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↠ A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) se caracteriza por obstrução crônica e recorrente do fluxo de ar nas vias respiratórias pulmonares. A obstrução do fluxo aéreo geralmente é progressiva e acompanhada por uma reação inflamatória a partículas ou gases nocivos (PORTH, 10ª ed.) O termo doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) engloba o enfisema e a bronquite obstrutiva crônica. Os mecanismos envolvidos são diversos e incluem inflamação e fibrose da parede brônquica, hipertrofia das glândulas submucosa e hipersecreção de muco, perda de fibras elásticas pulmonares e tecido alveolar. A inflamação e fibrose da parede brônquica obstruem o fluxo aéreo e buscam impedir a correspondência entre a ventilação e a perfusão. EPIDEMIOLOGIA DPOC é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Segundo as estimativas, quase 30 milhões de americanos apresentam algum grau de DPOC e 16 milhões estão diagnosticados com a doença. Nos EUA, a DPOC é a quarta principal causa de morte, atrás apenas da cardiopatia, câncer e lesões não intencionais. Ocorre mais em homens (15.7%) do que em mulheres (9.93%). É mais comum em idosos, principalmente os que estão acima de 65 anos. A prevalecia é maior na região das Américas e menor nas regiões do Sudeste Asiático e do Pacífico Ocidental da OMS. ↠ Nos países desenvolvidos, o tabagismo é o principal fator etiológico, ultrapassando qualquer um dos outros fatores de risco. No entanto, nos países em desenvolvimento, a principal causa é a exposição a combustíveis de biomassa (BROADDUS, 6ª ed.). ↠ A causa mais comum de DPOC é o tabagismo e aproximadamente 80% das mortes relacionadas com DPOC estão associadas à história de tabagismo. Uma segunda causa, menos comum, é a deficiência hereditária de alfa1-antitripsina (AAT). A deficiência de AAT (DAAT) é um fator de risco genético para DPOC (PORTH 10ª ed.). A doença pulmonar obstrutiva crônica engloba dois tipos de doença obstrutiva das vias respiratórias: enfisema (alargamento do espaços aéreos e destruição do tecido pulmonar) e bronquite obstrutiva crônica (aumento da produção de muco, obstrução das vias aéreas menores e tosse crônica). Enfisema É a perda da elasticidade pulmonar e aumento anormal dos alvéolos distais aos bronquíolos terminais, com destruição das paredes alveolares e dos leitos capilares. Esse aumento dos alvéolos é a hiperinflação dos pulmões, levando a um aumento da capacidade pulmonar total (CPT). Uma das causas do enfisema, é o tabagismo, que inicia a lesão pulmonar e uma deficiência herdada de AAT, que é uma enzima que protege o pulmão de lesões. A deficiência dessa enzima, é um fator de risco genético para DPOC. Acredita-se que o enfisema seja resultado da degradação da elastina e de outros componentes da parede dos alvéolos por enzimas, chamadas proteases, que digerem proteínas. A fumaça do cigarro estimula o movimento de células inflamatórias nos pulmões, aumentando a liberação de elastase e outras proteases. Então, quando o fumante desenvolve a DPOC, a produção e a liberação de antiprotease pode ser inadequada para neutralizar o excesso de protease, então o processo de destruição do tecido elástico permanece sem controle. O tipo e a quantidade de AAT são determinados por um par de genes. Quando as pessoas são fumantes ou adquirem infecções repetidas das vias respiratórias, diminuem o nível de AAT, contribuindo para o risco de desenvolvimento de enfisema em pessoas com DAAT. Existem dois tipos de enfisema: centroacinar ou centrolobular e pan-acinar. Centoacinar: está associado ao tabagismo e existe o comprometimento dos bronquíolos respiratórias, predominante nos lobos superiores e nos segmentos superiores dos lobos inferiores, sendo comum no sexo masculino fumante. Pan-acinar: produz inicialmente o envolvimento inicial dos alvéolos periféricos e depois se estende para envolver os bronquíolos mais centrais. Esse tipo é mais comum em pessoas com DAAT, mas também é encontrado em fumantes, associados ao enfisema centroacinar, sendo mais observado nas porções superiores do pulmão. Bronquite obstrutiva crônica Representa uma obstrução das pequenas e grandes vias respiratórias. É