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Bioquímica Metabolismo dos Aminoácidos As proteínas da dieta são digeridas no estômago, o suco gástrico , com pH ≅ 2,5 desnatura as proteínas e rompe as ligações de hidrogênio, deixando as ligações peptídicas expostas, pois as mesmas não podem ser quebradas por serem covalentes. A enzima pepsina é um endopeptidase, que quebra as ligações peptídicas e as digere em pequenos peptídeos. A pepsina não consegue clivar as proteínas em aminoácidos livres, pois necessitam se ancorar em uma superfície para realizar a digestão. Os peptídeos gerados no estômago são enviados para o duodeno, onde sofrem a ação das enzimas produzidas pelo pâncreas e lançadas no estômago. EXOPEPTIDADES São enzimas que clivam os peptídeos pelas extremidades, liberando dipeptídeos e aminoácidos livres. Dois tipos de exopeptidases são mais conhecidas: as carboxiexopeptidases, que clivam pela extremidade e são dotadas do grupo carboxil livre, e as aminoexopeptidases, que clivam o peptídeo pela extremidade e contêm o grupo amino livre. Catabolismo dos Aminoácidos Os aminoácidos quando em excesso ou não tendo sido reaproveitados são catabolizados. Nesse caso o grupo amino (NH2), ao passo que o esqueleto carbônico resultante pode ser reaproveitado pelo caminho. O processo catabólico ocorre em três etapas: i. transaminação, ii. desaminação oxidativa, iii. descarboxilação. Reações de Transaminação Ocorre no citoplasma de qualquer célula que esteja quebrando proteínas. Nessa etapa o grupo amino é transferido para uma molécula receptora (chamada de -cetoglutarato). Quando o aminoácido perde seu grupo amino, transforma-se em uma molécula chamada -cetoácido. Quando há a inserção de um grupo amino ao - cetoglutarato, o novo aminoácido é chamado de glutamato. Resumo: A transaminação é um processo bioquímico que envolve a transferência de um grupo amino de um aminoácido para um α-cetoácido, formando um novo aminoácido e um novo α-cetoácido. Esse processo ocorre com a ajuda da enzima transaminase, também conhecida como aminotransferase. Oxidação dos Aminoácidos 10-15% da energia produzida pelo organismo humano é proveniente dos aminoácidos. A oxidação dos aminoácidos ocorre após a transaminação. Todos os -cetoácidos gerados na etapa anterior terão um destino especifico, a produção de energia ou manutenção da glicemia. Resumo: Os aminoácidos são convertidos em α-cetoácidos por meio de uma reação de transaminação e, em seguida, esses α- cetoácidos passam por um processo de descarboxilação oxidativa para gerar acetil-CoA, que é um importante intermediário metabólico utilizado pelo corpo para produzir energia por meio do ciclo de Krebs e da cadeia respiratória. Além de produzir energia, a oxidação dos aminoácidos também desempenha um papel importante na regulação do equilíbrio de nitrogênio no corpo. Quando os aminoácidos são oxidados, o nitrogênio é removido na forma de ureia, que é excretada pelos rins. Isso ajuda a manter um equilíbrio adequado de nitrogênio no corpo e evitar o acúmulo de amônia, que é tóxico para as células. Desaminação Oxidativa É um processo bioquímico pelo qual os aminoácidos são convertidos em cetoácidos por meio da remoção de um grupo amino e sua subsequente oxidação. Essa reação é catalisada por enzimas conhecidas como desaminases. A desaminação oxidativa é um processo importante na regulação do equilíbrio de nitrogênio no corpo, pois permite que os aminoácidos sejam convertidos em outras moléculas que podem ser usadas para produzir energia ou para a síntese de outras proteínas. Além disso, também é importante na produção de neurotransmissores, como a dopamina e a serotonina, que são essenciais para a função cerebral adequada. Durante a desaminação oxidativa, o grupo amino é removido do aminoácido e convertido em amônia, que é então convertida em ureia no fígado e excretada pelos rins. A energia liberada durante a oxidação do grupo amino é capturada na forma de energia química nas moléculas de ATP, que são usadas pelo corpo como fonte de energia. A desaminação oxidativa ocorre em duas etapas. Na primeira etapa, o grupo amino é removido do aminoácido e é convertido em amônia pela ação da enzima desaminase. Na segunda etapa, a amônia é convertida em ureia pelo ciclo da ureia, um processo que ocorre no fígado. Descarboxilação As duas moléculas de amônia formadas no fígado devem ser eliminadas do organismo, por conta de sua toxicidade. A descarboxilação é um processo em que um grupo carboxila (-COOH) é removido de um composto orgânico, geralmente