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TIRADENTES CONCURSOS
TURMA DE PM
HISTÓRIA DO CEARÁ
PROF. SÉRGIO FEITOSA
O CEARÁ NO PERÍODO COLONIAL (1500 – 1822)
A EXPEDIÇÃO DE VICENTE PINZÓN – 1500
1500. Chegada da expedição do navegador Vicente Yanez Pinzón ao litoral cearense (Aracati), entre 20 de janeiro e 2 de fevereiro.
1500. Segunda expedição ultramarina, capitaneada por Diego de Lepe, tocando a costa cearense na localidade por ele denominada de Rostro Hermoso (provavelmente a ponta do Mucuripe), fato acontecido um mês depois da ancoragem de Pinzón.
Segundo historiadores, as expedições dos espanhóis Vicente Pinzon e de Diogo Lepe desembarcaram nas costas cearenses antes da viagem de Cabral ao Brasil. A primeira, num cabo identificado como o da Ponta Grossa, em Aracati, e a segunda, no Mucuripe, em Fortaleza. Tais descobrimentos não puderam ser oficializados, devido ao Tratado de Tordesilhas (1494).
SÉCULO XVI – A COROA PORTUGUESA E O DESPREZO PELO CEARÁ
1501. Procedentes de Lisboa, André Gonçalves e Gonçalo Coelho alcançam o ponto do litoral cearense por eles chamado de Angra de São Roque, que corresponderia atualmente a enseada do Iguape, data provável dos acontecimentos: 16 ou 17 de agosto. Na mesma época, contornaram a moldura costeira cearense, em direção da Amazônia, as expedições de Diogo Ribeiro, Estevão Fróis e João de Braga.
1532. Por ato de D. João III, era instituída a capitania do Ceará, atribuindo-se um “lote de cinquenta léguas de costa e pela terra adentro até a linha de demarcação”, a Antônio Cardoso de Barros, que não chegou a assumir.
1534. A coroa portuguesa, no intuito de marcar o domínio das terras descobertas, implantou o sistema de Capitanias Hereditárias no Brasil, e, em 1535, concedeu a António Cardoso de Barros a Capitania do Siará, que nunca se importou em tomar posse desse “feudo”. No entanto, desempenhou na Bahia o cargo de Provedor-mor e, em 1556, ao retornar para Portugal, teve a má sorte de o navio naufragar nas costas de Alagoas, e ser devorado pelos índios, junto com o bispo D. Pero Fernandes Sardinha.
1540. Incursões, a partir desse ano, de corsários e piratas estrangeiros à costa cearense e à serra da Ibiapaba. Essas violações flibusteiras se prolongaram por muito tempo, devido às riquezas da terra, dentre as quais: o âmbar-gris, as madeiras de lei, a pimenta e o algodão nativo.
UNIÃO IBÉRICA (1580 – 1640) – PORTUGAL E ESPANHA: DOIS REINOS, UMA SÓ COROA
Durante praticamente todo o século XVI, o Ceará caiu no mais profundo desprezo por parte da Coroa portuguesa. Na transição dos séculos XVI ao XVII, em meio à chamada União Ibérica, deram-se as primeiras tentativas de colonização do Ceará.
Mas o que foi a União Ibérica?
União Ibérica foi a unidade política que regeu a Península Ibérica de 1580 a 1640, resultado da união dinástica entre as monarquias de Portugal e da Espanha após a Guerra da Sucessão Portuguesa. Na sequência da crise de sucessão de 1580 em Portugal, uma união dinástica que juntou as duas coroas, bem como as respectivas possessões coloniais, sob o controle da monarquia espanhola durante a chamada dinastia Filipina. O termo “União Ibérica” é uma criação de historiadores modernos.
Sancho III de Navarra e Afonso VII de Leão e Castela tomaram ambos o título de Imperator totius Hispaniae, que significa "Imperador de Toda a Hispânia". A união poderia ter sido alcançada antes se Miguel da Paz (1498-1500), Príncipe de Portugal e das Astúrias, filho do primeiro casamento do rei D. Manuel I com a infanta Isabel de Aragão, tivesse chegado a ser rei, mas este morreu na infância.
A história de Portugal desde a crise de sucessão iniciada em 1578 até aos primeiros monarcas da dinastia de Bragança foi um período de transição. O Império Português estava no auge no início deste período.
Ao longo do século XVII, a crescente predação às feitorias portuguesas no Oriente por holandeses, ingleses e franceses, e a rápida intrusão no comércio atlântico de escravos, minou o lucrativo monopólio português no comércio oceânico de especiarias e no tráfico de escravos, iniciando um longo declínio. Em menor medida, o desvio de riqueza de Portugal pela monarquia dos Habsburgo para sustentar o lado católico na Guerra dos Trinta Anos, também criou tensões dentro da união, embora Portugal tenha beneficiado do poderio militar espanhol para ajudar a manter o Brasil e impedir o comércio holandês. Estes eventos, e aqueles que ocorreram no final da dinastia de Aviz e no período da união ibérica, levaram Portugal a um estado de dependência das suas colónias, primeiro da Índia e depois o Brasil.
SÉCULO XVII – AS PRIMEIRAS TENTATIVAS DE COLONIZAÇÃO DO CEARÁ
I. EXPEDIÇÃO DE PERO COELHO DE SOUSA (1603).
Em 1603, em pleno domínio espanhol de Felipe III, Pero Coelho de Sousa obteve do governador-geral Diogo Botelho a permissão de colonizar o Siará Grande, partindo do Rio Grande do Norte. Chamou a Capitania de Nova Lusitânia; e o arraial projetado na foz do rio Ceará, de Nova Lisboa, a atual região da Barra do Ceará. Aventurou-se com seus soldados e ajuda de índios tabajaras e potiguaras sertão adentro e enfrentou os franceses liderados por Adolphe Membille que, a partir do Maranhão invadiram o sul. Deteve-os às margens do rio Parnaíba. Por falta de recursos e a primeira forte seca, de que se tem notícia nesta região, retirou-se em 1607 para a Paraíba.
1603. Sob o comando do capitão-mor Pero Coelho de Sousa, organiza-se em julho desse ano a primeira bandeira exploratória no interior cearense. O nobre açoriano tinha por objetivo expulsar os franceses da capitania abandonada e tirar proveito, legalmente, da uberdade e riquezas da região. Itinerário de Pero Coelho de Sousa: Rio Jaguaribe, Barra do Ceará, Outeiro dos Cocos e Enseada Grande do Âmbar (Jericoacoara).
1604. A bandeira de Pro Coelho de Sousa deixa Jericoacoara no dia 11 de janeiro.
1604. Primeiros combates na manhã do dia 19 de janeiro contra os franceses e índios hostis, ao sopé da serra da Ibiapaba, quando se deu o contato com os nativos chefiados por Juripariguaçu.
1604. Transmissão do comando da bandeira a Simão Nunes, que na ausência de Pero Coelho de Sousa realiza a segunda viagem ao Ceará, acompanhado da esposa e filhos, e tendo entre seus ajudantes, o jovem Martim Soares Moreno.
A primeira tentativa de ocupação do território cearense começou em 1603, com a Bandeira de Pero Coelho de Souza, que fundou o Forte de São Tiago, na Barra do Ceará. A “posse oficial” do Ceará se deu com Martins Soares Moreno, (o Guerreiro Branco), que aqui chegou em 20 de janeiro de 1612 e fundou o forte de São Sebastião, no antigo local onde fora erguido o Forte de São Tiago.
FORTIM DE SÃO TIAGO
Durante a União Ibérica (1580-1640), a bandeira comandada por Pero Coelho de Sousa, em 1604, conseguiu erradicar o núcleo colonial francês que havia se instalado na Ibiapaba, desde 1590, por Adolf Montbille ("Mambille" para os portugueses) e os seus aliados, os índios Tabajara.
Na sequência, a expedição avançou até o rio Parnaíba, de onde retornou, fixando às margens do rio Ceará. À margem direita deste, junto à foz (barra), Pero Coelho, ainda em 1604, a povoação de Nova Lisboa, denominando a região de Nova Lusitânia. Para defesa da povoação fundada, iniciou um fortim de faxina e taipa, sob a invocação de São Tiago.
O Fortim de São Tiago da Nova Lisboa localizava-se na margem direita da foz do rio Ceará, limite natural entre as atuais cidades de Fortaleza e Caucaia.
Pero Coelho de Souza retornou à capitania da Paraíba em busca de reforços, deixando a povoação e o fortim sob o comando do capitão Simão Nunes Correia, com uma guarnição de quarenta e cinco homens. Ao retornar com sua família, dezoito meses mais tarde, diante da seca que assolava o Ceará, da desmotivação dos seus homens, da falta de recursos, dos constantes ataques dos indígenas, e das dificuldades de comunicações com a capitania da Paraíba, deliberou-se o abandono da povoação e do fortim (1605), tendo a guarnição se recolhido ao Forte dos Reis Magos, na capitania do Rio Grande do Norte.
II.MISSÃO JESUÍTICA DOS PADRES FRANCISCO PINTO E LUÍS FIGUEIRAS (1607).
Em 1607, os padres Francisco Pinto e Luís Filgueiras iniciaram os trabalhos de catequese junto aos índios na região, com relativo sucesso. Na trilha de Pero Coelho de Sousa, atravessaram o território de leste a oeste, até chegarem à serra da Ibiapaba, onde fundaram um povoado, logo atacado por índios Tocariju. Francisco Pinto foi barbaramente morto, a golpes de tacape. Luís Filgueiras, junto com outros índios “fiéis”, retirou-se para as proximidades da foz do rio Ceará, fundando outro povoado, o “São Lourenço”. Temendo a agressão de índios, no entanto, em agosto de 1608, retirou-se, para retornar a Pernambuco; e, mais tarde, após naufrágio na ilha de Marajó, foi outro devorado a ser devorado pelos nativos.
1607. Tendo saído do Recife a 20 de janeiro, desembarcam no litoral cearense os jesuítas Francisco Pinto e Luís Figueira.
1607. Os dois jesuítas alcançam a enseada de Parazinho no dia 2 de março, deslocando-se para a serra da Ibiapaba.
1608. Assalto à missão dos jesuítas no dia 11 de janeiro, em que perde a vida o padre Francisco Pinto e escapa ao massacre seu companheiro de catequese.
III. EXPEDIÇÃO DE MARTIM SOARES MORENO (1611).
Para a historiografia tradicional, Martim Soares Moreno seria o fundador do Ceará. Jovem soldado sob ordens de Pero Coelho de Sousa, destacou-se pela amizade que matinha com os índios, imitando seus costumes. Chegou de volta ao Ceará em fins de 1611, em companhia do padre Baltazar João Correia e seis soldados. Construiu um pequeno forte, chamado de São Sebastião, novamente, na foz do rio Ceará. Após combates com os franceses no Maranhão e tentativas rechaçadas de invasão dos holandeses, foi a Portugal e obteve, em 1619, a carta régia como senhor da Capitania do Siará, aonde voltou em 1621, para fixar-se por vários anos, consolidando e fazendo florescer sua capitania.
Os amores de Martins Soares Moreno por uma índia, serviram de tema para o romance (ficção) “Iracema”, de José de Alencar.
1611. Desembarca no Ceará Martin Soares Moreno, acompanhado de dois soldados e um capelão, e sob a proteção do chefe tribal Jacaúna.
1612. Martin Soares Moreno inicia no dia 20 de janeiro a construção do forte de São Sebastião, na Barra do Ceará.
1613. Passagem pelo Ceará da expedição de Jerônimo de Albuquerque, com Inácio de Loyola Albuquerque e Melo (Mororó), para professor de latim na vila do Aracati.
FORTIM DE SÃO SEBASTIÃO
Em 1611, o então governador, D. Diogo de Meneses (1608-1613), incumbiu o Capitão-mor Martim Soares Moreno de fundar uma feitoria na costa da Capitania do Ceará, a fim de proteger o litoral, explorar economicamente a região e catequizar os índios.
Martim Soares Moreno, ao atingir o rio Ceará, foi comunicado acerca da presença de um navio francês ancorado na foz, o qual atacou com as suas forças, conseguindo dominar a tripulação. O governador determinou que um pequeno efetivo de soldados (seis) e um sacerdote se deslocassem para o local onde, com o auxílio do chefe indígena Jacaúna, foi erguida nova fortificação militar, no mesmo lugar do antigo Fortim de São Tiago, sob a invocação de São Sebastião (20 de janeiro de 1612).
Em 1616, quando em viagem marítima da costa do Maranhão para o Ceará, a embarcação em que Moreno viajava foi colhida por uma violenta tempestade, desviando-se da rota, indo aportar na ilha de São Domingos, nas Antilhas. De lá, a caminho da Europa, a embarcação foi atacada por corsários, sendo aprisionado e levado para a França, onde permaneceu por dez meses. Condenado à morte, obteve a liberdade graças a gestões diplomáticas da corte espanhola.Mapa da costa do Ceará (1629), no qual se destaca o forte.
De volta a Portugal, em 1619 foi nomeado como primeiro capitão-mor do Ceará, como recompensa pelos serviços prestados. Neste período, a estrutura foi reconstruída (1619-1621). Moreno tomou posse em 1621, tendo, pelo espaço de dez anos, consolidado e feito florescer a sua capitania. Nesse período, apaziguou dissensões entre a população, estimulou a agricultura e a pecuária.
Durante a segunda das Invasões holandesas ao Brasil (1630-1654), em 1631, Moreno partiu para Pernambuco, onde se destacou, alcançando o título de mestre-de-campo, não tendo retornado ao Ceará. Naquele mesmo ano (1631), Domingos da Veiga, sobrinho de Martim Soares Moreno, tomou posse como novo capitão-mor da capitania do Ceará.
SÉCULO XVII – A PRESENÇA DOS HOLANDESES NO CEARÁ
Em 1637, chegaram os holandeses, que dominaram durante sete anos. Em 1644 foram expulsos pelos índios, com a destruição do Forte de São Sebastião. Após cinco anos de sua expulsão, os holandeses voltaram ao Ceará, comandados por Matias Beck, na ocasião em que ergueram o Forte Schoonemborch, às margens do Rio Pajeú, de onde se originou a cidade de Fortaleza. A expulsão definitiva dos holandeses ocorreu em 1654, sob o comando do português Álvaro de Azevedo Barreto, que mudou o nome do Forte para Nossa Senhora da Assunção.
O forte, construído em madeira, se manteve, de reforma, até 1812, quando outro, de alvenaria, o substituiu. O povoado que começou a florescer em volta, se desenvolveu gradativamente para a cidade de Fortaleza. A vila de Fortaleza foi instalada em abril de 1726 e tornou-se cidade, por ordem régia, em 17 de março de 1823, com o nome de Fortaleza de Nova Bragança.
INVASÕES HOLANDESAS AO CEARÁ
Os holandeses ocuparam significativa parte do Nordeste brasileiro entre os anos de 1630 e 1654. A partir da sede do governo holandês, em Pernambuco, chegaram a atacar e ocupar parte do Ceará por duas vezes: a primeira entre 1637 e 1644, quando se fixaram na região que, atualmente, corresponde à Barra do Ceará, e de onde foram expulsos pelos índios. A segunda, por sua vez, entre 1649 e 1654, deu-se onde hoje se situa o Centro da Cidade. Esta segunda invasão contava com a presença de 298 homens.
Em 10 de abril de 1649, sob o comando de Matias Beck, ergueu-se, à margem esquerda do Riacho Pajeú, uma cerca de pau-a-pique sobre um monte isolado. A posição estratégica, com vista panorâmica para as hostis terras do Ceará, seria fortificada com estacas de carnaúba dias depois e batizada de Forte Schoonenborch. Estava plantado o símbolo de ocupação que, posteriormente, viria a identificar a vila de Fortaleza.
Cinco anos depois da criação do forte, 1654, os portugueses voltariam a controlar a região, alterando o nome da fortificação – que fazia referência ao governador holandês de Pernambuco, Walter van Schoonenborch – para Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Quando a ocupação é elevada à condição de Vila, em 13 de abril de 1726, o povoado já carregava no nome a referência à antiga edificação holandesa e tinha ela como “centro”.
Para o historiador Raimundo Girão, com respaldo de pesquisadores como Câmara Cascudo, o 10 de abril de 1649 demarcaria a data de fundação de Fortaleza. Ele não ignorava as experiências anteriores, na Barra do Ceará, que remontam a 1603. Porém, o entendimento era de que a "velocidade inicial" para desenvolver Fortaleza foi o Schoonenborch. Por isso, Girão defendia que o aniversário de Fortaleza fosse comemorado em 10 de abril.
A EXPANSÃO DA PECUÁRIA BOVINA E A OCUPAÇÃO DO INTERIOR CEARENSE
I. AS FASES DA EXPANSÃO PECUARISTA.
A partir da última década do século XVII, durante aproximadamente quarenta anos, acelerou-se a interiorização, a partir duma economia essencialmente pecuarista. Os currais se transformaram gradativamente em fazendas. O boi virou grande moeda da época, garantindo a alimentação e subprodutos baseados no seu couro, como roupa, sapato, chapéu, gibão e perneira. Os rebanhos eram objeto de largo comércio com Pernambuco, de onde vinham tecidos, louças, ferramentas e outras utilidades indispensáveis para a vida nas fazendas.
II. OS CAMINHOS DA PECUÁRIA (“SERTÃO DE FORA” X “SERTÃO DE DENTRO”).
A expansão baiana ocupou os "sertões de dentro", no atual estado da Bahia. Atravessando o rio São Francisco, povoou sua margem esquerda, que então pertenciaà capitania de Pernambuco, atingiu a bacia do Parnaíba, desbravou o sul dos atuais estados do Piauí e do Maranhão, atingindo o Ceará.
A expansão pernambucana conquistou os "sertões de fora", ou seja, o litoral da Paraíba e do Rio Grande do Norte e depois o interior, chegando também ao Ceará.
No Ceará fundiram-se as duas correntes de povoamento: a baiana e a pernambucana.
Em fins do século XVII o sertão do Nordeste, da Bahia ao Maranhão, estava desbravado e ocupado pelas fazendas de gado. A população era pequena, mas distribuída de modo mais ou menos contínuo, concentrando-se ao longo dos rios.
III. A QUESTÃO DA MÃO-DE-OBRA NA PECUÁRIA CEARENSE.
Geralmente, os trabalhadores ligados à pecuária eram brancos, mestiços, índios e escravos alforriados. A existência de escravos era minoritária e grande parte desses trabalhadores – na qualidade de vaqueiros e peões – recebiam uma compensação financeira, considerada regular, pelos seus serviços. Os vaqueiros, que coordenavam as atividades junto ao gado e comandavam os peões, recebiam um quarto das crias do rebanho nascidas ao longo de um período de quatro ou cinco anos.
IV. AS FAZENDAS DE CRIAÇÃO DE GADO.
Com o avanço das plantações de cana e o crescimento dos rebanhos, as duas atividades se separaram. O gado se expandiu pelo interior nordestino, em especial ao longo do rio São Francisco, denominado Rio dos Currais, onde surgiram grandes fazendas de criação, graças à existência de bons pastos, água e reservas de sal-gema. Nessa medida, as fazendas de criação de gado foram responsáveis pela ocupação das terras interioranas, constituindo-se num dos principais agentes da expansão territorial. Contudo, embora separados, o grande mercado consumidor da pecuária eram os engenhos de açúcar do litoral.
Nesse processo, a pecuária extensiva e de baixo índice técnico gerou um outro tipo de sociedade no interior do Nordeste, onde predominava o trabalho livre de mestiços, os vaqueiros ou seus auxiliares, os fábricas. A remuneração, de uma maneira geral, baseava-se na participação do crescimento do rebanho; uma cria a cada quatro nascidas, com o acerto realizado a cada cinco anos.
V. A SOCIEDADE SERTANEJA.
O desenvolvimento da pecuária no período colonial aconteceu com o próprio processo de colonização, quando os portugueses trouxeram as primeiras reses para a realização da tração animal, o consumo local e o transporte de cargas e pessoas. Com o passar do tempo, o aumento dessa população bovina gerou um problema aos plantadores de cana. Afinal de contas, o gado acabava ocupando um espaço que era originalmente reservado ao desenvolvimento da economia açucareira.
Com o passar do tempo, a criação de gado passou a ocupar regiões do interior do território que não interferissem na produção de açúcar do litoral. Tal experiência, ocorrida principalmente na região Nordeste, fez com que os primeiros criadores de gado adentrassem o território e rompessem com os limites do Tratado de Tordesilhas. No século XVIII, essa experiência foi potencializada por um decreto da Coroa Portuguesa que proibia a criação de gado em uma faixa de terras de oitenta quilômetros, da costa até o interior.
Seguindo o fluxo de diferentes rios, os criadores de gado adentravam o território e, consequentemente, expandiam involuntariamente as possessões coloniais. Ao mesmo tempo em que favoreciam o alargamento das fronteiras, a atividade pecuarista desenvolvia relações sociais e econômicas que se distanciavam dos padrões tradicionalmente ditados pelas plantations agroexportadoras e escravistas do litoral brasileiro.
VI. AS CHARQUEADAS.
Mais tarde em vez de transportar o boi pelas suas próprias pernas, a experiência demonstrou ser mais fácil abatê-lo no seu lugar de origem, salgar-lhe a carne e transportá-lo para os centros de consumo, originando, assim, um intensivo comércio com a zona açucareira de Pernambuco. O boi era transportado para as cidades portuárias, abatido, salgado e despachado, transformando os portos de Aracati, Acaraú e Camocim nos principais da região. Este processo da carne charqueada manteve-se florescente no Ceará, até a grande seca no final do século XVIII, quando os rebanhos se aniquilaram, em consequência de três anos de ausência de chuvas.
A COTONICULTURA E A COLONIZAÇÃO DO CEARÁ
Dentro do contexto da cotonicultura brasileira, a importância do algodão cearense era considerada limitada no final do século XVIII, pois, naquele período, as regiões produtoras locais se constituíam-se apenas em um mercado acessório. Uma possível explicação para esta condição, está no fato de que capitania do Ceará estar subordinada diretamente a Pernambuco naquele período. Assim, toda a produção da região deveria ser enviada para o porto de Recife. De lá a mercadoria seria enviada para Portugal, com destino para a Inglaterra.
Esta situação somente seria alterada, a partir de 1799 com a separação política de Pernambuco, e a partir daquele momento a produção cearense poderia seguir diretamente para os portos ingleses. Todavia, o direito de comercializar diretamente com a Europa, adquirido pela capitania, não diminuiu a influência de Pernambuco sobre o Ceará. Em 1810, dos nove navios que deixaram o porto de Fortaleza, cinco se destinaram a Recife, enquanto Aracati continuava a manter intercâmbio com aquela praça.
A GUERRA DOS BÁRBAROS
Entre os séculos XVII e XVIII, em meio ao processo de expansão da pecuária bovina e a ocupação (colonização) do espaço cearense, deu-se, por extensão, a reação dos povos indígenas, organizados em revoltas contra os colonizadores invasores.
O PAPEL DA IGREJA NA COLONIZAÇÃO DO CEARÁ
A Igreja Católica se fez presente em terras cearenses desde as primeiras tentativas de colonização. Em 1607, os Padres Francisco Pinto e Luís Figueiras encabeçaram uma missão catequética que buscava, ao mesmo tempo, auxiliar no processo de colonização do Ceará. Em 1611, com a Bandeira comandada por Martim Soares Moreno, veio o padre Baltasar João Correia e, ao lado do forte de São Sebastião, foi erguida uma capela em homenagem a Nossa Senhora do Amparo.
Com a segunda invasão holandesa ao Ceará, em 1649, acompanhando Matias Beck, a atuação comandada pelo ministro Kempins visava à conversão dos indígenas ao Calvinismo.
Com a expulsão dos holandeses, em 1654, a retomada portuguesa trouxe consigo o projeto de colonização combinado com a ideia de catequese. Ao lado do forte Schoonenborch, foi construída a capela de Nossa Senhora da Assunção.
Entre os séculos XVII e XVIII, em meio ao processo de ocupação dos sertões com a expansão da pecuária, foi necessária e decisiva a atuação dos religiosos jesuítas, com a formação de núcleos catequéticos, conhecidos como “aldeamentos”. Exemplos importantes de aldeamentos foram: Parangaba, Messejana e Caucaia. Os aldeamentos também ficaram conhecidos como “missões” ou “reduções”.
Esse processo de catequese dos povos nativos provocou uma sobreposição da cultura portuguesa sobre os povos nativos. Esse extermínio, total ou parcial, conhecemos como “etnocídio”.
IGREJA DO ROSÁRIO
Considerado o templo religioso mais antigo de Fortaleza, a igrejinha do Rosário era apenas uma capelinha de taipa e palha em 1730. Segundo conta à história, foi erguida por iniciativa de um escravo africano. Cinco anos depois, foi refeita em pedra e cal com apoio de tesouras de madeira, que compõem a estrutura da coberta.
Localizada na Rua do Rosário, a igreja foi construída pelos escravos em um largo areal que depois de planejado virou o Largo do Palácio, sendo posteriormente urbanizado e hoje é a Praça General Tibúrcio, ou Praça dos Leões. Na época, a igreja era considerada distante da Vila, centralizada em redor da Matriz de São José. Nela os escravos rezavam seus terços, novenas e outros atos de devoção. Apesar da construção datar do século XVIII, não é possível precisar ao certo quando a dita Irmandade do Rosário começou a trabalhar na construção.
A ADMINISTRAÇÃO NO CEARÁ COLONIAL
I. O CEARÁ COMO CAPITANIA SECUNDÁRIA
Em 1621, com a criação do Estadodo Maranhã, as terras do Ceará passaram a ter subordinação administrativa a São Luís.
Em 1631, o povoado e o Forte de São Sebastião foram novamente abandonados. Entretanto, alguns colonos portugueses se estabeleceram no interior do atual Ceará.
Em 1637, o Forte de São Sebastião foi tomado pelos holandeses. Em 1644, o Forte foi destruído pelos índios. Em 1649, o domínio holandês foi estabelecido. Nessa época, os holandeses construíram o Forte de Schoonenborch, na foz do rio Pajeú, em área da atual cidade de Fortaleza.
Em 1654, os holandeses foram expulsos do Nordeste e o Forte de Schoonenborch tornou-se a Fortaleza da Nossa Senhora de Assunção. Também se construiu uma igreja sob a mesma invocação.
Em 1656, o Ceará passou a ser administrado por Pernambuco.
Em 13 de fevereiro de 1699, criou-se a primeira vila do Ceará, envolvendo Aquiraz e Fortaleza, através de um despacho do Rei de Portugal. A vila foi efetivamente instalada em Aquiraz, em 1713, por ordem do Governador de Pernambuco. Em 13 de abril de 1726, Fortaleza foi elevada à categoria de vila.
Em 17 de janeiro de 1799, o Ceará emancipou-se como uma capitania separada de Pernambuco. A cultura do algodão, a produção de couro e o comércio de charque impulsionaram a economia cearense.
II. AQUIRAZ E FORTALEZA.
Aquiraz foi a primeira vila da Capitania, criada por ordem com data de 13 de fevereiro de 1699, decretada por El-Rei de Portugal. Um dos motivos pelo qual se criou o primeiro município do Ceará foi constituir autoridade ao El-Rei. Este tinha o objetivo de atribuir termo às insolências e aos desmandos cometidos pelos capitães-mores, senhores absolutos.
Em 1700, por ordem do Governador de Pernambuco, foi instalada a nova vila, com sede no núcleo de Fortaleza. No mesmo ano, foi transferida para Barra do Ceará, mais tarde chamada de Vila Velha, que recebeu a sede do governo municipal por oferecer melhor segurança, visto que eram tempos de pirataria. Em 1706, instala-se novamente o núcleo que tem origem em Fortaleza. Ainda em 1706, pela segunda vez, volta a Barra do Ceará. Por fim, retorna a Fortaleza em 1708.
No ano de 1710, a vila passa a ser chamada de São José do Ribamar do Aquiraz. Por isso, a sede do município foi transferida para Aquiraz. No entanto, a medida só foi efetivada em 1713, visto que o alvará de 11 de março de 1711 fez retornar para Fortaleza a sede do município. A ordem régia de 30 de janeiro de 1711, efetivada pela de 9 de maio de 1713, é que transferiu, de maneira definitiva, a sede municipal para Aquiraz. Por meio da Ordem régia de 11 de outubro de 1721, foi determinado que a sede do município fosse mantida em Aquiraz. Por fim, a Ordem de 11 de março de 1725, que mantinha a anterior, determinava que se criasse outro município na capitania do Ceará, servindo de sede em Fortaleza.
Em primeiro de maio de 1733, os vereadores de Aquiraz enviam queixas a El-Rei contra o vigário Antônio Aguiar que, ao invés de residir em Aquiraz, morava em Fortaleza. El-Rei atendendo as reinvindicações, envia ordens para o bispo de Olinda com o objetivo de que o mesmo corrigisse a falha do vigário.
A FUNDAÇÃO DA VILA DE FORTALEZA – 1726
No ano de 1699, uma ordem régia, de 16 de fevereiro, criava a primeira vila no Ceará. Esta ordem não especificou qual o local exato da vila nova, e por isso algumas vilas ficaram em disputa para ser a sede da comarca, dentre elas Aquiraz, quem acabou sendo reconhecida. Com um ataque de índios à vila de Aquiraz, o povoado do forte acabou sendo o refúgio dos sobreviventes e, em 1726, foi elevado à condição de vila.
Em 1759, o Marquês de Pombal expulsa os jesuítas da Companhia de Jesus, e os aldeamentos indígenas de Porangaba e São Sebastião de Paupina, comandados pelos jesuítas, são elevados à condição de vila, respectivamente Vila Nova de Arroches e Vila Nova de Messejana. No ano de 1777, o Capitão-Geral José César de Menezes mandou realizar um censo, que relatou uma população de dois mil e oitocentos e setenta e quatro habitantes na vila de Fortaleza.
Este ano e o de 1778 foram de seca, que dizimou quase todo o rebanho bovino da indústria de charque do Ceará. O golpe final no charqueado foi a seca que durou de 1790 a 1794. Em 1799, a Província do Ceará é desmembrada da de Pernambuco, e Fortaleza é eleita Capital.
O CEARÁ E A TRANSIÇÃO DA COLÔNIA PARA O IMPÉRIO
A 17 de janeiro de 1799, por determinação de uma carta régia de D. Maria I, o Ceará foi desmembrado de Pernambuco, tornando-se independente.
Foi seu primeiro governador BERNARDO MANOEL DE VASCONCELOS, que fez grandes esforços no sentido de estabelecer contatos comerciais diretos da Capitania com a Metrópole. Entretanto, os próprios comerciantes cearenses resistiam a essa relação, uma vez que mantinham vínculos estreitos com os comerciantes de Recife. No seu governo, veio para o Ceará o naturalista João da Silva Feijó, com a incumbência de estudar o potencial de suas riquezas naturais. Instalou a Junta da Fazenda do Ceará, evidenciando a preocupação lusitana em arrecadar mais tributos. Em sua direção, construiu o edifício sede da alfândega da Capital e de Aracati (então o principal polo econômico da Capitania); criou casas de inspeção de algodão e abriu estradas ligando o interior a Fortaleza. Vasconcelos ainda reformulou o quartel da tropa de linha e levantou um conjunto de baterias no Mucuripe. Também reedificou as vilas indígenas de Arronches (Parangaba), Soure (Caucaia) e Messejana, bem como instalou as vilas de Russas e Tauá em 1801. Ficou no poder entre 1799 e 1802.
GOVERNADOR SAMPAIO
· O Ceará foi Capitania subalterna ao Maranhã entre os anos de 1621 e 1656.
· Entre 1656 e 1799, porém, passou para a administração de Pernambuco.
· Em 1799, por decreto da rainha de Portugal, Dona Maria I, o Ceará se tornou Capitania autônoma.
Manuel Inácio de Sampaio
(1778 – 1856)
1. O “Governador Sampaio”.
2. Governou o Ceará entre 1812 e 1820.
3. Reprimiu a Revolução Pernambucana de 1817.
4. “Outeiros”, 1as manifestações literárias no Ceará.
5. Trouxe consigo o engenheiro Antônio Silva Paulet.
6. Reconstrução do forte de Nossa da Assunção (1812).
7. Instalação da repartição dos correios (1812).
8. Criação de alfândegas em Granja, Sobral e Crato.
9. Construção de um mercado público em Fortaleza.
10. Reforma urbanística de Fortaleza – 1818.
Em 1812, ano em que o português Manuel Ignácio Sampaio (Visconde de Lançada, em Portugal), começou a governar o Ceará, Fortaleza não passava de um vilarejo tortuoso e simples que acompanhava as margens do rio Pajeú. O riacho que, hoje, encontra-se no mesmo lugar, mas ninguém vê (exceto um trecho dele que fica por trás do prédio da atual prefeitura).
Chegando ao Ceará neste período, há quem diga que o governador do Ceará fez, por Fortaleza, o que Nero, de certa forma, fez por Roma: encontrou uma cidade de taipa e, quando foi embora, deixou uma outra, de alvenaria. (Nero transformou Roma em uma cidade de mármore). Manuel Ignácio Sampaio, no entanto, não fez só isso. Afinal, quem deu início ao processo de urbanização da cidade de Fortaleza, foi ele quando chamou o engenheiro Silva Paulet (que hoje é nome de rua na Aldeota) para tornar direita a rua torta que acompanhava o rio Pajeú assim como a reforma do forte de Schoonenborch, que estava em decadência.
Mas não só com urbanismo e o desenvolvimento social da cidade se preocupou o coronel Ignácio que, por sinal, trouxe os correios para a capital cearense e aqui levantou a primeira alfândega. Como era um homem apaixonado por poesia, se deu ao desespero de reunir, em torno dele, poetas como José Pacheco Espinoza, Castro e Silva, Costa Barros, Manuel Correia Leal e o padre Lino José Gonçalves de Oliveira. Denominado de “Os Oiteiros” porque “oiteiro” era o nome que se dava às festas literárias que ocorriam no pátio dos conventos no passado, este grupo tinha o hábito de se reunir na casa do governador, regularmente, e ler suas poesias para o coronel. Dentre os poemas escritos, há um deles que enaltece um chafariz.
Localizado nosfundos da casa que pertenceu ao naturalista João da Silva Feijó, que chegou em Fortaleza em 1799, o chafariz foi, durante muito tempo, símbolo do desenvolvimento urbano e humano da cidade. Assim, para enaltecer aquele prodígio, José Pacheco Espinoza escreveu o seguinte: “Esta que vês, curioso passageiro/ de cristalinas águas abundantes/ que o sítio faz ameno e lisonjeiro;// este manancial de água, o primeiro/ que fez surgir na vila arte prestante/ para a sede saciar o caminhante/ o sábio, o nobre, o rico, o jornadeiro,// edificada foi incontinenti/ no memorável, ótimo governo/ de Sampaio, varão reto, ciente…”A poesia dos Outeiros, aliás, se esmerava sempre em enaltecer o governador Sampaio ou a alguma outra autoridade a ele ligada. Mas nem por isso deixava de falar da cidade, onde todos viviam, e de seu crescimento. “Ao Aumento da Vila de Fortaleza”, outro poema de Pacheco Espinoza, é um exemplo disso. Pacheco Espinoza, aliás, foi muito mais que um simples poeta.
Natural das ilhas da Madeira, terra onde nasceu em data ignorada, veio para o Ceará em data igualmente ignorada. Aqui trabalhou com algodão e, associado com Antônio Maciel Alves fez algo que até então ninguém fizera no Ceará: levar o seu produto de Fortaleza para Portugal diretamente. Confiando, certamente, que era português, ignora a determinação que exigia que todo produto cearense passasse, primeiro, pelos portos de Pernambuco e, com isso, se tornou rico.
SILVA PAULET (1778-1837)
O engenheiro militar português António José da Silva Paulet, chegou em 1812 à Província do Ceará para o cargo de ajudante de ordens do governador, o coronel Manuel Inácio de Sampaio e Pina Freire.
Foi o autor do primeiro plano urbanístico para a cidade de Fortaleza, em 1812. Entre as obras que executou na cidade, destacam-se a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção e o Passeio Público. A ideia central do seu plano urbanístico para Fortaleza (o sistema de traçado em xadrez), é mantido no plano urbanístico de Adolfo Herbster de 1875.
Em 1803, com a morte de Vasconcelos, veio substitui-lo CARLOS AUGUSTO DE OEYNHAUSEN, futuro Marquês de Aracati. Segundo governador do Estado, estimulou o uso da vacina contra a “bexiga” (varíola), doença que assolava a Colônia. Contudo, o fato principal desse período foi a prisão que fez pessoalmente de um poderoso latifundiário chamado Manuel Martins Chaves (parente da família Feitosa), na vila Nova Del Rei (Guaraciaba do Norte).
O terceiro governador do Ceará foi LUÍS BARBA ALARDO DE MENEZES. Seu período coincide com a chegada e instalação do príncipe regente D. João e a Família Real portuguesa no Brasil e a posterior abertura dos portos “às nações amigas (1808). Durante sua administração, deu iniciou ao comércio direto do Ceará com a Inglaterra, favorecendo a instalação de firmas Inglesas na Capitania. A nova rota saiu da capital em fevereiro de 1809, transportando, sobretudo, algodão; depois, outras embarcações norte-americanas, inglesas e portuguesas passaram a fazer o mesmo percurso. Governou o Ceará de 1808 a 1812.
O quarto governador do Ceará foi MANUEL INÁCIO DE SAMPAIO (1812-1820). Entre as realizações de Sampaio podemos citar a reforma do Forte de Nossa Senhora da Assunção, o traçado da vila (primeiro plano urbanístico de Fortaleza), contando com os serviços do engenheiro Antônio José da Silva Paulet, e a criação da alfândega de Fortaleza. Além disso, promovia em sua residência reuniões de literatos, conhecidas como Outeiros, precursoras dos futuros movimentos literários, muito comuns em Fortaleza. Em 1812, Sampaio instalou a repartição local dos correios, além da construção de um mercado público em Fortaleza e da instalação de alfândegas provisórias em Granja, Sobral e Crato. Porém, o que marcou de forma mais acentuada o seu governo foi a severa repressão ao movimento revolucionário de 1817, iniciado em Pernambuco e chegado ao Ceará através de membros da família Alencar, na região do Cariri cearense.
O sucessor de Sampaio, FRANCISCO ALBERTO RUBIM (1820-1821), governando em momento de grande instabilidade, foi tragado pelos acontecimentos que desembocariam na chamada Revolução Liberal do Porto (1820), em Portugal. Incapaz de enfrentar a oposição interna ao seu governo e ao novo regime, renunciou em favor de uma Junta Provisória, sob a presidência de Francisco Xavier Torres.
REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817.
O movimento de 1817 teve seu foco inicial na província de Pernambuco, espalhando-se, em seguida, pelas províncias vizinhas. Em Pernambuco havia um grande descontentamento, devido à perda de sua importância no cenário da colônia. O cultivo da cana-de-açúcar entrara em declínio e a saída do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte de sua jurisdição causou-lhe mais prejuízos, criando as condições para o desencadeamento de movimentos republicanos. As influências do liberalismo eram evidentes; os líderes do movimento eram, em sua maioria, membros da elite ilustrada, com passagem pela Europa, estudando ou mercadejando e, consequentemente, se instruindo nas novas ideias. Vivia-se ainda sob o impacto das revoluções americana e francesa.
Com o movimento, os pernambucanos queriam recuperar sua antiga posição, sob um novo regime, em um país independente. Um dos líderes do movimento, Domingos José Martins, vivera um ano no Ceará a serviço da firma "BARROSO, MARTINS, DOURADO & CARVALHO", da qual era sócio. Essa firma tinha sede em Londres e intermediava negócios com algodão. Depois, um outro sócio, Antônio Rodrigues de Carvalho, veio para o Ceará onde divulgou amplamente os ideais revolucionários, procurando recrutar seguidores para a causa revolucionária. Mas, o principal revolucionário na Capitania foi o seminarista José Martiniano de Alencar. Membro de uma importante oligarquia caririense, sua mãe, Bárbara, também aderiu ao movimento. Alencar tentou a adesão de um outro potentado da região, o Capitão-Mor Pereira Filgueiras e, embora este a princípio se mostrasse simpático ao movimento, foi convencido pelo chefe de milícias, Leandro Bezerra, da temeridade do envolvimento naquela empresa.
O movimento eclodiu em 6 de março e em Crato, em 3 de maio, mas, poucos meses depois, já estava debelado. Durou apenas 75 dias em Pernambuco e 8 dias no Crato. José Martiniano foi preso juntamente com seus familiares, mãe, irmãos, tios e primos que, de um modo geral participaram da revolução. Conduzidos para Fortaleza, por Pinto Madeira. "Após revistados dos pés à cabeça e ainda carregando grilhões, os presos são atirados no estreito e imundo calabouço do quartel, que fica entre a cadeia do crime e a Fortaleza incomunicáveis, alguém só pode falar-lhes de uma distância de dez metros e com sentinela à vista. Estão nus e dormirão no chão, dentro de alguns tempos estarão cobertos de cabelos, comidos de pulgas, piolhos e percevejos. São tratados como animais... Bárbara é recolhida só, em um outro cubículo, com menos martírio, mas sem o consolo de ver os filhos". Depois, foram enviados para a Bahia onde permaneceram presos até 1820. A repressão promovida por Sampaio fora dura e severa, tendo ele aproveitado a ocasião para perseguir desafetos, como o naturalista Feijó, que foi preso por simples suspeita.
Bárbara de Alencar
Nascida em 11 de fevereiro de 1760 na casa-grande da Caiçara, fazenda herdada de Leonel de Alencar Rego pelo filho deste último, casou-se em 1782 com o português, Capitão José Gonçalves dos Santos, comerciante de tecidos na vila de Crato, e domiciliou-se nessa mesma vila. Outros Alencar, procedentes de Inácio Pereira de Alencar, de sua segunda núpcia, com Antônio de Leão, irmã da citada Bárbara, ou Dona Bárbara, como esta passou a ser conhecida em Crato, estabeleceram-se no Sítio Lameiro (município de Crato), que alguns escribas, quando se referem aos revolucionários caririenses de 1817, às vezes grafam erroneamente - Limoeiro Ainda em 1767, o tio paterno de D. Bárbara, José Antônio de Alencar casara-se na aristocracia do Icó, quando convolou núpcias com uma filha do Capitão Crispim dos Montes e Silva,criando-se, desta maneira, naquela vila, um futuro ponto de apoio para os Alencar em suas arrancadas políticas, rumo à Fortaleza, por ocasião da consumação da independência no Ceará e da revolução de 1824, que integrou esta província na Confederação do Equador. Em 1800, o Padre Miguel Carlos da silva Saldanha veio do Jaguaribe e assumiu as funções de vigário colado do Crato. Dois irmãos seus, casaram-se com duas irmãs de Dona Bárbara, respectivamente, eles Manoel e Alexandre da Silva Saldanha, e elas, Antônia e Josefa Pereira de Alencar, acontecendo que morrendo o último, a viúva casou-se com Inácio Tavares Benevides, então viúvo doutra irmã de Dona Bárbara: Genoveva Pereira de Alencar, falecida sem filhos. Em 1803, o casal Dona Bárbara - Capitão José Gonçalves dos Santos casaram sua filha, Joaquina de São José (nome da moça) no clã dos Antão de Carvalho, de Oeiras, Piauí. Era outro ponto de apoio do Clã Alencar nas lutas da independência, Oeiras expedira emissários para o Crato à procura de auxílio militar. Outro tio paterno de Dona Bárbara, Dâmaso Leonel de Alencar Rego, cruzou-se com os Landins, do Engenho de Santa Teresa (Missão Velha), gente que João Brígido chamou: Os terésios. O irmão de Dona Bárbara, Leonel Pereira de Alencar e Inácio Pereira de Alencar (primeiras núpcias desta), irmão dela, casaram-se na casa grande da Coitezeira (interior do atual município de Jardim), de João Pereira de Carvalho, baiano, de Jeremoabo. Rica, prestigiada pelo valor pessoal incomum e a categoria da família, Dona Bárbara desfrutava do respeito e da consideração de todos e gozava da amizade do vigário local, citado, e do Capitão-mor do Cariri, depois do Crato, José Pereira Filgueiras, ambos, seus compadres, como seu amigo e compadre foi o terceiro e último Capitão-mor do Crato, Joaquim Antônio Bezerra de Menezes, sucessor imediato do mesmo Filgueiras. Visão larga, firmeza, decisão, iniciativa, pendor de chefe e inclinação política, Dona Bárbara chefiava sua família. Para se ter uma ideia da mentalidade de amplo horizonte de Dona Bárbara bastaria esta referência: Foi ela na vila do Crato, quem primeiro construiu, em pedra e cal o prédio particular, ou fosse a parede de frente da sua casa de residência, tendo vindo o mestre - pedreiro do Recife. A casa existiu, intacta, até a uns anos atrás. Completamente reformada, por um ato de estupidez do poder público, nela funciona a Coletoria Estadual local.
ANOTAÇÕES
O CEARÁ NO PERÍODO IMPERIAL (1822-1889)
A Proclamação da Independência no Ceará só veio a ocorrer em 16 de outubro de 1822, quando o colégio eleitoral reunido na vila do Icó rebelou-se contra a Junta Provisória de Fortaleza, que se mantinha obediente às Cortes portuguesas.
