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Endodontia:
- Prevenção, diagnóstico e tratamento das enfermidades da polpa.
CARACTERÍSTICAS:
- Campo visual reduzido (cavidade pulpar)
- Variadas conformações
- Não permite visualização direta
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PILARES DO TRETAMENTO ENDODONTICO:
1. Assepsia (isolamento absoluto), evitar entrada de microrganismos pela saliva 
2. Acesso
3. Raspagem
4. Obturação
5. Restauração
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HISTÓRICO:
1728 – Pierre Fouchard = Pai da odontologia (abertura da polpa para tratamento da dor)
1867 a 1880 – Pasteur, Koch e Lister = Relação entre microrganismos e enfermidades
1899 – Kells, 1º dentista a usar RX para verificar a obturação dos canais
1958 – Ingle e Levine, definiram a uniformidade dos instrumentais odontológicos 
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ANATOMIA DENTAL INTERNA:
CAVIDADE PULPAR:
- É o espaço central no interior de um dente, é dividida em:
	- Porção coronária (câmara pulpar) 
	- Porção radicular(canal)
O formato da cavidade pulpar é uma miniatura do contorno do dente.
CÂMARA PULPAR:
- Ocupa o centro da coroa.
- É totalmente circundada por dentina
- Formato depende de: Idade, forma da coroa, irritações que o dente foi submetido
	
	ANATOMIA DA POLPA:
	- Teto
	- Assoalho
	- Divertículos: Projeções que abrigam os cornos 	pulpares
	- Cornos pulpares: Projeções do tecido pulpar, 	alojado nos divertículos. Cada corno está 	associado a uma cúspide.
CANAL RADICULAR: Continuidade da câmara pulpar, se estende por todo o comprimento da raiz e finaliza no forame apical
	- Forma de dois cones invertidos
		- Canal dentinário (mais longo)
		- Canal cementário (mais curto)
CONSTRIÇÃO APICAL: Ponto de menor diâmetro do canal, ocorre nas próximo a junção cemento-esmalte.
NOMENCLATURA APLICADA AOS CANAIS:
- C. PRINCIPAL: Segue o longo eixo do dente.
- C. COLATERAL: Sai do canal principal, corre paralelo a ele e retorna.
- C. LATERAL: Parte do C. principal, na região cervical e alcança a superfície externa.
- C. SECUNDÁRIO: Parte do C. principal, na região apical e alcança a superfície externa.
- C. ACESSÓRIO: Surge de um canal secundário.
- DELTA APICAL: Vários canais que derivam do principal na região apical.
- C. CAVO-INTERRADICULAR: Raro de acontecer, só acontece em dentes com furca, sai da câmara pulpar w vai em direção a furca.
- INTERCANAL: Põe em comunicação diferentes canais
- CANAL RECORRENTE: Parecido com o colateral, mais é mais longo e não paralelo.
- CANAIS RETICULARES: Entrelaçamento de 3 ou mais canais, correm paralelamente. 
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FORMA DOS CANAIS:
- Ocupam o centro da raiz, sua forma varia de acordo com o formato da raiz.
Em cortes transversais:
	- CIRCULAR
	- OVAL
	- OVAL ALONGADO
	- GOTA
	- RIM
	- AMPULHETA
- Vai afunilando ao longo da raiz.
- Costumam a apresentar curvatura para a direção vestíbulo-lingual, não aparece nas radiografias. (SEMPRE presumir que o canal é curvo até se provar o contrário)
ÁPICE RADICULAR:
	- Corresponde aos 2 ou 3mm finais da raiz.
	-Reto nos jovens, se curva com a idade.
VÉRTICE RADICULAR:
	- É o ponto final mais extremo do ápice.
	- Pontinha que podemos ver na radiografia.
FORAME APICAL:
	- Circunferência/bordo que separa a terminação do canal (cementário) da superfície externa da raíz.
	- É lateralizado (pode estar deslocado até 3mm 	em lateralidade.)
	- Não é visível no RX.
	- A limpeza nesse local é muito importante!!!
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ALTERAÇÕES MAIS IMPORTANTES:
- Ocorrem por:
	- Deposição fisiológica de dentina e cemento
 	- Reação da polpa por diferentes estímulos.
IDADE: Deposição dentinária em todas as 	superfícies a cavidade pulpar (dentina 	secundária)
	- Dificulta a localização da câmara e dos canais)
IRRITANTES: Qualquer lesão que exponha a dentina à 	cavidade oral pode estimular a formação de 	dentina na área.
