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Rogério Murback Caielli
INTRODUÇÃO AO DESIGN 
DE INFORMAÇÃO
Sumário
1 INTRODUÇÃO ���������������������������������������������� 3
FUNDAMENTOS DA INFORMAÇÃO ��������������� 4
PROCESSO DE EXTRAÇÃO, CRIAÇÃO E 
MANIPULAÇÃO DE INFORMAÇÃO COM 
FOCO NO DESIGN GRÁFICO E DIGITAL ��������� 9
APLICAÇÕES DO DESIGN DE INFORMAÇÃO 17
Sinalização �������������������������������������������������������������������������� 18
Embalagens ������������������������������������������������������������������������� 25
Infografia ����������������������������������������������������������������������������� 27
CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������33
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & 
CONSULTADAS ��������������������������������������������35
2
INTRODUÇÃO
Informação: esse é o assunto que trataremos 
neste e-book� Parece um assunto familiar, pois 
vivemos em uma imersão, mergulhados em um 
fluxo interminável de informações que passam 
por nós diariamente� Tomar consciência disso é 
ter em mãos a possibilidade de trabalhar de forma 
positiva e construtiva. Mas é necessário também o 
entendimento de que “nem tudo o que reluz é ouro”, 
precisamos ter o discernimento de que informações 
por si só são neutras, mas, dependendo do ângulo, 
do recorte em que as usamos, poderemos ter um 
resultado X ou Y�
Para difundir, disseminar uma informação, o de-
signer pode se valer de algumas possibilidades 
que estão ao seu alcance e, aviso: os designers 
não devem ser produtores de fake news, nossas 
informações devem sempre ser tratadas com a 
devida atenção, buscando o ato de comunicar, de 
forma visual ou não, mas comunicar sempre no 
sentido do esclarecimento, uma mensagem que 
visa a eliminar ruídos e distorções em relação aos 
nossos objetivos e projetos�
3
FUNDAMENTOS DA 
INFORMAÇÃO
Começaremos este capítulo de trás para frente, do 
final para o começo, do presente para o passado. 
Faremos uma reflexão juntos e traçaremos um 
panorama sobre o objeto principal deste texto: a 
informação�
Comecemos por observar ao nosso redor� Perceba 
o seu cotidiano, veja a quantidade de informação, 
visual ou não, a qual somos submetidos� Esta-
mos na era da informação, nunca tivemos tanto 
acesso a ela� Ao acessarmos nossos dispositivos 
comunicacionais (esse é o nome dos nossos 
equipamentos de comunicação numa linguagem 
mais técnica e as tecnologias envolvidas nesse 
processo são chamadas de neo tecnologias co-
municacionais) entramos em contato com todo o 
conteúdo disponível na atualidade, seja por meio de 
sites, blogs, aplicativos e redes sociais, utilizando 
nossos computadores, tablets ou mesmo celulares�
Se retrocedermos na linha do tempo, descobriremos 
que nem sempre foi assim� O acesso à informação 
era bem restrito e precário, havia de confiável as 
bibliotecas: as enciclopédias e obras de referência 
em seus determinados segmentos, livros físicos 
que eram tidos como a “bíblia” de tal assunto� Por 
4
esse cenário navegávamos, sem poder contar com 
toda a sorte de equipamentos que temos hoje à 
disposição�
Você já se imaginou sem o seu PC, seu tablet, ou 
pior ainda sem o seu celular? Com certeza teríamos 
crises de abstinência� E de que adiantaria ter tudo 
isso sem boas conexões de rede? Pois saibam 
que na década de 1970 o telefone fixo era artigo 
de luxo e, em alguns casos, ele era até alugado. O 
computador pessoal na década de 1980 também 
era artigo raro e as conexões de internet até o final 
da década de 1990 eram bem precárias. Ou seja, 
hoje temos os recursos e os meios para nos man-
termos submersos nessa enxurrada de informação.
