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IANI SOARES LUZ XIII – MED APG 28 – CERVICALGIA Coluna vertebral Vértebras cervicais: Os corpos das vértebras cervicais (C I a C VII) são menores que os das outras vértebras, exceto aquelas que formam o cóccix. - Seus arcos vertebrais, no entanto, são maiores. - Todas as vértebras cervicais apresentam 3 forames: 1 forame vertebral (largo, pois aloja a intumescência cervical da medula espinal) e 2 forames transversos. - Cada processo transverso cervical contém um forame transversal, através do qual passam a artéria vertebral e sua veia acompanhante, além de fibras nervosas. - C I (atlas): Referência à figura mitológica de Atlas. - É um anel ósseo com arco anterior e arco posterior e grandes massas laterais. - Não apresenta corpo nem processo espinhoso. - As superfícies superiores das massas laterais (faces articulares superiores) são côncavas e se articulam com os côndilos occipitais do occipital para formar o par de articulações atlantoccipitais (movimento de anuência). - As superfícies inferiores das massas laterais (faces articulares inferiores) se articulam com a C II. IANI SOARES LUZ XIII – MED - Os processos transversos e os forames transversos do atlas são bastante grandes. - C II (áxis): Apresenta corpo vertebral. Um processo chamado dente/processo odontoide se projeta superiormente pela porção anterior do forame vertebral do atlas. - O dente serve de eixo em torno do qual a cabeça faz rotação. - Em algumas situações de trauma, o dente do áxis pode ser projetado contra o bulbo, sendo esse tipo de lesão a causa usual de morte das lesões por mecanismo de chicote (lesão por flexão- extensão súbitas). – C III a C VI: Correspondem ao padrão estrutural de uma vértebra cervical típica. - C VII (vértebra proeminente) é um tanto diferente, revelando um processo espinhoso grande e não bífido que pode ser percebido e palpado na base do pescoço, mas, sob outros aspectos, é típica. IANI SOARES LUZ XIII – MED Vértebras torácicas - As vértebras torácicas (T I a T XII) são maiores e mais fortes que as vértebras cervicais. - Os processos espinhosos de T I a T X são longos, achatados lateralmente e direcionados para baixo. Em contraste, os processos espinhosos de T XI e T XII são mais curtos, mais largos e direcionados mais posteriormente. - As vértebras torácicas são identificadas com facilidade por suas fóveas costais, que são superfícies que se articulam com as costelas. - As vértebras torácicas se articulam com as costelas. • Com exceção de T XI e T XII, os processos transversos das vértebras torácicas possuem fóveas costais que se articulam com os tubérculos das costelas. - Os corpos vertebrais das vértebras torácicas apresentam superfícies articulares que formam articulações com as cabeças das costelas. • As superfícies articulares nos corpos vertebrais são chamadas de fóveas costais. • Uma fóvea é formada quando a cabeça de uma costela se articula com o corpo de uma vértebra. • Uma hemifóvea é formada quando a cabeça de uma costela se articula com 2 corpos vertebrais adjacentes. - Os movimentos da região torácica são limitados pela fixação das costelas ao esterno. IANI SOARES LUZ XIII – MED Cervicalgia Epidemiologia - A dor cervical ou cervicalgia é um distúrbio musculoesquelético comum, com uma prevalência na população geral de aproximadamente 10%. - Ocorre em 70% dos indivíduos em algum momento de suas vidas, porém menos de 1% dos afetados desenvolverão déficits neurológicos. Etiologia, fisiopatologia e manifestações clínicas Fatores de risco para dor cervical: • Posturas fixas e prolongadas; • Curvatura aumentada do tronco; • Flexão cervical acentuada por longos períodos durante atividades; • Inadequação de aspectos ergonômicos e atividades que envolvam vibração contínua das mãos e dos braços; características psicossociais e relacionadas com a carga de trabalho; • Lesão prévia da região cervical; • Situações de litígio e requerimento de benefícios trabalhistas; etc. - A dor cervical pode originar-se de