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1 Laís Flauzino | OTORRINOLARINGOLOGIA | 7°P 
Otites 
2M3 – OTITES MÉDIAS AGUDAS E CRÔNICAS 
 
 
OTITE MÉDIA AGUDA: 
Inflamação da orelha média, independente de 
etiologia ou patogênese específica. 
Espaços pneumatizados do osso temporal são 
contíguos – a inflamação pode envolver outros 
espaços pneumatizados: 
• Mastóide – osso da mastoide que é 
pneumatizado, pode usar ATB, corticoide e nem 
sempre precisa de cirurgia 
• Ápice petroso 
• Células perilabirínticas 
 
• Membrana timpânica normal: Cabo do martelo 
apontado para o lado esquerdo - ouvido 
esquerdo: translucida, trígono luminoso, sem 
hiperemia ou edema, sem descamação 
• Fase inicial: tem hiperemia, um pouco de edema, 
tem opacidade da membrana timpânica 
• Estabelecida: secreção, abaulamento, sem 
trígono luminoso. 
• Drenando secreção – drenagem, saída de 
secreção 
 
Supurativo – quer dizer que fez um buraco e está 
escorrendo. Pode ser pus, serosa, secreção. 
Lesão dos ossículos – por conta de inflamação por 
muito tempo. 
 
• Pico de incidência de OMA entre 6 e 11 meses, 
segundo pico entre 4 e 5 anos; 
Quanto mais tempo de aleitamento materno, menor o 
risco de ter OMA. Mas o aleitamento materno é fator 
de risco pq a criança mama deitada e pode regurgitar 
pela tuba – o ideal é que mama mais sentada. 
• Até 2 anos são bilaterais em sua maioria – depois 
passam a ser mais comuns unilaterais 
• Sexo masculino; 
• Miringotomia com colocação de tubo de 
ventilação é o procedimento cirúrgico sob 
anestesia geral mais realizado em crianças. 
Corte na membrana para poder fazer a retirada da 
secreção pq a tuba auditiva fica edemaciada e para de 
fazer a drenagem da secreção. É como se fosse uma 
perfuração de propósito para retirar a secreção – 
pode causar um novo problema e aumentar o risco de 
fazer OMA. Pode colocar o tubo de ventilação para 
melhorar a aeração lá dentro e evitar que tenha lesão 
dos ossículos, osteomielite dos ossículos. 
 
• Auto limitada que, mesmo sem tratamento, 
tende à cura com a restituição tissular normal do 
órgão. 
• Pós quadros de IVAS, causa edema da tuba 
auditiva, acúmulo de fluido e muco na orelha 
média. 
• Otalgia súbita após estado gripal, piora com a 
deglutição ou o assoar do nariz. 
Associado: 
• Hipoacusia 
• Plenitude auricular e zumbido 
• Pulsações auriculares sincrônicas com os 
batimentos cardíacos (Sinal de Scheibe) e 
equivale a um empiema da caixa do tímpano 
• Microperfuração pulsátil 
Tudo que possa estar envolvido na diminuição da 
passagem do som. 
Sinal de Scheibe: escuta como se fosse a pulsação da 
carótida – aumenta a ressonância lá dentro. 
 
Estágios: 
Hiperemia: 
• Oclusão da tuba auditiva, levando a uma 
alteração pressórica na OM; 
• Plenitude auricular e hipoacusia (condutiva) 
• Hiperemia MT em pars flácida e ao longo do cabo 
do martelo 
• Febre e otalgia 
• Cocksakie, Herpesvírus e Mixovírus 
• Progressão rápida, flictena na membrana 
timpânica e conduto auditivo (miringite bolhosa) 
 
 
Exsudação: 
• O aumento da permeabilidade capilar da mucosa 
leva à um exsudato que formam uma secreção 
sob pressão; 
• MT: espessa, abaulada e amarelada, piora da 
hipoacusia condutiva; 
 
2 Laís Flauzino | OTORRINOLARINGOLOGIA | 7°P 
• Reabsorção de produtos inflamatórios pela 
mucosa da orelha média leva a um quadro 
toxêmico, febre alta. 
 