A necessidade por informação acompanha o ser 
humano em sua marcha, desde as cavernas, em 
que foram descobertas algumas pinturas represen-
tativas, o que chamamos de pinturas rupestres, até 
nossas escritas primeiras, cuneiforme, pictogra-
mas e símbolos, pois o homem já sentia alguma 
necessidade de transmitir algo para alguém, por 
meio de algum registro�
Eram feitas placas de argila em que essa escrita 
era inserida e que, curiosamente, também eram 
chamadas de tablets, tablets de argila onde se re-
gistrava a escrita cuneiforme� Registro, orientação, 
comunicação e mídia, termo que pode ser traduzido 
5
por meio, estavam interligadas� A informação pauta 
não só as descobertas da humanidade, bem como 
proporciona o seu desenvolvimento� Imagine só 
se tudo o que tivesse sido escrito e descoberto 
não estivesse mais disponível em lugar nenhum�
Por muito tempo, e em muitas culturas, a tradição 
oral se fez presente justamente para que esse 
patrimônio fosse preservado. Ainda hoje existem 
comunidades que vivem dessa transmissão oral de 
conhecimentos, mas não é o que podemos notar 
na maioria das sociedades�
Os textos védicos, que se estima terem mais de 
4000 anos de existência e foram a base do siste-
ma de escrituras sagradas hinduístas, foram uma 
das primeiras formas de registro oral de tradições 
e conhecimentos da humanidade de que se tem 
conhecimento. Posteriormente, outras civilizações 
também tiveram seus registros guardados em 
forma de textos, em diversos suportes, de papiros 
no Antigo Egito a papel de arroz, peles de animais, 
argilas etc�
Com o aprimoramento da escrita e dos meios de 
impressão, o que se acentuou após a invenção da 
prensa por Gutemberg, começamos a imprimir e 
ter registros variados de diversas fontes� As cartas 
náuticas, mapas e enciclopédias atendiam a uma 
necessidade de informação: rotas, caminhos e 
6
conhecimento de diversas partes do mundo organi-
zado, então, em livros� Mas a que interesses essas 
compilações das informações e do conhecimento 
estavam sendo subservientes?
Essa é uma questão muito comum e não é de hoje 
que a informação e o conhecimento sobre algo 
estão conectados� Qual parte desse vasto campo 
do conhecimento não nos foi disponibilizado? Que 
visão nos foi construída a partir de um recorte 
específico de informações e que nos fizeram crer 
que o mundo é assim porque é? Estamos fixos 
num ponto de vista selecionado por algum critério 
e essas informações nos abastecem com esses 
fatos ou aqueles, conforme a conveniência de quem 
seleciona e edita todo esse material�
Nós, como produtores de imagens e informações, 
designers, pensadores em geral, publicitários e 
afins, estamos uma etapa acima do processo. Não 
somos meros consumidores de informação, sem 
nenhum filtro, somos produtores dessas imagens, 
mensagens e informações, ou seja, temos um 
pensamento crítico em relação a esse panorama� 
Obviamente, estamos vinculados a instituições 
que definem o perfil desse material todo e nem 
sempre cabe a nós decidirmos o rumo de um pro-
jeto, proposta editorial ou mesmo um conceito a 
ser aplicado num aplicativo, levando em conta a 
experiência do usuário.
7
Aqui entraremos em contato com a seleção e apre-
sentação de informações de diversas formas e, 
para isso, analisaremos alguns casos particulares 
para que possamos ter ideia de como gerencia-
mos isto tudo, da forma que for mais adequada 
aos nossos propósitos e projetos. Infográficos, 
infodesign, sinalização, tudo isso está relacionado 
à informação, sua apresentação, sua divulgação 
e sua intenção�
8
PROCESSO DE EXTRAÇÃO, 
CRIAÇÃO E MANIPULAÇÃO 
DE INFORMAÇÃO COM 
FOCO NO DESIGN GRÁFICO 
E DIGITAL
Existe design sem informação? Qual a função 
do design? Seria informar de forma visual ou até 
mesmo conceitual, e por que não literal, algo? 
Algo que nos desse, por exemplo, uma indicação 
sobre as possíveis cartografias exploratórias em 
que posso me movimentar? Como seriam essas 
interações sem o design? Como seria informar sem 
um planejamento prévio que antecede a veiculação 
de tal informação?
