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AULA 4 PLATAFORMA LOGÍSTICA E MULTIMODALIDADE Prof. Cesar Alberto Sinnecker 2 INTRODUÇÃO Nesta aula, são apresentados temas com o objetivo de buscar explicações para a logística pós-pandemia, dar uma visão sistêmica dos modais de transporte e buscar uma solução para melhorar a gestão relativamente a qualidade na prestação de serviços do transporte nacional e internacional. A aula se divide nos seguintes temas: • a logística na era pós pandemia; • responsabilidade civil na logística; • visão sistêmica; • interfaces organizacionais; e • a qualidade na prestação de serviços TEMA 1 – A LOGÍSTICA NA ERA PÓS-PANDEMIA De tempos em tempos, a sociedade é atingida por surtos epidêmicos e pandêmicos, como a dengue, a gripe suína e a gripe aviária. Recentemente, mais precisamente entre os anos de 2019, 2020 e 2021, o mundo foi atingido pelo vírus COVID-19, que gerou impacto severo nos hábitos e na economia global. Os governos, que nunca tinham passado por uma situação pandêmica em escala global, anunciada pela Organização Mundial da Saúde, em março de 2020, estabeleceram uma série de restrições temporárias em suas relações internas e externas. 1.1 Restrições impostas pelos governantes 1. Restrições de contato e regras de distância. 2. Fechamento temporário de empresas de comércio e serviços. 3. Restrições de viagens nacionais e internacionais, viagens não essenciais e fechamento temporário de fronteiras. 4. Obrigação de usar uma proteção para a boca e o nariz ao transitar em público. Essas medidas geraram uma série de consequências na economia global e, consequentemente, no transporte de mercadorias, passageiros, informações e principalmente na cadeia de suprimentos. Portanto, compreender o impacto do 3 COVID-19 no volume de transporte e na dinâmica da capacidade de carga é de importância central. 1.2 Medidas adotadas pelos países Os países, principalmente aqueles que priorizam o modal rodoviário, adotaram medidas para garantir a continuidade do comércio e possibilitar que as mercadorias chegassem ao seu destino, minimizando os impactos em todas as cadeias produtivas. A União Europeia, por exemplo, recomendou aos seus Estados-Membros a utilização de aeronaves de passageiros para operações exclusivamente de carga e excluíssem temporariamente, ou aplicassem de forma flexível, toques de recolher noturnos ou restrições de faixas horárias nos aeroportos para operações essenciais de carga aérea. A China, por exemplo, acelerou a liberação de carga para 45 minutos ao implementar contadores especiais e vias verdes para fornecer liberação 24 horas por dia, 7 dias por semana em portos críticos em todo o país, prestou serviço de coleta na chegada para medicamentos e dispositivos médicos importados e assumiu – inspeções de bordo ou inspeção porta a porta, entre outras. O pessoal de Transporte e Logística (T&L) gerenciou o desequilíbrio de oferta e demanda de itens essenciais, como alimentos e suprimentos médicos, reposicionando sua rede de suprimentos ou recursos. O volume de transações online aumentou em 25%-30% e está constantemente aumentando enquanto o COVID-19 ainda se espalha e espera-se que aumente ainda mais até 50%. Isso ajudou os trabalhadores desempregados a mudar de emprego para lidar com o aumento do volume. As interrupções em fábricas e armazéns devido a bloqueios criaram um excedente de oferta na capacidade de transporte e armazenamento. O mercado global de agenciamento de carga contraiu 7,5% em 2020, em comparação a 2019. A contração do volume de frete marítimo mudou as linhas de navegação, escalas em portos, pedidos atrasados, isenção de sobrestadia e taxas de detenção nos portos etc. Devido às restrições de viagens, a carga aérea enfrentou desafios de capacidade resultando em aumento das taxas. Os esforços para reduzir a disseminação de vírus e a mudança do comportamento do cliente criou um aumento nos pedidos online, resultando em escassez de mão de obra e mudança 4 no modelo de atendimento. Hoje há um desequilíbrio na oferta e demanda no mercado de trabalho como resultado. Para minimizar interrupções no comércio global, as indústrias aumentaram ofertas de produtos, operações e processos em toda a cadeia de produção. Os trabalhadores de transporte e logística terão que reposicionar suas redes de cadeia de suprimentos, ofertas de serviços e operações logísticas em quatro dimensões para lidar com essas mudanças a médio e longo prazo. Figura 1 – Pandemia: aviões enfileirados no pátio em Hong Kong (16 mar. 2020) Crédito: Matt Leung/Shutterstock. As quatro áreas de foco são as que se seguem. 