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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÕES DEPARTAMENTO DE LETRAS CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS - ESPANHOL ESTUDO DA CANÇÃO “O QUE É, O QUE É?” DE GONZAGUINHA NUMA PERSPECTIVA SEMÂNTICO-TEXTUAL E SOCIOINTERACIONISTA Recife, 2021 ESTUDO DA CANÇÃO “O QUE É, O QUE É?” DE GONZAGUINHA NUMA PERSPECTIVA SEMÂNTICO-TEXTUAL E SOCIOINTERACIONISTA Trabalho apresentado ao Curso de Licenciatura em Letras Espanhol, da Universidade Federal de Pernambuco, como requisito parcial para aprovação na disciplina Compreensão e Produção de Texto em Língua Portuguesa. Docente: Profa. Dra. Dilma Tavares Luciano Discentes: Caroline Rosa Silva Eduarda Vitória Alves da Silva Edvaldo José da Silva Emilly Victória Silva de Araújo Recife, 2021 1 Introdução Para nortear nossa análise da canção “O que é o que é de Gonzaguinha, adotamos uma concepção interacional de leitura, na qual os interlocutores atuam cooperativa e dialogicamente, já que se constituem como sujeitos do ato comunicativo mediado pelo texto que, nesta perspectiva, assume o lugar da interação verbal. Assim, por ser construída coletivamente, a leitura pressupõe um trabalho de compreensão, o que supera a tarefa de decodificação, pois no seu processamento estão imbricadas a cooperação entre produtor e leitor e a indissociável articulação do texto com o contexto sociocultural em que é produzido. Desse modo, a construção do sentido de um texto não se limita apenas à percepção pelo leitor de seus aspectos estruturais e de suas informações explícitas, mas que ele mobilize uma série de conhecimentos prévios e faça inferências ao texto, através de estratégias sociocognitivas. Essa atuação ativa do leitor durante o processamento da leitura que, segundo Bakhtin (1992), interage com o texto responsivamente, leva-o a uma postura de concordância ou discordância parcial ou total do que o texto informa. Nessa atividade interacional, ele procede mecanismos de completude de ideias implícitas, bem como de adaptação daquelas cuja compreensão não se construa tão facilmente. A partir dessas considerações, constatamos que o texto informa muito mais do que nele é apresentado objetivamente, uma vez que, para a sua compreensão se efetivar, ocorre o concurso continuo dos seus interlocutores: o autor com a sua intenção/intencionalidade de comunicar algo lançando mão de escolhas discursivas para que isso se consolide; por sua vez, o leitor, construindo o sentido do lê, valendo-se de estratégias sociocognitivas e metacognitivas, ao mobilizar diversos conhecimentos para cumprir a aceitação/aceitabilidade da proposta comunicativa do autor do texto. (KOCH, 2014). Desse modo, nosso objetivo, neste estudo, é abordar os aspectos envolvidos no processamento do texto em tela, quais sejam: os conhecimentos linguísticos (co-textuais) e os conhecimentos enciclopédicos ou de mundo (contextuais). Quanto à motivação para nossa escolha deste texto como objeto de estudo, deve-se ao fato de esta canção apresentar uma variedade de propriedades textuais e discursivas e, por isso, viabilizar que os conhecimentos teóricos trabalhados no âmbito da Disciplina Leitura e Produção de Texto em Língua Portuguesa, base deste trabalho, fossem explorados a partir de sua análise, bem como pela sua atualidade, considerando a mensagem de otimismo por ela transmitida, já que se constitui numa obra de arte que, como tal, é atemporal, ainda que tenha sido produzida no período de pós-ditadura no Brasil como um “manifesto” de entusiasmo e otimismo às pessoas, para elas acreditarem num porvir mais próspero no país decorrente das mudanças que se anunciavam naquele momento. 1 Conhecimentos linguísticos (co-textuais) De acordo com Koch e Elias (2007), os conhecimentos linguísticos são aqueles de natureza léxico-gramatical constantes da materialidade linguística presentes na superfície do texto. Já Marcuschi (2008), denomina-os de conhecimentos co-textuais que, segundo o autor, são evocados cognitivamente, durante o processamento da leitura do texto, a partir das pistas léxicas nele fornecidas, bem como dos elementos linguístico- gramaticais integrantes de sua tessitura. Na canção em estudo, são mobilizados para o seu processamento/compreensão pelo interlocutor, quando de sua leitura, os seguintes conhecimentos linguísticos: 1.1 Conhecimentos gramaticais (morfossintáticos) e lexicais O texto está escrito em Língua Portuguesa, código compartilhado pelo locutor e interlocutor. Desse modo, ambos possuem conhecimentos gramaticais e lexicais suficientes para cumprirem a intencionalidade e aceitabilidade do texto. 