	Exemplo de causas:
	- Cárie:
	- Doença periodontal:
	- Abrasão: Força mecânica repetitiva (Ex: 	Escovação)
	- Erosão: Desgaste químico (dieta ácida, suco 	gástrico)
	- Atrição: Contato dente a dente (ex: Bruxismo)
	- Fratura:
Podem ser:
CALCIFICAÇÕES: Ocorrem por um processo natural de 	maturação (resposta a uma agressão) ou 	envelhecimento. 
	Assumem 2 formas;
	- CÁLCULO PULPAR: Geralmente na polpa, 	visível nas radiografias
	- CALCIFICAÇÃO DIFUSA: Geralmente nos 	canais. Não visível a olho nu.
REABSORÇÃO INTERNA: Perda de dentina, resulta em 	aumento da cavidade pulpar.
DILACERAÇÃO RADICULAR: Curvatura radicular complexa ou severa que dificultam o tratamento endodôntico.
	- Possíveis causas: Canal mandibular, fossa 	nasal...
CANAIS EM FORMA DE “C”: Ocorre nos molares, dificulta o prognóstico e tratamento.
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CONFIGURAÇÃO EXTERNA E INTERNA DOS ELEMENTOS DENTAIS:
INCISIVO CENTRAL SUPERIOR:
- RAIZ: única, cônico-piramidal, geralmente reta;
CANAL: Secção triangular no colo e circular no terço apical, é amplo, único e costuma ser reto.
- CÂMARA PULPAR: Maior no sentido MD e estreita no VP
- DIVERTÍCULOS: Mesial e distal (bem pronunciados)
- CANAIS LATERAIS: Aparecem com frequência.
- Sem dificuldade no tratamento.
INCISIVO LATERAL SUPERIOR:
- Igual ao ICS, só que em menor escala.
- RAIZ: única, delgada, suave achatamento MD.
- CANAL: Ovoide nos terços cervical e médio e circular no terço apical.
- CÂMARA PULPAR: Maior no sentido MD e estreita no VP
- DIVERTÍCULOS: Mesial e distal (bem pronunciados)
- DIFERENÇA ANATÔMICA: Curvatura do terço apical da raiz no sentido distal
- Com baixa frequência pode apresentar 2 canais (vestibular e palatal)
INCISIVO CENTRAL INFERIOR:
- Menor dente da arcada.
- RAÍZ: Achatada no sentido MD
- CANAL: Achatada no sentido MD
- CÂMARA PULPAR: Pequena.
	- Nível incisal: Achatada no sentido VL
	- Colo: Achatada no sentido MD
- Quando tem dois canais eles geralmente convergem p/ um único forame.
- 70% Apresentam curvatura apical.
INCISIVO LATERAL INFERIOR:
- Semelhante ao incisivo central inferior. 
- Suas dimensões são um pouco maiores.
- Costumam a ter curvatura radicular.
CANINO SUPERIOR:
- RAÍZ: Mais longa da arcada, única, cônico piramidal, secção triangular.
Frequentemente o terço apical apresenta curvatura no sentido distal e, às vezes, no sentido VD.
- CANAL: Único, amplo
	- T. cervical e médio: Ovoide, dimensão VP 	bem maior.
	- T. Apical: Circular
CANINO INFERIOR:
- Semelhante ao canino superior, só que menor.
- RAIZ: Geralmente única, achatada em sentido MD (quando tem 2 raízes uma é V e outra L)
CAVIDADE PULPAR: achatada no sentido MD e acentuada dimensão VL.
CANAL: T. Cervical: Ovóide (grande dimensão VL 	achatamento MD)
	T. Apical: Circular
- 70% dos CI apresentam curvatura apical
1º PRÉ-MOLAR SUPERIOR:
- CAMARA PULPAR: Achatamento MD, alongada no sentido VP.
- CANAIS: Costuma ter 2, finos e retilíneos.
	- Quando é um só canal é amplo, acessível, 	achatado MD. 
2º PRÉ-MOLAR SUPERIOR:
Coroa semelhante ao 1º PMS.
- RAIZ: Costuma ser única
- CANAL: Único, amplo e achatado MD. Forma ovóide 	em T. Cervical e médio e circular no T. Apical
1º PRÉ-MOLAR INFERIOR:
- CÂMARA PULPAR: Cubóide
- RAIZ: Uma de secção ovóide, achatada MD (pode apresentar até 3 raízes, raramente)
- CANAL: Único, amplo, fácil acesso, ovóide e com maior diâmetro VL no T. Cervical e médio. Circular no T. Apical.
