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Educação Especial de Deficientes Múltiplos 1 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos EDUCAÇÃO ESPECIAL DE DEFICIÊNTES MÚLTIPLOS Educação Especial de Deficientes Múltiplos 1 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos Paula, Hulda Iza Gonçalves De, 2019, Educação Especial da pessoa com deficiências múltiplas. Local: Belém Editora (Faculdade Estratego). 18 páginas. Palavras chaves: Educação Especial; Deficiências múltiplas; Atendimento es- pecializado. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 2 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos s SUMÁRIO 1. VAMOS FALAR SOBRE INCLUSÃO? .......................3 2. CONCEITUANDO DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS ................................................................................6 3. ESTIMULAÇÃO PRECOCE ..........................................8 4. NECESSIDADES ESPECIFÍCAS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS ........... 10 5. ADAPTAÇÕES CURRICULARES ..............................12 6. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS .......................................15 7. IDENTIFICAÇÃO E INTERVENÇÃO PEDAGOGICA ..........................................................................18 8. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO ....................................................................21 REFERÊNCIAS ........................................................................23 * * A navegação deste e-book por meio de botões interativos pode variar de funcionalidade dependendo de cada leitor de PDF. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 3 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos 1. VAMOS FALAR SOBRE INCLUSÃO? No Brasil, em especial a partir de políticas públicas educacionais im-plementadas desde os anos 2000, passou- se a vislumbrar um sistema educacional inclusivo como aquele que tem na escola regular seu lócus, visto que todos os estudantes serão matriculados prioritariamente no sistema regular de ensino, inclusive estudantes com deficiência, que até então tinham matrícula prioritária nas instituições de ensino especializadas. Assim, as políticas educacionais brasileiras indicam “educação inclusiva como perspectiva educacional que pretende agregar em uma mesma escola sujeitos que pertenciam a lógicas institucionais distintas – a escola especial para os alunos considerados deficientes, e a escola comum para os tidos como normais” (RAHME, 2013 p.98). Visto desse modo a escola regular, então, estará sujeita a modificações no âmbito da sua organização física, pedagógica e administrativa para dar resposta ao que a ela se coloca quanto a promoção da inclusão educacional de todos nela inseridos. No que se refere ao aspecto da estrutura física das escolas, quando se trata de promover a inclusão de todos, é primordial tornar os espaços acessíveis, onde todos possam exercer com autonomia e independência seu direito de ir e vir, bem como ter assegurado o direito de acesso ao conhecimento escolar. Em relação aos aspectos pedagógicos, os questionamentos relativos a forma excludente como a escola se estruturou serão o ponto de partida para modificações na organização curricular, nos tempos e modos de aprendizagem, no planejamento e nos processos de ensino que estejam orientados não a um modelo ideal de pessoa, mas para as pessoas com todas suas diferenciações. Por último e não menos importante está o aspecto administrativo, que vale ressaltar não é tarefa apenas da escola, que visa garantir os meios Educação Especial de Deficientes Múltiplos 4 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos e recursos necessários para transformar a escola regular em uma escola inclusiva. Diante deste cenário colocado à escola regular na tarefa de tornar-se inclusiva um aspecto em especial desperta a atenção. Como a escola regular tem compreendido e efetivado as mudanças indicadas por regulamentações legais e políticas educacionais brasileiras que assumem uma perspectiva dita inclusiva, que vão desde receber estudantes que até pouco tempo eram assistidos exclusivamente pelo ensino especializado, até modificações profundas nos modos de pensar e fazer os processos de ensino, de planejamento, de organização curricular? Em meio as novas tarefas que se apresentam a escola inclusiva, nos moldes do que colocam as regulamentações e políticas brasileiras, vários pontos polêmicos e contraditórios evidenciam-se, entre eles, destaca-se a questão a respeito do currículo para uma escola inclusiva, haja vista que no Brasil optou- se por adotar os princípios e procedimentos de adaptações curriculares