Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

COLÉGIO MONTEIRO LOBATO
A HISTÓRIA DOS FILÓSOFOS PRÉ – SOCRÁTICOS
PAULO AFONSO/BA
30/05/2023
URIEL GUILHERME DE OLIVEIRA CALADO
A HISTÓRIA DOS FILÓSOFOS PRÉ – SOCRÁTICOS
Trabalho apresentado na disciplina de Filosofia do Colégio Monteiro Lobato, sob orientação do professor Armando Júnior.
Paulo Afonso - BA
30/05/2023
A HISTÓRIA DOS FILÓSOFOS PRÉ – SOCRÁTICOS
Os Pré-socráticos
Os filósofos pré-socráticos foram os primeiros a explicarem o mundo sem recorrer ao sobrenatural, sem recorrer ao místico. Anteriormente a eles, o mundo era explicado através da mitologia. A mitologia, no seu tempo, era o que estabelecia as regras sociais e estabeleciam a unidade do povo grego. Os pré-socráticos eram estudiosos da physis (a natureza), aquilo que é natural, que ia em contraposição ao sobrenaturalismo vigente.
O que é filosofia pré-socrática?
A filosofia pré-socrática é o primeiro passo para o desenvolvimento dessa ciência na Grécia Antiga, civilização da Antiguidade Clássica.  Entre os séculos VII e V, estudiosos de diferentes cidades gregas se destacaram por trazer uma nova forma de pensamento, que não era mais baseada na mitologia, mas buscavam fatos e argumentos racionais para explicar fenômenos da natureza e comportamentos dos seres. 
Na divisão filosófica adotou-se o termo “pré-socrático” porque essas ideias surgem imediatamente antes da retórica e maiêutica de Sócrates. Dada a importância deste pensador para a filosofia como um todo, o desapontamento socrático é um marco para classificar os estudiosos.
Para os pré-socráticos, a questão mais importante era entender o mundo e a natureza. Nesse sentido, a maior parte deles se dedicou a encontrar a origem do universo. Para isso, eles observavam a “physis”, palavra grega que significa natureza, e buscavam as respostas racionais para os mais variados assuntos. 
Alguns deles, por exemplo, notaram que a água estava presente em diversos estados da matéria e em grande parte dos seres vivos, então consideraram que esse é o elemento primordial para o desenvolvimento do universo. Outros fizeram o mesmo com o fogo, os números e outros conceitos, como será detalhado a seguir.
Esse momento é um marco importante para a humanidade. Afinal, ainda antes da Era Cristã, indivíduos buscavam respostas racionais com argumentos observáveis para os acontecimentos do cotidiano. Do ponto de vista científico, podemos considerar que esse período é o ponto de partida para que a visão mitológica e religiosa não fosse a resposta para todos os acontecimentos, mas agora a lógica (do grego “logos”) seria outro fundamento relevante.
Pode-se dizer que a filosofia pré-socrática é o princípio da cosmologia, ramo da ciência que abrange todas as dimensões sobre o universo, sua origem, organização e comportamento ao longo do tempo.
Por meio do conceito de “arkhé”, que seria a matéria comum a todas as estruturas do universo, cada filósofo encontrou uma resposta para os questionamentos cosmológicos. E, ao mesmo tempo, alguns estudiosos focaram seus estudos na compreensão dos seres, ciência que é chamado hoje de ontologia.
Quais são os principais filósofos pré-socráticos?
Tais filósofos ficaram conhecidos por romper com um ponto de vista estritamente espiritual para explicar o mundo, propondo uma visão cosmológica construída a partir dos esboços de uma racionalidade. Por isso, são considerados os primeiros filósofos. Entre os mais conhecidos, podemos destacar:
· Pitágoras de Samos;
· Demócrito de Abdera;
· Heráclito de Éfeso;
· Tales de Mileto;
· Parmênides de Eleia;
· Xenófanes de Cólofon;
· Zenão de Eléia.
1. Pitágoras (582 - 497 a. C.)
Pitágoras nasceu na ilha de Samos (no mar Egeu), em berço de ouro - era filho de um comerciante rico.
Com 16 anos começou a estudar com o já famoso Tales de Mileto, que rapidamente percebeu que não tinha só muito para ensinar e como também bastante para aprender. Os dois passaram então a trabalhar juntos fazendo descobertas nas áreas da matemática e da geometria.
