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Rogério Murback Caielli INTRODUÇÃO AO DESIGN DE INFORMAÇÃO Sumário 1 INTRODUÇÃO ���������������������������������������������� 3 FUNDAMENTOS DA INFORMAÇÃO ��������������� 4 PROCESSO DE EXTRAÇÃO, CRIAÇÃO E MANIPULAÇÃO DE INFORMAÇÃO COM FOCO NO DESIGN GRÁFICO E DIGITAL ��������� 9 APLICAÇÕES DO DESIGN DE INFORMAÇÃO 17 Sinalização �������������������������������������������������������������������������� 18 Embalagens ������������������������������������������������������������������������� 25 Infografia ����������������������������������������������������������������������������� 27 CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������33 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS ��������������������������������������������35 2 INTRODUÇÃO Informação: esse é o assunto que trataremos neste e-book� Parece um assunto familiar, pois vivemos em uma imersão, mergulhados em um fluxo interminável de informações que passam por nós diariamente� Tomar consciência disso é ter em mãos a possibilidade de trabalhar de forma positiva e construtiva. Mas é necessário também o entendimento de que “nem tudo o que reluz é ouro”, precisamos ter o discernimento de que informações por si só são neutras, mas, dependendo do ângulo, do recorte em que as usamos, poderemos ter um resultado X ou Y� Para difundir, disseminar uma informação, o de- signer pode se valer de algumas possibilidades que estão ao seu alcance e, aviso: os designers não devem ser produtores de fake news, nossas informações devem sempre ser tratadas com a devida atenção, buscando o ato de comunicar, de forma visual ou não, mas comunicar sempre no sentido do esclarecimento, uma mensagem que visa a eliminar ruídos e distorções em relação aos nossos objetivos e projetos� 3 FUNDAMENTOS DA INFORMAÇÃO Começaremos este capítulo de trás para frente, do final para o começo, do presente para o passado. Faremos uma reflexão juntos e traçaremos um panorama sobre o objeto principal deste texto: a informação� Comecemos por observar ao nosso redor� Perceba o seu cotidiano, veja a quantidade de informação, visual ou não, a qual somos submetidos� Esta- mos na era da informação, nunca tivemos tanto acesso a ela� Ao acessarmos nossos dispositivos comunicacionais (esse é o nome dos nossos equipamentos de comunicação numa linguagem mais técnica e as tecnologias envolvidas nesse processo são chamadas de neo tecnologias co- municacionais) entramos em contato com todo o conteúdo disponível na atualidade, seja por meio de sites, blogs, aplicativos e redes sociais, utilizando nossos computadores, tablets ou mesmo celulares� Se retrocedermos na linha do tempo, descobriremos que nem sempre foi assim� O acesso à informação era bem restrito e precário, havia de confiável as bibliotecas: as enciclopédias e obras de referência em seus determinados segmentos, livros físicos que eram tidos como a “bíblia” de tal assunto� Por 4 esse cenário navegávamos, sem poder contar com toda a sorte de equipamentos que temos hoje à disposição� Você já se imaginou sem o seu PC, seu tablet, ou pior ainda sem o seu celular? Com certeza teríamos crises de abstinência� E de que adiantaria ter tudo isso sem boas conexões de rede? Pois saibam que na década de 1970 o telefone fixo era artigo de luxo e, em alguns casos, ele era até alugado. O computador pessoal na década de 1980 também era artigo raro e as conexões de internet até o final da década de 1990 eram bem precárias. Ou seja, hoje temos os recursos e os meios para nos man- termos submersos nessa enxurrada de informação. A necessidade por informação acompanha o ser humano em sua marcha, desde as cavernas, em que foram descobertas algumas pinturas represen- tativas, o que chamamos de pinturas rupestres, até nossas escritas primeiras, cuneiforme, pictogra- mas e