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1 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Aula 01: INDICADORES DE SAÚDE “Um indicador de saúde deve revelar a situação de saúde de um indivíduo ou população”. “É uma medida que reflete uma característica ou aspecto particular, via de regra, não sujeitos à observação direta”. Indicadores são medidas que contêm informação relevante sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como do desempenho do sistema de saúde. Devem refletir a situação sanitária de uma população e servir para a vigilância das condições de saúde. São medidas que contêm informações relevantes sobre como anda o sistema de saúde, simplificando, são a matéria-prima essencial para a análise de saúde. Instrumento de mensuração para o gerenciamento, avaliação e planejamento das ações em saúde. Possibilita mudanças efetivas nos processos e nos resultados, por meio do estabelecimento de metas e ações prioritárias que garantam a melhoria contínua e gradativa de uma situação ou agravo. Segundo a OMS, os indicadores de saúde têm com o objetivo: I- Avaliar a higidez; II- Fornecer subsídios aos planejamentos de saúde; III- Permitir o acompanhamento das flutuações e tendências históricas do padrão sanitário de diferentes coletividades em diversos períodos de tempo. Essa temática tem sido estudada internacionalmente, pela necessidade de relacionar situações de vida entre diferentes países, estados ou comunidades num horizonte temporal. Características importantes para a escolha de um indicador: - Apresentar simplicidade técnica: o indicador deve ser de fácil entendimento e percepção; - Deve ter uniformidade; PERMITEM: - Avaliar o estado de saúde da população; - Melhorar, manter ou prevenir doenças; - Planejar, avaliar e administrar as ações de saúde. 2 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros - Deve atingir o maior número possível de variáveis; - Permite comparações entre situações; - Principalmente deve ser confiável; - É relevante respeitar os aspectos éticos. O que saber: o que são indicadores de saúde e como caracterizá-los; saber a importância de escolher os indicadores de saúde adequados para avaliar o resultado das ações realizadas pela equipe de Atenção Primária à saúde. Para escolher um tipo de indicador, devemos nos preocupar com três fatores fundamentais: - Eficiência (custo e benefício) – ato de fazer; diz respeito a um trabalho bem feito; é quando algo é realizado da melhor maneira possível, ou seja, com menos desperdício ou em menor tempo. - Eficácia (obtenção dos objetivos propostos) – fazer o que precisa ser feito; é quando um projeto/produto/pessoa atinge o objetivo ou a meta; - Efetividade (resultados) - é a capacidade de fazer uma coisa (eficácia) da melhor maneira possível (eficiência). Assim o melhor indicador é aquele que reúne os três “E” e nos fornece as respostas às nossas indagações. Os dados obtidos serão representados através da FREQUÊNCIA ABSOLUTA (valor total de ocorrência do problema) e da FREQUÊNCIA RELATIVA (amostra – população em estudo (índice, coeficientes ou taxas)). Os principais indicadores utilizados são: - Mortalidade / sobrevivência; - Morbidade / gravidade / incapacidade: taxa de indivíduos portadores de determinada doença dentro de um grupo específico, a partir de certo período de análise; - Nutrição / crescimento e desenvolvimento; - Aspectos demográficos; - Condições socioeconômicas; - Saúde ambiental; - Serviços de saúde. Além da avaliação do nível de vida, os indicadores de saúde são utilizados para: I- Identificação dos principais problemas de saúde pública; II- Elaboração de políticas; III- Avaliação da efetividade das ações de prevenção e assistência. Classificação dos Indicadores segundo a OMS (1957): - Saúde de indivíduos ou de populações (ou sua falta): medidas de mortalidade, morbidade, estado nutricional, demográficas, fatores de risco, satisfação com o próprio estado de saúde. 3 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros - Condições do meio ambiente: saneamento - acesso à água tratada; rede de esgoto sanitário; qualidade do ar; - Serviços de saúde: indicadores de insumos (N° de médicos por 1.000 habitantes ), indicadores de processo (proporção de gestantes atendidas no pré-natal) e indicadores de resultado (incidência de sífilis congênita (tendo em vista sua eliminação)). Os indicadores de saúde são expressos por meio de medidas de frequência, tais como: proporções (taxas - estimam o risco de ocorrência de um problema de saúde, como adoecimento, ou a morte em relação a uma determinada população suscetível, por unidade de tempo) e coeficientes (número de casos em uma população de um determinado local, por um tempo determinado. Os números absolutos não são utilizados para avaliar o nível de saúde, pois não levam em conta o tamanho da população. Desta forma, os indicadores de saúde são construídos por meio de razões (Frequências Relativas), em forma de proporções ou coeficientes. Como expressar os resultados? 1. EM FREQUÊNCIA ABSOLUTA: Valor total de ocorrência do problema; são pouco utilizadas em Epidemiologia, pois não permitem medir o risco de uma população adoecer ou morrer por determinado agravo. 2. EM FREQUÊNCIA RELATIVA: são mais utilizadas quando se deseja comparar a ocorrência dos problemas de saúde em populações distintas ou na mesma população ao longo do tempo. 3. EM ÍNDICE. Coeficiente ou Taxa (Geral) Expressa a velocidade ou a intensidade com que um fenômeno qualquer varia. Ex.: Casos de doença: 5000 População exposta: 500.000 5000/500.00 X Constante Ano: 2004 Proporção (Específico) Expressa o quociente entre duas frequências de mesma unidade, ou seja, no denominador estão subconjuntos dos eventos registrados no numerador. Razão Expressa o quociente entre 2 frequências de unidades distintas. IDH= renda + longevidade + educação 4 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Ex.: Razão de sexo: Índice de Swaroop e Uemura Um indicador muito utilizado para comparar regiões com diferentes graus de desenvolvimento. Criado em 1957, é o indicador de Swaroop-Uemura ou Razão de Mortalidade Proporcional (RMP). Este indicador é calculado dividindo-se o número de óbitos em indivíduos com 50 anos ou mais pelo total de óbitos da população. O Índice de Swaroop-Uemura (ISU) ou Razão de Mortalidade Proporcional mede a proporção de óbitos em pessoas com 50 anos ou mais, em relação ao número total de óbitos. Quanto maior o índice, melhor, pois indica boa qualidade dos serviços de saúde e qualidade de vida. Isso demonstra que o país permite que pessoas vivam mais, com baixos valores de mortalidade infantil e da mortalidade entre jovens. Esse indicador permite analisar a tendência da mortalidade ao longo dos anos e a comparação entre diversos países ou localidades. Ele permite classificar regiões ou países em 4 níveis de desenvolvimento: - Primeiro nível – índice superior a 75%: países onde 75% ou mais da população morrem com 50 ou mais anos de idade; - Segundo nível – índice entre 50 e 74%: países que ainda não atingiram nível de saúde tão elevado quanto o grupo anterior; o Brasil se encaixa neste nível; - Terceiro nível – índice entre 25 e 49%: de 25 a 49% da população morrem com 50 anos ou mais; - Quarto nível – índice abaixo de 25%: regiões com alto grau de subdesenvolvimento, a maioria das pessoas morrem muito jovens. Indicadores Globais: 1. Coeficiente geral de mortalidade, a razão de mortalidade proporcional (ou índice de Swaroop e Uemura); 2. Esperança de vida ao nascer; Indicadores Específicos: 3. Coeficientes de Mortalidade Infantil; 4. Coeficientes de Mortalidade por doenças transmissíveis. Este índice é a Mortalidade Proporcional de 50 anos ou mais, ou seja: a