Elegeu-se, então, um governo temporário, que tinha à cabeça o Capitão-Mor do Crato, José Pereira Filgueiras, que tomou posse em Fortaleza, após a rendição da antiga junta. No ano seguinte foi substituído por um governo permanente, sob a direção do Padre Francisco Pinheiro Landim. No Piauí, o comandante português, João José da Cunha Fidié, não aceitou a nova realidade e resistiu à independência, reprimindo cruelmente os patriotas. Para enfrentá-lo, formou-se no Ceará uma tropa sob o comando do maior Luís Rodrigues Chaves, de João da Costa Alecrim e Alexandre Neri Ferreira.
Esta, no entanto, foi derrotada pelos portugueses na batalha de Jenipapo. Pereira Filgueiras e Tristão Gonçalves uniram-se no esforço de libertar o Piauí do jugo de Fidié; arregimentavam um grande número de homens vindos de toda a província e, em 23 de julho de 1823, conseguiram a rendição de Fidié. Estava dada a contribuição do Ceará à consolidação da independência no norte do Brasil.
CRONOLOGIA
1822. Posse de Francisco Xavier Torres no Comando Interino das Armas, por nomeação da Junta Provisional do Governo.
O Imperador mandou ouvir a Junta do Governo sobre a conveniência de ser mudada, do Crato para Icó, a cabeça da Comarca.
A Junta Provisória envia à Corte comunicação informando da revolta que explodiu na Vila do Crato.
Com a chegada da notícia oficial da Independência a 7 de setembro, brasileiros e portugueses, defensores do movimento, promoveram reunião no Paço da Câmara Municipal de Fortaleza, para declarar que aderiam à aclamação do imperador, que ocorrera no Rio de Janeiro a 12 de outubro.
1823. Posse Governo Temporário, sendo eleito presidente José Pereira Filgueiras, pela vila do Crato, tendo representantes de Jardim, Lavras, Icó, Inhamuns e Quixeramobim.
Deposição do Governo Provisório pela Câmara Municipal de Fortaleza, com assistência do ouvidor José Marcelino de Brito, em consequência da nomeação do primeiro presidente da Província, após a Independência.
A Junta deposta, acompanhada do capitão-mor Pereira Filgueiras, e presidente da mesma, desloca-se para a povoação de Arronches (Parangaba), recrutando tropas para atacar a capital.
A 3 de março, foi eleita a Terceira Junta Governativa do Ceará, composta por elementos brasileiros, sob a liderança do padre Francisco Pinheiro Landim. Foi na administração da Landim que a capital cearense foi elevada, de Vila, à condição de Cidade, com o nome de Fortaleza de Nova Bragança.
Por Lei Imperial, foram abolidas as Juntas Governamentais, passando o governo das províncias a ser exercido por um Presidente e um Conselho (foi nomeado 1º Governador do Ceará, o Engenheiro José da Costa Barros, cuja posse seria a 14 de abril de 1824).
PEREIRA FILGUEIRAS
Filho do Tenente José Quezado Filgueiras Lima e de Maria Pereira de Castro, mudou-se com os pais e irmãos, da Bahia para o Cariri Cearense, aos cinco anos de idade.
Filgueiras foi eleito Capitão-mor da Vila Real do Crato em maio de 1799. Casou-se, em primeiras núpcias, com Joaquina Maria Parente. Por volta de 1808, casou-se com sua segunda esposa, Maria de Castro Caldas
Uma grande seca gerou instabilidade e a rivalidade com o sargento-mor José Alexandre Correia Arnaud, causando a morte de um sobrinho, Joaquim Inácio Cardoso dos Santos, em 1810, no sítio Cantagalo, em Missão Nova, quando o capitão-mor José Pereira Filgueiras, ao ver o sobrinho ser assassinado por tentar soltar as amarras do cunhado, Gonçalo de Oliveira Rocha, que vinha preso pelas tropas de Francisco Calado, estando desarmado, toma o bacamarte do sobrinho morto, dispara contra o assassino do mesmo e ainda mata mais dois da escolta com o coice da arma. Para se defender e a Gonçalo, teve que matar. Ainda perguntou: "Não há mais quem queira morrer?"
A disputa entre o sargento-mor José Alexandre Correia Arnaud e o capitão-mor José Pereira Filgueiras, este apoiado pelo governador Manuel Inácio de Sampaio, foi ferrenha, até que, em 1814, o sargento-mor José Alexandre Correa Arnaud conseguiu da corte no Rio de Janeiro a criação da vila de Jardim, com metade da jurisdição da região do Cariri, sendo nomeado como o primeiro capitão-mor da vila, em 1816, mas morre antes de assumir a função.
Durante a Revolução Pernambucana, em 1817, foi mandado como espião ao Cariri o subdiácono José Martiniano de Alencar, filho de Bárbara de Alencar, irmão de Tristão de Alencar Araripe e pai do escritor José de Alencar. O jovem seminarista entrou em contato com o capitão-mor da vila do Crato, José Pereira Filgueiras, considerado pela população a figura de maior importância política e militar da região do Cariri cearense.
O capitão-mor, sem compreender nem aceitar as ideias republicanas dos rebeldes, recusou-se a participar da revolta, mas prometeu não interferir. Confiantes, os revolucionários reuniram-se para planejar o levante no Crato, instaurado no dia 3 de maio. Após ordens do governador Sampaio, as tropas comandadas por Filgueiras fizeram a contrarrevolução, prendendo os envolvidos, no dia 11 de maio. Os principais participantes foram enviados para Fortaleza, e, depois, para Recife e Bahia, de onde foram libertados a partir das Cartas Régias de 1819 e de 1821.
1824. A Câmara, clero, nobreza e povo da vila de Campo Maior, da Comarca do Crato, declaram decaídaa Dinastia Bragantina e proclamam o governo republicano. Filgueiras assume as forças da província. Tristão Gonçalves e Filgueiras marcham para Fortaleza, efetuando a prisão de Carvalho Couto, presidente da Junta, depondo-o.
Chega a Fortaleza Pedro José da Costa Barros, nomeado para Presidente do Ceará. No sentido de apaziguar a revolta, o Presidente Costa Barros formula acordo com o capitão-mor José Pereira Filgueiras, restituindo-lhe o comando das tropas.
COSTA BARROS
Pedro José da Costa Barros, de quem diz o Barão de Studart: “O 1º presidente que teve a Província do Ceará, e o 1º cearense que foi presidente de Província, ministro de Estado e senador”. Costa Barros (1779-1839) nasceu no Aracati e veio a falecer no Rio de Janeiro. Era poeta, figurando um poema seu no Florilégio da poesia brasileira (1850) de Varnhagen. Fez parte dos chamados “Oiteiros”, festas literárias do tempo do Governador Sampaio, que reuniam vários poetas do tempo e que representam as primeiras manifestações da literatura no Ceará
Fermentavam nas províncias vizinhas de Pernambuco ideias republicanas, eclodindo na Confederação do Equador, estremecendo a conciliação do Presidente Costa Barros com os revolucionários Pereira Filgueiras e Tristão Gonçalves, porquanto o Presidente se mantinha numa linha de imparcialidade. Tristão e Filgueiras deslocam-se para Aquiraz, organizam tropas, sublevam-se e atacam a cidade de Fortaleza no dia 28 de abril. O Presidente Costa Barros, sob protesto, aceita a rendição, substituindo-o Tristão Gonçalves na qualidade de presidente revolucionário.
Proclamação de Tristão Gonçalves convidando o Ceará a unir-se a Pernambuco na Confederação do Equador.
Tristão Gonçalves priva os europeus residentes no Ceará, dos cargos civis ou militares no governo.
É proclamada a República no Ceará, com adesão das Câmaras de Fortaleza, Aquiraz e Messejana e os procuradores das demais Câmaras da província. Presidiu a sessão, Tristão Gonçalves, sendo secretário o padre Mororó.
Lord Cochrane, a serviço do Imperador, no navio “Pedro I”, edita convite a Tristão Gonçalves à rendição e já considerando José Felix de Azevedo Sá, presidente da província, na legalidade, e oferecendo anistia ao próprio Tristão Gonçalves e Pereira Filgueira.
Proclamação de Lord Cochrane, declarando ter eleito oficialmente José Félix de Azevedo Sá para presidente interino da província. Nesta mesma data, foi morto em combate, na localidade de Santa Rosa, no sertão jaguaribano, Tristão Gonçalves.
Ofensiva anti-revolucionária generalizada na província inteira, culminando vencida a Confederação do Equador. Foram também presos josé Martiniano de Alencar e Pereira Filgueiras.
José Félix de Azevedo de Sá passa a presidência da província novamente a Pedro José da Costa Barros.
CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR – 1824
A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, ocorrido em Pernambuco, no ano de 1824. Esse movimento tinha caráter separatista, republicano, liberal e emancipacionista. Embora Pernambuco tenha sido o centro e berço do movimento, ele se espalhou por outras províncias nordestinas.
Lideranças no Ceará: Tristão Gonçalves de Alencar, Pe. Ignácio Mororó e Pereira Filgueiras.
Tristão Gonçalves, Presidente eleito durante a época do Ceará confederado. Tem sua imagem vinculada à família Alencar, tradicionalmente envolvida em questões políticas. Durante a Confederação sua cabeça foi colocada a prêmio e acabou sendo morto em batalha. Pe. Mororó, teve sua formação no Seminário de Olinda, apontado por alguns autores como um reduto das ideias liberais durante o século XIX. Pe. Mororó, ficou marcado como o intelectual que ofereceu as bases para o movimento no Ceará. No entanto, existe uma questão controversa, se ele teria participado do movimento por iniciativa própria ou se por pressão de Tristão Gonçalves. Pe. Mororó foi capturado, preso e condenado a morte. Sendo executado em Praça Pública. Pereira Filgueiras, durante a época da Confederação já tinha certo reconhecimento pelos atos de bravura. Algumas histórias suas adquirem ares de verdadeira lenda. Sua participação durante o movimento pode ser considerada como o último de seus atos de bravura. Também foi capturado e preso. Morreu a caminho do Rio de Janeiro. Todos esses personagens além de outros foram celebrados durante o centenário como mártires daquele movimento político. Heróis cearenses que teriam morrido em nome de uma causa, a defesa da república.
1825. O presidente da província divulga proclamação condenando os participantes da Confederação do Equador, no Ceará, à condição de proscritos, ficando a Comissão Militar com as atribuições de prendê-los.
Foi executado por fuzilamento o padre Gonçalo de Albuquerque Mororó.
Nos dias 1, 16 e 28, são fuzilados, respectivamente, Francisco Miguel Pereira Ibiapina, Luís Ignácio de Azevedo Bolão e Feliciano José da Silva Carapina.
PASSEIO PÚBLICO
A Praça dos Mártires, também conhecido como Passeio Público, é a mais antiga praça da cidade. Além da bela vista para o mar, a praça possui como atrativos naturais diversas árvores centenárias, como o famoso baobá plantado por Senador Pompeu em 1910. Seu nome atual foi definido em 11 de janeiro de 1879 pela Câmara Municipal de Fortaleza.
Em 1864, foi iniciada a construção do Passeio Público. Na época, o local era dividido em três planos destinados às classes rica, média e baixa.
Ao longo dos anos, recebeu vários nomes, sendo chamado de Campo da Pólvora, Largo de Fortaleza, Largo do Paiol, Largo do Hospital da Caridade, Praça da Misericórdia e, a partir de 1879, Praça dos Mártires, por ter sido palco da execução pública de revolucionários da Confederação do Equador. Embora o seu nome oficial seja Praça dos Mártires, o local é conhecido pelos fortalezenses como Passeio Público.
1827. Faleceu na vila de Soure (Caucaia), o ex-presidente de província, José Félix de Azevedo e Sá.
Entre 1826 e 1831, sucederam-se os seguintes presidentes: Antônio de Salles Berford; Manuel Joaquim Pereira da Silva); José Mariano de Albuquerque Cavalcanti. No governo deste último, verificaram-se novas disputas, iniciando novos choques violentos em consequência do “7 de abril de 1831” (Abdicação de D. Pedro I).
1831. Teve início a Sedição de Joaquim Pinto Madeira, em campanha originária na vila do Crato e Jardim. Não aceitava a Abdicação. Travaram-se combates entre os sediciosos e as forças governistas, sendo registrada historicamente a Batalha no Engenho Buriti. O movimento circunscreveu-se ao Cariri, atingindo a vila do Icó.
1832. Tomou assento no Senado, como representante do Ceará, o padre José Martiniano de Alencar, escolhido que fora 10 de abril.
Rendição de Pinto Madeira ao general Pedro Labatut.
1833. Em razão do Decreto Imperial de 13 de dezembro de 1832, o presidente José Mariano, em reunião extraordinária do Conselho, promoveu a divisão judiciária da província, criando as Comarcas de Fortaleza, Aracati, Icó, Quixeramobim e Crato, dispondo para Fortaleza duas varas.
Desembarcam em Fortaleza, de Brigue “29 de Agosto”, procedente de Recife, Pinto Madeira, o padre Antônio Manuel e mais 17 presos.
Decreto do presidente José Mariano, concedendo uma pensão anual de 400$ (Quatrocentos mil Réis) à viúva e à filha de Tristão Gonçalves.
Aportou em Fortaleza a corveta “Bertioga”, trazendo o novo presidente da província, o tenente-coronel Ignácio Correia de Vasconcelos. Substituído por José Martiniano de Alencar, no dia 29.
1834. Lei mandando dar ao presidente da província o tratamento de excelência. Até então, o tinham de senhoria.
Posse na presidência da província, do senador Padre José Martiniano de Alencar, nomeado por Carta Imperial de 23 de agosto.
Foi fuzilado no Crato o guerrilheiro e ex-coronel de milícias, Joaquim Pinto Madeira.
1837. Relatório do 1º tenente reformado, dirigido ao Ministro da Marinha, tecendo considerações sobre as condições favoráveis de perto, com grande detalhamento, tanto de Mucuripe como a Barra do Rio Ceará.
Por motivo de saúde e sua sequência mudançapara o Rio de Janeiro, o Presidente José Martiniano de Alencar transmitiu o governo ao 1º vice, João Facundo de Castro e Menezes, para exercê-lo interinamente.
Posse do capitão-engenheiro Manoel Felizardo Gomes e Mello, assumindo a presidência da Província, porquanto fora nomeado pela Carta Imperial de 16 de outubro.
1839. Posse do Dr. João Antônio de Miranda na presidência da Província, nomeado por Carta Imperial de 20 de dezembro de 1838.
1840. Posse de Dr. Francisco de Sousa Martins, 10º presidente da Província, nomeado por Carta Imperial de 18 de dezembro do ano anterior.
João Facundo de Castro e Menezes assumiu o Governo da Província, como representante do governo da “Maioridade”, e fez publicar o jornal “Vinte e Três de Julho”.
Assumiu o Governo da Província, pela segunda vez, o senador José Martiniano de Alencar, nomeado por Carta Imperial de 10 setembro.
O presidente Alencar deslocou-se à Vila de Sobral, onde eclodira um princípio de revolta, chefiada por Francisco Xavier Torres, que anteriormente sufocara os revoltosos da Balaiada. Vencidos e dispersados e alguns presos, foi abafada a rebelião, após combate nas ruas de Sobral. Em janeiro do ano seguinte, Francisco Xavier Torres foi capturado próximo da Serra de Baturité, pelo coronel Antônio Barroso de Souza.
1841. Lei Provincial nº 229 elevando a Vila de Sobral à cidade, com o título de “Fidelíssima Cidade de Januária do Acaraú”.
Major Facundo
Subindo a 23 de março, o gabinete Vilela Barbosa, e sendo exonerado o presidente José Martiniano de Alencar, assumiu o governo da Província o vice-presidente major João Facundo e Castro e Menezes.
Posse no Governo da Província, do brasileiro José Joaquim Coelho, sendo o 12º presidente, foi nomeado pela Carta Imperial de 1º de abril desse ano.
Foi assassinado o Major João Facundo de Castro e Menezes, às 8 horas da noite, em sua própria residência na antiga Rua da Palma nº 72 (hoje Rua Major Facundo c/ São Paulo).
1842. Criação da Secretaria de Polícia do Ceará.
Lei nº 244 elevando à categoria de cidade, as vilas do Aracati e Icó, mudando também o nome da Cidade de Januária para Sobral.
Lei Autorizando a reforma do plano da cidade de Fortaleza, eliminando a Rua do Cotovelo, a fim de construir-se uma praça que seria denominada de D. Pedro II (posteriormente, por criação popular, Praça do Ferreira).
1843. Posse do brigadeiro José Maria da Silva Bitencourt, nomeado presidente da Província do Ceará, por Carta Imperial de 12 de Janeiro.
O Júri de Fortaleza absolveu, por unanimidade, Drª. Florência de Andrade e Castro, viúva do ex-presidente Major Facundo, acusada de conspiração contra o presidente Coelho.
Tomou posse na presidência da Província, o coronel Ignácio Correia de Vasconcelos, nomeado por Carta Imperial de 4 de novembro.
1845. Amanheceu arrombado o cofre da Alfândega da cidade de Aracati.
Pelo Decreto Provincial nº 304 de 15 de 1844, foi instalado a 1910, o Liceu do Ceará, com licenciamento para as disciplinas: Latim, Francês, Inglês, Filosofia, Geometria, Geografia e Retórica.
Verificou-se grande seca nesse ano. O Governo Central e as Províncias vizinhas enviaram grande quantidade de gêneros alimentícios e grandes somas em dinheiro, totalizando 527.031$198 (QUINHENTOS E VINTE SETE CONTOS TRINTA E UM MIL CENTO E NOVENTA E OITO RÉIS).
LICEU DO CEARÁ
O colégio Liceu do Ceará, o mais antigo do Estado, iniciou suas atividades em 19 de outubro de 1845, sob direção do Dr. Thomas Pompeu de Souza Brasil, o Senador Pompeu. As aulas eram ministradas nas próprias casas dos professores.
Somente em 1894, no governo do Coronel Bezerril Fontenelle, foi inaugurada a primeira sede própria, na Praça dos Voluntários, no centro de Fortaleza.
Desde 1937, situa-se no bairro do Jacarecanga.
1846. O presidente Ignácio Correia de Vasconcelos remeteu ao ministro Alves Branco, na Corte, a documentação relativa ao projeto de criação da Província do Cariri, englobando Riacho do Sangue, Icó, Jardim, Crato e São Matheus, reunindo vilas e vilarejos das respectivas reuniões.
1847. Assumiu interinamente a presidência da Província o 1º vice-presidente João Chrisóstomo de Oliveira. . O presidente em exercício (João Chrisóstomo) ordena às Câmaras Municipais que prestem colaboração e informações ao Dr. Joaquim Saldanha Marinho, incumbindo de levantar uma carta topográfica da Província, acrescida de uma Estatística Geral.
João Chrisóstomo passou a presidência da Província ao Dr. Casimiro de José de Moraes Sarmento, nomeado pela Carta Imperial de 12 de dezembro.
1848. O Presidente Casimiro Moraes Sarmento entregou a administração ao 1º vice, João Chrisóstomo, por ter sido deputado pela Província do Rio Grande do Norte.
Foi investido nas funções de presidente da Província, nomeado por Carta Imperial de 5 de abril, o Dr. Fausto Augusto de Aguiar, removido a 1º de agosto para a província do Pará. Transmitiu o governo ao 2º vice-presidente coronel Joaquim Mendes da Cruz Guimarães, e este ao Dr. Ignácio Francisco da Silveira Mota a 16 de novembro do mesmo ano.
Trasladação dos restos mortais do Major Facundo, para igreja do Rosário.
Lançamento da pedra fundamental da Igreja N. S. das Dores, local hoje da Igreja do Coração de Jesus.
CEMITÉRIO SÃO CASIMIRO – FORTALEZA
Em 1844, o Poder Público determina a edificação de um cemitério público, o Croatá ou São Casimiro. A decisão de onde seria o campo-santo foi dos então médico da pobreza, cirurgião mor da província e cirurgião ajudante do Corpo Fixo de Caçadores. A área vizinha ao morro do Croatá foi escolhida por reunir as condições necessárias ao empreendimento. O local ficava a sotavento da cidade e as exalações prejudiciais aos citadinos seriam dispersas pelos ventos. O projeto obedeceu a critérios matemáticos que levaram em consideração a tabulação do número de falecimentos dos anos de 1845 (294), 1846 (286) e 1847 (170). A notícia da criação da necrópole foi publicada na edição do jornal “O Cearense”, de 3 de fevereiro de 1848.
O Morro do Croatá ficava contíguo onde hoje está a Praça Castro Carreira, a Praça da Estação. Com a epidemia do cólera, em 1856, foi acrescida uma área ao São Casimiro para sepultamento daquelas vítimas especificamente. O novo espaço foi separado por grade de ferro do plano já existente anteriormente.
Em 02 de Janeiro de 1848 é Assentada a primeira pedra para construção do primeiro cemitério de Fortaleza, o Cemitério de São Casimiro (Croatá), no Morro do Croatá, em terreno doado pela família Braga Torres.
Em 08 de Maio do mesmo ano, inaugura-se o Cemitério de São Casimiro (em homenagem ao governador que autorizou a construção, Casimiro José de Morais Sarmento), edificado em virtude da Lei Provincial nº 319 de 01/08/1844 e que seria desativado em 1866 com a construção do Cemitério de São João Batista, para onde foram trasladados alguns corpos.
A construção esteve a cargo do tenente Juvêncio Manuel Cabral de Menezes.
O Cemitério de São Casimiro estava localizado no Campo da Amélia, hoje, Praça Castro Carreira, conhecida como Praça da Estação.
O campo foi construído em 29 de junho de 1830, em homenagem à imperatriz D. Amélia. Foi um campo de treinamento e hipismo. Construído pelo engenheiro da Província, Juvêncio Manoel de Menezes, por ordem do Presidente da Província José Sarmento. Localizava-se no lado poente do campo, era murado e tinha uma capela na entrada do terreno que era dividido em dois lados. Na esquerda ficava o lado conhecido como o Campo dos ingleses, onde geralmente eram sepultados os estrangeiros.
ILUMINAÇÃO PÚBLICA EM FORTALEZA
O serviço de iluminação pública tem início em Fortaleza no ano de 1848, à base de “óleo de peixe”. Em 1867, houve a substituição desse serviço por algo mais moderno: surgia em Fortaleza a iluminação através do gás carbônico. Os combustores não eram acesos em noites de lua cheia (plenilúnio), um costume que se manteve até o ano de 1935, quando, finalmente, instalou-se o serviço de iluminação elétrica.
1850. Foi iniciado por determinação do BoticárioFerreira, na qualidade de presidente da Câmara, o levantamento de uma planta da cidade, visando o planejamento urbano.
Tomou posse na presidência da Província o Dr. Ignácio Francisco Silveira da Mota, nomeado por Carta Imperial de 19 de junho.
BOTICÁRIO FERREIRA
Antônio Rodrigues Ferreira nasceu no Rio de Janeiro, em 1801, e faleceu em Fortaleza, em 1859. Mais conhecido como “Boticário Ferreira”, foi um político, farmacêutico e militar fluminense. Mudou-se para Fortaleza em 1825, como “caixeiro”, a convite do cônsul português no Ceará, Manuel Caetano de Gouveia.
Chegou a exercer atividades como se fosse médico e farmacêutico, o que lhe garantiu notável condição econômica e política.
Casou-se em 1827 com Francisca Áurea Ferreira de Macedo, com que não teve filhos.
Foi prefeito de Fortaleza por dois mandatos, de 1843 a 1849 e de 1850 a 1859. Ferreira era uma poderosa liderança política local, associado ao Partido Conservador (“caranguejo”).
Sua botica ficava onde hoje está o número 566, da rua Major Facundo (rua da Palma), no Centro de Fortaleza. Próximo ao estabelecimento, ficava o jornal Pedro II, sede do Partido Conservador.
Seu corpo foi sepultado no antigo Cemitério São Casemiro (cemitério do Croatá), onde hoje fica a Praça da Estação, no Centro de Fortaleza. Com a desativação deste, os restos mortais do Boticário Ferreira foram transladados para o Cemitério São João Batista.
Em sua homenagem foi renomeada a Praça Municipal (antiga Feira Nova) para Praça do Ferreira e é concedida a Medalha Boticário Ferreira pela Câmara Municipal de Fortaleza.
ADOLFO HERBSTER (1826-1893)
Dentre suas obras, destacam-se a estrada que liga Fortaleza a Maranguape, a ponte sobre o Riacho Pajeú, onde hoje passa a Rua Rufino de Alencar, que liga a Catedral Metropolitana de Fortaleza ao Seminário da Prainha e o Paço da Assembleia Legislativa do Ceará, cujas obras foram iniciadas em 1856 sob a responsabilidade do engenheiro Joaquim Fonseca Soares e Silva
1851. Irrompeu em Fortaleza a epidemia de febre amarela, propagando-se por várias cidades, vilas e povoados da Província.
1852. O Dr. Pedro Pereira da Silva Guimarães propôs na Câmara dos Deputados a liberação do ventre escravo.
1853. Posse do Dr. Joaquim Vilella de Castro Tavares, 19º presidente da Província, nomeado por Carta Imperial de 21 de Março.
1854. Posse do Dr. Padre Vicente Pires da Motta, 20º presidente da Província e nomeado pela Carta Imperial de 19 de janeiro.
O engenheiro Henrique Augusto Millet apresentou ao presidente Pires da Motta, seus estudos sobre o Porto de Fortaleza.
Bula de S. Santidade o Papa Pio IX, aprovando a criação do Bispado da Província do Ceará.
1855. O Senador Thomaz Pompeu de Souza Brasil contratou com o governo a confecção da estatística da Província.
Posse do Presidente Dr. Francisco Xavier de Paes Barreto no governo providencial, nomeado por Carta Imperial de 15 de setembro.
1857. Decreto nº 1944 criando a Capitania do Porto do Ceará.
Inauguração do trapiche do Porto de Fortaleza, construído pelo engenheiro Fernando Hitzshky.
1858. Decreto nº 2497 aprovando o contrato celebrado com o Marquês de Olinda com a Companhia de Navegação a Vapor do Maranhão, para navegação entre o Ceará e o Maranhão. A primeira chegada de vapores da Companhia no Ceará ocorreu a 11 de dezembro, ancorando no Porto o vapor "São Luís".
1859. Pelo Vapor “Tocantins” chegou a Fortaleza a "Comissão Científica", nomeada pela Lei nº 881 de 1º de outubro de 1856. A Comissão era composta de renomados cientistas da Província, nomeada pela Carta Imperial de 4 de Julho. Na sua administração foi instalada a Santa Casa de Misericórdia.
1860. Faleceu no Rio de Janeiro o senador José Martiniano de Alencar (15 de março).
O Governo imperial aprovou, por decreto, os estatutos da Caixa Filial do Branco do Brasil, criada na cidade de Fortaleza.
Lei nº 1144 autorizando a fundação de um seminário diocesano no Ceará.
1861. Posse do Dr. Manoel Antônio Duarte de Azevedo na presidência da Província, nomeado por Carta Imperial de 20 de março.
Luís Antônio dos Santos, 1º Bispo do Ceará, tomou posse solene na direção da Arquidiocese, na Igreja da Sé.
1862. Publicou-se na província, o jornal literário, de propriedade do poeta Juvenal Galeno, “O Peregrino”.
Posse do presidente Dr. José Bento da Cunha Figueiredo no governo da Província, sendo-lhe transmitido o cargo do 4º vice-presidente em exercício, coronel José Antônio Machado.
Resolução Provincial nº 1023, concedendo a José Paulino Hoochoçtz, empresário da obra do encanamento de água potável, o direito de explorar por 50 anos o comércio de abastecimento d'água na capital da Província.
1863. Fundação do “Atheneu Cearense”, pelo capitão João de Araújo Costa Mendes.
Por petição de concessionário dos serviços de abastecimento d'água à cidade, ao presidente da Província, foi transferido o contrato para a recém-criada empresa Ceará Water Company Limited, de Londres.
1864. Joaquim da Cunha Freire e Thomaz Rich Brandt contrataram com o governo da Província a iluminação de Fortaleza, utilizando combustores do gás hidrogênio carbonado.
Assumiu a presidência da Província o Dr. Lafayette Rodrigues Pereira, nomeado pela Carta Imperial de 23 de janeiro. Iniciou-se o período de poder para os pertencentes ao Partido Liberal.
Foi nomeado ministro de Estado dos Negócios do Império, o cearense José Liberato Barroso.
SEMINÁRIO DA PRAINHA
“Seminário da Prainha”, instituição católica de formação eclesiástica da Arquidiocese de Fortaleza. O prédio, em “estilo neoclássico”, encontra-se situado no centro histórico da cidade de Fortaleza, no estado do Ceará, Brasil.
Seu estilo é neoclássico.
O Seminário da Prainha foi fundado como Seminário Episcopal do Ceará no dia 10 de outubro de 1864, por Dom Luís Antônio dos Santos, o primeiro bispo de Fortaleza.
1865. Primeiro Embarque no vapor "Oyapock" de soldados à campanha do Paraguai, pertencentes ao Corpo de Guarnição da Província, composto de 368 praças, 23 oficiais, 2 médicos e 1 capelão.
Embarque no vapor “Tocantins” do 1º Corpo de Voluntários, constituído de 160 praças e 9 oficiais, sob o comando de major José Fernandes de Araújo Viana.
Notas - Segundo Raimundo Girão (Pequena História do Ceará, 1962), o Ceará contribui com um contingente de cerca de 5.082 homens para a campanha do Paraguai. Dois batalhões cearenses se destacaram: 26º de Voluntários e 14º de Infantaria. O primeiro chegou de Fortaleza 30 de abril de 1870, sob o comando do coronel Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousa (general Tibúrcio). Registrou igualmente a participação de Jovita Feitosa, como voluntária.
1866. Benção Oficial do Cemitério São João Batista em Fortaleza. (14 de abril).
Faleceu a bordo do “Eponina”, perto de Buenos Aires, proveniente de ferimento a bala, na batalha de 24 de maio, o brigadeiro Antônio Sampaio.
Instalou-se no Palácio do Governo, uma exposição de produtos da Província, que seriam remetidos para Rio de Janeiro, com destino à exposição de Paris.
1867. Instalação da Biblioteca e Arquivo Público da Província, criados pelas Leis Provinciais números 1186 e 1202.
Inauguração da iluminação a gás, parcialmente na cidade e alguns edifícios. A concessão foi transferida para a firma Ceará Gaz Company Limited, incorporada em Londres, em 1865. Era presidente da província o Dr. Pedro Leão Velloso, aliás tendo tomado posse no dia anterior.
1868. Assumiu a presidência da Província o Dr. Diogo Velho Cavalcanti de Albuquerque, nomeado por Carta Imperial de 25 de julho.
Sanção da Lei nº 1254 que autorizou a presidência 15 contos de rês a libertação de escravos, preferencialmente do sexo feminino.
1869. Posse do desembargador João Antônio de Araújo Freitas Henriques, 31º presidente da Província, nomeado por Carta Imperial de 22 de Junho.
1870. Chegou a Fortaleza a notícia do término da Guerra do Paraguai. Organizaram-se grandes festas em regozijo.
Desembarque em Fortaleza do 26º Batalhão de Voluntários da Pátria, em meio a grandes aplausos populares, principalmenteao comandante, coronel Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousa.
Foi recolhido à Catedral, a bandeira do mesmo batalhão, na conformidade do Aviso do Ministério da Guerra, datada de 1º de abril.
Ordem do Dia: Presidente da Província, determinando dissolver o 26º Corpo de Voluntários da Pátria.
1871. Posse do Dr. José Fernandes da Costa Pereira Júnior, 32º presidente da Província. Foi nomeado por Carta Imperial de 30.11.1870.
1872. Chegou a Fortaleza, no vapor "Cruzeiro do Sul", comendador João Wilkens de Matos, nomeado por Carta Imperial de 15 de dezembro de 1971, tomando posse no Governo da Província no dia seguinte.
Foram inaugurados os trabalhos da Via-Férrea de Baturité, iniciando a construção. A empresa foi autorizada a funcionar, inicialmente pelo Decreto 4780 de 30 de agosto de 1871.
Chegou ao Juazeiro, o recém-ordenado padre Cícero Romão Batista. (11 de abril).
ESTRADA DE FERRO BATURITÉ-FORTALEZA
Primeira ferrovia do Ceará, iniciou a operação ferroviária em 1873 com o primeiro trecho entre a “Estação Central” (Fortaleza) e Arronches (Parangaba). Funcionou com esse nome até 1909.
O objetivo era o escoamento da produção serrana (Pacatuba e Maranguape) para o porto de Fortaleza. Após a assinatura do contrato de construção da ferrovia entre a Companhia e o Governo do Ceará, o projeto passou a ter como ponto final a cidade de Baturité, produtora de café.
A estação central (atual Estação João Felipe) foi erguida ao lado do Cemitério São Casimiro. A função do cemitério foi transferida para o Cemitério São João Batista.
O primeiro trecho foi entregue ao tráfego em 1873. As estações de Mondubim e Maracanaú foram inauguradas em 1875 e a de Pacatuba, em 1876. A situação financeira da companhia ficou ruim durante a seca entre 1877 e 1879 e as obras foram paralisadas. O Governo Imperial, através de um decreto (1878), assumiu a parte construída da ferrovia e os direitos da Companhia de prolongar os caminhos de ferro até o município de Baturité. Em 1910 a Estrada de Ferro de Baturité foi somada a Estrada de Ferro de Sobral criando a Rede de Viação Cearense. Em 1926, a linha chegava ao Crato.
O trem de passageiros circulou na linha sul até 1988, mas continuou a levar transporte de cargas, como combustíveis, carecendo de investimentos em infraestrutura.
O direito de concessão da Malha Nordeste da antiga RFFSA foi concedido, em 1997, para a empresa Companhia Ferroviária do Nordeste, que mudou de nome para Transnordestina Logística, e atualmente é operada pela m esma.
O tráfego ferroviário da linha Fortaleza-Crato (linha sul), com 600 km, encontra-se desativado desde julho de 2013. Segundo a Transnordestina Logística, a Ferrovia Nova Transnordestina substituiria o ramal Sul, e que seria necessário suspender o transporte de produtos no trecho para a construção da nova ferrovia. A obra, no entanto, se arrasta há anos e nunca foi concluída.
ESTAÇÃO DAS ARTES BELCHIOR
O Complexo Cultural Estação das Artes Belchior, conhecido como “Estação das Artes”, é um complexo cultural localizado no centro histórico da cidade de Fortaleza, ocupando o local da centenária edificação que abrigou a antiga estação ferroviária Professor João Felipe.
A construção da antiga estação João Felipe está diretamente ligada à história das ferrovias no Ceará, iniciando-se com a construção da Estrada de Ferro de Baturité-Fortaleza.
1873. Assumiu a administração da Província o vice-presidente, comendador Joaquim da Cunha Freire.
Tomou posse o 36º presidente da Província, Dr. Francisco Teixeira de Sá, recebendo o governo do presidente interino Joaquim da Cunha Freire. O presidente Francisco Sá foi nomeado por Carta Imperial de 13 de agosto. Por motivos de saúde, afastou-se do cargo no dia 21.3.1874, passando o governo ao Barão de Ibiapaba.
1874. Posse do Dr. Heráclito de Alencastro Pereira da Graça, 37º presidente da Província, nomeado por Carta Imperial de 18 de setembro.
1875. Inauguração dos trechos da Estrada de Ferro de Baturité, compreendendo as estações de Arronches (Parangaba), Mondubim e Maracanaú.
Instalação do Seminário do Crato, instituído pelo Bispo D. Luís. Em 1878, por ocasião da grande seca, o seminário foi fechado, sendo reaberto somente em 1883.
Inauguração do ramal ferroviário Maracanaú-Maranguape.
1876. Entregue ao tráfego, pela Estrada de Ferro de Baturité, o trecho compreendido entre as estações de Maracanaú e Pacatuba.
Posse do desembargador Francisco de Farias Lemos, 38º presidente da Província, nomeado por Carta Imperial de 12 de Janeiro. Exonerado por Decreto de 13 de dezembro, passa administração ao desembargador Caetano Estelita Cavalcante Pessoa no dia 10 de janeiro de 1877.
Faleceu na cidade de Baturité, o médico Francisco José Matos, criador das afamadas "pílulas de Matos" (4 de outubro). O finado era natural de Aracati, tendo nascido em outubro de 1812. Nesse ano, o Ceará iniciou a exportação de laranjas de Maranguape para a Europa, tendo embarcado, na safra, 1.312 caixas.
1877. Posse de desembargador Caetano Estelita Cavalcante Pessoa, 39º presidente da Província.
Fundação da Companhia Ferro-Carril do Ceará.
Instalação da Junta Comercial de Fortaleza.
Faleceu em Fortaleza o senador Thomaz Pompeu de Sousa Brasil, político e autor de importantes obras sobre o Ceará, no que diz respeito à geografia e à estatística. Nasceu em Santa Quitéria a 28 de novembro de 1818.
Teve início nesse ano grande seca, que perduraria até 1879, considerada a maior calamidade do século, muito superior à cólera e à febre amarela.
SECA DE 1877-1879
Foi o mais devastador fenômeno de seca da história do Brasil, ocorrido no período imperial brasileiro. Estima-se que este flagelo tenha provocado a morte de 400.000 a 500.000 pessoas.
De um total de 800.000 pessoas que viviam na área afetada da região Nordeste, em torno de 120.000 migraram para a Amazônia, enquanto 68.000 migraram para outras partes do Brasil. A região mais afetada foi a província do Ceará.
Foram três anos seguidos sem chuvas, sem colheita, sem plantio, com perda de rebanhos e com a fuga das famílias, deixando despovoado o sertão. Tanto esse evento de estiagem quanto anteriores e posteriores estão associados ao fenômeno El Niño e suas interferências diretas ao clima dessa e outras regiões.
Embora, proporcionalmente, secas anteriores possam ter dizimado um percentual maior (estima-se que a seca de 1777-1779 matou cerca de 25% da população dessa área, enquanto a seca de um século posterior teria dizimado em torno de 18% da população), em números absolutos ela foi a maior tragédia causada pelas estiagens.
Cerca de um terço da população do Ceará morreu ou emigrou para a Amazônia ou para o Sul do país, muitas delas de forma compulsória ou estimuladas pelo financiamento do governo provincial.
Além da fome e da sede, da intoxicação pela ingestão de alimentos estragados e venenosos, uma série de epidemias e doenças (tifo, escarlatina, escorbuto, beribéri) dizimaram uma boa parte da população mais desamparada. A epidemia de varíola, no entanto, foi a responsável por dizimar cerca de um terço dos mortos. A precariedade dos abarracamentos, construídos de forma improvisada, nos arredores da capital, a cidade de Fortaleza, que viu sua população quase triplicar de tamanho, tornou fácil a disseminação do vírus da varíola e de outras doenças contagiosas.
A medicina da época, que ainda não conhecia os micro-organismos, que se apoiava na teoria dos miasmas, julgou por bem simplesmente deslocar, com a ajuda da repressão policial, esses abarracamentos do leste da cidade, para o oeste, evitando assim, que o vento, que os ares, trouxessem para a cidade as doenças. Só nesse deslocamento forçado, que se fez num dia inteiro de sol causticante, com as pessoas doentes, debilitadas e depauperadas tendo que ser transportadas em redes ou transportar os seus poucos pertences nas costas e cabeças, cerca de duas centenas de pessoas pereceram.
A seca de 1877-1879 ficou famosa e foi particularmente catastrófica por alguns motivoshistóricos específicos. Mesmo tendo feito parte de uma série de catástrofes climáticas que se abateu sobre todo o hemisfério sul provocadas pelo fenômeno do El Niño (desconhecido a época), ela se deu após um período de cerca de trinta anos sem que o fenômeno ocorresse. Como a expectativa de vida média de um brasileiro nessa época era de cerca de 33 anos, muitas das vítimas da estiagem de 1877-1879 não tinham experiência de lidar com uma seca, pois poucos haviam vivido a estiagem de 1845.
Durante a década de 1860, devido à guerra civil nos Estados Unidos, a produção de algodão feita na área do semiárido das províncias do Norte do Brasil ganhou espaço no mercado internacional, levando a um crescimento significativo da população dessa área. A seca coincidiu com o retorno do algodão norte-americano ao mercado, com o fim da guerra, gerando uma acentuada baixa de preços e a ruína econômica de uma parte da elite agrária do sertão, que também perde seus rebanhos bovinos com a estiagem.
A seca de 1877-1879 vai ser nomeada de a grande seca justamente por ser a primeira que não matou apenas escravos e homens livres pobres. Basta consultar os textos literários que a ela se referem, para ver que o grande trauma foi ver respeitáveis famílias do interior misturadas com “a ralé” dos retirantes. A epidemia de varíola, por seu turno, não escolheu classes sociais, tendo ceifado a vida da própria primeira-dama da província, a esposa do Barão de Sobral, Marieta Raja Gabaglia.
Mesmo já se conhecendo o processo de vacinação, tanto as autoridades como a população se negavam a promovê-la e a se vacinar (qualquer semelhança com os dias atuais não é mera coincidência, pois ignorância e desleixo parecem não obedecer a temporalidades).
Essa seca, a primeira a ter uma ampla cobertura da imprensa nacional, tornando-se, por isso mesmo, a grande seca, a primeira em que há registro fotográfico dos corpos cadavéricos dos retirantes, imagens que têm grande repercussão ao ser publicadas em periódicos do Rio de Janeiro, deixou cenas muito semelhantes ao que se viveu, na atual pandemia, na cidade de Manaus.
Só no dia 10 de dezembro de 1878, morreram na cidade de Fortaleza, 1004 pessoas, o chamado “dia dos mil mortos”.
Com o esgotamento da capacidade de enterramento do cemitério da cidade, abriu-se uma grande vala comum na região praiana de Jacareacanga. Cerca de sessenta presidiários e coveiros foram mobilizados para fazer o enterramento dos corpos que, por falta de caixões, eram transportados em redes e, com a falta delas, amarrados em pedaços de madeira. Muitos corpos, dado o estado de decomposição, iam deixando pedaços pelo caminho.
Os coveiros trabalharam durante todo dia, devidamente protegidos pela ingestão de cachaça (a cloroquina da época, já que ela evitaria a contaminação), já entrada a noite, mais de duzentos cadáveres ainda se encontravam insepultos. Ao chegarem no dia seguinte, para continuarem o serviço, viram urubus e cachorros disputando o repasto dos mortos. Essa vala comum foi descoberta em janeiro de 1994 por profissionais da companhia de esgoto do Estado.
A corrupção, tal como agora, fez da desgraça da população motivo de enriquecimento e fortuna de alguns. Desvio dos recursos enviados pelo governo central para os socorros públicos, venda a preço escorchante dos produtos enviados para socorrer as vítimas, o uso do trabalho semiescravo dos depauperados retirantes na extração de pedras que deram origem a um comércio clandestino, a negociata com os poucos cargos públicos que se podia oferecer, até mesmo a exploração da prostituição das retirantes foram motivo de lucro: as elites do Norte descobriam a indústria da seca.
Por causa da falta de socorros, dos mal tratos, cerca de três grandes revoltas ocorreram em Fortaleza, a maior delas, no dia 20 de agosto de 1878 e reuniu quase dez mil retirantes, que atacaram os armazéns que forneciam carne e farinha. Infelizmente, a história do Brasil é feita de genocídios e catástrofes, difícil é discernir qual foi a maior ou a pior delas.
1878. Inauguração da linha telegráfica entre a cidade de Fortaleza e a do Aracati, partindo daí a ligação com a idade de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Posse do Dr. José Júlio de Albuquerque Barros, 41º presidente da Província.
1879. A Câmara Municipal de Fortaleza mudou o nome da “Praça da Misericórdia” para “Praça dos Mártires”, em memória dos patriotas Pe. Mororó, Pessoa Anta e Carapinima, fuzilados em 1825.
Desembarcou em Fortaleza, vinda pelo vapor "Espírito Santo", uma comissão médica, presidida pelo Dr. José Maria Teixeira, composta de médicos, farmacêuticos e enfermeiros, nomeados pelo Ministério do Império, para serviços de ajuda sanitária às vítimas das epidemias.
Iniciou-se em Camocim o assentamento dos trilhos da Estrada de Ferro Sobral-Camocim.
1880. Com a chegada das primeiras chuvas, foi considera finda a grande seca que começara em 1877. O presidente da Província comunicou oficialmente à Corte (5 de abril).
Inauguração da companhia Ferro-Carril de Fortaleza, com 4.210 metros de linha, de tração animal (25 de abril).
Publicação do Decreto n.º 3012/22.10.1880, que alterou a linha divisória do Ceará com Província do Piauí, anexando ao Ceará o território da comarca do Príncipe Imperial (Crateús) e ao Piauí a Freguesia de Amarração.
1881. Em janeiro o movimento abolicionista decidiu fechar o Porto de Fortaleza ao embarque e desembarque de escravos, tendo à frente o jangadeiro Francisco José do Nascimento, cognominado “Dragão do Mar”, ou simplesmente “Chico da Matilde”. Grande colaboração do abolicionista João Carlos da Silva Jatahy.
