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ÚLCERAS GENITAIS 
• Podem ser causadas por IST (HSV > sífilis > cancro mole > LVG > donovanose) ou não IST (vasculite autoimune, 
Behçet, comum em mulheres jovens, traumática, vascular ou neoplásica) 
• Abordagem: úlceras únicas ou múltiplas? Dolorosas ou indolores? Adenopatia? Fístula? 
SÍFILIS PRIMÁRIA (CANCRO DURO) / LUES 
• Causada pelo Treponema pallidum, bactéria espiroqueta GRAM-. Pode ser latente (<1 ano) ou tardia (>1 ano), 
secundária (roséola descamativa em mãos e pés), terciária (órgãos). 
• Transmissão: contato sexual, em que a espiroqueta atravessa pele e mucosa e vertical. Período de incubação de 
10-90 dias (média de 3 semanas). 
• Úlcera única, indolor, bordas delimitadas, base endurecida, fundo limpo cor rosa-avermelhada. Podem servir 
como porta de entrada para vírus HIV. A lesão desaparece espontaneamente em 2 semanas, embora 
espiroquetas continuem circulando. Pode haver linfadenopatia regional (inguinal), unilateral, múltipla, indolor e 
não supurativa. 
 
 
• Diagnóstico: ideal = microscopia de campo escuro (pesquisa direta do treponema). 
® Teste não treponêmico (marcador cardiolipina = muitos falsos +): VDRL (+ 2-3 sem pós cancro, sensível, 
mas não específico, ideal para controle de cura, pois demora mais para positivar, mas negativa primeiro). 
Lara Mattar | Ginecologia | Medicina UFR 
® Teste treponêmico (anticorpo específico): FTA-Abs (+ 1-2 semanas pós infecção, sensível e específico, mas 
fica + pra sempre); ELISA, teste rápido (muito sensível), quimioluminescência, IFI. 
® Após teste +, iniciar tratamento até aguardar outro exame. 
® Efeito Prozona: tanta sífilis que o teste não lê. 
® Reação de Jarisch-Herxheimer: reação medicamentosa inflamatória. Não é alergia. 
TNT/VDRL TT/FTA-Abs Interpretação 
- - Não é sífilis ou “janela imunológica” 
- + Sífilis precoce (FTA-Abs positiva antes) ou curada (FTA-Abs não negativa após tratar) 
+ - Repetir! Falso-positivo (se -) ou sífilis/cicatriz (se +) 
+ + Cicatriz (VDRL ainda não negativou, mas tto registrado e queda 2 títulos) ou sífilis 
• Tratamento: penicilina benzatina 2.400.00 UI IM (metade em cada nádega) DU. Alternativas: doxicilina VO 
(exceto gestante), ceftriaxona IM. Se latente tardia, terciária ou ignorada, faz 3 semanas com intervalo semanal. 
• O tratamento com penicilina 2.400.00 é utilizado para sífilis primária, secundária ou latente recente. 
• VDRL > 1/8 é bem sugestivo de sífilis (geralmente, falso-positivo dá titulação menor). 
• Se a gestante for alérgica à penicilinina, deve-se tentar dessensibilização e iniciar tratamento até 30 dias antes 
do parto. NÃO pode usar doxiciclina. Usar ceftriaxona (não garante quanto à transmissão vertical). 
• Considera-se gestante incorretamente tratada: qualquer medicamento que não seja penicilina benzatina; 
tratamento incompleto ou inadequado para a fase clínica; início do tratamento 30 dias antes do parto; parceiro 
sexual não adequadamente tratado. Em todos os casos, deve-se tratar RN. 
• Controle de cura com VDRL: mensal normalmente; trimestral se for pós-parto. 
DONOVANOSE 
• Etiologia: Klebsiela granulomatis. Mais rara. É IST, mas transmissibilidade baixa (não precisa tratar parceiro). 
 
• Diagnóstico: identificação do corpúsculo de Donovan corado por Giemsa. Sempre que possível, fazer biópsia 
para descartar quadros tumorais. 
• Tratamento: doxiciclina 100mg 12/12h por 21 dias. Alternativa: azitromicina 1g 1x/semana por 3 semanas 
(mesmo do linfogranuloma venéreo). Azitro está sendo evitada para ulceras genitais devido resistência! Tratar 
até desaparecer lesão. 
LINFOGRANULOMA VENÉREO 
• Etiologia: Clamídia trachomatis sorotipos L1, L2 e L3. 
• Úlcera indolor, mas não muito importante. O que se deve observar é a presença de múltiplos gânglios dolorosos 
e grandes (inguinal/femoral) que fistulizam em vários orifícios “bico de regador” (diferente do cancro mole, que 
drena por orifício único). 
• Úlcera indolor, múltiplas, bem delimitada, borda plana ou hipertrófica 
com fundo granulomatoso, sangramento fácil, em espelho (assim 
como cancro mole), lesão mais antiga, pode conter lesão vegetante, 
pode se disseminar ao tocar em outro local da pele. Geralmente não 
há adenopatia. Quadro crônico e progressivo, simula carcinoma 
epidermoide de vulva. 
 
