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1 – Definições e Características de uma Comunicação Institucional integrada 1. Comunicação Institucional: Conceitos e Características A Comunicação Institucional, no contexto da comunicação organizacional integrada, é a responsável pela construção e pela formatação da imagem corporativa de uma organização (KUNSCH, 2016). Isso só se torna possível em razão da gestão estratégica das relações públicas, a qual enfatiza aspectos relativos à missão, à visão, aos valores e à filosofia da empresa. • Abílio da Fonseca (1999 apud KUNSCH, 2016, p. 164) define a Comunicação Institucional como o conjunto que é de procedimentos destinados a difundir informações de interesse público sobre as filosofias, as políticas, as práticas e os objetivos das organizações, de modo a tornar compreensíveis essas propostas. ○ • Para Gaudêncio Torquato do Rego (1985 apud KUNSCH, 2016), a Comunicação Institucional objetiva conquistar simpatia, credibilidade e confiança, realizando, como meta finalista, a influência político social, utilizando, para tanto, estratégias de relações públicas, tanto no campo empresarial como no governamental, de imprensa, publicidade, até as técnicas e práticas do lobby ○ • Portanto, fazer Comunicação Institucional significa conhecer a empresa e compartilhar suas características (missão, visão, valores, políticas e filosofia), e não somente divulgar a instituição e as marcas. Esse tipo de comunicação é estratégico no sentido de criar o diferencial imagético na mente dos stakeholders. • É importante ressaltar que a Comunicação Institucional não visa à venda de nenhum produto ou serviço; o enfoque se dá nas propagandas e notícias institucionais, a fim de ganhar credibilidade. O retorno financeiro vem como consequência do envolvimento do consumidor, além da valorização das marcas que possuem capital aberto pelo mercado de ações. • Ademais, Yanaze (2011, p. 458) ressalta outros ganhos: Reconhecimento pelos diferentes públicos; ○ Conquista de confiança e credibilidade; ○ Fortalecimento de imagem; ○ Ganho de poder institucional; ○ Conquista de reputação diferenciada; ○ Valorização de marca e negócios e de patrimônios tangíveis e intangíveis. ○ • O trabalho adequado e direcionado em relação à construção/manutenção da imagem corporativa e à gestão de relacionamento com os diversos públicos de interesse é extremamente relevante para as organizações. • 2. Comunicação Institucional: Ferramentas No contexto da comunicação integrada, de acordo com Kunsch (2016), a Comunicação Institucional dispõe de ferramentas ou instrumentos que confluem para estruturar a comunicação organizacional como o sujeito institucional que deve ser perante seus públicos. Essas ferramentas são: relações públicas, jornalismo empresarial, assessoria de imprensa, publicidade/propaganda institucional, a imagem e a identidade corporativa, o marketing social, o marketing cultural e a editoração multimídia. • 2.1. Relações Públicas Andrade (1996, p. 105) definiu relações públicas como “o diálogo planificado e permanente entre uma instituição e seus públicos, com o objetivo de determinar o interesse privado ou público”. Para o autor, o público deve ser visto como o centro ao redor do qual todas as ações do profissional de relações públicas devem girar. • As relações públicas possuem como função a construção da credibilidade e a fixação de um • Comunicação Institucional quarta-feira, 22 de março de 2023 18:14 Página 1 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA As relações públicas possuem como função a construção da credibilidade e a fixação de um posicionamento institucional coerente e duradouro das organizações (KUNSCH, 2016) • Isso quer dizer que as empresas não podem se limitar à divulgação de seus produtos e serviços, sendo necessário agregar valor ao negócio e colaborar para criar um diferencial no imaginário dos públicos-alvo. • Para tanto, é importante que a empresa possua um departamento de Comunicação Institucional, que deve integrar os profissionais de relações públicas, jornalismo, publicidade e propaganda e design, compondo uma equipe multidisciplinar. • Vale apontar que as duas modalidades de comunicação que estudamos nas unidades anteriores, interna e mercadológica, aliadas à Comunicação Institucional, compõem a comunicação integrada e são as encarregadas da construção da imagem positiva da empresa. • 2.2. Jornalismo Empresarial O jornalismo empresarial forma, com as relações públicas e a propaganda, a tríade responsável pelo fluxo de informações sobre a empresa. É uma especialidade do jornalismo que noticia os acontecimentos internos de uma empresa, além de produzir materiais jornalísticos para a circulação entre seus públicos, como revistas e jornais corporativos, boletins e vídeos institucionais. • 2.3. Assessoria de Imprensa Uma das principais frentes de atuação no mercado da organizacional no Brasil, a assessoria de imprensa é uma ferramenta essencial nas mediações das organizações com o grande público, a opinião pública e a sociedade, seja ela por mídia impressa, digital ou internet (KUNSCH, 2016). • Várias notícias que estão em jornais, TVs, rádios, revistas ou internet são resultado do trabalho árduo dos assessores de imprensa, que encaminham pautas, releases e brindes com informações sobre a empresa: fatos, lançamento de produtos e serviços, investimentos, inovações, fusões e aquisições, mudanças de presidente e novas campanhas de publicidade. • Entre as ações do assessor de imprensa (OLIVEIRA, 2020) estão: Criar press releases, press kits (conjunto de materiais reunidos, com o objetivo de divulgar determinadas atividades ou lançamento de produtos de uma