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1 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Aula 01: INDICADORES DE SAÚDE 
“Um indicador de saúde deve revelar a situação de saúde de um indivíduo ou população”. 
“É uma medida que reflete uma característica ou aspecto particular, via de regra, não sujeitos à 
observação direta”. 
Indicadores são medidas que contêm informação relevante sobre determinados atributos e dimensões 
do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. 
Devem refletir a situação sanitária de uma população e servir para a vigilância das condições de saúde. 
São medidas que contêm informações relevantes sobre como anda o sistema de saúde, simplificando, 
são a matéria-prima essencial para a análise de saúde. 
Instrumento de mensuração para o gerenciamento, avaliação e planejamento das ações em saúde. 
Possibilita mudanças efetivas nos processos e nos resultados, por meio do estabelecimento de metas 
e ações prioritárias que garantam a melhoria contínua e gradativa de uma situação ou agravo. 
 
 
Segundo a OMS, os indicadores de saúde têm com o objetivo: 
I- Avaliar a higidez; 
II- Fornecer subsídios aos planejamentos de saúde; 
III- Permitir o acompanhamento das flutuações e tendências históricas do padrão sanitário de 
diferentes coletividades em diversos períodos de tempo. 
Essa temática tem sido estudada internacionalmente, pela necessidade de relacionar situações de vida 
entre diferentes países, estados ou comunidades num horizonte temporal. 
Características importantes para a escolha de um indicador: 
- Apresentar simplicidade técnica: o indicador deve ser de fácil entendimento e percepção; 
- Deve ter uniformidade; 
PERMITEM: 
- Avaliar o estado de saúde 
da população; 
- Melhorar, manter ou 
prevenir doenças; 
- Planejar, avaliar e 
administrar as ações de saúde. 
 
 2 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
- Deve atingir o maior número possível de variáveis; 
- Permite comparações entre situações; 
- Principalmente deve ser confiável; 
- É relevante respeitar os aspectos éticos. 
O que saber: o que são indicadores de saúde e como caracterizá-los; saber a importância de escolher 
os indicadores de saúde adequados para avaliar o resultado das ações realizadas pela equipe de 
Atenção Primária à saúde. 
Para escolher um tipo de indicador, devemos nos preocupar com três fatores fundamentais: 
- Eficiência (custo e benefício) – ato de fazer; diz respeito a um trabalho bem feito; é quando algo é 
realizado da melhor maneira possível, ou seja, com menos desperdício ou em menor tempo. 
- Eficácia (obtenção dos objetivos propostos) – fazer o que precisa ser feito; é quando um 
projeto/produto/pessoa atinge o objetivo ou a meta; 
- Efetividade (resultados) - é a capacidade de fazer uma coisa (eficácia) da melhor maneira possível 
(eficiência). 
Assim o melhor indicador é aquele que reúne os três “E” e nos fornece as respostas às nossas 
indagações. 
Os dados obtidos serão representados através da FREQUÊNCIA ABSOLUTA (valor total de ocorrência do 
problema) e da FREQUÊNCIA RELATIVA (amostra – população em estudo (índice, coeficientes ou taxas)). 
Os principais indicadores utilizados são: 
- Mortalidade / sobrevivência; 
- Morbidade / gravidade / incapacidade: taxa de indivíduos portadores de determinada doença 
dentro de um grupo específico, a partir de certo período de análise; 
- Nutrição / crescimento e desenvolvimento; 
- Aspectos demográficos; 
- Condições socioeconômicas; 
- Saúde ambiental; 
- Serviços de saúde. 
Além da avaliação do nível de vida, os indicadores de saúde são utilizados para: 
I- Identificação dos principais problemas de saúde pública; 
II- Elaboração de políticas; 
III- Avaliação da efetividade das ações de prevenção e assistência. 
Classificação dos Indicadores segundo a OMS (1957): 
- Saúde de indivíduos ou de populações (ou sua falta): medidas de mortalidade, morbidade, estado 
nutricional, demográficas, fatores de risco, satisfação com o próprio estado de saúde. 
 3 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
- Condições do meio ambiente: saneamento - acesso à água tratada; rede de esgoto sanitário; 
qualidade do ar; 
- Serviços de saúde: indicadores de insumos (N° de médicos por 1.000 habitantes ), indicadores de 
processo (proporção de gestantes atendidas no pré-natal) e indicadores de resultado (incidência de 
sífilis congênita (tendo em vista sua eliminação)). 
Os indicadores de saúde são expressos por meio de medidas de frequência, tais como: proporções 
(taxas - estimam o risco de ocorrência de um problema de saúde, como adoecimento, ou a morte em 
relação a uma determinada população suscetível, por unidade de tempo) e coeficientes (número de 
casos em uma população de um determinado local, por um tempo determinado. 
Os números absolutos não são utilizados para avaliar o nível de saúde, pois não levam em conta o 
tamanho da população. Desta forma, os indicadores de saúde são construídos por meio de razões 
(Frequências Relativas), em forma de proporções ou coeficientes. 
Como expressar os resultados? 
1. EM FREQUÊNCIA ABSOLUTA: Valor total de ocorrência do problema; são pouco utilizadas em 
Epidemiologia, pois não permitem medir o risco de uma população adoecer ou morrer por 
determinado agravo. 
2. EM FREQUÊNCIA RELATIVA: são mais utilizadas quando se deseja comparar a ocorrência dos 
problemas de saúde em populações distintas ou na mesma população ao longo do tempo. 
3. EM ÍNDICE. 
 
 
Coeficiente ou Taxa (Geral) 
Expressa a velocidade ou a intensidade com que um fenômeno qualquer varia. 
 
Ex.: Casos de doença: 5000 
 População exposta: 500.000 5000/500.00 X Constante 
 Ano: 2004 
Proporção (Específico) 
Expressa o quociente entre duas frequências de mesma unidade, ou seja, no denominador estão 
subconjuntos dos eventos registrados no numerador. 
 
Razão 
Expressa o quociente entre 2 frequências de unidades distintas. 
IDH= renda + longevidade + educação 
 4 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Ex.: Razão de sexo: 
 
Índice de Swaroop e Uemura 
Um indicador muito utilizado para comparar regiões com diferentes graus de desenvolvimento. Criado 
em 1957, é o indicador de Swaroop-Uemura ou Razão de Mortalidade Proporcional (RMP). Este 
indicador é calculado dividindo-se o número de óbitos em indivíduos com 50 anos ou mais pelo total 
de óbitos da população. 
O Índice de Swaroop-Uemura (ISU) ou Razão de Mortalidade Proporcional mede a proporção de óbitos 
em pessoas com 50 anos ou mais, em relação ao número total de óbitos. Quanto maior o índice, 
melhor, pois indica boa qualidade dos serviços de saúde e qualidade de vida. Isso demonstra que o país 
permite que pessoas vivam mais, com baixos valores de mortalidade infantil e da mortalidade entre 
jovens. Esse indicador permite analisar a tendência da mortalidade ao longo dos anos e a comparação 
entre diversos países ou localidades. 
Ele permite classificar regiões ou países em 4 níveis de desenvolvimento: 
- Primeiro nível – índice superior a 75%: países onde 75% ou mais da população morrem com 
50 ou mais anos de idade; 
- Segundo nível – índice entre 50 e 74%: países que ainda não atingiram nível de saúde tão 
elevado quanto o grupo anterior; o Brasil se encaixa neste nível; 
- Terceiro nível – índice entre 25 e 49%: de 25 a 49% da população morrem com 50 anos ou 
mais; 
- Quarto nível – índice abaixo de 25%: regiões com alto grau de subdesenvolvimento, a maioria 
das pessoas morrem muito jovens. 
Indicadores Globais: 
1. Coeficiente geral de mortalidade, a razão de mortalidade proporcional (ou 
índice de Swaroop e Uemura); 
2. Esperança de vida ao nascer; 
Indicadores Específicos: 
 3. Coeficientes de Mortalidade Infantil; 
 4. Coeficientes de Mortalidade por doenças transmissíveis. 
Este índice é a Mortalidade Proporcional de 50 anos ou mais, ou seja: a proporção de óbitos ocorridos 
em indivíduos com 50 anos ou mais. 
 