Viajante, Pitágoras passeou por uma série de regiões e estudou não só matemática e geometria como também religião, política, filosofia, astronomia e ciências. Ele é o autor do "Teorema de Pitágoras", na matemática.
Mas foi no sul da Itália que fundou a Escola Pitagórica, onde lecionou para uma série de filhos dos aristocratas locais.
Eduquem as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.
2. Demócrito (460-370 a.C.)
Esse filósofo, uns 400 anos antes de Cristo, já achava que todos os elementos do universo eram formados a partir de átomos.
Nascido na Grécia - para ser mais preciso em Abdera - cresceu numa família nobre e teve a oportunidade de viajar bastante. Estudioso, se interessou por uma série de disciplinas como a filosofia, matemática, física e linguística.
Na realidade, não conhecemos nada, pois a verdade está no íntimo.
Infelizmente só tivemos acesso a poucos fragmentos da sua obra, mas o pouco que sabemos foi essencial para dar o pontapé inicial da teoria atomista criada por Lucipo de Mileto, mas desenvolvida por Demócrito.
O átomo, durante séculos, foi uma abstração da filosofia. Apenas em 1661, o cientista Robert Boyle desenvolveu a teoria de que a matéria fosse composta de átomos
3. Heráclito (540-470 a.C.)
Heráclito foi um representante filosófico da Ásia Menor e um dos fundadores da metafísica, dando o pontapé inicial da dialética. É do filósofo a conhecida frase:
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, porque tanto a água quanto o homem mudam incessantemente.
Nascido em Éfeso, numa família tradicional de sacerdotes, passou a vida se dedicando ao estudo do universo e era obcecado por entender o funcionamento do mundo.
Heráclito desenvolveu uma teoria filosófica na qual tudo na natureza estava em permanente transformação - e o fogo teria uma importância fundamental nesse processo. 
4. Tales de Mileto (624-558 a.C.)
Nascido na Grécia - mais precisamente em Mileto -, Tales foi astrônomo, matemático e filósofo. Ele trabalhou inicialmente como mercador até conseguir ter estabilidade financeira para se dedicar majoritariamente à vida intelectual.
Nas suas viagens recolheu uma série de aprendizados: no Egito absorveu conhecimentos de geometria e na Babilônia adquiriu conhecimentos astronômicos. Ele também acreditava ser a água o principal elemento que existe.
O homem rico nem sempre é sábio, mas o homem sábio é sempre rico.
Com uma vida comunitária bastante ativa, Tales - que pertencia à Escola Jônica - foi político na sua cidade e tocou uma série de atividades para o bem comum partilhando os seus conhecimentos de geometria, matemática, filosofia e astronomia.
Anaxímenes de Mileto
Também nascido na cidade grega de Mileto, Anaxímenes propôs que o cosmos fosse originado do ar. Seu argumento leva em consideração que os homens têm um espírito, esse espírito seria formado de ar e, como tudo que está à nossa volta na natureza está recoberto de ar, o estudioso associou que o universo depende do ar para subsistir.
Anaximandro de Mileto
Possível mapa do mundo proposto por Anaximandro
Anaximandro de Mileto foi outro filósofo pré-socrático nascido em Mileto, que, inclusive, aparece como uma cidade importante no desenvolvimento intelectual da Antiguidade Clássica. A teoria proposta por Anaximandro explica que o mundo foi formado a partir de uma matéria infinita, que constitui os seres e os objetos conhecidos.
5. Parmênides (510 445 a. C.)
Parmênides foi fundador, ao lado de Xenófanes e Zenão, da escola eleática. 
Ele nasceu na região onde atualmente se encontra a Itália, no seio de uma família bem sucedida. Com vasta cultura e boa educação, reza a lenda que teve uma vida bastante regrada e manteve um comportamento exemplar.
Em termos de estudo, foi fissurado pela natureza cosmológica e desenvolveu os seus próprios pensamentos originais. Pesquisou não só sobre questões relacionadas à razão e à lógica como também à ciência. 
Ex nihilo nihil fit
(nada surge do nada).
Parmênides chegou a ser mestre de uma série de intelectuais, como, por exemplo,Platão. 
