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e-Book 1 Delson de Matos Gomes PRODUÇÃO EM ÁUDIO, TV E VÍDEO Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3 A ESCRITA DE UM ROTEIRO: CRIATIVIDADE E FORMATOS ������������������������ 4 CAPTAÇÃO E FINALIZAÇÃO DE ÁUDIO ������� 21 CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS ��������������������������������������������40 3 INTRODUÇÃO Olá, estudante. Neste módulo, nós iremos aprender sobre algumas características da produção para rádio e sobre captação e manipulação do som. Esperamos percorrer o conhecimento através de reflexões importantes para a vida acadêmica e profissional do estudante. 44 A ESCRITA DE UM ROTEIRO: CRIATIVIDADE E FORMATOS Vamos iniciar nossa jornada na compreensão dos elementos envolvidos na produção de roteiros radiofônicos. Planejar uma produção para rádio é diferente de planejar uma produção para vídeo, uma vez que o rádio irá trabalhar com apenas um dos sentidos do público: a audição. A audição permite uma captação 360° da fonte sonora, tornando-se um poderoso meio de produção de sensações. Vale citar a transmissão via rádio realizada em 1938 por Orson Welles que narrou – e interpretou - uma invasão alienígena no rádio, adaptação de A Guerra dos Mundos de H. G. Wells, e apavorou os ouvintes que encararam o acontecimento como realidade (COPÉ e GUAZZELLI, 2012, p. 20). É através da audição que o público, ou ouvinte, será afetado pelo produtor e o mesmo deverá exercer sua criatividade de acordo com o formato radiofô- nico a ser executado: um jingle é diferente de um spot, por exemplo, como veremos mais à frente. Para a produção de um roteiro radiofônico, é interessante que as ideias sejam simples e criati- vas. A simplicidade colaborará com a clareza da comunicação nos produtos e a criatividade é um combustível capaz de afetar o público. 55 A criatividade deve ser observada como uma nova forma de olhar para algo conhecido. É perceber a riqueza que antes não foi observada, é contar algo que ninguém contou porque não havia percebido. Por exemplo, a mesma navalha que é usada para aparar a barba de um homem, poderia servir para construir um assassinato de um filme de terror; ou o mesmo som de serra elétrica que corta uma árvore em uma floresta poderia ser usado para construir a perseguição de um vilão a mocinha que se esconde amedrontada. Parecem coisas simples de pensar, mas você já parou para observar como os mesmos elementos podem construir sensa- ções diferentes tanto nos meios visuais quanto nas mídias sonoras? E como essas produções de sensações podem ajudar o produtor a afetar seu público? Relembre o relógio como elemento medidor de tempo e reflita se o som do relógio manifesta apenas a ideia temporal. Se pensar no som do relógio dentro do contexto da espera de um homem por sua amada, perceberá que a ideia de ansiedade também pode ser construída, e não apenas a ideia do relógio como medidor de tempo; ou se pensar o som do relógio perto da meia-noite, perceberá que uma espécie de momento decisivo ou hora final pode ser construída. 66 Há outras sensações que o relógio pode produzir? Pense em situações nas quais o som do relógio pode construir novos significados e sensações. Você deve ter percebido como o discurso utilizado até agora tem o público como objetivo principal. Sem a busca da análise de como o público rece- berá suas produções, as mesmas podem tornar-se produções feitas para ninguém. É importante que o realizador perceba o receptor e entenda que afetá-lo é um fator de extrema importância para o sucesso de seu produto. O processo de criatividade para a ideia e escrita de um roteiro para mídias sonoras é muito pes- soal. Cada um terá um modo de estimular sua criatividade e ter inspirações. É difícil partirmos do zero para a produção de ideias inéditas, pois obrigatoriamente estamos submersos em nossas experiências pessoais. Provavelmente quem cres- ceu em um meio rural, olhará para a natureza de um modo diferente em relação a quem cresceu em um meio urbano. Portanto é importante que o estudante tenha a clareza que suas experiências de vida participam ativamente em seu processo