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LICITAÇÃO E 
CONTRATOS
Thiago Oliveira da Silva
Controle dos 
contratos públicos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer a relevância do controle social nos contratos públicos. 
  Descrever o controle interno dos contratos públicos.
  Definir o controle externo dos contratos públicos.
Introdução
A Administração Pública evoluiu com o passar do tempo. Em épocas me-
dievais, os reis comandavam sem a supervisão de nenhum órgão, de forma 
que havia mandos e desmandos sem que houvesse punição. Com o passar 
do tempo, o Estado foi se modernizando, passando a ser gerenciado por 
representantes eleitos pelo povo. Com isso, a participação popular se tornou 
algo intrínseco à Administração. Em um Estado Democrático de Direito, o con-
trole social pode e deve ser realizado para fiscalizar os atos governamentais, 
exigindo transparência e responsabilidade na execução de políticas públicas.
Neste capítulo, você vai ler sobre a relevância do controle social nos 
contratos públicos. Você verá também os assuntos inerentes aos controles 
interno e externo, tendo como premissa o controle social exercido pela 
participação popular. 
1 Relevância do controle social nos contratos 
públicos
A gestão pública possui várias ramifi cações, seja na esfera política, social 
ou estrutural. Ainda assim, a mais conhecida nesse campo é a forma direta 
ou indireta, por meio das quais o setor público permeia a vida dos cidadãos. 
A forma direta está ligada ao sentido de autonomia e de prestação de serviços 
públicos ao Estado e a órgãos referentes ao poder federal, estadual e municipal.
Por sua vez, a forma indireta caracteriza-se pela forma de descentralização, 
ou seja, o Estado repassa/transmite funções para outras pessoas jurídicas. 
Antes de falarmos propriamente do controle social, cabe entender que a 
Administração Pública é utilizada pelo Estado como forma de alcançar os 
objetivos traçados. Nesse sentido, passa a englobar o Estado moderno com 
atuação democrática da sociedade. Nas palavras de Mileski (2005, documento 
on-line), o Estado contemporâneo chegou à sua fase mais moderna:
Com a evolução do Estado, não foram traçados somente novos parâmetros 
no relacionamento com a sociedade, posto que, em decorrência desses ino-
vadores fatores de ação do Estado, também foram propiciados avanços para 
os sistemas de controle, com aprimoramento dos mecanismos de fiscalização 
e surgimento de novos meios de controle, no sentido de ser dada a transpa-
rência necessária aos atos governamentais, de onde deflui o surgimento e o 
fortalecimento do controle social.
Entendendo a Administração Pública como instrumento do Estado, o controle 
social dos contratos não surgiu com o advento da Lei nº. 8.666, de 21 de junho 
de 1993, ou da própria Constituição Federal em 1988 (BRASIL; 1988; 1993). 
Assim, o controle emergiu da necessidade de dar mais transparência aos atos 
governamentais, ou seja, surgiu com a evolução do Estado e de suas formas de 
aperfeiçoar a questão de transparência dos dados, informações, políticas públicas 
e qualquer outro ato realizado pelos governantes. Dessa maneira, dois pilares 
podem ser traçados para entendermos a atuação da sociedade moderna e da pró-
pria Administração Pública sobre seus contratos: transparência e controle social.
Nesse contexto, além da transparência e do controle social, podemos elencar 
a participação popular como eixo fundamental para que o Estado moderno 
pudesse, de fato, tornar-se um Estado Democrático de Direito. Sobre a parti-
cipação popular como pilar, Moreira Neto (2000) afirma que participação e 
consensualidade são decisivas para as democracias contemporâneas, contribuindo 
para a governabilidade (eficiência), a contenção de abusos (legalidade), a atenção 
a todos os interesses (justiça), a tomada de decisões mais sábias e prudentes 
Controle dos contratos públicos2
(legitimidade), o desenvolvimento da responsabilidade das pessoas (civismo) e 
tornar os comandos estatais mais aceitáveis e facilmente obedecidos (ordem).
É como uma escada rumo a tempos em que os governantes fossem, de 
fato, fiscalizados pelos seus atos. Assim, o Estado democrático surgiu com a 
necessidade de transparência e controle social. Nesse contexto, a transparência 
emergiu como uma espécie de obrigatoriedade na Administração Pública. 
