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Logística e Distribuição Autoria: Leonardo de Souza Vilela LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO ReitoR: Prof. Cláudio ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. rafael raBelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio raBelo Bastos Pró-reitor acadêmico: Prof. HerBert Gomes martins direção ead: Prof. riCardo ZamBrano Júnior coordenação ead: Profa. luCiana rodriGues ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a auto- rização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. expediente Ficha técnica autoria: leonardo de souZa Vilela suPervisão de Produção ead: franCisCo Cleuson do nasCimento alVes design instrucional: Carlos Vieira Projeto gráfico e caPa: franCisCo erBínio alVes rodriGues diagramação e tratamento de imagens: JoCiVan de Castro Costa revisão textual: João Paulo de souZa Correia Ficha catalogRáFica catalogação na publicação biblioteca centRo univeRsitáRio ateneu VILELA, Leonardo de Souza. Logística e distribuição. Leonardo de Souza Vilela – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 156 p. ISBN 978-85-64026-32-2 1. Logística; 2. Cadeia de Suprimentos; 3. Serviços Logísticos; 4. Logística Integrada. Centro Universitário Ateneu. II. Título. Caro estudante, é com grande satisfação que apresento o material didático da nossa disciplina Logística e Distribuição. Ao ler e estudar por este material, você terá condições de responder as atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Não é nosso objetivo esgotar todo o assunto, ao contrário, você deverá procurar outras fontes além deste livro para aprofundar seu conhecimento e estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. A partir da leitura, você estará apto a corresponder às exigências solicitadas nos trabalhos acadêmicos. Bons estudos! Leonardo de Souza Vilela Seja bem-vindo! SSumárioumário UNIDADE 01 - A VISÃO SISTÊMICA DA LOGÍSTICA E LOGÍSTICA NO BRASIL ........... 7 1. Visão sistêmica da Logística ........................................................................................... 8 1.1. Componentes logísticos ............................................................................................... 8 1.2. Tendências e enfoque funcional ................................................................................. 13 1.3. Principais trade-off na logística .................................................................................. 15 1.4. Fluxos logísticos, ambiente e sistema ........................................................................ 17 2. Logística no Brasil ......................................................................................................... 20 2.1. Nível hierárquico do principal executivo de logística ................................................. 20 2.2. Custo logístico ............................................................................................................ 23 2.3. Crescimento da logística na visão dos usuários ........................................................ 25 Referências ....................................................................................................................... 27 UNIDADE 02 - CADEIA DE SUPRIMENTOS, ESTRATÉGIA LOGÍSTICA, PLANEJAMENTO E OPERACIONALIZAÇÃO DO FLUXO DE PRODUTOS ................... 29 1. Cadeia de Suprimentos e Estratégia Logística ............................................................. 30 1.1. Gerenciamento de cadeias de suprimento ................................................................. 30 1.2. Organização do fluxo de produtos ............................................................................. 35 1.3. Canais de distribuição ................................................................................................ 37 1.4. Distribuição física ....................................................................................................... 40 1.5. Localização e dimensionamento de instalações ........................................................ 43 1.6. Benchmarking da cadeia de suprimentos .................................................................. 46 2. Planejamento e operacionalização do fluxo de produtos .............................................. 48 2.1. Embalagens, equipamentos e meios de distribuição ................................................. 48 2.2. Sistema de processamento de pedido e gestão do ciclo de pedido .......................... 52 2.3. Armazenagem e gestão de estoques ......................................................................... 55 2.4. Logística reversa ........................................................................................................ 57 Referências ....................................................................................................................... 62 UNIDADE 03 - PLANEJAMENTO, ADMINISTRAÇÃO DO TRANSPORTE, TERCEIRIZAÇÃO E PROVEDORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS ............................... 65 1. Planejamento e Administração do Transporte .............................................................. 66 1.1. Gestão estratégica do transporte ............................................................................... 66 1.2. Custeio do transporte rodoviário de cargas ................................................................ 74 1.3. Etapas do custeio ...................................................................................................... 77 1.4. Ferramenta de planejamento e controle .................................................................... 80 1.5. Oportunidades para redução de custos .................................................................... 82 2. Terceirização e os Provedores de Serviços Logísticos ................................................. 85 2.1. Provedores de serviços logísticos (PSL) .................................................................... 85 2.2. Provedores de serviços logísticos no Brasil ............................................................... 89 2.3. Formas de remuneração de provedores de serviços ................................................. 90 2.4. Gestão do relacionamento ........................................................................................ 92 Referências ....................................................................................................................... 95 UNIDADE 04 - LOGÍSTICA INTEGRADA NO SETOR ATACADISTA, DISTRIBUIDOR E VAREJISTA, SERVIÇO AO CLIENTE NO SISTEMA LOGÍSTICO E PROCESSOS ELETRÔNICOS DE LEITURA DE DADOS ....................... 97 1. Logística Integrada no Setor ......................................................................................... 98 Atacadista/Distribuidor e Varejista .................................................................................... 98 1.1. Caracterização da logística ....................................................................................... 98 1.2. Competitividade ........................................................................................................ 101 1.3. Reposição contínua de mercadorias ....................................................................... 103 1.4. Resposta eficiente ao consumidor (ECR) ............................................................... 106 2. Serviço ao cliente no sistema logístico ........................................................................ 108 2.1. Qualidade do serviço de entrega de bens de consumo ........................................... 109 2.2. Evolução do desempenho logístico físico e virtual ...................................................111 2.3. Oportunidades no setor supermercadista virtual ..................................................... 113 2.4. Gestão da capacidade e da demanda ...................................................................... 115 2.5. Logística de pós-venda ............................................................................................ 119 3. Processos eletrônicos de leitura de dados ................................................................. 121 3.1. Código de barras ...................................................................................................... 122 3.2. Eletronic Data Interchange (EDI) .............................................................................. 124 3.3. Sistemas de apoio à logística e à cadeia de suprimentos ....................................... 