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ENDODONTIA-UFPB Dhandhara Chiang 
 
RETRATAMENTO ENDODONTICO 
As lesões perirradiculares observadas em 
dentes tratados são também conhecidas como 
lesão pós- tratamento e podem ser emergentes 
(estavam ausentes e se desenvolveram após o 
tratamento), persistentes (que persistiram 
apesar do tratamento) ou recorrentes (que 
reaparecem tardiamente após terem sido 
reparadas) 
Possíveis causas do insucesso 
Infecção Intrarradicular: infecção mista, 
bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, 
compostas principalmente por bactérias Gram-
positivas, Enterococcus faecalis é a espécie 
mais frequentemente encontrada em casos de 
fracasso do tratamento endodôntico, Cândida 
albicans é a espécie de fungo mais comumente 
detectada nos casos de fracasso; lesão pós-
tratamento são predominantemente 
anaeróbias estritas. 
Infecção Extrarradicular: abscesso 
perirradicular agudo, caracterizado por 
inflamação purulenta nos tecidos 
perirradiculares em resposta a uma saída 
maciça de bactérias patogênicas do canal 
radicular; pelo estabelecimento de 
microrganismos nos tecidos perirradiculares 
ou por aderência à superfície externa da raiz 
apical, formando biofilmes, ou pela formação 
de colônias actinomicóticas coesas dentro o 
corpo da lesão inflamatória. 
Sobreobturação: Contudo, a grande maioria dos 
materiais utilizados na obturação de canais 
radiculares é biocompatível (como a guta-
percha) ou apresenta citotoxicidade 
significativa apenas antes de endurecerem 
(cimentos endodônticos); vezes, canais 
sobreobturados não apresentam um selamento 
apical satisfatório. Isto permite que ocorra a 
percolação de fluidos teciduais para o interior 
do sistema de canais radiculares, os quais, 
sendo ricos em proteínas e glicoproteínas, 
podem suprir substrato para microrganismos 
residuais que sobreviveram aos efeitos dos 
procedimentos intracanais; restabelecida a 
fonte nutricional, tais microrganismos podem 
proliferar e atingir números compatíveis com a 
indução ou manutenção de uma lesão 
perirradicular. 
Alguns materiais obturadores que contêm 
substâncias insolúveis e irritantes, como o talco 
contaminando cones de guta-percha, quando 
extravasados para os tecidos perirradiculares, 
podem evocar uma reação de corpo estranho 
nestes, o que perpetuará ou, possivelmente, 
induzirá uma lesão perirradicular, conduzindo 
o tratamento endodôntico ao fracasso. 
Toda vez que surge um insucesso, a opção recai 
sobre duas condutas básicas: a cirurgia 
perirradicular ou o retratamento convencional, 
Indicação para retratamento 
1. Quando um exame radiográfico revelar 
obturação endodôntica inadequada de um 
canal radicular 
2. Quando o exame clínico revelar exposição da 
obturação do canal radicular ao meio bucal por 
um longo período. 
3. Quando o exame clínico do dente tratado 
endodonticamente revelar: persistência de 
sintomas objetivos; desconforto a percussão e a 
palpação; fístula ou edema; mobilidade; 
impossibilidade de mastigação. 
4. Quando observamos no exame radiográfico 
de um dente tratado endodonticamente: 
presença de rarefações ósseas em áreas 
perirradiculares previamente inexistentes, 
incluindo rarefações laterais; espaço do 
ligamento periodontal aumentado, maior que 2 
mm; ausência de reparo ósseo em uma 
reabsorção perirradicular; aumento de uma 
área radiotransparente; não formação de nova 
lâmina dura; evidência de progressão de uma 
reabsorção radicular. 
5. O retratamento também deve ser indicado 
para os dentes que serão submetidos à cirurgia 
perirradicular, nos casos em que o canal 
radicular se apresenta inadequadamente 
instrumentado e obturado. 
O retratamento endodôntico envolve etapas 
distintas, ou seja: 
ENDODONTIA-UFPB Dhandhara Chiang 
1. Remoção da restauração coronária 
2. Remoção de retentores 
intrarradiculares 
3. Remoção do material obturador do 
canal radicular (esvaziamento) 
4. Reinstrumentação do canal radicular 
5. Medicação intracanal 
6. Obturação do canal radicular 
Antes de se programar o retratamento, é 
necessária uma cuidadosa análise 
clinicorrradiográfica do elemento dentário. 
Nesse exame, deve-se observar a viabilidade do 
retratamento e, principalmente, o tipo de 
restauração coronária presente, o aspecto da 
obturação do canal radicular e a presença de 
iatrogênias (degraus, perfurações, 
instrumentos fraturados, obstruções e 
reabsorções). 
REMOÇÃO DO MATERIAL OBTURADOR DO 
CANAL RADICULAR 
Para se obter uma obturação endodôntica 
compacta, além de técnica aprimorada, é 
necessário a associação dos materiais sólidos 
(cones de guta-percha, Resilon e prata) e 
plásticos (cimentos e pastas). 