1. Gerenciar a demanda de suprimento usando cadeias de suprimento cognitivas – para mitigar os riscos, os participantes do transporte precisam reposicionar sua rede de cadeia de suprimento, identificando os principais fornecedores, fornecedores alternativos, vias de transporte, distâncias e prazos de entrega para visibilidade. A visibilidade da cadeia de suprimentos e os riscos em toda a rede, dado o cenário de pandemia, requerem uma confluência de previsões de curto prazo com inteligência artificial para criar modelos de previsões para lidar com crises futuras. 2. Reestruturar as operações para “novas formas normais” de trabalho – o novo normal exigirá que as operações sejam ajustadas nos centros de distribuição para minimizar o contato físico, lidar com a escassez de mão de obra e melhorar a eficiência para disponibilizar os produtos no lugar certo na hora certa. A implementação do conceito de robótica, automação e inteligência artificial ajudará em operações quase sem toque para lidar 5 com estoque e pacotes. Os despachantes precisarão concentrar esforços para alavancar as plataformas digitais e encontrar rotas e transportadoras alternativas para entregas em tempo hábil e, ao mesmo tempo, reduzir os custos de envio. Ter conhecimento digital os ajudará ao combate a COVID- 19. 3. Criar novas ofertas para lidar com as demandas – à medida que o comportamento do consumidor muda após o COVID-19 e em meio à incerteza, os principais participantes do setor mudarão os serviços e as ofertas. Isso exigirá que os agentes de transporte apoiem seus clientes com novas ofertas e modelos de entrega. As novas ofertas terão que maximizar recursos, reduzir custos ao melhorar a utilização de ativos e melhorar a eficiência por meio da otimização da rota. As entregas terão que evitar contato com o cliente em domicílio, dando a opção de pedir online e retirar o pacote na calçada ou drone ou entrega com base em veículo guiado automatizado. O foco pós pandemia deve estar na capacidade, custo e eficiência. 4. Garantir a segurança da comunidade – as empresas aumentarão a segurança. Considerando a segurança dos funcionários, haverá um redesenho de processos para o controle eficaz da propagação de doenças. Distanciamento social, triagem de temperatura e inspeção digital serão novas verificações preventivas em centros de distribuição. Os motoristas terão autonomia digital para tomar medidas de segurança ao entrar em uma área impactada. Em tempos sem precedentes, o objetivo estratégico do setor de Transporte e Logística deve ajudar seus clientes a minimizar o impacto das interrupções no serviço. Fornecer ofertas diferenciadas, desenvolver habilidades digitais e parcerias de mercado, pode ajudar a atingir esse objetivo estratégico. Ainda em 2021, o COVID-19 está se espalhando pelo mundo e é provável que continue por algum tempo. Governos, empresas e instituições terão que não apenas enfrentar a crise existente, mas se preparar para futuras interrupções na cadeia de suprimentos com eventos semelhantes – pandemias, impactos das mudanças climáticas etc. 6 TEMA 2 – RESPONSABILIDADE CIVIL NA LOGÍSTICA A logística está sempre em pauta no judiciáriobrasileiro, pois todas as etapas do processo de produção de bens, fabricação, contrato de transporte, cálculo de impostos, definição da quantidade de carga a ser transportada possuem leis específicas a serem aplicadas, e não raramente os agentes em conflito buscam uma resposta do Judiciário. Nesse contexto, a atuação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é determinante porque é a última instância de julgamento para o setor. De acordo com o Plano Nacional de Logística (PNL 2025), os custos com a logística dos transportes terrestres alcançam 11,7% do faturamento das empresas, sendo um setor vital para a economia e pauta corriqueira no Judiciário. Figura 2 – Transporte em números TRANSPORTE EM NÚMEROS 65% da movimentação de cargas é feita em caminhões. 