várias estruturas anatômicas, incluindo tecidos moles paraespinhais, articulações intervertebrais e discos, compressão medular e de raízes nervosas e dor referida. Divisão dos distúrbios que afetam a coluna cervical: Aqueles que cursam predominantemente com dor cervical: • Distensão cervical • Espôndilos • Discopatia degenerativa • Síndrome do chicote • Síndrome miofascial Aqueles que causam com mais frequência dor em extremidades superiores e disfunção neurológica: • Hérnias discais com radiculopatia • Mielopatia IANI SOARES LUZ XIII – MED Atentar-se aos sinais de alerta na cervicalgia: IANI SOARES LUZ XIII – MED SÍNDROME DO CHICOTE (TRAUMATISMO DA COLUNA VERTEBRAL) - O traumatismo da coluna cervical (fraturas, subluxação) submete a medula espinal ao risco de compressão. Etiologia Acidentes automobilísticos, crimes violentos ou quedas são responsáveis por 87% das lesões de medula espinal cervical. • A imobilização imediata do pescoço é essencial para minimizar qualquer lesão adicional da medula espinal em consequência do movimento de segmentos instáveis da coluna cervical. Fisiopatologia - Lesão em chicote é causada, em geral, por impactos indiretos traumáticos com mecanismo de aceleração-desaceleração, determinando transferência de força para a região cervical que leva à flexão e extensão abruptas e rápidas do pescoço. • Múltiplas estruturas podem ser lesadas, incluindo tecidos moles, nervos espinhais, discos intervertebrais, ligamento longitudinal posterior, ligamentos interespinhosos, articulações facetarias e outras estruturas ósseas. Manifestações clínicas • Dor severa • Espasmo • Perda de mobilidade • Dor occipital, que tendem a ser autolimitados. - A dor pode persistir mesmo nos casos em que poucas anormalidades são identificadas nos exames de imagem. - Até 50% dos adultos com síndrome do chicote relatam dor cervical em um ano, sendo que 15% desses casos evoluem para dor cervical crônica. Diagnóstico - A decisão de obter imagens deve basear-se na natureza da lesão. - A realização de exames de imagem da coluna cervical não é custo efetiva agudamente, mas é útil para detectar hérnias de disco quando os sintomas persistem por > 6 semanas após a lesão. • A TC é o procedimento diagnóstico de escolha para a detecção de fraturas agudas após trauma grave; radiografias simples podem ser usadas para graus menores de traumatismo. - Quando se suspeita de lesão traumática das artérias vertebrais ou da medula espinal cervical, a visualização por RM com angiorressonância é preferida. IANI SOARES LUZ XIII – MED OBS: Quando se deve solicitar exames de imagem? Critérios de baixo risco do National Emergency X-Radiography Utilization Study (NEXUS): - Pacientes, normalmente, alertas sem sensibilidade à palpação na linha média, intoxicação, déficits neurológicos ou lesões dolorosas preocupantes têm uma probabilidade muito baixa de lesão traumática significativa da coluna cervical. Diretriz da Canadian C-spine - Recomenda que exames de imagem sejam obtidos após o traumatismo da região do pescoço se o paciente tiver > 65 anos de idade, parestesia de membro ou um mecanismo perigoso para a lesão (p. ex., colisão de bicicleta com árvore ou carro estacionado, queda de altura > 1 metro ou cinco degraus, acidente de mergulho). ESPONDILOSE/OSTEOARTROSE CERVICAL - A osteoartrose ou espondilose cervical resulta de um desarranjo da arquitetura do disco que leva à dor de origem mecânica. Fisiopatologia - O processo degenerativo é associado à inabilidade dedistribuição das pressões entre disco, vértebras e facetas. - Os segmentos mais afetados são C4 a C7. • No início, ocorre desidratação do núcleo pulposo, com consequente redução de seu volume e alterações no ânulo fibroso, que se distende lateralmente e se torna menos elástico. • Há redução da distância entre os corpos vertebrais, com aumento do estresse mecânico nas facetas e articulações uncovertebrais, levando à ruptura, desorganização cartilaginosa e formação osteofitária. • Osteófitos, protrusões discais ou hipertrofia das