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1 
 
 
 
 
TEORIA DA 
EDUCAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
Rita de Cássia Marques Costa 
Marcos Adriano Barbosa de Novaes 
Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca 
 
 
 
 
 
TEORIA DA 
EDUCAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
Sumário 
Apresentação do Professor 
Sobre o autor 
Trocando ideias com os autores 
Problematizando 
 
Unidade de Estudo I: A História e o pensamento pedagógico 
Uma cronologia das ideais dos pensadores: Evolução da Educação versus 
Evolução da Sociedade. 
O Pensamento Pedagógico Oriental: Lao – Tsé e Talmude 
O Pensamento Greco: Sócrates, Platão e Aristóteles 
O Pensamento Romano 
Principais Educadores Romanos 
Pensamento Medieval 
Pensamento Renascentista 
Pensamento Moderno 
Pensamento Iluminista 
Pensamento Positivista 
Pensamento Socialista 
O Pensamento Escolanovista (A Escola Nova) 
O Pensamento Antiautoritário 
O Pensamento Crítico 
 
Unidade de Estudo II: O Pensamento Pedagógico do terceiro mundo: 
novas possibilidades na educação 
 
6 
 
O Pensamento Pedagógico Brasileiro 
A Educação Permanente 
 
Unidade de Estudo III: A Pluralidade dos modos de conhecimento: 
Democratizando a ciência 
Unidade de Estudo IV: Uma análise sobre as Teorias da Educação 
Conceituando as Teorias da Educação 
 
Espaço formativo no contexto da Educação contemporânea 
 
O surgimento da pedagogia 
 
Pontos de destaque 
Tendências Pedagógicas 
Abordagem Tradicional 
Abordagem Comportamentalista 
 
Abordagem Humanista 
 
Abordagem Cognitivista 
 
Abordagem Sociocultural 
 
Síntese: as concepções e Tendências da Educação 
 
Unidade de Estudo V: A interface entre as Teorias Modernas, 
Contemporâneas e Pós-Modernas 
A Pedagogia e suas exigências em o mundo de mudanças. 
Teorias Pedagógicas Modernas e Pós-Modernas 
O contexto ―Pós- Moderno‖ e os impactos na Educação 
Um esboço das teorias e correntes pedagógicas contemporâneas 
A corrente racional-tecnológica 
A corrente neocognitivista 
 
7 
 
Teorias Sociocríticas 
Correntes ―holísticas‖ 
Correntes ―Pós-Modernas‖ 
 
Explicando melhor com a pesquisa 
Leitura Obrigatória 
Pesquisando na Internet 
Saiba mais 
Vendo com os olhos de ver 
Revisando 
 Autoavaliação 
Bibliografia 
Bibliografia Web 
Vídeos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
Apresentação do Professor 
 
Olá, sejam bem-vindos! 
 
A Teoria da Educação abrange as concepções dos espaços formativos 
que permeiam o cotidiano de nossas escolas. No cenário educacional vem se 
fazendo confusão entre os termos ―ciências da educação‖ e ―Pedagogia‖. Mas 
do ponto de vista epistemológicos são diferentes. Cabanas (2002) diz o que 
chamamos de ―Teoria da Educação‖ é a ―Pedagogia‖ enquanto ciência. 
Como a educação tem sido por algum tempo centrada no professor 
denominada educação tradicionalista, houve a necessidade de uma pedagogia 
nova, capaz de tornar a prática da educação mais dinâmica e eficaz, trazendo 
a exigência de maior sistematização de conhecimento, esboçando uma nova 
maneira de interpretar a educação. 
Este material irá trazer variados pensamentos pedagógicos do primeiro e 
terceiro mundo bem como suas teorias e as possibilidades na Educação, você 
terá uma visão sobre a pluralidade educacional na atualidade, realizando uma 
análise comparativa entre a modernidade e pós-modernidade no aspecto 
democrático da ciência. 
A disciplina propiciará a você um aprendizado prazeroso; nela serão 
abordados temas relacionados ao conhecimento e às formulações das teorias 
construídas em diversas épocas históricas. 
Abordaremos as Teorias da Educação, analisando e conceituando os 
diversos pensamentos de autores que participaram e contribuíram para o 
formato da educação no país. 
Você terá a oportunidade de estudar sobre as tendências pedagógicas e 
seus pressupostos de aprendizagem. Para tanto, devemos revelar a 
multidimensionalidade que envolve o fenômeno educativo, as diversas 
abordagens e tendências pedagógicas. 
 
10 
 
Este material lhe mostrará os estudos em Pedagogia na modernidade, e 
você entenderá como os fatores socioculturais e institucionais se desenvolvem 
nos processos de crescimento e de transformação dos indivíduos. E em que 
condições esse sujeito aprende melhor nessa atualidade rica em contradições 
socioeconômicas. 
Os autores fundamentais para a realização desse estudo sobre docência 
e conhecimento foram: Luckesi (1983), Saviani (1985); a partir dos diversos 
estudos que avaliam e conferem as abordagens do processo de ensino e 
aprendizagem, podemos enfatizar os trabalhos de Bordenave (1984), Libâneo 
(1982), Saviani (1984) e Mizukami (1986). 
 
Os autores! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
Sobre o autor 
 
Rita de Cássia Marques Costa, mestre em Educação 
Brasileira, na linha de Movimentos Sociais, Educação Popular 
e Escola, no Eixo de Estudos Sócio-antropológicos e Políticos 
da Educação, pela Universidade Federal do Ceará-UFC 
(2009). Graduada em Pedagogia pela UVA/ Sobral - (2004). 
Com experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Popular e 
Extensão Rural, Extensão Social, Educação Ambiental, Desenvolvimento 
Sustentável, Mobilização Social, Educação e Saúde. Atualmente, está como 
Assessora Pedagógica da Pró-diretoria de Ensino e Graduação, Coordenadora 
do SEAD-PRODEG e Presidente da CPA do Centro Universitário – UNINTA. 
 
Marcos Adriano Barbosa de Novaes, mestre em Educação 
e Ensino pelo Mestrado Acadêmico da Universidade Estadual 
do Ceará (MAIE/FAFIDAM/FECLESC), possui graduação em 
Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) 
(2013), especialista em Gestão de organizações Sociais. Tem 
experiência na área de Educação, com ênfase em Política Educacional, 
atuando principalmente nos seguintes temas: Reforma do Estado e da 
Educação, Democratização, Educação Superior. 
 
 
Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca, Mestre em Ciências 
da Educação pela Universidade Lusófona de Humanidades e 
Tecnologias-ULHT. Especialista em Ciências da Educação. 
Especialista em Educação a Distância. Graduação em Pedagogia 
pela Universidade Estadual do Ceará-UECE. Atualmente atua 
como Coordenadora Pedagógica da Proedu do Centro Universitário – UNINTA. 
 
 
12 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
Ambientação à disciplina 
Caro estudante, 
Vamos conhecer a disciplina Teoria da Educação I, para que 
você possa compreender melhor os caminhos que irão percorrer para 
aprimoramento dessa disciplina. Apresentar através dos períodos 
históricos e suas tendências considerando as condições sócio -políticas 
de cada época nos países desenvolvidos. 
O estudo sobre as Teorias da Educação exige em um primeiro 
momento o entendimento sobre o que é a teoria da educação. 
 
O fato é que temos aquelas teorias que entendem ser a educação um 
aparelho de alinhamento social, de superação dos problemas da sociedade. 
Podemos iniciar o estudo compreendendo a sociedade e a educação 
brasileira a partir do pensamento de Anísio Teixeira. Ele teceu sua 
compreensão da sociedade e da educação no Brasil, no movimento que ficou 
conhecido como Escola Nova que o colocou em contato com a cultura erudita. 
E em um constante diálogo com alguns dos maiores intelectuais brasileiros da 
época. Dedicou quase meio século de sua vida a pesquisa sobre a gestão de 
ensino. 
 Naquela ocasião sua vida pública foi movida, por um sonho de 
materializar um projeto de educação popular. Por este sonho Anísio Teixeira, 
estudou, escreveu, viajou com o intuito de conhecer outras experiências 
pedagógicas, debateu no Congresso e em associações diversas as suas 
propostas de uma educação para todos osbrasileiros. 
Como as teorias da educação se posicionam perante o fenômeno da 
escolarização, em pleno século XXI, ainda, é fator determinante de exclusão 
social? 
 
14 
 
Não pretendia promover apenas uma campanha de ensinar a ler e a 
escrever, mas compreendia que era urgente promover educação para toda 
população para o trabalho em que o uso das artes escolares fosse 
indispensável, bem como para uma forma de governo que exigisse participação 
consciente, senso crítico, aptidão para julgar e para escolher. 
A crítica de Anísio Teixeira, por volta do ano de 1958, sobre a 
seletividade da escola no Brasil, torna-se motivo de reflexão sobre a realidade 
da educação atual e a sociedade contemporânea. Ainda, existe esta situação 
na sociedade atual? Para que possamos encontrar respostas é imprescindível 
se ter esperteza para perceber quais as ideias que estão subjacentes às 
Teorias da Educação na sociedade do século XXI. 
A intenção de começamos a partir da reflexão foi resgatar o 
pensamento de Anísio Teixeira que teve suas bases teóricas construídas a 
partir do pensamento de John Dewey. O pensador defendia que a concepção 
de democracia e de mudança social encontra-se situada na criança, mas 
especificamente na primeira infância. O que culminou na criação do termo 
pragmatismo. 
No final da década de 1930, Dewey, lembra aos educadores que a 
teoria social é um guia metodológico de investigação e de planejamento. Essa 
prática é o entendimento de múltiplos e simultâneos movimentos de reforma. 
Esse problema é essencialmente intelectual. Quando se trata de estruturas e 
de situações específicas de interação que exigem averiguações peculiares e 
que permita direcionar a nossa compreensão dos problemas, o resultado desse 
esforço reforça a ligação que há entre a democracia e o pensamento racional. 
Finalizando, as reflexões iniciais sobre o pensamento de Anísio 
Teixeira percebemos que as ideias de Dewey forneceram uma leitura da 
sociedade e da educação e que estas ideias estão ancoradas na própria 
categoria de reconstrução, isto, permitiu que o educador Anísio Teixeira 
constituísse sua síntese e entrasse no campo de crítica filosófica moderna. A 
partir do pensamento de Dewey, Anísio fez uma viagem no mundo de suas 
concepções para reintegrar o velho e o novo por meio de uma crítica capaz de 
distinguir, selecionar os elementos fundamentais do momento histórico vivido. 
 
15 
 
Por fim, queremos deixar um pensamento para servir de reflexão durante todos 
os estudos. 
 A conjuntura da educação contemporânea não é um problema dos que 
não têm o direito a educação, mas de todos, sobretudo dos próprios 
profissionais de educação como afirma o autor: “A pedagogia atua apenas 
sobre o humano. A ela interessa constituir aquele grupo humano com o qual 
qualquer projeto futuro pode contar.” (GONZAGA TEIXEIRA, 2000, p. 106). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
Trocando ideias com os autores 
 
Caro estudante, agora é o momento em que você vai trocar ideias com 
os autores das obras indicadas. 
 
Sugerimos que leiam a obra Saberes Docentes e Formação 
Profissional, de Maurice Tardif. O livro apresenta os saberes 
que fundamentam o trabalho do professor em sala de aula. 
 
 
 
TARDIF, Maurice. Saberes Docentes e Formação Profissional. 5ª edição. 
 
Sugerimos que leia a obra Professores e Professauros: 
reflexões sobre a sala de aula e as diversas práticas 
pedagógicas de Celso Antunes. Nesse livro Antunes critica e 
satiriza o conservadorismo que segundo ele impede uma 
educação com grandeza. Nos oferecendo sugestões de 
como os professores podem atuar em sala de aula visando 
uma aprendizagem consciente. 
 
ANTUNES, Celso. Professores e professauros: reflexões sobre a sala e 
práticas pedagógicas diversas. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2010. 
 
Guia de Estudo 
Após a leitura das obras, esquematize uma comparação entre o pensamento 
dos autores destacando as teses que eles defendem. 
 
 
17 
 
Problematizando 
 
 
A prática do professor em sala de aula é influenciada pela experiência de 
vida deste e pelo discurso pedagógico que ele constrói e utiliza na relação 
direta com o estudante para transmissão de saberes. 
Na didática e na comunicação direta com o educando, os educadores, 
perpassam também, as teorias do conhecimento, da história e da filosofia da 
educação combinado com a psicologia da educação. 
E você caro estudante, o que percebe em relação às Teorias da 
Educação? O ensino de hoje prepara o educando para o mundo? Como 
trabalhar os saberes no ambiente escolar? Será que existe possibilidade de 
desenvolver diálogo nos espaços escolares? E os discursos pedagógicos? 
Estamos usando esses discursos para provocar o processo de ensino e 
aprendizagem? 
 
Guia de Estudo 
Com base nos questionamentos acima, reflita e discuta com os seus 
colegas as questões apresentadas. Registre em um texto as opiniões expostas 
na discussão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
 
 
 
 
 
A História e o pensamento 
pedagógico 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
Uma cronologia das ideais dos pensadores: Evolução 
da Educação versus Evolução da Sociedade. 
 
Alguns autores aceitam que a reflexão filosófica auxilia na descoberta 
de antropologias, ideologias de sistemas educacionais, às inovações, às 
concepções e práticas pedagógicas. 
Acredita-se que a educação tem um grande papel no processo de 
humanização do homem e na transformação social. A teoria educacional visa à 
formação do homem absoluto. Através dos estudos teóricos dos grandes 
pensadores da educação podemos entender e enfrentar as possibilidades e os 
limites educacionais. Segue agora, a explicação dos mais variados e ricos 
pensamentos pedagógicos para estudo. 
 
O Pensamento Pedagógico Oriental: Lao – Tsé e 
Talmude 
A prática pedagógica vem antes ao pensamento pedagógico. Este por 
sua vez nasceu com a meditação sobre a prática educativa, no intuito de 
sistematizá-la e organizá-la para seus fins educativos. O oriente garantiu os 
valores da memória, não-violência, da reflexão. Ligou-se a religião na qual 
enfatizamos: taoísmo, budismo, hinduísmo, judaísmo. 
A educação primitiva era prática, assinalada por rituais de iniciação e 
baseada pela visão animista, na qual as coisas tinham alma idêntica a do 
homem. A educação era natural, não-intencional, aprimorada na oralidade e 
restringida ao presente próximo. Outra visão é o totemismo religioso, 
compreensão de mundo que toma qualquer ser, homem, animal, planta como 
divino e criador do grupo. A este ajuntamento social chamamos de clã. O 
princípio pedagógico mais antigo foi o taoísmo, que foi uma condição de 
panteísmo, cujos princípios são abalizados em vida saudável, tranquila, 
sossegada, quieta. ―Baseando-se no taoísmo, CONFUCIO (551-479 a.C) criou 
 
22 
 
o aparelho moral que acirrava a tradição e o culto aos mortos‖ (GADOTTI, 
2005,p.22). 
A primeira filosofia de vida: A partir daí, o confucionismo modificou-
se em religião do Estado até a Revolução Cultural, originada na China por Mao 
Tsé-Tung, no século XX. O domínio dos pais sobre os filhos era indefinido, o 
pai representava o próprio imperador em sua casa. Criou-se um sistema de 
ensino dogmatizado e memorizado, acabou por fossilizar a inteligência e a 
criatividade. A educação chinesa tradicional visava à cópia de hierarquias, 
sujeição e submissão ao poder dos mandarins. 
Ainda, nos dias de hoje, existe uma intenção em resgatar a essência 
do taoísmo, que é a procura da harmonia e do equilíbrio nesse tempo de 
desordem e de desumanização. 
A educação hinduísta também amparava a contemplação e a 
imitação das castas - classes hereditárias, acirrando o espírito e repudiando o 
corpo. Os párias e as mulheresnão tinham direito a educação. Os egípcios 
foram os primeiros a ter consciência da importância da arte de ensinar e foram 
eles os autores do uso de bibliotecas. Criaram casa de instrução, leitura e 
escrita, história dos cultos, astronomia, música e medicina. 
Mas foram os hebreus que mais mantiveram as informações sobre a 
história, por isso que herdaram ao mundo um conjunto de princípios e tradições 
que ainda hoje são adotados. A educação hebraica era rigorosa, desde a 
infância, pregava medo a Deus e submissão aos pais. O método era 
aprimorado na repetição e revisão do catecismo. A cultura ocidental foi 
influenciada pelos métodos dos hebreus. 
Nesse contexto, a educação primitiva ocorreu com características 
parecidas, conforme Gadotti, assinalada pela tradição de culto aos velhos, 
―Esse tradicionalismo pedagógico, foi guiado por tendências religiosas 
diferentes: o panteísmo do extremo oriente, o teocratismo hebreu, o misticismo 
hindu, o magicismo babilônico‖ ( 2005, p. 22). 
Essas doutrinas se estruturaram e desenvolveram em função da 
sociedade de classes, e a escola como instituição formal, surgiu como resposta 
 
23 
 
à divisão social do trabalho e ao nascimento do Estado, da família e da 
propriedade privada. Com a divisão social do trabalho, onde muitos trabalham 
e poucos se favoreceram do trabalho de muitos, brotam as particularidades: 
funcionários, sacerdotes, médicos, magos... E a escola passa a não ser mais a 
aldeia e a vida, funcionando como um lugar especializado onde uns aprendem 
e outros ensinam. 
A escola que temos hoje apareceu com a hierarquização e a 
desigualdade econômica, e a história da educação constituiu-se desse 
alongamento da história das desigualdades econômicas. Nesse sentido o 
sistema educacional é resultado de um processo histórico, que tem em seu 
cerne as relações sociais e de produção, que organizaram e organizam a 
sociedade em grupos econômicos caracterizados e, ainda mais, estabelece 
uma relação entre classes sociais antagônicas. Dessa maneira, o sistema 
educacional concretizou-se a partir do momento em que a sociedade se 
estruturou em classes sociais antagônicas, com o fim da chamada sociedade 
primitiva. 
Os interesses e as necessidades da classe social dominante passaram 
a delimitar o campo da Educação na medida em que passou a servir para a 
dominação social de poucos sobre muitos, ―Existe entre povos que submetem 
e dominam outros povos, usando a educação como recurso a mais de sua 
dominância [...]‖ (BRANDÃO, 2007, p.10). Analisando a origem da escola 
enquanto instituição, notamos que, ela surge a partir do fato de que a 
dominação militar e política não surtiam mais os efeitos desejados em uma 
sociedade, que se tornava cada vez mais complexa e multifacetada. Nesse 
contexto a escola serve como um aparato de dominação ideológica e 
intelectual. 
 A educação primitiva tinha atitude solidária, era unitária e integral, 
única e igual para todos. Com a divisão social do trabalho surge à 
desigualdade das educações: uma para exploradores e outra para explorados, 
reprimidos e explorados. 
[...] A necessidade de se apropriar da atividade intelectual e das 
técnicas refinadas de produção passou a compor o rol da divisão 
social do trabalho e, neste sentido, a classe dominante passou a 
 
24 
 
compreender a Educação como elemento fundamental para a 
manutenção da desigualdade social, uma vez que os conhecimentos 
científicos e tecnológicos passaram a ser compreendidos como, cada 
vez mais necessários para o desenvolvimento do sistema produtivo 
(SOARES, 2004; TONET, 2005 apud GUIZO; EUSÉBIOS FILHO 
2005). 
 
 
Então a educação sistemática segundo Guzzo; Euzebios Filho (2005) 
acaba assumindo como função primordial a manutenção, alienação e promove 
a alienação social do trabalho, uma vez que a escola serve como espaço 
estratégico de convivência social, que tem em seu cerne a reprodução da 
dinâmica da sociedade capitalista e conferindo um saber dogmatizado a partir 
de um ser elevado e todo-poderoso, causando medo e terror. 
A educação hebraica, o que prevalecia nessa educação era o 
idealismo religioso, onde os estudos fundamentavam-se na Bíblia. Todas as 
matérias estudadas se pautavam com textos bíblicos e das normas morais. O 
principal manual era a Tora, também chamada de Pentateuco, porque 
acumulava os cinco livros de Moisés. Este por sua vez, era um homem 
religioso e líder do êxodo do Egito, que exerceu influência na mentalidade 
judaica. 
Quanto ao ensino, era oral e repetitivo por meio do estudo do 
Talmude, outro livro sagrado de princípio judaico, dirigido no século II, 
representando o código religioso e civil dos judeus, que não acolhiam Cristo. 
Para o Talmude, a criança deve ser castigada com uma mão e acarinhada por 
outra, já a Bíblia dizia que a vara, a recriminação e a punição dão sabedoria a 
criança. 
 