Se fosse para elencar a transparência, ela seria colocada à frente do controle 
social, mas à frente em qual sentido? 
No sentido de que somente com a divulgação de seus atos, políticas públicas, 
política fiscal, enfim, de seu plano de governo, a população seria capaz de fazer 
frente aos seus objetivos. Assim, consequentemente um controle social poderia ser 
exercido. Mileski (2005) corrobora com esse pensamento quando cita que a parti-
cipação popular só será relevante perante o Poder Público se o cidadão conhecer as 
políticas públicas idealizadas pelo governo e saber quais são de interesse coletivo. 
Na verdade, um tripé foi criado junto com o Estado Democrático de Direito:
  transparência;
  participação popular;
  controle social. 
Os três pilares — transparência, participação popular e controle social — influenciam 
tudo em relação ao controle dos contratos públicos. O primeiro princípio, inclusive, 
está previsto na Lei de Licitações (Lei nº. 8.666/1993) (BRASIL, 1993). Esse princípio não 
foi expresso na Constituição Federal, mas isso não tira o seu status de princípio basilar 
de toda a democracia. 
A transparência é relevante não somente para a sociedade, mas para, por 
exemplo, a fiscalização dos contratos públicos. Assim, dá à sociedade a sen-
sação de que o Estado vem sendo, de fato, fiscalizado pelo poder maior de 
qualquer nação: o povo, mantendo sempre o público acima do privado. Essa 
questão legitima o que Martins Júnior (2010, p. 25) pontuou como: “[...] o caráter 
público da gestão administrativa leva em consideração, além da supremacia 
do público sobre o privado, a visibilidade e as perspectivas informativas e 
participativas, na medida em que o destinatário final é o público”.
3Controle dos contratos públicos
No segundo pilar, está o controle social, que implica assegurar que a ad-
ministração atue em consonância com os princípios que lhe são impostos pelo 
ordenamento jurídico; ou seja, uma visão exclusiva de legalidade, outro princípio 
que emergiu da Constituição Federal, que conceitua o controle como função 
estatal, que envolve ações de um poder sobre o outro e de um poder sobre ele 
mesmo na busca do equilíbrio. O controle social se conceitua nas suas diversas 
passagens oriundas da Constituição Federal (BRASIL, 1988, documento on-line):
Art. 5º [...] 
XIV — é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo 
da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
[...]
XXXIII — todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de 
seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas 
no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo 
seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; 
XXXIV — são a todos assegurados, independentemente do pagamento de 
taxas:
 a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra 
ilegalidade ou abuso de poder;
 b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e 
esclarecimento de situações de interesse pessoal;
[...]
Art. 29 [...]
XII — cooperação das associações representativas no planejamento municipal; 
[...]
Art. 225 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem 
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao 
Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as 
presentes e futuras gerações.
Ao falarmos de contratos públicos, a Lei de Licitações (Lei nº. 8.666/1993) 
(BRASIL, 1993, documento on-line) também estabelece algumas formas de 
se efetivar o controle social:
Art. 7º [...]
§ 8º Qualquer
cidadão poderá requerer à Administração Pública os quantita-
tivos das obras e preços unitários de determinada obra executada;
[...]
Art. 15 [...]
§ 6º Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar preço constante do 
quadro geral em razão de incompatibilidade desse com o preço vigente no 
mercado;
Controle dos contratos públicos4
[...]
Art. 41 [...]
§ 1º Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar edital de licitação por 
irregularidade na aplicação desta Lei, devendo protocolar o pedido até 5 (cinco) 
dias úteis antes da data fixada para a abertura dos envelopes de habilitação, 
devendo a Administração julgar e responder à impugnação em até 3 (três) 
dias úteis, sem prejuízo da faculdade prevista no § 1º do art. 113;
[...]
Art. 63 É permitido a qualquer licitante o conhecimento dos termos do contrato 
e do respectivo processo licitatório e, a qualquer interessado, a obtenção de 
cópia autenticada, mediante o pagamento dos emolumentos devidos.
[...]
