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Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 APG 19- Glomerulonefrite Objetivos:- Fisiopatologia da GNPE - Fatores de risco e complicações - Epidemiologia - Quadro clínico - Diagnóstico - Tratamento - Profilaxia - Falar da bactéria. Introdução Embora classicamente chamadas de glomerulonefrites (GN), doenças glomerulares muitas vezes não apresentam sinais de reação inflamatória, razão pela qual o termo glomerulopatia é mais adequado. O quadro morfológico das glomerulopatias tem enorme importância prática, pois, entre todas as doenças renais, elas são as mais diagnosticáveis por meio de biópsia. Uma mesma forma de apresentação clínica pode corresponder a lesões morfológicas muito diferentes, com mecanismos patogenéticos, prognóstico e abordagem terapêutica distintos. De maneira análoga, um padrão de lesão morfológica pode estar associado a diferentes etiologias, envolvendo prognóstico e tratamento específicos. A interpretação conjunta dos achados à microscopia de luz (ML) com os exames de imunofluorescência (IMF) e microscopia eletrônica (ME), além do quadro clínico, são essenciais para que a biópsia renal possa fornecer o diagnóstico correto. Glomerulopatias podem ser primárias ou secundárias. Nas primárias, as alterações glomerulares representam o sítio principal ou único de lesão. As secundárias referem-se a modificações glomerulares que ocorrem em doenças sistêmicas, de etiologia diversa, seja imunitária (lúpus eritematoso sistêmico), metabólica (diabetes melito), vascular (poliarterite nodosa), hematológica (drepanocitose) ou hereditária (síndrome de Alport). Quanto à distribuição morfológica, as GN podem ser difusas (quando há lesão da maioria dos glomérulos) ou focais (menos de 50%), segmentares (comprometimento de parte do tufo) ou globais (todo o tufo é atingido). Com a progressão da doença, é comum que lesões inicialmente focais se estendam a quase todos os glomérulos e lesões segmentares tornem-se globais. Os glomérulos apresentam um padrão de resposta morfológica relativamente restrito às diversas agressões. Agentes agressores variados, de natureza muito diversa, estão envolvidos na etiologia das glomerulonefrites. Os mecanismos patogenéticos também são numerosos, tendo fatores imunitários papel de destaque na maioria das GN. Envolvimento imunitário na gênese das GN ocorre por duas vias: (a) deposição glomerular de imunocomplexos (IC) circulantes; (b) formação in situ de IC, que é a forma mais comum. Em ambas, há ativação do complemento, inclusive pela via alternativa. Produtos dos IC ou da ativação do complemento podem agredir células epiteliais, endoteliais ou do mesângio diretamente ou induzir resposta inflamatória. Síndrome Nefrítica A síndrome nefrítica é um complexo clínico, de início usualmente agudo, caracterizada por: (1) hematúria com glóbulos vermelhos dismórficos e cilindros hemáticos lançados na urina; (2) algum grau de oligúria e azotemia; (3) hipertensão. Embora a proteinúria e mesmo o edema também possam estar presentes, eles usualmente não são severos como na síndrome nefrótica. As lesões que causam a síndrome nefrítica têm em comum a proliferação das células dentro do glomérulo, frequentemente acompanhada por infiltrado leucocitário inflamatório. Essa reação inflamatória lesa gravemente as paredes dos capilares, permitindo que o sangue passe para a urina e induzindo alterações hemodinâmicas que levam à redução da TFG. A TFG reduzida é manifestada clinicamente por oligúria, retenção de fluidos e azotemia. A hipertensão é provavelmente o resultado da retenção de fluidos e algum aumento na liberação de renina a partir do rim isquêmico. A síndrome nefrítica aguda pode ser produzida por desordens sistêmicas, como lúpus eritematoso sistêmico, ou ser secundária a doença glomerular primária. A última é exemplificada pela GN pós- infecciosa aguda. Glomerulonefrite pós-estreptocócica ✓ A glomerulonefrite pós-estreptocócica (GNSP) é