mais comum em homens de meia-idade e está associada a irritação crônica causada pelo tabagismo e infecções recorrentes. A característica principal é a hipersecreção de muco nas grandes vias respiratórias, associada a hipertrofia das glândulas submucosa na traqueia e nos brônquios. Histologicamente, essas alterações incluem o aumento nas células caliciformes e um excesso de produção de muco, com obstrução do lúmen das vias respiratórias, infiltração inflamatória e fibrose da parede bronquiolar. A hipertrofia da submucosa das grandes vias e o aumento das células caliciformes das pequenas vias, representam uma reação de proteção contra o fumo do tabaco e outros poluentes. Ç Geralmente o início da manifestações clínicas é insidioso. Apresenta inicialmente fadiga, intolerância ao exercício, tosse, produção de escarro ou dificuldade respiratória. A tosse produtiva ocorre na parte da manhã e a dispneia se torna mais grave a medida em que a doença progride. Os estágios mais finais se caracterizam por infecções respiratórias de repetição e insuficiência respiratória crônica. Pessoas com predominância das manifestações de enfisema são referidos como “sopradores rosados” devido a ausência da cianose, uso de músculos acessórios e a respiração com os lábios semicerrados (soprador). Há a perda da elasticidade e a hiperinsuflação dos pulmões, fazendo com o que haja um colapso das vias respiratórias durante a expiração. O ar irá permanecer retido nos alvéolos e pulmões, provocando um aumento da dimensão anteroposterior do tórax, chamado “tórax de barril”. Já as manifestações de bronquite crônica são referidos como “pletórico azulado”, por conta da cianose e a retenção de liquido associada a insuficiência cardíaca direita. A DPOC desenvolve um comprometimento respiratório de moderado a grave, aumentando o TR, mas com eficiência reduzida. Há uma dispneia aos esforços, sensação de peso, dificuldade respiratória ou respiração ofegante. Na ausculta, pode revelar sibilos expiratórios e crepitações. Pacientes com obstrução grave, pode apresenta o uso dos músculos acessórios e posição sentada, que facilita a utilização dos músculos esternocleidomastóideos, escalenos e intercostais. Há o desenvolvimento de hipoxemia, hipercapnia e cianose, que refletem no desequilíbrio entre a ventilação e perfusão. Espirometria É indicado para todos os pacientes com suspeita clínica de DPOC para confirmação diagnóstica, avaliação do grau de limitação, avaliação da resposta ao tratamento e avaliação da progressão da doença. É realizada pré e pós administração de broncodilatador para determinar a responsividade da via aérea. É positivo quando a Volume Expiratório Forçado no Primeiro Segundo (VEF1)/Capacidade Vital Forçada (CVF) for <0.7. Capacidade de difusão de monóxido de carbono Não é indicado de rotina para diagnóstico da DPOC, mas pode ser útil para estabelecer a presença de enfisema. Monitorização de Peak flow (PEF) Seu uso é limitado pra o diagnóstico de DPOC, visto que costuma subestimar o grau de obstrução do fluxo aéreo na DPOC. Exames laboratoriais É importante o hemograma completo, já que a anemia é comum em pacientes com DPOC. Pede-se glicose sérica, cálcio, ureia, creatinina, fósforo, eletrólitos, dosagem de TSH. A dosagem de BNP é interessante para analisar a insuficiência cardíaca. Raio X de tórax Não está indicada de rotina por conta da sua baixa sensibilidade. Porém, costuma ser solicitada por exclusão de diagnostico diferenciais. Encontra-se uma hipertransparência pulmonar, área cardíaca estreita, apagamento das estruturas vasculares, proeminência dos hilos pulmonares, hipertensãopulmonar com cor pulmonale, etc. Alfa-1 antitripsina Deve ser solicitado em todo paciente com diagnóstico de DPOC e apresentação precoce (< 45 anos) e na ausência de fatores de risco, como o tabagismo. Tomografia de tórax Não é recomendado como rotina, porém avalia complicações pulmonares, como infecção, pneumotórax, bolhas gigantes. A asma é uma doença crônica das vias áereas de condução, geralmente causada por uma reação imunológica, marcada por episódios de obstrução, hiper- responsividade brônquica, inflamação das vias respiratórias. (ROBBINS & COTRAN, 9ª ed.) ↠ Caracterizada por uma