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Hérnias de parede abdominal 1 Hérnias de parede abdominal INTRODUÇÃO Hérnias = abaulamento, tumefação, nodulação ou inchaço, redutível ou não, na topografia em questão. São mais frequentes na região inguinal. Outros sítios: femoral, umbilical, epigástrica, linha paramediana semilunar de Spiegel, trígonos lombares de Grynfelt e Petit e incisões cirúrgicas prévias. Quadro clínico: abaulamento móvel, redutível, numa região de fraqueza, associado ou não a dor/desconforto local. Hérnias complicadas: encarceramento (herniação não redutível), estrangulamento (isquemia de uma hérnia encarcerada) e obstrução intestinal secundária ao encarceramento. Hérnia encarcerada: abaulamento não redutível com desconforto local e dor moderada. Hérnia estrangulada: dor local intensa associada a sinais inflamatórios locais, como eritema da pele sobre a hérnia. Pode cursar mais tardiamente com piora clínica do paciente devido aos efeitos sistêmicos resultantes da isquemia e do processo infeccioso secundário. Obstrução intestinal: abdome agudo obstrutivo associado à hérnia encarcerada. Hérnias de parede abdominal 2 Diagnóstico: clínico. Exame de imagem se dúvida diagnóstica ou necessidade de se avaliar o conteúdo da hérnia. Tratamento: cirúrgico através da redução de seu conteúdo, fechamento do defeito e provavelmente colocação de uma tela de polipropileno para reforço aponeurótico. HÉRNIA INGUINAL São as hérnias mais frequentes. Mais comum em homens, no lado direito e na forma indireta. Forma indireta: o saco herniário se insinua através do canal inguinal. Ocorrem insinuando-se no anel inguinal interno e progredindo até atingir o anel inguinal externo, podendo alcançar o saco escrotal (hérnia inguinoescrotal = hérnia indireta). Ocorrem lateralmente aos vasos epigástricos inferiores. Forma direta: o saco herniário se projeta diretamente através da parede abdominal da região inguinal, no Trígono de Hesselbach. Ocorrem medialmente aos vasos epigástricos inferiores. A diferenciação entre elas se dá pelo teste do dedo fletido → o dedo é introduzido, retrogradamente, a partir do anel inguinal externo, palpando-se a partir do escroto alto, dentro do canal inguinal. Solicita-se que o paciente execute uma manobra de Valsava. A hérnia inguinal indireta toca a ponta do dedo do examinador, enquanto a hérnia direta toca sua face lateral. Hérnias de parede abdominal 3 As hérnias inguinais (e também femoral) ocorrem numa grande região denominada Orifício Miopectíneo de Fruchaud, que contém fraquezas potenciais para hérnias, como: o anel femoral (hérnias femorais), o anel inguinal interno (hérnias inguinais indiretas) e o Trígono de Hesselbach (hérnias inguinais diretas. Orifício Miopectíneo de Fruchaud: quadrilátero delimitado pelo m. reto abdominal (medial), ligamento pectíneo ou de Cooper (inferior), m. iliopsoas (lateral) e arco tendíneo dos m. transverso e oblíquo interno (superior). Trígono de Hesselbach: trígono delimitado pelo m. reto abdominal (medial), ligamento inguinal ou de Poupart (inferior) e os vasos epigástricos inferiores (lateral). Nessa região, a cobertura musculoaponeurótica é mínima e está ali exposta e vulnerável a fáscia transversalis. Classificação de Nyhus