empresa) e sugestões de pauta; ○ Estabelecer relacionamento com os jornalistas da imprensa; ○ Treinar e acompanhar os funcionários para entrevistas;○ Organizar as coletivas de imprensa; ○ Organizar o mailing (cadastro com informações dos jornalistas: nome, e-mail, telefone, veículo de atuação etc.); ○ Produzir clipping de notícias (monitoração e arquivamento de menções feitas na mídia a determinada marca). ○ • 2.4. Editoração Multimídia Todos os materiais de comunicação, impressos ou digitais, devem receber um tratamento técnico-profissional dessa área, que inclui a criação e editoração de um projeto, a fim de torná- lo atraente, acessível e útil aos olhos do público. Também atua na esfera da comunicação integrada. • 2.5. Propaganda Institucional Trata-se de outra ferramenta utilizada pelas relações públicas, também integrante da Comunicação Institucional, que possui como objetivo divulgar as realizações das empresas, explorando estratégias de posicionamento, a fim de torná-las únicas perante as demais. • É considerada uma publicidade de prestígio, a partir do trabalho com os valores e a filosofia da organização. Imagens escolhidas com cuidado, textos bem elaborados e trilhas de músicas servem como apoio a esse tipo de propaganda. • Um exemplo de propaganda institucional de qualidade foi o vídeo “Eduardo e Mônica”, em 2011, homenagem da empresa de telefonia Vivo aos 25 anos da música, composta pela banda Legião Urbana, e ao Dia dos Namorados, sendo criada pela agência de publicidade África e produzida pela O2 Filmes. • Página 2 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA produzida pela O2 Filmes. 2.6. Marketing Social Pode ser caracterizado como a adoção e promoção de uma ideia ou causa de saúde pública, proteção ao meio ambiente, educação ou outros objetivos de cunho social que tenham como finalidade mudar uma prática na sociedade • Philip Kotler e Eduardo L. Roberto (1992, apud KUNSCH, 2016, p. 175-176) assim o definem: O termo “marketing social” apareceu pela primeira vez em 1971, para descrever o uso de princípios e técnicas de marketing para a promoção de uma causa, ideia ou comportamento social. Desde então, o termo passou a significar uma tecnologia de administração da mudança social, associada ao projeto, à implantação e ao controle deprogramas voltados para o aumento da disposição de aceitação de grupos de adotantes escolhidos como alvo. Recorre a conceitos de segmentação de mercado, desenvolvimento e teste de conceitos de produtos, comunicação direta, facilitação, incentivos e teoria da troca, para maximizar a resposta dos adotantes como alvo. ○ • Exemplos de marketing social são: a campanha da Avon contra o câncer de mama; o McDia Feliz, da rede de fast-food Mc Donald’s; e a campanha do Criança Esperança, da Rede Globo • 2.7. Marketing Cultural É uma ferramenta de Comunicação Institucional que visa promover, defender e valorizar a cultura e os bens simbólicos de uma sociedade, materializados sob a forma de obras de arte, literatura e outros (KUNSCH, 2020). As empresas investem na produção dos artistas que produzem música, pinturas, esculturas, livros e outras manifestações artísticas para divulgar suas marcas. Exemplos são eventos como Rock in Rio e LollaPalooza e espaços como Itaú Cultural e Farol Santander. • 2 – Identidade, Imagem e Reputação Institucional 1. O que é Identidade Corporativa? De acordo com o Dicionário Michaelis, “identidade” é: 1 Estado de semelhança absoluta e completa entre dois elementos com as mesmas características principais. ○ 2 Série de características próprias de uma pessoa ou coisa por meio das quais podemos distingui-las. ○ 3 Aquilo que contribui para que uma coisa seja sempre a mesma ou da mesma natureza: A identidade de suas impressões digitais ficou registrada. ○ • Se tomarmos como base as duas primeiras definições, notaremos que se referem às características físicas e psicológicas de um indivíduo. Vamos nos ater, nesta aula, às características psicológicas, ou seja, ao conjunto de atributos que definem o caráter de alguém. Em uma organização, podemos dizer o mesmo: o conjunto de características que a definem como única. • Identidade corporativa é o conjunto de características que, alinhadas, tornam uma empresa especial e inigualável (FASCIONI, 2010). Princípios, crenças, manias, defeitos, qualidades, aspirações e limitações, tudo faz parte da identidade corporativa. Se uma organização tem uma postura conservadora ao tomar decisões, não é redesenhando o design que a identidade mudará, já que a representação gráfica é somente uma forma de comunicar quem ela é. Marca gráfica, nome, ambiente, atendimento, missão, visão e valores são manifestações físicas de sua identidade. • Portanto, deduzimos que identidade corporativa diz respeito ao conjunto de características intangíveis (psicológicas) que definem uma empresa. Identidade visual é o sistema que transforma a identidade corporativa em termos visuais: cores, marcas, tipografia e símbolos. Observe a Figura 7 a seguir. Você não precisa ver a imagem completa (com o logotipo) para saber que essa batata-frita é comercializada pela rede de fast-food Mc Donald’s. Isso é identidade visual • Lígia Fascioni (2010, p. 25) divide os atributos da identidade corporativa em dois grupos: • Página 3 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA Lígia Fascioni (2010, p. 25) divide os atributos da identidade corporativa em dois grupos: Essenciais: são aqueles relacionados a caráter, representam a essência e praticamente não se alteram, sofrendo somente variações sutis ao longo dos anos. ○ Acidentais: são aqueles relacionados às manifestações físicas, conjunturais e materiais. Podem mudar em razão das