1.2 Conhecimentos relacionados ao gênero e à tipologia do texto Esses conhecimentos, de acordo com Koch (2007), denominam-se interacionais e superestruturais. Ao mobilizá-los no ato de leitura, o interlocutor possibilita a identificação do gênero ao qual pertence o texto lido. De acordo com a autora, à medida que ativados esses conhecimentos, cognitivamente, processam-se frames na memória do leitor denominados de modelos de situação e modelos episódicos. Tais modelos que, a priori, são particularizados, já que decorrem do repertório de experiências do leitor/interlocutor nas suas interações cotidianas, tornam-se gerais por serem compartilhados de forma comum pelos integrantes de sua comunidade linguística, ou seja, pelos participantes do contexto sociocultural ao qual ele pertence. Para Bakhtin (2011), uma vez que a língua consiste numa ação social, os sujeitos não podem prescindir dela para estabelecerem suas interações comunicativas, consideradas as condições históricas em que se dão tais relações. A partir dessa visão, o autor opõe-se a duas concepções: o objetivismo abstrato e o subjetivismo individualista. À primeira, por esta não conceber a língua como capaz de evoluir em decorrência do tempo e desconsiderar que ela só se realiza em situações reais de uso. À segunda, por não levar em conta aspectos contextuais implicados na relação responsiva do falante com os seus interlocutores, antes considerando-o como o foco principal dos estudos linguísticos. Desse modo, para o autor, “a interação verbal social constitui a realidade fundamental da língua e seu modo de existência encontra-se na comunicação que, por sua vez, vincula-se à situação social imediata e ampla” (RODRIGUES, 2005, p. 154). Segundo o autor, a língua se concretiza pelo uso de enunciados orais e escritos produzidos pelos sujeitos participantes dos mais variados campos de atuação humana. Tais enunciados resultam das necessidades e propósitos próprios que cada área possui e são constituídos por três elementos indissociáveis e determinados pelas características específicas de cada esfera comunicativa: o conteúdo temático; o estilo; a construção composicional. Como cada área de uso da língua (estética, educacional, jurídica, religiosa, acadêmica, cotidiana, etc.) tem suas particularidades individuais, cria, de acordo com suas demandas sociais, seus gêneros do discurso, definidos como “tipos relativamente estáveis de enunciados” (BAKHTIN, 2011 [1979], p. 262). Segundo Bakhtin (2011), dada à diversidade e complexidade das atividades que há em cada campo de atuação humana, a riqueza de variedade dos gêneros do discurso é infinita, inesgotável e dinâmica, na medida em que incorpora ao seu repertório novos gêneros e/ou transmuta aqueles nela já existentes para adequá-los às necessidades sociais que surgem. Daí, decorre, segundo o teórico, a extrema heterogeneidade dos gêneros discursivos orais e escritos. Todavia, tal heterogeneidade não se constitui num óbice ao estudo dos gêneros do discurso, uma vez que esse traço não os torna enunciados vazios e abstratos e, consequentemente, inviáveispara serem estudados, mas, pelo contrário, contribui para se formular uma categorização dos gêneros do discurso em primários e secundários de acordo com a complexidade que os caracterize, como o fazemos, agora, com a canção em tela. Para Bakhtin (2011 [1979]), os enunciados são constituídos seguindo o princípio dialógico da linguagem, uma vez que estabelecem relações de sentido específicas, a partir dos pontos de vista neles levantados. Ocorrem, então, ligações entre os enunciados que se imprimem em todas as suas dimensões: no conteúdo temático; na estrutura composicional; no estilo. Desse modo, o tema do enunciado determina tanto a sua estrutura quanto o seu estilo, levando-se em consideração a intenção do locutor diante do seu objeto do discurso, bem como dos discursos de outrem que tratem sobre ele, em face dos quais o locutor posiciona-se concordando ou discordando. Assim argumenta o autor: [...] o estilo é indissociavelmente vinculado a unidades temáticas determinadas e, o que é particularmente importante, a unidades composicionais: tipo de estruturação e de conclusão de um todo de relação entre locutor e os outros parceiros da comunicação verbal (BAKHTIN, 2011 [1979], p. 284). De acordo com Bakhtin (2011 [1979]), embora o estilo seja indissociável do enunciado, pode ser estudado de maneira separada, já que a “estilística da língua” constitui uma matéria própria e independente, cujo estudo só faz sentido se estiver diretamente atrelado ao caráter dos gêneros do discurso. A partir dessa concepção, o autor afirma ser infrutífero qualquer estudo linguístico dissociado de uma profunda abordagem sobre as modalidades dos gêneros do discurso, uma vez que a língua(gem) se realiza pelo uso deles. E, assim como o gênero do discurso se constitui social, histórica e culturalmente, o estilo nele impresso não é, apenas, produto da individualidade de seu locutor, mas um produto desses fatores. Com base nos postulados de Bakhtin sobre as dimensões constitutivas dos gêneros do discurso, Rojo (2005) argumenta que o fluxo discursivo das esferas cristaliza historicamente um conjunto de gêneros mais apropriados a esses lugares e relações, viabilizando regularidades nas práticas sociais de linguagem. Esses gêneros, por sua vez, refletirão este conjunto possível de temas e de relações nas formas estilos de dizer e de enunciar. O que torna, entretanto, os textos e discursos irrepetíveis é o fato de esses aspectos da