Muitas questões não é mesmo? Mas você não 
precisa resolvê-las agora, pois fazem parte desse 
pacote reflexivo que propomos, para que reverbere 
e cause um estranhamento toda vez que você for 
trabalhar em algum projeto de design e não se 
esquecer que acoplado a ele temos o efeito de 
comunicar e de informar, seja lá por quais vias 
foremescolhidas�
Voltemos aos exemplos dos mapas e enciclopé-
dias. Qual era a função específica de um mapa, de 
uma carta náutica, de uma cartografia? Orientar, 
9
posicionar, direcionar� Pois bem, esses materiais 
foram os precursores do Waze, Google Maps e 
outros aplicativos de localização e navegação� 
Eles informam algo de uma forma gráfica, apesar 
de alguns desses aplicativos possuírem a locu-
ção direcionando nossos caminhos, um áudio de 
suporte, assim como temos em alguns casos de 
sinalização, um texto de suporte, com a intenção 
de reforçar a mensagem passada pela imagem�
Ou seja: mapas, aplicativos, GPS etc� nos fornecem 
informações de forma visual, gráfica. Por extensão, 
podemos incluir nessas categorias a sinalização� 
Sim ou não?
Em uma escala menor, mas não menos importante, 
a sinalização também nos orienta, também nos 
informa, dentro de espaços fechados, como um 
prédio, um shopping center, metrô ou aeroporto, 
ou em locais abertos, como em uma rodovia ou 
um parque�
Pense você em algum lugar desses sem nenhuma 
placa de informação� Complicado, não é mesmo? 
Agora imagine que ao invés de termos um ícone, 
algo comum em placas de trânsito, tivéssemos uma 
pessoa falando o que tem de ser feito� Ou mesmo 
no shopping, ao invés das placas, um enorme texto 
dizendo para onde você deverá ir.
10
A função desses elementos de sinalização é in-
formar de maneira concisa, rápida e eficiente, e 
aí entra o trabalho do designer� Ficou claro? Mas 
vamos adiante, agora com um exemplo um pouco 
mais complexo.
Pensemos em dados estatísticos� Dados de qual-
quer natureza, pode ser de lucros, prejuízos, mortes, 
vidas, quantidade de alguma coisa, quantidade 
de alguma coisa em relação a algo, tudo isso em 
tabelas enormes, gráficos complexos e relatórios 
maçantes� Teríamos essa informação disposta de 
uma forma, digamos, não tão digerível assim, ou 
melhor: tudo isso com uma dificuldade grande de 
leitura, análise e parametrização. Imagine ter que 
ler sobre todos esses dados estatísticos: seriam 
folhas e mais folhas de dados e análises que seriam 
extremamente cansativos de serem analisados.
Então vem a seguinte pergunta: como seria colocar 
todos esses dados visualmente de maneira fácil 
e eficiente para a compreensão? Como seria algo 
que o leitor ou receptor dessas informações/men-
sagens pudesse entender prontamente, sem ter 
que ler inúmeras páginas de dados para chegar a 
alguma conclusão? Pronto! Chegamos ao conceito 
de infografia e, numa camada mais profunda, de 
infodesign�
11
Porém, ressaltamos aqui que o design, em seu con-
ceito mais amplo e expandido não se limita apenas 
a criar bonequinhos e coisinhas bonitinhas, aqui 
estamos trabalhando com informação, no campo 
das ideias, e concebendo modelos mentais para 
que isso aconteça de maneira eficiente.
Posto isso, concluímos que uma atitude projetual 
e um planejamento se faz necessário, uma coerên-
cia e uma metodologia, uma análise acurada dos 
dados, das informações que serão selecionadas 
e apresentadas de maneira a serem facilmente 
entendidas, captadas pelos receptores dessas 
mensagens, com o mínimo de ruído possível na 
transmissão desses dados�
De novo: não existe um infodesigner ou mesmo 
um webdesigner em si, mas sim um designer que 
trabalha com web e aplicativos, um designer que 
trabalha com informações, e assim por diante. Na 
atividade do designer, o design, obviamente, pre-
cede suas aplicações, portanto esse profissional 
segue, ou deveria seguir, os ritos do trabalho de 
designer. Você perceberá, mais tarde, que essa 
visão mais rigorosa quanto a essas aplicações 
será de enorme valia quando você for desenvolver 
seus futuros projetos�
Voltando para a parte final desta explanação, até 
agora falamos de informação visual, mapas e info-
12
gráficos, porém agora falaremos da informação em 
si, trazendo o conceito de enciclopédia e memória 
para essas reflexões.
