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ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO E AS TECNOLOGIAS DA EDUCAÇÃO 1 Sumário O Papel do Pedagogo e a Organização do Trabalho na Escola ..................... 4 O coordenador pedagógico e suas múltiplas funções na escola ................... 14 O papel e a importância do orientador educacional ....................................... 19 Introduzindo a tecnologia na escola ........................................................... 23 Corpo docente e funcionários ................................................................. 24 Pais e responsáveis ............................................................................... 24 Alunos .................................................................................................... 24 Entendendo as demandas de seus alunos ................................................ 26 Como mapear os principais problemas em sala de aula? .......................... 27 Antes da implementação ........................................................................ 27 Após a implementação ........................................................................... 27 A importância da atualização do profissional com as últimas tendências em educação .............................................................................................................. 28 Moderando o uso da tecnologia ................................................................. 30 Estimulando a leitura em sala de aula com ajuda da tecnologia ................ 32 Aproveite os livros em diferentes formatos ............................................. 32 Transforme a leitura em uma experiência multimídia ............................. 32 Apresente os alunos a boas fontes on-line ............................................. 33 Usando a tecnologia também para a avaliação do aluno ........................... 34 Os benefícios das novas tecnologias na educação ................................... 34 Respeita a individualidade ...................................................................... 35 Aumenta a atenção ................................................................................ 35 Estimula a interação ............................................................................... 35 Aumenta a motivação ............................................................................. 35 5 novas tecnologias na educação: o futuro que já começou! ..................... 36 Big data e inteligência artificial ............................................................... 36 Realidade Virtual e Realidade Aumentada ............................................. 37 “Bring your own Device” ......................................................................... 38 2 Web Semântica ...................................................................................... 39 Transmídia .............................................................................................. 39 Outras tecnologias aplicadas na educação ................................................ 40 Gamificação ............................................................................................ 40 Lousas digitais ........................................................................................ 40 Referências ................................................................................................ 41 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de comunicação. Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 4 O Papel do Pedagogo e a Organização do Trabalho na Escola Devido às mudanças ocorridas no processo ensino – aprendizagem e o aumento compulsivo da demanda, determinado pela legislação vigente e a imposição social, nas últimas décadas a escola pública tem assumido diversos papéis, tais como: encaminhamento e acompanhamento assistencialistas e judiciários; envolvimento em projetos sociais e comunitários, dentre outros. Soma-se a isso, a preocupação em manter sua população com “frequência regular” e “aproveitamento acadêmico satisfatório” para todos os educandos, buscando evitar e corrigir a evasão e repetência, bem como a defasagem acadêmica que se acumula ao longo do processo ensino - aprendizagem. Apesar dessa diversidade que a escola vem assumindo ao longo dos anos, muito pouco diferenciou-se em sua estrutura física, material, humana e organizacional. Com a democratização do acesso à escola pública, estas passam a apresentar condições cada vez piores de funcionamento [...]. A rede pública passa, então, a atender uma população totalmente diversa daquela à qual estava habituada a servir, só que, agora sob precárias condições de funcionamento [...] (PARO, 2006, p. 86). O fato apresentado vem causando uma desorganização cada vez maior, dos papéis funcionais, fazendo com que os profissionais se desvinculem de sua função para assumir outras atribuições determinadas por ordem superior ou ocasionadas no próprio cotidiano escolar, tornando-os confusos quanto a especificidade do trabalho a ser desempenhado por eles, gerando consequentemente a indisciplina organizacional. A organização do trabalho pedagógico na escola pública constitui-se em sua maioria de maneira burocrática, mas ao se concretizar, os papéis tomam formas indefinidas, com caminhos dispersos. 5 O Projeto Político-Pedagógico e o Regimento Escolar legalizam o trabalho na escola, servindo-se como ponto de apoio à organização prática. Porém, seus resultados não são observáveis. No cotidiano escolar, os profissionais gastam a maior parte do tempo buscando resolver situações de conflitos que surgem repentinamente, levando-os ao desgaste físico e emocional e em consequência à desmotivação profissional. Tal situação acaba deixando em segundo plano o objeto maior, o qual é a preocupação com a efetivação do ensino - aprendizagem. Daí a tendência a secundarizar a escola, esvaziando-a de sua função específica, que se liga à socialização do saber elaborado, convertendo-a numa agência de assistência social, destinada a atenuar as contradições da sociedade capitalista (SAVIANI, 2005, p. 99). Neste contexto, encontram-se os pedagogos que atuam nas escolas preenchendo as demandas em equipes pedagógicas. São egressos das diferentes habilitações do Curso de Pedagogia, que vem sofrendo alterações com o tempo, buscando adequar-se a demanda existente tanto no âmbito legislativo quanto no âmbito social. Ora são supervisores escolares, ora são coordenadores pedagógicos, ora são orientadores educacionais e atualmente denominados professores pedagogos, desempenhando diversas funções, vinculadas ou não ao seu papel. Huberman (1986, p. 8), afirma que “Na verdade, os pedagogos não trabalhamcom uma disciplina científica aplicada, mas com uma situação de múltiplos determinismos” (apud NÓVOA, 2006, p. 73). O Pedagogo ocupa um espaço amplo na unidade de ensino, tornando-se um ponto de apoio às demais funções da escola. Embora, não reconhecido em sua especificidade, acaba muitas vezes, sendo influenciado pela prática do imediatismo, socorrendo quotidianamente os conflitos e problemas emergenciais. Suas tarefas são confundidas, tornando-se apenas um instrumento de resolução imediata de conflitos, substituto em carências e faltas funcionais e cumpridor de atividades corriqueiras do dia - a - dia escolar. Perpassa a impressão de que não há um planejamento prévio ou organizacional referente à sua função. As tarefas são voltadas ao imediatismo, sem 6 a preocupação com os resultados em longo prazo. Encontra-se à disponibilidade, desenvolvendo-se “ao sabor das circunstâncias, as ações são improvisadas, os resultados não são avaliados” (LIBÂNEO, 2004, p.149). A diversidade de funções que são atribuídas ao pedagogo, através das ocorrências disciplinares, infracionais e administrativas, toma conta da maior parte do tempo o qual poderia ser estendido para a organização e acompanhamento do trabalho pedagógico. Para Pimenta (1995, p.177), [...] a situação precária da instituição escolar hoje coloca um conjunto de problemas cotidianos desde turnos numerosos, quadro de professores que não comporta substituição (quando falta um ou mais professores, não há como substituí- los), manutenção do prédio em condições deficitárias, falta de material didático, distribuição da merenda, problemas administrativos de toda ordem, até questões de violência. Tal quadro exige dos especialistas, quando estes existem na