quando da inclusão de estudantes em situação de deficiência em turmas de ensino regular. As Diretrizes Curriculares Nacionais da educação especial, em seu artº 15, estabelecem que a organização e a operacionalização dos currículos escolares são de competência e responsabilidade dos sistemas de ensino, devendo constar de seus projetos pedagógicos as condições necessárias para o atendimento às necessidades educacionais especiais de estudantes. Partindo do princípio de que todo estudante deverá ter acesso ao currículo da educação básica, independentemente de suas peculiaridades individuais, as adaptações curriculares constituem, pois, possibilidades educacionais de atuar frente as dificuldades de aprendizagem dos estudantes. São respostas educativas que devem ser dadas pelo sistema educacional, de forma a favorecer todos os estudantes. Pressupõem que se realize a adaptação do currículo regular, quando necessário, para torná-lo apropriado às peculiaridades dos estudantes com necessidades educacionais Educação Especial de Deficientes Múltiplos 5 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos especiais. Não se propõe unicamente um novo currículo, mas um currículo dinâmico, alterável, passível de ampliação (BRASIL, 1998). A orientação oficial divulgada através dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) Adaptações Curriculares (BRASIL, 1998, 2000) deixa evidente que as escolas brasileiras deverão ter como direcionamento a promoção do acesso ao currículo a todos os estudantes, em especial aqueles que apresentem qualquer limitação temporária ou permanente de ordem física, psicológica, sensorial, intelectual, social, entre outras. Para isto, as escolas planejarão ações de adequação do currículo às necessidades de cada estudante, bem como de ajuste e adequação dos espaços e ambientes, tornando-os acessíveis a todos, flexibilizando procedimentos de ensino, avaliação e planejamento. Em suma, essas medidas visam possibilitar a inclusão educacional destes estudantes nos sistemas de ensino regular. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 6 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos 2. CONCEITUANDO DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS Para entender sobre o que são deficiências múltiplas se fará a seguir uma breve apresentação sobre definições a este respeito. Deficiências múltiplas se caracteriza por um conjunto de duas ou mais deficiências associadas, podendo ser de ordem física, sensorial, mental, entre outras (Brasil, 2006). São consideradas pessoas com deficiência múltipla aquelas que “têm mais de uma deficiência associada. É uma condi- ção heterogênea que identifica diferentes grupos de pes- soas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento in- dividual e o relacionamento social” (MEC/SEESP, 2002). Ainda no campo da definição da deficiência múltipla, o decreto federal nº 5.296 explica que é uma “associação de duas ou mais deficiências” podendo ser de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social. Esses alunos constituem um grupo com características específicas e peculiares e, consequentemente, com necessidades únicas (BOSCO, 2010). No entanto, não é a soma da associação de deficiências que irá caracterizar a deficiência múltipla, mas sim o “nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas”(GODÓI,2006,p.11). Segundo Silva (2011) as múltiplas deficiências podem se manifestar a partir das seguintes categorias de associação: Educação Especial de Deficientes Múltiplos 7 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos FÍSICA E PSÍQUICA (a) deficiência física associada à deficiência intelectual; b) deficiência física associada a transtorno mental; SENSORIAL E PSÍQUICA (a) Deficiência auditiva ou surdez associada à deficiência intelectual; (b) Deficiência visual ou cegueira associada à deficiência intelectual; (c) Deficiência auditiva ou surdez associada a transtorno mental. SENSORIAL E FÍSICA (a) Deficiência auditiva ou surdez associada à deficiência física; (b) Deficiência visual ou cegueira associada à deficiência física. FÍSICA, PSÍQUICA E SENSORIAL (a) Deficiência física associada à deficiência visual ou cegueira e à deficiência intelectual; (b) Deficiência física associada à deficiência auditiva ou surdez e à deficiência intelectual; (c) Deficiência física associada à deficiência visual ou cegueira e à Deficiência auditiva ou surdez. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 8 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos 3. ESTIMULAÇÃO PRECOCE O acesso à educação tem início na educação infantil, na qual se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e desenvolvimento global do estudante. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de estimulação precoce, que objetivam otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social (Política Nacional da Educação Especial na perspectiva da Inclusão, 2008). Segundo Godoi (2006) Programas de intervenção precoce, em uma abordagem social e ecológica tem como foco central o processo de interação, comunicação e relação da criança e sua família. Esse programa contempla as necessidades, desejos, interesses e prioridades das crianças e familiares. Os pais são considerados parceiros, cooperadores do processo de desenvolvimento e aprendizagem de seus filhos. Participam em conjunto com os demais profissionais envolvidos da avaliação e planejamento do programa. Programas de intervenção precoce, numa abordagem social e ecológica, visam promover o desenvolvimento de habilidades e competências por meio de atividades naturais, lúdicas, nas atividades de vida diária (AVD) e orientação e mobilidade. Valorizando a construção do conhecimento em grupo, através do brincar, em atividades de ação funcional em casa na escola e comunidade (GODOI, 2006 p.47). Educação Especial de Deficientes Múltiplos 9 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos A organização do programa está voltada para momentos individuais de trabalho conjunto com a família para escuta, acolhida, avaliações, trocas de informações e orientações, e também para momentos de atividades em grupo, grupos de mães com suas crianças em situações lúdicas: brinquedo em sala, área livre, passeios; atividades de alimentação, higiene, orientação e mobilidade. A observação e orientação em creches ou pré-escolas é importante, pois as crianças com múltiplas deficiências e com severas alterações de desenvolvimento geralmente têm necessidade de ter prolongado o período de intervenção até os cinco anos. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 10 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos 4. NECESSIDADES ESPECIFÍCAS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS As crianças com qualquer deficiência, independentemente de suas condições físicas, sensoriais, cognitivas ou emocio- nais são crianças que têm necessidade e possibilidade de conviver, interagir, trocar, aprender, brincar e serem felizes, embora, algumas vezes, por caminhos ou formas diferentes. (G ODOI, 2006 p.14) Estudantes com deficiências múltiplas apresentam diferenças em seu processo de desenvolvimento neuropsicomotor, na expressão da linguagem, na aprendizagem e no processo de adaptação social. Assim, estes estudantes precisarão ser assistidos na escola mediante suas potencialidades e necessidades específicas. As escolas devem estar atentas em possibilitar aos estudantes com deficiências múltiplas possibilidades de convivência social. Estudantes com deficiência múltipla, que não apresentam graves problemas motores, por exemplo, precisam aprender a usar as duas mãos. Isso para servir como tentativa de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação (BOSCO, 2010). Alguns estudantes com deficiências múltiplas podem apresentar dificuldades fonoarticulatórias, motoras ou mesmo neurológicas, por isso, o processo de compreensão e emissão da comunicação estará prejudicado. Assim, recomenda-se disponibilizar ao estudante a aprendizagem de sistemas de comunicação alternativa e aumentativa, entre outras linguagens, que lhe possibilite a aquisição da linguagem e a expressão da comunicação. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 11 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos Além disso, estudantes com deficiências múltiplas podem necessitar de auxílio na realização das atividades de vida diária, na locomoção, orientação postural. O que requer o uso, muitas vezes, de tecnologias assistivas, mobiliários adequados, programas de computadores para o desenvolvimento de atividades de ensino, acrescentando-se a necessidade de adequação de materiais e recursos utilizados em sala de aula como cadernos, lápis, borrachas, entre outros. Para atender a necessidades especificas de aprendizagem de estudantes com deficiências múltiplas também serão necessárias adequações nas metodologias de ensino e no currículo escolar. Adotar como compromisso o respeito à diversidade e diferenças individuais, são fatores essenciais e capazes de atender às expectativas das famílias e necessidades específicas de aprendizagem desses estudantes (GODOI, 2006). Educação Especial de Deficientes Múltiplos 12 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos 5. ADAPTAÇÕES CURRICULARES As Diretrizes da Educação Especial para a Educação Básica, em seu art. 8 inciso III, define que as escolas da rede regular de ensino