126 Referências ..................................................................................................................... 130 MATERIAL COMPLEMENTAR ....................................................................................... 131 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 6565 pLAnejAmento, AdministrAção do trAnsporte, terceirizAçãopLAnejAmento, AdministrAção do trAnsporte, terceirizAção e proVedores de serViços Logísticose proVedores de serViços Logísticos ApresentaçãoApresentação Nesta unidade, você entenderá que a gestão de transporte é um elemento primordial nas considerações da cadeia de abastecimento e na movimentação de produtos e materiais de um ponto a outro. Compreenderá que o país dispõe de estruturas de transportes como rodovias, aeroportos, portos, onde a proposta é romper barreiras e fronteiras, pois, cada vez mais é preciso desafiar a capacidade de mover os produtos para mais longe e cada vez mais rapidamente, intensificando as relações comerciais entre mercados. Perceberá que as cadeias de abastecimento competem entre si e precisam ser menos custosas e mais eficientes. Custos elevados internamente provocam desbalanceamentos e prejudicam a exportação, o que proporciona, numa economia globalizada, torna-se, em algumas ocasiões, mais fácil e bara- to importar do que comprar do “vizinho”. Notará que meios logísticos menos importantes tornaram-se, recentemente, elementos de sobrevivência de empresas. Um exemplo disto é o transporte, que deve receber todas as prioridades necessárias, seja para movimentar produtos finais, matérias-primas, componentes ou pessoas, além de tornar-se cada vez mais rápido, eficiente e barato. Por fim, compreenderá que nosso sistema de cobrança de impostos neces- sita de intervenções para que possa desburocratizar as operações de comércio e distribuição; nossos controles são complexos e nossa competitividade ainda é muito baixa. Tudo isso afeta de forma negativa os meios de transporte, sendo necessário e urgente encontrar formas mais adequadas, fáceis e sem burocracia para competir na economia global. 03 Uni 6666 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Objetivos de aprendizagem • Elucidar sobre o relevante papel do transporte no processo de movimentação dos produtos; • Explicar que o custo com o transporte rodoviário está intimamente atrelado à elevada carga de impostos, aos fretes e ao estado de conservação das estradas; • Identificar a importância da terceirização logística para o alcance de vantagem competitiva estratégica; • Descrever sobre a parceria com os provedores logísticos e sua relação de confiança mútua, abertura, riscos e recompensas compartilhadas. 1. pLAnejAmento e AdministrAção do trAnsporte1. pLAnejAmento e AdministrAção do trAnsporte Neste tópico, você aprofundará seus conhecimentos sobre a gestão estra- tégica do transporte; o custeio do transporte rodoviário de cargas; as etapas do custeio; a ferramenta de planejamento e controle; e as oportunidades para redução de custos. 1.1. Gestão estratégica do transporte1.1. Gestão estratégica do transporte O transporte é o principal componente do sistema logístico, pois todos os produtos necessitam ser transportados de um local a outro, até estarem disponí- veis nas mãos de seus clientes. Segundo Nogueira (2012, p.83), “possui significa- do de movimento de estoque de um ponto a outro da cadeia de suprimento”. Assim, o transporte mobiliza o produto entre diferentes estágios na cadeia de suprimentos, podendo ser realizado a partir de várias combinações de meios de rota, cada uma com características particulares de desempenho. As escolhas sobre o transporte exercem um forte impacto na responsabilidade e na eficiência da cadeia de suprimento. O transporte tem um papel preponderante na qualidade dos serviços logís- ticos, pois impacta diretamente no tempo de entrega, na confiabilidade e na segu- rança com que os produtos são entregues. De acordo com Nogueira (2012, p. 84), LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 6767 [...] um transporte mais rápido, utilizando diferentes meios ou diferentes quantidades a serem transportadas, contribui para que a cadeia de suprimento seja mais responsiva, mas acaba reduzindo sua eficiência. O tipo de transporte adotado por uma empresa também afeta os estoques e a localização das instalações na cadeia de suprimento. O papel do transporte na estratégia competitiva da empresa é representa- do geralmente quando a empresa está avaliando as necessidades-alvo de seus clientes. Se o público alvo demanda um nível muito alto de responsabilidade com o transporte do produto, os investimentos e custos para ofertar um transporte mais seguro e de maior qualidade devem ser diluídos no preço de venda aos clientes, já que estes estão dispostos a pagar mais pela qualidade desejada. O oposto também procede. Se a estratégia competitiva da empresa tem como alvo clientes que apresentam o preço como principal critério de decisão de compra, a empresa pode então utilizar o transporte para baixar o custo do produto, sacrificando a responsividade. Como a empresa pode utilizar tanto o estoque como o transporte para aumentar a responsividade ou a eficiência, a solução mais favo- rável para a empresa é, muitas vezes, encontrar o equilíbrio entre ambos. O valor que a empresa investe em logística muitas vezes determina a frequ- ência da necessidade de replanejamento de sua estratégia. De acordo com Ballou (2006, p. 576), [...] sendo todos os demais fatores iguais, uma empresa produtora de bens sofisticados (como máquinas de precisão e computadores), com custos totais de distribuição representando 1% ou menos das vendas, pode deixar de dar grande importância a uma estratégia logística. Já as empresas produtoras de produtos químicos ou alimentares embalados podem ver seus custos de distribuição física chegar facilmente ao patamar de 20 ou 30% do valor das vendas. Quando os custos chegam a esse patamar, mesmo mudanças pequenas nos custos de manutenção de estoque e em tarifas de transporte podem tornar válida uma reformulação da estratégia logística. 6868 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Memorize Você sabe a diferença entre Planejamento Estratégico e Gestão Estratégica? Planejamento estratégico: é uma fase do processo de gestão, cujo objetivo é assegu- rar o cumprimento da missão e a continuidade da entidade. Inicia-se com o estabelecimento de cenários futuros visando a busca de vantagem competitiva, tendo como produto final, o conjunto de diretrizes estratégicas. Gestão estratégica: é um processo de gestão, cujo objetivo é assegurar a con- tinuidade da entidade com vantagem em relação ao concorrente. Ocorre sobre o cenário pré-estabelecido e caracteriza-se fortemente pela busca de vantagem competitiva, sendo portanto um processo contínuo. A multimodalidade pode ser definida como a integração entre modais, com o uso de equipamentos, como pallets (estrado de madeira, metal ou plástico) e containers (recipiente de metal ou madeira, geralmente de grandes dimensões, destinado ao acondicionamento e transporte de carga). Já a intermodalidade ca- racteriza-se pela integração da cadeia de transporte, com o uso de um mesmo equipamento, um únicoprestador de serviço e documento único. No transporte intermodal, utilizam-se veículos e modais diferentes e, para cada serviço é feito um contrato. Ou seja, os transportadores oferecem serviços in- dividualmente, sendo contratados separadamente. No transporte multimodal, tam- bém ocorre a utilização de mais de um modal de transporte, porém existe a emis- são de apenas um documento/contrato, cobrindo o total trajeto da carga, desde o seu ponto inicial até o destino final. O contrato é feito pelo Operador de Transporte Multimodal (OTM). Ballou (2006, p. 151) diz que “a variedade dos serviços de transporte é quase ilimitada”. Os modais podem ser usados em combinação, porém cada um dos tipos de transporte possui custos e características operacionais específicas. Assim, é preciso conhecer as suas vantagens e desvantagens, pois algumas são adequadas para um determinado tipo de mercadorias e outras não, por exemplo, geralmente os custos dos modais ferroviário e aquaviário são fixos, enquanto nos modais aéreo e rodoviário os custos variáveis predominam. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 6969 Portanto, um serviço de transporte é um elenco de características de de- sempenho comprado a um determinado preço. De acordo com Nogueira (2012, p. 85), “os produtos podem ser transportados por diferentes modais, porém são ba- sicamente seis os modais de transporte, considerando a inclusão do novo modal, que é o “infoviário”, que também será explicado a seguir.” Com relação aos diferentes modais de transporte, Nogueira (2012) faz a seguinte distinção: Transporte aeroviário ou aéreo: é o modal com frete mais elevado, porém com grande velocidade, distância alcançada, praticidade e segurança. Desta forma, é o mais indicado para o transporte de produtos de alto valor unitário (eletrônicos, joias, alta moda etc.) ou que tenham exigências de entrega expressa (flores, frutas nobres, medicamentos, etc.), os chamados produtos perecíveis, que podem se deteriorar com o tempo se não forem submetidos a condições específicas (refrige- ração, manuseio etc.). VANTAGENS DESVANTAGENS Transporte de grandes distâncias. Limite de volume e peso. Tempo de trânsito muito curto. Transporte rápido. Custos de frete elevados. Seguro de transporte é muito baixo. Depende de terminais de acesso. Está próximo aos centros urbanos Custo do frete. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 01 – Comparativo Transporte Aquaviário: neste modal de transporte, destacam-se três mo- dalidades: marítima (navegação costeira/cabotagem ou oceânica/longo curso), flu- vial (navegação doméstica de rios e canais de navegação) e lacustre (navegação realizada em lagos). 7070 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO VANTAGENS DESVANTAGENS Transporte de grandes distâncias. Depende de vias apropriadas. Transporte de grandes volumes e de diversos tipos Burocratização e diversos órgãos de fiscalização/ liberação. Mercadoria de baixo valor agregado. Depende de terminais especializados. Transporte oceânico. Tempo de trânsito longo/baixa velocidade. Frete de custo relativamente baixo. Capacidade e Infraestrutura de portos. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 02 – Comparativo Transporte Dutoviário: esse tipo de transporte oferece uma faixa muito limitada de serviços e capacidades, sendo utilizado para granéis sólidos, produtos líquidos ou gasosos, tais como: gás natural, petróleo cru e refinado. A movimenta- ção é bastante vagarosa, porém abrandada pelo fato de ser contínua (24 horas por dia e sete dias da semana). É o modal mais confiável de todos, porque há poucas interrupções para causar a variabilidade no tempo em trânsito, além de que as perdas e danos em dutos são baixíssimos. VANTAGENS DESVANTAGENS Segurança contra alterações climáticas ou não necessita de embalagens. Exigem mão de obra altamente especializada para operar os sistemas de dutos. Transporte de volumes granéis muito elevados. Investimento inicial elevado. Simplificação de carga e descarga. Custo fixo elevado. Menor possibilidade de perda e roubo. Transporte sem flexibilidade de rotas, operando somente em pontos fixos. Baixo consumo de energia. Baixa velocidade. Baixos custos operacionais. Restrito a poucos produtos. Alta confiabilidade. Inviável para produtos perecíveis. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014 Quadro 03 – Comparativo LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 7171 Modo Ferroviário: tem uma grande importância, pois através dele é possí- vel transportar um volume expressivo de cargas por longas distâncias. Seu desem- penho é prejudicado pela enorme quantidade de tempo gasto em cada transição, em decorrência da demora para compor toda a carga dos vagões. Não é rentável que os veículos (locomotivas) saiam do ponto de origem sem estar com todos os vagões abastecidos de carga. É um transportador barato e lento, sendo mais apropriado para matérias-primas de grande peso ou manufaturados de baixo valor agregado, como por exemplo: carvão, cereais, derivados de petróleo, minérios de ferro, etc. VANTAGENS DESVANTAGENS Alta eficiência energética. Tráfego limitado aos trilhos. Grandes quantidades transportadas. Sistemas de bitolas não padronizados. Inexistência de pedágios. Malha ferroviária insuficiente. Baixíssimo nível de acidentes. Tempo de viagem irregular, ou não possui flexibili- dade operacional, dada a ausência de integração entre as malhas. Melhores condições de segurança da carga. Necessita de entrepostos especializados. Menor poluição do meio ambiente. Necessidade de integração com outros modais. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 04 – Comparativo Modo Rodoviário: é o modal mais flexível (serve rotas de curta ou longa distância), por isso é o mais utilizado no Brasil. Sua utilização nos processos logís- ticos se deve ao fato de que todo conjunto de bens e serviços produzidos e consu- midos pela sociedade precisa ser coletado, transferido e entregue, necessitando assim da movimentação física. É utilizado no transporte de produtos manufatura- dos, alimentos, bebidas, móveis e utensílios etc. 7272 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO VANTAGENS DESVANTAGENS Maior flexibilidade, cobertura de vias e escolha de rotas. Provoca congestionamentos nas estradas. Usado em qualquer tipo de carga. Alto custo de operação. Manuseio simplificado, integração. Alto risco de roubo/acidentes. Não necessita de entrepostos especializados. Má qualidade das vias gerando gastos extras e maior tempo para entrega. Possibilita serviço fracionado e os serviços porta a porta. Elevada emissão de poluentes. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 05 – Comparativo Modo Infoviário: é o mais novo meio de transporte, que movimenta pro- dutos como música eletronicamente, vídeos em tempo real (videoconferência), documentos escaneados enviados por e-mail, e-books (livros eletrônicos), filmes, educação a distância, e-mail e recados que antes eram transportados por cartas ou telegramas, utilizando de benefícios proporcionados pela internet. VANTAGENS DESVANTAGENS Diminui a quantidade de documentos em papéis Facilidade de copiar (músicas, livros, etc). Reduz o deslocamento de pessoas. Risco de espionagem. Possibilita informação em tempo real. Troca de vírus eletrônico. Economiza custos de materiais físicos, como impressão de livros, gravação de músicas etc. Torna os contatos mais impessoais. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 06 – Comparativo Em síntese, cada meio de transporte possui características diferentes no que se refere à velocidade, dimensão das entregas (pacotes individuais e pallets, de caminhões carregados a navios), custo de entrega e flexibilidade. Essas par- ticularidades definem cada meio de transporte de cargas e ajudam a empresa a definir a opção que melhor atende a distribuição de seu produto. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 7373 Para Fleury, Wanque e Figueiredo (2000, p.272), [...] apesar de demandar um enorme esforço entre embarcador e transportadores com relação à coordenação diária de sua programação de entregas, com os temposde carregamen- to, viagem e descarregamento e suas respectivas janelas de tempo, a atividade de transporte pode ser representada de forma simplificada por quatro etapas principais: carregamento na empresa, viagem da empresa ao cliente, descarregamento no cliente e retorno à empresa. O fundamento para um programa conjunto de qualidade e produtividade no transporte reside numa ponderação inicial da estrutura organizacional, dos proce- dimentos e das tecnologias existentes entre os diversos elos da cadeia de supri- mento. Entendendo claramente essas três dimensões, são identificadas facilmente nas etapas críticas da atividade de transporte passíveis de melhoria. • Qual o papel do transporte na qualidade dos serviços logísticos? • Qual a diferença entre planejamento estratégico e gestão estratégica? • O que é multimodalidade? • Aponte os modais estudados nessa unidade, e faça um comparativo entre eles. Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 7474 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1.2. Custeio do transporte rodoviário de cargas1.2. Custeio do transporte rodoviário de cargas Conforme vimos no item anterior, o transporte rodoviário é o mais indepen- dente dos transportes, uma vez que possibilita movimentar uma grande variedade de materiais para qualquer destino, devido à sua flexibilidade, sendo utilizado para pequenas encomendas, por meio de coletas e entregas ponto a ponto e a conexão entre os diferentes modos de transporte e os seus respectivos pontos de embarque e desembarque. Segundo Nogueira (2012), o transporte rodoviário de carga no Brasil faz o escoamento de praticamente tudo, desde safras agrícolas inteiras até uma sim- ples encomenda. Sua grande desvantagem é o custo do frete, o que faz com que outros meios de transporte comecem a ser mais competitivos. De acordo com o mesmo autor, os principais fatores que influenciam o custo e o preço do transporte rodoviário, são: • Facilidade de manuseio do produto: se relaciona com a pouca dificuldade de se carregar e se descarregar o veículo; • Acomodação: a utilização do espaço do veículo é prejudicada pelas peças com formatos muito irregulares ou com grande extensão, dificultando a consolidação e a total utilização do veículo; • Risco da carga: o valor do frete é influenciado por fatores de risco, ao se trans- portar, por exemplo: produtos inflamáveis, tóxicos ou aqueles visados para roubo; • Sazonalidade: efeitos como a safra de grãos afetam de forma acentuada a procura pelo frete, fazendo com que seus preços sejam maiores nesta época, quando comparados com os da entressafra; • Trânsito: entregas nos centros urbanos com trânsito acentuado e com janelas de horário para carregamento e descarregamento influenciam no preço do frete; • Carga retorno: a não existência de frete retorno faz com que o transportador tenha que considerar o custo do retorno para compor o preço do frete; • Especificidade do veículo de transporte: quanto mais especifico for o veículo menor é a flexibilidade do transportador, desta forma os caminhões refrigerados ou tanques acabam tendo um preço maior de frete do que um veículo de carga a granel. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 7575 Curiosidade O custo de transporte representa a maior parcela dos custos logísticos na maioria das empresas. De acordo com Fleury, Wanque e Figueiredo (2000, p.142), “ele pode variar entre 4% e 25% do faturamento bruto, e em muitos casos, supera o lucro operacional”. Complementando o seu raciocínio, os referidos autores citam que, em 1988, o custo total de transporte nos EUA foi de $ 529 bilhões, representando 59% de todos os custos logísticos e 6,2% do PIB e que no Brasil, estima-se que esses custos estão na ordem de R$ 60 bilhões. De acordo com Bertaglia (2009), no Brasil mais de 60% do volume é transpor- tado pelo transporte rodoviário e, atualmente, investimentos em infraestrutura com o objetivo de tornar esse meio de transporte mais competitivo estão sendo feitos a fim de reduzir o consumo de combustível e baixar os gastos com manutenção dos veículos, além de proporcionar uma maior fluidez das cargas. De acordo com o referido autor, os principais itens de custos do transporte rodoviário são listados a seguir: • Depreciação: gerencialmente é o capital que deve ser reservado para a reposi- ção do bem ao fi m de sua vida útil, levando-se em conta que os equipamentos se deterioram com o uso; • Pessoal (motorista): salários, encargos e benefícios; • Diversos: Seguro do veículo, IPVA/ seguro obrigatório, custos administrativos, pneus, combustível, lubrifi cantes, manutenção, pedágio etc. Já de acordo com Dias (2010, p. 334), [...] o sistema rodoviário responde hoje pelo transporte de 70% a 80% das cargas movimentadas no Brasil, e, sem entrar no mérito dos erros e acertos da política brasileira de transportes, essa realidade não se modificará sensivelmente nas próximas décadas, por maiores que sejam os esforços do Governo na modernização da infraestrutura para transportes marítmos e rodovias. No transporte rodoviário de carga geral, a rentabilidade do veículo está con- dicionada a uma programação que lhe permite rodar sempre carregado. Conforme Dias (2010, p. 339), 7676 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO [...] no transporte rodoviário de carga geral são utilizados dois tipos de veículos: o truck, caminhão com dois eixos traseiros e capacidade nominal de 40m³ e 12 t; carreta com semirreboque com três eixos traseiros e capacidade nominal de 75 m³ ou 25 t. As legislações são distribuídas por vários agentes como DNIT, ANTT, DER, por meio de balanças colocadas em pontos estratégicos das rodovias (Lei da Balança). Dessa forma, a programação dos lotes de compra deve respeitar essas limitações em pesos e dimensões, programando-se remessas que possam ocupar totalmente esses tipos de veículos ou seus múltiplos. Para finalizar, deve-se ficar claro que a utilização de uma metodologia adequada para custeio do frete pode contribuir muito para a formação de preços justos, junto com o transportador. Já do ponto de vista do cliente, esse tipo de ferramenta pode ser utilizado tanto no cálculo do preço do frete, como também ajudar nas análises de rentabilidade de clientes e na definição do nível de servi- ço. Além disso, o desenvolvimento de uma simples ferramenta de custeio pode possibilitar uma série de análises e ajudar a identificar oportunidades de redução de custos. @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias e dúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 7777 1.3. Etapas do custeio 1.3. Etapas do custeio A natureza da atividade de transporte no processo logístico de distribuição pode ser analisada sob diversas perspectivas. Essa atividade integra o sistema logístico, aproximando fornecedores e clientes geograficamente isolados, e pode ser entendida como uma ferramenta poderosa na redução dos custos totais de uma cadeia de suprimentos. O gerenciamento de custos logísticos pode ser mais ou menos focado de acordo com o objetivo desejado pela empresa. Três pontos são fundamentais no gerenciamento dos custos logísticos: • O suprimento: é importante que a empresa escolha corretamente seus forne- cedores e possa determinar os tamanhos de lote de compra e suas políticas de estoques, de forma a maximizar seus objetivos. A empresa, ao administrar seus produtos de forma mais racional, acaba conseguindo diminuir seus custos; • A produção: se relaciona ao planejamento e controle dos tamanhos de lote e alocação da produção entre as plantas e as linhas de produção, uma vez que a simulação de diferentes políticas de produção permite a compreensão de como se comportam os custos, para que assim, possa ser possível mensurar a rentabilidade dos produtos e dos clientes; • A distribuição física: se relaciona com todas as atividades que ocorrem desde a saída das mercadorias até a entrega no local indicado, possibilitando um melhor rastreamento e consequentemente evitando um rateio equivocado/incorreto dos custos através da estrutura logística. Para Ballou (2006), os preços que um operador logístico precisa pagar pelo transporte estão ligados às particularidades dos custos de cada tipo de serviço. Taxas justas e razoáveis em geral acompanham os custos da produção do serviço. Pelo fato de cada serviço possuir diferentes características de custos, em qualquer tipo de conjunto de circunstâncias, sempre existirão serviços com vantagens tarifá- rias potenciais que outros não conseguirão cobrir com eficiência. Um serviço de transporte incorre em uma série de custos, tais como mão- de-obra, combustível, manutenção, terminais de carga e descarga, rodovias e ad- ministrativos. De acordo com Ballou (2006, p. 163) “essa combinação de custos pode ser dividida arbitrariamente em custos que variam de acordo com serviços ou volume (custos variáveis) e os invariáveis (custos fixos)”. 7878 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Entenda que todos os custos são variáveis quando se trata de período de tempo muito longo e um grande volume. Para fins de precificação do trans- porte, contudo, é aconselhável considerar como fixos aqueles custos que são constantes no volume normal de operações do transportador. Todos os demais custos devem ser considerados variáveis. Existem ainda os custos indiretos, que não se relacionam com transporte, mas no caso de transportadoras, devem ter seus valores estimados. Os custos fixos são os de aquisição e manutenção de direito de tráfego, instalações de terminais, equipamento de transporte e administrativos. Os custos variáveis incluem normalmente os gastos com combustível e salários (muitos auto- res classificam salários no rodoviário como custo fixo), equipamentos de manuten- ção, manuseio, coleta e entrega. Não se trata de uma alocação precisa entre custos fixos e variáveis, dado que são significativas as diferenças de custos entre modais de transporte, e igual- mente diferentes as alocações que dependem da dimensão em exame. Segundo Ballou (2006, p. 164), “todos os custos são parcialmente fixos e parcialmente variá- veis, e a alocação de elementos de custos a uma ou outra dessas classes depende de uma perspectiva individual”. O objeto