escola, que se incumbam da solução dos problemas imediatos. Isso faz com que perca de vista no interior da escola, a característica principal deste profissional que é planejar, decidir, coordenar, executar ações, acompanhar e controlar, avaliar as questões didáticas e pedagógicas de forma articulada com os demais profissionais, buscando a efetivação no processo ensino - aprendizagem. Atualmente, o pedagogo, é o profissional proclamado a apagar os “incêndios na escola”. Descaracterizado, muitas vezes, de seu papel, perpassa múltiplas funções, sendo caracterizado como, porteiro, segurança, substituto de professor, secretário, bibliotecário, auxiliar de diretor, dentre outras. Vasconcellos (2002, p. 86-87), descreve essas funções como definição negativa do papel: [...] não é (ou não deveria ser): não é fiscal de professor, não é dedo duro (que entrega os professores para a direção ou mantenedora), não é pombo correio (que leva recado da direção para os professores e dos professores para a direção), não é 7 coringa/tarefeiro/quebra galho/salva-vidas (ajudante de direção, auxiliar de secretaria, enfermeiro, assistente social, etc.), não é tapa buraco (que fica „toureando‟ os alunos em sala de aula no caso de falta de professor), não é burocrata (que fica às voltas com relatórios e mais relatórios, gráficos, estatísticas sem sentido, mandando um monte de papéis para os professores preencherem – escola de „papel‟), não é de gabinete (que está longe da prática e dos desafios efetivos dos educadores), não é diário (que tem dicas e soluções para todos os problemas, uma espécie de fonte inesgotável de técnicas, receitas), não é generalista (que entende quase nada de quase tudo). Relatos de professores confirmam a ineficiência dessas ações executadas pelo pedagogo, chegando a ser nomeado “pedabobo”. Nóvoa (2006, p. 72), quando discorre da identidade profissional dos especialistas, descreve o seguinte: Pedagogo? É uma boa tentativa, mas que oscila entre o ridículo (o „pedagogo ou pedabobo‟ do Nelson Mendes) e o pomposo (por vezes a designação parece estar reservada para os „grandes pedagogos‟). É preciso definir papéis na escola, a partir de referencial teórico consistente, situando a importância da função de cada um, de forma articulada coletivamente. Neste aspecto, a presença do pedagogo é fundamental. É ele que irá articular a organização das práticas pedagógicas e consequentemente a efetivação das propostas. É esse profissional o articulador do processo ensino - aprendizagem, de forma a garantir a consistência das ações pedagógicas e administrativas. O pedagogo é aquele que domina sistemática e intencionalmente as formas de organização do processo de formação cultural que se dá no interior das escolas. [...] Daí a necessidade de um espaço organizado de forma sistemática com o objetivo de possibilitar o acesso à cultura erudita (SAVIANI, 1985, p. 28). Pimenta (1985, p. 34), reforça a importância do pedagogo no trabalho coletivo da escola: A prática na escola é uma prática coletiva. – os pedagogos são profissionais necessários na escola: seja nas tarefas de administração (entendida como organização racional do processo de ensino e garantia de perpetuação desse 8 processo no sistema de ensino, de forma a consolidar um projeto pedagógico – político de emancipação das camadas populares), seja nas tarefas que ajudem o(s) professor(es) no ato de ensinar, pelo conhecimento não apenas dos processos específicos de aprendizagem, mas também da articulação entre os diversos conteúdos e na busca de um projeto – político coerente. Portanto, o pedagogo deverá articular coletivamente as ações na escola, de forma, que todos os envolvidos no processo ensino - aprendizagem, possam ter conhecimento de todas as funções que são exercidas na escola e também competência para direcionar as ações assumindo com responsabilidade a sua área ou função específica. Dessa forma, o pedagogo não será o multi - tarefeiro, cumpridor de tarefas alheias à sua função, mas desenvolverá um trabalho de “assessoria ao processo ensino - aprendizagem, desenvolvido na relação professor - aluno" (PIMENTA, 1985, p. 35). A delimitação de papéis na escola não significa a fragmentação de funções, mas a tomada de consciência de que as tarefas são distintas, em prol de uma luta comum, a partir da direção coletiva, onde os resultados emergirão através da prática de cada um, que consequentemente retornará ao coletivo de forma positiva ou negativa, dependendo do comprometimento do grupo no desenvolvimento das ações. É importante reiterar que, quando se busca uma nova organização do trabalho pedagógico, está se considerando que as relações de trabalho, no interior da escola, deverão estar calcadas nas atitudes de solidariedade, de reciprocidade e de participação coletiva, em contraposição à organização regida pelos princípios da divisão do trabalho, da fragmentação e do controle hierárquico. [...] propiciando a construção de novas formas de relações de trabalho, com espaços abertos à reflexão coletiva que favoreçam o diálogo, a comunicação horizontal entre os diferentes segmentos envolvidos com o processo educativo [...] (VEIGA, 2005, p.31) Assim, a luta pela participação coletiva e pela superação dos condicionantes deve compor um só processo, de modo que avanços em um dos campos levem a avanços no outro, de forma contínua e interdependente (PARO, 2006, p. 27). 9 Por isso, a prática administrativa e pedagógica deve orientar-se por propósitos definidos intencionalmente de forma sistemática, garantindo a concretização das ações pelo coletivo escolar. No dia–a–dia enfrentam-se situações que exigem planejamento, porém nem sempre formalizado. No momento em que a realidade se torna mais complexa, somos obrigados a uma maior sistematização de pensamento e de ação para poder compreendê-la e transformá-la (DALMÁS, 1994, p. 23). Daí, a importância da existência do Projeto Político-Pedagógico, elaborado coletivamente e sistematizado, de forma a garantira efetivação do processo ensino – aprendizagem, levando em consideração, que a concretização desse processo se faz pela apropriação do conhecimento historicamente produzido, à classe que frequenta a escola pública, [...] que precisa da escola para ter acesso ao saber erudito, ao saber sistematizado e, em consequência, para expressar de forma elaborada os conteúdos da cultura popular que correspondem aos seus interesses (SAVIANI, 2005, p. 80). O Projeto Político-Pedagógico é o norte para a definição do papel do pedagogo na escola, que conduzirá as ações por meio da organização coletiva, partindo dos princípios da democratização e apoiando-se em referencial teórico que possa garantir uma proposta sólida, com objetivos bem definidos. Para Veiga (1998, p. 9): O projeto pedagógico exige profunda reflexão sobre as finalidades da escola, assim como a explicitação de seu papel social e a clara definição de caminhos, formas operacionais e ações a serem empreendidas por todos os envolvidos com o processo educativo. As ações devem ser planejadas e sistematizadas pelo coletivo escolar, que delimitará o papel e atribuições de seus membros de forma a garantir a reflexão – ação – reflexão, que consistirá na avaliação do processo, possibilitando a (re) tomada de decisões. “Entretanto, a prática, para deixar de ser um simples ativismo, necessita da reflexão, da teoria, dando-lhe um significado e corrigindo possíveis desvios” (MACCARIELLO, 2006, p. 41). 10 Conforme Dalmás (1994, p. 23): Pelo pensamento (reflexão), o homem desenvolve níveis cada vez mais aprimorados de discernimento, compreensão e julgamento da realidade, o que lhe favorece uma conduta comprometida com novas situações [...]