	- Quando apresenta 2 ou 3 canais é difícil o 	acesso e tratamento.
2º PRÉ-MOLAR INFERIOR:
- Semelhante ao 1º PMI mas com menor nº de variações anatômicas.
1º MOLAR SUPERIOR:
RAÍZES: Três (duas vestibulares e uma palatal)
	RAIZ MV: Ampla no sentido VP e achatada no 	sentido MD, apresentando geralmente uma 	curvatura, para distal, secção ovóide.
	RAIZ DV: Menor que a MV, forma cônica, 	secção circular, não costuma apresentar 	curvaturas acentuadas
	RAIZ PALATAL: Mais volumosa, cônica, secção 	circular/ovóide, pode ser reta ou curva (para 	vestibular)
- CÂMARA PULPAR: Alongada no sentido VP e estreita 	no sentido MD. O assoalho da câmara tem 	forma trapezoidal combase maior para 	vestibular.
- CANAL: 
	- PALATAL: Fácil acesso. Pode ser retilíneo ou 	leve curvatura para vestibular. Forma circular ou 	ligeiramente ovóide.
	- DV: Afilado.
	- MV: Frequentemente curvo, apresenta secção 	em forma de fenda, que se dispõe no sentido 	VP.
2º MOLAR SUPERIOR:
- Não apresenta as raízes tão separadas, com frequência ocorre fusão de uma das raízes vestibulares com a palatal.
- As diferenças anatômicas podem fazer com que os canais se disponham em linha
- Forma, direção, volume dos canais semelhante ao 1º MS
1º MOLAR INFERIOR:
- 2 raízes achatadas no sentido MD
	- MESIAL: Curva 
	- DISTAL: Levemente curva ou reta
- 3 canais = MV, ML D
	- Os mesiais = atrésicos e curvos (podem 	terminar em forame único ou não)
	- Distal: amplo, ovóide e levemente curvo.
(OBS: Pode ter também 4 canais 2 mesiais e 2 distais)
2º MOLAR INFERIOR:
- Semelhante ao 1º MI, mas em menor proporção.
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ACESSO AO CANAL RADICULAR:
1ª Fase operacional do tratamento
Consiste em: Abertura coronária, esvaziamento da câmara pulpar e localização e preparo da entrada do canal.
REQUISITOS INICIAIS:
1. INSPEÇÃO VISUAL (forma e posição na arcada)
2. FORMA E DIMENSÕES DA CAVIDADE PULPAR (RX Interproximal)
3. ADAPTAR PARA A IDADE E PROVÁVEIS ALTERAÇÕES (ex: deposição de dentina)
4. EXAME RADIOGRÁFICO (periapical e interproximal)
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OBJETIVOS DO ACESSO AO CANAL: 
· Remover a parede palatina/lingual da câmara pulpar (dentes anteriores).
· Remover o teto da câmara pulpar (dentes posteriores).
· Criar condições adequadas de visão e iluminação.
· Garantir um acesso retilíneo aos canais.
· Facilitar o preparo químico-mecânico e a obturação.
· Reduzir o risco de erros (como perfurações) e acidentes.
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CONCEITO DE ABERTURA CORONÁRIA:
CAI NA PROVA
- É a primeira fase do tratamento 
- Obter acesso livre e direto à câmara pulpar e aos orifícios dos canais radiculares.
1. PONTO INICIAL
· Onde iniciamos a penetração da broca.
· Varia de acordo com cada grupo dental.
2. DIREÇÃO DE ABERTURA
· Trajeto imaginário que a broca percorre a partir do ponto inicial.
· Permite atingir a porção mais volumosa da câmara pulpar.
3. FORMA DE CONVENIÊNCIA
· É a forma final da abertura endodôntica.
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OBS: A direção de abertura e a forma de conveniência independem do estado da coroa.
→ São determinadas pela forma e dimensões da câmara pulpar.
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ESVAZIAMENTO DA CÂMARA PULPAR
· Objetivo: remover todo o conteúdo da câmara, permitindo acesso ao canal.
· Dentes vitalizados: remoção com curetas; irrigação com hipoclorito de sódio 1% ou água oxigenada 10 volumes (ação hemostática, antimicrobiana e clareadora).
· Dentes despolpados: pode haver restos teciduais; irrigação abundante com hipoclorito 1–5%; curetas indicadas (mais contaminados).