de custo em questão é uma rota, isto é, o conjunto das etapas de carregamento, viagem de ida e volta e descarregamento para servir um determi- nado cliente em determinado percurso. Para o custeio de cada rota, é necessário definir bases de alocação tanto para os custos fixos de operação quanto para os custos fixos de administração da sede (FLEURY; WANKE; FIGUEIREDO, 2000). Os parâmetros a seguir ilustram o pensamento do autor: • Custos fixos de operação: estes custos representam recursos de capacidade e definem uma disponibilidade de tempo de equipamento e pessoas para operação das diversas rotas. Logo, cada rota deve pagar uma parcela destes custos em função do tempo de utilização de tais recursos. É necessário determinar o total de custos fixos que será dividido afim de que se chegue ao custo unitário de uso da capacidade de operação (p. ex.: a medida de capacidade de cada caminhão, o total de horas de trabalho de um motorista em um turno); LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 7979 • Custos fi xos de administração da sede: estes custos defi nem uma capacidade de apoio da administração. O fator causal do montante do trabalho de apoio foi avaliado como o número de conhecimento de fretes emitidos. Calcular o custo do frete com base nos tempos de viagem, carregamento e descarregamento é consistente com os princípios do Custeio Baseado em Ativi- dades (ABC) ao transporte. Entre os principais benefícios por Ellram (1994 apud FLEURY; WANKE; FIGUEIREDO, 2000) destaca-se uma melhor compreensão da origem e volume de recursos consumidos por rota e um melhor discernimento quanto ao grau de utilização da frota e suas ineficiências. Segundo Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 274), [...] contrariamente à prática gerencial brasileira, em que o custo do frete é função da capacidade de transporte, calculada com base na quilometragem das rotas e no número esperado de viagens no mês em cada rota, o sistema ABC considera-o como função da capacidade total, medida em horas, que uma transportadora coloca à disposição de seus parceiros em determinado período. Perceba, portanto, que as informações relativas aos custos de cada uma dessas etapas principais constituem um importante instrumento para monitora- mento de desempenho e uma clara e inequívoca medição das oportunidades de ganhos que podem ser exploradas no elo embarcador-transportadora-cliente, por meio da redução dos desperdícios nas atividades de transporte. • Quais os principais fatores que influenciam o custo e o preço do transporte? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 8080 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 1.4. Ferramenta de planejamento e controle 1.4. Ferramenta de planejamento e controle Em toda execução de uma atividade, seja ela qual for, utilizamos um planeja- mento, seja ele através de um simples pensamento ou elaborado em detalhes, des- crevendo cada passo utilizando um cronograma. De acordo com Nogueira (2012, p. 167), “uma das tarefas mais importantes de uma organização é seu planejamento”. “O planejamento pode ser visto como a determinação da direção a ser seguida para se alcançar um resultado ou como a determinação consciente de custos de ação, isto é, dos rumos. Ele engloba decisões, com base em objetivos, em fatos e na estimativa do que ocorreria em cada alternativa” (LACOMBE, 2003, p. 162 apud NOGUEIRA, 2012, p. 167). O planejamento é uma ferramenta administrativa, que possibilita entender a realidade, avaliar os caminhos, construir um referencial futuro, estruturando o trâ- mite adequado, e reavaliar todo o processo a que o planejamento se destina. Para Nogueira (2012) é, portanto, o lado racional da ação. Trata-se de um processo de deliberação abstrato e explícito queescolhe e organiza ações, antecipando os resultados esperados. Esta deliberação busca alcançar, da melhor forma possível, alguns objetivos predefinidos. Para a realização de um bom planejamento, é necessário seguir alguns pas- sos que são de grande importância, Para isso, Nogueira (2012) cita que devemos: • Defi nir metas; • Estruturar a organização da melhor maneira para alcançar as metas e os objetivos; • Atribuir responsabilidades a todos os responsáveis pelo cumprimento das metas; • Alocar recursos necessários; • Conhecer controles organizacionais (cronogramas e parâmetros do desempenho da organização como um todo). Após a conclusão do planejamento, devemos colocar em prática o que foi planejado, a partir deste momento é que vamos nos concentrar na atividade de controlar, assegurando que a meta será alcançada. O controle gerencial tem como finalidade assegurar o uso eficiente e eficaz dos recursos instituídos para acompa- nhamento das metas estabelecidas. Para isso, devemos: LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 8181 • Desenvolver indicadores individuais, para cada processo, para que as metas sejam cumpridas; • Elaborar controles de projeto (tais como plano de trabalho e datas-marco); • Instituir fatores que motivem os colaboradores ao cumprimento das metas; • Monitorar os processos para que as metas sejam cumpridas, importante para que não haja surpresas no final do período planejado; • Analisar o progresso do desempenho da situação planejada, assim podemos tomar algumas medidas se por acaso ela não estiver ocorrendo conforme planejado; • Solucionar os problemas, evitando o comprometimento do que foi planejado; • Treinar a equipe para que se faça bom trabalho daquilo que foi planejado; • Avaliar o desempenho dos processos. Quando a organização não acredita na importância de saber qual o melhor caminho a seguir ou o que deve fazer, estará à mercê de um mercado cada vez mais consciente e competitivo, e em um curto espaço de tempo pode ser massacra- da pela concorrência, pois novas ideias podem substituir o seu produto e/ou serviço. De acordo com Ballou (2006, p. 567), “a necessidade básica de uma ativida- de de controle no processo de gerenciamento está centrada nas futuras incertezas que alteram o desempenho de um plano”. Completando seu pensamento, o autor fala que desvios no parâmetro certamente ocorrerão, justamente pela impossibili- dade de prever com absoluta certeza muitas das forças que agem sobre as condi- ções de qualquer plano. No sistema logístico, o gerente procura controlar atividades de planeja- mento logístico (transporte, armazenagem, estocagem, manuseio de materiais e processamento de pedidos) em termos de serviço ao cliente e custos da atividade. Para Ballou (2006), o mecanismo de controle inclui as auditorias e relatórios sobre o desempenho do sistema, as metas estabelecidas em termos de desempenho, e alguns meios para desencadear ações corretivas, que são muitas vezes proporcio- nados pelo gerente de logística. 8282 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Qual o papel do planejamento e do controle para a logística? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 1.5. Oportunidades para redução de custos 1.5. Oportunidades para redução de custos Um objetivo da distribuição consiste em uma série de metas a serem atin- gidas pelo sistema, dentro do contexto produto/mercado. A finalidade inicial do responsável pela distribuição é especificar a natureza exata desses objetivos. De acordo com Dias (2010, p. 495), “esta análise deve ser feita em função da natureza do mercado, dos produtos e do grau de atendimento requerido, bem como dos custos envolvidos”. Segundo Martins e Campos (2009), todos os negócios precisam estabe- lecer, para si mesmos, alvos de melhoria realistas e maneiras de atingi-los. De acordo com o mercado em que a empresa compete, os objetivos podem variar. Para alguns o importante é a confiabilidade, isto é, entregas nas quantidades e datas acertadas, para outros pode ser a velocidade de resposta a um pedido, ou ainda a flexibilidade de mudanças em um produto de linha. Para Dias (2010), o custo com o seguro dos produtos transportados é bas- tante representativo, porém os principais custos em sistemas de distribuição são: • Custos do transporte: trata-se do frete em função da modalidade de transporte escolhida para se efetuar o transporte; é função da tarifa, do peso ou volume transportado e da distância; LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 8383 • Custo de recepção e expedição: trata-se dos custos relativos à carga e des- carga dos produtos na saída e na chegada. São evidentemente proporcionais às quantidades em trânsito. É possível após breve exame conhecer os custos por unidade de produto com