. Pelo planejamento, o homem organiza e disciplina a ação, tornando-a mais responsável, partindo sempre para ações mais complexas, produtivas e eficazes [...] O Projeto Político-Pedagógico não é apenas mais um documento a ser elaborado pelo pedagogo para o cumprimento legal de ordens superiores, mas permeia as ações da escola, sendo pensada, articulada e concretizada coletivamente, onde todos são responsáveis pelo sucesso ou fracasso escolar. Em muitas escolas, o Projeto Político-Pedagógico ainda é um documento com fins legais apenas. É elaborado para cumprimento de exigência da SEED (Secretaria de Estado da Educação) ou NRE (Núcleos Regionais de Ensino). Às vezes até flui da reflexão coletiva, mas cumprindo a exigência documental, é engavetado e esquecido. Até mesmo, alguns Núcleos Regionais de Educação camuflam a identidade do documento, quando exigem das escolas que desconsiderem a sistematização de aspectos negativos levantados pela comunidade escolar. É preciso ter claro que: Para a escola, um projeto ilumina princípios filosóficos, define políticas, racionaliza e organiza ações, otimiza recursos humanos, materiais e financeiros, facilita a continuidade administrativa, mobiliza os diferentes setores na busca de objetivos comuns e, por ser de domínio público, permite constante acompanhamento e avaliação (NEVES, 2005, p. 112-113). Tomado consciência coletiva da necessidade do Projeto Político-Pedagógico para a conquista da autonomia da escola, serão menos desprendidos os esforços para a (re) elaboração e realização das ações, que terá o pedagogo como condutor do processo pedagógico, articulando as ações de forma coletiva e compartilhada, porém com papéis definidos em suas especificidades. 11 De acordo com Bussmann (2005, p. 50), “Os especialistas, na condição primeira de professores, estão no processo, fazem parte dele e devem estar atentos à totalidade do mesmo, tanto quanto aos aspectos específicos de sua atuação”. Nesse aspecto, o pedagogo é um pesquisador e estudioso no ambiente escolar. Deverá permanecer atento as questões didático – pedagógicas, levando sempre em consideração em sua análise o Projeto Político-Pedagógico da escola. Para tanto, deverá ter clareza da sua característica principal, que é planejar, decidir, coordenar, acompanhar, controlar, avaliar e executar ações de forma articulada e planejada com os demais segmentos da escola. Inclui aqui, os demais profissionais dos diversos setores e as instâncias colegiadas, que deverão ser fortalecidas nas escolas, tornando-se representatividade dos diversos segmentos. É preciso que o pedagogo seja capaz de desenvolver com habilidade e segurança sua competência profissional. Buscar o respeito de todos os demais profissionais da escola com autoridade em sua função, sem cair no autoritarismo, visando melhores resultados frente aos problemas educacionais, e consequentemente definir o papel de cada um no ambiente escolar, integrando-se diferentes funções com objetivos comuns. Ao intervir na realidade escolar, é importante ter clareza às seguintes questões: 1) O que está posto? 2) O que será realizado? 3) O que se almeja? A partir das questões levantadas, é necessário que o pedagogo faça inicialmente um estudo prático e teórico de seu papel na escola, de forma que possa identificar e caracterizar sua função específica dentre os demais profissionais, “buscando elementos que permitam compreender as positividades e os limites do trabalho pedagógico, e ampliar suas possibilidades de intervenção” (KUENZER, 2002, p. 47). 12 Inicialmente, a intervenção poderá ocorrer através de grupos de estudos entre os pedagogos, organizados de forma ordinária, no período de trabalho, de preferência semanalmente, onde serão discutidos temas pertinentes à organização da prática pedagógica, buscando a partir daí, intervir no cotidiano escolar de forma coletiva e organizada, partindo então, da própria prática. Dessa forma, as ações poderão ser planejadas com antecedência após reflexão conjunta referente às necessidades existentes. Para Pinheiro (1998, p. 88): A sistematização de momentos de discussão coletiva sobre a ação pedagógica – principalmente nos horários de coordenação – permite, de um lado, a identificação, a análise e a busca de soluções conjuntas para dificuldades na relação educativa que perpassam a prática docente; de outro, a troca e o enriquecimento de procedimentos didático – metodológicos. À medida que o trabalho se desenvolve e o serviço do pedagogo se organiza, poderão ser incluídos neste momento de estudos representantes dos demais setores da escola, de forma que possa garantir a discussão e estudo coletivo das reais necessidades da escola, buscando, a partir daí, concretizar os resultados na prática pedagógica. Conforme Saviani (2006, p. 60), “[...] é necessário abalar as certezas, desautorizar o senso comum”, buscando na teoria a concretização sólida das ações. Construir a identidade do pedagogo no âmbito escolar, significa a transposição do senso comum através da construção histórica do conhecimento científico, confrontando teoria e prática, de forma que possa identificar e organizar sistematicamente a área profissional, levando em consideração a função social da escola. O movimento de superação do senso comum, relativo à consciência verbal – espontânea e fragmentada, [...] para a consciência histórica – crítica – organizada e integrada, requer a compreensão [...] a partir da unidade teoria e prática [...]. A 13 consciência verbal, própria do senso comum, contudo, se constitui na matéria-prima para a elaboração da consciência histórica - crítica (MACCARIELLO, 2006, p. 3841). Tomando como referência a tendência histórico – crítica, para a organização do trabalho propõe-se como eixos sustentadores os cinco passos propostos por SAVIANI (2006), confirmados e exemplificados por GASPARIN (2005), conforme proposta de intervenção, utilizada na escola que possibilitou a referência para este trabalho de pesquisa:1º - Prática inicial do conteúdo; 2º - Problematização; 3º - Instrumentalização; 4º - Catarse; 5º - Prática social final do conteúdo. Apoiando-se no processo teórico – metodológico que tem como suporte o materialismo histórico, com a finalidade de transformação social na “Prática inicial do conteúdo”, há o questionamento quanto a prática da situação atual. Exemplo: Quem é o pedagogo? O que ele faz? Qual é o seu papel diante dos diferentes setores da escola? Como ele é visto na escola pelo diretor, pelos professores, pelos funcionários, pelos alunos, pelos pais, pelos demais colegas? É a visão do senso comum. Tomando o diálogo como integração dos conteúdos, a problematização é a explicitação dos principais problemas levantados na prática. Cabe aqui a sistematização das questões levantadas na “Prática social inicial”. Contrapondo-se em seguida com o conhecimento teórico, na “Instrumentalização” estabelece-se uma comparação entre os conhecimentos cotidianos e os conhecimentos científicos, aprofundando-se do conhecimento socialmente produzido e sistematizado para enfrentar e responder aos problemas levantados. A partir da “Instrumentalização”, a nova forma de entender a prática ocorre por meio de síntese, marcando a posição em relação ao conteúdo e à forma de construção e reconstrução social, denominando-se neste momento “Catarse”. É a fase da conscientização. 14 A “Catarse” contribuirá para a “Prática social final do conteúdo”, que representa a transposição do teórico para o prático dos objetivos de estudo e dos conceitos adquiridos, evidenciando o propósito da ação. É o retorno à prática social, com propósitos de transformação da realidade, a partir de um novo conhecimento elaborado. Neste momento, estabelece-se a proposta de intervenção, tendo maior clareza e compreensão da situação levantada na “prática inicial”. A partir dos estudos realizados, o pedagogo deverá direcionar as suas ações, por meio de planejamento prévio, levando em consideração a política educacional da SEED (Secretaria de Estado da Educação), incluindo as determinações pertinentes à sua função. Para que as ações tenham sucesso, o pedagogo deverá lutar continuamente por melhores condições de trabalho, com determinações de atendimentos condizentes ao número de pessoal relacionado ao número de turmas, atividades burocráticas e pedagógicas, dentre outras. Diante do atual quadro, o pedagogo encontra-se limitado na realização de suas funções, mesmo que estas sejam organizadas previamente, com a colaboração dos demais profissionais. O coordenador pedagógico e suas múltiplas funções na escola O coordenador pedagógico atua na organização e planejamento das atividades cotidianas da escola. Para isso torna-se imprescindível o planejamento das ações, pois a escola funciona num ritmo frenético, fazendo com que muitas vezes o coordenador tenha que “agir na urgência e decidir na incerteza” (PERRENOUD, 2001). Para o bom desenvolvimento do trabalho pedagógico Placco (2003) destaca quatro conceitos criados por Matus (1991) que devem ser considerados no desenvolvimento das atividades de trabalho do coordenador pedagógico: a 15 Importância, a Rotina, a Urgência e a Pausa. Gonçalves (1995, apud PLACCO, 2003) faz um detalhamento desses conceitos