símbolos, pois o homem já sentia alguma necessidade de transmitir algo para alguém, por meio de algum registro� Eram feitas placas de argila em que essa escrita era inserida e que, curiosamente, também eram chamadas de tablets, tablets de argila onde se re- gistrava a escrita cuneiforme� Registro, orientação, comunicação e mídia, termo que pode ser traduzido 5 por meio, estavam interligadas� A informação pauta não só as descobertas da humanidade, bem como proporciona o seu desenvolvimento� Imagine só se tudo o que tivesse sido escrito e descoberto não estivesse mais disponível em lugar nenhum� Por muito tempo, e em muitas culturas, a tradição oral se fez presente justamente para que esse patrimônio fosse preservado. Ainda hoje existem comunidades que vivem dessa transmissão oral de conhecimentos, mas não é o que podemos notar na maioria das sociedades� Os textos védicos, que se estima terem mais de 4000 anos de existência e foram a base do siste- ma de escrituras sagradas hinduístas, foram uma das primeiras formas de registro oral de tradições e conhecimentos da humanidade de que se tem conhecimento. Posteriormente, outras civilizações também tiveram seus registros guardados em forma de textos, em diversos suportes, de papiros no Antigo Egito a papel de arroz, peles de animais, argilas etc� Com o aprimoramento da escrita e dos meios de impressão, o que se acentuou após a invenção da prensa por Gutemberg, começamos a imprimir e ter registros variados de diversas fontes� As cartas náuticas, mapas e enciclopédias atendiam a uma necessidade de informação: rotas, caminhos e 6 conhecimento de diversas partes do mundo organi- zado, então, em livros� Mas a que interesses essas compilações das informações e do conhecimento estavam sendo subservientes? Essa é uma questão muito comum e não é de hoje que a informação e o conhecimento sobre algo estão conectados� Qual parte desse vasto campo do conhecimento não nos foi disponibilizado? Que visão nos foi construída a partir de um recorte específico de informações e que nos fizeram crer que o mundo é assim porque é? Estamos fixos num ponto de vista selecionado por algum critério e essas informações nos abastecem com esses fatos ou aqueles, conforme a conveniência de quem seleciona e edita todo esse material� Nós, como produtores de imagens e informações, designers, pensadores em geral, publicitários e afins, estamos uma etapa acima do processo. Não somos meros consumidores de informação, sem nenhum filtro, somos produtores dessas imagens, mensagens e informações, ou seja, temos um pensamento crítico em relação a esse panorama� Obviamente, estamos vinculados a instituições que definem o perfil desse material todo e nem sempre cabe a nós decidirmos o rumo de um pro- jeto, proposta editorial ou mesmo um conceito a ser aplicado num aplicativo, levando em conta a experiência do usuário. 7 Aqui entraremos em contato com a seleção e apre- sentação de informações de diversas formas e, para isso, analisaremos alguns casos particulares para que possamos ter ideia de como gerencia- mos isto tudo, da forma que for mais adequada aos nossos propósitos e projetos. Infográficos, infodesign, sinalização, tudo isso está relacionado à informação, sua apresentação, sua divulgação e sua intenção� 8 PROCESSO DE EXTRAÇÃO, CRIAÇÃO E MANIPULAÇÃO DE INFORMAÇÃO COM FOCO NO DESIGN GRÁFICO E DIGITAL Existe design sem informação? Qual a função do design? Seria informar de forma visual ou até mesmo conceitual, e por que não literal, algo? Algo que nos desse, por exemplo, uma indicação sobre as possíveis cartografias exploratórias em que posso me movimentar? Como seriam essas interações sem o design? Como seria informar sem um planejamento prévio que antecede a veiculação de tal informação? Muitas questões não é mesmo? Mas você não precisa resolvê-las agora, pois fazem parte