de criatividade. REFLITA 77 Quando pensamos na produção de roteiros para rádio, devemos inicialmente pensar em seu objetivo, uma vez que esses objetivos das produções inter- ferirão em características como tempo e formato. Os roteiros radiofônicos poderão ser de ficção e de não ficção e poderão conter quatro tipos de texto: o texto informativo, o qual relata os fatos; narrativo, que conta histórias; testemunhal, o qual alguma autoridade fala a favor de um produto ou serviço; humorístico, que ocorre através de versos ou diálogos. Para a escrita dos roteiros, o roteirista deverá ainda levar em consideração quatro elementos: as pala- vras, os efeitos sonoros, a música e os silêncios. A palavra é o que fornece a informação que mais chama a atenção do público. É através de seu dis- curso, e da voz, que a mensagem principal pode ser passada. Para que fique clara a importância da palavra (ou da voz) nos produtos radiofônicos, precisamos discutir dois conceitos que vêm do cinema: o verbocentrismo e o vococentrismo. Michel Chion (2011, p.13) discute os termos e afirma que o cinema é vococêntrico pois a aten- ção do espectador vai para o som da voz humana. Ele também afirma que o cinema é verbocêntrico pois a atenção é facilmente retida quando há a voz com o discurso, ou seja, a palavra. No rádio, a briga pela atenção do ouvinte ocorre da mesma 88 forma, porém dentro do meio sonoro. A atenção do público tende a privilegiar a fala humana, deixando os outros sons em segundo plano. A música é a combinação harmoniosa dos sons (CÉSAR, 2009, p. 79) e ela tem o poder de manipular emoções e sensações. É importante pontuar que as músicas podem ser realizadas para determinados trabalhos ou adquiridas de sites especializados (livres ou pagas). Veja alguns sites de músicas livres e músicas pagas: Freesound.org Audionetwork.com Youtube.com Freeplaymusic.com Os efeitos sonoros são sons que ajudam a infor- mar e pontuar alguma informação importante. Por exemplo, se um texto sobre economia é lido e após uma informação financeira importante, for colocado o som de uma caixa registradora, a informação passada poderá ser melhor pontuada para o público. SAIBA MAIS http://Freesound.org http://Audionetwork.com http://Youtube.com http://Freeplaymusic.com 99 Também é através dos efeitos sonoros que podem ser construídos diferentes silêncios os quais têm grande potencial dramático. Imagine o som de uma serra elétrica em uma floresta e após a sus- pensão do seu som, ocorre um grito que também é suspenso segundos depois. A diferença entre a presença e a ausência dos sons da serra e do grito e as consequentes pausas sonoras que acontecem constroem os silêncios que informam e dramatizam um provável assassinato. Portanto, os silêncios podem ter grande influência na imersão do público no produto audiovisual. Uma sugestão de livro para o estudante aprofundar seus conhecimentos diante do som são os livros O Ouvido Pensante (1992) e A Afinação do Mundo (2001) de R. Murray Schafer e A Audiovisão (2011) de Michel Chion. Antes de discutirmos os diferentes formatos radio- fônicos, precisamos diferenciá-los dos gêneros. Segundo Panke (2018, p. 63), gênero é mais amplo e o formato está dentro dos gêneros ao mesmo tempo que está relacionado intimamente à estrutura da mensagem, meios de veiculação e característi- cas técnicas do produto. Por exemplo, há o gênero jornalístico que trata de acontecimentos cotidianos e dentro do gênero, há diferentes formatos: nota, SAIBA MAIS 1010 reportagem, entrevista, comentário, editorial, crônica, radiojornal, audiodocumentário, debate. A nota é uma notícia lida pelo locutor; a repor- tagem é um trabalho mais investigativo, no qual a matéria é previamente preparadae gravada; a entrevista é uma conversa na qual o entrevistado responde a perguntas realizadas pelo entrevistador; o comentário é a análise de um especialista sobre um assunto; o editorial evidencia a opinião de um veículo de comunicação; a crônica é um texto leve que tem como matéria-prima o cotidiano; os radiojornais são notas ou reportagens externas; o audiodocumentário é uma narrativa que aprofun- da-se nos temas de interesse