Art. 113 O controle das despesas decorrentes dos contratos e demais instru-
mentos regidos por esta Lei será feito pelo Tribunal de Contas competente, 
na forma da legislação pertinente, ficando os órgãos interessados da Admi-
nistração responsáveis pela demonstração da legalidade e regularidade da 
despesa e execução, nos termos da Constituição e sem prejuízo do sistema 
de controle interno nela previsto.
Várias são as passagens na Lei de Licitações, na Constituição Federal e 
em outras leis que dão poder ao cidadão. Cabe citar que, além do cidadão, 
como ator protagonista dessa questão, também o Tribunal de Contas e outros 
métodos de controles estão imbuídos de fazer essa fiscalização. 
2 Controle interno da Administração Pública
Diversos mecanismos de controle foram criados a fi m de fi scalizar os atos 
governamentais. Divididos em duas searas macro, podemos sintetizar os 
controles em interno e externo. 
Para Mello (1995), o controle como poder político é qualquer mecanismo 
por meio do qual o exercício das competências públicas seja fiscalizado, 
contido e, em caso de extravasamento, reprimido, responsabilizando-se quem 
nele haja estado incurso.
A própria Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão de 
1789 (DECLARAÇÃO..., 2020, documento on-line), já entoava esse discurso: 
“[....] a sociedade tem direito de pedir conta a todo agente público de sua 
administração”. Benda (2001) complementa dizendo que é obrigação de todo 
governo prestar conta de suas atividades públicas, portanto, a sociedade deve 
ter à disposição os meios necessários para que essa fiscalização seja realizada.
Sobre o papel do controle interno na Administração Pública, José Filho (2008, 
documento on-line) cita que, “[...] na administração pública, o Controle Interno 
5Controle dos contratos públicos
deve estar presente, atuando de forma preventiva, em todas as suas funções, 
administrativa, jurídica, orçamentária, contábil, financeira, patrimonial, de 
recursos humanos, dentre outras, na busca da realização dos objetivos a que se 
propõe”. No entanto, o conceito de controle interno ainda causa divergências 
entre os juristas, sendo que grande parte divide o controle em dois universos: 
  sistema de controle interno;
  auditoria interna.
No sistema de controle interno, compreendemos o controle como sistema. 
O controle contábil diz respeito à salvaguarda do patrimônio, ou seja, controle 
físico, controle de funcionários, estabelecimento de níveis hierárquicos, entre 
outros. Por sua vez, o controle administrativo visa atender às políticas estra-
tégicas com vistas à eficiência operacional da organização. São instrumentos 
de controle administrativo, entre outros (CREPALDI, 2000):
  planejamento estratégico;
  metas de produção;
  sistemas de custos;
  controle de qualidade. 
A auditoria interna é um importante instrumento desenvolvido com técnicas próprias 
por membros permanentes, possuindo um leque de amplitude maior do que uma 
auditoria externa. 
A auditoria interna é explicada por José Filho (2008, documento on-line) 
como:
Uma técnica utilizada pelo órgão central ou setorial, para avaliar a eficiência 
do Controle Interno, quanto a obediência às normas ou a obsolescência des-
sas. A auditoria desenvolve trabalhos avaliativos, de forma mais ou menos 
profunda, em razão direta do julgamento feito sobre o Controle Interno, 
quanto à sua maior ou menor adequabilidade para a preservação dos ativos 
que deverá proteger.
Controle dos contratos públicos6
Os conceitos de auditoria e de sistema de controle parecem se aliar, com muita 
semelhança, ao controle interno. José Filho (2008, documento on-line) coloca 
cada conceito em seu devido lugar, pontuando que a diferença entre sistema 
de controle interno, controle interno e auditoria interna resume-se ao seguinte: 
“Sistema é o funcionamento integrado dos Controles Internos; Controle Interno 
é o conjunto de meios de que se utiliza uma entidade pública para verificar se 
suas atividades estão se desencadeando como foram planejadas; e Auditoria 
Interna é uma técnica utilizada para checar a eficiência do Controle Interno”.
A Constituição Federal (BRASIL, 1988, documento on-line) traz consigo 
mais clareza sobre o escopo do controle interno da Administração e os poderes 
envolvidos:
Art. 70 A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patri-
monial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à 
legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia 
de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo 
e pelo sistema de controle interno de cada Poder. 