 
 
 
 
 
25 
 
O Pensamento Pedagógico Greco: Sócrates, Platão e 
Aristóteles 
 
 A Grécia foi lugar de origem da cultura, da civilização e da educação 
ocidental devido sua conjuntura geográfica que provocava o comércio, por ter 
uma sociedade estratificada e amparada por colônias. Os gregos tinham visão 
universal. Ser um homem livre para eles significava não ter inquietações 
materiais ou com o comércio e a guerra. Atividades privadas às classes sociais 
inferiores. 
O caráter de classe de educação grega surgia na reclamação de que o 
ensino excitasse a competição, para afirmar a elevação militar sobre as classes 
domadas e as regiões tomadas. O homem bem educado careceria ser capaz 
de comandar e ser correspondido (GADOTTI, 2005). Só entre os gregos livres 
que existiam diálogo e liberdade de ensino. 
 
A Paideia é um termo do grego antigo, empregado para sintetizar a 
noção de educação na sociedade grega clássica. A palavra é derivada de 
paidos (paidós) = criança, significa criação dos meninos, referindo-se à 
educação familiar pautada nos bons modos e princípios morais. 
 
A paideia é o modelo ideal de educação da Grécia clássica, com o 
passar do tempo esse modelo passou designar o resultado do processo 
educativo que acompanha o ser humano por toda vida, indo além dos muros 
escolares. Nos dias atuais esse ideário é exercido praticamente todo o mundo, 
como um perfeito entendimento de formação social do ser humano. O dia a dia 
do educando baseado no modelo de educação da paideia era organizada de 
forma que a rotina do aluno era respeitar os preceitos da paideia, como: 
 
 Acordar logo ao amanhecer, e com a ajuda do pedagogo, o 
jovem lavava-se e vestia-se; 
 
26 
 
 Refeição matinal e logo após, ida à palestra, para as aulas de 
música e ginástica; 
 Banho e regresso à casa para o almoço; 
 Retorno à palestra à tarde, para lições de leitura e escrita; 
 Ida para casa, sempre na companhia do pedagogo; estudo das 
lições, trabalhos de casa, jantar e enfim repouso. 
 Não havia finais de semana ou férias, exceto pelos festivais 
religiosos ou cívicos; 
 
Nesse sentido a Paideia concebeu um ideal mais adiantado de 
educação da antiguidade. Uma educação integral, que advinha na conexão 
entre cultura e sociedade e a criação individual. Criaram uma pedagogia de 
ação individual, de convívio social e político. Os gregos obtiveram a fusão entre 
educação e cultura, dando valor a arte, literatura, ciências e filosofia. 
A formação de homem integral acontecia na formação do corpo pela 
ginástica, na mente pela filosofia e ciências, na moral e sentimentos pela 
música e pelas artes. A cultura Grega foi responsável pelo surgimento da 
cultura, da civilização e da educação Ocidental. A educação era reservada aos 
homens livres, que exigia que o ensino os preparasse para competição, 
estimulassem virtudes guerreiras que serviria para assegurar a superioridade 
militar sobre as classes submetidas e as regiões conquistadas. 
 
Nessa educação o homem era formadopara ser capaz de mandar e 
fazer-se obedecer. Vale ressaltar que nem todos tinham acesso a esse modelo 
de educação, essa educação era destinada apenas aos gregos livre. 
 
Buscava-se ofertar uma educação integral, capaz de integrar cultura e 
sociedade, pautada numa pedagogia da eficiência individual, simultaneamente 
da liberdade e de convivência social e política. A relação paralela entre 
educação e a cultura, possibilitava a valorização da arte, da literatura, da 
ciência e da filosofia, que consistia na formação do corpo pela ginástica, da 
mente pela filosofia e pela ciência e na da moral e dos sentimentos pela música 
e pelas artes. 
 
27 
 
Houve desacordos entre a educação espartana e a ateniense; entre os 
espartanos preponderava a ginástica e a educação moral domada ao poder do 
Estado. Já os atenienses, mesmo dando valor ao esporte, ofereceram mais 
atenção à elaboração teórica para o exercício da política. Platão chegou a 
dispor um currículo para seus alunos se tornarem reis, ele mesmo queria ser 
rei. 
O mundo grego foi rico em intenções pedagógicas: Pitágoras estudou a 
matemática e sua afinidade com o universo; Sócrates dedicou-se a retórica e 
na linguagem; Xenofontes foi a primeira a refletir a educação para mulheres, 
apesar de restrita a conhecimentos caseiros e de importância do esposo. Partia 
da imaginação da decência humana, segundo ensinou Sócrates. Os três, 
Sócrates, Platão e Aristóteles desempenharam grandes influências ao mundo 
grego. 
Os gregos eram educados através de textos de Homero, o modelo 
homérico de educação era pautado na preparação de pessoas destinadas ao 
heroísmo, para a defesa e honra da pátria da qual faziam parte, nesse modelo 
ganhava importância a busca do belo, do honrado e da reputação que 
ensinavam virtudes guerreiras, cavalheirismo, amor à glória, à honra, à força e 
a valentia. Ensinavam a superioridade e por isso imitavam os heróis. Essa 
educação totalitária sacrificava em Esparta, todos os interesses aos interesses 
do Estado. 
O Humanismo ateniense pautava-se na superioridade de outros 
valores, as contestações eram intelectuais, nas quais procuravam o 
conhecimento da verdade, do belo e do bem. Platão imaginava com uma 
República democrática, e pra ele a educação apresentava papel principal. 
Amparava uma educação municipal para evitar as pretensões totalitárias, e 
então o ensino seria controlado mais próximo da comunidade. Para ele, todo 
ensino deveria ser público. O ideal da cultura aristocrática grega não abarcava 
a formação para o trabalho, o espírito deveria continuar livre para criar. 
Platão defendia que conhecer é lembrar, e que o homem, ao encontrar 
o objeto do saber, tem condições de reconhecê-lo, uma vez que ele já está 
impresso em sua alma. Platão preconizava uma formação básica consistente, a 
 
28 
 
qual gradualmente vai atingindo estágios mais elevados, até resultar em 
pesquisas filosóficas, a esta etapa só chegariam os seres particularmente 
talentosos. 
 
Platão denomina esta fase de educação preparatória, onde os 
educandos possuem condições de aperfeiçoar de maneira harmoniosa o 
espírito e o corpo. Para ele o ensino deveria ser função do Estado e não de 
instituições privadas. Os educadores teriam que ser escolhidos por Atenas e 
supervisionados por cidadãos que possuíssem poderes judiciais, nomeados 
para atuar na campo educacional. Ele ainda projetava um modelo pedagógico 
igual para homens e mulheres até que eles completassem seis anos de idade. 
Daí em diante estes aprendizes seriam divididos em classes e professores 
distintos. 
A educação do cidadão, para o filósofo, teria uma duração de 50 anos, 
organizados em cinco períodos: 
 Dos 3 aos 6 anos: Prática do pentatlo (Nome coletivo de cinco 
exercícios que constituíam os jogos da Grécia, em que entravam os 
atletas: salto, carreira, luta, pugilato e disco. Dança e música para 
ambos os sexos); 
 
 Dos 7 aos 13 anos: Introdução paulatina da cultura intelectual e 
acentuação dos exercícios físicos. A partir dos 10 anos, aprendizagem 
da leitura e escrita e cálculo por processos práticos. Afasta-se assim dos 
costumes atenienses que começavam a educação intelectual antes dos 
10 anos; 
 
 Dos 13 aos 16 anos: Período da educação musical. O programa é 
dividido em duas secções: uma literária, compreendendo gramática e 
aritmética; outra musical, compreendendo poesia e música. Ensina-se a 
tocar a cítara e prefere-se a música dórica, enérgica e viril; 
 
 
29 
 
 Dos 17 aos 20 anos: Período da educação militar. Os jovens deverão 
adquirir resistência e uma saúde a toda a prova. Será preciso 
harmonizar a música à ginástica, faziam-se os homens ferozes. 
Somente com a música, produzir-se-iam os afeminados; 
 
 Dos 21 anos em diante: Apenas os jovens mais capazes devem 
continuar a educação já com carácter superior e baseada na Matemática 
e Filosofia. Entre eles, selecionam-se os futuros governantes, 
prosseguindo sua educação até os 50 anos. 
Essa educação pode ser distribuída da seguinte forma: 
 Dos 21 aos 30 anos: estuda-se com profundidade: Aritmética, 
Geometria e Astronomia; 
 Dos 31 aos 35 anos: predomínio da formação filosófica e dialética, 
sem prejuízo dos estudos matemáticos; 
 Dos 35 aos 50 anos: O magistrado será incumbido de uma função 
pública e empregará os seus talentos para a prosperidade do Estado. 
Ninguém será admitido ao governo, antes dos 50 anos de idade. 
 
Dessa maneira os educandos prosseguiam, passando em um estágio 
adiantado, por diversas disciplinas como Ciências Matemática, Astronomia, 
entre outras disciplinas, até completar os cinquenta anos, o ápice dessa 
formação era alcançado com o resgate do conceito eterno e puro do bem, 
quando estaria preparado para exercer a gestão do estado, fazendo parte do 
restrito círculo dos governantes, formado tão somente por filósofos. 
 
Sócrates, filósofo grego nascido em Atenas, foi considerado o mais 
espantoso fenômeno pedagógico da história ocidental. Acreditava que o 
autoconhecimento é o inicio da abertura do verdadeiro saber. Defensor de um 
diálogo vivo e amigo com seus discípulos. 
Sócrates realizou uma reviravolta na história humana. A filosofia se 
preocupava em explicar o mundo com base na observação das forças da 
natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. Ele se 
 
30 
 
preocupou em levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e 
à prática do bem. 
 
Para Sócrates o homem é concebido como um composto de dois princípios, 
alma (ou espírito) e corpo. De seu pensamento surgiram duas vertentes da 
filosofia que, em linhas gerais, podem ser consideradas como as grandes 
tendências do pensamento ocidental. Uma é a idealista, 
que partiu de Platão (427-347 a.C.), seguidor de 
Sócrates. Ao distinguir o mundo concreto do mundo das 
ideias, deu a estes status de realidade; e a outra é a 
realista, partindo de Aristóteles (384-322 a.C.), que 
submeteu as ideias, às quais se chega pelo espírito, ao 
mundo real. 
 
Sócrates buscava o ensino pelo diálogo, defendia o diálogo como 
método de educação, considerava muito importante o contato direto com os 
interlocutores. Para Sócrates, ninguém adquire a capacidade de conduzir-se, e 
muito menos de conduzir os demais, se não possuir a capacidade de 
autodomínio. Para Sócrates o papel do educador é ajudar o discípulo a 
caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por 
si próprio "iluminar" sua inteligência e sua consciência. 
 
Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas 
alguém que desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a 
reciprocidade ao exercer sua função iluminadora, permitindo que os alunos 
contestem seus argumentos da mesma forma que contesta os argumentos dos 
alunos. Para o filósofo, só a troca de ideais dá liberdade ao pensamento e a 
sua expressão - condições imprescindíveispara o aperfeiçoamento do ser 
humano. 
 
Aristóteles, discípulo de Platão, fixou de maneira realista que as ideias 
estão nas coisas, como sua própria essência. Foi realista em sua intuição 
educacional, e defendeu três fatores principais que originaram o 
 
31 
 
desenvolvimento espiritual do homem; disposição inata, hábito e ensino. Logo, 
mostrou-se adepto a medidas educacionais condicionantes. 
. 
Aristóteles acreditava que a educação era o caminho para uma vida 
pública, cabendo a ela a formação do caráter do aluno. Via virtude como modo 
de educar para viver bem prazerosamente. Tinha o Estado como o único 
responsável pelo ensino. Defendia a ideia de que a criança aprende com o ato 
de imitar os bons hábitos do adulto. Para ele o ser humano só será feliz se der 
sua melhor contribuição ao mundo, se desfrutar suas condições necessárias 
para desenvolver os talentos. 
 
A virtude, para Aristóteles, é uma prática e não um dado da natureza 
de cada um, tampouco o mero conhecimento do que é virtuoso, como para 
Platão. Para ser praticada constantemente, a virtude precisa se tornar um 
hábito. Embora não se conheça nenhum estudo de Aristóteles sobre o assunto, 
é possível concluir que o hábito da virtude deve ser adquirido na escola. 
 
Abaixo acompanhe um quadro resumo sobre os principais educadores 
gregos: 
EDUCADOR PRESSUPOSTO MÉTODO 
SÓCRATES Autoconhecimento do 
educando. 
Diálogo crítico, dividido 
em duas etapas: ironia e 
maiêutica. 
PLATÃO Elevação do ―espírito‖ 
do educando. 
Dialético a partir de 
etapas precisas para o 
processo educacional. 
ARISTÓTELES Hábitos virtuosos e 
orientação racional para 
os alunos. 
Lógico, partindo da 
percepção do objeto, 
memorização do 
percebido e inter-relação 
entre os mesmos. 
 
 
32 
 
O Pensamento Pedagógico Romano 
A sociedade romana era misturada de grandes proprietários, os 
patrícios que abarcavam o poder e de plebeus, pequenos proprietários, que 
mesmo sendo livres eram eliminados do poder. Já os escravos não tinham 
ensino e eram tratados como objetos. Na ocasião de ouro do império, existiu 
um sistema de educação com três graus clássicos de ensino: as escolas de 
ludi-magister que forneciam a educação principal; as escolas do gramático, que 
hoje são as mesmas do ensino secundário; e os estabelecimentos da 
educação superior, que estreavam com a retórica e seguida do Direito e 
Filosofia, se fundavam em uma condição de Universidade. 
Aos poucos a classe aristocrática foi abdicando lugar para 
comerciantes e pequenos artesãos e para uma pequena classe de burocratas, 
e daí careceu de escolas que preparassem administradores. 
Pela primeira vez na história, o estado assumiu diretamente a 
educação e formou seu quadro, treinando os supervisores-professores. Assim 
a educação romana abrange a ideia de se tornar utilitária e militarista 
constituída pela justiça e disciplina. Uma educação para a pátria, onde 
apreendia a paz só com vitórias e escravidão para os vencidos e aos rebeldes 
a pena capital. 
Os romanos não valorizavam o trabalho manual, seus estudos eram 
essencialmente humanistas. O que viria a ser humanistas? Roma desenvolveu 
a concepção de império formado de vários povos, sem discriminar os vencidos 
e ainda lhe dando o direito a cidadania romana, em troca do pagamento de 
impostos. 
 
Humanitas: é pensar uma cultura universalizada. Equivale à Paideia 
grega, distingue-se dela por se tratar de uma cultura predominantemente 
humanística e, sobretudo cosmopolita e universal, buscando aquilo que 
caracteriza o homem, em todos os tempos e lugares. É uma concepção que 
não se restringe ao ideal de homem sábio, mas se estende à formação do 
homem virtuoso, como ser moral, político e literário. 
 
33 
 
 
 As humanistas, dada na escola romana, seguia as seguintes fases: 
Ditado de um fragmento do texto, a título de exercício ortográfico; memorização 
do fragmento; tradução do verso em prosa e vice-versa; expressão de uma 
mesma ideia em diversas construções; análise das palavras nas frases; 
composição literária. 
 
Assim era instruída a elite romana. Enquanto os gregos e sua 
pedagogia enfatizavam a visão filosófica ou o predomínio da retórica, Roma, 
por sua vez, adotava uma postura mais gramática, voltada para o cotidiano, 
para a ação política. É o domínio da retórica sobre a filosofia. A agricultura, a 
guerra, a política constituía o programa que um romano nobre deveria realizar. 
Os escravos aprendiam as artes e os ofícios nas casas onde serviam. 
 
No apogeu do Império Romano, ou seja, no auge de suas conquistas, 
os enormes tentáculos do império necessitavam de escolas que viessem a 
preparar os futuros administradores. Quando os romanos impuseram o latim a 
numerosas províncias, o sistema educacional romano dividia-se em três graus: 
 
 Ludi-magister: educação elementar; 
 Gramático: que corresponde ao que hoje chamamos de ensino 
secundário; 
 A educação superior romana seria a retórica, o ensino do direito e da 
filosofia. 
 Direitos e deveres, eis o que ensinavam os romanos: 
 Direito do pai sobre o filho (pater potestas). No lar o pai infligia sobre 
os filhos, e nas escolas os castigos podiam ser severos, incluindo 
açoites; 
 Direito do marido sobre a esposa (manus); 
 Direito do senhor sobre os escravos (patestas dominica); 
 Direito do homem livre sobre um outro que a lei lhe dava por contrato 
ou por condenação judiciária (manus capare); 
 
34 
 
 Direito sobre a propriedade (dominiun). 
 
Todas as cidades e regiões conquistadas, apesar de se serem 
consideradas aliadas de Roma, eram submetidas aos mesmos hábitos e 
costumes, à mesma administração. Dessa forma os romanos conseguiram 
atingir um fenômeno, que é chamando por muitos autores, de ―romanização‖, 
obra que foi terminada pelo cristianismo. 
 
Roma teve vários teóricos da educação dentre os quais podemos 
destacar: Catão, ―o antigo‖ (234-149 a.C.): preconizava a formação do caráter, 
defendendo o retorno às raízes romanas, a tradição contra a influência 
helênica. 
 
Principais Educadores Romanos 
 
Marco Terêncio Varrão (116 - 27 a.C.): partidário de uma cultura 
romano-helênica, com base na ―virtus‖ romana: pietas, honestitas, austeritas. 
Escreveu uma enciclopédia didática, onde discutia o ensino da gramática. 
Compôs sátiras, que viriam a orientar os jovens na ―virtus‖, com máximas 
edificantes. 
 
Marco Túlio Cícero (106 - 43 a.C.): ampliou o vocabulário latino, 
apoiado na experiência com o mundo grego e na erudição. Valorizou a 
fundamentação filosófica do discurso, tornando-se um dos mais claros 
representantes da humanitas romana. Compreendia que a educação integral 
do orador requer: cultura geral, formação jurídica, aprendizagem da 
argumentação filosófica, bem como o desenvolvimento de habilidades literárias 
e até teatrais, igualmente importante para o exercício da persuasão. Cícero 
será inclusive um dos principais modelos dos pedagogos para os 
renascentistas. Orador e político romano, nascido numa região próxima a 
Roma. Estudou literatura grega, literatura latina e retórica com os melhores 
mestres da época, aprofundou-se no estudo das leis e nas doutrinas filosóficas. 
 
35 
 
 
Valorizava a fundamentação teórica e filosófica do discurso, 
apaixonado defensor da educação integral, afirmava que o orador deveria ter 
erudição, conhecer a cultura geral, aprofundar-se na formação jurídica, na 
argumentação filosófica e, conhecer e desenvolver habilidades literárias e 
teatrais. Seus textos não se ocupam apenas da filosofia, mas também de 
temas sociais. 
 
Não só pela extensão, mas pela originalidade e variedade de sua obra, 
Cícero é considerado o maior dos escritores romanos e o que mais influenciou 
os oradores modernos, foi também, o mestre das letras mais completo de toda 
a Antiguidade Ocidental. 
 
Sêneca (por volta de 4 a.C. – 65): insiste na educação paraa vida e 
para a individualidade. Concebe a filosofia como um instrumento capaz de 
orientar o homem para o bem viver. A filosofia teria a função de ensinar a 
verdadeira vida humana, que não se confunde com o gozo dos prazeres, 
voltada que está para o domínio das paixões, já que a felicidade consiste na 
tranquilidade da alma. Enfatizado a educação moral, dando menos importância 
à retórica, Sêneca parte da premissa que a educação deveria ser prática e 
vivificada pelo exemplo. 
 
 Plutarco (por volta de 46 – depois de 119): dava ênfase em uma 
educação que procurasse mostrar a biografia dos grandes homens, para que 
assim servissem de exemplos vivos de virtude e de caráter. Reconhece a 
importância da música e da beleza na educação. 
 