76.400 km de rodovias federais 195 mil empresas atuam no setor de transportes O transporte rodoviário movimenta 1,5 bilhão de TKU por ano (TKU: toneladas por Km útil) 11.7% das receitas das empresas brasileiras são gastas com logísticas 2.5 milhões de empregos com carteira assinada https://www.epl.gov.br/plano-nacional-de-logistica-pnl 7 Fonte: EPL [S.d.]. 2.1 Comportamento do Judiciário 2.1.1 Modal rodoviário Importante demonstrar como o judiciário brasileiro se comporta com o transporte de cargas e para isso extraímos algumas decisões do STJ que estabeleceram importantes precedentes: • Excesso de peso Apesar de ser o modal mais utilizado no Brasil, o empresário enfrente problemas com infraestrutura como a deterioração do asfalto causada, muitas vezes, pelo excesso de peso dos próprios caminhões. Em 2017, ao analisar um caso (o recurso especial 1.574.350, o STJ decidiu que a previsão de multa no art. 231 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não impede as transportadoras de serem condenadas a pagar indenização por danos materiais e morais coletivos decorrentes de abuso nos limites de carga. Para a empresa, a lucratividade com o excesso de peso compensa eventual pagamento da multa administrativa prevista no CTB – infração média cuja punição é de R$ 130,16, mais a adição de até R$ 53,20 se o excesso de carga for superior a cinco toneladas. Isso comprova a absoluta incapacidade da sanção para reprimir e desencorajar a conduta legalmente proibida e a multa administrativa acaba encorajando as empresas a infringirem a lei. • Desgaste da via Em 2015, a Lei 13.103 previu a isenção da tarifa de pedágio para o eixo suspenso no caso de caminhão vazio (aplicável às rodovias federais). Em 2018, uma das providências do governo para responder à greve dos caminhoneiros ocorrida em maio foi a edição de uma medida provisória que permitiu a isenção do pedágio também nas rodovias estaduais. A MP foi convertida na Lei 13.711/2018. • Roubo de carga Quando a carga nem chega ao destino, surge, muitas vezes, a discussão judicial sobre quem fica responsável pelos prejuízos. Desde 1994, o STJ tem o entendimento de que o roubo de carga constitui motivo de força maior capaz de https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ITA&sequencial=1613734&num_registro=201503154584&data=20190306&formato=PDF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13103.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/Lei/L13711.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/Lei/L13711.htm 8 afastar a responsabilidade da transportadora, a menos que seja demonstrado que ela não adotou as cautelas que razoavelmente se poderiam esperar. Em 2018, ao analisar o Recurso Especial 1.676.764, a transportadora foi condenada a indenizar em R$ 170 mil a cliente cuja carga foi roubada em São Paulo. Para o STJ, o alto valor da carga impunha à empresa a obrigação de adotar outras cautelas além de realizar o transporte por uma rota em horário movimentado. 2.1.2 Modal aeroviário No transporte aéreo internacional, o Supremo Tribunal Federal entende que prevalece as convenções internacionais (Convenção de Montreal e Convenção de Varsóvia), e o contrato de transporte aéreo internacional não se encerra com a descarga da mercadoria no aeroporto de destino, estando incluído na definição do transporte todo o período em que a carga fica sob custódia do transportador. Transporte de carga nacional obedece ao Código de Defesa do Consumidor. Nas hipóteses de atraso e cancelamento de voo, bem como extravio de bagagem, a jurisprudência tem concedido a reparação, por considerar o evento além do mero percalço próprio das relações negociais. O valor da reparação varia de 1 a 30 salários mínimos, conforme as circunstâncias do caso. 2.1.3 Modal marítimo, ferroviário e dutoviário O transportador pode recusar a carga segundo o art. 746 do