obstrução reversível e intermitente da via aérea baixa devido a contração do músculo liso bronquial em resposta a um gatilho ambiental ou a uma infecção de via aérea superior (RODRIGUES et. al., 2021). EPIDEMIOLOGIA Houve um aumento da incidência da asma no mundo ocidental nos últimos 50 anos, que atualmente esta mais estabilizado. A prevalência continua aumentado em países de baixa e média renda e em alguns grupos étnicos. ↠ Mundialmente a asma afeta 300 milhões de pessoas com estimativas de aumento em 2025 para mais de 100 milhões. Em média 5% a 10% da população mundial tem asma, entretanto, 1/3 tem idade menor do que 18 anos (ASSIS et. al., 2019). ↠ No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a asma está presente em torno de 20 milhões de brasileiros, é responsável por aproximadamente 350.000 internações anualmente e é a terceira causa de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS). Felizmente, devido a um maior entendimento dessa condição respiratória, o número de internações por asma no Brasil caiu 49% na última década (RODRIGUES et. al., 2021). ↠ O principal fator de risco para o desenvolvimento de asma é uma predisposição genética para a produção de uma resposta mediada pela imunoglobulina E (IgE) a alergênios comuns (PORTH, 10ª ed.). OBS.: IgE é o anticorpo envolvido na manifestação de reações alérgicas e inflamações (PORTH, 10ª ed.). ↠ Outros fatores de risco para o desenvolvimento de asma na infância incluem histórico familiar de asma, alergias, exposição pré-natal a fumaça de cigarro e poluição, bem como múltiplas predisposições genéticas que potencialmente podem se sobrepor (PORTH, 10ª ed.). ↠ Outros fatores como exposição precoce à fumaça do tabaco (mães que fumaram na gestação possuem uma tendência a ter recém-nascidos, baixo peso e, consequentemente, com trato respiratório também comprometido), infecções de via aérea superior (entre elas as mais frequentes são as por vírus sincicial respiratório, adenovírus e por influenzae) e aleitamento materno não exclusivo nos primeiros 6 meses de vida também estão diretamente relacionados (RODRIGUES et. al., 2021). Grande parte da asma alérgica se associa à sensibilidade aos alérgenos de hipersensibilidade do ambiente interno e como os estilos ocidentais de habitação favorecem maior exposição a alérgenos dos interiores, a atenção inicial se concentrou no aumento da exposição a esses alérgenos nos primeiros anos de vida como causa primária da elevação da asma. Os alérgenos específicos de interesse incluem ácaros da poeira doméstica, pelos de cães e gatos e alérgeno de baratas, especialmente nos bairros pobres das cidades. Essas e outras observações sustentam fortemente a conclusão de que os controles de alérgenos devam ser valiosos no tratamento ou na prevenção da asma (BROADDUS, 6ª ed.) Classificações da ASMA Asma atópica: é o tipo de asma mais comum, sendo uma reação de hipersensibilidade mediada por IgE (tipo 1). Geralmente começa na infância e é desencadeada por alguns fatores, como a poeira, pólen ou outros, como alimentos que agem em sinergia com outros cofatores ambientais pró-inflamatórios. Também relaciona a história familiar positiva para asma, realizando teste cutâneo ou por níveis totais elevados de IgE sérica. Asma não atópica: são indivíduos que não apresentam evidencias de sensibilização a alérgenos, e os resultados dos testes cutâneos geralmente sao negativos. A historia familiar positiva é menos comum na asma não atópica e os poluentes inalados, também podem contribuir parar a inflamação crônica e hiper-reatividade das vias em alguns casos. Asma induzida por fármacos: vários agentes farmacológicos provocam a asma. Asma ocupacional: esse subtipo da asma pode ser desencadeada por vapores, poeiras orgânicas e químicas, gases e outros componentes químicos. O linfócito TCD4+ desenvolve dois subconjuntos de linfócitos T auxiliares, o T1H e T2H. O T1H sofrem diferenciação em resposta a micróbios e estimulam a diferenciação dos linfócitos B em plasmócitos produtores das imunoglobulinas IgM e IgG. O T2H respondem ao estimulo provocado por alergênios e helmintos, estimulando a diferenciação dos linfócitos B em plasmocitos produtores de IgE, recrutando e ativando