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- É uma displasia que acontece durante o desenvolvimento da criança que 
levará a uma luxação do quadril, por isso era, e ainda é chamada por muitos 
como luxação congênita do quadril. 
- “Displasia do desenvolvimento do quadril” (DDQ) é uma expressão genérica 
que descreve um espectro de anormalidades anatômicas do quadril, as quais 
podem ser congênitas ou de desenvolvimento após o nascimento. A DDQ 
manifesta-se de várias formas, dependendo do grau de deslocamento, da 
idade do paciente no diagnóstico e no tratamento ou, ainda, da condição do 
quadril, se é instável, displásico, subluxado ou luxado. 
- A DDQ acontece na relação quadril – cabeça femoral – acetábulo. 
- A displasia implica uma progressiva deformidade do quadril, em que o 
fêmur proximal, o acetábulo e a cápsula são defeituosos. A luxação da 
cabeça do fêmur pode ocorrer no útero (fetal ou pré-natal), no nascimento 
(perinatal) ou depois dele (pós-natal). 
- Os achados clínicos e radiográficos, assim como as modificações 
patológicas, dependem do tempo de deslocamento. 
 
- Existem vetores de crescimento que atuam no desenvolvimento do quadril 
ainda na vida intrauterina. Quando a criança está em vida intrauterina, a 
cabeça femoral ocupa o fundo do acetábulo, e esses vetores exercem 
forças que fazem como se forme algo semelhante a uma “forminha” (já que o 
osso ainda é muito plástico), fazendo com que ocorra um perfeito encaixe da 
cabeça femoral no acetábulo. Resumindo: é preciso ter uma harmonia no 
crescimento de todas as estruturas para que o resultado seja um quadril 
normal. Quando não ocorre essa harmonia, temos um quadril displásico, no 
qual temos acetábulo plano, reto. 
Giovanna Lopes 
- Com o tempo e o crescimento, várias mudanças adaptativas afetam todas 
as estruturas do quadril. O desenvolvimento da cavidade acetabular requer 
uma cabeça femoral em contato concêntrico. Se a cabeça femoral não for 
reduzida, a cavidade do acetábulo achata e a parede óssea se alarga. 
- A gordura pulvinar, ligamento redondo, lábio, ligamento transverso e 
cápsula estão hipertrofiados. O lábio hipertrófico é o chamado limbo e pode 
ser evertido (mais frequentemente) ou invertido (impedindo a redução do 
quadril). 
- O limbo deve ser diferenciado do neolimbus. O neolimbus é uma crista de 
cartilagem acetabular hipertrófica causada pela sobrecarga da cabeça 
femoral subluxada contra a parte póstero-superior do acetábulo. 
- O neolimbus desaparece quando o quadril é reduzido. 
- O fêmur displásico apresenta valgo e anteversão aumentados e colo curto. 
No entanto, alguns estudos não relatam diferenças na anteversão femoral 
em comparação com o lado não afetado. A cabeça femoral está deformada e 
o aparecimento dos núcleos de ossificação é retardado em comparação com 
o lado contralateral. O canal medular é estreito e reto. 
- Na DDQ a cápsula articular fica mais frouxa, promovendo uma luxação ou 
uma subluxação do fêmur, que pode ser redutível ou irredutível. Neonatos 
com o quadril saudável terão apenas uma pistonagem da articulação no 
momento do Teste de Barlow (que será negativo nesses casos). 
- A DDQ acomete mais o quadril esquerdo do bebê (65%) e há uma 
ocorrência de 20% de displasia bilateral. 
- Algumas características ósseas podem surgir, como o acetábulo mais raso 
e a cabeça femoral mais ovoide. 
 