referência a depósitos já existentes; • Custo de estocagem: são os custos necessários pela própria existência do estoque; são independentes do movimento de produtos, mas função do valor do estoque. Consideramos que estes custos são amortizações, mão de obra, aluguel, seguro do estoque e do prédio, impostos e os custos do capital investido em estoque; • Custos de estrutura: são os custos fixos; independem ao mesmo tempo das quantidades em trânsito e das quantidades estocadas propriamente ditas. São custos incorridos mesmo que o depósito não tenha trabalho nenhum a executar. Alguns destes custos aparecem também nos custos de estocagem. Os custos ligados à segurança podem ser muito altos, a ponto de prejudicar, a curto prazo, os resultados da empresa. De acordo com Martins e Campos (2009, p. 368), “discussões podem surgir, pois são custos de medidas que são eficazes se nunca usadas. Será sempre difícil se manter vigilante e continuar a investir em ativos, pessoas, inventários e processos que não geram valor a curto prazo”. Para se alcançar objetivos identificáveis, Martins e Campos (2009) citam três pontos que devem ser estabelecidos claramente: a) o que os clientes que- rem (pergunte a eles); b) o nível de serviço que os clientes recebem da empresa comparado com o que recebem dos concorrentes; e c) como o serviço da em- presa se compara (benchmarking) com os dos competidores diretos, indiretos e de outros mercados. Em seguida devem ser medidos os custos da cadeia logística. Os custos operacionais devem ser ponderados em relação aos custos e benefícios da em- presa como um todo, antes que informações relevantes para decisão apareçam. Para Martins e Campos (2009, p. 371) “a grande maioria dos custos pode ser medida”. Alguns dos custos que devem ser mensurados são: • Custos de suprimento, como o custo de colocar uma ordem, descontos recebidos em função do tamanho das ordens e sua influência no fluxo de caixa; • Custos de manter estoques, instalações e custos operacionais; 8484 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Custo total de estoques, considerando o custo de manter estoques em excesso (obsolescência, refugos) e o custo de manter inventário insufi ciente (perda de produção, vendas perdidas); • Custos de oportunidade de aplicação de capital não imobilizado; • Custos de transporte, no total e por operação/produto, incluindo a comparação entre transporte próprio e por terceiros; • Custos de produção; • Custos de documentação e das transações ao longo do sistema; • Custos de pessoal, comparando a produtividade deles em relação às medias do setor ou por meio de estudos de tempos e movimentos; • Retorno do investimento gerado por cada um deles. @@ CO NE CT E-S E CO NE CT E-S E • Anote suas ideias edúvidas para ampliar sua discussão na sala virtual, no fórum tira-dúvidas. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Medidas confiáveis são necessárias não só para ajudar a atingir o sistema ideal e começar a melhorar a maneira de fazer as coisas, mas darão uma dimen- são da melhoria. Os números irão mudar à medida que a maneira de comprar, fabricar, vender e entregar mude. Segundo Martins e Campos (2009, p. 372) [...] para coletar e analisar esses dados de forma confiável e a baixo custo, é neces- sário o uso de sistemas computadorizados e talvez de um especialista para guiar a empresa na compra e implementação do sistema. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 8585 Portanto, para a melhora do desempenho logístico, e consequentemente redução de custos, é necessário o uso de ferramentas que mensurem corretamen- te os gastos e assegurem que os elementos da cadeia logística sejam eficientes. Elas focalizam as áreas que constituem gargalos ou que não contribuem para o nível de serviço almejado. 2. terceirizAção e os proVedores de serViços Logísticos2. terceirizAção e os proVedores de serViços Logísticos Neste tópico, você irá aprofundar seus conhecimentos sobre os provedores de serviços logísticos; os provedores de serviços logísticos no Brasil; as formas de remuneração de provedores de serviços; e a gestão do relacionamento. 2.1. Provedores de serviços logísticos (PSL)2.1. Provedores de serviços logísticos (PSL) O termo “terceirização” está relacionado ao fornecimento de produtos, bens ou serviços, antes produzidos ou executados pela própria empresa, por uma outra empresa ou entidade. De acordo com Bertaglia (2009, p. 137) [...] tanto a terceirização de produtos como a de serviços, hoje uma realidade impul- sionada pela economia globalizada, deixaram de ser apenas uma teoria para transformar-se na prática de muitas empresas, independentemente do seu porte. Memorize Terceirizar faz parte da estratégia das empresas, pois lhes permite focar seus esforços nas suas atividades principais, reduzindo os custos, obtendo maior velocidade e buscando reduzir ou aumentar a distância que as separa das empresas concorrentes. Conforme vimos nos itens anteriores, a área da logística tem sofrido mu- danças bastante radicais ultimamente. Bertaglia (2009) cita que as empresas que possuíam frota própria resolveram terceirizar parcial ou totalmente o trans- porte, visando utilizar os veículos sob demanda e reduzir a estrutura para manter a frota internamente. 8686 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO A existência de uma frota de caminhões implica manter uma estrutura admi- nistrativa complexa com motoristas, ajudantes, mecânicos, supervisores, auxiliares administrativos para cuidar das características legais dos caminhões. Além disso, tam- bém é necessária uma estrutura de manutenção, com peças de reposição, aquelas mais comuns, acabam forçando uma estrutura paralela de gerenciamento de estoque. No entanto, a modernização de processos também tem influenciado as empre- sas a terceirizar a sua distribuição de produtos, como aluguel de centros de distribui- ção, serviços administrativos, sistemas de faturamento e todo o controle de estoques. De acordo com Bertaglia (2009, p. 138), “as organizações estão procurando cada vez mais se concentrarem no que de melhor sabem fazer”. Organizações de vendas vão vender, de produção vão produzir, de distribuição vão distribuir, man- tendo uma estrutura paralela mínima. A verticalização dos negócios somente tem sentido com o conceito de células de negócio nas quais os custos sejam extremamente competitivos. Não faz sentido empresas de alimentos ou automóveis terem o seu próprio contingente de vigilantes, já que terão de se preocupar com treinamento e atualização constante de pessoal, o que não é sua atividade principal de negócio. Fique atento Chamamos de PSL o fornecimento de serviços logísticos, incluindo as formas mais simples e tradicionais, como transporte e armazenagem. De acordo com Nogueira (2012), o abandono do paradigma da verticalização nas modernas cadeias de suprimentos cria demandas que são, em grande parte, supridas por outros agentes econômicos. Parte desses agentes surgiu da definição ou diver- sificação de seus antigos negócios (as empresas transportadoras, por exemplo), dando origem aos prestadores/provedores de serviços logísticos. Os PSL são originários de vários setores, principalmente da distribuição de produtos da indústria propriamente dita, do setor de transportes e de armazenagem. Existem organizações que desempenham papéis relevantes no processo da cadeia de abastecimento e algumas considerações devem ser feitas para que as atividades da cadeia de abastecimento sejam terceirizadas. Segundo Bertaglia (2009), grandes organizações utilizam terceiros devido aos seguintes fatores: LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 8787 • Fatores estratégicos: têm como objetivos principais aumentar o nível de serviço aos clientes e permitir aos funcionários que mantenham o foco em atividades relevantes aos negócios da organização. Não significa que as operações não sejam importantes para eles, mas sim que existem organizações no mercado mais bem preparadas para executar essas tarefas; • Fatores operacionais e administrativos: existem muitas atividades regulatórias e aquelas relacionadas com manutenção de veículos, aluguéis, gestão de ativos, seguros de carga, relação com sindicatos de transportes ou logísticos que podem ser mais bem administradas por empresas que estejam atuando no segmento; • Fatores financeiros: os ativos necessários para operar a logística são caros e demandam controles adicionais relacionados a custos de aquisição, tempos de manutenção, mão-de-obra para administrar, acidentes