Pensemos: como posso saber de tudo? Será que 
hoje conseguimos acessar todas as informações 
que precisamos saber com certa eficiência, cla-
ridade e rapidez? Parcialmente, talvez� Por hora, 
uma pergunta: para que serve uma enciclopédia?
A palavra enciclopédia vem do grego e significa 
“educação circular”, “conhecimento geral”� A enci-
clopédia moderna, como a conhecemos hoje, tem 
origem no século 18 e foi derivada do dicionário. Ela 
pretendia juntar todo o conhecimento do mundo, 
com muitos volumes e ilustrações, aglutinava o 
que se poderia saber até então. Existiam muitas 
enciclopédias temáticas, que cuidavam de assun-
tos particulares, a as de saberes universais, assim 
como hoje temos, por exemplo, a Wikipedia.
SAIBA MAIS
Você sabe o que é wiki?
“Um wiki é uma linguagem de marcação utilizada em 
website que contém hipertexto e hiperligações, para 
uso com software wiki, no qual utilizadores modificam 
colaborativamente o conteúdo e a estrutura diretamente 
usando um navegador web, editado com a ajuda de um 
editor de texto enriquecido�”
SAIBA MAIS
13
https://pt.wikipedia.org/wiki/Linguagem_de_marca%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_web
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hipertexto
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hiperliga%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Software_wiki
https://pt.wikipedia.org/wiki/Software_colaborativo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Web_browser
https://pt.wikipedia.org/wiki/Editor_de_texto_enriquecido
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki
Segundo a própria Wikipedia, em 2016 ela possuía 
cinco milhões de artigos em sua plataforma. Por 
ser uma plataforma colaborativa, pode ser editada 
por diversas pessoas devidamente cadastradas� 
Não há uma centralização das informações, ela 
não serve a um só “senhor”, a informação pode 
vir de diversas fontes, com diferentes interesses� 
Por um lado, isso é bom, pois não há uma visão 
preponderante sobre a informação, porém, sem 
o devido cuidado, as fontes podem não ter tanta 
credibilidade e em determinados assuntos podem 
ser tendenciosas�
Podemos notar que, para lidarmos com informação, 
é necessário um método para a seleção adequada 
do material que será exposto, seja graficamente 
ou mesmo textualmente, como é o caso da própria 
Wikipedia�
A enciclopédia também é uma forma de apresenta-
ção de informação. Os dados estão lá compilados 
alfabeticamente, por exemplo, e podemos acessar 
essa informação compilada por meio do seu ín-
dice. Já na Wikipedia não há um índice e sim um 
“motor de busca” uma engine, que fazendo uso das 
linguagens de marcação localizam o texto dentro 
do hipertexto.
14
https://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki
Linguagem de marcação em inglês é markup lan-
guage, da familiar HyperText Markup Language 
(HTML), linguagem muito conhecida pelos desen-
volvedores web� Então, a informação se encontra 
dissociada de um índice e associada por meio 
de uma marcação� Podemos dizer que uma “#” 
(hashtag) é uma forma de marcação e uma tag 
também é uma forma de marcação e de recupe-
ração de informação�
Ou seja, tanto as antigas enciclopédias quanto os 
modernos algoritmos recuperam a sua informação 
de alguma forma e é isso que temos que ter em 
mente: recuperar informação com eficiência e com 
qualidade� Na questão da qualidade, devemos 
observar e verificar se a devida informação tem 
alguma credibilidade dentre as publicações de 
referência e de notório saber�
Por exemplo: ao publicarmos um texto sobre co-
municação, como este, será que ele tem validade 
acadêmica? Como verificamos? Quem é o autor? 