diversas fases da empresa. ○ • É importante que fiquem claros os atributos da identidade para que a empresa não mostre aquilo que ela não é, já que o que importa é tirar proveito daquilo que é genuíno e verdadeiro. Veja a seguir o exemplo da Coca-Cola: o logotipo é formado por letras cursivas (parecendo escritas à mão), que apontam personalidade e criatividade, tornando essa escrita exclusiva. A cor vermelha expressa sedução e poder; a cor branca, simplicidade e clareza. • 2. Ética e Identidade Estudamos, na unidade anterior, que o posicionamento ético de uma organização garante uma imagem positiva entre os elementos, sejam eles internos ou externos. É consenso que é relevante que uma empresa aja com princípios éticos e que seja modelo de consciência social. No entanto, nem sempre funciona assim. • Em 2009, a Polícia Federal prendeu uma das proprietárias da loja Daslu (de artigos de luxo), em São Paulo, suspeita de cometer crimes financeiros relacionados à sonegação fiscal. Você deve estar se perguntando: a marca perdeu clientes? A resposta é: não. Por quê? Porque a preocupação da loja não era ética – palavra nunca usada em suas ações de comunicação –, mas com o glamour, o luxo. • Por isso, há de ter cuidado com o uso da palavra “ética” nas ações de comunicação organizacionais. Uma vez que ela faz parte da identidade, qualquer deslize pode levar à perda de idoneidade. • 3. Imagem e Identidade É bastante comum as pessoas confundirem imagem com identidade, embora os conceitos sejam distintos. A imagem não é o que a empresa é, mas aquilo que ela diz ser. É a percepção do público em relação à empresa, é o modo como o público a enxerga. Alguns fatores como posicionamento político, qualidade de produtos e serviços, gestão empresarial, relação com funcionários e fornecedores e responsabilidade social podem interferir na imagem. Por isso, quando afetada, ela pode impactar a decisão do consumidor • A imagem é formada por aspectos cognitivos (ligados ao conhecimento real e comprovado das coisas) e afetivos (ligados ao emocional), o que pode fazer com que haja interpretações diferentes sobre um mesmo conceito, uma vez que a bagagem cultural e as experiências podem afetar essa percepção. • Identidade, como vimos, diz respeito aos atributos da empresa, àquilo que ela é. Brandt e Johnson (2001 apud FASCIONI, 2020, p. 56) estabelecem as seguintes diferenças entre imagem e identidade: • DIFERENÇAS ENTRE IMAGEM E IDENTIDADE IMAGEM IDENTIDADE APARÊNCIA ESSÊNCIA PONTOS DE VISTA DOS RECEPTORES PONTOS DE VISTA DOS EMISSORES REFLETE QUALIDADES SUPERFICIAIS REFLETE QUALIDADES DURADOURAS VISÃO RETROSPECTIVA VISÃO PARA O FUTURO TÁTICA ESTRATÉGIA Quando a identidade corporativa é consolidada e representa o propósito da organização, é mais fácil estabelecer relações entre consumidores e marcas; ou seja, transmitir uma imagem coerente estimula a identificação. • 4. Reputação Institucional Assim como a imagem, a reputação institucional também está no olhar do receptor. Embora • Página 4 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA Assim como a imagem, a reputação institucional também está no olhar do receptor. Embora estejam sob esse mesmo olhar, imagem e reputação são distintas. Reputação se diferencia de imagem, já que aquela é construída ao longo dos anos, e não por um período limitado. • Gotsi e Wilson (2001, apud FASCIONI, 2020, p. 56) definem reputação institucional como a avaliação global feita pelos stakeholders. Essa avaliação é baseada em suas experiências diretas com a empresa, qualquer outra forma de comunicação e simbolismo que forneça informações sobre as ações da empresa e/ou a comparação com as ações de outras líderes concorrentes. ○ • Desse modo, a reputação institucional é um juízo de valor que se faz sobre a imagem. Quanto mais próxima do ideal for a imagem da organização, maior será sua reputação. • Fombrun e Foss (2004, apud FASCIONI, 2020, p. 58) resumiram em seis grupos o que o mercado considera quando analisa a reputação de uma empresa: Apelo emocional: o quanto a empresa é admirada e respeitada; ○ Produtos e serviços: percepções de qualidade, inovação, valores e credibilidade dos produtos e/ou serviços que a empresa comercializa ○ Performance financeira: percepções sobre lucratividade, perspectivas e risco; ○ Visão e liderança: o quanto a empresa demonstra ter visão clara e liderança íntegra; ○ Ambiente de trabalho: percepção de como a empresa é administrada, como é realizado o trabalho e quão qualificados são seus funcionários; ○ Responsabilidadesocial: percepções da empresa como boa cidadã e suas relações com os funcionários, ambiente e comunidade onde atua. ○ • A reputação faz muita diferença quando se precisa confiar na empresa. É tão importante que pode fazer o valor das ações subir ou diminuir nas bolsas de valores, os funcionários ficarem satisfeitos ou fazerem greve, os bancos concederem ou não crédito etc. • Para esquema e exemplos de identidade, imagem e reputação, veja as figuras a seguir, que sintetizam a relação entre elas • IMAGEM + IDENTIDADE = REPUTAÇÃO ○ IMAGEM = IDENTIDADE, INVESTIDORES, FUNCIONÁRIOS, REPUTAÇÃO, CONSUMIDORES E COMUNIDADE ○ 3 – Comunicação e Gestão de Crises 1. O que é Crise? De acordo com o Dicionário Michaelis, a palavra “crise” possui vários sentidos. Vamos aqui dar ênfase a três deles, que pertencem ao contexto de crise a ser estudado: Conjuntura desfavorável; situação anormal e grave; conflito, tensão, transtorno: Crise internacional. Crise do sistema monetário. ○ Episódio que se caracteriza pela presença de circunstâncias de difícil superação; lance embaraçoso que tende a ser duradouro; adversidade, agrura, apuro. ○ Momento de transição entre uma fase