público; e o debate é uma conversa com profissionais que possuem perspectivas diferentes sobre um determinado assunto (PANKE, 2018, p.85-86). Existe ainda: o gênero educativo-cultural, com os formatos: pro- grama instrucional, audiobiografia, documentário educativo-cultural e programa temático; o gênero entretenimento, com os formatos programa mu- sical, programa ficcional e programete ou evento artístico; o gênero publicitário (formatos mercado- lógicos), com o spot, apoio cultural ou patrocínio, texto-foguete, merchandising ou testemunhal, o teaser, programete, jingle, vinheta, unidade móvel e ações especiais; propaganda institucional, com ação pública, programa eleitoral, programa político, 1111 programa religioso e programa governamental; o gênero de serviço, com notas de utilidade pública e programetes de serviço ou programa de serviço; e o gênero especial, com o programa infantil e programa de variedades. (PANKE, 2018, p.86-97) Segundo Panke (2018, p.64), os formatos mais comuns no rádio são: spot, texto foguete, vinheta, apoio cultural/patrocínio, merchandising e tes- temunhal, teaser, jingle, programete/conteúdo, unidade móvel e ações especiais. É interessante a atenção especial para dois desses formatos: o spot e o jingle. O Spot é uma peça exclusivamente publicitária e foi criada para colaborar com a manutenção (finan- ceira) das rádios. É um comercial realizado apenas através do som que contém locução, efeitos, ruídos e silêncios. Há ainda o spot seco que apresenta apenas a locução como recurso de comunicação, não havendo músicas ou efeitos. Ele é muito uti- lizado em campanhas políticas, por exemplo. Há também o spot dramatizado, o qual utiliza-se da locução, efeitos, trilhas e silêncios. Ele ainda pode conter vozes interpretando o texto, e não apenas o narrando. Essas características podem colaborar com a dramatização e a produção de humor em determinadas peças. (ALVES, 2012, p. 57) 1212 Panke (2018, p. 80), tenta oferecer parâmetros iniciais para as narrativas ficcionais publicitárias (como spots) e divide uma peça de 30 segundos em duas partes: a primeira, durando 20 segundos, é a narração da história, e a segunda, entre 5 e 10 segundos, apresenta a assinatura do anunciante. O autor ainda aponta para a organização das mensa- gens: apresentação do problema, ponto de virada (surpreende o ouvinte), solução e apresentação do anunciante. Ouça o Spot seco abaixo: - Propaganda do sabonete Lifebuoy: https://www.youtube.com/watch?v=LVwgNZ43cRQ Ouça os spots dramatizados abaixo: - Propaganda criada para a Nestlé Purina: https://www.youtube.com/watch?v=HJDdcey5aFE - Propaganda criada para a cervejaria Devassa: https://www.youtube.com/watch?v=UuhnOU_TOhg O Jingle é uma campanha que comunica algo atra- vés de uma pequena música marcante. Diferente dos spots que utilizam músicas já existentes, os SAIBA MAIS https://www.youtube.com/watch?v=LVwgNZ43cRQ https://www.youtube.com/watch?v=HJDdcey5aFE https://www.youtube.com/watch?v=UuhnOU_TOhg 1313 jingles contêm músicas produzidas especialmente para a propaganda, ou seja, são produções auto- rais que têm sua melodia, harmonia, ritmo e letra produzidos especialmente para a peça. Ouça os jingles abaixo: - Propaganda da Poupança Bamerindus: https://www.youtube.com/watch?v=KIPsc-1xq3Y - Propaganda das Casas Pernambucanas: https://www.youtube.com/watch?v=6A5_f8igyv4 Há ainda outros formatos, diferentes do spot e do jingle, que fazem parte das narrativas não ficcio- nais e são comuns, como o radiodocumentário como exemplo. Dentro dele, podemos encontrar: o documentário jornalístico, o qual aborda questões contemporâneas e tem maior profundidade que as reportagens; os documentários históricos, que resgatam e discutem o passado; os documentá- rios culturais, os quais se aprofundam em temas ligados à arte; e os documentários psicológicos ou filosóficos, os quais tratam de temas atemporais, como amor, crenças, comportamento humano. SAIBA MAIS https://www.youtube.com/watch?v=KIPsc-1xq3Y https://www.youtube.com/watch?v=6A5_f8igyv4 1414 Esses documentários podem ser: observacionais, sem a presença de um narrador e têm a proposta de levantar