situação, assim como seu tempo e lugar histórico-sociais, serem eles próprios irrepetíveis, garantindo a cada enunciado seu caráter original (ROJO, 2005, p. 197). Para o autor, o parâmetro que determina as três dimensões dos gêneros do discurso são as situações reais em que eles são produzidos, bem como a apreciação valorativa feita pelo seu locutor quanto aos seus temas e interlocutores no momento da enunciação. Por isso, para além de questões de estrutura e textualidade, os enunciados só podem ser produzidos com referência aos fatores do contexto de produção. Enquanto gênero discursivo/textual, na perspectiva de Bakhtin (1992); Marcuschi (2008), Rojo (2005), este texto integra o rol dos gêneros secundários, pois se materializa pelo sincretismo de elementos linguísticos e musicais e, dependendo do seu uso efetivo numa situação de interação verbal concreta, ele pode estar configurado tanto na modalidade oral quanto escrita da língua. Compreende, pois, uma letra de música/canção que está presente em diversas esferas sociais como religiosas, políticas, artístico-musical, cotidianas, atendendo às mais diversas necessidades da sociedade, e possui os seguintes elementos: a) estrutura composicional - quando escrita, verbalmente, constrói-se em 57 versos, alguns deles rimados e 25 estrofes, tendo como ritmo o samba. b) estilo - podemos destacar as seguintes escolhas linguístico-discursivas feitas pelo locutor: Adota como título uma frase interrogativa típica das brincadeiras infantis, cujo objetivo é a adivinhação, a decifração de um enigma - “O que é o que é?”. Neste caso, o enigma é a definição do que é a vida. Com essa pergunta-título, o locutor/enunciador evoca outras vozes que constituem as possíveis respostas a esse questionamento inicial, deixando inscrito desde então, o caráter polifônico que imprimiria no seu enunciado. Assume um posicionamento que quebra a expectativa do leitor/interlocutor pela adoção da resposta das crianças para uma questão existencial, universal e complexa: o que é a vida o que é? (9ª estrofe) É a vida, é bonita E é bonita (1ª estrofes) Note-se a ingenuidade pueril que o locutor trata por “pureza”, pois, quando uma criança é indagada sobre algo de que goste, que considere bom, geralmente, a resposta é essa: é bonita E é bonita. Essa pureza/simplicidade se constrói pelo uso do verbo “ser” seguido do adjetivo “bonita”, o que imprime uma verossimilhança no discurso, já que não se pode esperar a formulação de enunciados complexos e sofisticados por crianças. Desse modo, a estrutura morfossintática do enunciado é simples: SD + VL + PS (sujeito desinencial + Verbo de ligação + Predicativo do sujeito). Essa estrutura básica é, segunda a teoria gerativista de aquisição da linguagem decorrente da competência linguística, segundo a qual a pessoa nasce com um dispositivo a que Chomsky (1972) apud Kenedy (2013) denomina de Gramática Universal, ou seja, possui uma predisposição genético-mental para a aquisição da língua com uma estrutura lógica comum a todas as línguas. Opta por empregar na construção dos enunciados verbos em sua forma nominal de infinitivo - viver, ter e ser. Esta tríade verbal contém a dicotomia ter x ser e levanta a discussão para o interlocutor sobre qual destas duas dimensões consiste em viver cujo sentido é ser feliz. Essa binaridade aparece nos versos: Viver e não ter a vergonha De ser feliz Ao longo de todo o texto, o locutor supervaloriza o “ser” em detrimento do “ter”. E o verbo “ser” assume um valor ontológico que excede aquele que a gramática tradicional lhe confere e o sentido dicionarizado que possui, pois está imbricado pelo contexto sócio-histórico e cultural que amálgama o sentido atingido pela enunciação em que está inserido, conforme defende Bakhtin (1992). Emprego das seguintes figuras de linguagem: Figuras Semânticas metáforas Ela é a batida de um coração Ela é uma doce ilusão [...] é um divino/Mistério profundo É um nada no mundo É uma gota, é um tempo/Que nem dá um segundo É o sopro do criador/Numa atitude repleta de amor Catacrese Ela é a batida de um coração Sinestesia Ela é a batida de um coração Ela é uma doce ilusão Figuras de sintaxe ou de construção Polissíndetos Cantar, e cantar, e cantar Essa escolha do locutor em repetir o conectivo coordenativo aditivo - e - deixa implícita a ideia de persistência, perseverança, resiliência, ou seja, em continuar cantando, a despeito das circunstâncias adversas que possam surgir. Mas não “Cantar, e cantar, e cantar” qualquer coisa, mas sim “A beleza de ser um eterno aprendiz”. Somos nós que fazemos a vida Como der, ou puder, ou quiser Com o uso do conectivo coordenativo alternativo (de escolha/exclusão) - ou - o locutor divide a opinião sobre a responsabilidade de viver e ser feliz com o interlocutor, cujas escolhas implicarão para o alcance deste status quo. Que ele seja feliz: i) do jeito que der; ii) do jeito que puder; iii) do jeito que quiser. Observa-se que o tempo e modo verbais utilizados são o futuro do subjuntivo, o que implica em condições hipotéticas e mutantes decorrentes de escolhas e não situações