caracterizando-os por atividades. As atividades de Importância visam atender metas a curto e longo prazo, como as demarcadas no PPP escolar, atuando sempre no sentido de mudanças. As atividades de Rotina não podem ser confundidas com mesmice. Está atrelada a manutenção do funcionamento da escola. Atividades de Urgência atendem aos problemas situações não previstos no processo, mas que necessitam de permanente atenção. Já as atividades de Pausa não podem ser vistas como uma parada completa ou sem sentido das ações do coordenador. Caracterizam-se por um momento de rever as necessidades individuais (descanso, férias, ações descomprometidas com resultados, atenção para fatos vinculados à função social institucional e os elementos das relações interpessoais). O desempenho dessas atividades deve ser dosado. Cada uma tem sua importância. Deste modo, é preciso identificar, reconhecer e priorizar cada uma conforme as demandas do cotidiano escolar. O principal objetivo da função de coordenador é segundo Vieira (2003, p. 83) “Garantir um processo de ensino-aprendizagem saudável e bem sucedido”. Nesse sentido, ele atua em muitas tarefas no cotidiano escolar, dentre elas destaca- se desde as burocráticas, o atendimento aos alunos e os pais, até o cuidado e planejamento do processo educativo. Para o bom desempenho do trabalho do coordenador pedagógico, é necessário que os demais membros da equipe pedagógica trabalhem e pensem juntamente com o mesmo, estabelecendo assim uma verdadeira equipe atuante no cotidiano escolar. Segundo Orsolon (2001, p. 19), “o coordenador é apenas um dos atores que compõem o coletivo da escola. Para coordenar, direcionando suas ações para a transformação, precisa estar consciente de que seu trabalho não se dá isoladamente [...]”. Ou seja, o coordenador não pode querer resolver tudo sozinho. É necessário compartilhar as angústias, para administrar os conflitos e chegar a 16 soluções juntamente com o grupo, a fim de promover a qualidade do processo educacional da escola. Na pesquisa de campo contou-se com a colaboração de uma supervisora/coordenadora pedagógica que atua no período vespertino, formada em Pedagogia com habilitação em supervisão escolar. Dentre as atribuições do coordenador pedagógico no cotidiano escolar, a coordenadora destacou que desenvolve um trabalho junto aos professores, mas “o trabalho do supervisor não se resume a olhar os diários dos mesmos e nem ficar na sala vigiando os conteúdos que estão passando. O supervisor também atua juntamente com os demais membros da equipe pedagógica no desenvolvimento de projetos”. Nesse sentido, podemos confirmar que a atuação do coordenador pedagógico vai além de lidar com os professores e este profissional juntamente com os outros membros da equipe pedagógica atua no planejamento, elaboração e execução de projetos. Nesse sentido Placco (2003, p. 48) destaca que “[...] o trabalho do coordenador pedagógico-educacional visa ao melhor planejamento possível das atividades escolares”. Com relação à atuação do coordenador diante dos confrontos ocorridos fora da escola, mas que interferem no cotidiano escolar, a coordenadora respondeu que atua nesse sentido na “participação e no desenvolvimento de Projetos. Ex.: Educação Sexual, Leitura, Dificuldades de aprendizagem”. Mas destaca que “há um problema de “resistência” de muitos pais quando se trata de alguns conteúdos, como: educação sexual. Muitos dizem que é uma forma de incentivo, já outros acham bom trabalhar essa temática como prevenção a futuros problemas”. No trabalho diário do coordenador é necessário lidar com a diversidade, tanto de grupos dentro da escola (professores, alunos, equipe de apoio, equipe técnica) quanto de opiniões, culturas, ideologias, etc., dos grupos externos a escola (pais e comunidade). Conforme Souza (2003) Quando se tem mais de um elemento, material ou humano se faz necessário um coordenador. Para lidar com a diversidade de 17 grupos sociais em seu contexto, a escola “[...] precisa compreender as especificidades da educação, sobretudo no que concerne à sua função social de promover o desenvolvimento e a transformação dos alunos, rumo ao aprimoramento do exercício da cidadania, no que se refere ao gozo de seus direitos e deveres” (SOUZA, 2003, p. 102). Além disso, Souza (2003) destaca que um dos grandes desafios do coordenador em lidar com os problemas que ocorrem fora da escola mais que interferem na rotina e desenvolvimentoda mesma é a criação de meios de comunicação com os pais. É difícil convencê-los da importância da participação deles na vida escolar de seus filhos, explicitar e dicotomizar as responsabilidades da família e a função que a escola tem com relação à educação de seus filhos. Lidar com os pais há algum tempo deixou de ser tarefa somente do orientador educacional. Devido às mudanças socioeconômicas e culturais, a escola teve que rever sua organização (gestão, docentes, equipe pedagógica). A partir daí ela viu-se despreparada para receber os diferentes alunos com suas demandas e necessidade. Nesse sentido, Orsolon (2003, p. 178) diz que “A família não ficou imune às mudanças sociais mais amplas e tem delegado para a escola, cada vez mais, funções educativas que historicamente vinha exercendo, tais como a formação de valores morais, a criação e o fortalecimento de vínculos, a colocação de limites, entre outras”. A coordenadora pedagógica realiza o acompanhamento do professor em seu planejamento e no processo avaliativo dos alunos da seguinte forma: vendo as provas antes dos professores aplicá-las e quando necessário intervindo. O acompanhamento do planejamento é realizado por meio de um formulário mensal, sendo que alguns professores utilizam caderno e a supervisora solicita para tirar cópia. O planejamento geralmente ocorre no horário da Educação Física ou às vezes os professores o fazem em suas casas. A supervisora destaca que: “cobrar é necessário, mas é essencial “oferecer ajuda”, por meio de vídeos, materiais, oficinas”. Ela ressalta ainda que, “atualmente tem muitos alunos em recuperação”. 18 O coordenador poderá auxiliar os professores com relação ao processo de avaliação por meio de discussões grupais, apresentação e mediação de ações inovadoras e também pela promoção de grupos de estudos. Todos esses fatores são parte da atuação que o coordenador pedagógico pode ter para que todos os atores do processo educativo venham a compreender a avaliação da aprendizagem “[...] como uma expressão-síntese do que é possível desenvolver num dado contexto formativo” (BATISTA; SEIFFERT, 2003, p. 163). Avaliação não está relacionada apenas a avaliação do aluno naquilo que ele ainda não sabe, mas a avaliação usada como mecanismo para identificar as potencialidades do aluno e a partir dela propor novas formas de ensino. Neste contexto insere-se a avaliação da instituição escolar que também precisa mensurar os esforços empreendidos por ela para que o ensino seja promovido de forma qualitativa. Portanto, não se trata aqui de apresentar o resultado da avaliação como algo definitivo, mas sim como um processo que indica os caminhos para atingir a qualidade. Segundo Luckesi (1995, apud BATISTA; SEIFFERT, 2003, p. 161) “O ato de avaliar por sua constituição mesma, não se destina a julgamento “definitivo” sobre uma coisa, pessoa ou situação, pois que não é um seletivo. A avaliação se destina ao diagnóstico e, por isso mesmo, à inclusão, destina-se à melhoria do ciclo de vida”. Refletir sobre o ato de avaliar pode levar o docente a compreender a avaliação como integrante de seu trabalho pedagógico, e fazer as relações entre objetivos e metas traçadas, os conteúdos desenvolvidos e a sua metodologia de ensino, pois avaliar precisa ser uma prática refletida no cotidiano escolar. Quanto à formação continuada e de qualificação dos docentes a coordenadora informou que “a Secretaria Municipal da Educação (SEMED) oferece vários cursos e as vagas são distribuídas para as escolas”. Ela realiza o trabalho encaminhando os professores para essas formações. “Atualmente a escola conta com uma professora intérprete de LIBRAS, formada por um curso oferecido pela prefeitura e tem o 19 Próletramento que também conta com a participação de alguns professores”. Além dos cursos de formação continuada oferecidos pelos órgãos municipais e estaduais, investir na qualificação do docente na própria escola é imprescindível, pois o coordenador pedagógico é quem convive com o docente e