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AULA 4 COGNIÇÃO, ATENÇÃO E FUNÇÕES EXECUTIVAS Prof.ª Camila Paraná 2 INTRODUÇÃO As funções executivas são consideradas um conjunto de habilidades responsáveis por gerenciar o nosso comportamento. Estas funções, de forma geral, estão relacionadas ao funcionamento do córtex pré-frontal e são recrutadas quando nos envolvemos em situações inéditas, ou seja, quando não há uma resposta automatizada, sendo necessário tomar uma decisão ou resolver uma situação-problema (Lezak et al., 2004; Malloy-Diniz et al., 2008; Strauss, 2006). Considerando as funções executivas como um conjunto de habilidades, alguns subcomponentes são considerados como executivos: controle inibitório, flexibilidade cognitiva, memória de trabalho, tomada de decisão, planejamento, resolução de problemas e automonitoramento. Existem diferentes modelos teóricos de função executiva relatados na literatura, sendo que a maioria concorda com a identificação de três funções nucleares: o controle inibitório, a flexibilidade cognitiva e a memória de trabalho (Diamond, 2013; Malloy-Diniz et al., 2008) TEMA 1 – DESENVOLVIMENTO E CICLO DE VIDA O termo desenvolvimento refere-se a um processo que envolve mudanças sistemáticas e contínuas no indivíduo e que ocorre desde o momento da concepção até a morte. Estas mudanças são consideradas sistemáticas, pois tendem a ser ordenadas e padronizadas (Ré, 2011). Desta forma, entende-se que marcos do desenvolvimento são esperados em determinadas etapas do ciclo de vida. Pensar no desenvolvimento com base nesta ideia de mudanças contínuas e sistemáticas dá a impressão de que os indivíduos se desenvolvem sozinhos. Porém, sabe-se da importância do ambiente neste processo. A presença de um aparato neurobiológico adequado não garante um desenvolvimento completo e saudável, visto que as experiências de vida, a estimulação e a própria cultura são extremamente necessárias (Papalia; Olds, 2000; Ré, 2011). Assim, o desenvolvimento deve ser compreendido tomando como base uma perspectiva “biocultural, reconhecendo a interação entre fatores biológicos e socioculturais presentes na vida do ser humano” (Ré, 2011, p. 56). Outro aspecto fundamental para entender o processo de desenvolvimento é a diferença entre dois fatores, o crescimento e a maturação. O crescimento está relacionado a aspectos mais quantitativos, ou seja, que podem ser medidos de forma precisa. Um exemplo seria os marcadores biológicos de peso e altura de uma 3 criança. Já a maturação é considerada um fenômeno qualitativo, relacionada com o amadurecimento funcional de órgãos ou sistemas, por exemplo, a aquisição da linguagem (Papalia; Olds, 2000; Ré, 2011). Papalia e Olds (2000) dividem o desenvolvimento em três aspectos: desenvolvimento físico: mudanças no corpo, no cérebro, nas habilidades motoras e na capacidade sensorial; desenvolvimento cognitivo: mudanças na capacidade mental – memória, raciocínio, pensamento e linguagem; desenvolvimento psicossocial: maneira de sentir, reagir, se comportar e se relacionar com o outro (Papalia; Olds, 2000). Independentemente do aspecto, a infância é considerada a etapa do ciclo de vida com a maior intensidade de desenvolvimento. Em relação ao desenvolvimento do cérebro, nem todas as suas partes se desenvolvem ao mesmo tempo. Ao nascer, as áreas mais desenvolvidas são aquelas que controlam os estados de consciência, os reflexos inatos e as funções vitais biológicas, como a digestão, a respiração e os processos de eliminação. As primeiras áreas que amadurecem são as chamadas áreas motoras primárias e as áreas sensoriais primárias. Com o passar dos anos, outras áreas vão se desenvolvendo, gradativamente, até o momento em que há o amadurecimento das regiões pré-frontais do cérebro, consideradas as últimas a se desenvolver (Papalia; Olds, 2000). Dias e Seabra (2013) ainda complementam que “a mielinização das fibras se inicia em estágios precoces do desenvolvimento, especificamente nos lobos pré- frontais, e continua até o início da vida adulta, quando essa estrutura atinge maturidade” (Dias; Seabra, 2013, p. 209). A bainha de mielina é