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E.E.B. Frei Menandro Kamps Prof. Cassiane Sociologia Estudante: Ana Julia Urbanek Estados Totalitários Três Barras 06 | 2023 Estados Totalitários O totalitarismo é um tipo de governo que menospreza os direitos individuais em nome do que o governante decide que é o bem comum. Trata-se de um regime governamental coletivista, onde os membros do governo possuem poder total sobre os cidadãos. São marcados pelo totalitarismo, um sistema político caracterizado pelo controle absoluto de uma pessoa ou de um partido sobre toda uma nação. No sistema totalitarista, a pessoa no cargo de líder ou o partido político, ambos representando o Estado, detém um controle total e absoluto sobre a vida pública e privada por meio de um governo autoritário, controlando, de forma autoritária, toda e qualquer situação dentro do Estado. E para isso, existe uma presença grande de militarismo dentro das cidades, servindo de intimidação e medo na população. Os regimes totalitários, em geral, sustentam um forte militarismo, útil para calar as vozes contrárias, e eram acompanhados por um forte aparato de propaganda ideológica, cujo principal objetivo era promover o culto ao líder e ressaltar os feitos do regime. O terror era outra arma utilizada pelos regimes totalitários e seu objetivo era amedrontar os opositores. Os regimes totalitários tiveram seu auge durante as décadas de 1920 e 1930, e seu surgimento está relacionado a todas as consequências do pós-guerra, nesse caso, à Primeira Guerra Mundial. A destruição da guerra aliada com os ressentimentos causados pelo conflito, o temor do comunismo e os efeitos devastadores das crises econômicas fizeram com que o autoritarismo fosse visto como a solução para os problemas enfrentados. Com a defesa do autoritarismo, a maioria dos países liberais e democráticos viu seus sistemas políticos serem substituídos por governos autoritários. No período entreguerras, somente cinco nações na Europa permaneceram com suas instituições políticas democráticas funcionando: Grã-Bretanha, Finlândia, Irlanda, Suécia e Suíça. O termo “totalitarismo” surgiu na década de 1920 e foi criado para referir-se ao fascismo italiano, primeiro regime de caráter totalitarista que foi implantado na Europa. Por meio do fascismo italiano é que o fascismo, enquanto alternativa política, popularizou-se na Europa. Após o exemplo italiano, outros países europeus optaram pela saída autoritária. O totalitarismo consolidou sua força quando os nazistas tomaram o poder na Alemanha, em 1933. Surgimento dos Sistemas Totalitários: contexto entre guerras Na Europa, os sistemas totalitários iniciaram aos poucos como uma adaptação ao cenário da época e como uma possível forma de solução para os problemas que estavam ocorrendo naquele período. O cenário na Europa no pós-guerra foi de muita tristeza, pela destruição, imensas perdas e, claro, pelas crises econômicas, políticas e sociais que começaram a perturbar a vida das pessoas que lá viviam. Foi algo que jamais havia acontecido daquele jeito e, além disso, as pessoas nunca esperavam que algo de tamanho nível iria passar por suas vidas. Naquele momento, o sentimento era de muita desconfiança e insegurança com as políticas e os caminhos tomados antes da primeira guerra mundial. Questionamentos sobre democracia e liberalismo, por exemplo, existiam como uma alternativa política ruim, que não agradava. Porém, algo estava sendo visto como uma tomada de solução: o autoritarismo. Essa saída política foi um caminho escolhido pelos dois extremos do espectro político, à direita e à esquerda. O totalitarismo se iniciou com o fascismo, na Itália, na década de 1920, depois na Alemanha, com o nazismo, em 1933. Também durante a década de 1930, em Portugal com o salazarismo e na Espanha, com o franquismo, todos estes com ideais de extrema-direita. No espectro político da extrema-esquerda, o totalitarismo se manifestou na antiga União Soviética – atual Rússia – com o stalinismo. Características dos regimes totalitários Quando falamos de regimes totalitários, os três regimes que vêm à nossa mente são o fascismo, o nazismo e o stalinismo, os três regimes totalitários mais famosos que existiram e que foram protagonistas na Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, o debate sobre regimes totalitários também se estende a outros regimes, como o regime “comunista” do Khmer Vermelho, no Camboja, ou o atual regime “comunista” existente na Coreia do Norte. Cada um desses possui características peculiares por conta das diferenças das origens ideológicas. As características básicas dos regimes