causada por infecção prévia com cepas nefritogênicas específicas do estreptococo beta- hemolítico do grupo A. ✓ A GNPE é a causa mais comum de nefrite aguda em crianças em todo o mundo, sendo a principal complicação não supurativa da infecção pelo estreptococo do grupo A de Lancefield. Nas últimas três décadas, mudanças significativas ocorreram em sua epidemiologia, no conhecimento das características nefritogênicas dos antígenos estreptocócicos e na história natural da doença; ➢ Etiologia ✓ Em geral, a doença se manifesta após um quadro de infecção pelo EBHGA. ✓ Ocasionalmente, pode ser decorrente dos grupos C ou G. ✓ Apenas as cepas denominadas nefritogênicas podem causar a GNPE. ✓ Estas cepas são identificadas pela presença da proteína M, presente na parede celular. ✓ Os sorotipos mais comuns após um quadro de impetigo são M 2, 49, 55, 57 e 60. ✓ Já os sorotipos mais frequentes após faringites incluem M 1, 3, 4, 12, 18, 25 e 492. ➢ Epidemiologia ✓ Embora a GNSP continue sendo a causa mais comum de nefrite aguda em crianças em todo o Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 mundo, ela ocorre principalmente em países em desenvolvimento. ✓ O risco de GNSP é aumentado em pacientes mais velhos (acima de 60 anos); ✓ Em crianças entre 5 e 12 anos de idade; ✓ GNPS é incomum em crianças com menos de três anos de idade; ✓ A GNSP é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres; ➢ Patogenia ✓ GN pós-estreptocócica é uma doença imunomediada na qual a lesão tissular é primariamente causada pela ativação do complemento pela via clássica. ✓ Características típicas de doença do complexo imune, como hipocomplementemia e depósitos granulares de IgG e complemento na MBG, podem ser vistas. ✓ Os antígenos mais relevantes provavelmente são proteínas estreptocócicas. ✓ Antígenos específicos implicados na patogenia incluem enterotoxina B estreptocócica (SPE B) e GAPDH estreptocócica. ✓ Ambos ativam a via alternativa do complemento e têm afinidade por proteínas glomerulares e plasmina. ✓ Não é claro se os complexos imunes são formados principalmente na circulação ou in situ (o último por ligação de anticorpos a antígenos bacterianos implantados na MBG). ➢ Quadro Clínico ✓ Geralmente, os pais relatam uma infecção recente por estreptococos, como faringite, amigdalite ou impetigo. ✓ Alguns pacientes desenvolvem GNPE sem apresentar sintomas de infecção, o que pode resultar em um atraso no diagnóstico da doença. ✓ A GNPE ocorre com maior frequência em crianças, uma a duas semanas após um quadro de faringite, ou duas a seis semanas após uma infecção de pele (impetigo). As manifestações clínicas clássicas da GNPE englobam: • Edema, • Hematúria, • Hipertensão arterial sistêmica (HAS) • Oligúria. O edema, não muito exuberante, ocorre em 85% dos casos de GNPE e sua intensidade é bastante variável. Frequentemente, é notado somente por queixas indiretas, como observação de que sapatos e/ou roupas estão Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 apertados, ou ainda, pelo aumento do peso. De forma menos comum, sofre influência postural. O edema periorbitário é bastante típico (lembre-se: nem todo edema periorbitário é angioedema!). É mais proeminente pela manhã e tende a regredir ao final do dia. O edema costuma anteceder a hematúria, que é macroscópica em 2/3 dos casos: a urina é, geralmente, descrita como esfumaçada, cor de chá, cor de Coca-Cola ou enferrujada. A hipertensão arterial surge em 60 a 90% dos casos.Costuma ser moderada, depende da intensidade da hipervolemia e pode piorar com a ingestão elevada de sódio. Muitas vezes, o estado geral da criança é bom, havendo queixas vagas como inapetência, indisposição e cefaleia. ➢ Complicações GNPE incluem: • Congestão circulatória, • Encefalopatia hipertensiva • Insuficiência renal aguda (ira). Estas complicações podem se manifestar de forma isolada ou associada. ➢ Diagnóstico ✓ Anamnese e exame físico: O pediatra deve questionar se a criança apresentou quadros prévios