eosinófilos. Em pessoas com asma, a diferenciação dos linfócitos T parece estar voltada a uma resposta pró- inflamatória de T2H. As citocinas também possuem um papel na resposta inflamatória crônica e nas complicações da asma. Quando ocorre a liberação de citocinas CD4 T2H, IL-4, IL-5 e IL13, as vias respiratórias se tornam mais propicias a desenvolver uma resposta alérgica, o que favorece a produção de IgE. Os aspectos imunológicos da asma ocasionam uma lesão epitelial, provocando uma inflamação das vias respiratórias, o que aumenta a hiperresponsividade e a diminuição do fluxo aéreo. Quando os mastócitos são ativados, ocorre a liberação de histamina, prostaglandina D2, citocinas (IL-4 e IL-5), interfona, TNF e fator de estimulação de colônias de granulócitos e macrófagos, e leucotrienos, que provoca a broncoconstrição e inflamação do endotélio vascular pulmonar. Os mastócitos podem desencadear a liberação de vários tipos de citocinas, que provoca grande inflamação da vias respiratórias, e a contração e o edema, aumentam mais ainda a obstrução. A liberação dos mastócitos pode estar vinculada a asma induzida por exercício, no qual o individuo terá uma sibilação e broncoespasmo durante a prática de exercício fisico. Os eosinófilos tendem a permanecer nas vias respiratórias de pessoas com asma, produzindo enzimas inflamatórias e liberando leucotrienos, que provoca uma maior secreção de muco, o que muitas vezes obstrui mais ainda a via respiratória e aumenta a liberação de histamina pelos mastócitos. Esse processo inflamatório produz diversos episódios de obstrução das vias respiratórias, caracterizado por sibilação, dificuldade respiratória, aperto no tórax e tosse. Esses episódios costumam ser reversíveis naturalmente ou através de tratamento. Ç Sintomas podem piorar durante a noite- asma noturna. Manifestações podem variar de episódios de sibilos e sensação de aperto no tórax a uma crise imobilizantes e aguda. Crise leve: sensação em aperto no tórax, aumento da frequência respiratória com expiração prolongada e leve sibilação. Sibilação pode ser acompanhada de tosse. Crises mais graves: uso dos músculos acessórios, hipoforese do murmúrio vesicular devido ao aprisionamento de ar e aos sibilos intensos Paciente pode ter fadiga, pele úmida, sintomas de ansiedade e apreensão. Durante a crise: vias respiratórias estreitas como resultado do broncospasmo, edema da mucosa brônquica e tampão de muco. Aumento do volume expiratório forçado em um segundo Durante crise prolongada: ar aprisionado por trás das vias respiratórias ocluídas e estreitadas- causa hiperinflação dos pulmões aumenta volume residual e diminui a capacidade de reserva inspiratória e a capacidade vital forçada-leva ao aumento do trabalho respiratório- aumentando ainda mais a demanda de oxigênio: provocando dispneia e fadiga. Com a evolução da condição: diminui a eficácia da ventilação alveolar – causa falta de correspondência entre ventilação e perfusão– leva a hipoxemia e hipercapnia. Pode haver o aumento da resistência vascular pulmonar (resultado da hipoxemia e hiperinflação) - aumenta pressão arterial pulmonar e aumento da demanda de trabalho no coração direito. Deve ser baseado no histórico, exame físico, testes laboratoriais e estudo da função pulmonar Espirometria: mede CVF< VEF1, PFE, volume corrente, capacidade de reserva expiratória e inspiratória. Pode ser calculada a razão de VEF1/CVF. Grau de capacidade de resposta das vias aéreas pode ser medido por teste de desafio de inalação com uso de metacolina, histamina ou pela exposição de agente não farmacológico como ar frio Medidores portáteis para verificar o PFE: medições ao longo de várias semanas�denominado melhor desempenho individual�pode indicar alterações na função respiratória. Asma grave ou refratária: subgrupo de 5% dos casos- pacientes com condições mais problemáticas, altas exigências de medicação e sintomas persistente mesmo com medicação. Risco elevado de asma fatal ou quase fatal. Tem como fatores de risco: predisposição genética, exposição prolongada ao alergênico ou fumo, infecções, sinusite intercorrente, refluxo gastresofágico e falta de adesão ao tratamento. Asma em idosos: já possuem a função imunológica diminuída