Marco Fábio Quintiliano (por volta de 35 – depois de 96): Foi um dos 
mais respeitado pedagogo romano. Defendia que o estudo devia dar-se num 
espaço de alegria (schola), onde o ensino da leitura e da escrita devia ser 
oferecido pelo mestre do brinquedo (ludi-magister), Marco Fábio peconizava: 
 
 
36 
 
 Distancia-se da filosofia, preferindo os aspectos técnicos da educação, 
sobretudo da formação do orador; 
 Valoriza a psicologia como instrumento para conhecer a individualidade 
do aluno; 
 Sugere para iniciação às letras, o ensino simultâneo da leitura e da 
escrita, criticando as formas vigentes por dificultar a aprendizagem; 
 Recomenda alternar trabalho e recreação para que a atividade escolar 
seja menos árdua e mais proveitosa; 
 Considera importante que a criança aprenda em grupo, por favorecer a 
competição, de natureza altamente saudável e estimulante; 
 Recomenda a prática dos exercícios físicos, realizada sem exageros; 
 Valoriza a busca da clareza, a correção, a elegância e os clássicos 
como Homero e Virgílio no estudo de gramática, reconhecendo os 
aspectos estético, espiritual e ético. 
 
Marco Fábio Quintiliano nasceu na Espanha. Estudou retórica com os 
maiores mestres de seu tempo e lecionou em Roma durante vinte anos. É 
considerado um dos pedagogos mais brilhantes do mundo antigo. Sua mais 
significativa obra foi ―De institutione‖ oratória (escrita no ano de 95), publicada 
em 12 volumes, nessa obra, o autor apresentou diretrizes para a formação 
cultural dos romanos, desde a infância até a maturidade. 
 
Defendia muito a necessidade de dominar os aspectos técnicos da 
educação, sobretudo a formação do orador. Dizia que o ideal educacional da 
eloquência (falar com o público de maneira convincente) associada à sabedoria 
seria a fórmula perfeita para educar uma pessoa. 
 
Valorizava também a psicologia como instrumento para se conhecer a 
individualidade do aluno. Pelo que pudemos ver até então, Quintiliano, não se 
prendia apenas às discussões teóricas, pelo contrário, defendia o uso de 
técnicas de diversas ciências para a melhoria da educação. Por falar em 
melhoria educacional, um aspecto que não se pode esquecer é que ele 
também defendia o lúdico no processo ensino-aprendizagem, dizendo que 
 
37 
 
intercalando recreação com as atividades didáticas, o ensino seria mais 
prazeroso. 
 
Achava o estudo em grupo fundamental para o favorecimento da 
emulação (busca pelos melhores postos na escola e na sociedade) e no 
estímulo intelectual dos alunos. Incluiu na sua pedagogia exercícios físicos 
moderados. Por outro lado não se esqueceu da formação intelectual vigorosa, 
pois para ele, o estudo da gramática devia estimular nos alunos uma escrita 
clara e elegante. 
 
 O trabalho de Quintiliano atravessou as barreiras do tempo e das 
fronteiras, fazendo com que sua obra retornasse com vigor na época do 
Renascimento em diversos países de língua latina. 
 
O Pensamento Pedagógico Medieval 
Com o declínio do império romano e as invenções dos chamados 
bárbaros, foi abrigado o limite da influência da cultura Greco-romana. E a 
igreja cristã brota como uma nova força espiritual. 
Do ponto de vista pedagógico, Cristo havia sido um grande educador 
popular e bem sucedido. A sua pedagogia era para a vida, e sua linguagem 
erudita sabia tocar o povo mais humilde. 
A patrística é o nome dado à filosofia cristã dos primeiros sete séculos, 
elaborada pelos Padres da Igreja, que são os primeiros estudiosos da Escritura 
e os mais antigos testemunhos da fé da Igreja e da vida cristã. A ponte que une 
a Tradição Apostólica às gerações cristãs posteriores ocorreu no século I ao VII 
depois de Cristo, acordou a fé cristã com doutrinas greco-romanas e 
disseminou escolas catequéticas para todo império. E em seguida, surgiu a 
concentração do ensino por parte do Estado cristão. 
 
A partir de Constantino (século IV), o império seguiu o cristianismo 
como religião oficial e pela primeira vez, a escola tornou-se um aparelho 
 
38 
 
ideológico do Estado. Na educação elementar, o intento da escola estava em 
instruir as massas camponesas, mantendo-as doces e resignadas, através das 
escolas paroquiais por sacerdotes. Na educação secundária, eram fornecidas 
nas escolas monásticas, ou seja, conventos; e na educação superior, 
munidas nas escolas imperiais onde eram organizados os funcionários do 
império. 
 
Nos séculos VI e VII, forma-se o império árabe. Maomé funda a nova 
religião, o Islamismo (islã=salvação), seus seguidores ganham a designação 
de mulçumanos ou maometanos. A doutrina de Maomé esta dominada no 
Alcorão ( livro sagrado dos mulçumanos). 
Ao contrário dos cristãos, os árabes não almejavam truncar a cultura 
grega, e então se inicia um novo tipo de vida intelectual, chamada escolástica 
que busca harmonizar a razão histórica com a fé cristã. Quem mais se 
destacou foi São Tomas de Aquino. Defendeu que a educação habitua o 
educando a brotar todas as suas potencialidades. Mas ele foi incriminado de 
abusar do princípio da autoridade. Reformador de programas de ensino, criador 
de escolas superiores, mas acima de tudo professor. Defendeu que 
deveríamos impedir a aversão pelo tédio e acordar a disposição de admirar e 
perguntar, como inicio do autêntico ensino. 
Ao lado do clero, a nobreza realizava sua própria educação. Defendia 
uma formação do perfeito cavaleiro com formação musical e guerreira, focando 
apenas na guerra. As classes trabalhadoras só legavam a cultura da luta pela 
sobrevivência. 
Na Idade Média, já no século XVIII, com o desenvolvimento das 
escolas monásticas, houve a disposição gremial da sociedade e o vigor da 
ciência apresentada pelos árabes, constituindo a primeira organização liberal 
da Idade Media. As Universidades desenvolveram três métodos que se 
arrolavam entre si: as lições, repetições e as disputas. Conceberam até hoje 
uma grande força nas mãos de classes dirigentes. 
Para muitos historiadores, a Idade Média não foi uma idade das trevas 
e da ignorância, como os ideólogos do Renascimento fixaram. Ao contrário, foi 
 
39 
 
fecunda em lutas pela autonomia, com greves e debates livres. Discutiam 
sobre a gratuidade do ensino e pagamento dos professores. As escolas 
medievais não possuíam o formato das escolas que conhecemos hoje, as 
aulas podiam ser ministradas ao ar livre e a maioria esmagadora delas era 
ligada á Igreja Católica (escolas monacais e catedralícias). E o que se ensinava 
nessas escolas? 
 
O conteúdo do ensino era o estudo clássico, isto é, as ―artes do homem 
livre‖, bem diferente das ―artes mecânicas do homem servil‖. Essas artes eram 
baseadas em algumas disciplinas, que vinham desde os tempos dos sofistas 
gregos. Na Idade Média elas constituíram o trivium e o quadrivium. 
 
O trivium (gramática, retórica e dialética), corresponderia atualmente 
ao ensino médio era mais comum e de caráter mais popular, encontrava-se 
abaixo do quadrivium (geometria, aritmética, astronomia e música) que seria 
uma categoria superior de ensino. 
 
Assim o conteúdo de ensino passou a ser chamado de ―as sete arte 
liberais e dividiam-se em o trivium eo quadrivium, que estão brevemente 
resumidos na tabela abaixo: 
 
TRIVIUM QUADRIVIUM 
Estudo de gramática, retórica e 
dialética corresponderia atualmente 
ao ensino médio era mais comum e 
de caráter mais popular, menos 
complexo que o quadrivium. 
Estudo de geometria, aritmética, 
astronomia e música, eram 
consideradas como uma categoria 
superior de ensino. Geralmente só a 
elite econômica tinha acesso ao 
mesmo. 
 
 
Apesar de fortemente ligadas ao catolicismo, as escolas monacais e 
catedralícias, de início, educavam os burgueses, mas em seguida estes 
procuraram uma educação que atendesse aos objetivos da vida prática. 
Alterações importantes no sistema educacional só vão ocorrer por volta do 
 
40 
 
século XI, com o fortalecimento do comércio, isso resulta em algumas coisas 
importantes para a educação. Uma delas foi o surgimento das escolas 
seculares. Com efeito, o desenvolvimento do comércio faz brotar novamente a 
necessidade de se aprender a ler, escrever e calcular. Nessas escolas 
burguesas, acontece uma forte contestação à Igreja, pois as mesmas se 
opunham ao ensino puramente religioso. Na verdade essas escolas queriam 
uma proposta ativa, que atendesse aos interesses da classe burguesa. 
 
A educação medieval vai sofrer mudança novamente por volta do 
século XII, pois a sociedade vai ficando cada vez mais complexa. Assim houve 
ampliação dos estudos (Filosofia, Teologia, Leis e Medicina); surgimento de 
mestres especializados; exigência de provas para a aquisição dos títulos de 
bacharel, licenciado e doutor e por fim o surgimento das universidades. 
 
Por outro lado, na época medieval a maior parte das mulheres não 
tinha acesso à educação formal. Apesar de trabalharem arduamente ao lado do 
marido, continuariam analfabetas. As meninas nobres aprendiam alguma coisa 
em seu próprio castelo, ocasião em que recebiam aulas de artes domésticas. 
Quando surgiram as escolas seculares, as meninas burguesas começaram a 
ter acesso à educação. Porém nos mosteiros (alunas internas) e nos 
educandários (alunas externas) as meninas aprendem a ler, escrever, fazer 
artes da miniatura, executar cópia de manuscritos (raramente). Já que somos 
educadores ou futuros educadores, é bom nos perguntar quem eram esses 
mestres medievais? Os pedagogos – no sentido exato da palavra – não 
aparecem na época medieval. 
 
As questões pedagógicas eram objeto de reflexão de qualquer pessoa 
que se dedicasse à interpretação dos textos sagrados, na preservação dos 
princípios religiosos, no combate à heresia e na conversão dos infiéis. A 
principal função da educação era a salvação da alma e a vida eterna. Por 
conseguinte, no final do período medieval, com a ampliação do comércio e por 
influência da burguesia, começam a haver transformações que irá determinar 
os novos rumos da ciência, da literatura, da educação. 
 
 
41 
 
O Pensamento Pedagógico Renascentista 
Renascimento, Renascença ou Renascentismo são os termos usados 
para identificar o período da História da Europa aproximadamente entre fins do 
século XIV e inicio do século XVII. O Renascimento foi um importante 
movimento de ordem artística, cultural e científica que se deflagrou na 
passagem da Idade Média para a Moderna. Em um quadro de sensíveis 
transformações que não mais correspondiam ao conjunto de valores 
apregoados pelo pensamento medieval, o renascimento apresentou um novo 
conjunto de temas e interesses aos meios científicos e culturais de sua época. 
Ao contrário do que possa parecer, o renascimento não pode ser visto como 
uma radical ruptura com o mundo medieval. 
Caracterizou-se por uma revalorização da cultura greco-romana, 
influenciando a educação tornando-a mais prática, compreendendo a cultura do 
corpo e procurando suprir processos mecânicos por métodos mais afáveis. 
O renascimento pedagógico estava unido a alguns fatores do próprio 
progresso histórico. As grandes navegações do século XIV que produziram 
origem ao capitalismo comercial, a invenção da imprensa alcançada pelo 
alemão Gutenberg que disseminou o saber e a revolta, o achado da bússola 
que permitiu as grandes navegações. Todos esses achados beneficiaram um 
crédito ao individualismo, pioneirismo e aventura. Beneficiou a arte da guerra 
com o achado da pólvora. 
A educação renascentista organizou a formação do homem burguês e 
a educação não atingiu as massas populares. Caracterizava-se pelo elitismo, 
aristocratismo, individualismo liberal. Abrangia principalmente, o clero, a 
nobreza e a burguesia. Os principais educadores renascentistas foram: 
 
 Vittorino da Feltre (1378-1446); Erasmo Desidério (1467-1536); Juan 
Luís Vives (1492-1540); Fraçois Rabelais (por volta de 1483-1553); e Michel de 
Montaigne (1533-1592). 
 
 
42 
 
Michel Montaigne (1533-1592), que abandonou a cultura obscura e a 
disciplina escolástica, defendeu que os professores deveriam ter a cabeça 
antes melhor que fornecida de ciência. 
Engels apreciou a Reforma Protestante como a primeira grande 
revolução burguesa. Foi iniciada por Martinho Lutero (1483-1546), como 
consagração do livre-arbítrio. A principal decorrência da Reforma foi a 
mudança da escola para o controle do Estado, nos países protestantes. Incidia 
em uma escola pública religiosa. Mas não consistia ainda em uma escola 
pública, leiga, obrigatória, universal e gratuita, como é entendida atualmente. 
Era uma escola pública religiosa. 
A igreja católica reagiu a Reforma Protestante por meio do Concílio de 
Trento que inventou o índice dos livros proibidos e da Companhia de Jesus. 
Organizou a inquisição para combater o protestantismo. Dentre os 
reformadores cristãos, destaca-se João Calvino (1509-1564) que deu ao 
protestantismo suíço e ao francês sua doutrina e organização. 
 
Os jesuítas tinham como objetivo converter os hereges e alimentar os 
cristãos vacilantes. A educação jesuíta encaminhou-se para a formação do 
homem burguês. Seu fundador foi Inácio de Loyola (1491-1556). Nesta 
educação tudo estava previsto, incluindo a posição das mãos e o modo de 
levantar os olhos. Tinha como lema a obediência ao papa até a morte. Os 
jesuítas desprezaram a educação popular, para o povo sobrou apenas o ensino 
dos princípios da religião cristã. 
 
A educação jesuítica conduziu a educação do homem burguês, e 
desapoiou a formação das classes populares. Por força das ocasiões, tinham 
de agir no mundo colonial em duas frentes: a formação da burguesia dos 
dirigentes e a formação catequética das populações indígenas. A ciência do 
governo para uns e a catequese e a servidão para outros. 
 
 
 
43 
 
O Pensamento Pedagógico Moderno 
 
Nos séculos XVI e XVII começou a concepção de uma nova classe em 
oposição a produção feudal. Com os novos meios de produção estreou o 
sistema de cooperação antecessor do trabalho em série do século XX. A 
produção passa para de um esforço isolado para um esforço coletivo. Aparece 
o método indutivo de investigação, opondo-o ao método aristotélico de 
dedução. Bacon foi avaliado o fundador do método cientifico moderno. René 
Descartes escreveu sobre os passos para o estudo e a pesquisa, recriminou o 
ensino humanista e propôs a matemática como modelo de ciência perfeita. 
 Descarte, pai do racionalismo e da filosofia moderna, acordou em 
posição dualista a questão ontológica da filosofia, a relação entre o 
pensamento e o ser. Estudou sobre a razão humana e inventou um novo 
método científico de conhecimento do mundo, substituindo a fé pela razão. 
Compôs a religião e a ciência, sofrendo grande influência da ideologia 
burguesa do século XVIII, influenciado pelas tendências progressistas da 
classe em ascensão na França. 
Descartes escreveu sobre o Discurso do Método, e ofereceu os 
seguintes princípios em seus estudos: nunca acolher alguma coisa como 
verdade que não conhecesse evidentemente como tal, poupando o ímpeto; 
dividir cada uma das dificuldadesque examinasse em tantas parcelas quantas 
possíveis e quantas imperativas fossem para melhor resolve-las; dirigir ordem 
nos pensamentos do mais simples ao mais composto; fazer em toda parte 
enumerações tão completas e revisões tão gerais que apresentasse a certeza 
de nada omitir. 
Ele escreveu sua principal obra a língua popular, possibilitando acesso 
ao maior número de pessoas. O século XVI assistiu a uma grande revolução 
linguística, na qual se exigia dos educadores o bilinguismo, o latim como língua 
culta e o vernáculo como língua popular. A igreja alcançou a importância desse 
tumulto e logo forneceu através do Concílio de Trento (1562), que as 
pregações acontecessem em vernáculo. 
 
44 
 
Após vinte anos, depois da publicação do Discurso do método, João 
Amos Comênio (1592-1670), escreveu a Didática Magna (1657), considerada 
como método pedagógico para ensinar com rapidez, economia de tempo e sem 
fadiga. Ele amparava que a escola era para ensinar o conhecimento das 
coisas. Assim o pensamento pedagógico moderno caracterizou-se pelo 
realismo. 
John Locke (1632-1704) começou a investigar de que valia o estudo do 
latim para os homens trabalhadores nas fábricas. Achava melhor que 
ensinassem à mecânica e o cálculo. Mesmo assim, permanecia o ensino 
bilíngue e a educação ainda era para a nobreza e o clero. Locke combateu a 
origem dos sentidos. 
A pedagogia realista aparece contra o formalismo humanista, 
aderente a superioridade do domínio do mundo exterior sobre o domínio do 
mundo interior, a superioridade das coisas sobre as palavras. Desencadeou a 
paixão pela razão (Descartes) e o estudo da natureza (Bacon). De humanista 
a educação torna-se cientifica. O conhecimento só tinha valor se 
preparasse para a vida e para ação. 
Bacon divide as ciências em: ciência da memória ou ciência histórica; 
ciência da imaginação, ou poética; ciência da razão ou filosófica. Já Locke 
defende que a criança ao nascer, é uma tabula rasa, um papel em branco 
sobre o qual o professor podia tudo escrever. 
João Amos Comênio foi respeitado como grande educador e pedagogo 
moderno e um dos maiores reformadores sociais de sua época. Foi o primeiro 
a sugerir o sistema articulado de ensino e defendeu que a educação deveria 
ser permanente, acontecer durante toda a vida do homem. Além disso, 
defendeu que o sistema educacional deveria abarcar 24 anos com quatro tipos 
de escolas: a escola materna de 0 a 6 anos; a escola elementar ou vernácula, 
dos 6 a 12 anos; a escola latina ou o ginásio, de 12 aos 18 anos e a academia 
ou universidade, dos 18 aos 24 anos. 
Defendeu que em cada família, deveria existir a escola materna, em 
cada município ou aldeia uma escola primária, em cada cidade um ginásio e 
 
45 
 
em cada capital uma universidade. O ensino deveria ser unificado com todas 
as escolas articuladas. 
Mas apesar dos progressos, a educação das classes populares e a 
democratização do ensino ainda não se depositavam como questão central. 
Aceitavam facilmente, a divisão entre o trabalho intelectual e o trabalho 
manual, resultado da divisão social. 
No século XVII, aparece a luta das camadas populares pelo acesso a 
escola, estimulada pelos novos intelectuais iluministas e novas ordens 
religiosas, a classe trabalhadora em formação, podia e devia ter um papel na 
mudança social. Criava-se uma cultura de resistência. 
Ao contrário da ordem dos jesuítas, apareceram várias ordens 
religiosas católicas que se consagravam à educação popular, que 
apresentavam ensino gratuito em forma de internato, como uma educação 
filantrópica e assistencialista. 
 
O Pensamento Pedagógico Iluminista 
O Iluminismo foi um movimento intelectual que surgiu durante o século 
XVIII na Europa, que defendia o uso da razão (luz) contra o antigo regime 
(trevas) e pregava maior liberdade econômica e política. Este movimento 
promoveu mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de 
liberdade, igualdade e fraternidade. 
 
O Iluminismo tinha o apoio da burguesia, pois os pensadores e os 
burgueses tinham interesses comuns. As críticas do movimento ao Antigo 
Regime eram em vários aspectos como: mercantilismo; absolutismo 
monárquico e o poder da igreja e as verdades reveladas pela fé. 
Com base nos três pontos acima, podemos afirmar que o Iluminismo 
defendia: a liberdade econômica, ou seja, sem a intervenção do Estado na 
economia; o antropocentrismo, ou seja, o avanço da ciência e da razão e o 
predomínio da burguesia e seus ideais. 
 
46 
 
 
As ideias liberais do Iluminismo se disseminaram rapidamente pela 
população. Alguns reis absolutistas, com medo de perder o governo ou mesmo 
a cabeça, passaram a aceitar algumas ideias desse movimento. 
 