uma camada de substância lipoproteica que fica ao redor do axônio do neurônio e tem como função atribuir maior eficiência à transmissão de informação. Ao nascimento, o indivíduo já apresenta muitos neurônios mielinizados, mas este processo continuará acontecendo e só terminará no final da adolescência/início da idade adulta (Gazzaniga et al., 2006). Conforme já citado anteriormente, o desenvolvimento não pode ser entendido apenas pelo aspecto biológico, sendo a interação do indivíduo com o meio circundante fundamental para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como os processos de atenção, memória, raciocínio, linguagem e as funções executivas (Papalia; Olds, 2000). 4 “O processo de crescimento, maturação e desenvolvimento humano interfere diretamente nas relações afetivas, sociais e motoras dos indivíduos” (Ré, 2011, p. 56). Considerando a importância das funções executivas na adaptação do indivíduo ao cotidiano, é preciso entender como tais funções se desenvolvem. TEMA 2 – DESENVOLVIMENTO DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS De acordo com Dias e Seabra (2013), o córtex pré-frontal é uma das principais estruturas do substrato neuroanatômico das funções executivas. Apesar de ser a última área a se desenvolver, conforme visto no tema anterior, desde o primeiro ano de vida já é possível observar manifestações deste desenvolvimento, que só estará completamente maduro no início da fase adulta. Assim, o desenvolvimento das funções executivas é considerado de longo curso, porém com início precoce, já nos meses iniciais da vida de um bebê. Com base em evidências relacionadas a aspectos do neurodesenvolvimento, entre eles o processo de mielinização, alguns autores consideram que o amadurecimento dos lobos frontais ocorre por meio de surtos de crescimento (Pinto, 2008), conforme mostra o quadro a seguir: Quadro 1 – Surtos de crescimento do amadurecimento do lobo frontal Faixa Etária Aspecto do desenvolvimento 1º surto de crescimento 5 anos de idade Ganhos importantes em relação aos processos de controle atencional 2º surto de crescimento 7 a 9 anos Desenvolvimento de três subcomponentes executivos: processamento de informação, flexibilidade cognitiva e planejamento; 3º surto de crescimento 11 a 13 anos Os subcomponentes anteriormente citados alcançam a maturidade e emerge o chamado controle executivo Fonte: Pinto, 2008. Apesar de as habilidades de processamento da informação, de flexibilidade cognitiva e de planejamento estarem relativamente amadurecidas por volta de 12 anos, sabe-se que o período de transição para a adolescência, por volta de 13 anos, ainda está relacionado a uma imaturidade nas áreas de autorregulação das emoções e de tomada de decisão (Pinto, 2008). 5 De acordo com a faixa etária, alguns autores também indicam o pico de desenvolvimento de determinados componentes executivos. Dias e Seabra (2013) citam os seguintes marcos de desenvolvimento para os subcomponentes: 2.1 Controle inibitório Pesquisas indicam que o controle inibitório seja a primeira função executiva a aparecer, aproximadamente com um ano de vida. Esta função, também chamada de inibição, é definida por Malloy-Diniz e colaboradores (2008) como a capacidade de refletir antes de agir, de inibir uma reposta e de adiá-la valendo-se da habilidade de avaliar possíveis alternativas. Apesar de a inibição surgir precocemente, nesta idade essa função ainda é considerada muito elementar, sendo as respostas comportamentais fornecidas de forma mais espontânea, até aproximadamente os 3 anos de idade (Bordova; Leong, 2007 citado por Dias; Seabra, 2013). Na sequência, por volta de 4 a 5 anos, as crianças começam a demonstrar o controle inibitórioe, assim, conseguem ponderar mais as suas repostas (Dias; Seabra, 2013). 