 5 ResumoEpidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Curvas de Mortalidade Proporcional 
As Curvas de Mortalidade Proporcional são construídas a partir da distribuição proporcional de óbitos 
por grupos etários com relação ao total de óbitos para determinada população. Estas distribuições 
exibem um certo formato gráfico, que indicará o nível de saúde da área avaliada. Estas curvas são 
também denominadas de Curvas de Nelson de Moraes. 
Curva de Nelson Moraes 
Os grupos etários considerados nas curvas são: 
- Menores de 1 ano; 
- Crianças em idade pré-escolar (1 a 4 anos); 
- Crianças e adolescente (5 a 19 anos); 
- Adultos jovens (20 a 49 anos); 
- Adultos de meia idade e idosos (50 anos e mais). 
A proporção de óbitos relativa a esta última faixa corresponde ao indicador de Swaroop e Uemura. 
A classificação de Nelson de Moraes considera 4 tipos de curvas, apresentadas abaixo. As curvas, estão 
associadas aos seguintes níveis de saúde: 
 
 
 
Tipo III: Nível de saúde regular; é 
nítido o aumento da proporção de 
óbitos de indivíduos de 50 anos ou 
mais e a proporção de óbitos infantis 
já é menor. 
 
Tipo II: Nível de saúde muito baixo- 
caracterizado pelo predomínio de 
óbitos nas faixas infantil e pré-
escolar. 
já é menor. 
 
Tipo I: Nível de saúde muito baixo - 
predomínio de óbitos de adultos 
jovens (20-49 anos), embora a 
proporção de óbitos de menores de 
1 ano também seja elevada. 
já é menor. 
 
 6 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
 
ATENÇÃO!! Tipo é uma coisa e nível é outra!!! As curvas de Nelson de Moraes falam de tipo, do I ao IV, 
o tipo IV tem o melhor nível de saúde! O índice de Swaroop e Uemura compara as diferentes regiões e 
classifica em níveis, aonde o quarto nível é o mais SUBDESENVOLVIDO, ou seja, o pior nível de saúde. 
Indicadores de saúde baseado em medidas de Mortalidade 
Mortalidade x Morbidade 
A mortalidade busca estabelecer a quantidade de mortos sobre uma determinada população. 
Medidas de mortalidade têm sido tradicionalmente utilizadas como indicadores de saúde há mais de 
um século e a divulgação sobre as estatísticas de mortalidade é responsabilidade do IBGE. 
A morbidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, 
em determinado local e em determinado momento. 
O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do MS, implantado 1975/1976, é a fonte de 
informações sobre mortalidade no país. 
Sistema paralelo ao IBGE, que utiliza os dados de sexo, idade e causa morte coletado das DO 
(declaração de óbito) como fonte de informação. 
A declaração de óbito (DO) é o que alimenta o SIM. 
INDICADORES DE MORBIMORTALIDADE 
COEFICIENTE DE MORBIDADE 
Mede o risco de uma pessoa adoecer em um determinado local e ano. É capaz de apontar os principais 
problemas de saúde de uma determinada localidade, permitindo propor medidas eficazes de 
prevenção e controle dos fatores de risco. 
 
Coeficientes de Mortalidade 
Os coeficientes de mortalidade medem a probabilidade que qualquer pessoa da população tem de 
morrer em determinado local e ano. Dentre os principais coeficientes de mortalidade estão: 
- Coeficiente de Mortalidade Materna; 
- Coeficiente de Mortalidade Infantil; 
- Coeficiente de Mortalidade por Causas Específicas; 
Tipo IV: Nível de saúde elevado; 
predomínio quase absoluto da 
proporção de óbitos de pessoas com 
idades mais avançadas. 
 
 7 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
- Curva de Nelson Morais – Mortalidade Proporcional. 
Coeficiente Geral de Mortalidade 
O CGM se refere a toda uma população. Também denominada Taxa Bruta de Mortalidade, ele é o 
quociente entre o total de óbitos e a população de uma área, em um determinado período de tempo. 
A população no denominador CGM é referida em um ano calendário, pressupondo-se que ocorra uma 
distribuição homogênea de nascimentos, óbitos e migrações. O valor final é multiplicado por 1.000. 
 
Obs.: Espera-se que, para quaisquer populações, o valor do CGM varie entre 6 e 10 óbitos por mil 
habitantes. 
Exemplo: no ano 2000, foram registrados 946.686 óbitos em todo o Brasil e, em 1° de julho deste 
mesmo ano, a população brasileira era constituída por 169.799.170 habitantes: para cada 1.000 
habitantes, cerca de 5,6 faleceram neste ano. 
MORBIDADE 
Relacionada ao risco de adoecer que as pessoas estão sujeitas. Tem como objetivo obter indicações 
para investigações de seus fatores determinantes e a escolha das ações adequadas. 
Expressa a taxa de portadores de uma determinada doença em relação a população total estudada. 
Os coeficientes de morbidade são: 
- Incidência; 
- Prevalência; 
- Letalidade. 
Coeficiente de Prevalência (morbidade): 
Mede a frequência de tal doença aqui/agora. Indica a 
relação entre o número de casos existentes de uma 
dada doença e a população, num determinado período 
de tempo, independentemente de serem casos novos 
ou antigos. Simplificando, faz uma fotografia da situação existente num determinado momento e vai 
considerar todos os casos registrados, em acompanhamento e em tratamento. Pode ser calculado em 
períodos de tempo variáveis como ano, mês, semana e dia, possibilitando ações mais efetivas em 
situação de risco ou epidemia. 
Importante!!! Prevalência é igual ao número total de casos de um agravo. Já o coeficiente de 
prevalência, é igual à relação entre o total de casos de um agravo e a população exposta em 
determinado período de tempo. Porém os dois termos são muito usados como sinônimos em 
concursos. 
 
 8 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
 
Por exemplo, no Brasil, no ano de 2008, foram registrados 34.480 novos casos de AIDS e já estavam em 
tratamento 33.909 pessoas. Com uma população estimada de 189 milhões neste ano, pode-se dizer 
que o coeficiente de prevalência da AIDS no Brasil, no ano de 2008, foi de: 
 
QUAIS SITUAÇÕES SÃO CAPAZES DE AUMENTAR A PREVALÊNCIA? 
- Número maior de casos novos diagnosticados; 
- Imigração de doentes; 
- Diminuição da mortalidade por doenças crônicas. 
E O QUE DIMINUI A PREVALÊNCIA? 
- Aumento do número de óbitos do agravo estudado; 
- Aumento do percentual de pacientes curados; 
- A emigração de doentes. 
Coeficiente de Incidência: 
Mede a frequência de casos novos de tal doença em determinado local e tempo. Traduz a ideia de 
intensidade com que acontece a morbidade em uma população, mede a frequência de uma doença no 
tempo. Permite medir a progressão/regressão de uma doença através do número de casos novos que 
surgem a cada momento. O coeficiente de incidência, tal como o de prevalência, pode ser calculado 
em períodos de tempo variáveis (dia, semana, mês, ano). Dentre os coeficientes de morbidade, é o 
melhor para avaliar o risco de adoecer por um determinado agravo. Também é conhecido como 
incidência acumulada. 
Importante: Incidência é igual ao número de casos novos de um agravo. Já o coeficiente de incidência 
é igual à relação entre o número de casos novos de um agravo e a população exposta em determinado 
período de tempo. Porém, os dois termos são muito usados como sinônimos em concursos. 
 
 
Coeficiente de letalidade 
Avalia a capacidade que uma determinada doença possui de provocar a morte em indivíduos 
acometidos por ela - mede, em outras palavras, a gravidade da doença. 
 9 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Letalidade - É a relação entre o número de óbitos devido a uma determinada causa e o número de 
pessoas que foram acometidas pela doença num dado tempo e espaço. 
 