fixas e estanques como as que seriam representadas pelo uso do modo indicativo. Anáfora e paralelismo sintático E a pergunta roda E a cabeça agita Elipse É um nada no mundo (A vida) É uma gota,é um tempo (A vida) [...] é um divino/Mistério profundo (A vida) É um nada no mundo (A vida) Figuras de pensamento Antíteses Você diz que é luta e prazer Ela é maravilha ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento? Apóstrofe Ah, meu Deus! Com essa invocação, o locutor revela o alvo de sua fé e motivador da manutenção de sua confiança na melhora das condições de vida do país, ou seja, aquele que o faz cantar sempre - Deus - (com D maiúsculo). Ele demonstra, também, o seu credo na ideia de divindade concebida pela tradição judaico-cristã. Figuras fonéticas ou sonoras Aliteração Só saúde e sorte c) Conteúdo temático - Segundo Freitas (2021), esta canção - O que é, o que é? integra o álbum Caminhos do coração, de 1982. Consiste num samba de cunho engajado- esperançoso composto a partir das respostas dadas por outros músicos e pessoas de todas as idades ao locutor nos camarins e à porta dos teatros onde ele se apresentava, em conversas que ele mantinha em torno da seguinte questão (que não é uma pergunta retórica): o que é a vida o que é? (9ª estrofe) Dentre as várias respostas conseguidas, o locutor identificou-se com a das crianças por julgá-la resultante da pureza que lhes caracteriza e inspirá-lo a acreditar na vida, ainda que o contexto sócio-político e econômico não fosse favorável nem ideal: É a vida, é bonita E é bonita (1ª estrofes) Segundo Freitas (2021), a opção do locutor pela resposta das crianças, em detrimento das demais, deu-se porque ele teve a intenção de imprimir no texto uma visão menos racionalizada da vida, desconstruindo, poeticamente, as percepções mais intuitivas típicas dos adultos e, ao mesmo tempo, permitindo-se uma experiência mais sensorial, valendo-se da evasão que essa atitude de determinação proporciona: Cantar, e cantar, e cantar Então, o tema do texto centra-se nas muitas visões sobre a vida (essência da) ou o ato de viver evocadas pelas diversas vozes que nele são enunciadas. 1.3 Conhecimentos sobre os critérios de textualidade Para a construção deste tópico, recorremos às contribuições da Linguística Textual (LT) que, a partir dos anos 1960, atribui um caráter científico ao estudo do texto, tendo como percussores Beaugrande e Dressler (1981). Aqui, no Brasil, os pressupostos da LT foram retomados e reformulados por diversos autores, a exemplo de Fávero e Koch (1983) e Marcuschi (1983). Segundo Fávero e Koch (1983), os estudos textuais têm sido desenvolvidos a partir de três vertentes teóricas, que são as seguintes: as teorias do texto; as gramáticas do texto; a análise transfrástica. As teorias do texto mantêm seu foco de estudo na explicação das noções sobre texto e interessa-se, também, pelas condições contextuais e pragmático- discursivas em que se dão a sua produção e recepção, o que, segundo essa perspectiva, influi, sobremaneira, na interpretação do texto. Por sua vez, a gramática do texto atribui um papel relevante ao falante por reconhecer ser ele o detentor de competência linguística para processar os sentidos atingidos pelo texto durante a sua interpretação dos seus enunciados. Já a análise transfrástica interessa-se por apontar as regularidades que ocorrem na construção textual que superam os limites do enunciado. A partir dos anos de 1990, os estudos da LT assumiram um caráter sociocognitivista que concebia o texto e o contexto numa perspectiva sociointeracionista. Essa concepção baseia-se na natureza dialógica que caracteriza a linguagem humana, cujo fomentador foi Bakhtin (1992 [1929]). Segundo o autor, ao usar a língua em suas infinitas interações comunicativas, o ser humano o faz em razão do outro, de modo que a sua identidade se constrói, dinamicamente, nessa relação marcada pela alteridade. Assim, para essa linha teórica da LT, a linguagem decorre das relações interacionais e dialógicas dos sujeitos ao usarem a língua, não sendo possível admitir a ideia de que o sentido de um texto seja construído, apenas, a partir de sua materialidade linguística nem tampouco somente se se considerar o momento em que se processa a interação verbal. Então, deve-se levar em conta, também, o contexto sociocognitivo imbricado na produção textual. Tomando por base essa última concepção de estudo do texto, algumas abordagens no âmbito da LT vêm sendo desenvolvidas, a exemplo das perspectivas analítico- descritivas, daquelas que estudam o discurso a partir dos princípios da referenciação e das que concebem o texto como um discurso. Sobre a referenciação textual, Cavalcante, Pinheiro, Lins e Lima (2010) argumentam que esse fenômeno linguístico consiste num processo responsável pela (re)construção de referentes que ocorrem de forma subjacente ao texto, quando de sua leitura. Nesse processamento sociocognitivo e interaciona-discursivo, os referentes se constroem não apenas como decorrentes dos índices sintático-semânticos e lexicais, mas compreendem o próprio objeto do discurso, na medida em que se configuram como conhecimentos relevantes e essenciais que são mobilizados pelos interlocutores da enunciação integrantes do entorno sociocultural e discursivo em que ela se dá. Para Beaugrande e Dressler (1983), o texto consiste num evento comunicativo composto por recursos linguísticos e ações sociocognitivas, ou seja, para além de ser um construto linguístico-frasal, constitui um acontecimento comunicativo inserido num contexto mediado pela linguagem, cujo sentido se processa pelos seus interlocutores interacional e cooperativamente. Beaugrande e Dressler (1981); Marcuschi (2008), Fávero e Koch (1983) postulam que um texto para se constituir como uma unidade de sentido precisa atender aos critérios representados no esquema seguinte: Fatores responsáveis pela textualidade Convém ressaltar a importância do conhecimento sobre os fatores da textualidade para a consolidação da compreensão textual, pois eles inserem-se na categoria dos conhecimentos interacionais e são responsáveis, segundo Koch e Elias (2017), pela postura metacognitiva do leitor frente ao texto, uma vez que ele se torna sujeito do ato de ler, na medida em que promove um auto monitoramento de sua leitura e lança mão de estratégias para “desatar os nós” com os quais se deparar no processamento do texto, ou seja, envida esforços no sentido de buscar meios cognitivos que o levem a concretizar a sua compreensão. a) Intencionalidade - Centra-se no locutor/enunciador do texto, cujo trabalho resulta das intenções por ele pretendidas quando da construção discursiva. Suas metas/objetivos, previamente estabelecidos se concretizarão, caso o enunciado produzido satisfaça os critérios de coesão, coerência, o que implica que ele considere a situação real de comunicação em que o texto está inserido, ou seja, os elementos contextuais envolvidos. Fávero e Koch (1983), baseadas nos postulados da Pragmática, defendem que a intencionalidade atribui ao discurso um valor ilocutório, por ter, na sua produção, a cooperação dos interlocutores, isto é, concorrem para a sua produção o autor/locutor com as intenções pressupostas e o receptor/leitor, apercebendo-se de tais objetivos e aceitando- os. Com essa canção, o seu locutor apresenta, pelo menos, quatro intenções/objetivos revelados ao longo do texto: cantar um samba apesar das circunstâncias adversas Mas isso não impede (circunstância adversa) Cantar, e cantar, e cantar (propósito/intenção) construir um discurso que abarcasse algumas das diversas opiniões possíveis sobre o que é a vida, evidenciadas pelas muitas vozes que respondem à pergunta revelada no título do texto e em alguns dos seus versos: O que é, o que é? o que é a vida o que é? (9ª estrofe) As opiniões sobre o que é a vida enunciadas pelas vozes presentes no discurso são: Ela é a batida de um coração Ela é uma doce ilusãoÉ um nada no mundo É uma gota, é um tempo/Que nem dá um segundo [...] é um divino/Mistério profundo É o sopro do criador/Numa atitude repleta de amor expor seu posicionamento frente ao tema daquilo em que consiste a vida Eu fico com a pureza Da resposta das crianças É a vida, é bonita E é bonita despertar, no interlocutor, a consciência e a percepção de que a situação socioeconômica e política do país não era satisfatória: Eu sei, eu sei Que a vida devia ser bem melhor incentivar o interlocutor, numa perspectiva engajada, a ser otimista e a acreditar nas mudanças pelas quais o Brasil passava naquele momento: E será. b) Aceitabilidade - Este fator, cujo foco encontra-se no leitor/interlocutor, compreende a sua contrapartida no processamento textual por meio da leitura, diante da intencionalidade prevista pelo locutor/enunciador. Relaciona-se, assim, à recepção responsiva que este promove dos conhecimentos evocados pelo texto numa relação interacional de negociação mútua (FÁVERO e KOCH, 1983). Ao interpretar essa canção, o interlocutor se dá conta dos seguintes elementos implícitos: relevância e pertinência temáticas - informações condizentes com o contexto, pois o texto aborda, poeticamente, o fim da ditadura e as perspectivas alimentadas pela pelas pessoas sobre a vida: se estavam otimistas ou pessimistas, esperançosas ou desiludidas, confiantes ou incrédulas nas mudanças que se anunciavam naquele momento. Ela é uma doce ilusão (pessimismo) Ela é maravilha (otimismo/confiança) ou é sofrimento? (pessimismo/incredulidade/desilusão) Ela é alegria (otimismo/confiança) ou lamento? (pessimismo/desilusão) atendimento aos princípios da coesão e coerência - a unidade discursiva em que se constitui este texto foi construída pelo emprego de elementos coesivos como a repetição, a elipse, a referenciação endofórica anafórica, o paralelismo estrutural, a lexicalização impressa pelo uso dos operadores argumentativos ou conectores lógico-semânticos, da modalização e da pressuposição. Esses elementos serão analisados na canção mais adiante na seção específica sobre a coesão. c) Informatividade - Este fator de textualidade centra-se no texto e refere-se à abrangência informacional que o texto apresenta. Através dele, evidencia-se, no texto, o seu grau de (in)previsibilidade, ou seja, quanto mais previsível for o texto, menos informativo ele será, porém quanto menos previsível ele for, tende a apresentar mais informações novas e, consequentemente, despertar um maior interesse do interlocutor que promoverá a sua recepção atendendo às intencionalidades nele estabelecidas pelo locutor. Esta canção possui um nível informacional equilibrado, pois articula, harmonicamente, elementos que já são do repertório do interlocutor com aqueles que o locutor visou acrescentá-lo, ou seja, as informações dadas. Segundo Koch (2014), o processamento mental das informações dadas é imediato, enquanto que das informações criadas exige-se um trabalho cognitivo maior por parte do interlocutor/leitor. Como informações dadas (previsíveis), reconhecemos: o código em que está escrita a canção que é a língua portuguesa; os conhecimentos sobre o estilo/gênero musical samba; o gênero do discurso em que se configura o texto. Como informações criadas (imprevisíveis), podemos apontar: a diversidade de visões em torno do tema canção - o que é a vida?, num contexto de pós-ditadura militar num país marcado pela censura e por várias restrições, o que, naturalmente, contribuía, sobremaneira, para as opiniões a esse respeito versassem em torno do pessimismo e da desilusão, aspecto já abordado neste estudo. d) Situacionalidade - Este critério de textualidade tem o contexto como foco e diz respeito à adequação que o locutor/autor precisa proceder, levando em conta a situação comunicativa a ser mediada pelo texto. Relaciona-se, também, ao grau de (in)formalidade que será impresso no discurso, a partir dos aspectos contextuais envolvidos na sua produção. É o que a LT denomina de “registro” (KOCH, 2014). Por tratar-se de um samba, o registro empregado pelo locutor adequa-se à situação comunicativa. Ele emprega uma linguagem de acordo com o contexto sociodiscursivo em que este gênero se insere: com repetições típicas da modalidade oral da língua; desvio proposital da norma gramatical; emprego de frases curtas; recurso à gíria; uso de expressão/locução interjetiva popular consagrada no falar dos locutores. Eu sei, eu sei (repetição típica da modalidade oral) Que a vida devia ser bem melhor (desvio gramatical proposital - devia por deveria) É a vida, é bonita/E é bonita (frases curtas) Diga lá, meu irmão (gíria) Ah, meu Deus! (expressão popular) d) Intertextualidade - De acordo com Koch (2014), consiste num fenômeno linguístico que resulta da apropriação de um texto já existente para a elaboração de outro, de modo que, o texto-matriz serve de base à produção de um novo texto denominado de intertexto. Essa intertextualidade pode ocorrer de forma direta, com a citação de trechos de outros textos ou indireta/implícita com referências que apontam para o texto tomado. No texto em estudo, seu locutor recorreu à Bíblia Sagrada, especificamente, ao Livro de Gênesis 2:7 para compor os versos seguintes: É o sopro do criador/Numa atitude repleta de amor (intertexto) E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida (texto-matriz) É possível, também, estabelecermos o diálogo intertextual entre essa canção e o poema “Consoada” de Manuel Bandeira, conforme se observa nos trechos seguintes: [...] a vida/ Sempre desejada/Por mais que esteja errada/Ninguém quer a morte (intertexto) Quando a Indesejada das gentes chegar/(Não sei se dura ou caroável),/talvez eu tenha medo./Talvez sorria, ou diga:/— Alô, iniludível! (texto-matriz) e) Coerência - Este critério, também, foca-se no texto. Koch e Travaglia (1989) postulam que a coerência textual (ou conectividade conceitual) é considerada um dos fatores essenciais da textualidade, já que implica, diretamente, na construção do sentido que se visa atingir no texto. Para além dos recursos lógico-semânticos nele utilizados, encontram-se embricados fatores cognitivos, cuja ativação faz-se necessária para que a partilha de conhecimentos mediadas por ele entre locutor/enunciador e leitor/locutor se consolide. Desse modo, um texto para ser coerente prescinde de uma harmonia tal entre suas partes que resulte numa unidade de sentido, ou seja, um todo sem ilogicidade nem contradições que possam comprometer sua compreensão. A canção em tela, conforme já demonstrado neste estudo, atende ao princípio da coerência textual. f) Coesão - Segundo Koch (2007), a coesão é construída através de mecanismos linguísticos, indicações na estrutura superficial do texto, o que garante a sua unidade formal, expressa na organização sucessiva de suas partes e possibilitam as relações de sentido nele estabelecidas. Na canção em estudo, identificamos os seguintes procedimentos coesivos, cujos sentidos ou valores lógico-semânticos para serem construídos carecem da ativação/mobilização de vários conhecimentos linguísticos: Eu sei, eu sei (repetição) Cantar, e cantar, e cantar (repetição) E será! (elipse - bem melhor) Mas isso não impede [...] (referenciação endofórica anafórica - a vida devia ser bem melhor) Ela é a batida de um coração/Ela é uma doce ilusão (referenciação