desse pacote reflexivo que propomos, para que reverbere e cause um estranhamento toda vez que você for trabalhar em algum projeto de design e não se esquecer que acoplado a ele temos o efeito de comunicar e de informar, seja lá por quais vias foremescolhidas� Voltemos aos exemplos dos mapas e enciclopé- dias. Qual era a função específica de um mapa, de uma carta náutica, de uma cartografia? Orientar, 9 posicionar, direcionar� Pois bem, esses materiais foram os precursores do Waze, Google Maps e outros aplicativos de localização e navegação� Eles informam algo de uma forma gráfica, apesar de alguns desses aplicativos possuírem a locu- ção direcionando nossos caminhos, um áudio de suporte, assim como temos em alguns casos de sinalização, um texto de suporte, com a intenção de reforçar a mensagem passada pela imagem� Ou seja: mapas, aplicativos, GPS etc� nos fornecem informações de forma visual, gráfica. Por extensão, podemos incluir nessas categorias a sinalização� Sim ou não? Em uma escala menor, mas não menos importante, a sinalização também nos orienta, também nos informa, dentro de espaços fechados, como um prédio, um shopping center, metrô ou aeroporto, ou em locais abertos, como em uma rodovia ou um parque� Pense você em algum lugar desses sem nenhuma placa de informação� Complicado, não é mesmo? Agora imagine que ao invés de termos um ícone, algo comum em placas de trânsito, tivéssemos uma pessoa falando o que tem de ser feito� Ou mesmo no shopping, ao invés das placas, um enorme texto dizendo para onde você deverá ir. 10 A função desses elementos de sinalização é in- formar de maneira concisa, rápida e eficiente, e aí entra o trabalho do designer� Ficou claro? Mas vamos adiante, agora com um exemplo um pouco mais complexo. Pensemos em dados estatísticos� Dados de qual- quer natureza, pode ser de lucros, prejuízos, mortes, vidas, quantidade de alguma coisa, quantidade de alguma coisa em relação a algo, tudo isso em tabelas enormes, gráficos complexos e relatórios maçantes� Teríamos essa informação disposta de uma forma, digamos, não tão digerível assim, ou melhor: tudo isso com uma dificuldade grande de leitura, análise e parametrização. Imagine ter que ler sobre todos esses dados estatísticos: seriam folhas e mais folhas de dados e análises que seriam extremamente cansativos de serem analisados. Então vem a seguinte pergunta: como seria colocar todos esses dados visualmente de maneira fácil e eficiente para a compreensão? Como seria algo que o leitor ou receptor dessas informações/men- sagens pudesse entender prontamente, sem ter que ler inúmeras páginas de dados para chegar a alguma conclusão? Pronto! Chegamos ao conceito de infografia e, numa camada mais profunda, de infodesign� 11 Porém, ressaltamos aqui que o design, em seu con- ceito mais amplo e expandido não se limita apenas a criar bonequinhos e coisinhas bonitinhas, aqui estamos trabalhando com informação, no campo das ideias, e concebendo modelos mentais para que isso aconteça de maneira eficiente. Posto isso, concluímos que uma atitude projetual e um planejamento se faz necessário, uma coerên- cia e uma metodologia, uma análise acurada dos dados, das informações que serão selecionadas e apresentadas de maneira a serem facilmente entendidas, captadas pelos receptores dessas mensagens, com o mínimo de ruído possível na transmissão desses dados� De novo: não existe um infodesigner ou mesmo um webdesigner em si, mas sim um designer que trabalha com web e aplicativos, um designer que trabalha com informações, e assim por diante. Na atividade do designer, o design, obviamente, pre- cede suas aplicações, portanto esse profissional segue, ou deveria seguir, os ritos do trabalho de designer. Você perceberá, mais tarde, que essa visão mais rigorosa quanto a essas aplicações será de enorme valia quando você for