devem prever e prover na organização de suas classes comuns flexibilizações e adaptações curriculares que considerem o significado prático e instrumental dos conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos estudantes que apresentam necessidades educacionais especiais, em consonância com o projeto pedagógico da escola. Neste aspecto, os termos flexibilizações e adaptações curriculares são apontados como medidas para possibilitar o acesso ao currículo da escola regular à pessoa com deficiência. As adaptações curriculares constituem, pois, possibilidades educacionais de atuar frente as dificuldades de aprendiza- gem dos estudantes. São respostas educativas que devem ser dadas pelo sistema educacional, de forma a favorecer todos os estudantes. Pressupõem que se realize a adapta- ção do currículo regular, quando necessário, para torná-lo apropriado às peculiaridades dos estudantes com necessi- dades especiais. Não se propõe unicamente um novo currí- culo, mas um currículo dinâmico, alterável, passível de am- pliação, para que atenda realmente a todos os estudantes. (PCN ADAPTAÇÕES CURRICULARES, 1998 p.33). As Adaptações curriculares de grande porte visam propiciar a criação de condições físicas, ambientais e materiais ao estudante em sua unidade escolar; Adaptação do ambiente físico escolar; A aquisição do mobiliário específico necessário; A aquisição dos equipamentose recursos materiais específicos; A adaptação de materiais de uso comum em sala de aula; A capacitação Educação Especial de Deficientes Múltiplos 13 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos continuada dos professores e demais profissionais da educação. Além disto, ações como a decisão político administrativa sobre o número máximo de estudantes que uma sala de aula deve comportar para garantir um bom trabalho de ensino em uma classe inclusiva, bem como a definição da sistemática de trabalho cooperativo entre professores da educação especial e regular. As ações de adaptações curriculares de grande porte se direcionam no sentido de possibilitar o acesso ao currículo da escola regular aos estudantes com necessidades educacionais especiais, em particular o estudante com deficiência. Em nível do projeto pedagógico das instituições escolares as adaptações priorizarão, principalmente, a organização escolar e a disponibilização de serviços de apoio. Propiciando as condições para que as demais adaptações que se façam necessárias possam também ser implementadas. Portanto, na proposta pedagógica da escola estará previsto a organização para o atendimento especializado, formas de avaliação diferenciadas, acompanhamento e articulação do trabalho pedagógico entre os diversos profissionais da instituição. Na proposta pedagógica se definirá os fundamentos da organização e estrutura escolar coerente com os propósitos de uma educação que inclua a todos no processo de aprendizagem. As adaptações no nível do currículo são realizadas pelo professor e destinam-se, principalmente, à programação das atividades da sala de aula. Direcionam a organização e os procedimentos didático-pedagógicos e destacam a forma como se dará a organização temporal dos componentes e dos conteúdos curriculares e a coordenação das atividades docentes, de modo que favoreça a efetiva participação e integração do estudante, bem como a sua aprendizagem. As adaptações curriculares a nível individualizado focalizam a atuação do professor na avaliação e no atendimento individual do estudante através da definição do nível de competência curricular do mesmo, bem como na identificação dos fatores Educação Especial de Deficientes Múltiplos 14 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos que interferem no seu processo de ensino-aprendizagem. As adaptações têm o currículo regular como referência básica, adotam formas progressivas de adequá-lo, norteando a organização do trabalho consoante com as necessidades do estudante. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 15 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos 6. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS A inclusão de pessoas com deficiências múltiplas na escola perpassa, também, pela utilização de tecnologias assistivas que visem possibilitar a execução de determinadas tarefas e a melhoria da qualidade de vida das mesmas. Tecnologia Assistiva é um termo utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover vida independente e inclusão. (BERSCH &TONOLLI, 2006) “Para as pessoas sem deficiência a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis”. (RADABAUGH, 1993 Apud BERSCH, 2017). “Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social”. (BRASIL - SDHPR. – Comitê de Ajudas Técnicas – ATA VII) Atualmente existe várias categorias de tecnologia assistiva ( BERSCH, 2017), vamos aqui destacar algumas delas: • Auxílios para a vida prática e vida diária Materiais e produtos que favorecem desempenho autônomo e independente em tarefas rotineiras como cozinhar, vestir-se, tomar banho e executar necessidades pessoais. São exemplos Educação Especial de Deficientes Múltiplos 16 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos os talheres modificados, suportes para utensílios domésticos, roupas desenhadas para facilitar o vestir e despir, abotoadores, velcro, recursos para transferência, barras de apoio, etc. • Comunicação aumentativa e alternativa Destinada a atender pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar, escrever e/ou compreender. Recursos como as pranchas de comunicação, construídas com simbologia gráfica (BLISS, PCS e outros), letras ou palavras escritas, são utilizados pelo usuário da CAA para expressar suas questões, desejos, sentimentos, entendimentos. A alta tecnologia dos vocalizadores (pranchas com produção de voz) ou o computador com softwares específicos e pranchas dinâmicas em computadores tipo tablets, garantem grande eficiência à função comunicativa. • Recursos de acessibilidade ao computador Conjunto de hardware e software especialmente idealizado para tornar o computador acessível a pessoas com privações sensoriais (visuais e auditivas), intelectuais e motoras. Inclui dispositivos de entrada (mouses, teclados e acionadores diferenciados) e dispositivos de saída (sons, imagens, informações táteis). • Sistemas de controle de ambiente Através de um controle remoto as pessoas com limitações motoras, podem ligar, desligar e ajustar aparelhos eletro- eletrônicos como a luz, o som, televisores, ventiladores, executar a abertura e fechamento de portas e janelas, receber e fazer chamadas telefônicas, acionar sistemas de segurança, entre outros, localizados em seu quarto, sala, escritório, casa e arredores. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 17 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos • Adequação postural Um projeto de adequação postural diz respeito à seleção de recursos que garantam posturas alinhadas, estáveis, confortáveis e com boa distribuição do peso corporal Educação Especial de Deficientes Múltiplos 18 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos 7. IDENTIFICAÇÃO E INTERVENÇÃO PEDAGOGICA A implementação de práticas pedagógicas inclusivas na escola de educação básica requer adequações de seu projeto pedagógico, no sentido de nele delimitar as especificidades do processo de efetivação da inclusão na instituição. Definindo ações e responsabilidades de todos os agentes envolvidos no processo educacional inclusivo. Prevendo adaptação curricular e avaliativa para aqueles alunos que dela necessitem. As manifestações de dificuldades de aprendizagem na escola apresentam-se como um fator contínuo, desde situações leves e transitórias que podem se resolver no curso do trabalho pedagógico até situações mais graves e persistentes que requerem o uso de recursos especiais para a sua solução. Atender a essa sucessão de dificuldades exige respostas educacionais adequadas que envolvam gradual e progressiva adaptação do currículo. Ajustes no conteúdo e/ou na forma de sua apresentação podem ser necessários e devem levar em consideração as condições de aprendizagem do aluno com deficiências múltiplas verificadas na sua avaliação de ingresso e nas avaliações permanentes. O aluno pode ter sua capacidade cognitiva totalmente preservada e ser capaz de acompanhar a explicação de um determinado conteúdo da mesma maneira que o restante da classe, mas não ser capaz de revelar a retenção deste conteúdo através dos meios normalmente utilizados. Neste caso formas alternativas de demonstrar esta apreensão devem lhe ser disponibilizadas. Às vezes são necessárias adaptações em alguns conteúdos que o aluno apresente maior dificuldade de apreensão, são os casos, por exemplo, das abstrações. É sempre a partir dos recursos cognitivos do aluno que devem ser traçados objetivos que ele deverá cumprir e sobreos quais será avaliado. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 19 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos Para diminuir ou eliminar as dificuldades é preciso sempre procurar um recurso alternativo através do qual o aluno possa expressar o que sabe e como utiliza o seu conhecimento. Deve- se propor atividades abertas, diversificadas, isto é, atividades que possam ser abordadas por diferentes níveis de compreensão e de desempenho dos alunos. Debates, pesquisas, registros escritos, falados, observação e vivências em grupo são alguns processos pedagógicos possíveis nessa perspectiva. Assim, o professor, então, desempenhará o seu papel formador, que não se restringe a ensinar somente a uma parcela dos alunos que conseguem atingir o desempenho exemplar esperado pela escola. Ele ensina a todos, indistintamente. (Santos, 2010 p.14). Quanto às condições de acesso ao currículo, outras questões também devem ser observadas, tais como, as adaptações arquitetônicas necessárias para que o ambiente da instituição escolar seja acessível. Não deverá haver barreiras arquitetônicas que possam dificultar o acesso de alunos usuários de cadeiras de rodas ou com locomoção reduzida, por exemplo. É preciso que todos possam usar o mobiliário (cadeiras, mesas, balcões, bebedouros, quadros de avisos, equipamentos etc), se movimentar por todo o edifício (entrada principal, salas de aula, sanitários, pátios, quadras, parques, bibliotecas, laboratórios, lanchonetes, etc) e pela vizinhança. Isso significa que o entorno da escola também será um ponto de análise. Pensar em adequação curricular significa considerar o cotidiano das escolas, levando-se em conta as necessidades e capacidades dos seus alunos e os valores que orientam a prática pedagógica. Para os alunos com deficiências múltiplas essas questões têm um significado particularmente importante, tendo em vista que para que estes tenham igualdade de oportunidades na realização da aprendizagem do currículo é necessário que a escola, os sistemas de ensino, o poder público se organizem viabilizando respostas que contemplem a verdadeira inclusão dos mesmos na gestão de recursos humanos e materiais, na Educação Especial de Deficientes Múltiplos 20 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos gestão dos currículos, nos espaços, na constituição de turmas, nos horários, nas ações de formação e sensibilização da comunidade escolar. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 21 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos 8. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO O atendimento educacional especializado (AEE) é um serviço pedagógico complementar da Educação Especial que identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem ou amenizem as barreiras para a plena participação dos estudantes com deficiência, considerando suas necessidades específicas (Decreto nº 76611/201). Visa, entre outras coisas dá suporte aos estudante com deficiência no processo de inclusão plena na escola de ensino regular. Assim, os objetivos deste atendimento serão atender alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação; subsidiar a ação pedagógica do professor da classe regular, orientando o emprego de estratégias e/ou recursos diferenciados para suprir as necessidades educacionais. No AEE se disponibiliza o ensino de linguagens e de códigos específicos de comunicação e sinalização, o ensino e aplicação de tecnologia assistivas. O professor do AEE adequa e produz materiais didáticos e pedagógicos, tendo em vista as necessidades específicas dos alunos. Além disto, o AEE deve se articular com a proposta da escola comum, embora suas atividades se diferenciem das realizadas naquelas salas. O AEE é realizado no período inverso ao da classe comum frequentada pelo aluno e, preferencialmente, na própria escola desse aluno, na sala de recursos multifuncionais. São os professores especializados os responsáveis pelo Atendimento Educacional Especializado, tendo por função a provisão de recursos para acesso ao conhecimento e ambiente escolar aos estudantes com deficiência. Caberá a estes articular Educação Especial de Deficientes Múltiplos 22 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos o serviço de atendimento individualizado ao estudante com deficiências múltiplas, prover adequações em materiais e recursos para atender a estes estudantes, viabilizar formação e disseminar conhecimento sobre as necessidades de aprendizagem dos mesmos a toda a comunidade escolar. Elaborar estudo de caso e plano de atendimento educacional especializado. Orientar as famílias quanto a utilização de recursos de tecnologia assistiva, dentre outros recursos de acessibilidade utilizados com os estudantes. Atuando na provisão de recursos, equipamentos e estratégias educacionais focadas nas necessidades de aprendizagem. O Atendimento Educacional Especializado é um serviço essencial. Visa prover recursos e estratégias que auxiliem os estudantes com deficiências múltiplas na aprendizagem, no acesso ao currículo e permanência na escola é um direito da pessoa com deficiência múltipla e cabe aos sistemas de ensino e escola garantir este direito. Conhecer sobre deficiências múltiplas é o primeiro passo neste sentido.m Educação Especial de Deficientes Múltiplos 23 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição Federal, 1988. _______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Nº9394/1996. _______. Decreto Nº 7611/2011. Dispõe sobre a Educação Especial e o Atendimento educacional especializado _______. Decreto nº. 5.296 de 2 de dezembro de 2004 – DOU de 3/12/2004. Disponível:http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/_ Ato20042006/2004/Decreto/D5296.htm#art70 _______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes curriculares nacionais para a Educação Especial, 1998. ________. Ministério da Educação. 