totalitaristas eram: ● Culto ao líder: Os três regimes impunham um forte culto ao líder, e a imagem deles era espalhada por diversos locais, como escolas e instituições públicas. ● Centralização do poder: O poder ficava concentrado nas mãos do líder ou do partido. ● Doutrinação: A população era alvo de uma intensa doutrinação, cujo objetivo era o de propagar a ideologia do regime. A doutrinação da população começava com o ensino infantil e estendia-se a outros grupos. ● Censura: Os meios de comunicação eram censurados, assim como qualquer manifestação artística. A oposição não tinha liberdade de atuação. O objetivo da censura era barrar ideologias contrárias e críticas ao governo. https://www.politize.com.br/declaracao-universal-democracia/ https://www.politize.com.br/liberalismo-o-que-e/ https://www.politize.com.br/esquerda-e-direita-mitos-e-preconceitos/ ● Supressão dos partidos políticos: Nesses regimes, somente um partido tinha autorização de funcionar: o partido do governo. ● Criação de inimigos internos e/ou externos: Os regimes totalitários criavam inimigos internos e/ou externos, e o combate a esses grupos era utilizado como justificativa para medidas autoritárias. ● Uso do terror: O terror era utilizado como arma para amedrontar os opositores políticos e como mecanismo de perseguição a grupos tratados como “inimigos”. ● Militarização: Usar a força militar, o exército, de forma acentuada. ● Nacionalismo exagerado: No totalitarismo, o nacionalismo apropriou-se de forma extremista, difundindo exclusão e perseguição contra outros povos ou etnias; ● Inexistência de Livre Mercado: Todos os governos totalitários acabaram com o capitalismo, já que ele permite que o cidadão compre o que bem desejar; ● Falta de transparência das ações governamentais; ● Governo que age contra a vontade da população. Na extrema-direita, estão o fascismo italiano e o nazismo alemão. Na extrema-esquerda, está o stalinismo soviético. https://www.politize.com.br/nacionalismo/ Fascismo O fascismo surgiu na Itália quando Benito Mussolini criou a “Fasci Italiani di Combattimento”, em 1919.Mais tarde, esse grupo tornou-se o Partido Nacional Fascista, pelo qual Mussolini governava a Itália. A ascensão do fascismo ao poder da Itália aconteceu em 1922, quando aconteceu a Marcha sobre Roma. Nesse acontecimento, milhares de fascistas de toda a Itália dirigiram-se para Roma com o objetivo de pressionar o rei do país, Vitor Emanuel III, para que ele demitisse Luigi Facta e nomeasse Benito Mussolini como primeiro-ministro do país. A nomeação de Mussolini aconteceu em 1922, e, em 1925, ele autoproclamou-se ditador da Itália. O fascismo é considerado o precursor de todos os regimes de orientação fascista e conservadores da Europa do período. O próprio nazismo alemão inspirou-se fortemente no modelo político construído na Itália. Entre as principais características do fascismo italiano, podemos citar: ● Antiliberalismo; ● Desprezo pelo socialismo; ● Exaltação de valores conservadores e tradicionais; ● Desprezo por valores considerados modernos; ● Controle total do Estado sobre a nação; ● Doutrinação, etc. O fascismo, por meio de Mussolini, governou a Itália entre 1922 e 1945 e, na década de 1930, aliou-se com os nazistas alemães. Durante a Segunda Guerra Mundial, Itália e Alemanha formaram o Eixo, grupo que lutou contra os Aliados. Nazismo O nazismo surgiu na Alemanha, em 1919, sob o nome de Partido Nacional-Socialistados Trabalhadores Alemães. Adolf Hitler foi um dos primeiros membros do partido e, com o tempo, tornou-se seu líder. O crescimento de Hitler nos quadros nazistas está associado com sua ótima retórica e sua capacidade de mobilizar pequenas multidões em seus discursos. O crescimento do nazismo na Alemanha aconteceu ao longo da década de 1920 e se associa com a revolta presente no país após a derrota na Primeira Guerra Mundial e com a humilhação que ele sofreu com o Tratado de Versalhes. Além disso, a crise econômica, que afetou o país no período, empurrou uma parte considerável da população para o autoritarismo. Outro grupo importante no crescimento do nazismo foi o das tropas de assalto do partido, grupo de militantes armados que perseguiam e intimidavam comunistas e social-democratas, os grandes opositores do nazismo. A ideologia do Partido Nazista foi resumida por Hitler no livro que escreveu durante seu período de cárcere. A ideologia nazista, baseada do livro “Minha Luta” de Hitler, pregava o antimarxismo, antiliberalismo e o antissemitismo – o ódio contra o povo judeu. Ideais esses que foram usados, https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/tratado-versalhes.htm https://www.politize.com.br/nazismo/ de maneira autoritária, para defender a raça alemã como algo superior a todos os demais povos do mundo. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Partido Nazista usou de retóricas militaristas, expansionistas e de pureza de raça, para exterminar milhões de pessoas que eram contra ou pessoas que não se encaixavam dentro do padrão de raça alemã. Dentro da ideologia nazista, o aspecto de maior destaque (mais lembrado e marcante), é o antissemitismo. O ódio aos judeus era manifestado na sociedade alemã desde o século XIX e foi intensamente explorado pelos nazistas. O ódio nazista contra os judeus resultou no Holocausto, o genocídio que levou à morte de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Os nazistas também defendiam a ideia da superioridade da raça alemã e da formação de um império territorial especificamente para esse povo. Outros pontos da ideologia nazista são o desprezo pelos valores liberais e pela democracia, o militarismo, a exaltação da guerra, o controle do Estado, o nacionalismo extremo e o culto ao líder. O nazismo governou a Alemanha entre 1933 e 1945 e teve seus poderes estendidos nesse país a partir de 1934, quando Adolf Hitler acumulou as funções de chanceler e presidente do país. Após isso, Hitler tentou realizar medidas que contornassem a crise econômica da Alemanha. Ao longo da década de 1930, o governo nazista começou a desrespeitar as medidas do Tratado de Versalhes e foi expandindo o território alemão pela Europa. Stalinismo Período em que a União Soviética foi governada por Josef Stalin, que assumiu o poder da União Soviética após a morte de Vladimir Lenin, líder do partido e da União Soviética desde 1917. Lênin morreu em 1924, e uma disputa pelo poder fez com que Stalin fosse escolhido como sucessor e assumisse o poder em 1924. A partir de 1929, Stalin tornou-se líder supremo da União Soviética e manteve-se na função até 1953, ano de sua morte. O stalinismo é interpretado como uma experiência totalitária manifestada pela extrema-esquerda por conta do governo tirânico de Stalin à frente da União Soviética. Esse período ficou marcado pela perseguição, tortura e execução de opositores, pelos expurgos de pessoas de funções públicas, pela criação de campos de prisioneiros e trabalhos forçados, etc. Um caso conhecido do governo stalinista foi a coletivização das fazendas na Ucrânia, a partir de 1930. Nessa coletivização, milhares de camponeses tiveram de entregar suas terras e posses para o Estado, sendo obrigados a trabalhar nelas, e de entregar sua produção a preços baixos. A coletivização visava financiar a industrialização soviética. O resultado desse processo na Ucrânia foi a morte de milhões de pessoas de fome e inanição. Os que resistiram ao governo Stalin ou que eram enxergados como ameaça (como os camponeses que se opuseram ao regime de coletivização) recebiam a execução sumária ou a deportação para campos de trabalho forçado conhecidos como gulags. Esses campos ficavam em locais inóspitos da União Soviética, como a Sibéria. Ao longo da década de 1930, Stalin promoveu expurgos no funcionalismo do país, e esses expurgos resultaram no fuzilamento de milhares de pessoas. As principais características do stalinismo eram a exclusão da religião da vida pública, a coletivização da economia, o fim da propriedade privada, o culto ao líder, a perseguição de opositores, a militarização da sociedade etc. Salazarismo e franquismo Além dos dois últimos exemplos de movimentos totalitários que viveram na Europa do Século XX, alguns outros surgiram, com a mesma temática e mesmo objetivo de um regime autoritário. São eles: o Salazarismo, em Portugal, e o Franquismo, na Espanha. Com o mesmo contexto de perdas e tristeza do pós-guerra, os cidadãos espanhóis e portugueses estavam desacreditados nos mesmos discursos. E como na Alemanha nazista, a vida nestes dois países, também foi sob olhares autoritários. O salazarismo foi um regime ditatorial entre 1933 a 1974 em Portugal. O termo faz menção a Antonio de Oliveira Salazar, chefe do governo português durante o início deste período até 1968. Também conhecido como o Estado Novo português, o salazarismo foi iniciado com a promulgação da Constituição de 1933. Seu encerramento foi em 1974, partindo da Revolução dos Cravos, golpe civil-militar que destituiu Marcello Caetano, o substituto de Salazar como chefe do governo português. O período foi marcado por políticas antidemocráticas, antiliberais, centralizadoras, colonialistas e conservadoras. O Franquismo faz referência ao general Francisco Franco, que detinha o poder na Espanha