articulações facetárias ou uncovertebrais podem, isoladamente ou em conjunto, comprimir uma ou várias raízes nervosas nos forames intervertebrais; essa compressão é responsável por 75% das radiculopatias cervicais. - As raízes mais comumente acometidas são C7 e C6. • O estreitamento do canal vertebral por osteófitos, a ossificação do ligamento longitudinal posterior (OLLP) ou um grande disco central podem comprimir a medula espinal cervical e produzir sinais de mielopatia isolada ou de radiculopatia com mielopatia (mielorradiculopatia). IANI SOARES LUZ XIII – MED Manifestações clínicas - Pode provocar dor no pescoço que se irradia para a nuca, os ombros ou os braços, ou pode ser a origem de cefaleias na região occipital posterior (suprida pelas raízes nervosas C2-C4). • Dor axial é mais severa do que a dor em membros. - Os sintomas são exacerbados quando o pescoço é mantido em uma mesma posição por tempo prolongado e à mobilização, que se encontra reduzida. - Com frequência, observa-se associação com contraturas musculares e cefaleia suboccipital. Diagnóstico - A doença discal degenerativa é mais apropriadamente um diagnóstico radiológico do que uma síndrome clínica e costuma ser descrita em radiografias de pacientes tanto sintomáticos como assintomáticos. - A RM é o estudo de escolha para definir os tecidos moles na região cervical incluindo a medula espinal, enquanto a TC simples é ideal para identificar patologia óssea, incluindo estenose do forame, do recesso lateral ou do canal medular. - Na mielopatia espondilótica pode haver realce focal na RM, às vezes em um padrão característico de “panqueca”, no local da compressão máxima da medula. - Não há evidências que sustentem a cirurgia profilática na estenose espinal cervical assintomática sem sinais de mielopatia ou achados anormais da medula espinal na RM, exceto em casos de instabilidade dinâmica. HÉRNIA DE DISCO CERVICAL - Ocorre quando há protrusão do núcleo pulposo através de soluções de continuidade das fibras do ânulo fibroso. • A maioria das hérnias ocorre na posição posterolateral, sobretudo entre C5-C6 e C6- C7. - A doença degenerativa do disco intervertebral é uma consequência natural do envelhecimento, sendo sua ocorrência observada na maior parte da população, que frequentemente é assintomática. • A hérnia de disco pode ser compreendida como uma alteração precoce dentro do quadro de degeneração discal. Fatores de risco • Genética (surgimento de alterações degenerativas dolorosas mais precocemente que em outros grupos familiares); • Tabagismo (acelera o processo de envelhecimento dos discos e dos tecidos conjuntivos da coluna); obesidade (maior deterioração dos discos cervicais e lombares); IANI SOARES LUZ XIII – MED • Ocupações profissionais (excesso de movimentação cervical, de carga sobre os discos e facetas ou de carga vibratória sobre a coluna); • Fatores psicológicos (ansiedade e depressão); • Pacientes com disputas ou litígios trabalhistas; etc. Fisiopatologia - Fazem parte do conjunto de fatores que causam degeneração discal os seguintes eventos: - Perda ou diminuição do grupo de células responsáveis pela produção da matriz extracelular do disco, perda de proteoglicanos e consequentemente de água (diminuindo a hidratação discal), substituição do colágeno do tipo II pelo colágeno do tipo I, fissuras anulares, incompetência mecânica e alterações ósseas em resposta à sobrecarga (formação de osteófitos). OBS: Dependendo do local onde ocorrer a herniação discal, podem ocorrer diferentes situações clínicas. • Herniação ocorre na região anterior ao corpo vertebral, sob o ligamento longitudinal anterior: Raramente causa sintomas; • Herniação na região posterolateral, na parte lateral do canal vertebral ou no forame intervertebral: Pode causar a compressão de uma raiz cervical; • Herniação na região posteromedial ou central: Pode comprimir a medula e seus vasos; • Herniação na região lateral: Pode provocar a compressão da artéria vertebral. Manifestações clínicas - As afecções degenerativas da