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INSTITUTO DE TECNOLOGIA SOCIAL. Tecnologias Assistivas na escola. 2008. MEC, SEESP. Atendimento Educacional Especializado deficiência física. Carolina R. Schirmer;Nádia Browning; Rita Bersch; Rosângela Machado. Brasilía, 2007. MEC. Projeto escola viva. Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola -Alunos com necessidades educacionais especiais, Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2000. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 25 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos SANTOS, Maria Terezinha da Consolação Teixeira dos. O projeto político pedagógico, autonomia e gestão democrática. In:A educação especial na perspectiva da inclusão escolar: a escola comum inclusiva/ Edilene Aparecida Ropoli...[et.al.]-Brasília: ministério da educação, Secretaria de Educação Especial, Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010. p.11-20 SILVA, Yara Cristina Romano. Deficiência múltipla: conceito e caracterização. Anais Eletrônico VIIII EPCC– Encontro Internacional de Produção Científica Cesumar. CESUMAR – Centro Universitário de Maringá. Editora CESUMAR Maringá – Paraná, 2011. Educação Especial de Deficientes Múltiplos 26 Volte ao Sumário Navegue entre os capítulos Desenho Instrucional: Veronica Ribeiro Supervisão Pedagógica: Laryssa Campos Revisão pedagógica: Bruno Campos Design editorial/gráfico: Lucas Pimentel 2021 Sumário Introdução 1. VAMOS FALAR SOBRE INCLUSÃO? 2. CONCEITUANDO DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS 3. estimulação precoce 4. necessidades especifícas da pessoa com deficiências múltiplas 5. adaptações curriculares 6. tecnologias assistivas 7. identificação e intervenção pedagogica 8. atendimento educacional especializado Referências Sumário 51: Page 1: Page 2: Page 3: Page 4: Page 5: Page 6: Page 7: Page 8: Page 9: Page 10: Page 11: Page 12: Page 13: Page 14: Page 15: Page 16: Page 17: Page 18: Page 19: Page 20: Page 21: Page 22: Page 23: Page 24: Page 25: Page 26: Page 27: Botão 60173: Page 1: Page 2: Page 3: Page 4: Page 5: Page 6: Page 7: Page 8: Page 9: Page 10: Page 11: Page 12: Page 13: Page 14: Page 15: Page 16: Page 17: Page 18: Page 19: Page 20: Page 21: Page 22: Page 23: Page 24: Page 25: Page 26: Page 27: Botão 60174: Page 1: Page 2: Page 3: Page 4: Page 5: Page 6: Page 7: Page 8: Page 9: Page 10: Page 11: Page 12: Page 13: Page 14: Page 15: Page 16: Page 17: Page 18: Page 19: Page 20: Page 21: Page 22: Page 23: Page 24: Page 25: Page 26: Page 27: Botão 60175: Page 1: Page 2: Page 3: Page 4: Page 5: Page 6: Page 7: Page 8: Page 9: Page 10: Page 11: Page 12: Page 13: Page 14: Page 15: Page 16: Page 17: Page 18: Page 19: Page 20: Page 21: Page 22: Page 23: Page 24: Page 25: Page 26: Page 27: Botão 60176: Page 1: Page 2: Page 3: Page 4: Page 5: Page 6: Page 7: Page 8: Page 9: Page 10: Page 11: Page 12: Page 13: Page 14: Page 15: Page 16: Page 17: Page 18: Page 19: Page 20: Page 21: Page 22: Page 23: Page 24: Page 25: Page 26: Page 27: Botão 60179: Page 1: Page 2: Page 3: Page 4: Page 5: Page 6: Page 7: Page 8: Page 9: Page 10: Page 11: Page 12: Page 13: Page 14: Page 15: Page 16: Page 17: Page 18: Page 19: Page 20: Page 21: Page 22: Page 23: Page 24: Page 25: Page 26: Page 27: Botão 60188: Page 1: Page 2: Page 3: Page 4: Page 5: Page 6: Page 7: Page 8: Page 9: Page 10: Page 11: Page 12: Page 13: Page 14: Page 15: Page 16: Page 17: Page 18: Page 19: Page 20: Page 21: Page 22: Page 23: Page 24: Page 25: Page 26: Page 27: Botão 60189: Page 1: Page 2: Page 3: Page 4: Page 5: Page 6: Page 7: Page 8: Page 9: Page 10: Page 11: Page 12: Page 13: Page 14: Page 15: Page 16: Page 17: Page 18: Page 19: Page 20: Page 21: Page 22: Page 23: Page 24: Page 25: Page 26: Page 27: Botão 60190: Page 1: Page 2: Page 3: Page 4: Page 5: Page 6: Page 7: Page 8: Page 9: Page 10: Page 11: Page 12: Page 13: Page 14: Page 15: Page 16: Page 17: Page 18: Page 19: Page 20: Page 21: Page 22: Page 23: Page 24: Page 25: Page 26: Page 27: Botão 628: Botão 629: Botão 630: