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Introdução à arbitragem: Entendendo os fundamentos e princípios
Dra. Criscy Santos
@CRISCYANNE 
“O conflito é algo criativo, o que é negativo é o confronto. O conflito é a divergência de posturas, o confronto é a tentativa de anular a outra pessoa."
Mário Sérgio Cortella 
Filosofo contemporâneo 
OS PROCESSOS SOCIAIS
Os grupos se associam (Cooperação, Acomodação e Assimilação) e se dissociam (Competição e Conflito).
ASSOCIATIVOS
COOPERAÇÃO: os grupos trabalham juntos para um mesmo fim.
ACOMODAÇÃO: o perdedor aceita as condições impostas e fica numa situação de Subordinação.
ASSIMILAÇÃO: é a solução definitiva e tranquila do conflito. É o ajustamento pelo qual os grupos
diferentes se tornam mais semelhantes na maneira de pensar, sentir e agir.
29/05/2023
DISSOCIATIVOS
COMPETIÇÃO: é a força que leva os indivíduos a agirem uns contra os outros, em busca do melhor lugar ao sol.
CONFLITO: quando a competição assume características de elevada tensão social sobrevém o CONFLITO. 
Toma formas da rivalidade, discussão, disputa, litígio, guerra.
29/05/2023
OS PROCESSOS SOCIAIS
O surgimento e o desenvolvimento dos métodos alternativos de solução de controvérsias no direito contemporâneo
O surgimento e o desenvolvimento dos métodos alternativos de solução de controvérsias no direito contemporâneo
Na busca de soluções rápidas e ágeis capazes de solver controvérsias advindas das relações por meio da construção de discussão saudável e efetivação de mecanismos que tenham por objetivo equacionar diferentes interesses no pluralismo jurídico e a fim de atender a esse cenário surge os métodos alternativos de solução de controvérsias 
Assim, pela primeira vez em abril de 1976 em St. Paul, no Estado de Minnesota, nos Estados Unidos da América ocorreu a Conferência Nacional sobre as Causas da Insatisfação Popular com a Administração da Justiça (National Conference on the Causes of Popular Dissatisfaction with the Administration of Justice). 
Durante esta conferência, o professor Frank Sander introduziu o seu conceito de JUSTIÇA MULTIPORTAS, pelo meio do qual as portas são uma metáfora visual para as várias formas de solução de disputas que as partes podem escolher para solucionar suas controvérsias.
Nesta conferência, houve a primeira institucionalização dos mencionados métodos com a criação de centros independentes para solução de litígios nos Estados Unidos. 
29/05/2023
O surgimento e o desenvolvimento dos métodos alternativos de solução de controvérsias no direito contemporâneo
Com essas mudanças, os métodos alternativos de solução de controvérsias apresentam soluções mais flexíveis aos interesses baseados em negociações que visam chegar a um acordo que solucione a lide.
segundo Nadja Alexander, os MASC`s são reconhecidos como sistemas de solução de disputas que existem independentemente do judiciário e também como sistemas que interagem entre si também de forma independente do tradicional judiciário estatal. Portanto, percebe-se que os métodos alternativos de solução de controvérsias surgiram nos Estados Unidos, em um contexto de descontentamento com o poder judiciário e evoluíram globalmente para mecanismos presentes nos mais diversos sistemas legais.
O “sistema alternativo de resolução de conflitos” não deve ser entendido como uma válvula de escape de um sistema judiciário primordialmente ineficiente, mas sim como uma ampliação, uma extensão da justiça em seu sentido amplo, garantindo o próprio princípio do acesso à justiça em um sistema “multiportas”. 
O sistema “multiportas”, cabe ressaltar, não se limita ao desafogamento do judiciário,mas se realiza numa nova forma de encarar o acesso à justiça, possibilitando aos cidadãos um sistema diversificado de resolução de conflitos. A escolha por qual forma de resolução de conflitos por vias amigáveis será utilizada é feita pelo cidadão, dependendo de cada caso concreto, de modo a alcançar a melhor solução possível para cada caso.
29/05/2023
O QUE PODE GERAR UM CONFLITO?
DIFERENÇA DOS MÉTODOS DE SOLUÇÃO DE DISPUTAS 
Quando falamos de justiça multipartes estamos falando sobre métodos de administrar conflitos 
Eles podem ser adversárias e não-adversariais.
O adversárias se exprimem através de decisões tomadas por terreiros. Que podem ser a decisão do juiz, ou decisão arbitral feita pelo arbitral.
São existentes também as não adversarias que são decisões tomadas pelas parte que podem ser feitas através:
Negociação: vontade bilaterais sem intervenção de terceiros.
Conciliação: Existe intervenção de terceiros que pode sugerir formas de resolução para o conflito dentro de sua experiencia, indicado para relações sem convivência posterior. 
Mediação: método onde o terceiro temo objetivo de restabelecer o dialogo entre as partes para que elas cheguem a uma resolução do conflito, indicado para quando haverá um relacionamento posterior.
O que é a arbitragem?
A arbitragem é um método de soluções extrajudicial de conflitos. Assim podemos conceituar a arbitragem como sendo o processo através do qual a controvérsia existente entre as partes é decidida por terceiro ou terceiros (árbitro o árbitros – sendo número impar) imparciais, e não pelo poder judiciário (juízes). 
Panorama do processo ao compositivo 
Tempo e Custo
▪ Controle
▪ Confidencialidade
▪ Satisfatoriedade (Ganha/Ganha)
▪ Voluntariedade
▪ Caráter oficial
▪ Empoderamento
▪ Manutenção das relações.
