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Universidade Federal Fluminense Faculdade de Direito Ana Rosa Gonçalves Melo Análise Artigo 492 do Código Civil Volta Redonda 2023 Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. § 1º Todavia, os casos fortuitos, ocorrentes no ato de contar, marcar ou assinalar coisas, que comumente se recebem, contando, pesando, medindo ou assinalando, e que já tiverem sido postas à disposição do comprador, correrão por conta deste. § 2º Correrão também por conta do comprador os riscos das referidas coisas, se estiver em mora de as receber, quando postas à sua disposição no tempo, lugar e pelo modo ajustados. O artigo 492º estipula a imputação de responsabilidade pela perda ou deterioração dos bens obtidos na venda, bem como a imputação dos riscos neste processo. É importante estar atento a este dispositivo, pois oferece uma solução para situações em que o risco está associado ao preço. Em geral, o preço não se perde por se tratar de obrigação do gênero (genus non perit). No entanto, em alguns casos, todo um gênero monetário pode deixar de existir, como no caso de uma anexação ou revolução nacional de um Estado, o que resultaria no desaparecimento do padrão monetário atual e seu não reconhecimento na nova ordem. Desse modo, o artigo 492 utiliza o princípio res perit domino, o que significa que, a coisa perece em face do dono. Esse princípio auxilia na determinação da responsabilidade por perda ou deterioração de bens adquiridos antes ou depois da tradição. Enquanto não houver a tradição, ou o registro, o proprietário continuará sendo o vendedor que irá arcar com a responsabilidade civil pela perda ou deterioração do bem objeto de compra e venda, sem culpa de ambas as partes. E justificando o “preço por conta do comprador”, após a tradição, ou após o registro, a responsabilidade civil pela perda ou deterioração do bem já será do adquirente. Conclui-se, portanto, que o princípio res perit domino em relação ao risco deve ser respeitado, pois antes da tradição a coisa perece para o vendedor por ser ele o proprietário e após a tradição perece para o comprador. Referências bibliográficas BRASIL, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 139, n. 8, p. 1-74, 11 jan. 2002. SAIBA mais sobre: perda ou deterioração da coisa. Cers, [S. l.], p. 1-1, 7 nov. 2016. Disponível em: https://noticias.cers.com.br/noticia/saiba-mais-sobre-perda-ou-deterioracao-da-coisa/. Acesso em: 5 maio 2023. ROSENVALD, Nelson; NETO, Felipe Braga. Código Civil Comentado. [S. l.]: Juspodivm, 24/01/2023. 1-2224 p. v. 04.