de prosperidade e outra de depressão, ou vice- versa. ○ • Crises são acontecimentos mais graves do que altos e baixos em uma organização. Um acontecimento negativo não significa crise. Jonathan Bernstein, um dos maiores gestores de crise dos Estados Unidos, afirma que crise é: Qualquer situação que ameaça ou pode ameaçar a integridade de pessoas ou propriedades, seriamente interromper um negócio, arranhar reputações ou impactar negativamente o valor de mercado. (2011, apud FORNI, 2022, p. 6) ○ • Já Ian Mitroff atribui à crise um conceito mais direto: “uma crise é um evento que afeta ou tem o potencial de afetar uma organização inteira” (MITROFF, 2001, apud FORNI, 2022, p. 77). Podemos deduzir, então, que acontecimentos dramáticos ou traumáticos, como o assassinato ocorrido em 2019 nas dependências da rede de supermercados Carrefour, em Porto Alegre, não são necessariamente uma crise, já que ela possui duas características bem definidas: ameaça e pressão do tempo. Ameaça, no sentido de colocar o valor da organização sob séria ameaça; tempo, porque ela exige providências imediatas. • Página 5 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA ameaça; tempo, porque ela exige providências imediatas. Conforme apontado por Forni, ao resumir os conceitos de crise: Em resumo, entendemos crise como uma ruptura na normalidade da organização; uma ameaça real ao negócio; à reputação e ao futuro de uma corporação ou de um governo. Em geral, as crises frustram as expectativas dos stakeholders2 e têm um efeito deletério perverso, por exigir energia para gerenciá-las, que poderia ser empregada para obter resultados e não para pagar incêndios. Além disso, criam um clima de insegurança, despertando o apetite da mídia e a pressão dos concorrentes ou dos adversários políticos. (FORNI, 2022, p. 7) ○ • Em 2018, no Brasil, quando aconteceu a greve dos caminhoneiros, houve pressão sobre o governo, o qual, por determinado período, perdeu o controle das rodovias. Além da paralisação que gerou a crise, outras crises em cadeia por falta de combustível e gás vieram à tona, principalmente nos setores de saúde e de transporte aéreo. • 2. Tipos de Crise Seria impossível mapear todos os tipos de crise. Por isso, vamos enumerar alguns dos tipos elencados por Forni (2022), dando destaque ao último, de imagem, nosso objeto de estudo: Direitos do consumidor: desrespeito aos direitos do consumidor, atendimento ruim e problemas no call center e na entrega de produtos; contaminação de mercadorias, defeitos na embalagem ou no produto, contaminação alimentar, furtos realizados por clientes, boicote a produtos ou serviços, interrupção de serviços essenciais (água, energia e telefone), envenenamento ou contaminação por substância tóxica em alimentos, falsificação de peso ou fórmula e recall. ○ Ética empresarial: utilização de trabalho escravo ou infantil, importação irregular, sonegação de impostos, lavagem de dinheiro, corrupção, tráfico de influência, uso da máquina pública, fraudes internas, desvios de verbas públicas, chantagem, sabotagem, uso de “laranjas”, superfaturamento em obras, vazamento de informações confidenciais, pirataria e adulteração de dados ou produtos ○ Meio ambiente: acidentes ambientais e industriais, boicote a grupos ativistas, desmatamento, contaminação ou degradação do meio ambiente, ocupação irregular do solo, vazamento de substâncias tóxicas ou agressivas à natureza, carvoarias (com utilização de madeira clandestina e trabalho infantil), rompimento de barragens e depósitos irregulares de resíduos sólidos. ○ Relações trabalhistas ou de pessoal: acidentes de trabalho com mortos ou gravemente feridos, greves, passeatas, programa de demissões, ameaça de perda de executivos, falta de pagamento de direitos trabalhistas, terceirização proibida, assédios morais, de discriminação racial, etária e/ou de gênero, aumento no índice de acidentes envolvendo funcionários, surto de doença que atinja funcionários e envolvimento de funcionário em crime hediondo. ○ Catástrofes naturais: granizo, enchentes, deslizamento de barreiras, incêndios, terremotos, tornados, erupção de vulcão, ressacas, raios e avalanches. ○ Segurança pública: violência nas ruas e em estabelecimentos públicos, violência no trânsito, acidentes com transportes públicos, greve da polícia ou de outro departamento de segurança, fuga ou revolta de presos, corrupção policial, tomada de reféns, assaltos e vandalismo em estabelecimentos públicos e falta de fiscalização em eventos públicos. ○ Controle financeiro: prejuízo em balanços, perda rápida do valor de mercado, perda de crédito, endividamento ou inadimplência elevada com repercussão no atendimento, sonegação de impostos, venda de ativos, demissão em massa, perda de contratos, contabilidade ilegal e queda repentina no faturamento. ○ Imagem: sério dano à imagem e reputação da empresa ou governo, problemas de identidade corporativa, uso indevido da marca ou de produtos da empresa, adulteração da marca, difamação, calúnia e boatos não comprovados e ações consideradas politicamente incorretas, como discriminação e trabalho infantil ou escravo. ○ • Há empresas e setores mais propensos a crises. Por isso, utilizar a melhor estratégia quando ocorrer uma crise é já estar pronto para tal. Esse é o assunto que vamos tratar a seguir: • Página 6 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA ocorrer uma crise é já estar pronto para tal. Esse é o assunto que vamos tratar a seguir: estratégia em crise de imagem. 