6. Xenófanes (570 - 475 a. C.)
Xenófanes nasceu em Cólofon (na Jônia) e, como nômade, percorreu uma série de lugares na região do mar Mediterrâneo. Poeta, registrou aquilo que viu e pensou sempre sob a forma de verso.
Mas se os bois, os cavalos e os leões tivessem mãos,
ou pudessem desenhar com as mãos e fazer obras como as dos homens,
representariam os deuses, o cavalo semelhante aos cavalos,
o boi aos bois, e fariam corpos
como os seus próprios.
7. Zenão de Eléia (464-1 a.C.) 
Foi discípulo de Parmênides e teve atuação política destacada. Sempre lutando contra os tiranos, conforme expõem Giovanni Reale e Dante Antiseri, chegou mesmo a cortar sua própria língua para não confessar denunciar os companheiros de revolta. Na filosofia, foi um árduo defensor da impossibilidade do movimento, consoante a doutrina de Parmênides. 
Seu método foi o de rejeitar as teorias contrárias a Parmênides pela sua refutação absurda, isto é, mostrando o absurdo das teorias contrárias. Pode-se dizer, assim, que foi um dos precursores da dialética.
Quanto ao movimento, é valiosa sua formulação lógica para negação do movimento ao afirmar que para um objeto se mover de um ponto a outro, deveria percorrer primeiro a metade do percurso, depois, a metade da outra metade, e depois a metade da metade da metade e assim por diante, de forma que sempre restaria uma metade a ser cumprida.
Paradoxo de Zenão - Aquiles jamais alcançaria a tartaruga se sempre tivesse que percorrer metade do caminho restante.
Outro argumento é da flecha que não poderia jamais alcançar o alvo, porque está parada e não em movimento, como mostra a aparência. E explica Zenão, a flecha ocupa um lugar no espaço em cada instante do tempo, e pois, na soma dos instantes, também está parada.
Ao lado de Parmênides e Zenão fundou na Eleia (região da Sicília) a Escola Eleática. Assim como os colegas da mesma geração, Xenófanes estava preocupado sobretudo em compreender o funcionamento do universo, desvinculando-se de qualquer explicação religiosa. Mas isso não significava que o filósofo era ateu, antes pelo contrário: Xenófanes acreditava em um deus único e com poder supremo.
Os títulos associados a seus nomes nos dão pistas para entender um pouco dessa organização da história da filosofia clássica. Eram as cidades de onde se originaram esses pensadores, representando as primeiras divisões de pensamento nessa sociedade.
Filósofos pré-socráticos: principais ideias
Transição de uma consciência mítica para uma consciência filosófica
Podemos classificar como a principal contribuição desses autores. É importante demarcar que aqui se inicia o rompimento com uma tradição puramente transcendental para explicar a realidade, e o início de uma racionalidade empírica.
Assim como nas principais religiões conhecidas, os gregos clássicos recorriam a lendas e mitos para compreender a gênese dos seres humanos e da natureza. Essa tradição era conhecida como cosmogonia, de onde derivam os mitos e deuses conhecidos até hoje na cultura popular: Zeus, Atena, Afrodite, etc.
De maneira resumida, a cosmogonia estabelecia que o mundo foi criado a partir das relações “sexuais” entre esses deuses e forças primitivas. Elementos abstratos como a própria terra (Gaia) e o tempo (Chronos) eram traduzidos socialmente como entidades com características humanas e singulares.
Criação de um ponto de vista cosmológico
Como pode inferir, não havia até então uma diferenciação entre filosofia, religião e um pensamento científico. Os pré-socráticos foram os primeiros a propor uma separação entre esses campos, iniciando o que podemos descrever como uma visão cosmológica da realidade.
Em vez de recorrer a explicações intangíveis e abstratas, eles passaram a procurar na natureza observável os fundamentos do mundo em que viviam. Por isso, são também conhecidos como os filósofos da natureza.
A própria palavra cosmologia nos ajuda a entender essa passagem. O sufixo logos (lógica, razão) presente no termo aponta para esse uso racional do pensamento para explicar tanto a origem do mundo quanto do próprio ser.
