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MODAIS DE TRANSPORTE AULA 5 Prof. Luciano Furtado Corrêa Francisco 2 CONVERSA INICIAL Olá, aluno(a), seja bem-vindo(a) a mais uma aula de nossa disciplina! Hoje, vamos nos aprofundar em algumas questões relacionadas a planejamento e operações nas atividades de transportes, por conseguinte nos modais. Tal como toda atividade empresarial, os transportes estão condicionados às questões macroeconômicas de demanda e oferta. São estes dois elementos que resultam no planejamento de capacidade dos sistemas de transportes, nosso primeiro tema. Na sequência, veremos a importância dos operadores logísticos (OLs) para os modais de transportes. Os OLs são atores de grande relevância no próprio planejamento e nas operações dos sistemas de transportes. Logo depois, vamos entender como os OLs fazem o controle logístico e operam junto com os modais. Para transportar cargas e pessoas de maneira profissional, faz-se necessário atender à normas e legislações. Muitas dessas regulamentações fazem menção aos documentos de transporte, itens obrigatórios na atividade dos modais. Vamos conhecer os principais e suas finalidades. Por fim, vamos estudar como se fazem as políticas de fretes no Brasil, entendendo as consequências de tais políticas para os modais e para as operações de transporte, com a criticidade natural de nossas aulas. Desejamos que tenha um ótimo estudo! CONTEXTUALIZANDO A ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos divulga anualmente uma pesquisa intitulada Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil. Na edição de 2019/2020, o estudo levantou dados de 275 OLs brasileiros, revelando, entre outros, uma Receita Operacional bruta de R$ 100,8 bilhões por ano, cerca de R$ 366 milhões de faturamento médio por OL. É um setor com muitos postos de trabalho, que em 2020 empregou cerca de 1,5 milhão de pessoas, entre vagas diretas e indiretas. Além de dados financeiros e de emprego, a pesquisa mostra informações qualitativas importantes, e uma delas é a de que os operadores logísticos cada vez mais tendem a se aproximar do consumidor final, ou seja, no varejo, uma 3 tendência que se observa no mundo todo. Assim, eles vêm ampliando o leque de serviços, saindo da tradicional armazenagem, romaneio, transbordo e terceirização de transportes. Com isso, os OLs também têm diversificado os segmentos de atuação. Embora ainda predominem os ramos automotivos, de alimentos/bebidas, saúde, eletroeletrônicos, têxtil e de varejo, há forte tendência de agregar setores como telecomunicações, tecnologias industriais e até serviços bancários, além de voltarem-se para as operações de comércio eletrônico. Isto é, além dos serviços tradicionais, das fábricas até os CDs, os OLs passam a fazer a entrega direta ao varejo. Nessa linha, surge a oferta de soluções para toda a cadeia de suprimentos. O forte investimento em tecnologia e inovação também foi destacado na pesquisa. Os OLs passaram a investir mais em softwares de gestão e armazenagem, rastreamento, roteirização e gestão, especialmente no sentido de integrar a cadeia logística, agilizando o fluxo de informações. Nesse aspecto, vem ocorrendo uma busca por customizações, aumento do portfólio de produtos, menores custos e mais integração com clientes, parceiros e fornecedores via tecnologia. Finalmente, a pesquisa informa que o maior custo dos OLs é a armazenagem, cerca de 53%. Isso pode se dever às estratégias de não oferecer apenas transportes, mas também serviços de armazenagem, não somente de produtos acabados, mas de matérias-primas, inclusive, o que permite deduzir que muitas empresas vêm terceirizando seus estoques de insumos com os OLs. Isso tem levado os OLs a terceirizar operações como o transporte, focando na inteligência logística. Em 2020, com o enorme aumento do e-commerce, os OLs se viram obrigados a se adaptar a um ritmo mais intenso de atendimento, o que demanda cada vez mais integração tecnológica com os clientes. Apesar disso, 46,5% dos OLs ainda não operam com o comércio eletrônico, embora cerca de 28% planejem o fazer. Veja a pesquisa completa, disponível em: <https://noticias.gs1br.org/estudo-mostra-perfil-dos-operadores-logisticos-no- brasil/>. https://noticias.gs1br.org/estudo-mostra-perfil-dos-operadores-logisticos-no-brasil/ https://noticias.gs1br.org/estudo-mostra-perfil-dos-operadores-logisticos-no-brasil/ 4 TEMA 1 – OFERTA, CAPACIDADE E DEMANDA DE TRANSPORTE Tal como qualquer atividade empresarial, o transporte (por consequência seus modais) devem ter um