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MODAIS DE TRANSPORTE 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Luciano Furtado Corrêa Francisco 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Olá, aluno(a), seja bem-vindo(a) a mais uma aula de nossa disciplina! 
Hoje, vamos nos aprofundar em algumas questões relacionadas a 
planejamento e operações nas atividades de transportes, por conseguinte nos 
modais. 
Tal como toda atividade empresarial, os transportes estão condicionados 
às questões macroeconômicas de demanda e oferta. São estes dois elementos 
que resultam no planejamento de capacidade dos sistemas de transportes, 
nosso primeiro tema. 
Na sequência, veremos a importância dos operadores logísticos (OLs) 
para os modais de transportes. Os OLs são atores de grande relevância no 
próprio planejamento e nas operações dos sistemas de transportes. Logo 
depois, vamos entender como os OLs fazem o controle logístico e operam junto 
com os modais. 
Para transportar cargas e pessoas de maneira profissional, faz-se 
necessário atender à normas e legislações. Muitas dessas regulamentações 
fazem menção aos documentos de transporte, itens obrigatórios na atividade dos 
modais. Vamos conhecer os principais e suas finalidades. 
Por fim, vamos estudar como se fazem as políticas de fretes no Brasil, 
entendendo as consequências de tais políticas para os modais e para as 
operações de transporte, com a criticidade natural de nossas aulas. 
Desejamos que tenha um ótimo estudo! 
CONTEXTUALIZANDO 
A ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos divulga 
anualmente uma pesquisa intitulada Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil. 
Na edição de 2019/2020, o estudo levantou dados de 275 OLs brasileiros, 
revelando, entre outros, uma Receita Operacional bruta de R$ 100,8 bilhões por 
ano, cerca de R$ 366 milhões de faturamento médio por OL. É um setor com 
muitos postos de trabalho, que em 2020 empregou cerca de 1,5 milhão de 
pessoas, entre vagas diretas e indiretas. 
Além de dados financeiros e de emprego, a pesquisa mostra informações 
qualitativas importantes, e uma delas é a de que os operadores logísticos cada 
vez mais tendem a se aproximar do consumidor final, ou seja, no varejo, uma 
 
 
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tendência que se observa no mundo todo. Assim, eles vêm ampliando o leque 
de serviços, saindo da tradicional armazenagem, romaneio, transbordo e 
terceirização de transportes. 
Com isso, os OLs também têm diversificado os segmentos de atuação. 
Embora ainda predominem os ramos automotivos, de alimentos/bebidas, saúde, 
eletroeletrônicos, têxtil e de varejo, há forte tendência de agregar setores como 
telecomunicações, tecnologias industriais e até serviços bancários, além de 
voltarem-se para as operações de comércio eletrônico. Isto é, além dos serviços 
tradicionais, das fábricas até os CDs, os OLs passam a fazer a entrega direta ao 
varejo. Nessa linha, surge a oferta de soluções para toda a cadeia de 
suprimentos. 
O forte investimento em tecnologia e inovação também foi destacado na 
pesquisa. Os OLs passaram a investir mais em softwares de gestão e 
armazenagem, rastreamento, roteirização e gestão, especialmente no sentido 
de integrar a cadeia logística, agilizando o fluxo de informações. Nesse aspecto, 
vem ocorrendo uma busca por customizações, aumento do portfólio de produtos, 
menores custos e mais integração com clientes, parceiros e fornecedores via 
tecnologia. 
Finalmente, a pesquisa informa que o maior custo dos OLs é a 
armazenagem, cerca de 53%. Isso pode se dever às estratégias de não oferecer 
apenas transportes, mas também serviços de armazenagem, não somente de 
produtos acabados, mas de matérias-primas, inclusive, o que permite deduzir 
que muitas empresas vêm terceirizando seus estoques de insumos com os OLs. 
Isso tem levado os OLs a terceirizar operações como o transporte, focando na 
inteligência logística. 
Em 2020, com o enorme aumento do e-commerce, os OLs se viram 
obrigados a se adaptar a um ritmo mais intenso de atendimento, o que demanda 
cada vez mais integração tecnológica com os clientes. Apesar disso, 46,5% dos 
OLs ainda não operam com o comércio eletrônico, embora cerca de 28% 
planejem o fazer. 
Veja a pesquisa completa, disponível em: 
<https://noticias.gs1br.org/estudo-mostra-perfil-dos-operadores-logisticos-no-
brasil/>. 
 