As escolas e principais pensadores
A escola jônica recebe esse nome por se referir a filósofos nascidos na Jônia, colônia grega da Ásia Menor. Caracteriza-se pela pergunta a respeito da origem da natureza, para determinar o elemento que deu origem a todos os seres. Os principais filósofos jônicos são Tales, Anaximandro, Anaxímenes e Heráclito. Para Tales, o elemento primordial era a água; para Anaximandro, o universo teria resultado de modificações ocorridas num princípio originário que ele chamou de ápeiron, que tem o sentido de infinito, indeterminado ou ilimitado; para Anaxímenes, a origem de todas as coisas seria modificações num princípio originário que, para ele, seria um ar infinito (pneuma ápeiron), Para Heráclito, o elemento do qual deriva todas as coisas é o fogo.
A escola pitagórica tem seu nome derivado do nome de seu fundador e principal representante: Pitágoras de Samos. Ele defendia que todas as coisas são números e o princípio fundamental de tudo seria a estrutura numérica. Ou seja, o mundo surgiu quando precisou haver uma limitação para o ápeiron e essa limitação eram formas numéricas sobre o espaço. Os pitagóricos faziam um amálgama de concepções, como era comum na época. Desse modo, embora racionais e matemáticos, os pitagóricos também baseavam suas doutrinas em concepções místicas.
Acreditavam que o corpo aprisionava a alma, imortal, e o objetivo da existência seria o de tornar a alma mais pura. A reencarnação era uma consequência desse pensamento, pois a cada vida era possível elevar mais as virtudes da alma e reencarnar-se em uma forma mais elevada. Tinham, portanto, uma visão espiritual da existência. Outros pensadores importantes dessa escola: Filolau, Arquitas e Alcmeón.
A escola eleática tem o nome derivado da cidade de Eleia, ao sul da Itália, lugar onde se situaram seus principais pensadores: Xenófanes, Parmênides, Zenão e Melisso. Caracteriza-se por não procurarem uma explicação da realidade baseada na natureza. Suas preocupações eram mais abstratas e podemos ver nelas o primeiro sopro de uma lógica e de uma metafísica. Defendiam a existência de uma realidade única, por isso são conhecidos também como monistas em oposição ao mobilismo (de Heráclito, principalmente, que acreditava na existência da pluralidade do real). A realidade para eles é única, imóvel, eterna, imutável, sem princípio ou fim, contínua e indivisível.
A escola pluralista, que inclui a escola atomista e os pensadores Anaxágoras e Empédocles, tem esse nome porque seus pensadores não acreditam na existência de um princípio único que seja a origem do universo e sim de vários princípios que se misturam e formam tudo o que conhecemos. Para os atomistas, tudo o que existe é composto de “átomo” e “vazio” que em um processo contínuo de atração e repulsão constituem a realidade existente.
Período final da filosofia pré-socrática
O pensamento pré-socrático começou a decair a partir do momento em que novos pensadores começaram a mudar o foco da natureza para outros elementos importantes, isso se deu principalmente com as grandes transformações das cidades gregas e principalmente a entrada da vida pública e consequentemente as mudanças de hábitos de grande parte da população.
Nesse período, é marcada a entrada de Sócrates (470-399 a.C), visto como principal filósofo da sua época, marcando o início do período antropológico do campo filosófico, colocando as principais questões acerca do homem em foco.
Sócrates é um dos fundadores da constituição do pensamento ocidental, a qual a sua principal filosofia estava embasada no conhecimento de si mesmo em busca do conhecimento do mundo, nesse sentido, ele citou: “Conhece-te a ti mesmo”, ou seja, o autoconhecimento era a centralidade de sua filosofia.
Nesse sentido, ele constitui o “dialogo” através da “Maiêutica” visto como uns dos principais métodos do seu pensamento a qual ele utilizava para buscar a luz do conhecimento verdadeiro e trazer à tona a luz da verdade,que para ele, estava presente na essência do próprio ser.
Os pré-socráticos foram os primeiros a levarem o mundo ao conhecimento científico. Eles deram os passos iniciais para construção de um pensamento racional e, portanto, foram importantíssimos para o progresso da humanidade. Se não fosse por o pontapé que eles deram, nossa civilização não teria progredido tanto.
REFERÊNCIAS
https://italo.com.br/blog/filosofia/os-pre-socraticos/
https://vestibulares.estrategia.com/portal/materias/filosofia/filosofia-pre-socratica/
https://www.ebiografia.com/filosofos_pre_socraticos/
https://resumos.soescola.com/filosofia/filosofos-pre-socraticos/

Mais conteúdos dessa disciplina