EXEMPLO: Dos 120 casos de cólera ocorridos no ano de 1993 na região Norte do Brasil, 63 morreram. 
Qual o coeficiente de letalidade desta doença, neste ano e região? 
 
Taxa de Ataque 
Nos casos de doenças ou agravos de natureza aguda que coloquem em risco toda a população ou 
parte dela por um período limitado, a incidência recebe a denominação taxa de ataque. É o que 
ocorre, tipicamente, nos surtos epidêmicos.Coeficiente de Natalidade 
Número de pessoas que nascem por 1000 habitantes durante um ano: 
• Está relacionado com o tamanho da população; 
• Tem caído substancialmente ao longo dos anos. 
 
Coeficiente de Fecundidade 
Número médio de filhos que uma mulher teria ao final de sua idade reprodutiva: 
• Tem como denominador o número de mulheres em idade reprodutiva. 
 
TAXA DE FERTILIDADE: Capacidade fisiológica que a mulher tem de ter filhos (número de mulheres 
em idade fértil). 
TAXA DE FECUNDIDADE: Número de filhos por mulher fértil. 
 10 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
 
 
AULA 02 – Indicadores de Saúde Materna – MORTALIDADE MATERNA 
A Mortalidade Materna pode ser considerada como um excelente indicador de saúde, não apenas da 
saúde da mulher, mas da população como um todo. 
QUESTÕES 
1 – 22 
 11 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Seus níveis revelam iniquidades entre áreas ou regiões com diferentes graus de desenvolvimento. 
Conceitos: 
É a morte de uma mulher durante a gravidez, durante o parto e após o nascimento da criança 
(puerpério). O período vai desde a gravidez até o 42º dia após o parto, ou até o término da gestação. 
(CID 10 – OMS). 
“Número de óbitos maternos, por 100mil nascidos vivos de mães residentes em determinado espaço 
geográfico, no ano considerado”. 
“A morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, 
independentemente da duração ou da localização da gravidez, devido a qualquer causa relacionada 
com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais 
ou incidentais.” 
“Estima a frequência de óbitos femininos, ocorridos até 42 dias após o término da gravidez, atribuídos 
a causas ligadas à gravidez, ao parto e ao puerpério, em relação ao total de nascidos vivos.” 
Classificação: 
A morte materna pode ser por causas não – obstétricas ou por causas obstétricas (que podem ser 
diretas ou indiretas). 
Segundo a OMS, quando a morte de uma mulher por causas obstétricas (diretas ou indiretas) ocorre 
com mais de 42 dias, mas com menos de 1 ano após o término da gravidez, ela é denominada morte 
materna tardia (código 096 da CID, 10° Revisão). Se ocorrer 1 ano ou mais após o término da gravidez, 
são chamadas de mortes por Sequelas de causas Obstétricas (código 097 da CID, 10° Revisão). 
Morte relacionada à gravidez é quando ocorre a morte da mulher enquanto grávida ou até 42 dias após 
o término da gravidez, qualquer que tenha sido a causa da morte, materna ou não (ex.: morte de uma 
gestante por atropelamento). 
Morte Materna Obstétrica: 
DIRETA: complicações obstétricas na gravidez, parto e puerpério. Principais causas: Pré-
Eclâmpsia/Eclampsia, Hemorragias, Abortos, Infecção Puerperal. Decorrem de intervenções, 
omissões, tratamento incorreto ou a uma série de eventos resultante de quaisquer causas 
mencionadas (ex.: deslocamento prematuro da placenta). 
INDIRETA: decorrem de doenças já existentes antes da gravidez e que não são decorrentes de 
causas obstétricas diretas, mas que foram agravadas pelos efeitos fisiológicos da gravidez (ex.: 
Diabetes ou doenças cardíacas). Principais causas: Alterações Cardiovasculares, 
broncopneumonia, tromboembolia. 
TARDIA: Período de 43 dias até 1 ano. 
Obs.: Se ocorrem no período de 1 ano ou + após o término da gravidez, é denominada Morte por 
Sequela de Causas Obstétricas. 
Morte materna não obstétrica: 
É aquela resultante de causas acidentais ou incidentais não relacionadas com a gravidez ou seu manejo. 
Ex.: acidente de trânsito. 
Cálculo de Mortalidade Materna 
 12 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
 
Coeficiente de Mortalidade Materna é calculado através do total de óbito em mulheres durante a 
gravidez, parto ou puerpério imediato (até 42 dias pós-parto) em relação ao total de nascidos vivos, 
estando excluídas as causas externas. 
METAS DA ONU 
 
IMPORTANTE: Qual a principal causa de mortalidade materna? HAS. 
 
Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna 
Coeficiente de Mortalidade Materna é um indicador utilizado para avaliar a qualidade da assistência ao 
pré-natal e ao parto. 
O sistema que detém as informações necessárias para o seu cálculo é o Sistema de Informação sobre 
Mortalidade (SIM) e Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). 
O coeficiente de mortalidade materna mede as mortes de mulheres devido a complicações de gravidez, 
parto, puerpério e abortos. É também denominada razão de mortalidade materna. Este indicador 
reflete a qualidade da atenção à saúde da mulher. 
 13 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Taxas elevadas de mortalidade materna estão associadas à precária atenção à saúde desse grupo, que 
engloba desde o planejamento familiar e a assistência pré-natal até a assistência ao parto e ao 
puerpério. 
É calculado pela seguinte fórmula: (número de óbitos por causas maternas/número de nascidos vivos) 
x 100.000 nascidos vivos. Quando queremos determinar este coeficiente, precisamos, portanto, do 
Sistema de Informação sobre Mortalidade (calcular o numerador) e do Sistema de Informações sobre 
Nascidos Vivos. Se todos esses dados não são dados, são insuficientes para realizarmos o cálculo. 
Para reduzir a mortalidade materna: 
- Saúde Sexual e Reprodutiva; 
- Assistência ao Pré-Natal; 
- Planejamento familiar: diminuir a gravidez indesejada. 
Ministério da Saúde 
Tem como responsabilidade a captação precoce das gestantes com realização da primeira consulta de 
pré-natal até 120 dias da gestação; Realização de, no mínimo, 6 consultas de pré-natal, sendo, 
preferencialmente, 1 no primeiro trimestre, 2 no segundo trimestre e 3 no terceiro trimestre da 
gestação; Desenvolvimento das seguintes atividades ou procedimentos durante a atenção pré-natal: 
1. Escuta ativa da mulher e de seus(suas) acompanhantes, esclarecendo dúvidas e informando sobre o 
que vai ser feito durante a consulta e as condutas a serem adotadas; 
2. Atividades educativas a serem realizadas em grupo ou individualmente, com linguagem clara e 
compreensível, proporcionando respostas às indagações da mulher ou da família e as informações 
necessárias. 
Para atingir os objetivos do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna torna-se 
necessário investir: 
- Planejamento familiar através de oferta de serviço de qualidade; 
- Pré-Natal de baixo risco de qualidade; 
- Pré-Natal de alto risco com referência garantida; 
- UTI neonatal; 
- Protocolos/ Condutas; 
- Treinamento em serviços; 
- Integração do serviço ambulatorial/ hospitalar; 
- Fortalecimento das Equipes de saúde da família. 
AULA 03: INDICADORES DE SAÚDE: MORTALIDADE INFANTIL 
“Número de óbitos de menores de 1 ano de idade, por 1000 nascidos vivos, na população residente 
em determinado espaço geográfico, no ano considerado.” 
O índice considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 10 mortes para cada 
1000 nascimentos. 
PROVA 
QUESTÕES 
23 - 30 
 
 14 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Divisão Etária 
 
O período neonatal compreende de 0 a 27 dias e, se divide em precoce e tardio. 
Taxa de Mortalidade Neonatal Precoce é um dos componentes da taxa de mortalidade infantil (óbitos 
entre 0 e 6 dias de vida), quanto maior essa taxa, maior a taxa de mortalidade infantil. Reflete 
principalmente, as condições de saúde da mãe e a assistência ao parto. 
Obs.: atualmente representa o componente de Maior Impacto na Mortalidade Infantil com 60 a 70% 
dos óbitos. 
Importância da mortalidade infantil: 
- Estima o risco de morte dos nascidos vivos durante seu primeiro ano de vida; 
- Avalia o acesso e a qualidade da assistência ao pré-natal, parto e recém-nascido; 
- Expressa um conjunto de causas de morte cuja composição é diferenciada entre os subgrupos de 
idade; 
- Reflete de maneira geral as condições de vida da população: quanto maior o índice de mortalidade, 
mais subdesenvolvidoé o país. 
 