entre 1939 a 1975. Desde o início da República Espanhola, o país sofria com vários debates nos setores conservadores e militares, dizendo que essa mudança fora comandada pela esquerda. Com o passar dos anos, Franco e outros simpatizantes do fascismo italiano, articularam um golpe contra o governo de esquerda. E com a vitória consolidada no mesmo ano do início da segunda guerra mundial, Francisco Franco instalou um período autoritário na Espanha, que só teve fim após algumas décadas do fim da guerra. Regimes totalitários no Brasil No Brasil não existiu nenhum governo que possa ser classificado como totalitário, mas, ao longo de nossa história, existiram governos autoritários. Um primeiro exemplo de governo autoritário foi o Estado Novo, implantado por Getúlio Vargas e que se estendeu de 1937 a 1945. Outro regime autoritário na história de nosso país foi a Ditadura Militar, implantada por meio de um golpe e que se estendeu de 1964 a 1985. https://www.politize.com.br/nazismo/ https://www.politize.com.br/ditadura-o-que-e/ https://www.politize.com.br/atos-antidemocraticos-2/ https://www.politize.com.br/segunda-guerra-mundial/ https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/era-vargas-estado-novo.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/golpe-militar-1964-inicio-ditadura.htm Socialismo É uma ideologia política e econômica que faz críticas ao capitalismo, defendendo uma sociedade mais justa e igualitária para todos. Foram estabelecidos dois tipos de socialismo: utópico e científico. O primeiro defende a transformação da sociedade por meio de reformas, e o segundo defende a transformação da sociedade e a abolição do capitalismo pela via revolucionária. As experiências socialistas se diferem dos dois tipos e são conhecidas como socialismo real (lembrando que nenhuma chegou à fase do comunismo). Origens do socialismo O socialismo é uma ideologia política e econômica que não tem data de surgimento fixa nem um autor, uma vez que foi construído ao longo do tempo e se formou pela contribuição de diferentes pensadores. Contudo, há um norte que podemos estabelecer como o momento de sua origem. Surgiu, então, entre os séculos XVIII e XIX, no contexto da Revolução Industrial,e se estabeleceu por meio das propostas de diferentes intelectuais, como Pierre Leroux, Robert Owen, Saint-Simon, Charles Fourier, entre outros. Esses primeiros pensadores ficaram conhecidos como membros do chamado socialismo utópico. Posteriormente, o socialismo foi melhor sistematizado por Karl Marx e Friedrich Engels, dois intelectuais alemães que estudaram o capitalismo em profundidade e estabeleceram uma teoria que recebeu o nome de socialismo científico e que é a base teórica do socialismo moderno. Foi citado que o contexto de surgimento do socialismo foi a Revolução Industrial. Esse acontecimento foi responsável pelo surgimento da indústria e trouxe significativo avanço tecnológico, além do aumento da produção de mercadorias e riquezas. Contudo, o estabelecimento da indústria também veio acompanhado de inúmeros problemas, sobretudo, para as classes trabalhadoras. Esse período da Revolução Industrial ficou marcado pela precarização extrema das condições de vida e de trabalho da classe operária, submetida a jornadas de trabalho exaustivas, com poucas ou nenhuma pausa para descanso. As condições de segurança do trabalho eram as piores possíveis, e o salário que os trabalhadores recebiam era muito baixo. Foi nesse contexto que se construiu a ideologia socialista, e ela se estabeleceu como alternativa ao modelo capitalista, propondo profundas reformas na sociedade ou mesmo a sua transformação pela via revolucionária. O surgimento da ideologia socialista orientou, em partes, os movimentos de trabalhadores do começo do século XIX, que conquistaram algumas melhorias para a condição do operariado. Assim, foram a destruição do capitalismo e a luta contra as desigualdades estabelecidas por esse modelo socioeconômico que orientaram a formulação da teoria socialista. Ela, porém, se estruturou com a contribuição de vários nomes, e a mais expressiva foi a de Marx e Engels. Os socialistas querem, portanto, reduzir as desigualdades da sociedade ou então conduzir os trabalhadores ao controle da sociedade por meio da ideia de autogestão. O propósito é a construção de uma sociedade justa e igualitária. Características do socialismo Vimos que o socialismo surgiu no contexto da Revolução Industrial, foi construído por diferentes contribuições e visa ao estabelecimento de uma sociedade mais igualitária. Essa ideologia é de caráter político, econômico e filosófico, propondo a transformação