de faringite ou impetigo. Além disso, deve estar atento para a presença de edema, hematúria, hipertensão e manifestações extra renais. ✓ Exames laboratoriais: ✓ Exames histológicos: A biópsia ratifica o diagnóstico. Contudo, raramente é necessária, pois a confirmação se dá principalmente pela hipocomplementemia. A biópsia renal não é indicada, a menos que existam características que tornem o diagnóstico duvidoso, ou que Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 haja necessidade de avaliação do prognóstico e/ou por potenciais razões terapêuticas. – Microscopia de luz: todos os glomérulos apresentam hipercelularidade (células endoteliais, mesangiais e inflamatórias). Estes achados são inespecíficos e estão presentes em outras doenças glomerulares; - Microscopia eletrônica: o achado mais característico por microscopia eletrônica é a presença de corcovas, que são depósitos de elétrons densos no espaço subepitelial próximo à membrana basal glomerular. O principal antígeno é, provavelmente, uma cisteína proteinase de zimogênio, a exotoxina B (zimogênio/SPE B); – Microscopia de imunofluorescência: mostra depósitos de imunocomplexos com IgG e C3 em um padrão granular se a amostra de tecido for coletada nas primeiras 2 a 3 semanas da doença. ➢ Diagnóstico diferencial ✓ Glomerulonefrite membranoproliferativa; ✓ Glomerulonefrite rapidamente progressiva; ✓ Doença de Berger; ✓ Síndrome hemolítico-urêmica; ✓ Púrpura de Henoch-Schönlein; ✓ Lúpus eritematoso sistêmico (glomerulonefrite lúpica). ➢ Tratamento ▪ Na maioria dos casos, a GNPE é uma condição autolimitada. ▪ O tratamento de suporte visa a controlar as complicações da sobrecarga de volume, como hipertensão e edema, que são proeminentes durante a fase aguda da doença. ▪ Além disso, o tratamento deve ser individualizado conforme o quadro clínico e condições culturais e socioeconômicas. ▪ Deve-se dar preferência ao tratamento ambulatorial. Na maior parte das vezes, a internação não é necessária. Entretanto, pacientes com oligúria intensa e/ou com sinais de insuficiência cardíaca ou de encefalopatia hipertensiva devem ser hospitalizados. ▪ Em relação ao repouso, este deve ser relativo, limitado pelo próprio paciente, de acordo com sua disposição. Deve ser recomendado enquanto houver edema, hematúria macroscópica e HAS. Ou, ainda, se houver qualquer complicação. O repouso prolongado não modifica a evolução da doença. Cuidados dietéticos são relevantes para a redução do edema e dos níveis de pressão arterial. Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 ➢ Prognóstico ✓ O prognóstico é muito bom, com recuperação completa para a grande maioria dos pacientes. Em geral, a diurese retorna ao habitual em uma semana a partir do início do quadro e os níveis de creatinina costumam retornar aos basais em 3-4 semanas. ✓ Anormalidades mínimas (microalbuminúria e/ou hematúria microscópica) podem ser observadas na vida adulta em menos de 10-20% dos pacientes com glomerulonefrite pós- -estreptocócica. ✓ Assim, ressalta-se a importância de acompanhamento com nefrologista pediátrico. A presença de complemento normal no início do quadro, proteinúria nefrótica e crescentes epiteliais em biópsias na fase aguda, conferem pior prognóstico, com potencial de evolução para doença renal crônica. Estreptococos ✓ Estreptococos são microrganismos aeróbios Gram-positivos que causam muitos distúrbios, incluindo faringite, pneumonia, infecções em feridas e na pele, sepsia e endocardite. ✓ Os sintomas variam com o órgão infectado. Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 ✓ Sequelas das infecções por estreptococos beta- hemolíticos do grupo A podem incluir febre e glomerulonefrite. ✓ A maioria das cepas é sensível à penicilina, embora cepas resistentes a macrolídios tenham surgido recentemente. ➢ Classificação dos estreptococos Três tipos diferentes de estreptococos são diferenciados inicialmente por sua aparência, quando cultivados em ágar-sangue de carneiro: ✓ Estreptococos beta-hemolíticos produzem zonas de hemólise clara ao redor de cada colônia. ✓ Estreptococos alfa-hemolíticos (comumente chamados Streptococcus viridans) são circundados por pigmentação verde resultante de hemólise incompleta. ✓ Estreptococos gama-hemolíticos são não hemolíticos. A classificação subsequente, baseada na presença de carboidratos na parede celular, divide os estreptococos em grupos de Lancefield de A a H e de K a T ( Classificação de Lancefield). Estreptococos viridans formam um grupo separado de difícil classificação. Na classificação de Lancefield, os enterococos foram inicialmente incluídos entre os estreptococos do grupo D. Mais recentemente, enterococos foram classificados como um gênero separado, mas expressam os antígenos de Lancefield do grupo D. Alguns estreptococos como Streptococcus pneumoniae não expressam antígenos de Lancefield. ➢ Fatores de virulência Muitos estreptococos elaboram fatores de virulência, incluindo estreptolisinas, desoxirribonucleases (DNases) e hialuronidase, o que contribui para a destruição tecidual e a disseminação da infecção. Poucas cepas liberam exotoxinas que ativam certas células T, estimulando a liberação de citocinas, incluindo fator de necrose tumoral alfa, interleucinas e outros imunomoduladores. Essas citocinas ativam os sistemas de complemento, coagulação e fibrinolíticos, levando a choque, insuficiência de órgãos e morte. ➢ Doenças causadas por estreptococos ✓ O patógeno estreptocócico mais significativo é S. pyogenes, que é beta-hemolítico e no grupo A de Lancefield é, portanto, chamado estreptococo beta-hemolítico do grupo A (GABHS). As doenças agudas mais comuns por causa de GABHS são: ▪ Faringite ▪ Infecções cutâneas ✓ Também complicações tardias não supurativas (febre reumática e glomerulonefrite aguda) algumas vezes ocorrem ≥ 2 semanas após a infecção. Doença causada por outras espécies de estreptococos é menos prevalente e envolve habitualmente infecção de tecidos moles ou endocardite (Classificação de Lancefield). Algumas infecções não GABHS ocorrem predominantemente em certas populações (p. ex., estreptococo do grupo B em neonatos e em mulheres no pós-parto). GABHS podem se disseminar pelos tecidos afetados e ao longo de canais linfáticos (causando linfangite) até os linfonodos regionais (causando linfadenite). GABHS também podem causar complicações supurativas locais, como abscessos peritonsilares, otite média, sinusite e bacteremia. A supuração depende da gravidade da infecção e da suscetibilidade do tecido. Outras infecções graves por GABHS são septicemia, sepse puerperal, endocardite, pneumonia e empiema. ✓ Faringite estreptocócica Faringite estreptocócica é habitualmente provocada por GABHS. Cerca de 20% dos pacientes apresentam angina de garganta, febre, hiperemia e exsudato tonsilar purulento. O restante apresenta sintomas menos proeminentes e oexame é semelhante ao das meningites virais. Os linfonodos cervicais e submaxilares podem aumentar de tamanho e se tornarem dolorosos. A faringite estreptocócica pode provocar abscesso peritonsilar. Tosse, laringite e obstrução nasal não são características da infecção estreptocócica na faringe; sua presença sugere uma outra causa (geralmente viral ou alérgica). O estado de portador assintomático pode existir em 20% dos casos. ✓ Escarlatina A escarlatina é atualmente incomum, mas surtos ainda ocorrem. A transmissão é melhor em ambientes que resultam em contato próximo entre as pessoas (p. ex., em escolas ou creches). A escarlatina, uma doença predominantemente infantil, geralmente acompanha uma infecção estreptocócica da faringe; menos comumente, resulta de infecções estreptocócicas em outros locais (p. ex., pele). É causada por cepas de estreptococos do grupo A, produzindo uma toxina eritrogênica que provoca um exantema difuso rosa- avermelhado que desaparece à pressão. O exantema é mais visto no abdome ou na face lateral do tórax, como linhas escuras nas regiões de dobra de pele (sinal de Pastia) ou