"Existem fatores condicionantes e determinantes para a mortalidade infantil, que vão desde a educação 
das famílias, em especial das mulheres; passando por renda, saneamento e atendimento de saúde", 
Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). 
A queda nos anos anteriores a 2016 é devida a melhoria das condições sociais (programas de 
transferência de renda) e pelo maior acesso aos serviços de saúde (estratégia de saúde da família). "A 
desnutrição é um fator de risco para a criança, e a melhoria social ajudou a reduzir a mortalidade. E 
houve também um avanço das culturas vacinais que começou a cair a partir de 2016. Para a gente 
reduzir mais a gente tem de investir muito nas medidas da melhoria de atenção ao neonatal e fase de 
puerpério. 
 15 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
As 2 coisas que mais alongaram a expectativa de vida na história da humanidade foram: água potável 
e vacina. Se você tira vacina, volta a ter uma mortalidade absurda, principalmente em crianças. Entre 
as vacinas está a do rotavírus, que é a principal causa de morte por diarreia. 
Segundo o Ministério da Saúde, a mortalidade infantil pode ser reduzida por: 
- Ações de imunização; 
- Atenção à mulher na gestação; 
- Atenção à mulher no parto; 
- Atenção ao recém-nascido; 
- Ações de diagnóstico e tratamento adequado; 
- Ações de promoção à saúde. 
Taxa de Mortalidade Infantil 
 
Mede a probabilidade que uma criança nascida viva tem de morrer antes de completar 1 ano de idade. 
É um indicador de saúde sensível que permite avaliar as condições de vida e saúde de uma comunidade. 
A mortalidade infantil é mais elevada em meninos (pois nascem mais meninos que meninas). 
Principais causas da mortalidade infantil: 
- 57% afecções perinatais (prematuridade e suas complicações, asfixia como causas preveníveis, 
enterocolite necrozante); 
- 22% mal formações congênitas; 
- 6% doenças do aparelho respiratório; 
- 4% doenças infecciosas e parasitárias; 
- 3% causas externas; 
- 8% outras causas. 
 
Taxa de Mortalidade Infantil Neonatal (TMIN) 
 
O coeficiente de Mortalidade Neonatal é aquele que inclui apenas óbitos de crianças menores de que 
28 dias. 
Mortalidade Infantil Pós-Neonatal: 28 dias a 1 ano 
 
 16 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Em lugares em que predomina a mortalidade pós-neonatal predominam mortes infantis relacionadas 
as condições de vida e do ambiente. 
Avalia a qualidade do pré-natal, assistência ao parto e do ambiente em que a criança cresce. 
Taxa de Mortalidade Infantil Pós -Neonatal 
 
O coeficiente pós-neonatal é aquele que engloba os óbitos entre 28 dias a 1 ano de idade. 
O coeficiente de Mortalidade Infantil tardia ou Pós-Neonatal é o fator mais importante para analisar o 
desenvolvimento socioeconômico e a infraestrutura ambiental, que condicionam a desnutrição infantil 
e as infecções a ela associadas, pois agora temos crianças em casa, em contato com o ambiente. 
Quando a taxa de mortalidade infantil é alta, a mortalidade pós-neonatal é, frequentemente, o 
componente mais elevado. 
OBS.: um coeficiente de mortalidade pós-neonatal elevado aponta falhas nos sistemas de proteção e 
promoção da saúde infantil. Se for baixo, podemos deduzir o contrário: que o sistema de proteção e 
promoção da saúde infantil é efetivo. É um bom indicador de desigualdade em saúde. 
Principais causas de morte no Brasil: 
- Abaixo de um ano: 
1° Afecções originadas no período perinatal (+50% de óbitos Brasil): são os prematuros; 
2° Malformação congênita e anomalias cromossômicas; 
3° Doenças do aparelho respiratório. 
- No período neonatal: 
1° Afecções originadas no período perinatal; 
2° Malformação congênita e anomalias cromossômicas; 
3° Causas externas. 
- No período pós-neonatal: 
1° Malformação congênita e anomalias cromossômicas; 
2° Doenças do aparelho respiratório; 
3° Afecções originadas no período perinatal. 
- De 1 ano de idade até os 40 anos de idade: as principais causas são as causas externas (injúrias físicas, 
traumas no trânsito, afogamento, queimaduras). 
- Entre 1 e 14 anos: acidentes de trânsito são os mais letais, depois desta idade a violência física 
(homicídio) é mais presente. 
Mortalidade Infantil Perinatal 
Mede o óbito da 22ª semana de gestação até o 7º dia de vida. 
 17 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Para lembrar: o Período Perinatal começa em 22 semanas completas (ou 154 dias) de gestação e 
termina aos 6 dias completos após o nascimento, ou seja, de 0 a 7 dias de vida (Período Neonatal 
Precoce < 7 dias). 
Serve para estimar o risco de morte de um feto que nasça sem vida ou, nascendo vivo, morre na 
primeira semana. É o mais relacionado à assistência pré-natal, ao parto e ao recém-nascido, pois reflete 
a ocorrência de fatores vinculados à gestação e ao parto. 
Grande aplicação por agrupar os óbitos ocorridos antes, durante e logo após o parto. Estima o risco de 
o feto nascer sem qualquer sinal de vida, ou se nascer vivo, qual o risco de morrer na primeira semana. 
As principais causas da mortalidade perinatal estão associadas à prematuridade, à asfixia, às infecções 
intrauterinas, à toxemia gravídica e às malformações múltiplas. Referidas ao Período Neonatal são as 
infecções agudas intrauterinas, os problemas respiratórios, as malformações, a prematuridade. 
 
De uma forma geral, nos últimos anos, o Brasil apresentou uma queda importante no coeficiente de 
mortalidade infantil. O componente que mais apresentou queda foi o pós-neonatal. 
Principais Fatores: vacinação, campanha de amamentação, condições de saneamento básico e 
moradia. 
Os Componentes Neonatais Precoce e Tardio, proporcionalmente, apresentaram aumento; hoje em 
dia, mais de 70% das causas de morte em crianças < 1 ano estão relacionadas às afecções perinatais e 
malformações congênitas. 
Mortalidade Fetal 
Morte Fetal: É a morte de um produto da concepção, antes da sua expulsão completa do corpo da mãe, 
independente da duração da gravidez, indica o óbito do feto; 
Morte Neonatal Precoce: Só inclui óbitos do nascimento até o 6° dia de vida completo. 
Morte Perinatal: Engloba nascidos mortos (a partir da 22° semana de gestação) + óbitos em menores 
de 7 dias de vida. 
Morte Neonatal Tardia: Só inclui óbitos entre o 7° e o 27° dia de vida (Coeficiente de Mortalidade 
Neonatal tardia). 
Coeficiente de Mortalidade Fetal 
 
Natimorto –morte do feto antes da sua expulsão ou extração do corpo da mãe; falece dentro do útero 
materno, após 20 semanas de gestação. 
Mortalidade Infantil Proporcional 
 18 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
 