3. Crise de Imagem: Gestão Elaborar um plano para enfrentar os possíveis fatos negativos e tê-lo em mãos é uma excelente maneira de administrar uma situação de crise com eficiência. Além do plano, é importante eleger um porta-voz para representar a organização. • O porta-voz deve ser calmo e sereno ao falar com a imprensa. Deve ter todas as informações sobre a empresa e, especialmente, sobre o problema em específico, e suas palavras devem transmitir credibilidade. Tal função pode ser exercida por um assessor, um diretor ou o presidente. • Em situações de crise, transparência e clareza são fundamentais: não deixar a imprensa sem respostas e atendê-la prioritariamente é uma forma de transmitir confiança, como apontado por Olga Curado (apud DURANTE, 2011, p. 68): Geralmente a crise de imagem surge pela divulgação de uma notícia ou reportagem em que alguém, uma empresa ou instituição são citadas de forma negativa. Antes de uma notícia ser publicada é de praxe que o jornalista responsável procure a pessoa para responder às acusações, ou pelo menos existe uma desconfiança do repórter que quer esclarecimentos. Mais do que em qualquer outra situação, a resposta a uma iminente publicação de notícia ruim deve ser rápida. Deve-se evitar ter todas as “informações”antes de falar com a imprensa. Esse é um erro recorrente. Responda, fale o que for possível, o que souber, e o que não souber, diga que não sabe. Mas pecados dos pecados... não espere que uma crise definhe por si mesma. As relações com a imprensa durante uma crise potencializam as dificuldades que marcam o relacionamento entre a fonte e o jornalista, mas a própria crise é uma oportunidade para desenvolver as bases desse contato por meio de respostas rápidas, claras, dentro do tempo necessário para o profissional de comunicação realizar seu trabalho. ○ • Saber agir adequadamente em um momento de crise de imagem requer muito preparo, principalmente porque, nesse momento, pode-se estabelecer a consolidação de um novo relacionamento entre a organização e os profissionais de imprensa. • 4. Crise de Imagem: Cases Esse tópico será dedicado a mostrar dois cases de crise de imagem que conseguiram o turning point, ou seja, o ponto de virada para melhor – momento crucial em que ações de comunicação devem ser decisivas. • 4.1. Jet Blue A empresa aérea norte-americana Jet Blue foi surpreendida, em 2007, por uma tempestade de neve no aeroporto JFK, em Nova Iorque, na véspera do feriado de St. Valentine’s Day (o Dia dos Namorados nos EUA), que acontece em 14 de fevereiro. • Apesar dos avisos, o aeroporto autorizou as empresas aéreas a iniciarem o procedimento de embarque. Entretanto, a decolagem não foi permitida, já que as condições climáticas permaneceram ruins. Com a tempestade e a quantidade de aeronaves retidas, os passageiros da Jet Blue esperaram, em alguns casos, até 11 horas, até serem liberados a retornarem ao desembarque. • Dos 156 voos da Jet Blue, só 13 partiram, deixando os passageiros da companhia aérea, em pleno feriado, dentro de aviões e no saguão do aeroporto. Além disso, o cancelamento desses voos causou transtornos no restante do país e no sistema de reservas. Foi uma das piores crises do sistema aéreo depois do fatídico 11 de setembro de 2001. • Apesar de a companhia aérea não ter sido a principal causadora da crise, ela tomou para si o problema e decidiu reagir. Não jogou a culpa no aeroporto nem na tempestade. O presidente da empresa à época, David Neeleman, monitorou todo o problema, recebendo informações on- line. Toda a empresa se movimentou para resolver a crise, tendo contado com a disponibilidade de pilotos e atendentes que estavam em dia de folga. • O CEO fez um pedido de desculpas público, aos cerca de 130 mil clientes atingidos, oferecendo • Página 7 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA O CEO fez um pedido de desculpas público, aos cerca de 130 mil clientes atingidos, oferecendo facilidades para troca de passagens e compensações, como bilhetes aéreos gratuitos e indenizações de mil dólares às vítimas de overbooking (expressão em inglês usada para denominar a situação criada quando uma empresa vende mais do que pode atender) e de perda de compromissos de trabalho em razão dos cancelamentos. • Uma semana depois, Neeleman fez extensa divulgação da Carta dos Direitos dos Passageiros, uma campanha de grande sucesso, que virou case de estudo nos cursos de Ensino Superior. • 4.2. Tylenol Em 1982, cápsulas do medicamento Tylenol, da Johnson & Johnson, foram envenenadas com cianeto nas prateleiras e acabaram sendo compradas por consumidores, tendo causado a morte de sete pessoas nos Estados Unidos. • A forma que a empresa encontrou para administrar essa grave crise foi divulgar amplamente o ocorrido, certa de que a falha não havia sido no processo de fabricação. Foi transparente, tendo solicitado aos consumidores que não comprassem os comprimidos. • Recolheu do mercado os cerca de 31 milhões de comprimidos e ofereceu aos consumidores a opção de troca, substituindo rapidamente os estoques. Investiu em campanhas publicitárias e de esclarecimentos. • Ao agir rapidamente e com responsabilidade, a Johnson & Johnson colocou o bem-estar de seus consumidores à frente dos seus interesses. Dessa forma, preservou a imagem da empresa, que não teve sua reputação afetada. • Podemos dizer que tanto a Jet Blue como a Johnson & Johnson souberam transformar uma crise em uma excelente oportunidade de expor ao mercado como se comporta uma empresa quando considera seus clientes peças fundamentais para o seu negócio. • 4 – Comunicação com a Mídia (Media Training) 1. Conceito de Media Training Antes de tratarmos de Media Training, vamos entender o que é mídia e sua função. “Mídia” vem do latim media, plural de médium (“meio”), e pode ser usada para denominar o conjunto de meios ou veículos de comunicação: revistas, jornais, rádio, TV e internet. No