Mestre em Comunicação e Semiótica� Que autores 
segue? Suas referências? Tem experiência? Já le-
cionou? Tudo isso compõe um feixe de informações 
que validam este texto, além de estar sob a tutela 
de uma instituição de Ensino Superior�
Porém, se esse mesmo autor for escrever sobre 
Medicina, pode ser que não seja tão proeminente, 
15
pois não é seu campo de saber� Isso se aplica a 
toda informação a ser selecionada antes de fazer 
parte de seu projeto de informação� Não é o caso 
das fake news, tão presentes nomundo de hoje, 
pois há uma diferença entre a credibilidade das 
fontes� No caso das fake news a informação é 
manipulada e distorcida deliberadamente. Já no 
caso de uma fonte sem credibilidade escrevendo 
sobre algo que não é especificamente a área de 
seu saber, pode estar sujeita a erros e gerar más 
referências�
Tudo isso que foi discutido até então é a base e o 
fundamento para que possamos lidar com a infor-
mação de maneira correta e de como selecionar 
as fontes para que quando formos desenvolver 
nossos projetos tenhamos um bom material em 
nossas mãos�
16
APLICAÇÕES DO DESIGN 
DE INFORMAÇÃO
As aplicações do design de informação podem 
ser classificadas como aplicações para os meios 
digitais e analógicos, e é importante fazer essa 
distinção tendo em base o que foi discutido an-
teriormente no que se refere à extração e criação 
de informações.
Podemos começar pelas aplicações mais comuns 
em nosso cotidiano: aplicativos, redes sociais, web, 
UX (experiência do usuário), smartphones, tablets, 
notebooks, games etc., todos de carácter digital.
Já no campo físico temos as placas de sinaliza-
ção, os sistemas de orientação (em inglês o way 
finding), os livros, gráficos, relatórios impressos, 
infográficos impressos em diversas mídias, como 
jornais, revistas e relatórios e embalagens�
Sim, inclusive as embalagens, por que não? Não 
seria uma embalagem uma estrutura que além de 
proteger o produto também serve para promover 
e informar? Informar sobre o quê? Sobre outros 
produtos da linha, bem como informações nutri-
cionais e técnicas a respeito do produto, no caso 
de alimentícios especificamente, além de conter 
instruções de uso, no caso de objetos e alguns 
eletrodomésticos, que, por sua vez, em sua grande 
17
maioria, vêm acompanhados de um manual em 
que constam as informações sobre o produto e 
seu uso correto�
Assim, podemos deduzir que as aplicações não 
diferem muito dos campos usuais que tangenciam 
as atividades dos designers� O design capacita o 
profissional a atuar em diversas frentes, obviamen-
te que alguns designers optam por determinado 
segmento, mas isso de forma alguma inviabiliza 
o seu pensamento criativo e metodológico para a 
solução de problemas�
Estudemos aqui doravante alguns exemplos em 
que a informação se faz necessária e que compõe 
com o design uma dupla interessante e eficiente 
para veicular informações e dados.
SINALIZAÇÃO
Uma das formas mais usuais de entrarmos em 
contato com o design de informação é por meio 
da sinalização, pois ela se faz presente no nosso 
cotidiano de maneira contundente� Um projeto 
de sinalização tenta contemplar as necessidades 
de seus usuários que precisam ser informados 
do funcionamento de determinada localidade ou 
equipamento urbano, mas levando-se em consi-
deração as restrições e requisições do espaço a 
ser explorado.