Utiliza apenas informações sobre mortalidade. 
Principais problemas relacionados a assistência: 
1. Problemas no planejamento familiar; 
2. Problemas na assistência ao pré-natal (atendimento, exames, medicamentos); 
3. Problemas na assistência ao parto; 
4. Problemas na assistência ao recém-nascido na maternidade (leitos de UTI; medicamentos); 
5. Problemas na estruturação dos serviços de saúde. 
AULA 04: Vigilância Epidemiológica: Doenças e Agravos de Notificação Compulsória 
"Um conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer 
mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade 
de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos". 
Os objetivos da VE (vigilância epidemiológica) seriam: identificar e descrever o comportamento 
epidemiológico de doenças, monitorando as tendências (qual doença acomete mais?), grupos e fatores 
de risco; detectar epidemias e descrever seu processo de disseminação; avaliar a magnitude da 
morbidade – mortalidade; adotar medidas para prevenir ou controlar; avaliar o impacto de medidas de 
prevenção. 
DADOS DE MORBIDADE 
Permitem a identificação imediata do problema e seu enfrentamento. A ideia é saber como a doença 
se proliferaem determinadas áreas e períodos de tempo. Os dados são obtidos e notificados através 
do SINAN (Sistema Nacional de Agravos de Notificação). O objetivo do SINAN é coletar, transmitir e 
disseminar os dados gerados rotineiramente pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica das três esferas 
de governo, por intermédio de uma rede informatizada. 
DADOS DE MORTALIDADE 
A obtenção provém de um formulário padronizado, as declarações de óbitos são processadas em nível 
nacional. Os dados formam a base do Sistema de Informação sobre Mortalidade – SIM. 
A Vigilância Epidemiológica é Formada pela Notificação Compulsória. 
NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
É a comunicação da ocorrência feita à autoridade sanitária, por profissionais de saúde ou qualquer 
cidadão, para adoção de medidas de intervenção. 
Critérios aplicados na seleção de doenças e agravos para a inclusão na lista de Notificação Compulsória: 
I – Magnitude (nº de pessoas atingidas): aplicável a doenças com elevada frequência, que afetam 
grandes contingentes populacionais e se traduzem por altas taxas de Incidência-Prevalência-
Mortalidade. É o alcance, quantas pessoas foram atingidas pela patologia; 
PROVA 
QUESTÕES 
31 – 49 
 
 
 
 19 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
II - Potencial de disseminação: Elevado poder de transmissão da doença, disseminação, colocando sob 
risco indivíduos ou coletividades; 
III – Transcendência: vai além da patologia, são as sequelas que a pessoa sofre referente à patologia 
(potencialidade de danos à saúde), conferem relevância especial à doença ao agravo, destacando-se: 
severidade, hospitalização, sequelas; relevância social, e que se manifesta pela sensação de medo, 
repulsa e indignação; e relevância econômica (prejuízos comerciais, redução da força de trabalho, 
absenteísmo escolar e laboral, custos assistenciais e previdenciários, etc.; 
IV – Vulnerabilidade: condições de controlar o agravo; instrumentos específicos de prevenção e 
controle de doenças sob indivíduos ou coletividades; 
V - Emergências de saúde pública, epidemias, surtos e agravos inusitados: todas as suspeitas de 
epidemias ou de agravos inusitados devem ser investigadas e imediatamente notificadas aos níveis 
hierárquicos. 
Obs.: Epidemia é o aumento do número de casos de uma doença em várias regiões, mas sem uma 
escala global. O problema se espalha acima do esperado, sem uma área geográfica especifica. Endemia 
é quando uma doença tem recorrência em uma região, mas sem aumentos significativos no número 
de casos. O problema se manifesta com frequência e segue um padrão relativamente estável que 
prevalece. 
VI - Compromissos Internacionais: relativos ao cumprimento de metas continentais ou mundiais de 
controle, de eliminação ou de erradicação de doenças, previstas em acordos firmados pelo governo 
brasileiro com organismos internacionais. 
Obs.: As doenças de notificação compulsória internacional, são incluídas nas listas de todos os países 
membros da OMS. Até 2007, essas doenças eram restritas a três: Cólera, Peste e Febre amarela. Hoje, 
o Regulamento Sanitário Internacional (RSI-2005), estabelece que sejam notificados todos os eventos 
considerados de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). 
Conceitos fundamentais sobre a notificação de agravos: 
1 - No processo de seleção das doenças de Notificação Compulsória, os critérios devem ser 
considerados de forma conjunta. Embora o atendimento a apenas alguns deles possa ser suficiente 
para incluir determinada doença ou evento. 
2 - O caráter compulsório da notificação significa que todo cidadão possui uma responsabilidade 
formal, - caso suspeito ou confirmado - Relação de Notificação compulsória. 
3 - A notificação deve cobrir toda a população: todos os profissionais de saúde e mesmo a população 
em geral; todas as unidades de saúde (públicas, privadas e filantrópicas). 
4 - De acordo com o Ministério da Saúde, são aspectos que devem ser considerados na notificação: 
 - Notificar a simples suspeita da doença ou evento. Não se deve aguardar a confirmação para 
se efetuar a notificação, pois pode significar perda da oportunidade de adoção das medidas de 
prevenção e controle indicadas; 
 - A notificação tem que ser sigilosa, só podendo ser divulgada em caso de risco para a 
comunidade; 
 20 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
- O Envio dos instrumentos de coleta de notificação deve ser feito mesmo na ausência de casos, 
se denomina Notificação Negativa, um indicador de eficiência do sistema de informações e deve ser 
feito semanalmente. 
Notificação negativa: é a notificação da não ocorrência de doenças de notificação compulsória, 
na área de abrangência da unidade de saúde. Indica que os profissionais e o sistema de vigilância da 
área estão alertos para a ocorrência de tais eventos. 
Em resumo, a notificação compulsória é obrigatória para os médicos, outros profissionais de saúde ou 
responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde, que prestam assistência ao paciente, mesmo 
diante da simples SUSPEITA de certo agravo. Outros cidadãos tem o dever de notificar, mas não a 
obrigatoriedade. 
Segundo o Código Penal, Capítulo III – Dos Crimes Contra a Saúde Pública, artigo 269, tem-se: Deixar o 
médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é compulsória: Pena – detenção, de 
6 meses a 2 anos, e multa. Ou seja, se o médico não notificar está cometendo um crime. 
SISTEMA DE INFORMAÇÃO 
Sistema de informação em Saúde (SIS) - Coleta, Processamento, Análise e Transmissão da Informação. 
Os dados coletados sobre as doenças de notificação compulsória são incluídos no Sistema Nacional de 
Agravos Notificáveis (SINAN). 
SINAN: é o sistema mais importante para a Vigilância Epidemiológica. Desenvolvido entre 1990 e 1993, 
substituiu o Sistema de Notificação Compulsória de Doenças (SNCD) - na época vigente. O SINAN foi 
concebido pelo Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI), com o apoio técnico do DATASUS e outros 
parceiros, com a finalidade de ser operado a partir das unidades de saúde, considerando o objetivo de 
coletar e processar dados sobre agravos de notificação em todo o território nacional, desde o nível 
local. 
Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM): A Declaração de Óbito (DO) é o instrumento 
padronizado de coleta de dados desse sistema, impresso em três vias coloridas. Todo óbito ocorrido 
exige o preenchimento da DO (Lei Federal n° 6.015/73), que deve ser realizado exclusivamente por 
médicos, exceto em locais onde não haja disponibilidade desses profissionais, situações em que a DO 
poderá ser preenchida por oficiais de Cartórios de Registro Civil e assinada por duas testemunhas. 
O registro do óbito deve ser feito no local de ocorrência do evento. Embora o local de residência seja a 
informação mais utilizada na maioria das análises do setor saúde, a ocorrência também é importante 
para o planejamento de algumas medidas de controle. 
Sistema de informações sobre Nascidos vivos (SINASC): O número de nascidos vivos é uma informação 
bastante importante para o campo da saúde pública, pois, a partir desse dado, inúmeros indicadores 
podem ser construídos, voltados para a avaliação de riscos à saúde do segmento materno-infantil, por 
representar o denominador dos coeficientes de mortalidade infantil e materna, dentre outros. 
A declaração de nascidos vivos (DN), deve ser preenchida para todos os nascidos vivos no país (Lei 
6.015/73), que, segundo o conceito definido pela OMS, corresponde a “todo produto da concepção 
que, independentemente do tempo de gestação, depois de expulso ou extraído do corpo da mãe, 
respire ou apresente outro sinal de vida, tal como batimento cardíaco, pulsação do cordão umbilical ou 
movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária, estando ou não desprendida a placenta”. 
No caso de gravidez múltipla, deve ser preenchida uma DN para cada criança nascida viva. 
 21 ResumoEpidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Sistema de informações Hospitalares (SIH/SUS): o instrumento de coleta de dados do SIH/SUS é a 
Autorização de Internação Hospitalar (AIH), atualmente emitida pelos estados a partir de uma série 
numérica única definida anualmente em portaria ministerial. 
A Equipe de Saúde da Família informará à vigilância de acordo com o evento: 
 