Já está perfurativo e já está saindo líquido. 
Quando tem secreção o risco da membrana supurar é 
muito alto – para se livrar da secreção. 
 
Supuração: 
• Ocorre perfuração da MT, espontaneamente ou 
por miringotomia, com drenagem copiosa de 
líquido hemorrágico ou serossanguinolento, que 
logo torna-se mucopurulento; 
• A otalgia e febre do estágio de exsudação 
regridem; 
• A perfuração da MT é sempre na pars tensa, 
sempre pequena, do tamanho suficiente para 
permitir a saída da secreção. Costuma 
apresentar resolução espontânea. 
 
Quando tá perfurado evita o uso de corticoide pq 
pode causar lesão local. Corticoide no osso aumenta 
risco de descamação 
Se não perfurado usa ATB oral ou IV. 
 
Coalescência: 
• Entre 1 e 5% dos não tratados atingem este 
estágio; 
Começa a secar 
• O progressivo espessamento do mucoperiósteo 
leva a uma obstrução da drenagem da secreção, 
e o pus sob pressão inicia osteólise adjacente, 
levando à coalescência das células aéreas da 
mastóide e formação de cavidades; 
• Antibioticoterapia de amplo espectro (cobrir 
gram +, gram - e anaeróbios) – de gotas, se já tiver 
perfurado pq ai o ATB tópico chega lá. 
• Cefalosporina de 3ª geração 
• Amoxicilina-Clavulanato 
• Associado a um aminoglicosídeo 
• Sinais clínicos ou radiológicos (CT) de coleção 
fluida na mastóide: 
• Cirurgia para drenagem imediata através de uma 
mastoidectomia* 
 
Complicações: 
Intratemporais: 
• OMC; timpanosclerose (inflamação recorrente e 
destruição do tímpano); ossiculopatia; mastoidite; 
abscesso subperiosteal; petrosite; labirintite 
infecciosa; paralisia facial periférica; perda 
auditiva e diminuição de resposta as otoemissões. 
Parte interna do osso temporal. 
Intracranianas: 
• Meningite; empiema subdural; abscesso 
cerebral; abscesso extradural; trombose de seio 
sigmóide; hidrocéfalo ótico (ar dentro da região 
do encéfalo); sepse, choque séptico. 
 
Tratamento: 
Antibioticoterapia: 
• 1ª opção - amoxicilina VO por 10 dias - Melhora 
clínica e remissão da febre após 48 a 72 hs; 
• Amoxicilina-ácido clavulânico, cef ou outras 
cefalosporinas 2ª – se não houver melhora com a 
1ª opção. 
• Casos de complicações de OMA e em crianças 
(Pichichero et al, 2000) com diarréia e vômitos → 
introduzir antibioticoterapia →Ceftriaxone. 
Ciprofloxacina tópica 3 gotas de 8/8h 
 
OMA viral: sintomáticos (não tem febre, não tem pus) 
Sintomáticos: 
• Analgésicos, antitérmicos e antiinflamatórios não 
hormonais. 
Normalmente a viral vira bacteriana depois – quadro 
de infecção de vais aéreas sem componente 
bacteriano. Depois de 5 dias começa a virar 
bacteriano. 
 
Timpanocentese: 
• Pode ser realizada, sempre no QAI da MT – 
quadrante anteroinferior da membrana timpânica 
Não faz no SUS. Pode fazer aspiração no centro 
cirúrgico – se tiver perfuração já pode aspirar no 
consultório. 
• Enviar a amostra da efusão para exame 
bacterioscópico e cultura 
Indicações de timpanocentese: 
• Otalgia severa; 
• Toxemia severa; - para evitar complicações 
• Resposta insatisfatória ao tratamento 
antimicrobiano; 
• Presença de complicações de OMA. 
 
Crianças que tem alguma indicação – tubo de 
ventilação para diminuir o risco de fazer OMA 
repetitiva – faz uma nova tuba auditiva para manter a 
pressão intra e extratimpânica igual, deixar 
ventilando. 
 