endofórica anafórica pronominal - a vida) E a pergunta roda/E a cabeça agita (paralelismo estrutural) Ela é a batida de um coração/Ela é uma doce ilusão (paralelismo estrutural) Mas isso não impede (operador argumentativo adversativo que contrapõe argumentos orientados para conclusões contrárias) Sempre desejada/Por mais que esteja errada/Ninguém quer a morte (operador argumentativoconcessivo que contrapõe argumentos orientados para conclusões contrárias) E a pergunta roda/E a cabeça agita (operadores argumentativos aditivos somados em favor de uma conclusão) Que a vida devia ser bem melhor (verbo auxiliar modal ou modalizador) Eu sei, eu sei (verbo modalizador de atitude proposicional) É uma gota, é um tempo/Que nem dá um segundo (operador argumentativo do tipo lógico, que estabelece entre as orações a relação de restrição ou delimitação - pronome relativo) Mas isso não impede/Que eu repita (pressuposição por negação - fica pressuposto que os fatos citados anteriormente constituiriam motivos de impedimento ao locutor). Como der, ou puder, ou quiser (emprego do operador argumentativo de disjunção pelo conectivo alternativo com valor exclusivo, ou um ou outro, mas nunca os dois) Como der, ou puder, ou quiser (operador lógico-argumentativo de modo) 2 Conhecimentos de mundo ou enciclopédicos (contextuais) De acordo com Koch e Elias (2017), esses conhecimentos constitutivos do repertório do interlocutor, encontram-se arquivados em sua memória e são decorrentes de suas diversas experiências e interações socioculturais nas mais variadas situações de sua vida. São ativados/mobilizados, dinâmica e ativamente, por meio de estratégias sociocognitivas e metacognitivas de leitura quando do processamento/compreensão do texto. Sobre os conhecimentos de mundo ou enciclopédicos, denominados por Marcuschi (2008) de contextualidade, que são mobilizados no processamento/compreensão deste texto, na canção “O que é, o que é?”, reconhecemos: 2.1 Informações históricas sobre o momento político e social em que essa canção foi lançada. Ah, meu Deus! Eu sei, eu sei Que a vida devia ser bem melhor E será! Nesses trechos, fica clara a intenção do locutor de despertar no interlocutor a consciência e percepção de que a situação socioeconômica e política do país não era satisfatória: Eu sei, eu sei Que a vida devia ser bem melhor Contudo, ele demonstra o seu otimismo e fé nas mudanças pelas quais o Brasil passava naquele momento: E será. Essa crença esperançosa do locutor faz jus à conjuntura sociocultural e política em que se deu o lançamento da canção que coincide com o fim da ditadura militar em 1982, no fim do governo Figueiredo, foram realizadas eleições diretas pela primeira vez no país para todos os cargos públicos eleitorais (de vereadores a governadores). Essas eleições foram o pontapé inicial para o movimento Diretas Já que aconteceu nos dois anos seguintes. 2.2 Noções de estilos musicais e movimentos artístico-musicais com suas características e propósitos em dado momento histórico-cultural De acordo com Freitas (2021), Gonzaguinha, o locutor deste texto, integrava o segundo momento da Bossa Nova (inspirada em uma visão popular e nacionalista, este grupo fez uma crítica das influências do jazz norte-americano na bossa nova e propôs sua reaproximação com compositores do morro, como o sambista Zé Ketti), ou seja, ele compunha a Segunda Geração de músicos deste movimento músico-cultural. Foram artistas que empreenderam esforços para a valorização do samba, numa posição mais nacionalista e conciliatória que deu origem ao movimento chamado MPB (Música Popular Brasileira). 2.3 Conhecimentos sobre o locutor do texto, ou seja, o cantor/autor da canção O locutor deste texto foi Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, conhecido, popularmente como Gonzaguinha. Ele nasceu no morro de São Carlos, no bairro Estácio no Rio de Janeiro, em 22/09/1945 e faleceu em Renascença, Paraná, no dia 29/04/1991, após sofrer um acidente de carro na estrada. Além de cantor, era compositor. Era filho de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião e da cantora e dançarina Odaléia Guedes dos Santos. O artista ficou órfão de mãe com dois anos de idade. Suas composições foram gravadas e regravadas por diversos artistas brasileiros ao longo dos últimos anos. Considerações finais Pela conclusão deste estudo propedêutico, que partiu da análise da canção “O que é, o que é?”, de Gonzaguinha, vimos, ancorados nos pressupostos da Linguística Textual, na teoria bakhtiniana sociointeracionista dos gêneros discursivos, bem como nas contribuições de autores que fomentaram pesquisas fundadas no processamento sociocognitivo e metacognitivo do texto, quais são os conhecimentos mobilizados durante a leitura para a construção pelo leitor da compreensão textual. Vislumbramos, com base no aparato teórico consultado, de que mecanismos o interlocutor de um texto lança mão para construir o seu sentido, ou seja, quais conhecimentos precisa ativar cognitivamente para consolidar esse processo. Percebemos, também, quão complexo é o ato de ler e compreender