Código Civil Brasileiro, caso verifique que a embalagem seja inadequada, está avariada ou que possa pôr em risco a saúde das pessoas, ou danificar o veículo e outros bens. Trata-se a obrigação do transportador de obrigação de resultado, portanto, a responsabilidade deste por perdas e avarias na mercadoria embarcada é objetiva perante o embarcador (Venosa, 2003). Sendo objetivo, o transportador responde independentemente de culpa, pois a culpa é presumida. A culpa só exclui a responsabilidade sobre danos, avarias ou desvios de carga, se comprovado fato exclusivo de terceiro, ou a ocorrência de caso fortuito ou força maior. 2.2 Caso fortuito e força maior e cláusula de não indenizar Caso fortuito ocorre quando o evento é imprevisível por fato que não decorre do transportador. Força maior é um evento da natureza imprevisível que https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=ITA&sequencial=1698687&num_registro=201400689642&data=20181105&formato=PDF 9 gera um dano por ser irresistível, gerando um acontecimento grave como maremoto, terremoto, vulcanismo. E de nada adianta possuir no contrato de transporte cláusula de não indenizar, pois considerada nula pelo Código Civil e Sumula 161 do STF. TEMA 3 – VISÃO SISTÊMICA Com sistemas de transporte bem desenvolvidos, a logística poder trazer vantagens em toda a cadeia de suprimentos. Um bom sistema de transporte nas atividades de logística pode fornecer melhor eficiência, redução do custo operacional e promover a qualidade do serviço. A melhoria dos sistemas de transporte precisa do esforço público e privado. Um sistema de logística bem operado aumenta a competitividade do governo e empresas. 3.1 Custos da logística de transportes A logística de transporte é a atividade econômica mais importante entre os componentes da gestão empresarial. Cerca de um terço a dois terços das despesas de os custos de logística das empresas são gastos em transporte. Uma análise mais apurada mostra que o transporte é o de maior custo, e, em seguida, em ordem, o estoque, custo de armazenamento, embalagem, custo de gerenciamento, custo de movimentação e custo de pedido. O custo de transporte aqui inclui os meios de transporte, corredores, contêineres, paletes, terminais, trabalhadores e tempo. 10 Figura 3 – Ilustração da visão sistêmica logística Crédito: Aadirang/Shutterstock. O transporte afeta os resultados das atividades logísticas e, claro, influencia a produção e a venda. No sistema logístico, o custo de transporte pode ser considerado uma restrição ao mercado e varia de acordo com diferentes setores. Para aqueles produtos com pequeno volume, baixo peso e alto valor, o custo de transporte simplesmente ocupa uma pequena parte da venda e é menos considerada; para os produtos grandes, pesados e de baixo valor, o transporte ocupa uma parte muito grande da venda e afeta mais os lucros e, portanto, deve ser melhor analisado. A integração de logística e e-commerce é a tendência futura. A fim de obter posição vantajosa e construir uma relação complementar e dependente, indústrias de rede,como Yahoo, Uol, Gmail, geralmente cooperam com logística comercial. A integração pode reduzir os procedimentos de nível médio. Os produtores podem entregar imediatamente os produtos ao consumidor final. Isso pode reduzir despesas e também administrar as fontes com mais eficiência. As empresas não precisam assumir os custos de estoque e depósito, portanto, tornam-se indústrias modernizadas, de baixo custo, mais eficientes e divisão de especialidade. Por exemplo, os clientes podem obter produtos encomendados em lojas de conveniência. Por meio da e-logística, a condição de 11 competição das indústrias pode ser promovida em economia do conhecimento. A integração e promoção das atividades empresariais devem envolver sistemas de transporte em vários estágios. A integração de diversos aplicativos traz a comodidade por meio da promoção do sistema de fluxo de informações e operações. Clientes e empresas podem tornar os negócios mais eficientes e fáceis por meio a ajuda do e- commerce e da Internet. No entanto, a entrega física ainda depende do sistema de transporte para finalizar as operações. O custo da operação de transporte pode ser um terço dos custos de logística. Enquanto isso, os sistemas e técnicas de transporte são necessários em quase todas as atividades de logística. Assim, a reforma dos padrões de negócios deve considerar os sistemas de transporte. 