planejamento para que ocorra da forma mais racional e eficaz possível. De acordo com Campos (2013, p. 1): O planejamento de transportes tem como objetivo definir medidas ou estratégias para adequar a oferta de transporte com a demanda existente ou futura. Estas medidas ou estratégias podem variar desde uma simples intervenção num único sistema de transportes, como, por exemplo, aumento da frequência no sistema, à implantação de novos sistemas de transporte. Assim, o investimento nessas medidas e estratégias varia, pois não se pode prever o montante a ser investido se não houver uma estimativa de demanda mais precisa. Sem isso, não se pode definir o modal mais adequado para atender às necessidades de transporte de uma população ou de cargas. É um exemplo bem evidente as medidas tomadas pelo Estado, no Brasil, com relação às novas ferrovias nos últimos anos em conjunto com as concessionárias desses trechos. O Brasil é um forte produtor agrícola, com boa parte dessa produção destinada à exportação. Contudo, os polos produtores vêm se deslocando cada vez mais para as regiões Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste, portanto longe dos portos. Assim, estudos de demanda da safra e de percentagem da safra a ser exportada orientam os investimentos nos modais, sobretudo o ferroviário. Entre a segunda metade da década de 2010 e início da década de 2020, vários projetos de trechos ferroviários novos e ligação destes com existentes foram levados adiante. Esses trechos foram definidos com base desses estudos de demanda. Nesse cenário, é inegável que os trens são o modal mais adequado. No âmbito das cidades, os estudos de demanda também definem a adoção ou evolução de modais existentes, tais como ônibus, metrôs e trens urbanos. A depender dos resultados desses estudos, os investimentos são maiores ou menores, conforme a estratégia revelada mais eficaz. Um exemplo clássico é a cidade de Curitiba, capital do Paraná, considerada modelo no transporte público de passageiros. Entre os anos 1970 e 2000, Curitiba lançou uma série de inovações nesse sentido, como os corredores exclusivos de transporte coletivo, estações-tubos e integração entre linhas de ônibus, nas quais o passageiro troca de linha sem precisar pagar nova tarifa. Segundo essa 5 estratégia, vale mais a pena evoluir no transporte de superfície do que na implantação de metrôs (embora a cidade não descarte essa opção). 1.1 Níveis de planejamento De acordo com Pereira (2005, citado por Campos, 2013, p. 2), os níveis de planejamento de transportes são: • Estratégico; • Tático; • Operacional. Perceba que guarda similaridade com os níveis de planejamento das organizações. No quadro a seguir, são descritos os principais pontos de cada um desses níveis: Quadro 1 – Atividades nos níveis de planejamento de transportes NÍVEIS DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO TÁTICO OPERACIONAL Planejamento de novas vias Planejamento geométrico de vias Avaliação do estado da área controlada (volumes, tempos de viagens, incidentes ocorridos, condições climáticas, velocidades) Modificações em longo prazo no sistema viário existente Projetos de sinalização Informações aos usuários (velocidades, tempo de viagem, incidentes, guia de áreas etc.) Análisede investimentos nos sistemas de transportes Projetos de controle eletrônico de tráfego Configuração de uso das faixas de tráfego Definição das áreas de influências dos polos geradores de tráfego Definição espacial de subáreas de controle de tráfego Aplicação de dispositivos de controle de tráfego Fonte: elaborado com base em Pereira, 2005, citado por Campos, 2015, p. 3. 1.2 Características da demanda de transportes A demanda por transportes é chamada de demanda derivada, pois decorre da necessidade de deslocamentos para realizar alguma atividade. No transporte de passageiros, ela pode ser de dois tipos: • Agregada: planeja-se o transporte e os modais sem considerar os comportamentos individuais; estima-se a demanda com base em fatores como população, emprego, consumo, renda, exportações etc. 6 • Desagregada: o planejamento é feito com base em comportamentos individuais, observando-se o comportamento de indivíduos ou grupos de indivíduos com características similares; adequada aos modais de transporte urbano de passageiros. No transporte de cargas, as características físicas e socioeconômicas da região também influenciam os estudos de demanda e planejamento de modais. Por exemplo, regiões muito distantes dos grandes centros e carentes de infraestrutura de modais terrestres