- A incidência de quadris de neonatos instáveis é de 1:1000 (um quadro que 
pode se curar espontaneamente em até 3 semanas de vida). 
- Os hormônios femininos podem causar essa frouxidão articular no feto na 
vida intrauterina. 
- Depois de 6 semanas de nascimento, começa-se a notar as diferenças: 
joelhos assimétricos, pregas assimétricas, encurtamento de um dos 
membros, um dos membros com limitação de abdução, posição viciada 
(quadril acometido sempre em adução, plagiocefalia). 
- Fatores de risco: sexo feminino, histórico na família de DDH (parentes em 
1º grau), apresentação pélvica na hora do parto, acomodações inadequadas 
intrauterinas... 
- A luxação do quadril é dividida em três grandes categorias: a teratológica, 
que ocorre antes do nascimento e envolve graves deformidades do 
acetábulo, da cápsula e do fêmur proximal, associada a outras 
malformações, como mielomeningocele, artrogripose múltipla congênita, 
agenesia lombossacral e anomalias cromossômicas; a neurológica, em 
decorrência dos desequilíbrios musculares pós-natais, como na paralisia 
cerebral; e a típica ou idiopática (qualquer pessoa pode ter um filho com 
DDQ sem motivo nenhum), que ocorre em crianças normais. 
- As causas da DDQ são multifatoriais, mas as mais importantes são 
hiperlassidão ligamentar, excessiva anteversão femoral, anteversão e/ou 
deficiência acetabular e má posição intrauterina (posição sentada, aumenta 
mais a chance se for menina). 
- Em recém-nascidos, a suspeita de DDQ costuma ser alta nas seguintes 
situações: 
a) existir história familiar; 
b) ocorrer oligoidrâmnios; 
c) for o primeiro filho e do sexo feminino (meninas têm incidência 
maior do que meninos, em proporção de 8:1); 
d) apresentar torcicolo, plagiocefalia, pé metatarso varo ou calcâneo-
valgo, contratura em extensão dos joelhos ou outras deformidades; 
e) tiver apresentação pélvica (aumenta a probabilidade de luxação em 
mais de 14 vezes no lactente a termo). 
 
- A flexão do quadril, durante os últimos meses de gestação, nas posições 
pélvica ou cefálica, aliada à frouxidão ligamentar, pode evoluir para displasia 
residual ou subluxação, mostrando que essa posição é importante como 
causa de displasia do desenvolvimento do quadril. 
- Na posição pélvica, o fêmur do feto em flexão e rotação externa pode ser 
forçado para fora do acetábulo, predispondo a criança a nascer com o 
quadril instável, subluxado ou luxado. 
- O quadril do neonato é uma articulação relativamente instável porque a 
musculatura não está desenvolvida, as superfícies cartilaginosas são 
deformáveis com facilidade e os ligamentos são frouxos. É possível haver 
posicionamento exagerado em flexão aguda e adução do quadril na vida 
intrauterina, sobretudo em fetos com apresentação de nádegas. 
- Essa situação pode causar estiramento excessivo da cápsula posterior do 
quadril, o que deixa a articulação instável após o parto. A frouxidão pode 
refletir a história familiar ou a presença do hormônio materno relaxina na 
circulação fetal. 
- Na instabilidade, o quadril está contido e reduzido, mas lasso, instável e, 
por conseguinte, passível de luxação, em decorrência da frouxidão 
capsuloligamentar. Pode haver displasia concomitante. Na displasia, ocorre 
desenvolvimento inadequado da articulação do quadril, incluindo o acetábulo, 
a cabeça femoral ou ambos. 
- No recém-nascido, a displasia, sem instabilidade ou luxação, é 
assintomática, e o exame físico é normal. O diagnóstico é fortuito e possível 
apenas por ultrassonografia. Quando tal condição vem acompanhada de 
instabilidade ou luxação, as manobras de Barlow confirmam o diagnóstico na 
avaliação por imagem. Por essa razão, o diagnóstico isolado costuma ser 
estabelecido muito tarde, quando a evolução alcança subluxação e luxação, 
com sinais clínicos mais evidentes na criança maior, como a limitação da 
abdução, o sinal de Galeazzi e o sinal de Trendelenburg na idade da marcha. 
Em certos casos, o diagnóstico pode ser ainda mais tardio, aparecendo na 
idade adulta sob a forma de dor em consequência de artrose precoce do 
quadril. 
- Conforme Barlow, 60% dos casos de instabilidade isolada se estabilizam na 
primeira semana e 90% até o terceiro mês de vida. Os outros 10% tendem a 
evoluir para subluxação e luxação. Na experiência do autor, isso ocorre na 
instabilidade com displasia não diagnosticada e/ou não tratada de modo 
precoce. 
- Na subluxação, existe perda parcial do contato articular. É o termo usado 
para descrever achados radiográficos que indicam hipoplasia do acetábulo e 
deslocamento parcial da cabeça do fêmur em relação ao seu encaixe no 
acetábulo. 
- Na luxação, há perdatotal do contato articular entre a cabeça femoral e o 
acetábulo. Ambos os casos vêm acompanhados de maior ou menor displasia. 
 