3.2 Conclusão da visão sistêmica da logística 1. O sistema logístico tem uma posição cada vez mais importante nas atividades da sociedade. 2. Os sistemas de transporte e logística têm relações interdependentes, mas a gestão logística precisa do transporte para realizar suas atividades, sendo assim, um sistema de logística de sucesso pode ajudar a melhorar ambiente de tráfego e desenvolvimento do transporte. 3. Uma vez que o transporte possui o maior custo entre os elementos relacionados nos sistemas de logística, a melhoria da eficiência do transporte pode mudar o desempenho geral da cadeia de produção. 4. O transporte desempenha um papel importante no sistema de logística e é utilizado em várias seções do processo de produção. Uma estratégia responsável é a análise lógica e financeira justamente do modal de transporte. 5. A revisão do sistema de logística em um sentido amplo pode ajudar a integrar todas as deficiências do sistema de gestão atual. 6. O desenvolvimento da logística ainda será grande nas próximas décadas e seus conceitos podem ser aplicados em outros setores da administração. As operações de transportes estão caracterizadas na medida em que a velocidade é o tempo que leva para a movimentação. A disponibilidade atende as localidades e destino escolhido. Confiabilidade é a variabilidade da programação na entrega realizada. A capacidade é a quantidade que cada modal tem de 12 transportar e frequência é a quantidade da movimentação das ocorrências realizadas. Segundo Nazário, “no Brasil, ainda existe uma série de barreiras que impedem que todas as alternativas modais, multimodais e intermodais sejam utilizadas da forma mais racional” (Nazário, 2000). TEMA 4 – INTERFACES ORGANIZACIONAIS Os três modais de transportes utilizados pelas empresas no deslocamento dos colaboradores até as unidades marítimas são: rodoviário, aeroviário e o aquaviário. A interface entre esses modais são: aeroportos e heliportos, portos, estações rodoviárias, ou locais combinados, como estacionamento de locadoras ou qualquer outro ponto de acesso ao modal que será utilizado (Ansarah, 2000). A autora destaca ainda que “juntamente com os estudos dos modais de transportes e suas interfaces é necessário analisar os serviços complementares (translado de passageiros, serviço de informações e instruções aos passageiros, hospedagem de trânsito etc.” (Ansarah, 2000). Os horários e o tempo de viagens são aspectos importantes e relevantes no deslocamento de pessoas. Na maioria das vezes, as operadoras são escolhidas pelas empresas justamente por oferecerem disponibilidade de horários em qualquer momento e dia da semana. 4.1 Cadeias terceirizadas das interfaces Uma das tendências da atualidade é a contratação de terceiros que fornecem serviços logísticos específicos e assim atender o cliente de forma personalizada. Ter a consciência do momento exato de contratá-lo é essencial para o sucesso da operação. É uma forma de operação que trabalha diretamente com os modais de transportes usados por terceirizados para o deslocamento até as localidades marítimas que são os terrestres rodoviários (ônibus, transfer etc.), os aéreos (avião e helicóptero) e o marítimo com pequenas e médias embarcações e suas interfaces. As interfaces ligadas diretamente a esses modais são os heliportos, portos, aeroportos, terminais rodoviários ou qualquer outro local estipulado pela logística de pessoas. Os colaboradores logísticos devem fazer programações com margem de tempo, pois há intercorrências do clima, atrasos imprevisíveis, demandas fortuitas para evitar maiores custos para a organização e problemas com o cliente. 