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IST
PÂMELA REIS GO - 07/10/21
 
Avaliar sempre o tratamento do(s) parceiros (s) e pesquisar outras ISTs.
Difícil combate por conta do não uso de preservativos.
SÍFILIS
É uma de fácil tratamento e diagnóstico, porém muito subnotificada.
SÍFILIS PRIMÁRIA: cancro duro, lesão ulcerada, indolor e fugaz.
SÍFILIS SECUNDÁRIA: 4 a 6 semanas após o desaparecimento do cancro duro podem surgir lesões secundárias. 
· Roséolas (pápulas) ou sifílides (pápulas erosivas e pustulosas). Geralmente atinge as regiões palmares e plantares (patognomônicas), mas esse exantema pode estar presente em todo o corpo;
· Pode ocorrer alopécia, madarose, micropoliadenopatia, mialgia e leve esplenomegalia;
· Neurite periférica e demência (raro).
Viu região exantemática, faça teste para sífilis.
SÍFILIS TERCIÁRIA: após o desaparecimento das sifílides, ocorre período de latência (variável 1 ano até 20 -30 anos). Geralmente o diagnóstico é feito nesse estágio por outra hipótese.
· Forma cutânea - nódulos, gomas ou eritema terciário;
· Forma cardiovascular – aortite, insuficiência aórtica e gomas no septo interventricular e parede do ventrículo;
· Forma nervosa – paralisia geral progressiva ou demência. Tabes dorsalis: lesões extensas dos cordões posteriores da medula, gerando perda do equilíbrio e dor;
SÍFILIS LATENTE: fase assintomática.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA SÍFILIS PRIMÁRIA: pesquisa em campo escuro do T. pallidum (material de raspagem da lesão ou punção dos linfonodos). VDRL vai dar negativo, os testes sorológicos no geral só positivam 30 a 40 dias do aparecimento da lesão inicial. 
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL NÃO TREPONÊMICOS: tem alta sensibilidade e baixa especificidade, podendo dar falso positivo para L.E.S., espiroquetoses, mononucleose, hanseníase, leptospirose, malária,...
· VDRL – detecção de antígenos cardiolipinicos, controle de cura, pode apresentar 1:1 ou 1:2 como cicatriz sorológica;
· RPR – rapid plasma reagin.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL TREPONÊMICO: são testes específicos.
· FTA-Abs – IgG e IgM;
· MHA-TP.
TRATAMENTO: penicilina G Benzatina (benzetacil) 1.200.00 em cada nádega.
· Primária e secundária - DU;
· Latente, tardia e terciária – por 3 semanas;
· Neurossífilis – penicilina G cristalina IV.
REAÇÃO DE JARICH-HERXHEIMER: febre, cefaleia, mialgia e exantema. Ocorre após início do tratamento com benzetacil por conta de presença de endotoxinas que são expostas quando há lise do treponema.
Só é considerado efetivamente tratado com penicilina G Benzatina, em casos de alergias procurar centros especializados que façam a dessensibilização. Quando não houver esses centros, utilizar:
· Azitromicina 1g VO por 2 ou 3 semanas;
· Doxiciclina 100mg 12/12h por 20 dias;
· Eritromicina;
· Tetraciclina 20 dias em sífilis com mais de 1 ano e 30 dias.
Não é necessário confirmação do diagnóstico para fazer o tratamento de sífilis com a penicilina G Benzatina, em casos de dúvida trate.
GONOCOCCIA
Blenorragia.
AGENTE ETIOLÓGICO: Neisseria gonorrheae. É uma bactéria intracelular diplococo gram-negativo.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 2 a 10 dias.
Habitualmente assintomática nas mulheres que gera esterilidade.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:
· Bartholinite – inflamação das glândulas de Bartholin;
· Cervicite – corrimento purulento que vem de dentro do colo do útero;
· Uretrite – disúria (dor ao urinar);
· Doença Inflamatória Pélvica (DIP);
· Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis – cordas em violino.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL: bacterioscopia pelo gram (diplococos gram negativos), cultura com ágar de Thayer-Martin e técnicas da biologia molecular em citologia fixada ou líquida (PCR ou captura híbrida).
TRATAMENTO: Ceftriaxone 500 mg IM DU.
· Gestantes – estearato de eritromicina 500 mg VO de 6/6h por 10 dias.
CLAMÍDIA
AGENTE ETIOLÓGICO: Chlamydia trachomatis (gram-negativas anaeróbias e intracelulares).
Trata mesmo sem diagnóstico confirmado, sempre trata clamídia e gonococo juntos, pois os sintomas são muito parecidos e geralmente andam juntas.
Principal sequela é a esterilidade, destroem o movimento ciliar das trompas, dificultando que a paciente engravide ou gerando gravidez ectópica.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 2 semanas até 2 meses ou mais.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: 
· Uretrite – disúria;
· Cervicite – corrimento purulento;
· DIP;
· Proctite - inflamação da mucosa retal;
· Síndrome Oculogenital e Síndrome de Reiter – conjuntivite, uretrite e artrite;
· Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis.
DIAGNÓSTICO:
· Cultura – meio de McCoy, padrão-ouro;
· Imunofluorescência direta;
· PCR ou CH (captura híbrida) em citologia fixada ou líquida.
TRATAMENTO: 
· Azitromicina 1 g VO DU;
· Doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 7 dias;
· Gestantes – Azitromicina 1 g DU.
LINFOGRANULOMA 
Também denominada Doença de Nicolas-Favre-Durand.
AGENTE ETIOLÓGICO: Chlamydia trachomatis sorotipos L1, L2 e L3.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 1 a 3 semanas.
QUADRO CLÍNICO: 
· 1ª Fase - pequena úlcera ou pápula fugaz no ponto de inoculação. Diagnóstico diferencial com sífilis;
· 2ª Fase – dentro de quatro dias há comprometimento de linfonodos regionais (linfadenite inguinal crônica) que em duas semanas supuram, abscedam e podem fistulizar (vários orifícios);
· 3ª Fase – após meses áreas de fibrose cicatricial com focos de abscessos e fistulização levando a elefantíase e estenose.
DIAGNÓSTICO: 
· Imunofluorescência, material das lesões ou do bubão;
· PCR ou CH, material das lesões ou do bubão;
· Cultura McCoy.
TRATAMENTO: Doxiciclina 100 mg VO 12/12 h por 21 dias.
CANCRO MOLE
AGENTE ETIOLÓGICO: Haemophilus ducreyi.
Múltiplas lesões ulceradas dolorosas, bem delimitadas, fundo sujo, fétidas que não desaparecem espontaneamente.
Pode ser assintomática.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 2 a 35 dias (média de 5 A 7 dias).
Pode ocorrer adenopatia geral ou unilateral, podendo supurar e fistulizar por um único orifício.
DIAGNÓSTICO: GRAM (gram negativo), cultura (difícil execução) e PCR.
CANCRO MISTO DE ROLLET: cancro mole e duro, trata ambos.
TRATAMENTO: 
· Azitromicina 1g VO VU;
· Ceftriaxona 500 mg IM.
DONOVANOSE
AGENTE ETIOLÓGICO: Klebsiella granulomatis.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: de 3 dias a 6 semanas.
QUADRO CLÍNICO: pequena pápula ou nódulo indolor que ulcera e aumenta de tamanho. Pode ocorrer formação de massas vegetantes ou granulomatosas deformando a genitália. É raro, mas pode ter localização extragenital. Diagnóstico diferencial com câncer.
 