Estes reis eram denominados Déspotas Esclarecidos, pois tentavam 
conciliar o jeito de governar absolutista com as ideias de progresso iluministas. 
Alguns representantes do despotismo esclarecido foram: Frederico II, da 
Prússia; Catarina II, da Rússia; e Marquês de Pombal, de Portugal. 
 
O clero e a nobreza reuniram poder no período da Idade Moderna, 
através do regime absolutista. A revolução Francesa produziu o fim dessa 
situação, que através dos iluministas, influenciados pelas ideias liberais 
condenaram a prepotência do governo e o obscurantismo da igreja. 
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) se destacou, implantando uma 
nova era da história da educação. Desempenhou a relação entre educação e 
política e destaca, pela primeira vez, o tema da infância na educação. O século 
XVIII torna-se político pedagógico por excelência. Rousseau resgata a relação 
entre a educação e a política. A partir dele, a criança não seria mais 
considerada um adulto em miniatura, mas sim como um ser que vive em seu 
mundo próprio; a criança nasce boa, o adulto, com sua falsa concepção da 
vida, é que perverte a criança. 
O iluminismo tentou emancipar o pensamento da repressão dos 
monarcas terrenos e do despotismo do clero. Aguçou a movimento pela 
liberdade individual. A ideia de volta ao estado natural do homem é 
comprovada no espaço de Rousseau, através dos estudos sobre a sociedade 
dos homens primitivos. A educação não deveria apenas ensinar, mas permitir 
que a natureza germinasse na criança. Não deveria dominar e modelar, só os 
instintos e os interesses naturais deveria direcionar, acabava sendo uma 
educação racionalista restringindo a experiência. 
 
47 
 
Rousseau dividiu a educação em três momentos: da infância, da 
adolescência e da maturidade. Nessa situação, houve a passagem do controle 
da educação da igreja para o Estado. 
A Revolução Francesa baseou-se nas reclamações populares de um 
sistema educacional. A Assembleia Constituinte de 1789 organizou vários 
projetos de reforma escolar e de educação nacional. O mais importante foi o 
projeto de Condorcet (1743-1794), que sugeriu o ensino universal como meio 
de acabar com a desigualdade. 
A partir da Revolução Francesa, tentou-se plasmar o educando de um 
acordo de classe, centro do conteúdo programático. A burguesia queria da 
educação, trabalhadores com formação de participes de uma nova sociedade 
liberal e democrática. Os pedagogos revolucionários foram os primeiros 
políticos da educação. 
Froebel (1782-1852) foi o idealizador dos jardins da infância, 
defendendo que o desenvolvimento da criança dependia de uma atividade 
espontânea e construtiva (jogos, trabalhos manuais), estudo da natureza, 
expressão corporal, desenhos, linguagem, etc. 
Além de Rousseau, outro grande teórico que se destacou foi o alemão 
Kant (1724-1804). Descartes sustentava que todo conhecimento era inato e 
Locke que todo saber era alcançado pela experiência. Kant suplantou essa 
contradição, defendendo que o homem é o que a educação faz dele através da 
disciplina, da didática, da formação moral e da cultura (aculturação, 
socialização e personalização). Espaço, tempo, causalidade e outras relações.Sendo assim, Rousseau foi o antecessor da escola nova, que inicia no 
século XIX e ganhou êxito na primeira metade do século XX, sendo ainda hoje 
valorizada. Influenciaram educadores como Pestalozzi, Herbart e Froebel. 
Pestalozzi (1746-1827) queria a reforma da sociedade através da 
educação das classes populares. Amparava que a educação geral deveria 
anteceder a profissional. 
 
48 
 
Herbart (1776-1841) foi professor universitário, mais teórico do que 
prático, respeitado como um dos pioneiros da psicologia cientifica, defendendo 
que o processo de ensino deveria seguir quatro passos formais: clareza na 
apresentação do conteúdo-demonstração do objeto; associação do conteúdo 
com outro assimilado anteriormente pelo aluno–etapa da comparação; 
ordenação e sistematização dos conteúdo–etapa da generalização e aplicação 
a situações concretas dos conhecimentos adquiridos –etapa de aplicação. 
A burguesia ascendeu sob os ideais de liberdade, liberalismo, no 
período de passagem do feudalismo para o capitalismo. Estimulada pela 
Reforma Protestante que estimula o livre pensamento no setor religioso, juntou-
se ao movimento racionalista, que embutia a liberdade de normas de conduta 
dos indivíduos. 
Mas para a burguesia nascente a liberdade servia para ouro fim, a 
acumulação de riquezas. A igualdade social seria nociva, pois atentaria a 
padronização e uniformização entre os indivíduos sendo considerado um 
desrespeito a individualidade. O principio principal da educação burguesa 
ministrou uma educação distinta para cada classe: classe dirigente e classe 
trabalhadora, numa concepção dualista de educação, que no século XIX foi 
sistematizada pelo pensamento positivista. 
 
O Pensamento Pedagógico Positivista 
O positivismo foi uma corrente filosófica iniciada por Auguste Comte, 
onde as ideias de percepção humanas são baseadas na observação, exatidão, 
deixando de lado teorias e especulações da Teologia e Metafísica. Segundo 
Comte, as ciências que são positivistas são a Matemática, Física, Astronomia, 
Química, Biologia e a recém-criada Sociologia, que se baseia em dados 
estatísticos. 
 
Os positivistas acreditam que a ciência é cumulativa, transcultural (não 
interessa em qual cultura surgiu, serve para toda a humanidade). Novas ideias 
podem surgir sem ser continuação de conceitos velhos, como ―entidades de um 
 
49 
 
tipo podem ser redutíveis a entidades de outro‖, por exemplo, o que se passa 
na cabeça de uma pessoa pode ser explicado pelas reações químicas no 
cérebro. 
Existiam duas forças adversas, uma era o movimento popular e 
socialista e outra o movimento elitista burguês. Essas duas correntes opostas 
são representadas pelo marxismo e pelo positivismo. Imaginadas por dois 
expoentes: Augusto Comte (1798-1857) e Karl Marx (1818-1883). 
Comte seguiu direção para os estudos das ciências sociais e as ideias 
de que os fenômenos sociais como os físicos podem ser diminuídos a leis e 
que todo conhecimento cientifico e filosófico deve ter por finalidade o 
aperfeiçoamento moral e político da humanidade. Uma verdadeira ciência para 
Comte deveria avaliar os fatos sociais, carecia ser uma ciência positiva 
afastando dos preceitos ideológicos e apontando uma ciência neutra. O 
positivismo concretiza uma ordem pública através da paciência ao seu status 
quo. Nada de doutrinas criticas revolucionária, como as do iluminismo ou do 
socialismo. 
Já Marx buscava a liberdade e a igualdade, mas não poderia ser 
realizado enquanto não mudasse o sistema econômico que instaurava a 
desigualdade na base da sociedade. 
Da Lei dos três estados concluiu o sistema educacional: o estado 
teológico em que o homem explicava a natureza por agentes sobrenaturais; o 
estado metafísico, no qual se explicava através de noções abstratas como 
essência, causalidade e o estado positivo, onde se procuram as leis 
cientificas. 
A tendência cientificista ganhou força na educação como 
desenvolvimento da sociologia em geral, e da sociologia da educação. Um dos 
principais teóricos da sociologia da educação foi Emile Durkheim (1858-1917). 
Considerado pai do realismo sociológico, explica o social pelo social, 
como realidade autônoma. Tratou em especial dos problemas morais. Finalizou 
que a moral começa ao mesmo tempo em que a vinculação com um grupo. 
Entendia a educação como esforço contínuo para preparar as crianças para 
 
50 
 
vida em comum. Por isso, era forçoso impor as mesmas maneiras adequadas 
de ver, sentir, agir. Para ele, a sociologia produz os fins da educação. A 
pedagogia e a educação representam mais do que um anexo ou apêndice da 
sociedade e da sociologia, deveriam existir sem autonomia. Levantar na 
criança através da educação certo número de estados físicos, intelectuais e 
morais, estabelecidos na sociedade política. 
Considerava a educação como imagem e reflexo da sociedade, 
compreendendo a pedagogia como uma teoria da prática social. Foi o 
verdadeiro mestre da sociologia positivista moderna. Considerou os fatos 
sociais em coisas. A intenção positivista concebeu um caráter conservador e 
reacionário das ideias pedagógicas. Tornou-se uma ideologia de ordem, de 
paciência e estagnação social. Nasceu como filosofia, mas ao dar uma 
resposta ao social, afirmou-se como ideologia. 
OBSERVAÇÃO: A Educação para Durkheim é um fato fundamentalmente 
social, imagem e reflexo da sociedade. Portanto, o ato educacional é uma ação 
exercida pelas gerações adultas em relação às mais jovens, que deveriam ser 
tutoradas em seu ingresso na vida social. 
 
No Brasil, o positivismo infundiu a Velha República e o Golpe Militar de 
1964. Segundo essa ideologia, o país não seria mais governado pelas paixões 
políticas, mas pela racionalidade dos cientistas, os tecnocratas, preocupados 
apenas com os fatos sociais. Essa doutrina serviu muito a elite brasileira 
quando sentiram seus privilégios advertidos pela organização crescente da 
classe trabalhadora. 
A teoria educacional de Durkheim opõe-se diretamente a de Rousseau. 
Enquanto este, afirmava que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe, 
Durkheim declarava que o homem nasce egoísta e só a sociedade através da 
educação pode torná-lo solidário. O pensamento positivista na pedagogia 
andou para o pragmatismo, que considerava a formação empregada para a 
vida imediata. 
 
51 
 
No Brasil, o valor o positivismo influenciou o primeiro projeto de 
formação do educador. O valor dado à ciência no processo pedagógico 
relevaria maior atenção ao pensamento positivista. Não podemos negar sua 
ajuda no estudo cientifico da educação. 
 
O Pensamento Pedagógico Socialista 
Formou-se no seio do movimento popular, pela democratização do 
ensino, empenhados com a transformação social. Sugere uma educação igual 
para todos. 
Platão já havia provado manifestações do comunismo imaginário, pois 
ligava educação à política. Mas foi Thomas Morus (1478-1535) que fez critica a 
sociedade individualista e propôs a diminuição da jornada de trabalho para seis 
horas diárias, a educação laica e a coeducação. 
 
Os princípios da educação pública socialista foram proclamados por Marx 
(1818-1883) e Engels (1820-1924) e desenvolvidos por Lênin (1870-1924). Os 
dois escreveram o Manifesto do Partido Comunista em 1947 e 1948, onde 
protegem a educação pública e gratuita para todas as crianças a partir dos 
princípios: 
 
 Eliminação do trabalho delas nas 
fábricas; 
 Da associação entre educação e 
produção material; 
 Da educação politécnica que leva a 
formação do homem unilateral, abrangendo 
os aspectos, mental, físico e técnico; 
 Da inseparabilidade da política e da educação, portanto, da totalidade 
social (estudo, trabalho e lazer). 
 
52 
 
 
Já Lênin, atribuiu a importância da educação no processo de 
transformação social, como primeiro revolucionário a admitir o controle do 
governo, pode na sua prática disseminar as ideias socialistasna educação. 
Defendeu que a educação pública deveria ser de modo eminente, política. 
Outro histórico defensor da escola socialista, foi Antônio Gramsci 
(1891-1937), chamava a escola única de escola unitária, evocando a ideia de 
unidade e centralização democrática. Seguindo a concepção Leninista, 
também colocou o trabalho como começo antropológico e educativo básico a 
formação. 
Criticou a escola tradicional que dividia o ensino em clássico e 
profissional. E propôs a superação dessa divisão de classes, defendendo uma 
escola critica e criativa deve ser ao mesmo tempo clássica, intelectual e 
profissional. Uma escola unitária significa uma relação entre trabalho intelectual 
e trabalho industrial em toda vida social e não apenas na escola, ou seja, em 
todos os organismos da cultura. O novo intelectual orgânico, para ele, 
representava uma organização do conhecimento do mundo moderno a partir da 
educação técnica ligada ao trabalho industrial. O trabalho como modalidade da 
prática. 
Já para Makarenko (1888-1939), o verdadeiro processo educativo se 
faz pelo próprio coletivo e não pelo individuo que se chama educador. Foi 
respeitado como um dos maiores pedagogos soviéticos da historia da 
educação socialista. Defendeu a ideia do trabalho coletivo como principio 
pedagógico. 
 
O Pensamento Pedagógico Escolanovista (A Escola 
Nova) 
Movimento que valorizou a autoformação e a atividade espontânea da 
criança. Uma educação que fosse instigadora da mudança social. Tanto a 
 
53 
 
psicologia educacional como a sociologia educacional contribuíram para a 
formação da escola nova. 
John Dewey (1859-1952) foi o primeiro norte-americano a formular o 
novo ideal pedagógico, afirmando que o ensino deveria ser pela ação e não 
pela instrução, por uma experiência ativa, concreta e produtiva. A educação era 
essencialmente pragmática e instrumentalista, buscando a convivência 
democrática sem por em questão a sociedade de classes. 
Para ele só o aluno poderia ser autor das suas experiências, aluno 
como centro (paidocentrismo) da Escola Nova. Desenvolveu-se o método de 
projetos centrado na atividade prática do aluno. 
Jean Piaget (1896-1980) pesquisou a natureza do desenvolvimento da 
inteligência na criança. Estudou como a criança organiza o real. Criticou a 
escola tradicional que ensina a copiar e decorar e a não pensar. E para obter 
bons resultados no aprendizado da criança, o professor deveria respeitar as 
fases de desenvolvimento da criança. Compreendia que aprendizagem é um 
conceito psicológico. A epistemologia genética também não é uma ciência 
entre outras, mas uma matéria interdisciplinar que se ocupa com todas as 
ciências. A gênese do conhecimento foi o maior interesse de estudo de Piaget, 
onde analisou as relações entre conhecimento e vida orgânica. Buscou 
conhecer como o ser humano consegue organizar, estruturar e explicar o 
mundo em que vive. Sua teoria foi importante para explicar a evolução do 
comportamento cognitivo. Sua teoria epistemológica influenciou outros 
estudiosos como Emília Ferreiro. 
O desenvolvimento das tecnologias do ensino deve muito à 
preocupação escolanovista com os meios e técnicas educacionais. No Brasil 
existiram as escolas vocacionais, escolas ativas, escolas experimentais, 
escolas piloto, escolas livres, escolas comunitárias, escolas não-diretivas que 
adotaram essa filosofia educacional. 
Os métodos se apuraram e levaram para sala de aula o rádio, o 
cinema, o vídeo, o computador e as máquinas de ensinar. Inovações que 
chegam aos educadores e que o fizeram se perderem no meio de tantas 
 
54 
 
propostas inovadoras. Por isso que hoje, os educadores têm a necessidade de 
analisar mais sobre as sua prática a partir da realidade escolar, sabendo que 
nada adianta diante de novas técnicas e planos, por mais modernos que sejam. 
Na segunda metade do século, uma visão critica a respeito da 
educação escolanovista vem abalar o otimismo dos educadores. Paulo Freire 
(1921), herdeiro de muitas conquistas da Escola Nova, denunciou o caráter 
conservador dessa visão pedagógica e observou que a escola podia servir 
tanto para educação como prática da dominação quanto como pratica para a 
liberdade. Para ele, a Educação Nova não foi um mal em si, mas representou 
na história das ideias e práticas pedagógicas, um apreciável avanço. 
Freire foi o maior defensor da tendência progressiva. Destaca 
contrastes entre formas de educação que tratam pessoas como objetos em 
lugar de assuntos e procura entender a educação como ação cultural. 
 
O Pensamento Pedagógico Antiautoritário 
Essa teoria crítica partiu dos liberais e marxistas que afirmavam a 
liberdade como principio e objetivo da educação. Teve em Freud um de seus 
sublimes que muito influenciou a educação, embora não fosse pedagogo. 
Freud acreditava que muitos desajustamentos dos adultos tivessem suas 
origens nos conflitos e nas frustrações infantis. 
O educador espanhol, Francisco Ferrer Guardia (1859-1909), foi o 
fundador da escola moderna, racionalista e libertária, mais destacado critico da 
escola tradicional, apoiando-se no pensamento iluminista. Acreditava que a 
educação para contribuir coma revolução, deveria formar homens livres que 
saberiam como agir na sociedade e para isso, a escola deveria abolir todo 
instrumento de repressão e coerção. 
Outra experiência da escola livre foi representada pelos estudos de 
Alexander S. Neill (1983-1973), na Inglaterra, numa perspectiva liberal, não 
progressista, mas baseada no principio da afirmação da liberdade sobre a 
 
55 
 
autoridade. O objetivo da educação seria de que a criança viva a sua vida e 
não a do adulto. Seu principio básico seria liberdade interior e individual. 
Já o educador Carl R. Rogers (1902-1987), foi o pai da não-diretividade, 
defendendo que o clima de liberdade favorecia o pleno desenvolvimento do 
individuo. Apreciava a empatia e autenticidade. Todo processo educativo 
deveria ser centrado na criança e não no professor. O professor seria o 
facilitador dessa aprendizagem. O papel do educador era de cooperação para 
com os alunos, aperfeiçoando a vida comunitária de sua escola. 
Ao lado de Freinet, outro pensador marca o pensamento antiautoritário, 
Henry Wallon (1879-1962), afirmando que o meio fundamental da criança era 
o meio físico e meio social. Considerava a criança como ser social e com a 
personalidade em desenvolvimento. Defendeu que o desenvolvimento 
intelectual envolve não só o cérebro, mas também a emoção. Por meio das 
emoções que o aluno exterioriza seus desejos e suas vontades. Em sua teoria, 
Wallon, propunha uma educação integral, intelectual, afetiva e social, indo 
desde a pré-escola até a universidade. Sua teoria é centrada na psicogênese 
da pessoa completa. 
 
O Pensamento Pedagógico Crítico 
Entre os maiores críticos encontramos o filosofo francês, Louis 
Althusser -1969 (os aparelhos ideológicos do Estado), e os sociólogos Pierre 
Bourdieu e Jean Claude Passeron -1970, influenciando o pensamento 
pedagógico brasileiro da década de 70. Foram chamados de críticos 
reprodutivistas, por demonstrarem que a educação reflete a sociedade. 
Formularam as seguintes teorias: Althusser, a teoria da escola 
enquanto aparelho ideológico do Estado, Bourdieu e Passeron, a teoria da 
escola enquanto violência simbólica, Baudelot e Establet, a teoria da escola 
dualista. 
 
56 
 
A violência simbólica para Bourdieu e Passeron, era a obrigação por 
um poder arbitrário, a cultura dominante, baseada na divisão da sociedade de 
classes. 
A ação pedagógica tende a reprodução cultural e social 
respectivamente. Esse poder arbitrário necessita ser escondido de duas 
formas; a autoridade pedagógica e a autonomia relativa da escola. A 
autoridade pedagógica disfarça o poder arbitrário, como ação psicológica. 
Implica o trabalho pedagógico como processo de inculcação, criando nas 
criançasda classe dominada sistema de princípios interiorizados e duráveis. A 
ação pedagógica da escola seria antecedida pela ação pedagógica primária no 
aparelho ideológico que é a família. A partir do capital cultural, a criança da 
classe dominada, a escola e a aprendizagem se torna uma verdadeira 
conquista, já para classe dominante, a criança tem a aprendizagem como uma 
continuação. 
Em fim, para Bourdieu e Passeron, a origem social marca a maneira 
infalível a carreira escolar e depois a profissional dos indivíduos. Essa origem 
social produz primeiro, o fenômeno de seleção. Para aos dois, a cultura das 
classes superiores estaria tão junta da cultura da escola que a criança 
originária de um meio social inferior, não poderia adquirir senão a formação 
cultural que é dada aos filhos da classe culta. Assim sendo, para uns, a 
aprendizagem da cultura escolar é uma conquista arduamente obtida; para 
outros, é um legado normal, que inclui a reprodução das normas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
57 
 
Avance com foco no seu aprendizado 
 
Estamos disponibilizando neste espaço de aprendizagem as videoaulas, 
um recurso tecnológico, com a intenção de contribuir com sua 
aprendizagem sobre os temas referente às unidades de estudo da 
disciplina. 
 
Guiando o estudo com as videoaulas 
 Leia o cada unidade de estudo e ao final assista as videoaulas 
para ampliar seu estudo e ou dirimir as dúvidas sobre o tema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://vimeo.com/136000647
 
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59 
 
 
 
 
 
O Pensamento Pedagógico do 
terceiro mundo: novas 
possibilidades na Educação. 
2 
 
 
 
 
 
 
 
60 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
61 
 
O Pensamento Pedagógico do terceiro mundo: novas 
possibilidades na Educação. 
 