passa a conhecer suas necessidades de mudanças na prática pedagógica, na forma de avaliar, dentre outras. Desencadear o processo de formação continuada na própria escola, com o coordenador pedagógico assumindo as funções de formador, além de possibilitar ao professor a percepção de que a proposta transformadora faz parte do projeto da escola, propiciará condições para que ele faça de sua prática objeto de reflexão e pesquisa, habituando-se a problematizar seu cotidiano, a interrogá-lo e a transformá- lo, transformando a própria escola e a si próprio (ORSOLON, 2003, p. 23). A partir das respostas da coordenadora pedagógica e do aporte teórico adquirido, percebe-se que o coordenador tem um papel muito importante no cotidiano escolar. Papel esse que deve ser constantemente revisto devido às mudanças e transformações sociais, pois se exige cada vez mais desse profissional. É importante destacar que família e escola têm que assumir juntos a educação, cada um desempenhando sua função. Não podem confundir os papéis, nem culpabilizar esta ou aquela pelas falhas do processo educativo. Conclui-se então que “a ação do coordenador, tal qual a do professor, traz subjacente um saber fazer, saber ser e um saber agir que envolvem respectivamente, as dimensões técnica, humanointeracional e política desse profissional e se concretizam em sua atuação” (PLACCO, 1994, apud ORSOLON, 2003, p. 19) (grifo nosso). O papel e a importância do orientador educacional Com as mudanças econômicas e consequentemente sociais e culturais, a escola se transformou e com isso foram criadas e ampliadas algumas funções importantes ao bom funcionamento do espaço escolar a fim de responder as necessidades educativas. A partir das necessidades do desenvolvimento integral do aluno: física, intelectual, social, emocional, moral, vocacional e profissional, percebeu- se a necessidade de um profissional que atendesse e orientasse os alunos, 20 entendendo, que a escola não mais atua apenas na transmissão do saber científico, mas também no desenvolvimento social e cultural de seus educandos. Mediante essa interação que está além do ensino-aprendizagem surge o papel do orientador educacional que tem como objetivo orientar o aluno no conhecimento pessoal e do ambiente sociocultural onde está inserido, a fim de que este tome decisões acertadas e reflexivas mediante ao seu desenvolvimento pessoal e social (GIACAGLIA; PENTEADO, 2006). O orientador educacional no exercício de seu papel possui atribuições que estão regulamentadas pelo decreto n° 72846 de 26 de Setembro de 1973. Tais atribuições são divididas em: privativas e participativas. As atribuições privativas correspondem ao planejamento e coordenação de ações na escola e comunidade, como também, na implementação e funcionamento de serviços de orientação educacional. As atribuições participativas caracterizam-se pela participação nas atividades escolares e na identificação das características inerentes a essas atividades. Além dessas atribuições, o papel do orientador é harmonizar situações conflitantes ocorridas no espaço escolar, através de leitura da realidade do cotidiano vivido na escola, como também estabelecer diálogo e promover ações preventivas, a fim de evitar problemas. O orientador não pode ser confundido com o psicólogo da escola, sua função é totalmente pedagógica o que não lhe dá o direito fazer terapias com os alunos e nem emitir diagnósticos de distúrbios de personalidades ou de comportamentos. Ou ainda, não se pode confundir com a função do coordenador pedagógico, onde possui tarefas parecidas, mas com objetivos diferentes. A pesquisa realizada na escola, contou com a participação de duas orientadoras, sendo que uma trabalha no período matutino e outra no vespertino(ambas com formação em Pedagogia e habilitação em Orientação Educacional). Chamaremos de colaboradora A, a profissional que atua pela manhã e colaboradora B, a que atua à tarde. A coleta de dados ocorreu mediante a observação e entrevistas. Ao questionar à orientadora sobre sua função para que o aluno obtenha um rendimento escolar proveitoso, a colaboradora A esclarece que, “acompanha o rendimento escolar do aluno mediante observações e conversas. Conta com a ajuda dos pais e dos professores”. Com relação a isso, o orientador precisa estabelecer 21 laços com o professor e com a família. Ambos são fundamentais para o bom aproveitamento do aluno na escola. O papel do professor é diagnosticar em sua turma as dificuldades dos alunos e estabelecer parcerias com o orientador e a família, a fim de que possa adotar medidas que corroborarão na aprendizagem do seu aluno. O papel da família, no entanto, é estimular o aluno no processo de aprendizagem. Então é preciso que a escola tenha clareza do papel que cada um tem no processo de ensino-aprendizagem afim de que não ocorra a inversão de papéis, o que é muito comum. A escola atribui muitas vezes à família a função de realizar atividades escolares que são de cunho pedagógico e a família atribui à escola a responsabilidade de educar os alunos, no sentido explícito de instituir limites que são pertinentes à própria orientação familiar. O orientador tem como função estabelecer a ponte entre a escola e a família, buscando a melhor formação para o aluno, como diz Giacaglia e Penteado (2006, p. 63): De acordo com a legislação vigente, a orientação educacional será exercida em cooperação com a família, cabendo ao orientador educacional participar no processo de integração escola-família-comunidade. Como elemento de ligação entre a escola e a família, esse profissional deve manter uma comunicação constante com a mesma, respeitando os seus valores e procurando obter sua colaboração, já que ambos têm por objetivo o bem-estar, o desenvolvimento e a formação do educando. Ainda em relação ao aproveitamento do aluno, a colaboradora B esclarece que para intervenção com relação às dificuldades de aprendizagem busca estratégias para descobrir e solucionar o problema. (ex.: problemas de visão, familiar...). “Problemas de faltas ou de comportamento são acompanhados por meio do diálogo com os alunos”. Destaca ainda que “todos esses fatores podem comprometer o aproveitamento dos alunos”. A parceria com as famílias é fundamental, as orientadoras revelam que buscam a participação das mesmas, entretanto revelam as dificuldades enfrentadas por falta de condições de equipamentos necessários para contatar os pais, ou ainda a falta da participação dos responsáveis como diz a colaboradora B. Quando perguntada se 22 entra em contato com a família responde que sim. “Nos casos de faltas (3-4 faltas) ou excesso das mesmas. A escola só tem telefone fixo, porém, nem todos os pais têm telefone fixo, logo, quando necessário, ligo a cobrar do meu telefone móvel para os pais”. Com relação a visitas a casa dos alunos diz que é necessário quando os pais não comparecem na escola, mas a instituição não possui veículo próprio. Quando é um caso muito urgente faz isso em seu carro. Citou um exemplo de ter que levar várias vezes, alunos passando mal ou feridos para hospital ou para suas residências. Ainda destaca a falta de materiais para primeiros socorros e falta psicólogo. “O sistema não oferece suporte e condições para a realização efetiva desse contato do orientador com a família”. A colaboradora A diz: “busco entrar em contato com os pais dos alunos, principalmente dos que considero indisciplinados”. Entretanto queixa-se que alguns pais não participam das reuniões, não vão à escola quando solicitados. Com relação ao espaço pertinente para o atendimento, a escola possui uma sala de orientação que é dividida com a supervisão escolar, impossibilitando um atendimento sigiloso entre orientadora, aluno e pais. Com relação ao mobiliário, na sala existe um armário onde a orientadora divide gavetas com a supervisora, a mesa da orientadora possui uma cadeira para o aluno que ali chegar e a mesa da supervisora também. Existe ainda um computador que é dividido com a supervisora e uma estante onde guardam algumas coisas referentes à escola. Conforme Giacaglia e Penteado (2006, p. 45), “quanto às instalações, é essencial que o SOE disponha de local próprio, de uso exclusivo, onde não sejam desenvolvidas outras atividades”. Os registros dos alunos ficam no computador da secretaria da escola na pasta do aluno. Como diz a colaboradora B ”Infelizmente não tem lugar adequado para agrupar os dados dos alunos” e ainda a colaboradora A “O