https://noticias.gs1br.org/estudo-mostra-perfil-dos-operadores-logisticos-no-brasil/
https://noticias.gs1br.org/estudo-mostra-perfil-dos-operadores-logisticos-no-brasil/
 
 
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TEMA 1 – OFERTA, CAPACIDADE E DEMANDA DE TRANSPORTE 
Tal como qualquer atividade empresarial, o transporte (por consequência 
seus modais) devem ter um planejamento para que ocorra da forma mais 
racional e eficaz possível. 
De acordo com Campos (2013, p. 1): 
O planejamento de transportes tem como objetivo definir medidas ou 
estratégias para adequar a oferta de transporte com a demanda 
existente ou futura. Estas medidas ou estratégias podem variar desde 
uma simples intervenção num único sistema de transportes, como, por 
exemplo, aumento da frequência no sistema, à implantação de novos 
sistemas de transporte. 
Assim, o investimento nessas medidas e estratégias varia, pois não se 
pode prever o montante a ser investido se não houver uma estimativa de 
demanda mais precisa. Sem isso, não se pode definir o modal mais adequado 
para atender às necessidades de transporte de uma população ou de cargas. 
É um exemplo bem evidente as medidas tomadas pelo Estado, no Brasil, 
com relação às novas ferrovias nos últimos anos em conjunto com as 
concessionárias desses trechos. O Brasil é um forte produtor agrícola, com boa 
parte dessa produção destinada à exportação. Contudo, os polos produtores 
vêm se deslocando cada vez mais para as regiões Centro-Oeste, Norte e interior 
do Nordeste, portanto longe dos portos. Assim, estudos de demanda da safra e 
de percentagem da safra a ser exportada orientam os investimentos nos modais, 
sobretudo o ferroviário. Entre a segunda metade da década de 2010 e início da 
década de 2020, vários projetos de trechos ferroviários novos e ligação destes 
com existentes foram levados adiante. Esses trechos foram definidos com base 
desses estudos de demanda. Nesse cenário, é inegável que os trens são o 
modal mais adequado. 
No âmbito das cidades, os estudos de demanda também definem a 
adoção ou evolução de modais existentes, tais como ônibus, metrôs e trens 
urbanos. A depender dos resultados desses estudos, os investimentos são 
maiores ou menores, conforme a estratégia revelada mais eficaz. Um exemplo 
clássico é a cidade de Curitiba, capital do Paraná, considerada modelo no 
transporte público de passageiros. Entre os anos 1970 e 2000, Curitiba lançou 
uma série de inovações nesse sentido, como os corredores exclusivos de 
transporte coletivo, estações-tubos e integração entre linhas de ônibus, nas 
quais o passageiro troca de linha sem precisar pagar nova tarifa. Segundo essa 
 
 
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estratégia, vale mais a pena evoluir no transporte de superfície do que na 
implantação de metrôs (embora a cidade não descarte essa opção). 
1.1 Níveis de planejamento 
De acordo com Pereira (2005, citado por Campos, 2013, p. 2), os níveis 
de planejamento de transportes são: 
• Estratégico; 
• Tático; 
• Operacional. 
Perceba que guarda similaridade com os níveis de planejamento das 
organizações. No quadro a seguir, são descritos os principais pontos de cada 
um desses níveis: 
Quadro 1 – Atividades nos níveis de planejamento de transportes 
NÍVEIS DE PLANEJAMENTO 
ESTRATÉGICO TÁTICO OPERACIONAL 
Planejamento de novas vias 
Planejamento geométrico de 
vias 
Avaliação do estado da área 
controlada (volumes, tempos 
de viagens, incidentes 
ocorridos, condições 
climáticas, velocidades) 
Modificações em longo prazo 
no sistema viário existente 
Projetos de sinalização 
Informações aos usuários 
(velocidades, tempo de 
viagem, incidentes, guia de 
áreas etc.) 
Análisede investimentos nos 
sistemas de transportes 
Projetos de controle 
eletrônico de tráfego 
Configuração de uso das 
faixas de tráfego 
Definição das áreas de 
influências dos polos 
geradores de tráfego 
Definição espacial de 
subáreas de controle de 
tráfego 
Aplicação de dispositivos de 
controle de tráfego 
Fonte: elaborado com base em Pereira, 2005, citado por Campos, 2015, p. 3. 
1.2 Características da demanda de transportes 
A demanda por transportes é chamada de demanda derivada, pois 
decorre da necessidade de deslocamentos para realizar alguma atividade. No 
transporte de passageiros, ela pode ser de dois tipos: 
• Agregada: planeja-se o transporte e os modais sem considerar os 
comportamentos individuais; estima-se a demanda com base em fatores 
como população, emprego, consumo, renda, exportações etc. 
 