social. O socialismo pode ser entendido como uma ideologia revolucionária, dentro da vertente científica, mas é entendido também como reformista quando se considera as propostas utópicas. Os dois caminhos procuram reduzir a exploração sobre a população trabalhadora. O combate às desigualdades do sistema capitalista deverá ser conduzido pelo próprio Estado, no entanto, os trabalhadores têm um papel mais que essencial nesse processo ao tomarem conta dos meios de produção. A regulação da economia e do mercado também se realizará pelo Estado, que promoverá a socialização da riqueza produzida. Dentro da proposta científica, o socialismo é entendido apenas como uma etapa de transição entre o capitalismo e o comunismo, pois entende-se que, uma vez que as desigualdades foram combatidas e a igualdade se estabeleceu, as classes serão abolidas junto do Estado, e essa nova etapa é entendida como o comunismo. Historicamente, a vertente mais popular do socialismo foi mesmo a científica, proposta por Marx e Engels, embora as experiências socialistas que existiram ao longo da história não sejam consideradas dessa forma, sendo entendidas como socialismo real. Algumas características do socialismo são: ● Socialização da produção de riqueza; ● Controle dos meios de produção pelos trabalhadores; ● Combate às desigualdades; ● Abolição da propriedade privada; ● Tomada do poder pela via revolucionária; ● Abolição das classes sociais; ● Centralização do poder no Estado. Socialismo utópico O socialismo utópico é o nome utilizado para se referir aos socialistas do começo do século XIX. Recebeu esse nome como uma crítica de Marx e Engels, que não concordavam com a proposta. Esse socialismo se estabeleceu no começo do século XIX e foi formulado por pensadores como Robert Owen, Saint-Simon, Charles Fourier, entre outros. Os socialistas utópicos defendem a transformação da sociedade por meio de reformas que aliviem os efeitos negativos do capitalismo. Eles não partilham de muitas ideias consolidadas pelo socialismo científico. Assim, por exemplo, a ideia da luta de classes, isto é, a luta das classes trabalhadoras contra os detentores dos meios de produção, não é um elemento presente nessa vertente. O socialismo utópico quer uma sociedade igualitária, mas não acredita no caminho revolucionário para tal, e sim que a construção dessa sociedade mais justa se dará por meio de um Estado que regule e controle a divisão das riquezas profundas. Os socialistas utópicos defendem que as classes dominantes devem entender que esse processo será benéfico para todos. Além disso, alguns deles não são contrários à existência da propriedade privada e outros não defendem o fim do capitalismo como meio para a implantação de uma sociedade igualitária. Isso foi bastante criticado por Marx exatamente por defenderem a construção de uma sociedade mais igualitária, mas sem apresentarem os meios para isso e sem defenderem a abolição do sistema capitalista. Socialismo científico O socialismo científico foi elaborado por Karl Marx e Friedrich Engels também no século XIX e estabeleceu uma proposta para um estudo científico do sistema capitalista como caminho para estabelecer uma crítica a ele e também um método para a sua superação. O socialismo proposto por Marx e Engels, como mencionado, é apenas uma etapa de transição para o comunismo, pois, uma vez que uma sociedade justa e igualitária for estabelecida por intermédio do Estado e dos trabalhadores, o próprio Estado será abolido, e daí se consolidará o comunismo, com uma sociedade justa e governada diretamente pelos próprios trabalhadores. O socialismo científico entende que a história humana é baseada na luta de classes — o conceito de que a classe de trabalhadores oprimidos luta contra as classes dominantes detentoras dos meios de produção, isto é, de tudo o que produz riqueza, como as fábricas, a terra, entre outros. No contexto do século XIX, entendia-se que essa luta de classes se dava pela burguesia, a classe que controlava a riqueza e possuía os meios de produção, em especial, as indústrias; e pelo proletariado, a classe de despossuídos que não tinham nada além de sua força de trabalho para viver e, portanto, garantiam sua sobrevivência vendendo seu tempo de vida. Essa teoria socialista estabelece, portanto, que a tomada da consciência de classe do proletariado seja um passo essencial para a derrubada da lógica capitalista, uma vez que entende que a tomada do poder deve ser conduzida pelos trabalhadores. Os meios de produção, assim, https://brasilescola.uol.com.br/historiag/surgimento-burguesia.htm https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/proletariado.htm