· Também devem ser removidos restos, materiais e calcificações.
· Secagem final com algodão ou aspiração.
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LOCALIZAÇÃO E PREPARO DA ENTRADA DO CANAL
· Unirradiculados: localização simples com sonda de Weston nº 6, em seguida uso de broca; 
O preparo pode ser dispensado se a cavidade for ampla.
· Multirradiculados: uso de sonda Weston (localização); em casos de calcificação, instrumentos de pequeno calibre.
· Molares: podem apresentar convexidade de dentina que dificulta o acesso aos canais mésio-vestibulares; indica-se o desgaste compensatório.
· Estar atento à: Alterações anatômicas.
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BROCAS MAIS EMPREGADAS PARA O PREPARO DA ENTRADA DO CANAL:
- Pontas diamantadas: Cônicas c/ ponta ativa (AR)
- Brocas Gates-Glidden: (BR)
- Brocas Largo: S/ corte na ponta ativa
- Brocas Endo-Z: S/ corte na ponta ativa (AR) e (BR)
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ACESSO AOS CANAIS: 
- Não existe forma única de abertura devido às variações anatômicas da câmara pulpar.
Normas gerais da abertura endodôntica
· Utilizar radiografia inicial como guia.
· Selecionar broca esférica carbide compatível com o tamanho da câmara.
· Definir a direção da abertura visando atingir a parte mais volumosa da câmara.
· Ao alcançar a câmara, realizar movimentos de tração (dentro para fora) → remover parede palatal/lingual (anteriores) ou teto (posteriores).
· Se houver insegurança, optar por brocas de baixa rotação para evitar desgastes.
· Evitar movimentos de pressão excessiva e pendulares. (correto é a broca entrar e sair na mesma direção)
· Verificar presença de remanescentes de teto ou divertículos com sonda nº 5.
· A forma de conveniência é alcançada naturalmente durante a abertura.
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ACESSO AOS INCISIVOS:
- Ponto inicial: face palatina/lingual, 1–2 mm acima do cíngulo → direção ao bordo incisal.
- Direção de abertura: broca em 45° com o longo eixo; perfurar até sentir cair no vazio.
- Forma de conveniência: triangular (ângulos arredondados), base voltada ao incisal, vértice no cíngulo.
- Esvaziamento: remover conteúdo da câmara com cureta/sonda; irrigar abundantemente.
- Observações:
· Mesma técnica para laterais superiores e inferiores.
· Desgaste da parede lingual é importante devido à possibilidade de segundo canal.
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ACESSO NOS CANINOS:
- Ponto inicial: face palatina/lingual, 1–2 mm acima do cíngulo → direção ao bordo incisal.
- Direção de abertura: broca em 45° com o longo eixo do dente.
- Forma de conveniência: semelhante aos incisivos, mas com base do triângulo mais arredondada → formato de “ponta de lança”.
- Esvaziamento: igual aos incisivos.
- Observação: nos caninos inferiores pode haver segundo canal (lingual) → pode ser necessário maior desgaste da parede lingual para facilitar a localização.
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ACESSO NOS PRÉ-MOLARES SUPERIORES:
- Ponto inicial: face oclusal, no terço médio do sulco principal.
- Direção de abertura: suave inclinação da broca para palatal.
- Forma de conveniência: elíptica (longa eixo vestíbulo–palatal).
- Técnica: remover divertículo palatal (tração);, desgastar teto e divertículo vestibular; finalizar dando leve divergência das paredes em direção oclusal.
- Observação: apesar de variação no número de canais (1º × 2º pré-molar), as câmaras são semelhantes, justificando mesma forma de conveniência.
- Esvaziamento: uso de curetas e sondas exploradoras nº 5 ou 6; irrigação abundante.
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ACESSO PRÉ-MOLARES INFERIORES:
- Ponto inicial: face oclusal, no terço médio do sulco principal.
- Direção de abertura: broca paralela ao longo eixo do dente; 
	OBS: Nos 1º pré-molares inferiores (cúspide 	lingual atrofiada), inclinação leve para lingual.
- Forma de conveniência: circular, com centro no ponto inicial.
- Esvaziamento: igual aos pré-molares superiores.
- Localização/preparo: geralmente apresentam um canal, mas pode haver dois. Localização com sonda de Weston; se houver dois canais, deve-se ampliar a entrada (sempre um vestibular e um lingual).
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ACESSO MOLARES SUPERIORES:
- Ponto inicial: fosseta central da face oclusal. 