Inauguração do trecho da Estrada de Ferro de Sobral, ligando Camocim à Estação de Granja.
Inauguração da linha telegráfica ligando Fortaleza às linhas do Sul, permitindo comunicação com o Rio de Janeiro.
Posse do senador Pedro Leão Veloso, 45º presidente da Província.
FRANCISCO JOSÉ DO NASCIMENTO, O “DRAGÃO DO MAR” (1839-1914)
Um dos nomes mais emblemáticos da luta contra a escravidão negra no Ceará é o de Francisco José do Nascimento, nascido em Canoa Quebrada, Aracati, em 1839, e falecido em Fortaleza, em 1914.
De origem humildes e filho de pescadores, era conhecido por seus amigos como “Chico da Matilde”, por referência materna. E com a campanha abolicionista, recebeu o epíteto de “Dragão do Mar”.
Com a abolição da escravidão no Ceará, a notícia repercutiu no Império e os abolicionistas cearenses, gente de elite econômica e intelectual, foram congratulados pela imprensa abolicionista nacional. Entre eles havia, porém, uma pessoa humilde, de cor parda, trabalhador do mar, o Chico da Matilde.
Chefe dos jangadeiros, eles e seus colegas se engajaram à luta em janeiro de 1881, recusando-se a transportar para os navios negreiros os escravos que seriam vendidos para o Rio de Janeiro, tendo sida proferida, segundo algumas fontes, a celebre frase "No porto do Ceará não embarcam mais escravos". Posteriormente, em agosto de 1881, houve uma nova tentativa de embarcar escravos que seriam vendidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, contudo, novamente os jangadeiros, liderados por Chico da Matilde e pelo escravo liberto José Luis Napoleão, se recusaram a fazer o transporte e o porto do Ceará foi considerado, pelo movimento abolicionista, oficialmente fechado para o tráfico interprovincial.Capa da Revista Illustrada, v. 9, n. 376, 1884. Litogravura de Angelo Agostini.
1882. Inauguração do trecho da Estrada Ferro de Baturité, ligando Fortaleza-Baturité.
Posse na Presidência da Província, do Dr. Sancho Barros Pimentel. Exonerado por Decreto a 20 de outubro, passa o governo a 31 do mesmo mês ao tenente coronel Antonio Theodorico da Costa.
Inauguração da linha telegráfica, ligando Fortaleza ao Sul do País e Europa, mediante o cabo submarino (American Telegraph and Cable Company).
1883. A 1º de janeiro, no município de Acarape, proclama-se a abolição dos escravos dentro de seus limites. Outros municípios acompanham o momento, cada um separadamente. Pelo evento, Acarape passoua chamar-se de Redenção. Movimento pioneiro no Brasil.
Inaugurou-se em Fortaleza, a primeira linha telefônica ligando o estabelecimento comercial de Confúcio Pamplona (Rua Major Facundo) e a casa de José Joaquim de Farias, no Largo da Alfândega. . Libertação dos escravos na Capital da Província. Fortaleza realizou grandiosas festas. (24 de maio).
Tomou posse o Dr. Sátiro de Oliveira Dias no cargo de presidente da Província, nomeado por Carta Imperial de 30 de junho. Deixou o governo a 31 de maio, sendo substituído pelo 2º vice-presidente, Dr. Antônio Pinto Nogueira Acióli.
1884. Desembarcou do Vapor "Espírito Santo", Dom Joaquim José Vieira, 2º Bispo do Ceará.
Extinção total da escravatura no Ceará. Tem-se afirmado que a população cativa na Província, da data da abolição, era de aproximadamente 30.000. O Ceará contava com 762.736 habitantes.
Instalou-se em Fortaleza o “Clube Iracema”.
Posse do 47º presidente da Província, o Dr. Carlos Honório Benedito Ottoni, nomeado por Carta Imperial de 24 de maio. Administrou o Ceará até 24 de janeiro de 1885.
ABOLIÇAO DA ESCRAVIDÃO – CEARÁ
Em 27 de janeiro de 1881 a Sociedade Libertadores Cearense, liderada por João Cordeiro, convocou uma greve de jangadeiros do Porto de Fortaleza. A greve — que atraiu homens e mulheres de todas as classes sociais e idades — foi liderada por José Luís Napoleão, que fechou o porto de Fortaleza ao tráfico de escravos. O ápice da greve foi em 30 de agosto do mesmo ano, quando Torquato Mendes Viana, chefe de polícia da capital, tenta embarcar escravos à força no porto da cidade. Os amotinados acabam furtivamente libertando os escravos transportados e fugindo rapidamente. O governo pensa em retaliar, mas sob pressão do 15o batalhão, que era pró abolicionista, ele é obrigado a deixar a situação como está.
Redenção (antiga Vila do Acarape), na região do Maciço de Baturité, destacou-se como símbolo da abolição no Estado do Ceará. No município, a libertação dos escravos ocorreu em 1º de janeiro de 1883, cinco anos antes da Lei Áurea de 1888.
chamada de Vila do Acarape àquela época, ao 1º de janeiro de 1883. O episódio, à frente da igreja Matriz, foi marcado pela entrega de 116 cartas de alforria para os escravos locais; um evento que contou com a presença de abolicionistas, entre os quais José do Patrocínio, jornalista e ativista de renome nacional.
Em 25 de março de 1884, o Ceará aderiu à abolição dos escravos, marcando o dia como “Data Magna”. O então presidente da Província era Manuel Sátiro de Oliveira Dias (1844 – 1913). O Ceará, foi, portanto, a primeira província, em todo o Brasil, a decretar a extinção da escravidão em todo o Império. O evento se deu na Praça Castro Carreira (Praça da Estação).
JOÃO BRÍGIDO (1829 – 1921)
Filho de Ignácio Brígido, criou-se no sertão do Ceará. Cedo, obteve êxito através de concurso na cadeira de letras no município de Jardim, exercendo a função de professor aos 20 anos de idade. Casou-se aos 21 anos de idade.
Foi um dos responsáveis pelos primeiros estudos e publicações a respeito da história do Ceará, junto com Tristão de Alencar Araripe, Pedro Theberge e Tomás Pompeu de Sousa Brasil.
Iniciou-se na atividade jornalística muito cedo, no jornal “O Araripe”, na década de 1850, na cidade do Crato. Posteriormente, colaborou com “O Cearense”, do senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil.
Em 1861, já morando em Fortaleza, foi aprovado em concurso para professor no Liceu do Ceará. Na política, seu posicionamento partidário era Liberal, e nessa época foi eleito deputado provincial em 1864 e foi reeleito em 1866. Foi, ainda, deputado geral (1878-1881), e deputado estadual (1893-1894).
Era maçom ativo na Loja Fraternidade Cearense, onde foi redator do jornal “Fraternidade”, escrevendo textos abolicionistas e de combate aos flagelados da Grande Seca de 1877. Também foi ativo escritor de textos maçônicos pela “Questão religiosa”.
Monarquista assumido até à Proclamação da República Brasileira, quando tornou-se um defensor do novo regime, tanto nas suas crônicas, como em seus artigos, não media palavras quando criticava seus inimigos políticos, fazendo um jornalismo recheado de parcialidade.
Fundou o jornal “Unitário em 1903”, principal veículo de oposição à oligarquia de Nogueira Accioli, em um momento de sua vida em que ele retornava à sua posição de monarquista após assistir aos mesmos escândalos que o grupo político de Accioli já vinha cometendo há décadas.
JOÃO CORDEIRO (1842 – 1931)
João Cordeiro foi um empresário (industrial e comerciante) e político brasileiro.
Iniciou suas atividades econômicas como comerciante. Foi nomeado Diretor da Caixa Econômica do Ceará entre 1875 e 1879. Nesse período foi eleito Presidente da Associação Comercial do Ceará para o biênio de 1877 e 1878.
Era maçom e fazia parte da “Fraternidade Cearense”.
Foi senador pelo Estado do Ceará por duas legislaturas entre os anos de 1892 e 1905. Foi deputado federal de 7 de maio de 1906 a 31 de dezembro de 1908 e entre 3 de maio de 1909 a 31 de dezembro de 1911. No intervalo entre os mandatos de deputado, exerceu o cargo de "prefeito" do território de "Alto Juruá", parte do Acre, a convite do presidente Nilo Peçanha.
Foi Fundador e Presidente da “Sociedade Cearense Libertadora”, participante ativo do Movimento Abolicionista do Ceará.
Fundou o jornal “Libertador” e o periódico “Mossoroense” no Rio Grande do Norte.
Foi também secretário de Fazenda no Estado do Ceará, em 1889.
1885. O desembargador Miguel Calmon Dupin de Almeida foi empossado presidente da Província, nomeado por Carta Imperial de 9 de setembro. Foi exonerado a 16 de março, por decreto. Era filho do conselheiro Joaquim Liberato Barroso.
1886. Dec. Nº 9561 aprovando os planos de revisão dos estudos apresentados pelo Ceará Harbor Company, para construção das obras do Porto de Mucuripe.
Inauguração da Igreja do Coração de Jesus, e sagração do altar-mor pelo Bispo Dom Joaquim José Vieira (24 de março).
Inaugurou-se a nova Alfândega de Fortaleza.
CIDADE DA CRIANÇA
· A criação do Parque das Crianças foi inspirada na Lei Áurea, de 1888.
· O local passou por uma urbanização em 1890, chamando-se “Parque da Liberdade”.
· A inauguração oficial se deu em 1902, com a construção dos muros.
· Em 1922, o nome passou a ser “Parque da Independência”.
· Em 1936, recebe a denominação de “Cidade da Criança”.
· Em 1948, voltou a receber a denominação oficial de “Parque da Liberdade”.
· Com cerca de 27 mil metros quadrados de área, o parque “Cidade da Criança”, em 2021, passou a contar com novo piso acessível, sete ilhas pedagógicas, mobiliários urbanos, bicicletário e paisagismo.
1887. Criado e inaugurado o Instituto do Ceará (depois Instituto Histórico do Ceará). . Falece em Fortaleza Irmã Bazet, superiora por 22 anos do Colégio da Imaculada Conceição, prestando relevantes serviços à comunidade da Província.
1888. Posse do Dr. Antônio Caio da Silva Prado, na presidência da Província nomeado por Carta Imperial de 25 de março. Faleceu no exercício do governo no de 25 de maio de 1889. No dia seguinte assumiu a presidência o vice-presidente, desembargador Américo Militão de Freitas Guimarães.
Grandes festas populares em Fortaleza, por motivo da sanção da Lei Áurea - libertação dos Escravos oficiais por parte do Governo da Província, presidente Caio Prado.
1889. Ocorreu em Juazeiro do Norte o discutido episódio da transformação em sangue da hóstia na comunhão da beata Maria de Araújo, fato que tornou Juazeiro do Norte conhecido internacionalmente.
Proclamação da República no Ceará, sendo deposto o coronel Morais Jardim e substituído pelo coronel Luís Antônio Ferraz. De acordo com o Decreto Federal nº 1 de novo sistema político, as províncias passam a Estados-Membros da Repúblicas dos Estados Unidos.
FORTALEZA BELLE ÉPOQUE
Localizada na Europa ocidental, a França imprimiu seu nome na arte e cultura mundial, tendo irradiado um dos períodos mais ricos da história ocidental: a “Belle Époque”, cujos reflexos foram sentidos aqui em Fortaleza.Trata-se do período que vai do final do século XIX até o começo do século X, época em que a Europa foi varrida por um vento de euforia e de esperança diante da vida. Era um tempo de paz e de relativo bem-estar, mas esse sossego só durou até 1914 quando explodiu a I Guerra Mundial, da qual a França disse presente, assim como no segundo conflito (1939-1945).
Com população estimada em 60.180.529 de habitantes, desse total, mais de 40% vivem ao redor de Paris, a França, como acontece com grande parte dos países europeus, enfrenta o problema de envelhecimento da população. Estima-se que cerca de 40% do povo francês têm idade acima de 60 anos, contra uma taxa de crescimento de 0,4%. Constitui um dos principais centros culturais do mundo, destacando-se na literatura, música, pintura e arquitetura, além de despontar no centro do pensamento moderno, nos últimos anos, a França vem apresentando problemas sociais, principalmente relacionados com os migrantes.
No final do ano passado, alguns bairros parisienses reviveram as “barricadas” do famoso maio de 1968, só que de outra forma. A manifestação não foi dos seus estudantes, mas de migrantes e desempregados reivindicando melhores condições numa França que amarga taxa de desemprego de 9%. Considerado um dos países mais industrializados do mundo, a França se desta destaca também no setor turístico, além da moda, sobretudo da alta costura, vinhos, queijos e chocolates.
Uma das principais características da “Belle Époque” foi a supremacia da cultura francesa. Embora outras cidades europeias se destacassem como Londres, Berlim, mas era mesmo Paris que ditava as regras, servindo de modelo, pelo menos ao Ocidente. A reprodução desse momento foi sentida na arquitetura das cidades, em outras palavras, reforma urbana, representada pela abertura de grandes avenidas ou “boulevards”. Os efeitos da “Belle Époque” respingaram também no Brasil e em Fortaleza.
O clima da “Belle Époque” em nossa Capital foi sentido tanto no aspecto cultural, quanto no urbanístico e arquitetônico. Foram criadas também as grandes avenidas e dado um novo direcionamento urbano. O Passeio Público, por exemplo, é um dos símbolos da “Belle Époque” de Fortaleza, caracterizada pelos desfiles elegantes. Embora na Europa, essa fase tenha terminado com a I Guerra Mundial, aqui, o período se estendeu até os anos 1920.
A língua francesa era bastante falada, assim como a utilização de nomes em francês por proprietários de lojas e cafés, a exemplo do elegantíssimo café “Maison Art Noveau”.
I. GOVERNANTES DO CEARÁ DURANTE O PERÍODO IMPERIAL
1. Durante o Primeiro Reinado (1822 – 1831):
· Governo de Costa Barros (1824). O Dr. Pedro José da Costa Barros foi nomeado pelo império para o governo da Província em 14 de abril de 1824, permanecendo no poder até 28 de abril do mesmo ano.
· Governo de Tristão Gonçalves (1824). O governo de Tristão Gonçalves se divide em duas fases, sendo uma vinculada ao sistema regencial e outra, por extensão, ao sistema preconizado pela "República do Equador". Na primeira fase, sua posse se deu a 29 de abril de 1824, como resultado da eleição procedida em Fortaleza e referendada por expressiva maioria do Colégio Eleitoral. Em agosto de 1824, Tristão foi escolhido como presidente definitivo da Província, deliberando-se pela anexação do Ceará à Confederação do Equador. Portanto, governou até 17 de outubro de 1824. Passando, pois, o governo do Ceará para as mãos do Vice-presidente José Felix de Azevedo e Sá, que governou até 17 de dezembro do mesmo ano.
· Governo de Costa Barros (1824-1825). O Dr. Pedro José da Costa Barros assume novamente o governo cearense de 18 de dezembro de 1824 até 13 de janeiro de 1825.
· Governo de José Felix de Azevedo (1825-1826). Assumiu novamente o poder no Ceará, governando de 14 de janeiro de 1825 até 4 de fevereiro de 1826.
· Governo de Antônio Sales Nunes Berford (1826-1829). Antônio Sales assumiu o governo do Ceará em 5 de fevereiro de 1826. Nessa época o estado estava falido, castigado pela seca de 1825-26. Seu governo durou até 5 de janeiro de 1829.
· Governo de José Antônio Machado (1829-1830). Machado assumiu o governo do Ceará em 6 de janeiro de 1829, governando até 6 de abril de 1830.
· Governo de Joaquim Pereira da Silva (1830). Governo o Ceará de 7 de abril até 8 de julho de 1830, quando transferiu o cargo interinamente, para José de Castro e Silva.
· Governo de José de Castro e Silva (1830-1831). Governou o Ceará até 7 de dezembro de 1831.
2. Durante o Período Regencial (1831 – 1840):
· Governo José Mariano de Albuquerque Cavalcante (1831-1833). Assumiu o governo do Ceará, em 8 de dezembro de 1831, era um liberal originário de Santana do Acaraú, que participou da "Revolução de 1817" . Durante seu governo, foi instalada a Tesouraria da Fazenda Provincial com o objetivo de incrementar a arrecadação tributária. Ainda em seu governo, com a entrada em vigor do código de processo criminal do império, o Ceará foi dividido em 6 comarcas (Fortaleza, Sobral, Aracati, Icó, Quixeramobim e Crato).
· Governo Inácio Correia de Vasconcelos (1833-1834). Empossado a 26 de novembro de 1833, Vasconcelos revelou-se um péssimo governante, pois não soube como lidar com as revoltas dos sertanejos.
· Governo José Martiniano de Alencar (1834-1837). O padre José Martiniano de Alencar (Senador Alencar), foi um dos mais polêmicos políticos cearenses do século XIX. Ao lado do bom administrador ficou a controvertida postura de um homem autoritário, intolerante e oportunista. Em abril de 1835, Alencar instalou o Banco Provincial do Ceará, a primeira entidade bancária a funcionar no país, depois do Banco do Brasil criado por D. João VI no Rio de Janeiro em 1808.
· Governo Manuel Felizardo de Sousa e Melo (1837-1839). Assumiu a administração da província em dezembro de 1837. Foi um governante altamente conservador, passando a perseguir com toda força seus opositores.
· Governo João Antônio de Miranda (1839-1840). Assumiu o poder, a 15 de fevereiro de 1839, foi um presidente conservador, que passou o curto mandato a lutar contra a maioria liberal da Assembleia Provincial. Deixou o governo em 3 de fevereiro de 1840, indo administrar o Pará.
· Governo Francisco de Sousa Martins (1840). Foi mais um político sem escrúpulos, sem ética e sem caráter, que usou o poder somente para beneficiar a si e a seus aliados. Com o golpe liberal da maioridade, Francisco de Sousa Martins foi exonerado, entregando o poder provisoriamente, em 9 de setembro de 1840, ao Vice João Facundo de Castro Menezes.
· Governo João Facundo de Castro Menezes (1840). Governou de 9 de setembro ao final do mês de outubro do mesmo ano.
3. Durante o Segundo Reinado (1840 – 1889):
· Governo José Martiniano de Alencar (1840-1841). Com efeito do golpe da maioridade e da ascensão dos liberais ao poder central, o Senador Alencar foi novamente nomeado para presidir o Ceará em outubro de 1840. Nesse segundo mandato de Alencar, Sobral foi elevada à condição de cidade, com o nome de Fidelíssima Cidade de Januária de Acaraú (14 de janeiro de 1841). O padre, no entanto, ficou apenas seis meses no governo.
· Governo José Joaquim Coelho (1841-1843). A administração do Barão de Vitória foi marcada pela violência política, cujo exemplo maior foi o assassinato, em 8 de dezembro de 1841, do vice-presidente da província e chefe do partido liberal, major João Facundo de Castro. Durante seu governo se instalou a Secretaria de Polícia do Ceará, elevaram-se Aracati e Icó à categoria de cidade e substituiu-se o nome Cidade de Januária por Sobral. Governou o Ceará até março de 1843.
· Governo Inácio Correia de Vasconcelos (1844-1847). Durante esse segundo governo presidiu a inauguração do Liceu do Ceará(1845) e a conclusão das obras do Farol do Mucuripe.
· Casimiro de Morais Sarmento (1847-1848). Durante seu governo foi inaugurado a iluminação artificial de Fortaleza, além do primeiro cemitério da capital, o São Casimiro, o local onde se encontram as atuais dependências da RFFSA, tendo sido posteriormentetransferido para o arrabalde de Jacarecanga, onde até hoje se encontra, com o nome de Cemitério São João Batista.
· Governo Fausto Augusto de Aguiar (1848-1850). Durante seu governo imperou no Ceará o caos e a impunidade.
· Governo Inácio Silveira Mota (1850-1851). Durante seu governo foi lançada uma campanha contra os Feitosas, clã que chefiava o partido liberal da província dos Inhamuns.
· Joaquim Marcos de Almeida Rego (1851-1853). Seu governo foi marcado por uma epidemia de febre amarela, que provocou inúmeros óbitos.
· Governo Joaquim Vilela de Castro (1853-1854). Durante seu governo o Ceará foi assolado por uma grande epidemia de febre amarela que provocou inúmeros óbitos e provocou uma crise social sem precedentes.
· José Bento da Cunha Figueiredo Júnior (1860-1863). durante seu governo apresentou à Assembleia Legislativa Provincial um relatório que dá por extinta a população indígena do Ceará (9 de outubro de 1863).
· Governo Lafayette Rodrigues Pereira (1864-1865). Conhecido como conselheiro Lafayette, durante seu governo foram enviados os primeiros cearenses para a Guerra do Paraguai.
· Governo Francisco Teixeira de Sá (1873-1874). Durante seu governo foi instalada a Estrada de Ferro Baturité-Fortaleza (EFB).
· Governo Sátiro de Oliveira Dias (1883-1884). Durante seu governo promulgou-se a lei que fazia do Ceará "a primeira província a acabar com a escravidão".
· Governo Antônio Caio da Silva Prado (1886-1889). Governou o Ceará no período de transição da Monarquia para a República.
· Governo Jerônimo Rodrigues de Morais Jardim (1889). Foi deposto quando ocorreu o golpe da República, em 1889. Foi na verdade, o último presidente monarquista do Ceará.
II. A REBELIÃO DE CUNHA FIDIÉ (1822 – 1823)
D. Pedro I, após o 7 de setembro, ainda continuou como Príncipe Regente até 12 de outubro quando foi aclamado Imperador do Brasil.
Após a aclamação do imperador, algumas províncias ainda continuavam fiéis às ordens de Portugal, surgindo por isso, conflitos em terras brasileiras. Campo Maior e Parnaíba foram as primeiras vilas a se manifestarem favoráveis a Independência, após o grito de D. Pedro às margens do Riacho Ipiranga. Oeiras, a capital, estava fiel a Portugal. Em Campo Maior, Lourenço de Araújo Barros inicia a fabricação de pólvora como uma preparação para o movimento Lourenço foi denunciada e teve que responder pelo jeito em Oeiras, perante a junta governativa. Em Parnaíba, a 19 de outubro de 1822, foi proclamado a Independência do Piauí por: Simplício Dias, João Cândido de Deus, Domingos e outros.
De Oeiras, os dirigentes portugueses enviaram a Parnaíba, o chefe das armas João José da Cunha Fidié com suas tropas, cujo objetivo era sufocar o movimento dos rebeldes a Coroa Portuguesa.
Os combatentes tomaram a cidade tranquilamente, sem dispararem um só tiro.
Com a saúde da chefe das armas de Oeiras explode o movimento separatista. Os independentes proclamaram a independência elegeram uma junta de Governo Provisório.
Fidié deixa Parnaíba e se dirige a Oeiras, mas, próximo a Campo Maior, às margens do riacho Jenipapo, trava violenta batalha com os independentes que se achavam refugiados ali, à espera de Fidié.
Fidié vence a batalha por disciplina e armas, mas perde seu equipamento de guerra que fora roubado. Impossibilitado de enfrentar os independentes em Oeiras, regue em direção ao Estanhado (União), indo rumo a Caxias buscando auxílio no Maranhão. O auxílio não chegou a Fidié mais tarde foi preso e enviado a Oeiras e de lá seguiu para o Rio de Janeiro.
JOÃO JOSÉ DA CUNHA FIDIÉ
O major João José da Cunha Fidié, a bordo da charrua "Guerra Africana" saiu de Lisboa com destino a São Luís e seguindo de lá, para Oeiras.
Veterano de guerra, Fidié lutou contra as tropas de Napoleão Bonaparte. Ele chegou ao Brasil a 8 de agosto de 1821, e tal foi a pressa de seu embarque, que partiu sem ter recebido a devida ajuda do governo português para a viagem.
Logo após sua chegada tomou posse como chefe das Armas e tratou de criar novos Corpos de Milícias.
A missão de Fidié era conservar o Maranhão e sua zona de influências fiéis a Lisboa, em caso de emergência, pois Portugal sabia que a independência do Brasil seria apenas uma questão de tempo.
O eco da independência agitava a província, atingia Parnaíba, Campo Maior e Oeiras. Fidié recebeu "carta branca para agir".
Quando o grito de independência em Parnaíba mobilizou seu exército para combater os independentes. Em Parnaíba marchou glorioso com o recuo dos piauienses. Ao regressar a Oeiras, para combater o foco que surgiu em sua ausência, enfrentou violenta batalha que culminou com sua derrota, não no combate propriamente dito, mas pela ausência de seu equipamento de guerra que fora roubado, ficando impossibilitado de combater o movimento de independência que agitava Oeiras. Fidié foi preso, mas não sofreu danos físicos.
Batalha do Jenipapo: Campo Maior foi palco das mais importantes batalhas pela independência do Brasil: a batalha de Jenipapo. A batalha aconteceu às margens do rio Jenipapo onde militantes pró-independência do Brasil (campomaiorenses e cearenses recrutados por Leonardo Castelo Branco) aguardavam as tropas do Major do exercito português João José da Cunha Fidié, governador imposto do Piauí,que obrigatoriamente passaria pelo rio em direção a Oeiras, na época capital do estado. Fidié ao chegar na bifurcação da estrada que precedia o riacho dividiu as tropas em duas direções a cavalaria seguiria pela direita e a infantaria pela esquerda, sendo que ambas as estradas se encontrariam no rio Jenipapo, que estava seco. Os militantes pró-independência na maioria vaqueiros armados com foices e rústicas espingardas tiveram um primeiro encontro com a cavalaria de Fidié as margens do rio Jenipapo, houve troca de tiros e a cavalaria retornou pelo caminho sendo seguido pelos militantes pró-independência. Fidié ao chegar a margem do riacho acompanhado da infantaria, tendo ouvido os tiros,se alojou em posição de defesa na espera do retorno dos militantes. estes ficaram cercados pela infantaria e cavalaria, mas bravamente jogou-se contra os canhões de fidié posicionados no leito seco do rio. Fidié ainda perdeu muita munição estraviada por cearenses no calor do conflito. Fidié venceu a batalha que deixou muitos mortos. Mas já estava decidido o futuro da guerra! Fidié com pouca munição não poderia retornar a Oeiras e enfrentar o Barão da Parnaíba, aristocrata pró-independência que havia tomado a cidade. Desta forma ficou selada a independência do Piauí a favor do Imperador Dom Pedro I em 13 de março de 1823.
III. A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR (1824).
Em 1824, a chama ardente da revolução voltaria a incendiar o Nordeste; e mais uma vez, sairia de Pernambuco o grito de guerra. O Decreto de 12 de novembro de 1823, de D. Pedro I, dissolveu a Assembleia Constituinte, eleita com a finalidade de promulgar a constituição do novo Império. Esta, no entanto, se mostrou muito liberal para os desígnios do Imperador. Em Pernambuco, mantiveram-se inalteradas as condições estruturais que geraram movimentos como a Guerra dos Mascates no século XVIII e a insurreição de 17. O absolutismo de D. Pedro tendia a se respaldar nos elementos mais conservadores da sociedade, principalmente os portugueses, que, aproximando-se do Imperador, pretendiam manter os privilégios que remontavam ao período colonial. As ligações do Ceará com Pernambuco eram profundas à província, que nas suas origens tinha sido povoada em sua maior parte por colonos pernambucanos, permaneceu por muitos anos sob a jurisdição de Recife e seu porto ainda polarizava o comércio cearense. Além disso, a independência projetou para todo o Ceará a oligarquia dos Alencar e outras figuras do Cariri, cujos interesses estavam ligados a Pernambuco. A adesão à Confederação do Equador, que havia sido proclamada em 2 de julho de 1824, foi imediata, pois antes mesmo da proclamação, já haviam eclodido vários focos insurrecionais no Ceará : em 9 de janeiro, a Câmara de Quixeramobim declarou decaída adinastia de Bragança. O Padre Gonçalo Inácio de Loiola, mais tarde, Padre Mororó, espalhou pelo Icó, São Bernardo das Russas e Aracati o fogo revolucionário. Em 2 de fevereiro, Pereira Filgueiras e Tristão Gonçalves comandaram a adesão do Crato e se dirigiram à Fortaleza onde prenderam o comandante das armas, restabelecendo a autoridade da antiga junta governativa, na qual Filgueiras era o presidente e Tristão o comandante das armas. Muitos dos revolucionários, para salientar seu nacionalismo, alteraram seus nomes: Padre Gonçalo passou a chamar-se Mororó; Tristão Gonçalves, Tristão Araripe. Surgiram, então, Carapinima, Pessoa Anta, Ibiapina, Sucupira, etc. O presidente Costa Barros, indicado por D. Pedro, foi deposto e em seu lugar constitui-se um conselho dirigido por Araripe, que enviou emissários a outras províncias, visando sua adesão. Logo o movimento entraria em refluxo, e em Pernambuco, a repressão, dirigida pelo brigadeiro Luís Alves de Lima e Silva, foi fulminante, eliminando em pouco tempo o governo revolucionário; quem não conseguiu fugir, foi fuzilado. No Ceará , começou a se verificar deserções nas hastes equatorianas: José Félix de Azevedo e Sá, substituto de Tristão Gonçalves, que tinha ido dar combate aos monarquistas no Aracati, rendeu-se a Lord Cochrane, sem esboçar nenhuma reação ao cerco que este promoveu contra a Fortaleza, pelo mar Luís Rodrigues Chaves, que foi a Pernambuco dar auxílio ao conselho revolucionário, bandeou-se para os legalistas. Os demais foram presos ou chacinados, restando apenas Pereira Filgueiras e Tristão Gonçalves, tendo o Padre José Martiniano sido preso no interior de Pernambuco. Não vendo mais sentido em continuar a luta, Pereira Filgueiras depôs suas armas no Crato, vindo a falecer no Rio de Janeiro. Quanto a Tristão Gonçalves, em sua fuga desesperada pelo interior do Ceará , fugindo à sanha assassina de seus perseguidores, escreveu uma das páginas mais emocionantes da história cearense. A maior parte de seus amigos e parentes mais queridos estavam mortos, muitos trucidados de forma bárbara, sem direito sequer a um julgamento justo. Aos poucos, o cerco foi se fechando em torno dele, até que, em 31 de Outubro de 1824, foi assassinado às margens do rio Jaguaribe, no lugar de nome Santa Rosa, hoje Jaguaribara. No momento de sua morte várias partes do corpo lhe foram arrancadas; o cadáver permaneceu insepulto por vários dias, até resolverem enterrá-lo à sombra da igrejinha do lugar. No local de sua morte foi erigido um monumento que provavelmente será tragado pelas águas do açude Castanhão, projetado para ser construído naquela área. Para os que restaram prisioneiros, triste destino lhe foi reservado. Condenados à forca, nenhum carrasco se prontificou a executar a sentença, sendo a pena transformada em fuzilamento. Os primeiros a serem executados foram o Padre Mororó e Pessoa Anta. O comportamento do padre, na hora do fuzilamento, foi exemplar, não permitindo que lhe colocassem a venda nos olhos e indicando, com a mão no coração, o local que deveria ser atingido pelas balas. Pessoa Anta, por sua vez, não teve comportamento tão fleumático e, para seu azar, não morreu com a descarga do pelotão de fuzilamento, sendo morto a coronhadas. Dias depois foi a vez de Ibiapina, que foi fuzilado deitado, pois a varíola lhe atingira os pés, deixando-o incapaz de permanecer ereto. O último a ser executado foi Carapinima que, não sucumbindo à primeira descarga, ficou rodopiando no meio do Campo da Pólvora, enquanto os soldados iam ao quartel recarregar suas armas, demorando o tempo suficiente para que o pobre homem fosse alvo dos risos da multidão. Sua esposa, não suportando o espetáculo macabro, desmaiou, e só então, os executores completaram o terrível ritual. Terminava assim, em tragicomédia, a mais heroica passagem da história do Ceará.
República do Aracati - Na riqueza histórica de Aracati , há fatos marcantes, como a invasão da Vila pelas tropas rebeldes de Tristão Gonçalves, líder cearense da Confederação do Equador, em 1824. Os legistas aracatienses sustentaram a luta com a força de Tristão, que entrou na vila a 17 de outubro daquele ano, encontrou-a abandonada. A população fugira para Mossoró. Em seis dias Instalou, no prédio 81, da rua do comércio, o Palácio Provisório da Presidência da República do Equador.
Matriz vira barricada - Memorável encontro, no interior da Matriz pois era o maior prédio do lugar - foi realizado em 1824 para a adesão de Baturité à Confederação do Equador. O Chefe Tristão Gonçalves enviou 180 barris de pólvora, 220 carros de granadeiros, 3 barris de chumbo, um quintal de ferro e uma roda de aço, ficando toda essa carga guardada na Matriz, a cuja porta estavam sentinelas armadas.
Azevedo Bolão. Luiz Inácio de Azevedo, inflamado pela ideia republicana, aliou-se às hostes de Tristão Gonçalves, tomando parte no movimento revolucionário que ficou na história como República do Equador. Desbaratadas as forças rebeldes no Aracati, e morto Tristão Gonçalves em Santa Rosa, aí foi Azevedo feito prisioneiro, conduzido a Fortaleza e julgado com outros quatro patriotas, mártires da ideia, pela cruel comissão militar, chefiada pelo Coronel Conrado Jacó de Niemeyer. Azevedo Bolão foi fuzilado na manhã de 16 de maio de 1825. Pela sua compleição física, daí o apelido bolão, ao receber a descarga dos fuzis não morreu logo, conforme relato a seguir do Barão de Studart: “Foi um fato revoltante, horroroso, sucedeu quando da sua execução. “O Tiro de Honra” fendendo a cabeça da pobre vítima, fez saltarem os miolos e um dos militares presentes, o Alferes-ajudante Manuel da Silva Braga, conhecido por Braga Visão, chamou um cachorro e os deu a devorar. Um ato de canibalismo. Esse Braga Visão, assim chamado por causa do seu físico, muito alto e magro, de longas barbas brancas, fisionomia patibular, foi, juntamente com o Capitão Cabral e Teive, o Oficial comandante da tropa, que acompanhou ao suplício do Padre Mororó e do Cel Pessoa Anta.” Uma curiosidade foi o fato do registro de óbito de Bolão só foi lançado em 1835, dez anos depois do seu fuzilamento, por razões até então ignoradas. Azevedo Bolão tinha 40 anos quando foi fuzilado.
Carapinima. O ideal libertário da Confederação do Equador de 1824 motivou várias famílias cearenses a adotarem sobrenomes identificados com a nação brasileira. Feliciano José da Silva ficou conhecido na história como Carapinima, assim como seus companheiros revolucionários: Anta, Mororó, Ibiapina. Nascido em Minas Gerais, onde trabalhou em órgãos públicos, radicou-se no Ceará a partir de 1820, exercendo cargo de secretário do Governante Francisco Alberto Rubim. Na época, a província vivia um clima de revolta pela atitude arbitrária de D. Pedro I, que dissolveu a assembleia constituinte no Rio de Janeiro. Carapinima, favorável aos ideais republicanos, é nomeado Secretário de Pereira Filgueiras, Comandante das armas. Com a Confederação do Equador debelada pelas tropas do Governo inicia-se então o julgamento dos envolvidos. A comissão Militar condenou os acusados a pena de enforcamento, mas depois foi mudada para fuzilamento porque ninguém queria servir de carrasco dos revolucionários. Carapinima foi o último a morrer, em 28 de maio de 1825, no passeio público, sendo considerado como o mais sofrido dos mártires de 1824.
IV. A SEDIÇÃO DE PINTO MADEIRA (1832).
Em 1832 eclodiu outra insurreição no Ceará , só que desta vez, de caráter contrário às de 17 e 24. Joaquim Pinto Madeira era um grande proprietário e chefe político da vila de Jardim, no vale do Cariri. Conservador convicto, participara ativamente da repressão `aqueles dois movimentos. Era um partidário da monarquia absolutista e liderava na sua região uma sociedade secreta ultraconservadora a “Trono e do Altar”, uma espécie de TFP (Tradição, Família e Propriedade). Com a abdicação de D. Pedro I, em 1831, seus adversários vislumbraram a oportunidade de ir à forra das derrotas do passado, ainda não cicatrizadas. Passaram a hostilizá-lo continuamente, empurrando-ono sentido da radicalização de suas posições, Arregimentou em torno de si um verdadeiro exército, com a colaboração do vigário de Jardim, Antônio Manuel de Sousa que, de tanto abençoar as armas dos jagunços, sendo muito comum o uso de bastões de madeira, por falta de armas de fogo, recebeu a alcunha de “Padre Benze-Cacetes”. Com esse exército invadiu a vila do Crato, passando depois para o Icó, sendo daí rechaçado. Depois disso foram sofrendo reveses constantes até se renderem para o General Pedro Labatut, um mercenário francês que atuava no Brasil desde as lutas pela independência. Os dois insurretos foram presos e enviados para Recife e depois para o Maranhão. Pinto Madeira foi mandado de volta para o Ceará, que se encontrava presidido por seu arqui-inimigo José Martiniano de Alencar. Este, não se fez de rogado; enviou o réu para a vila do Crato, onde foi julgado de forma tendenciosa, sendo acusado da morte de um tal Joaquim Pinto Cidade, e não de crime político. Condenado à forca, foi fuzilado conforme pedido feito ao tribunal. Seu companheiro, o "Benze Cacetes", escapou da forca, vindo a morrer bem mais tarde, pobre e cego. Paralelo a esse conflito, ocorreram outros semelhantes, em outros pontos diferentes do país, porém, não se verificaram vínculos mais estreitos entre eles.
V. PARTIDOS CEARENSES (“CHIMANGO” E “CARANGUEJO”).
Compondo-se e desfazendo-se ao imperativo das circunstâncias, vão surgir a partir de 1837 os primeiros partidos políticos, propriamente ditos: o Partido Liberal e o Partido Conservador. Formaram-se, depois, o Partido Progressista, composto de liberais dissidentes, e, em 1870, o Partido Republicano.
O Partido Liberal e o Partido Conservador, que se alternaram no governo até o fim do Segundo Reinado (1840-1889), não apresentavam muitas diferenças. Os seus representantes mantinham o domínio político nas províncias, sem nenhuma representação popular.
No Ceará, as atividades políticas foram intensas e tiveram muitas vezes como palco a zona sul da Província. Nas refregas de 1817,1823, 1824 e 1832, as cidades de Crato e Jardim, estiveram sempre em campos opostos e os partidos apresentavam características comuns; tinham estrutura baseada no compromisso de defesa dos privilégios das classes dominantes, atuando como mecanismo de opressão e a representação dos grandes proprietários rurais e de suas famílias, formavam uma política eminentemente oligárquica.
As famílias Alencar, Castro e Silva, Fernandes Vieira, Paula Pessoa dominaram os rumos da política cearense, usando os partidos a que pertenciam em prol de seus interesses particulares.
À sua vez, os liberais; que tiveram raízes nas famílias Alencar e Castro e Silva, bipartiram-se, após a morte do chefe, Senador Thomaz Pompeu de Souza Brasil, em Pompeus ou “minus”, sob a chefia do genro deste, Antônio Pinto Nogueira Acioli; e os Paulas ou “ripardos”, obedientes ao conselheiro Antônio Joaquim Rodrigues Júnior.
Nas suas constantes desinteligências, por vezes as facções adversas se aliavam em coalizões objetivando um fim comum, e foi com os graúdos, unidos, aos Pompeus, e, com os miúdos, aos Paulas, que a República os encontrou. Perderam, então, de sentido, os partidos monárquicos, e os seus elementos, num explicável mimetismo, vestiram outras cores, particularmente a do Partido Republicano. A herança das tendências oligárquicas e do mimetismo partidário do período monárquico, sobreviveram durante todas as fases constitucionais por que passou o Brasil republicano.
VI. A SEDIÇÃO DE SOBRAL (1841).
O senador José Martiniano de Alencar, presidente do Ceará, chegou em Sobral no dia primeiro de dezembro de 1840, hospedando-se no palacete do seu amigo senador Francisco de Paula Pessoa, que depois foi o Palácio Episcopal e hoje corresponde ao Colégio Santana.
Viera com alguma força para induzir o tenente coronel Francisco Xavier Torres entregar o comando da Força Pública, o que até então não tinha querido fazer, a fim de evitar uma revolta, que se receava, das tropas enviadas para combater os Balaios.
Surgiram então em várias partes da Província sedições contra a administração, aliás muito profícua, do senador Alencar, começando por S. Bernardo, onde os insurgentes prenderam algumas autoridades e se apoderaram da Vila a vinte e três de novembro daquele ano. O fim era depor o presidente e substituí-lo pelo Dr. Miguel Fernandes Vieira, chefe da oposição.
A sedição em Sobral começou na noite de onze de dezembro, sendo o palacete do senador Paula alvejado pela força ao mando do tenente coronel Francisco Xavier Torres, empenhando-se um combate nas ruas da cidade, em que foram mortos quatro soldados e feridos oito, tendo a gente da legalidade dois soldados mortos e cinco feridos.
VII. O SENADOR ALENCAR.
José Martiniano de Alencar, padre e senador, desempenhou um papel de significativo destaque na fase que antecedeu a Maioridade de Pedro II. As confabulações parlamentares se realizavam em sua residência no Rio de Janeiro, ao lado de Quintino Bocaiuva e outros, no chamado “Clube dos Invisíveis”, cujo objetivo único era levar o jovem príncipe, até então com 15 anos, para o trono, sucedendo o pai, Pedro I, que abdicara em 1831.
Decretada a Maioridade, todos tinham certeza da escolha de Martiniano para compor o chamado Ministério da Maioridade. O escolhido, porém, foi o seu colega, senador Antônio Carlos. O qual, tão logo tomou conhecimento do fato, avisou que procuraria o Imperador para desistir em favor de Martiniano de Alencar, que, no seu entender, seria o candidato natural à condição de Ministro.
Martiniano, diante dessa atitude, chama Antônio Carlos a um canto da sala e lhe confessa o desejo verdadeiro - queria era ser presidente da Província do Ceará.
VIII. O CEARÁ NA GUERRA DO PARAGUAI.
O Ceará marcou presença na guerra do Paraguai. Foram 5.802 voluntários cearenses que combateram Solano Lopez e dois batalhões que mais se destacaram na guerra foram exatamente 26° e 14° formados pelos "cabeça-chatas". E dois dos grandes comandantes eram cearenses: o General Tibúrcio e o General Sampaio.
O Voluntário n° 1 - Chegada a Fortaleza a notícia que o Paraguai havia declarado guerra ao Brasil, no dia 28 de Janeiro de 1865 Israel Bezerra de Menezes dirigiu-se ao Palácio do Governo, comunicando ao presidente Lafaiete Rodrigues Pereira sua decisão de alistar-se no contingente de patriotas que lhe competiria recrutas. Aceita a inscrição de Israel Bezerra como Primeiro Voluntário da Pátria encarregou-lhe o governante cearense da missão de atrair o maior número possível de combatentes, atribuição iniciada na mesma data, através de uma passeata que se estendeu até as 08 horas da noite, quando já se fazia acompanhar por 53 voluntários. Tomando o destino da Frente de Batalha, Israel Bezerra teve presença marcante no combate contra os paraguaios, honrando o futuro tenente-coronel a sua pátria e seu torrão natal.
Jovita Feitosa - Aberto o voluntariado para a guerra do Paraguai em 1865, uma jovem cearense de apenas 17 anos chamada Jovita Feitosa nascida nos Inhamuns, utilizando vestes masculinos e cabelos a la homem, se apresentou no Piauí, precisamente em sua Capital Teresina. Descoberta sua identidade, mesmo assim seguiu no batalhão "Voluntários da Pátria" pra o Rio de Janeiro, onde receberiam o treinamento para os combates. Jovita treinava com fardamento especial - saiote e túnica mais apropriada aos contornos femininos. Contudo, na corte não lhe permitiram ir à guerra. Jovita foi vetada sob argumentos militaristas. Ela não voltou ao Ceará. Permaneceu na capital carioca após meses gloriosos, de homenagens e aplausos que se acostumou. Mas Jovita Feitosa foi definhando, absolutamente infelicitada pelo veto. Segundo uns, suicidou-se com uma punhalada no peito.
IX. O ABOLICIONISMO NO CEARÁ.
Abolição na Marra - Foi muito forte a ação de João Cordeiro na abolição dos escravos, no Ceará. Foi um radical extremado na liderança desse movimento. Contam que, nos estatutos da Cearense Libertadora, a entidade que presidia e que fundarapara a luta abolicionista, nos estatutos da nova entidade, de entrada se lia: Art. 1° - Libertar escravos, seja por que meio for. Art. 2° - Todos por um e um por todos. A seguir, conclamou os presentes para o movimento, advertindo aos que, por terem ligações com o governo, não pudessem participar abertamente da luta, naquele instante se retirassem, que perdoados estariam. Poucos ficaram no salão e foi com este grupo que iniciou o grande embate, que se tornaria vitorioso, pois o Ceará foi o primeiro estado da federação a libertar os escravos. Vale revelar que nessa sessão, João Cordeiro, ao proferir a citada advertência puxou o punhal espetando-o na mesa, numa demonstração de que o movimento era pra valer.
O movimento Abolicionista Cearense, surgido em 1879, contribui ,embora não decisivamente, para esta abolição pioneira. As ações repercutem no país e os abolicionistas, gente de elite, brava e culta, são ovacionados pela imprensa abolicionista nacional.