coluna cervical podem estar associadas a dor cervical axial isolada ou com irradiação para um ou ambos os membros superiores (cervicobraquialgia). - A braquialgia é mais frequentemente causada pela compressão de uma raiz cervical por uma hérnia discal posterolateral e a dor cervical pela irritação do plexo sensitivo raquidiano. IANI SOARES LUZ XIII – MED - A dor irradiada também pode ser causada pelo estreitamento do forame de conjugação pela hipertrofia facetária e pela formação de osteófitos. - A cervicalgia geralmente é insidiosa, sem causa aparente. ◦ Em raras situações, tem início de forma súbita, relacionada com movimentos bruscos do pescoço, longa permanência em uma posição forçada, esforço ou traumatismos. - Na maior parte dos casos, a cervicalgia melhora nitidamente com o repouso e piora com a movimentação e piora com o aumento da pressão liquórica, como na manobra de Valsalva, e à compressão das apófises espinhosas. - Com frequência, há espasmo da musculatura paravertebral. - Quadro clínico encontrado varia conforme o nível neurológico ou raiz nervosa acometidos. • Alterações sensitivas associadas à compressão radicular são a irradiação da dor para o membro superior em um dermátomo definido. - Frequentemente o doente relata parestesias no mesmo local. Às vezes, encontra-se hipoestesia no local acometido. • Pode-se encontrar déficit de força nos músculos inervados pela raiz comprometida. - A paralisia da musculatura é rara. • A hiporreflexia ou arreflexia pode ocorrer quando houver alteração dos reflexos. • É importante lembrar que nem toda a dor irradiada para o membro superior é causada pela compressão de uma raiz na região cervical. IANI SOARES LUZ XIII – MED IANI SOARES LUZ XIII – MED Tratamento - Os principais objetivos do tratamento são ajudar o paciente no controle da dor e limitar ou eliminar os distúrbios ou inconveniências causadas na sua vida diária pela hérnia de disco. Tratamentos não cirúrgicos Medicamentos: Uso de antiinflamatórios não hormonais, corticosteroides, opioides, relaxantes musculares e antidepressivos; Repouso relativo: Limitado a 48 ou 72 h, pois a atrofia e o desuso também são causas importantes de disfunção; Métodos fisioterápicos: Sejam eles modalidades passivas, como gelo, calor e ultrassom, ou tração, exercícios isométricos e exercícios que trabalham a flexibilidade; Condicionamento aeróbico e exercícios de resistência; Programas de fisioterapia domiciliar; Manipulação cuidadosa. Tratamento cirúrgico - Raramente é indicado. - Entre as indicações de cirurgia de urgência estão os doentes com radiculopatia grave rapidamente progressiva. - Na maior parte dos casos, o tratamento cirúrgico deve ser considerado após o insucesso do tratamento não operatório, feito de forma adequada, por um período mínimo de 3 meses. IANI SOARES LUZ XIII – MED SÍNDROME DO DESFILADEIRO TORÁCICO (SDT) - A síndrome do desfiladeiro torácico engloba diversas doenças.- Ocorre pela compressão de estruturas nervosas ou vasculares na região do desfiladeiro torácico. - Desfiladeiro torácico: Contém a 1ª costela, a artéria e a veia subclávias, o plexo braquial, a clavícula e o ápice pulmonar. • Triângulo interescaleno (mais proximal): Local mais comum de compressão do plexo braquial. - Seus limites são formados pelo músculo escaleno anterior, escaleno médio e a superfície medial da primeira costela. • Espaço costoclavicular (intermediária): Formado pelo terço médio da clavícula, pela borda superior da escápula e pela 1ª costela. • Espaço subcoracoide (mais distal): Formada pelo processo coracoide, pelo peitoral menor e pelas costelas. - É um local raro de compressão. - Entre as estruturas mais comumente comprimidas e responsáveis pelos sintomas dessa síndrome estão o plexo braquial, a artéria e a veia subclávia. Epidemiologia - A incidência da síndrome do desfiladeiro torácico é difícil de ser determinada pela falta de um exame confirmatório confiável e objetivo. - Ocorre mais frequentemente em pacientes com idade entre 20 e 50 anos e é 3x mais comum