O esvaziamento do canal radicular pode ser 
realizado por meios mecânicos, térmicos, 
químicos ou combinações destes. 
• Mecânicos: instrumentos endodônticos; 
• Térmicos: calcadores aquecidos, 
aparelhos especiais (Touch’n Heat, 
System B e ultrassom com pontas 
especiais); 
• Químicos: solventes orgânicos; 
• Combinações: termo-mecânicos e 
químico-mecânicos. 
A escolha do método de remoção a ser utilizado 
não depende da técnica de obturação 
empregada, mas, certamente, da compactação 
da anatomia do canal e do limite apical da 
obturação. 
Obturações com Compactações Deficiente: 
Quando o canal radicular é pobremente 
obturado e o cone de guta-percha 
aparentemente está livre, a sua remoção é 
simples e pode ser facilmente realizada com 
limas Hedstrom de diâmetro adequado; não há 
necessidade do uso de solvente; cuidado de 
deixar a cavidade inundada com a solução 
química hipoclorito de sódio (2,5%); canal, faz-
se a tração em sentido coronário, removendo-
se o cone de guta-percha que, geralmente, vem 
aderido a haste helicoidal do instrumento. Se 
nas duas ou três primeiras tentativas isto não 
ocorrer, uma nova lima Hedstrom 1 ou 2 
números maiores será usada, na tentativa de 
engajar o cone de guta-percha. 
Obturações Compactadas: o material do 
segmento cervical pode ser removido por 
instrumentos endodônticos acionados 
manualmente, por dispositivos mecanizados ou 
instrumentos aquecidos; tipo K de 21 mm de 
comprimento, de seção reta transversal 
quadrangular e fabricados em aço inoxidável 
devem ser os escolhidos; escolhe um 
instrumento endodôntico tipo K de diâmetro 
um pouco menor do que o diâmetro aparente 
da obturação em relação ao segmento cervical 
será selecionado; faz o avanço com rotação à 
direita de uma a duas voltas sobre o seu eixo e 
a seguir removido em sentido cervical. A 
rotação e o avanço provocam o corte e o 
encravamento das hélices do instrumento no 
cone de guta-percha. A remoção arranca o 
material cortado do interior do canal radicular. 
Esta manobra será repetida com o mesmo 
instrumento ou outro de menor diâmetro, 
avançando-o em sentido apical do canal 
radicular. 
Largo e gates não tem pontas cortantes, tem 
que introduzir na desemborcadura com ele 
rotacionando; em virtude de a força de atrito 
estática ser maior do que a dinâmica, os 
alargadores mecanizados devem ser levados 
em direção ao material obturador girando. Se a 
remoção for iniciada com o alargador em 
posição estática e junto ao material obturador 
do canal, em virtude de o coeficiente de atrito 
estático ser maior que o cinético, é gerado um 
torque maior no instrumento; fazer 
movimentos de bicada para não aquecer a guta 
percha e ela plastificar e transmitir calor para a 
superfície radicular externa. 
ENDODONTIA-UFPB Dhandhara Chiang 
Quando for usar Ni-Ti mecanizados na remoção 
dos materiais obturadores tem que selecionar 
um instrumento com diâmetro menor do que o 
do tratamento anterior para que atue junto ao 
material obturador e não contra as paredes 
dentinarias. 
Os materiais obturadores extruído via forame 
apical não está associada ao modo de 
acionamento do instrumento (manual ou 
mecânico), mas sim à amplitude e à frequência 
do avanço e do retrocessode um instrumento 
endodôntico no interior de um canal radicular. 
Quanto maiores, maior será a possibilidade de 
ocorrer a extrusão. 
Sempre usa solventes? 
R: não necessariamente pois quando se usa os 
instrumentos mecanizados O atrito do 
instrumento contra o material obturador gera 
calor suficiente para plastificar a guta-percha, 
não ocorrendo, assim, a necessidade de uso de 
solventes. 
Qual a vantagem dos instrumentos 
aquecidos? 
R: não causam desvios, perfurações e degraus, 
porem tem como desvantagem a não ampliação 
e retificação do canal radicular. 
OBS: normalmente, os instrumentos tipo K são 
empregados juntamente com solventes, como o 
eucaliptol ou clorofórmio. 
Pq não usar flexofile? 
R: pois são menos resistentes a 
flexocompressão, podendo assim fraturar. 
SOLVENTES 
Capacidade de dissolver orgânicos e 
inorgânicos, são tóxicos e deve ser evitado o 
uso. 
Resilon- clorofórmio, pode ser térmico tbm 
Cimento resinoso- ação mecânica de 
alargamento e limagem 
Clorofórmio: pouco solúvel na água e 
inteiramente miscível com o álcool, volátil e 
toxico, potencial cancerígeno; desintegra a 
pasta de oxido de zinco e eugenol rápido 
Xilol (dimetilfenol): insolúvel em agua, porem 
solúvel no álcool e benzeno, muito toxico, 
menor efeito solvente na guta-percha quando 
comparado com clorofórmio. 