2.2 Memória de trabalho A memória de trabalho ou memória operacional também surge por volta de 12 meses, porém apenas aproximadamente entre 3 e 5 anos é que as crianças serão capazes de manipular informações de forma menos concreta e terão a habilidade de começar a “criar imagens mentais e operar sobre elas” (Bordova; Leong, 2007 citado por Dias; Seabra, 2013, p. 208). Esta capacidade está fortemente relacionada à ideia de permanência do objeto. Segundo Gazzaniga e colaboradores (2006), esta habilidade pode ser observada quando a criança consegue representar de forma mental um objeto, mesmo em sua ausência. Dias e Seabra exemplificam: Por exemplo, na resolução de um quebra-cabeça, uma criança com até 3 anos de idade experimentaria peça a peça para completar um quadro com um item faltante. Já́ em torno dos 5 anos, a criança se torna capaz de manipular o conjunto mentalmente; ela ignora peças muito pequenas ou grandes, aquelas obviamente erradas, e seleciona apenas aquelas com maior possibilidade de completar o quadro. Ela não precisa mais tentar encaixar uma a uma, pois já ponderou as características da situação mentalmente. (Dias; Seabra, 2013, p. 208) Tomando como base o exemplo citado, fica mais fácil de compreender o conceito de memória de trabalho. Esta função está relacionada à capacidade de 6 manipular uma informação enquanto se trabalha com ela (Malloy-Diniz et al., 2008). Outro exemplo é quando precisamos guardar informações por um curto espaço de tempo para usá-las. É o que acontece quando recebemos um comando e precisamos segui-lo mentalmente para executar uma ação. 2.3 Flexibilidade cognitiva Para Diamond (2013), a flexibilidade cognitiva se desenvolve mais tarde, por volta dos 5 aos 7 anos de idade. Talvez a justificativa para este desenvolvimento posterior seja o fato de que esta função engloba, de alguma forma, as habilidades de inibição e memória de trabalho. A flexibilidade cognitiva envolve a habilidade de mudar o foco de processamento de uma ideia ou atividade à outra. É a habilidade de alternar objetivos frente a uma situação-problema. Envolve a capacidade de encontrar uma nova alternativa diante de imprevistos e assim se adaptar a novas demandas do ambiente (Miyake et al., 2000). É quando, por exemplo, um indivíduo que está habituado a pegar um ônibus todos os dias, no mesmo horário, se depara com a necessidade de resolver um imprevisto, visto que o ônibus quebrou e ele precisa chegar ao trabalho no mesmo horário de sempre, pois tem uma reunião importante. Neste caso, a habilidade de pensar em uma solução com base na ideia de buscar uma nova alternativa, como pegar um táxi ou pedir uma carona ao invés de ficar esperando o conserto do ônibus, é uma forma de flexibilizar uma ideia. Pessoas com dificuldade de flexibilidade mental poderiam ter uma atitude rígida de pensamento e não conseguiriam encontrar uma estratégia de resolução de problema, pois tendem a ficar presas em ideias relacionadas apenas àquilo que estão muito habituadas. 2.4 Autorregulação Outra função que também começa a aparecer por volta de 3 a 5 anos é a autorregulação. De certa forma, esta função torna-se dependente do processo de aquisição da linguagem, pois é com base na capacidade de se comunicar e de compreender os outros que a criança começa a manejar e a controlar o seu comportamento. A fala autodirecionada e depois, com o avançar da idade, a fala internalizada contribuem para a capacidade de seguir regras, de solução de problemas e de automonitoramento (Dias; Seabra, 2013). 7 Assim, com base no exposto acerca do desenvolvimento dos principais subcomponentes de função executiva, Dias e Seabra (2013, p. 208) afirmam que: Entre os 4 e 5 anos, progressivamente, desenvolvem-se as habilidades de focalizar a atenção e de recordar-se de algum evento de forma deliberada, ignorar distratores, postergar gratificação, interromper um comportamento inadequado, agressivo por exemplo, e agir de modo “adaptativo”, adequando seu comportamento às demandas e regras sociais, inclusive controlando suas emoções. Por fim, com base nos estudos sobre o desenvolvimento executivo, entende-se que, apesar de início precoce, estas funções só atingirão a maturação completa no final da segunda década de vida. Considerando que este desenvolvimento não depende apenas de aspectos orgânicos/neurobiológicos, mas que a estimulação do ambiente se torna fundamental e até mesmo determinante, que fatores podem contribuir para este desenvolvimento? TEMA 3 – INFLUÊNCIAS