devido ao envelhecimento- baixa imunidade pode impactar na inflamação das vias respiratórias Asma em crianças: é uma das principais causas de doença crônica em crianças, diagnóstico mais frequente em hospitais infantis, mais comum em crianças negras do que brancas. Também associada a reação relacionada ao IgE. - Fatores de risco: enfermidades sibilantes em lactentes, alergênicos ambientaispelos de animais, antígenos de ácaros e alergênicos de barata, além da exposição a fumaça do cigarro. - Sinais e sintomas variam de acordo com estágio e gravidade da crise, tendo mais sinais agudos de asma a noite. Início aparente de resfriado com coriza seguido por irritabilidade, tosse não produtiva, sibilação, taquipneia, dispneia com expiração prolongada e uso de músculos acessórios da respiração. O aumento da gravidade do caso pode ter cianose, hiperinflação do tórax e taquicardia. Ç Ç ↠ O manejo da asma consiste em medidas de prevenção, medidas não farmacológicas, dessensibilização e tratamento farmacológico (PORTH, 10ª ed.). ↠ As medidas de prevenção para controlar os fatores que contribuem para a gravidade da asma são destinadas a limitar a exposição a substâncias irritantes e aos fatores que aumentam os sintomas da asma e precipitam as exacerbações (PORTH, 10ª ed.). ↠ Incluem orientar o paciente e seus familiares com relação a medidas que devem ser empregadas para evitar a exposição a substâncias irritantes e alergênios conhecidos por induzir ou provocar uma crise. (PORTH, 10ª ed.). ↠ Nos casos de asma persistente pode ser realizado um programa de dessensibilização para pessoas que reagem a alergênios que não podem ser evitados, como ácaros domésticos. Isto envolve a injeção de antígenos selecionados (com base em testes cutâneos) para estimular a produção de anticorpos IgG que bloqueiam a resposta de IgE. A imunoterapia tipicamente tem duração de 3 a 5 anos (PORTH, 10ª ed.) TRATAMENTO FARMACOLÓGICO ↠ A primeira linha de tratamento de qualquer das formas persistentes de asma inclui um agente de controle da inflamação, o que inclui corticosteroides inalados, estabilizadores de mastócitos e modificadores de leucotrienos (PORTH, 10ª ed.). ↠ Os corticosteroides por via inalatória são considerados os agentes mais efetivos na prevenção de inflamação das vias respiratórias e, geralmente, são o tipo de fármaco utilizado (PORTH, 10ª ed.). MECANISMO DE AÇÃO: Eles inibem a fosfolipase A2, que bloqueia a liberação de ácido araquidônico (o precursor de prostaglandinas e leucotrienos) dos fosfolipídeos ligados à membrana. Acredita-se que a diminuição da produção de prostaglandinas e leucotrienos é fundamental à ação anti- inflamatória (WHALEN et. al., 2016) ↠ Os medicamentos de alívio imediato, como os agonistas β2-adrenérgicos de ação rápida (SABA, short�ating b2-adrenergic agonist) (p. ex., salbutamol, levalbuterol, pirbuterol) relaxam a musculatura lisa dos brônquios e proporcionam alívio imediato dos sintomas, geralmente em um intervalo de 30 min. São administrados por inalação (i. e., inalador dosimetrado ou nebulizador), e a sua utilização é recomendada para aliviar crises agudas de asma, porque o uso regular não produz efeitos benéficos (PORTH, 10ª ed.). ↠ As medicações anticolinérgicas (p. ex., ipratrópio) bloqueiam as vias vagais eferentes pós-ganglionares causadoras de broncoconstrição. Esses medicamentos, administrados por inalação, provocam broncodilatação por ação direta sobre as grandes vias respiratórias e não alteram a composição ou a viscosidade do muco brônquico. Acredita-se que podem fornecer algum benefício aditivo para o tratamento de exacerbações da asma quando administrados juntamente com agonistas β2- adrenérgicos (PORTH, 10ª ed.) - NEBULIMETROS (drogas inalatórias) – de jato e ultrassônicos Eles liberaram doses de broncodilatadores ou corticoides, medicamentos de ação rápida que agem diretamente nos brônquios e nos pulmões e facilitam a respiração. ↠ O tratamento de DPOC depende do estágio da doença e, muitas vezes, requer uma abordagem interdisciplinar (PORTH, 10ª ed.). A cessação do tabagismo é a única medida que retarda a progressão da doença. ↠ O uso de uma máscara, em grande parte, impede o desenvolvimento de dispneia e broncospasmo devido