professor manda o aluno para conversas, que fica registrado no caderno para alunos. As questões mais sérias ficam guardadas no computador na pasta do aluno”. Com relação a isso, Giacaglia e Penteado (2006, p. 12), dizem que: 23 [...] o sigilo das informações constantes dos prontuários dos alunos deve ser igualmente preservado. Assim, questionários preenchidos com dados mais íntimos sobre o aluno e seus familiares; resultados de entrevistas e de testes e opiniões de professores sobre determinado aluno devem ser mantidos fora do alcance de pessoas que, propositada ou casualmente, possam chegar a eles. Por esse motivo, tais dados devem ser arquivados no SOE em local seguro, com chave, ao qual apenas o orientador educacional tenha acesso. Portanto, as condições estruturais interferem na forma como estão guardados os dados dos alunos. Com relação a projetos, as orientadoras não elaboraram nenhum neste ano, porém são executados na escola projetos como “Ação Solidária (Faculdade São Lucas), Meio Ambiente (Iaripuna) e Mais Educação (projeto do Governo Federal que funciona em horário contrário as aulas), que desenvolvem a aprendizagem” (fala da colaboradora B), “Recreio dirigido e projeto leitura, além dos projetos do governo.” (fala da colaboradora A). As orientadoras fazem o possível para exercer suas atribuições na escola, entretanto é perceptível que a falta de condições estruturais e de recursos constituem se em dificuldade para que esse trabalho seja efetuado adequadamente, pois falta uma sala exclusiva para orientação, faltam telefones móveis de uso da escola para contatar os pais, entre outros. Portanto, o que podemos constatar sobre o cotidiano escolar revela as múltiplas facetas do trabalho educativo na escola e as tentativas da equipe gestora para fazer com que tudo funcione, apesar das limitações colocadas pelas circunstâncias. Introduzindo a tecnologia na escola Se a intenção é que o emprego da tecnologia na educação não seja um fim em si mesmo, isto é, que os recursos sejam usados para trazer melhorias efetivas para a escola, será preciso realizar algumas mudanças na dinâmica das aulas. Nesse caso, é interessante preparar a introdução da novidade de maneira diferente para cada um dos grupos a serem afetados por ela, a saber. 24 Corpo docente e funcionários Contar com o apoio de professores e outros colaboradores no processo de adotar a tecnologia na escola é fundamental, afinal, são eles que irão lidar diretamente com a questão, por isso, quanto mais a favor da mudança estiverem, melhor. Além de motivar o uso da tecnologia entre esses profissionais, é preciso ainda ajudá- los a empregá-la da melhor maneira possível, oferecendo treinamentos, aulas de informática e até funcionários auxiliares para deixá-los mais seguros com o uso dos novos recursos. Acompanhar a relação de cada um com as tecnologias adotadas a fim de diagnosticar problemas, receber feedbacks e promover uma melhoria constante também é essencial. Pais e responsáveis O envolvimento dos pais na educação de seus filhos é de grandeimportância para o sucesso dos estudantes. Diante disso, promover a participação dos familiares nas mudanças a serem implementadas para a adoção da tecnologia em sala de aula é outro passo fundamental. Por meio de reuniões, notificações e uma comunicação aberta entre os pais e a escola, é possível que eles contribuam para a introdução da tecnologia, aumentem o engajamento dos filhos, ofereçam feedbacks enriquecedores e, mais importante, compreendam e apoiem a iniciativa. Alunos Com a geração Z nascida e criada em um mundo dominado pela tecnologia, é difícil imaginar que possa haver qualquer tipo de resistência por parte dos alunos na implementação da tecnologia em sua educação. Ainda assim, é preciso cuidar de sua preparação para receber a novidade justamente para que a familiaridade com os recursos digitais não os leve para longe do aprendizado, restringindo seu uso da tecnologia ao entretenimento ou a atividades que poderiam ser feitas fora da sala de aula. 25 Os motivos por trás da introdução das ferramentas tecnológicas, bem como os objetivos de cada uma delas, devem ser bem conhecidos pelos alunos, e a atitude esperada deles em relação a isso deve ser sempre clara e relembrada quando necessário 26 Entendendo as demandas de seus alunos Outro ponto importante para a escola que deseja realmente aproveitar os benefícios que a tecnologia pode oferecer no lugar de simplesmente adicioná-la à gama de recursos disponíveis nas salas de aula é pesquisar e entender as principais demandas dos alunos. Dessa maneira, é possível empregar justamente os recursos de que eles precisam para melhorar seu desempenho, além de garantir que a medida terá efeito em sua motivação e engajamento. Para tal, é interessante procurar saber: • que tipos de aparelhos tecnológicos os alunos mais usam fora da sala de aula; • quais são os programas e aplicativos mais usados por eles, tanto para atividades relacionadas à escola quanto para seu próprio entretenimento; • qual é a familiaridade de cada um com os diferentes tipos de recursos disponíveis no mercado; • de que tipo de informação ou conhecimento do uso da tecnologia os alunos mais podem precisar em suas futuras vidas profissionais; • o que eles gostariam de aprender ou dominar quando o assunto é tecnologia. A partir daí, os gestores da escola podem entender quais ferramentas e recursos terão mais utilidade e aceitação em sala de aula (tablets, e-readers, smartphones). Além disso, é possível criar atividades específicas relacionadas à tecnologia, como oficinas de edição de vídeo, aulas de informática, programação básica, etc. 27 Como mapear os principais problemas em sala de aula? Para usar a tecnologia com o objetivo de sanar problemas em sala de aula, deve-se, em primeiro lugar, localizar esses problemas. Dessa forma, as chances de que as mudanças surtam efeitos positivos são muito maiores. Realizado tanto antes quanto após a implementação da tecnologia, o mapeamento das dificuldades — dos alunos e dos professores — é crucial para a melhoria constante do ensino, e pode ocorrer da seguinte maneira: Antes da implementação Além da pesquisa realizada entre os alunos para entender suas principais demandas, vale pedir ainda a professores e colaboradores que observem, em sala de aula, quais são as principais dificuldades no dia a dia — da falta de motivação dos estudantes à escassez de oportunidades e conhecimento para adotar novas práticas de ensino, por exemplo. A partir desse levantamento, podem-se estudar os recursos disponíveis para escolher aqueles que melhor atendem a essas demandas e traçar um plano de melhoria em longo prazo. Após a implementação Nas primeiras semanas após a adoção da tecnologia em sala de aula, deve-se acompanhar a adaptação de professores e alunos para sanar possíveis resistências e dificuldades iniciais. Depois disso, o monitoramento deve continuar não apenas para prevenir problemas e garantir que as ferramentas continuem a ser usadas da forma correta como, também, para analisar os resultados obtidos a fim de continuar avançando. Vale lembrar que, após a implementação, é possível que problemas que passaram desapercebidos antes dela se revelem — como, por exemplo, dificuldades de alunos específicos com o uso da tecnologia —, devendo ser então estudados e devidamente sanados. https://conteudos.somospar.com.br/lp-ebook-identificando-pontos-fortes-e-fracos-com-ferramentas-digitais/?utm_source=blog&utm_medium=post&utm_campaign=tecnologia-na-educacao https://conteudos.somospar.com.br/lp-ebook-identificando-pontos-fortes-e-fracos-com-ferramentas-digitais/?utm_source=blog&utm_medium=post&utm_campaign=tecnologia-na-educacao 28 A importância da atualização do profissional com as últimas tendências em educação Na era da comunicação, a formação continuada é exigência em praticamente qualquer área. Entretanto, mesmo antes da revolução trazida pela informática, a atualização constante dos profissionais da educação já era um requisito para seu sucesso. Afinal, ensinar requer, antes de tudo, aprender, e, para isso, professores, coordenadores e diretores precisam estar por dentro das descobertas e tendências mais atuais da educação. Ademais, a própria forma de ensinar vem passando por transformações aceleradas nos últimos anos, com o surgimento da chamada educação 3.0, por exemplo. Nesse contexto, manter-se informado acerca das inovações em pedagogia é imprescindível para que o profissional do ensino continue realizando seu trabalho com qualidade. Ao se familiarizar com as tendências relacionadas à tecnologia na educação, os professores entrarão em contato com novas formas de ensinar e poderão desenvolver — caso ainda não o tenham — o hábito de continuar atualizando-se para descobrir outros usos das ferramentas disponibilizadas, novos programas e aplicativos de ensino, e por aí vai. Com isso, ganha-se flexibilidade, aumentando a capacidade dos profissionais de se adaptar a mudanças e aprender a lidar com novidades na escola. À medida que se acostuma a usar as novas ferramentas, o educador consegue ainda melhorar sua gestão de tempo dentro e fora da sala de aula, assim como estreitar seu relacionamento com os alunos por meio da interação com os aparelhos eletrônicos, tão presentes no dia a dia deles. A atualização impulsionada pela adoção da tecnologia, portanto, permitirá ao profissional da educação não apenas manter-se em dia com o que há de mais recente em sua área, como também trará benefícios diversos para a sua rotina, sua relação com os estudantes e o funcionamento da própria escola. 