Entre eles, há, porém, uma pessoa humilde, de cor parda, trabalhador do mar: Chico da Matilde.
Chefe dos jangadeiros, ele e seus colegas se engajam à luta já em 1881, recusando-se a transportar para os navios negreiros os escravos vendidos para o sul do país.
Chico da Matilde é levado para a Corte com sua jangada, desfila pelas ruas, e ganha novo nome, mais pomposo e mítico: Dragão do Mar, tornando-se símbolo da resistência popular cearense contra a escravidão.
X. A PADARIA ESPIRITUAL (1892).
Padaria Espiritual: A diversão do fortalezense em fins do século XIX era o Passeio Público: vaivém de moças em saias rodadas, corpetes justos, carmim nas faces e rapazes, na calçada oposta, em fatiotas engomadas, incompletas se não portassem chapéu, colete e lapela em flor. A crescente circulação de pessoas e negócios na cidade estimulou o aparecimento de famosos cafés na Praça do Ferreira, logo tornando-se uma nova alternativa da sociedade. Nas mesas do Café Java, o primeiro a funcionar, de propriedade de Manuel Pereira dos Santos, tipo mais singular de Fortaleza, o popular Manuel Côco, se encontravam os chamados "bacharéis" - intelectuais de formação universitária - para longos debates sobre letras, entre eles Antônio Sales, Ulisses Batista, Tibúrcio de Freitas, Álvaro Martins, Temístocles Machado e Lopes Filho. Nestes encontros transparecia a insatisfação geral quanto ao marasmo literário em que a cidade se encontrava, resultando na criação da Padaria Espiritual, agremiação literária mais importante de Fortaleza, fundada por Leonardo Mota. Por ocasião das reuniões da Padaria, Mané Coco obsequiava seus amigos intelectuais com aluá e, às vezes, empinava enorme balão em que se lia o dístico "Padaria Espiritual". E então Mané Coco, de fraque e sem gravata, explicava aos basbaques circunstantes que o seu aerostato, subindo ao céu, ia dizer ao Reino da Glória pra quanto prestava a gloriosa "Padaria Espiritual do Ceará". A Instalação da Padaria Espiritual, entretanto, se deu no número 105 da Rua Formosa (atual Barão do Rio Branco) e não no Café Java, como muitos podem pensar. Antônio Sales escreveu o Programa de Instalação, que acabou sendo transcrito em um jornal do Rio de Janeiro, o que deu grande status ao movimento. Seu lema era "alimentar com pão o espírito dos sócios e da população em geral". Os títulos nessa academia seguiam o padrão usado nas padarias reais: Forno: a sede do movimento Padeiro-mor: o presidente Forneiros: os secretários Gaveta: tesoureiro Investigador das cousas e das gentes: bibliotecário Amassadores: sócios Amassado a cada domingo, um jornalzinho de oito páginas intitulado O Pão circulou seus 36 irreverentes números até se finar, segundo dizia seu padeiro-mor, Antônio Sales, de ``caquexia pecuniária''. Na foto acima temos o encarte com a primeira edição do jornal criado pela Padaria Espiritual, em 1892. O Programa de Instalação não permitia que se usassem, em quaisquer publicações, palavras estrangeiras ou animais que não os nativos do Brasil, numa postura radicalmente nacionalista. A importância do movimento se deu pelo fato dele haver proporcionado a consolidação do Realismo e o nascimento do Simbolismo no Ceará. No período de funcionamento do Forno, juntamente com o periódico O Pão, foram lançadas importantes publicações e alguns livros de grande importância para a literatura brasileira como: Phatos (1893) de Lopes Filho Marinhas (1897) de Antônio de Castro Flocos (1894) de Sabino Batista Contos do Ceará (1894) de Eduardo Sabóia Cromos (1895) de X. de Castro Trovas do Norte (1895) de Antônio Sales Os Brilhantes (1895) de Rodolfo Teófilo Dolentes (1897) de Lívia Barreto Maria Rita (1897) de Rodolfo Teófilo Perfis Sertanejos (1897) de José Carvalho Em dezembro de 1898, depois de 6 anos de funcionamento, a Padaria "fecha". Nessa atmosfera fervilhante e paralelamente ao movimento da Padaria Espiritual, acontece a fundação da Academia Cearense de Letras, em 15 de agosto de 1896, quando, mais uma vez, os intelectuais locais valorizam-se com seu movimento de vanguarda, já que esta foi a primeira academia de letras do país, surgindo mesmo antes da própria Academia Brasileira de Letras. Em 1992, em comemoração ao centenário da Padaria Espiritual, outro grupo de escritores, artistas plásticos, músicos e amantes da arte em geral pôs a mão na massa e O Pão tornou a circular, como o seu ilustre antepassado, distribuindo os biscoitos finos da imaginação.
O CEARÁ NO PERÍODO REPUBLICANO (1889 – ...)
O enfraquecimento do Império Brasileiro deu-se, sobretudo, no período entre 1870 e 1880 e esteve diretamente relacionado com as transformações que ocorreram na sociedade brasileira, tais como: a urbanização, o crescimento industrial, o desenvolvimento das camadas sociais urbanas, a introdução do trabalho assalariado, a abolição dos escravos e, também, as consequências da Guerra do Paraguai, como vimos em capítulos anteriores.
O Governo Imperial mostrava-se incapaz de resolver os problemas do Brasil. Não atendia às aspirações populares e não tinha habilidade política para evitar os confrontos com o Exército e a Igreja, explodindo, assim, alguns conflitos que enfraqueciam a autoridade Imperial.
A República nasceu de uma conspiração entre militares, cafeicultores de São Paulo e alguns membros da classe média urbana, todos unidos para derrubar a Monarquia.
Finalmente, no dia 15 de novembro de 1889, os militares do Exército, unidos aos fazendeiros de café, derrubaram o Governo Imperial e proclamaram a República no Brasil.
A Proclamação da República veio por intermédio do Marechal Deodoro da Fonseca; sem luta direta do povo, que permanecia, também na República, à margem das decisões políticas e sujeito às imposições das classes dominantes economicamente. Esperava-se, entretanto, que essa nova situação mudasse o País e que todos os cidadãos brasileiros pudessem participar, com igualdade de condições, do processo político no Brasil.
No dia seguinte à Proclamação, organizou-se, no Rio de Janeiro, um governo provisório chefiado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Com ele, o Exército chegava, então, a um longo período de liderança política no Brasil.
No Ceará, a ideia republicana espalhava-se rapidamente. O movimento republicano, no entanto, apenas fortaleceu-se, quando se uniu a outro, igualmente forte, o movimento de libertação dos escravos. Antes da Proclamação da República, já havia movimentos pela república no Ceará, impulsionados por meio da fundação de organizações republicanas: Clube Republicano de Aracati, fundado por Júlio César da Fonseca Filho; Clube Republicano de Saboeiro; Centro Republicano de Fortaleza, sob a direção de Antônio Pereira de Brito etc.
Entre esses movimentos, destacou-se o Centro Republicano de Fortaleza, que tinha suas idéias defendidas pelo jornal “O Libertador”. Possuía, contudo, pouca representatividade popular, fato que não causou grande preocupação para os conservadores e os liberais do Ceará, que continuavam suas alianças políticas, motivados por interesses pessoais e de acordo com a conveniênciade cada grupo político.
A Proclamação da República foi comunicada, oficialmente, ao Ceará, por intermédio de um telegrama, com a notícia da implantação do novo regime republicano. Para o Ceará, a República chegou meio como surpresa. As autoridades, os partidos republicanos, o povo e a elite não esperavam que a República nascesse naquele momento e de forma inesperada.
Assim, pelo Decreto no 1, as Províncias passaram a Estados-Membros da República dos Estados Unidos do Brasil.
No dia 16 de novembro de 1889, o último Presidente da Província do Ceará, Coronel Morais Jardim, numa reunião no Palácio do Governo, alertou para a gravidade da situação e recusou a proposta de adesão à República nascente. De imediato, entretanto, muitos dos cearenses apoiaram a República. O 11º Batalhão de Infantaria, os alunos da Escola Militar e os oficiais da Marinha logo abraçaram a nova forma de governo e demonstraram apoio da seguinte forma:
. Reuniram-se na praça dos Mártires (Passeio Público) para comemorar a Proclamação da República, com discursos e gritos de “Viva a República”!
. Marcharam para o Palácio do Governo e, por onde passavam, destruíam placas, estátuas e tudo o que lembrasse o antigo Império.
. Chegando ao Palácio do Governo, depuseram, sem resistência, o último Presidente da Província do Ceará, o Coronel Jerônimo Rodrigues de Morais Jardim, que governou por apenas um mês.
Em 18 de novembro de 1889, foi indicado para administrar, provisoriamente, o Estado do Ceará, o Comandante do 11º Batalhão, Coronel Luís Antônio Ferraz. Alguns republicanos, porém, não concordaram com a escolha de Ferraz, pois ele havia sido um fiel servo da monarquia, mas não puderam fazer nada, pois eram os militares que, na época, detinham o poder. Com a Proclamação da República, os antigos monarquistas tiveram seus partidos dissolvidos e, sem sucesso, tentaram ingressar no Centro Republicano de Fortaleza, para conservar o eleitorado, enquanto fundavam partidos de forma que se adequassem à nova realidade política do País. Em dezembro de 1889, o antigo Centro Republicano foi transformado em Partido Republicano Cearense e passou a abrigar novas adesões à República, organizados em centros, em todo o Ceará. Esses novos .centros. filiavam seus integrantes ao Partido Republicano, impedindo, assim, que os antigos monarquistas fundassem outras instituições partidárias e ganhassem força política. Neste período, no ano de 1890, foi fundado o Primeiro Partido Operário cearense. Era composto, principalmente, de tipógrafos e sapateiros. Propunha-se a denunciar as más condições de vida e de trabalho da classe operária.
No Ceará, da mesma forma que em outros estados do Brasil, muita gente ficou decepcionada e achou que aquela não era a República com a qual haviam sonhado, porque não acarretou liberdade para o povo e muito menos significou igualdade de direitos: os ricos continuaram ricos e os pobres, mais pobres ainda.
Mudava a forma de governo no Brasil, mudavam as pessoas que estavam à frente do Governo, mas a situação deles continuava do mesmo jeito. A falta de esperanças em melhores dias causava muita insatisfação e até desespero na maioria da população brasileira.
Proclamada a República, os estados brasileiros passaram a instalar suas assembleias constituintes. Em 16 de junho de 1891, foi promulgada a primeira Constituição cearense. Participaram dessa constituinte pessoas de renome nacional, como o jurista Clóvis Beviláqua, autor do Projeto do Código Civil, e o educador Agapito dos Santos.
A primeira Constituição Federal da República foi promulgada em 24 de fevereiro de 1891. Determinava que, até o final do ano de 1892, todos os estados deveriam ter sua carta constitucional.
Então, em 16 de junho de 1891, deputados e senadores cearenses (sistema bicameral), promulgaram nossa primeira Carta. Em 1892, houve modificação no sistema bicameral, passando o colegiado a denominar-se Assembleia Legislativa, composto exclusivamente de deputados, antes constituído de senadores e deputados. Em fevereiro de 1891, Luís Antônio Ferraz, governador do Estado do Ceará, por motivo de doença, deixou o Governo, morrendo um mês depois no Recife.
Assumiu o seu lugar o vice, João Cordeiro que, no entanto, ficou por pouco tempo no poder, em virtude da sua forte oposição ao Presidente da República do Brasil, Deodoro da Fonseca. Indicou-se para substituí-lo o ex-combatente da Guerra do Paraguai, José Clarindo de Queiroz. Assim, em maio de 1891, foi instalado o Congresso Cearense Constituinte, que elegeu para governador do Estado o General de Divisão José Clarindo de Queiroz e para vice-governador do Estado o Major Benjamin Liberato Barroso. O segundo governador republicano, General Clarindo de Queiroz, foi deposto do cargo antes mesmo de completar o primeiro ano de governo por ter apoiado o fracassado golpe de Deodoro da Fonseca. O golpe de Deodoro foi uma tentativa de barrar a oposição e centralizar o poder em suas mãos. Fechou o Congresso Nacional, decretou Estado de Sítio, estabeleceu a censura e prendeu vários líderes adversários. A oposição reagiu ao golpe, forçando a renúncia do então Presidente da República.
A deposição de Clarindo de Queiroz:
No dia 16 de fevereiro de 1892, os cadetes da Escola Militar do Exército e da Marinha cercaram o Palácio do Governo do Ceará, exigindo a renúncia de Clarindo de Queiroz. Munidos de canhões e metralhadoras, iniciaram o bombardeio ao Palácio da Luz.
O então governador do Estado, Clarindo de Queiroz, com o apoio da Polícia Militar, reagiu, mas, no dia seguinte, com o Palácio crivado de balas, resultando na morte de treze pessoas e sem munição, rendeu-se, finalmente, aos inimigos. Entregou o cargo ao líder da manifestação, o Tenente-Coronel e Dirigente do Colégio Militar José Freire Bezerril Fontenelle.
Foi forte a oposição ao Governo de Clarindo de Queiroz. Ficou, apenas, nove meses no poder, partindo para o Rio de Janeiro, onde morreu torturado em uma prisão. O Coronel José Freire Bezerril Fontenelle transferiu o Governo, no dia seguinte, ao Vice-Governador do Estado, Major Benjamin Liberato Barroso. Nessa época, em julho de 1892, foi promulgada a 2ª Constituição Estadual, legitimando, oficialmente, o novo Governador do Estado, o mesmo Tenente José Freire Bezerril Fontenelle e, como Vice-Governador do Estado, Nogueira Accioly. O Governo de Bezerril Fontenelle agradou muito ao eleitorado. Em sua administração, preocupou-se com as finanças do Ceará, acumulou quantias consideráveis nos cofres públicos do Estado, fazendo com que a população aceitasse a indicação de seu sucessor, o Dr. Antônio Pinto Nogueira Accioly.
1. O Palácio da Luz, residência oficial dos governantes do Estado do Ceará, foi a antiga residência do Capitão-Mor Antônio de Castro Viana, onde, também, funcionaram a Câmara Municipal, a Sede do Governo, a Biblioteca Pública, a Casa de Cultura Raimundo Cela e hoje, funciona a Academia Cearense de Letras.
2. A Academia Cearense de Letras foi fundada em 15 de agosto de 1894. É a mais antiga do Brasil, antes mesmo da Academia Brasileira de Letras, que foi fundada em 1896. Destacamos, entre os seus fundadores, o Dr. Guilherme Studart (Barão de Studart), Thomaz Pompeu de Souza Brasil, Justiniano de Serpa, Marcos Franco Rabelo e Farias Brito. Os objetivos da Academia não eram exclusivamente literários; além das letras propriamente ditas, utilizavam o campo das ciências, da educação e da arte, de um modo geral, para propagarem a cultura cearense.
3. O importante Jornal .A República. foi resultado da fusão dos jornais .Libertador . e .Estado do Ceará.
Após a Proclamação da República, a política nacional colocou em lados opostos os antigos republicanos cearenses, que acabaram se dividindo em duas facções:
a) os deodoristas . liderados por Antônio Luiz, Rodrigues Júnior, Gonçalo de Lagos, fundaram o jornal .O Norte. para divulgar suas idéias políticas. Esse grupo era chamado de maloqueiros (pivetes, bandidos, mal-educados);
b) os anti-deodoristas . liderados por João Cordeiro, que continuou à frentedo Centro Republicano e do Jornal “Libertador”, rompem com Deodoro devido aos destinos tomados pela República. Esse grupo era chamado pelos adversários de cafinfins (piolho que ataca galinhas, conhecido também por cafute).
4. Os antigos oligarcas aproveitaram-se do desmembramento dos republicanos. Rodrigues Junior aproximou-se dos maloqueiros, e Nogueira Accioly aliou-se aos cafinfins, obtendo em julho de 1892 a fusão do Centro Republicano com a União Republicana, até a formação do Partido Republicano Federalista (PRF). Esse novo grêmio tinha como órgão oficial de divulgação o jornal “A República” , fusão dos jornais “O Libertador” e do “Estado do Ceará”.
PADARIA ESPIRITUAL, GRÊMIO LITERÁRIO – 130 ANOS
A Padaria Espiritual foi uma das mais singulares agremiações culturais tanto do Ceará como do Brasil. Por ela passaram escritores que ajudaram a compor parte significativa da atividade artística e da imprensa na província cearense. O intuito de seus idealizadores era despertar, na sociedade, o gosto pela arte. Como já havia precedentes de sociedades artísticas, muitas delas de caráter formal e retórico, eles decidiram produzir algo original e até mesmo escandaloso, que repercutisse no gosto do povo. Antônio Sales redigiu seu programa de instalação e foi um dos principais responsáveis pela publicação do jornal da agremiação, O Pão. A Padaria Espiritual não era uma sociedade exclusivamente das Letras, mas das artes em geral, pois o grêmio contou tanto com prosadores e poetas, quanto com pintores, desenhistas e músicos.
ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS – 1894
Entidade literária máxima do Estado do Ceará. É a mais antiga das Academias de Letras existentes no Brasil, fundada em 15 de agosto de 1894, três anos antes da Academia Brasileira de Letras.
A história da ACL é dividida em três partes. A primeira tem início em 15 de agosto de 1894 quando foi fundada, e vai até 17 de julho de 1922, quando Justiniano de Serpa lhe promoveu a reconstituição. Esse primeiro período foi áureo para as letras cearenses, quando a inquietação de intelectuais já havia motivado a criação da Padaria espiritual, dois anos antes de sua fundação. O Ceará ocupava então importante papel dentro do movimento literário nacional, tendo se antecipado inclusive à criação da Academia Brasileira de Letras, fundada três anos depois da ACL, e à Semana de 22.
Foi fundada como Academia Cearense e a primeira revista foi publicada em 1896, com periodicidade anual até 1914. Seu primeiro presidente foi Tomás Pompeu de Sousa Brasil (II). Iniciou as atividades com 27 membros.
A segunda fase tem início em 1922, quando Justiniano de Serpa, diante da situação em que se encontrava a instituição com somente oito membros ainda residentes em Fortaleza, reorganiza-a sob a nova denominação de "Academia Cearense de Letras". Neste novo formato, foram ampliadas as vagas, passando então para as atuais 40 cadeiras. Foi deste mesmo período a denominação dos patronos. No ano seguinte ao de sua reformulação, a morte de Justiniano de Serpa em 1 de agosto de 1923 fez a instituição ficar na penumbra até 1930.
Em 21 de maio de 1930 foi instalada a reunião de reorganização da instituição, agora em definitivo até os nossos dias, na casa de Tomás Pompeu. Desde então sua revista passou a ser publicada ininterruptamente.
Um fato especial traz novos ares à Academia: sua instalação no Palácio da Luz, em 1989, quando, depois de funcionar de 1978 a 1986 no Palácio Senador Alencar, que fora sede da Assembleia Legislativa e hoje abriga o Museu do Ceará, e em salas do Edifício Progresso, a Academia conhece sua sede definitiva.
A atual sede da Academia corresponde à antiga sede do Governo do Ceará, um importante prédio que faz parte do conjunto arquitetônico da Praça General Tibúrcio (dos Leões), em Fortaleza.
1896: início da Oligarquia Acciolyna
Em julho de 1896, tomou posse no cargo de governador do Estado do Ceará o Comendador Antônio Pinto Nogueira Accioly. No mesmo período, assumiu a Presidência da República Campos Sales, que consolidou a oligarquia cafeeira paulista e idealizou a chamada política dos governadores.
Accioly criou linhas telegráficas estaduais, ligando Fortaleza ao restante do Estado, com objetivo de ter o domínio das comunicações, facilitar a política oligárquica do Ceará e neutralizar a oposição.
Foi enviado dinheiro do Governo de Campos Sales para a construção de cinco pontes sobre o rio Pacoti, a estrada de ferro ligando Fortaleza a Uruburetama e para a encampação do Porto do Mucuripe. Nada foi concluído ou realizado, mas o dinheiro desapareceu dos cofres públicos. Surgiram divergências e desconfianças entre o Governo local e o povo.
É agravada a situação política de Accioly com o descaso de seu governo para com os flagelados da seca, ocorrida entre 1898 e 1900.
Fortaleza foi atingida pela fome, tuberculose e por uma forte epidemia de varíola. O Governo de Accioly não se interessou em imunizar a população, não fazia o menor esforço para adquirir a vacina, e ficava contra as pessoas que tentassem fazer alguma coisa para aliviar o sofrimento da população faminta e castigada pelas epidemias. Oficialmente, divulgava-se o boato de que a varíola era produto das vacinas e não uma epidemia causada por vírus, altamente contagioso.
Rodolfo Teófilo, farmacêutico da época, aceitou o desafio de enfrentamento da epidemia e produziu uma vacina de boa qualidade, fez campanha de esclarecimento e aplicou vacinas naquelas pessoas que aceitavam. Seu movimento foi considerado pelos Governos federal e estadual, não como uma campanha pela saúde e sim como uma afronta. Foi desmoralizado e acusado de infectar a população com sua vacina.
O Governo local, também, proibiu a migração de cearenses para outros Estados, com objetivo de evitar o êxodo dos eleitores. A proibição, entretanto, não foi acatada e muitas pessoas deixaram o Estado do Ceará.
Por se achar dono da situação, Nogueira Accioly não colocou a máquina administrativa para fazer valer a proibição, tampouco mobilizou-se para conter a epidemia de varíola e, assim, não conseguiu fazer seu sucessor. Assumiu o candidato da oposição, Dr. Pedro Augusto Borges, eleito novo governador do Ceará.
1900: a tentação do poder
No dia 12 de julho de 1900, assumiu o governo do Estado do Ceará o médico militar Pedro Augusto Borges, formado pela Faculdade da Bahia e Tenente-Coronel do Corpo de Saúde do Exército. Pedro Borges foi colocado no poder com o objetivo de desmascarar e terminar com a carreira política de Nogueira Accioly. No início de seu governo, dedicou-se a analisar as contas do Estado à procura de irregularidades do governo de Nogueira Accioly. Pedro Borges dispôs-se a denunciar e a divulgar, publicamente, as fraudes, os desvios de verbas públicas, o nepotismo (os cargos nas mãos de familiares) e a corrupção do governo de Accioly.
Diante da atitude de Pedro Borges, Accioly propõe um acordo político: que o governador .esquecesse. as acusações, acordando que a Assembleia Legislativa, de maioria acciolyna, daria apoio total a sua eleição para o Senado após o término de seu mandato de governador do Estado. O acordo foi aceito por Pedro Borges e seu governo tornou-se uma continuação de Nogueira Accioly: com autoritarismo, corrupção e forte repressão às manifestações populares.
No final de seu mandato, com o domínio total do processo eleitoral, houve apenas uma troca: Pedro Borges foi para o Senado e Nogueira Accioly para o seu segundo mandato ao governo do Estado. E tudo ficou como era antes: os que mandavam continuaram no poder.
Fortaleza Belle Époque: foi conhecido como o processo de remodelação (embelezamento) de Fortaleza. Foi projetado segundo o modelo parisiense, pois era a metrópole mais civilizada e charmosa do século XIX. A base desse processo chegou pela influência de firmas estrangeiras instaladas em Fortaleza. A marca registrada de Paris eram os cafés, e em Fortaleza, na década de 1880, foram construídos elegantes cafés nos quatro cantos da Praça do Ferreira. Lá se encontravam os principaisestabelecimentos comerciais, repartições públicas e o ponto de partida e chegada dos bondes. Em Fortaleza, como em muitas capitais do País, o .afrancesamento. tomou conta da cidade, pois era sinal de prestígio e refinamento. Utilizavam-se termos e nomes franceses onde fosse possível: nomes de figuras populares, títulos concedidos a autoridades, restaurantes, cafés, confeitarias, farmácias, lojas etc. As lojas vendiam artigos europeus como: tecidos, sapatos, perfumes, chapéus, bijuterias, conservas, bebidas, máquinas e peças de automóveis.
Enquanto a elite se deleitava com as novidades vindas da Europa, como suntuosas construções de residências e de clubes sofisticados, com festas pomposas, expressões francesas por toda a parte e roupas elegantes, na mesma época, existiam tipos populares que debochavam da alta sociedade cearense que se fazia “afrancesar”. Houve deboches não só pelas mudanças dos nomes nacionais por “nomes franceses”, mas, também, pela espiritualidade popular que tudo satirizava. É o Ceará moleque, uma forma humorística de criticar o “afrancesamento” que tomava conta da cidade. A expressão “Ceará Moleque” vem da época em que se faziam piadas pelas coisas da França.
1904: o repeteco
Assumiu, pela segunda vez, o governo Estado do Ceará o Comendador Antônio Pinto Nogueira Accioly. A partir de 1904, intensificou-se a luta da oposição contra Accioly, por meio da união de várias classes: antigos oligarcas, a burguesia comercial, a classe média, populares e alguns coronéis; todos contra a política econômica do Estado, que cobrava altos impostos aos comerciantes locais e beneficiava o comércio exterior com leves impostos para importação e exportação, favorecendo, apenas, um pequeno grupo que o apoiava.
Os opositores de Accioly lutavam para que:
a) os comerciantes locais tivessem uma maior participação política no Estado;
b) os antigos oligarcas haviam garantido seus privilégios, porém, desejavam derrubar a oligarquia acciolyna dominante para impor a deles;
c) os coronéis, muitos de Sobral, do norte do Estado (com grande atividade comercial), foram prejudicados pela política econômica da oligarquia acciolyna;
d) setores das classes média e popular, além dos altos impostos e do elevado custo de vida, desejavam maior participação nas decisões políticas cearenses.
As oposições usavam como instrumento de luta jornais e entidades de classe: o Centro Artístico Cearense (composto por operários e artesãos), a Fênix Caixeiral (órgão que representava os interesses de comerciantes) e a Associação Comercial. Essas entidades tiveram grande importância para o fim da oligarquia acciolyna. O governo de Accioly reagia às críticas e, como desagravo e com dura punição, policiais à paisana destruíam jornais e espancavam os opositores, fazendo com que várias pessoas fugissem do Estado temendo a repressão. Os jornais pró-Accioly faziam calúnias e até falsificavam documentos para destruir os opositores. A oligarquia acciolyna, por sua vez, procurava fortalecer suas bases fora da Capital, que continuavam submissas ao Governo e à vontade dos coronéis do sertão. Em 1907, Accioly fez aprovar uma lei, que feria a Constituição Federal, possibilitando sua reeleição sucessiva para o cargo de Governador. Conseguindo seu intento, organizou novas eleições.
1908: o “tri”
Nogueira Accioly iniciava seu 3º Governo do Estado, por uma série de irregularidades e sua reeleição causou grande revolta e descontentamento da sociedade.
Accioly considerava o Estado do Ceará como propriedade particular. Os cargos de alto escalão do seu governo eram distribuídos entre seus familiares, praticando o nepotismo, isto é, familiares ocupando cargos públicos.
Nessa época, o Ceará, encontrava-se em boa situação econômica, pois houve grande safra de algodão, assim como o retorno de muitos cearenses que haviam migrado para a Amazônia. Eles retornavam com dinheiro para investir no Ceará.
Atendendo aos pedidos do Governador Accioly, contudo, a Assembleia Legislativa e a Câmara Municipal de Fortaleza permitiram que esse dinheiro fosse empregado em atividades que não beneficiavam a economia do Estado, dando a isenção de impostos e perdoando tributos.
Por isso, o Governo começou a sofrer grande desgaste, sobretudo pelas denúncias da oposição sobre as corrupções praticadas, gerando revolta popular na Capital e nas cidades vizinhas.
O Governo, por sua vez, reagia às oposições políticas de seus adversários. A polícia reprimia as manifestações populares com bastante violência. Havia, ainda, tentativas de assassinatos, corrupção de juízes e utilizavam a imprensa, por meio dos jornais .A República e .O Tempo., para a publicação de matérias contra a oposição, contendo calúnias e difamação. Existiu, inclusive, a falsificação de documentos, inculpando os adversários políticos de Accioly. As práticas de corrupção eram muitas, como, por exemplo, a carne consumida em Fortaleza era comercializada pelo primo de Nogueira Accioly. Se alguém tentasse comercializar carnes vindas de municípios vizinhos, tinha sua mercadoria recolhida por policiais, sob o comando do Governo, por fazer concorrência ao parente do Governador.
Havia, ainda, na época, muito lixo espalhado pela cidade. O responsável pela coleta de lixo era amigo íntimo de Nogueira Accioly, fato que impedia o Intendente do Município (Prefeito) de tomar qualquer iniciativa em relação à limpeza de Fortaleza.
Todos esses fatos levaram à derrocada e à desmoralização do governo Nogueira Accioly, que logo foi deposto do poder.
A oposição a Accioly aumentou quando os estivadores do Porto de Fortaleza (Ponte dos Ingleses) entraram em greve. Foi a primeira greve do Estado, por não concordarem com os alistamentos obrigatórios para a Marinha de Guerra. Accioly requisitou o Batalhão de Segurança para obrigá-los a voltarem ao trabalho. Houve confronto armado entre operários e policiais, que contou com o saldo de sete mortos e 40 feridos (todos populares), pela ação do Capitão do Porto Luís Lopes da Cruz. Houve grande indignação popular, quando se condenava o governo pelo fato de não ter intervindo na hora certa, evitando o massacre de populares.
O poder dos coronéis e o nepotismo de Nogueira Accioly, que empregava seus parentes, compuseram o Governo. Isso ocorria porque no Ceará, durante muitos anos, a família Accioly dominou a política estadual. Em parte, a continuidade de seu domínio político dependia do controle dos principais cargos que, por isso mesmo, eram distribuídos a parentes próximos ou distantes.
1912: a renúncia
Em 1912, a Liga Feminina (Organização das Senhoras e Senhoritas de Fortaleza) organizou uma passeata saindo do Passeio Público em favor da candidatura do Coronel Marcos Franco Rabelo à Presidência do Estado, contra o ocupante desse cargo, Nogueira Accioly. Circulou, na cidade, a informação de que Accioly iria reprimir a passeata.
Então, o Coronel José Faustino foi convidado pela Liga Feminina para comparecer à manifestação e garantir a ordem, mesmo contra a vontade do Governo. A passeata foi um grande sucesso, fortalecendo a decisão popular de tirar a família Accioly do poder. Dessa forma, as relações tornaram-se cada vez mais tensas entre o Governo e a população.
Por fim, para desmoralizar totalmente o Governo Accioly, já desgastado pelas denúncias de corrupção, organizou-se outra passeata, a “Passeata das Crianças”, reforçando a candidatura opositora de Franco Rabelo para o Governo do Estado. A “Passeata das Crianças”, também organizada pela “Liga Feminina e Pró Rabelo”, contava com a presença de 600 crianças, todas vestidas de branco com enfeites verde e amarelo, portando um medalhão com a foto de Franco Rabelo. Nessa manifestação, policiais, a mando de Accioly, atacaram crianças e adultos com a cavalaria. Crianças foram pisoteadas pela multidão e pelos cavalos. Algumas levaram tiros e muitas foram agredidas pela polícia. Uma criança de 10 anos foi morta por um policial que, logo em seguida, foi morto por um cabo do exército, revoltado com tamanha agressão e barbaridade.Após muita confusão nas ruas de Fortaleza, Antonio Pinto Nogueira Accioly foi pressionado pela população a renunciar. Contam que o Palácio da Luz, sede do Governo, foi cercado durante dias por populares. Trocaram tiros, cortaram a luz e, após alguns dias, Accioly finalmente renunciou. Após a queda de Nogueira Accioly, partidos políticos começaram a se organizar; contudo, as mesmas forças oligárquicas continuaram no poder, isto é, faziam-se representar nesses mesmos partidos.
As forças políticas dividiram-se da seguinte forma:
a) Partido Republicano Democrata., também chamado de “partido Rabelista”, liderado por Tomás Rodrigues, João Tomé Saboya e Moreira da Rocha;
b) Partido Republicano Conservador., liderado por José Accioly (filho de Nogueira Accioly) e Floro Bartolomeu (Juazeiro do Norte).
Nenhuma dessas forças oligárquicas liderou completamente, pois havia constante alternância no poder; no entanto, dominaram a História Política do Ceará durante muito tempo. Esses partidos revezavam-se no poder e, somente em 1930, com a Revolução Getulista, tais partidos foram extintos. Após todas aquelas manifestações populares, assumiu, então, o governo do Ceará, o vice de Accioly, o Coronel Antônio Frederico de Carvalho Mota, que ficou no poder até as próximas eleições majoritárias. As eleições para a escolha de novo governante foram bastante concorridas. Disputaram Franco Rabelo e o General Bezerril Fontenele. Esse último, candidato oficial de Nogueira Accioly, foi derrotado por Franco Rabelo.
PASSEATA DAS CRIANÇAS
Em 1912, dava-se a queda da oligarquia Nogueira Accioly, depois de 16 anos encastelado no governo do Ceará (1896-1912). No dia 24 de janeiro daquele ano, a população de Fortaleza, impossibilitada de derrotar o oligarca pela via eleitoral em razão do controle fraudulento das eleições pela oligarquia, conseguiu depô-lo através das armas. Foram três dias de luta na cidade, com tiroteios, trincheiras, barricadas, praças depredadas, bondes virados, fábricas incendiadas e centenas de mortos.
Essa inédita revolta popular armada em Fortaleza foi a explosão de uma indignação crescente contra o autoritarismo e desmandos da oligarquia aciolina. Para se manter no poder por tanto tempo, a oligarquia contou com o apoio político do Governo Federal e de coronéis do Interior (a “política dos governadores”), e usou e abusou da fraude eleitoral, voto de cabresto, nepotismo, desvios de verbas. Ademais, espancou adversários, empastelou jornais oposicionistas e reprimiu trabalhadores, como foi o caso em que a polícia disparou contra os catraieiros que ousaram fazer greve a 3/1/1904, matando sete e ferindo 40.
A partir dessa chacina, a oposição política à oligarquia cresceu na Capital reunindo oligarquias dissidentes, profissionais liberais, comerciantes, populares e intelectuais como Rodolfo Teófilo, João Brígido e Antônio Sales.
O decisivo apoio do “salvacionismo” (1911), campanha encetada por militares e civis para moralizar a política brasileira e “salvar” os estados do arbítrio das oligarquias então no poder (e em seu lugar entronizar oligarquias dissidentes), encorajou a oposição a lançar o militar salvacionista Franco Rabelo às eleições de 1912 para o governo estadual, contra o candidato indicado por Accioly.
A campanha pró-Rabelo galvanizou a insatisfação da população citadina e a mobilizou através de comícios, cordéis e panfletos. Duas grandes passeatas foram realizadas (as primeiras da história cearense) com milhares de acompanhantes: as das moças e das crianças. Na primeira (dia 14/1/12), nenhuma repressão ocorreu, mas na passeata das crianças (21/1/12), surpreendentemente, a cavalaria policial investiu sobre a massa, pisoteando, atirando e matando uma criança. Foi o estopim: na noite desse dia, 21, iniciou-se tiroteio entre populares e polícia que só terminaria no dia 24 com a deposição de Accioly. A vitória foi intensamente festejada na cidade.
Franco Rabelo foi eleito, mas, dois anos depois foi deposto por intervenção federal no Estado. Daí em diante, apesar de continuarem a existir grupos oligárquicos no Ceará, não houve mais oligarquia monolítica no Estado.
1912: tudo igual
Em 1910, Hermes da Fonseca chegou à Presidência da República, tendo uma administração bastante agitada, cheia de manifestações populares. Apesar das pressões, o Presidente da República apoiou a “Política das Salvações”, isto é, acordo político firmado para conseguir manter-se no poder, por isso, indicando Franco Rabelo como candidato ao governo do Ceará. Essa indicação mobilizou toda Fortaleza, revoltada com Accioly, garantindo a vitória de Franco Rabelo, que foi eleito com uma grande maioria de votos que, não foram suficientes para mantê-lo no cargo de governador do Estado. Com a vitória nas eleições, Franco Rabelo encerrava o período de domínio da oligarquia acciolyna. Não acabava, entretanto, o poder de Accioly, que ainda tinha o domínio de importantes cargos políticos e, também, contava com a fidelidade de vários deputados estaduais. Franco Rabelo, para ter sua vitória reconhecida pela Assembleia Legislativa, precisava da aprovação de 16 dos 30 deputados da Assembleia Legislativa. Teve que entrar em acordo com os acciolystas, em troca da negociação de alguns cargos políticos. Permitiu a indicação de dirigentes dos municípios e, entre eles, a indicação de Padre Cícero para Intendente de Juazeiro. O Coronel Franco Rabelo assumiu o cargo de governador do Estado com a aprovação de apenas 12 deputados, fiéis a Nogueira Accioly, ferindo a legislação em vigor, que exigia a aprovação de 16 deputados. Esse fato causou grande revolta e indignação por parte dos correligionários de Rabelo. Ele foi uma grande decepção para seus aliados, fato que gerou grande desgaste de seu governo. Os que haviam apoiado o Coronel acusaram-no de traição. Em seu governo, teve de enfrentar a Sedição de Juazeiro, conflito armado exigindo sua renúncia, comandada pelo então deputado federal Dr. Floro Bartolomeu, com apoio ativo do Padre Cícero Romão Batista, fundador de Juazeiro e, na época, grande líder espiritual. O governador Franco Rabelo mandou as tropas policiais para sufocar a revolta de Juazeiro, contudo, não conseguiu seu intento. Os romeiros revoltosos vieram até Fortaleza, exigindo a deposição imediata de Franco Rabelo. Tomou posse, como Interventor Federal, o Coronel Fernando Setembrino de Carvalho.
Fortaleza sempre teve a tradição de resistência e oposição contra as forças retrógradas. A população revoltou-se contra os desmandos do Governo Accioly.
Foram incendiadas a casa de Nogueira Accioly e a Fábrica Progresso, também de sua propriedade. Cerca de 1.500 pessoas cercaram o palácio de Nogueira Accioly, que ficou sem água, luz e alimentos.
Os opositores de Nogueira Accioly exigiram :
a) que ele não mais se candidatasse ao Governo do Ceará;
b) que ele pedisse ao Presidente da República ajuda para conseguir permanecer na Presidência do Estado;
c) que ele deixasse, imediatamente, o Palácio da Luz;
d) mas permitiram que fosse para o sul do Brasil, com toda a família, deixando em Fortaleza dois familiares como reféns.
1912: a Sedição
Teve início, em dezembro de 1912, na cidade de Juazeiro do Norte, o movimento armado que culminou com a deposição do então governador do Estado, o Coronel Marcos Franco Rabelo. O movimento foi comandado pelo deputado federal Floro Bartolomeu da Costa, sob o patrocínio do Padre Cícero Romão Batista, com oposição ao Governo de Franco Rabelo.
Floro Bartolomeu da Costa, após trabalhar nos sertões de Pernambuco e na Bahia, como jornalista, médico e tabelião, chegou em Juazeiro do Norte no ano de 1908, em companhia de um cidadão francês à procura de minérios e pedras preciosas. Tornou-se rapidamente amigo de Padre Cícero. Ele foi homem de confiança, médico particular e, também, exercia grande influência sobre Padre Cícero.
Tudo começou da seguinte forma: Floro Bartolomeu resolveu a questão da mina de Coxa de propriedade de Padre Cícero, demarcando os limites de terra à força, e não de forma legal e, como consentimento do Padre, formou um grupo de jagunços e, à bala, demarcou as terras. Esse médico teve grande destaque na História do Ceará, contribuindo de forma decisiva na emancipação de Juazeiro, pois tornou-o município. Antes, era apenas Distrito do Crato. Com apoio de Pe. Cícero, elegeu-se deputado estadual e logo depois, deputado federal. Em 1909, Juazeiro do Norte deixou de recolher impostos e mobilizou mais de mil pessoas para um confronto aberto em oposição ao Governo estadual. Esse fato fez com que, no ano de 1911, Nogueira Accioly cedesse às pressões populares e, principalmente, de Floro Bartolomeu, tornando Juazeiro do Norte município e nomeando Padre Cícero como 1o Intendente. Padre Cícero fez história e tornou-se o maior líder político do Cariri. Juntamente com Floro Bartolomeu, influiu nas eleições para Presidente da República, ajudando a eleger o Marechal Hermes da Fonseca. Em 1911, durante o governo do Presidente da República Hermes da Fonseca, o Ceará foi palco de um movimento rebelde de sertanejos. Essa revolta, ocorrida em Juazeiro, foi liderada por Padre Cícero Romão Batista, pessoa muito querida entre o povo nas proximidades do Cariri e até mesmo em outras cidades do Nordeste. Os sertanejos do Padim Ciço lutavam para derrubar o Presidente do Ceará, que havia sido colocado no poder pelo Presidente Hermes da Fonseca, o mesmo que havia contribuído para a derrubada do poder da família Accioly e colocado em seu lugar o Coronel Franco Rabelo. Ocorreu que os Acciolys eram velhos aliados do Padre Cícero, o qual havia assinado, com outros coronéis do sertão da região, um acordo, pelo qual esses poderosos se comprometiam a se protegerem mutuamente, garantido a permanência dos Acciolys no Governo estadual. Padre Cícero não se limitou apenas a ficar na igreja, rezando missa, fazendo batizado e encomendando defuntos. Como grande líder que era, assumiu, também, destacado papel na política. Foi eleito Intendente de Juazeiro e Vice-Presidente do Ceará, quando o Presidente do Estado era o Dr. Nogueira Accioly. Era, portanto, aliado político dos Acciolys e, como tal, havia assumido o compromisso de garantir a oligarquia acciolyna na direção do Estado. Por isso mesmo, quando aconteceu a revolta popular em Fortaleza, que terminou derrubando Nogueira Accioly do Governo, o Padre Cícero liderou um movimento armado - a Sedição de Juazeiro - que tinha por objetivo expulsar o novo Presidente do Ceará, o Coronel Franco Rabelo, e entregar o Governo, de volta, à Accioly. A Sedição de Juazeiro foi um movimento armado, ocorrido no Ceará entre os anos de 1913 e 1914. Para entender a Sedição, precisamos lembrar que o governo de Franco Rabelo só foi efetivado por um acordo firmado com Nogueira Accioly, obtendo o apoio de deputados da Assembleia Legislativa para eleger-se.
Em 1912, os representantes da Assembleia Legislativa tentaram acabar com o mandato de Franco Rabelo, mas não conseguiram. Outras tentativas formam feitas e, novamente, fracassadas. Por fim, para a esperada deposição de Rabelo, foi necessária a intervenção de Padre Cícero e Floro Bartolomeu, que lutaram e conseguiram a cassação de Franco Rabelo. A revolta contra o governo Franco Rabelo decorria, também, do fato de que esse governante estava perseguindo e demitindo todas as pessoas que eram aliadas dos Acciolys no Ceará. O Padre Cícero chegou a ser demitido do posto de Intendente de Juazeiro. Além disso, sob o pretexto de combater os cangaceiros, Franco Rabelo enviou tropas policiais para invadirem o Cariri, ocasionando saques e muita destruição nas cidades por onde passavam, além de perseguirem e prenderem vários partidários da oligarquia acciolyna. Por isso mesmo, na Sedição de Juazeiro, o Padre Cícero teve que pedir apoio de muita gente: os coronéis do sertão, que eram chefes políticos e, também, aliados da oligarquia acciolyna; os cangaceiros, que colocaram suas armas à disposição, bem como uma multidão de romeiros, vindos de outras regiões do Ceará e da Paraíba, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, todos dispostos a morrer para defender o Padim Ciço. Chegando a Fortaleza, o grupo rebelde conseguiu, finalmente, tirar Franco Rabelo do poder. Em seu lugar, o Presidente da República, na época, o Marechal Hermes da Fonseca (1910 a 1914), colocou outro dirigente, que ficou como interventor, até serem realizadas novas eleições. Podemos dizer que a Sedição de Juazeiro foi vitoriosa? Na verdade, ela conseguiu o objetivo a que se propunha: derrubar o Coronel Franco Rabelo do governo; no entanto, como toda revolta armada, teve como consequências mortes, fome, miséria, destruições, roubos, saques de cidades e muita violência. Além da Sedição de Juazeiro, aconteceu também no Cariri, durante a República Velha, outro fato ligado ao Padre Cícero, muito importante na História do Ceará: o “Fenômeno do Caldeirão”, que veremos no decorrer deste livro.
1. No Ceará, após a Sedição de Juazeiro, foram formados dois grupos partidários: os democratas e os conservadores.
2. Os integrantes do Partido Conservador cearense também eram chamados de marretas.
O Pacto dos Coronéis aconteceu em 4 de outubro de 1911. Foi assinado e registrado em cartório. Ocorreu quando Padre Cícero era Intendente de Juazeiro e, aconselhado por Floro Bartolomeu, reuniu 17 lideranças do vale do Cariri, selando um acordo que pretendia acabar com as sangrentas lutas locais entre os coronéis que usavam a força para ganhar suas causas e selar o apoio a Nogueira Accioly, colocando-se a favor. O Pacto não atingiu seus objetivos e, em janeiro de 1912, Nogueira Accioly foi deposto numa revolta popular. Após a Sedição de Juazeiro, os fazendeiros da região do Cariri voltaram a disputar o poder local em brutais conflitos armados. . Os partidos dessa época não tinham ideologia, isto é, um objetivo social ou ideal. A única reivindicação política a atingir era a participação na distribuição de prestígio, poder e cargos oficiais.