[...]
Art. 74 Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma 
integrada, sistema de controle interno com a finalidade de:
I — avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução 
dos programas de governo e dos orçamentos da União; 
II — comprovar a legalidade e avaliar os resultados quanto à eficácia e efici-
ência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades 
da administração federal bem como da aplicação de recursos públicos por 
entidades de direito privado; 
III — exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem 
como dos direitos e haveres da União; 
IV — apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. 
§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de 
qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de 
Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária. 
[...]
O fato de a sociedade ter o controle social não exime o controle oficial por 
parte do governo: o controle instituído de forma oficial. Por isso, nos artigos 
referenciados da Constituição Federal (BRASIL, 1988), os três poderes são 
citados de forma clara. Isso deixa explícito que, mesmo o controle social 
sendo um mecanismo de fundamental importância para a fiscalização dos 
atos governamentais, o controle oficial (interno) continua preponderando, 
ou seja, tem sua autotutela preservada, no sentido da apuração de denúncias, 
7Controle dos contratos públicos
avaliação de programas, ou seja, ações voltadas no âmbito político, visando, 
é claro, uma boa gestão direcionada aos anseios da sociedade.
Nesse ponto, o princípio da autotutela se interliga com o controle interno 
da Administração Pública. Segundo Cretella Júnior (1973, documento on-line):
O conjunto de normas de direito público que rege a ação administrativa dirigida 
à vigilância dos próprios atos e dos bens públicos recebe o nome de regime 
jurídico da autotutela. Assim como o tutor fiscaliza a atividade e os bens do 
pupilo, mas há aqui um desdobramento entre sujeito ativo e passivo, exerce 
atividades tutelares sobre si mesma, policiando seus atos e seus bens. A auto-
tutela, exceção no campo privatístico, é regra no direito público. Dela não pode 
a Administração prescindir. A guarda dos direitos e dos interesses legítimos 
é típica e exclusiva do Estado.
[...]. Daí erige-se a autotutela como figura ou 
princípio típico administrativo, sem símile nos outros ramos da ciência jurídica.
A autotutela vinculada à Administração Pública não é uma faculdade, mas 
um princípio atrelado à legalidade, ou seja, sempre que preciso, é obrigação 
do gestor público restaurar a regularidade do ato, podendo até mesmo revogar 
atos inconvenientes ou inoportunos e/ou anulando atos ilegais. A autotutela 
pode ser emanada quando observado algum fato pelos órgãos de controle 
interno ou quando solicitada de forma externa. 
Imaginemos uma repartição pública em que são realizadas, em média, 15 licitações 
por dia, ou seja, a equipe de licitações é grande e, por ela, passa uma centena de docu-
mentos todos os dias. Em uma situação hipotética, imaginemos um contrato público 
firmado por meio de uma licitação e que o valor de determinado item foi firmado 
em R$ 1,00 a mais do que o fechado no procedimento licitatório. Esse documento 
passou pela equipe de licitações, auditoria interna e homologação da autoridade 
competente e nenhum desses setores observou o erro, que só foi constatado ao se 
emitir o primeiro empenho. Nesse caso, ao ser constatado o erro, usamos o princípio 
da autotutela, ou seja, mesmo que o erro seja emanado do setor público, nada impede 
que a Administração Pública volte atrás e corrija determinado erro, inclusive é obrigação 
de ofício, além disso, o erro estaria lesando o erário público.
Controle dos contratos públicos8
3 Controle externo da Administração Pública
Os poderes externos compreendem o Legislativo e Judiciário, bem como 
os Tribunais de Contas. O Quadro 1 apresenta os Poderes dentro da esfera 
governamental.
