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EMANUELA HANNOFF PILON 1 Tutorial 4 – mod XVI Úlceras genitais Úlceras genitais - Lesões na vulva, vagina ou colo uterino com perda de tecido, envolvendo a epiderme e a derme ou apenas a epiderme. - As úlceras podem se apresentar em tamanho e número variados, quase sempre associadas a processo inflamatório. Necrose, infecção, sangramento e tecido granulomatoso podem estar presentes, mas não é obrigatório. - Acomete parcela significativa da população feminina, tendo a lesão mais comum quando de causa infecciosa, o vírus da herpes simples. Complicações: proporcionam incomodo e dor, podem inclusive facilitar a transmissão sexual e perinatal do HIV. A quebra da integridade da mucosa cria facilidades na entrada de microrganismos, facilitando a aquisição de HIV 3x mais. DIAGNÓSTICO - Tendência de fazer diagnóstico sindrômico e não o etiológico. MS e ONU sugerem tratar sindrômico para não correr risco de deixar passar IST sem tratar. • Tempo e forma da evolução da UG • Localização, dividindo vulva em terços • Aspecto: tamanho, profundidade, grau de inflamação • Presença de Linfadenomegalia regional/distância • Aparecimento de outras lesões no corpo e boca • Presença de fator desencadeante: trauma, medicamentos, outras pessoas com mesmo quadro. • Presença de doenças sistêmicas - Pesquisa de células multinucleadas (herpes) - Material em lâmina de vidro com swab ou Ayre, para ver Haemophilus ducreyi. - Amostra de sangue para sorologia de sífilis (VDRL, FTA- Abs), hepatites B e C, HIV. - Biopsiar as úlceras com evolução maior que 30 dias. - O tratamento deve ser iniciado imediatamente, mesmo sem ter os resultados da investigação diagnóstica. O médico deve tratar empírica ou sindromicamente, considerando o diagnóstico mais provável, com base na apresentação clínica e nas circunstâncias epidemiológicas. Herpes genital - Alta prevalência no meio. HSV pode provocar lesões na pele e mucosa dos órgãos genitais masculinos e femininos. - Primoinfecção tem período de incubação médio de 6 dias, de acordo com MS. - Herpes genital se manifesta com pequenas vesículas que se agrupam nos órgãos genitais, as vezes no meato uretral ou região anal e perianal, se não tiver bom controle, como por imunossupressão por falta de sono, traumas, trabalho excessivo, drogas, má alimentação, AIDS (>30 dias com lesão herpética em mucosa o centro de controle de doenças americano já considera), altas doses de corticoide, neoplasias, quimioterapia. Em imunocompetentes pode regredir espontaneamente, mesmo sem tratamento. QUADRO CLÍNICO - Ardor, prurido, formigamento e adenomegalia podem anteceder erupção cutânea. - Hiperemia aparece alguns dias depois, evoluem para vesículas agrupadas, que se rompem e formam exulceração dolorosa seguida de cicatrização. - Vírus migra pela raiz nervosa até alojar em gânglio neural, onde fica quiescente até recidiva - Nas recorrências o quadro clinico é menos intenso que na primoinfecção, com sintomas prodrômicos característicos, como prurido leve ou sensação de queimação, mialgias e fisgadas nas pernas, quadris e região anogenital: pelo MS. DIAGNÓSTICO - É clinico, pela anamnese e EF. - Raramente usa cultura e biopsia, pois a sensibilidade diminui com duração da lesão. HSV pode pesquisar por PCR, mas desnecessário na pratica. - Teste rápido para detectar glicoproteína especifica do HSV defendido em gestantes para estabelecer medidas profiláticas de transmissão vertical - Diagnóstico diferencial: cancroide, sífilis, donovanose, ulcerações traumáticas, linfogranuloma venéreo TRATAMENTO - Não existe tratamento eficaz para cura. Tenta diminuir manifestações da doença ou aumentar intervalo entre as crises. Primoinfecção: aciclovir 400mg, 3x/d 7-14d OU valaciclovir 1g 2x/d 7-14d, fanciclovir 250mg 3x/d 7-14 d. MS recomenda Aciclovir 200mg 2cp 3xd por 7-10d OU Aciclovir 200mg 1cp 5xd por 7-10d EMANUELA HANNOFF PILON 2 Recorrência: aciclovir 400mg, 3x/dias 5d OU valaciclovir 500mg 2x/dia 5d, fanciclovir 125mg 2x/dia 5d. MS recomenda Aciclovir 200mg 2cp 3xd 5d OU Aciclovir 200 4cp 2xd 5d Supressão: aciclovir 400mg, 1x/dia 6m OU valaciclovir 500mg-1g 1x/dia 6m, fanciclovir 250mg 2x/dia 6m. MS recomenda Aciclovir 200 2co 2xd por 6m. Gestantes: trata 1° episódio em qualquer trimestre da gestação, liberado pela ANVISA aciclovir nas doses abaixo. Via de parto considera rotura das membranas, se >4h teoricamente já tem contaminação fetal, então não faria