18
Por exemplo: um shopping tem algumas áreas de 
acesso restrito, porém um mapa de localização, 
mesmo que digital, já resolve o nosso caso. Nele 
estamos na maioria das vezes a lazer e o tempo 
não é um fator preponderante, como no caso 
dos aeroportos, por exemplo. Em um terminal de 
embarque a sinalização tem que ser precisa e 
eficiente, pois perder um voo não é lá tão simples 
como perder um trem no metrô�
Observaremos abaixo alguns exemplos de sina-
lização em diferentes ambientes� Neste primeiro 
exemplo temos a sinalização com totens e placas 
informativas do Safari Park, na Califórnia:
19
Figura 1: Sinalização com totens indicativos de cami-
nho e mapa de localização geral do parque Safari Park, 
Califórnia
Fonte: Tingli, Jiong e Kong (2013)�
A seguir, a mesma temática, porém no Jardim 
Botânico de Porto Alegre� É interessante perce-
bermos a adequação do projeto de sinalização 
20
ao ambiente: temos dois parques que são a céu 
aberto e o grande destaque é a natureza� Então os 
elementos de sinalização criam um diálogo com 
os elementos apresentados na natureza�
Figura 2: Vista geral de alguns elementos de sinalização 
do Jardim Botânico de Porto Alegre
Fonte: Tingli, Jiong e Kong (2013)�
21
Na sequência, analisaremos um sistema de sina-
lização urbana da cidade de Bath, no Reino Unido� 
Nesse exemplo, podemos nos atentar ao detalhe 
da sinalização e, portanto, da informação nos equi-
pamentos urbanos. Depois, teremos um exemplo 
de uma Midiateca em Paris� Observe com atenção 
esses exemplos e perceba como há uma enorme 
variabilidade na linguagem visual empregada, ou 
seja: a informação deve ser previamente coletada, 
no início do projeto, para posteriormente ser pro-
duzida em escala profissional. Além dos materiais 
e formas envolvidas nesse processo de criação, 
perceba que as cores, a paleta cromática, estão 
de acordo com o tema, bem como as seleções da 
família tipográfica, configurando assim um projeto 
de design em si mesmo�
22
Figura 3: Sistema de sinalização municipal da cidade de 
Bath, no Reino Unido
Fonte: Tingli, Jiong e Kong (2013)�
23
Figura 4: Sinalização da Midiateca Margeritte Youcennar, 
em Paris
Fonte: Tingli, Jiong e Kong (2013)�
24
SAIBA MAIS 
Caso queira saber mais sobre o universo da sinaliza-
ção, a instituição possui um excelente livro disponível 
na Biblioteca Virtual para você começar seus estudos:
D’AGOSTINI, D� Design de sinalização� São Paulo: Blu-
cher, 2017�
EMBALAGENS
Outra possibilidade de aplicação do infodesign 
pode ser percebida nas embalagens� A embalagem 
tem como função armazenar, proteger, conservar, 
promover e, finalmente, informar o seu produto. As 
informações referentes a esses produtos podem 
ser de ordem técnica, como a sua composição 
química, e, como no caso de embalagens de pro-
dutos alimentícios, informações nutricionais e de 
preparo�
Além disso, as embalagens promovem a marca 
com o valor agregado do design em sua constru-
ção e desenvolvimento, como no caso da Apple e 
outras empresas que se utilizam da embalagem 
como um elemento de reforço próprio da marca e 
para divulgar outros produtos da mesma linha ou 
mesmo de outras linhas da empresa�
SAIBA MAIS
25
Ao invés de mostrar inúmeras embalagens que 
também fazem parte do cotidiano, vamos propor 
uma atividade que não dará trabalho algum: colete 
durante uma semana todas as embalagens carto-
nadas (de papel), de diferentes produtos, mas de 
preferência alimentícios� Analise a sua estrutura 
por diferentes ângulos, por exemplo: sua estrutura, 
dobras e pontos de cola, sua cor, paleta cromática 
predominante, família tipográfica, adequação do 
projeto com o produto e, finalmente, as informa-
ções, sejam elas de qualquer natureza, nutricionais, 
técnicas ou promocionais, pois tudo isso “cabe” 
em um projeto de embalagem�
Ao coletar suas embalagens, você poderá medir 
também a quantidade de lixo que você gera por 
uma semana e isso pode ser reduzido ao se ado-
tar métodos para consumir menos embalagens, 
utilizar materiais que possam ser retornáveis e 
dar prioridade às embalagens que têm um ciclo 
de reciclagem estabelecido, como o papelão e 