Esfera/Poder Federal Estadual Municipal
Legislativo
(elabora as leis)
Deputados federais e 
senadores
Deputados 
estaduais
Vereadores
Executivo
(executa as leis)
Presidente e ministros Governador e 
secretários
Prefeito e 
secretários
Judiciário
(julga as leis)
Tribunais federais (Supremo 
Tribunal Federal e Superior 
Tribunal de Justiça)
Tribunais 
estaduais
—
 Quadro 1. Estrutura governamental 
Conforme Quadro 1, vinculados ao controle externo, podem ser incluídos 
o Poder Legislativo e o Poder Judiciário. Antes de definir os Poderes e suas 
atribuições, Guerra (2005, p. 108) apresenta o significado de controle externo:
O controle externo é aquele desempenhado por órgão apartado do outro con-
trolado, tendo por finalidade a efetivação de mecanismos, visando garantir 
a plena eficácia das ações de gestão governamental, porquanto a Adminis-
tração Pública deve ser fiscalizada, na gestão dos interesses da sociedade, 
por órgão de fora de suas partes, impondo atuação em consonância com os 
princípios determinados pelo ordenamento jurídico, como os da legalidade, 
legitimidade, economicidade, moralidade, publicidade, motivação, impes-
soalidade, entre outros.
Mello (2010) exemplifica as funções típicas do Estado, conforme Quadro 2.
9Controle dos contratos públicos
 Fonte: Adaptado de Mello (2010). 
Legislativo
  Função típica: legislativa (elaboração de normas gerais e abstratas).
  Funções atípicas: administrativa (organização dos serviços internos) 
e jurisdicional (Senado julga PR nos crimes de responsabilidade).
Judiciário
  Função típica: jurisdicional (aplicação da lei para solução de 
conflitos).
  Funções atípicas: administrativa (organização dos serviços internos) 
e legislativa (elaboração dos regimentos internos dos tribunais).
Executivo
  Função típica: administrativa (aplicar a lei para prover, de maneira 
imediata e concreta, o interesse público).
  Função atípica: legislativa (p.ex., medidas provisórias); não exerce 
função jurisdicional típica, mas apenas sem definitividade.
 Quadro 2. Funções típicas do Estado 
O Poder Legislativo, em suas três esferas, possui prerrogativas de controle 
externo, podendo ser evocadas sempre que necessário, visando ao bom funcio-
namento da máquina pública e respeitando sempre os princípios constitucionais.
Somam-se aos Poderes Legislativo e Judiciário os Tribunais de Contas, 
que, há muitas décadas, têm atuação forte no controle externo. No entanto, 
a Constituição Federal (BRASIL, 1988, documento on-line) expôs, de forma 
clara e concisa, o seu papel de atuação:
Nos termos dos artigos 70 e 71 da Constituição Federal de 1988 (CF88), o con-
trole externo deve consistir da fiscalização contábil, financeira, orçamentária, 
operacional e patrimonial da administração pública federal, e está a cargo do 
Congresso Nacional, que o exerce com o auxílio do Tribunal de Contas da 
União — TCU. Ao controle externo compete lidar com questões de diversas 
instâncias, como as constantes mudanças ambientais, a evolução tecnológica, o 
ritmo acelerado da produção de informação, a complexidade do Estado e suas 
relações com a sociedade e, simultaneamente, com os anseios da população 
pela qualidade da administração pública. O controle externo visa comprovar 
a probidade da Administração e a regularidade da guarda e do emprego dos 
bens, valores e dinheiros públicos, assim como a fiel execução do orçamento. 
Esse controle é, por excelência, um controle político de legalidade contábil 
e financeira. É importante ressaltar que a CF88 instituiu, pelo artigo 74, que 
“qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima 
para, na forma de lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o 
Tribunal de Contas da União”. Dessa forma, a cidadania é fortalecida pela 
carta constitucional, consolidando um pacto entre o Estado e a sociedade civil 
(BRASIL, 2017, documento on-line).
Controle dos contratos públicos10
O excerto extraído dos arts. 70 e 71 deixa claro a importância dos órgãos 
de controle externo, principalmente na fiscalização da aplicação dos recursos 
públicos e da legalidade dos atos públicos, no que tange às esferas contábil e 
financeira (BRASIL, 1988). 
A Constituição Federal valida amplas competências aos Tribunais de Contas. 
Em tese, qualquer ato administrativo pode ser examinado, bem como os elemen-
tos componentes de sua formação, como autoridade, conformidade com a lei, 
economicidade alcançada e possíveis vícios considerados vitais para anulação/
revogação. Essas questões estão expressas no art. 71, IX, da Constituição Federal. 