Miringotomia: 
Incisão da MT e suas indicações são semelhantes às 
da timpanocentese; 
 
3 Laís Flauzino | OTORRINOLARINGOLOGIA | 7°P 
Efeito terapêutico é temporário e insuficiente → 
perfuração tende a cicatrizar em 2 a 3 dias. 
 
Tratamento cirúrgico: 
Mastoidectomia simples e outros tipos de 
mastoidectomia; complicações de OMA. 
OMA tratada adequadamente – pode persistir com 
efusão na orelha média - resolução espontânea em 
até 3 meses (média de 40 dias). 
Para abreviar este período pode-se usar: 
• novo tratamento com antibiótico diferente; 
• novo tratamento com o mesmo antibiótico por 
mais tempo 
• Descongestionantes sistêmicos ou tópicos 
• Corticóide sistêmico e observação 
• gotas otológicas principalmente se houver 
perfuração MT concomitante 
 
OTITE MÉDIA AGUDA RECORRENETE: 
• 3 ou mais episódios de OMA em 6 meses ou 
• 4 ou mais episódios de OMA em 1 ano 
Não ir pela percepção da mãe! Tem que analisar, 
diagnosticar e documentar. 
Considerar outras intervenções, além do tratamento 
dos episódios agudos. 
 
OTITE MÉDIA CRÔNICA SIMPLES: 
• Mais comum das OMC; 
• Inflamação crônica da orelha média 
• Perfuração da MT associado a otorréia 
• Sintomas são leves e com longos períodos 
assintomáticos 
• A hipoacusia é de grau variável,geralmente do 
tipo condutiva. 
• Associados a IVAS, entrada de água no ouvido e 
são facilmente controlados com tratamento 
antibacteriano local – otociriax / ciloxan 
Tomar banho com algodão com óleo no ouvido – evita 
entrada de água. 
 
Testes audiométricos: 
• Na audiometria tonal verifica-se uma hipoacusia 
de condução (30 e 50dB). 
É alteração condutiva – o som não está passando 
pelos ossículos como deveria pois está edemaciada, 
com secreção. 
• Raramente ocorre lesão neurossensorial. 
Exames de Imagem: 
• Tomografia computadorizada pode ser solicitada 
em suspeita de OMC supurativa ou 
colesteatomatosa 
 
Tratamento: 
Clínico: 
Controle clínico 
Casos Simples: 
• ATB tópico 
• Gotas com neomicina e polimixina associada a 
corticoides 
Casos graves 
• Amoxicilina 
• Amoxicilina + clavulanato 
Prevenção: evitar fatores desencadeantes 
(principalmente a entrada de água 
 
Cirúrgico: 
• Timpanoplastia - Orelha seca por 3 meses antes 
da cirurgia, com eventual reconstrução de cadeia 
é tratamento indicado 
Usa a fáscia do músculo temporal e coloca no 
tímpano. 
• OMC simples, operar o lado com pior 
prognóstico. 
 
OMS simples + perfuração: 
 
As vezes quando fecha, piora a audição – mas é 
importante fechar para evitar infecção de repetição. 
 
OTITE MÉDIA CRÔNICA SUPURATIVA: 
• Inflamação crônica: Alterações da mucosa da 
caixa e mastoide irreversíveis 
• Pode cursar com osteíte ou osteomielite 
• Hiperplasia e hiperatividade secretante da 
mucosa 
• Otorréia persistente 
• Perfurações geralmente grandes e marginais 
• Sem colesteatoma 
 
Clínica: 
• Anamnese: OMA recorrente, traumas perfurantes 
ou colocação de drenos timpânicos; 
• Otorreia persistente (amarelo-esverdeada; odor 
fétido) 
• Otalgia, febre, vertigens e dor: complicações 
intratemporais ou intracranianas; 
• Pode evoluir para metaplasia epidermóide: 
• Tufos esbranquiçados disseminados ou 
confluentes sobre a mucosa. 
• Regressão com tratamento clínico prolongado. 
• Em perfurações marginais pode ocorrer 
epidermose timpânica por migração epidérmica: 
Lamelas brancas ao longo do cabo do martelo 
• D≠ colesteatoma 
Otoscopia 
• Perfurações grandes, marginais, com retrações; 
edema da mucosa 
• Tecido de granulação; pólipos 
• Testes audiométricos 
• Hipoacusia de condução acentuada 
• Perfuração e lesão da cadeia ossicular 
Exames de imagem: 
• TC de osso temporal sem sinais sugestivos de 
colesteatoma. 
 