pedem a implantação de estruturas para os modais aeroviário e hidroviário, em princípio. Leitura complementar Leia o capítulo 3 do livro Planejamento de transportes – conceitos e modelos, de Vânia G. B. Campos (presente em nossa biblioteca virtual), e saiba mais sobre métodos de previsão de demanda de transportes. TEMA 2 – OPERADORES LOGÍSTICOS E MODAIS Os sistemas logísticos e os próprios modais de transportes tiveram grande evolução a partir do surgimento dos operadores logísticos. Foi uma evolução, até mesmo natural, em direção aos prestadores de serviços logísticos, os quais atuavam de maneira isolada – alguns faziam o transporte, outros, a armazenagem e assim por diante. Curiosidade Outro ator importante para os transportes são as agências de fretes, uma espécie de operador logístico para pequenas e microempresas. Elas fazem a intermediação de venda de espaços compartilhados para essas empresas, que geralmente têm poucos volumes para transporte; há também transportadoras de pequenas cargas, especializadas em transportar pequenos volumes para lugares que as grandes transportadoras não atendem. 2.1 O que são operadores logísticos Operadores logísticos são empresas terceirizadas que proveem serviços logísticos. Eles oferecem diversidade de serviços logísticos, para vários clientes. De acordo com Razzolini Filho (2012, p. 89), “são prestadores de serviços que 7 combinam serviços físicos (armazenagem e transporte, por exemplo) com serviços gerenciais”. Portanto, os OLs são empresas terceirizadas que unificam os serviços logísticos que seriam executados por diversos outros atores da cadeia de suprimentos – pelos produtores, pelos comerciantes ou intermediários ou ainda por outras organizações. 2.2 Classificação dos operadores logísticos Os OLs podem ser classificados em função de dois aspectos: pelos recursos que utilizam ou pelo espectro de atuação. Um detalhe importante é que, para ser considerado um OL, este deve fazer pelo menos duas das atividades básicas de logística: armazenagem; gestão de estoques; transporte; processamento de pedidos; e manuseio. Veja no quadro a seguir, como se classificam os OLs: Quadro 2 – Classificação dos operadores logísticos Pelos recursos utilizados Baseado em ativos Possuem investimentos e recursos próprios para a execução das atividades logísticas. Baseado em informações Especialistas em know-how de gestão logística, usando sistemas de informações com capacidade analítica, customizando soluções para clientes; é comum que terceirizem as atividades operacionais, como o transporte. Pelo espectro de atuação Amplo espectro Realizam a maioria das atividades logísticas ou todas elas. Costumam definir em conjunto com os clientes as operações logísticas necessárias para agregar valor aos produtos e serviços Espectro limitado OLs especialistas em determinadas operações logísticas, realizando apenas duas ou três dessas atividades. Fonte: elaborado com base em Razzolini Filho, 2012, p. 108. 2.2 Relação entre OL e modais Os transportes são a função logística mais realizada pelos OLs. É a atividade de transferir a posse dos bens dos produtores aos clientes. Nessa atividade, ainda fazem o rastreamento e o acompanhamento de cargas, procurando garantir que os clientes recebam os bens com segurança, nos prazos e nas demais condições acordadas com os vendedores/produtores. 8 O OL pode possuir frota própria ou terceirizar esses serviços, especialmente quando houver necessidade de modais que não sejam o rodoviário. Alguns OLs de grande porte até possuem aeronaves. No caso de terceirização de transportadores, costumam contratar e qualificar esses prestadores; negociar níveis de serviços; cotar preços para os clientes; conferir documentações; e pagar os fretes. OLs baseados em informações e de atuação com amplo espectro, inclusive, planejam e orientam os clientes quanto aos melhores modais e também sobre a multimodalidade. Dessa forma, os produtores, intermediários e varejistas podem se concentrar no foco de suas atividades principais (o chamado core business), pois geralmente não possuem especialização em todas as atividades logísticas. Na sequência, vamos conhecer um pouco mais detalhadamente como os OLs gerenciam essas atividades, focando nos transportes. TEMA 3 – CONTROLES OPERACIONAIS E GESTÃO LOGÍSTICA NOS MODAIS Quando uma organização contrata um OL, ela pretende terceirizar toda a sua operação logística ou parte dela. Quase sempre essa empresa é um fabricante, um intermediário (atacadistas, representantes) ou varejistas, que não têm em seu core business as funções logísticas, quando muito somente armazenagem e gestão de estoques. Normalmente não são especializadas na função de transporte e de tudo o que lhe é associado, como o planejamento e a seleção de modais. O OL, então, vem para suprir essa carência, pois é especialista nessas funções, visando agregar valor aos produtos e serviços das organizações. Vejamos quais são os controles operacionais e de gerenciamento logístico proporcionado pelos modais, concentrando nas questões de transportes. 