Exemplos de mandas 
ARBITRAGEM TRABALHISTA
Em 2017, a chamada Reforma Trabalhista, trazida pela Lei 13.467/2017, confirmou a possibilidade da utilização da ARBITRAGEM para solução de conflitos entre empregados e empregadores. Havendo um litígio, as partes, de comum acordo, terão que eleger um árbitro, que irá dar uma solução final ao litígio, por meio de uma sentença arbitral, que tem o mesmo valor que a sentença judicial, amparada por lei, nos termos do art. 507-A da CLT.
Art. 507-A CLT Nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuada cláusula compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei no 9.307, de 23 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
RELAÇÕES CONSUMERISTAS E TRIBUTAIS 
Em sede Tributária, o procedimento arbitral está em ampla expansão no Brasil, Visando prevenir conflitos de natureza tributária – mediante a solução de questões fáticas – antes da formalização do lançamento tributário, podendo servir ainda, para dirimir conflitos que sejam anteriores aos créditos tributários constituídos;
MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM EXTRACONTRATUAIS 
As câmaras arbitrais possui competência para decidir sobre questões envolvendo matéria não contratual, desde que seja arbitrável, envolva direito patrimonial disponível e esteja coberta pelo acordo de vontade das partes.
Como exemplo, temos conflitos provenientes de acidentes de trânsito, perdas e danos, lucros cessantes, danos: materiais, estéticos, morais, ambiental, outros.
ARBITRAGEM NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS PRIVADAS
Com o implemento das formas de globalização e diante da tendência de formação de blocos econômicos, surgiu a necessidade de que os conflitos decorrentes das relações privadas fossem resolvidos de forma mais rápida, econômica, sigilosa, técnica e eficiente.
No Direito Internacional, o instituto da arbitragem busca dirimir conflitos existentes entre pessoas físicas e jurídicas domiciliadas em países diversos, provenientes de contratos internacionais, dirimindo interpretações de contratos (bens e/ou serviços), extensão territorial, exclusividade, etc.
QUEM PODE SER ARBITRO
De acordo com o artigo 13 da Lei Federal n. 9.307/96 que dispõe sobre a arbitragem, “pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes”.  No parágrafo 6º do referido artigo, a lei determina que “no desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com imparcialidade, independência, competência,diligência e discrição.” Adiante, arremata o artigo 18 ao dizer que “o árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário.”
A lei de arbitragem não faz qualquer exigência quanto à formação do árbitro, porém a maioria das Câmaras de Arbitragem instituem como requisito a formação em curso superior e especialização em alguma área, com o intuito de elevar o nível da prestação do serviço.
É imprescindível a análise de seus currículos e antecedentes pessoais e profissionais. Deve ser pessoa idônea, com experiência profissional, sem qualquer envolvimento em situação que possa colocar em cheque sua atuação profissional.
O termo “confiança” a que se refere a lei tem uma grande dimensão, pois além de acreditar na pessoa, as partes precisam ter a certeza de que essa pessoa possui a melhor qualificação técnica e profissional para atuar no caso de forma irrepreensível.
Para julgar o conflito, os envolvidos elegem um ou mais árbitros, sempre em número ímpar. O árbitro único geralmente é escolhido em questões menos complexas e de menor valor econômico. Questões de grande complexidade exigem a composição de um Tribunal Arbitral (pelo menos 3 árbitros), nesses casos as partes indicam dois especialistas no assunto específico mais um advogado – ou dois advogados e um único especialista na área em questão.
No artigo 14 a lei estabelece que “estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas que tenham, com as partes ou com o litígio que lhes for submetido, algumas das relações que caracterizam os casos de impedimento ou suspeição de juízes, aplicando-se-lhes, no que couber, os mesmos deveres e responsabilidades, conforme previsto no Código de Processo Civil.”
Comprimento da sentença arbitral 
A sentença arbitral figura como título executivo judicial, cujo cumprimento de sentença se dará por via judicial, nos termos do artigo 515 do CPC.
De acordo com a doutrina moderna, “ao árbitro/tribunal arbitral cabe proferir a sentença, sendo do juízo estatal a competência para processar e efetivar o cumprimento da sentença (DIDIER JR, 2017 p. 227).”
É importante destacar, que essa diferença entre a execução da ira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. sentença arbitral e a sentença existe pelo fato de o Legislador ter restringido a atuação do Tribunal Arbitral até a fase de prolação de sentença com algumas ressalvas previstas na lei.
O CPC-2015, no inciso III, do artigo 516, determina que o cumprimento da sentença efetuar-se-á perante o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrange
Mas pode acontecer que, mesmo nesses casos, o cumprimento da sentença se dê como fase do processo. 
Isso ocorrerá quando a execução dessas decisões for precedida de liquidação; a liquidação será o processo autônomo, encerrada por sentença cujo cumprimento se dará por fase. Ou seja: o cumprimento de sentença somente ocorrerá em processo autônomo se um desses títulos executivos judiciais (art. 515, VI a IX, CPC) prescindir de liquidação para poder ser executado. É por isso que o § 1º do art. 515 do CPC determina que, nos casos dos seus incisos VI a IX, o devedor será citado no juízo cível para o cumprimento da sentença ou para a liquidação no prazo de quinze dias.
É possível, excepcionalmente, que o cumprimento de sentença fundado num dos títulos judiciais indicados no art. 515, I a V, do CPC se faça por processo autônomo, e não por fase. 
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