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V2 – artigo 40 ao 72 do CC
· Art. 40: O artigo traz a classificação fundamental das pessoas jurídicas no ordenamento civil brasileiro, abrindo a seção que trata do tema (arts. 40–50). Não é mera enumeração: estabelece dois regimes jurídicos distintos — direito público e direito privado — com consequências diretas sobre criação, funcionamento, responsabilidade e extinção de cada entidade.
· Art. 41: lista as pessoas jurídicas de direito público interno: União, Estados, DF, Territórios, Municípios, autarquias (inclusive associações públicas) e demais entidades públicas criadas por lei. O parágrafo único diz que, se tiverem estrutura de direito privado, o Código se aplica ao funcionamento delas no que couber.
· Art. 42: são de direito público externo os Estados estrangeiros e os entes regidos pelo direito internacional público.
· Art. 43: o poder público responde civilmente pelos danos que seus agentes causarem a terceiros, com direito de regresso contra o agente que agiu com culpa ou dolo.
· Art. 44: lista as pessoas jurídicas de direito privado: associações, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e empreendimentos de economia solidária. As organizações religiosas têm liberdade de criação e organização, e o Estado não pode negar registro. As regras das associações se aplicam subsidiariamente às sociedades, e os partidos seguem lei específica.
· Art. 45: a existência legal da pessoa jurídica privada começa com a inscrição do ato constitutivo no registro próprio. Alterações também são averbadas. O prazo para anular a constituição por defeito do ato é de 3 anos, contados da publicação da inscrição.
· Art. 46: diz o que o registro deve declarar: nome, fins, sede, duração, fundo social, fundadores e diretores, forma de administração e representação, se o ato é reformável quanto à administração, se os membros respondem subsidiariamente pelas obrigações sociais, e condições de extinção e destino do patrimônio.
· Art. 47: os atos dos administradores vinculam a pessoa jurídica se praticados dentro dos poderes do ato constitutivo.
· Art. 48: na administração coletiva, as decisões são por maioria dos presentes, salvo disposição diversa. O prazo para anular decisões que violem lei ou estatuto, ou tenham erro, dolo, simulação ou fraude, é de 3 anos.
· Art. 48-A: autoriza assembleias e reuniões por meios eletrônicos.
· Art. 49: se faltar administração, o juiz nomeia administrador provisório a pedido de qualquer interessado.
· Art. 49-A: a pessoa jurídica não se confunde com seus sócios, associados, instituidores ou administradores. A autonomia patrimonial é instrumento lícito de alocação e segregação de riscos.
· Art. 50: trata da desconsideração da personalidade jurídica. Em caso de abuso, por desvio de finalidade ou confusão patrimonial, o juiz pode estender certas obrigações ao patrimônio de sócios ou administradores beneficiados pelo abuso. 
· Desvio de finalidade é o uso doloso da pessoa jurídica para lesar credores ou praticar ilícitos.
· Confusão patrimonial é a ausência de separação de fato entre patrimônios, como pagamento repetitivo de dívidas de um pelo outro ou transferências sem contraprestação.
· Também vale a desconsideração inversa. A mera existência de grupo econômico, ou a simples ampliação da atividade, não basta para desconsiderar.
· Art. 51: na dissolução, a pessoa jurídica subsiste para fins de liquidação. A dissolução é averbada no registro e, encerrada a liquidação, cancela-se a inscrição.
· Art. 52: aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade (por exemplo, nome e honra objetiva).
Associações (arts. 53 a 61)
· Art. 53: associações são a união de pessoas para fins não econômicos. Não há direitos e deveres recíprocos entre os associados.
· Art. 54: o estatuto deve conter nome, fins e sede, regras de admissão, demissão e exclusão, direitos e deveres dos associados, fontes de recursos, órgãos deliberativos, condições de alteração e dissolução, e forma de gestão e aprovação de contas.
· Art. 55: os associados têm iguais direitos, mas o estatuto pode criar categorias com vantagens especiais.
· Art. 56: a qualidade de associado é intransmissível, salvo disposição contrária do estatuto. Transferir quota ou fração do patrimônio não faz o adquirente virar associado, a menos que o estatuto diga o contrário.
· Art. 57: a exclusão exige justa causa, reconhecida em procedimento com direito de defesa e recurso.
· Art. 58: ninguém pode ser impedido de exercer direito ou função legitimamente conferidos, salvo nos casos e na forma da lei ou do estatuto.