- O diagnóstico varia de acordo com a idade da criança, o grau de 
deslocamento da cabeça femoral (instável, subluxada ou luxada) e quanto à 
condição do deslocamento, se pré-natal, perinatal ou pós-natal. 
- Embora a instabilidade seja o principal sinal da DDQ no período neonatal, 
ela diminui rapidamente com o aumento da força muscular, o que ocorre após 
a primeira semana de vida. Depois disso, a assimetria da abdução é o 
principal sinal clínico. 
- A abdução do quadril deve sempre ser avaliada. Nos quadris luxados, há 
abdução limitada quando comparada ao lado saudável. A abdução do quadril 
em um recém-nascido é de cerca de 80° a 90°; a limitação assimétrica da 
abdução deve levar à suspeita de uma possível luxação do quadril. 
- A abdução limitada simétrica não é normal e pode refletir uma possível 
luxação bilateral. 
- No caso de luxações teratológicas, as manobras de instabilidade serão 
negativas enquanto uma abdução limitada de o quadril estará presente. 
- A abdução limitada geralmente é acompanhada por discrepância no 
comprimento dos membros (sinal de Galeazzi), com encurtamento do 
membro afetado. 
- A assimetria da prega inguinal, embora classicamente referida, não tem 
valor real no diagnóstico de DDQ. Está presente em até 30% dos casos de 
quadris normais, embora não esteja presente em todos os pacientes com 
DDQ. 
- Depois que a criança começa a andar, é normal que ela manque. A 
hiperlordose também pode estar presente, principalmente nos casos 
bilaterais. Por outro lado, a displasia leve pode não apresentar nenhum 
sintoma em bebês. 
- Ordem do exame do quadril no neonato: instabilidade do quadril, 
assimetrias (pregas cutâneas, dos membros) e outras deformações (pé em 
varo, etc,). 
- O Teste de Ortolani só é positivo se o quadril já estiver luxado. 
- O Teste de Barlow é positivo em quadril instável e negativo em quadril 
estável. 
- Primeiro se faz o Teste de Barlow e, depois, o Teste de Ortolani. 
- O Teste de Galeazzi serve para identificar se há diferença de 
comprimento nos membros inferiores (joelhos desnivelados). 
 
- O diagnóstico antes de 6 semanas de vida é o ideal para dar início ao 
tratamento conservador com o uso do Suspensório de Pavlik (só pode ser 
utilizado até o 6º mês de vida). Depois disso, o tratamento é cirurgia ou o 
“calção de gesso” (redução incruenta). 
- Para o diagnóstico, o USG é o método de escolha para antes dos 5 meses. 
Depois disso, só a radiografia. 
- É necessário fazer os dois testes. Criança em decúbito dorsal e flexão dos 
joelhos e quadril. No Teste de Ortolani faz com que o quadril entre no 
acetábulo, reduzir o quadril. Faz-se uma tração e uma abdução, com intuito 
de colocar a cabeça femoral no acetábulo. O Teste de Barlow é o inverso, 
faz a compressão e adução. Tudo isso com delicadeza. 
- Se você faz o Teste de Ortolani e a cabeça femoral está no acetábulo, não 
vai ocorre nada, agora se você faz o Teste de Barlow e se for um quadril 
displásico, vai ter uma luxação. Ou seja, um complementa o outro. 
- Então com a modificação da idade, modifica-se também o exame clínico, as 
manifestações vão ser diferentes, os tratamentos serão diferentes e os 
exames complementares também serão diferentes. 
- Nos primeiros 60 dias a USG é o melhor exame para avaliação, só que você 
terá que escrever o seguinte: USG método de Graf, senão é um exame 
perdido. Tem que ser pedido bilateral porque é um exame comparativo. 
- Tem um caso que é infeliz, é o caso bilateral, porque o tamanho dos 
membros e a abertura são iguais, não tem como usar o método de 
comparação, então acaba ficando mais difícil, fica uma criança sem 
diagnóstico. Por isso que o exame neonatal é fundamental, porque depois que 
vai para casa, só vão desconfiar se for unilateral, se for bilateral essas 
crianças vão ser diagnosticadas provavelmente só quando começar a andar e 
nesses casos a única pista será o andar mancando. 
 
 
- No recém-nascido, o diagnóstico clínico de luxação do quadril é feito pelo 
Teste de Ortolani, e o de instabilidade, pelo Teste de Barlow. Contudo, 
antes de aplicar esses testes, é preciso examinar com cuidado, além dos 
sinais de risco, o quadril e os membros inferiores, em busca de outros 
aspectos sugestivos de DDQ, como: 
o Assimetria de pregas nas coxas e poplíteas: Costuma acontecer 
no recém-nascido pela obliquidade pélvica, com contratura no quadril 
em abdução de um lado e em adução do outro, o que poderá estar 
comprometido. 
o Encurtamento aparente do fêmur (sinal de Galeazzi positivo): Não 
é encontrado de modo habitual no recém-nascido, a não ser nos casos 
de deslocamento pré-natal (teratológica) ou no diagnóstico tardio, 
quando de uma luxação franca. O exame deve ser feito com os quadris 
em posição simétrica. Quando o quadril estiver em abdução, o outro em 
adução parecerá mais curto. O diagnóstico de fêmur curto congênito, 
nesses casos, não pode ser esquecido. 
o Assimetria das pregas inguinais: Em geral, as pregas são 
simétricas, mas, quando a cabeça femoral está deslocada em posição 
posterior e cranial, podem estar assimétricas. No lado afetado, a 
prega inguinal estende-se posterior e lateralmente em relação à 
abertura anal. Quando ambos os quadris estão deslocados, as pregas 
estão simétricas, mas estendem-se posterior e lateralmente à 
abertura anal. 
 