POSITIVAS E NEGATIVAS NO DESENVOLVIMENTO EXECUTIVO Tendo em vista o curso longo e gradativo do desenvolvimento das funções executivas, devemos considerar a possibilidade de um risco relacionado à chamada janela de vulnerabilidade, de modo que alterações no desenvolvimento dessas habilidades podem acarretar consequências em curto, médio e longo prazo (García-Molina et al., 2009 citado por Dias; Seabra, 2013). Ao mesmo tempo que há este risco relacionado a possíveis alterações, também há a contrapartida positiva, com base no estímulo e na promoção destas habilidades (Dias; Seabra, 2013). De acordo com um documento escrito e publicado pelo comitê científico do Núcleo Ciência pela Infância (NCPI, 2016), o controle consciente e autônomo de nossas ações, pensamentos e emoções ocorre com base no contexto em que vivemos. Desta forma, as experiências vividas pelas crianças ao longo da infância podem interferir de forma positiva ou negativa no desenvolvimento executivo. Na primeira infância as crianças precisam ter a oportunidade de usar e aprimorar o funcionamento executivo no controle das reações a emoções, planejamento e realização de tarefas. Os adultos cuidadores podem incentivar as crianças no uso das funções executivas até que elas consigam fazê-lo autonomamente. Há que se reiterar que durante os primeiros anos de vida são desenvolvidas habilidades que constituirão a base do desenvolvimento de habilidades de funções executivas mais complexas (NCPI, 2016, p. 12). 8 Para Dias e Seabra (2013), quanto mais desorganizado o ambiente em que uma criança cresce, com pais que apresentam dificuldades de planejamento, maior a probabilidade de a criança apresentar prejuízos de função executiva. Assim, apesar de sabermos que estas funções são limitadas na infância e que só estarão maduras por completo quase que na idade adulta, cabe aos adultos proporcionar ambientes e situações que promovam o seu desenvolvimento. A aquisição destas habilidades acontecerá de forma mais efetiva com a estimulação. Proporcionar às crianças pequenas responsabilidades e autonomia no dia a dia, de acordo com a faixa etária, já é uma forma de estimulação (NCPI, 2016). Auxiliar no estabelecimento de estratégias e de resolução de problemas trará resultados mais benéficos do que atitudes de superproteção, quando, por exemplo, os pais resolvem tudo pelos filhos, tirando deles a autonomia e a independência. Por fim, atualmente, inúmeros programas para estimulação das funções executivas têm sido criados e aplicados em escolas e em ambiente clínico. As pesquisas têm enfatizado estratégias de promoção destas funções, em vez de esperar a necessidade de intervenção e tratamento quando as funções são consideradas deficitárias. Além da possibilidade de utilização de programas específicos criados para este fim, a literatura também apresenta evidências da relação entre a prática de esportes, música e artes e o melhor desenvolvimento executivo (NCPI, 2016). TEMA 4 – FUNÇÕES EXECUTIVAS E APRENDIZAGEM Na infância, a aprendizagem apresenta peculiaridades relacionadas à maturação neurológica e à neuroplasticidade. Esta última, muito intensa nos primeiros anos de vida, consiste na capacidade que o cérebro tem em se adaptaràs novas funções aprendidas ou às eventuais mudanças decorrentes de lesões cerebrais adquiridas. À medida que a criança amadurece, funções cognitivas contribuem para a execução de habilidades cada vez mais complexas. Assim, para que haja aprendizagem, é preciso haver maturação e integração das diversas funções envolvidas no processo (Rotta, Ohlweiler, Riesgo, 2006). Muitas funções executivas estão relacionadas ao processo de aprendizagem, às suas dificuldades e ao êxito acadêmico. Em especial, a memória de trabalho, também chamada de memória operacional, tem ganhado destaque na literatura nos últimos anos. 9 De acordo com Aquino e Borges-Paraná (2019, p. 4): Crianças com dificuldades na aprendizagem podem apresentar limitações associadas a prejuízos no processamento, armazenamento ou manipulação de informações na memória operacional, seja por vias internas ou externas ao individuo. O impacto do prejuízo