 
6 
• Desagregada: o planejamento é feito com base em comportamentos 
individuais, observando-se o comportamento de indivíduos ou grupos de 
indivíduos com características similares; adequada aos modais de 
transporte urbano de passageiros. 
No transporte de cargas, as características físicas e socioeconômicas da 
região também influenciam os estudos de demanda e planejamento de modais. 
Por exemplo, regiões muito distantes dos grandes centros e carentes de 
infraestrutura de modais terrestres pedem a implantação de estruturas para os 
modais aeroviário e hidroviário, em princípio. 
Leitura complementar 
Leia o capítulo 3 do livro Planejamento de transportes – conceitos e 
modelos, de Vânia G. B. Campos (presente em nossa biblioteca virtual), e saiba 
mais sobre métodos de previsão de demanda de transportes. 
TEMA 2 – OPERADORES LOGÍSTICOS E MODAIS 
Os sistemas logísticos e os próprios modais de transportes tiveram grande 
evolução a partir do surgimento dos operadores logísticos. Foi uma evolução, 
até mesmo natural, em direção aos prestadores de serviços logísticos, os quais 
atuavam de maneira isolada – alguns faziam o transporte, outros, a 
armazenagem e assim por diante. 
Curiosidade 
Outro ator importante para os transportes são as agências de fretes, uma 
espécie de operador logístico para pequenas e microempresas. Elas fazem a 
intermediação de venda de espaços compartilhados para essas empresas, que 
geralmente têm poucos volumes para transporte; há também transportadoras de 
pequenas cargas, especializadas em transportar pequenos volumes para 
lugares que as grandes transportadoras não atendem. 
2.1 O que são operadores logísticos 
Operadores logísticos são empresas terceirizadas que proveem serviços 
logísticos. Eles oferecem diversidade de serviços logísticos, para vários clientes. 
De acordo com Razzolini Filho (2012, p. 89), “são prestadores de serviços que 
 
 
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combinam serviços físicos (armazenagem e transporte, por exemplo) com 
serviços gerenciais”. 
Portanto, os OLs são empresas terceirizadas que unificam os serviços 
logísticos que seriam executados por diversos outros atores da cadeia de 
suprimentos – pelos produtores, pelos comerciantes ou intermediários ou ainda 
por outras organizações. 
2.2 Classificação dos operadores logísticos 
Os OLs podem ser classificados em função de dois aspectos: pelos 
recursos que utilizam ou pelo espectro de atuação. Um detalhe importante é que, 
para ser considerado um OL, este deve fazer pelo menos duas das atividades 
básicas de logística: armazenagem; gestão de estoques; transporte; 
processamento de pedidos; e manuseio. 
Veja no quadro a seguir, como se classificam os OLs: 
Quadro 2 – Classificação dos operadores logísticos 
Pelos recursos 
utilizados 
Baseado em ativos 
Possuem investimentos e recursos próprios para 
a execução das atividades logísticas. 
Baseado em 
informações 
Especialistas em know-how de gestão logística, 
usando sistemas de informações com capacidade 
analítica, customizando soluções para clientes; é 
comum que terceirizem as atividades 
operacionais, como o transporte. 
Pelo espectro de 
atuação 
Amplo espectro 
Realizam a maioria das atividades logísticas ou 
todas elas. Costumam definir em conjunto com os 
clientes as operações logísticas necessárias para 
agregar valor aos produtos e serviços 
Espectro limitado 
OLs especialistas em determinadas operações 
logísticas, realizando apenas duas ou três dessas 
atividades. 
Fonte: elaborado com base em Razzolini Filho, 2012, p. 108. 
2.2 Relação entre OL e modais 
Os transportes são a função logística mais realizada pelos OLs. É a 
atividade de transferir a posse dos bens dos produtores aos clientes. Nessa 
atividade, ainda fazem o rastreamento e o acompanhamento de cargas, 
procurando garantir que os clientes recebam os bens com segurança, nos prazos 
e nas demais condições acordadas com os vendedores/produtores. 
 