A teoria pedagógica erguida nos países de terceiro mundo foi originada 
pelo processo de lutas e pela busca de emancipação. Hoje, esse pensamento 
tem influência não apenas nos países de origem, mas também no mundo dos 
educadores do chamado primeiro mundo, como mostra a divulgação das obras 
de Paulo Freire, Emília Ferreiro e outros. 
Os países da América Latina tiveram seu desenvolvimento restrito. 
Primeiro, pelas políticas das metrópoles e depois da independência. Os 
colonizadores condenaram a educação e a cultura nativa, impondo seus 
hábitos, costumes e religião. 
Pode-se dizer que no período de 1930 a 1960, predominou na América 
Latina a teoria da Modernização desenvolvimentista. E a partir da década de 
60, com as lutas de libertação, aparece a teoria da dependência que negava a 
teoria anterior. Uma educação de censura radical a escola, do aparato 
ideológico e das desigualdades sociais. 
Essa teoria foi dominante na primeira metade da década de 70, com 
forte presença do autoritarismo do Estado e dos militares. Já na década de 80, 
não apresentou teorias e modelos pedagógicos dominantes. Houve um 
crescente desenvolvimento de pós-graduação em educação e aumento de 
organizações não-governamentais. Representou um limite do esgotamento do 
modelo teórico critico em função do distanciamento da prática. 
A prática de enfrentamento da crise parece juntar duas fortes 
correntes: de um lado os defensores da escola pública e de outro, os 
educadores ligados aos movimentos sociais, pela chamada educação popular. 
Uma educação empenhada com o fortalecimento da organização popular e 
pela luta da libertação dos povos. 
 
62 
 
A pedagogia originária do terceiro mundo é política e não especulativa, 
mais prática, visando à ação entre homens. É o que Paulo Freire chama de 
pedagogia do oprimido. 
 
O Pensamento Pedagógico Brasileiro 
 A criação da Associação Brasileira de Educação (ABE), em 1924, foi 
fruto do projeto liberal de educação, representando o otimismo pedagógico, na 
esperança de restaurar a sociedade através da educação. 
 O ensino libertário fornecido pelas escolas modernas foi marcado por 
tensões em 1919, entre anarquistas e autoridades. O Manifesto dos Pioneiros 
da Educação Nova seria o primeiro legado político e doutrinário de 10 anos de 
luta da ABE em favor do Plano Nacional de Educação. 
Outro acontecimento da década de 30 para a teoria educacional foi a 
fundação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos – INEP, em 1937. 
Depois da ditadura de Getúlio Vargas (1937-1945), abre-se o período de 
redemocratização no país interrompido com o golpe militar. O movimento 
educacional adquiriu um novo impulso dando origem a dois movimentos: por 
uma educação pública e por uma educação popular. A contribuição maior de 
Paulo Freire foi através da alfabetização de jovens e adultos e em outros 
campos como a pesquisa participante e os métodos de ensinar. 
 O pensamento pedagógico contemporâneo situa-se entre os 
pedagogos humanistas e críticos que contribuíram para a concepção dialética 
da educação. Os educadores e teóricos da educação liberal defendem a 
liberdade de ensino. De pensamento e de pesquisa, os métodos novos 
baseados na natureza da criança. Segundo eles, o Estado deve intervir o 
mínimo possível na vida de cada cidadão. 
Existiram defensores da escola pública e defensores da escola privada, 
mas tem em comum uma filosofia do consenso, restringem o papel da escola 
ao estritamente pedagógico. Os defensores e teóricos da educação 
progressista defenderam a implicação da escola na formação de um cidadão 
 
63 
 
critico e participante da mudança social. O pensamento pedagógico brasileiro é 
muito rico e está em movimento. 
Aspectos atuais: hoje estamos vivenciando crises de concepções e 
paradigmas em todos os campos da ciência, cultura e sociedade. A educação 
nos tempos atuais tornou-se permanente e social. Existe tendência universal, a 
ideia de que a educação se estende pela vida e que não é neutra. 
Caminhamos para a mudança da função social da escola. A educação popular 
é a nova educação, de caráter popular, socialista e democrática. Tanto a 
educação socialista democrática quanto a educação permanente, se tornaram 
uma tendência nesse século. Correspondem a novas exigências da sociedade 
de massas e da classe trabalhadora organizada. Parece que o melhor caminho 
de superação da crise educacional é evidenciar suas contradições. Como a 
crise da educação e da sociedade são inseparáveis, o desenvolvimento das 
contradições escolares e a sua transformação também são inseparáveis do 
desenvolvimento e da superação das contradições sociais. 
 
A Educação Permanente 
A ideia de uma educação internacionalizada já existia desde 1899. No 
inicio do século XX (1917), foi criada a disciplina nova, pedagogia comparada, 
caracterizada pelo estudo comparado das teorias, práticas e sistemas 
educacionais. No Brasil essa prática foi iniciada pela educação nova. Vista de 
forma acrítica, a educação comparada se prestou ao transplante cultural. 
Em 1968, a UNESCO analisou a crise da educação, e propôs uma 
nova orientação chamada educação permanente, seguindo o princípio que o 
homem se forma e se educa durante a vida inteira. 
Na segunda metade do século XX, na América Latina, fez-se um 
grande esforço para expandir a educação. Mas o atraso educacional era 
verificável pelos altos índices de analfabetos associados à pobreza 
generalizada. 
 
64 
 
Observando o desenvolvimento educacional do século XX, podemos 
afirmar que os países socialistas alcançaram um alto grau de desenvolvimento 
educacional e os países capitalistas estão em crise na educação. 
As alternativas educacionais populares serão o resultado de uma luta 
pela organização do poder popular. A informatização da educação, educação a 
distância, parece despertar esperança de desenvolvimento da educação nos 
países latino-americanos. 
A educação no pós-modernismo é marcada pelo avanço da tecnologia 
eletrônica, da automação e da informação, que causam a perda de identidade 
nosindivíduos ou até a desintegração. Caracteriza-se pela crise de paradigmas 
e de referenciais. Portanto, a educação pós-moderna seria aquela que leva em 
conta a diversidade cultural, portanto, a educação multicultural. Essa 
representa um movimento histórico-social com ambiguidades. Uma educação 
que respeita as minorias étnicas, a pluralidade de princípios, os direitos 
humanos, ampliando conhecimentos e visões de mundo. 
Ligada à cultura, mostra-se cultural e permanente, priorizando o 
processo do conhecimento e sua finalidade. O pós-modernismo da educação 
trabalha mais com o significado do que com o conteúdo, mais com a 
intersubjetividade e a pluralidade do que com a igualdade e a unidade. 
Trabalha com os conteúdos e com o seu significado. Valoriza o afetivo, 
envolvimento, solidariedade, autogestão. 
A educação moderna trabalha com conceito chave da igualdade, 
buscando eliminar as diferenças. E a educação pós- moderna, trabalha o 
conceito chave da equidade, buscando a igualdade sem eliminar as diferenças. 
O pressuposto básico da educação moderna é a hegemonia, universalização 
de uma visão de mundo. O da pós-moderna é a autonomia, capacidade de 
autogoverno de cada cidadão. 
Logo, tenta manter o equilíbrio entre a cultura local e regional. A 
autonomia passou a ser tema fundamental dessa educação. Escola autônoma 
significa ousadia, curiosidade e diálogo com todas as culturas (pluralismo). 
 
 
65 
 
Avance com foco no seu aprendizado 
 
Estamos disponibilizando neste espaço de aprendizagem as videoaulas, 
um recurso tecnológico, com a intenção de contribuir com sua 
aprendizagem sobre os temas referente às unidades de estudo da 
disciplina. 
 
Guiando o estudo com as videoaulas 
 Leia o cada unidade de estudo e ao final assista as videoaulas 
para ampliar seu estudo e ou dirimir as dúvidas sobre o tema. 
 
 A Educação proibida 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://vimeo.com/136000645
https://vimeo.com/136000645
 
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A Pluralidade dos modos de 
conhecimento: Democratizando 
a Ciência 
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A Pluralidade dos modos de conhecimento: 
Democratizando a Ciência 
A nova frente critica no ponto de vista multicultural, tem aparecido para 
o prestígio de sistemas de saberes plurais, alternativos a ciência moderna 
articulando com novas conformações de conhecimentos. A abertura a uma 
pluralidade de modos de conhecimentos e novas formas de relacionamento 
entre estes e a ciência tem sido conduzida, com resultados saudáveis e 
proveitosos, especialmente nas áreas periféricas, onde o encontro dos 
saberes hegemônicos e não hegemônicos é mais desigual e violento. 
Nesse sentido, Boaventura de Sousa Santos (2005), indaga porque os 
conhecimentos não-científicos são considerados locais, tradicionais, 
alternativos ou periféricos? Explica que as mudanças na hierarquia entre 
científico e não-cientifico tem sido variadas, incluindo a dicotomia 
monocultural-multicultural, moderno-tradicional; global-local; desenvolvido-
subdesenvolvido; avançado-atrasado. Cada uma delas tem confessado uma 
extensão de dominação. 
A dicotomia entre saber moderno e saber tradicional, contrata a ideia 
de que o conhecimento tradicional é prático, coletivo, disseminado no local, 
expressando experiências exóticas. 
A atual organização global da economia capitalista garante entre outras 
coisas, a produção continua de uma diferença epistemológica, que não 
reconhece a existência, em pé de igualdade, de outros saberes, e por isso, se 
constitui em hierarquia epistemológica, geradora da marginalidade, 
silenciamentos, exclusões de outros conhecimentos. 
 Essas diferenças epistemológicas incluem outras diferenças: a 
diferença capitalista, a colonial, a sexista, mesmo não se esgotando nelas. 
Sendo assim, estamos perante de uma luta cultural, entre a cultura 
cosmopolita e a pós-colonial, apostando na reinvenção de outras culturas, 
para além da homogeneização imposta pela globalização hegemônica. 
 
70 
 
O multiculturalismo emancipatório parte do reconhecimento da 
pluralidade de conhecimentos e de concepções distintas sobre a dignidade 
humana e sobre o mundo. Ao longo dos séculos, as constelações de saberes 
foram desenvolvendo formas de articulações entre si, construindo um modo 
dialógico de engajamento permanente, entre os saberes modernos, 
científicos, ocidental às formações nativas, locais, tradicionais de 
conhecimento. 
O grande desafio é lutarmos contra uma monocultura do saber, não só 
na teoria, mas em sua prática constante, através de estudo e da pesquisa-
ação. Permear o futuro na ligação das relações dos saberes e das 
tecnologias. Os conhecimentos são contextuais e por isso a heterogeneidade 
epistêmica do mundo é infinita, não existindo nem conhecimentos puros, nem 
conhecimentos completos. 
Boaventura (2005) assinala que nós estamos vivenciando um aumento 
da participação dos cidadãos nos debates científicos e isso tem aproximado 
as fronteiras entre o técnico e o não técnico. Essa diferença deixa de existir à 
medida que os cidadãos emergem como atores dos debates sobre os 
impactos sociais das decisões técnicas. Quando as soluções técnicas se 
chocam com o conhecimento prático e a experiência sociocultural dos 
cidadãos e este choque é politizado via mobilização organizada desses 
cidadãos. 
Estamos falando da relativização do técnico, a ideia de que para 
problemas complexos, existe mais do que uma solução técnica, e que a 
opção entre elas, é mais do que técnica, e também, política, social, 
econômica e cultural. Esta é a democratização da ciência que propõe cada 
vez mais o diálogo entre cientistas e cidadãos, não eliminando as diferenças 
existentes entre o técnico e o não técnico, mas compreendendo que a 
fronteira entre o técnico e o social, é móvel e deve ser redefinida em função 
da situação e do problema, através das decisões de todos envolvidos com as 
consequências das decisões que forem tomadas. 
Uma participação cidadã no campo da ciência requer uma 
institucionalização de mecanismos que possibilitem aos cidadãos um 
 
71 
 
conhecimento mais profundo das questões técnico- cientificas e aos cientistas 
e técnicos um conhecimento mais atento das aspirações dos cidadãos, da 
história e das condições sociais e culturais em seus contextos, atuando em 
uma abertura de pluralidade em suas soluções técnicas e não-técnicos para a 
ciência moderna, chamadas de tecnologias populares. 
Hoje como em nosso passado, adotam uma aplicação simplista do 
conhecimento local e isso faz perpetuar a polarização para opor a 
racionalidade da ciência à irracionalidade do conhecimento local. A ciência se 
constituiu objetivamente através dos diferentes sistemas de reprodução e 
difusão do saber, com vetor central de exclusão social, da diferenciação e da 
incivilização. 
É necessário compreendermos a ciência como uma atividade que é 
parte da cultura e que tem uma história que deve ser considerada para dar 
sentido às ações desenvolvidas pelos pesquisadores. 
A passagem do conhecimento à intervenção transformadora do mundo 
se faz nessas condições: reduzindo tudo que é relevante ao que pode ser 
conhecido através do modelo científico. O resultado é o que designamos em 
geral, como colonialismo, a concepção de um mundo que permanece caótico 
e desordenado sem uma intervenção criadora e disciplinadora de ordem do 
conhecimento científico. e o que não cabe nessa ordem é descartado e 
eliminado, subordinado tanto pela violência física ( através de meios militares 
e repressivos) ou simbólica (através de instituições culturais e cientificas, da 
educação, da aculturação). 
Como reação a essas tendências imperialmente hegemônicas, vários 
investigadores têm interrogado sobre os limites da ciência e as possibilidadesde outros conhecimentos. Quando se fala de limites da ciência, não significa a 
rejeição incondicional da ciência moderna, mas implica uma concepção 
alargada de pôr a ciência em cultura (SANTOS 2005). Significa restaurar as 
ciências a sua profundidade cultural e histórica, readquirir a sua história e 
interrogar suas implicações na sociedade e no mundo. 
 
 
72 
 
Avance com foco no seu aprendizado 
 
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 Moléculas da aprendizagem 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://vimeo.com/136000646
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Uma análise sobre as 
Teorias da Educação 
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77 
 
Conceituando Teorias da Educação 
 O enfoque desse tema são as Teorias da Educação. 
Qual o significado de Teoria? 
 
Para Moreira (2011), muitas vezes o vocábulo ―teoria‖ é usado sem 
muita exatidão; no entendimento genérico, teoria é uma forma de sistematizar 
um campo da ciência, um modo particular de ver as coisas, de elucidar, de 
antever as observações e resolver problemas. 
 Quando se discute a teoria da aprendizagem, se diz que se trata de 
uma construção humana para explicar metodicamente a área de conhecimento 
chamada de aprendizagem, uma maneira particular de ver as coisas, de 
esclarecer o ponto de vista de um autor ou de um pesquisador sobre como 
interpretar um tema de aprendizagem, sobre quais são as variáveis 
independentes, dependentes e intervenientes e explicar o que é aprendizagem 
e como funciona. 
A Teoria da Educação é a ciência que pesquisa o valor e os limites da 
educação como processo de edificação e de libertação do ser humano, deseja 
explicar o verdadeiro sentido e sua dimensão, conceitual e fidedigno do 
processo educativo do indivíduo. Assim pode-se dizer que as Teorias da 
Educação são constituídas por ―concepções pedagógicas‖, as quais são 
correspondentes de ―ideias pedagógicas‖. 
As Teorias da Educação são entendidas, não em si mesmas, mas na 
forma como se entrelaçam no movimento real da educação orientando e 
constituindo a própria substância da prática educativa. 
Segundo Cabanas (2002), as Teorias da Educação, são constituídas 
por concepções educacionais, de um modo geral, envolvem três níveis: 
• nível da filosofia: educação que, sobre a base de uma reflexão radical, 
rigorosa e de conjunto sobre a problemática educativa, busca explicitar as 
 
78 
 
finalidades, os valores que expressam, uma visão geral de Homem, de 
mundo e de sociedade, com vistas a orientar a compreensão do 
fenômeno educativo; 
• nível sociológico: procura sistematizar os conhecimentos disponíveis 
sobre os vários aspectos envolvidos na questão educacional que 
permitam compreender o lugar e o papel da educação na sociedade. 
Busca identificação com a pedagogia, e passa a compreender o lugar e o 
papel da educação na sociedade; 
• nível pedagógico: é o modo como é organizado e realizado o ato 
educativo. Portanto, em termos concisos, podemos entender a expressão 
―concepções pedagógicas‖ como as diferentes maneiras pelas quais a 
educação é compreendida, teorizada e praticada. 
 
Quando o debate é teoria da educação, qual será a diferença? 
 
A teoria da educação é um fenômeno epistêmico que emana da 
experiência humana. Pode-se dizer que o olhar do pesquisador vai se 
entrelaçando com as teorias historicamente construídas e assim, vão 
embasando a construção das práticas pedagógicas que constitui a educação 
escolar, e talvez a constituição de novas teorias. 
Esse processo de construção é histórico e social, ao mesmo tempo, 
que é constitutivo de identidades. O professor enquanto pessoa se constitui na 
interação que tem com o seu meio e, das mediações por ele propiciadas. 
Essas mediações vão imprimindo crenças e desejos que refletem em atitudes 
pedagógicas. 
Nesse sentido, as teorias da educação são constitutivas das pessoas e 
de sua forma de ser e estar no mundo. Portanto, é de grande responsabilidade 
dos educadores realizarem escolhas em relação às teorias que embasam suas 
práticas. 
 
79 
 
Para isto, é necessário acreditar, que a educação escolar possa ―se 
voltar para o Homem‖ (STOBÃUSE E MOSQUERA, 199, 47), numa concepção 
de educação humanizadora, capaz de extinguir a escola do silencioso, onde há 
uma aglomeração de pessoas inativas, que se adaptam como receptores do 
conhecimento dos mestres. E assim, construir uma escola do diálogo, onde 
todos são reconhecidos, em sua unicidade. Uma escola que promova a escuta, 
o pensar, o participar. Como afirma Fazenda ―[...] além do que os livros já 
falam, além das possibilidades que lhe são oferecidas, além dos problemas 
mais conhecidos‖ (FAZENDA, 1989, p.19). 
 
Como instituir esse espaço formativo no contexto da 
Educação contemporânea 
Na perspectiva da educação contemporânea, buscamos em 
Vygotsky(1982), algumas contribuições. A cultura foi o tema foco de suas 
observações. Para Vygotsky (1982), a cultura amoldava as ideias de um grupo, 
ele, mostra-se adepto da linha materialista. Constatamos em seus conceitos, 
enunciados e em suas obras, que as condições materiais influenciavam nas 
relações sociais como o motor da história. 
Vygotsky (1982), surge afirmando que o meio social é determinante do 
desenvolvimento humano e que isso, acontece basicamente pela 
aprendizagem da linguagem, ocorrendo por imitação. Assim, concebe o 
Homem como um ser histórico e produto de um conjunto de relações sociais. 
Sendo, base de seus estudos as crianças e os jovens abandonados, órfãos ou 
pessoas que se perderam da família. Em sua concepção o desenvolvimento e 
a aprendizagem andavam juntos, uma ocorria através da outra, por isso, ele 
defendia uma aprendizagem que não existe contextos pré-definidos. 
Aprendizagem pode ser adquirida na escola, fora da escola e pela 
vivência, nesse sentido todas as aprendizagens se interligam. 
 
 
80 
 
Nesse sentido destaca-se a ideia de interdisciplinaridade, valorizar os 
tipos de conhecimento e à importância de se articular a educação escolar com 
a extraescolar. Também, contribuiu com a ideia do professor ser um mediador, 
isto, reforça que o educador é mediador entre o conhecimento e o educando, 
promovendo situações que incentivem a aprendizagem. 
Sobre a mediação, Vygotsky, assegura que a linguagem é um ícone 
mediador por excelência, é também um veículo de comunicação dos 
pensamentos, e, que a linguagem é um modo de anunciar as ideias. Essa 
concepção foi crucial para os educadores no sentido de avaliar melhor as 
posturas de linguagens e adapta-las aos contextos exigidos. 
 Elencamos como sua contribuição, a teoria sobre a zona de 
desenvolvimento proximal, que define por ser a distância entre o conhecimento 
adquirido de modo autônomo e o conhecimento obtido com o auxílio de outros 
meios de seu grupo social, neste caso a escola seria a intermediadora desses 
conhecimentos. Essa teoria destaca a obrigação do professor em conciliar os 
conceitos do cotidiano com o científico, mais uma vez a questão do 
desenvolvimento atrelado à aprendizagem. Conforme Vygotsky, podemos 
concluir que: 
Na educação [...] não existe nada de passivo, de inativo. 
Até as coisas mortas, quando se incorporam ao círculoda educação, quando se lhes atribui papel educativo, 
adquirem caráter ativo e se tornam participantes ativos 
desse processo. (VYGOTSKY, 2001, p. 70). 
 