reflexões; com narradores, que condu- zem a história; e autoral, no qual o narrador guia os acontecimentos através de sua perspectiva. No documentário, não haverá uma técnica de re- alização única e soberana. Deve-se organizar os itens importantes para reunir o que será editado: planeja-se a fala do narrador e as pessoas que serão entrevistadas; pesquisa-se e reúne-se a músicas, som do ambiente e efeito sonoro. O documentário poderá ser organizado com narração e entrevistas e construções de silêncios e ainda poderá não ter narrador e a narrativa se dará através de constru- ções de silêncios e entrevistas que poderão ser em estúdio ou em externas. Quando presentes nos documentários, as entrevistas são consideradas momentos importantes e para que elas ocorram da melhor forma, é importante deixar o entrevistado confortável e à vontade em um ambiente sem ruídos. Deve-se realizar uma pauta de perguntas ao mesmo tempo que não é interessante torná-la soberana. Quanto mais curtas e objetivas as perguntas, menos o entrevistado tende a não se perder. SAIBA MAIS 1515 É importante ressaltar que ao realizar um documen- tário, o roteiro poderá ser revisado durante todo o processo de captação e de finalização. Muitas vezes nos preparamos para uma determinada história, mas no decorrer do processo encontra-se outra. Faz parte do processo, o acréscimo ou reconstrução de elementos no decorrer da revisão do material. É importante que os principais trechos da entrevista sejam transcritos e destacados ao mesmo tempo que é necessária a pesquisa das músicas, efeitos e silêncios a serem utilizados. Abaixo, um trecho do radiodocumentário A Segunda Arte: Um Radio- documentário sobre teatro de grupo em Salvador (Silva, 2018, p.20-21): Locução - A Segunda Arte, um radiodocumentário sobre o Teatro de Grupo em Salvador. Ana Paula Carneiro (Grupusina) - eu faço teatro para não enlouquecer [risos]. Eu comecei a fazer teatro porque eu queria me expressar e porque tinha muita coisa, muita coisa em mim que precisava ser dita, muita impressão, eu tinha muitas impressões sobre o mundo e eu precisava falar, expressar essas impressões. O teatro é o que me salva das dores do mundo. Frank Magalhães (Finos Trapos) - Salvador é uma cidade muito forte, musicalmente falando. E às vezes a gente fica como o primo pobre da música [risos]. O teatro fica 1616 como o primo pobre da música, uma coisinha mais, é, deixada um pouco de lado. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, né, como diz Caetano. Vinheta: Cantaloupe Island (A Outra Companhia de Teatro) Locução - A Outra Companhia de Teatro foi criada em 2004 no seio do Teatro Vila Velha em Salvador. Em 2013 o grupo passou a ter sede própria, no bairro do Polite- ama, chamada A Casa da Outra. O grupo já encenou 13 espetáculos em diversas cidades pelo Brasil, além de participar de festivais, mostras de artes cênicas e realizar oficinas e ações de formação. Sonora: O que de você ficou em mim - PARTE 1 (A Outra Companhia de Teatro) Locução - Ator há mais de 25 anos, Luiz Buranga compõe A Outra Companhia de Teatro ao lado de Eddy Veríssimo, Roquildes Junior, Anderson Dantas, Luiz Antônio Sena Jr e Israel Barreto. Através do movimento Poli-Te-Ama, o grupo dialoga com comerciantes e moradores do bairro do Politeama desde 2014. O movimentobusca revelar um bairro mais tranquilo para os moradores e comerciantes, e surgiu através da observação de um clima tenso em virtude da dita insegurança e marginalidade no local. Nesse contexto surgem espetáculos como “O que de você ficou em mim” - um documento cênico-biográfico que celebrou os 10 anos do grupo expondo as entranhas do trabalho coletivo; e “Ruína de Anjos” - uma criação documental sobre as minorias do centro urbano. 