Nesse período, o Presidente da República decidia a política que deveria orientar os estados brasileiros e, assim, todos os setores da política eram submetidos aos seus desígnios.
1914: a intervenção
Em 15 de março de 1914, foi nomeado pela Presidência da República como interventor do Ceará o General Setembrino de Carvalho, homem de confiança do Presidente, Hermes da Fonseca. No seu governo, uma das primeiras medidas foi entrar em contato com Floro Bartolomeu e com Padre Cícero, com o objetivo de fazer retornar de Fortaleza ao sul do Ceará (Cariri) as pessoas que ajudaram a derrubar Franco Rabelo, para reorganizar suas bases de apoio político. A assessoria de Setembrino de Carvalho foi composta pelas principais forças envolvidas no combate da Sedição de Juazeiro, ocasião em que oligarcas e coronéis, apoiados, também, pelo Presidente Hermes da Fonseca e pelo senador Pinheiro Machado, conseguiram legitimar a deposição de Franco Rabelo. Em 15 de maio de 1914, realizaram-se eleições para a Presidência do Estado, cujo eleito concluiria o mandato interrompido de Franco Rabelo, até o ano de 1916. O Presidente Hermes da Fonseca, por sua vez, impunha aos cearenses a candidatura de Liberato Barroso como forma de atenuar ressentimentos dos oficiais das Forças Armadas, após a queda de Franco Rabelo. Para a primeira, segunda e terceira vice-governadorias do Estado do Ceará, foram indicados, respectivamente: o Padre Cícero Romão Batista, Aurélio de Lavor e Gustavo Lima. Os partidários de Franco Rabelo não lançaram candidatos e somente Benjamin Liberato Barroso concorreu à eleição como candidato da oposição. Um grande número de eleitores de Fortaleza não compareceu às urnas por considerar, ainda, Franco Rabelo legítimo governador do Estado. Já no restante do Estado, mobilizaram razoável número de eleitores. Os coronéis, por meio de fraudes e violência, conseguiram, mais uma vez, impor a vitória de seu candidato: Liberato Barroso. Assim, em 12 de julho de 1914, acabou a intervenção federal e o poder foi entregue a Benjamin Liberato Barroso, eleito por quantidade inexpressiva devotos.
O Coronel Benjamim Liberato Barroso já havia governado, por pouco tempo, o Ceará, em 1892, quando da deposição do Presidente Clarindo de Queiroz. Ficou afastado do poder por 22 anos e sua vitória na eleição deu-se, também, pelo apoio de Hermes da Fonseca. Quando reassumiu o Governo em 1914, encontrou o Ceará em péssima condição econômica e foi obrigado a fazer novas alianças, desprezando o apoio dado pelos conservadores acciolynos, procurando adequar-se às exigências impostas pelo Presidente Hermes. Liberato Barroso, vendo-se pressionado pela conjuntura política e econômica, passou a perseguir, violentamente, os antigos rivais. Entre suas medidas, destacaram-se:
a) vetou um projeto de lei que indenizaria Floro Bartolomeu pelos gastos na .Sedição de Juazeiro.;
b) dissolveu o Batalhão da Polícia do Estado, formando novo grupo armado, composto, principalmente, de jagunços, com o intuito de desarticular o esquema militar existente em Juazeiro; e
c) colocou em ação o poder de repressão contra quem fizesse oposição ao seu governo.
Pressionado pelo subsequente Presidente da República, Venceslau Braz, Liberato Barroso indicou, como seu sucessor, João Tomé de Sabóia e Silva, engenheiro e rico fazendeiro vindo do norte do Ceará. Essa candidatura foi aceita pelas principais correntes políticas do Estado e João Tomé assumiu o governo do Ceará.
Em 1916, iniciou-se, então, o Governo de João Thomé de Saboya. Sua administração foi marcada por incentivos à economia. Entre suas principais medidas, encontravam-se:
a) colocou em dia o funcionalismo público;
b) construiu açudes, poços e estradas;
c) conseguiu, com a ajuda do Presidente da República, Epitácio Pessoa, melhorar a safra agrícola entre 1916 e 1918. Nesse período, a safra de algodão mostrou enorme crescimento, sendo responsável por cerca de 75% da renda total do Ceará.
No Governo de Thomé de Saboya, Fortaleza atravessava fase de grande crescimento. Os trabalhadores começavam a se organizar para lutar em favor dos seus direitos; foi uma época conhecida pela crescente onda de movimentos populares, que eclodiam nas mais diversas localidades do Ceará. A cidade de Fortaleza tomava ares de modernidade, aparecendo os primeiros automóveis, os bondes elétricos e casas de espetáculos, como o famoso Cine Majestic, localizado na Praça do Ferreira.
João Tomé de Saboya, contudo, permanecia totalmente ligado às antigas oligarquias, sendo, inclusive, candidato de consenso de todos os partidos da época. Apesar disso, ele não conseguiu manter por muito tempo aliança com esses grupos políticos e sua intenção de reeleição não foi acatada pelo Presidente da República, Epitácio Pessoa, que indicou, para seu lugar, Justiniano de Serpa, que venceu as eleições desse período.
SEDIÇÃO DO JUAZEIRO – 1914
Trata-se de uma revolta que aconteceu durante a chamada “República Velha” no Ceará, em que o então Governo Federal (Marechal Hermes da Fonseca) resolveu intervir na realidade política dos Estados (Política das Salvações), a fim de esvaziar o poder político das oligarquias tradicionais.
Ocorreu no sertão do Cariri, interior do Ceará, em reação à interferência do poder central contra a política do coronelismo.
Sob a liderança de Floro Bartolomeu, Nogueira Acióli e do padre Cícero Romão Batista, um exército de camponeses resistiu à invasão das forças do governo federal e marchou até Fortaleza, invadindo a capital e depondo Franco Rabelo.
Após a revolta, padre Cícero sofreu retaliações por parte da Igreja. Entretanto, permaneceu como eminência parda da política cearense por mais de uma década e não perdeu sua influência sobre a população camponesa, que passou a venerá-lo como santo e profeta. Em Juazeiro do Norte, um enorme monumento erguido em sua homenagem atrai, todos os anos, multidões de peregrinos.
Em 15 de dezembro de 1913, uma assembleia dissidente, no Ceará, declarou o governo de Franco Rabelo como ilegal, nomeando, prontamente, um governo provisório com Floro Bartolomeu como presidente. Mas, três dias mais tarde (em 18 de dezembro), Rabelo enviou tropas estaduais para uma invasão à cidade do Crato e, em seguida, a Juazeiro, sob comando de Alípio Lopes para dar fim à sedição.
Quando os soldados de Rabelo chegaram a Juazeiro do Norte se depararam com uma situação inusitada: Padre Cícero, sob os conselhos de Antônio Vilanova, ex-combatente da Guerra de Canudos, e seus romeiros cavaram um valado (espécie de trincheira) ao redor de toda a cidade, que ficou conhecido como o "Círculo da Mãe das Dores". A primeira ofensiva, no dia 20 de dezembro, marcou apenas a primeira derrota das forças rabelistas, que decidiram recuar até Crato e pedir reforços. Franco Rabelo enviou mais soldados e um canhão para invadir Juazeiro do Norte. No entanto, o canhão falhou e as forças rabelistas foram facilmente derrotadas pelos revoltosos.
Em 24 de janeiro de 1914, Crato foi ocupada pelas tropas dos sediciosos de Juazeiro, como eram chamados. Os revoltosos seguiram para Fortaleza com o objetivo de derrubar o governador, com a ajuda do senador Pinheiro Machado, e a ocuparam em 19 de março de 1914. Junto com a tropa federal, os combatentes de Floro Bartolomeu ainda ocuparam Miguel Calmon, Senador Pompeu, Quixeramobim e outras cidades. Cercado, Franco Rabelo não teve como reagir e foi deposto em 15 de março de 1914.
Hermes da Fonseca nomeou interinamente Fernando Setembrino de Carvalho, enquanto novas eleições foram convocadas. Benjamin Liberato Barroso foi eleito governador e Padre Cícero vice novamente
1915: a seca
Em 1915, o Ceará foi atingido por longa estiagem. Foi a conhecida “Seca do 15”, que ocorreu no período da Presidência do Liberato Barroso. Essa foi uma das piores secas de nossa História. O Ceará, sem recursos financeiros e pela total insensibilidade do Governo brasileiro, enfrentou uma situação muito difícil, quando:
a) camponeses e animais morriam de fome e de doenças;
b) mais de 40 mil nordestinos migraram para a Amazônia e para o sul do País;
c) o solo nordestino tornou-se improdutivo em razão da falta de chuvas;
d) aumentaram a pobreza, o número de cangaceiros e todo tipo de violência política, econômica e social.
Sobre a “Seca de 15”, a escritora cearense Rachel de Queiroz descreveu o cenário cearense durante esse grande flagelo: Novamente a cavalo no pedrês Vicente marchava através da estrada vermelha e pedregosa, orlada pela galharia negra da caatinga morta. Na Seca de 1915, os cascos do animal pareciam tirar fogo nos seixos do caminho. Lagartixas davam carreirinhas intermitentes por cima das folhas secas do chão que estalavam como papel queimado. O céu, transparente que doía, vibrava, tremendo feito uma gaze repuxada. Vicente sentia por toda parte uma impressão ressequida de calor e aspereza. Verde, na monotonia cinzenta da paisagem, só algum juazeiro ainda escapa à devastação da rama... E o chão, que em outro tempo a sombra cobria, era uma confusão deslocada de galhos secos, cuja agressividade ainda acentuava pelos espinhos (QUEIROZ, 1948, p. 12).
Essa importante escritora cearense faleceu no dia 4 de novembro de 2003. No livro indicado acima, Rachel deixou claro que a miséria nordestina não ocorria apenas pela questão climática (falta de chuva), como era dito pelas oligarquias; na verdade, a pobreza acontecia pela importância que o Governo não dava à questão da seca no Nordeste brasileiro.
1920: a crise
Muita gente estava descontente com o Governo brasileiro. Industriais, setores da classe média urbana e as classes trabalhadoras. Cada um tinha os seus motivos de insatisfação contra o governo, e só visava ao atendimento dos seus próprios interesses, isto é, dos privilégios dos produtores de café. Na década de 1920, essas insatisfações aumentaram e o Brasil foi abalado pelas revoltas armadas. Por que as insatisfações e revoltas se intensificaram somente na década de 20? Vejamos, a Primeira Guerra Mundial terminou em 1918 e, depois da Guerra, o mundo passou a viver uma época de grandes transformações. Aconteceram mudanças políticas, sociaise econômicas em todo o mundo. Surgiram países e outros deixaram de existir. Algumas ideologias (comunismo, capitalismo) passaram a predominar, influindo e alterando o modo de viver... Até nas artes e na literatura ocorreram mudanças.
Parecia que o mundo queria se libertar das lembranças e iniciar outra era. Tudo mudava, mas, no Brasil, a república dos fazendeiros de café continuava com o mesmo modelo político ultrapassado. Marginalizava-se a maioria do povo brasileiro e, utilizando de meios corruptos e desonestos para se manter no poder, a oligarquia cafeeira, ao contrário do que acontecia no mundo, não aceitava qualquer tipo de mudança, temendo pôr em risco os seus interesses. A partir de 1920, entretanto, um grupo levantou-se contra o governo dos fazendeiros. Foram os oficiais do Exército, especialmente os de baixa patente: os cadetes, tenentes e capitães, que lideraram a chamada Revolta Tenentista.
Formados na concepção “salvacionista”, isto é, de que a missão do Exército era salvar o Brasil do caos, esses oficiais não se conformavam com o tipo de governo que havia se instalado no País. A revolta aumentava, ainda mais, por causa da carestia de vida. Contribuiu, também, para aumentar a revolta desses oficiais o fato de o Governo privilegiar muito mais as forças públicas estaduais (Polícia) do que o Exército. E, acima de tudo, revoltavam-se por serem sistematicamente obrigados a pegar em armas e lutar em defesa de um Governo que condenavam. A situação era essa, de muita desconfiança, quando em 1922, aconteceram as eleições para escolha do Presidente da República, nos mesmos moldes corruptos da “Política Café-com-Leite”, ao eleger um paulista, ou um mineiro, que apenas revezavam-se no poder. Antes das eleições serem realizadas, todo mundo já sabia qual o próximo candidato que seria eleito para governar o Brasil. Então, dezoito oficiais que serviam na Escola Militar e no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, revoltados contra tanta corrupção e mesmice, resolveram se rebelar, impedindo, pela força das armas, que o novo Presidente eleito (o paulista Arthur Bernardes), tomasse posse do Governo e continuasse perpetuando o domínio “café-com-leite” no Brasil. Essa revolta, conhecida como a “Revolta dos Dezoito do Forte de Copacabana”, foi um protesto contra tudo o que havia de corrupto na República dos Fazendeiros. Esse movimento, no entanto, foi esmagado e só dois dos oficiais conseguiram sobreviver; mas, dois anos mais tarde, em 1924, ocorreu nova revolta, conhecida como “Tenentista”, dessa vez, em São Paulo. Outra vez, as tropas do governo agiram com rapidez e os revoltosos, para não se renderem, tiveram que sair de São Paulo, fugiram em direção ao sul do Brasil. Chegando ao Paraná, os oficiais paulistas encontraram-se com outro grupo de oficiais rebeldes, vindos do Rio Grande do Sul. Uniram-se e formaram o movimento chamado “Coluna Prestes”, liderado pelo Capitão Luís Carlos Prestes. Durante dois anos, a “Coluna Prestes” percorreu o interior do Brasil, tentando, por onde passava, fazer com que a população se rebelasse contra a “República café-com-leite”.
Nessa caminhada, os tenentes puderam observar as injustiças sociais, os sofrimentos e a miséria do povo brasileiro. Eram muito maiores do que se podia imaginar. Puderam, ainda, constatar que o domínio e a exploração, exercidos pelos “coronéis do sertão” sobre os sertanejos, eram tão fortes que, dificilmente, o povo teria igualdade de condições de lutar contra o Governo que os oprimia. Sem apoio e, por isso mesmo, sem condições reais de vitória, a .Coluna Prestes. terminou por se desfazer, mas seus integrantes não desistiram de lutar para mudar a situação do Brasil.
Década de 1920:
Justiniano de Serpa, de origem humilde, com muito esforço e estudo, conseguiu fazer carreira política. Foi jornalista, advogado, juiz de Direito, exerceu por várias vezes o cargo de deputado e participou de campanhas abolicionistas e republicanas. Cumpriu vários mandatos legislativos no Pará, local onde teve que se refugiar em razão das perseguições exercidas pelos integrantes da oligarquia Accioly. Em julho de 1920, Justiniano de Serpa tomou posse no cargo de governador do Ceará. Em seu governo, realizou várias obras, como:
a) deu continuidade à construção de obras contra as secas;
b) reorganizou a área educativa, trazendo o paulista Lourenço Filho para introduzir reformas no sistema educacional; e
c) realizou algumas mudanças na Constituição estadual, como a proibição da reeleição consecutiva de governantes e acumulações de cargos remunerados, eleições diretas para intendentes (menos de Fortaleza), garantia de que os funcionários públicos não podiam ser demitidos sem haver um inquérito administrativo e direito de defesa.
O clima de violência social e política no Ceará, entretanto, nesse período, fez com que Justiniano de Serpa se aliasse e apoiasse o candidato das oligarquias tradicionais, Arthur Bernardes, para a Presidência da República do Brasil. Em julho de 1923, Justiniano, por motivo de doença, renunciou ao cargo de Presidente do Estado, transferindo o poder para seu vice, Ildefonso Albano, ex-Intendente de Fortaleza no Governo de Franco Rabelo (no período compreendido entre 1912 e 1914). Um mês depois, Justiniano de Serpa morreu no Rio de Janeiro. IIdefonso Albano assumiu, então, a direção do Ceará. Sua administração não foi de grandes realizações, dedicou-se, apenas, à sucessão no governo. De início, indicou para seu sucessor o companheiro de Partido Democrata, o ex-Presidente do Ceará, João Tomé de Sabóia e Silva. Teve divergências com os conservadores, que não aceitavam sua indicação. Assim, mais uma vez, o poder central decidiu a composição da chapa para o cargo de Governador do Ceará. O Presidente da República, Arthur Bernardes, indicou José Moreira da Rocha (o Desembargador Moreira) para governar o Ceará.
1924: o Desembargador José Moreira da Rocha (Desembargador Moreira) governou o Ceará de 1924 até 1928 e realizou um dos piores mandatos da História do Ceará, porque:
a) uniu-se ao partido conservador de José Accioly, teve seu governo marcado por perseguição política contra os seus opositores;
b) durante seu governo eram comuns espancamentos, saques, invasões, incêndios, demissões arbitrárias, clientelismo, isto é, troca de favores políticos e corrupção; e
c) como governante, inaugurou, parcialmente, o serviço de água e esgoto de Fortaleza. Consolidou a utilização da Ponte dos Ingleses (Ponte Metálica) como ponte de desembarque no porto e realizou nova reforma na Constituição Estadual.
Em 1925, a população de Fortaleza revoltou-se contra o péssimo sistema de transportes, horários e preços da companhia inglesa de bondes “The Ceará Transway, Light & Power”. Os bondes foram quebrados e houve uma grande concentração de pessoas na Praça do Ferreira. A população entrou em confronto com a polícia, ocasionando o fechamento do comércio, a suspensão de aulas do Liceu e a intensificação de policiamento. Neste período, houve comentários de que a “Coluna Prestes” estaria vindo ao Ceará. O Presidente da República Arthur Bernardes convocou o deputado Floro Bartolomeu ao Palácio do Catete no Rio de Janeiro, com o intuito de que este chamasse os jagunços e os coronéis do sertão para lutarem a favor do Governo.
Para proteger o território cearense, Floro Bartolomeu recebeu grande quantidade de material bélico, recursos financeiros e organizou um batalhão para defender o Ceará. Convidou Lampião para participar do combate e pediu que Padre Cícero intercedesse junto ao cangaceiro. Lampião recebeu uma falsa patente de Capitão do Exército, armas e munições para o combate. Com o apoio das autoridades, seguiu para Juazeiro com 50 homens. Para evitar conflitos desnecessários, no entanto, Luís Carlos Prestes mudou sua rota e entrou na Paraíba, frustrando a defesa armada pelas oligarquias cearenses. Em maio de 1928, o Desembargador Moreira, por motivos de saúde, renunciou ao poder cearense, dirigindo-se à capital da República, morrendo em seguida.
Assumiu, então,o Governo do Ceará, seu vice, Eduardo Henrique Girão, que conseguiu o grande feito de reaproximar os Partidos Democrata e Conservador. Com a união desses dois partidos, conseguiram eleger para o Governo do Ceará o jurista José Carlos de Matos Peixoto, que conservou as estruturas do poder dominadas pela oligarquia cearense. José Carlos de Matos Peixoto, que deveria governar até 1932, foi deposto pela Revolução de 1930.
O BODE IOIÔ
Bode Ioiô foi um famoso bode que viveu na cidade de Fortaleza no início do século XX, mormente na década de 1920. Figura folclórica da cultura popular cearense, Ioiô costumava perambular pelas ruas centrais da cidade, na companhia de boêmios e escritores que frequentavam os bares e cafés ao redor da Praça do Ferreira, antigo centro cultural da capital, e que lhe davam cachaça para beber. Segundo conta a história popular, recebeu o nome de "Ioiô" por percorrer sempre o mesmo trajeto, definido entre a Praça do Ferreira e a Praia de Iracema.
Trazido a Fortaleza em 1915 por retirantes sertanejos, foi adquirido e mantido por José de Magalhães Porto, representante do industrial Delmiro Gouveia, correspondente no nordeste da empresa britânica Rossbach Brazil Company, localizada na Praia de Iracema, da qual tornou-se uma espécie de mascote.
Em 1922 o bode Ioiô foi eleito a vereador, como forma de protesto à política local na época. Apesar de ele nunca ter se candidatado, a eleição aconteceu, pois naquele tempo os eleitores votavam em cédulas de papel, escrevendo o nome de seus candidatos. Ioiô nunca tomou posse oficialmente de seu posto de vereador, mas passou a ser conhecido como “Bode Celebridade”, o bode vereador despachava todos os dias na praça do Ferreira.
Ioiô foi imortalizado ao ser empalhado e doado ao acervo do Museu do Ceará, logo após sua morte, em 1931.
Ioiô virou tema de documentários, histórias de cordel e livros infantis. É citado em obras de memorialistas cearenses como o poeta Otacílio de Azevedo e o historiador Raimundo Girão. Recentemente foi eleito pelas crianças da capital cearense como o mascote de Fortaleza.
Em 1996, teve o seu rabo roubado. Em 2019, foi enredo da escola de samba Paraíso do Tuiuti do Rio de Janeiro.
CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NO CEARÁ
Erguidos no Ceará em dois momentos distintos: em 1915 e 1932, os campos de concentração eram espaços de aprisionamento espalhados estrategicamente em rotas de migração no estado para evitar que os chamados "flagelados da seca" chegassem a Fortaleza, em busca de auxílio. O Ceará teve oito campos de concentração, sendo sete na seca de 1932.
A história dos campos de concentração no Ceará origina-se em processos vividos na seca de 1877, quando um ciclo intenso de estiagem motivou grandes deslocamentos de retirantes do interior do estado para Fortaleza. Em 1915, temendo que a situação de 1877 se repetisse, o governado da época, coronel Benjamin Liberato Barroso, criou o primeiro campo de concentração do Ceará, em Fortaleza, no chamado Alagadiço, atualmente bairro de São Gerardo.
O primeiro campo de concentração, registram os documentos oficiais, nasceu em decorrência da seca de 1915, quando os chamados abarracamentos – barracas espalhadas pela cidade – deram lugar a áreas de concentração dos migrantes. Os retirantes chegavam, sobretudo, pela via férrea e eram contidos em um grande terreno para evitar, dentre outras coisas, que passassem a vagar pela capital, ampliando cenários de pobreza. A concepção de uma área para concentrar migrantes veio após o acolhimento no Passeio Público, no Centro da cidade, exceder os três mil retirantes, registra o documento.
Apoiado na noção de ordenamento, um terreno no Alagadiço concentrou retirantes. O local chegou a abrigar cerca de oito mil pessoas. Findado o período de estiagem, em 1916, o campo foi desfeito. Já em 1932, o inverno era esperado com ansiedade, mas um novo ciclo de secas fez o estado, retornar a cruel ideia de confinar retirantes. A experiência se repetiria desta vez além de Fortaleza em outros cinco municípios. Crato, Senador Pompeu, Quixeramobim, Cariús e Ipu.
Em 1932, duas grandes estradas de ferro, a Baturité e a de Sobral, cortavam o Ceará. A primeira cortava o estado de norte a sul. Saindo de Fortaleza seu principal percurso seguia rumo às maiores cidades do Sertão Central, passando pelo Cariri, onde se localizam Juazeiro do Norte e Crato. A via também alcançava Quixeramobim e em seguida por Senador Pompeu. O único campo cujo a cidade não tinha estação ferroviária era o Cariús, mas este ficava a poucos quilômetros da estação da cidade de Cedro.
Em Fortaleza, a ausência de resquício físicos relega ao esquecimento esse capítulo cruel da história.
Os registros oficiais apontam a existência de três campos de concentração em Fortaleza, em períodos distintos. O campo do Alagadiço (atual São Gerardo), em 1915 e os campos do Matadouro (Otávio Bonfim) e do Uburu (Pirambu), em 1932.
Na capital, o silenciamento sobre essa história relega ao esquecimento esse capítulo da memória brasileira. Hoje, há imprecisão sobre os endereços que abrigaram esses campos.
CEARÁ NA ERA VARGAS
Durante o período conhecido por Era Vargas, o Brasil foi governado por Getúlio Vargas, sob uma forte política de intervenção e centralização política. Por um decreto de Vargas, em 1930, os Estado passaram a ser governador por interventores, nomeados pelo próprio Getúlio, os quais indicariam os prefeitos (antigos intendentes) dos municípios.
O primeiro interventor nomeado por Vargas para o Ceará foi Fernandes Távora. Por meio de uma reforma administrativa, estabeleceu-se um número mínimo de 15 mil habitantes e uma renda anual que não fosse inferior a trinta mil contos de réis, para que o município de constituísse. Dessa forma, houve uma drástica redução do número de municípios cearenses: de 85, para 51.
Em 1932, sob a interventoria de Carneiro de Mendonça (1931-1934), foi criado o Departamento dos Negócios Municipais, para fiscalizar as contas dos municípios. No caso de Fortaleza, as contas eram feitas diretamente perante uma comissão nomeada pela interventoria. Neste mesmo ano, foi criado o Conselho de Educação do Estado do Ceará. Outra criação de seu governo (11 de dezembro de 1933) foi uma escola para menores abandonados e delinquentes, subordinada à polícia do Estado, com internato e escola agrícola, na então vila de Santo Antônio do Pitaguary (hoje Maracanaú). Conhecido popularmente como “Santo Antônio do Buraco”, o reformatório tornou-se folclórico, pois passou a ser usado para assustar crianças. No imaginário popular, acreditava-se que ali era um local insalubre, com um grande buraco escuro habitado por insetos e cobras. Atualmente ela carrega o nome de seu fundador.
Por essa época, nas ruas e praças de Fortaleza havia mobilizações, comícios e, comumente, confrontos entre militantes de esquerda, ligados à Aliança Nacional Libertadora (ANL), e membros de direita, fascistas, ligados à Ação Integralista Brasileira (AIB). Foi nesse clima que Fortaleza elegeu o primeiro prefeito de toda a sua história. Foi uma campanha que mobilizou toda a sociedade, sobretudo por meio dos jornais e rádios. Com o apoio do governador Menezes Pimentel, foi eleito o candidato Raimundo de Alencar Araripe, bem como os 15 vereadores para a legislação municipal. Todavia, a curta experiência democrática encerrou em novembro de 1937, com a instituição do Estado Novo e o decreto que dissolvia o Poder Legislativo em todo o país.
No comando do Estado, foi mantido Menezes Pimentel agora como Interventor, e na Prefeitura, Raimundo de Alencar Araripe.
Com uma população que ultrapassava a casa dos cem mil habitantes na década de 1930, Fortaleza vivia o aumento de suas contradições sociais e econômicos em meio a gestões muito mais voltadas à modernização e ao aformoseamento da cidade, comprometidas com a construção de equipamentos que beneficiassem os setores economicamente dominantes e com políticas de controle e repressão da população mais pobre.
Exemplo dessa visão administrativa foi a construçãoda “Coluna da Hora”, em 1933, na Praça do Ferreira, substituindo o tradicional coreto ali existente. Além disso, ruas e avenidas eram pavimentadas, ampliadas ou interligadas, a fim de facilitar o tráfego cada vez mais intenso na cidade. Em 1934, tinha início o serviço de iluminação elétrica.
COLUNA DA HORA
Inaugurada na virada dos anos de 1933 para 1934, a “Coluna da Hora” foi projetada pelo engenheiro José Gonsalves da Justa, durante a gestão municipal de Raimundo Girão, em estilo Arte-Decó. A coluna é dos principais ícones da história de Fortaleza. O local onde foi construído o equipamento exigiu a demolição de um antigo coreto que funcionava naquele ponto.
ÁLVARO WEYNE
Álvaro Nunes Weyne (1881-1963) foi eleito para a prefeitura d Fortaleza na primeira eleição de voto secreta da cidade em 1928. Durante esse primeiro mandato ficou conhecido nacionalmente como "O Prefeito das Flores" devido sua política de arborizar e embelezar as praças e ruas da cidade como a Praça da Lagoinha e a Praça do Carmo. Em 1929 a prefeitura adquiriu a casa onde nascera o escritor José de Alencar (Messejana) tendo em vista a oferecê-la ao Instituto do Ceará e que posteriormente foi transferida para a Universidade Federal do Ceará. Foi afastado do cargo em 8 de agosto de 1930 devido a Revolução de 1930. Voltou ao cargo em 27 de maio de 1935 ficando até 18 de maio de 1936. Durante esse último mandato ocorreu a primeira eleição popular de Fortaleza.
RAIMUNDO DE ALENCAR ARARIPE
Nasceu em Fortaleza, em 1890, a mesma cidade onde faleceu em 1984. Foi o primeiro prefeito eleito pelo voto popular, em 1936, lançando-se pela LEC (Liga Eleitoral Católica). Ficou no cargo até o ano de 1945.
Casado com Julia Gondim de Araripe, não deixaram descendência.
Fortemente ligado ao Catolicismo foi levado a presidência do Conselho Central do Ceará da Conferência Vicentina permanecendo nela de 1931 até 1956. Atuou de forma mais cuidadosa na assistência aos pobres, sendo responsável pela construção de várias vilas de casas populares.
Durante sua gestão, foi criado o "Serviço de Assistência Pública", atual Instituto Doutor José Frota. Iniciou a construção do Estádio Presidente Vargas e implantou o Serviço Telefônico Automático de Fortaleza. Criou um matadouro modelo, um aviário modelo e um serviço de fomento agropecuário para o cultivo de hortaliças, frutas e flores. Reformou completamente o forno crematório de lixo da cidade. Executou ainda prolongamento e calçamento de várias ruas e avenidas; difundiu iluminação pública por subúrbios; construiu pontes e bueiros.
Em 1937 foi inaugurada a Cidade da Criança, no antigo Parque da Liberdade, e fundou várias escolas de ensino primário nos bairros de Fortaleza.
LIGA ELEITORAL CATÓLICA
A Liga Eleitoral Católica (LEC) foi criada no Rio de Janeiro, em 1932, sob a orientação do Cardeal Dom Sebastião Leme e auxílio de Alceu Amoroso Lima. Ela tinha o objetivo de orientar o eleitor católico para que votasse em candidatos comprometidos com os valores defendidos pela Igreja Católica. A Liga, segundo seus fundadores, não era um partido político, mas sim uma organização suprapartidária. No Ceará, essa organização católica ganhou um aspecto diferente da idealizada em 1932. Nas eleições realizadas para a Assembleia Nacional Constituinte em 1933, sob a presidência de Edgar de Arruda, a LEC do Ceará protagonizou a disputa eleitoral desse ano ao lado do PSD. Com registro realizado no Tribunal Regional Eleitoral a Junta Estadual da LEC lança sua chapa para disputar as eleições de 1933.
A Liga Católica contou com a participação de um grupo distinto em suas iniciativas políticas. Menezes Pimentel, Edgar de Arruda, Waldemar Falcão e Andrade Furtado eram professores da Faculdade de Direito do Ceará e foram agentes políticos importantes na campanha política da LEC e também para atuação dessa organização católica como partido político. Andrade Furtado também era redator chefe do jornal O Nordeste, periódico da Arquidiocese de Fortaleza, que fez campanha intensa a favor da chapa lecista em 1933.
Menezes Pimentel se elegeu Governador do Estado pela legenda católica e ainda Edgar de Arruda e Waldemar Falcão se elegeram Senadores, mostrando a força desse partido católico no Ceará e articulação política desse grupo.
LEGIÃO CEARENSE DO TRABALHO
Movimento de inspiração fascista mais importante até a fundação da Ação Integralista Brasileira (AIB), em outubro de 1932. Foi fundado em Fortaleza pelo tenente Severino Sombra, jovem militar de formação católica que, coerentemente com suas ideias jacksonianas e antiliberais, recusou-se a participar da Revolução de 1930, estando servindo, à época, no Rio Grande do Sul, no 8º Regimento de Infantaria, em Passo Fundo. Retornando ao Ceará, após ter sido preso num navio no estuário do Guaíba em Porto Alegre, em outubro de 1930, Sombra considerava que “a Revolução de 30 criara uma perspectiva nova, mas indefinida”. Reagindo a este estado de coisas, conseguiu organizar um movimento congregando as associações de trabalhadores existentes sob sua chefia no estado e contando com o apoio da Juventude Operária Católica (JOC) do padre Hélder Câmara. Por ocasião de seu lançamento público em 23 de agosto de 1931, a Legião Cearense do Trabalho dispunha de um efetivo de nove mil legionários, expandindo-se, meses mais tarde, para 15 mil. Posteriormente, a Legião penetrou no interior do Ceará, conseguindo reunir cerca de uma centena de associações operárias e similares. Após o manifesto de outubro de 1932, lançando a AIB, a Legião Cearense, sob a direção de Jeová Mota, integrou-se ao movimento integralista.
A organização da Legião previa um chefe, um secretário-auxiliar do chefe e um conselho composto de dois representantes de cada sociedade confederada. A escolha do chefe era feita pelo conselho legionário, com um mandato limitado, estando previsto um mecanismo parlamentar para destituí-lo. As organizações confederadas eram submetidas a disposições restritivas, devendo obrigatoriamente “acatar os avisos, as instruções e circulares do chefe, os decretos e resoluções do conselho e as decisões do tribunal legionário. A sociedade confederada não poderá entrar diretamente em relação com pessoas e organizações estranhas à Legião sobre assuntos políticos, sociais e de interesse do operariado”. Seus militantes usavam o seguinte uniforme: calças brancas e blusão de operário em algodão colorido. Na manga esquerda ostentavam uma insígnia representando o braço de um trabalhador empunhando a balança da justiça. A saudação habitual era a resposta coletiva “Pronto!”, feita ao chefe no início de suas alocuções.
A Legião definiu-se em seu programa como “uma organização de associações populares e de classe, do estado do Ceará, com finalidade econômica, política e social”. A finalidade econômica era defender o trabalho, que não pode “ser considerado uma simples mercadoria sujeita à lei da oferta e da procura”. A Legião propunha-se à implantação do “contrato coletivo, em que sejam fixados o salário vital, as horas de trabalho, o repouso dominical, o limite de trabalho de menores e mulheres, o regime de conciliação e arbitragem”, e pretendia também instituir para seus membros um tribunal trabalhista, cuja função seria resolver os conflitos entre patrões e operários: presidido por um legionário de formação jurídica, as decisões seriam tomadas por um júri composto de trabalhadores mais experientes. A finalidade política da Legião consistia na “integração das classes trabalhadoras organizadas, dentro da vida política e social do país”. A Legião desconfiava dos partidos políticos e se propunha a organizar os trabalhadores para obter a representação profissional.
Na instalação do movimento, Sombra precisou os objetivos da Legião: “A Legião organiza o operariado para que, protegido, educado e coeso, ele se torne um colaborador honesto e consciente das outras classes.” Definido o princípio da colaboração entre as classes, o objetivo político era alcançar o ideal medieval da sociedade corporativa apoiando-sesobre os grupos profissionais. “O sindicato, a associação profissional, são círculos naturais de expansão da personalidade humana” e “só o Estado pode conseguir em termos justos a associação funcional do trabalho, capital e direção técnica”. A Legião rejeitava, em consequência, a organização “político-social moderna, minada pelo individualismo”, e lutava “pela volta ao regime corporativo, inspirado no modelo medieval”.
O DIA DA “VAIA AO SOL” – 1942
No dia 30 de janeiro de 1942, em meio a um céu nublado que prometia chuva em um Ceará marcado pelo calor, o sol resolveu reaparecer no céu de Fortaleza, motivo suficiente para um grupo de pessoas que se encontrava na Praça do Ferreira, em protesto contra o clima quente, resolver vaiar o astro rei.
O episódio, que faz parte da história da capital cearense, é até hoje relembrado como marca da irreverência e bom humor dos habitantes de Fortaleza.
O QUEBRA-QUEBRA DA PRAÇA DO FERREIRA
Em agosto de 1942, navios brasileiros estavam sendo torpedeados por submarinos alemães. A imprensa difundia o acontecimento com perdas de inúmeras vidas. O governo Vargas, contudo, tardava em declarar guerra ao Eixo (Alemanha, Itália e Japão), o que exacerbava a opinião pública.
Em meio à algazarra na Praça do Ferreira, onde se avolumava uma pequena multidão em frente à coluna da hora, ouve-se o grito "Estão quebrando a padaria do Espanhol!". Assim no dia 18 de agosto de 1942 teria começado, na capital Fortalezense, o chamado Quebra-Quebra. Seria, então, o clímax de uma série de movimentações em reação ao afundamento de seis navios brasileiros por submarinos alemães em plena Segunda Guerra Mundial. Em tempos de Ditadura do Estado Novo Varguista, os jornais da época evitaram falar sobre o ocorrido, porém, uma testemunha registrou o evento em lances fotográficos.
Terminado o ato, sob forte algazarra, todos seguiram para a Praça de Ferreira. Passado algum tempo, o sol ficou ofuscado por grande coluna de fumaça provocada por incêndios, enquanto carroças passavam galopando pela minha rua em direção à periferia, carregadas com tecidos, redes e objetos diversos, produto dos saques às Pernambucanas, Sapataria Veneza e outras lojas de estrangeiros, aqui residentes. Os carroceiros incitavam os muares e pareciam felizes.
Cessado esse tráfego, logo surgiu ali na Av. Duque de Caxias, uma horda de enfurecidos, alguns de posse de paus, que rumavam na direção do fim da linha. Iam destruir o Jardim Japonês, próximo à Igreja das Dores, no Otávio Bonfim, do único nipônico desta cidade, Sr. Jusaku Fujita.
LISTA DE PREFEITOS DE FORTALEZA – IMPÉRIO
Nº
Nome
Início do mandato
Fim do mandato
1
Capitão Joaquim Lopes de Abreu
7 de julho de 1822
26 de agosto de 1823
2
Sargento-mor Joaquim José Barbosa
26 de agosto de 1823
17 de dezembro de 1823
3
Francisco Félix Bezerra de Albuquerque
17 de dezembro de 1823
1º de janeiro de 1824
4
João da Rocha Moreira
1° de janeiro de 1824
21 de julho de 1824
5
Coronel Manuel José Martins Ribeiro Júnior
21 de julho de 1824
14 de setembro de 1824
6
Joaquim Antunes de Oliveira
14 de setembro de 1824
17 de outubro de 1826
7
Sargento-mor João Facundo de Castro Menezes
17 de outubro de 1826
12 de maio de 1827
8
Capitão Joaquim Lopes Abreu
12 de maio de 1827
13 de setembro de 1827
9
Capitão Jacinto Fernandes de Araújo
13 de setembro de 1827
1° de janeiro de 1828
10
Joaquim Vieira da Silva e Sousa
1º de janeiro de 1828
3 de março de 1828
11
Luís Mariano Gomes da Silva
3 de março de 1828
18 de setembro de 1828
12
Francisco José Pacheco de Medeiros
18 de setembro de 1828
17 de janeiro de 1829
13
Capitão Joaquim Lopes de Abreu
17 de janeiro de 1829
14 de abril de 1831
14
José Joaquim da Silva Braga
14 de abril de 1831
21 de junho de 1831
15
Coronel Joaquim Mendes da Cruz Guimarães
21 de junho de 1831
24 de agosto de 1832
16
José Joaquim da Silva Braga
24 de agosto de 1832
22 de março de 1833
17
José Ferreira Lima Sucupira
22 de março de 1833
27 de janeiro de 1836
18
Capitão Joaquim da Fonseca Soares e Silva
27 de janeiro de 1836
21 de abril de 1841
19
José Lourenço de Castro e Silva
21 de abril de 1841
11 de junho de 1843
20
Antônio Rodrigues Ferreira
11 de junho de 1843
12 de dezembro de 1849
21
Manuel Teófilo Gaspar de Oliveira
12 de dezembro de 1849
12 de outubro de 1850
22
Antônio Rodrigues Ferreira
12 de outubro de 1850
1º de outubro de 1859
23
Manuel Caetano de Gouveia
1º de outubro de 1859
18 de outubro de 1861
24
Manuel Soares da Silva Bezerra
18 de outubro de 1861
13 de maio de 1865
25
Tenente-coronel Antônio Teodorico da Costa
13 de maio de 1865
15 de maio de 1869
26
Tenente-coronel Joaquim da Cunha Freire
15 de maio de 1869
2 de dezembro de 1869
27
Antônio Gonçalves da Justa
2 de dezembro de 1869
8 de fevereiro de 1873
28
Francisco Coelho da Fonseca
8 de fevereiro de 1873
24 de fevereiro de 1877
29
Joaquim da Cunha Freire
24 de fevereiro de 1877
31 de dezembro de 1881
30
Tenente-coronel Antônio Pereira de Brito Paiva
31 de dezembro de 1881
11 de julho de 1884
31
Capitão João Crisóstomo da Silva Jataí
11 de julho de 1884
6 de novembro de 1886
32
Capitão Telésfero Caetano de Abreu
6 de novembro de 1886
28 de maio de 1887
33
Capitão Teófilo Gaspar de Oliveira
28 de maio de 1887
1º de janeiro de 1890
LISTA DE PREFEITOS DE FORTALEZA – REPÚBLICA
Nº
Nome
Início do mandato
Fim do mandato
1
Capitão José Freire Bezerril Fontenelle
1° de janeiro de 1890
12 de novembro de 1890
2
Capitão Manuel Nogueira Borges
12 de novembro de 1890
31 de dezembro de 1891
3
Joaquim de Oliveira Catunda
31 de dezembro de 1891
12 de julho de 1892
4
Coronel Guilherme César da Rocha
12 de julho de 1892
3 de fevereiro de 1912
5
João Marinho de Albuquerque Andrade
3 de fevereiro de 1912
18 de julho de 1912
6
Ildefonso Albano
18 de julho de 1912
18 de julho de 1914
7
Coronel Casimiro Ribeiro Brasil Montenegro
18 de julho de 1914
18 de julho de 1918
8
Rubens Monte
18 de julho de 1918
1º de janeiro de 1920
9
Godofredo Maciel
1º de janeiro de 1920
1º de janeiro de 1921
10
Ildefonso Albano
1° de janeiro de 1921
12 de junho de 1923
11
Adolfo Gonçalves de Siqueira
12 de junho de 1923
16 de julho de 1924
12
Godofredo Maciel
16 de julho de 1924
12 de junho de 1928
13
Álvaro Weyne
12 de junho de 1928
8 de agosto de 1930
14
César Cals de Oliveira
8 de agosto de 1930
2 de maio de 1931
15
Antônio Urbano de Almeida
2 de maio de 1931
20 de outubro de 1931
16
Tibúrcio Cavalcante
20 de outubro de 1931
25 de abril de 1933
17
Raimundo Girão
25 de abril de 1933
14 de setembro de 1934
18
Tenente José Barreira
14 de setembro de 1934
17 de setembro de 1934
19
Plínio Pompeu de Saboia Magalhães
17 de setembro de 1934
11 de fevereiro de 1935
20
Gentil Barreira
11 de fevereiro de 1935
27 de maio de 1935
21
Álvaro Weyne
27 de maio de 1935
18 de maio de 1936
22
Raimundo de Alencar Araripe
18 de maio de 1936
30 de outubro de 1945
23
Plácido Aderaldo Castelo
30 de outubro de 1945
17 de novembro de 1945
24
Vicente Linhares
17 de novembro de 1945
1º de janeiro de 1946
25
Oscar Barbosa
1º de janeiro de 1946
14 de julho de 1946
26
Romeu Coelho Martins
14 de julho de 1946
30 de outubro de 1946
27
Clóvis de Alencar Matos
30 de outubro de 1946
8 de abril de 1947
28
José Leite Maranhão
8 de abril de 1947
8 de abril de 1948
29
Acrísio Moreira da Rocha
8 de abril de 1948
31 de janeiro de 1951
30
Paulo Cabral de Araújo
31 de janeiro de 1951
25 de março de 1955
31
Acrísio Moreira da Rocha
25 de março de 1955
25 de março de 1959
32
General Manuel Cordeiro Neto
25 de março de 1959
25 de março de 1963
33
General Murilo Borges Moreira
25 de março de 1963
12 de setembro de 1967
34
José Walter Cavalcante
12 de setembro de 1967
15 de março de 1971
35
Vicente Cavalcante Fialho
15 de marçode 1971
15 de março de 1975
36
Evandro Ayres de Moura
15 de março de 1975
28 de fevereiro de 1978
37
Luís Gonzaga Nogueira Marques
28 de fevereiro de 1978
1º de janeiro de 1979
38
Lúcio Alcântara
1º de janeiro de 1979
14 de maio de 1982
39
José Aragão e Albuquerque Júnior
14 de maio de 1982
15 de março de 1983
40
César Cals Neto
15 de março de 1983
2 de julho de 1985
41
José Maria de Barros Pinho
2 de julho de 1985
1º de janeiro de 1986
42
Maria Luíza Fontenele
1º de janeiro de 1986
1º de janeiro de 1989
43
Ciro Gomes
1º de janeiro de 1989
2 de abril de 1990
44
Juraci Magalhães
2 de abril de 1990
31 de dezembro de 1992
45
Antônio Cambraia
1º de janeiro de 1993
31 de dezembro de 1996
46
Juraci Magalhães
1º de janeiro de 1997
31 de dezembro de 2000
1º de janeiro de 2001
31 de dezembro de 2004
47
Luizianne Lins
1º de janeiro de 2005
31 de dezembro de 2008
1º de janeiro de 2009
31 de dezembro de 2012
48
Roberto Cláudio
1º de janeiro de 2013
31 de dezembro de 2016
1º de janeiro de 2017
31 de dezembro de 2020
49
José Sarto
1º de janeiro de 2021
Atual
PAULO CABRAL DE ARAÚJO
Nasceu em 1922, no município Guaiuba (CE). Bacharel em Direito e radialista, dedicou a vida para os canais da imprensa brasileira e para a evolução do pensamento crítico no País. O comunicador, diretor dos Diários Associados por duas décadas, teve passagens por jornais e outros veículos. Ainda na juventude, trabalhou para a Ceará Rádio Clube, instituição que lhe abriu as portas do mercado. Governou Fortaleza entre 1951 e 1955.