um ácido carboxílico, resultando na formação de um novo composto com um átomo de carbono a menos. A descarboxilação pode ser catalisada por enzimas específicas ou ocorrer de forma espontânea sob certas condições. Ocorre em diversos processos metabólicos no corpo humano. Por exemplo, durante o ciclo de Krebs, a descarboxilação de ácidos carboxílicos como o ácido cítrico e o ácido isocítrico produz dióxido de carbono e um composto com dois átomos de carbono a menos, que é usado para produzir energia. Além disso, a descarboxilação também ocorre na síntese de neurotransmissores como a serotonina, a dopamina e a histamina. A descarboxilação de aminoácidos pode ser uma forma de produzir neurotransmissores ou gerar energia por meio da produção de acetil-CoA. A descarboxilação de ácidos carboxílicos, por outro lado, pode ser uma forma de produzir intermediários metabólicos para a produção de energia. Ciclo da Ureia Ocorre no fígado e tem como função principal a remoção de amônia do corpo humano. A amônia é um composto tóxico e a sua acumulação no organismo pode levar a danos celulares e morte. O ciclo da ureia começa com a conversão da amônia em carbamoil fosfato pela enzima carbamoil fosfato sintetase. O carbamoil fosfato é então combinado com o ácido aspártico para formar argininosuccinato, por ação da enzima argininosuccinato sintetase. O argininosuccinato é então clivado pela argininosuccinato liase, formando arginina e fumarato. A arginina é hidrolisada pela enzima arginase, produzindo ureia e ornitina. A ornitina é então reciclada no ciclo, sendo combinada com o carbamoil fosfato para produzir novamente argininosuccinato. A ureia produzida no ciclo da ureia é então excretada pelos rins na urina. Distúrbios genéticos que afetam o ciclo da ureia podem levar à acumulação de amônia no corpo, resultando em danos cerebrais e outros problemas de saúde. O diagnóstico e tratamento precoce desses distúrbios são fundamentais para prevenir complicações graves. A síntese da ureia ocorre na matriz mitocondrial dos hepatócitos e parte no citoplasma. As enzimas que catalisam as reações são: 1) carbamoil-fosfato-sintase I; 2) ornitina-transcarbamoilase ; 3) arginino-succinato-sintetase; 4) arginino-succinato-liase; 5) arginase Ciclo do Nitrogênio O ciclo do nitrogênio é um processo biogeoquímico que envolve diversas etapas na transformação do nitrogênio molecular (N2), que é uma forma inerte e não disponível para a maioria dos organismos, em compostos nitrogenados assimiláveis, como os aminoácidos, proteínas e ácidos nucleicos. Esse ciclo ocorre principalmente nos solos, águas e atmosfera, envolvendo diversos microrganismos e processos químicos. As etapas do ciclo do nitrogênio são: • Fixação: é a conversão do nitrogênio atmosférico (N2) em compostos nitrogenados assimiláveis, como o amônio (NH4+) e o nitrato (NO3-). Esse processo é realizado por bactérias diazotróficas, que possuem a enzima nitrogenase, capaz de reduzir o N2 em NH4+. • Nitrificação: é a oxidação do amônio (NH4+) em nitrato (NO3-), realizada por duas espécies de bactérias nitrificantes: Nitrosomonas e Nitrobacter. Primeiramente, as Nitrosomonas oxidam o NH4+ em nitrito (NO2-), que é posteriormenteoxidado pelas Nitrobacter em NO3-. Esse processo é importante para tornar o nitrogênio disponível para as plantas. • Assimilação: é a incorporação do nitrogênio assimilável pelas plantas e outros organismos. As plantas absorvem o NH4+ e o NO3- através de suas raízes e utilizam esses compostos para sintetizar aminoácidos, proteínas e outros compostos nitrogenados. • Amonificação: é a conversão de compostos nitrogenados orgânicos em amônio (NH4+), realizada por bactérias decompositoras. Essas bactérias quebram as moléculas de proteínas e outros compostos nitrogenados dos resíduos orgânicos em seus componentes básicos, liberando o NH4+ para o solo. • Desnitrificação: é a redução do nitrato (NO3-) a gás nitrogênio (N2), realizada por bactérias desnitrificantes em condições anaeróbicas. Esse processo é importante para reduzir a quantidade de nitrogênio disponível no solo e evitar a eutrofização de ecossistemas aquáticos. Além dessas etapas, existem outras formas de transformação do nitrogênio, como a volatilização, que é a perda de nitrogênio na forma de amônia gasosa, e a fixação simbiótica, que é a fixação de nitrogênio por bactérias associadas a raízes de plantas leguminosas. O ciclo do nitrogênio é um processo complexo e crucial para a manutenção da vida na Terra. O excesso de nitrogênio na água e no solo, proveniente de atividades