o alumínio, por exemplo, o que não é o caso do 
plástico. Procure descobrir como é estruturada a 
sua embalagem, como é construída e qual o seu 
real potencial para informar�
26
SAIBA MAIS
Um clássico no mundo das embalagens é o livro do 
Professor Fábio Mestriner, um pioneiro no estudo das 
embalagens, o livro é Design de embalagens: curso 
básico. É um ótimo começo. Há também o livro Design 
de embalagens: curso avançado, ambos publicados pela 
Editora Pearson Universidades�
Além disso, tem o site do professor, https://www.mestri-
ner.com.br/, que contém material de excelente qualidade 
para seus estudos e de forma gratuita�
E, como não poderia faltar, o canal do YouTube: https://
www.youtube.com/channel/UC_qyCmHxjlGl3kFIo-mL0Hg, 
sobre assuntos relativos ao universo da embalagem�
INFOGRAFIA
Vamos agora propor uma pesquisa, que de certa 
forma abreviará muito a nossa discussão sobre o 
que é infografia. Ressaltamos a importância de se 
trabalhar criteriosamente com as informações,pois 
elas são a parte fundamental do desenvolvimento 
de um bom infográfico, obviamente associadas a 
uma linguagem visual interessante e que possibilite 
estabelecer vínculos comunicacionais com o nosso 
receptor� Ou seja: o que tem que ser dito deve ser 
dito claramente e entendido com a quantidade 
mínima de ruído�
SAIBA MAIS
27
https://www.mestriner.com.br/
https://www.mestriner.com.br/
https://www.youtube.com/channel/UC_qyCmHxjlGl3kFIo-mL0Hg
https://www.youtube.com/channel/UC_qyCmHxjlGl3kFIo-mL0Hg
A dinâmica que queremos propor para essa parte é 
a seguinte: navegue livremente neste site: https://
www.canva.com/pt_br/. Experimente e siga além 
das instruções, use sua intuição, deixe de lado 
suas teorias sobre user experience (UX) e interaja, 
ele foi feito para não designers fazerem um pouco 
de design� O Canva será aqui nosso editor de info-
gráfico para que possamos descobrir elementos 
gráficos e de fluxo de informação conforme a 
plataforma sugere�
Vá para a sessão: Crie um Infográfico� Automa-
ticamente, pedirá para que você selecione um 
Template� Escolha um de sua predileção, pois 
isso é só um teste, fique à vontade. Ao selecionar 
o Template perceba que ele é totalmente editável. 
Observe abaixo do painel Template o painel Ele-
mentos: há uma enorme biblioteca de imagens e 
símbolos que você poderá usar livremente. Edite 
e configure o seu infográfico.
Há uma infinidade de recursos abertos, porém 
algumas aplicações fazem parte do pacote “pró”, 
e para usá-las você terá que assinar. Vamos a 
um exemplo produzido especialmente para este 
material:
28
https://www.canva.com/pt_br/
https://www.canva.com/pt_br/
Figura 5: Infográfico desenvolvido utilizando-se o progra-
ma Canva
Fonte: elaborado pelo autor�
29
Todos os elementos são editáveis e você pode in-
serir imagens suas em cima do Template oferecido� 
Observe abaixo a interface do programa e algumas 
de suas funcionalidades, para posteriormente 
concluirmos com algumas reflexões. Primeiro a 
interface do programa:
Figura 6: Interface do programa Canva com os templates 
disponíveis
Fonte: elaborado pelo autor�
FIQUE ATENTO
Trabalhar com templates pode economizar um bocado de 
tempo, porém nem sempre é bom� Perceba que, apesar 
de poder reconfigurar seus templates, você corre o risco 
de ter algo que outros também terão e, dependendo de 
sua utilização, isso pode ser bem complicado, por isso 
perceba qual será o uso e a necessidade de exclusividade.
REFLITASAIBA MAISFIQUE ATENTO
30
Agora, vamos a algumas funcionalidades:
Figura 7: Elementos gráficos do Canva
Fonte: elaborado pelo autor�
FIQUE ATENTO 
Assim como os templates, os elementos gráficos ofere-
cidos não são exclusivos. Isso indica que provavelmente 
muitos usarão os mesmos elementos gráficos dispo-
níveis na biblioteca do Canva� Aconselhamos você a 
desenvolver seus próprios elementos gráficos de acordo 
com a solicitação de seus clientes�
Sobre a finalização do processo, é importante res-
saltar que você pode salvar em alguns formatos na 
versão free, como PDF, JPEG e GIF� Além de poder 
criar um infográfico animado.