proporção de óbitos ocorridos em indivíduos com 50 anos ou mais. 5 ResumoEpidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Curvas de Mortalidade Proporcional As Curvas de Mortalidade Proporcional são construídas a partir da distribuição proporcional de óbitos por grupos etários com relação ao total de óbitos para determinada população. Estas distribuições exibem um certo formato gráfico, que indicará o nível de saúde da área avaliada. Estas curvas são também denominadas de Curvas de Nelson de Moraes. Curva de Nelson Moraes Os grupos etários considerados nas curvas são: - Menores de 1 ano; - Crianças em idade pré-escolar (1 a 4 anos); - Crianças e adolescente (5 a 19 anos); - Adultos jovens (20 a 49 anos); - Adultos de meia idade e idosos (50 anos e mais). A proporção de óbitos relativa a esta última faixa corresponde ao indicador de Swaroop e Uemura. A classificação de Nelson de Moraes considera 4 tipos de curvas, apresentadas abaixo. As curvas, estão associadas aos seguintes níveis de saúde: Tipo III: Nível de saúde regular; é nítido o aumento da proporção de óbitos de indivíduos de 50 anos ou mais e a proporção de óbitos infantis já é menor. Tipo II: Nível de saúde muito baixo- caracterizado pelo predomínio de óbitos nas faixas infantil e pré- escolar. já é menor. Tipo I: Nível de saúde muito baixo - predomínio de óbitos de adultos jovens (20-49 anos), embora a proporção de óbitos de menores de 1 ano também seja elevada. já é menor. 6 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros ATENÇÃO!! Tipo é uma coisa e nível é outra!!! As curvas de Nelson de Moraes falam de tipo, do I ao IV, o tipo IV tem o melhor nível de saúde! O índice de Swaroop e Uemura compara as diferentes regiões e classifica em níveis, aonde o quarto nível é o mais SUBDESENVOLVIDO, ou seja, o pior nível de saúde. Indicadores de saúde baseado em medidas de Mortalidade Mortalidade x Morbidade A mortalidade busca estabelecer a quantidade de mortos sobre uma determinada população. Medidas de mortalidade têm sido tradicionalmente utilizadas como indicadores de saúde há mais de um século e a divulgação sobre as estatísticas de mortalidade é responsabilidade do IBGE. A morbidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento. O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do MS, implantado 1975/1976, é a fonte de informações sobre mortalidade no país. Sistema paralelo ao IBGE, que utiliza os dados de sexo, idade e causa morte coletado das DO (declaração de óbito) como fonte de informação. A declaração de óbito (DO) é o que alimenta o SIM. INDICADORES DE MORBIMORTALIDADE COEFICIENTE DE MORBIDADE Mede o risco de uma pessoa adoecer em um determinado local e ano. É capaz de apontar os principais problemas de saúde de uma determinada localidade, permitindo propor medidas eficazes de prevenção e controle dos fatores de risco. Coeficientes de Mortalidade Os coeficientes de mortalidade medem a probabilidade que qualquer pessoa da população tem de morrer em determinado local e ano. Dentre os principais coeficientes de mortalidade estão: - Coeficiente de Mortalidade Materna; - Coeficiente de Mortalidade Infantil; - Coeficiente de Mortalidade por Causas Específicas; Tipo IV: Nível de saúde elevado; predomínio quase absoluto da proporção de óbitos de pessoas com idades mais avançadas. 7 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros - Curva de Nelson Morais – Mortalidade Proporcional. Coeficiente Geral de Mortalidade O CGM se refere a toda uma população. Também denominada Taxa Bruta de Mortalidade, ele é o quociente entre o total de óbitos e a população de uma área, em um determinado período de tempo. A população no denominador CGM é referida em um ano calendário, pressupondo-se que ocorra uma distribuição homogênea de nascimentos, óbitos e migrações. O valor final é multiplicado por 1.000. Obs.: Espera-se que, para quaisquer populações, o valor do CGM varie entre 6 e 10 óbitos por mil habitantes. Exemplo: no ano 2000, foram registrados 946.686 óbitos em todo o Brasil e, em 1° de julho deste mesmo ano, a população brasileira era constituída por 169.799.170 habitantes: para cada 1.000 habitantes, cerca de 5,6 faleceram neste ano. MORBIDADE Relacionada ao risco de adoecer que as pessoas estão sujeitas. Tem como objetivo obter indicações para investigações de seus fatores determinantes e a escolha das ações adequadas. Expressa a taxa de portadores de uma determinada doença em relação a população total estudada. Os coeficientes de morbidade são: - Incidência; - Prevalência; - Letalidade. Coeficiente de Prevalência (morbidade): Mede a frequência de tal doença aqui/agora. Indica a relação entre o número de casos existentes de uma dada doença e a população, num determinado período de tempo, independentemente de serem casos novos ou antigos. Simplificando, faz uma fotografia da situação existente num determinado momento e vai considerar todos os casos registrados, em acompanhamento e em tratamento. Pode ser calculado em períodos de tempo variáveis como ano, mês, semana e dia, possibilitando ações mais efetivas em situação de risco ou epidemia. Importante!!! Prevalência é igual ao número total de casos de um agravo. Já o coeficiente de prevalência, é igual à relação entre o total de casos de um agravo e a população exposta em determinado período de tempo. Porém os dois termos são muito usados como sinônimos em concursos. 8 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Por exemplo, no Brasil, no ano de 2008, foram registrados 34.480 novos casos de AIDS e já estavam em tratamento 33.909 pessoas. Com uma população estimada de 189 milhões neste ano, pode-se dizer que o coeficiente de prevalência da AIDS no Brasil, no ano de 2008, foi de: QUAIS SITUAÇÕES SÃO CAPAZES DE AUMENTAR A PREVALÊNCIA? - Número maior de casos novos diagnosticados; - Imigração de doentes; - Diminuição da mortalidade por doenças crônicas. E O QUE DIMINUI A PREVALÊNCIA? - Aumento do número de óbitos do agravo estudado; - Aumento do percentual de pacientes curados; - A emigração de doentes. Coeficiente de Incidência: Mede a frequência de casos novos de tal doença em determinado local e tempo. Traduz a ideia de intensidade com que acontece a morbidade em uma população, mede a frequência de uma doença no tempo. Permite medir a progressão/regressão de uma doença através do número de casos novos que surgem a cada momento. O coeficiente de incidência, tal como o de prevalência, pode ser calculado em períodos de tempo variáveis (dia, semana, mês, ano). Dentre os coeficientes de morbidade, é o melhor para avaliar o risco de adoecer por um determinado agravo. Também é conhecido como incidência acumulada. Importante: Incidência é igual ao número de casos novos de um agravo. Já o coeficiente de incidência é igual à relação entre o número de casos novos de um agravo e a população exposta em determinado período de tempo. Porém, os dois termos são muito usados como sinônimos em concursos. Coeficiente de letalidade Avalia a capacidade que uma determinada doença possui de provocar a morte em indivíduos acometidos por ela - mede, em outras palavras, a gravidade da doença. 9 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Letalidade - É a relação entre o número de óbitos devido a uma determinada causa e o número de pessoas que foram acometidas pela doença num dado tempo e espaço. EXEMPLO: Dos 120 casos de cólera ocorridos no ano de 1993 na região Norte do Brasil, 63 morreram. Qual o coeficiente de letalidade desta doença, neste ano e região? Taxa de Ataque Nos casos de doenças ou agravos de natureza aguda que coloquem em risco toda a população ou parte dela por um período limitado, a incidência recebe a denominação taxa de ataque. É o que ocorre, tipicamente, nos surtos epidêmicos.Coeficiente de Natalidade Número de pessoas que nascem por 1000 habitantes durante um ano: • Está relacionado com o tamanho da população; • Tem caído substancialmente ao longo dos anos. Coeficiente de Fecundidade Número médio de filhos que uma mulher teria ao final de sua idade reprodutiva: • Tem como denominador o número de mulheres em idade reprodutiva. TAXA DE FERTILIDADE: Capacidade fisiológica que a mulher tem de ter filhos (número de mulheres em idade fértil). TAXA DE FECUNDIDADE: Número de filhos por mulher fértil. 