com veículos, entre outros. Esse enfoque pode contribuir gradativamente para a redução de custos na cadeia de abastecimento. Bertaglia (2009) aponta outros direcionadores que conduzem as empresas a terceirizar as suas atividades logísticas: focar esforços em seu próprio negócio e na busca de novos mercados; reduzir os custos logísticos, evitando investimentos em ativos não relacionados ao negócio da empresa; ter uma cadeia de suprimento complexa devido a uma base de supridores fragmentada, adicionando valor as operações existentes; flexibilizar e consolidar o processo de expedição; aumento do retorno de produtos; coordenar as atividades logísticas numa visão mais global; Melhorar e controlar os níveis dos serviços e das atividades logísticas; ter maior flexibilidade e eficiência nas operações logísticas; ter acesso a novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) e conhecimento logístico; e ter somente um ponto de contato, fortalecendo a relação com o agente logístico. Devido ao aumento do número de transportadoras, houve redução nas taxas de frete e na oferta de serviços mais customizados. As exigências dos embarca- dores, com maior poder de negociação, passaram a ser mais severas, exigindo melhores níveis de serviço, a preços mais baixos. Os transportadores tiveram sua margem de lucro reduzida. Buscando a sobrevivência e melhores oportunidades no mercado, começaram a oferecer uma gama mais ampla de serviços. Consequente- mente, as empresas de transporte rodoviário ampliaram seus negócios, aumentan- do a rentabilidade e dando origem a grande parte dos operadores logísticos de hoje. 8888 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO “Operador logístico é um fornecedor de serviços logísticos, especializadoem gerenciar todas as atividades logísticas ou parte delas, nas várias fases da cadeia de abastecimento de seus clientes, agregando valor ao produto dos mesmos, e que tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas três atividades consideradas básicas: controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes.” (ABML, 2009 apud NOVAES, 2004, p. 328) Fique atento Perceba, portanto, que os operadores logísticos são originados dos presta- dores de serviços logísticos. De acordo com Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 134), operador logístico é “um fornecedor de serviços logísticos integrados, capaz de atender a todas ou quase todas as necessidades logísticas de seus clientes, de forma personalizada”. Essa definição reflete uma série de características dos operadores logísticos, características estas que ficam mais evidentes quando com- paradas com as dos prestadores de serviços tradicionais, ou seja, transportado- ras, armazenadores, gerenciadoras de recursos humanos e de informação etc. O quadro a seguir procura confrontar as principais características de um operador logístico integrado com as de um prestador de serviços tradicional. Prestador de Serviços Tradicional Operador Logístico Integrado Oferece serviços genéricos – commodities. Oferece serviços sob medida – personalizados. Tende a concentrar-se numa única ativi- dade logística: transporte, ou estoque, ou armazenagem. Oferece múltiplas atividades de forma integrada: trans- porte, estoque, armazenagem. O objetivo da empresa contratante do servi- ço é a minimização do custo específi co da atividade contratada. Objetivo da contratante é reduzir os custos totais da logística, melhorar os serviços e aumentar a fl exibilidade. Contratos de serviços tendem a ser de curto a médio prazos (6 meses a 1 ano). Contratos de serviços tendem a ser de longo prazo (5 a 10 anos). Know-how tende a ser limitado e especiali- zado (transporte, armazenagem etc.). Possui ampla capacitação de análise e planejamento logístico, assim como de operação. Negociações para contratos tendem a ser rápidas (semanas) e num nível operacional. Negociações para contrato tendem a ser longas (meses) e num alto nível gerencial. Quadro 07 – Comparação das características dos operado- res logísticos com prestadores de serviços Fonte: adaptado de Fleury, Wanke e Figueiredo (2000). LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 8989 Assim, mesmo um restrito conjunto de serviços logísticos (de armazenagem e transporte, por exemplo), por mais limitado que seja, deve ser oferecido pelo ope- rador de maneira coordenada e integrada. Este fará as adaptações de ativos, bem como de sistemas de informação e comunicação necessários à execução desses serviços, sempre de acordo com as características e as necessidades do cliente, de forma a permitir maior eficiência da cadeia de suprimentos. O termo “operador logístico integrado”, muito usado no Brasil, subentende que essa organização forneça serviços administrativos e operacionais, ao mesmo tempo. Essa variedade de atividades oferecidas pelos prestadores de serviço tem se ampliado, com um número maior de combinações oferecidas aos clientes. • Qual a diferença entre PSL e Operador Logístico? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.2. Provedores de serviços logísticos no Brasil2.2. Provedores de serviços logísticos no Brasil Vimos no item anterior que o provedor de serviço logístico é um fornecedor de serviço integrado, com capacidade de atender a toda ou a grande maioria das necessidades logísticas de seus clientes, fazendo com que os mesmos possam voltar a atenção para a atividade-fim da empresa. De acordo com Novaes (2004, p. 327), “no Brasil, essa ampliação de negócios é mais recente”. Segundo o referido autor, devido a um cenário mais estável e da abertura econômica entre os anos de 1990 e 1993, as empresas de transporte começaram a se modernizar, para melhor se adaptarem às exigências de um mercado globalizado. Passaram, assim, a oferecer serviços logísticos de forma a atender à demanda das grandes firmas industriais e comerciais. 9090 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Essa tendência foi reforçada a partir da metade dos anos 1990, com a che- gada dos grandes operadores logísticos internacionais (Ryder Logistics, Macla- ne Logistics, TNT Logistics, Danzas, Penske Logistics) e de grandes indústrias estrangeiras (montadoras de veículos, como Renault, Audi, Chrysler, e grandes distribuidoras e varejistas, como o Walmart). (NOVAES, 2004). A instalação dessas operadoras estrangeiras no país, com know-how na prestação de serviços logísticos, junto com empresas industriais e varejistas es- trangeiras já acostumadas a se utilizar desses serviços, representam situações desafiadoras e induzem aos operadores nacionais (a maior parte delas formada por transportadoras rodoviárias) se transformarem operadores logísticos. Segundo Novaes (2004), alguns desses operadores estrangeiros encon- tram, no Brasil, empresas globais para as quais já trabalhavam no exterior, como é o caso da Maclane Distribuição Ltda., que trabalha para o grupo Philip Morris, ou da CAT, filial da Renault, que veio ao Brasil para se ocupar de sua logística. O referido autor completa seu pensamento afirmando que outras empresas entraram no país através da formação de alianças com empresas brasileiras pres- tadoras de serviços, como a Ryder Logistics, associada com a Translor, da FedEx trabalhando em conjunto com a Transportadora Rapidão Cometa, e a Penske Lo- gistics, operando com a Cotia trading. Há, nesse processo, uma transferência de competências entre as empresas estrangeiras, detentoras de uma enorme expertise em Logística, e as empresas nacionais. Esse é um importante fator indutor de mudanças e que tem provocado a rápida evolução do setor de serviços logísticos em nosso país. 2.3. Formas de remuneração de provedores de serviços2.3. Formas de remuneração de provedores de serviços Existem diferentes formas de remuneração na literatura, porém, para essa apostila adotaremos Bonzato (2005), que cita três modalidades: Baseada em taxas unitárias: por ser a mais simples, essa modalidade é a mais utilizada quando se trata de remuneração de PSL, onde o provedor de LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 9191 serviço cobra por hora trabalhada, por tonelada movimentada ou qualquer medida unitária do serviço. Algumas desvantagens estão no fato de que as taxas unitárias resultam da divisão dos custos totais de uma operação por um determinado volu- me esperado e que elas não refletem de forma automática os ganhos de eficiência da operação. Pontos Fortes Pontos Fracos Pode ou não incluir garantia de volume. Risco de perdas caso o volume planejado não seja atingido. Os custos do contratante também variam com o volume. Não existem dispositivos para compartilha- mento dos ganhos de produtividade. Incentivo inerente para o fornecedor ser mais produtivo. Preços geralmente inflacionados por garantias e contingências. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 08 – Comparativo Baseada no custo da operação mais uma margem: como o próprio nome já diz, nessa modalidade a empresa que contrata remunera o PSL de forma a co- brir todos os seus custos com a prestação de serviço acrescentando uma margem que é calculada sobre os custos da operação. Como desvantagem, pode-se dizer que pode haver desconfiança por parte de quem contrata, com relação aos custos que incorrem na operação, uma vezque os mesmos podem encobrir ineficiências do PSL, pois o mesmo pode estar encarecendo seus custos para aumentar a sua margem de operação. Pontos Fortes Pontos Fracos A margem do fornecedor é conhecida. Não existem incentivos para redução de custos e ganhos de produtividade. Não existem perdas com a flutuação do volume movimentado. Necessidade de mecanismos para monitora- mento dos níveis de custo e estabelecimento de benchmarks de custos. Sem riscos de taxas adicionais de contingência. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 09 – Comparativo 9292 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Baseada no custo da operação mais uma taxa de gerenciamento fixa: neste caso há uma separação clara entre os custos da operação e os de gerencia- mento, evitando com isso, que as variações no volume ou nos preços dos insumos da operação sejam repassados ao custo de gerenciamento. Pontos Fortes Pontos Fracos O lucro do fornecedor é fi xado e conhecido. Não existem incentivos para ganhos de produtividade. Incentiva o ganho de efi ciência no geren- ciamento da operação. Não existem incentivos para melhoria de níveis de serviço. Útil quando é difícil defi nir unidades e os volumes são incertos. Não existem incentivos para necessários ajustes no quadro de overhead. Fonte: Leonardo Vilela (FATE) 2014. Quadro 10 – Comparativo Deve-se ficar claro que como todo relacionamento, a remuneração dos pro- vedores de serviços logísticos deve proporcionar ganhos para ambas as partes, pois as desvantagens acarretam em desmotivação, ineficiência e perda de recur- sos e tempo para ambas as partes. • Quais as formas de remuneração dos PSL? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique 2.4. Gestão do relacionamento 2.4. Gestão do relacionamento Uma vez que as decisões de “comprar ou fazer” foram tomadas, para as atividades que se decidiu terceirizar, é necessário que se decida que tipo de rela- cionamento será estabelecido com os particulares terceirizados. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 9393 Segundo Corrêa e Caon (2002), não parece plausível que se deva tratar da mesma forma todas as empresas com as quais se contratou serviços terceirizados. Um banco, por exemplo, que decida terceirizar sua central de atendimento telefô- nico, provavelmente terá com essa empresa um relacionamento diferente daquele que terá, por exemplo, com a empresa a quem o banco terceirizou o serviço de lim- peza predial. Isso porque a atividade de atendimento telefônico pode ter impacto talvez mais relevante na percepção de qualidade de serviço dos clientes do banco que a empresa de limpeza predial. A base de todo sucesso entre as empresas é a cooperação, o que não é muito diferente quando se considera apenas uma empresa, que também é de- pendente da cooperação entre seus funcionários e suas diferentes unidades ou setores. De acordo com Corrêa e Caon (2002, p. 369), [...] a cooperação é criada por meio de ações como desenvolver relações de longo prazo, utilizando-se de recompensas por cooperação, ganhos de oportunidade e punições pela não-cooperação. Os relacionamentos logísticos são frágeis e podem ser de difícil formação e de rompimento extremamente fácil; no entanto, seus benefícios potenciais incen- tivam os administradores a continuar a explorar meios de fazer com que funcionem efetivamente. Portanto, uma gestão eficiente de relacionamento é baseada na confian- ça, num compartilhamento de informação que facilita o desempenho logístico, no alcance de objetivos específicos para atingir um nível de desempenho logístico melhor do que aquele viável de ser alcançado independentemente, com regras operacionais para cada um dos sócios e provisões de saída relativas a um eventual encerramento da aliança. Para finalizar, deve-se levar em consideração que quanto melhor for a ges- tão do relacionamento, maiores serão os benefícios para as empresas, pela troca de competências entre as diversas áreas, como tecnologia, manufatura, desenvol- vimento, marketing e economia. 9494 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO • Quais os principais fatores que influenciam na utilização de empresas terceirizadas? • Qual a importância da cooperação para a gestão do relacionamento entre as empresas logísticas? Caso necessite, busque discutir esta(s) questão(ões) com seu(sua) tutor(a) e colega, na sala virtual. _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Pratique Relembre Nesta unidade você conheceu os principais componentes dos custos logísticos e percebeu que é cada vez maior a busca pela sua redução e pela confiabilidade no serviço prestado pelos PSL, pois, os relacionamentos de hoje constituem verdadeiras parcerias, onde a confiança mútua e o comportamento cooperativo são fundamentais para o alcance do sucesso pretendido. Além disso, apreendeu que os PSL atualmente oferecem uma larga faixa de serviços logísticos, o que permite as empresas escolher precisamente quais as atividades logísticas que devem ser terceirizadas e quais podem ser mantidas internamente, a partir de análises que envolvem as competências e as transações entre os atores. Entendeu que os transportes representam um componente vital do projeto e geren- ciamento dos sistemas logísticos. Tão vital que em geral constituem entre um e dois terços dos custos logísticos totais. Aprofundou seus conhecimentos sobre o sistema de transportes, em termos de opções ao alcance dos usuários, que são normalmente os seis grandes modais de transporte – aéreo, aquaviário, dutoviário, ferroviário, rodoviário e o infoviário. Sobre estes modais, apontou-se as principais características, vantagens e desvantagens. Estas carac- terísticas serão de fundamental importância na tomada de decisão do meio de transporte a utilizar. Também foram vistos os principais fatores que interferem nos custos e fretes de transportes. Aspectos como sazonalidade, riscos de carga, possibilidade de cargas de retorno, entre outros, devem ser considerados. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 9595 ReferênciasReferências BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística em- presarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. BERTAGLIA, Paulo Roberto. Logística e gerenciamento da cadeia de abasteci- mento. 2. ed. ver. e atual. São Paulo: Saraiva, 2009. BONZATO, Eduardo. Tecnologia da informação aplicada à logística. São Pau- lo: IMAM, 2005. CORRÊA, Henrique Luiz; CAON, Mauro. Gestão de serviços: lucratividade por meio de operações e de satisfação dos clientes. São Paulo: Atlas, 2002. DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. FLEURY, Paulo F.; WANKE, Peter; FIGUEIREDO, Kleber Fossati. Logística Em- presarial: a perspectiva Brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. MARTINS, Petrônio G.; CAMPOS, Paulo R. Administração de materiais e recur- sos patrimoniais. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. NOGUEIRA, Amarildo de Souza. Logística empresarial: uma visão local com pensamento globalizado. São Paulo: Atlas, 2012. NOVAES, A. G. Gerenciamentoda cadeia de distribuição. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004. Compreendeu que o uso de mais de um modal no Brasil surge como grande oportunidade para as empresas tornarem-se mais competitivas. Embora o modal rodoviário predomine na matriz de transporte do país, seu uso é demasiadamente realizado até mesmo para produtos/trechos onde não é mais competitivo. Desta forma, notou que os custos, a velocidade, a confiabilidade, as frequências e a qualidade dos meios de transporte utilizados são aspectos essenciais na gestão de redes globais de suprimento. 9696 LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO Anotações:Anotações: _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 w w w .U ni AT EN EU .e du .b r