palidez perioral. O exantema consiste em pequenas elevações papulosas características (1 a 2 mm), conferindo um aspecto de lixa à pele. A camada externa da pele previamente hiperemiada descama-se após o desaparecimento da febre. O exantema costuma durar 2 a 5 dias. Língua em framboesa (papilas inflamadas, protrusas, cobertas por um tom vermelho-brilhante) também ocorre e deve ser diferenciada do que se observa na síndrome do choque tóxico e na doença de Kawasaki. Outros sintomas são similares àqueles da faringite estreptocócica e o curso e o manejo da escarlatina são os mesmos que os das infecções do grupo A. ✓ Infecções cutâneas estreptocócicas Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 Infecções cutâneas incluem: ▪ Impetigo ▪ Erisipela ▪ Celulite Impetigo é uma infecção superficial da pele que causa bolhas ou crostas. Erisipelas é uma celulite superficial que também envolve os linfáticos dérmicos. Os pacientes têm lesões elevadas, brilhantes, vermelhas e induradas com margens delimitadas. É mais frequentemente causada por GABHS, mas outros estreptococos e não estreptococos às vezes estão envolvidos. A celulite envolve as camada mais profundas da pele e pode se disseminar rapidamente em razão das enzimas líticas e das toxinas produzidas principalmente pelos estreptococos do grupo A. ✓ Fasciite necrosante A fasciite necrosante causada pelo S. pyogenes é uma infecção dérmica (e às vezes muscular) grave que se dissemina ao longo dos planos da fáscia. A inoculação ocorre na pele ou no intestino. É mais comum em usuários de drogas intravenosas. Conhecida anteriormente como gangrena estreptocócica e popularizada como bactéria comedora de carne, a mesma síndrome pode ser polimicrobiana, envolvendo um hospedeiro de floras organismo aeróbia e anorganismo aeróbia, incluindo Clostridium perfringens. Infecção polimicrobiana é provável quando a fonte é o intestino (p. ex., após cirurgia intestinal, perfuração intestinal, diverticulite ou apendicite). Sintomas da fasciite necrotizante começam com febre e dor localizada intensa desproporcional aos achados físicos; a dor aumenta rapidamente ao longo do tempo e, muitas vezes, é a primeira (e às vezes única) manifestação. Pode haver eritema local ou difuso. A trombose de microvasculatura causa necrose isquêmica, provocando disseminação rápida e toxicidade intensa desproporcional. Em 20 a 40% dos casos, os músculos adjacentes são invadidos. Choque e insuficiência renal são comuns. A mortalidade é alta, mesmo com tratamento. ✓ Síndrome do choque tóxico estreptocócico A síndrome do choque tóxico por estreptococos, similar à causada por S. aureus, pode resultar de cepas produtoras de toxina de GABHS e ocasionalmente outros estreptococos. Habitualmente, os pacientes são crianças e adultos sadios com infecções de pele e tecidos moles. ✓ Complicações tardias da infecção estreptocócica O mecanismo pelo qual certas cepas de GABHS provocam complicações tardias não está claro, mas deve envolver reação cruzada de anticorpos antiestreptococos contra o tecido do hospedeiro. A febre reumática, um distúrbio inflamatório, ocorre em < 3% dos pacientes nas semanas posteriores à infecção não tratada de faringite não tratada por GABHS. Tornou-se muito menos comum em países desenvolvidos, mas ainda é comum nos países em desenvolvimento. O diagnóstico de um primeiro episódio depende da associação de artrite, cardite, coreia, manifestação cutânea específica e de exames laboratoriais (critérios de Jones — Critérios de Jones modificados para o primeiro episódio da febre reumática aguda (FRA)*). Uma das razões mais importantes para tratar tonsilite/faringite por GABHS é a prevenção da febre reumática. A glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica é uma síndrome nefrítica aguda que se segue à infecção de faringite ou de pele por certas cepas nefrogênicas de GABHS (p. ex., os sorotipos 12 e 49 da proteína M). A taxa de ataque global após uma infecção de garganta ou de pele é de