no sexo feminino. IANI SOARES LUZ XIII – MED Fatores de risco • Presença de anormalidades do escaleno médio e mínimo; tumores; • Anormalidades da 1ª costela; • Processo transverso alongado de C7, bandas fibrosas e da costela cervical Classificação da SDT SDT neurogênica (98% dos casos) - Mais comum. - É causada pela compressão do plexo braquial ou dos ramos ventrais das raízes nervosas C8 ou T1 por uma faixa anormal de tecido que conecta um processo transverso alongado em C7 com a 1ª costela. Forma verdadeira (síndrome da mão de Gilliatt-Sumner) - Sinais objetivos, como a atrofia da musculatura da mão, ou em uma forma mais frequente, em que não há sinais objetivos. - Radiografia AP da coluna cervical mostrará o processo C7 alongado (um marcador anatômico para a faixa cartilaginosa anômala). - Tratamento consiste na ressecção cirúrgica da faixa anômala. SDT inespecífica ou disputada - Maioria dos casos. - Dor crônica no braço e ombro é proeminente e sem causa clara. - A ausência de achados sensíveis e específicos ao exame físico ou de marcadores laboratoriais para esse distúrbio resulta em incerteza diagnóstica. - O papel da cirurgia na SDT inespecífica e controversa. - Depressão maior, sintomas crônicos, lesão relacionada ao trabalho e sintomas difusos no braço predizem resultados cirúrgicos ruins. SDT vascular - Mais rara. Forma arterial: Se houver comprometimento da artéria subclávia por uma costela cervical, que, por sua vez, resulta em dilatação pós-estenótica da artéria e, em alguns casos, formação secundária de trombo. IANI SOARES LUZ XIII – MED ▪ A ultrassonografia pode confirmar o diagnóstico de maneira não invasiva. ▪ O tratamento consiste em trombólise ou anticoagulação (com ou sem embolectomia) e excisão cirúrgica da costela cervical que comprime a artéria subclávia. Forma venosa: Se houver comprometimento da veia subclávia comprimida por uma costela cervical ou um músculo escaleno anômalo. ▪ Deve-se a trombose da veia subclávia, resultando em edema do braço e dor. ▪ A venografia é o exame de escolha para o diagnóstico. Manifestações clínicas - Os sintomas são frequentemente bilaterais, mas com predomínio no membro superior dominante. SDT neurogênica Sintomas, geralmente, insidiosos. Dor cervical ou no ombro com irradiação para o membro superior, fraqueza dos músculos intrínsecos da mão e sensibilidade diminuída na face palmar do 5º dedo. - Ocasionalmente, há antecedente traumático, de esforço repetitivo ou mantido no membro superior. - O território de irradiação da dor dependerá do local do plexo braquial comprimido. - Na maior parte dos casos, o tronco inferior é envolvido e provoca sintomas de hipoestesia ou parestesia na borda medial do antebraço e nos 4º e 5º dedos. - Se houver comprometimento do tronco superior, o doente pode queixar-se de dor e parestesia na borda lateral do antebraço e nos dedos radiais da mão. - Queixas de fraqueza e fadiga das mãos são comuns e mais associadas a atividades repetitivas ou sustentadas com o membro superior acima da cabeça. - Atrofia da musculatura da mão pode ser encontrada na forma neurogênica verdadeira ou síndrome da mão de Gilliatt-Sumner. IANI SOARES LUZ XIII – MED - Deve-se pensar na SDT quando os sintomas não seguirem uma distribuição típica de uma raiz ou um nervo específico ou se não houver concordância entre os testes ao exame físico ou exames subsidiários com a queixa clínica. - A tração cervical pode ser utilizada para auxiliar no diagnóstico diferencial, já que promove melhora dos sintomas causados por uma hérnia de disco mas não alteram os provocados pela síndrome do desfiladeiro torácico. - A manobra de Spurling poderá ser positiva nas cervicobraquialgias por hérnia de disco cervical e negativa na síndrome do desfiladeiro torácico. SDT vascular - Arterial: A isquemia da mão com sintomas de dor, palidez, parestesia e frieza é a apresentação mais comum. ▪ A pressão arterial fica reduzida no membro acometido, podendo haver sinais de embolia na mão. Não há sinais neurológicos. ▪ Os sintomas