É necessário, que se analise o pensamento vygotskiano, na 
perspectiva que suas ideias envolvem diversas outras ações que interferem 
excessivamente no desenvolvimento das funções psicológicas superiores que 
são características dos seres humanos em procedimento de socialização e que 
a educação, quando abalizada em fundamentos teóricos consistentes. O pode 
ser o momento adequado para o ser humano entrar em contato com as 
ferramentas sociais que permitam seu pleno desenvolvimento. 
 
 
81 
 
O surgimento da pedagogia 
O reconhecimento da Pedagogia como Ciência ocorreu por volta dos 
séculos XVIII e XIX, alicerçada em pesquisas focadas nos aspectos atualizados 
da educação. No Brasil o conceito da Pedagogia como ciência surgiu em 1939. 
Nos estudos sobre as ideais de diversos autores verificou-se que a educação 
era situada no professor, mas com as mutações da Pedagogia, o estudante 
torna-se o núcleo do ensino e da aprendizagem. Surgindo, assim, outra versão 
para o trabalho do pedagogo, que é valer-se de valores humanistas para 
impregnar estes valores na educação, promovendo sempre uma educação 
para voltada para a ética, cujo grande compromisso era a formação de 
pessoas preenchidas de dignidade humana. 
 
Para você entender melhor! 
Vamos olhar um pouco para o passado. 
 
A concepção sobre o surgimento da Pedagogia demanda um olhar ao 
passado, onde estão os elementos para se entender a origem da Pedagogia 
como ciência da educação. 
Alguns pesquisadores abordam a pedagogia como a ciência que se 
trata de uma única ciência no âmbito de outras ciências. Não seria correto se 
usássemos a pluralização do termo, pois isso dificultaria o entendimento da 
Pedagogia. A generalização pela qual tem passado o termo nos últimos anos e 
os usos frequentes têm feito com que o termo perca um pouco do seu 
significado essencial. Passando a ser entendida como algo genérico, sem 
especificidade na área do conhecimento, isto é, no campo da investigação a 
pedagogia não é tratada como uma ciência. 
Segundo Genovesi (apud SAVIANI, 2007, p.102) é uma ciência que 
caminha com suas próprias pernas nas palavras do teórico: 
 
82 
 
 A Pedagogia é ciência autônoma porque tem uma linguagem 
própria, tendo consciência de usá-la segundo um método 
próprio e segundo os próprios fins e por meio dela, gera um 
corpo de conhecimentos, uma série de experimentações e de 
técnicas sem o que lhe seria impossível qualquer construção 
de modelos educativos (GENOVESI, 1999, p. 79-80 apud 
SAVIANI, 2007, p. 102). 
 
As contestações sobre ―as ciências‖, e, ―a ciência‖, nos parece 
estranho, mas estas afirmações devem ser levadas a sério porque o efeito 
subliminar, à medida que se invade o imaginário das pessoas, faz confusão 
entre a Pedagogia e as áreas que se conectam entre si como: a Didática, a 
Metodologia. Nomeadamente em relação à Didática, que se considera como 
sinônimo da Pedagogia. Dessa forma, as consequências dessa confusão 
semântica interferem na prática dos profissionais de educação. 
A Pedagogia tem a educação como objeto central, esse acontecimento 
humano, social, político, cultural, epistemológico, antropológico, filosófico, 
psicológico, que, para ser estudado, exige esforços conjugados de ciências 
diferentes associadas as Ciências Humanas. 
No âmbito da Pedagogia; os subsídios teórico-metodológicos indicados 
para os estudos incluem outras ciências, porém solicitadas a partir do ponto de 
vista da Pedagogia. É essa a concepção a ser resgatada. Pois, conforme 
Marques (1990, p. 24), a Pedagogia ―[...] não pode se limitar ao entendimento 
de como se dão as inserções educativas como episódio e à afirmação de 
diretrizes gerais para a educação nos horizontes ampliados da emancipação 
humana e da maioridade dos sujeitos‖. Marques ressalta que a esta ciência, 
cabe 
[...] presidir a organização e condução da instituição 
educativa, no sentido de como se vão dar as relações 
internas do poder, mediadas pela infraestrutura de 
recursos e controles e de como vão se relacionar a 
gestão institucional, a dinâmica das relações 
interpessoais e a produção e circulação dos 
conhecimentos. (MARQUES, 1990, p. 24). 
 
 
83 
 
 O espaço da Pedagogia no âmbito de ciência está presente em todo 
contexto social, não unicamente na escola. Mas, se percebe a Pedagogia 
mediada pelas tecnologias, gerando ações pedagógicas em muitos outros 
espaços sociais ampliados. 
A Pedagogia é elemento cultural, além de contribuir para sua 
socialização. Podemos entender que ―[...] o educativo (e o escolar) fazem parte 
de uma complexa engrenagem cultural e social‖ (SOLÀ, 1995, págs. 215-216). 
Em um contexto social os meios de comunicação, de modo geral, disseminam 
a ideia que está ocorrendo uma crise da educação e da escola apontando 
todos os elementos referentes à escola, ao conhecimento, ao currículo, às 
políticas públicas educacionais, à gestão da educação e, sobretudo, à 
Pedagogia. 
Em presença dessas afirmações, Franco (2008, p. 361) contra 
argumenta, se a Pedagogia é entendida como apenas tecnologia, ela só pode 
produzir conhecimentos referentes à técnica; mas se a Pedagogia é avaliada 
em sua obliquidade metodológica, ela germinará conhecimentos sobre 
métodos; se, a Pedagogia é concebida como ciência da ação com reflexão, 
com retorno, ou seja, a práxis educativa, ela poderá produzir conhecimentos 
que fundamentam a prática, delineados a partir dos saberes pedagógicos, 
construídos pelos docentes. 
É nessa terceira perspectiva que se afirma a necessária 
dissociabilidade entre Didática e Pedagogia. Assim, a Legislação atual em 
conformidade com as Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia, 
subsidiada pela Resolução CNE/CP nº 1, de 15 de maio de 2006, enfatiza a 
criação da identidade profissional do pedagogo. O documento foi baseado na 
atuação da docência de acordo com os autores como: Libâneo, Franco, 
Pimenta sem predominar uma discussão de anos que destaca a Pedagogia 
como a ciência da educação. 
A base de um curso de Pedagogia não pode ser a docência. A base de 
um curso de Pedagogia é o estudo do fenômeno educativo, em sua 
complexidade, em sua amplitude. Parafraseando Libâneo, 2006, podemos 
 
84 
 
dizer que: todo trabalho docente é trabalho pedagógico, mas nem todo trabalho 
pedagógico é trabalho docente. 
 
Pontos que merecem destaque 
1. Pedagogia, assumi a concepção de Ciência, libertando-se dos 
pressupostos positivistas e a sua sujeição a epistemologia das ciências 
acessórias. 
 
2. Ratificar o verdadeiro papel da Pedagogia nos textos da Legislação 
(Diretrizes Curriculares), que a mesma contemple toda a complexidade 
e amplitude. Ressaltando que a Legislação atual ―não fundamentou 
nem definiu o campo conceitual da Pedagogia, fragmentou sua 
articulação disciplinar e desprezou os saberes historicamente 
construídos‖ (FRANCO, LIBÂNEO, PIMENTA, 2007, p.70). 
 
3. Os profissionais de educação assumam a Pedagogia como ciência e 
abandone a fila daqueles que somente teoriza sobre os fenômenos 
educativos, mas transforme em ações estruturais e produzam novas 
condições de exercer o ato pedagógico, sempre com o intuito da 
emancipação da sociedade e da pessoa. 
 
E ainda se deve reforçar o pensamento de Franco (2008, p. 77), 
quando insiste que a Pedagogia seja a Ciência da Educação, a partir de 
decisões eficazes: 
 Demarcação do objeto de estudo da Pedagogia; 
 
 Alargamento do significado de ciência, acolhendo os pressupostos 
epistêmicos, compatíveis com o elemento educativo delimitado como 
objeto. 
 
85 
 
 Coordenar e organizar as hipóteses metodológicas que comportem a 
apreciação lógica do autêntico, solicitando o acesso aos significados que os 
sujeitos construíram e estão construindoem seu fazer social, adaptando 
condições de reinterpretação desse real, reconfigurando e ampliando a rede de 
significados com vistas a uma ação cada vez mais emancipatória. 
Estas considerações são imperativas para que a pedagogia se torne uma 
ciência alicerçada no campo cientifico, dedicada ao estudo da Educação. A 
estrutura teórica existente deve ―olhar com olhos de ver‖ e fazer outra leitura 
sobre a formação de professores e, nomeadamente, ao curso de Pedagogia, 
que é designado para formar os professores para a Educação Básica. 
É necessário olhar o cenário problematizado em que vivemos um 
momento de transitoriedade do conhecimento em todos cenários: econômico, 
político, social e cultural, isto é um sinal de um mundo de múltiplas faces, um 
momento que as noções de espaço e de tempo admitem diversas implicações 
para o nosso entorno. 
A Pedagogia tem que ampliar as discussões para um campo que envolva 
as fronteiras e desobedeça à ordem constituída, e se preciso for pedir ajuda a 
outros campos do saber, tomar de empréstimo de outros campos disciplinares, 
pois como afirma Costa: 
Estou convencida de que da efetividade de nossa 
participação dependerá, em alguma proporção, quem 
terá o direito de falar no próximo milênio. Se não 
contarmos nossas histórias a partir do lugar em que nos 
encontramos, elas serão narradas desde outros lugares, 
aprisionando-nos em posições, territórios e significados 
que poderão comprometer amplamente nossas 
possibilidades de desconstruir os saberes que justificam 
o controle, da regulação e o governo das pessoas que 
não habitam espaços hegemônicos. (COSTA, 2007, p. 
91). 
 
 
 
 
86 
 
Tendências Pedagógicas 
Abordaremos diferentes linhas pedagógicas ou tendências no ensino 
brasileiro, denominadas de abordagens ou diretrizes a ação docente. A partir 
dos diversos estudos que analisam e comparam as abordagens do processo 
de ensino e aprendizagem, podemos destacar os trabalhos de Bordenave 
(1984), Libâneo (1982), Saviani(1984) e Mizukami (1986), nos quais classificam 
as correntes teóricas em critérios diferenciados. 
Bordenave (1984), pesquisou sobre as diferentes ações pedagógicas 
segundo os fatores educativos que elas mais valorizam. Libâneo (1982), 
defende que as teorias adotam uma relação às finalidades sociais da escola. 
Saviani (1984), por sua vez, toma como critério de classificação a criticidade da 
teoria em relação ao meio social e de seus determinantes sociais. 
Importante lembrar: 
 
Bordenave (1984), com o estudo da pedagogia da transmissão, da 
moldagem e da problematização; 
Libaneo (1982), com estudos sobre as teorias da pedagogia liberal 
com suas versões conservadora, renovada progressista e renovada não-
diretiva. Pedagogia progressista em suas versões libertadora, libertária e 
de conteúdo; 
Saviani (1984), com as teorias não – criticas (pedagogia tradicional, 
pedagogia nova e pedagogia tecnicista). Teorias crítico-reprodutivistas; 
sistema de ensino enquanto violência simbólica. Escola enquanto 
aparelho ideológico do Estado e escola dualista; 
Mizukami (1986), abordagem tradicional, comportamentalista, 
humanista e cognitivista. 
 
 
87 
 
Como existe diversidade de critérios e diferenças relativas aos 
principais componentes que explicam o processo educativo, no decorrer deste 
estudo, resolvemos adotar os conceitos expostos por Mizukami (1986), com 
algumas adaptações para efeito comparativo. 
O enfoque desta unidade concentra-se nas situações concretas de 
ensino e aprendizagem, por meio da instituição formal de ensino, no caso a 
escola, envolvendo professores e estudantes diante dos conteúdos de ensino. 
É importante ressaltar que um dos pontos a serem analisados, consiste 
na identificação das correntes teóricas sobre o comportamento do professor em 
situações de ensino e aprendizagem, principalmente em sala de aula. 
 
Abordagem Tradicional 
 
Fonte: http://casanaviagem.com/tag/inkiri/ 
 
Compreende-se por abordagem tradicional a prática caracterizada pela 
transferência dos conhecimentos acumulados pela humanidade ao longo dos 
tempos. Essa missão do professor, segundo Mizukami (1986, p. 17) é 
considerada ―[...] catequética e unificadora da escola; [...] envolve [...] 
programas minuciosos, rígidos e coercitivos. Exames seletivos, investidos de 
caráter sacramental‖. 
O ensino tradicional tem como características: Homem como receptor 
passivo, o mundo externo ao indivíduo, o conhecimento através do ensino 
dedutivo, a educação vista como produto, a escola compreendida como lugar 
 
88 
 
de cerimônia, o ensino e aprendizagem constituídos de forma mecânica, na 
relação professor – estudante com poder decisório e individual do professor, a 
metodologia reprodutivista e avaliação realizada de forma quantitativa, onde, 
apenas o professor é capaz de avaliar o desenvolvimento cognitivo, através 
provas individuais, rigorosas, com exames escritos e orais. 
A concepção de educação, nessa abordagem, deve corrigir a natureza 
corrompida do Homem, exigindo, por meio de uma vigilância constante, esforço 
e disciplina rigorosa. 
Referências ao ensino tradicional, também, são feitas por Bordenave 
(1984, p. 41), que a denomina ―pedagogia da transmissão‖. Assim, dentro do 
ensino tradicional a opção pedagógica valoriza, sobretudo, os conteúdos 
educativos, isto é, os conhecimentos e valores a serem transmitidos. Estes vão 
caracterizar um tipo de educação tradicional que chamaremos Pedagogia da 
Transmissão. 
A análise das consequências sociais decorrentes desta pedagogia, 
―forma alunos passivos, produz cidadãos obedientes e prepara o campo para o 
Ditador Paternalista. A sociedade é marcada pelo individualismo, e não pela 
solidariedade‖ (BORDENAVE, 1984, p. 41). 
Vamos analisar! 
 
Características do Processo 
Didático do Ensino Tradicional 
Características da Aprendizagem 
Colaborativa 
 O professor é o único 
responsável pela 
aprendizagem. 
 O estudante é responsável pela 
aprendizagem 
 O ensino é um processo de 
instrução. 
 O ensino e a aprendizagem 
são um processo de 
construção do saber. 
 Os estudantes são passivos.  Os estudantes são ativos. 
 O professor instrui e dá aulas 
expositivas. 
 O professor facilita e 
aconselha. 
 
89 
 
 O estudante trabalha com 
material apenas escrito, 
gravado ou televisionado. 
 O estudante tem possibilidade 
de ter acesso a um número 
grande de informações por 
meio das novas tecnologias 
educacionais. 
 O estudante recebe a 
informação. 
 O estudante é uma pessoa 
criativa que resolve problemas 
e usa a informação. 
 Projetos e conquistas são 
individuais. 
 Trabalho é colaborativo. 
 
 
Por outro lado, Libâneo (1982), aproxima essa abordagem como 
pedagogia liberal em sua versão conservadora, destacando o papel da escola 
de formação intelectual e moral dos estudantes, para que estes possam 
assumir o seu papel na sociedade. 
Na versão conservadora, a pedagogia liberal se 
caracteriza por acentuar o ensino humanístico, de cultura 
geral, no qual o aluno é educado para atingir, pelo próprio 
esforço, sua plena realização como pessoa. Os 
conteúdos, os procedimentos didáticos, a relação 
professor-aluno não tem relação alguma com o cotidiano 
do aluno e muito menos com as realidades sociais. 
(LIBÂNEO, 1982, págs. 12-13) 
 
 Abordagem Comportamentalista 
A abordagem comportamentalista, também, se caracteriza pela ênfase 
no objeto. O Homem é considerado como produto do meio; consequentemente, 
pode-se manipulá-lo e controlá-lo por meio da transmissão dos conhecimentos 
decididos pela sociedade ou por seus dirigentes. Assim, o professor utiliza-se 
de toda uma ―engenharia comportamental e social‖ (Santos, 2005, p.19), para 
moldar o comportamento do estudante através da moldagem do meio. 
 
90 
 
Bordenave (1984), denomina essa abordagem de pedagogia da 
moldagem do comportamento, descrevendo:se o fator é o efeito ou resultado obtido pela educação – 
quer dizer, as mudanças de conduta conseguidas no 
indivíduo, isto, definiria o tipo de educação denominado 
Pedagogia da Moldagem do Comportamento ou 
Pedagogia Condutista‖ (BORDENAVE,1984, p.41). 
 
Libâneo (1982) identifica essa abordagem como parte da pedagogia 
liberal, em sua versão renovada progressista, dando atenção ao movimento da 
―tecnologia educacional‖. (LIBÂNEO 1982, págs. 12-14). 
A tecnologia educacional foi-se introduzindo nos sistemas públicos de 
ensino a partir da tradição progressista que privilegia o ensino sob o ângulo dos 
aspectos metodológicos, em contraposição à ênfase no conteúdo das matérias. 
Assim, os recursos fornecidos pela tecnologia da educação (instrução 
programada, planejamento sistêmico, operacionalização de objetivos 
comportamentais, análise comportamental e sequência instrucional) foram 
incorporados à prática escolar. 
Segundo Saviani (1984), essa abordagem é identificada como 
pedagogia tecnicista, onde a escola é a modeladora do comportamento 
humano através das técnicas específicas e a atividade baseada no 
desempenho. 
Para realização dessa moldagem do comportamento, o ensino deve 
utilizar-se de reforços e recompensas para, por meio do treinamento, atingir 
objetivos preestabelecidos. Portanto, o ensino necessita de tecnologias 
derivadas da aplicação de pesquisas científicas, tais como ―máquinas de 
ensinar‖, isto é, instruções programadas; computadores; manuais; tutoriais de 
treinamento. 
Nessa postura, os conhecimentos decorrem da ciência objetiva 
excluindo a subjetividade, pois se ensina apenas o que é redutível ao 
conhecimento observável e mensurável. Em relação ao professor e ao 
 
91 
 
estudante, valoriza-se a hierarquia, a ordem, a impessoalidade, as normas 
fixas e precisas, a uniformidade e obediência. O professor é um especialista, 
um transmissor do saber, e o estudante, o receptor das informações. 
O principal representante da análise funcional do comportamento foi 
Skinner (1972). Ele não se preocupou em justificar porque o estudante 
aprende, mas sim em fornecer uma tecnologia que seja capaz de explicar 
como fazer o estudante, estudar com eficiência na produção de mudanças 
comportamentais. 
A motivação da aprendizagem só pode ser extrínseca: as recompensas 
ou esforços são essenciais à aprendizagem e definem ou modificam novos 
comportamentos. Segundo Pavlov a aprendizagem depende de estímulos, de 
condições, externas ao organismo. As crianças recebem recompensas quando 
tem respostas desejáveis, resultando em condicionamento de reações. 
Em relação a resposta condicionada ao condicionamento de respostas 
produz efeitos de longo alcance. Uma criança condicionada pode desenvolver 
medos, bloqueios, causando restrições à ação e a construção do pensamento 
ao longo de sua vida. Toda aprendizagem dessa natureza é explicada pelos 
resultados dos condicionamentos ocasionados pelos estímulos repetitivos. 
 
 Abordagem Humanista 
Na abordagem humanista, existem tendências encontradas no sujeito 
relacionado com o desenvolvimento humano e com o conhecimento. Carl 
Rogers (1972), enfatiza as relações interpessoais e o crescimento que delas 
resultam, dando ênfase a personalidade e a conduta no processo de 
construção nos indivíduos. Nesse sentido o professor deve ser um facilitador 
da aprendizagem. Por outro lado, verifica-se na obra de Rogers (1972) e na 
abordagem humanista a carência de uma teoria de instrução que forneça 
bases e diretrizes sólidas para a prática educativa. 
 