cerca de 10 a 15%. É mais comum em crianças, ocorrendo dentro de 1 a 3 semanas após a infecção. Quase todas as crianças — e adultos em número menor — se recuperam sem dano renal permanente. O tratamento com antibióticos da infecção por GABHS exerce pequeno efeito no desenvolvimento da glomerulonefrite. A síndrome PANDAS (transtorno neuropsiquiátrico autoimune infantil associado a infecção por estreptococos do grupo A) refere-se a um subconjunto de crianças com transtornos obsessivo-compulsivos (TOC) ou transtornos de tiques acreditando-se exacerbados pela infecção por GABHS. Certas formas de psoríase (p. ex., gutata) também podem estar relacionadas com infecções por estreptococo beta- hemolítico. ➢ Diagnóstico ✓ Cultura ✓ Testes rápidos de antígeno ou títulos de anticorpos Os estreptocos são prontamente identificados na cultura em placa de ágar-sangue de carneiro. Testes de rápida detecção de antígeno estão disponíveis, permitindo a detecção de GABHS diretamente de swabs de garganta (para uso em locais de atendimento). Muitos testes baseiam-se no método de ensaio imunoenzimático; no entanto, mais recentemente, testes que utilizam técnicas imuno-ópticas se tornaram disponíveis. Possuem alta especificidade (> 95%), mas variam consideravelmente na sensibilidade (55% a 80 a 90% para os testes de imunoensaio óptico mais recentes). Assim, resultados positivos podem estabelecer o diagnóstico, mas resultados negativos, pelo menos em crianças, devem ser confirmados por cultura. Como a faringite estreptocócica é menos comum entre adultos e os adultos são sensíveis a complicações pós-estreptocócicas, muitos médicos não confirmam um resultado negativo de teste rápido em adultos por cultura, a menos que o uso de um macrolídio esteja sendo considerado; nesses casos, deve-se fazer os testes de sensibilidade para detectar a resistência aos macrolídios. Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – ITPAC-Palmas Curso: Medicina SOI VI Acadêmica: Karoline de Jesus Assandri - Turma 7 / 2020/02 A comprovação de anticorpos antiestreptococos no soro durante a convalescença oferece evidências somente indiretas de infecção. Testes de anticorpos antiestreptocócicos não são úteis para o diagnóstico de infecção aguda por GABHS porque o anticorpo é produzido algumas semanas após o início da infecção por GABHS e um único título alto de anticorpos tem maior probabilidade de refletir infecção pregressa. Anticorpos são mais úteis no diagnóstico de doenças pós- estreptocócicas, como febre reumática e glomerulonefrite. ✓ Títulosde antiestreptolisina O (ASO) e antidesoxirribonuclease B (anti-DNase B) começam a aumentar cerca de 1 semana após a infecção por GABHS e alcançam o pico cerca de 1 a 2 meses após a infecção. Ambos os títulos podem permanecer elevados por vários meses, mesmo após infecções não complicadas. Medem-se os títulos na fase aguda e na fase de convalescença, 2 a 4 semanas mais tarde; define-se um resultado positivo como aumento ≥ 2 vezes no título. Um único título maior do que o limite superior do normal sugere infecção estreptocócica pregressa ou alta endemicidade estreptocócica na comunidade. Títulos de ASO aumentam em somente 75 a 80% das infecções. Para um estudo completo nos casos difíceis, pode-se usar qualquer um dos outros testes (anti-hialuronidase, antidinucleotídeos de nicotinamida-adenina ou antiestreptoquinase). A penicilina administrada nos primeiros 5 dias na faringite estreptocócica sintomática pode retardar o aparecimento e reduzir a magnitude da resposta da ASLO. Pacientes com pioderma estreptocócica não apresentam habitualmente uma resposta significante da ASLO, mas pode haver uma resposta para outros antígenos (anti- DNase ou anti-hiluronidase). ➢ Tratamento Penicilina ou cefalosporina são preferidas para a faringite; como a resistência aos macrolídios está aumentando, testes de sensibilidade são recomendados se essa classe de antibióticos for utilizada. 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