da memória operacional em escolares apresenta forte relação com o desempenho acadêmico, seja na área da matemática como também em disciplinas de língua portuguesa (Aquino; Borges-Paraná, 2019). De acordo com Cardoso e Fonseca (2016), no início da vida escolar é esperado que as crianças desenvolvam as habilidades de aprendizagem por meio da aquisição dos processos de leitura, escrita e matemática. Assim, observa-se um esforço diário das escolas com o estabelecimento de estratégias que propiciem a mediação da aprendizagem por meio de conteúdos que envolvem a compreensão verbal, a solução de problemas de matemática e a ampliação destas estratégias para as tarefas de casa. Entretanto, para que as crianças consigam executar estas atividades de forma eficiente e consigam obter sucesso na aprendizagem, é preciso que elas sejam capazes de planejar, organizar as tarefas, se adaptar às rotinas, controlar impulsos, monitorar seus comportamentos e regular suas emoções (Cardoso; Fonseca, 2016). Conforme amplamente exposto anteriormente, todas essas habilidades fazem parte das funções executivas. As autoras ainda fazem uma crítica de que, apesar de as pesquisas indicarem cada vez mais a relação das funções executivas com a aprendizagem, para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, observa-se que essas habilidades não são abordadas de forma sistemática e contínua em sala de aula e não estão presentes nos currículos escolares. (Cardoso; Fonseca, 2016, p. 15) TEMA 5 – FUNÇÕES EXECUTIVAS – HABILIDADES PARA A VIDA TODA Ainda na infância, o adequado desenvolvimento das funções executivas já possibilita à criança o início da habilidade de gerenciar sozinha alguns aspectos de sua vida. Com o passar da idade, a demanda para gerenciar outros aspectos, cada vez mais complexos, aumentará, da mesma forma que as funções executivas serão cada vez mais recrutadas (NCPI, 2016). 10 Com base nesta ideia, observa-se que as bases sólidas do adequado desenvolvimento executivo na infância terão um reflexo positivo ao longo da vida adulta, seja no aspecto afetivo, social ou ocupacional. A literatura apresenta alguns estudos que relatam a relação entre o nível de desenvolvimento executivo na infância e diferentes indicadores de qualidade de vida na idade adulta. Um desses estudos acompanhou 1.000 crianças nascidas no mesmo ano e na mesma cidade, por 32 anos. Descobriu-se que crianças de três a onze anos de idade, com um melhor desenvolvimento do controle inibitório (menos impulsivas, mais persistentes), tinham maior probabilidade de permanecer na escola e não fumar ou usar drogas na adolescência. Na fase adulta, esses indivíduos tinham menor chance de ter sobrepeso, pressão arterial alta, problemas com drogas, além de apresentar melhores indicadores de condições de emprego. (Moffitt, 2011 citado por NCPI, 2016, p. 12) Por fim, em um mundo onde as mudanças têm ocorrido de forma extremamente rápida e exigente, acredita-se que pessoas com melhores funções executivas tendem a apresentar maiores chances de adaptação nas diferentes esferas da vida. Assim, investir no desenvolvimento dessas habilidades, já nos primeiros anos de vida, pode ser um diferencial importante, considerando os benefícios de longo prazo para a sociedade em geral. 11 REFERÊNCIAS AQUINO, J. L.; BORGES-PARANA, C. M O. Avaliação neuropsicológica da memória operacional em escolares. Rev. psicopedag. 2019, v. 36, n. 109, p. 3-9. CARDOSO, C. O.; FONSECA, R. P. PENCE: programa de estimulação neuropsicológica da cognição em escolares – ênfase nas funções executivas. Ribeirão Preto, SP: Book Toy, 2016. DIAMOND, A. Executive Functions. Annu Rev Psychol. 2013; 64:135-68. DIAS, N.; SEABRA, A. Funções executivas: desenvolvimento e intervenção. Temas sobre Desenvolvimento, 2013, 19(107):206-12. GAZZANIGA, M. S.; IVRY, R. B.; MANGUN, G. R. Neurociência cognitiva: a biologia da mente. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. LEZAK, M. D.; HOWIESON, D. B.; LORING, D. W. Neuropsychological assessment. 4. ed. New York: Oxford University Press, 2004. MALLOY-DINIZ, L. F. et al. 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