1717 Luiz Buranga (A Outra Companhia de Teatro) - trabalho também como figurinista, como aderecista, cenógrafo, trabalho com luz. É a necessidade que faz a gente de- sempenhar várias funções dentro do teatro, até mesmo pela falta de grana de você pagar um profissional, você acaba mesmo aprendendo essas funções na marra. Nos roteiros radiofônicos não ficcionais, encon- tramos duas formatações mais utilizadas: texto corrido ou tabela. Observa-se que as agências de comunicação têm preferência pelo formato texto corrido e as rádios, por tabela. Vejamos abaixo um exemplo de roteiro ficcional de um mesmo spot nos dois formatos: Agência: DM9DDB Produtora: Dr.Db/Raw Anunciante: Banco Itaú Título: Aniversário de São Paulo Técnica - Trilha Instrumental Loc. 1 (homem) - Por incrível que pareça, 447 anos de- pois, a cidade de São Paulo continua falando a mesma língua: Tupi-guarani. / 1818 Aqui, confusão a gente chama de sururu; / Chuva, toró; / Sanduíche é bauru; / Rio é Tietê; / Mulher feia é jaburu; / Diversão é Ibirapuera; / E banco é Itaú. / Técnica - fade out trilha Loc. 2 (standard) - Homenagem do Itaú, que em tupi-gua- rani quer dizer “pedra preta”, aos 447 anos de São Paulo. Roteiro em texto corrido extraído do livro Fonte: (PANKE, 2018, p. 82) 1919 Tabela 1: Roteiro em Tabela Roteiro/ criação: DM9DDB 30” Peça: Aniversário de São Paulo Técnica Locução Trilha em BG Loc. 1 (homem) - Por incrível que pareça, 447 anos depois, a cidade de São Paulo continua falando a mesma língua: Tupi-guarani. / Aqui, confusão a gente chama de sururu; / Chuva, toró; / Sanduíche é bauru; / Rio é Tietê; / Mulher feia é jaburu; / Diversão é Ibirapuera; / E banco é Itaú. / Técnica – fade out trilha Loc. 2 (standard) - Homenagem do Itaú, que em tupi-guarani quer dizer “pedra preta”, aos 447 anos de São Paulo. Fonte: (PANKE, 2018, p. 83) É importante ressaltar que em qualquer um dos formatos, há as informações de técnica (sonoplas- tia) e de voz apontadas no roteiro. Na primeira, as trilhas, efeitos sonoros e efeitos de transição são apontadas; e na segunda, as falas do locutor/ narrador são indicadas. 2020 Abaixo estão alguns significados que poderão estar presentes nos roteiros radiofônicos, segundo Panke (2018, p.83): Barra (/): Marcação de pausa no texto Barra dupla: (//): Marcação de final de frase. BG: Abreviatura de background (som de fundo que pode ser ambientação ou música). Deixa: Última palavra da locução antes do corte final. Fade in: Sobe o som (aumento do volume da música em BG). Fade out: Queda de áudio (redução do volume da mú- sica em BG). LOC: Locutor (cada um dos locutores é representado por um número: LOC 1, LOC 2, etc.). Plica (‘): Usada para indicar minutos. Plica dupla (“): Usada para indicar segundos. Vírgula (,): Pequena Pausa Nesta etapa, discutimos sobre os diferentes forma- tos dos produtos radiofônicos e exemplificamos os roteiros de ficção e não ficção. É interessante que o aluno reflita sobre as discussões realizadas neste capítulo e busque construir seus próprios roteiros. SAIBA MAIS 21 CAPTAÇÃO E FINALIZAÇÃO DE ÁUDIO Em 1950, com o surgimento da televisão, o rádio começava a disputar a atenção do público com a TV. A imagem da televisão mostrava-se mais atra- tiva que o conhecido rádio e investir na qualidade do sinal da mídia sonora, mostrou-se primordial para a sobrevivência do meio. Por exemplo, o sur- gimento do FM proporcionava um sinal mais limpo, com menos ruídos. Com a chegada da internet no Brasil em 1990, o rádio se adaptaria à capacidade multimidiática que o novo meio proporcionava. (MARQUES, 2020) No decorrer da história do rádio, e dos meios de comunicação em geral, a busca incessante por melhor qualidade final dos produtos tornou-se constante e isso trazia a necessidade de melhores equipamentos. Além disso, hoje, equipamentos de melhor qualidade tornaram-se financeiramen- te mais acessíveis, como câmeras, interfaces de áudio, computadores, iluminações, etc. ao ponto de observarmos estações de web rádio implemen- tadas com baixo custo em residências comuns. 