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Aula 7 Cortinas /Estacas Pranchas • Concepção e características • Dimensionamento E-mail_alan.almeida@fmu.br mailto:E-mail_alan.almeida@fmu.br Introdução Ao contrário dos muros, as estruturas de contenção esbeltas, denominadas cortinas, estão sujeitas a deformações por flexão. As cortinas são recomendadas quando não se dispõe de área suficiente para abrigar a base do muro e/ou quando se trata de conter desníveis superiores a 5 m. As cortinas são elementos de contenção muito utilizados em escavações para projetos de fundações e de obras subterrâneas (metrôs, galerias, tubulações enterradas, subsolos de edifícios etc.) e como estruturas portuárias. Introdução A Fig. ilustra exemplos de diferentes soluções com cortinas. Verifica-se que, em determinadas situações, o trecho enterrado, denominado ficha, não é suficiente para garantir a estabilidade. Nesses casos, faz-se uso de tirantes ou estroncas. Exemplos de cortinas: (A) atirantada; (B) estroncada; (C) em balanço Introdução A construção da cortina pode envolver atividades de escavação, para o caso de obras subterrâneas, e/ou retroaterro. Como consequência da modificação do estado de tensões originais, a massa do solo adjacente sofrerá deslocamentos, os quais irão nortear o cálculo da distribuição das tensões horizontais nas estruturas enterradas. Como os deslocamentos a que as estruturas esbeltas são submetidas nem sempre atendem às hipóteses das teorias clássicas de Rankine e Coulomb, os métodos de cálculo, em algumas situações, foram concebidos com base em monitoramento de obras, estudo de modelos reduzidos e simulações numéricas. Introdução As rupturas possíveis de ocorrer nas obras de escavações podem ser graves, resultando, inclusive, na morte de trabalhadores e no comprometimento da estabilidade das estruturas vizinhas. Evitar as rupturas é o problema principal. Exemplo de solução em taludes Introdução Estas podem decorrer de vários fatores: tensões excessivas do sistema de suporte, aproximando-se da resistência dos materiais envolvidos, tais como esforços de flexão na cortina excedendo os valores resistentes, esforços nas estroncas superando a carga-limite de flambagem, ficha insuficiente, Caso não houver a presença de água no trecho da ficha, o peso específico submerso (γ') será substituído pelo peso específico úmido do solo (γt) no trecho da ficha. Introdução ➢ Elemento de contenção geralmente metálico; ➢ Recuperáveis ou não, caso tenha caráter provisório ou definitivo; ➢ Elementos pouco rígidos no seu plano; ➢ Utilizadas em solos c/ níveis freáticos altos, garantindo boa estanqueidade; ➢ Em situações definitivas, são: ➢ usualmente escoradas / ancoradas no topo ou em vários níveis. Para garantir uma boa instalação da estaca-prancha (EP), é necessário: ◼avaliação das condições locais (construções vizinhas, abastecimentos de energia, ...); ◼avaliações da condições topográficas e geológicas; ◼avaliação das condições do solo; ◼escolha das características e secção das EP. Introdução Características ◼ Aplicável em praticamente todo tipo de terreno; ◼ Dificuldade para “vencer” solos duros; ◼ Não aplicável em blocos rochosos; ◼ Trabalho dentro da água; ◼ Orçamento realizado por m²; ◼ Velocidade de cravação de até 600 m/dia; Características • Provoca bastante ruído, devido ao bate-estaca; • Logística apropriada; • Corrosão a longo prazo; • Perfis recuperáveis; • Maior estanqueidade nas juntas; • Solução cara. Tipos ◼ Cortina de Contenção; ◼ Podem ser: Concreto, madeira ou aço. Concreto •Concreto: São estacas pré- moldadas de seção variada e com encaixes do tipo “macho- fêmea”. Geralmente a justaposição das estacas é precária, resultando em juntas abertas que permitem a passagem de água e de areia fina, causando danos às construções vizinhas. Concreto Vantagens ◼ Controle de qualidade do concreto; ◼ Agentes agressivos sem ação na pega e cura do concreto; ◼ Segurança na passagem de camadas muito moles; ◼ Maior durabilidade; ◼ Alta resistência. Desvantagens ◼ Difícil terreno adaptação às variações do terreno; ◼ Danos às