10 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros AULA 02 – Indicadores de Saúde Materna – MORTALIDADE MATERNA A Mortalidade Materna pode ser considerada como um excelente indicador de saúde, não apenas da saúde da mulher, mas da população como um todo. QUESTÕES 1 – 22 11 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Seus níveis revelam iniquidades entre áreas ou regiões com diferentes graus de desenvolvimento. Conceitos: É a morte de uma mulher durante a gravidez, durante o parto e após o nascimento da criança (puerpério). O período vai desde a gravidez até o 42º dia após o parto, ou até o término da gestação. (CID 10 – OMS). “Número de óbitos maternos, por 100mil nascidos vivos de mães residentes em determinado espaço geográfico, no ano considerado”. “A morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez, devido a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais.” “Estima a frequência de óbitos femininos, ocorridos até 42 dias após o término da gravidez, atribuídos a causas ligadas à gravidez, ao parto e ao puerpério, em relação ao total de nascidos vivos.” Classificação: A morte materna pode ser por causas não – obstétricas ou por causas obstétricas (que podem ser diretas ou indiretas). Segundo a OMS, quando a morte de uma mulher por causas obstétricas (diretas ou indiretas) ocorre com mais de 42 dias, mas com menos de 1 ano após o término da gravidez, ela é denominada morte materna tardia (código 096 da CID, 10° Revisão). Se ocorrer 1 ano ou mais após o término da gravidez, são chamadas de mortes por Sequelas de causas Obstétricas (código 097 da CID, 10° Revisão). Morte relacionada à gravidez é quando ocorre a morte da mulher enquanto grávida ou até 42 dias após o término da gravidez, qualquer que tenha sido a causa da morte, materna ou não (ex.: morte de uma gestante por atropelamento). Morte Materna Obstétrica: DIRETA: complicações obstétricas na gravidez, parto e puerpério. Principais causas: Pré- Eclâmpsia/Eclampsia, Hemorragias, Abortos, Infecção Puerperal. Decorrem de intervenções, omissões, tratamento incorreto ou a uma série de eventos resultante de quaisquer causas mencionadas (ex.: deslocamento prematuro da placenta). INDIRETA: decorrem de doenças já existentes antes da gravidez e que não são decorrentes de causas obstétricas diretas, mas que foram agravadas pelos efeitos fisiológicos da gravidez (ex.: Diabetes ou doenças cardíacas). Principais causas: Alterações Cardiovasculares, broncopneumonia, tromboembolia. TARDIA: Período de 43 dias até 1 ano. Obs.: Se ocorrem no período de 1 ano ou + após o término da gravidez, é denominada Morte por Sequela de Causas Obstétricas. Morte materna não obstétrica: É aquela resultante de causas acidentais ou incidentais não relacionadas com a gravidez ou seu manejo. Ex.: acidente de trânsito. Cálculo de Mortalidade Materna 12 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Coeficiente de Mortalidade Materna é calculado através do total de óbito em mulheres durante a gravidez, parto ou puerpério imediato (até 42 dias pós-parto) em relação ao total de nascidos vivos, estando excluídas as causas externas. METAS DA ONU IMPORTANTE: Qual a principal causa de mortalidade materna? HAS. Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna Coeficiente de Mortalidade Materna é um indicador utilizado para avaliar a qualidade da assistência ao pré-natal e ao parto. O sistema que detém as informações necessárias para o seu cálculo é o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). O coeficiente de mortalidade materna mede as mortes de mulheres devido a complicações de gravidez, parto, puerpério e abortos. É também denominada razão de mortalidade materna. Este indicador reflete a qualidade da atenção à saúde da mulher. 13 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Taxas elevadas de mortalidade materna estão associadas à precária atenção à saúde desse grupo, que engloba desde o planejamento familiar e a assistência pré-natal até a assistência ao parto e ao puerpério. É calculado pela seguinte fórmula: (número de óbitos por causas maternas/número de nascidos vivos) x 100.000 nascidos vivos. Quando queremos determinar este coeficiente, precisamos, portanto, do Sistema de Informação sobre Mortalidade (calcular o numerador) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. Se todos esses dados não são dados, são insuficientes para realizarmos o cálculo. Para reduzir a mortalidade materna: - Saúde Sexual e Reprodutiva; - Assistência ao Pré-Natal; - Planejamento familiar: diminuir a gravidez indesejada. Ministério da Saúde Tem como responsabilidade a captação precoce das gestantes com realização da primeira consulta de pré-natal até 120 dias da gestação; Realização de, no mínimo, 6 consultas de pré-natal, sendo, preferencialmente, 1 no primeiro trimestre, 2 no segundo trimestre e 3 no terceiro trimestre da gestação; Desenvolvimento das seguintes atividades ou procedimentos durante a atenção pré-natal: 1. Escuta ativa da mulher e de seus(suas) acompanhantes, esclarecendo dúvidas e informando sobre o que vai ser feito durante a consulta e as condutas a serem adotadas; 2. Atividades educativas a serem realizadas em grupo ou individualmente, com linguagem clara e compreensível, proporcionando respostas às indagações da mulher ou da família e as informações necessárias. Para atingir os objetivos do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna torna-se necessário investir: - Planejamento familiar através de oferta de serviço de qualidade; - Pré-Natal de baixo risco de qualidade; - Pré-Natal de alto risco com referência garantida; - UTI neonatal; - Protocolos/ Condutas; - Treinamento em serviços; - Integração do serviço ambulatorial/ hospitalar; - Fortalecimento das Equipes de saúde da família. AULA 03: INDICADORES DE SAÚDE: MORTALIDADE INFANTIL “Número de óbitos de menores de 1 ano de idade, por 1000 nascidos vivos, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.” O índice considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 10 mortes para cada 1000 nascimentos. PROVA QUESTÕES 23 - 30 14 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Divisão Etária O período neonatal compreende de 0 a 27 dias e, se divide em precoce e tardio. Taxa de Mortalidade Neonatal Precoce é um dos componentes da taxa de mortalidade infantil (óbitos entre 0 e 6 dias de vida), quanto maior essa taxa, maior a taxa de mortalidade infantil. Reflete principalmente, as condições de saúde da mãe e a assistência ao parto. Obs.: atualmente representa o componente de Maior Impacto na Mortalidade Infantil com 60 a 70% dos óbitos. Importância da mortalidade infantil: - Estima o risco de morte dos nascidos vivos durante seu primeiro ano de vida; - Avalia o acesso e a qualidade da assistência ao pré-natal, parto e recém-nascido; - Expressa um conjunto de causas de morte cuja composição é diferenciada entre os subgrupos de idade; - Reflete de maneira geral as condições de vida da população: quanto maior o índice de mortalidade, mais subdesenvolvidoé o país. "Existem fatores condicionantes e determinantes para a mortalidade infantil, que vão desde a educação das famílias, em especial das mulheres; passando por renda, saneamento e atendimento de saúde", Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). A queda nos anos anteriores a 2016 é devida a melhoria das condições sociais (programas de transferência de renda) e pelo maior acesso aos serviços de saúde (estratégia de saúde da família). "A desnutrição é um fator de risco para a criança, e a melhoria social ajudou a reduzir a mortalidade. E houve também um avanço das culturas vacinais que começou a cair a partir de 2016. Para a gente reduzir mais a gente tem de investir muito nas medidas da melhoria de atenção ao neonatal e fase de puerpério. 