serão socializados, as propriedades privadas serão abolidas e administradas pelo Estado em benefício da comunidade, e a riqueza será partilhada de maneira igual. Socialismo real Quando se fala de socialismo real, refere-se às experiências socialistas ao longo da história humana. Essas experiências são entendidas como divergentes da teoria do socialismo científico, uma vez que não seguiram totalmente o que propuseram Marx e Engels. Assim, entende-se que o socialismo real não foi a execução plena dos ideais socialistas. O primeiro país que se intitulou como uma nação socialista foi a Rússia, conhecida como União Soviética a partir da década de 1920. Sua transformação em nação socialista se deu por meio de uma revolução armada conduzida pelos bolcheviques em 1917, conhecida como Revolução Russa. A experiência soviética inspirou experiências socialistas em outras partes do planeta, como China, Cuba, Vietnã, Leste Europeu, Alemanha Oriental,nações africanas, entre outros. Cada país implantou o socialismo sobre bases distintas, embora o modelo soviético tenha servido para muitos deles. As experiências do socialismo real são profundamente criticadas por terem se afastado do que propuseram Marx e Engels no socialismo científico, pois não estabeleceram uma sociedade justa e igualitária como um todo, fortaleceram o papel do Estado (o Estado para Marx servia apenas para promover uma sociedade igualitária antes de sua abolição), isso sem falar nas violências cometidas contra as populações por diferentes governos socialistas, como o cambojano e o russo (principalmente no período stalinista). Diferença entre capitalismo e socialismo Ao longo do texto, viu-se que o socialismo se estabeleceu como uma alternativa ao modelo de sociedade capitalista, defendendo a superação desse modelo seja por meio de reformas (como defendem os socialistas utópicos), seja por meio da revolução (como defenderam Marx e Engels no socialismo científico). Podemos considerar que o modelo de sociedade capitalista é exatamente o contrário do que defendem os socialistas, uma vez que o capitalismo se baseia em algumas características, como: ● lucro; ● acúmulo das riquezas; ● exploração do trabalho humano; ● propriedade privada. O socialismo estabelece outras propostas, pois é contrário à ideia do trabalho como gerador de lucro, e sim o defende como o meio pelo qual a humanidade deve se sustentar. Além disso, ele é contra a ideia de concentração das riquezas, e defende a sua distribuição para que toda a sociedade compartilhe da riqueza produzida por ela. O socialismo também é contra a exploração do trabalho conforme acontece dentro da sociedade capitalista, pois o trabalho deve ser distribuído igualmente entre todos, assim como a riqueza produzida, e, sem concentração de riquezas, não existirá a propriedade privada. O capitalismo liberal acredita em uma economia sem a intervenção do Estado, mas o socialismo acredita que o controle das riquezas deve ser feito pelo Estado, que deve conduzir o processo de distribuição do que é produzido pela sociedade. Diferenças entre socialismo e comunismo O socialismo é entendido como uma etapa para a transformação da sociedade e a implantação do comunismo. Nesse processo, a produção de riqueza é controlada pelo Estado, que promove uma sociedade justa e igual, em que todos têm acesso à riqueza e às mesmas oportunidades. O socialismo, portanto, é o método que pode ser utilizado para abolir as práticas capitalistas. Uma vez que as práticas capitalistas forem abolidas, a riqueza produzida será distribuída igualmente e os trabalhadores estarão preparados para se auto gerirem dentro dessa proposta de uma sociedade justa e igualitária, e então o Estado será abolido. Junto do Estado, as classes sociais serão abolidas porque todos terão acesso às mesmas oportunidades e terão a mesma riqueza. Quando isso acontecer, estará implantado o comunismo. Referências ● BEZERRA, J. Socialismo. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/socialismo/>. Acesso em: 8 jun. 2023. ● DE OLIVEIRA REZENDE, M. Socialismo. Disponível em: <https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/o-socialismo.htm>. Acesso em: 8 jun. 2023. ● Regimes totalitários. Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/historiag/regime-totalitario.htm>. Acesso em: 8 jun. 2023. ● SILVA, D. N. Regimes totalitários. Disponível em: <https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/regimes-totalitarios.htm>. Acesso em: 8 jun. 2023. ● SOUZA, I. O que é socialismo? Disponível em: <https://www.politize.com.br/socialismo-o-que-e/>. Acesso em: 8 jun. 2023.