 
8 
O OL pode possuir frota própria ou terceirizar esses serviços, 
especialmente quando houver necessidade de modais que não sejam o 
rodoviário. Alguns OLs de grande porte até possuem aeronaves. No caso de 
terceirização de transportadores, costumam contratar e qualificar esses 
prestadores; negociar níveis de serviços; cotar preços para os clientes; conferir 
documentações; e pagar os fretes. 
OLs baseados em informações e de atuação com amplo espectro, 
inclusive, planejam e orientam os clientes quanto aos melhores modais e 
também sobre a multimodalidade. 
Dessa forma, os produtores, intermediários e varejistas podem se 
concentrar no foco de suas atividades principais (o chamado core business), pois 
geralmente não possuem especialização em todas as atividades logísticas. 
Na sequência, vamos conhecer um pouco mais detalhadamente como os 
OLs gerenciam essas atividades, focando nos transportes. 
TEMA 3 – CONTROLES OPERACIONAIS E GESTÃO LOGÍSTICA NOS MODAIS 
Quando uma organização contrata um OL, ela pretende terceirizar toda a 
sua operação logística ou parte dela. Quase sempre essa empresa é um 
fabricante, um intermediário (atacadistas, representantes) ou varejistas, que não 
têm em seu core business as funções logísticas, quando muito somente 
armazenagem e gestão de estoques. Normalmente não são especializadas na 
função de transporte e de tudo o que lhe é associado, como o planejamento e a 
seleção de modais. 
O OL, então, vem para suprir essa carência, pois é especialista nessas 
funções, visando agregar valor aos produtos e serviços das organizações. 
Vejamos quais são os controles operacionais e de gerenciamento 
logístico proporcionado pelos modais, concentrando nas questões de 
transportes. 
3.1 Rastreamento de pedidos 
Significa acompanhar os pedidos desde a saída do fornecedor até a 
entrega ao cliente, chamado no jargão logístico de follow-up. Esse 
acompanhamento é importante no fluxo de informações logístico para saber o 
status corrente do pedido e os prazos previstos de entrega. 
 
 
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3.2 Rastreamento de veículos 
É a atividade que monitora a posição dos veículos que fazem o transporte. 
Com a tecnologia atual, esse acompanhamento pode ser feito em tempo real, 
via satélite ou rádio, embora este último esteja em desuso em função da internet 
cada vez mais avançada. 
Além de propiciar essas informações, contribui para a segurança dos 
veículos e seus operadores e coleta dados de desempenho dos veículos, 
auxiliando na manutenção destes. Normalmente se pensa em caminhões 
quando mencionamos rastreamento de veículos, mas esse recurso é usado em 
todos os modais. OLs baseados em informações costumam ter recursos 
avançados de rastreamento de veículos. 
Saiba mais 
O Vessel Finder <https://www.vesselfinder.com/> é um dos mais famosos 
sites de rastreamento de navios. Ele fornece, em tempo real, as informações e 
a localização de inúmeros navios ao redor do mundo, juntamente com dados de 
suas cargas e de portos. 
3.3 Recebimento e conferências 
É a operacionalização do recebimento das mercadorias solicitadas pelos 
clientes, juntamente com as devidas conferências.Quanto às conferências, 
podem ser dos seguintes tipos: 
• Quantitativa: para verificar se as quantidades solicitadas realmente foram 
entregues. 
• Documental: verificação se os documentos de transporte – legais e de 
apoio – estão de acordo com a carga, tais como notas fiscais, manuais, 
certificados, seguros, listas de produtos etc. 
3.4 Transportes 
Este acompanhamento visa assegurar a qualidade do transporte e o 
cumprimento do que foi acordado em termos de prazo, especialmente. Vale 
lembrar que o OL deve garantir todos esses aspectos, seja qual for o modal. 
Aqui também se enquadram as atividades de devolução de produtos, a 
logística reversa. 
 