92 
 
 O Homem é a pessoa situada no mundo em processo continuo de 
descoberta de seu próprio ser. Não nasce com um fim determinado, mas goza 
de liberdade plena e se apresenta como um projeto pronto e inacabado. O 
Homem é o arquiteto de si mesmo, sabe que um ser tem transformação, e que 
este é um agente transformador da realidade. 
A educação, então, assume significado amplo, tratando a educação do 
indivíduo e não apenas a pessoa em fase escolar, já que essa abordagem é 
caracterizada pelo primado do sujeito, onde, o ensino e a aprendizagem 
compreendidos podem dirigir a pessoa à sua própria experiência, para 
estruturar-se e agir em um método não diretivo, e sim aprendizagem 
significativa, pois envolve toda a pessoa. 
No trabalho de Bordenave (1984, págs. 42-43), não se identifica de 
forma explícita à abordagem humanista, com base nos pressupostos de 
Rogers (1972). No entanto, é feita uma aproximação, somente em alguns 
aspectos, por meio daquilo que este denomina ―pedagogia da 
problematização‖. Ele faz a seguinte afirmação: 
o docente facilita a identificação de ‗problemas‘ pelo 
grupo, sua análise e teorização, bem como a busca de 
soluções alternativas[...] incentivam a aprendizagem[...] a 
solidariedade com o grupo com o qual se trabalha [...] sua 
percepção do professor não é autoritária, pois o papel do 
professor não é de autoridade superior, mas de facilitador 
de uma aprendizagem em que ele também é aprendiz.‖ 
(BORDENAVE, 1984, págs. 42-43) 
 
Libâneo (1982, p. 12), identifica essa abordagem à pedagogia liberal, 
em sua versão renovada não-diretiva. Sobre isso, diz: ―em termos 
pedagógicos, a escola renovada propõe a autoeducação — o aluno como 
sujeito do conhecimento —, de onde se extrai a ideia do processo educativo 
como desenvolvimento da natureza infantil: a ênfase na aquisição de 
processos de conhecimentos em oposição aos conteúdos‖. (LIBÂNEO, 1982, p. 
12) 
 
93 
 
Por outro lado, Saviani (1984) não explicita o trabalho de Rogers 
(1972), mas, em função das características observadas de não-diretividade do 
ensino e o primado do sujeito, podemos enquadrar a abordagem humanista 
dentro do que Saviani (1984), chama de a Pedagogia Nova, que é considerada 
o marco inicial para o surgimento das tendências não-diretivas e 
antiautoritárias. 
Merriam e Caffarella (1991) descrevem as orientações de 
aprendizagem: 
ORIENTAÇÕES DE APRENDIZAGEM 
Diferentes 
Aspectos 
Behaviorista Cognitivista Humanista 
Aprendizagem 
Social 
Teóricos de 
aprendizagem
. 
Thorndik Skinner. 
Lewin 
Piaget. 
Maslow 
Rogers. 
Bandura 
Rotter. 
Visão do 
processo de 
aprendizagem. 
Mudanças no 
comportamento. 
Processo 
mental 
interno 
(incluindo 
insight, 
processamen
to de 
informações, 
memória e 
percepção). 
Um ato 
pessoal para 
realizar 
potencial. 
Interação e 
observação dos 
outros em um 
contexto social. 
Locus da 
aprendizagem. 
Estímulo no 
ambiente externo 
Estrutura 
cognitiva 
interna. 
Necessidade
s cognitivas e 
afetivas. 
Interação de 
pessoa, 
comportamento e 
ambiente. 
 
94 
 
 
Abordagem Cognitivista 
Na abordagem cognitivista a utilização do termo ―cognitivista‖ visa 
identificar os psicólogos que pesquisaram pelos chamados ―processos centrais‖ 
do indivíduo, tais como organização do conhecimento, processamento de 
informações, estilos de pensamento, estilos de comportamento. 
Os principais pesquisadores nessa área são: Jean Piaget, biólogo e 
filósofo (suíço) e Jerome Bruner (americano). Essa abordagem é também 
conhecida como piagetiana, devido à sua grande difusão e influência na 
pedagogia em geral. 
Nesse enfoque, encontramos o caráter interacionista entre sujeito e 
objeto, acontecendo o aprendizado decorrente da assimilação do 
conhecimento pelo sujeito e também da modificação de estruturas mentais já 
existentes. 
Propósito da 
educação. 
Produzir 
mudança de 
comportamento 
em direção 
desejada 
 Objetivo 
behavisoristas 
Desenvolver 
capacidade e 
habilidade 
para 
aprender 
melhor: 
 Inteligência
aprendizage
m e memória 
como função 
da idade; 
 Aprendendo 
como 
aprender. 
Tornar-se 
auto 
atualizado e 
autônomo. 
 Andragogia 
 Aprendiza 
gem 
autodireciona
da. 
Modelar novos 
papéis e 
comportamento 
 Socialização 
 Papéis sociais 
 Relação com 
mentor Locus de 
controle. 
Manifestação 
na 
aprendizagem 
de alunos. 
Desenvolvimento 
e treinamento de 
habilidades. 
 
 
95 
 
Pela assimilação o indivíduo descobre o ambiente, transformando-o e 
incorporando-o a si. Dessa forma, o pensamento é a base da aprendizagem, 
que se constitui de um conjunto de mecanismos que o indivíduo movimenta 
para se adaptar ao meio ambiente. 
Nesse ponto o conhecimento é obtido por intermédio de uma 
construção dinâmica e contínua, onde o ensino deve visar o desenvolvimento 
da inteligência por meio do ―construtivismo interacionista‖, que em essência, 
parte do princípio no qual é assimilada uma estrutura mental anterior, criando 
uma nova estrutura em seguida. Nesse sentido, a concepção piagetiana 
implica a interdependência do indivíduo em relação ao meio em que vive na 
sociedade, sua cultura, seus valores e seus objetos. 
No trabalho de Bordenave (1984), não se encontra referências 
explícitas à abordagem cognitivista, mas podemos identificá-la em parte na 
pedagogia da problematização, na qual este nos ensina que: 
a opção valoriza o próprio processo de transformação do 
aluno enquanto agente transformador da sua 
realidade[...] o aluno sente-se protagonista de um 
processo de transformação da realidade e desenvolve um 
sentido de responsabilidade social e uma atitude de 
entusiasmo construtivo. (BORDENAVE, 1984, págs. 41-
42). 
 
Libâneo (1982) faz menção à abordagem piagetiana e a de outros 
pensadores e seguidores da ―Escola Nova‖, classificando-os na pedagogia 
liberal, em sua versão renovada progressista, e dizendo que ―[...] a ideia de 
‗aprender fazendo‘ está sempre presente. Estimulam tentativas experimentais, 
a pesquisa, a descoberta, o estudo do meio natural e social, e o método de 
solução de problemas‖ (LIBÂNEO, 1982, págs. 12-14). 
O trabalho de Saviani (1984), faz referência à abordagem cognitivista. 
Essas referências podem ser encontradas indiretamente no que ele identifica 
como a ―Pedagogia Nova‖. Entende-se: 
 
96 
 
 que essa maneira de entender a educação, por 
referência a pedagogia tradicional tenha deslocado o eixo 
da questão pedagógica do intelecto para o sentimento: do 
aspecto lógico para o psicológico; ... de uma pedagogia 
de inspiração filosófica centrada na ciência da lógica para 
uma pedagogia de inspiração experimental baseada 
principalmente nas contribuições da biologia e da 
psicologia. Trata-se de uma teoria pedagógica que 
considera que o importante não é aprender, mas 
aprender a aprender. (SAVIANI, 1984, págs. 11-15). 
 
O Homem e o mundo 
Dentro desta perspectiva o Homem e o mundo são analisados 
conjuntamente, pois o conhecimento se dá pela interação entre eles (sujeito e 
objeto). 
 Em Piaget, encontra-se a noção de desenvolvimento do ser humano 
por fases que se inter-relacionam e se sucedem até que atingem o estágio 
formal que lhe dá maior mobilidade e estabilidade. 
As características dessas fases, segundo Furth (1974) são: 
 Cada estágio envolve um período de formação (gênese) e um 
período de realização, caracterizada pela progressiva 
organização composta de operações mentais. 
 
 Cada estrutura constitui ao mesmo tempo a realização de um 
estágio e o começo do seguinte, início de um novo processo de 
evolução. 
 A ordem do decurso dos estágios é constante. Os tempos ou 
periodos de realização podem variar dentro de certos limites, em 
função de fatores tais como: motivos, exercício, meio cultural e 
outros. 
 A transição de um estágio anterior ao seguinte segue a lei da 
integração. As estruturas anteriores tornam-se parte das 
posteriores. 
 
97 
 
O ser humano progride de estágios mais primitivos (período sensório – 
motor), em direção ao hipotético – dedutivo, onde adquire instrumentos de 
adaptação que irão possibilitar qualquer perturbação do meio, podendo usar a 
sua descoberta e invenção como instrumentos de adaptação às suas 
necessidades. 
À medida que a criança vai construindo seu conhecimento e, portanto, 
―reinventando o mundo‖, desenvolve sua inteligência. Um fenômeno básico do 
desenvolvimento infantil é caracterizado pela possibilidade de associar o 
mundo simbólico ao mundo real (período simbólico – intuitivo), o que lhe 
possibilita colocar o pensamento a serviço da ação. 
Toda ação da criança sugere na agregação entre inteligência e 
afetividade. O desenvolvimento da inteligência provoca o desenvolvimento 
afetivo. A afetividade e a inteligência são interdependentes não havendo 
autonomia de uma sobre a outra. 
 
Sociedade e Cultura 
O desenvolvimento social deve caminhar no sentido da democracia e 
compete a escola e ao professor propiciar a socialização que implica na 
decisão em comum acordo na corresponsabilidade pelas regras que as 
crianças seguirão. 
Entre os fatos sociais compartilhados na escola estão: regras, valores, 
normas que variam de grupo para grupo, de comunidade para comunidade, de 
acordo com a realidade local onde vivem e convivem. 
Segundo Piaget (1980) o ser humano passa pelas seguintes fases 
durante o seu desenvolvimento em qualquer cultura: 
 Anomia: etapa própria do egocentrismo onde a criança tem a ilusão que 
tudo é feito pelo adulto a quem ela tem grande admiração. Por exemplo: 
―a árvore foi feita pelo meu pai.‖ 
 Heteronomia: etapa onde a criança aceita normas; copia as condutas 
do adulto que mais admira. 
 
98 
 
 Autonomia: o ser humano atinge quando chega ao período das 
abstrações tendo participação ativa na elaboração de regras comuns 
para o grupo. 
 
Conhecimento 
O conhecimento no ser humano é essencialmente ativo. Conhecer um 
objeto é agir sobre ele e transformá-lo é assimilar o real às estruturas de 
transformações e elas são elaboradas pela inteligência enquanto 
prolongamento da ação. (Piaget,1970.p.30) 
Quanto à aquisição do conhecimento, Piaget admite duas fases: 
 Fase exógena: fase da cópia, da repetição. 
 Fase endógena: etapa da apreensão das relações, das 
combinações. 
 
Educação 
Para Piaget (1970), a educação é um todo indissociável, considerando-
se dois elementos fundamentais: o intelectual e o moral. A educação é 
condição formadora necessária ao desenvolvimento natural do ser humano. O 
conjunto de inclusões em sintonia e cooperação moral e racional, raramente é 
garantido pela autoridade do professor ou pelas lições, mas pela vida social 
entre as próprias crianças. 
O respeito mútuo irá aos poucos substituindo a heteronomia 
característica de um respeito unilateral, por uma autonomia, considerando-se 
como dos pontos de vista e ações entre os membros do grupo. 
Uma educação assim concebida é a que procurará levar as crianças 
buscar novos recursos, criar situações que determinem o máximo de 
exploração por parte deles e estimulem as novas táticas de compreensão da 
realidade. (Piaget,1970). 
 
99 
 
Escola 
A escola deve dar oportunidade a criança de construir seu 
conhecimento, de investigação individual, de ação motora, verbal e intelectual 
que possa, posteriormente, intervir no processo sócio-cultural possibilitando-lhe 
todas as tentativas oferecendo-lhe liberdade de ação em estágio operatório em 
um processo de equilíbrio – desequilíbrio.(Piaget,1970) 
 
Ensino e Aprendizagem 
A concepção piagetiana de aprendizagem tem caráter de inúmeras 
possibilidades de novas indagações. Aprender insinua assimilar o objeto a 
esquemas mentais. Esse conceito inclui num processo mais aberto de 
estruturas mentais, construindo a sua Teoria denominada Epistemologia 
Genética. 
A aprendizagem verdadeira se dá quando a criança elabora seu 
conhecimento relacionado com as informações no decorrer do seu 
desenvolvimento. A inteligência é ferramenta de aprendizagem indispensável. 
O ensino, portanto, consiste na organização dos dados da experiência, de 
forma a gerar um nível almejado de aprendizagem. 
Quanto à relação aluno e professor cabe ao professor criar situaçõesque estabeleçam reciprocidade intelectual e cooperação ao mesmo tempo 
moral e racional para os estudantes. Evitando a rotina, fixação de respostas 
prontas, o professor colaborará para que as crianças levantem hipóteses diante 
de situações novas sem ensinar-lhes soluções. Nesta proposta ele (professor) 
provoca desequilíbrios, desafios, orienta a criança e lhe concede ampla 
margem de autocontrole e possibilidade de chegar à autonomia. 
A criança deve assumir o papel de investigadora, pesquisadora e o 
professor o papel de coordenador, orientador, levando-a a ―trabalhar‖, o mais 
independente possível. 
 
 
100 
 
Abordagem Sociocultural 
Origina-se do trabalho de Paulo Freire e no movimento de cultura 
popular, com ênfase principalmente na alfabetização de adultos. Podemos 
caracterizá-la como abordagem interacionista entre o sujeito e o objeto de 
conhecimento, embora com foco no sujeito como elaborador e criador do 
conhecimento. 
Nessa abordagem, o fenômeno educativo não se restringe à educação 
formal, pela escola, mas a um processo amplo de ensino e aprendizagem, 
inserido na sociedade. A educação é vista como um ato político, que deve criar 
condições para que se desenvolva uma atitude de reflexão crítica, 
comprometida com a sociedade e sua cultura. Desse modo, deve levar o 
indivíduo a uma consciência crítica de sua realidade, transformando-a e 
melhorando-a. Assim, o aspecto formal da educação faz parte de um processo 
sociocultural, que não pode ser visto isoladamente, nem tampouco priorizado. 
Identificam-se no texto de Bordenave (1984), referências a essa 
abordagem, denominada ―pedagogia da problematização‖ ou ―educação 
libertadora‖. O teórico assim pronuncia-se: 
 
 [...]a situação preferida é quando o aluno enfrenta, em 
situação de grupo, problemas concretos de sua própria 
realidade. A aprendizagem realimenta-se constantemente pelo 
confronto direto do grupo de alunos com a realidade objetiva ou 
com a realidade mediatizada[...]. O aluno desenvolve sua 
consciência crítica e seu sentido de responsabilidade 
democrática baseada na participação. (BORDENAVE, 1984, 
págs. 41-44) 
 
Libâneo (1982) classifica essa abordagem como pedagogia 
progressista. Em sua versão libertadora expressa que: 
 
 
101 
 
A pedagogia progressista tem-se manifestado em três 
versões: libertadora, mais conhecida como pedagogia de 
Paulo Freire; a libertária, que reúne os defensores da 
autogestão pedagógica; a crítico-social dos conteúdos 
que, diferentemente das anteriores, acentua a primazia 
dos conteúdos no seu confronto com as realidades 
sociais‖. (LIBÂNEO, 1982, págs. 12-5). 
 
Na obra de Saviani (1984), não existem referências diretas ou indiretas 
detalhadas a essa abordagem. Apenas podemos inferir que, como este estava 
preocupado com a relação entre educação e o problema da marginalidade, 
esse enfoque teórico poderia ter algumas similaridades com as teorias crítico-
reprodutivistas, que percebem a educação como instrumento de discriminação 
social. O teórico afirma que: 
As teorias são críticas, uma vez que exigem não ser 
possível compreender a educação senão a partir dos 
seus condicionantes sociais. Há, pois, nessas teorias 
uma cabal percepção da dependência da educação em 
relação à sociedade. Contudo, chegam à conclusão de 
que a função da educação consiste na reprodução da 
sociedade em que ela se insere, com a denominação de 
‗teorias crítico-reprodutivistas. (SAVIANI, 1984, ps. 19-
20). 
 
Como se pode observar pela análise comparativa dos trabalhos de 
Bordenave (1984), Libâneo (1982), Saviani (1984) e Mizukami (1986), as 
diversas teorias que procuram explicar o processo de ensino e aprendizagem 
podem ser agrupadas e sistematizadas por inúmeras formas, dependendo do 
foco do seu teórico. 
Vale relembrar que Bordenave (1984), classifica e distingue as opções 
pedagógicas, segundo o fator educativo que elas mais valorizam. Libâneo 
(1982), utiliza como critério a relação das teorias aos fins sociais da escola. 
Saviani (1984) toma como critério de classificação a criticidade da 
teoria em relação à sociedade e o grau de percepção da teoria dos 
 
102 
 
determinantes sociais. Finalmente, Mizukami (1986), procura explicar o 
fenômeno educativo em sua multidimensionalidade. 
Foram discutidas algumas considerações relevantes das diferentes 
abordagens teóricas do processo de ensino e aprendizagem. Naturalmente, 
não se esgotou o assunto, devido à complexidade do tema e à necessidade de 
uma maior profundidade em pesquisas teóricas e investigações empíricas 
sobre as controvérsias existentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
103 
 
Síntese - As Concepções e Tendências da Educação 
Nome da 
Tendência 
Pedagógica 
Papel da 
Escola 
Conteúdos Métodos Professor 
x 
aluno 
Aprendizage
m 
Manifestaçõe
s 
Pedagogia 
Liberal 
Tradicional 
Preparação 
intelectual e 
moral dos 
alunos para 
assumir seu 
papel na 
sociedade 
São conhecimento 
e valores sociais 
acumulados 
através dos 
tempos e 
repassados aos 
alunos como 
verdades 
absolutas 
Exposição e 
demonstração 
verbal da 
matéria ou por 
meios de 
modelos 
Autoridade do 
professor que 
exige atitude 
receptiva do 
aluno 
A aprendizagem é 
receptiva e 
mecânica, sem se 
considerar as 
características 
próprias de cada 
idade 
Nas escolas que 
adotam 
filosofias 
humanistas 
clássicas ou 
científicas 
Tendência 
Liberal 
Renovadora 
Progressiva 
A escola deve 
adequar as 
necessidades 
individuais ao 
meio social 
Os conteúdos são 
estabelecidos a 
partir das 
experiências 
vividas pelos 
alunos frente às 
situações 
problemas 
Por meio de 
experiências, 
pesquisas e 
método de 
solução de 
problemas 
O professor é 
auxiliador no 
desenvolvimento 
livre da criança 
É baseada na 
motivação e na 
estimulação de 
problemas 
Maria 
Montessori, 
Ovide Decroly, 
John Dewey, 
Jean Piaget e 
Lauro de Oliveira 
Lima 
Tendência 
Liberal 
Renovadora 
não-diretiva 
(Escola Nova) 
Formação de 
atitudes. 
Baseia-se na 
busca dos 
conhecimentos 
pelos próprios 
alunos. 
Método 
baseado na 
facilitação da 
aprendizagem
. 
Educação 
centralizada no 
aluno e o 
professor é 
quem garantirá 
um 
relacionamento 
de respeito. 
Aprender é 
modificar as 
percepções da 
realidade. 
Carl Rogers e 
Alexander 
Sutherland Neill 
Tendência 
Liberal 
Tecnicista. 
É modeladora 
do 
comportament
o humano 
através de 
técnicas 
específicas. 
São informações 
ordenadas numa 
sequência lógica e 
psicológica. 
Procedimento
s e técnicas 
para a 
transmissão e 
recepção de 
informações. 
Relação objetiva 
onde o professor 
transmite 
informações e o 
aluno vai fixá-
las. 
Aprendizagem 
baseada no 
desempenho. 
Lei: 5.540/68 
 
Lei: 5.692/71 
Tendência 
Progressista 
Libertadora 
Não atua em 
escolas, porém 
visa levar 
professores e 
alunos a atingir 
Temas geradores. Grupos de 
discussão. 
A relação é de 
igual para igual, 
horizontalmente 
Resolução da 
situação 
problema. 
Paulo Freire 
 
104 
 
 
Fonte: http://wikiescolarizando.blogspot.com.br/2013/03/as-tendencias-pedagogicas.html 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
um nível de 
consciência da 
realidade em 
que vivem na 
busca da 
transformação 
social. 
Tendência 
Progressista 
Libertária. 
Transformação 
da 
personalidade 
em um sentido 
libertário e 
autogestionário
. 
As matérias são 
colocadas, mas 
não exigidas. 
Vivência 
grupal na 
forma de 
auto-gestão. 
É não diretiva, o 
professor é 
orientador e os 
alunos livres. 
Aprendizagem 
informal, via 
grupo. 
Celestin Freinet 
e 
Miguel Gonzales 
Arroyo 
 
 
Tendência 
Progressista 
"crítico social 
dos conteúdos 
ou "histórico-
crítica" 
Difusão dos 
conteúdos. 
Conteúdos 
culturais 
universais que 
são incorporadospela humanidade 
frente à realidade 
social. 
O método 
parte de uma 
relação direta 
da 
experiência 
do aluno 
confrontada 
com o saber 
sistematizado
. 
Papel do aluno 
como 
participador e do 
professor como 
mediador entre o 
saber e o aluno. 
Baseadas nas 
estruturas 
cognitivas já 
estruturadas nos 
alunos. 
Anton 
Makarenko, 
Bernard Charlot, 
Bogman 
Suchodoski, 
 
Mario Alighiero 
Manacorda, 
Georges 
Snyders e 
Demerval 
Saviani 
http://wikiescolarizando.blogspot.com.br/2013/03/as-tendencias-pedagogicas.html
 
105 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
106 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
107 
 
 
 
 
 
 
A interface entre as Teorias 
Modernas, Contemporâneas e 
Pós-Modernas 
 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
108 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
109 
 
 
A Pedagogia e suas exigências em o mundo de 
mudanças. 
 