Portanto, os Tribunais de contas possuem prerrogativas como (OLIVEIRA, 2018): 
  iniciar procedimentos de fiscalização; 
  determinar ações que julgam ser corretas; 
  fazer valer o que foi expresso, sendo passível aplicar sanções/punições 
previstas em lei para quem não acatar suas determinações. 
Dentro da estrutura de órgãos no Estado brasileiro, nenhum outro órgão/
departamento — ou qualquer que seja sua denominação — possui capacidade 
técnico-operacional para fiscalizar a Administração Pública, como os Tribunais 
de Contas. Assim, sua atuação deve ser a mesma em qualquer uma das esferas, 
seja federal, estadual ou municipal. 
Um outro aliado da fiscalização dos atos governamentais é o Ministério 
Público, que, junto aos Tribunais de Contas, é considerado as primeiras trin-
cheiras de combate à corrupção e aos desvios de condutas, que geralmente 
são constituídos por meio de contratos públicos. Os Ministérios Públicos, 
em geral, atuam nos papéis de fiscalização e em medidas corretivas, como o 
firmamento de termos de ajustamento de gestão (TAGs) ou termos de ajustes 
administrativos (TACs), ambos considerados acordos de cooperação para sanar 
irregularidades encontradas em processos (OLIVEIRA, 2018). 
O desafio de fiscalizar a Administração Pública nas suas mais variadas esferas 
e funções faz os Tribunais de Contas e os Ministérios Públicos atuarem com 
planejamento e inteligência em suas ações, principalmente porque os recursos são 
limitados e há um outro fator que, segundo Oliveira (2018, documento on-line), 
dificulta a atuação desses órgãos, que são as indicações políticas:
A indicação política, seja pelo Parlamento, seja pelo chefe do Poder Executivo, 
tem servido a algumas
aberrações na composição dos tribunais de contas bra-
sileiros. Há conselheiros sem curso superior. Outros com formação totalmente 
divergente do exigido, como odontologia. Há ainda as bizarras indicações de 
11Controle dos contratos públicos
pessoas processadas por improbidade administrativa ou criminalmente por 
crimes contra a administração, até com condenação em segunda instância e há 
casos de compra de vaga de conselheiro mediante pagamento pela antecipação 
de aposentadoria de outro conselheiro, estando já acertado politicamente quem 
vai ocupar a cadeira de magistrado de contas. Quem se dispõe a pagar por vaga 
de conselheiro pretende obter retorno para seu criminoso investimento. Política 
é veneno para os tribunais de contas. Acabar com as indicações políticas é 
salvar os tribunais de contas e dar um grande passo no combate à corrupção.
O enfrentamento dos Tribunais de Contas e dos Ministérios Públicos pode 
afastar as ações corruptivas realizadas por governantes, principalmente no ato 
de fiscalização dos contratos públicos e seus possíveis conluios realizados por 
pessoas de má-fé que desejam lesar a Administração Pública. Os Tribunais de 
Contas e o Ministério Público de Contas são, portanto, peças fundamentais 
no combate à corrupção nos contratos públicos. Se, porventura, essa primeira 
trincheira não estiver funcionando, certamente as demais instituições — como 
o Poder Judiciário e os órgãos de polícia — enfrentarão casos de corrupção em 
série, sem que possam enfrentá-los, uma vez que não possuem a capacidade 
técnica e operacional para realizar esse enfrentamento.
Vimos aqui a relevância do controle social e dos pilares que lhe dão sus-
tentação, como a transparência e a participação popular. Vimos também o 
controle interno, tendo como especificidade o poder que a Administração 
possui para rever ou até mesmo anular seus próprios atos, com vistas ao 
princípio da autotutela. Por fim, vimos o controle externo da Administração 
Pública, tendo como foco os Poderes Legislativo e Judiciário, bem como a 
forte atuação dos Tribunais de Contas no controle externo.
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BRASIL. Lei nº. 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da 
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Pública e dá outras providências. Diário Oficial da União, 22 jun. 1993. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8666cons.htm. Acesso em: 23 jan. 2020.
Controle dos contratos públicos12
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13Controle dos contratos públicos

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