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Manifestações oculares de doenças sistêmicas 1 Manifestações oculares de doenças sistêmicas Objetivo Reconhecer pacientes que necessitam de avaliação oftalmológica mesmo se assintomáticos. Importância → acesso à microcirculação e SNC. Fazer FO. Sd. Marfan Alta estatura, membros longos, aracnodactilia, peito escavado e dissecção de aorta. Subluxação do cristlino. Predisposição ao glaucoma. Alta incidência de miopia axial → descolamento de retina. Esclerose tuberosa Autossômico dominante. Retardo mental, epilepsia e adenoma sebáceo. Astrocitomas de retina ou de NO Sd. de Von Hippel-Lindau Hemangioblastoma de retina Aparece entre a 2-3° década de vida e causa BAV. Hemangioblastoma de ME ou cerebelo Tumores, como carcinoma renal ou feocromocitoma, cistos em rins, pâncreas, fígado, ovários, pulmões, policitemia. Anemia falciforme Oclusão de aa. ou vv. Isquemia retiniana Neovascularização da retina (glaucoma neovascular, hemorragia vítrea) Manifestações oculares de doenças sistêmicas 2 Sd. de Sturge-Weber: facomatoses Hemangiomas em pele e meninges. Glaucoma congênito pode estar presente no mesmo lado do nevus flameus, principalmente se a lesão da pele afeta a pálpebra superior Também pode desenvolver hemangioma da episclera ou de corpo ciliar Zika, dengue e chikungunya Anormalidades oculares em lactentes clinicamente diagnosticado com microcefalia relacionada ao zika: Alterações grosseiras da pigmentação macular Atrofia corioretiniana macular Hipoplasia do NO Aumento da escavação Zika → alta inflamação, atrofia retiniana Microangiopatia do HIV Presença de exsudatos algodonosos em toda a retina = isquemia retiniana. Hipoplasia e atrofia corioretiniana Alterações da pigmentação macular, hipoplasia e atrofia corioretiniana Manifestações oculares de doenças sistêmicas 3 Associação com CMV → retina “queijo com ketchup”. Rosácea Eritema facial e formação de pústulas, pápulas e telangiectasias na fase inflamatória. Blefaroconjuntivite, meibomite (inflamação das glândulas de Meibômio localizadas nas pálpebras) e telangiectasias na margem palpebral Hordéolos (infecção bacteriana das glândulas sebáceas e sudoríparas, localizadas nas pálpebras) recorrentes e calázio (processo não infeccioso por oclusão da glândula meibomiana) são frequentes Eritema multiforme Máculas que evoluem para vesículas e úlceras autolimitadas. Conjuntivite bilateral com lesões (crostas) nas pálpebras; leva à: Cicatrização com formação de simbléfaro e queratinização Aderências por conta de alta inflamação na episclera Relação com Stephen-Johnson. Doença de Behçet Pan-uveíte com hipópio Retinite, vitreíte e fenômenos vaso-oclusivos decorrentes de periflebite Manifestações oculares de doenças sistêmicas 4 Xeroderma pigmentoso Aumento da sensibilidade cutânea à luz solar com incapacidade de recuperação celular ao dano causado pelos raios UV e surgimento de lesões neoplásicas malignas. Ceratoconjuntivite seca Deformidades palpebrais com ceratite de exposição Neoplasias conjuntivais (CEC) Colagenoses e vasculites AR → ceratoconjuntivite seca, esclerite, ceratite e uveíte AIJ → uveíte bilateral assintomática Esclerodermia → olho seco e cicatrização palpebral Granulomatose de Wegner → conjuntivite, esclerite, uveíte anterior e vasculite retiniana LES → esclerite, olho seco e vasculite retiniana Sd. Sjogren Doença sistêmica inflamatória crônica que afeta, principalmente, gll. salivares e lacrimais → xeroftalmia e xerostomia. Doença primária ou associadas a outras doenças autoimunes (AR, LES, graves). Dx com teste de Schimer (fluoresceína) e rosa bengala → tem tempo de quebra de filme lacrimal diminuído. Orbitopatia de Graves Doença autoimune com acometimento orbitário, que causa inflamação de todos os tecidos da órbita. 90% com acometimento sistêmico. SINTOMAS: Retração palpebral Exoftalmia “Escleroshow” - exposição da esclera inferior Estrabismo Neurite compressiva Hiperemia ou não Compressão da a. central da retina. Retinopatia hipertensiva Elevação da PA aguda geralmente provoca vasoconstrição reversível nos vasos sanguíneos da retina, e crise hipertensiva pode causar edema do DO. Hipertensão mais grave ou prolongada leva a alterações vasculares exsudativas como consequência de lesão endotelial e necrose. Outras mudanças (p. ex., o espessamento da parede das arteríolas, nicking arteriovenosa), normalmente, requerem anos de PA elevada para se desenvolver. Tabagismo complica os efeitos adversos da retinopatia hipertensiva. Se a HAS se mantem de forma crônica, ocorrem anormalidades arterioloscleróticas na parede: Manifestações oculares de doenças sistêmicas 5 1. Espessamento da camada muscular e elástica 2. Depósito de material hialino e colágeno a longo prazo, resultando em artérias em fio de cobre e fio de prata Se a HAS é severa e de curta evolução, poderá apresentar uma retinopatia hipertensiva sem sinais de esclerose arteriolar. Se a HAS é muito severa e se instala de forma aguda (HAS maligna ou acelerada), observaremos