 
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O OL pode fazer o chamado transporte primário ou secundário. Vejamos 
as diferenças. 
3.4.1 Transporte primário 
Trata-se da contratação, da execução (própria ou terceirizada) e do 
acompanhamento do transporte propriamente dito pelo OL, desde o ponto de 
origem até a entrega ao cliente. 
3.4.2 Transporte secundário 
É o transporte de produtos acabados ou semiacabados desde a indústria 
até o fornecedor, para instalações do próprio OL ou de terceiros, para 
armazenagem e distribuição posterior. 
3.5 Controle e pagamento de fretes 
Quando o OL terceiriza o transporte, ele deve fazer o controle e os 
pagamentos desse serviço junto aos subcontratados. Acontece especialmente 
quando o modal utilizado é ferroviário, aeroviário, aquaviário ou dutoviário. 
3.6 Recebimento de produto acabado 
Nesta atividade, o OL executa as seguintes atividades, na seguinte 
ordem: 
1. Desconsolidação: separação das cargas que chegam ao recebimento, 
consolidadas em um mesmo veículo, com produtos de um mesmo cliente 
ou de clientes diferentes. 
2. Conferências: realização das conferências físicas, quantitativas e 
documentais, mencionadas anteriormente. 
3. Armazenagem e/ou expedição: dependendo do tipo do destino (armazém, 
depósito ou cross-docking), o OL providencia a armazenagem dos 
produtos ou seu despacho até o próximo ponto. 
TEMA 4 – DOCUMENTOS DE TRANSPORTES 
Para quem trabalha nas atividades de transporte, é extremamente 
necessário conhecer os documentos de transportes para cada tipo de transporte 
 
 
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e de cargas. Tais documentos são necessários em praticamente todos os modais 
e são basicamente os mesmos. Hoje em dia, uma vantagem é que esses 
documentos podem estar em formato digital, o que traz mais segurança e 
agilidade, sendo inclusive aceitos legalmente. 
Ao escolher um transportador ou operador logístico, a empresa deve se 
certificar de que esse prestador de serviços deve conhecer e cumprir essas 
normas documentais. A não observância dessa documentação pode acarretar 
multas, apreensões, impossibilidade de seguros para a carga e outros problemas 
de ordem legal. Assim, vamos conhecer os principais documentos de transporte. 
4.1 CT-e – Conhecimento de Transporte Eletrônico 
Trata-se de um documento digital exigido para transporte de cargas, 
armazenado de forma eletrônica – em geral na nuvem – e que pode ser 
consultado a qualquer tempo. É uma espécie de nota fiscal, que comprova a 
prestação do serviço de transporte. Necessária em qualquer modal, é válida em 
todo o território nacional e tem a vantagem de substituir uma série de 
documentos fiscais, tais como: Conhecimento de Transporte Rodoviário de 
Cargas; Conhecimento de Transporte Aquaviário de Cargas; Conhecimento 
Aéreo; Conhecimento de Transporte Ferroviário de Cargas; Nota Fiscal de 
Serviço de Transporte Ferroviário de Cargas; Nota Fiscal de Serviço de 
Transporte (nos transportes de cargas). 
Em caso de fiscalizações durante o trajeto, o CT-e pode ser consultado 
diretamente nas Secretarias de Fazenda estaduais. Normalmente é 
acompanhado do Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte 
Eletrônico (DACTE), numa versão em papel, que não é um substituto do CT-e, 
mas auxilia a sua consulta. 
4.2 MDF-e – Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais 
Também é digital e armazenado eletronicamente. Tem por função facilitar 
o registro em lotes dos documentos fiscais, identificar a unidade de carga 
utilizada e auxiliar na identificação de diversas características das mercadorias 
transportadas. 
Outra função do MDF-e é informar os deslocamentos dos documentos da 
carga. 
 