Brasil, adotamos o singular “mídia” em vez do plural, comum em Portugal e nos Estados Unidos. E qual a função da mídia? • Segundo Alberto Dines (1999, apud KUNSCH, 2016, p. 190), É fazer a mediação, a intermediação, entre a realidade mutante, cada vez mais mutante, e a sociedade, que, graças ao direito de cidadania, precisa ser informada, para tomar as suas decisões e mesmo escolher seus representantes. Temos assim a definição clara de uma função social para a imprensa, a mídia. Ela é, realmente, um instrumento de mutação, de desenvolvimento da sociedade. E tem essa função a partir do seu próprio nome, explicitamente. ○ • Estabelecidos o conceito e a função da mídia, chegamos no Media Training, que é o treinamento originado a partir da necessidade de os porta-vozes das empresas ou de instituições estarem aptos para conceder entrevistas a jornalistas. Tem como objetivo aperfeiçoar as habilidades de comunicação: uso de palavras, gestos e atitudes adequadas, bem como a capacidade de elaborar as respostas corretas • 2. O Papel do Porta-Voz No Brasil, a escolha do porta-voz aparece relacionada a um executivo, com habilidade e conteúdo para atender à mídia e que transmita boa imagem no vídeo. Ele é a “voz” e o “rosto” da organização, por isso deve ser muito bem orientado e não conceder entrevistas por conta própria. • Outro ponto que deve ser observado é a contratação de consultoria de comunicação externa, muito usual no mercado, para saber lidar com situações de muita pressão e crises. Entretanto, nesses momentos, os funcionários desejam ouvir a voz que vem de dentro da empresa, aquela voz que tem conhecimento dos assuntos internos e propriedade para atuar como fonte. • Página 8 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA voz que tem conhecimento dos assuntos internos e propriedade para atuar como fonte. De acordo com Fernanda Sobral (2016, p. 8), os hábitos comportamentais do porta-voz podem interferir no contato com a mídia. Por isso, são necessárias atitudes fundamentais, entre as quais: Manter-se atualizado às questões operacionais da empresa a serem discutidas na mídia; dessa maneira, falhas na comunicação serão evitadas; ○ Não dar entrevistas sem conhecimento ou sem aviso prévio por parte da empresa, mesmo sendo porta-voz; ○ Nunca dizer ao assessor de imprensa que não concederá entrevistas, pois isso pode prejudicar futuros contatos com jornalistas, que podem se recusar a entrevistá-lo novamente; ○ Ser objetivo com o jornalista e evitar termos técnicos (lembre-se de que ele não é seu público-alvo); ○ Divulgar informação em off (“em segredo”) pode não ser uma boa ideia. O mais indicado é guardar a notícia e comunicar somente quando estiver certo de que sua divulgação é segura ○ • Além disso, saber usar a linguagem corporal, mostrando segurança e transparência, é essencial. Algumas dicas contribuem para o uso apropriado desse tipo de linguagem: Aumentar o tom de voz para ter mais energia ao discursar; ○ O contato visual com o entrevistador ou com a câmera é fundamental, mas cuidado, pois em excesso pode parecer assustador; ○ Gestos com as mãos chamam atenção e são capazes de aumentar o impacto da comunicação, ajudando a manter a atenção das pessoas; ○ Para entrevistas em pé, o ideal é colocar um pé à frente do outro. Issoimpede o balanço do corpo e ajuda a manter a energia voltada para a frente; ○ Para conceder entrevista sentado, mover o corpo para frente, sentando-se apenas na metade da frente da cadeira, garante que o foco principal da câmera esteja no rosto e não no corpo. ○ • Uma organização é plenamente responsável por justificar suas ações diante dos stakeholders: clientes, fornecedores, funcionários, investidores e comunidade. Por isso, ter conhecimento acerca das ações gera credibilidade e, se o discurso do porta-voz tiver clareza e coerência, a comunicação será bem-sucedida. • 3. Por que Falar com a Mídia? A mídia pode colaborar muito para que uma empresa se mostre idônea e passe credibilidade, sendo eficaz na comunicação com os clientes e com os diversos públicos com os quais estabelece relações. • Para Barbeiro (2020, p. 16-18), quando um jornalista liga para o porta-voz, duas sensações podem se manifestar: euforia, em razão de aparecer na mídia, ou terror, por ter que enfrentar o desconhecido. Os dois extremos são perigosos, devendo-se optar pelo meio-termo. Para isso, são recomendações do autor: Acionar, sempre que o jornalista procurar o porta-voz, imediatamente a assessoria de imprensa, que possui conhecimento técnico; ○ Compreender que existe uma relação de ética entre jornalistas e assessores de imprensa, a qual precisa ser respeitada; ○ Ter cuidado com entrevistas em redes sociais, sendo o mais prudente solicitar intermediação com a assessoria de imprensa; ○ Apresentar-se sempre disponível sobre um assunto do qual seja considerado fonte; ○ Anotar o nome do jornalista e da mídia social do veículo de comunicação em que trabalha e o assunto ou pauta da entrevista ○ Saber que agir corretamente é obrigação de toda empresa, e isso não viraliza nas redes sociais; ○ Não enganar o jornalista, pois, caso ele descubra, o resultado será pior para a empresa e a marca; ○ Entender que o prazo sempre é curto para o jornalista; ○ Assumir o papel de fonte, o que significa se submeter a riscos e oportunidades. • Página 9 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA Assumir o papel de fonte, o que significa se submeter a riscos e oportunidades. ○ Portanto, é essencial criar uma relação de mão dupla com os meios de comunicação, atendendo às necessidades da mídia e criando espaço para sugestões de pauta da organização. • 4. Cases Neste tópico, apresentaremos um case do