ao ar frio e à exposição ao vento (PORTH, 10ª ed.). ↠ Infecções respiratórias podem impor risco de morte para pessoas com DPOC grave. O indivíduo com DPOC deve evitar o contato com pessoas com infecção comprovada do sistema respiratório, bem como lugares com grande quantidade de pessoas durante os períodos do ano em que a gripe ou infecções do sistema respiratório predominam. A vacinação contra gripe e infecções pneumocócicas diminui a probabilidade de ocorrência (PORTH, 10ª ed.). ↠ Manter e melhorar o funcionamento físico e psicossocial é uma parte importante do programa de tratamento para pessoas com DPOC. Um programa de reabilitação pulmonar a longo prazo pode reduzir significativamente a necessidade de hospitalização e melhorar a capacidade da pessoa de gerenciar e lidar com sua deficiência de uma maneira positiva (PORTH, 10ª ed.). ↠ O tratamento farmacológico da DPOC envolve o uso de broncodilatadores, como a inalação de agentes adrenérgicos e anticolinérgicos. Agonistas β2- adrenérgicos inalados têm sido a principal forma de tratamento da DPOC. Afirma-se que os agonistas β2- adrenérgicos inalados de ação prolongada podem ser ainda mais efetivos do que as formas de ação rápida (PORTH, 10ª ed.) ↠ Os fármacos anticolinérgicos (p. ex., brometo de ipratrópio, brometo de tiotrópio), que são administrados por inalação, produzem broncodilatação via bloqueio dos receptores colinérgicos parassimpáticos geradores de contração do músculo liso dos brônquios. Esse tipo de medicamento, que deve ser administrado por inalação, promove broncodilatação pela ação direta sobre as grandes vias respiratórias, sem alterar a composição ou a viscosidade do muco brônquico. Também reduz o volume de expectoração, sem alterar sua viscosidade. Como esses medicamentos têm um início de ação mais lento e mais prolongado, geralmente são usados em bases regulares em vez de empregados de acordo com a necessidade. Também há disponibilidade comercial de inaladores que combinam um medicamento anticolinérgico com um agonista β2-adrenérgico (PORTH, 10ª ed.) ↠Os corticosteroides inalatórios muitas vezes são usados no tratamento de DPOC, apesar das controvérsias quanto a sua utilidade. Uma explicação para a falta de efeito pode estar relacionada com o fato de que os corticosteroides prolongam a ação de neutrófilose, portanto, não suprimem a resposta inflamatória neutrofílica observada nos casos de DPOC. Como os corticosteroides são úteis no alívio de sinais/sintomas de asma, podem beneficiar pessoas com asma concomitante à DPOC. Corticosteroides inalados também podem ser benéficos no tratamento da exacerbação aguda da DPOC, minimizando os efeitos indesejáveis que muitas vezes acompanham a utilização sistêmica (PORTH, 10ª ed.). ↠ A oxigenoterapia deve ser prescrita para indivíduos selecionados com hipoxemia significativa (PO2 arterial < 55 mmHg). A administração de oxigênio a um baixo fluxo contínuo (1 a 2 ℓ/min) para manter os níveis de PO2 arterial entre 55 e 65 mmHg minimiza a dispneia e a hipertensão pulmonar e melhora o funcionamento neuropsicológico e a tolerância à atividade física. O objetivo geral da oxigenoterapia é manter a saturação de oxigênio da hemoglobina em 88 a 92% (PORTH, 10ª ed.). ↠ Como o impulso ventilatório associado à estimulação hipóxica dos quimiorreceptores periféricos não ocorre até que a PO2 arterial seja reduzida para aproximadamente 60 mmHg ou menos, a elevação da PO2 arterial acima de 60 mmHg tende a deprimir o estímulo hipóxico para ventilação. Isso frequentemente resulta em hipoventilação e retenção de dióxido de carbono. Portanto, os médicos devem ter o cuidado de não oxigenar excessivamente os pacientes com DPOC com o intuito de alcançar uma meta mais alta de espirometria, porque isso pode diminuir o impulso respiratório (PORTH, 10ª ed.) PORTO, Celmo C.; PORTO, Arnaldo L. Clínica Médica na Prática Diária. Grupo GEN, 2015. NORRIS, Tommie L. Porth – Fisiopatologia, 10ª edição. Grupo GEN, 2021. BROADDUS, V. Courtney. Murray & Nadel Tratado de Medicina Respiratória, 6ª edição. Grupo GEN, 2017. KUMMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N.; MITCHELL, R. N. Robbins, Patologia Básica. 9a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.