 
 
- Coloca-se a criança em posição supina em mesa de exame firme. A criança 
precisa estar relaxada, não chorar nem resistir ao exame. Examina-se um 
lado do quadril de cada vez. 
- Com uma mão, estabiliza-se a bacia; com a outra, colocam-se os dedos 
médio e o indicador no trocânter maior e abraça-se a coxa com a mão e o 
polegar sobre o joelho. Não se coloca o polegar no triângulo femoral, pois 
isso pode causar dor e reação da criança. 
- A manobra é realizada com delicadeza. Não se pode comprimir demais os 
dedos sobre a coxa do bebê. 
- Com o quadril fletido em 90°, abduz-se a coxa e, com o dedo indicador ou o 
médio, empurra-se, de baixo para cima e de fora para dentro, pelo 
trocânter maior, a cabeça femoral para dentro do acetábulo. O examinador 
sente o ressalto de redução do quadril. 
- A seguir, aduz-se o quadril. A cabeça femoral irá se deslocar para fora do 
acetábulo com ressalto de saída. Não se pode esquecer que esse é um 
teste de sensibilidade e não de força. O ressalto é sentido nos dedos, 
não pelos ouvidos por meio de ruídos do tipo clunck, como descrito em 
muitas publicações. 
- É importante não confundir o ressalto de entrada e saída da cabeça 
femoral com o roçar miofascial da banda iliotibial, ou dos glúteos no 
trocânter maior, ou, ainda, o fenômeno do vácuo articular no quadril. A 
subluxação da patela, durante o exame, também pode causar crepitação, 
confundindo o exame. 
- Só é presente até o 3º mês. 
 
- Esse teste é feito para o diagnóstico de instabilidade do quadril. A 
criança é colocada da mesma forma que para o Teste de Ortolani. 
- A extensão do quadril aumenta a sua instabilidade, enquanto a hiperflexão 
deixa-o mais estável. O quadril deve ser testado em 45° de flexão e 5 a 10° 
de adução, ou seja, em posição de instabilidade. 
- Com os dedos indicador e médio por cima do trocânter maior e o polegar 
no terço médio da coxa (não em cima do trocânter menor), empurra-se a 
cabeça femoral, lateral e posteriormente, na tentativa de deslocar o 
quadril. Quando o quadril é instável, a cabeça femoral se desloca para fora 
do acetábulo, por meio do ressalto de saída. 
- A seguir, desfaz-se a compressão lateroposterior e, de maneira delicada, 
abduz-se e flexiona-se o quadril. A cabeça femoral será reduzida para 
dentro do acetábulo, com o ressalto de entrada. 
- Em caso de dúvida, testa-se o quadril em posição de maior instabilidade, 
ou seja, com maior extensão e adução. No quadril subluxado, a cabeça 
femoral não consegue ser empurrada para fora doacetábulo, não ocorre o 
ressalto de saída, somente um deslizamento, e uma leve telescopagem pode 
ser sentida, já que o quadril está parcialmente luxado. 
 
 
- Com o progressivo deslocamento posterolateral e cranial da cabeça 
femoral, aumentam as alterações anatômicas na articulação. 
o Contratura em adução do quadril: a abdução do quadril luxado é 
progressivamente limitada. 
o Encurtamento aparente da coxa: sinal de Galeazzi positivo. 
o Postura em rotação externa do membro inferior: com o quadril e o 
joelho em extensão, o membro inferior fica posicionado em rotação 
externa. 
o Assimetria das pregas glúteas: as pregas ficam assimétricas e são 
mais acentuadas na luxação unilateral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- Somando-se aos achados descritos, a criança anda com claudicação por 
conta da fraqueza do glúteo médio e do encurtamento aparente do membro 
afetado. 
- Em ortostatismo, apresenta lordose lombar excessiva, rotação externa do 
membro inferior, trocânter maior proeminente e sinal de Trendelenburg 
positivo. 
- Com o aumento da contratura em adução do quadril, ocorre geno valgo 
compensatório. 
 