Banco do Brasil, cujo porta-voz agiu com rapidez, transparência e liderança, conseguindo “apagar o incêndio” e neutralizar a situação, e um case da Marinha argentina, cuja falta de transparência e morosidade causou desespero aos familiares dos tripulantes. • 4.1. Banco do Brasil Durante muitos anos, o Banco do Brasil produzia e corrigia as provas de concursos para ingresso na empresa; por isso, a área de recrutamento e seleção é uma das áreas mais reservadas do banco. • Em 1992, ao divulgar o resultado de um concurso, envolvendo milhares de candidatos do país, apareceu, na lista, que os 10 primeiros colocados eram pessoas que estabeleciam relações próximas com funcionários, o que gerou suspeita de fraude. • O Sindicato dos Bancários pautou a imprensa, e a notícia rapidamente se espalhou. No mesmo dia da denúncia, o presidente do banco, à época, pediu ao setor de Auditoria que apurasse o fato, estabelecendo uma semana como prazo máximo para conclusão. Em prazo determinado, a Auditoria descobriu que houve quebra do sigilo de provas, pois dois executivos da empresa, da área de pessoal e treinamento, haviam sido professores de alguns candidatos ao concurso. • A imprensa foi, então, convocada para apresentação do resultado da apuração: demissão dos executivos e perda do cargo em comissão de chefe de um deles; anulação do concurso; e divulgação de nova data de seleção. • O assunto, ainda, foi noticiado por alguns dias, mas a rápida e assertiva ação do Banco do Brasil fez com que o fato fosse esquecido e que retornasse a credibilidade da empresa em relação aos concursos • 4.2. Marinha argentina Em novembro de 2017, o submarino Ara San Juan, com 44 marinheiros, desapareceu. O último contato foi feito em 15 de novembro e se soube depois que, no mesmo local desse último sinal, havia sido detectado um barulho semelhante a uma explosão. Em seguida, a embarcação desapareceu dos radares. • A Marinha argentina foi muito contida nas informações iniciais, apostando, talvez, na possibilidade de encontrar o submarino rapidamente. À medida que o tempo passava, a falta de transparência dos militares com o acidente começou a emergir com todas as consequências, quando, numa crise, a organização responsável omite e não explica tudo o que sabe para a mídia e para os demais stakeholders, como os parentes dos marinheiros. • Cerca de 12 dias após o desaparecimento, novas informações surgiram. Teria havido uma explosão a bordo do submarino cinco dias depois da viagem no litoral do Chile. O destino era Mar Del Plata, uma grande cidade argentina, onde ficava a base do submarino. À medida que a Marinha argentina foi reconhecendo a gravidade do caso, resolveu revelar algumas informações, que irritou os familiares que, no início, foram iludidos com notícias tranquilizadoras. • A versão da explosão foi vazada por um canal de TV argentino, incluindo o teor exato da comunicação que o comandante do submarino enviou antes de a embarcação sumir. • A mensagem, de 15 de novembro (dia do desaparecimento), assinada pelo comandante Claudio Javier Villamide, foi endereçada ao Comando da Força dos Submarinos e continha teor dramático: Ingresso de água do mar pelo sistema de ventilação ao tanque de baterias número 3 ocasionou curto-circuito e princípio de incêndio no balcão de barras de baterias. Baterias de proa fora do serviço no momento da imersão propulsando com circuito dividido. Sem novidades de pessoal. Manterei informado. Essa mensagem causou alvoroço na imprensa do país, porque já havia suspeita de que a Marinha omitia alguns dados sobre o acidente. • No início, disse ter havido falta de comunicação entre o comando e a nave, quando já se tinha informação de uma pane nas baterias. Segundo especialistas, pane nas baterias é incidente • Página 10 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA informação de uma pane nas baterias. Segundo especialistas, pane nas baterias é incidente grave em um submarino. Especula-se que essa falha das baterias teria afetado o sistema de propulsão e os equipamentos de comunicação da embarcação. O submarino, assim como aconteceu com o avião da Malaysia Airlines, em 2014, desapareceu. A possibilidade de encontrar o submarino, mesmo que não se assegure a possibilidade de vida no interior da embarcação, é bastante remota. Os equipamentos podem ter sido afetados pela explosão. Os parentes já estavam preparados para o pior, e as pessoas levavam flores à base de onde o submarino saiu, homenageando cada um dos tripulantes desaparecidos. • Cada entrevista do porta-voz da Marinha gerava uma enorme expectativa dos parentes que se revezavam na base em Mar Del Plata. Só que os militares, temerosos de adiantar todas as informações, falavam a conta-gotas, o que irritou os parentes. • A falta de transparência da Marinha causou uma dissidência entre os parentes dos militares: de um lado, aqueles que tinham esperança de encontrá-los com vida; de outro, os mais realistas, que acreditam que a Marinha teria omitido a gravidade da explosão. • 5 – Conflitos Organizacionais e Barreiras à Comunicação Institucional 1. Conflitos Organizacionais Conflitos são tão antigos quanto é a humanidade e podem ser considerados processos de oposição e confronto entre indivíduos. São inerentes aos processos de gestão de qualquer organização. • Os próprios auditores, ao se referirem à profissão, usam a expressão “conflito construtivo”. Os executivos, ao contratarem uma assessoria ou consultoria para propor mudanças, mexem, com certeza, com a zona de conforto de alguém,causando conflito. • Por vezes, o conflito é a única solução para a obtenção de mudanças necessárias. No entanto, a falta de gerenciamento adequado pode resultar em prejuízos