diferencia cesárea • Primoinfecção: 400mg 3x/dia 7-14 dias • Recorrentes: 400mg 3x/dia ou 800mg 2x/dia 5 dias • Supressão: 400mg 3x/dia, a partir de 36 semanas até o parto • Infecção disseminada: 5-10mg/kg IV, 8/8h, 2-7 dias e mantem VO 400mg 3x/dia no mínimo 10 dias Sífilis - Doença infectocontagiosa, evolução sistêmica/crônica, principalmente por transmissão sexual (mas pode intraútero e vertical no parto, por transfusão de sangue também). - Etiologia é treponema pallidum. Período de incubação de 10-90 dias, média de 3 semanas, de acordo com MS. QUADRO CLÍNICO - Dependem do tempo da doença, na recente lesão única (no local de entrada da bactéria), com bordas endurecidas pelo processo inflamatório linfoplasmocitario, indolor, endurecida, circular, de 1-2cm. - Mais comum ser visível no homem, no sulco balano prepucial, raramente lesão em vulva. Cancro duro se não tratado pode ficar 30-90 dias, involuindo espontaneamente. Adenopatia satélite ocorre bilateralmente, indolor e não inflamatória: sífilis primaria. DIAGNÓSTICO - Em todas as fases da sífilis pode usar sorologia para fazer o diagnóstico, tendo sorologias treponemicas (FTA- Abs, MHA-TP, teste rápido: tendem a ficar + toda a vida do indivíduo) e não treponemicas (VDRL mais usada, >1/8 é entendido como doença e trata!!!, RPR, elisa) - Grávidas: no MS suspeita se clinica ou teste não treponêmico reagente em qualquer titulação, confirmando quando tem teste não treponêmico reagente + teste treponêmico reagente, independente da clínica. Se teste treponêmico + e não treponêmico não reagente também considera +. Sífilis secundaria e tardia não costumam ter ulcerações, mas as lesões planas na sífilis secundária podem ulcerar. - Normalmente o condiloma plano (sífilis secundaria) fica na área genital pela umidade, oclusão e trauma. Pelo Freitas diz que tem lesões polimorfas como as roséolas (lesões planas eritematosas principalmente no tronco) e as sifilides (lesões papuloerosivas, pustulosas, hipertróficas, mais na cavidade oral, genital, palma das mãos, plantas dos pés) Sífilis latente: sem sinais e sintomas, diagnostico por sorologia +, começa quando some lesões cutâneos do secundarismo, ficando até ter as manifestações terciarias. Recente se <1 ano de evolução ou tardia se >1 a ou tempo indeterminado. Sífilis terciaria: manifestações tardias e raras por complexos imunológicos, em 1/3 dos pacientes sem tratamento, pode ter goma, sífilis cardiovascular (aneurisma aórtico, insuficiência aórtica e estenose coronariana) ou neurossífilis (pode acontecer em qualquer estágio da sífilis) TRATAMENTO - Sífilis primaria, secundaria e latente recente (até 1 ano de duração): penicilina G benzatina 2,4milhoes UI, IM, dose única (metade em cada glúteo) OU doxiciclina 100mg VO 2x/dia por 15 dias (exceto gestantes) OU ceftriaxona 1g IV ou IM, 1x/dia por 8-10 dias para gestantes e não gestantes - Sífilis latente tardia (>1 ano de duração) ou latente com duração ignorada e sífilis terciaria: penicilina G benzatina 2,4milhoes UI, IM, semanal (metade em cada glúteo) por 3 semanas OU doxiciclina 100mg VO 2x/dia por 30 dias (exceto gestantes) OU ceftriaxona 1g IV ou IM, 1x/dia por 8-10 dias para gestantes e não gestantes. CRITÉRIOS DE CURA - VDRL 3, 6 e 12 meses após tratamento, precisade queda de 4 títulos da sorologia ou negativação em 6m a 1a. Gestante acompanha mensalmente. Espera diminuição de 1 título por mês, trata de novo se sorologia aumenta 4 títulos. Cancro mole - Pode ter adenopatia inguinal uni ou bilateral. Cocobacilo gram –, Haemophilus ducreyi, mais nas regiões tropicais - Incubação 3-7 dias, depois surgem pequenas pápulas dolorosas, que se rompem para formar ulceras raras, com bordas irregulares, depois tem erosão fagedênica que pode levar a destruição tecidual acentuada. - Linfonodos inguinais ficam dolorosos, aumentados e aderidos entre si, podendo formar abscesso com flutuação na virilha - Lesões dolorosas, geralmente múltiplas, borda irregular, contornos eritemato-edematosos, recoberto por exsudato necrótico, amarelo, com odor fétido, quando removido EMANUELA HANNOFF PILON 3 mostra tecido de granulação com sangramento fácil: pelo protocolo MS DIAGNÓSTICO Definitivo precisa de identificação de H ducreyi em meio de cultura específico de acordo com Freitas, pela Febrasgo faz bacterioscopia: limpa lesão com soro fisiológico, coleta com alça de platina ou espátula, pega exsudato purulento do fundo da lesão preferencialmente sob as bordas, com