3.1 Rastreamento de pedidos Significa acompanhar os pedidos desde a saída do fornecedor até a entrega ao cliente, chamado no jargão logístico de follow-up. Esse acompanhamento é importante no fluxo de informações logístico para saber o status corrente do pedido e os prazos previstos de entrega. 9 3.2 Rastreamento de veículos É a atividade que monitora a posição dos veículos que fazem o transporte. Com a tecnologia atual, esse acompanhamento pode ser feito em tempo real, via satélite ou rádio, embora este último esteja em desuso em função da internet cada vez mais avançada. Além de propiciar essas informações, contribui para a segurança dos veículos e seus operadores e coleta dados de desempenho dos veículos, auxiliando na manutenção destes. Normalmente se pensa em caminhões quando mencionamos rastreamento de veículos, mas esse recurso é usado em todos os modais. OLs baseados em informações costumam ter recursos avançados de rastreamento de veículos. Saiba mais O Vessel Finder <https://www.vesselfinder.com/> é um dos mais famosos sites de rastreamento de navios. Ele fornece, em tempo real, as informações e a localização de inúmeros navios ao redor do mundo, juntamente com dados de suas cargas e de portos. 3.3 Recebimento e conferências É a operacionalização do recebimento das mercadorias solicitadas pelos clientes, juntamente com as devidas conferências.Quanto às conferências, podem ser dos seguintes tipos: • Quantitativa: para verificar se as quantidades solicitadas realmente foram entregues. • Documental: verificação se os documentos de transporte – legais e de apoio – estão de acordo com a carga, tais como notas fiscais, manuais, certificados, seguros, listas de produtos etc. 3.4 Transportes Este acompanhamento visa assegurar a qualidade do transporte e o cumprimento do que foi acordado em termos de prazo, especialmente. Vale lembrar que o OL deve garantir todos esses aspectos, seja qual for o modal. Aqui também se enquadram as atividades de devolução de produtos, a logística reversa. 10 O OL pode fazer o chamado transporte primário ou secundário. Vejamos as diferenças. 3.4.1 Transporte primário Trata-se da contratação, da execução (própria ou terceirizada) e do acompanhamento do transporte propriamente dito pelo OL, desde o ponto de origem até a entrega ao cliente. 3.4.2 Transporte secundário É o transporte de produtos acabados ou semiacabados desde a indústria até o fornecedor, para instalações do próprio OL ou de terceiros, para armazenagem e distribuição posterior. 3.5 Controle e pagamento de fretes Quando o OL terceiriza o transporte, ele deve fazer o controle e os pagamentos desse serviço junto aos subcontratados. Acontece especialmente quando o modal utilizado é ferroviário, aeroviário, aquaviário ou dutoviário. 3.6 Recebimento de produto acabado Nesta atividade, o OL executa as seguintes atividades, na seguinte ordem: 1. Desconsolidação: separação das cargas que chegam ao recebimento, consolidadas em um mesmo veículo, com produtos de um mesmo cliente ou de clientes diferentes. 2. Conferências: realização das conferências físicas, quantitativas e documentais, mencionadas anteriormente. 3. Armazenagem e/ou expedição: dependendo do tipo do destino (armazém, depósito ou cross-docking), o OL providencia a armazenagem dos produtos ou seu despacho até o próximo ponto. TEMA 4 – DOCUMENTOS DE TRANSPORTES Para quem trabalha nas atividades de transporte, é extremamente necessário conhecer os documentos de transportes para cada tipo de transporte 11 e de cargas. Tais documentos são necessários em praticamente todos os modais e são basicamente os mesmos. Hoje em dia, uma vantagem é que esses documentos podem estar em formato digital, o que traz mais segurança e agilidade, sendo inclusive aceitos legalmente. Ao escolher um transportador ou operador logístico, a empresa deve se certificar de que esse prestador de serviços deve conhecer e cumprir essas normas documentais. A não observância dessa documentação pode acarretar multas, apreensões, impossibilidade de seguros para a carga e outros problemas de ordem legal. Assim, vamos conhecer os principais documentos de transporte. 