VPP = frequência de PCT doente/ Total de teste Positivo 
Valor Preditivo Positivo (VPP) – probabilidade de um indivíduo avaliado e com resultado positivo ser 
realmente doente. 
Valor Preditivo Negativo (VPN) - probabilidade de um indivíduo avaliado e com resultado negativo ser 
realmente normal. 
Valor Preditivo Positivo (VPP) é a proporção dos casos identificados pelo sistema que de fato o são. Um 
sistema de vigilância epidemiológica com Baixo VPP poderá indicar a investigação de casos e epidemias 
e tratamento de pessoas que não são verdadeiramente doentes. O VPP aumenta com a especificidade 
do critério utilizado para definição de caso e com a prevalência do agravo. 
DOENÇAS EMERGENTES: São doenças novas, desconhecidas da população, que aparecem pela primeira 
vez. 
DOENÇAS RE-EMERGENTES: São aquelas já conhecidas e que haviam sido controladas, mas voltaram a 
apresentar ameaça para a saúde humana. 
Doenças de Notificação Compulsória (Portaria 204, de 17 de fevereiro de 2016) 
DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA: comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada 
pelos médicos, profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou 
privados, sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública, 
descritos no anexo, podendo ser imediata ou semanal. A comunicação de doença, agravo ou evento de 
saúde pública de notificação compulsória também será realizada pelos responsáveis por 
estabelecimentos públicos ou privados educacionais, de cuidado coletivo, além de serviços de 
hemoterapia, unidades laboratoriais e instituições de pesquisa. 
Notificação Compulsória Imediata (NCI): notificação compulsória realizada em até 24h, a partir do 
conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública, pelo meio de comunicação 
mais rápido disponível; deve ser realizada pelo profissional de saúde ou responsável pelo serviço 
assistencial que prestar o primeiro atendimento ao paciente. 
 22 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Notificação Compulsória Semanal (NCS): notificação compulsória realizada em até 7 dias, a partir do 
conhecimento da ocorrência de doença ou agravo; será feita à Secretaria de Saúde do Município do 
local de atendimento do paciente com suspeita ou confirmação de doença ou agravo de notificação 
compulsória. 
Notificação Compulsória Negativa: comunicação semanal realizada pelo responsável pelo 
estabelecimento de saúde à autoridade de saúde, informando que na semana epidemiológica não foi 
identificado nenhuma doença, agravo ou evento de saúde pública constante da Lista de Notificação 
Compulsória. 
Portaria 264, de 17 de fevereiro de 2020 
Lista Nacional de Doenças e Agravos de Notificação Compulsória: 
 
 
IMEDIATA 
SEMANAL 
 23 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
 
 24 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
O Ministério da Saúde, em alguns documentos específicos sobre tuberculose, AIDS, hanseníase e 
leishmaniose tegumentar, afirma que essas patologias só devem ser notificadas quando confirmadas, 
contrariando o princípio da notificação e outros documentos de publicação própria. Portanto, fique 
atento!!! 
Em 25 de junho de 2018 foi aprovada a Lei 13.685, aonde neoplasias e mal formações congênitas 
passam a ser doenças de notificação compulsória, porém não diz se é de notificação imediata ou 
semanal. 
MAUS-TRATOS CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES PORTARIA N° 1.968/GM 
O artigo 1° estabelece que os responsáveis técnicos de todas as entidades de saúde integrantes ou 
participantes, a qualquer título, do Sistema Único de Saúde - SUS, deverão notificar aos Conselhos 
Tutelares da localidade todo caso de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra crianças e 
adolescentes por elas atendidos. 
O artigo 2° define que a notificação deverá ser feita mediante a utilização de formulário próprio, 
constante do anexo da Portaria, observadas as instruções e cautelas nele indicadas para seu 
preenchimento. 
Parágrafo único. O formulário objeto deste artigo deverá ser preenchido em 02 vias, sendo a primeira 
encaminhada ao Conselho Tutelar ou Juizado de Menores e a segunda anexada à Ficha de Atendimento 
ou Prontuário do paciente atendido, para os encaminhamentos necessários ao serviço. 
MAUS-TRATOS CONTRA IDOSO 
Os casos de suspeita ou confirmação de violência praticada contra idosos serão objeto de notificação 
compulsória pelos serviços de saúde públicos e privados à autoridade sanitária, bem como serão 
obrigatoriamente comunicados por eles a quaisquer dos seguintes órgãos: 
I. Autoridade Policial; 
II. Ministério Público; 
III. Conselho Municipal do Idoso; 
IV. Conselho Estadual do Idoso; 
V. Conselho Nacional do Idoso. 
Considera-se violência contra o idoso qualquer ação ou omissão praticada em local público ou privado 
que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico. 
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER (LEI N° 10.778, em 24 de novembro de 2003 Publicada no DOU N° de 
25/11/03) 
Estabelece a notificação compulsória, no território nacional, do caso de violência contra a mulher que 
for atendida em serviços de saúde públicos ou privados. Para os efeitos desta Lei, entende-se por 
violência contra a mulher qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, inclusive decorrente de 
discriminação ou desigualdade étnica, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou 
psicológico à mulher, tanto no âmbito público quanto no privado. 
PROVA 
Tem que saber quais são as doenças de notificação compulsória, se é imediata ou semanal!!!!! 
Saber quais são os critérios para ser uma doença de notificação compulsória! 
AULA 05: Promoção e Atenção à Saúde Atenção Primária 
PROVA 
QUESTÕES 
50 - 69 
 