	OBS: A ponte de esmalte é um ponto de 	resistência do dente, evitar desgaste
- Direção de abertura: direcionar a broca para a porção mais volumosa da câmara, sobre a entrada do canal palatal.
- Forma de conveniência: trapezoidal → base maior voltada para vestibular e menor para palatal.
- Esvaziamento: curetas afiadas, evitando lesão ao assoalho.
- Localização/preparo dos canais:
· Canal palatal → fácil localização, geralmente dispensa preparo.
· Canal disto-vestibular → também de fácil acesso.
· Canal mésio-vestibular → pode ser dificultado pela convexidade dentinária → pode ser necessário desgaste compensatório.
- Observação: 4º canal (MB2) pode estar presente entre a entrada do canal mésio-vestibular e o palatal.Dimensões pequenas, cuidado para localização e preparo.
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ACESSO AOS MOLARES INFERIORES:
- Ponto inicial: fosseta central da face oclusal.
- Direção de abertura: leve inclinação da broca para distal. Evitar contato com o assoalho para não alterar sua convexidade natural, importante para localizar canais.
- Forma de conveniência: trapezoidal → base maior voltada para mesial.
- Observação: forma de conveniência corresponde à projeção do teto da câmara sobre a face oclusal; variações anatômicas podem exigir modificação da forma trapezoidal.
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ERROS MAIS COMUNS:
- Abertura insuficiente → permanência de divertículos.
- Remoção incompleta → da parede palatal/lingual ou do teto da câmara.
- Abertura exagerada → desgaste excessivo das paredes laterais.
- Desgaste ou perfuração da parede vestibular da câmara.
- Convergência incorreta das paredes (em direção oclusal).
- Degrau/desgaste do assoalho da câmara ou perfuração do mesmo.
- Desgaste excessivo de estrutura dental (cúspides solapadas).
- Invasão das cristas marginais
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PREPARO DO CANAL RADICULAR:
Conjunto de procedimentos:
	- Mecânicos (instrumentos)
	- Irrigação (ação mecânica e química)
	- Preparo Químico (curativo)
Objetivos: Esvaziar, modelar e desinfectar o canal.
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INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS
· Devem ser bem conhecidos em relação à cinemática (movimento) e forma de corte.
Histórico:
· 1746 Primeiros instrumentos, feitos com cordas de piano.
· Evolução: aço carbono → aço inoxidável → Níquel-Titânio (NiTi).
· NiTi: mais flexível, adapta-se melhor a canais curvos.
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PARTES DOS INSTRUMENTOS
· Cabo: plástico ou fixo, identifica numeração e calibres.
· Intermediário: entre cabo e parte ativa, sem corte, define comprimento.
· Parte ativa: corta dentina; pode ter seções triangulares, quadrangulares, losangulares.
· Definem ângulo de corte e ângulo helicoidal.
· Guia de penetração (GP): ponta que inicia a entrada no canal.
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PRINCIPAIS INSTRUMENTOS
· Extirpa-nervos: farpados, retiram polpa. Uso restrito.
· Alargadores (Reamers): seções triangulares/quadrangulares, usados em rotação, canais retos.
· Limas: semelhantes aos alargadores, mas com mais espiras → podem ser usadas em rotação/limagem.
· Limas K (K-files): quadrangulares, modelagem de canais retos.
· Flexofile / Triple Flex: triangulares, maior flexibilidade, ideais para canais curvos.
· Limas Hedstroem: alta capacidade de corte, removem resíduos, não recomendadas em canais curvos. 
· Espiral Lentulo: aplica curativos e materiais dentro do canal (usada em rotação).
· OBS: Deve ser usado em sentido horário dentro do canal, se eu usar em sentido anti-horário ela vai se aparafusar. CAI NA PROVA
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FATORES DE FLEXIBILIDADE
· Composição da liga (NiTi > Inox > Aço carbono).
· Seção transversal (triangular mais flexível que quadrangular).
· Processo de fabricação (torneados > desgastados/torcidos).
· Calibre (instrumentos finos mais flexíveis).
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PADRONIZAÇÃO
· Escala de numeração (06 a 140).
· Cores de cabo identificam calibres.
· Conicidade (taper) e comprimento da parte ativa (geralmente 16 mm).
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CINEMÁTICAS MAIS EMPREGADAS:
ALARGAMENTO - ROTAÇÃO: Girar em sentido horário. 	- Canais retos.