13 Figura 4 – Interfaces: colaboradores Crédito: Stankevskayaylya/Shutterstock. As interfaces são feitas por meio dos modais aéreos (helicópteros). Os heliportos utilizados para o transporte de pequenos volumes, mas de grandes valores funcionam como centros de distribuição, sendo que sua localização influencia consideravelmente no dimensionamento de recursos e, como consequência, nos custos do transporte de carga. Utiliza ainda o modal rodoviário (ônibus, transfer, fretados etc.) quando é utilizado para que os passageiros cheguem ao local onde farão a transferência para o modal de transporte marítimo dando sequência ao seu destino final. Os modais se complementam e interdependem. O modal de transporte aeroviário é o nome que se dá ao transporte de cargas ou passageiros realizados no ar, por meio de aeronaves de diferentes portes e velocidades. Para o deslocamento pelo espaço aéreo são utilizados aviões para percursos mais longos em tempos menores utilizando como interfaces principais do transporte aéreo a via terrestre. O transporte rodoviário é o mais usual no mundo todo, como já foi visto, absorvendo grande parcela dos gastos com o transporte. A grande vantagem de utilizar esse modal como interface é a flexibilidade na sua utilização e os baixos custos por sua agilidade e rapidez. O modal de transporte rodoviário é feito por ruas, estradas e rodovias. As mercadorias vão de cargas de diversos tipos e portes até animais e pessoas. 14 4.2 Operadores logísticos Ao utilizar operadores logísticos, as empresas fornecedoras delegam essa função fortalecendo o setor de operadores de transporte. Nem todas as empresas possuem estrutura suficiente para realizar operações mais complexas, o que demandaria desenvolvimento da tecnologia de dados, treinamento de pessoal e investimentos nas instalações. Concentrar integralmente as competências e atividades na própria empresa pode gerar um descontrole sobre as operações mais complexas. Portanto, delegar funções ou desverticalizar atividades reduz custos internos, evita a descapitalização dos ativos em investimento, expande a flexibilidade operacional. Além disso, os gestores e executivos da empresa conseguem se dedicar a atividade central de seus negócios, liberando espaço, tempo e energia que evitam desgastes a longo prazo do capital humano. Contudo, apesar das vantagens na utilização de operadores logísticos, a organização não estará livre de possíveis problemas com a contratação de terceiros. Para minimizar essa possibilidade, o melhor caminho é ter a certeza sobre terceirizar e com quem terceirizar, identificando o potencial da terceirização, garantindo os resultados esperados para aumentar qualidade do serviço e o sucesso da organização com o deslocamento de parte da atividadeprincipal da empresa. TEMA 5 – A QUALIDADE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A qualidade de um serviço ocorre quando ele é recebido pelo cliente de forma satisfatória, causando um impacto favorável à empresa em qualquer segmento que ela for explorada. A qualidade é medida relacionando-se a expectativa que o serviço gera antes mesmo de ser executado. Se o que é esperado pelo cliente é fornecido pela empresa, haverá concordância positiva pelo recebedor que vai considerar o serviço de qualidade. Hoje em dia, diante da grande competitividade do mercado, o cliente procura serviços que atendam suas necessidades e resolvam problemas de forma satisfatória conforme contratado na demanda. Os serviços devem sempre seguir um padrão de qualidade e quando um prestador analisa o campo de trabalho, consegue detectar possíveis riscos, 15 reconhece os erros, aplica as medidas corretivas, agrega valores e processos adequados a fim de entregar serviços ao cliente. Os elevados níveis de qualidade nos serviços trazem um feedback altamente satisfatório para os clientes, ou seja, a satisfação é tida como um fator que causa impacto na gestão produtiva, pois a qualidade já é percebida antecipadamente. O importante para a satisfação em modo geral é o aperfeiçoamento da comunicação e da forma em que os prestadores de serviços administram as suas formas de comunicação, poder de persuasão, sinceridade e qualidade certificada. Estas táticas são importantes. Do ponto de vista do provedor de logística, a Qualidade do Serviço Logístico é medida pela capacidade de cumprimento dos pedidos dos clientes. Do ponto de vista do cliente, os estudos amplamente difundidos que determinam a Qualidade do Serviço Logístico são fundamentados em entrevistas e pesquisas. Pesquisas são importantes na medida que examinam as variações entre a antecipação e percepção do usuário. 