 
 
- O quadril do recém-nascido é cartilaginoso, e a cabeça femoral não é 
visível ao raio X. Por isso, até os 6 meses de vida, é mais bem avaliado pela 
ultrassonografia, que identifica as estruturas cartilagíneas do acetábulo, da 
cabeça e do colo do fêmur. 
- Dois métodos são usados para avaliar o quadril: o estático de Graf, que 
analisa o fêmur proximal e o contorno da pelve, e o dinâmico de Harcke, que 
emprega a ultrassonografia em tempo real, o que permite o exame dinâmico, 
com o quadril em movimento, fundamentando-se na reprodução das 
manobras de Barlow e Ortolani. 
- O método de Graf mede a displasia cartilagínea, e o de Harcke, a 
estabilidade do quadril. 
 
- A avaliação radiográfica é o principal método de avaliação do crescimento 
e desenvolvimento do quadril após quatro a seis meses de vida. 
- A ossificação e o desenvolvimento adequados da cabeça femoral e do 
acetábulo, bem como a necrose avascular (AVn), podem ser avaliados com 
radiografias. 
- As radiografias do quadril do recém-nascido são de difícil execução e 
interpretação. Nessa idade, a cabeça femoral não está calcificada, e grande 
parte do acetábulo é cartilagíneo. 
- Contudo, por volta dos 2 ou 3 meses de vida em diante, as radiografias 
passam a ser importantes para o diagnóstico correto. Uma radiografia em 
anteroposterior da bacia com as articulações coxofemorais em posição 
neutra permite o traçado de linhas como de Shenton, de Perkins e 
iliofemoral, além da avaliação do sinal da lágrima e da inclinação acetabular. 
- A epífise femoral costuma estar menos desenvolvida por conta de 
hipoplasia ou retardo da ossificação endocondral, em comparação com o 
outro lado, nos casos de subluxação ou luxação unilateral, assim como 
ocorrem deformidades como rotação lateral da pelve e do acetábulo. 
- A rotação lateral do acetábulo produz uma aparente displasia que aumenta 
o ângulo acetabular. O sinal da lágrima está distorcido na subluxação e 
ausente na luxação completa. O crescimento do acetábulo é distorcido pela 
pressão anormal sobre o limbo ou pela inserção alta da cápsula articular. 
- Quanto mais tarde, mais fácil fica a determinação da alteração dessas 
estruturas e seus ângulos. No entanto, o diagnóstico tardio pode ser 
desastroso para o tratamento. É muito comum deixar sequelas. 
 
- Todos os esforços de tratamento são baseados na obtenção de uma 
cabeça femoral posicionada concentricamente no acetábulo para que este 
seja estimulado a crescer normalmente. 
- O potencial de correção acetabular diminui drasticamente após três a 
quatro anos de idade; portanto, intervenções precoces são fundamentais 
para obter os melhores resultados com menor agressão cirúrgica. 
- Assim, o objetivo do tratamento é conseguir uma redução concêntrica 
da cabeça femoral no acetábulo e o correto desenvolvimento de todas 
as estruturas do quadril. 
- Isso pode ser alcançado de acordo com três princípios principais: 
1. Conseguir uma redução concêntrica e estável do quadril, evitando 
complicações como a AVn. 
2. Confirmar a correção da displasia acetabular pelo estímulo 
provocado pela posição estável e concêntrica da cabeça femoral no 
acetábulo. Para isso, devem ser necessárias radiografias seriadas do 
quadril à medida que a criança cresce. O melhor parâmetro para 
predizer a displasia acetabular na maturidade é a evolução do índice 
acetabular. 
3. As osteotomias pélvicas ou femorais estão indicadas em duas 
situações. primeiro, quando há uma displasia residual que a redução 
prévia do quadril não foi capaz de corrigir. Segundo, quando se espera 
que o potencial de correção após a redução do quadril não seja 
suficiente para corrigir a displasia acetabular devido à idade da 
criança. As osteotomias pélvicas são realizadas após os três a quatro 
anos de idade, quando o potencial acetabular de correção diminui. 
- O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para o 
sucesso da resolução da DDQ, quando bem aplicados. 
- Pacientes com DDQ não tratados costumam apresentar poucos sintomas 
durante o período da infância até a fase de adulto jovem. Anormalidades na 
marcha e redução da mobilidade do quadril podem estar presentes, mas a 
dor não costuma acontecer antes da fase adulta. 
- Em compensação, indivíduos que apresentaram complicações durante o 
tratamento costumam ter problemas bem antes. 
- O tratamento deve ser bem sucedido, com o mínimo de complicações. O 
sucesso passa pela restauração da anatomia articular do quadril e a 
manutenção da função. 
- O tratamento da DDQ varia dependendo do grau de deslocamento da 
cabeça femoral, da gravidade da displasia e da idade da criança. 
- A falta de diagnóstico, ou o diagnóstico tardio, e a ausência ou a falha do 
tratamento geram mau resultado, com sequelas articulares e consequente 
artrose precoce, entre outras condições. 
 