edificações vizinhas (vibração); ◼ A peça sofre danos durante a cravação; ◼ Estanqueidade prejudicada pelas juntas. Madeira Madeira: São pranchões de madeira de grande espessura, com a extremidade inferior cortada em forma de cunha para facilitar a cravação, e com encaixes laterais para justaposição. Estacas-prancha de madeira ▪ As pranchas são cravadas até um nível inferior ao fundo da escavação; • Quando as pranchas não forem capazes de suportar as paredes da escavação devido a esforços de flexão, são dispostas as longarinas e estroncas Estacas- prancha Madeira Vantagens ◼ Leveza. Desvantagens ◼ Baixa durabilidade; ◼ Baixa resistência. Metálicas Metálicas Estacasmetálicas: São perfis deaço laminadocom encaixeslongitudinaispara justaposição. Este tipo de estacaapresenta-se em diversos formatosdiferentes. Estacas-pranchaTIPOU Estacas-pranchaTIPOZ Estacas-prancha H/Z Execução ◼ Cravadas com bate-estacas ou martelos de vibração com auxílio de guindastes; ◼ Quando provisória, devem ser dotadas de um furo para facilitar o içamento. Cravação com martelo de vibração Cravação com bate-estaca Cravação com martelo de vibração Estacas Pranchas em balanço ◼ A estabilidade depende apenas dos empuxos passivos (viga em balanço); ◼ Maiores deslocamentos; ◼ Alturas limitadas. Estacas Pranchas ancoradas • A estabilidade depende, além dos empuxos passivos, de um ou mais sistemas de ancoragem instalados próximos ao topo da cortina; • Menores deslocamentos; • Estruturas mais profundas. • As câmaras estanque temporárias normalmente usam pontaletes para escorar a parte interna da escavação; As estacas-prancha devem ser cravadas por ordem inversa, para evitar empenamento. “Panel Driving” (cravação por painéis) 1- Posicione, alinhe e coloque no prumo o 1º par. 3- Garanta que o último par esteja precisamente posicionado e no prumo, e crave o último par. 2- Crave o 1º par – posicione cuidadosamente e com precisão o restante do painel. 4- Crave o restante do painel , executando em ordem inversa , em direção ao 1º par. 5- Parte do 1º painel cravada. 6- Com a 2º painel posicionado, o último par do 1º painel torna-se o 1º par do 2º painel. 7- O 1º painel é cravado até o nível final em estágios. O último par do 2º painel é aprumado e cravado com precisão. 8- 1º painel completo; Parte do 2º do painel cravado; 3º painel posicionado; Último par do 2º painel torna- se o 1º par do 3º painel. “Staggered driving” (cravação escalonada) Somente os elementos reforçados 1, 3, 5 são pré-cravados; os demais 2, 4... seguem. as vertical e Os guias de condução servem para manter estacas-prancha com alinhamentos horizontal corretos. Métodos de vedação ◼ Produtos betuminosos; ◼ water-swelling (expansão com água); ◼ Soldagem; ◼ Reparação; ◼ Vedação horizontal combinada com vedação vertical. Produtos betuminosos Soldagem Reparação water-swelling (expansão com água) Vedação horizontal combinada com vedação vertical. 1) Estaca-prancha 2)Chapa de aço (fixada por soldagem) 3)Concreto sub-base (abaixo do 5) 4) Parafusos 5)Membrana de vedação fixado mecanicamente ou com adesivo 6) Proteção de concreto 7) laje de concreto Exemplo de vedação mal executada Aplicações ◼ De caráter provisório ou definitivo; ◼ Construção de passagens de nível; ◼ Construção de túneis; ◼ Obras de contenção dentro e fora d’água; ◼ Estacionamentos subterrâneos; Aplicações ◼ Subsolos de edifícios residências/comerciais; ◼ Construção e expansão de cais; ◼ Recuperação de cais com problemas de fuga de material de contenção; Estacas- prancha Vantagens ◼ É um processo rápido ◼ Em geral, não utiliza-se lama betonítica (paredes de confinamento ou separação em locais poluídos).Desvantagens ◼ Rochas, matacões ou qualquer interferência impedem a penetração da estaca no solo. ◼ A cabeça das estacas é danificada durante a cravação Estacas –prancha Metálicas Vantagens ◼ Manipulação e transporte; ◼ Capacidade de carga alta; ◼ Rapidez de execução; ◼ Torna-se econômica pela diversidade dos produtos que se adequam ao caso; ◼ A versatilidade facilita o ajuste de comprimento, reparações, expansões ou mudanças no projeto. Desvantagens ◼ Corrosão (neste caso, pode ser usado de PRFV - Poliéster Reforçado com Fibra de Vidro); ◼ O transporte, estoque e proteção de perfis muito compridos exige logística. ◼ Custo. ◼ Estacas Prancha Ficha curta –método do apoio livre Quando se considera o método do apoio livre, já se conhece a distribuição do empuxo resultante, calculado na seção anterior, “Ficha longa – método do apoio fixo”. Nesse caso, o apoio fictício muda de posição, passando a ser considerado na posição do centro de gravidade do empuxo passivo disponível, como mostra a Fig. Posição do apoio fictício (ponto C) do método do apoio livre: (A) deslocamento; (B) empuxo; (C) diagrama de momentos Cortina de Estacas Prancha sem Ancoragem ◼ Determinação da altura da ficha Para pequenas alturas, até 5 m, podem ser empregadas cortinas sem ancoragem. A rotação da cortina em torno de um ponto “O” e o sistema de forças atuantes são indicados abaixo. Para simplificar os cálculos admite-se que a linha de ação de Ep2 coincide com o ponto “O” arbitrado. Cortina de Estacas Prancha sem Ancoragem ◼ Determinação da altura da ficha Para solos não coesivos (areia), temos: Os momentos das forças em relação ao ponto de aplicação, ou seja, a Rótula é igual a: 1 ficha E 3 3 P1 a EP1 = empuxo passivo Ea = empuxo ativo f = ficha h = alturado solo acima da f = E (h + f ) ; Cortina de Estacas Prancha sem Ancoragem ◼ Determinação da altura da ficha Dessa forma temos: ; 2 3 f 3 1 (h + f )31 2 3 2 KP = Ka ou ainda : KP f = Ka (h + f ) ; 3 3 3 A equação 3, permite o cálculo do comprimento teórico da ficha. A favor da segurança acrescentamos 20% ao encontrado. valor Cortina de estaca-prancha em solo homogêneo em balanço O dimensionamento de cortinas em balanço tem como objetivo encontrar o comprimento da ficha mínima para que a estrutura resista aos esforços existentes e comporte-se com a maior estabilidade possível. Estado Ativo Em z = 0 – Pressões Laterais ativas σh = Pla = Ka . γ . Z – 2 .C . 𝐾𝑎 + 𝑞 .𝐾𝑎 Estado Ativo Em z = 5 – Pressões Laterais ativas σh = Pla = Ka . γ . Z – 2 .C . 𝐾𝑎 + 𝑞 .𝐾𝑎 Em z = 6 – Pressões Laterais ativas σh = Pla = Ka . γ . Z – 2 .C . 𝐾𝑎 + 𝑞 .𝐾𝑎 Estado Passivo Em z´ = 0 – Pressões Laterais passivas σh = Plp = Kp . γ . Z – 2 .C . 𝐾𝑝 + 𝑞 .𝐾𝑝 Estado Passivo Adotando a altura de ficha de 1 metro temos: Em z´ = 1 – Pressões Laterais passivas σh = Plp = Kp . γ . Z – 2 .C . 𝐾𝑝 + 𝑞 .𝐾𝑝 + - O que aprendemos na aula de hoje Conhecer sobre cortinas e a dimensionar. BIBIOGRAFIA DAS, B.M; SOBHAM, K; “FUNDAMENTOS DE ENGENHARIA GEOTÉCNICA“. 8º Edição. California: Cengage Learning, 2010 GERCOVICH, D; DANZIGER, B.R; Saramago, R. “CONTENÇÕES: TEORIA E APLICAÇÕES EM OBRAS”. São Paulo: Oficina de Textos, 2016 Slide 1: Aula 7 Cortinas / Estacas Pranchas Slide 2: Introdução Slide 3: Introdução Slide 4: Introdução Slide 5: Introdução Slide 6: Introdução Slide 7: Introdução Slide 8: Introdução Slide 9: Características Slide 10: Características Slide 11: Tipos Slide 12: Concreto Slide 13: Concreto Slide 14: Madeira Slide 15: Estacas-prancha de madeira Slide 16: Estacas- prancha Madeira Slide 17: Metálicas Slide 18: Metálicas Slide 19 Slide 20 Slide 21: Execução Slide 22 Slide 23: Cravação com martelo de vibração Slide 24: Estacas Pranchas em balanço Slide 25: Estacas Pranchas ancoradas Slide 26: As estacas-prancha devem ser cravadas por ordem inversa, para evitar empenamento. Slide 27: “Panel Driving” (cravação por painéis) Slide 28: “Staggered driving” (cravação escalonada) Slide 29 Slide 30: Métodos de vedação Slide 31 Slide 32: Vedação horizontal combinada com vedação vertical. Slide 33: Exemplo de vedação mal executada Slide 34: Aplicações Slide 35: Aplicações Slide 36: Desvantagens Slide 37: Estacas –prancha Metálicas Slide 38 Slide 39: Ficha curta – método do apoio livre Slide 40: Cortina de Estacas Prancha sem Ancoragem Slide 41: Cortina de Estacas Prancha sem Ancoragem Slide 42: Cortina de Estacas Prancha sem Ancoragem Slide 43: Cortina de estaca-prancha em solo homogêneo em balanço Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49: O que aprendemos na aula de hoje Slide 50