JOSÉ WALTER CAVALCANTE
Ocupou o cargo de diretor da Estrada de Ferro Fortaleza-Baturité. Era engenheiro de profissão, mas sua gestão à frente da Prefeitura teve como marca a falta de preservação da memória da Cidade com a destruição da Coluna da Hora e do Abrigo Central, dois projetos arquitetônicos históricos de Fortaleza, localizados na Praça do Ferreira. Elaborou, no final da gestão, o Plano de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Fortaleza (Plandirf). Governou Fortaleza entre 1967 e 1971.
VICENTE CAVALCANTE FIALHO
Engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e especialista em transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1966. Ficou caracterizado por ser um tocador de obras que até hoje marcam sua gestão. Em Fortaleza, por exemplo, abriu vias como as avenidas Aguanambi, Borges de Melo, José Bastos e Leste Oeste. Governou Fortaleza entre 1971 e 1975.
EVANDRO AYRES DE MOURA
Foi dele a articulação da futura vinda das infraestruturas viárias, para efetivar o novo vetor de urbanização da Capital. inauguração da avenida Radialista José Limaverde, à margem do rio Ceará, o prolongamento da avenida Padre Antônio Tomás, com a ligação entre avenida Perimetral, atual av. Engenheiro Santana Júnior e atual av. Washington Soares são algumas das obras de sua gestão. Governou Fortaleza entre 1975 e 1978.
LUIZ GONZAGA NOGUEIRA MARQUES
Deputado, professor, engenheiro e empresário. Foi secretário estadual de obras no governo Gonzaga Mota (1979-1986) e prefeito indireto de Fortaleza (1978-1979). Há anos é provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza. Governou Fortaleza entre 1978 e 1979.
LÚCIO GONÇALO DE ALCÂNTARA
Assumiu a Secretaria para Assuntos Municipais em 1978 e, aos 36 anos, foi prefeito de Fortaleza (1979-1982). Durante seu mandato, foi criado o Parque Municipal do Rio Cocó, o atual Parque Adahil Barreto. Foi vice-governador do Ceará de 1991 a 1994 e em 1995, elegeu-se senador. Foi governador do Estado de 2003 a 2006.
CÉSAR CALS DE OLIVEIRA NETO
Anunciou a “humanização” do Centro da Cidade para revitalizar as atividades de lazer, cultura, educação, habitação e saúde. Nesse período, havia intensa migração de cearenses do Interior do Estado chegando à Capital em busca de alimento e emprego. Defendeu autonomia para bairros periféricos e descentralização dos serviços da Prefeitura. Governou Fortaleza entre 1983 e 1985.
MARIA LUÍZA FONTENELE
Em 1985, concorrendo por um partido de oposição de esquerda que dava os seus primeiros passos (o PT), foi a primeira mulher a ser eleita prefeita de uma capital. Na campanha, as pesquisas apontavam Paes de Andrade em primeiro lugar, com 50% das intenções de voto, e Lúcio Alcântara, em segundo lugar, com 21%. A então jovem professora do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC) aparecia na terceira posição, com 10%. O resultado da eleição surpreendeu a todos, inclusive o PT, que sequer possuía um projeto consistente para a cidade, dada a descrença na vitória. Maria Luiza assumiu uma prefeitura endividada, com uma folha de pagamento do tamanho da receita do município e uma política fiscal que concentrava ainda mais que hoje os recursos nas mãos da União e dos Estados. Sem dinheiro, sem apoio do então governador Tasso Jereissati, e com um discurso socialista, ela enfrentou uma greve geral dos servidores municipais e grande insatisfação popular. Terminou sua péssima administração em meio a desentendimentos com o PT e com as ruas de Fortaleza tomadas pelo lixo. Em 1987, foi expulsa do partido e filiou-se ao PSB.
CIRO GOMES
Advogado formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Ciro Gomes foi prefeito de Fortaleza por 15 meses (1989-1990), até sair para assumir o Governo do Ceará. Ao assumir a Prefeitura, prometeu tapar todos os buracos e retirar o lixo da Capital, em 90 dias. Seu mandato foi marcado também pela extinção e fusão de vários órgãos e secretarias. Foi apadrinhado por Tasso Jereissati, que à época era governador do Estado.
JURACI MAGALHÃES
Nascido em Senador Pompeu (CE), em 12 de fevereiro de 1931, o médico dermatologista esteve à frente da Prefeitura de Fortaleza de 1990 a 1992, e depois de 1997 a 2004. Foi responsável por grandes intervenções urbanas e obras de impacto, como o novo Instituto Doutor José Frota (IJF). Praças, avenidas, viadutos e terminais de integração de ônibus foram algumas das realizações da gestão de Juraci Magalhães.
ANTÔNIO CAMBRAIA
Nascido em Senador Pompeu, em 1º de agosto de 1942, era um desconhecido da população de Fortaleza até as eleições de 1992, quando foi eleito ainda no primeiro turno com o apoio de seu padrinho político, Juraci Magalhães, de quem havia sido secretário de Finanças. Assim como o seu antecessor, manteve a administração voltada para a realização de obras de infraestrutura, como a ampliação do sistema de esgoto, a restauração do Paço Municipal, as obras de calçamento e a conservação de vias públicas. Foi Prefeito de Fortaleza entre os anos de 1993 e 1997.
LUIZIANNE LINS
Foi prefeita de Fortaleza durante dois mandatos: 2005 a 2009 e 2009 a 2013. Graduada em Jornalismo e filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1989, foi eleita vereadora duas vezes, em 1996 e em 2000, e deputada estadual, em 2002.
Como prefeita, ampliou e qualificou itens de prestação de serviço à população, com o início das obras do Hospital da Mulher, a reativação de creches e a construção de moradias populares. Atualmente é deputada federal.
ROBERTO CLÁUDIO
Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra (Fortaleza, 15 de agosto de 1975) é um médico e político brasileiro. Foi filiado ao Partido Humanista da Solidariedade (PHS), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Republicano da Ordem Social (PROS) e atualmente pertence aos quadros do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Já foi deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, e prefeito da cidade de Fortaleza. Filho do ex-reitor da Universidade Federal do Ceará Roberto Cláudio Frota Bezerra, Cláudio é médico sanitarista com PhD em saúde pública pela Universidade do Arizona. Governou Fortaleza entre 2013 e 2021.
JOSÉ SARTO
Após renunciar ao sétimo mandato de deputado estadual e ao cargo de presidente da Assembleia Legislativa do Ceará em 31 de dezembro de 2020, sendo sucedido interinamente por Fernando Santana, 1.º vice-presidente da Mesa Diretora, José Sarto (nascido emAcopiara, 1959) foi empossado em 1.º de janeiro de 2021 com Élcio Batista como prefeito e vice-prefeito, respectivamente, em solenidade na Câmara Municipal de Fortaleza, onde também tomaram posse presidente, secretários e vereadores do órgão. Em seguida ocorreu no paço municipal Palácio do Bispo a transmissão de cargo com a presença de Roberto Cláudio, prefeito antecessor. Como cumprimento a um decreto do governo do estado de isolamento social para evitar aglomerações e consequente contágio de COVID-19 em meio à pandemia vigente da doença, as cerimônias foram adaptadas e não contaram com público.
CÂMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA
A Câmara Municipal de Fortaleza foi instalada, ainda na Vila de Fortaleza de Nossa Senhora D’Assunção, no ano de 1726. A Câmara possuía a figura do intendente, que funcionava como prefeito. Nesse tempo a Câmara era formada por dois juízes e três vereadores. A votação era feita pelos seus membros de forma indireta, para o mandato de um ano, podendo ser renovado por mais um ano. Todas as funções de organização sociopolítica da cidade eram exercidas pela Câmara Municipal.
No Brasil colonial, as Câmaras figuravam entre as primeiras instituições políticas a se instalarem nas colônias, como aconteceu na Vila de são Vicente, em 1532, sendo pioneira no continente americano. No Ceará, a função política teve início com a instalação da Câmara Municipal em Aquiraz, no ano de 1699, figurando como a primeira sede da capital.
Depois da independência do Brasil, já em 1823, Fortaleza adquiri o status de cidade, com direito a escolher, através do voto, nove vereadores elegíveis, com o mandato de duração de quatro anos. A presidência da Câmara era exercida pelo vereador mais votado que também acumulava a função executiva.
Logo, nomes com o de Antônio Rodrigues Ferreira Filho, mais conhecido como Boticário Ferreira, passaram a figurar na Câmara Municipal. Foi eleito vereador iniciando seu mandato em 1845 e logo presidia a Câmara. Ferreira empregou grande esforço em favor da urbanização da cidade, realizando diversas obras públicas e melhoramentos urbanos da capital. Foi na sua gestão a aprovação da Câmara Municipal sobre o Código de Posturas para Fortaleza e com apoio do Governo do Estado, da construção de umas das mais importantes obras arquitetônicas do Ceará: o Teatro José de Alencar.
Em homenagem aos relevantes serviços prestados a cidade de Fortaleza, a Câmara Municipal, instituiu em 1981, a Medalha Boticário Ferreira, com objetivo de premiar o mérito cívico do cidadão que, em Fortaleza, se distingue pela notoriedade do seu saber, relevantes serviços à coletividade, dedicação à causa do município e exemplos de dedicação ao serviço público da cidade.
No caminhar da história, durante o Estado Novo ocorrido entre 1937 e 1945, as câmaras municipais são fechadas e os poderes legislativo dos municípios são extintos. Só em 1945, com a restauração da democracia, as câmaras municipais são reabertas e começam a tomar a forma atual de gestão legislativa. No período é eleito o primeiro prefeito de Fortaleza através do voto popular, Raimundo de Alencar Araripe, quando também são eleitos quinze vereadores para a Câmara Municipal.
Ao longo da história, a Câmara Municipal de Fortaleza teve vários endereços. Primeiramente, na Praça da Matriz (antiga Praça do Conselho). Depois no Palacete do Comendador Viana (Palácio da Luz, atual sede da Academia Cearense de Letras). Em seguida, na Rua dos Mercadores, 42 (Sena Madureira), atualmente sede do BNB Cultural. Ocupou prédios próximos as Praças do Ferreira e do Carmo, em seguida na Rua Barão do Rio Branco nas proximidades da Santa Casa de Misericórdia.
Nos anos setenta transferiu-se para a Rua Antonele Bezerra, na Aldeota e em 2004, para a Rua Thompson Bulcão, 830 atual sede da Câmara Municipal de Fortaleza.
VEREADORES TOMAM POSSE PARA A 19ª LEGISLATURA NA CÂMARA MUNICIPAL
Os 43 vereadores eleitos em Fortaleza no pleito do último dia 15 de novembro tomaram posse para a 19ª Legislatura (2021-2024) na Câmara Municipal de Fortaleza nesta sexta-feira, 1º de janeiro. Seguindo as medidas de segurança impostas pela pandemia do novo coronavírus, a solenidade foi realizada em formato híbrido, com parlamentares em plenário e nos gabinetes.
A posse foi presidida, pelo vereador eleito Elpídio Nogueira (PDT), parlamentar com maior idade dentre os com maior número de legislaturas, de acordo com o Regimento Interno da Casa. Para secretariar a sessão solene foram chamados os vereadores Gardel Rolim (PDT) e Cláudia Gomes (DEM).
Antônio Henrique da Silva é natural de Martins, interior do Rio Grande do Norte. Aos 11 anos mudou-se com a família para Fortaleza e morou no bairro Conjunto Esperança. Posteriormente, mudou-se para o Parque São José e, depois, para o Parque Santa Rosa, onde reside até hoje. Presbítero e vice-presidente do conselho da primeira Igreja Presbiteriana Renovada de Fortaleza, localizada no Parque São José, é filho de Luzia Maria da Conceição e Henrique Venâncio da Silva, casado com Edileusa Bandeira e pai de Esdras Henrique. É formado em administração pelo Centro Universitário Estácio/FIC. Eleito com 15.480 votos no último pleito, está no quarto mandato como vereador de Fortaleza e ocupa, desde 2019, a Presidência da Câmara Municipal de Fortaleza.
DESASTRE AÉREO NA SERRA DA ARATANHA (PACATUBA) – 40 ANOS
Em 1982, portanto, há exatamente 40 anos, acontecia o acidente aéreo do Voo Vasp 168, quando um Boeing 727-200, com destino à cidade de Fortaleza, colidiu com a Serra da Aratanha, em Pacatuba. Nesse acidente, morreram 137 pessoas, sendo um dos mais graves de toda a história da aviação comercial brasileira. Entre as vítimas, estava o empresário Edson Queiroz.
GEOGRAFIA DE FORTALEZA
REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA
19 municípios: Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu, Paraipaba, Paracuru, Trairi, Maracanaú, Maranguape, Pacatuba, Guaiuba, Itaitinga, Aquiraz, Eusébio, Pindoretama, Cascavel, Horizonte, Pacajus e Chorozinho.
A Região Metropolitana de Fortaleza ou Grande Fortaleza foi criada pela Lei Complementar Federal nº 14, de 8 de junho de 1973, e gestão regulamentada pela Lei Complementar Estadual nº 180 de 18 de julho de 2018.
Com 4.167.996 habitantes em 2021, a Grande Fortaleza é a mais populosa do Norte-Nordeste. É ainda a sexta maior região metropolitana do Brasil.
A Região Metropolitana de Fortaleza tem como área de influência todo o território do Ceará e oeste do Rio Grande do Norte. A região de influência da Grande Fortaleza é a segunda maior do Norte-Nordeste em termos populacionais, ficando atrás do Grande Recife.
De acordo com o IBGE, a Grande Fortaleza fechou 2018 com um PIB de R$ 100,7 bilhões. Esse número colocou a Região Metropolitana de Fortaleza naquele ano como a terceira mais rica do Norte-Nordeste - atrás da Grande Salvador e da Grande Recife – e a 11ª do Brasil.
O município de Caucaia é o maior em área (1.223.246 km²). Pindoretama, desmembrado de Cascavel, em 1987, o menor (74,033 km²). São Luís do Curu é o menos populoso, com apenas 13.086 habitantes.
Atualmente com quase quatro vezes a população inicial e o triplo de municípios, a principal dificuldade da Região Metropolitana de Fortaleza é a integração das cidades. O transporte coletivo ainda é caro e pouco abrangente. Além disso, quase a totalidade dos equipamentos urbanos concentra-se ainda em Fortaleza.
RMF – Área territorial
Ceará
148.894.447 km²
1. Caucaia
1.223.246 km²
2. Trairi
928.725 km²
3. São Gonçalo do Amarante
842.635 km²
4. Cascavel
838. 115 km²
5. Maranguape
583.505 km²
6. Aquiraz
480.236 km²
7. Fortaleza
312.353 km²
8. Paracuru
304. 734 km²
9. Chorozinho
296.431 km²
10. Paraipaba
289.231 km²
11. Guaiuba
256.053 km²
12. Pacajus
250.304 km²
13. Horizonte
160.557 km²
14. Itaitinga
153.686 km²
15. Pacatuba
133.236 km²
16. São Luís do Curu
122.865 km²
17. Maracanaú
105.071 km²
18. Eusébio78.818 km²
19. Pindoretama
74.033 km²
POPULAÇÃO – REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA
Ceará
9.240.580 hab.
1. Fortaleza
2.703.391 hab.
2. Caucaia
368.918 hab.
3. Maracanaú
230.986 hab.
4. Maranguape
131.677 hab.
5. Pacatuba
85.647 hab.
6. Aquiraz
81.581 hab.
7. Pacajus
74.145 hab.
8. Cascavel
72.706 hab.
9. Horizonte
69.688 hab.
10. Trairi
56.653 hab.
11. Eusébio
55.035 hab.
12. São Gonçalo do Amarante
49.306 hab.
13. Itaitinga
38.661 hab.
14. Paracuru
35.526 hab.
15. Paraipaba
33.232 hab.
16. Guaiuba
26.508 hab.
17. Pindoretama
20.964 hab.
18. Chorozinho
20.286 hab.
19. São Luís do Curu
13.086 hab.
POPULAÇÃO - NORDESTE
REGIÃO NORDESTE
2021
Salvador
2.900.319 habitantes
Fortaleza
2.703.391 habitantes
Recife
1.661.917 habitantes
São Luís
1.115.932 habitantes
Maceió
1.031.597 habitantes
Natal
896.708 habitantes
Teresina
871.126 habitantes
João Pessoa
825.796 habitantes
Aracaju
672.614 habitantes
Crescimento Populacional de Fortaleza
Ano
Habitantes
1726
200
1777
2.874
1808
9.624
1813
12.810
1859
16.000
1865
19.264
1872
42.458
1890
40.902
1900
48.369
1910
65.816
1920
78.536
1930
126.666
1940
180.901
1950
270.169
1960
514.818
1970
842.702
1980
1.308.919
1990
1.766.794
2000
2.138.234
2005
2.374.944
2006
2.416.920
2007
2.458.545
Observe-se que Fortaleza, no Censo de 1872, possuía 42.458 habitantes. O Recenseamento de 1890 verificou que esse número foi reduzido a 40.902, em decorrência do êxodo de grandes levas humanas com destino à Amazônia.
POPULAÇÃO – MAIORES CIDADES CEARENSES
Ceará
9.240.580 habitantes.
Fortaleza
2.703.391 habitantes.
Caucaia
368.918 habitantes.
Juazeiro do Norte
278.264 habitantes.
Maracanaú
230.986 habitantes.
Sobral
212.437 habitantes.
ÁREA TERRITORIAL
Ceará
148.894.447 km²
Fortaleza
312.353 km²
Caucaia
1.223.246 km²
Juazeiro do Norte
258.788 km²
Maracanaú
105.071 km²
Sobral
2.068.474 km²
DENSIDADE DEMOGRÁFICA
Ceará
62,06 hab/km2
Fortaleza
8.655 hab/km2
Caucaia
264,91 hab/km2
Juazeiro do Norte
1004,45 hab/km2
Maracanaú
1.960,25 hab/km2
Sobral
88,67 hab/km2
ECONOMIA DE FORTALEZA
A economia de Fortaleza é essencialmente mercantil. O setor terciário responde à maior parte do PIB de toda a economia da cidade.
PIB (PRODUTO INTERNO BRUTO)
REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA – 2019
Ceará
PIB (2019) – R$ Mil
1. Fortaleza
67.412.733
2. Maracanaú
9.748.585
3. Caucaia
6.919.758
4. São Gonçalo do Amarante
3.759.451
5. Eusébio
3.199.867
6. Aquiraz
2.632.276
7. Horizonte
1.699.470
8. Maranguape
1.534.564
9. Pacajus
1.146.881
10. Pacatuba
1.024.602
11. Cascavel
919.514
12. Trairi
784.875
13. Itaitinga
723.023
14. Paracuru
505.811
15. Paraipaba
440.566
16. Chorozinho
287.728
17. Pindoretama
246.160
18. Guaiuba
203.710
19. São Luís do Curu
110.185
Fonte: IPECE
Em 2002, o valor do Produto Interno Bruto (PIB) de São Gonçalo do Amarante era de R$ 75,46 milhões, o que representava uma participação de 0,26% no PIB cearense e de 0,41% no da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). No entanto, já em 2019, o PIB de São Gonçalo cresceu para R$ 3,75 bilhões, aumentando sua participação no PIB estadual para 2,30% e no PIB da RMF para 3,46%. Com esse avanço, o município registrou o maior ganho de participação municipal: de 2,04 pontos percentuais (p.p) no período, após sua participação crescer 8,75 vezes na comparação dos dois anos. Além disso, São Gonçalo também registrou o segundo maior ganho no PIB da RMF, ou seja, de 3,23 p.p. no período, após sua participação crescer 8,93 vezes na comparação dos dois anos.
Caucaia também de destacou. Em 2002, o valor do seu PIB era de R$ 836,9 milhões, obtendo uma participação no PIB cearense de 2,91% e da RMF de 4,52%, mas, em 2019, o PIB do município atingiu R$ 6,92 bilhões, ou seja, aumentando sua participação no PIB estadual para 4,23% e no PIB da RMF para 6,70%. Tal resultado levou Caucaia a registrar o segundo maior ganho de participação no PIB estadual: de 1,32 p.p. no período, após crescimento de 1,45 vezes, na comparação dos dois anos. Caucaia também apresentou o segundo maior ganho de participação no PIB da RMF: de 2,18 p.p. no período, após sua participação aumentar 1,48 vezes na comparação dos dois anos.
O LITORAL DE FORTALEZA
O litoral de Fortaleza tem uma extensão total de 34 km com um total de 15 praias. Tem como limites a foz dos rios Ceará ao norte e Pacoti ao sul. Outros rios riachos que desaguam no litoral são: Riacho Pajeú, Riacho Maceió e o Rio Cocó.
1. Praia da Barra (do Ceará) - é a praia que faz o limite de Fortaleza com a cidade de Caucaia. Localizada ao norte, tem areia fofa e clara e alguns arrecifes. Tem esse nome por ser a foz do rio Ceará. O local tem muita importância para a história da cidade porque foi o primeiro lugar onde o açoriano Pero Coelho de Sousa fez uma primeira incursão em 1603 construindo o Fortim São Tiago.
2. Praia das Goiabeiras - diferentemente das praias vizinhas, Goiabeiras tem uma particularidade: dunas e uma larga faixa de areia.
3. Praia do Arpoador
4. Praia do Pirambu
5. Praia da Jacarecanga - tem areia grossa e batida e mar calmo, é reta e não tem obstáculos naturais, como rochas e pedras.
6. Praia Formosa
7. Praia de Iracema - com sua noite agitada onde há muitos bares e alguns importantes prédios históricos como a Igreja de São Pedro, o Estoril e a Ponte Metálica além de galerias de arte e o Centro Cultural Dragão do Mar. Também é local da prática de surf e pesca.
8. Praia do Meireles - é onde se encontra a avenida "Beira Mar" que vai até o Mucuripe. É a principal concentração de hotéis da cidade. O Clube Náutico é um importante marco desta praia. Acontece em frente deste clube, todos os dias, a feira de artesanato mais conhecida da cidade.
9. Praia da Volta da Jurema - é o local mais nobre do litoral de Fortaleza. No calçadão existe um polo de lazer e prática de esportes.
10. Praia do Mucuripe - famosa pela composição de Raimundo Fagner que retrata a Jangada e o jangadeiro e por sua comunidade de pescadores. Todos os dias, à tarde e de manhã cedo, é possível ver a partida e a chegada dos pescadores. Tem um movimentado mercado de peixes e mariscos. Nela também existe a mais antiga estátua de Iracema da cidade com Martim, inaugurada em 1965.
11. Praia do Titãzinho - é famosa pela prática do surf que revelou talentos como "Tita" e "Fabinho" e boa também para a prática da pesca esportiva.
12. Praia do Futuro - tem uma longa extensão ocupada por muitas "barracas" que são restaurantes especializados em frutos do mar. Um evento típico de Fortaleza é a Caranqueijada todas às quintas-feiras.
13. Praia do Caça e pesca - um clube de pesca que não existe mais deu nome a essa praia, que tem água turva e areia escura, devido à proximidade com o Rio Cocó.
14. Praia da Sabiaguaba - pouco movimentada, Sabiaguaba tem dunas, coqueiros e manguezal.
15. Praia da Abreulândia - é urbana e bastante frequentada pelos fortalezenses. A praia é extensa, com larga faixa de areia, e vai até a altura do Rio Pacoti, na divisa entre Fortaleza e Aquiraz. Nesse trecho, é possível encontrar algumas pequenas dunas.
FORTALEZA SECRETARIAS EXECUTIVAS REGIONAIS
SER 1 – 10 bairros.
Bairros
Fundação
Observações
1. Jardim Guanabara
1970
2. Vila Velha
1961
3. Barra do Ceará
1603
4. Cristo Redentor
1975
Desmembramento do Pirambu, área do “Tirol”.
5. Pirambu
1932
6. Carlito Pamplona
1948
Antigo “Brasil Oiticica”.
7. Jacarecanga
1812
8. Álvaro Weyne
1952
9. Floresta
?
10. Jardim Iracema
1958
SER 2 – 11 bairros.
Bairros
Pop. 2010
Fundação
Observações
1. Aldeota
42.361
2. Meireles
36.982
3. De Lourdes
3.370
2005
Criado pela lei municipal 8945/05.
4. Papicu
18.370
5. Varjota8.421
6. Cais do Porto
22.382
7. Mucuripe
13.747
8. Vicente Pinzon
45.518
9. Dionísio Torres
15.634
13/12/1967
Nova denominação do bairro Estância.
10. Joaquim Távora
23.450
11. São João do Tauape
27.598
SER 3 – 13 bairros.
Bairros
Pop. 2010
Fundação
Observações
1. Antônio Bezerra
25.846
2. Olavo Oliveira
3. Quintino Cunha
47.277
4. Padre Andrade
12.936
30/05/1951
Nova denominação do bairro Cachoeirinha.
5. Presidente Kennedy
23.004
6. Ellery
7.863
31/12/1956
Denominação oficial dada à Vila Ellery.
7. Farias Brito
12.063
Conhecido popularmente como Otávio Bonfim.
8. Monte Castelo
13.215
1945
9. São Gerardo
14.505
28/10/1981
10. Amadeu Furtado
11.703
11. Parque Araxá
6.715
12. Parquelândia
14.432
21/12/1988
13. Rodolfo Teófilo
19.114
29/07/1966
Nova denominação do bairro Porangabussu.
SER 4 – 13 bairros.
Bairros
Pop. 2010
Fundação
Observações
1. Benfica
12.954
2. Fátima
23.309
03/09/1956
Nova denominação do bairro Redenção (“13 de Maio”).
3. José Bonifácio
8.848
4. Bom Futuro
6.405
5. Damas
10.719
6. Jardim América
12.264
7. Montese
25.970
8. Itaoca
12.477
9. Parangaba
30.947
10. Vila Peri
20.645
11. Aeroporto
8.618
12. Parreão
11.072
13. Vila União
15.378
SER 5 – 5 bairros.
Bairros
Pop. 2010
Fundação
Observações
1. Bom Jardim
37.758
2. Bonsucesso
41.198
3. Granja Lisboa
52.042
4. Granja Portugal
39.651
5. Siqueira
33.628
O bairro fica situado na divisa entre Fortaleza e Maracanaú.
SER 6 – 15 bairros.
Bairros
Pop. 2010
Fundação
Observações
1. Aerolândia
11.360
2. Alto da Balança
12.814
3. Cidade dos Funcionários
18.256
1952
4. Jardim das Oliveiras
29.571
5. Parque Manibura
7.529
6. Cambeba
7.625
7. Messejana
41.689
01/01/1760
8. Parque Iracema
8.409
9. Curió
7.636
10. Guajeru
6.668
11. José de Alencar
16.003
2010
12. Lagoa Redonda
27.949
13. Coaçu
7.188
14. Paupina
14.665
15. São Bento
11.964
29/12/2008
SER 7 – 11 bairros.
Bairros
Pop. 2010
Fundação
Observações
1. Praia do Futuro I
6.630
2. Praia do Futuro II
11.957
3. Cidade 2000
8.272
2009
4. Cocó
20.492
5. Manuel Dias Branco
1.447
6. Engenheiro Luciano Cavalcante
15.543
03/06/1968
Nova denominação do bairro Salineiro de Cocó.
7. Guararapes
5.266
8. Salinas
4.298
9. Edson Queiroz
22.210
13/06/1983
10. Sabiaguaba
2.117
11. Sapiranga/Coité
32.158
SER 8 – 9 bairros.
Bairros
Pop. 2010
Fundação
Observações
1. Dendê
5.637
2. Itaperi
22.563
3. Serrinha
28.770
4. Boa Vista
12.247
2009
5. Dias Macedo
12.111
6. Parque Dois Irmãos
27.236
7. Passaré
50.940
8. José Walter
33.427
9. Planalto Ayrton Senna
39.446
05/03/2003
Área conhecida como Pantanal, no bairro José Walter.
SER 9 – 7 bairros.
Bairros
população em 2010
Fundação
Observações
1. Barroso
29.847
2. Cajazeiras
14.478
3. Conjunto Palmeiras
36.599
1970
4. Jangurussu
50.479
5. Ancuri
20.070
6. Pedras
1.342
7. Santa Maria
sem dados
SER 10 – 11 bairros.
Bairros
Por. 2010
Fundação
Observações
1. Aracapé
2019
Desmembrando de parte do Mondubim.
2. Canindezinho
41.202
3. Conjunto Esperança
16.405
4. Novo Mondubim
2019
Desmembrando de parte da Vila Manoel Sátiro.
5. Parque Santa Rosa
12.790
6. Parque São José
10.486
7. Presidente Vargas
7.192
8. Jardim Cearense
10.103
9. Maraponga
10.155
10. Mondubim
76.044
11. Vila Manoel Sátiro
37.952
SER 11 – 13 bairros.
Bairros
Pop. 2010
Fundação
Observações
1. Bela Vista
16.754
2. Couto Fernandes
5.260
23/07/1956
Nova denominação do bairro Quilômetro 8.
3. Demócrito Rocha
10.994
05/12/1967
Nova denominação do bairro Marupiara.
4. Panamericano
8.815
5. Pici
42.494
6. Autran Nunes
21.208
7. Dom Lustosa
13.147
01/03/1978
Nova denominação do bairro Parque Santa Lúcia.
8. Henrique Jorge
26.994
07/11/1963
Nova denominação do bairro “Casa Popular”.
9. João XXIII
18.398
22/04/1977
Nova denominação das áreas conhecidas como Jardim Aclimação, Jardim Aurora, Parque Conquista, Parque Itu, Parque Pitininga, Parque Santa Cruz e Parque Santa Fé.
10. Jóquei Clube
19.331
11. Conjunto Ceará I
19.221
12. Conjunto Ceará II
23.673
13. Genibaú
40.336
06/01/1982
Bairro Parque Genibaú é a nova denominação de área conhecida como Quilômetro 10, Veneza, Coronel Francisco Nunes ou mesmo Parque Genibaú.
SER 12 – 3 bairros.
Bairros
população em 2010
Fundação
Observações
1. Centro
28.538
2. Moura Brasil
3.765
1877
3. Praia de Iracema
GOVERNO CID GOMES
Em 2006, Cid Gomes foi eleito Governador do Ceará, derrotando o então ocupante do cargo, Lúcio Alcântara, em primeiro turno, com 62,38% dos votos. Quatro anos depois, foi reeleito, também no primeiro turno, com 62,31% dos votos. No primeiro mandato de governador, o vice foi Professor Pinheiro e, no segundo, Domingos Filho.
Nos seus primeiros anos de mandato criou projetos nas áreas de inclusão digital e segurança pública, além de medidas para a preparação do Estado para receber uma refinaria, que não chegou a ser instalada, e de uma siderúrgica, concebida em 2008 e que já está em funcionamento desde 2016 no Complexo Portuário do Pecém.
Cid também foi responsável pela criação do A criação do CONSESP (Conselho Estadual de Segurança Pública), prevista na Constituição Estadual de 1989, assim como na Lei Estadual de número 12.120/93. Em março de 2007, o Governador Cid Gomes nomeou os 13 integrantes do Conselho.
Dando prosseguimento para o Programa de Alfabetização Idade Certa (criado no município de Sobral), o Governo do Estado capacitou 15 mil professores nas 184 cidades do Ceará, impactando mais de 300 mil alunos.
Em 2010 foi reeleito para Governador no primeiro turno com 62,31% dos votos contra 19,38% do candidato Marcos Cals (PSDB).
Assegurou junto à Petrobras e ao Governo Federal a instalação de uma refinaria de petróleo para o Ceará. Outros projetos considerados estruturantes ganharam destaque ou entraram em pauta durante sua gestão, como a construção do Cinturão das Águas, a Companhia Siderúrgica do Pecém, o Cinturão Digital e ações sociais como a Educação Integrada, o Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic), posteriormente adotado pelo Governo Federal sob o nome de Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, construção de hospitais regionais, do Centro de Eventos do Ceará e grande investimento na área da segurança.
Em 2013, Cid Gomes “viralizou” na internet depois de ser flagrado por uma moradora mergulhando dentro de uma adutora tentando consertar um vazamento na cidade de Itapipoca (CE).
Ao final de seu segundo mandato como Governador do Estado, Cid Gomes foi incluído na lista dos 60 nomes mais poderosos do Brasil. Apesar de o estado estar na 11ª posição entre as economias do Brasil, o Ceará figurava então como 4º estado com maior nível de investimento.
GOVERNO CAMILO SANTANA
A renúncia do governador Camilo Santana (PT), publicada no diário oficial desta sexta-feira (1º), marca o fim de uma gestão que durou 7 anos e 3 meses à frente do Executivo estadual. Durante o período, o petista enfrentou crise sanitária, hídrica e na área da segurança pública. Por outro lado, destacam-se os índices educacionais e nível de investimento.
Com a saída do petista para concorrer ao Senado Federal em decorrência da obrigatoriedade de se desincompatibilizar para as eleições deste ano, a vice-governadora Izolda Cela (PDT), tomou posse neste sábado, sendo a primeira mulher a gerenciar o estado efetivamente.
Durante o mês de março, Camilo intensificou asentregas de obras que haviam sido iniciadas durante o seu mandato. Nas últimas semanas, ele entregou, ao lado de Izolda, entre outros equipamentos, o Teleférico de Juazeiro, o Estádio Romeirão, o Complexo Estação das Artes, o Museu da Imagem e do Som e a primeira etapa do Centro Integrado de Segurança Pública.
Em entrevista à TV Verdes Mares, o agora ex-governador disse que "o maior desafio, sem dúvida alguma, foi a pandemia, que completamos agora dois anos em março e que foi uma surpresa pro mundo inteiro, onde o Estado precisou tomar ações muito fortes para proteger, salvar vidas".
Durante a pandemia, o governador decretou duas vezes lockdown, no qual funcionaram no Estado basicamente os serviços essenciais à população, como supermercados, hospitais e farmácias. Leitos de atenção para pacientes com a Covid-19 foram implantados no interior do Ceará, e o Hospital Leonardo da Vinci foi comprado para suprir a necessidade de pacientes.
O Estado, até o momento, já enfrentou três ondas do coronavírus. A primeira, provocada pelo vírus original, cuja primeira identificação foi realizada na China e atingiu o Ceará em meados de maio de 2020. A segunda, provocada pela variante gama, com origem no Amazonas, que devastou o País, e especialmente o Ceará, no início de 2021. A terceira onda, fortalecida pela variante ômicron, infectou grande parte da população nos primeiros meses de 2022.
Durante o mandato, o governador fez lives ao vivo, por redes sociais, para atualizar os decretos de combate à pandemia. As decisões iam mudando semanalmente de acordo com índices da crise sanitária tabulados por um comitê estadual de enfrentamento, que funciona desde a chegada do vírus ao Brasil.
Com o desenvolvimento das imunizantes contra a Covid-19, o governador foi entusiasta da vacinação e até tentou comprar vacinas produzidas pela Rússia junto ao Consórcio Nordeste, grupo formado pelos governadores dos estados da região. Camilo sai com os índices da pandemia estáveis, tanto em casos, quanto em óbitos, e com mais de 78% da população imunizada com duas doses.
ATAQUES E MOTIM
Uma das áreas mais sensíveis durante a gestão Camilo Santana foi a “segurança pública”. O governador enfrentou série de ataques de facções criminosas em dois anos, duas vezes em 2018 e duas vezes em 2019. Nas duas ocasiões, criminosos atearam fogo em ônibus, atiraram e depredaram prédios públicos, chegando até a explodir uma bomba abaixo de um viaduto.
Em 2019, quando iniciaram os ataques, a inteligência da segurança pública do estado identificou que eles eram patrocinados por chefes de organizações criminosas dentro de presídios cearenses que estavam descontentes com a chegada do secretário da Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque.
Os criminosos exigiam a demissão do secretário, mas o governador não atendeu os pedidos e reprimiu os ataques, com diversas prisões, envio dos chefes a presídios federais e fortalecimento nos presídios. Durante a gestão, um órgão do governo federal e, recentemente, o Conselho Nacional de Justiça identificou a prática de tortura em unidades penitenciárias cearenses.
Já em 2020, pouco antes de o coronavírus chegar ao Ceará, Camilo teve de lidar com um motim de policiais e bombeiros militares que cruzaram os braços por 13 dias. Alegando questões salariais, mesmo após rodadas de negociação com o governo e aprovação dos representantes, os militares fecharam batalhões, alguns encapuzados furaram pneus e impediram a atuação de outros profissionais.
O motim fez o número de homicídios no Ceará disparar. Durante os 13 dias da crise, a quantidade de assassinatos subiu 417% em comparação com igual período de 2019. Em média, foram registrados 26 homicídios a cada dia, a maioria deles não tinha informações sobre raça e nenhum indicava a identidade de gênero.
Dois anos depois do motim, o governo continua punindo militares que participaram da paralisação ilegal. Até 22 de março, 15 policiais haviam sido excluídos da corporação, outros 14 foram punidos com sanções disciplinares de permanência.
CRISE HÍDRICA
Uma das primeiras crises enfrentadas pela gestão Camilo foi a hídrica, ainda em 2015. A seca já vinha atingindo uma série de municípios do Ceará, mas teve a situação piorada em 2016 e chegou a ser considerada como a maior crise hídrica já sofrida pelo estado desde 1910. A média de chuva entre 2012 e 2016, por exemplo, foi de 516 mm.
Nesse período, o nível médio dos 153 açudes monitorados pela Cogerh naquela época chegou a ser de apenas 9,4% do volume total. O maior do estado, o Castanhão, responsável por abastecer toda a Região Metropolitana de Fortaleza, ficou praticamente sem água. Foi preciso implementar tarifas de contingência para desestimular os gastos.
EDUCAÇÃO E INVESTIMENTOS
Um dos destaques do governo sob o comando de Camilo foi a Educação. Em diversos índices de aprendizagem nacional, o estado apareceu entre os que mais evoluíram nos níveis fundamental e médio, por exemplo.
Em 2021, o Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (Ioeb), metrificado pelo Ministério da Educação (MEC) apontou que 18 dos 20 municípios com maiores notas eram cearenses, com destaque para as cidades de Sobral e Cruz.
Já no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado em 2020, o Ceará registrou a maior evolução histórica do país nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), passando de 2,8 em 2005 para 6,3. Nessa faixa etária, 9 das 10 melhores escolas do Brasil eram cearenses. No Ensino Médio, o estado saiu da 12ª colocação para a 4ª do País.
Uma das marcas da gestão do petista também foi a ampliação da malha rodoviária do estado. O programa Ceará de Ponta a Ponta, por exemplo, entregou quase 3 mil km em rodovias cearenses. Na ferroviária, o governo ampliou o Metrofor na capital e entregou o VLT Ramal Parangaba-Mucuripe.
Além disso, o Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, bateu recorde de movimentações em 2021, com mais de 22 milhões de toneladas passando pela sua estrutura. O crescimento foi de 40,7% em relação ao mesmo período de 2020. O estado também se transformou em um hub de Hidrogênio Verde, considerado como um dos combustíveis do futuro. Foram assinados 17 protocolos com multinacionais.
De acordo com o governo do Ceará, atualmente 497 obras estão em andamento, o que corresponde a aproximadamente R$ 1,57 bilhão de investimentos. Esse valor está distribuído na construção de estradas, escolas, praças, equipamentos de saúde e segurança.
https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2022/04/02/relembre-fatos-da-era-camilo-santana-no-governo-do-ceara.ghtml
Governadora Izolda Cela apresenta potencial ambiental do Ceará na COP 27
A governadora do Ceará, Izolda Cela, apresentou nesta quarta-feira (9/11), na 27ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 27), o trabalho desenvolvido no Estado para a produção de energias renováveis. O evento está sendo realizado em Sharm El Sheikh, no Egito, e reúne líderes de todo o planeta para discutir estratégias de mitigação dos efeitos do aquecimento global nos países.
Durante apresentação, a governadora destacou a importância do “Hidrogênio Verde”, e o papel dos estados na adoção de novas matrizes energéticas, menos poluentes e mais competitivas. “Essa é uma oportunidade única de termos diálogos que se expandem e conectam cidades, estados, regiões países e pessoas dos mais diferentes lugares, com o objetivo comum de salvar o planeta. Ter responsabilidade com a vida, com o meio ambiente, com o presente e com nosso futuro é uma obrigação de todos”, citou a governadora Izolda Cela.
O evento, que teve como tema central as “Estratégias latino-americanas para implementação do ‘Acordo de Paris’, sob a perspectiva das alianças climáticas”, contou ainda com a presença da secretária de Meio Ambiente de Pernambuco, Inamara Melo; do secretário de Governo de São Paulo, Marcos Penido; e engenheira ambiental mexicana Sofía Hernández, secretária do Governo de Jalisco (MEX).
Em sua apresentação na COP27, a governadora Izolda Cela reforçou a vanguarda doCeará na produção de Hidrogênio Verde, com 24 acordos assinados com grandes empresas internacionais e brasileiras do setor. “Temos uma geografia e condições de natureza que são muito fortes a favor da gente, e nos comprometemos com essa transição energética tão importante para o planeta”, disse.
Na manhã desta quarta-feira, na COP27, a governadora Izolda Cela se reuniu com o CEO da Fortescue Future Industries (FFI), Andrew Forrest, e assinou uma emenda ao Memorando de Entendimento (MoU) com a multinacional australiana. O documento reafirma a intenção da companhia em implementar uma usina de Hidrogênio Verde no Porto do Pecém.
Na quinta-feira (10) estão previstos, ainda, encontros com o Banco Mundial e com o embaixador do Brasil no Egito, Antônio Patriota. “O Ceará está totalmente alinhado com as propostas globais para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, fortalecendo a matriz energética de baixo carbono no Estado. Recentemente criamos o Plano Estadual de Transição Energética Justa – Ceará Verde, que confirma o nosso estado na vanguarda do Hidrogênio Verde no país. Já temos mais de 20 acordos assinados para implementação de usinas do combustível limpo no Ceará. Isso nos permitirá avançar na descarbonização e gerar mais desenvolvimento, emprego e renda no estado”, afirmou a governadora Izolda Cela.
https://www.ceara.gov.br/2022/11/09/governadora-izolda-cela-apresenta-potencial-ambiental-do-ceara-na-cop-27/
EXERCÍCIOS
01. O contato dos indígenas “cearenses” com os invasores europeus contribuiu para:
a) processo de perda da identidade cultural dos indígenas.
b) proteção dos povos indígenas contra o etnocídio e o genocídio.
c) fortalecimento da cultura indígenas através dos aldeamentos jesuíticos.
d) coesão social entre as diversas tribos indígenas através dos aldeamentos.
e) fortalecimento da identidade cultural indígena diante da superioridade europeia.
Gabarito: A.
02. Sobre o processo de ocupação da costa cearense durante o século XVII, pode-se afirmar corretamente:
a) Os portugueses aliaram-se aos indígenas que habitavam essas terras e construíram fortes apenas para defender o centro do comércio do pau-brasil.
b) A presença portuguesa no Ceará tem a ver com a ocupação de Pernambuco pelos franceses e do Maranhão pelos holandeses.
c) O litoral foi intensamente disputado por índios e forças militares de várias potências europeias, e várias fortificações foram construídas por portugueses e holandeses.
d) A conquista do litoral cearense foi empenhada por motivos econômicos, já que o cultivo de cana-de-açúcar estava bastante desenvolvido e o açúcar necessitava ser transportado diretamente para Portugal.
Gabarito: C.
03. Sobre os primeiros tempos da história do Ceará, marque (V) para as afirmações verdadeiras e (F) para as falsas:
( ) O donatário da capitania do Ceará, Antônio Cardoso de Barres, não chegou sequer a tomar posse de sua doação, somente vindo ao Brasil como provedor da fazenda no governo de Tomé de Souza em 1549.
( ) A primeira tentativa de conquista foi efetuada em 1603, pela bandeira dirigida por Pero Coelho de Sousa, por isso ele é considerado o fundador do Ceará.
( ) Não existe relação entre a conquista do Ceará e a luta pela expulsão dos franceses do Maranhão.
( ) Numa visão tradicional, Martim Soares Moreno é considerado o fundador oficial do Ceará.
( ) A base da fundação de Fortaleza foi criada pelos holandeses, na figura de Matias Beck, que, chegando ao Ceará, construiu o forte de Schoonenborch, ficando este, após a expulsão dos flamengos, sob a direção governamental do capitão-mor Álvaro de Azevedo Barreto.
( ) Os missionários da Companhia de Jesus Francisco Pinto e Luís Filgueira, com "objetivos catequéticos", chegaram às terras do Siará Grande em 1607, mas não foram bem-sucedidos.