uma coroidopatia hipertensiva. Os sintomas geralmente só se desenvolvem no final da doença e incluem visão turva ou defeitos do campo visual. Nas fases iniciais, FO identifica constrição arteriolar, com uma diminuição na relação entre a largura das arteríolas retinianas e das vênulas da retina. Se mal controlada, a HAS crônica pode causar: Estreitamento do calibre arterial permanente Cruzamentos arteriovenosos patológicos (entalhe arteriovenoso) Arteriosclerose com mudanças moderadas da parede vascular (fios de cobre) para mais hiperplasia da parede vascular e espessamento (fiação de prata) Por vezes, ocorre oclusão vascular total. Entalhe arteriovenoso é um dos principais fatores de predisposição para o desenvolvimento de uma oclusão do ramo da v. da retina. Se a doença aguda é grave, podem ocorrer: Hemorragias superficiais em forma de chama Focos superficiais brancos e pequenos de isquemia da retina (exsudatos algodonosos) Exsudatos duros amarelos Edema de DO GRAVIDEZ - ACHADOS SISTÊMICOS: Maior produção de cortisol, renina, angiotensina e aldosterona Aumento do volume circulante Aumento do gasto cardíaco Diminuição da imunidade celular e humoral TOXEMIA GRAVÍDICA → sd. caracterizada por hipertensão, proteinúria, edema e ganho de peso, no 3° trimestre da gravidez: HAS, edema e proteinúria na 2° metade do período gestacional Aumenta a mortalidade perinatal Eclâmpsia → associação com convulsão FR → multiparidade, primigesta jovem, doença hemolítica do RN Descolametno seroso bilateral → pré-eclâmpsia e eclâmpsia; reversível JOVENS → maior comprometimento isquêmico (manchas algodonosas). Sem esclerose. Manifestações oculares de doenças sistêmicas 6 Retinopatia diabética Principal causa de cegueira nos EUA. 3° causa de cegueira no Brasil. Em 20a de evolução de diabetes, 90% apresentarão RD, que tem correlação direta com nefropatia. Perda visual por edema macular. Manifestações da retinopatia diabética incluem microaneurismas, hemorragia intrarretiniana, exsudatos, edema e isquemia maculares, neovascularização, hemorragia vítrea e descolamento da retina de tração. Às vezes, os sintomas só se desenvolvem no final da doença. Retinopatia hipertensiva moderada → desbastes, aa. retas; hemorragias intrarretinianas e exsudatos duros amarelos Exsudatos lipídicos, manchas algodonosas e cruzamentos patológicos Manifestações oculares de doenças sistêmicas 7 DM1: Ao diagnóstico, ausência de retinopatia >5a de dx, 25% RDNP (não proliferativa) → FO >20a de dx, 90% RDP (proliferativa) e RDNP DM2: Ao diagnóstico, 5% RDNP >5a de dx, 30% RDNP >20a de dx, 50% RDP RDNP (de fundo) → causa aumento da permeabilidade capilar, microaneurismas, hemorragias, exsudatos, isquemia macular e edema macular (espessamento da retina causado pelo extravasamento de líquido a partir dos capilares) RDP → se desenvolve após a retinopatia não proliferativa e é mais grave; pode causar hemorragia vítrea e descolamento daretina de tração; formação de vasos novos anormais (neovascularização), que ocorre na superfície (vítreo) interna da retina, e pode estender-se para dentro da cavidade vítrea, causando hemorragia vítrea. A neovascularização é, muitas vezes, acompanhada por tecido fibroso pré-retínico que, juntamente com o vítreo, pode se contrair, resultando em descolamento da retina de tração. A neovascularização também pode ocorrer no segmento anterior do olho sobre a íris; pode ocorrer crescimento da membrana neovascular no ângulo da câmera anterior do olho na margem periférica da íris, e esse crescimento leva a glaucoma neovascular. FR: Duração da doença → mais tempo de doença, maior o risco Controle clínico da doença → correlação entre o mal controle clínico e RD Doença renal → proteinúria HAS mal controlada Tabagismo Gestação Dislipidemias Perda visual pode ocorrer por edema, maculopatia e proliferação fibrovascular, com descolamentos de retina. Manifestações oculares de doenças sistêmicas 8 Retinopatia da prematuridade Descolamento de retina periférico. FISIOPATOLOGIA: A vida intrauterina é em hipóxia. Crescimento retiniano pós-útero é estimulado pelo VEGF. Mediadores químicos regulam áreas a serem vascularizadas. Hiperopia → retina deixa de avançar Retina avascular torna-se isquêmica → shunts e nevosos Exame → mapeamento de retina com depressão escleral FR: Baixo peso (≤1500g) Baixa IG (≤30 semanas) Oxigênio suplementar prolongado Hemorragia intraventricular Sd. desconforto respiratório Sepse Nascimentos múltiplos Raça branca TTO → fotocoagulação laser ou anti-VEGF intraocular HSV e VZV: uveíte anterior Uveíte anterior aguda ou crônica. PKs estrelados (Fuchs, toxo, sífilis). Atrofia de íris. TOXOPLASMOSE → uveítes. Manifestações oculares de doenças sistêmicas 9 Tuberculose Manifestações oftalmológicas variadas. Sarcoidose Uveíte anterior aguda ou crônica (2/3 dos casos de sarcoidose ocular). Sífilis Manchas, irregularidades, elevações e descolamento. Hemorragias intrarretinianas. Fotofobia, uveíte, BAV, visão turva. Manifestações oculares de doenças sistêmicas 10