REFLITASAIBA MAISFIQUE ATENTO
31
Figura 8: Algumas aplicações extras do programa Canva
Fonte: elaborado pelo autor�
Concluindo nossas reflexões, podemos utilizar 
programas que nos ofereçam algum grau de au-
tomação, porém isso pode colocar em risco o ine-
ditismo e a criatividade de seus projetos� Imagine 
só se todos os sites, blogs e jornais utilizassem 
ferramentas desse tipo: todo esse universo seria 
igual� Você até pode utilizar um template contanto 
que edite os elementos gráficos e outros recursos 
disponíveis com a intenção de dar um toque mais 
pessoal e criativo, utilizando seus próprios elemen-
tos e apenas se valendo da estrutura fixa oferecida 
pelo programa� Avalie bem os possíveis usos do 
programa e a possibilidade de usar a versão paga, 
que lhe oferecerá uma gama maior de ferramentas 
e mais liberdade criativa�
32
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Iniciamos a nossa conversa basicamente falando 
do universo da comunicação, de como lidar com a 
informação, tendo em vista que ela é o núcleo dos 
processos comunicacionais� Sem ela a mensagem 
não tem por que existir. Trabalhar qualitativamente 
com a informação também deve ser uma preocupa-
ção nossa, pois na atualidade estamos submetidos 
a um enorme fluxo informacional. Separar o que é 
de fato algo útil e de boa contribuição de um outro 
tipo de material não tão qualificado pode ser uma 
tarefa árdua nessa “selva”.
Refletimos sobre a informação como um todo, em 
seu aspecto geral, e posteriormente suas aplica-
ções já direcionadas para o universo do design. Os 
meios de aplicação mais usuais e utilizados aqui 
foram as embalagens, a sinalização e finalmente 
os infográficos.
Abordamos um aplicativo que nos possibilita criar 
conteúdo para as redes digitais e desenvolver 
rapidamente infográficos estáticos e animados. 
Neste e-book demonstramos apenas as funções 
referentes aos infográficos estáticos, deixando a 
seu cargo desenvolver novas possibilidades com 
o auxílio da ferramenta.
33
Por fim, adotamos uma postura mais reflexiva 
na utilização desses recursos de automação via 
templates prontos e elementos gráficos pré-esta-
belecidos, estimulando que você produza seu pró-
prio material, sempre analisando as requisições e 
restrições de cada cliente. Levem sempre isso em 
consideração e boa capacidade de discernimento�
34
Referências Bibliográficas 
& Consultadas
ALVES, W� P� Adobe Illustrator CC: descobrindo 
e conquistando� São Paulo: Érica, 2013� [Minha 
Biblioteca]�
CARDOSO, L� C� Design digital� Curitiba: 
InterSaberes, 2021� [Biblioteca Virtual]�
CAVALCANTE, S� A� Ilustração e artes gráficas� 
São Paulo: Blucher, 2014� [Minha Biblioteca]�
CAVALCANTE, S� A�; CAMPELLO, S� R� B� B� 
Ilustração e artes gráficas: periódicos da 
Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco 
(1875-1939)� São Paulo: Blucher, 2014� [Minha 
Biblioteca]�
D’AGOSTINI, D� Design de sinalização� São 
Paulo: Blucher, 2017� [Biblioteca Virtual]�
HARBER, K� Masters of Science Fiction and 
Fantasy Art� Massachusetts: Rock Port, 2011�
MESTRINER, F� Design de embalagens: curso 
básico. 2. ed. São Paulo: Pearson, 2001.
PERUYERA, M� Diagramação e layout� Curitiba: 
InterSaberes, 2018� [Biblioteca Virtual]�
SALGADO, L� A� Z� Arte digital� Curitiba: 
InterSaberes, 2020� [Biblioteca Virtual]�
SPARROW, K� Anime Art: easel does it� New 
York: Harper Design, 2005�
SWANSON, A� Science of Yoga: understand the 
anatomy and physiology to perfect your practice� 
Ilustrador: Arran Lawis� Londres: Editora DK, 
2019�
TINGLI, M�; JIONG, L�; KONG, C� Way of the Sign 
III� Hong Kong: Artpower, 2013�
TOWNSEND, L� Drawing Action Comics: easel 
does it� New York: Harper Design, 2005�
ZEEGEN, L; CRUSH� Fundamentos de ilustração. 
Porto Alegre: BOOKMAN, 2009� [Minha 
Biblioteca]�
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	1 Introdução
	Fundamentos da informação
	Processo de extração, criação e manipulação de informação com foco no design gráfico e digital
	Aplicações do Design de Informação
	Sinalização
	Embalagens
	Infografia
	Considerações finais
	Referências Bibliográficas & Consultadas

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