5.1 Fatores-chave para medir a qualidade do serviço de logística A minimização de custos é um fator-chave no manuseio de serviços de logística, e isso está se tornando um interesse crescente na melhoria da qualidade. No entanto, a qualidade do serviço logístico é difícil de quantificar, pois é uma função dos dados coletados a partir de percepções variáveis do cliente sobre o processo de avaliação ao longo do tempo. A Qualidade do Serviço Logístico pode ser definida em relação a dois fundamentos de balanceamento, ou seja, Serviço de Distribuição Física e Serviço de Marketing ao Cliente. Essas pesquisas devem ser baseadas em cinco fatores-chave para medir a qualidade do serviço de logística. • Instalações: de acordo com o percentual de comentários que um serviço prestado recebe, os serviços físicos dos estabelecimentos de logística são avaliados como “Ruim” ou “Bom” pelos seus clientes. No entanto, a proporção de avaliações encorajadoras mostra que os clientes, de fato, têm grande expectativa sobre a expansão de melhores serviços, instalações contemporâneas e melhores abordagens para guardar bens com notas médias mais altas. No entanto, as instalações atuais de propriedade de seus estabelecimentos de logística podem ser de baixa qualidade, o que 16 pode levar a uma lacuna mais significativa. O fator “instalações” da Qualidade do Serviço Logístico deve ser observado de forma adequada para expandir sua Qualidade do Serviço Logístico. Apenas alguns fornecedores de logística possuem os ativos físicos. Eles geralmente alugam por um determinado período de tempo e consideram como um custo variável. Dentre todos os critérios sobre tangíveis, são os poucos com maior esperança de integração de melhores serviços. • Confiabilidade: é quantificado por vários critérios que avaliam o desempenho do pessoal de vendas. Essa medida inclui arquivos comerciais, disponibilidade de tempo de atendimento e o restante relaciona-se ao desempenho elementar das promessas do serviço. O desempenho decente também reduz o espaço entre expectativa e percepção. Os clientes dão muita importância ao fator confiabilidade. • Capacidade de resposta: as empresas de logística precisam oferecer políticas de desenvolvimento e resoluções necessárias para resolver todas as complicações rapidamente • Garantia: medido pela capacidade dos funcionários de trabalhar com os clientes em relação ao know-how essencial para um vendedor. Trata-se de ter um conhecimento respeitável sobre a qualidade e a habilidade de lidar com os dados do usuário para que os clientes possam ter um melhor entendimento. Os critérios exigidos para o fator de Garantia incluem a contratação de especialistas em cargos cruciais e a comunicação adequada entre os funcionários. Portanto, como empresário, você precisa avaliar seu processo de recrutamento e investir no treinamento dos funcionários. • Empatia: as variáveis de empatia mostram como os membros da equipe de se preocupam com as necessidades dos clientes. Os resultados para empresas de logística mostram que nem todas oferecem um serviço satisfatório aos clientes em termos de simpatia. Alguns clientes podem presumir que os membros da equipe de vendas não mostram um nível alto de tolerância ou complacência. No entanto, isso repercute no marketing pessoal de boca em boca e acaba por disseminar uma imagem de que clientes não são bem-vindos naquele lugar. 17 REFERÊNCIAS ANSARAH, M. G. dos R. Como aprender turismo, como ensinar. v. 2. São Paulo: Senac 2000. EPL – Empresa de Planejamento e Logística. Planejando soluções para o Brasil crescer. [s.d.]. NAZÁRIO, P. Intermodalidade: importância para a logística e estágio atual no Brasil. In. Logística empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. VENOSA, S. Direito civil: teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos. 3. ed., v. 2. São Paulo: Atlas, 2003.