desenvolver seus futuros projetos� Voltando para a parte final desta explanação, até agora falamos de informação visual, mapas e info- 12 gráficos, porém agora falaremos da informação em si, trazendo o conceito de enciclopédia e memória para essas reflexões. Pensemos: como posso saber de tudo? Será que hoje conseguimos acessar todas as informações que precisamos saber com certa eficiência, cla- ridade e rapidez? Parcialmente, talvez� Por hora, uma pergunta: para que serve uma enciclopédia? A palavra enciclopédia vem do grego e significa “educação circular”, “conhecimento geral”� A enci- clopédia moderna, como a conhecemos hoje, tem origem no século 18 e foi derivada do dicionário. Ela pretendia juntar todo o conhecimento do mundo, com muitos volumes e ilustrações, aglutinava o que se poderia saber até então. Existiam muitas enciclopédias temáticas, que cuidavam de assun- tos particulares, a as de saberes universais, assim como hoje temos, por exemplo, a Wikipedia. SAIBA MAIS Você sabe o que é wiki? “Um wiki é uma linguagem de marcação utilizada em website que contém hipertexto e hiperligações, para uso com software wiki, no qual utilizadores modificam colaborativamente o conteúdo e a estrutura diretamente usando um navegador web, editado com a ajuda de um editor de texto enriquecido�” SAIBA MAIS 13 https://pt.wikipedia.org/wiki/Linguagem_de_marca%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_web https://pt.wikipedia.org/wiki/Hipertexto https://pt.wikipedia.org/wiki/Hiperliga%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Software_wiki https://pt.wikipedia.org/wiki/Software_colaborativo https://pt.wikipedia.org/wiki/Web_browser https://pt.wikipedia.org/wiki/Editor_de_texto_enriquecido Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki Segundo a própria Wikipedia, em 2016 ela possuía cinco milhões de artigos em sua plataforma. Por ser uma plataforma colaborativa, pode ser editada por diversas pessoas devidamente cadastradas� Não há uma centralização das informações, ela não serve a um só “senhor”, a informação pode vir de diversas fontes, com diferentes interesses� Por um lado, isso é bom, pois não há uma visão preponderante sobre a informação, porém, sem o devido cuidado, as fontes podem não ter tanta credibilidade e em determinados assuntos podem ser tendenciosas� Podemos notar que, para lidarmos com informação, é necessário um método para a seleção adequada do material que será exposto, seja graficamente ou mesmo textualmente, como é o caso da própria Wikipedia� A enciclopédia também é uma forma de apresenta- ção de informação. Os dados estão lá compilados alfabeticamente, por exemplo, e podemos acessar essa informação compilada por meio do seu ín- dice. Já na Wikipedia não há um índice e sim um “motor de busca” uma engine, que fazendo uso das linguagens de marcação localizam o texto dentro do hipertexto. 14 https://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki Linguagem de marcação em inglês é markup lan- guage, da familiar HyperText Markup Language (HTML), linguagem muito conhecida pelos desen- volvedores web� Então, a informação se encontra dissociada de um índice e associada por meio de uma marcação� Podemos dizer que uma “#” (hashtag) é uma forma de marcação e uma tag também é uma forma de marcação e de recupe- ração de informação� Ou seja, tanto as antigas enciclopédias quanto os modernos algoritmos recuperam a sua informação de alguma forma e é isso que temos que ter em mente: recuperar informação com eficiência e com qualidade� Na questão da qualidade, devemos observar e verificar se a devida informação tem alguma credibilidade dentre as publicações de referência e de notório saber� Por exemplo: ao publicarmos um texto sobre co- municação, como este, será que ele tem validade acadêmica? Como verificamos? Quem é o autor? Mestre em Comunicação e