29 Profissionais sendo qualificados para utilização da tecnologia como método de ensino ( Fonte: https://vanzolini.org.br/weblog/2017/01/09/qual-importancia-da-qualificacao-profissional-no- mercado-de-trabalho/) 30 Moderando o uso da tecnologia Usar a tecnologia em sala de aula visa a aproveitar todas as vantagens que ela pode trazer para professores, pais e alunos, correto? Não se trata, assim, de ignorar as dificuldades que já existem (ou que possam eventualmente surgir no processo), muito menos de criar uma relação de dependência com as ferramentas tecnológicas. Felizmente, é a própria adoção da tecnologia que permitirá à escola moderar seu uso pelos alunos com muito mais eficácia. Ao ensinar como e quando esse recurso deve ser usado, além de controlar os momentos em que eles serão empregados em sala, o professor pode direcionar a capacidade dos estudantes de usar os aparelhos eletrônicos em seu próprio benefício, reduzindo seu uso inadequado e aumentando sua habilidade de lidar corretamente eles. Com a aplicação consciente da tecnologia na escola, é possível, por exemplo: • combater o cyberbullying e outras formas de preconceito; • reduzir a distração causada pelos smartphones e aparelhosmobile; • equilibrar o tempo que os estudantes dedicam aos jogos eletrônicos, aos estudos e à prática de atividades físicas; • orientar a pesquisa em fontes on e off-line confiáveis, aumentando o senso crítico dos alunos. O ensino híbrido, que combina a educação tradicional e o uso da tecnologia para conquistar a personalização do ensino, também pode ajudar a conciliar a utilização de ferramentas digitais com a atenção em aulas presenciais, assim como o uso de livros didáticos físicos, por exemplo. Qualquer que seja a metodologia adotada pela escola, é importante que, durante a transição pela qual ela passará para implementar o uso da tecnologia, haja processos claros entre os profissionais e os alunos, bem como o diálogo constante para lidar com obstáculos e dificuldades. Aos poucos, com horários e expectativas bem definidos em relação à utilização das novas ferramentas, será possível educar docentes e discentes para que todos se 31 beneficiem e aprendam a usar a tecnologia a seu favor, sem se tornarem dependentes dela. Pesquisa realizada pela: Revista Em Debate (UFSC), Florianópolis, volume 16, p. 107-123, 2016. ISSNe 1980-3532: (fonte : As Novas Tecnologias e aprendizagem: desafios enfrentados pelo professor na sala de aula) 32 Estimulando a leitura em sala de aula com ajuda da tecnologia O desinteresse pela leitura é um problema recorrente nas escolas hoje em dia, principalmente entre os jovens da geração Z. De fato, algumas pessoas chegam a associar essa questão à afinidade dos alunos com a tecnologia, entretanto, na realidade é possível, sim, usar o universo digital para incentivar o hábito de ler. Aproveite os livros em diferentes formatos Poder ler em tablets, smartphones e até e-readers, além de ser bastante prático, é uma excelente maneira de motivar os jovens que não se desgrudam das telinhas a descobrir o mundo da leitura. Alguns aplicativos contam com opção de consulta a dicionários dentro dos próprios livros digitais, e há também bibliotecas que fazem empréstimos de e-books. Outra ideia para desenvolver o gosto pela literatura usando a tecnologia é por meio dos audiolivros, que também contribuem para que alunos com diferentes perfis de aprendizado possam desfrutar igualmente dos livros trabalhados em sala. Transforme a leitura em uma experiência multimídia Um excelente exemplo de como a leitura pode ser interativa e multimídia é a série de webcomics (quadrinhos para a web) Homestuck, publicada no site MS Paint Adventures entre 2009 e abril de 2016. Composta por uma combinação de texto, imagens estáticas e animadas, jogos em Flash e vídeos que somam mais de 8 mil páginas e 800 mil palavras, a série pode ser “lida” no original, em inglês, ou em português. Inspirando-se nessa ideia, professores podem também aproveitar a tecnologia para tornar a experiência de leitura ainda mais interessante e enriquecedora ao indicar a filmes, reviews em vídeo, entrevistas com o autor e outros documentos on-line, realizar pesquisas diversas, entre várias outras possibilidades. Basta usar a criatividade! 33 Apresente os alunos a boas fontes on-line A internet, sem sombra de dúvida, contém um número assustador de informações incorretas, textos mal escritos, reportagens tendenciosas e outras mídias que podem acabar prejudicando os alunos com senso crítico em desenvolvimento. Entretanto, é inegável que, em meio a tudo isso, há também uma infinidade de fontes interessantíssimas, que podem contribuir para enriquecer as pesquisas dos estudantes e apresentar-lhes pontos de vista únicos e completos. Antes de condenar as pesquisas on-line, portanto, é muito produtivo que o professor procure conhecer os sites mais confiáveis para repassá-los aos alunos, ajudando-os a reconhecer, sozinhos, os sinais de que um texto é relevante e verídico. Alguns bons exemplos são: • páginas de universidades, nas quais os estudantes podem encontrar artigos acadêmicos sobre diversos assuntos; • o site Domínio Público, no qual se encontra uma variedade enorme de e-books gratuitos em português; • revistas digitais gratuitas financiadas pelas universidades e órgãos de fomento à pesquisa (como aquelas disponíveis no Portal de periódicos da Capes); • o Project Gutemberg, site com e-books gratuitos em diversas línguas; 34 Usando a tecnologia também para a avaliação do aluno Finalmente, é interessante ficar por dentro das maneiras que a tecnologia pode ser usada para avaliar os estudantes, otimizando o tempo do educador, potencializando o diagnóstico de dificuldades e, consequentemente, melhorando o desempenho e motivação dos alunos. Mesmo que não substituam por completo outros tipos de avaliação — visto que a variedade nos métodos avaliativos é, aliás, o mais recomendado para cobrir os diferentes perfis de aprendizado, as provas digitais podem ser corrigidas por computador e ainda fornecem automaticamente dados sobre o desempenho dos estudantes para análise e comparação pelos gestores. Além de diversificar o tipo de avaliação oferecido pela escola, deixar que os alunos usem a tecnologia para mostrar o que aprenderam enriquece sua experiência e aumenta sua segurança e entusiasmo com os estudos. Os benefícios das novas tecnologias na educação As novas tecnologias na educação são uma importante ferramenta para dinamizar o processo de ensino-aprendizagem. Se aplicada de modo responsável e criativo, a tecnologia pode apresentar diferentes benefícios para os alunos e até mesmo para a equipe de educadores. Com a popularização dos aparatos tecnológicos, é comum que as novas gerações tenham esses equipamentos inseridos em seu dia a dia, e a escola não deve estar alheia a essas influências. Importante ressaltar que a tecnologia não substitui o papel dos professores na educação, sendo fundamental que os educadores saibam conduzir a utilização dessas novas mídias e softwares. Um aparelho de última geração não garante o aprendizado do estudante, o que torna essencial a figura do professor (a) nesse processo. Quando o equilíbrio é encontrado, o uso de equipamentos, softwares e mídias contribuem para o desenvolvimento cognitivo dos alunos e auxiliam os professores a despertar a curiosidade dos estudantes. Confira alguns dos principais benefícios das novas tecnologias na educação. 