· Art. 59: cabe privativamente à assembleia geral destituir administradores e alterar o estatuto, em assembleia convocada especificamente para isso, com o quórum do estatuto.
· Art. 60: a convocação segue o estatuto, mas 1/5 dos associados pode promovê-la.
· Art. 61: na dissolução, o patrimônio líquido remanescente vai para entidade de fins não econômicos indicada no estatuto ou, se este for omisso, para instituição de fins idênticos ou semelhantes. O estatuto pode prever que os associados recebam de volta suas contribuições, atualizadas. Se não houver instituição adequada, o remanescente passa à Fazenda estadual, distrital ou federal.
Fundações (arts. 62 a 69)
· Art. 62: a fundação nasce de uma dotação especial de bens livres, feita por escritura pública ou testamento, com a finalidade indicada. O parágrafo único limita os fins: assistência social, cultura e patrimônio histórico, educação, saúde, segurança alimentar, meio ambiente, pesquisa científica, ética, cidadania e direitos humanos, e atividades religiosas.
· Art. 63: se os bens forem insuficientes, serão incorporados a outra fundação de fim igual ou semelhante, salvo disposição contrária.
· Art. 64: se a fundação for criada por ato entre vivos, o instituidor deve transferir os bens. Se não o fizer, eles são registrados em nome dela por mandado judicial.
· Art. 65: quem for encarregado de aplicar o patrimônio elabora o estatuto e o submete à aprovação da autoridade competente. Se isso não ocorrer no prazo, ou em 180 dias, a tarefa passa ao Ministério Público.
· Art. 66: o Ministério Público do Estado onde a fundação está situada a fiscaliza. O §1º, que mandava o MP Federal fiscalizar as do DF, foi declarado inconstitucional pelo STF (ADI 2.794), segundo meu conhecimento.
· Art. 67: para alterar o estatuto, é preciso aprovação de 2/3 dos gestores, que a reforma não desvirtue o fim da fundação, e aprovação do MP em até 45 dias, podendo o juiz suprir a falta.
· Art. 68: se a alteração não for unânime, a minoria vencida é notificada e tem 10 dias para impugnar.
· Art. 69: se a finalidade se tornar ilícita, impossível ou inútil, ou vencer o prazo de existência, o MP ou qualquer interessado promove a extinção, e o patrimônio vai para outra fundação de fim semelhante, designada pelo juiz.
Domicílio (arts. 70 a 78)
Pessoa natural
· Art. 70: domicílio é o lugar da residência com ânimo definitivo.
· Art. 71: com várias residências alternadas, qualquer uma é domicílio.
· Art. 72: para relações profissionais, também é domicílio o lugar onde a profissão é exercida, e cada local vale para as relações a ele ligadas.
· Art. 73: sem residência habitual, o domicílio é onde a pessoa for encontrada.
· Art. 74: muda-se o domicílio transferindo a residência com intenção manifesta de mudar, provada por declaração às prefeituras ou pelas circunstâncias da mudança.
Pessoa jurídica
· Art. 75: o domicílio da União é o DF, o dos Estados e Territórios são as capitais, o do Município é onde funciona a administração municipal, e o das demais é onde funcionam diretoria e administração, ou o domicílio especial eleito no estatuto. Cada estabelecimento é domicílio para os atos nele praticados. Se a sede for no exterior, vale o estabelecimento no Brasil a que corresponder a obrigação.
Domicílio necessário e voluntário
· Art. 76: têm domicílio necessário o incapaz (o do representante ou assistente), o servidor público (onde exerce suas funções), o militar (onde serve),o marítimo (onde o navio está matriculado) e o preso (onde cumpre a pena).
· Art. 77: o agente diplomático brasileiro que alegar extraterritorialidade no exterior sem indicar domicílio no país pode ser demandado no DF ou no último local do Brasil onde teve domicílio.
· Art. 78: nos contratos escritos, as partes podem eleger domicílio contratual (foro de eleição).
Os arts. 40 a 69 foram alterados várias vezes (por exemplo, pelas Leis 11.127/2005, 13.151/2015, 13.874/2019 e 14.382/2022). Parte do detalhamento acima vem do meu conhecimento do texto, então vale conferir a redação vigente no Planalto antes de usar em peça ou prova. Não sou advogado. Quer que eu aprofunde algum bloco, como a desconsideração da personalidade (art. 50) ou as fundações?

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