- O uso de suspensórios são os mais indicados e trazem excelentes 
resultados. 
- O Suspensório de Pavlik é formado por tiras que envolvem os membros 
inferiores, conectadas a um cinto torácico sustentado por suspensórios que 
se cruzam na região interescapular. Tem como função: 1) manter os quadris 
em posição de flexão e abdução; 2) evitar a extensão e a adução; 3) 
desenvolver o acetábulo pela presença da cabeça femoral; e 4) promover a 
redução espontânea do quadril luxado. 
- Suas contraindicações são: 1) desequilíbrio muscular (mielomeningocele, 
paralisia cerebral, doenças neuromusculares); 2) rigidez articular 
(artrogripose); e 3) frouxidão ligamentar (síndrome de Ehlers-Danlos). 
- Quanto ao uso, é importante saber que as tiras anteriores limitam a 
extensão, e as posteriores, a abdução. O quadril deve permanecer em torno 
de 100° de flexão, e a abdução deve ser livre, dentro da zona de segurança 
de Ramsey, que vai da posição de conforto até a do limite capaz de produzir 
nova luxação. 
 
 
- Por não ser rígido, o suspensório permite certos graus de movimento em 
extensão e adução limitados do quadril. A posição correta do aparelho e a 
evolução do quadril são verificadas pela ultrassonografia ou pela 
radiografia, logo após os primeiros 15 dias de uso. Estando em boa posição, 
sem necessidade de reajuste das tiras, repetem-se os exames clínico e 
radiográfico após um mês. 
- Se a redução for obtida, mantém-se o tratamento com seus controles 
mensais, reajustando o suspensório sempre que necessário, até a cura vista 
em âmbitos clínico e radiográfico. 
- Nesse caso, retira-se o Pavlik durante seis horas por dia e, depois de duas 
semanas, durante 12 horas, por mais duas semanas. 
- O aparelho não deve ser utilizado por crianças após os 6 meses de 
vida. 
 
- Nessa faixa etária, alguns autores indicam a cirurgia primária, aberta, 
por acreditarem que já existam alterações capsulares, ligamentares e 
ósseas, incompatíveis de serem resolvidas sem cirurgiaaberta, e alertam 
para os riscos de insucesso ou iatrogenia com o tratamento conservador. 
- À medida que a criança cresce, aumentam as alterações anatômicas, 
tornando o tratamento mais difícil. Após os seis meses de idade, o Pavlik 
perde a eficácia, e o tratamento preconizado também passa a ser a redução 
incruenta com imobilização gessada. 
- Quando a criança já está com 6 meses, é necessária uma intervenção 
cirúrgica, geralmente com uma redução fechada e anestesia geral, sendo 
que é complicado fazer anestesia geral em crianças dessa idade. 
- E muitas vezes é necessário fazer uma tração percutânea pelo menos 7 
dias antes para fazer um alongamento dos tendões e aí você vai para o 
centro cirúrgico e não é algo fácil de se fazer, a criança resiste a isso e 
ainda podem haver várias complicações, como lesão vascular e necessita de 
inspeção constante. 
- Feito isso você vai ao centro cirúrgico com a criança. Se é possível, fazer 
uma redução fechada, sem abrir o quadril, que consiste em fazer uma 
pequena incisão no tendão adutor do quadril e o fizesse um pequeno corte 
nele, cerca de 2 cm, fazendo em seguida a redução manual e realizando 
constantes radiografias intraoperatória para verificar se o quadril reduziu. 
Caso tenha reduzido, fazemos no pós-operatório esse gesso “bem 
confortável”, um gesso pélvipodálico. Se após a cirurgia ainda não houver 
reduzido, pode-se tentar mais uma vez e caso ainda não tenha sido 
reduzido, não é recomendo que seja tentado mais, pois o risco de causar 
lesões aumenta e comunica-se os pais, lembrando que o procedimento 
cirúrgico era uma tentativa. 
- Voltando ao ponto das crianças em que o quadril conseguiu ser reduzido, os 
pais devem ser ensinados sobre como manusear corretamente as crianças e 
principalmente quanto à higienização, para aumentar a durabilidade do 
gesso, pois ele deve perdurar durante todo o tratamento. 
 