15 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros As 2 coisas que mais alongaram a expectativa de vida na história da humanidade foram: água potável e vacina. Se você tira vacina, volta a ter uma mortalidade absurda, principalmente em crianças. Entre as vacinas está a do rotavírus, que é a principal causa de morte por diarreia. Segundo o Ministério da Saúde, a mortalidade infantil pode ser reduzida por: - Ações de imunização; - Atenção à mulher na gestação; - Atenção à mulher no parto; - Atenção ao recém-nascido; - Ações de diagnóstico e tratamento adequado; - Ações de promoção à saúde. Taxa de Mortalidade Infantil Mede a probabilidade que uma criança nascida viva tem de morrer antes de completar 1 ano de idade. É um indicador de saúde sensível que permite avaliar as condições de vida e saúde de uma comunidade. A mortalidade infantil é mais elevada em meninos (pois nascem mais meninos que meninas). Principais causas da mortalidade infantil: - 57% afecções perinatais (prematuridade e suas complicações, asfixia como causas preveníveis, enterocolite necrozante); - 22% mal formações congênitas; - 6% doenças do aparelho respiratório; - 4% doenças infecciosas e parasitárias; - 3% causas externas; - 8% outras causas. Taxa de Mortalidade Infantil Neonatal (TMIN) O coeficiente de Mortalidade Neonatal é aquele que inclui apenas óbitos de crianças menores de que 28 dias. Mortalidade Infantil Pós-Neonatal: 28 dias a 1 ano 16 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Em lugares em que predomina a mortalidade pós-neonatal predominam mortes infantis relacionadas as condições de vida e do ambiente. Avalia a qualidade do pré-natal, assistência ao parto e do ambiente em que a criança cresce. Taxa de Mortalidade Infantil Pós -Neonatal O coeficiente pós-neonatal é aquele que engloba os óbitos entre 28 dias a 1 ano de idade. O coeficiente de Mortalidade Infantil tardia ou Pós-Neonatal é o fator mais importante para analisar o desenvolvimento socioeconômico e a infraestrutura ambiental, que condicionam a desnutrição infantil e as infecções a ela associadas, pois agora temos crianças em casa, em contato com o ambiente. Quando a taxa de mortalidade infantil é alta, a mortalidade pós-neonatal é, frequentemente, o componente mais elevado. OBS.: um coeficiente de mortalidade pós-neonatal elevado aponta falhas nos sistemas de proteção e promoção da saúde infantil. Se for baixo, podemos deduzir o contrário: que o sistema de proteção e promoção da saúde infantil é efetivo. É um bom indicador de desigualdade em saúde. Principais causas de morte no Brasil: - Abaixo de um ano: 1° Afecções originadas no período perinatal (+50% de óbitos Brasil): são os prematuros; 2° Malformação congênita e anomalias cromossômicas; 3° Doenças do aparelho respiratório. - No período neonatal: 1° Afecções originadas no período perinatal; 2° Malformação congênita e anomalias cromossômicas; 3° Causas externas. - No período pós-neonatal: 1° Malformação congênita e anomalias cromossômicas; 2° Doenças do aparelho respiratório; 3° Afecções originadas no período perinatal. - De 1 ano de idade até os 40 anos de idade: as principais causas são as causas externas (injúrias físicas, traumas no trânsito, afogamento, queimaduras). - Entre 1 e 14 anos: acidentes de trânsito são os mais letais, depois desta idade a violência física (homicídio) é mais presente. Mortalidade Infantil Perinatal Mede o óbito da 22ª semana de gestação até o 7º dia de vida. 17 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Para lembrar: o Período Perinatal começa em 22 semanas completas (ou 154 dias) de gestação e termina aos 6 dias completos após o nascimento, ou seja, de 0 a 7 dias de vida (Período Neonatal Precoce < 7 dias). Serve para estimar o risco de morte de um feto que nasça sem vida ou, nascendo vivo, morre na primeira semana. É o mais relacionado à assistência pré-natal, ao parto e ao recém-nascido, pois reflete a ocorrência de fatores vinculados à gestação e ao parto. Grande aplicação por agrupar os óbitos ocorridos antes, durante e logo após o parto. Estima o risco de o feto nascer sem qualquer sinal de vida, ou se nascer vivo, qual o risco de morrer na primeira semana. As principais causas da mortalidade perinatal estão associadas à prematuridade, à asfixia, às infecções intrauterinas, à toxemia gravídica e às malformações múltiplas. Referidas ao Período Neonatal são as infecções agudas intrauterinas, os problemas respiratórios, as malformações, a prematuridade. De uma forma geral, nos últimos anos, o Brasil apresentou uma queda importante no coeficiente de mortalidade infantil. O componente que mais apresentou queda foi o pós-neonatal. Principais Fatores: vacinação, campanha de amamentação, condições de saneamento básico e moradia. Os Componentes Neonatais Precoce e Tardio, proporcionalmente, apresentaram aumento; hoje em dia, mais de 70% das causas de morte em crianças < 1 ano estão relacionadas às afecções perinatais e malformações congênitas. Mortalidade Fetal Morte Fetal: É a morte de um produto da concepção, antes da sua expulsão completa do corpo da mãe, independente da duração da gravidez, indica o óbito do feto; Morte Neonatal Precoce: Só inclui óbitos do nascimento até o 6° dia de vida completo. Morte Perinatal: Engloba nascidos mortos (a partir da 22° semana de gestação) + óbitos em menores de 7 dias de vida. Morte Neonatal Tardia: Só inclui óbitos entre o 7° e o 27° dia de vida (Coeficiente de Mortalidade Neonatal tardia). Coeficiente de Mortalidade Fetal Natimorto –morte do feto antes da sua expulsão ou extração do corpo da mãe; falece dentro do útero materno, após 20 semanas de gestação. Mortalidade Infantil Proporcional 18 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Utiliza apenas informações sobre mortalidade. Principais problemas relacionados a assistência: 1. Problemas no planejamento familiar; 2. Problemas na assistência ao pré-natal (atendimento, exames, medicamentos); 3. Problemas na assistência ao parto; 4. Problemas na assistência ao recém-nascido na maternidade (leitos de UTI; medicamentos); 5. Problemas na estruturação dos serviços de saúde. AULA 04: Vigilância Epidemiológica: Doenças e Agravos de Notificação Compulsória "Um conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos". Os objetivos da VE (vigilância epidemiológica) seriam: identificar e descrever o comportamento epidemiológico de doenças, monitorando as tendências (qual doença acomete mais?), grupos e fatores de risco; detectar epidemias e descrever seu processo de disseminação; avaliar a magnitude da morbidade – mortalidade; adotar medidas para prevenir ou controlar; avaliar o impacto de medidas de prevenção. DADOS DE MORBIDADE Permitem a identificação imediata do problema e seu enfrentamento. A ideia é saber como a doença se proliferaem determinadas áreas e períodos de tempo. Os dados são obtidos e notificados através do SINAN (Sistema Nacional de Agravos de Notificação). O objetivo do SINAN é coletar, transmitir e disseminar os dados gerados rotineiramente pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica das três esferas de governo, por intermédio de uma rede informatizada. DADOS DE MORTALIDADE A obtenção provém de um formulário padronizado, as declarações de óbitos são processadas em nível nacional. Os dados formam a base do Sistema de Informação sobre Mortalidade – SIM. A Vigilância Epidemiológica é Formada pela Notificação Compulsória. NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA É a comunicação da ocorrência feita à autoridade sanitária, por profissionais de saúde ou qualquer cidadão, para adoção de medidas de intervenção. Critérios aplicados na seleção de doenças e agravos para a inclusão na lista de Notificação Compulsória: I – Magnitude (nº de pessoas atingidas): aplicável a doenças com elevada frequência, que afetam grandes contingentes populacionais e se traduzem por altas taxas de Incidência-Prevalência- Mortalidade. É o alcance, quantas pessoas foram atingidas pela patologia; PROVA QUESTÕES 31 – 49 19 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros II - Potencial de disseminação: Elevado poder de transmissão da doença, disseminação, colocando sob risco indivíduos ou coletividades; III – Transcendência: vai além da patologia, são as sequelas que a pessoa sofre referente à patologia (potencialidade de danos à saúde), conferem relevância especial à doença ao agravo, destacando-se: severidade, hospitalização, sequelas; relevância social, e que se manifesta pela sensação de medo, repulsa e indignação; e relevância econômica (prejuízos comerciais, redução da força de trabalho, absenteísmo escolar e laboral, custos assistenciais e previdenciários, etc.; IV – Vulnerabilidade: condições de controlar o agravo; instrumentos específicos de prevenção e controle de doenças sob indivíduos ou coletividades; V - Emergências de saúde pública, epidemias, surtos e agravos inusitados: todas as suspeitas de epidemias ou de agravos inusitados devem ser investigadas e imediatamente notificadas aos níveis hierárquicos. Obs.: Epidemia é o aumento do número de casos de uma doença em várias regiões, mas sem uma escala global. O problema se espalha acima do esperado, sem uma área geográfica especifica. Endemia é quando uma doença tem recorrência em uma região, mas sem aumentos significativos no número de casos. O problema se manifesta com frequência e segue um padrão relativamente estável que prevalece. VI - Compromissos Internacionais: relativos ao cumprimento de metas continentais ou mundiais de controle, de eliminação ou de erradicação de doenças, previstas em acordos firmados pelo governo brasileiro com organismos internacionais. Obs.: As doenças de notificação compulsória internacional, são incluídas nas listas de todos os países membros da OMS. Até 2007, essas doenças eram restritas a três: Cólera, Peste e Febre amarela. Hoje, o Regulamento Sanitário Internacional (RSI-2005), estabelece que sejam notificados todos os eventos considerados de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). Conceitos fundamentais sobre a notificação de agravos: 1 - No processo de seleção das doenças de Notificação Compulsória, os critérios devem ser considerados de forma conjunta. Embora o atendimento a apenas alguns deles possa ser suficiente para incluir determinada doença ou evento. 2 - O caráter compulsório da notificação significa que todo cidadão possui uma responsabilidade formal, - caso suspeito ou confirmado - Relação de Notificação compulsória. 3 - A notificação deve cobrir toda a população: todos os profissionais de saúde e mesmo a população em geral; todas as unidades de saúde (públicas, privadas e filantrópicas). 4 - De acordo com o Ministério da Saúde, são aspectos que devem ser considerados na notificação: - Notificar a simples suspeita da doença ou evento. Não se deve aguardar a confirmação para se efetuar a notificação, pois pode significar perda da oportunidade de adoção das medidas de prevenção e controle indicadas; - A notificação tem que ser sigilosa, só podendo ser divulgada em caso de risco para a comunidade; 20 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros - O Envio dos instrumentos de coleta de notificação deve ser feito mesmo na ausência de casos, se denomina Notificação Negativa, um indicador de eficiência do sistema de informações e deve ser feito semanalmente. Notificação negativa: é a notificação da não ocorrência de doenças de notificação compulsória, na área de abrangência da unidade de saúde. Indica que os profissionais e o sistema de vigilância da área estão alertos para a ocorrência de tais eventos. Em resumo, a notificação compulsória é obrigatória para os médicos, outros profissionais de saúde ou responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde, que prestam assistência ao paciente, mesmo diante da simples SUSPEITA de certo agravo. Outros cidadãos tem o dever de notificar, mas não a obrigatoriedade. Segundo o Código Penal, Capítulo III – Dos Crimes Contra a Saúde Pública, artigo 269, tem-se: Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é compulsória: Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Ou seja, se o médico não notificar está cometendo um crime. SISTEMA DE INFORMAÇÃO Sistema de informação em Saúde (SIS) - Coleta, Processamento, Análise e Transmissão da Informação. Os dados coletados sobre as doenças de notificação compulsória são incluídos no Sistema Nacional de Agravos Notificáveis (SINAN). SINAN: é o sistema mais importante para a Vigilância Epidemiológica. Desenvolvido entre 1990 e 1993, substituiu o Sistema de Notificação Compulsória de Doenças (SNCD) - na época vigente. O SINAN foi concebido pelo Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI), com o apoio técnico do DATASUS e outros parceiros, com a finalidade de ser operado a partir das unidades de saúde, considerando o objetivo de coletar e processar dados sobre agravos de notificação em todo o território nacional, desde o nível local. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM): A Declaração de Óbito (DO) é o instrumento padronizado de coleta de dados desse sistema, impresso em três vias coloridas. Todo óbito ocorrido exige o preenchimento da DO (Lei Federal n° 6.015/73), que deve ser realizado exclusivamente por médicos, exceto em locais onde não haja disponibilidade desses profissionais, situações em que a DO poderá ser preenchida por oficiais de Cartórios de Registro Civil e assinada por duas testemunhas. O registro do óbito deve ser feito no local de ocorrência do evento. Embora o local de residência seja a informação mais utilizada na maioria das análises do setor saúde, a ocorrência também é importante para o planejamento de algumas medidas de controle. Sistema de informações sobre Nascidos vivos (SINASC): O número de nascidos vivos é uma informação bastante importante para o campo da saúde pública, pois, a partir desse dado, inúmeros indicadores podem ser construídos, voltados para a avaliação de riscos à saúde do segmento materno-infantil, por representar o denominador dos coeficientes de mortalidade infantil e materna, dentre outros. A declaração de nascidos vivos (DN), deve ser preenchida para todos os nascidos vivos no país (Lei 6.015/73), que, segundo o conceito definido pela OMS, corresponde a “todo produto da concepção que, independentemente do tempo de gestação, depois de expulso ou extraído do corpo da mãe, respire ou apresente outro sinal de vida, tal como batimento cardíaco, pulsação do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária, estando ou não desprendida a placenta”. No caso de gravidez múltipla, deve ser preenchida uma DN para cada criança nascida viva. 21 ResumoEpidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Sistema de informações Hospitalares (SIH/SUS): o instrumento de coleta de dados do SIH/SUS é a Autorização de Internação Hospitalar (AIH), atualmente emitida pelos estados a partir de uma série numérica única definida anualmente em portaria ministerial. A Equipe de Saúde da Família informará à vigilância de acordo com o evento: VPP = frequência de PCT doente/ Total de teste Positivo Valor Preditivo Positivo (VPP) – probabilidade de um indivíduo avaliado e com resultado positivo ser realmente doente. Valor Preditivo Negativo (VPN) - probabilidade de um indivíduo avaliado e com resultado negativo ser realmente normal. Valor Preditivo Positivo (VPP) é a proporção dos casos identificados pelo sistema que de fato o são. Um sistema de vigilância epidemiológica com Baixo VPP poderá indicar a investigação de casos e epidemias e tratamento de pessoas que não são verdadeiramente doentes. O VPP aumenta com a especificidade do critério utilizado para definição de caso e com a prevalência do agravo. DOENÇAS EMERGENTES: São doenças novas, desconhecidas da população, que aparecem pela primeira vez. DOENÇAS RE-EMERGENTES: São aquelas já conhecidas e que haviam sido controladas, mas voltaram a apresentar ameaça para a saúde humana. Doenças de Notificação Compulsória (Portaria 204, de 17 de fevereiro de 2016) DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA: comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos, profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública, descritos no anexo, podendo ser imediata ou semanal. A comunicação de doença, agravo ou evento de saúde pública de notificação compulsória também será realizada pelos responsáveis por estabelecimentos públicos ou privados educacionais, de cuidado coletivo, além de serviços de hemoterapia, unidades laboratoriais e instituições de pesquisa. Notificação Compulsória Imediata (NCI): notificação compulsória realizada em até 24h, a partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública, pelo meio de comunicação mais rápido disponível; deve ser realizada pelo profissional de saúde ou responsável pelo serviço assistencial que prestar o primeiro atendimento ao paciente. 22 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Notificação Compulsória Semanal (NCS): notificação compulsória realizada em até 7 dias, a partir do conhecimento da ocorrência de doença ou agravo; será feita à Secretaria de Saúde do Município do local de atendimento do paciente com suspeita ou confirmação de doença ou agravo de notificação compulsória. Notificação Compulsória Negativa: comunicação semanal realizada pelo responsável pelo estabelecimento de saúde à autoridade de saúde, informando que na semana epidemiológica não foi identificado nenhuma doença, agravo ou evento de saúde pública constante da Lista de Notificação Compulsória. Portaria 264, de 17 de fevereiro de 2020 Lista Nacional de Doenças e Agravos de Notificação Compulsória: IMEDIATA SEMANAL 23 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros 24 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros O Ministério da Saúde, em alguns documentos específicos sobre tuberculose, AIDS, hanseníase e leishmaniose tegumentar, afirma que essas patologias só devem ser notificadas quando confirmadas, contrariando o princípio da notificação e outros documentos de publicação própria. Portanto, fique atento!!! Em 25 de junho de 2018 foi aprovada a Lei 13.685, aonde neoplasias e mal formações congênitas passam a ser doenças de notificação compulsória, porém não diz se é de notificação imediata ou semanal. MAUS-TRATOS CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES PORTARIA N° 1.968/GM O artigo 1° estabelece que os responsáveis técnicos de todas as entidades de saúde integrantes ou participantes, a qualquer título, do Sistema Único de Saúde - SUS, deverão notificar aos Conselhos Tutelares da localidade todo caso de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra crianças e adolescentes por elas atendidos. O artigo 2° define que a notificação deverá ser feita mediante a utilização de formulário próprio, constante do anexo da Portaria, observadas as instruções e cautelas nele indicadas para seu preenchimento. Parágrafo único. O formulário objeto deste artigo deverá ser preenchido em 02 vias, sendo a primeira encaminhada ao Conselho Tutelar ou Juizado de Menores e a segunda anexada à Ficha de Atendimento ou Prontuário do paciente atendido, para os encaminhamentos necessários ao serviço. MAUS-TRATOS CONTRA IDOSO Os casos de suspeita ou confirmação de violência praticada contra idosos serão objeto de notificação compulsória pelos serviços de saúde públicos e privados à autoridade sanitária, bem como serão obrigatoriamente comunicados por eles a quaisquer dos seguintes órgãos: I. Autoridade Policial; II. Ministério Público; III. Conselho Municipal do Idoso; IV. Conselho Estadual do Idoso; V. Conselho Nacional do Idoso. Considera-se violência contra o idoso qualquer ação ou omissão praticada em local público ou privado que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico. VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER (LEI N° 10.778, em 24 de novembro de 2003 Publicada no DOU N° de 25/11/03) Estabelece a notificação compulsória, no território nacional, do caso de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos ou privados. Para os efeitos desta Lei, entende-se por violência contra a mulher qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, inclusive decorrente de discriminação ou desigualdade étnica, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público quanto no privado. PROVA Tem que saber quais são as doenças de notificação compulsória, se é imediata ou semanal!!!!! Saber quais são os critérios para ser uma doença de notificação compulsória! AULA 05: Promoção e Atenção à Saúde Atenção Primária PROVA QUESTÕES 50 - 69 25 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Características básicas da APS: - Regionalização: os serviços de saúde devem estar organizados de forma a atender as diversas regiões nacionais, através da sua distribuição a partir de bases populacionais, devem identificar as necessidades de saúde de cada região; - Integralidade: fortalece a indissociabilidade entre ações curativas, preventivas e de reabilitação. O Relatório Dawson, publicado em 1920, foi o marco da ideia de APS como forma de organização dos sistemas nacionais de saúde, no qual se propôs a reestruturação do modelo de atenção à saúde na Inglaterra em serviços organizados segundo os níveis de complexidade e os custos do tratamento. Centros de saúde primários deveriam resolver a maior parte dos problemas de saúde da população e funcionar como a porta de entrada e núcleo do sistema, de forma vinculada e com o suporte de centros de saúde secundários e hospitais de ensino. As propostas do documento estiveram presentes na base da criação do Sistema Nacional de Saúde na Inglaterra e inauguraram um conjunto de dimensões ainda centrais nas discussões contemporâneas acerca da organização de sistemas de saúde com ênfase na APS, como a atenção ao primeiro contato, a hierarquização dos níveis de atenção à saúde e a regionalização a partir de bases populacionais. A Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em Ottawa, Canadá, em 1986, apresenta a Carta de Intenções, que contribuirá para se atingir Saúde para Todos no Ano 2000 e anos subsequentes. As discussões foram baseadas nos progressos alcançados com a Declaração de Alma-Ata para os Cuidados Primários em Saúde, com o documento da OMS sobre Saúde Para Todos. A conferência de saúde que delineou os fundamentos do SUS foi a VIII Conferência Nacionalde Saúde (1986), cujo lema era: "Saúde, direito de todos; dever do Estado", o qual reforçava as propostas de universalização, unificação do sistema, integralidade das ações, descentralização e participação popular. Tinha como objetivo final a criação do SUS. 1988 - Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988: Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: - Descentralização, com direção única em cada esfera de governo; - Atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; - Participação da comunidade. No que diz respeito à organização da APS, a declaração de Alma-Ata propõe: A instituição de serviços locais de saúde centrados nas necessidades de saúde da população e fundados numa perspectiva interdisciplinar: envolvendo médicos, enfermeiros, parteiras, auxiliares e agentes comunitários, bem como a participação social na gestão e controle de suas atividades. 26 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros A equipe de saúde da família é composta minimamente por 1 médico, 1 enfermeiro, 1 técnico ou auxiliar de enfermagem e 4-6 agentes comunitários de saúde. A conferência de Alma-Ata definiu a APS. Dessa definição emergiram, naquele momento, Elementos Essenciais da APS: a educação em saúde; o saneamento básico; o programa materno- infantil, incluindo imunização e planejamento familiar; a prevenção de endemias; o tratamento apropriado das doenças e danos mais comuns; a provisão de medicamentos essenciais; a promoção de alimentação saudável e de micronutrientes; e a valorização das práticas complementares. Principalmente, aponta para a saúde como expressão de direito humano. A Carta de Ottawa, em 1986, defende a Promoção da Saúde como fator fundamental de melhoria da qualidade de vida, assim como defende a capacitação da comunidade nesse processo, salientando que tal promoção não é responsabilidade exclusiva do setor da saúde, mas é responsabilidade de todos, em direção ao bem-estar global. PREVENÇÃO DE DOENÇAS é evitar doenças, sendo este o seu objetivo e, portanto, a ausência de doenças seria suficiente. A doença ainda não está instalada, é o período pré-patogênico. Níveis de Prevenção Prevenção primária: representa o conjunto de ações que visam evitar a doença na população, removendo os fatores causais. Visa a diminuição da incidência da doença. Atua no período pré- patogênico (é o período das relações entre o ambiente e o suscetível até que se chegue a uma condição favorável de instalação de doença – o indivíduo não está doente ainda). Trabalha com a promoção da saúde e a proteção específica. São exemplos: a vacinação, o tratamento de água para consumo humano, medidas de desinfecção e desinfestação, ou ações para prevenir a infecção por HIV (como ações de educação para a saúde e/ou distribuição gratuita de preservativos, ou de seringas descartáveis aos dependentes de drogas). Prevenção secundária: representa o conjunto de ações que visam identificar e corrigir o mais precocemente possível qualquer desvio da normalidade, de forma a colocar o indivíduo de imediato na situação saudável, ou seja, tem como objetivo a diminuição da prevalência da doença (isso acontece nas doenças infecciosas e nas neoplasias, por exemplo, pois são doenças que curam). Porém, isso não vai ser possível na diabetes tipo 2, hipertensão arterial essencial, entre outras, por exemplo, pois são doenças que ainda não possuem cura. Portanto, nesses casos, a prevalência com o tratamento aumentará). Atua no período patogênico (é o período que se inicia com a interação entre hospedeiro- agente – é o começo das alterações fisiopatológicas no indivíduo). Um exemplo é a realização de inquéritos para descoberta precoce de pacientes com tuberculose na comunidade. Prevenção terciária: representa o conjunto de ações que visam reduzir a incapacidade para permitir uma rápida e melhor reintegração do indivíduo na sociedade, aproveitando as capacidades remanescentes. Também atua no período patogênico. Como exemplo, podemos citar a reintegração daquele trabalhador na empresa, caso não pudesse continuar a exercer, por razões médicas, o mesmo tipo de atividade que exercia antes. Prevenção quaternária: é um novo conceito de prevenção, tem como objetivo a prevenção da iatrogenia e a prevenção da prevenção inapropriada. Prevenção quinquenária: cuidar de quem está em frente, cuidar de quem cuida. ATENÇÃO BÁSICA (PRIMÁRIA) 27 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros É sem restrição: grupos de idade, gênero ou problemas de saúde; atenção acessível, integrada e continuada; trabalho em equipe; atenção centrada na pessoa e não na enfermidade; atenção orientada à família e à comunidade; atenção coordenada, incluindo o acompanhamento do usuário nos outros níveis de atenção, e apoio constante aos usuários nos aspectos relacionados à saúde e bem- estar. APS como estratégia só existirá se ela cumprir suas 3 funções essenciais: - Resolubilidade: deve ser resolutiva, capacitada, portanto, cognitiva e tecnologicamente, para atender a mais de 90% dos problemas de sua população; - Responsabilização: conhecimento e o relacionamento íntimo, nos microterritórios sanitários, da população adstrita, o exercício da gestão de base populacional e a responsabilização econômica e sanitária em relação a esta população. - Comunicação: expressa o exercício, pela APS, de centro de comunicação das RAS, o que significa ter condições de ordenar os fluxos e contrafluxos das pessoas, dos produtos e das informações entre os diferentes componentes das redes. OS ATRIBUTOS E AS FUNÇÕES DA APS NAS RAS (rede de atenção de saúde) Os princípios gerais da APS têm base na declaração de Alma-Ata e podem ser resumidos em 4 atributos essenciais: - Acesso ou Primeiro Contato: constituir a porta de entrada do serviço; tem que ser acessível à população; - Integralidade: é um dos princípios doutrinários do SUS; o Nível Primário é responsável por todos os problemas de saúde; ainda que parte deles seja encaminhado a equipes de nível secundário ou terciário, o serviço de Atenção Primária continua corresponsável. - Longitudinalidade (Continuidade do cuidado): a pessoa atendida mantém seu vínculo com o serviço ao longo do tempo, de forma que quando uma nova demanda surge, esta seja atendida de forma mais eficiente; acolhimento; - Coordenação do cuidado: é a capacidade de integrar todo o cuidado que o paciente recebe em diferentes pontos, por meio do gerenciamento e da coordenação entre os serviços. E ainda 3 atributos derivados: - Orientação familiar: corresponde a responsabilização por parte da equipe de determinado número de famílias que vivem em um território definido; - Orientação Comunitária: uso de habilidades clínicas, epidemiológicas e sociais para abordar os problemas mais prevalentes específicos daquela população adscrita a determinada equipe quanto ao envolvimento da comunidade na tomada de decisão; - Competência cultural (Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia): capacidade das equipes de saúde e das organizações de cuidados em saúde de compreender e responder as necessidades da sua população adscrita considerando os aspectos culturais e linguísticos trazidos pelos usuários nas demandas de cuidados de saúde. A presença dos 7 atributos da APS é importante para a garantia dos resultados e da qualidade da atenção. 28 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Política Nacional de Atenção Básica(PNAB) "Recomenda-se que as Unidades Básicas de Saúde tenham seu funcionamento com carga horária mínima de 40 horas semanais, no mínimo 5 (cinco) dias da semana e nos 12 meses do ano, possibilitando acesso facilitado à população. Como forma de garantir a coordenação do cuidado, ampliando o acesso e resolutividade das equipes que atuam na Atenção Básica, recomenda-se: I- População adscrita por equipe de Atenção Básica (eAB) e de Saúde da Família (eSF) de 2.000 a 3.500 pessoas, localizada dentro do seu território, garantindo os princípios e diretrizes da Atenção Básica". Princípios e Diretrizes da Atenção Básica no Brasil I - Princípios: Universalidade: direito à saúde garantido mediante políticas públicas e direito à vida e à igualdade de acesso sem distinção de raça, sexo, religião ou qualquer outra forma de discriminação do cidadão brasileiro. Equidade: tratar desigualmente o desigual, atentar para as necessidades coletivas e individuais, procurando investir onde a iniquidade é maior; Integralidade: deve priorizar as ações preventivas, sem prejuízo das ações de assistência. II – Diretrizes: Regionalização e Hierarquização: organização do sistema que deve focar a noção de território, onde se determinam perfis populacionais, indicadores epidemiológicos, condições de vida e suporte social, que devem nortear as ações e serviços de saúde de uma região; a regionalização é norteada pela hierarquização dos níveis de complexidade requerida pelas necessidades de saúde das pessoas. A rede de ações e serviços de saúde, orientada pelo princípio da Integralidade, deve se organizar desde as ações de promoção e prevenção até as ações de maior complexidade, como recursos diagnósticos, internação e cirurgias. Territorialização: a área de atuação das equipes tem uma base territorial definida, sendo sua a responsabilidade, a atenção, o acompanhamento e o monitoramento da saúde da população desse local. A PNAB recomenda que cada equipe seja responsável por dois a quatro mil pessoas, o que corresponde a aproximadamente 750 a 1.000 famílias. 29 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros População Adscrita: é a população presente no território da UBS, a fim de estimular o desenvolvimento de relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população garantindo a continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado. Cuidado centrado na pessoa: prevê que profissionais de saúde devem trabalhar colaborativamente com o paciente, construindo um tratamento que esteja adaptado às suas necessidades individuais. Isso deve ser feito com dignidade, compaixão e respeito. Resolutividade: efetividade do serviço; a integralidade; o acesso universal; a satisfação dos usuários; a intersetorialidade; as tecnologias utilizadas pelo serviço e as demandas e necessidades dos usuários. Longitudinalidade do cuidado: acompanhamento do paciente ao longo do tempo por profissionais da equipe. Coordenação do cuidado: estabelecer conexões de modo a alcançar o objetivo maior de prover/atender às necessidades e preferências dos usuários na oferta de cuidados em saúde, com elevado valor, qualidade e continuidade. Ordenação da rede: reconhecer as necessidades de saúde da população sob sua responsabilidade, organizando as necessidades desta população em relação aos outros pontos de atenção à saúde, contribuindo para que a programação dos serviços de saúde parta das necessidades de saúde dos usuários. Participação da comunidade: estimular a participação das pessoas, a orientação comunitária das ações de saúde na atenção básica e a competência cultural no cuidado como forma de ampliar sua autonomia e capacidade na construção do cuidado à sua saúde e das pessoas e coletividades do território. Redes de Atenção à Saúde (RAS) As RAS são organizações poliárquicas de conjuntos de serviços de saúde, vinculados entre si por uma missão única, por objetivos comuns e por uma ação cooperativa e interdependente, que permitem ofertar uma atenção contínua e integral a determinada população, coordenada pela APS. São consideradas a melhor estratégia para o enfrentamento da fragmentação da atenção e dos problemas de saúde pública, haja vista os modelos de atenção serem diferentes, tanto para as condições crônicas, quanto para as condições agudas. Os objetivos das RAS são melhorar a qualidade da atenção, a qualidade de vida das pessoas usuárias, os resultados sanitários do sistema de atenção à saúde, a eficiência na utilização dos recursos e a equidade em saúde (ROSEN e HAM, 2009). Estratégia de Saúde da Família A Atenção Básica é destacada pela sua importância no processo de REORGANIZAÇÃO dos sistemas municipais de saúde, sendo definida como: “um conjunto de ações, de caráter individual ou coletivo, situadas no primeiro nível de atenção dos sistemas de saúde, voltadas para a promoção da saúde, a prevenção de agravos, o tratamento e a reabilitação”. São atribuições das equipes da estratégia saúde da família: identificar a realidade epidemiológica e sociodemográfica das famílias adscritas. Algumas atuações da saúde da família são individuais. No entanto, grande parte são atribuições comuns a todos os profissionais, como a elaboração de grupos de educação para a saúde. 30 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Dentre as atribuições comuns a todos os profissionais das ESF, pode-se citar a coordenação, participação e/ou organização de grupos de educação para a saúde. PROVA: saber o que é de domínio de todos e o que é de domínio específico! As equipes do PSF devem ser compostas, no mínimo, por 1 médico de família, 1 enfermeiro, 1 auxiliar (ou técnico) de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Quando ampliada, conta ainda com um dentista, um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental. Quando uma equipe de saúde da família é implementada em uma região, 2 atividades são obrigatórias: territorialização (processo de definição geográfica da área de abrangência) e adscrição de clientela (cadastramento das famílias que serão atendidas para o conhecimento da população – preenchimento das fichas). PROVA: I- Como se limita a área de abrangência, o que inclui o total de pessoas que devem ser atendidas. E quanto vale esse total? São 3000 pessoas, em média, com máximo de 4000 indivíduos (ou 1000 famílias) atendidos, sendo um máximo de cerca de 750 pessoas por agente de saúde. II- Quantas microáreas podem estar incluídas? Entre 4 e 6 microáreas contíguas, onde cada agente comunitário de saúde assumirá sua responsabilidade. As atribuições básicas de uma equipe de Saúde da Família são: • Conhecer a realidade das famílias pelas quais são responsáveis e identificar os problemas de saúde mais comuns e situações de risco aos quais a população está exposta; • Executar, de acordo com a qualificação de cada profissional, os procedimentos de vigilância à saúde e de vigilância epidemiológica, nos diversos ciclos da vida; • Garantir a continuidade do tratamento, pela adequada referência do caso; • Prestar assistência integral, respondendo de forma contínua e racionalizada à demanda, buscando contatos com indivíduos sadios ou doentes, visando promover a saúde por meio da educação sanitária; • Promover ações intersetoriais e parcerias com organizações formais e informais existentes na comunidade para o enfrentamento conjunto dos problemas; • Discutir, de forma permanente, junto à equipe e à comunidade, o conceito de cidadania, enfatizando os direitos de saúde e as bases legais que os legitimam; • Incentivar a formação e/ou participação ativa nos conselhos locais de saúde e no Conselho Municipal de Saúde. Cada equipe de saúde da família é responsável pela atenção de, no máximo, 4.000 INDIVÍDUOS, ou seja, cerca de 750-1000 famílias. 31 Resumo Epidemiologia – P2 – Por Júlia Barros Um breve resumo pra facilitar a resolução:Princípios do SUS: Ideológicos ou Doutrinários: Universalidade, Integralidade e Equidade. Organizacionais: Descentralização, Hierarquização, Regionalização e Participação Social Deus abençoe vocês! Obrigada pela confiança! Foco, concentração e muita leitura! Já deu tudo certo! Contem comigo! Boa prova! PROVA QUESTÕES 70 - 99