Semiótica� Que autores segue? Suas referências? Tem experiência? Já le- cionou? Tudo isso compõe um feixe de informações que validam este texto, além de estar sob a tutela de uma instituição de Ensino Superior� Porém, se esse mesmo autor for escrever sobre Medicina, pode ser que não seja tão proeminente, 15 pois não é seu campo de saber� Isso se aplica a toda informação a ser selecionada antes de fazer parte de seu projeto de informação� Não é o caso das fake news, tão presentes nomundo de hoje, pois há uma diferença entre a credibilidade das fontes� No caso das fake news a informação é manipulada e distorcida deliberadamente. Já no caso de uma fonte sem credibilidade escrevendo sobre algo que não é especificamente a área de seu saber, pode estar sujeita a erros e gerar más referências� Tudo isso que foi discutido até então é a base e o fundamento para que possamos lidar com a infor- mação de maneira correta e de como selecionar as fontes para que quando formos desenvolver nossos projetos tenhamos um bom material em nossas mãos� 16 APLICAÇÕES DO DESIGN DE INFORMAÇÃO As aplicações do design de informação podem ser classificadas como aplicações para os meios digitais e analógicos, e é importante fazer essa distinção tendo em base o que foi discutido an- teriormente no que se refere à extração e criação de informações. Podemos começar pelas aplicações mais comuns em nosso cotidiano: aplicativos, redes sociais, web, UX (experiência do usuário), smartphones, tablets, notebooks, games etc., todos de carácter digital. Já no campo físico temos as placas de sinaliza- ção, os sistemas de orientação (em inglês o way finding), os livros, gráficos, relatórios impressos, infográficos impressos em diversas mídias, como jornais, revistas e relatórios e embalagens� Sim, inclusive as embalagens, por que não? Não seria uma embalagem uma estrutura que além de proteger o produto também serve para promover e informar? Informar sobre o quê? Sobre outros produtos da linha, bem como informações nutri- cionais e técnicas a respeito do produto, no caso de alimentícios especificamente, além de conter instruções de uso, no caso de objetos e alguns eletrodomésticos, que, por sua vez, em sua grande 17 maioria, vêm acompanhados de um manual em que constam as informações sobre o produto e seu uso correto� Assim, podemos deduzir que as aplicações não diferem muito dos campos usuais que tangenciam as atividades dos designers� O design capacita o profissional a atuar em diversas frentes, obviamen- te que alguns designers optam por determinado segmento, mas isso de forma alguma inviabiliza o seu pensamento criativo e metodológico para a solução de problemas� Estudemos aqui doravante alguns exemplos em que a informação se faz necessária e que compõe com o design uma dupla interessante e eficiente para veicular informações e dados. SINALIZAÇÃO Uma das formas mais usuais de entrarmos em contato com o design de informação é por meio da sinalização, pois ela se faz presente no nosso cotidiano de maneira contundente� Um projeto de sinalização tenta contemplar as necessidades de seus usuários que precisam ser informados do funcionamento de determinada localidade ou equipamento urbano, mas levando-se em consi- deração as restrições e requisições do espaço a ser explorado. 