22 Há algumas modalidades de rádio observadas, como: a rádio comunitária, a qual caracteriza-se por operar sem publicidade; a rádio educativa, a qual não tem fins lucra- tivos e tem o objetivo de divulgar conteúdo educativo; a rádio comercial, a qual pode explorar seu conteúdo comercialmente. (MARQUES, 2020) Para realizar-se a captação e finalização do áudio, alguns equipamentos tornam-se importantes para o processo. A seguir, serão mostrados alguns equipamentos, softwares e suas funcionalidades. Os primeiros equipamentos são os microfones. Existem diferentes microfones com padrões de captação diferentes e cada um tem uma utilização mais adequada. É através deles que vozes, sons e alguns instrumentos são captados. Observe al- guns tipos de microfone, algumas características importantes e suas utilizações mais comuns: SAIBA MAIS 23 Figura 1: Microfone Lapela Fonte: Emania Figura 2: Microfone unidirecional Fonte: Unsplash https://www.emania.com.br/microfone-de-lapela-mamen-wm-03-me-2-ii/p https://unsplash.com/photos/dZDkJ9T_u98 24 Figura 3: Microfone Capacitivo Fonte: Unsplash Figura 4: Microfone Boom Fonte: Filmdaft O microfone unidirecional (figura 2), tende a captar o que está na direção frontal de sua cápsula (a ca- beça do microfone) e atenuar os sons que entram pela sua lateral. Esses microfones são usados em reportagens externas e colaboram com a atenuação de ruídos laterais que podem ocorrer em um local urbano, por exemplo. O microfone de lapela, ou https://unsplash.com/photos/c1ZN57GfDB0 https://filmdaft.com/guide-to-shotgun-microphones-and-boom-poles-for-filmmaking/ 25 lavalier (figura 1), é um microfone omnidirecional o qual tende a ser sensível a sons de todos os lados, porém eles costumam privilegiar os sons graves, o que colabora com a eliminação de certos tipos de ruídos. São microfones muito usados em estúdios e em programas de televisão, pois são facilmente escondidos na lapela da roupa. Eles podem ser mi- crofones com ou sem fio, ou wireless. Os microfones capacitivos, ou de condensador, são mais sensíveis ao som e são muito usados em estúdios musicais de gravação, pois produzem arquivos de excelente qualidade (figura 3). O microfone boom (figura 4) é um microfone direcional que tem sensibilidade na parte frontal e anula os sons laterais. Ele deve ser apontado para a fonte sonora e é muito utilizado no cinema e para captar sons de efeitos. De nada adianta a atenção aos microfones e a todos os equipamentos que serão discutidos a seguir, se o estudante (e o profissional) não ob- servar com atenção algo primordial: os cabos. A atenção a esses elementos é muito importante no processo de captação. Imagine você estar com toda a equipe no estúdio para uma gravação ou em uma reportagem externa e seu cabo está com algum problema. É importante você revisar o bom funcionamento dos seus cabos antes de gravar e sempre levar cabos reservas. Existem basicamen- te três tipos de cabo que serão encontrados em 26 um sistema (figura 5): os cabos de energia, que conectam os equipamentos à energia elétrica; os cabos para ligação de caixas acústicas; e os cabos de sinal, os quais veremos a seguir e servem para transferir sinais de áudio (entre um microfone e um gravador, ou entre um microfone e uma mesa de som, ou entre uma mesa de som e uma interface de áudio). Esses cabos podem apresentar-se de duas formas: comoum sistema balanceado e não-balanceado. O sistema balanceado permite a amplificação do sinal de áudio ou vídeo e a rejeição mais efetiva do sinal de ruído, ou seja, ele tende a oferecer a maior qualidade na gravação. 27 Figura 5: Esquema com os tipos de cabo. Cabo de Energia (força) Cabos de Sinal Cabos de Caixa acústica Fontes de Programas - Microfones - Instrumentos Musicais - Gravadores Processadores - Mixers - Efeitos - Equalizadores Amplificadores Caixa acústica Fonte: Adaptado da Apostila Cabos e Conectores do curso Técnico de Som e Operador e Operador de Áudio do Instituto Santana. Abaixo, serão apresentados alguns cabos e tipos de conectores que serão encontrados nos cabos de sinal:’ 28 Figura 6: Cabo com conectores XLR e P10 Fonte: Bureaupro Figura 7: Cabo com conectores XLR e P2 Fonte: emania Figura 8: Cabo com conectores XLR Fonte: Unsplash https://www.bureaupro.com.br/uploads/images/2018/05/717-cabo-p2-p2-macho-stereo-1527622936.jpg https://www.emania.com.br/cabo-p2-x-xlr-femea-de-50cm/p https://unsplash.com/photos/ivZtR0D3iHw 29 Figura 9: Cabo com conectores P10 Fonte: customcabos Figura 10: Cabo com conectores P2 Fonte: sirtecnologia https://www.customcabos.com.br/cabo-p10-estereo https://www.sirtecnologia.com.br/acessorios-e-perifericos/cabos/cabo---p2--p2-stereo-1.5m---vinik/160912/ 