 
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4.3 NF-e – Nota Fiscal Eletrônica 
Os dois primeiros documentos vistos são de responsabilidade do 
transportador, já a NF-e é de incumbência do remetente da carga, a empresa 
que contrata o transportador. É obrigatória para qualquer compra ou venda no 
Brasil. 
As funções da NF-e são de comprovar a relação de compra e venda e 
atestar que os impostos necessários foram recolhidos. Normalmente é 
acompanhada da DANFE (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica), que é 
impresso e facilita o acesso à NF-e, além de servir como um comprovante físico 
durante a operação de transporte, já que costuma contar com assinatura do 
destinatário. 
4.4 RCTR-C – Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de 
Cargas 
Trata-se de um seguro obrigatório contra danos causados por terceiros ao 
veículo e/ou à carga. Deve ser providenciado pelo transportador e vale em todo 
o país. O seguro cobre diversos tipos de sinistros como incêndios, tombamentos, 
colisões, capotagens, explosões etc. 
4.5 CIOT – Código Identificador de Operação de Transporte 
Uma numeração identificadora do contrato de frete, para finalidade de 
fiscalização. Serve para controlar o pagamento do frete e é obrigatório no caso 
de contratação de TACs – transportadores autônomos de cargas. 
4.6 Romaneio 
Lista de produtos que estão sendo transportados. Facilita a conferência 
de quantidades, além de descrever a carga, ajudando na localização e na 
identificação dos produtos. Também conhecida como packing list. 
TEMA 5 – POLÍTICAS DE FRETE NO BRASIL 
O transporte de passageiros e de cargas costuma ter diversas 
regulamentações em todos os países. No Brasil, não é diferente. Essas 
regulamentações visam coibir abusos, manter um certo equilíbrio na relação 
 
 
13 
comercial, evitar privilégios e determinar regras para que a atividade se 
desenvolva da forma mais salutar possível, tanto para aqueles que nela estão 
envolvidos quanto para a sociedade como um todo. 
Vejamos quais são as leis mais importantes que regem as atividades de 
transporte no Brasil. 
5.1 Código Civil 
Apenas no Código Civil de 2002, as atividades de transporte foram 
tipificadas, no entanto apenas se apresentaram as regras gerais para os 
contratos de transporte, dos arts. 730 a 756. Entre suas definições, tipifica os 
transportes de pessoas e de coisas (cargas), especificando neste último os 
vários modais. 
Também aborda os direitos e deveres dos transportadores, dos 
remetentes e destinatários (quando do transporte de cargas), bem como os 
direitos e deveres de passageiros, além de discriminar a responsabilidade civil 
por danos causados às cargas ou passageiros. 
Curiosidade 
No Brasil, o transporte marítimo de cargas é regido, principalmente, pela 
segunda parte do Código Comercial, de 1850, que ainda está em vigor. Essa lei 
aborda temas como registro e propriedade de embarcações, hipoteca naval, 
seguro marítimo, contratos de transporte, fretamento, conhecimento marítimo, 
créditos marítimos, liquidação por avaria grossa, entre outros. Há diversas 
entidades que pleiteiam a modernização desta lei. 
5.2 Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de 
Cargas 
Em maio de 2018, os transportadores autônomos de cargas, 
popularmente conhecidos no Brasil como caminhoneiros, juntamente com várias 
cooperativas de transporte, deflagraram uma greve nacional, com a finalidade 
de se reduzir o preço do óleo diesel (combustível usado pela maioria dos 
caminhões) e estabelecer uma tabela com valores mínimos de preços de frete. 
Essa greve de vários dias teve grande impacto na cadeia de suprimentos, visto 
que o modal rodoviáriopredomina no Brasil. Assim, o governo federal editou a 
 