35 Respeita a individualidade A inserção da tecnologia ao ensino permite que o professor avalie melhor o desempenho de cada criança nas atividades propostas. Isso porque é possível que o educador receba um feedback das atividades realizadas pelo estudante, o número de acertos e as dúvidas que ele teve durante os estudos. Dessa forma, as matérias podem ser adaptadas de acordo com perfil de cada aluno, de forma que aqueles com alguma deficiência cognitiva possam realizar atividades diferentes enquanto os demais colegas avançam nos exercícios conforme seu conhecimento — buscando, cada vez mais, novos desafios para todos. Aumenta a atenção As aulas no modelo tradicional de ensino, expositivas e com cerca de 50 minutos de duração, são cansativas e dificilmente prendem a atenção dos alunos por tanto tempo. Com as novas possibilidades de ensino, o professor tem autonomia para aplicar aquelas que mais atendem ao perfil dos seus alunos, de forma a mantê-los sempre focados. Estimula a interação Como já nascem familiarizados com as ferramentas tecnológicas, os jovens conseguem interagir bem por meio delas. Assim, com o auxílio da internet, mesmo os mais tímidos são capazes de realizar trabalhos em grupo, expressar suas opiniões e mostrar seus conhecimentos. Por consequência, os jovens sentem-se motivados, pois percebem que são parte ativa e importante do desenvolvimento do aprendizado de todos. Aumenta a motivação É possível tornar o ambiente escolar instigante e atrativopara crianças e adolescentes. Exercícios estimulantes, jogos desafiadores, vídeos didáticos e 36 atividades lúdicas: há uma série de recursos a serem explorados por alunos e professores. Desse modo, a escola torna-se um local agradável de se frequentar, evitando, inclusive, a evasão escolar. 5 novas tecnologias na educação: o futuro que já começou! Estamos vivendo a quarta revolução industrial e os impactos das mudanças em todos os setores são cada vez mais expressivos. De acordo com um estudo recente realizado pela consultoria McKinsey & Company, 14% da força de trabalho global terá de mudar para uma nova ocupação na carreira. O LinkedIn divulgou esta informação considerando que: “cerca de 375 milhões de profissionais serão obrigados a desenvolver novas habilidades em função da automação e das novas tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial, realidade aumentada e big data.” Como sabemos, a educação está diretamente envolvida com esta realidade. Afinal, a passagem de um modelo mais analógico para um mais tecnológico não pode ocorrer de forma brusca. Por isto as escolas precisam garantir que esta cultura seja absorvida entre as crianças e adolescentes que logo irão se deparar com novos formatos. Entenda as maiores tendências tecnológicas que já estão impactando escolas em todo o mundo e em breve estarão presentes em sua escola também! Big data e inteligência artificial Para desenvolver inteligência artificial, os computadores precisam ter acesso a uma grande quantidade de dados. Esse conjunto de dados é chamado de Big Data. Em outras palavras, eles são a matéria prima do aprendizado para as máquinas. 37 Com o tempo, espera-se que elas apresentem soluções cada vez mais úteis para demandas práticas dos seres humanos. Na educação, uma das principais vantagens desse recurso é o do aprendizado personalizado. Considerando que cada aluno tem um ritmo e um estilo único de aprender, a ideia é que as máquinas otimizem este processo e permitam que os estudantes possam ir mais direto ao ponto de acordo com suas necessidades. Outra perspectiva de vantagem é para a transdisciplinaridade. Como uma das principais tendências da educação, as matérias tendem a se interligar de maneira complexa. Para isto, será essencial poder cruzar dados que apresentem uma nova perspectiva do conhecimento com a ajuda da inteligência artificial. Realidade Virtual e Realidade Aumentada Entre as novidades tecnológicas mais promissoras para a sala de aula, estão a realidade virtual e a realidade aumentada. E apesar de próximos, muitas vezes esses conceitos são confundidos. A realidade virtual representa uma completa imersão em um mundo que não existe. Hoje, os óculos de VR (virtual reality) são usados para criar esta experiência. Já a realidade aumentada faz o caminho inverso e acrescenta elementos virtuais ao contexto presente. A princípio com foco em games e entretenimento, na educação também podemos ver uma possibilidade de aprendizado altamente interativo por meio destes recursos. Inclusive, entretenimento e educação podem se unir através do gamification, técnica que usa a cultura dos games para atingir determinados objetivos. 38 ( fonte: https://www.casamais360.com.br/educacao-tem-resultados-positivos- com-utilizacao-de-realidade-virtual-e-realidade-aumentada/) “Bring your own Device” Principalmente quando se fala de dispositivos pessoais, é comum que os professores tenham receio. Até agora eles são vistos como uma ameaça para o foco dos alunos durante as aulas. Porém esta é uma outra tendência da educação que já possui até nome: BYOD. A sigla em inglês que significa “traga o seu próprio dispositivo”. Isso porque é natural que os alunos se sintam mais confortáveis com o seu próprio espaço de trabalho digital. Diferente das antigas salas de informática, usar seu aparelho permite que os alunos aprendam a partir de um ambiente com o qual já possuem certa intimidade. Também surgem cada vez mais aplicativos com foco educacional desenvolvidos por escolas, metodologias e empresas do setor. 39 Web Semântica A web 3.0 é a evolução de uma internet de “armazenamento de documentos” para uma “web de dados”. O que sugere buscas cada vez mais complexas e refinadas pela internet. Dando um passo adiante neste conceito, hoje também já podemos visualizar a web 4.0 onde a internet se conecta com os objetos do cotidiano. Também chamada de Internet das Coisas. Neste caso, os próprios objetos recebem e transmitem informações para melhorar a relação com tudo o que acontece na vida das pessoas. Imagine por exemplo uma carteira que é capaz de medir o peso corporal e orientar a postura dos alunos. Esses dados poderiam ser enviados para o celular dos alunos ou professores, ajudando a se lembrarem de manter um estilo de vida mais saudável. Nem precisamos mencionar o quanto a Web Semântica se conecta com a Big Data e a Inteligência Artificial. Transmídia A transmídia permite que os conteúdos sejam acessados por diferentes mídias de forma complementar. Na prática, significa que os professores podem expandir suas aulas para muito além do formato da lousa e das apostilas. Seja permitindo o uso dos próprios dispositivos dos alunos como celulares, tablets e computadores pessoais ou mesmo explorando outras mídias off-line. Da mesma forma que é um grande potencial, existe o desafio de conectar informações e dados entre elas. Portanto a inteligência artificial precisa surgir como aliada neste processo. A ideia é que o aprendizado se torne mais dinâmico e ative a autonomia de estudo em qualquer lugar. 40 Outras tecnologias aplicadas na educação Gamificação A gamificação na sala de aula usa jogos digitais para motivar e engajar os estudantes em algum método de aprendizado. Os jogos são completamente interativos e utilizam pontuações, premiações e níveis de dificuldade para ensinar os assuntos. Além de ser uma opção muito eficaz para atrair os alunos — que aprendem brincando —, a gamificação aperfeiçoa e desenvolve habilidades como o trabalho em equipe, o espírito competitivo e a criatividade. O jogador precisa sempre estar atento e tomar decisões de forma a resolver problemas. Lousas digitais A lousa digital é a solução atual para a substituição do antigo quadro-negro. Basicamente, consiste em usar um grande monitor de computador sensível ao toque. Por meio dos seus recursos interativos, o educador trabalha os conteúdos com seus alunos de forma completa e abrangente. Outra grande vantagem desses quadros digitais é que as matérias ensinadas não se perdem. É possível usar a ferramenta para salvar e compartilhar os assuntos posteriormente. Assim, os estudantes não precisam interromper seus raciocínios para copiar os textos e as explicações. 41 Referências ______. Lei n.º 5.540, de 28 de novembro de 1968. 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