humanas como a agricultura e a pecuária, pode ter impactos ambientais negativos, como a eutrofização de corpos d'água e a acidificação do solo. Por isso, é importante o manejo adequado do nitrogênio nas atividades humanas para minimizar esses impactos. O fluxo do nitrogênio no ambiente e nos seres vivos depende da ação de bactérias especializadas em fixar e disponibilizar o nitrogênio atmosférico para o solo e para as plantas, a fim de que ele possa ser assimilado na cadeia alimentar e faça parte, posteriormente, de todos os níveis tróficos. Essa amônia constante no solo, proveniente da fixação de bactérias livres e demais compostos nitrogenados liberados pelos seres vivos, passa por um processo de nitrificação por bactérias nitrificantes a nitrito (NO2−) e em seguida a nitrato (NO3−). Nitrito e nitrato podem ser assimilados por muitas bactérias ou por raízes dos vegetais pela ação de nitrato- redutase e nitrito-redutase, que permitem a utilização de nitrato e nitrito como fonte de nitrogênio para biossíntese de compostos nitrogenados. O balanço na quantidade de nitrogênio fixado e da quantidade de nitrogênio atmosfério é mantido por bactérias desnitrificantes, que utilizam o NO3, ao invés de O2, como aceptor de elétrons no final da cadeia respiratória, liberando novamente N2 na atmosfera, a fim de reiniciar o ciclo com base em um processo chamado de desnitrificação Como mostra a figura, o fluxo do nitrogênio no ambiente e nos seres vivos depende da ação de bactérias especializadas em fixar e disponibilizar o nitrogênio atmosférico para o solo e para as plantas, a fim de que ele possa ser assimilado na cadeia alimentar e faça parte, posteriormente, de todos os níveis tróficos. Essa amônia constante no solo, proveniente da fixação de bactérias livres e demais compostos nitrogenados liberados pelos seres vivos, passa por um processo de nitrificação por bactérias nitrificantes a nitrito (NO2−) e em seguida a nitrato (NO3−). Nitrito e nitrato podem ser assimilados por muitas bactérias ou por raízes dos vegetais pela ação de nitrato-redutase e nitrito-redutase, que permitem a utilização de nitrato e nitrito como fonte de nitrogênio para biossíntese de compostos nitrogenados. O balanço na quantidade de nitrogênio fixado e da quantidade de nitrogênio atmosfério é mantido por bactérias desnitrificantes, que utilizam o NO3, ao invés de O2, como aceptor de elétrons no final da cadeia respiratória, liberando novamente N2 na atmosfera, a fim de reiniciar o ciclo com base em um processo chamado de desnitrificação. Metabolismo das Porfirinas e Porfirias As porfirinas são compostos orgânicos constituídos por quatro anéis pirrólicos, unidos por ligações metinilas, e que contêm átomos de nitrogênio e hidrogênio. Elas são importantes para o funcionamento de diversas proteínas, como a hemoglobina, a mioglobina e as citocromos, que estão envolvidas no transporte de oxigênio e na respiração celular. O metabolismo das porfirinas começa com a síntese do ácido delta-aminolevulínico (ALA) a partir da glicina e do succinil-CoA, que ocorre nas mitocôndrias das células. Em seguida, o ALA é convertido em porfirinogênio III por meio de uma série de reações enzimáticas. O porfirinogênio III é então convertido em uroporfirinogênio III, que é convertido em coproporfirinogênio III. O coproporfirinogênio III é convertido em protoporfirinogênio IX, que é o precursor da heme. O heme é formado quando um átomo de ferro é incorporado ao protoporfirinogênio IX, formando a molécula de heme. As porfirias são um grupo de doenças metabólicas que resultam de defeitos no metabolismo das porfirinas. Existem várias formas de porfirias, que são classificadas de acordo com o tipo de enzima que está deficiente no processo metabólico. Algumas porfirias são hereditárias e outras podem ser adquiridas por meio de exposição a substâncias tóxicas. Os sintomas das porfirias variam de acordo com o tipo e a gravidade da doença. Os sintomas podem incluir dor abdominal, problemas neurológicos, fotossensibilidade e problemas cutâneos. O diagnóstico das porfirias envolve uma combinação de análise clínica, exames de sangue e urina, testes genéticos e biópsia hepática, em alguns casos. O tratamento das porfirias depende do tipo e da gravidade da doença, e pode incluir medidas para controlar os sintomas, como analgésicos e tratamento de problemas neurológicos, além de medidas para evitar a exposição a substâncias que possam desencadear crises de porfiria. Em casos graves, pode ser necessário realizar uma terapia de reposição de heme.