18 Por exemplo: um shopping tem algumas áreas de acesso restrito, porém um mapa de localização, mesmo que digital, já resolve o nosso caso. Nele estamos na maioria das vezes a lazer e o tempo não é um fator preponderante, como no caso dos aeroportos, por exemplo. Em um terminal de embarque a sinalização tem que ser precisa e eficiente, pois perder um voo não é lá tão simples como perder um trem no metrô� Observaremos abaixo alguns exemplos de sina- lização em diferentes ambientes� Neste primeiro exemplo temos a sinalização com totens e placas informativas do Safari Park, na Califórnia: 19 Figura 1: Sinalização com totens indicativos de cami- nho e mapa de localização geral do parque Safari Park, Califórnia Fonte: Tingli, Jiong e Kong (2013)� A seguir, a mesma temática, porém no Jardim Botânico de Porto Alegre� É interessante perce- bermos a adequação do projeto de sinalização 20 ao ambiente: temos dois parques que são a céu aberto e o grande destaque é a natureza� Então os elementos de sinalização criam um diálogo com os elementos apresentados na natureza� Figura 2: Vista geral de alguns elementos de sinalização do Jardim Botânico de Porto Alegre Fonte: Tingli, Jiong e Kong (2013)� 21 Na sequência, analisaremos um sistema de sina- lização urbana da cidade de Bath, no Reino Unido� Nesse exemplo, podemos nos atentar ao detalhe da sinalização e, portanto, da informação nos equi- pamentos urbanos. Depois, teremos um exemplo de uma Midiateca em Paris� Observe com atenção esses exemplos e perceba como há uma enorme variabilidade na linguagem visual empregada, ou seja: a informação deve ser previamente coletada, no início do projeto, para posteriormente ser pro- duzida em escala profissional. Além dos materiais e formas envolvidas nesse processo de criação, perceba que as cores, a paleta cromática, estão de acordo com o tema, bem como as seleções da família tipográfica, configurando assim um projeto de design em si mesmo� 22 Figura 3: Sistema de sinalização municipal da cidade de Bath, no Reino Unido Fonte: Tingli, Jiong e Kong (2013)� 23 Figura 4: Sinalização da Midiateca Margeritte Youcennar, em Paris Fonte: Tingli, Jiong e Kong (2013)� 24 SAIBA MAIS Caso queira saber mais sobre o universo da sinaliza- ção, a instituição possui um excelente livro disponível na Biblioteca Virtual para você começar seus estudos: D’AGOSTINI, D� Design de sinalização� São Paulo: Blu- cher, 2017� EMBALAGENS Outra possibilidade de aplicação do infodesign pode ser percebida nas embalagens� A embalagem tem como função armazenar, proteger, conservar, promover e, finalmente, informar o seu produto. As informações referentes a esses produtos podem ser de ordem técnica, como a sua composição química, e, como no caso de embalagens de pro- dutos alimentícios, informações nutricionais e de preparo� Além disso, as embalagens promovem a marca com o valor agregado do design em sua constru- ção e desenvolvimento, como no caso da Apple e outras empresas que se utilizam da embalagem como um elemento de reforço próprio da marca e para divulgar outros produtos da mesma linha ou mesmo de outras linhas da empresa� SAIBA MAIS 25 Ao invés de mostrar inúmeras embalagens que também fazem parte do cotidiano, vamos propor uma atividade que não dará trabalho algum: colete durante uma semana todas as embalagens carto- nadas (de papel), de diferentes produtos, mas de preferência alimentícios� Analise a sua estrutura por diferentes ângulos, por exemplo: sua estrutura, dobras e pontos de cola, sua cor, paleta cromática predominante, família tipográfica, adequação do projeto com o produto e, finalmente, as informa- ções, sejam elas de qualquer natureza, nutricionais, técnicas ou promocionais, pois tudo isso “cabe” em um projeto de embalagem� Ao coletar suas embalagens, você poderá medir também a quantidade de lixo que você gera por uma semana e isso pode ser reduzido ao se ado- tar métodos para consumir menos embalagens, utilizar materiais que possam ser retornáveis e dar prioridade às embalagens que têm um ciclo de reciclagem estabelecido, como o papelão e o alumínio, por exemplo, o que não é o caso do plástico. Procure descobrir como é estruturada a sua embalagem, como é construída e qual o seu real potencial para informar� 26 SAIBA MAIS Um clássico no mundo das embalagens é o livro do Professor Fábio Mestriner, um pioneiro no estudo das embalagens, o livro é Design de embalagens: curso básico. É um ótimo começo. Há também o livro Design de embalagens: curso avançado, ambos publicados pela Editora Pearson Universidades� Além disso, tem o site do professor, https://www.mestri- ner.com.br/, que contém material de excelente qualidade para seus estudos e de forma gratuita� E, como não poderia faltar, o canal do YouTube: https:// www.youtube.com/channel/UC_qyCmHxjlGl3kFIo-mL0Hg, sobre assuntos relativos ao universo da embalagem� INFOGRAFIA Vamos agora propor uma pesquisa, que de certa forma abreviará muito a nossa discussão sobre o que é infografia. Ressaltamos a importância de se trabalhar criteriosamente com as informações,pois elas são a parte fundamental do desenvolvimento de um bom infográfico, obviamente associadas a uma linguagem visual interessante e que possibilite estabelecer vínculos comunicacionais com o nosso receptor� Ou seja: o que tem que ser dito deve ser dito claramente e entendido com a quantidade mínima de ruído� SAIBA MAIS 27 https://www.mestriner.com.br/ https://www.mestriner.com.br/ https://www.youtube.com/channel/UC_qyCmHxjlGl3kFIo-mL0Hg https://www.youtube.com/channel/UC_qyCmHxjlGl3kFIo-mL0Hg A dinâmica que queremos propor para essa parte é a seguinte: navegue livremente neste site: https:// www.canva.com/pt_br/. Experimente e siga além das instruções, use sua intuição, deixe de lado suas teorias sobre user experience (UX) e interaja, ele foi feito para não designers fazerem um pouco de design� O Canva será aqui nosso editor de info- gráfico para que possamos descobrir elementos gráficos e de fluxo de informação conforme a plataforma sugere� Vá para a sessão: Crie um Infográfico� Automa- ticamente, pedirá para que você selecione um Template� Escolha um de sua predileção, pois isso é só um teste, fique à vontade. Ao selecionar o Template perceba que ele é totalmente editável. Observe abaixo do painel Template o painel Ele- mentos: há uma enorme biblioteca de imagens e símbolos que você poderá usar livremente. Edite e configure o seu infográfico. Há uma infinidade de recursos abertos, porém algumas aplicações fazem parte do pacote “pró”, e para usá-las você terá que assinar. Vamos a um exemplo produzido especialmente para este material: 28 https://www.canva.com/pt_br/ https://www.canva.com/pt_br/ Figura 5: Infográfico desenvolvido utilizando-se o progra- ma Canva Fonte: elaborado pelo autor� 29 Todos os elementos são editáveis e você pode in- serir imagens suas em cima do Template oferecido� Observe abaixo a interface do programa e algumas de suas funcionalidades, para posteriormente concluirmos com algumas reflexões. Primeiro a interface do programa: Figura 6: Interface do programa Canva com os templates disponíveis Fonte: elaborado pelo autor� FIQUE ATENTO Trabalhar com templates pode economizar um bocado de tempo, porém nem sempre é bom� Perceba que, apesar de poder reconfigurar seus templates, você corre o risco de ter algo que outros também terão e, dependendo de sua utilização, isso pode ser bem complicado, por isso perceba qual será o uso e a necessidade de exclusividade. REFLITASAIBA MAISFIQUE ATENTO 30 Agora, vamos a algumas funcionalidades: Figura 7: Elementos gráficos do Canva Fonte: elaborado pelo autor� FIQUE ATENTO Assim como os templates, os elementos gráficos ofere- cidos não são exclusivos. Isso indica que provavelmente muitos usarão os mesmos elementos gráficos dispo- níveis na biblioteca do Canva� Aconselhamos você a desenvolver seus próprios elementos gráficos de acordo com a solicitação de seus clientes� Sobre a finalização do processo, é importante res- saltar que você pode salvar em alguns formatos na versão free, como PDF, JPEG e GIF� Além de poder criar um infográfico animado. REFLITASAIBA MAISFIQUE ATENTO 31 Figura 8: Algumas aplicações extras do programa Canva Fonte: elaborado pelo autor� Concluindo