 25 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
Características básicas da APS: 
 - Regionalização: os serviços de saúde devem estar organizados de forma a atender as diversas regiões 
nacionais, através da sua distribuição a partir de bases populacionais, devem identificar as 
necessidades de saúde de cada região; 
- Integralidade: fortalece a indissociabilidade entre ações curativas, preventivas e de reabilitação. 
O Relatório Dawson, publicado em 1920, foi o marco da ideia de APS como forma de organização dos 
sistemas nacionais de saúde, no qual se propôs a reestruturação do modelo de atenção à saúde na 
Inglaterra em serviços organizados segundo os níveis de complexidade e os custos do tratamento. 
Centros de saúde primários deveriam resolver a maior parte dos problemas de saúde da população e 
funcionar como a porta de entrada e núcleo do sistema, de forma vinculada e com o suporte de centros 
de saúde secundários e hospitais de ensino. 
As propostas do documento estiveram presentes na base da criação do Sistema Nacional de Saúde na 
Inglaterra e inauguraram um conjunto de dimensões ainda centrais nas discussões contemporâneas 
acerca da organização de sistemas de saúde com ênfase na APS, como a atenção ao primeiro contato, 
a hierarquização dos níveis de atenção à saúde e a regionalização a partir de bases populacionais. 
A Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em Ottawa, Canadá, em 
1986, apresenta a Carta de Intenções, que contribuirá para se atingir Saúde para Todos no Ano 2000 e 
anos subsequentes. 
As discussões foram baseadas nos progressos alcançados com a Declaração de Alma-Ata para os 
Cuidados Primários em Saúde, com o documento da OMS sobre Saúde Para Todos. 
A conferência de saúde que delineou os fundamentos do SUS foi a VIII Conferência Nacionalde Saúde 
(1986), cujo lema era: "Saúde, direito de todos; dever do Estado", o qual reforçava as propostas de 
universalização, unificação do sistema, integralidade das ações, descentralização e participação 
popular. Tinha como objetivo final a criação do SUS. 
1988 - Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988: 
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e 
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e 
igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. 
Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e 
constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: 
- Descentralização, com direção única em cada esfera de governo; 
- Atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos 
serviços assistenciais; 
- Participação da comunidade. 
No que diz respeito à organização da APS, a declaração de Alma-Ata propõe: 
A instituição de serviços locais de saúde centrados nas necessidades de saúde da população e 
fundados numa perspectiva interdisciplinar: envolvendo médicos, enfermeiros, parteiras, auxiliares e 
agentes comunitários, bem como a participação social na gestão e controle de suas atividades. 
 26 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
A equipe de saúde da família é composta minimamente por 1 médico, 1 enfermeiro, 1 técnico 
ou auxiliar de enfermagem e 4-6 agentes comunitários de saúde. 
A conferência de Alma-Ata definiu a APS. Dessa definição emergiram, naquele momento, 
Elementos Essenciais da APS: a educação em saúde; o saneamento básico; o programa materno-
infantil, incluindo imunização e planejamento familiar; a prevenção de endemias; o tratamento 
apropriado das doenças e danos mais comuns; a provisão de medicamentos essenciais; a promoção de 
alimentação saudável e de micronutrientes; e a valorização das práticas complementares. 
Principalmente, aponta para a saúde como expressão de direito humano. 
A Carta de Ottawa, em 1986, defende a Promoção da Saúde como fator fundamental de 
melhoria da qualidade de vida, assim como defende a capacitação da comunidade nesse processo, 
salientando que tal promoção não é responsabilidade exclusiva do setor da saúde, mas é 
responsabilidade de todos, em direção ao bem-estar global. 
PREVENÇÃO DE DOENÇAS é evitar doenças, sendo este o seu objetivo e, portanto, a ausência 
de doenças seria suficiente. A doença ainda não está instalada, é o período pré-patogênico. 
Níveis de Prevenção 
Prevenção primária: representa o conjunto de ações que visam evitar a doença na população, 
removendo os fatores causais. Visa a diminuição da incidência da doença. Atua no período pré-
patogênico (é o período das relações entre o ambiente e o suscetível até que se chegue a uma condição 
favorável de instalação de doença – o indivíduo não está doente ainda). Trabalha com a promoção da 
saúde e a proteção específica. 
São exemplos: a vacinação, o tratamento de água para consumo humano, medidas de 
desinfecção e desinfestação, ou ações para prevenir a infecção por HIV (como ações de educação para 
a saúde e/ou distribuição gratuita de preservativos, ou de seringas descartáveis aos dependentes de 
drogas). 
Prevenção secundária: representa o conjunto de ações que visam identificar e corrigir o mais 
precocemente possível qualquer desvio da normalidade, de forma a colocar o indivíduo de imediato 
na situação saudável, ou seja, tem como objetivo a diminuição da prevalência da doença (isso acontece 
nas doenças infecciosas e nas neoplasias, por exemplo, pois são doenças que curam). Porém, isso não 
vai ser possível na diabetes tipo 2, hipertensão arterial essencial, entre outras, por exemplo, pois são 
doenças que ainda não possuem cura. Portanto, nesses casos, a prevalência com o tratamento 
aumentará). Atua no período patogênico (é o período que se inicia com a interação entre hospedeiro-
agente – é o começo das alterações fisiopatológicas no indivíduo). Um exemplo é a realização de 
inquéritos para descoberta precoce de pacientes com tuberculose na comunidade. 
Prevenção terciária: representa o conjunto de ações que visam reduzir a incapacidade para 
permitir uma rápida e melhor reintegração do indivíduo na sociedade, aproveitando as capacidades 
remanescentes. Também atua no período patogênico. Como exemplo, podemos citar a reintegração 
daquele trabalhador na empresa, caso não pudesse continuar a exercer, por razões médicas, o mesmo 
tipo de atividade que exercia antes. 
Prevenção quaternária: é um novo conceito de prevenção, tem como objetivo a prevenção da 
iatrogenia e a prevenção da prevenção inapropriada. 
Prevenção quinquenária: cuidar de quem está em frente, cuidar de quem cuida. 
ATENÇÃO BÁSICA (PRIMÁRIA) 
 27 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
É sem restrição: grupos de idade, gênero ou problemas de saúde; atenção acessível, integrada 
e continuada; trabalho em equipe; atenção centrada na pessoa e não na enfermidade; atenção 
orientada à família e à comunidade; atenção coordenada, incluindo o acompanhamento do usuário 
nos outros níveis de atenção, e apoio constante aos usuários nos aspectos relacionados à saúde e bem-
estar. 
APS como estratégia só existirá se ela cumprir suas 3 funções essenciais: 
- Resolubilidade: deve ser resolutiva, capacitada, portanto, cognitiva e tecnologicamente, para 
atender a mais de 90% dos problemas de sua população; 
- Responsabilização: conhecimento e o relacionamento íntimo, nos microterritórios sanitários, 
da população adstrita, o exercício da gestão de base populacional e a responsabilização econômica e 
sanitária em relação a esta população. 
- Comunicação: expressa o exercício, pela APS, de centro de comunicação das RAS, o que 
significa ter condições de ordenar os fluxos e contrafluxos das pessoas, dos produtos e das informações 
entre os diferentes componentes das redes. 
OS ATRIBUTOS E AS FUNÇÕES DA APS NAS RAS (rede de atenção de saúde) 
Os princípios gerais da APS têm base na declaração de Alma-Ata e podem ser resumidos em 4 
atributos essenciais: 
- Acesso ou Primeiro Contato: constituir a porta de entrada do serviço; tem que ser acessível à 
população; 
- Integralidade: é um dos princípios doutrinários do SUS; o Nível Primário é responsável por 
todos os problemas de saúde; ainda que parte deles seja encaminhado a equipes de nível secundário 
ou terciário, o serviço de Atenção Primária continua corresponsável. 
- Longitudinalidade (Continuidade do cuidado): a pessoa atendida mantém seu vínculo com o 
serviço ao longo do tempo, de forma que quando uma nova demanda surge, esta seja atendida de 
forma mais eficiente; acolhimento; 
- Coordenação do cuidado: é a capacidade de integrar todo o cuidado que o paciente recebe 
em diferentes pontos, por meio do gerenciamento e da coordenação entre os serviços. 
E ainda 3 atributos derivados: 
- Orientação familiar: corresponde a responsabilização por parte da equipe de determinado 
número de famílias que vivem em um território definido; 
- Orientação Comunitária: uso de habilidades clínicas, epidemiológicas e sociais para abordar 
os problemas mais prevalentes específicos daquela população adscrita a determinada equipe quanto 
ao envolvimento da comunidade na tomada de decisão; 
- Competência cultural (Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e 
tecnologia): capacidade das equipes de saúde e das organizações de cuidados em saúde de 
compreender e responder as necessidades da sua população adscrita considerando os aspectos 
culturais e linguísticos trazidos pelos usuários nas demandas de cuidados de saúde. 
A presença dos 7 atributos da APS é importante para a garantia dos resultados e da qualidade 
da atenção. 
 28 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
 