para empresa e gestor. • Os conflitos podem se dividir em dois tipos, de acordo com Burbridge (2012): produtivos e não produtivos. Os produtivos são aqueles que causam mudança, atribuindo um valor líquido à organização, ao gestor e aos funcionários. Vamos apresentar aqui um exemplo2 de conflito produtivo para que você possa compreender melhor: Em 2016, um funcionário de uma loja varejista de artigos de aventura, com o nome de Alex, chegou para o chefe e pediu um aumento. E lhe foi dito que seu salário era padrão para seu cargo, e seu chefe nem tinha autoridade para lhe dar tal aumento. E aquilo deveria ser o fim da conversa. Infeliz com a resposta, Alex chegou em casa e decidiu criar uma campanha no coworker.org (uma organização que usa tecnologia para ajudar pessoas a se unirem com seus colegas e se organizarem por melhorias nos ambientes de trabalho) pedindo à sede corporativa um aumento para os funcionários de loja. Em alguns dias, funcionários de todo o país começaram a se unir à iniciativa de Alex e contar suas próprias histórias sobre quanto ganhavam, US$11, US$12 a hora, e como esse salário impactava suas vidas. Alguns até disseram que tinham se demitido recentemente para trabalhar para concorrentes que pagavam melhor. Eles também disseram que não queriam ter saído, que gostavam do trabalho, acreditavam na missão da empresa, mas, para eles, a questão do pagamento era um problema crescente na vida profissional. Semanas depois dessa onda de ativismo dos funcionários, a empresa decidiu dar um aumento de 5% a 15%, em cidades de todo o país. ○ • O exemplo de Alex é um exemplo de conflito produtivo, pois foi a maneira que ele encontrou de resolver a questão quando foi negada abertura, em seu ambiente de trabalho, para resolver seu problema. E ela foi solucionada. • Os conflitos não produtivos são aqueles que não agregam valor, impedem a colaboração e geram prejuízos significativos. Podem ser categorizados em: Conflitos formais, cuja resolução deve contar com o apoio de um profissional; ○ Conflitos informais, que normalmente podem ser resolvidos pelo gestor; ○ Conflitos que não necessitam de gerenciamento. • Página 11 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA Conflitos que não necessitam de gerenciamento. ○ Um exemplo de conflito não produtivo é quando um gestor determina uma meta de faturamento de R$ 200 mil, em um só mês, tendo como registro passado um recorde de R$ 20 mil. No entanto, nenhuma estratégia foi apresentada para que esse valor absurdo seja alcançado. O resultado virá em forma de estresse, desarmonia e frustração, que se transformarão em conflitos de difícil resolução. De acordo com Chiavenato (2014), os conflitos organizacionais se dividem em três tipos: Conflito percebido ou latente, quando duas ou mais pessoas entendem que o conflito existe em razão de terem objetivos diferentes; ○ Conflito experiência, aquele que não é exteriorizado, produzindo sentimentos como raiva e medo; ○ Conflito manifestado, quando é exposto de forma ativa ou passiva. ○ • Estratégias de gestão de conflitos, como criar uma cultura de feedback e investir em reuniões e outros processos comunicativos, são extremamente eficazes para a resolução de embates que podem alterar o funcionamento da empresa e a produtividade dos funcionários. Desse modo, fica a cargo do gestor incentivar aqueles que produzem ideias originais e saber amenizar os que geram prejuízo • 2. Barreiras à Comunicação Institucional Barreiras são problemas que interferem na comunicação, dificultando-a. São “ruídos” que prejudicam o sucesso da comunicação. As barreiras gerais ou comuns podem ser de natureza mecânica, fisiológica, semântica ou psicológica (KUNSCH, 2016): Barreiras mecânicas ou físicas: estão ligadas aos aparelhos de transmissão (barulho, ambientes e equipamentos que dificultem ou impeçam que a comunicação ocorra). ○ Barreiras fisiológicas: dizem respeito a problemas genéticos ou de malformação dos órgãos vitais da fala. A surdez, a gagueira e a não articulação fonética são exemplos possíveis. ○ Barreiras semânticas: são as que procedem do uso inadequado de uma linguagem não comum ao receptor ou a grupos visados, ou seja, os códigos e signos utilizados não fazem parte do repertório do conhecimento em certo ambiente organizacional. ○ Barreiras psicológicas: preconceitos e estereótipos que prejudicam a comunicação e são relacionados a atitudes, crenças, valores e cultura dos indivíduos. ○ • Além dessas barreiras, no ambiente organizacional, há quatro classes de barreiras: Barreiras pessoais: fluxo comunicativo depende da personalidade de cada indivíduo, das emoções, dos valores e da forma como cada um se comporta em determinado contexto. ○ Barreiras administrativas/burocráticas: origem no modo como as organizações atuam e processam suas informações. ○ Excesso de informações: exagero de informações, multiplicação de papéis administrativos e institucionais e reuniões desnecessárias não possibilitam uma comunicação eficaz. ○ Comunicações incompletas e parciais: informações fragmentadas, distorcidas ou sujeitas à dúvida, e informações não transmitidas ○ • Credibilidade da fonte, filtragem da informação, pressão de tempo e sobrecarga de comunicação também podem ser consideradas barreiras no processo comunicativo. • Tendo conhecimento das barreiras, cabe à empresa fazer os ajustes necessários, principalmente em tecnologia, pois os aplicativos ajudam bastante na comunicação, como pudemos observar na unidade anterior. Estar atento às rotinas de trabalho e ressaltar a necessidade de um planejamento da comunicação interna também contribui para que o investimento na comunicação seja constante. • Página 12 de COMUNICAÇÃO INTEGRADA