4.1 CT-e – Conhecimento de Transporte Eletrônico Trata-se de um documento digital exigido para transporte de cargas, armazenado de forma eletrônica – em geral na nuvem – e que pode ser consultado a qualquer tempo. É uma espécie de nota fiscal, que comprova a prestação do serviço de transporte. Necessária em qualquer modal, é válida em todo o território nacional e tem a vantagem de substituir uma série de documentos fiscais, tais como: Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas; Conhecimento de Transporte Aquaviário de Cargas; Conhecimento Aéreo; Conhecimento de Transporte Ferroviário de Cargas; Nota Fiscal de Serviço de Transporte Ferroviário de Cargas; Nota Fiscal de Serviço de Transporte (nos transportes de cargas). Em caso de fiscalizações durante o trajeto, o CT-e pode ser consultado diretamente nas Secretarias de Fazenda estaduais. Normalmente é acompanhado do Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte Eletrônico (DACTE), numa versão em papel, que não é um substituto do CT-e, mas auxilia a sua consulta. 4.2 MDF-e – Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais Também é digital e armazenado eletronicamente. Tem por função facilitar o registro em lotes dos documentos fiscais, identificar a unidade de carga utilizada e auxiliar na identificação de diversas características das mercadorias transportadas. Outra função do MDF-e é informar os deslocamentos dos documentos da carga. 12 4.3 NF-e – Nota Fiscal Eletrônica Os dois primeiros documentos vistos são de responsabilidade do transportador, já a NF-e é de incumbência do remetente da carga, a empresa que contrata o transportador. É obrigatória para qualquer compra ou venda no Brasil. As funções da NF-e são de comprovar a relação de compra e venda e atestar que os impostos necessários foram recolhidos. Normalmente é acompanhada da DANFE (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica), que é impresso e facilita o acesso à NF-e, além de servir como um comprovante físico durante a operação de transporte, já que costuma contar com assinatura do destinatário. 4.4 RCTR-C – Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Cargas Trata-se de um seguro obrigatório contra danos causados por terceiros ao veículo e/ou à carga. Deve ser providenciado pelo transportador e vale em todo o país. O seguro cobre diversos tipos de sinistros como incêndios, tombamentos, colisões, capotagens, explosões etc. 4.5 CIOT – Código Identificador de Operação de Transporte Uma numeração identificadora do contrato de frete, para finalidade de fiscalização. Serve para controlar o pagamento do frete e é obrigatório no caso de contratação de TACs – transportadores autônomos de cargas. 4.6 Romaneio Lista de produtos que estão sendo transportados. Facilita a conferência de quantidades, além de descrever a carga, ajudando na localização e na identificação dos produtos. Também conhecida como packing list. TEMA 5 – POLÍTICAS DE FRETE NO BRASIL O transporte de passageiros e de cargas costuma ter diversas regulamentações em todos os países. No Brasil, não é diferente. Essas regulamentações visam coibir abusos, manter um certo equilíbrio na relação 13 comercial, evitar privilégios e determinar regras para que a atividade se desenvolva da forma mais salutar possível, tanto para aqueles que nela estão envolvidos quanto para a sociedade como um todo. Vejamos quais são as leis mais importantes que regem as atividades de transporte no Brasil. 5.1 Código Civil Apenas no Código Civil de 2002, as atividades de transporte foram tipificadas, no entanto apenas se apresentaram as regras gerais para os contratos de transporte, dos arts. 730 a 756. Entre suas definições, tipifica os transportes de pessoas e de coisas (cargas), especificando neste último os vários modais. Também aborda os direitos e deveres dos transportadores, dos remetentes e destinatários (quando do transporte de cargas), bem como os direitos e deveres de passageiros, além de discriminar a responsabilidade civil por danos causados às cargas ou passageiros. Curiosidade No Brasil, o transporte marítimo de cargas é regido, principalmente, pela segunda parte do Código Comercial, de 1850, que ainda está em vigor. Essa lei aborda temas como registro e propriedade de embarcações, hipoteca naval, seguro marítimo, contratos de transporte, fretamento, conhecimento marítimo, créditos marítimos, liquidação por avaria grossa, entre outros. Há diversas entidades que