 
 
- No período de deambulação, a maioria dos autores é favorável ao 
tratamento cirúrgico imediato. 
- O limite de idade até o qual a redução fechada pode ser tentada não está 
estabelecido com clareza. A necessidade de redução cirúrgica aberta não 
depende da idade do paciente, mas do grau de deslocamento, da 
deformidade do terço superior do fêmur, do acetábulo e da interposição de 
partes moles, que costumam impedir a redução e a estabilidade do quadril. 
- Em crianças com mais de 18 meses de vida, o tratamento varia de 
redução incruenta e gesso até a necessidade de redução cirúrgica 
associada ou não à osteotomia. 
- Quando a criança tem mais de 18 meses, o tratamento é com osteotomia 
pélvica, fazendo um teto novo, um novo acetábulo para encaixar a cabeça do 
fêmur. Sendo uma cirurgia complica e demorada, além de não ser curativa, 
sendo apenas reparadora. Contudo os resultados positivos ainda são maiores 
que os negativos, do contrário não seria feita a cirurgia. 
- Devemos sempre nos atentar para a história, principalmente nas crianças 
em idade para andar que a mãe diz que a criança só fica sentada. Se for 
menina ficar mais atento e na suspeita solicitar uma radiografia. Outro 
ponto importante na história é quando é relatado um estalido no quadril da 
criança ao trocar fralda, por exemplo, e outro ponto é a claudicação da 
criança com menos de 2 anos, sendo um achado bem frequente nos casos de 
displasia. 
- Quando, durante o ato cirúrgico, após efetiva redução, o quadril continuar 
instável (o que costuma acontecer em crianças a partir dos 2 anos), é 
provável que a deformidade do acetábulo ou do terço superior do fêmur ou 
de ambos seja a causa da instabilidade. Nesse caso, a cirurgia segue até que 
se consiga a estabilização. 
- Em algumas situações, são necessárias cirurgias complementares depois de 
algum tempo de pós-operatório e recuperação funcional do quadril. 
 
- Nas luxações antigas, com grandes alterações articulares, além da 
artrotomia com desobstrução da articulação, as osteotomias do fêmur e do 
acetábulo, quando necessárias, devem ser efetuadas no mesmo ato 
cirúrgico, em procedimento único, junto à redução. 
- Quando necessário, é preciso fazer o encurtamento do fêmur na medida 
suficiente para que a redução ocorra sem pressão exagerada da cabeça 
femoral contra o acetábulo, diminuindo, assim, o risco de necrose avascular. 
 
- Tratamento do recém-nascido até aos 3 meses de vida: O tratamento 
é indicado tão cedo o diagnóstico tenha sido realizado. Nesta faixa etária o 
tratamento é baseado no conceito de que, mantendo-se o posicionamento do 
quadril reduzido em flexão e em leve abdução, ocorrerá o estímulo 
necessário para o desenvolvimento normal da articulação. Assim, uma vez 
estabelecido o diagnóstico de instabilidade ou de luxação do quadril, o 
tratamento será iniciado visando a redução da cabeça femoral na cavidade 
acetabular e a sua manutenção até a certeza da estabilidade articular. 
- Inúmeros aparelhos ortopédicos estão disponíveis nos dias de hoje para 
cumprir o objetivo do tratamento inicial. Atualmente, a órtese mais 
comumente usada é o suspensório de Pavlik. Esta órtese proporciona a 
simultânea flexão e abdução da articulação coxofemoral graças às tiras que 
se unem com relativa facilidade. Segundo Pavlik, o uso do suspensório por 
ele idealizado diminui o risco da necessidade de redução cirúrgica. Porém, se 
a redução concêntrica não é obtida nas primeiras duas a três semanas de 
uso do suspensório, esta conduta será abandonada em favor da tração 
seguida pelas técnicas clássicas de redução do quadril. 
- As falhas de redução com o uso do Pavlik geralmente são devidas a um mau 
acompanhamento da criança pelo médico no ambulatório. Quando a opção é 
pelo uso do suspensório, é necessário que a criança seja examinada com 
frequência para avaliar a correta aplicação do mesmo, geralmente, a cada 
semana. Em linhas gerais, a criança permanecerá seis a oito semanas usando 
o aparelho ou, como regra prática, aproximadamente duas vezes o valor da 
idade em que iniciou o uso do suspensório de Pavlik. 
- Em caso de falha com o uso do suspensório a nossa opção é a redução 
incruenta e a imobilização em aparelho gessado (precedida ou não por um 
período de tração) para esta faixa etária. 
- Tratamento dos 3 meses de vida até a idade da marcha: Nesta faixa 
etária a maioria dos pacientes com DDQ poderá ser tratada com a redução 
incruenta (fechada) e a imobilização em aparelho gessado pelvipodálico. No 
ato operatório poderá ser necessária a tenotomia percutânea dos músculos 
adutores do quadril. Quando não conseguimos a redução por manobras 
fechadas, a redução aberta (cruenta) está indicada. Assim, as indicações 
para a redução cruenta são: 
1) a cabeça femoral permanece acima da cartilagem trirradiada no 
exame radiográfico; 
2) arco de redução/luxação é menor do que 25° após a tenotomia dos 
adutores; 
3) a cabeça femoral não entra no acetábulo; 
4) a cabeça femoral permanece lateralizada em relação ao acetábulo 
após quatro semanas de redução parcial; 
5) a redução previamente tentada falhou. 
Após o período de imobilização no aparelho gessado, que variará de dois a 
três meses, o paciente passa a utilizar uma órtese de abdução (por exemplo, 
tipo Milgram) por mais dois a três meses. 
- A criança com DDQ requer avaliação clínica e radiográfica, com 
tratamento ortopédico e observação quando indicado, até a maturidade 
esquelética. 
- Tratamento após a idade da marcha: Esta necessidade não deveria 
existir, pois o ideal é que o diagnóstico seja efetuado bem antes desta 
faixa etária; entretanto, em algumas crianças, pode ocorrer a falha tanto 
do diagnóstico como do consequente tratamento precoce. 
- Pode ser indicada a tentativa de redução fechada (incruenta) ou, então, a 
redução aberta (cruenta) será praticamente obrigatória. Nesta faixa etária, 
quando do ato operatório, ainda teremos de considerar o encurtamento 
femoral (ósseo) para permitir a redução articular como, também, as 
operações com osteotomias complementares na região acetabular(osteotomias tipos Salter, Dega e outras). 
- O limite de idade para indicação das tentativas de redução do quadril será 
até os quatro ou cinco anos de vida da criança. Após esta idade, as 
denominadas operações “de salvamento” da articulação são utilizadas, 
incluindo as osteotomias pélvicas mais elaboradas e difíceis ou pensaremos 
nas artroplastias totais do quadril. 
 