 
• Diagnóstico: avaliação clínica e teste positivo para clamídia, com sorologia de 1/64 -> cultura e PCR. 
• Tratamento: doxiciclina 100mg 12/12h por 21 dias. Alternativa: azitromicina 1g 1x/semana por 3 semanas. 
Sempre tratar parceiro, mesmo assintomático. 
• Sempre pesquisar em praticantes de sexo anal que apresentem úlceras anorretais. Mais comum em praticantes 
de sexo anal. 
HERPES 
• Tipo mais comum de úlcera genital. Etiologia HSV-II (tipo I, geralmente, causa lesões orais). Pode também ser 
causada por CMV, varicela zoster e epstein-barr. Mais prevalente em pacientes diabéticas. Crônica e recorrente. 
• Úlcera dolorosa, múltiplas, fundo raso e limpo, geralmente sem adenopatia (mas pode ter) e cursar com 
sintomas sistêmicos (febre, náusea, mal-estar geral, disúria, mialgia), cronicidade. Pode haver múltiplos tipos de 
lesão (pleomorfismo). 
 
• Diagnóstico clínico, mas pode-se fazer esfregaço de Tzank-Giemsa (cultura viral), PCR para HSV, sorologias. 
• Priminfecção: incubação de 6 dias, lesões eritemo-papulosas de 1-3 mm, que evoluem para vesículas com 
conteúdo citrino, dolorosas, com regressão espontânea. Quando rompem, geram úlceras. Quadro mais severo. 
• Recorrência: infecção latente nos gânglios sensitivos reativada com infecções, trauma local, estresse físico ou 
emocional, imunodeficiência, menstruação. Quadro clínico mais leve, vesículas sobre base eritematosa, 
precedido por prurido ou queimação. Regressão espontânea. 
• Tratamento: aciclovir 400 mg 8/8h VO por 7-10 dias ou 200mg 5/5h por 5 dias (primoinfecção) ou 5 dias (casos 
recorrentes). Valaciclovir 1g VO 12/12h 7-10 dias e famciclovir 250 mg VO 8/8h 7-10 dias = tem eficácia 
semelhante. TÓPICO NÃO RECOMENDADO. 
• Gestantes: indica-se cesariana se presença de lesões herpéticas no canal de parto ativas no momento do parto 
ou se diagnóstico > 28 semanas, devido risco de pneumonite herpética, encefalite herpética e cegueira. Fazer 
profilaxia com aciclovir se infecção antes de 28 semanas. Sempre reavaliar a cada 48h durante tratamento até 
resolução do quadro por risco de complicação. 
CANCRO MOLE / CANCROIDE 
• Etiologia: Haemophilus duncreyi. Risco de infecção na relação de 80%. Transmissão exclusivamente sexual. 
• Úlcera dolorosa, múltiplas, fundo irregular e sujo, exsudato necrótico e amarelado, contornos eritemato-
edematosos, gânglio fistuliza em único orifício, odor fétido, sangramento fácil, espelhada. 
• Mais comum em homens. 
• 50% dos pacientes tem linfonodos inguino-crurais tensos e com flutuação (bubão). 
• Diagnóstico: esfregaço da lesão identificando bastonetes gram -. Cultura. 
• Tratamento: azitromicina 1g DU ou ceftriaxona 500 mg IM DU. 
Evolução: inoculação (pápupa, que pustuliza, ulcera e depois 
desaparece) > disseminação linfática e regional (após 1-6 
semanas, geralmente unilateral) > sequelas (supuração e 
fistulização por múltiplos orifícios, lesão anal, elefentíase genital 
ou estiomene por obstrução linfática, além de sintomas gerais). 
 
• Gestantes podem usar estearato eritromicina. 
CONDILOMA ACUMINADO 
• Verruga genital causada pelo HPV subtipos principais 6 e 11. 
• Transmissão sexual. 
• Tratamento: aplicação de ácido tricloroacético semanalmente, crioterapia, aplicação de imunomoduladores. 
ESQUEMAS 
• Únicas: sífilis ou LGV 
• Múltiplas: herpes, cancro mole ou donovanose 
• Dolorosas: herpes ou cancro mole 
• Indolor: sífilis, LGV ou donovanose 
• Fistulização em orifício único: cancro mole 
• Fistulização em orifício múltiplo: LGV 
 
NA DÚVIDA? DOXACICLINA 
 
 
 
ÚLCERAS NÃO INFECCIOSAS 
DOENÇA DE BEHCET 
• Dor articular, sangramento intestinal, vasculite e trombose, úlcera oralrecorrente, uveíte ou retinite, eritema 
nodoso e/ou papulopústulas, teste de patergia positivo. 
• Afta + úlcera genital dolorosas. 
• Corticoterapia e imunossupressão. 
• Úlcera de Lipschutz