LIMAGEM – VAIVÉM: Movimento de entrada até o 	comprimento de trabalho (CTM), pressão 	contra a parede, retirada em vaivém.
	- Alisamento
ROTAÇÃO – TRAÇÃO: Rotação parcial (¼ de volta) + 	tração manual
	- Ampliação
OSCILATÓRIO: MAIS USADO, Oscilação para a direita e 	para a esquerda (30 a 60º)
	- Hora → empurra lâmina para dentro; Anti-	horário → corta dentina e libera espaço.
	- Reduz risco de degraus.
FORÇA BALANCEADA: mais segura e eficaz, indicada 	em canais curvos.
	- Evolução do oscilatório.
	- Gira ¼ de volta horário com pressão apical, 	depois 1/3 anti-horário para retirar dentina.
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BROCAS GATES GLIDDEN:
- Ampliação dos segmentos cervical e médio do canal radicular.
- Usadas antes ou após a modelagem do terço apical. 
- Rotatórios (baixa rotação)
- Dois tamanhos: 28 e 32 mm.
- Corte apenas em sentido horário.
- Numeração de 1 a 6 (diâmetro progressivo), é definido pelos risquinhos.
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PREPARO DO CANAL RADICULAR:
- Procedimentos mecânicos e químicos empregados no interior do canal.
EM DENTES C/ POLPA VIVA: Contaminação inexistente ou restrita, esvaziamento, modulação e limpeza do canal.
EM DENTES DESPOLPADOS:
Contaminação presente, remover completamente o conteúdo tóxico, modular, limpar.
OBS: Em um dente multirradicular podemos ter uma raíz c/ polpa viva e uma necrosada.
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Sequência do tratamento:
1º ACESSO AO CANAL
2º EXPLORAÇÃO DO CANAL:
	- Primeiro contato com o interior do canal
	- Anatomia interna, radiografia, sensibilidade 	tátil, ajudam a estabelecer uma imagem 	tridimensional.
	- Possível descobrir número, direção e calibre 	dos canais. 
	OBS: Depois da retirada do curativo não 	devemos usar ar, somente solução irrigadora.
SELEÇÃO DO INSTRUMENTO:
- 1º Instrumento = Prepara o caminho para os demais (calibre #10 ou #15)
- 2º Determinar o Comprimento de trabalho para exploração (CTEx) Calculado diminuindo 3mm do comprimento aparente do dente (CAD) visualizado na radiografia inicial.
CTEX = CAD – 3mm
Uso de cursores de borracha para ajustar o comprimento das limas.
3º MENSURAÇÃO DO DENTE: Para determinar o comprimento do dente (CD) é realizado uma radiografia com um instrumento calibrado com o CTEx dentro do canal.
	Técnica de Ingle:
	- Observar a distância da ponta da lima e o 	vértice radicular/forame.
	- SITUAÇÃO IDEAL: Nos dentes de polpa 	viva o instrumento fique localizado 0,5 mm 	antes do forame (outros locais 1 a 2mm)
4º ESVASIAMENTO DO CANAL: Remoção do tecido pulpar contido no canal.
	CTEs = Comprimento de trabalho para 	esvaziamento, é determinado reduzindo-se 	0,5 mm do CD
	CANAL AMPLO E RETO: Remoção em 	blocos com extipa-nervos (não deve 	penetrar completamente),
	CANAL FINOE/PU CURTOS: Uso sequêncial 	de 2 ou3 instrumentos finos, remover polpa 	em fragmentos.
	CANAIS ATRÉSICOS: Difícil remoção em 	blocos, maior risco de fratura, irrigação 	abundante.
5º MODELAGEM DO CANAL:
- Completar esvaziamento
- Criar condições morfológicas e dimensionais para a obturação do canal.
CUIDADOS:
	- Dar uma forma cônica contínua, sem 	alterar a forma original do canal
	- Criar uma matriz apical (local onde o cone 	irá travar, não deve ser alargada)
	- Não alterar forma e posição do forame.
	- Irrigar o canal com a solução indicada.
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TÉCNICAS DE MODELAGEM DO CANAL:
TÉCNICA TRADICIONAL:
- Canais retos e curvos
- Uso do instrumental sempre no comprimento de trabalho.
- 1º DETERMINAÇÃO DO CTM (comprimento de trabalho para modelagem)
	Toda extensão esvaziada deve ser 	devidamente modelada. 
	(CTM = CD -1mm)
Seleção do Instrumento
- Depende da morfologia e diâmetro do canal.