 
Política Nacional de Atenção Básica(PNAB) 
"Recomenda-se que as Unidades Básicas de Saúde tenham seu funcionamento com carga horária 
mínima de 40 horas semanais, no mínimo 5 (cinco) dias da semana e nos 12 meses do ano, 
possibilitando acesso facilitado à população. Como forma de garantir a coordenação do cuidado, 
ampliando o acesso e resolutividade das equipes que atuam na Atenção Básica, recomenda-se: 
I- População adscrita por equipe de Atenção Básica (eAB) e de Saúde da Família (eSF) de 
2.000 a 3.500 pessoas, localizada dentro do seu território, garantindo os princípios e 
diretrizes da Atenção Básica". 
Princípios e Diretrizes da Atenção Básica no Brasil 
I - Princípios: 
Universalidade: direito à saúde garantido mediante políticas públicas e direito à vida e à 
igualdade de acesso sem distinção de raça, sexo, religião ou qualquer outra forma de discriminação do 
cidadão brasileiro. 
Equidade: tratar desigualmente o desigual, atentar para as necessidades coletivas e individuais, 
procurando investir onde a iniquidade é maior; 
Integralidade: deve priorizar as ações preventivas, sem prejuízo das ações de assistência. 
II – Diretrizes: 
Regionalização e Hierarquização: organização do sistema que deve focar a noção de território, 
onde se determinam perfis populacionais, indicadores epidemiológicos, condições de vida e suporte 
social, que devem nortear as ações e serviços de saúde de uma região; a regionalização é norteada pela 
hierarquização dos níveis de complexidade requerida pelas necessidades de saúde das pessoas. 
A rede de ações e serviços de saúde, orientada pelo princípio da Integralidade, deve se 
organizar desde as ações de promoção e prevenção até as ações de maior complexidade, como 
recursos diagnósticos, internação e cirurgias. 
Territorialização: a área de atuação das equipes tem uma base territorial definida, sendo sua a 
responsabilidade, a atenção, o acompanhamento e o monitoramento da saúde da população desse 
local. A PNAB recomenda que cada equipe seja responsável por dois a quatro mil pessoas, o que 
corresponde a aproximadamente 750 a 1.000 famílias. 
 29 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 
População Adscrita: é a população presente no território da UBS, a fim de estimular o 
desenvolvimento de relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população garantindo 
a continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado. 
Cuidado centrado na pessoa: prevê que profissionais de saúde devem trabalhar 
colaborativamente com o paciente, construindo um tratamento que esteja adaptado às suas 
necessidades individuais. Isso deve ser feito com dignidade, compaixão e respeito. 
Resolutividade: efetividade do serviço; a integralidade; o acesso universal; a satisfação dos 
usuários; a intersetorialidade; as tecnologias utilizadas pelo serviço e as demandas e necessidades dos 
usuários. 
Longitudinalidade do cuidado: acompanhamento do paciente ao longo do tempo por 
profissionais da equipe. 
Coordenação do cuidado: estabelecer conexões de modo a alcançar o objetivo maior de 
prover/atender às necessidades e preferências dos usuários na oferta de cuidados em saúde, com 
elevado valor, qualidade e continuidade. 
Ordenação da rede: reconhecer as necessidades de saúde da população sob sua 
responsabilidade, organizando as necessidades desta população em relação aos outros pontos de 
atenção à saúde, contribuindo para que a programação dos serviços de saúde parta das necessidades 
de saúde dos usuários. 
Participação da comunidade: estimular a participação das pessoas, a orientação comunitária 
das ações de saúde na atenção básica e a competência cultural no cuidado como forma de ampliar sua 
autonomia e capacidade na construção do cuidado à sua saúde e das pessoas e coletividades do 
território. 
Redes de Atenção à Saúde (RAS) 
As RAS são organizações poliárquicas de conjuntos de serviços de saúde, vinculados entre si 
por uma missão única, por objetivos comuns e por uma ação cooperativa e interdependente, que 
permitem ofertar uma atenção contínua e integral a determinada população, coordenada pela APS. 
São consideradas a melhor estratégia para o enfrentamento da fragmentação da atenção e dos 
problemas de saúde pública, haja vista os modelos de atenção serem diferentes, tanto para as 
condições crônicas, quanto para as condições agudas. 
Os objetivos das RAS são melhorar a qualidade da atenção, a qualidade de vida das pessoas 
usuárias, os resultados sanitários do sistema de atenção à saúde, a eficiência na utilização dos recursos 
e a equidade em saúde (ROSEN e HAM, 2009). 
Estratégia de Saúde da Família 
A Atenção Básica é destacada pela sua importância no processo de REORGANIZAÇÃO dos 
sistemas municipais de saúde, sendo definida como: “um conjunto de ações, de caráter individual ou 
coletivo, situadas no primeiro nível de atenção dos sistemas de saúde, voltadas para a promoção da 
saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e a reabilitação”. 
São atribuições das equipes da estratégia saúde da família: identificar a realidade 
epidemiológica e sociodemográfica das famílias adscritas. 
Algumas atuações da saúde da família são individuais. No entanto, grande parte são atribuições 
comuns a todos os profissionais, como a elaboração de grupos de educação para a saúde. 
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Dentre as atribuições comuns a todos os profissionais das ESF, pode-se citar a coordenação, 
participação e/ou organização de grupos de educação para a saúde. 
PROVA: saber o que é de domínio de todos e o que é de domínio específico! 
As equipes do PSF devem ser compostas, no mínimo, por 1 médico de família, 1 enfermeiro, 1 
auxiliar (ou técnico) de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Quando ampliada, conta ainda 
com um dentista, um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental. 
Quando uma equipe de saúde da família é implementada em uma região, 2 atividades são 
obrigatórias: territorialização (processo de definição geográfica da área de abrangência) e adscrição de 
clientela (cadastramento das famílias que serão atendidas para o conhecimento da população – 
preenchimento das fichas). 
PROVA: 
I- Como se limita a área de abrangência, o que inclui o total de pessoas que devem ser 
atendidas. E quanto vale esse total? 
São 3000 pessoas, em média, com máximo de 4000 indivíduos (ou 1000 famílias) 
atendidos, sendo um máximo de cerca de 750 pessoas por agente de saúde. 
II- Quantas microáreas podem estar incluídas? 
Entre 4 e 6 microáreas contíguas, onde cada agente comunitário de saúde assumirá 
sua responsabilidade. 
As atribuições básicas de uma equipe de Saúde da Família são: 
• Conhecer a realidade das famílias pelas quais são responsáveis e identificar os problemas de saúde 
mais comuns e situações de risco aos quais a população está exposta; 
• Executar, de acordo com a qualificação de cada profissional, os procedimentos de vigilância à saúde 
e de vigilância epidemiológica, nos diversos ciclos da vida; 
• Garantir a continuidade do tratamento, pela adequada referência do caso; 
• Prestar assistência integral, respondendo de forma contínua e racionalizada à demanda, buscando 
contatos com indivíduos sadios ou doentes, visando promover a saúde por meio da educação sanitária; 
• Promover ações intersetoriais e parcerias com organizações formais e informais existentes na 
comunidade para o enfrentamento conjunto dos problemas; 
• Discutir, de forma permanente, junto à equipe e à comunidade, o conceito de cidadania, enfatizando 
os direitos de saúde e as bases legais que os legitimam; 
• Incentivar a formação e/ou participação ativa nos conselhos locais de saúde e no Conselho Municipal 
de Saúde. 
Cada equipe de saúde da família é responsável pela atenção de, no máximo, 4.000 INDIVÍDUOS, ou 
seja, cerca de 750-1000 famílias. 
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Um breve resumo pra facilitar a resolução:Princípios do SUS: 
Ideológicos ou Doutrinários: Universalidade, Integralidade e Equidade. 
Organizacionais: Descentralização, Hierarquização, Regionalização e Participação Social 
 
 
 
 
 
Deus abençoe vocês! 
Obrigada pela confiança! 
Foco, concentração e muita leitura! 
Já deu tudo certo! 
Contem comigo! 
Boa prova! 
PROVA 
QUESTÕES 
70 - 99

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