Gabarito: VVFVVV
04. “A incorporação do Ceará ao Projeto Colonial Português deu-se de modo tardio, quando comparado à conquista do litoral pernambucano, iniciada ainda na primeira metade do século XVI. As primeiras tentativas de conquista do Ceará só ocorreram no início do século XVII com Pero Coelho de Souza, em 1603. Depois com Martim Soares Moreno e por fim, com holandeses, a mais duradoura. No entanto, as tentativas de conquista ocorridas entre 1603 e 1654 não deixaram marcas importantes”.
Fonte: PINHEIRO, Francisco José. Os Povos Nativos do Ceará (uma síntese possível) in: Ceará de Corpo e Alma
– um olhar contemporâneo de 53 autores sobre a Terra da Luz – Rio de Janeiro: Relume/Dumará –
Fortaleza: Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), 2002, págs. 21/22.
No que concerne ao processo de ocupação do território cearense é correto afirmar:
I. O processo de anexação e ocupação efetiva da Capitania do Ceará ao Projeto Colonial Português só se efetuou no final do século XVII e início do século XVIII.
II. A Capitania do Ceará despertou imediato interesse dos colonizadores portugueses
III. A resistência armada dos povos nativos do território cearense aos colonizadores estendeu-se até o final do século XIX.
Marque a opção verdadeira:
a) II e III são falsas.
b) II e III são verdadeiras.
c) I e II são verdadeiras.
d) I e III são falsas.
Gabarito: A
05. Atente para o que se diz sobre o Forte Schoonenborch, fundado pelos holandeses em 1649, naquela que seria a capital cearense:
I. Foi a primeira construção que irradiou o núcleo urbano de Fortaleza. Ele foi, naquele contexto, um espaço centralizador de atividades.
II. Além de sua importância estratégico-militar, uma das suas funções era vigiar os nativos rebeldes.
III. Depois da expulsão dos Holandeses, a Coroa Portuguesa conquistou o Forte e rebatizou-o de Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição.
Está correto o que se afirma em
a) I, II e III.
b) I e III apenas.
c) II e III apenas.
d) I e II apenas.
Gabarito: D
06. (Feitosa – Concursos – 2022) “Em fins de 1810 e primórdios de 1811, esteve na pequena vila de Fortaleza o viajante anglo-português Henry Koster, cujo livro Travels in Brazil (...) transmite algumas de suas impressões sobre a sede da Capitania do Ceará (...): ‘A Fortaleza, de onde a Vila recebe a denominação, fica sobre uma colina de areia, próxima às moradias e consiste num baluarte de areia ou terra, do lado do mar, e uma paliçada , enterrada no solo, para o lado da Vila, contém quatro peças de canhão, de vários calibres, apontadas para muitas direções. Notei que a peça de maior força estava voltada para a Vila. A que estava montada par ao mar não tinha calibre suficiente para atingir um navio no ancoradouro comum.
(FONTE: KOSTER apud Girão, 2000, p. 12 in Antônio Luiz de Macedo Silva e Filho, Fortaleza, Imagens da Cidade, Fortaleza, 2004, Museu do Ceará, Secult, págs. 32-33)
A partir da do texto, que enfoca a impressão de um viajante europeu sobre Fortaleza do começo XIX, e dos conhecimentos sobre a formação histórica dessa cidade, é válido afirmar que:
a) Não se percebe nenhum apelo religioso na formação histórica de Fortaleza.
b) Era notável o aparato urbano que Fortaleza apresentava no período citado no texto.
c) Havia uma preocupação e preparo maior a um ataque indígena do que externo.
d) Fortaleza estava devidamente preparada para se proteger ante um ataque estrangeiro.
e) Existia uma nítida e exclusiva preocupação de segurança em Fortaleza com as invasões externas.
Gabarito: C.
07. As principais atividades econômicas que modificaram a paisagem do sertão cearense ao longo de sua história foram:
a) o cultivo de arroz e a exploração da carnaúba.
b) o cultivo de cana-de-açúcar e de feijão.
c) o cultivo de café e de banana.
d) a pecuária e o cultivo de algodão.
e) a criação de lagosta e o cultivo de milho.
Gabarito: D
08. “O couro era o boi. O avanço coloniza dor ganhava terreno financiando currais onde antes somente pisava o índio bravio. E cada curral iria ser uma fazenda, que se garantia juridicamente com a obtenção da sesmaria ou data”.
(Fonte: GIRÃO, Raimundo. Pequena História cio Ceará. 4" edição. Fortaleza: UFC, 1984, p. 85-86).
Sobre o textoacima, relativo ao período colonial do Ceará, marque (V) se as afirmativas forem verdadeiras e (F) se forem falsas.
( ) O desenvolvimento do Ceará colonial foi propiciado pela expansão das fazendas de gado.
( ) O Ceará foi conquistado pelos donos de frotas que expulsaram os indígenas da região.
( ) O colono português radicado no Ceará dedicou-se, unicamente, às tarefas relacionadas com as charqueadas.
( ) A única função desempenhada pelos escravos nos engenhos cearenses foi a de vaqueiro.
( ) O povoamento e a colonização do Ceará relacionam-se, diretamente, com a. atividade pastoril.
( ) O ciclo do couro foi responsável não só pela ocupação dos sertões cearenses, mas também de toda a faixa litorânea do Nordeste.
Gabarito: VVFFVF
09. Sobre o processo de ocupação do território do atual estado do Ceará:
a) As áreas centrais foram ocupadas economicamente antes do litoral.
b) Os rios Jaguaribe e Acaraú foram os principais caminhos naturais de penetração.
c) A pecuária desenvolveu-se, sobretudo, nas regiões serranas.
d) Os colonizadores no Ceará respeitaram as terras indígenas, evitando exterminar os índios.
e) Os historiadores do Ceará, sem exceção, afirmam que a ocupação do Cariri se deu como resultado da expansão da Casa da Torre.
Gabarito: B
010. A economia cearense foi marcada por dois grandes ciclos econômicos: o Ciclo do Gado (séculos XVIII e XIX) e o Ciclo do Algodão (séculos XIX e XX). Marque a alterativa correta quanto à história econômica do Ceará:
a) O algodão ocupou um papel secundário na economia cearense, muito mais vinculada à pecuária. Neste sentido, as consequências econômicas do comércio algodoeiro foram quase imperceptíveis, principalmente em Fortaleza.
b) Com a riqueza do algodão, a cidade de Aracati, com seu porto natural na foz do rio Jaguaribe, tornou-se a principal cidade cearense.
c) A pecuária extensiva foi a responsável pela ocupação dos sertões do Ceará, principalmente ao longo dos grandes rios e dos vales úmidos.
d) A cidade de Fortaleza foi o centro da produção pecuarista cearense, tornando-se a “capital do couro”.
e) A pecuária extensiva cearense localizava-se no litoral, às margens das praias, já que o interior era muito seco e impróprio para o gado.
Gabarito: C
011. O contato dos indígenas "cearenses" com os invasores europeus contribuiu para:
a) o fortalecimento da identidade étnico-cultural dos indígenas diante da superioridade da cultura europeia.
b) a coesão social entre as diversas tribos indígenas através dos aldeamentos.
c) o fortalecimento da cultura indígena dos aldeamentos jesuíticos.
d) o processo de perda da identidade cultural dos indígenas.
e) que os missionários católicos evitassem o genocídio e o etnocídio dos indígenas no Ceará.
Gabarito: D
012. “Animados pelo exemplo e fortalecidos pela certeza de mútua assistência, entraram na luta os Baiacus seguidos, mais tarde, pelos Cratiús e Icós cearenses”. “Não obstante batidos e dizimados, os nativos continuaram a resistir corajosamente aos portugueses, fazendo prolongar a campanha de 1713 pelos subseqüentes anos de 1714 e 1715”.
(Carlos Studart Filho. Páginas de História e Pré-História. Fortaleza: Editora do Instituto do Ceará, 1966, pp. 63 e 133).
Assinale a alternativa que apresenta corretamente o conflito ao qual o autor do texto acima se refere.
a) A Guerra pela Terra, que envolveu os conquistadores portugueses contra nativos cristãos.
b) A Guerra dos Bárbaros, que envolveu portugueses e seus aliados contra nativos não cristianizados.
c) A Guerra do Sertão, que envolveu portugueses e nativos católicos contra holandeses e nativos protestantes.
d) A Guerra entre portugueses e franceses, sendo que os segundos foram auxiliados por nativos que eram seus aliados.
e) A Guerra entre as potências mercantilistas, Portugal e Holanda, sendo que os nativos foram insuflados pelos holandeses.
Gabarito: B
013. “... Os aldeamentos funcionaram frequentemente como acampamentos militares [...] Parangaba. Paupina (atualmente Messejana), Soure (atualmente Caucaia)...
(Fonte: HOORNAERT, Eduardo. Catequese e aldeamentos na história do Ceará. Universidade Aberta. O POVO, 1984).
Marque V ou F:
A partir do texto acima, pode-se deduzir que os aldeamentos indígenas no Ceará, tiveram outros objetivos, além da específica evangelização, uma vez que:
( ) tornava-se necessário aos colonizadores controlar os nativos.
( ) utilizavam-se dos indígenas pacificado, para combater os considerados indóceis.
( ) planejava-se o emprego da mão-de-obra indígena em prol da economia pecuária.
( ) idealizava-se educar os índios nos moldes europeus para elevar o nível cultural da região.
Gabarito: VVVF
014. As três vilas mais importantes do Ceará no Período da Pecuária (1720-1790) eram:
a) Aracati, Sobral e Icó.
b) Sobral, Icó e Fortaleza.
c) Aquiraz, Fortaleza e Icó.
d) Icó, Aracati e Fortaleza.
Gabarito: A
015. Com relação à História do Ceará, julgue os itens seguintes:
( ) Ao longo do século XVIII, a principal atividade econômica do cearense foi a pecuária, por meio da qual se desenvolveu o comercio do charque.
( ) No Ceará, o predomínio das oligarquias na política loca teve fim com a revolução de 1930.
( ) A introdução de bondes de tração animal, do telegrafo e da telefonia, bem como o calçamento e a canalização da água são ações que caracterizaram a modernização de fortaleza no século XIX.
( ) A cidade de Fortaleza foi fundada no século XVIII, para conter a ação de piratas ingleses no litoral cearense.
Gabarito: VFVF
016. O desenvolvimento das primeiras vilas e cidades no Ceara foi um processo relativamente lento. Estas por sua vez tinham dentre os seus objetivos a implantação e implementação de atividades administrativas, militares e religiosas. Sobre esse processo evolutivo de construção do espaço cearense considere as seguintes proposições
I. Muitos povoados foram originados a partir de fazendas de criação de gado bovino, que deram origem as vilas e depois as cidades. Até o final do século XVIII o Ceara só possuía 12 vilas instaladas, dentre as quais Aquiraz, Fortaleza, Aracati e Crato.
II. A principal cidade do sertão cearense até o século XIX era a vila de Icó, por ser esta um lugar de passagem dos principais fluxos comerciais com os estados de Pernambuco, Bahia e Piauí e onde era franco o comercio de gado, couro, algodão e sal.
III. As condições ambientais e principalmente hidroclimáticas predominantes no território cearense foram consideradas para o surgimento das primeiras vilas que se localizavam próximo as margens dos rios para facilitar o abastecimento d’agua aproveitar os solos mais facilmente. As ocupações nos vales dos rios Jaguaribe e Acaraú são exemplos.
Está correto o que se afirma
a) apenas em I.
b) apenas em I e II.
c) em I, II e III.
d) apenas em I e III.
Gabarito: C
017. A Ordem Régia de 22 de Julho de 1766 tratava da necessidade de formação de vilas no interior do Ceará. Sobre o processo de territorialização e ocupação do Ceará, assinale a alternativa correta.
a) A criação de vilas no Ceará contemplava os interesses da Coroa Portuguesa, dos criadores de gado e de Pernambuco, no que se refere à arrecadação tributária, ao controle social e a expansão da pecuária.
b) As vilas do Ceará, por exigência dos proprietários de terras locais, não construiriam igreja matriz, nem Casa de Câmara.
c) As várias secas que ocorreram no Ceará no século XVIII foram responsáveis pela inexistência de vilas no sertão cearense.
d) A catequese e o aldeamento dos povos indígenas por jesuítas foram ações vigentes na consolidação de vilas no sertão do Ceará, até final do século XVIII.
e) A função da vila de Icó e Aracati, destacadas pela expansão econômica da pecuária, era prover o abastecimento do mercado interno e fundar novas vilas.
Gabarito: A.
018. “Na manhã do dia 11, Pereira Filgueiras, após reunir seus soldados e cercar as principais estradas do Grato, invade a vila, restabelecendo a antiga ordem. Homens armados, cavalos correndo, poeira, ansiedade, medo.Era a repressão. O Capitão-Mor dá vivas a Monarquia e ao Rei, no que é correspondido pelos cratenses, alguns dos quais há poucos dias ‘ferozes’ republicanos (...) José Martiniano de Alencar é o único que se dispõe a resistir, pateticamente, com uma faca. Inútil. Logo é detido. Oito dias após seu início, a revolução pernambucana e liberal de 1817 no Ceará está derrotada”.
(FARIAS, Airton de. Senador Alencar. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha. 2000. p, 34).
Sobre a participação cearense na “Revolução Pernambucana de 1817”, marque a opção errada.
a) O movimento de cunho liberal e influenciado pela Revolução Francesa e independência dos EUA propunha a independência do Brasil.
b) Para garantir a adesão cearense, foi enviado de Pernambuco o jovem seminarista José Martiniano de Alencar.
c) A participação cearense foi muito pequena, ficando restrita ao Cariri e à família Alencar, chefiada por D. Bárbara de Alencar.
d) Os rebeldes cearenses, da mesma forma que os pernambucanos, acabaram fuzilados; em praça pública.
Gabarito: D.
019. Sobre a História do Ceará, podemos dizer que a(o):
a) ocupação holandesa não se refletiu no Ceará.
b) ação catequética dos padres jesuítas não se estendeu ao Ceará.
c) Ceará participou ativamente das revoluções de 1817 e da Confederação do Equador.
d) Ceará não participou de nenhum movimento revolucionário liderado por Pernambuco.
Gabarito: C
020. Sobre os movimentos insurrecionais em que o Ceará participou no século XIX é falso:
a) A Revolução de 1817 tinha caráter emancipacionista e republicano, sendo comandado pela família Alencar, líderes da facção liberal local.
b) Os insurretos de 1817 acabaram fuzilados na Praça dos Mártires por terem participado de uma revolta contra El Rei de Portugal.
c) A Confederação do Equador visava criar uma república liberal no Nordeste, longe do centralismo de D. Pedro I e das ameaças recolonizadoras de Portugal.
d) A influência pernambucana e o descontentamento dos liberais cearenses com D. Pedro I explicam a adesão da província à Confederação do Equador.
e) A Sedição de Pinto Madeira não passou de uma disputa entre os coronéis de Crato e Jardim pelo controle do Cariri no contexto da abdicação de Pedro I.
Gabarito: B
021. Sobre a Confederação do Equador, é correto afirmar que:
a) como a Balaiada e a Farroupilha, ocorreu no período regencial.
b) foi uma revolta de escravos na Bahia.
c) foi uma revolta ocorrida no sul do Brasil, que acabou com a criação de um novo país: o Uruguai.
d) teve início em Pernambuco e proclamou a independência de várias províncias do Nordeste.
e) foi a maior revolta ocorrida nos primeiros anos da República.
Gabarito: D
022. Os cearenses tomaram parte ativa em importantes acontecimentos da História do Brasil, como a Confederação do Equador ocorrida em 1824, que teve, entre suas causas:
a) as frustrações liberais diante da dissolução da Constituinte, a imposição da Constituição de 1824, agravada pela nomeação de Paes Barreto à Presidência de Pernambuco.
b) a organização do Ministério dos Marqueses, integrado por amigos pessoais do imperador.
c) a questão sucessória do trono português, que provocou violenta reação na população, que temia nossa recolonizarão.
d) o incentivo dado pelo imperador ao Partido Brasileiro, contrariando o interesse da burguesia e militares portugueses.
e) a proclamação da Independência da Cisplatina, descontentando a opinião pública pela perda territorial.
Gabarito: A
023. Ofício da Villa do Crato. Temos presente o Ofício de V. Excelências do primeiro do corrente a que acompanharam os Decretos da dissolução da Assembleia Constituinte e Legislativa do Brasil plenamente congregada no Rio de Janeiro [...] e apesar do laconismo que se observa em dito Ofício, ele veio pôr-nos em perplexidade pelo modo decisivo com que V. Excelências, supremas Autoridades desta Província, mandam sem mais reflexão (...)
Jornal Diário do Governo do Ceará, 1º de abril de 1824.
A citação acima se refere à dissolução da Assembleia Constituinte, em 1823, fato que se relaciona com a eclosão da Confederação do Equador. Sobre a participação do Ceará nesse movimento revoltoso, assinale a alternativa correta.
a) O Ceará participou da Confederação do Equador porque pretendia romper com a dependência econômica e política em relação a Pernambuco.
b) A província do Ceará almejava se isolar das demais províncias do atual Nordeste: Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí e Alagoas.
c) O crescimento da exportação de algodão fez com que os proprietários e comerciantes cearenses lutassem pelos interesses do grupo “corcunda”, aliado de D. Pedro I.
d) O grupo “patriota”, composto por membros da família Alencar, defendia ideias monarquistas para garantir os direitos do Ceará junto ao imperador.
e) A maior parte das elites cearenses aderiu ao movimento levada pelo receio de perder sua autonomia, em decorrência do centralismo político imposto pela Constituição de 1824.
Gabarito: E
024. Sobre a revolta liderada por Joaquim Pinto Madeira, no Ceará, em 1831, e a relação com o contexto político do Período Regencial no Brasil, assinale a alternativa correta.
a) Debelou no Cariri os conflitos adversos à instauração da Regência Trina Provisória.
b) Atuou em defesa da projeção política nacional do Presidente de Província do Ceará.
c) Exigiu o retorno do imperador D. Pedro I, estando alinhado aos ideais restauradores.
d) Liderou e teve apoio em 1831 dos liberais envolvidos nos movimentos de 1817 e 1824.
e) Defendeu os interesses políticos dos proprietários de terras das Vilas do Crato e Jardim.
Gabarito: C.
025. “A chamada revolução de 1832, liderada por Joaquim Pinto Madeira, coronel que ocupava o posto de comandante de armas do Cariri cearense, melhor seria caracterizada corno revolta, pois não traria mudanças profundas ou substanciais na região em que se produziu.”
João Alfredo Montenegro
A respeito do movimento que o texto se refere, analise as seguintes afirmativas e marque a opção correta:
I. Reunia forças políticas em torno do movimento a favor da restauração de Pedro I.
II. Caracterizava-se por sua feição liberal à semelhança dos movimentos de 1817 e 1824.
III. Pretendia tão somente alterar a fase política do país com a Proclamação da República.
IV. Concorreu para sua eclosão a rivalidade política entre os coronéis do Crato e Jardim que disputavam o domínio político do Cariri.
a) I e IV estão corretas.
b) II e III estão corretas.
c) I e III estão corretas.
d) II e IV estão corretas.
e) III e IV estão corretas.
Gabarito: A.
026. Entre os séculos XVIII e XIX, contribuíram para consolidar Fortaleza como principal centro urbano do Ceará. Marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso.
( ) A emancipação do Ceará da jurisdição de Pernambuco.
( ) A fundação do Forte Schoonenborch pelos holandeses.
( ) O traçado urbano da capital pelo arquiteto Adolfo Herbster.
( ) O declínio das oficinas de salga e exportação de carne no Aracati.
( ) O aumento da exportação algodoeira, em virtude da Guerra de Secessão.
( ) A ação do boticário Ferreira, presidente da Câmara Municipal, em prol da urbanização.
Gabarito: VFVVVV
027. Considerando-se a economia do Ceará, na segunda metade do século XIX, podemos afirmar, corretamente:
a) Apesar de o Ceará contar com uma diversidade de produtos do setor primário, estes não figuravam nas exportações.
b) A principal fonte de receita da Província era a exportação de artesanato, principalmente objetos de couro e madeira.
c) O consumo interno de algodão, sobretudo na produção de tecidos grossos para escravos, impossibilita qualquer excedente para exportação.
d) O charque, produzido inicialmente em Pelotas (RS), logo após sua técnica de produção chegar ao Ceará, passou a figurar na pauta de exportação.
e) Dentre os produtos de exportação da Província do Ceará figurava o café, que tinha, como principal região produtora a Serra de Baturité.
Gabarito: E
028. No século XIX, o plantio de algodão no Ceará resultou da:
a) necessidade de abastecer as indústrias têxteispaulistas.
b) demanda gerada pela Revolução Industrial inglesa.
c) necessidade de abastecer as indústrias têxteis nordestinas.
d) necessidade de aproveitar o grande contingente de escravos na agricultura.
Gabarito: B
029. A indústria têxtil inglesa demandou, no século XIX, quantidades crescentes de algodão. Provedores tradicionais dessa matéria-prima, como a Índia e o Egito, foram substituídos pelos Estados Unidos; mas, na década de 1860, os conflitos entre o norte e o sul desse país interromperam o fornecimento. Nessa década, o algodão se converteu no principal produto das exportações cearenses.
Em relação ao cultivo de algodão no Ceará, em 1860, é correto afirmar que:
a) Realizou-se com a utilização, de forma generalizada, da mão-de-obra escrava.
b) foram trazidos trabalhadores das áreas de seringais decadentes, criando-se o SEMTA, Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores do Amazonas.
c) Foi realizado com parceiros, escravos e trabalhadores livres.
d) Realizou-se a abolição prematura da escravidão, e se ofereceram salários atraentes para os ex-escravos.
e) foi introduzido por imigrantes norte-americanos, provenientes das áreas algodoeiras.
Gabarito: C
030. Marque V ou F. A consolidação de Fortaleza como centro político, econômico e administrativo, a partir da segunda metade do século passado, verificou-se por (pelo):
( ) sua condição de centro coletor e exportador de algodão.
( ) sediar os principais serviços da administração pública.
( ) ser a capital da Província e cidade portuária.
( ) ter sido a primeira vila estabelecida no Ceará.
( ) desenvolvimento do comércio exportador.
Gabarito: VVVFV
031. O Crescimento urbano da cidade de Fortaleza no final do século XIX se deveu, principalmente, à (ao).
a) êxodo rural provocado pela seca de 1877, evitando o perigo das mortes, das invasões e da miséria da população que encontra abrigo confortável na cidade.
b) crescimento das indústrias têxteis a absorver mão-de-obra, infraestrutura e serviços urbanos.
c) expansão da cultura algodoeira de exportação, concentrando na capital do comércio importador e exportador, além das atividades de serviços, administração e recolhimento de impostos.
d) concentração das atividades portuárias com a transferência do comércio exportador açucareiro de Recife para Fortaleza, devido ã epidemia de cólera na capital pernambucana.
Gabarito: C
032. Reportando-se ao banditismo e cangaço no Ceará, podendo afirmar que:
a) os setores dominantes locais sempre combateram a formação de bandos armados.
b) o aperfeiçoamento dos mecanismos do controle do Estado contribuiu para a expansão de bandos armados.
c) o “Pacto dos Coronéis”, sob a égide de Padre Cícero, objetivava combater o fanatismo e o misticismo no Ceará.
d) a estrutura fundiária, o mandonismo e o clientelismo favoreceram a sua formação.
Gabarito: D
033. “(...) A EFB (Estrada de Ferro Baturité) surge quando o Ceará vai-se incorporando ao mercado internacional através de seus produtos (...), ora sofre as influências do mercado externo, ora as consequências da política nacional e ora interferência de fatores internos quer históricos, quer naturais”.
(Fonte FERREIRA, Benedito Genésio. A estrada de ferro de Baturité: 1870-1930. Fortaleza: UFC/Stylus, 1989,p. 194).
Tendo como base o texto acima e os conhecimentos de História do Ceará, podemos afirmar (marque V ou F):
( ) a FFB procurava atender a demanda de transporte para o café e o algodão, produzidos no Ceará.
( ) na construção da EFB explorava-se a mão-de-obra de flagelados das secas que se abatiam sobre o Ceará.
( ) como “o sertanejo é antes de tudo um forte", nos períodos de seca, a produtividade do seu trabalho aumentava.
( ) a inserção do Ceará no mercado internacional se fazia com a produção e comercialização de produtos primários.
( ) a construção da EFB excluía o Ceará do quadro da divisão internacional do trabalho.
Gabarito: VVFVF
034. As grandes secas de 1877-1879 não somente secaram os reservatórios de água de Fortaleza; trouxeram graves efeitos para a cidade. Neste sentido, aponte a única alternativa FALSA:
a) Nos três anos que perdurou a estiagem, mais de 100 mil sertanejos migraram para a capital cearense, transformando a cidade num grande formigueiro humano.
b) A maior parte desses retirantes famintos ficava abrigada nos chamados “campos de concentração” ou “abarracamentos” localizados nos arredores da cidade sem qualquer condição de higiene.
c) A grande seca de 1877 – 1879 agravou o estado sanitário de Fortaleza. Em 1877 uma epidemia de varíola vitimou milhares de retirantes nos arrabaldes da cidade.
d) A partir de 1879 algumas chuvas caíram, o que contribuiu para nova onda da epidemia de varíola. A lista de mortos duplicou assim como o número de vítimas da doença a mendigar pela cidade.
Gabarito: D
035. Acerca dos aspectos socioeconômicos que contribuíram para o declínio da escravidão no Ceará, final do século XIX, assinale a alternativa correta.
a) As fugas constantes de escravos das propriedades rurais para os centros urbanos diminuíram a necessidade de mão-de-obra escrava para os trabalhos na lavoura e na pecuária.
b) A Sociedade Cearense Libertadora, através de denúncias no jornal O Libertador, interveio contra os senhores de escravos devido aos excessos de castigos aplicados.
c) A manumissão, fundo de emancipação pago ao senhor de escravo, foi uma das formas de alforriar que corroboraram para o fim do escravismo no Ceará.
d) Os debates abolicionistas no Ceará, fins do século XIX, estabeleceram fortes conflitos com os escravagistas cearenses acerca das condições de vida do cativo.
e) As consequências sociais e econômicas da seca de 1877 no Ceará, como a escassez de mão-de-obra, fizeram com que o escravo servisse como trabalhador livre.
Gabarito: C
036. Sobre a abolição dos escravos no Ceará, podemos afirmar corretamente que:
a) foi unicamente decorrente da força do movimento abolicionista local, enfrentando proprietários de escravos e governo.
b) o aumento do tráfico interprovincial em direção ao Sul do país, a seca de 1877-1880 e o movimento abolicionista, que favorecia as fugas, fizeram com que, em 1884, poucos escravos ainda existissem no Ceará.
c) com a abolição, a economia cearense se viu inteiramente desestruturada, já que dependia totalmente da mão-de-obra escrava.
d) foi com a decisiva participação do jangadeiro Dragão do Mar que a abolição no Ceará se tornou possível, libertando milhares de negros através da compra de suas cartas de alforria.
Gabarito: B.
037. “Dos ferros que acorrentaram
o negro na penitência
a ciência de nobre afro
fez um agogô para tocar
loas de maracatu
cantigas de liberdade
hoje eu sou Dragão do Mar”
(“Dragão do Mar”— Calé Alencar)
Sobre a abolição da escravidão no Ceará é correto afirmar:
a) Deu-se em virtude da ação revolucionária das entidades abolicionistas, que incitavam os escravos a fugir.
b) O Ceará foi pioneiro na abolição da escravidão, libertando-os oficialmente em 1884 devido, sobretudo, ao peso menor da escravatura em sua economia.
c) Ocorreu pela união entre Francisco José do Nascimento, o Dragão do mar, e os proprietários de escravos.
d) O pioneirismo cearense na abolição mostra o espírito libertador das elites cearenses.
e) Com a abolição a economia cearense, viu-se inteiramente desestruturada, já que dependia totalmente da mão-de-obra escrava
Gabarito: B.
038. Vende uma pessoa chegada há pouco do Norte bonitos e moços, entre elles notão-se um official de ourives, uma bonita crioula, uma parda de 18 a 20 annos com habilidades, um preto padeiro e torneiro, um bonito pardo de 17 annos, optimo para pagem e mais pretos moleques; na rua da Alfândega n. 278.
(Fonte: Jornal do Commércio, 1854 apud NOVAIS, Fernando. A História da Vida Privada ao Brasil, v.2. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 251.)
O anúncio acima, publicado num jornal do Rio de Janeiro, indica que os referidos escravos eram oriundos de uma província do Norte, classificação onde se inseria o Ceará, que participoudo comércio negreiro interprovincial, em virtude da(o):
a) promulgação da Lei do Ventre Livre, que proibia a permanência da mão-de-obra escrava nas atividades agrárias algodoeiras.
b) qualificação dos escravos, garantida através da educação ministrada pela Igreja e apoiada pelos abolicionistas locais.
c) fracasso da campanha desenvolvida por Francisco Nascimento, o Dragão do Mar, contra o comércio de escravos.
d) proibição do tráfico negreiro internacional e da ausência de atividade produtiva que dependesse sobretudo do trabalho escravo.
e) declínio da Sociedade Cearense Libertadora, considerada prejudicial aos interesses do intenso tráfico negreiro existente.
Gabarito: D
039. “O binômio gado-algodão vai ter em Fortaleza seu grande centro, assim como a cana-de-açúcar teve o Crato e a carne-de-sol teve Aracati”.
(SILVA, José B. da. Os incomodados não se retiram: uma análise dos movimentos sociais em Fortaleza. Fortaleza- Multigraf, 1992, p. 22)
A produção do algodão, no século XIX, foi de grande importância para a economia do Ceará e para o crescimento de sua capital. Assinale a alternativa que expressa corretamente o momento em que esta produção atinge o seu apogeu.
a) Com a abolição da escravatura no Ceará em 1883.
b) Durante a Guerra de Secessão nos EUA (1861-1865).
c) Durante o bloqueio continental imposto aos ingleses por Napoleão.
d) Logo após a transferência da família real portuguesa para o Brasil em 1808.
Gabarito: B.
040. Sobre a economia cearense entre os períodos colonial e imperial, marque a opção certa.
a) O trabalho de vaqueiro no Ceará colonial era ocupado por homens livres que recebiam salários.
b) A cultura algodoeira foi responsável pelo povoamento da terra cearense a partir do século XVI.
c) O charque e a comercialização da carne seca fizeram do Cariri a principal região econômica do Ceará colonial.
d) A predominância da exportação do algodão pelo porto de Fortaleza contribuiu para consolidar a capital como principal centro urbano do Ceará no século XIX.
e) O café no Ceará só foi cultivado nas regiões de Sobral e Camocim, e não teve nenhuma expressividade na economia exportadora cearense do século XIX.
Gabarito: D
041. “Santo, milagreiro, visionário. Charlatão, herege, coronel de batinas. Talvez não haja em nossa história uma figura mais controvertida que Pe. Cícero Romão Batista. Entre os últimos anos do século XIX e as primeiras décadas do século passado, o patriarca de Juazeiro envolveu-se em uma série de embates políticos e religiosos que ainda hoje suscitam apaixonados debates. Não é ousado dizer que foi o cearense mais conhecido de todos os tempos - sua popularidade espalhou-se por todo o país, movimentou romarias durante décadas inteiras, foi alvo de discussões no parlamento, na imprensa e nos meios intelectualizados, colocou a cúpula da Igreja Católica em situação delicada, acirrou discórdias e lutas entre facções políticas. Um homem polêmico.”
(Farias, Airton de. História da sociedade cearense. Fortaleza. Livro Técnico. 2003.)
Sobre a importância historiográfica em torno do Padre Cícero, é falso afirmar:
a) A questão religiosa de juazeiro é resultado das divergências entre a postura romanizadora da alta hierarquia da Igreja e a prática cotidiana próxima do misticismo popular dos padres do Sertão.
b) Enquanto a devoção ao Pe. Cícero contou com apoio do coronelismo e da oligarquia acciolyna no Ceará, Canudos sofreu repressão dos latifundiários e do estado.
c) Sua atuação política fê-lo prefeito de Juazeiro, vice-governador e deputado, o que em boa parte era articulado por Floro Bartolomeu
d) O encontro de Lampião com Padre Cícero provocou muita repercussão, aumentando o preconceito contra os fiéis de Juazeiro
e) A igreja Católica, após alguma indecisão, acabou reconhecendo o milagre de Juazeiro e a santidade de Pe. Cícero.
Gabarito: E
042. “A Questão Religiosa de Juazeiro, embora aparentemente se tenha apresentado como um problema de existência ou não de Sangue de Cristo nas hóstias em transformação, na realidade foi uma luta dentro da Igreja”.
(BARROS, Luitgarde Oliveira Cavalcanti. O. movimento religioso de Juazeiro do Norte. Padre Cícero e fenômeno do Caldeirão.
Apud: SOUZA, Simone - coord. História do Ceará. Fortaleza: UPC/FDR/Stylus. 1989, p, 257).
Sobre esta luta a que a autora se refere, pode-se afirmar que:
a) representava as divergências entre os adeptos políticos de Padre Cícero e Floro Bartolomeu contra os chamados “rabelistas”, que apoiavam o presidente da província, Flanco Rabelo.
b) é resultado da divergência entre a orientação romanizadora e elitista da hierarquia da Igreja e a prática cotidiana próxima do misticismo popular dos padres do sertão cearense, especialmente Padre Cícero.
c) esta cisão no interior da Igreja já era resultado da ação desagregadora da Teologia da Libertação, praticada nas Comunidades Eclesiais de base, especialmente em Juazeiro, sob a orientação do Padre Cícero.
d) significava a diferença de orientação pastoral entre Padre Cícero e o beato José Lourenço, de Canudos.
Gabarito: B
043. Confrontando os movimentos religiosos políticos de Juazeiro com o Padre Cícero, e de Canudos com Antônio Conselheiro, podemos afirmar:
a) Padre Cícero e Antônio Conselheiro se tomaram líderes religiosos porque, além de realizarem milagres, conseguiram terra e trabalho para seus seguidores.
b) Tanto Padre Cícero como Antônio Conselheiro não sofreram censuras da Igreja Católica Romana.
c) Esses movimentos se explicam, fundamentalmente, pelo fanatismo religioso dos seus seguidores, marcados pelo analfabetismo e pela superstição.
d) Enquanto a devoção ao Padre Cícero contou com a simpatia do Coronelismo e da oligarquia acciolyna no Ceará, Canudos sofreu repressão dos latifundiários e do Estado.
e) Ambos tinham em comum a crítica ao regime republicano que separou a Igreja do Estado e proibiu o direito de voto a padres e analfabetos.
Gabarito: D
044. A Questão Religiosa no Ceará, envolvendo o Padre Cícero e a Igreja Católica, propiciou o:
a) estímulo do processo de “romanização” no Ceará.
b) incentivo à ação dos leigos junto às massas populares.
c) enfraquecimento de Juazeiro do Norte, como núcleo do catolicismo popular.
d) fortalecimento das práticas do catolicismo popular, entre beatas e penitentes.
Gabarito: D
045. O Ceará foi palco de importantes eventos de caráter sociorreligioso, entre os quais ressalta o fenômeno de Juazeiro do Padre Cícero. A respeito disso, identifique a opção correta:
a) Tais eventos demonstram que o catolicismo oficial sempre reconheceu os movimentos religiosos de caráter popular.
b) Em nenhuma circunstância houve aproveitamento político do sentimento de religiosidade de seus seguidores.
c) Os movimentos religiosos foram resultado de uma forte e bem articulada conversão das pessoas ao catolicismo oficial, sendo, desta maneira, exemplos da ortodoxia católica.
d) A liderança religiosa que exerceu o Padre Cícero sobre seus seguidores capacitou-o a manter sobre eles uma liderança política, coisa que fez até o final de sua vida.
e) As condições econômicas, sociais e culturais do povo cearense em nada se relacionam com os eventos de ordem religiosa e messiânica.
Gabarito: D.
046. Sobre o Ceará na segunda metade do século XIX, marque a opção falsa:
a) Nesse momento Fortaleza se consolida como principal centro urbano cearense, o que se deveu, sobretudo, ao comércio exportador, ao êxodo rural e à política centralizadora do Império.
b) Há uma profunda valorização da cultura e do pensamento local, opondo-se ao modelo da Belle Époque, tido então como fruto da ação imperialista europeia sobre o Ocidente.
c) Teve-se a abolição da escravatura negra, em 1884, fato dos mais exaltados na historiografia local, apesar de o Ceará apresentar poucos cativos e estes terem um peso pequeno na economia cearense.
d) A seca de 1877-79 assola o Ceará, aumentando a tensão social – diante disso, os setores dominantes criaram abarracamentos, utilizaram mão-de-obra dos flagelados em construções públicas e chegaram a pagarpassagens retirando populares da província.
e) Após uma euforia inicial, quando era grande o número de voluntários para a Guerra do Paraguai, o governo imperial passou a recrutar à força sertanejos para “defender a Pátria”, o que gerou inúmeros conflitos e perseguições.
Gabarito: B.
047. “Os associados adotavam um criptônimo ou nome de guerra e eram denominados padeiros. O jornal do grupo tinha o título de O Pão. O presidente era o padeiro-mor. Os secretários receberam a alcunha de forneiros e o tesoureiro o de gaveta. Padeiros livres eram os sócios correspondentes. As sessões eram as fornadas”.
(GIRÃO, Raimundo. Pequena História do Ceará. 4a ed. Fortaleza: UFC, 1984, p, 229)
O texto traz aspectos da organização interna da Padaria Espiritual que foi:
a) Agremiação literária fortalezense.
b) Sindicato dos padeiros de Fortaleza.
c) Clube dos caixeiros viajantes cearenses.
d) Associação benemérita de fundo religioso em Fortaleza.
Gabarito: D.
048. Em 2012, aconteceu, em Fortaleza, a X Bienal Internacional do Livro do Ceará (nov/2012), na qual se homenageou um importante movimento ocorrido no Ceará, no século XIX, conhecido como “Padaria Espiritual”.
A respeito desse movimento, podemos afirmar que
I. Foi a primeira manifestação explícita de adeptos da doutrina espírita no estado do Ceará, tendo como objetivo principal a divulgação da obra de Allan Kardec, recém-lançada na França.
II. Consistiu numa agremiação cultural, fundada em 1892, formada por escritores, pintores, desenhistas e músicos, que teve como idealizador e um de seus fundadores o escritor Antônio Sales.
III. Foi um movimento formado por jovens intelectuais, que tinha como principal objetivo criticar e protestar, especialmente por meio das letras, a sociedade burguesa, o clero e tudo o que fosse tradicional.
IV. Foi um movimento de natureza católica, nascido no seio da burguesia e apoiado pelo 1º bispo do Ceará, D. Luís Antônio dos Santos, com o propósito de fortalecer os valores cristãos na sociedade cearense.
V. Durou cerca de 6 anos, publicou periodicamente um jornal chamado “O Pão”, no qual os “padeiros” tratavam de assuntos diversos da vida literária do Ceará e do Brasil, além de publicarem seus próprios textos.
Assinale a opção CORRETA.
a) São verdadeiros somente I e III.
b) São verdadeiros somente II, III e V.
c) São verdadeiros somente I, II e V.
d) São verdadeiros somente II, IV e V.
e) São verdadeiros somente II e IV.
Gabarito: B
049. Sobre a política cearense, no alvorecer do século XX, é correto afirmar que:
a) caracterizou-se pelo exercício da ampla participação popular.
b) era polarizada pela disputa entre os partidos Comunista e Conservador.
c) os governadores do Estado eram nomeados pelo Imperador.
d) ao contrário dos demais Estados, aqui já havia o voto feminino.
e) foi dominada pelo grupo oligárquico de Nogueira Accioly.
Gabarito: E.
050. “Presidente do Estado: Nogueira Acioli.
Secretário do Interior; José Acioli.
Diretor de Secção: Lindolfo Pinho, Sobrinho do presidente.
ACADEMIA DE DIREITO
Diretor: Nogueira Acioli
Vice-Diretor: Tomaz Pompeu (cunhado de Acioli).
LICEU
Professores; Tomaz Acioli, Jorge de Sousa (genro de Acioli)
ESCOLA NORMAL
Tomaz Acioli, José Acioli, e mais sobrinho, sobrinha e irmão do presidente.
CÂMARA MUNICIPAL
Secretário; Jovino Pinto (sobrinho de Acioli)
Procurador Fiscal; António Acioli
BATALHÃO DO EXÉRCITO
Comandante: Capitão Borges (genro de Acioli)
SENADORES: Tomaz Acioli e Francisco Sá (filho e genro de Acioli)
DEPUTADOS FEDERAIS: João Lopes (primo de Acioli), Gonçalo Souto (tio de uma nora de Acioli)."
(Fonte: JANOTTI, Mª de Lourdes M. O Coronelismo: uma política de compromisso. São Paulo, Brasiliense, p. 65-66).
Considerando a estrutura de poder no Ceará, durante a primeira República sugerida no quadro acima, podemos concluir que:
( ) não podemos afirmar que no Ceará chegou a se constatar uma oligarquia aciolina.
( ) no sistema oligárquico, o "público" se confunde com o "privado".
( ) a solidariedade política entre os membros da oligarquia sedimenta-se na solidariedade familiar.
( ) a estrutura de poder oligárquico se estabelece sem vinculação com a estrutura de "classe".
( ) no Ceará, estado-membro de uma "República Liberal", observava-se a democratização das funções públicas.
Gabarito: FVVFF
051. “Nem a construção do teatro, nem as tentativas de instalar o abastecimento de água e esgoto, ou mesmo o embelezamento da cidade promovido pela Intendência Municipal impediram o crescente descontentamento da população contra o governo de Nogueira Accioly.”
(PONTE, Sebastião R. Fortaleza belle evoque. Fortaleza: FDR/Multigraf, 1993, p. 48).
Com relação ao governo de Nogueira Accioly, presidente do Estado do Ceará até 1912, podemos assinalar corretamente que:
a) apesar de impopular, Accioly consegue manter-se estável no poder estadual até a descoberta de fraudes e outras irregularidades administrativas, o que provocou a intervenção do governo federal.
b) durante a campanha eleitoral de 1912, passeatas de oposição duramente reprimidas pela polícia são o estopim para uma grande insurreição popular que cerca o palácio e obriga Accioly a renunciar.
c) após uma intensa campanha de desgaste político, o movimento oposicionista consegue eleger pacificamente seu candidato ao governo do Estado, Franco Rabelo, empossado respeitosamente por Accioly.
d) diante das manifestações populares exigindo a sua renúncia, Accioly se retira do governo para retornar mais forte do que nunca em 1914, com a Sedição de Juazeiro.
Gabarito: B
052. “O Ceará é uma terra condenada mais pela tirania dos governos, do que pela inclemência da natureza”.
(Fonte; TEÓFILO, Rodolfo. A seca de 1915. Fortaleza UFC, 1980. p. 31)
Esta frase, escrita em 1916, expressa uma revolta com aquilo que o autor via acontecer no governo deste período. Marque a alternativa que indica corretamente algumas características da política cearense na Primeira República:
a) A crítica do conservador Rodolfo Teófilo se dirigia às iniciativas democráticas e socializantes que o governo de Franco Rabelo vinha implementando desde a queda de Accioly em 1912.
b) O controle político era assegurado pelo domínio oligárquico e coronelista, em que se sobressai a presença de Nogueira Accioly como principal oligarca do Estado.
c) Apesar do rígido controle oligárquico sobre o governo, havia um clima de liberdade de expressão, em que os jornalistas e críticos do governo podiam manifestar-se sem medo de repressão.
d) As oligarquias que se sucediam no poder tinham que enfrentar frequentes revoltas urbanas, como a Sedição de Juazeiro, em 1914.
Gabarito: B
053. “Fortaleza era pura agitação. As acusações, os manifestos, as passeatas, os comícios e as provocações de parte a parte tornavam o ambiente explosivo. O povo estava entusiasmado com a possibilidade real de depor Accioly. De fato, esse sonho estava na iminência de concretizar-se, não pelo voto, mas pelas armas, em uma revolta popular, cujo estopim foi a passeata das crianças”.
(FARIAS, Airton de. História do Ceará: dos índios à geração Cambeba. Fortaleza: Tropical, 1997 p. 130)
Sobre a deposição do Comendador Nogueira Accioly da Presidência do Estado do Ceará, em 1912, comentada no texto acima citado, é conoto afirmar que:
a) a expectativa popular foi frustrada pelos acordos políticos entre Accioly e o candidato da oposição, Franco Rabelo, garantindo uma transição pacífica.
b) a queda de Accioly está ligada à "Política das Salvações" do Presidente Hermes da Fonseca e à revolta popular diante dos desmandos do oligarca.
c) a revolta popular não só garantiu a deposição de Accioly como instalou um governo revolucionário de caráter socialista que durou apenas duas semanas.
d) a derrota eleitoral de Accioly foi comemorada com entusiasmo pela população que, apesar de tudo, manteve a ordem na cidade.