pleiteiam a modernização desta lei. 5.2 Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas Em maio de 2018, os transportadores autônomos de cargas, popularmente conhecidos no Brasil como caminhoneiros, juntamente com várias cooperativas de transporte, deflagraram uma greve nacional, com a finalidade de se reduzir o preço do óleo diesel (combustível usado pela maioria dos caminhões) e estabelecer uma tabela com valores mínimos de preços de frete. Essa greve de vários dias teve grande impacto na cadeia de suprimentos, visto que o modal rodoviáriopredomina no Brasil. Assim, o governo federal editou a 14 medida provisória n. 832/2018, que posteriormente foi convertida na Lei n. 13.703/2018. Um dos pontos mais controvertidos desta lei foi a aplicação de multas em caso de desobediência, o que foi regulamentado na Resolução n. 5.820/2018 da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres. Isso porque essa previsão de aplicação de multas contraria a lei n. 11.442/2007, que trata do transporte rodoviário de cargas por conta de terceiros e mediante remuneração, a qual defende, em sua essência, o princípio da livre concorrência. Também contraria a Constituição Federal de 1988, que consagra a livre iniciativa e possui como escopo objetivo fundamental a construção de uma sociedade livre. Tais contradições levaram o STF – Supremo Tribunal Federal, ainda em 2018, a julgar procedentes três ações declaratórias de inconstitucionalidade (ADIN), que pleiteavam a abolição de tais multas. Leitura complementar Saiba mais detalhes sobre a Lei n. 13.703/2018, disponível em: <https://portal.antt.gov.br/politica-nacional-de-pisos-minimos-do-transporte- rodoviario-de-cargas>. Acesso em: 19 ago. 2021. TROCANDO IDEIAS Qual é sua opinião a respeito da política de valores mínimos de fretes no transporte rodoviário no Brasil? Concorda que essa política é uma afronta à livre concorrência? Ou entende que em nosso contexto ela é necessária? Consulte seus colegas, leia mais a respeito, veja narrativas diferentes e forme a sua visão sobre o tema! NA PRÁTICA A fazenda Boa Vista está localizada no oeste do Paraná e produz soja, sendo seu proprietário, o Sr. Carmo Dal’Trans, um dos maiores produtores agrícolas da região. Quando da safra, as colheitadeiras depositam a soja diretamente nos caminhões, de propriedade da fazenda, que então a leva para um armazém, da Cooperativa da qual o Sr. Dal’Trans é sócio. De lá, a soja segue por trem até o porto de Paranaguá (PR), onde fica armazenada em silos (públicos ou particulares), esperando para ser embarcada em navio graneleiro para exportação. Há casos em que a carga precisa ficar armazenada nos 15 vagões, próximo ao porto, por falta de espaço nos silos. Toda essa operação é coordenada pelos funcionários da fazenda e pelo Sr. Dal’Trans. Percebe-se que a combinação de modais usada é R-F-H-F (rodoviário- ferroviário-hidroviário-ferroviário). Dessa forma, analise a situação e responda: a. Como poderia o Sr. Carmo Dal’Trans economizar nos custos com essa operação? b. A utilização de modal exclusivamente rodoviário, desde a fazenda até o porto, poderia ser mais econômica? Justifique. FINALIZANDO Prezado(a) aluno(a), nesta aula estudamos as questões relacionadas a demandas e planejamento de transportes, entendendo quais são os fatores e aspectos principais para se planejar os transportes de cargas e passageiros. Na sequência, vimos a relação entre um dos atores mais importantes na logística – os operadores logísticos e os modais de transporte. Entendemos como os tipos de OL e suas atividades podem influenciar e ajudar no melhor nível de serviço das atividades de transporte. Em seguida, entendemos as atividades operacionais dos OLs em relação aos transportes, como se dão, seus principais fatores de gestão e sua diferenciação conforme o tipo do OL. Também conhecemos os principais documentos legais e procedimentais das atividades de transporte, suas funções e importância. Ao final, abordamos as principais leis no Brasil que focam as políticas de fretes e atividades de transporte no seu todo, enfatizando a Lei n. 13.703/2018, que trata dos valores mínimos de fretes no transporte rodoviário. Esperamos que tenha gostado. Até a próxima aula! 16 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 10.406, 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 11 jan. 2002. CAMPOS, V. G. B. Planejamento de transportes – conceitos e modelos. Curitiba: Interciência, 2013. RAZZOLINI FILHO, E. Logística empresarial no Brasil: tópicos especiais. Curitiba: InterSaberes, 2012.