um texto, bem como a interatividade que caracteriza essa atividade, direta e indissociavelmente, vinculada ao seu contexto de produção. Constatamos, também, o quanto a canção analisada constitui um texto discursivamente amplo, na medida em que nos serviu de base para análise de diversos elementos linguísticos, textuais, estilístico-poéticos e que se encontravam no seu entorno, perceptíveis pelas inferências construídas quando de sua leitura e pelo acionamento cognitivo dos conhecimentos prévios necessários para a sua compreensão. Por fim, cabe-nos dizer que esta é apenas uma das análises possíveis desta canção que, como qualquer outra obra de arte, não esgota seu conteúdo e profundidade por mais que seja estudada sob diferentes pretensões teóricas e que, como um bem artístico- cultural, é atemporal e, por isso, sua mensagem aplica-se ao contexto em que estamos inseridos atualmente, como também a qualquer tempo em que seja considerada. REFERÊNCIAS BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo, Martins Fontes, 1992. CAVALCANTE, M. M.; PINHEIRO, C. L.; LINS, M. da P. P.; LIMA, G. Dimensões textuais nas perspectivas sociocognitiva e interacional. In: BENTES, A. C.; LEITE, M. Q. (Orgs.) Linguística de texto e Análise da conversação: panorama das pesquisas no Brasil. São Paulo: Cortez, 2010. BEAUGRANDE, Robert de; DRESSLER, Wolfgang. Einfuhrung in die Textlinguistic. Tubigen: Max Niemeyer, 1981. CHOMSKY, N. Aquisição e uso da linguagem. In: Linguística Cartesiana. Petrópolis: Editora Vozes limitada, tradução portuguesa, 1972. FÁVERO, Leonor Lopes; KOCK, Ingedore Villaça. Introdução à Linguística Textual. São Paulo: Cortez, 1983. FREITAS, Beatriz Pacheco. Gonzaguinha, o eterno aprendiz: a arte de recomeçar de um guerreiro menino. Rio de Janeiro, 2021. Dissertação de Mestrado – Departamento de Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. KENEDY, E. Curso básico de linguística gerativa. São Paulo: Contexto, 2013. KOCH, Ingedore; ELIAS, Vanda. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2017. KOCH, Ingedore Villaça. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 2007. _____________. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 2014. MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. _____________. Linguística de Texto: o que é e como se faz. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1983. RODRIGUES, Rosângela Hammes. Os gêneros do discurso na perspectiva dialógica da linguagem: a abordagem de Bakhtin. In: MEUER, J. L.; BONINI, Adair; MOTA- ROTH, Désirée (Org.). Gêneros: teorias, métodos, debates. São Paulo: EDUC, 2005. ROJO, Roxane. Gêneros do discurso e gêneros textuais: questões teóricas e aplicadas. In: MEUER, J. L.; BONINI, Adair; MOTA-ROTH, Désirée (Org.). Gêneros: teorias, métodos, debates. São Paulo: EDUC, 2005. TRAVAGLIA, Luiz Carlos; KOCH, Ingedore Villaça. Texto e coerência. 1a. ed. São Paulo: Cortez, 1989. ANEXO: Canção “O que é, o que é? de Gonzaguinha Eu fico com a pureza Da resposta das criançasÉ a vida, é bonita E é bonita Viver e não ter a vergonha De ser feliz Cantar, e cantar, e cantar A beleza de ser um eterno aprendiz Ah, meu Deus! Eu sei, eu sei Que a vida devia ser bem melhor E será! Mas isso não impede Que eu repita É bonita, é bonita E é bonita Viver e não ter a vergonha De ser feliz Cantar, e cantar, e cantar A beleza de ser um eterno aprendiz Ah, meu Deus! Eu sei, eu sei Que a vida devia ser bem melhor E será! Mas isso não impede Que eu repita É bonita, é bonita E é bonita E a vida, e a vida o que é? Diga lá, meu irmão Ela é a batida de um coração Ela é uma doce ilusão Êh! Ôh! E a vida Ela é maravilha ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento? O que é? O que é, meu irmão? Há quem fale que a vida da gente É um nada no mundo É uma gota, é um tempo Que nem dá um segundo Há quem fale que é um divino Mistério profundo É o sopro do criador Numa atitude repleta de amor Você diz que é luta e prazer Ele diz que a vida é viver Ela diz que melhor é morrer Pois amada não é e o verbo é sofrer Eu só sei que confio na moça E na moça eu ponho a força da fé Somos nós que fazemos a vida Como der, ou puder, ou quiser Sempre desejada Por mais que esteja errada Ninguém quer a morte Só saúde e sorte E a pergunta roda E a cabeça agita Eu fico com a pureza Da resposta das crianças É a vida, é bonita E é bonita Viver e não ter a vergonha De ser feliz Cantar, e cantar, e cantar A beleza de ser um eterno aprendiz Ah, meu Deus! Eu sei, eu sei Que a vida devia ser bem melhor E será! Mas isso não impede Que eu repita É bonita, é bonita E é bonita Viver e não ter a vergonha De ser feliz Cantar, e cantar, e cantar A beleza de ser um eterno aprendiz Ah, meu Deus! Eu sei, eu sei Que a vida devia ser bem melhor E será! Mas isso não impede Que eu repita É bonita, é bonita E é bonita Viver e não ter a vergonha De ser feliz Cantar, e cantar, e cantar A beleza de ser um eterno aprendiz Ah, meu Deus! Eu sei, eu sei Que a vida devia ser bem melhor E será! Mas isso não impede Que eu repita É bonita, é bonita E é bonita Viver e não ter a vergonha De ser feliz