 
- As complicações do tratamento conservador ou cirúrgico, em qualquer 
idade, são inúmeras, sendo mais frequentes e graves quanto maior for a 
dificuldade do caso e a idade do paciente. 
As complicações podem ser reluxação, necrose avascular, displasia residual, 
lesão do nervo ciático, dor e rigidez articular, infecção e fratura do fêmur 
depois da imobilização gessada. 
- Reluxação: Pode ocorrer em pacientes tratados de maneira incorreta. 
- Necrose avascular: Assim como a redução concêntrica, a prevenção da 
necrose avascular é de grande importância. Além da lesão em si, essa 
complicação altera o crescimento da extremidade proximal do fêmur, 
produzindo encurtamento do colo do fêmur e deformidade dessa região, 
com consequente artrose prematura. 
- Tipo 1: Lesão temporária que costuma ter resolução espontânea, sem 
deformidade. 
- Tipo 2: Tipo comum, que não costuma ser aparente antes da 
adolescência, sendo mais óbvio no final do crescimento. Causa o 
fechamento parcial da fise e, se for excêntrica, provoca encurtamento 
da porção afetada do colo femoral e inclinação da cartilagem de 
crescimento 
- Tipo 3: Mais raro e produz encurtamento da parte inferior do colo 
femoral e inclinação da fise. 
- Tipo 4: Lesão total da fise causada pela ponte central, produzindo 
encurtamento do colo femoral e do fêmur e hipercrescimento 
resultante do trocânter maior, com suas consequências biomecânicas. 
 
- Displasia acetabular residual: Um dos primeiros objetivos do 
tratamento da DDQ é a correção da displasia durante o crescimento, para 
prevenir a osteoartrose. A displasia envolve o fêmur ou o acetábulo, ou 
ambos, sendo que, no acetábulo, a deformidade é mais acentuada. A 
displasia grave acompanha a subluxação, sendo que ambas causam 
osteoartrose, que pode iniciar por volta dos 10 anos. A displasia isolada 
costuma apresentar sintomas mais tarde na vida adulta. A correção da 
displasia deve ser feita o mais breve possível, assim que for diagnosticada, 
durante o tratamento ou o acompanhamento, que deve ser mantido até o fim 
do crescimento. A melhor idade é antes dos 6 anos. 
- Lesão do nervo isquiático: Pode ser evitada fazendo-se a flexão do 
joelho antes da colocação do gesso ou fazendo a osteotomia de 
encurtamento e varo sempre que necessário, relaxando as contraturas e 
evitando o estiramento do nervo. Pode ocorrer durante o posicionamento 
dos afastadores e a execução da osteotomia pélvica com a serra de Gigli.

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