Eucaliptol: insolúvel na agua e inteiramente 
miscível com álcool, menos irritante que o 
clorofórmio e não tem potencial cancerígeno, 
tem efeito antibacteriano e propriedades anti-
inflamatórias, porem é menos efetivo com 
solvente da guta-percha, quando aquecido a 
capacidade de solvente aumenta e se compara 
ao clorofórmio; eucaliptol não desintegra o 
cimento de óxido de zinco-eugenol, por ser 
uma substância oleosa e de baixa polaridade, 
CANAIS OBTURADOS COM PASTAS E 
CIMENTOS 
As pastas não tomam presa (cura) 
permanecendo, por tempo indeterminado, sob 
o mesmo estado físico, uma vez que as 
substâncias que as constituem não reagem 
quimicamente entre si. São usadas mais com a 
finalidade terapêutica do que obturadora dos 
canais radiculares. Dentre as diversas pastas 
mencionadas na literatura, as alcalinas à base 
de hidróxido de cálcio são amplamente usadas 
como medicamento intracanal, na forma de 
obturação temporária. 
Os cimentos usados na obturação dos canais 
radiculares diferem das pastas, porque há 
reação química de seus componentes, 
ocorrendo posteriormente o seu 
endurecimento (cura). Óxido de zinco-eugenol, 
sem cone de guta-percha, tem sido o mais 
usado como material obturador de canais 
radiculares. A combinação do óxido de zinco 
com o eugenol assegura o endurecimento deste 
cimento por um processo de quelação, cujo 
produto final é o eugenalato de zinco. Este 
cimento não apresenta em sua composição 
componentes orgânicos, o que o torna 
praticamente insolúvel diante dos solventes 
orgânicos usados para a guta-percha. Em 
consequência, o ato de esvaziamento do canal 
radicular torna- se trabalhoso e, muitas vezes, 
impossível de ser realizado. 
Os solventes orgânicos não têm capacidade de 
dissolver os compostos minerais que formam o 
ENDODONTIA-UFPB Dhandhara Chiang 
óxido de zinco-eugenol pois o cimento não 
apresenta colofonia o que o torna praticamente 
insolúvel diante dos solventes orgânicos 
usualmente empregados em Endodontia. 
Porém, essas soluções químicas podem 
promover a desintegração física do cimento de 
óxido de zinco-eugenol. 
REINSTRUMENTAÇÃO DOS CANAIS 
RADICULARES 
O retratamento endodôntico tem como objetivo 
a remoção de todo o material obturador 
previamente existente e uma efetiva 
Reinstrumentação das paredes dentinárias do 
canal radicular, para a obtenção de uma forma 
adequada (limpeza e modelagem) que favoreça 
a nova obturação. Após o esvaziamento e a 
determinação do comprimento de trabalho e de 
patência, iniciamos a reinstrumentação dos 
canais radiculares. Todavia, o esvaziamento e a 
reinstrumentação, na maioria das vezes, são 
realizados concomitantemente. Clinicamente, a 
reinstrumentação é considerada completa, 
quando não há mais evidência de guta-percha 
ou selador no instrumento endodôntico, as 
raspas de dentina excisadas são de coloração 
claras e o canal radicular, através da 
sensibilidade tátil, apresentar paredes lisas e, 
imaginariamente, uma forma adequada que 
permita sua posterior obturação de maneira 
efetiva. 
A limpeza e a forma final de um canal radicular, 
após a sua reinstrumentação, estão associadas, 
principalmente: 
• às propriedades mecânicas das ligas 
metálicas dos instrumentos endodônticos. 
• à complexidade anatômica dos canais 
radiculares. 
• à geometria (forma e dimensões) dos 
instrumentos endodônticos empregados. 
• ao movimento aplicado aos instrumentos 
endodônticos. 
Independentemente da técnica na 
instrumentação do segmento apical, o 
movimento de limagem deve ser evitado. 
 
ANOTAÇÕES AULA 
Técnica de retratamento endodôntico para o 
clínico geral 
Rever cirurgia de acesso 
Remover material obturador 
Como remover guta percha? 
R: não usa soluções solventes pois suja o canal 
criando smear layer que entra nos túbulos 
dentinarios; dentes anteriores remove com 
gates; posteriores com reciprocantes; 
Acesso radicular se usa canal tipo K 10 ou K 15 
Patência a molares: 10 ou 8 
Solventes: óleo de laranja e eucaliptol 
Remoção do material obturador: a anatomia do 
canal, assim como a compactação, o 
comprimento longitudinal da obturação e o 
tempo decorrido do tratamento certamente 
influencia nessa desobturação, alem disso a 
magnificação e a visualização desse canal vai 
contribuir para o sucesso desse retratamento.