4 Laís Flauzino | OTORRINOLARINGOLOGIA | 7°P 
 
Diagnóstico diferencial: 
• Granulomatose de Wegener; 
• Neoplasia; 
• Corpo estranho; 
• Abscesso extradural; 
• Meningite; 
• Tuberculose; 
• Labirintite; 
• Colesteatoma. 
 
Tratamento: 
• ATB sistêmico e tópico associado; 
• Cuidados locais 
• Drogas tópicas: polimixina, neomicina, 
gentamicina, ciprofloxacino; 
• Preparados com corticóide: ↓ inflamação da 
mucosa e melhoram penetração do ATB; 
Sistêmico: após resultado de cultura: 
• Empírico: clavulin, bactrim; 
• Casos mais graves: clindamicina e cefalosporinas 
de terceira geração 
 
Tratamento Cirúrgico: 
• Definitivo 
• Timpanomastoidectomia: 
• Remover todo o tecido doente e fechar a 
perfuração timpânica; 
• Não obliterar a tuba. 
 
 
OTITE MÉDIA CRÔNICA 
COLESTEATOMATOSA: 
Colesteatoma: 
• Crescimento de um tecido ectópico em forma de 
saco que segue a arquitetura da caixa timpânica, 
ático e mastóide; 
Parte da epiderme que entrou no ouvido médio – 
tumor benigno. Aumenta risco de meningite, 
trombose de seio sigmoide. 
• Produção exacerbada de queratina e presença de 
granulomas; 
• Tendência a recidiva. 
 
 
• Congênito: consequências de inclusões 
embrionárias de epitélio escamoso durante o 
desenvolvimento do osso temporal; 
• Adquiridos: Implantação, Metaplasia, Migratória. 
o Primários (colesteatoma de retração atical): 
defeitos ou bolsas de retração na região atical 
da MT quase sempre relacionados com 
disfunção da tuba auditiva; 
o Secundários: perfuração marginal ou central, 
geralmente por tratamentos inadequados das 
otites médias crônicas 
 
 
Quadro clínico: 
Varia de acordo com o tipo e localização inicial do 
colesteatoma: 
• Otorreia: sem desaparecimento mesmo com tto 
clínico. Amarelada, espessa e indolor. Pode ter 
sangue. (anaeróbios e aeróbios facultativos); 
• Hipoacusia: nos casos congênitos pode ser o 
único sintoma; 
• Zumbido; 
• Tontura: sugestivo de complicação; 
• Paralisia Facial (7°par) 
 
Exame físico: 
Otoscopia: 
• Descamação epidérmica perolácea após limpeza 
do Meato Acústico Externo; 
• Perfuração da Pars Flácida com ou sem 
perfuração epidérmica, invaginação, destruição 
óssea do sulco timpânico e crostas sobre a 
descamação; 
• Invaginação e pefuração da Pars Tensa; 
• Raramente tímpano normal com presença de 
massa. 
 
 
5 Laís Flauzino | OTORRINOLARINGOLOGIA | 7°P 
 
Exames complementares: 
• Audiometria: perdas condutivas ou mistas; 
• Pesquisa de Fístula Labiríntica 
• TC de ossos temporais; 
• Diagnóstico de certeza: estudo 
anatomopatológico da lesão. 
 
Rebaixamento do nível 
 
Tratamento: 
Profilaxia: 
Tratar das doenças da Orelha Média; 
Não usar cotonete 
Cirúrgico – Indicação Obrigatória: 
• Previamente para controle da otorréia à ATB local 
– não usar Aminoglicosídeo (é ototoxico); 
• Restauração de um ouvido sem otorréia; 
• Manter a função auditiva; 
• Mastoidectomia com cavidade aberta radical 
 
Pede TC de mastoide para avaliar a região acometida 
e vai para o centro cirúrgico. 
No máximo fazer aspiração. 
Se mexer e errar pode fazer paralisia facial.

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