30 Figura 11: Cabo com os conectores P10 e P2 Fonte: ldcabos Figura 12: Conectores XLR Fêmea e Macho respectivamente Fonte: Wikimedia https://www.ldcabos.com.br/cabos/cabos-de-audio/cabo-p2-estereo-para-p10-mono-embalagem-2-pecas-2-metros https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/15/Xlr-connectors.jpg 31 Figura 13: Conector P10 Fonte: 24info Figura 14: Conector P2 Fonte: huinfinito Embora falar de cabos e conectores possa tor- nar-se uma discussão muito técnica, iremos abordar o essencial para a compreensão de suas funcionalidades. Podemos encontrar com facilidade, três tipos de conectores que podem combinar-se nos diferentes https://www.24info.com.br/loja/produto/plug-conector-p10-stereo-metal-com-mola https://www.huinfinito.com.br/conectores/1105-conector-plug-p2-stereo.html 32 cabos: o conector P2 (figura 14), o conector P10 mono ou ¼” mono ou TS (figura 13) e o conector XLR. (figura12). O conector P10 mono é utilizado em conexões nas quais o sinal de áudio é do tipo não balanceado (guitarras, contrabaixo, microfones). Existe ainda o conector P10 estéreo o qual é usado com cabos tipo balanceados e podem ser encontrados em headphones. O conector XLR, ou cannon, é usado em linhas balanceadas e é considerado o melhor para a utilização profissional. Pode ser encontrado em microfones e sistemas de som. O conector P2 é estéreo, ou seja, tem dois canais de áudio e pode ser utilizado em fones de ouvido e em alguns microfones de lapela, por exemplo. Podemos encontrar os mais diversos tipos de montagem de cabos que vão ter funcionalidades diferentes. Por exemplo, cabos com as duas extremidades com conectores P2 (figura 10), ou cabos com dois P10 (figura 9), ou cabos com 2 XLR (figura 7). Podemos encontrar também cabos com conectores diferentes nas extremidades. Por exemplo, cabo com os conectores P2 e XLR (figura 7), P10 e XLR (figura 6) e P2 e P10 (figura 11). O estudante não precisa se preocupar com os deta- lhes mais técnicos deste conhecimento, pois, de modo geral, os equipamentos que definem o tipo de cabo e conectores a serem usados. 33 Para a captação de vozes e instrumentos em estú- dio, pode ser utilizada a mesa de som (figuras 15 e 16) para distribuir os sons e após os microfones e instrumentos serem conectados a ela, o sinal é levado para uma interface de áudio (figuras 17 e 18) e depois para um computador. A interface de áudio tem a capacidade de transformar um sinal analógico (que pode vir de um microfone, por exemplo) em digital e vice-versa. Isso faz com que o trabalho da CPU seja otimizado. É importante ressaltar também que as mesas de som podem ter diferentes números de entradas (ou canais). Figura 15: Mesa de som Digital Fonte: Unsplash https://unsplash.com/photos/4W-LMBCMq9M 34 Figura 16: Mesa de Som 12 canais Fonte: Pexels Figura 17: Interface de áudio de 2 canais Fonte: Unsplash https://www.pexels.com/pt-br/foto/controlador-de-audio-preto-e-branco-3048173/ https://unsplash.com/photos/4hXTMl7m5oU 35 Figura 18: Interface de áudio de 26 canais Fonte: sweetspot É importante que o estudante entenda que podem ser realizadas diferentes configurações em um sistema de gravação e foram apontados alguns equipamentos utilizados por profissionais e ama- dores. Um exemplo de conexão entre os elementos anteriores para a captação do áudio poderá ser: Microfone – Mesa de som – Interface de Áudio – Computador Há ainda o gravador de áudio portátil (figuras 19 e 20), que permite a conexão dos microfones e têm a vantagem de serem leves. São muito usados para filmagens simples, captação de entrevistas, vozes, efeitos sonoros e narrações. https://www.sweetspot.com.br/wp-content/uploads/2013/06/product_m_a_maudio-profire-2626-angle.jpg 36 Figura 19: Gravador Zoom H4n Fonte: Unsplash Figura 20: Gravador Tascam Fonte: Unsplash https://unsplash.com/photos/aBBLoTDmINo https://unsplash.com/photos/Tfq0leqBgxI 37 Para a captação de um som como uma voz, o microfone pode ser conectado direto no gravador e após a gravação, o arquivo é descarregado no computador para o tratamento. Isso evita que o profissional carregue muitos equipamentos. Após a