS: Durante o consórcio conjugal não houve a aquisição de bens imóveis ou móveis susceptíveis de partilha; DO USO DO NOME: Quando da celebração da escritura da União Estável, não houve acréscimo do sobrenome de ambos os companheiros, de modo que após a presente dissolução, manterão seus nomes tais quais atualmente usam. Ambos devidamente orientados requerem conjuntamente a homologação do presente acordo. O termo do acordo E, como nada mais foi dito ou requerido, encerramos o presente termo, que lido e achado conforme, vai assinado por todos, remetendo-se o presente acordo ao Poder Judiciário desta Comarca de ______/_, para homologação pelo (a) MM.(a) Juiz (a). Nós, o digitamos e subscrevemos. ACIONANTE:________________________________________________________ ACIONADO:________________________________________________________ MEDIADOR: __________________________________________________ PROF. SUPERVISOR:______________________________________________ Quando fizerem o relatório, lembrem: O relatório não deve conter os fatos narrados pelas partes. Deve conter apenas um resumo de técnicas utilizadas na mediação. 1. Quais técnicas foram bem aplicadas; 2. Quais técnicas poderiam ter sido melhor aplicadas; 3. Quais técnicas não foram aplicadas e como poderiam ter sido utilizadas. O relatório deve ser preenchido considerando o desenvolvimento da autocrítica do mediador quanto às habilidades e técnicas de mediação e como uma forma de estimular a sua melhoria contínua. Referências ▪ BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Azevedo, André Gomma de (Org.). Manual de Mediação Judicial, 6ª Edição (Brasília/DF:CNJ), 2016. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2015/06/f247f5ce60df2774c59d6e2dddbfec54.pdf. Acesso em 20 Abr. 2021. ▪ BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Resolução CNJ nº 125, de 29 de novembro de 2010. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/156 Acesso em 20 Abr. 2021. ▪ BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Provimento nº 67 de 26/03/2018. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/2532. Acesso em 20 Abr. 2021. ▪ BRASIL. Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm Acesso em 20 Abr. 2021. ▪ BRASIL. Lei nº 13.105/2015, de 16 de março de 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm Acesso em 20 Abr. 2021. https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/156 https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/2532 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm Referências ▪ BRASIL. Lei n° 13.140, de 26 de junho de 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13140.htm Acesso em 20 Abr. 2021. ▪ DINO, João Paulo. Modelo mediação. Disponível em: https://joaopaulodinosouza.jusbrasil.com.br/modelos-pecas/757230107/modelo-mediacao?ref=feed. Acesso em 20 Abr. 2021. ▪ ESTADO DO MATO GROSSO DO SUL. Tribunal de Justiça. Provimento-CSM nº 422, de 26 de setembro de 2018. Disponível em https://www5.tjms.jus.br/_estaticos_/conciliacao/legislacao/tjms/provimento422.pdf. Acesso em 20 Abr. 2021. ▪ GABBAY, Daniela Monteiro. Mediação & Judiciário: Condições necessárias para a institucionalização dos meios autocompositivos de solução de conflitos. 2011. 274 f. Tese (Doutorado em Direito) – Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. ▪ KRIESBERG, Louis. Constructive Conflicts: from escalation to resolution. Lanham: Rowman & Littlefield, 2007. ▪ PRUITT, Dean; RUBIN, Jeffrey. Social Conflict: Escalation, Stalemate and Settlement. 1986. ▪ DINO, João Paulo. Modelo mediação. Disponível em: https://joaopaulodinosouza.jusbrasil.com.br/modelos-pecas/757230107/modelo-mediacao?ref =feed. Acesso em 20 Abr. 2021. ▪ Kriesberg, Louis. Constructive Conflicts: from escalation to resolution. Lanham: Rowman & Littlefield, 2007. ▪ PRUITT, Dean; RUBIN, Jeffrey. Social Conflict: Escalation, Stalemate and Settlement. 1986. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13140.htm https://www5.tjms.jus.br/_estaticos_/conciliacao/legislacao/tjms/provimento422.pdf Muito obrigado pela atenção! Sucesso! Caio Pacca F. de Camargo