positividade em 50% dos casos. Cultura H ducreyi e biopsia da ulcera genital pode ajudar a fazer diagnostico diferencial e quando não responde ao tratamento. - Importante teste para HIV em todos. - Diagnóstico diferencial: cancro duro, herpes genital, linfogranuloma venéreo, donovanose, erosões traumáticas infectadas TRATAMENTO - MS recomenda azitromicina 500mg 2cp VO DU OU ceftriaxona 500mg IM DU. 2° opção sendo Ciprofloxacino 500mg 1cp VO 2x/dia por 3 dias. Associa tratamento sistêmico com medidas de higiene local. - Trata parceiros, mesmo se assintomáticos. Linfogranuloma venéreo (LGV) - Linfogranuloma inguinal, mula, babo, doença de Nicolas- Favre - Lesão genital de curta duração, que tem ulceração ou pápula. Etiologia Chlamydia trachomatis L1, L2 e L3. - Manifestação mais comum é linfadenopatia inguinal e/ou femoral, pois esses sorotipos são altamente invasivos aos tecidos linfáticos. Principais efeitos por dano ao sistema linfático de drenagem da infecção. - Período de incubação 3-32 dias (Freitas fala 7-21 dias, parasita intracelular obrigatório), depois surge papulovesicula ou pequena erosão, que passa despercebida no geral, pq cicatriza em poucos dias. - Localização preferencial é genitália externa. FASES DA DOENÇA PELO PROTOCOLO DO MS: Fase de inoculação: começa com pápula, pústula ou exulceração indolor, que some sem deixar sequela, as vezes paciente nem nota, no homem no sulco coronal, frênulo e prepúcio, na mulher na parede vaginal posterior, colo uterino, fúrcula e outras partes da genitália externa. Fase de disseminação linfática regional: no homem a linfadenopatia inguinal é de 1-6 semanas após lesão inicial, geralmente unilateral, geralmente principal motivo da consulta. Na mulher adenopatia depende do local da lesão de inoculação. Fase de sequelas: obstrução linfática crônica faz elefantíase genital, que na mulher chama de estiomene, também pode ter fistulas retais, vaginais e vesicais, além de estenose retal. DIAGNÓSTICO - Considera QC, epidemiologia e exclusão de outras etiologias (proctites, linfadenomegalia inguinal, ulceras genitais ou retais). Testa material genital, retal e linfonodal para C trichomatis pode cultura, imunofluorescência direta ou detecção dos ácidos nucleicos - Citopatológico raramente +, ELISA (identifica anticorpo contra antígeno, não diferencia sorotipo), cultura com cels de McCoy (+ em 3 dias, pouco feito), sorológico (mais utilizado, + não implica positividade da doença), sorologia de ct (>1:64 ou microimunofluoresencia >1:256), PCR e captura hibrida. - Pesquisa recomendada em praticantes de sexo anal que tem ulceras anorretais: protocolo do MS - Considera diagnostico quando tem adenite inguinal, elefantíase genital e estenose uretral ou retal TRATAMENTO - Começa antes mesmo de confirmação laboratorial. Medicações de escolha são tetraciclina e azitromicina, exceto gravidez, infância, intolerância ou alergia. - Prolonga terapia se precisar até resolver sintomas, atb não tem efeito expressivo na duração de linfadenopatia inguinal, mas sintomas agudos saem rapidamente. Atb não reverte sequelas como estenose retal ou elefantíase genital -. Tratamento abaixo está igual na FEBRASGO e MS: - Doxiciclina 100mg VO 1cp 2x/dia por 21 dias é primeira opção de tratamento - 2° opção: azitromicina 500mg 2cp VO 1x/semana por 21 dias com uso preferencial em gestantes Donovanose - Granuloma venéreo, granuloma tropical, úlcera venérea crônica - Bacteria gram – intracelular Klebsiella granulomatis pela Febrasgo e UpToDate (pelo Freitas Calymmatobactium granulomatis). - Incubação 8 dias a 6 meses, aparece lesão nodular em n° variável, que evolui para ulcera de borda plana ou hipertrófica, bem delimitada, fundo granuloso. Lesão não dolorosa, bem vascularizada, sangramento facilmente com contato. Transmissão provavelmente pela relação sexual, pouco contagiosa DIAGNÓSTICO - Exame histopatológico e citopatológico pode identificar corpúsculos de Donovan - Diagnóstico diferencial: sífilis, cancroide, tuberculose cutânea, amebíase cutânea, neoplasia ulceradas, leishmaniose tegumentar americana e outras doenças cutâneas ulcerativas e granulomatosas TRATAMENTO - Doxiciclina 100mg 1cp VO 2x/dia, pelo menos 21 dias ou até desaparecimento completo de lesões. EMANUELA HANNOFF PILON 4 CRITÉRIO DE CURA - Desaparecimento da lesão, não tendo sido relatada infecção congênita. Não precisa tratar parceiro por baixa infectividade. Fontes: Febrasgo, Manual MS sobre IST, Williams, UpToDate