captação dos áudios, é necessária a adequa- da distribuição dos diferentes arquivos captados em uma mesma trilha. É necessário realizar-se a mixagem e finalização (masterização) do material através de softwares. A mixagem é responsável por equalizar os sons, equilibrar os volumes e posi- cionar os sons individualmente dentro do conjunto sonoro e a masterização é o tratamento final dado ao som antes de sua exportação. É importante que o profissional responsável pela masterização te- nha a audição bem treinada para perceber o modo como os sons interagem entre si no produto final. Alguns dos softwares utilizados são: Audacity, Pro Tools, Adobe Audition e Sound Forge. 38 Veja os sites de programas de tratamento de áudio: Audacity (gratuito): https://www.audacityteam.org/ download/ Pro Tools: https://www.avid.com/pro-tools Adobe Audition: https://www.adobe.com/br/products/ audition.html Sound Forge: https://www.magix.com/us/music-editing/ sound-forge/special/30-years-sound-forge-pro/#c1492789 Através deste capítulo, espera-se que o estudante tenha adquirido conhecimento diante dos proces- sos de captação e finalização do áudio. SAIBA MAIS https://www.audacityteam.org/download/ https://www.audacityteam.org/download/ https://www.avid.com/pro-tools https://www.adobe.com/br/products/audition.html https://www.adobe.com/br/products/audition.html https://www.magix.com/us/music-editing/sound-forge/special/30-years-sound-forge-pro/#c1492789 https://www.magix.com/us/music-editing/sound-forge/special/30-years-sound-forge-pro/#c1492789 3939 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste módulo discutimos sobre os formatos e tipos de roteiros radiofônicos e foram apresenta- dos os equipamentos presentes nos processos de captação de áudio. Conversamos também sobre os processos de mixagem e masterização e foram indicados alguns softwares utilizados nos processos. Espera-se que o estudante possa utilizar este conhecimento para refletir sobre suas produções. Referências Bibliográficas & Consultadas ALVES, M. N.; ANTONIUTTI, C. L.; FONTOURA, M. Mídia e produção audiovisual: uma introdução. Curitiba: InterSaberes, 2012. BARRETO, R. M. Criatividade em Propaganda. 14. ed. São Paulo: Summus, 2004. CÉSAR, C. Como falar no rádio. São Paulo: Editora Summus, 2009. CHION, M. A audiovisão: Som e Imagem no cinema. Trad. Pero Elói Duarte. Lisboa: Edições texto & Grafia, 2011. COMPARATO, D. Da criação ao roteiro: teoria e prática. SãoPaulo: Summus, 2009. COPÉ, S. M.; GUAZZELLI, C. A. B. Onde começou o fim? Os Maias e o Além .... In: GUAZZELLI, C. A. B. et al. (Org.). Fim do mundo: guerras, destruição e apocalipse na história e no cinema. Porto Alegre: Argonautas, 2012. p. 20-32. EDGAR-HUNT, R.; MARLAND, J.; RAWLE, S. A Linguagem do Cinema. Coleção Fundamentos de Cinema. Porto Alegre: Bookman, 2013. FAXINA, E. Edição de áudio e vídeo. Curitiba: InterSaberes, 2018. PANKE, L. Criação Publicitária em Rádio. Curitiba: Editora InterSaberes, 2018. SANT’ANNA, A.; ROCHA JÚNIOR, I.; GARCIA, L. F. D. Propaganda: teoria, técnica e prática. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009. SILVEIRA, G. C. et al. Novas linguagens do rádio. Porto Alegre: SAGAH, 2020 SILVA, M. V. B. Origem do drama seriado contemporâneo. In: Anais do XXIII Encontro Anual da Compós, 2014. Disponível em: http:// compos.org.br/encontro2014/anais/Docs/ GT12_ESTUDOS_DE_TELEVISAO/compo_ s2014final-corrigido_2245.pdf. VALIM, S.; MARQUES, A. Do áudio ao visual: produção, técnica e panorama contemporâneo do rádio e da TV no Brasil. Curitiba: InterSaberes, 2020. http://compos.org.br/encontro2014/anais/Docs/GT12_ESTUDOS_DE_TELEVISAO/compo_s2014final-corrigido_2245.pdf http://compos.org.br/encontro2014/anais/Docs/GT12_ESTUDOS_DE_TELEVISAO/compo_s2014final-corrigido_2245.pdf http://compos.org.br/encontro2014/anais/Docs/GT12_ESTUDOS_DE_TELEVISAO/compo_s2014final-corrigido_2245.pdf http://compos.org.br/encontro2014/anais/Docs/GT12_ESTUDOS_DE_TELEVISAO/compo_s2014final-corrigido_2245.pdf Introdução A escrita de um roteiro: Criatividade e Formatos Captação e finalização de Áudio Considerações Finais Referências Bibliográficas & Consultadas