- Canais curvos: usar limas de maior flexibilidade e movimento de limagem
- Canais retos: podem ser usadas limas de maior rigidez → seção quadrangular (K file) ou mais flexíveis (flexofile)
Calibração dos instrumentos:
- Adequar todos a CTM usando cursores de borracha.
- Ordenar os instrumentos de forma sequêncial
DESCRIÇÃO DA TÉCNICA:
Exemplo: Incisivo central superior de 22 mm (canal reto).
· CD = 22 mm
· CTM = 21 mm
Seleção do IA (instrumento anatômico)
- Ir por tentativa e erro, da lima de menor calibre para a maior até encontrar uma que se ajuste as paredes do canal no terço apical.
Ex: IA = #20mm
Modelagem do Terço apical:
- Alargamento ou limagem até que a lima fique frouxa.
- Uso de 3 a 4 instrumentos alémdo IA determinado
	IA = #20mm
	# 25mm
	# 30mm
	# 35mm
	# 40mm = INSTRUMENTO DE MEMÓRIA
OBS: Após a retirada da lima ela deve ser umedecida com gaze e solução e irrigar o canal com 2ml de Sol. Irrig. (manter superfície umedecida e eliminar raspas de dentina).
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OBS: O mm que não for modelado deve ser limpo usando o INSTRUMENTO DE PATÊNCIA, calibrado no comprimento e calibre ideal para o dente (#10 ou 15mm)
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TECNICA ESCALONADA
- Mais utilizada em canais curvos.
- Dividida em duas fases:
	1º Formar o stop apical (desgaste controlado 		no ápice, formar uma “barreira”)
	2º Modelar o restante do canal: Reduzir o CTM conforme aumenta o calibre dos instrumentos 
	- Recuo comum 1mm
VANTAGENS:
- Modelagem mais adequada
- Facilita a irrigação/limpeza
- Facilita obturação
- Menor probabilidade de erros e acidentes
DESCRIÇÃO DA TÉCNICA:
	- Determinar o CTM (igual a tradicional)
	- Seleção de instrumentos: Descobrir a IA 	(igual a tradicional) 
	1º Fase modelagem do terço apical e formação 	do stop: descobrir o instrumento de memória 	(será usado na fase seguinte)
	2º Fase modelagem terço médio e apical: O 	CTM é diminuído 1mm para cada aumento de 	calibre.
	(começar com o instrumento de memória)
	- Uso de 5/6 instrumentos
	- Uso do instrumento de memória entre as 	limagens (remover dentina solta)
	- Irrigação sempre.
IRRIGAÇÃO DO CANAL RADICULAR:
Lavar a cavidade pulpar durante o tratamento endodôntico.
OBJETIVOS
· UMETAÇÃO: manter os canais úmidos e facilitar o uso dos instrumentos.
· LIMPEZA: remover restos teciduais, sangue, raspas de dentina e smear layer, desobstruir os túbulos dentinários.
· DESINFECÇÃO: reduzir bactérias, diluir e neutralizar o conteúdo séptico-tóxico-necrótico.
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PROPRIEDADES IDEAIS DE UMA SOLUÇÃO IRRIGADORA
· Baixa viscosidade → melhor penetração. 
(- coesão, - viscosidade = + fluidez)
· Baixa tensão superficial → maior penetração nos 	túbulos dentinários, atua sobre as gorduras.
(- tensão = + capilaridade)
· Bom poder dissolvente → fragmentar e dispersar 	resíduos. 
(+ capacidade de dissolução = + eficaz)
· Biocompatibilidade → não agredir tecidos 	periapicais e coto apical, contribui para o reparo.
· Ação anti-séptica → Impedir a proliferação de 	microrganismos, destruindo ou inativando.
· Neutralizar toxinas → diminuir agressividade dos 	resíduos, tornando-os inócuos ou mais solúveis.
· Favorecer ação de medicamentos/obturadores → 	limpa paredes dos canais, desobstrui a estrada 	dos tubos para melhorar permeabilidade da 	dentina e facilitar adesão de medicamentos.
· Não alterar cor dentária.
· Baixo custo e fácil aplicação.
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PRINCIPAIS SOLUÇÕES IRRIGADORAS
1. HIPOCLORITO DE SÓDIO (NAOCL)
· Sal na forma de solução aquosa
· Instável (decomposição natural na luz e calor)
· Mais usado.