DIAGNÓSTICO: essencialmente clínico, porém é feito biópsia para descartar o câncer.
· Histologia: corpúsculos de donovan que é a inclusão bacilar no citoplasma de macrófagos ou histiócitos.
TRATAMENTO: Doxiciclina 100 mg VO 12/12 h 21 dias.
CRÍTERIO DE CURA: desaparecimento da lesão.
HERPES SIMPLES
AGENTE ETIOLÓGICO: HSV 2 (+ genital) e HSV1 (+ labial), vírus de DNA.
PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 1 a 3 semanas.
Lesões cursam com muito ardor e dor, além de edema e prurido. Lesões vesiculares agrupadas que evoluem para úlceras em 4 a 5 dias.
FORMAS RECORRENTES: desencadeadas por estresse, traumas físicos, infecções diversas e queda da imunidade.
Herpes neonatal é grave – lesões viscerais e SNC.
GESTANTE: lesões ativas nas últimas 6 semanas recomenda-se cesárea.
 
DIAGNÓSTICO: clínico ou sorologia (10% de falha).
DIAGNÓSTICO EXATO: cultura, citologia corada pelo método de Tzanck.
TRATAMENTO: anti-inflamatório e analgésicos para aliviar os sintomas dolorosos e sistêmicos.
· Aciclovir 200 mg 5x dia por 5 dias VO ou aciclovir 400 mg 3x dia (7 a 14 dias);
· Imunodeprimidos IV.
· Recorrência – aciclovir 400 mg 3x dia por 5 dias;
· Supressão – aciclovir 400 mg 1x dia;
· Gestante – aciclovir VO liberado pela ANVISA.
HPV – PAPILOMAVÍRUS
É um vírus de DNA com alto risco oncogênico (16 e 18).
TRANSMISSÃO: via sexual é a mais comum.
· Contato indireto através de objetos contaminados como toalhas, roupas íntimas, instrumentos ginecológicos;
· Transmissão vertical.
Gestantes e HIV+ apresentam com maiorfrequência.
INFECÇÃO CLÍNICA: condiloma acuminado com lesões verrucosas (aspecto couve-flor).
INFECÇÃO SUBCLÍNICA: não visíveis a olho nu, necessário citologia (coilocitose), colposcopia e histologia.
INFECÇÃO LATENTE: identificadas pela hibridização. PCR ou CH.
TRATAMENTO: tem como objetivo a remoção das lesões, não há a erradicação do vírus.
TRATAMENTO QUÍMICO: 
· Ácido Tricloroacético – 70 a 90% pele e 30 a 50% mucosa podem usar em gestante;
· Podofilina é pouco utilizada atualmente pelo efeito teratogênico;
· Podofilotoxina gel 0,5% não usar e, gestante.
Imiquimod tem ação pouco esclarecida, mas tem o poder de induzir a produção de interferon – atividade antiviral e antitumoral. Apresentação com creme a 5%. Lesões na pele ainda não se utilizam nas mucosas.
TRATAMENTO CIRÚRGICO: eletrocauterização, criocauterização, excisão a bisturi e cirurgia de alta frequência.
 
A Vacina Quadrivalente contra quatro tipos do vírus – 6, 11,16 e 18 – que são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo de útero e por 90% das verrugas genitais e está indicada em mulheres entre 9 e 45 anos de idade e homens e mulheres com HIV/Aids de 9 a 36 anos. No SUS meninas até 14 anos esquema sugerido é de das doses em 0 e 6 meses.
A Vacina Cervarix, também chamada de Vacina contra HPV oncogênico da GSK, protege contra os vírus 16 e 18. A idade recomendada da vacinação é entre 9 e 45 anos. Em 2017 foi liberada para meninos de 12 a 13 anos no SUS.