desenvolvem-se espontaneamente sem relação com o trabalho ou trauma. ◦ Venosa: Edema, cianose e distensão venosa superficial no membro superior acometido. ▪ - Geralmente, ocorre em indivíduos que realizam esforços repetitivos vigorosos das extremidades a superiores, geralmente com os braços acima do nível do ombro. - A forma vascular também pode causar sintomas neurogênicos por isquemia dos nervos distais. IANI SOARES LUZ XIII – MED Manobras de exame físico A maior parte das manobras avalia a forma vascular da SDT. Teste de Adson - Palpa-se o pulso da artéria radial com o braço do paciente em abdução e com o cotovelo estendido. - Solicita-se, então, ao paciente que faça uma inspiração profunda e vire a cabeça para o lado sintomático. - Se houver compressão da artéria subclávia, poderá ser identificada uma redução na amplitude do pulso da artéria radial. - A presença do teste de Adson positivo não necessariamente indica a presença da SDT. - É um teste provocativo da Síndrome do Desfiladeiro Torácico, através da compreensão da artéria subclávia por uma costela cervical ou pelo músculo escaleno e médio. IANI SOARES LUZ XIII – MED Teste de estresse do braço elevado - Paciente é posicionado com o ombro abduzido a 180° e o cotovelo estendido. - Pede-se então para o paciente abrir e fechar a mão rapidamente por 3 minutos. - Paciente com teste positivo apresentará sintomas concordantes com a queixa clínica. Sinal de Tinel supraclavicular - Presente nos doentes com evolução longa da doença, em que há presença de parestesia irradiada pelo braço à percussão da região supraclavicular. - O doente com teste positivo apresentará sintomas concordantes com a queixa clínica. - Nos doentes com evolução longa da doença, pode-se encontrar um sinal de Tinel supraclavicular em que há presença de parestesia irradiada pelo braço à percussão da região supraclavicular. Tratamento SDT vascular: Pode demandar tratamento de urgência. Entretanto, na maior parte dos casos, pode ser tratada ambulatorialmente. SDT neurogênica: Tratamento conservador. ◦ Repouso relativo: Doente evite as atividades que provocam ou exacerbam os sintomas; ◦ Exercícios: Para a correção da postura, para ganho de amplitude de movimento cervical e dos ombros e exercícios de alongamento e fortalecimento; IANI SOARES LUZ XIII– MED ◦ Medicações analgésicas como antiinflamatórios não hormonais e injeção de pontos gatilho: Podem ser úteis no controle sintomático; ◦ Esteroides ou toxina botulínica tipo A também podem ser usados. ◦ Tratamento cirúrgico - Indicado para os casos em que não houve sucesso com o tratamento conservador feito adequadamente por 6 a 12 meses e com manutenção de sintomas intensos. - Tem como objetivo promover a descompressão da porção do plexo ou dos vasos comprimidos. OBS: Alguns testes neurológicos especiais podem acrescentar informações importantes no diagnóstico diferencial, em especial na detecção de radiculopatias: Teste de Spurling - Examinador coloca as mãos sobre a cabeça do paciente sentado, com flexão lateral leve do pescoço, e realiza compressão firme para baixo. - O teste será considerado positivo se o paciente relatar aumento dos sintomas radiculares na extremidade superior. ◦ A manobra é altamente específica para compressão cervical, mas sua sensibilidade é baixa. ◦ Não é recomendado no rastreamento de radiculopatia, mas pode ser útil na sua confirmação. - A propedêutica do exame consiste em posicionar o paciente, de preferência sentado, com examinador localizado às costas do paciente. - Localiza-se a lateralidade da cervicalgia, pedindo-se, em seguida, para que o paciente lateralize levemente sua cabeça para o lado acometido. - Em seguida, o examinador exercerá uma força de compressão no topo da cabeça do indivíduo, exacerbando a compressão radicular, evidenciando a dor na região cervical e sua lateralidade, bem como pode haver irradiação para o membro superior ipsilateral. IANI SOARES LUZ XIII – MED Teste da distração - Examinador coloca uma das mãos sobre o queixo e a outra ao redor da parte posterior da cabeça e levanta aos poucos a cabeça do paciente para “distrair” a coluna cervical. - Se o paciente observar alívio ou redução da dor, o achado é positivo para lesão de raiz nervosa. - O teste de Distração é uma teste diagnóstico oposto ao de Spurling. - Consiste em descomprimir as raízes nervosas cervicais, por meio da elevação ativa da cabeça do paciente pelo examinador. - O examinador, após realizar o Teste de Spurling, ainda localizado posterior ao paciente, que está com a cabeça em posição neutra, posiciona uma mão nos ramos da mandíbula e a outra na região occipital, realizando um movimento contrário ao de Spurling, elevando a cabeça do indivíduo, proporcionando descompressão das raízes nervosas e relativo alívio da dor antes referida. Sinal de Lhermitte - Examinador flexiona passivamente para frente a cabeça do paciente sentado. -Se houver dor ou parestesias ao longo da coluna vertebral, o resultado do teste é positivo. ◦ Esse teste é usado no diagnóstico de irritação meníngea e instabilidade atlantoaxial, mas pode também ser positivo na esclerose múltipla. Teste de Adson (já descrito). IANI SOARES LUZ XIII – MED ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS (AINES) - São eficazes na supressão da inflamação, no alívio da dor e na redução da febre, em virtude da capacidade de inibir as cicloxigenases (COX). - As COXs são enzimas localizadas no retículo endoplasmático e formam os hormônios locais prostaglandinas, prostaciclina e tromboxanos a partir do ácido araquidônico. • COX-1: Constitutiva, isto é, está sempre presente e ativa; contribui para o funcionamento fisiológico dos órgãos. • Sua inibição produz, inevitavelmente, efeitos indesejáveis como lesões às mucosas, distúrbio da função renal, alterações hemodinâmicas e distúrbios da função uterina; • COX-2: Induzida pelos processos inflamatórios e produz prostaglandinas que sensibilizam os nociceptores, provocam febre e estimulam a inflamação por meio da vasodilatação e do aumento da permeabilidade vascular. - A COX-2 também é constitutiva (rins, endotélio vascular, útero e SNC). • COX-3: Encontrada dentro do sistema nervoso central. Mediadores inflamatórios Prostaglandina: Promovem vasodilatação e estão envolvidas na patogenia da dor e febre na inflamação. ◦ E2: Aumenta a sensibilidade a dor a uma variedade de outros estímulos e interage com citocinas para causar febre. ◦ As prostaglandinas sensibilizam os nociceptores (hiperalgesia) e estimulam os centros hipotalâmicos de termorregulação. Prostaciclina (prostaglandina I2): Predomina no endotélio vascular e atua causando vasodilatação e inibição da adesividade plaquetária. Tromboxano A2: Predominante nas plaquetas, causa efeitos contrários, como vasoconstrição e agregação plaquetária. Leucotrienos: Aumentam a permeabilidade vascular e atraem os leucócitos para o sítio da lesão. Histamina e bradicinina: Aumentam a permeabilidade capilar e ativam os receptores nocigênicos. IANI SOARES LUZ XIII – MED - Representantes: • Inibidores irreversíveis da COX: Aspirina; • Inibidores reversíveis da COX: Ácido acetilsalicílico (AAS). - Efeitos colaterais • Gastrintestinais: Dispepsia até hemorragia maciça causada por úlcera gástrica perfurada, como resultado de inibição da produção de prostaciclina. - Há ainda risco de sangramento gastrintestinal. • Renais: Taxa menor de filtração glomerular, retenção de sal e água, e lesão renal aguda. • Respiratórios: Exacerbação da asma (ações broncoconstritoras diretas). • Cardiovasculares: Aumento dependente da dose no risco de eventos trombóticos cardíacos e cerebrais. • Hematológicos: Redução da função e adesividade das plaquetas e maior tempo de sangramento. ◦ A aspirina merece menção especial, pois inibe irreversivelmente a COX de plaquetas. Como resultado, as plaquetas se tornam ineficientes durante todo o seu ciclo de vida de 10 dias. • Cicatrização óssea: Redução da taxa de cicatrização óssea e aumento da incidência de não-consolidação de fraturas. IANI SOARES LUZ XIII – MED