PROPRIEDADES: 
- Baixa viscosidade e baixa tensão superficial
- Boa penetração
- Bom poder dissolvente: Hidróxido de sódio (atua sobre as albuminas no tecido pulpar e microrganismos) 
- Ação bactericida, desodorizante e descolante: Ácido cloroso
- Anti-séptica: 
- Não altera cor:
- Ascessível:
- Concentrações: 0,5% a 5,25%.
- Desvantagem: irritante em altas concentrações, risco de extravasamento.
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2. CLOREXIDINA (CHX)
- Adquire atividade antimicrobiana que pode permanecer por até uma semana.
- Menos tóxica que o hipoclorito (- citotoxicidade)
- Desvantagem: não dissolve matéria orgânica.
Concentrações: 0,12% a 2%.
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3. Peróxido de hidrogênio (H₂O₂ / Água oxigenada 3%)
· Libera oxigênio → efervescência que auxilia na limpeza, remoção de sangue e efeito clareador.
· Uso complementar, mas não substitui o NaOCl.
Materiais Utilizados
· Seringas: Luer Lock (5 mL).
· Agulhas: adaptadas, bisel removido, curvadas 45°, calibre 25 × 4 mais comum.
· Pontas aspiradoras: ajudam no refluxo e aspiração.
Princípios da Irrigação
· Agulha deve penetrar até CTM – 2 mm.
· Movimento de vaivém suave → melhor circulação da solução.
· Irrigar durante e após uso dos instrumentos.
· Em canais atrésicos → usar auxílio de instrumentos finos.
Técnicas de Irrigação
· Simples → irrigação e aspiração passiva.
· Com aspiração → irrigação + sucção simultânea.
· Pressão positiva → agulha mais profunda que a cânula aspiradora.
· Pressão negativa → cânula aspiradora mais profunda que a irrigadora.
· Gasógena (Grossman) → combinação de NaOCl com H₂O₂ (produz efervescência).
Irrigação dos Canais Radiculares
· Objetivos:
· Umedecer os canais (facilita uso dos instrumentos).
· Limpeza: remoção de restos teciduais, sangue, raspas de dentina e smear layer.
· Desinfecção: reduzir bactérias, neutralizar conteúdo tóxico-séptico-necrótico.
· Propriedades Ideais da Solução Irrigadora:
· Baixa viscosidade → melhor penetração e deslocamento no canal.
· Baixa tensão superficial → melhor capilaridade e penetração em áreas difíceis.
· Bom poder dissolvente → fragmentar e remover restos orgânicos.
· Ser biocompatível → não causar irritação aos tecidos periapicais.
· Ação anti-séptica → impedir ou destruir microrganismos.
· Neutralizar produtos tóxicos.
· Favorecer ação de medicamentos e materiais obturadores.
· Não alterar cor das estruturas dentárias.
· Ter baixo custo e fácil aplicação.
Soluções Irrigadoras
1. Hipoclorito de Sódio (NaOCl)
· Histórico: introduzido em 1915 (Dakin), empregado em endodontia a partir de 1936.
· Propriedades:
· Baixa viscosidade e tensão superficial → boa penetração.
· Alto poder dissolvente → atua sobre tecido pulpar e microrganismos.
· Boa ação antisséptica → libera cloro e oxigênio nascente (bactericida).
· Neutraliza produtos tóxicos.
· Variável biocompatibilidade → em altas concentrações (5%) é irritante; mais seguro em 1%.
· Ação desodorizante → oxigênio liberado neutraliza odores.
· Pode clarear estruturas dentárias levemente.
· Observação: instável à luz e calor, armazenar em frascos escuros.
2. Gluconato de Clorexidina
· Propriedades:
· Ação antimicrobiana (amplo espectro, inclusive contra microrganismos em túbulos dentinários).
· Substantividade: efeito antimicrobiano prolongado (pode durar até 1 semana).
· Citotoxicidade: pode causar efeitos tóxicos em altas concentrações (> 0,2%).
· Usada em pacientes alérgicos ao hipoclorito.
· Limitação: não dissolve matéria orgânica.
· Concentrações: mais usada entre 0,2% a 2%.
3. Água Oxigenada (Peróxido de Hidrogênio)
· Propriedades:
· Agente oxidante → libera oxigênio (ação bactericida, embora fugaz).
· Concentração de 3%: indicada em dentes com polpa viva (acesso inicial).
· Produz efervescência → ajuda a remover sangue e restos teciduais.
· Clareadora e hemostática.
· Uso atual: pouco empregada isoladamente, mas pode ser associada
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