nossas reflexões, podemos utilizar programas que nos ofereçam algum grau de au- tomação, porém isso pode colocar em risco o ine- ditismo e a criatividade de seus projetos� Imagine só se todos os sites, blogs e jornais utilizassem ferramentas desse tipo: todo esse universo seria igual� Você até pode utilizar um template contanto que edite os elementos gráficos e outros recursos disponíveis com a intenção de dar um toque mais pessoal e criativo, utilizando seus próprios elemen- tos e apenas se valendo da estrutura fixa oferecida pelo programa� Avalie bem os possíveis usos do programa e a possibilidade de usar a versão paga, que lhe oferecerá uma gama maior de ferramentas e mais liberdade criativa� 32 CONSIDERAÇÕES FINAIS Iniciamos a nossa conversa basicamente falando do universo da comunicação, de como lidar com a informação, tendo em vista que ela é o núcleo dos processos comunicacionais� Sem ela a mensagem não tem por que existir. Trabalhar qualitativamente com a informação também deve ser uma preocupa- ção nossa, pois na atualidade estamos submetidos a um enorme fluxo informacional. Separar o que é de fato algo útil e de boa contribuição de um outro tipo de material não tão qualificado pode ser uma tarefa árdua nessa “selva”. Refletimos sobre a informação como um todo, em seu aspecto geral, e posteriormente suas aplica- ções já direcionadas para o universo do design. Os meios de aplicação mais usuais e utilizados aqui foram as embalagens, a sinalização e finalmente os infográficos. Abordamos um aplicativo que nos possibilita criar conteúdo para as redes digitais e desenvolver rapidamente infográficos estáticos e animados. Neste e-book demonstramos apenas as funções referentes aos infográficos estáticos, deixando a seu cargo desenvolver novas possibilidades com o auxílio da ferramenta. 33 Por fim, adotamos uma postura mais reflexiva na utilização desses recursos de automação via templates prontos e elementos gráficos pré-esta- belecidos, estimulando que você produza seu pró- prio material, sempre analisando as requisições e restrições de cada cliente. Levem sempre isso em consideração e boa capacidade de discernimento� 34 Referências Bibliográficas & Consultadas ALVES, W� P� Adobe Illustrator CC: descobrindo e conquistando� São Paulo: Érica, 2013� [Minha Biblioteca]� CARDOSO, L� C� Design digital� Curitiba: InterSaberes, 2021� [Biblioteca Virtual]� CAVALCANTE, S� A� Ilustração e artes gráficas� São Paulo: Blucher, 2014� [Minha Biblioteca]� CAVALCANTE, S� A�; CAMPELLO, S� R� B� B� Ilustração e artes gráficas: periódicos da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (1875-1939)� São Paulo: Blucher, 2014� [Minha Biblioteca]� D’AGOSTINI, D� Design de sinalização� São Paulo: Blucher, 2017� [Biblioteca Virtual]� HARBER, K� Masters of Science Fiction and Fantasy Art� Massachusetts: Rock Port, 2011� MESTRINER, F� Design de embalagens: curso básico. 2. ed. São Paulo: Pearson, 2001. PERUYERA, M� Diagramação e layout� Curitiba: InterSaberes, 2018� [Biblioteca Virtual]� SALGADO, L� A� Z� Arte digital� Curitiba: InterSaberes, 2020� [Biblioteca Virtual]� SPARROW, K� Anime Art: easel does it� New York: Harper Design, 2005� SWANSON, A� Science of Yoga: understand the anatomy and physiology to perfect your practice� Ilustrador: Arran Lawis� Londres: Editora DK, 2019� TINGLI, M�; JIONG, L�; KONG, C� Way of the Sign III� Hong Kong: Artpower, 2013� TOWNSEND, L� Drawing Action Comics: easel does it� New York: Harper Design, 2005� ZEEGEN, L; CRUSH� Fundamentos de ilustração. Porto Alegre: BOOKMAN, 2009� [Minha Biblioteca]� _GoBack 1 Introdução Fundamentos da informação Processo de extração, criação e manipulação de informação com foco no design gráfico e digital Aplicações do Design de Informação Sinalização Embalagens Infografia Considerações finais Referências Bibliográficas & Consultadas