 
14 
medida provisória n. 832/2018, que posteriormente foi convertida na Lei n. 
13.703/2018. 
Um dos pontos mais controvertidos desta lei foi a aplicação de multas em 
caso de desobediência, o que foi regulamentado na Resolução n. 5.820/2018 da 
ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres. Isso porque essa previsão 
de aplicação de multas contraria a lei n. 11.442/2007, que trata do transporte 
rodoviário de cargas por conta de terceiros e mediante remuneração, a qual 
defende, em sua essência, o princípio da livre concorrência. Também contraria 
a Constituição Federal de 1988, que consagra a livre iniciativa e possui como 
escopo objetivo fundamental a construção de uma sociedade livre. 
Tais contradições levaram o STF – Supremo Tribunal Federal, ainda em 
2018, a julgar procedentes três ações declaratórias de inconstitucionalidade 
(ADIN), que pleiteavam a abolição de tais multas. 
Leitura complementar 
Saiba mais detalhes sobre a Lei n. 13.703/2018, disponível em: 
<https://portal.antt.gov.br/politica-nacional-de-pisos-minimos-do-transporte-
rodoviario-de-cargas>. Acesso em: 19 ago. 2021. 
TROCANDO IDEIAS 
Qual é sua opinião a respeito da política de valores mínimos de fretes no 
transporte rodoviário no Brasil? Concorda que essa política é uma afronta à livre 
concorrência? Ou entende que em nosso contexto ela é necessária? 
Consulte seus colegas, leia mais a respeito, veja narrativas diferentes e 
forme a sua visão sobre o tema! 
NA PRÁTICA 
A fazenda Boa Vista está localizada no oeste do Paraná e produz soja, 
sendo seu proprietário, o Sr. Carmo Dal’Trans, um dos maiores produtores 
agrícolas da região. Quando da safra, as colheitadeiras depositam a soja 
diretamente nos caminhões, de propriedade da fazenda, que então a leva para 
um armazém, da Cooperativa da qual o Sr. Dal’Trans é sócio. De lá, a soja segue 
por trem até o porto de Paranaguá (PR), onde fica armazenada em silos 
(públicos ou particulares), esperando para ser embarcada em navio graneleiro 
para exportação. Há casos em que a carga precisa ficar armazenada nos 
 
 
15 
vagões, próximo ao porto, por falta de espaço nos silos. Toda essa operação é 
coordenada pelos funcionários da fazenda e pelo Sr. Dal’Trans. 
Percebe-se que a combinação de modais usada é R-F-H-F (rodoviário-
ferroviário-hidroviário-ferroviário). 
Dessa forma, analise a situação e responda: 
a. Como poderia o Sr. Carmo Dal’Trans economizar nos custos com essa 
operação? 
b. A utilização de modal exclusivamente rodoviário, desde a fazenda até o 
porto, poderia ser mais econômica? Justifique. 
FINALIZANDO 
Prezado(a) aluno(a), nesta aula estudamos as questões relacionadas a 
demandas e planejamento de transportes, entendendo quais são os fatores e 
aspectos principais para se planejar os transportes de cargas e passageiros. 
Na sequência, vimos a relação entre um dos atores mais importantes na 
logística – os operadores logísticos e os modais de transporte. Entendemos 
como os tipos de OL e suas atividades podem influenciar e ajudar no melhor 
nível de serviço das atividades de transporte. 
Em seguida, entendemos as atividades operacionais dos OLs em relação 
aos transportes, como se dão, seus principais fatores de gestão e sua 
diferenciação conforme o tipo do OL. Também conhecemos os principais 
documentos legais e procedimentais das atividades de transporte, suas funções 
e importância. 
Ao final, abordamos as principais leis no Brasil que focam as políticas de 
fretes e atividades de transporte no seu todo, enfatizando a Lei n. 13.703/2018, 
que trata dos valores mínimos de fretes no transporte rodoviário. 
Esperamos que tenha gostado. Até a próxima aula! 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Lei n. 10.406, 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário 
Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 11 jan. 2002. 
CAMPOS, V. G. B. Planejamento de transportes – conceitos e modelos. 
Curitiba: Interciência, 2013. 
RAZZOLINI FILHO, E. Logística empresarial no Brasil: tópicos especiais. 
Curitiba: InterSaberes, 2012.

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