Gabarito: B
054. Sobre a Sedição de Juazeiro (1914), é correto afirmar que:
a) o conflito pôs em confronto, de um lado, os grupos conservadores urbanos, liderados pela Igreja Católica,e os proletários de Fortaleza e, de outro, os camponeses e produtores rurais, ligados ao setor de exportação.
b) foi a reação contra uma intervenção militar que visava transformai o Ceará num pólo de produção cerealífera, mediante a expansão dos polígonos irrigados.
c) originou-se no confronto dos interesses, vinculados à indústria de exportação, com os interesses dos produtores de bens duráveis, vinculados à expansão do mercado interno.
d) era liderada pelo alto clero da Igreja Católica que, da cidade de Juazeiro, tentava depor o Padre Cícero, que tinha criado uma cisão no catolicismo.
e) opôs a classe média e os comerciantes, apoiados por fazendeiros: contrários a Accioly, aos interesses agrários tradicionais, apoiados por Padre Cícero.
Gabarito: E
055. Em 1914, exércitos de sertanejos armados chegaram até as portas de Fortaleza exigindo a renúncia do governo estadual: era a chamada Sedição de Juazeiro. Como elementos deste conflito que abalou a sociedade cearense, podemos assinalar corretamente:
a) significou o retorno de Nogueira Accioly ao poder, com o apoio do Padre Cícero e do governo federal.
b) a formação de exércitos de sertanejos representou um dado de instabilidade que levou o governo federal a reprimir violentamente a Sedição, recolocando Franco Rabelo no poder.
c) foi provocada pelas dissidências oligárquicas entre rabelistas e aciolistas, que disputavam o apoio do governo federal.
d) representou uma manifestação do poder do Padre Cícero, que se sentiu ameaço pelo governo liberal e democrático de Franco Rabelo.
Gabarito: C
056. A Sedição de Juazeiro (1914) caracterizou-se por ser um movimento político que:
a) promoveu a manutenção da oligarquia de Accioly no poder, com o mesmo como Presidente do Estado do Ceará.
b) derrubou o governo de Matos Peixoto e inaugurou a Revolução Tenentista no Ceará.
c) provocou a derrubada de Franco Rabelo, e as oligarquias conservadoras voltaram a mandar no Ceará, mas sem a liderança de Nogueira Accioly.
d) defendeu os direitos sociais das camadas mais humildes e sertanejas, gerando uma sociedade alternativa, mais justa e humana, sob a liderança de José Lourenço.
e) ratificou a Política das Salvações no estado cearense, colocando, no controle estadual, o democrata Liberato Barroso e pondo fim ao nepotismo da oligarquia Paula Rodrigues.
Gabarito: C.
057. “Desta forma, em 1924, com base no Relatório do então Diretor de Higiene Pública do Ceará, Dr. Clóvis Barbosa de Moura, percebia-se o funcionamento de uma máquina de controle médico na capital e no interior.”
PONTE, Sebastião Rogério. Fortaleza Belle Epoque: Reforma Urbana e
Controle Social (1860-1930). Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2001. p. 15-122.
Atente para o que se diz acerca da criação de uma rede de controle médico no estado do Ceará, no início da década de 1920, referida no excerto acima.
I. Análises e discursos desse porte são indicativos de que, no período em questão, instaurava-se um movimento médico-higienista, no sentido de operar transformações na saúde pública da capital e do interior do Ceará.
II. É plausível considerar que no Ceará, no período citado, foi difícil a aceitação da chamada medicina científica entre a maioria da população, habituada que estava a uma medicina, digamos, popular e mais acessível.
Sobre as afirmações acima, é correto dizer-se que
a) I é falsa e II é verdadeira.
b) I é verdadeira e II é falsa.
c) ambas são verdadeiras.
d) ambas são falsas.
Gabarito: C.
058. No final do mês de março, grandes levas de retirantes já enchiam de tristeza e fome as estradas do Sertão. Das mais longínquas paragens saíam homens e mulheres arrastando filhos e alguns pertences a caminho da cidade. “Muitos se juntavam, formando enormes bandos de flagelados.”
Fonte: RIOS, Kênia Sousa. Campos de Concentração no Ceará: isolamento e poder na seca de 1932.
Fortaleza, Museu do Ceará/Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, 2006. p 10.
O fragmento narra um pouco da saga dos retirantes do Sertão do Ceará, durante a seca de 1932. Sobre o tema, analise atentamente as afirmações a seguir, classificando-as como verdadeiras (V) ou falsas (F).
I. Os retirantes, na luta para manterem-se vivos, enquanto realizavam longas caminhadas em direção à Fortaleza, matavam e comiam algumas reses que ainda resistiam nos pátios das grandes fazendas. Nos jornais de Fortaleza, eram comuns notícias de roubos de bois e vacas.
II. Os flagelados caminhavam longos trechos à procura das estações ferroviárias, de onde saiam em grandes levas em direção à capital do Estado. A partir de 1932, os trens que saíam em direção à Fortaleza, oriundos do interior, levavam um grande número de retirantes.
III. Os Campos de Concentração do Sertão foram construídos em lugares onde havia, nas proximidades, uma estação ferroviária. Com essa medida, os poderes constituídos procuravam diluir as tensões que se formavam nos “pontos de trens” e ao mesmo tempo, tentavam evitar a migração para a capital.
É correto o que se afirma
a) apenas em I e III.
b) apenas em II e III.
c) em I, II e III.
d) apenas em I e II.
Gabarito: C.
059. “Povo cearense, começa hoje o regime de ginecocracia: às treze horas empossar-se-á o governador eleito pelo voto das beatas inconscientes e dos padres politiqueiros. Guardai, neste instante, um minuto de silêncio em homenagem aos mortos da Revolução”.
(SOUZA, Simone, As interventorias no Ceará - 1930-1935, Apud. SOUZA. Simone-coord. História do Ceará. Fortaleza. UFC/Fundação Demócrito Rocha/Stylus Comunicação, 1989, p, 331).
O texto acima se refere ao contexto histórico do pós-1930 cearense, no qual as seguintes forças políticas polarizaram a disputa eleitoral:
a) LEC (Liga Eleitoral Católica) e LCT (Legião Cearense do Trabalho).
b) Integralistas e Liga Eleitoral Católica.
c) Oligarquias mais tradicionais e os integralistas.
d) Círculos Operários Católicos e Legião Cearense do Trabalho.
e) Setores Liberais e Liga Eleitoral Católica.
Gabarito: E.
060. “Esta preocupação em conter a politização e emancipação do operariado por parte do governo getulista concorre para explicar o surgimento e expansão de movimentos políticos como a LCT (Legião Cearense do Trabalho), no contexto de 30”.
(FONTE, Sebastião R. A Legião Cearenses do Trabalho. Apud, SOUZA, Simone-coord.
História do Ceará. Fortaleza: UFC/FDR/Styllus, 1989. p. 360.)
Com relação ao avanço destes movimentos no Ceará, podemos afirmar que:
a) a força e a organização do movimento operário no Ceará, sob a liderança doa comunistas, impediram que a influência do movimento legionário se expandisse.
b) o objetivo da LCT era harmonizar as relações entre capital e trabalho, eliminando a influência de grupos comunistas e anarquistas sobre o operariado.
c) o trabalho dos legionários foi decisivo para a propaganda anti-getulista no Ceará, através de greves, comícios e outras ações de massa.
d) a LCT, corno os Círculos Operários Católicos (COC), realizou um amplo papel de conscientização dos operários sobre seus direitos e sobre a situação de exploração em que viviam.
Gabarito: B.
061. Em 07 de maio de 1933, o jornal O Legionário, porta-voz da Legião Cearense do Trabalho, defendia a instauração de “uma nova ordem social, repelindo a oligarquia burguesa e a oligarquia proletária, repudiando o liberalismo grotesco e o socialismo anárquico”.
(Citado por Raimundo Barroso Cordeiro Júnior. “A Legião Cearense do Trabalho” in Simone de Souza (org.) Uma nova história do Ceará. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2000, p. 329).
A partir desse trecho e de seus conhecimentos, assinale a alternativa correta sobre a Legião Cearense do Trabalho e suas ideias políticas.
a) Abraçou plenamente os princípios do liberalismo, propondo uma sociedade com a mínima intervenção do Estado.
b) Surgiu no contexto da implantação do Estado Novo e foi uma cópia fiel da Ação Integralista Brasileira, fundada por Plínio Salgado.
c) Tinha lideranças provenientes dos círculos operários e de outras organizações católicas eestava ligada ao projeto de recristianização da sociedade moderna.
d) Baseando-se em temas como a família e a tradição, ela trouxe para as suas fileiras a elite e a classe média, mas não conseguiu atingir seu alvo principal, os trabalhadores.
e) Reuniu os vários setores profissionais organizados do Ceará, encontrando por isso a simpatia tanto do trabalhismo varguista quanto de grupos ligados ao Partido Comunista.
Gabarito: C.
062. Sobre o Caldeirão marque (V) para as afirmações verdadeiras e (F) para as falsas:
( ) Foi um movimento messiânico chefiado pelo beato José Lourenço, paraibano, negro, analfabeto, seguidor do Padre Cícero.
( ) A princípio, Lourenço e seus seguidores estabeleceram-se no sítio Baixa Danta, no Crato, onde surgiu a lenda do “Mansinho”, um boi considerado santo.
( ) Expulsos do Baixa Danta, Lourenço estabeleceu-se no sítio Caldeirão, pertencente a Pe. Cícero.
( ) No Caldeirão imperava uma comunidade coletiva, na qual todos trabalhavam, dividiam o produzido e seguiam orientação espiritual de Pe. Cícero e José Lourenço.
( ) O crescimento do Caldeirão nos anos 30 começou a desagradar os latifundiários e a Igreja Católica, que pedem para que as autoridades acabem com aquele antro de "comunistas" e "fanáticos".
( ) O governador cearense Menezes Pimentel, eleito pela LEC (Liga Eleitoral Católica), foi contra a destruição do Caldeirão.
( ) O Caldeirão acabou destruído pela polícia em 1936. Um seguidor de Lourenço, Severino Tavares, depois, numa emboscada, mata alguns policiais em vingança. A polícia, em seguida, promove um massacre aos remanescentes da comunidade (1937).
( ) A destruição do Caldeirão se inseriu no contexto da perseguição aos comunistas na Era Vargas e centralização do poder.
Gabarito: VVVVVFVV
063. “Ao chegar na nova localidade, o beato José Lourenço só encontrou ‘mato e pedra’, nada que lembrasse produção. (...) Ergueram-se pequenas casas, cercas, barragens, armazéns (...). Passaram a cultivar cereais e frutos, e a criar diversos animais domésticos. (...) Criou-se uma sociedade igualitária, de sistema econômico coletivo, que impunha aos seus membros a cooperação para assegurar a existência e o desenvolvimento, tendo como base de tudo a religião.”
(Farias, Airton de. História da sociedade cearense. Fortaleza. Livro Técnico. 2003).
O texto acima refere-se a um movimento ocorrido no Ceará:
a) Caldeirão.
b) Batalha da borracha.
c) Sedição de Juazeiro.
d) Sedição de Pinto Madeira.
e) Confederação do Equador.
Gabarito: A.
064. Na década de 1940, uma grande migração de cearenses para a Amazônia foi amplamente incentivada pelo governo federal.
Assinale a alternativa que identifica corretamente os objetivos desta migração:
a) fornecer empregos aos flagelados cearenses da seca de 1930, através da criação de núcleos coloniais, com distribuição de terras e crédito aos colonos.
b) ocupar as áreas amazônicas ameaçadas pelo capital internacional, a Marcha para o Oeste, e fornecer mão-de-obra para as indústrias de Manaus.
c) realizar a reforma agrária na região amazônica.
d) aliviar as pressões demográficas decorrentes do acentuado êxodo rural no Ceará e fornecer mão-de-obra para a produção de borracha destinada aos países aliados durante a II Guerra Mundial.
Gabarito: D.
065. A redemocratização de 1945, no Ceará, representou a:
( ) eliminação dos setores tradicionais da política cearense.
( ) oportunidade de manifestação política dos setores de esquerda.
( ) liberdade de expressão dos meios de comunicação de massa.
( ) reorganização do movimento operário sindical com plena autonomia.
( ) busca de espaços políticos pela Igreja Católica a fim de neutralizar a ação, exclusivamente, dos movimentos de direita.
Gabarito: FVVFF
066. Marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso:
( ) No período 1945-64 evidenciou-se a fragilidade estrutural das elites cearenses, as quais se revezavam no governo através de UDN e PSD.
( ) A "União pelo Ceará", coligação da UDN com o PSD em 1962, foi esmagadoramente triunfante nas eleições, perdendo apenas uma vaga no senado para Carlos Jereissati (PTB).
( ) O "fiel da balança", nas eleições cearenses, deixou de ser, na década de 1950, o PSP de Olavo Oliveira, passando a condição para o PTB de Carlos Jereissati.
( ) O governo de Virgílio Távora (1963-66) foi importante para a "modernização conservadora" do Ceará, a partir do incentivo à industrialização.
( ) A "Geração Cambeba" incrementou a "modernização conservadora" do Estado, mas não acabou com os alarmantes níveis de miséria e de concentração de renda.
Gabarito: VVVV
067. “As ações efetivas no sentido de modernizar as elites políticas nordestinas tem seu ponto alto na década de 1950 com a criação de instituições responsáveis por uma política de modernização conservadora na região”.
Fonte: PARENTE, Josênio. O Ceará e a Modernidade. In PARENTE, Josênio e ARRUDA, José Maria. A Era Jereissati:
Modernidade e Mito. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002, p 125
Podem estar relacionadas com a modernização de que fala o texto, as seguintes instituições:
I. Banco do Nordeste (BNB).
II. Superintendência do Desenvolvimento Econômico do Nordeste (SUDENE).
III. Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).
É correto o que se afirma:
a) Apenas em I e II.
b) Apenas em II e III.
c) Em I, II e III.
d) Apenas em III.
Gabarito: A.
068. As eleições para governador do Estado do Ceará, no período democrático entre a queda do Estado Novo e a ditadura empresarial-militar de 1964, tiveram a seguinte característica:
a) a oligarquia política, formada no regime ditatorial do Estado Novo, alojada no Partido Social Democrático (PSD), ganhou todas as eleições para governador.
b) a União Democrática Nacional (UDN), partido político formado pelos opositores a Getúlio Vargas, ganhou todas as eleições para governador.
c) os políticos populistas do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), partidários de Getúlio Vargas, ganharam todas as eleições para governador.
d) a única vez que a situação fez o sucessor foi nas eleições de 1962, com a vitória do candidato da aliança do PSD com a UDN, na chamada União pelo Ceará.
Gabarito: D.
069. Sobre a História do Ceará no século XX é correto afirmar:
a) Nos anos 1930, a política cearense foi disputada entre LEC e LCT.
b) A presença de uma base americana em Fortaleza durante a II Guerra Mundial não alterou a hegemonia cultural francesa.
c) O período compreendido entre 1945-64 caracterizou-se, de modo geral, pela alternância no poder entre PSD e UDN, sendo a disputa decidida por um fiel da balança (PSP e PTB) – a única exceção ocorreu em 1962, quando da União Pelo Ceará, coligação entre PSD e UDN.
d) Na Ditadura Militar os coronéis perderam o comando político do estado, só o recuperando com a democratização do país nos anos 80.
e) A geração Cambeba centrando sua política na modernização da máquina pública e na industrialização do Estado, diminuiu sensivelmente o nível de concentração de renda cearense.
Gabarito: C.
070. O “Governo dos Coronéis”, que dominou a política cearense na década de 80 e nos primeiros anos da década de 1980, caracteriza-se:
a) por ser um governo que representou a continuidade das práticas efetivadas pelas velhas-oligarquias cearenses no poder.
b) pelas práticas populares que marcaram a administração dos coronéis que estiveram no poder durante o regime militar.
c) por ser uma administração entregue a governantes de formação militar, afirmando a força do governo central, marcada pela tecnocracia.
d) pelo controle da política local por um segmento empresarial ligado à indústria e ao capital financeiro.
e) pela expansão do clientelismo, mas com a introdução de uma nova forma de fazer política, estimulando o pluripartidarismo.
Gabarito: C.
071. “Essa visão pacífica e de concórdia sobre o Ceará, sem atritos, conflitos, lutas e movimentos sociais, obviamente que não se sustenta quando se analisa amiúde a história local (...) Em meio ao caldeirão político e cultural dos anos 60, várioscearenses tiveram a ousadia de empunhar armas num sonho audacioso visando derrubar o sistema capitalista vigente e possibilitar a criação de uma sociedade diferente, mais justa, digna com os mais pobres e excluídos, e que fosse uma etapa para a implantação do socialismo no Brasil. Os militantes desses grupos realizaram treinamentos militares, praticaram assaltos (melhor dizendo, “ações de expropriação da burguesia” ou “ações de resgate da riqueza que a burguesia explorava do povo”), travaram combates contra as forças do Estado, cometeram erros e assassínios, sonharam, viveram perigosamente, foram derrotados, torturados, mortos, achincalhado e por fim, esquecidos pelas correntes historiográficas mais conservadoras”.
In: FARIAS, Airton de. Além das Armas: Guerrilheiros de Esquerda no Ceará Durante a Ditadura Militar. Fortaleza: Livro Técnico, 2007.
Sobre a Ditadura Militar no Ceará, marque a opção verdadeira:
a) Com o Golpe Militar de 1964, o governador cearense Virgílio Távora, por suas ligações com as esquerdas e com o presidente da República João Goulart, acabou deposto, sendo substituído por Paulo Sarasate.
b) Apesar do Golpe de 1964, a mobilização popular continuou bastante ativa no Ceará nos anos seguintes, destacando-se o Pacto Sindical, o PCB e os estudantes, que realizaram grandes manifestações de rua, tendo como ponto de concentração o CÉU (Clube do Estudante Universitário).
c) As principais organizações armadas a agirem no Ceará foram Ação Libertadora Nacional (ALN) e Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), responsáveis por várias ações revolucionárias, como o assalto do Banco Mercantil, da Coca-cola, do “carro pagador” do London Bank e Banco do Brasil de Maranguape, e que acabaram desbaratadas pela repressão.
d) Ao contrário do que se pensa comumente, a repressão da Ditadura Militar no Ceará foi branda, contando o governo com apoio de amplos setores da imprensa e sociedade no combate à “subversão”.
Gabarito: C.
072. “A 15 de março de 1987 o estreante na política e empresário Tasso Jereissati tomava posse no comando do executivo (...) conseguira derrotar os famosos coronéis do Ceará e inaugurar uma nova etapa na história política do Estado.”
Fonte: BRUNO, Artur. FARIAS, Airton de. ANDRADE, Demétrio. Os Pecados Capitais do Cambeba.
Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2002, p. 17/18.
No que concerne à ascensão de Tasso Jereissati e seu grupo de sustentação política e à citada nova etapa da história política do Ceará, é correto afirmar que:
a) a vitória de Tasso constituiu um duro golpe nas tradicionais oligarquias locais, significando o fim da dominação das elites sobre o povo cearense.
b) O grupo político liderado por Tasso formou-se principalmente a partir de um grupo de jovens empresários comprometidos com os interesses da embrionária juventude operária cearense.
c) A ascensão de Tasso e seu grupo no comando dos quadros políticos do Estado foi o coroamento de um projeto cujas origens estão no CIC (Centro Industrial do Ceará)
d) Uma das características fundamentais de Tasso e do grupo de empresários que representa é a consistência ideológica e principalmente partidária, presentes na condução do estado do Ceará.
Gabarito: C.
073. “(...) para a conservação desta capitania será vossa majestade servido destruir estes bárbaros para que fiquemos livres de tão cruel jugo; em duas aldeias deste gentio assistem padres da Companhia que foram já expulsos de outras aldeias do sertão (...) estes religiosos são testemunhas das crueldades que estes tapuias tem feito nos vassalos de vossa majestade. (...) só representamos a vossa majestade que missões com estes bárbaros são escusadas, por que de humano só tem a forma, e quem disser outra coisa é engano conhecido.”
(Citado em PINHEIRO, Francisco José. “Mundos em confronto: povos nativos e europeus na disputa pelo território.” In SOUSA, Simone de (org.) Uma Nova História do Ceará. Fortaleza. Edições Demócrito Rocha. 2000. p. 39)
A partir da leitura do documento acima, é correto afirmar que a(o):
a) acirrada reação indígena constituiu uma forma de resistência à destruição do seu modo de vida.
b) projeto português de colonizar, civilizar e catequizar contribuiu para manter a organização tribal.
c) ocupação do interior cearense, em virtude da reação indígena, iniciou-se no final do século XVIII.
d) domínio do interior cearense pelo colonizador e a catequese jesuítica preservaram a cultura indígena.
e) Câmara de Aquiraz buscava, com a catequese, apaziguar o conflito entre os colonizadores e os índios.
Gabarito: A.
074. “A notícia da mudança da forma de governo chegou ao Ceará, como em quase toda parte, inesperadamente. Na véspera do acontecimento na província inteira talvez não se contassem três repúblicas dava-se justamente o contrário, era difícil encontrar três monarquistas.”
(TEÓFILO, Rodolfo)
O texto acima indica algumas características das transformações políticas acontecidas no Ceará em função da Proclamação da República. Com relação a essas transformações, podemos afirmar corretamente que:
a) Com a Proclamação da República, os poucos responsáveis conseguem assumir todos os postos de governo, ampliando definitivamente as antigas elites imperiais do poder.
b) O movimento republicano cearense foi dominado, após a Proclamação, pelo grupo oligárquico liderado por Nogueira Accioly.
c) O movimento cearense aderiu em massa à República, revoltando-se contra os antigos líderes imperiais e depondo Nogueira Accioly.
d) O movimento republicano local, liderado pelo Nogueira Accioly, consegue empolgar a população de Fortaleza e derrubar as autoridades imperiais.
Gabarito: B.
075. “De 1908 até o ano de sua morte, em 1926, Floro Bartolomeu assume a condição de grande aliado do Padre Cícero. Com o apoio do sacerdote, Floro é eleito deputado estadual e posteriormente federal. Além disso, assume o papel de principal comandante da ‘Sedição de Juazeiro`, que derruba o governo de Franco Rabelo em 1914.”
(LOPES, Régis)
Assinale a opção que indica corretamente a atuação de Padre Cícero na política cearense:
a) Floro Bartolomeu apenas aproveita-se da popularidade do Padre Cícero para eleger-se, já que o sacerdote não aceita participar da vida política.
b) Padre Cícero participa ativamente da campanha contra a oligarquia Accioly, enviando tropas para derrubá-lo do poder.
c) A atuação religiosa não o impede de atuar politicamente ao lado do grupo de Accioly, chegando a ser vice-presidente do Ceará.
d) Como prefeito de Juazeiro e Vice-presidente do Estado, Padre Cícero abandona a vida religiosa e dedica-se somente à política.
Gabarito: C.
076. “Na longa crise por que passou o Nordeste Brasileiro no século XIX e princípios do século XX, os vários grupos sociais não se limitaram a esperar pacificamente pela solução de seus problemas”.
(Fonte: MONTEIRO, Hamilton Fontes. Nordeste Insurgente (1850-1890). São Paulo, Brasiliense, 1991, p. 28/30).
Com base no fragmento acima marque a opção FALSA:
a) dos nordestinos mais pobres que não emigraram nos períodos de crise, saíram “levas” dos chamados “bandidos” que saqueavam os sertões.
b) nos setores empobrecidos, havia também os que colaboravam com os coronéis proprietários de terras, desempenhando o papel de jagunços.
c) a insatisfação não provinha somente dos grupos mais carentes; dos setores médios urbanos emergiram grupos que não cessavam de fazer críticas ao regime vigente.
d) a situação de crise vai fazer com que uma parte considerável dos grandes fazendeiros, inicie um processo de distribuição de terras, promovendo a primeira reforma agrária brasileira.
Gabarito: D.
077. (Feitosa – Concurso – 2022) A imagem abaixo ilustra a cidade de Fortaleza, desenhada pelo arquiteto Adolfo Herbster, em 1875, em virtude da reforma urbana então executada:
A respeito da dinâmica urbana por que Fortaleza passou, ao longo do século XIX, identifique o item correto:
a) O plano arquitetônico de Adolfo Herbster desfez o anterior modelo de Silva Paulet, porquantoimpusesse um traçado das ruas em xadrez, extinguindo as curvas exageradas que então imperavam.
b) A primeira planta a retratar Fortaleza é de autoria de Silva Paulet, que, além disso, coordenou a reforma do Forte de Nossa Senhora da Assunção, nas primeiras décadas do século XIX.
c) A reforma urbanística empreendida por Adolfo Herbster, no último quartel do século XIX, apresentava uma nítida influência francesa, além de um profundo apelo político, por facilitar o controle policial na cidade.
d) O crescimento urbano de Fortaleza, sobretudo na segunda metade do século XIX, esteve associado ao crescimento econômico possibilitado pela expansão da pecuária bovina no Ceará.
e) O apogeu o crescimento urbano de Fortaleza, em pleno século XIX, coincide com a data de sua elevação a Vila, sob solenidade comanda pelo Capitão-mor Manuel Francês.
Gabarito: C.
078. (Feitosa – Concursos – 2022) As agruras experimentadas pelos povos nativos em terras brasileiras, ao que tudo indica, não têm fim. Decorrida mais da metade de um milênio, a história que os povos indígenas traçam vem marcada pela égide absoluta do abandono, humilhação e sofrimento. Se a sociedade é indiferente à causa dos povos silvícolas, o Poder Público não age de modo muito diferente. Todavia, é engano supor que a situação de precariedade em que vivem tribos nativas e descendentes dos povos indígenas, no Brasil, é resultado de um processo de genocídio-etnocídio passivo.
O “índio” brasileiro manifestou sua indignação e resistência, a exemplo da chamada Confederação dos Cariris ou Guerra dos Bárbaros, entre o final do século XVII e começo do XVIII, acerca da qual é correto afirmar:
a) Os nativos agiam por pura e simples selvajaria contra os colonizadores portugueses, reflexo de seu primitivo estágio de organização social, marcado pela formação de hordas agressivas e pela antropofagia.
b) A Coroa portuguesa foi indiferente ao episódio da Guerra do Bárbaros, em terras do atual Sudeste brasileiro, sendo o fim dos conflitos resultado da ação exclusiva dos colonos.
c) Os ataques aborígenes eram coordenados por confederações indígenas, ao conjunto das quais deu-se o nome de Cavalaria do Certam.
d) Também conhecida como Guerra dos Cariris, a Guerra dos Bárbaros congregava apenas índios desta referida tribo do sul cearense.
e) Um dos episódios mais sangrentos desse conflito foi registrado contra os habitantes de Aquiraz, por volta de 1706.
Gabarito: E.
079. (Feitosa – Concursos – 2022) “Com a riqueza gerada pela pecuária extensiva no século XVIII e sua associação com outras culturas, principalmente o algodão, no século seguinte, Sobral conseguiu acumular uma riqueza suficiente para subsidiar, a alguns poucos habitantes abastados, o acesso a bens de consumo que qualquer cidadão rico da época cultuava como valores associados a uma opulência. Os contatos (seja por motivos comerciais ou educacional) com o Exterior eram também favorecidos por este momento de acumulação de riquezas que a Cidade viveu (...).”
(Fonte: FREITAS, Nilson Almino. Sobral, Opulência e Tradição. Edições UVA, Sobral, 2000, p.p. 38-39)
A partir do texto acima e dos aspectos históricos em que se fundamenta a ocupação e formação histórica do Ceará, é correto afirmar que o(a):
a) início da colonização cearense começou por Sobral, porta de entrada principal do gado nessa Capitania.
b) riqueza gerada pela pecuária permitiu uma qualidade de vida elevada, compartilhada pelos diversos estratos sociais sobralenses.
c) produção econômica da pecuária sobralense, sobretudo o charque, assim como no restante da Capitania, visava a atender preferencialmente ao mercado externo.
d) intercâmbio comercial e cultural que Sobral estabeleceu com o exterior foi estimulado pela acumulação de riqueza que a pecuária e o algodão propiciaram à economia dessa cidade.
e) começo da colonização de Sobral coincide com as mesmas épocas das primeiras áreas colonizadas do Brasil, sobretudo centros como Pernambuco, Bahia e São Vicente.
Gabarito: D.
080. Sobre o processo de ocupação da costa cearense durante o século XVII pode se afirmar corretamente que:
a) Os portugueses aliaram-se aos indígenas que habitavam estas terras e construíram fortes apenas para defender os centros de comércio do pau-brasil.
b) A presença portuguesa no Ceará tem a ver com a ocupação de Pernambuco pelos franceses e do Maranhão pelos holandeses.
c) O litoral foi intensamente disputado por índios e forças militares de várias potências europeias, e várias fortificações foram construídas por portugueses e holandeses.
d) A conquista do litoral cearense foi efetuada por motivos econômicos, já que o cultivo da cana-de-açúcar estava bastante desenvolvido e o açúcar necessitava ser transportado diretamente para Portugal.
Gabarito: C.
081. “A incorporação do Ceará ao Projeto Colonial Português deu-se de modo tardio, quando comparado à conquista do litoral pernambucano, iniciada ainda na primeira metade do século XVI. As primeiras tentativas de conquista do Ceará só ocorreram no início do século XVII com Pero Coelho de Souza, em 1603. Depois com Martim Soares Moreno e por fim, com holandeses, a mais duradoura. No entanto, as tentativas de conquista ocorridas entre 1603 e 1654 não deixaram marcas importantes”
(Fonte: PINHEIRO, Francisco José. Os Povos Nativos do Ceará (uma síntese possível) in Ceará de Corpo e Alma – um olhar contemporâneo de 53 autores sobre a Terra da Luz – Rio de Janeiro: Relume/Dumará – Fortaleza: Instituto do Ceará, Histórico, Geográfico e Antropológico, 2002, p. 21/22)
No que concerne ao processo de ocupação do território cearense é correto afirmar:
I. A ocupação efetiva da Capitania do Ceará à colonização portuguesa só se efetuou no final do século XVII e início do século XVIII.
II. A Capitania do Ceará despertou imediato interesse dos colonizadores portugueses.
III. A vitória dos índios do território cearense aos colonizadores estendeu-se até o final do século XIX.
Marque a opção verdadeira:
a) I e II são verdadeiras
b) II e III são verdadeiras
c) II e III são falsas
d) I e III são falsas
Gabarito: C.
082. O movimento colonizador que estava circunscrito a uma estreita faixa de terra litorânea de Natal para o sul de terras compreendidas entre as ribeiras do Potengi e do Cunhaú, que, com as do Ceará – Mirim, era onde o povoamento se desenvolvia, justamente nas melhores terras para as lavouras.
Com ajuda do texto conclui-se que:
a) o movimento colonizador se acelerou com a penetração dos colonos para o interior, em busca de compensadoras vantagens aos seus esforços.
b) todos os esforços para o plantio de cana foram convertidos à cotonicultura, visando às terras inexploradas ou mal exploradas pelos Donatários.
c) o advento colonizador apropriava-se das condições mais favoráveis de que a região dispunha, mesmo assim, as correntes teológicas dificultavam a escalada de posse europeia na América.
d) O litoral encontrava-se totalmente ocupado e fazia-se necessária a ocupação colonial.
Gabarito: A.
083. Sobre a organização política, econômica e social da Capitania do Ceará, não é correto afirmar:
a) A ocupação do espaço geográfico cearense, no período colonial, deveu-se basicamente à atividade pastoril.
b) O desenvolvimento da pecuária no sertão cearense favoreceu o surgimento da primeira vila, Parangaba.
c) As vilas do Ceará colonial, símbolo do poder local e da municipalidade, continham uma organização político-administrativa assentada no Pelourinho, na Casa da Câmara e Cadeia, no Mercado da Carne e na Capela.
d) Nas fazendas de gado, as chamadas “fazendas de criar”, situadas geralmente nas ribeiras dos rios, girava a vida socioeconômica da Capitania do Siará Grande.
Gabarito: B.
084. Com relação ao contexto econômico de Sobral, no final do século XVIII e início do século XIX, assinale a única alternativa incorreta:
a) Tendo na criação de gado a sua principal atividade econômica, Sobral desenvolveu-se rapidamente, rivalizando com Icó e Aracati, que ocupavam posição privilegiada na Província.
b) O desenvolvimentoda lavoura do algodão na região de Sobral não provocou o desaparecimento da pecuária extensiva. O algodão e o gado caracterizaram a economia cearense, cabendo ao algodão papel relevante nas exportações para o mercado internacional.
c) A expansão do algodão contou com a farta mão-de-obra gerada na pecuária, com condições naturais favoráveis e com o aumento das exportações, consequências das guerras pela Independência, que reduziram a concorrência americana.
d) A inserção de Sobral numa nova dinâmica econômica ocorreu com o plantio do algodão na região e as grandes plantações de café nas serras da Meruoca e do Rosário.
Gabarito: C.
085. Em relação à expansão da pecuária e ao povoamento do território cearense, é coerente afirmar que:
a) a ocupação dos sertões ocorreu devido à forte migração de colonos do sul conduzidos pelos bandeirantes, na intenção de encontrar as famosas pedras preciosas.
b) a fazenda de criar gado era a unidade econômico-social dos sertões, dominada pelo poderoso fazendeiro, que tinha sua autoridade muito respaldada pela força do patriarcalismo
c) as sesmarias, vendidas pelo governo português só a burgueses, deram origem aos latifúndios cearenses, e nestes a atividade econômica de maior produção era a do cacau
d) as charqueadas fracassaram devido à concorrência interna com a produção açucareira da região do Cariri, que atraía a mão-de-obra das oficinas
e) a cotonicultura se definiu como uma atividade meramente local, ou seja, apenas para o uso doméstico nas fazendas durante todo o século XVIII. Adquiriu relevância internacional com a oligarquia aciolina no início da República
Gabarito: B.
086. Os cearenses tomaram parte ativa em importantes acontecimentos da História do Brasil, como a Confederação do Equador, ocorrida em 1824, que teve como causas:
a) as frustrações liberais diante da dissolução da Constituinte, a imposição da Constituição de 1824, agravada pela nomeação de Paes Barreto à Presidência de Pernambuco.
b) a organização do Ministério dos Marqueses, integrado por amigos pessoais do imperador.
c) a questão sucessória do trono português, que provocou violenta reação na população, que temia nossa recolonização.
d) o incentivo dado pelo imperador ao Partido Brasileiro, contrariando o interesse da burguesia e militares portugueses.
Gabarito: A.
087. As ideias republicanas triunfaram no Ceará bem antes de 1889, tendo a Câmara de Quixeramobim, sob a influência dos membros da Confederação do Equador, proclamando a República e declarando destronado D. Pedro I. O Padre Mororó, logo que destroçadas as bases dos ardorosos republicanos, foi fuzilado na praça:
a) principal de Groaíras, terra natal do herói.
b) dos mártires, atual Passeio Público.
c) principal de Quixeramobim, onde foi preso e julgado.
d) principal de Aracati, cidade onde exercia o magistério em Latim.
Gabarito:
088. Marque as opções que trazem fatores que justificam o pioneirismo cearense no processo de abolição da escravidão:
( ) Difusão das ideias liberais, alimentadas pela infraestrutura local.
( ) Maior proximidade em relação à Europa, se comparada a outras províncias da região Norte.
( ) Liderança exercida pelo “Dragão do Mar” como resultado da aliança entre Liberais e Conservadores.
( ) Exigências do presidente José de Alencar, acatadas pela maioria absoluta dos deputados cearenses.
( ) As secas afetavam a economia cearense, ocasionando a exportação de escravos para outras províncias.
Gabarito: VVVFV
089. A consolidação de Fortaleza como centro político, econômico e administrativo, a partir da segunda metade do século XIX, verificou-se por:
( ) desenvolver o comércio exportador.
( ) ser a capital da Província e cidade portuária.
( ) ter sido a primeira vila estabelecida no Ceará.
( ) sediar os principais serviços da administração pública.
( ) sua condição de centro coletor e exportador de algodão.
Gabarito: VVFVV
090. No reinado de D. Pedro II (1840 – 1889), o Ceará experimentou grande progresso, em decorrência da introdução de várias melhorias, a exemplo:
a) da lavra de minérios e da pecuária de corte.
b) da navegação a vapor e de estradas de ferro.
c) iluminação a gás e da construção de hidroelétricas.
d) da criação extensiva de gado e da cultura do algodão.
e) da indústria de bens duráveis e da produção açucareira.
Gabarito: B.
091. No século XIX, o plantio de algodão no Ceará resultou da demanda gerada pela:
a) Indústria têxtil do Sudeste.
b) Demanda do mercado local.
c) Revolução Industrial inglesa.
d) Pecuária extensiva nordestina.
Gabarito: C.
092. “O epíteto Ceará Moleque estaria ligado à compulsão popular pelo deboche e pela sátira, referência a uma incorrigível molecagem pública, presente em Fortaleza a partir do final do século XIX.”
FONTE: PONTE, Sebastião Rogério. Fortaleza Belle Époque: reforma urbana e controle social (1860-1930). Fortaleza, Edições Demócrito Rocha, 2001.
Em relação aos lugares e usos do termo Ceará Moleque, marque a alternativa verdadeira.
a) O epíteto Ceará Moleque é negado pelos historiadores e memorialistas cearenses.
b) A citada expressão é lembrada como algo folclórico, porém, sem nenhuma conotação popular.
c) A disposição popular ao riso e ao escárnio no período em questão, era privilégio da zona rural e ocorria distante dos núcleos mais urbanizados.
d) O lugar urbano onde ocorria a propensão ao riso e ao deboche situava-se na Praça do Ferreira, a sede social do Ceará moleque, onde desfilavam modas e novidades.
Gabarito: D
093. A indústria têxtil inglesa demandou, no século XIX, quantidades crescentes de algodão. Provedores tradicionais dessa matéria-prima, como a Índia e o Egito, foram substituídos pelos Estados Unidos; mas, na década de 1860, os conflitos entre o norte e o sul desse país interromperam o fornecimento.
Nessa década, o algodão se converteu no principal produto das exportações cearenses. Em relação ao cultivo de algodão no Ceará, em 1860, é correto afirmar que:
a) foi realizado com parceiros, escravos e trabalhadores livres.
b) foi introduzido por imigrantes norte-americanos, provenientes das áreas algodoeiras.
c) realizou-se a abolição prematura da escravidão, e se ofereceram salários atraentes para os ex-escravos.
d) realizou-se com a utilização, de forma generalizada, da mão-de-obra escrava afrodescendente e indígena.
e) foram trazidos trabalhadores das áreas de seringais decadentes, criando-se o SEMTA, Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores do Amazonas.
Gabarito: A.
094. A grande seca de 1876-1879 teve uma magnitude planetária. Foi a primeira de três crises de subsistência que atingiram o mundo na segunda metade do século XIX. No Nordeste brasileiro ocorreu, entre 1877 e 1879, um período de seca, sobre o qual pode-se afirmar corretamente que:
a) despertou, na classe dominante, solidariedade nunca antes vista, pois compartilhou alimentos e habitação com os flagelados.
b) o período foi caracterizado pela concessão de empréstimos para fins sociais, vindos sobretudo da Europa, e isso minimizou o sofrimento da população nordestina atingida pela seca.
c) colocou entre as prioridades do governo a realização das obras públicas necessárias a solucionar os problemas das secas futuras.
d) os efeitos agravaram-se pela demora e insuficiência dos socorros ministrados pelo Estado, que instaurou os chamados socorros indiretos, isto é, que os flagelados deviam trabalhar para receber os socorros.
e) as condições sanitárias foram garantidas pela vacinação contra a varíola, o que evitou a disseminação desta doença.
Gabarito: D.
095. (Feitosa – 2022) A imagem ao lado destaca um importante ponto urbano de Fortaleza: a chamada Praça dos Leões, também conhecida por Praça General Tibúrcio, um importante conjunto arquitetônico e histórico, aolado, situada ao lado da(do):
a) Igreja de Nossa Senhora do Rosário, do Palácio da Luz e da antiga Assembleia Provincial.
b) Museu do Ceará, do Teatro José de Alencar e do Centro Cultural Dragão do Mar.
c) Igreja da Sé, da sede da 10ª Região Militar e da Estação Ferroviária.
d) Santa Casa de Misericórdia, da antiga Cadeia Pública e do Liceu do Ceará.
e) Igreja do Patrocínio, da Praça do Ferreira e do Porto de Fortaleza.
Gabarito: A.
096. “As rebeliões vieram logo após a revolta, com a vitória do candidato da oposição Franco Rabelo, que não ficara mais de dois anos na direção do poder estadual. Em 1914, da região do Cariri veio um exército de sertanejos, comandados por coronéis aciolistas e abençoados pelo Pe. Cícero , para depor pela força o novo governo”
(Fortaleza Belle Époque PONTE, Sebastião Rogério)
O trecho acima citado se refere a um período de grandes agitações sociais no Ceará com revoltas, deposições e depredações dos equipamentos públicos . A opção que assinala os acontecimentos que marcam o início e as consequências principais deste período é:
a) a Proclamação da República e as lutas pelo controle do partido republicano no Ceará.
b) apesar da deposição, Accioly manteve-se ainda no poder após a sedição do Juazeiro até 1930.
c) a deposição de Nogueira Accioly por uma rebelião popular em 1912 e a deposição de Franco Rabelo pela chamada Sedição de Juazeiro em 1914.
d) após a deposição de Nogueira Accioly e de Franco Rabelo, as Oligarquias cearenses jamais conseguiram retomar o governo, que passou para as mãos dos industriais e intelectuais progressistas.
Gabarito: C.
097. Sobre a Sedição de Juazeiro, é correto afirmar que:
a) o conflito pôs em confronto, de um lado, os grupos conservadores urbanos, liderados pela Igreja Católica, e os proletários de Fortaleza e, de outro, os camponeses e produtores rurais, ligados ao setor de exportação.
b) foi a reação contra uma intervenção militar que visava transformar o Ceará num polo de produção cerealífera, mediante a expansão dos polígonos irrigados.
c) originou-se no confronto dos interesses, vinculados à indústria de exportação, com os interesses dos produtores de bens duráveis, vinculados à expansão do mercado interno.
d) era liderada pelo alto clero da Igreja Católica que, da cidade de Juazeiro, tentava depor o Padre Cícero, que tinha criado uma cisão no catolicismo.
e) opôs a classe média e os comerciantes, apoiados por fazendeiros contrários a Accioly, aos interesses agrários tradicionais, apoiados por Padre Cícero.
Gabarito: E.
098. “A Questão Religiosa de Juazeiro, embora aparentemente se tenha apresentado como um problema de existência ou ao de Sangue de Cristo nas hóstias em transformação, na realidade foi uma luta dentro da Igreja.”
(Fonte: BARROS, Luitgarde Oliveira Cavalcanti. O Movimento religioso de Juazeiro do Norte, Padre Cícero e o fenômeno do Caldeirão. Apud: SOUZA, Simone de. (coord.) História do Ceará. Fortaleza: UFC/Stylus, 1989, p. 257)
Sobre essa luta a que a autora se refere, pode-se afirmar que:
a) representava as divergências entre os adeptos políticos de Padre Cícero e Floro Bartolomeu contra os chamados “rabelistas”, que apoiavam o presidente da Província, Franco Rabelo.
b) é resultado das divergências entre a orientação romanizadora e elitista da hierarquia da Igreja e a prática cotidiana próxima do misticismo popular dos padres do sertão cearense, especialmente Padre Cícero.
c) esta cisão no interior da Igreja já era resultado da ação desagregadora da Teologia da Libertação, praticada nas Comunidades Eclesiais de Base, especialmente em Juazeiro, sob a orientação do Padre Cícero.
d) significava as diferenças de orientação pastoral entre Padre Cícero e o beato José Lourenço, líder do Caldeirão.
Gabarito: B.
099. “Esta preocupação em conter a politização e emancipação do operariado por parte do governo getulista concorre para explicar o surgimento e expansão de movimentos políticos como a LCT (Legião Cearense do Trabalho), no contexto de 30.”
(PONTE, Sebastião R.B. “A Legião Cearense do Trabalho.” In: SOUSA, Simone. História do Ceará Fortaleza, UFC/FDR/Stytus 1989. pág. 360)
Com relação ao avanço destes movimentos no Ceará podemos afirmar que a(o):
a) força e a organização do movimento operário no Ceará sob a liderança dos comunistas, impediram que a influência do movimento legionário se expandisse.
b) objetivo da LCT era harmonizar as relações entre capital e trabalho, eliminando a influência de grupo comunista e anarquista sobre o operariado.
c) trabalho dos legionários foi decisivo para a propaganda antigetulista no Ceará através de greves, comícios e outras ações de massa.
d) LCT, como os Círculos Operários Católicos (COC) realizaram um amplo papel de conscientização dos operários sobre seus direitos e sobre a situação de exploração em que viviam.
Gabarito: B.
0100. “Os movimentos sociais emergiram no final dos anos 50, marcados por duas secas e pelos aceleramentos da corrente migratória do interior, que impulsionavam a ocupação dos novos espaços urbanos, como Pirambu, Lagamar e Verdes Mares.”
(JUCÁ, Gisafran N.M.)
A partir do texto, identifique a opção expressa corretamente o processo de expansão urbana em Fortaleza em meados do século XX:
a) As muitas oportunidades de emprego atraíram os camponeses, que passaram a habitar as áreas periféricas da cidade.
b) Os bairros periféricos foram ocupados especialmente por operários do parque industrial criado na periferia da cidade.
c) A formação de favelas e bairros periféricos a partir dos anos 30 possibilitou a construção de novos grupos de poderes na cidade.
d) As correntes migratórias foram absorvidas em uma série de programas habitacionais e de criação de empregos, evitando conflitos.
Gabarito: C.