Esse texto trará aos estudantes algumas reflexões a partir das 
produções de Libâneo sobre o pensamento moderno e pós-moderno 
relacionando-os às teorias pedagógicas. 
Os estudos em Pedagogia na modernidade tentam entender como os 
fatores socioculturais e institucionais se desenvolvem nos processos de 
crescimento e transformação dos indivíduos e em que condições esse sujeito 
aprende na atualidade rica em contradições socioeconômicas. 
A escola e a sala de aula têm contribuído pouco para a superação 
dessas contradições e sua falha não se apresenta no alcance de sua maior 
missão, que é promover o desenvolvimento cognitivo dos estudantes e 
contribuir para o aumento da inclusão social. Conforme Libâneo (1995), essa 
situação pode ser demonstrada por algumas circunstâncias atuais como: a 
eliminação da organização curricular em séries, a elevação espontânea, a 
conexão de estudantes portadores de necessidades especiais, a flexibilização 
da avaliação escolar, a modificação da escola em mero espaço de existência 
de experiências socioculturais. 
Percebe-se que nenhum educador prático poderá evadir-se da 
pedagogia, pois quando educamos pessoas estamos efetivando práticas 
pedagógicas que irão constituir sujeitos e identidades. 
Por sua vez, sujeitos e identidades se compõem enquanto 
mensageiros das extensões física, cognitiva, afetiva, social, ética, estética, 
colocados em contextos socioculturais, históricos e institucionais (LIBÂNEO, 
1995). 
Para atuarmos em um posicionamento pedagógico favorável a 
construção do conhecimento e desenvolvimento humano precisamos investigar 
as condições escolares atuais considerando a subjetividade e identidade dos 
 
110 
 
estudantes e a realidade onde estão inseridos. Conforme Libâneo (1995, p.17), 
não ocorrerá mudanças reais enquanto, a elite intelectual do campo científico 
da educação e os profissionais da educação não se derem conta de algo muito 
simples: escola existe para formar sujeitos organizados para sobreviverem 
nesta sociedade e, para isso, precisa da ciência, da cultura, saber resolver 
conflitos, ter autonomia e responsabilidade, saber dos seus direitos e deveres, 
edificar sua dignidade humana, ter uma autoimagem positiva, ampliar 
capacidades cognitivas para se ajustar criticamente aos benefícios da ciência e 
da tecnologia em favor do seu trabalho, da sua vida cotidiana, do seu 
crescimento pessoal. Mesmo sabendo-se que essas aprendizagens implicam 
em saberes originados nas relações cotidianas e experiências socioculturais, 
isto é, a cultura da vida cotidiana. 
O referido autor explica que, práticas pedagógicas sugerem 
basicamente disposições e ações que abrangem o destino humano das 
pessoas, e solicita projetos educativos que forneçam direção de sentido da 
ação educativa e formas evidentes do agir pedagógico. A pedagogia lida com 
valores, com objetivos políticos, morais, ideológicos. 
Outro ponto que o autor destaca em relação ao agir pedagógico para a 
modernidade é que será necessário agregar os meios educativos, os 
instrumentos de mediação que são os dispositivos e métodos de educação e 
ensino, ou seja, a didática e o fazer pedagógico tem a natureza da dialética e, 
portanto deve ser pautada a partir da subjetivação, da socialização, da 
diferenciação e, portanto, como atividade complexa já que é determinada por 
múltiplas relações. 
A pedagogia há que se abrir para toda contribuição que ajude a 
explicitar as peculiaridades do fenômeno educativo e do ato de educar num 
mundo em mudanças. Fundamenta-se como campo de verificação exclusivo, 
cuja fonte é a própria prática educativa e os portes teóricos providos pelas 
demais ciências da educação e cuja tarefa é o entendimento global e 
intencionalmente dirigido dos problemas educativos. [...] (Libâneo, 2002) 
Percebe-se que o ato educativo é multifacetado, complexo e relacional, 
e isso nos leva a compreensão de que educamos para a subjetivação, 
 
111 
 
socialização, para a autonomia, integração social, para as necessidades 
sociais, necessidades individuais, para a reprodução, apropriação ativa de 
saberes, para a inserção nas normas sociais e culturais crítica e produção de 
estratégias inovadoras. 
Isso exige análises e uma integração dos conceitos vindos de várias 
fontes; culturais, psicológicas, econômicas, antropológicas, simbólicas, de 
contradições e, contudo pautada na humanização de práticas educativas. 
Conforme Charlot (2000), a educação é, assim, ―um triplo processo de 
humanização, de socialização e de singularização. Esse triplo processo é 
possível apenas mediante a apropriação de um patrimônio humano‖ 
(CHARLOT, 2000 Apud LIBÂNEO, 2005, p. 23. Compreende a educação como 
cultura, em três sentidos que não podem ser dissociados. Conforme Libâneo 
(2005), existem três tarefas mais visíveis do agir pedagógico como condição de 
inclusão ou exclusão social, e podem ser sintetizadas nestes objetivos: 
 Solicitação de interferências culturais para a ampliação da razão crítica, 
ou seja, conhecimento teórico-científico, aptidões cognitivas e modos de 
atuação; 
 
 Desenvolvimento da subjetividade, da identidade pessoal e acolhimento 
a diversidade social e cultural dos estudantes; 
 
 
 Formação para a cidadania em direção à preparação para atuação na 
realidade. 
 
Teorias Pedagógicas Modernas e Pós-Modernas 
Sem desejar retomar as abordagens teóricas que derivam nas 
disposições de teorias pedagógicas, são modernas a pedagogia tradicional, a 
pedagogia renovada, o tecnicismo educacional, e todas as pedagogias críticas 
movidas na tradição moderna, como a pedagogia libertária, a pedagogia 
libertadora, a pedagogia crítico-social. 
 
112 
 
Conforme Libâneo (2009), estudos sobre as práticas pedagógicas 
correntes nas escolas no Brasil mostra que tais tendências continuam ativas e 
estáveis, mantendo seu núcleo teórico forte, ainda que as pesquisas dos 
últimos anos venham mostrando outras formas de aplicabilidade pedagógica. 
Isso não significa que não se apontem novas tendências, algumas já 
experimentadas em nível operacional, outras ainda restritas ao mundo 
acadêmico. Esquematicamente, essas teorias apresentam como características 
em comum: 
 Elevação da força da razão, isto é, da agilidade lógica, científica, 
tecnológica, enquanto objeto de conhecimento que leva as 
pessoas a pensarem com autonomia e objetividade contra todas 
as formas de ignorância e arbitrariedade. 
 
 Conhecimentos e atitudes de atuação, deduzidos de uma tradição 
universal objetiva, precisam ser comunicados às novas gerações 
e recriados em desempenho da sequência dessa cultura. 
 
 
 Os seres humanos possuem uma natureza humana básica, 
postulando-se a partir dos direitos básicos universais. 
 
 Os educadores são representantes legítimos dessa cultura e 
cabe-lhes ajudar os estudantes a internalizarem valores 
universais, tais como racionalidade, autoconsciência, autonomia, 
liberdade, seja pela intervenção pedagógica direta sejapelo 
esclarecimento de valores em âmbito pessoal. 
 
A partir dessas ideais, as pedagogias modernas, adquirem suas 
características, formulando diferentes entendimentos sobre as formas de 
conhecimento, função da ciência, conceito de liberdade etc., sem abandonar à 
ideia de criar uma sociedade racional. Um legado dessas teorias, vista pelos 
críticos como negativa, é que em nome da razão e da ciência se perdem o 
 
113 
 
sentimento, a imaginação, a subjetividade e, até, a liberdade, à medida que a 
razão institui-se como instrumento de dominação sobre os seres humanos. 
Nesse sentido, a questão problemática na racionalidade instrumental é 
a separação entre razão e sujeito, entre o mundo científico e tecnológico e o 
mundo da subjetividade. Outra questão problemática refere-se às 
consequências da grande acumulação de conhecimentos científicos e técnicos 
produzidos pela modernidade. Entre elas, a mais peculiar foi a constituição de 
campos disciplinares isolados, fragmentados, ignorando o conjunto de que faz 
parte e a perda de significação. Com isso, a própria sociedade reproduz essa 
fragmentação, dissociando a cultura, a economia, a política, o sistema de 
valores, a personalidade. 
O começo do século XX é caracterizado por claros embates 
ideológicos em consequência da luta de classes do proletariado e do 
aparecimento de correntes socialistas no seu interior. A expansão da 
industrialização e do trabalho livre em troca de um salário visou a necessidade 
da expansão da escolarização que já vinha ocorrendo desde o século anterior 
nos países capitalistas centrais. E esse novo problema do capitalismo irá se 
refletir no plano ideológico com o aparecimento de pedagogias que buscam 
responder à necessidade de instruir os filhos dos trabalhadores formando 
novas gerações de operários, porém dentro dos limites de acordo com os 
interesses das elites econômicas. O movimento Escola Nova surge nesse 
contexto e responde a ele na perspectiva do liberalismo. 
O principal expoente do movimento escolanovista é o filósofo 
estadunidense John Dewey que sistematizou em sua produção intelectual a 
filosofia da educação nova com um forte destaque para o pragmatismo, ou 
seja, para os resultados práticos da educação escolar. A formação do cidadão 
centrado no exercício, dos deveres em prol da harmonia social era dito por 
Dewey há cem anos, hoje uma fórmula liberal em moda. 
As pedagogias renovadoras assinalam exatamente a abertura em cena 
da psicologia em prejuízo da filosofia. Jean Piaget é apontado por alguns 
historiadores da educação como um escolanovista justamente por pautar sua 
teoria do conhecimento e da formação da inteligência pela determinação do 
 
114 
 
elemento psicológico sobre o social. Os métodos ativos, tão exaltados pelos 
escolanovistas, em Piaget estão fundamentados na ciência da psicologia 
genética. 
A teoria do conhecimento de Jean Piaget defende que o conhecimento 
é um produto da atividade particular, ou seja, cada pessoa constrói o seu 
próprio conhecimento, isso constitui a principal base para a pedagogia. Na 
última década do século XX, o construtivismo foi reelaborado e incorporado 
pela pedagogia das competências que tem em Phillip Perrenoud sua principal 
expressão pública. Nessa nova versão a pedagogia construtivista nos aparece 
mais pragmática, pois coloca claramente a preocupação com a adaptação do 
estudante à nova realidade do capitalismo globalizado. 
Nesse sentido, a preocupação não é a assimilação do conhecimento 
em si, mas a forma como o indivíduo irá utilizar esses conhecimentos na vida 
prática. Diante disso, torna-se explicável a valorização da metodologia em 
perda dos fundamentos históricos, filosóficos, sociológicos e econômicos nos 
cursos de formação de professores. 
Portanto, cabe à educação apreciar as diferenças como a um 
patrimônio cultural a ser conservado, diferenças que usualmente são 
oferecidas como culturais, mas, como sabemos são determinadas pelo 
processo histórico que, por sua vez, é determinado pela luta de classes 
resultantes das diferenças de acesso aos meios de produção e ao produto 
social. 
 
O contexto “Pós- Moderno” e os impactos na Educação 
Determinadas correntes modernas da educação procuram rearticular 
seus discursos face às modificações que apontam a contemporaneidade. O 
período histórico presente tem recebido vários nomes: sociedade pós-moderna, 
pós-industrial ou pós-mercantil, sociedade do conhecimento. Para os objetivos 
deste texto, Libâneo utilizou-se da expressão ―pensamento pós-moderno‖. 
Apesar de nosso tempo seja marcado por uma ruptura com a modernidade, o 
 
115 
 
autor crê que existe um conjunto de espécies sociais, culturais, econômicas 
típicas que dissimulam todas as instâncias da vida social, de modo a ser 
admissível afirmar que vivemos numa condição pós-moderna. 
Vamos pontuar alguns traços gerais que caracterizam a condição pós-
moderna, resumindo sugestões de vários autores (Giroux, McLaren, Giddens, 
Silva, Rouanet). 
 
 Transformações no processo de produção industrial, atreladas aos 
avanços científicos e tecnológicos, mudanças no aspecto no entusiasmo 
de trabalho, intelectualização do processo produtivo; 
 
 Novas tecnologias da comunicação e informação, aumento e propagação 
da informação, novas formas de produção, circulação e consumo da 
cultura, colapso da divisão entre realidade e imagem, arte e vida; 
 
 Modificações nas formas de fazer política: descrédito nas formas mais 
convencionais e emergência de novos movimentos e sujeitos sociais, 
novas identidades sociais e culturais; 
 
 
 Mudanças nos paradigmas do conhecimento, sustentando a união entre 
sujeito e objeto, a construção social do conhecimento, o caráter não-
absolutizado da ciência, a acentuação da linguagem; 
 
 Rejeição dos grandes sistemas teóricos de alusão e de ideias formuladas 
na tradição filosófica ocidental tais como a natureza humana essencial, a 
ideia de um destino humano coletivo e de que podemos ter ideais que 
justificam nossa ação, a ideia de conjunto social. Em troca, o que há são 
ações específicas de sujeitos individuais ou grupos particulares. Embora 
apresentados sumariamente, esses traços dão uma ideia de como afetam 
o pensamento e as práticas educacionais. 
 
116 
 
Menciono alguns aspectos que o pensamento e a condição pós-
moderna trazem para a educação escolar, em contraposição aos que foram 
mencionados como traços da pedagogia moderna: 
 Relativização do conhecimento sistematizado, sobretudo do poder da 
ciência, destacando o caráter instável de todo conhecimento, aguçando 
a ideia dos sujeitos como elaboradores de conhecimento dentro de sua 
cultura, capazes de anseio e ideia, de assumir seu papel de ator 
principal na construção da sociedade e do conhecimento; 
 
 Os sujeitos são edificados socialmente e vão constituindo sua 
identidade, de modo a recobrar sua condição de construtores de sua 
vida pessoal e de seu papel transformador, isto é, sujeito pessoal e 
sujeito social. 
 
 
 Os educadores precisam auxiliar os estudantes a elevarem seus 
próprios quadros valorativos a partir do conjunto de suas próprias 
culturas, não havendo valores com sentido universal. Os valores a 
serem aperfeiçoados dentro de grupos particulares são a diversidade, a 
tolerância, a liberdade, a criatividade, as emoções, a intuição. 
 
Essas qualidades confrontam-se abertamente com vários princípios 
das teorias pedagógicas modernas, mas ao mesmo tempo, aprovam uma 
reavaliação crítica desses princípios. Giroux (1993), sugere que a crítica pós-
moderna precisa ser examinada pelos educadores e que ela pode dar uma 
importante contribuição à pedagogia crítica. McLaren (1993) indica três 
contribuições do pensamento pós-moderno para uma Pedagogia Crítica: 
 Uma sistemática, uma arrumação, das explicações de fatos novos 
que surgem na sociedade: o espetáculo, o efêmero,o modismo, a 
cultura do consumo, a manifestação de novos sujeitos sociais; 
 
 
117 
 
 Um mapeamento das transformações que vão ocorrendo no mundo 
contemporâneo, que caracterizam a chamada ―condição pós-
moderna‖ para aguçar a consciência dos que se propõem a se 
manter com criticidade; 
 
 
 Uma reavaliação dos paradigmas teóricos de referência que até os 
dias de hoje tem orientado a produção do conhecimento, 
especialmente ao que foi herdado da tradição iluminista. 
 
Um esboço das teorias e correntes pedagógicas 
contemporâneas 
 
Existem tendências contemporâneas no ensino influenciadas pelo 
pensamento pós-moderno? 
 
A resposta é sim. Sim, elas existem e aos poucos vão ocupando 
espaços na prática de professores com fortes traços de reducionismo ou 
modismo. Determinadas correntes são esforços teóricos de releitura das 
teorias modernas, outras afiliam-se explicitamente ao pensamento pós-
moderno enfocadas na escola e no trabalho dos professores, enquanto outras 
utilizam-se do discurso pós-moderno sem se importar em chegar a propostas 
reais para a sala de aula e para o trabalho de professor, ao contrário, propõem-
se a derrubar as propostas existentes. 
Há evidentes oposições à tentativa de classificação das teorias 
pedagógicas. Múltiplos intelectuais que se colocam no âmbito do pensamento 
pós-moderno podem afirmar, dentro de seus quadros de referência, que as 
classificações seguem o figurino da modernidade, da classificação de 
 
118 
 
conhecimentos, do fechamento em campos disciplinares. Nesse caso, as 
classificações seriam, portanto, reducionismos, simplificações, fragmentações. 
Em outra direção, pronuncia-se que os campos científicos em geral, 
apoiam-se muito por conta de legitimação das compreensões por meio de 
contestação de poder. Há ainda posições que deliberadamente defendem o 
hibridismo cultural. 
Apesar das críticas que lhes são feitas, as classificações sempre 
existiram, elas pertencem a certa tradição da racionalidade científica. Mas, com 
base no argumento de que os campos se definem por relações de poder, seria 
injusto e desigual que o professor desconhecesse a existência desses campos, 
de suas disputas e de seus conflitos. Mesmo porque, seriam presas fáceis de 
persuasão de um ou outro grupo ou seriam manipulados pelo mercado editorial 
que também disputa espaços de poder com comércio. 
Outro fator a favor das classificações, os formadores de professores, 
os pesquisadores, os estudiosos das teorias educacionais e das metodologias 
de pesquisa, os especialistas de várias áreas necessitam conhecer as teorias 
educacionais, as clássicas e as contemporâneas, para poderem se situar 
enquanto sujeitos envolvidos em marco sociais, culturais, institucionais. 
Outra razão forte em favor das classificações decorre de um 
posicionamento teórico segundo o qual as teorias, os conteúdos, os métodos 
constituem-se em mediações culturais já constituídas na prática e na teoria e 
que fazem parte da atividade sócio-histórica do campo pedagógico. Tais 
interferências são instrumentos simbólicos e culturais que participam na 
formação intelectual e profissional. 
 As categorizações de teorias são, pois, instrumentos de mediação que 
aprovam a formação de esquemas mentais. Uma breve caracterização de cada 
uma das correntes: 
 Racional-tecnológica: Ensino tecnológico; 
 
 Neocognivistas: Construtivismo pós-piagetiano, ciências cognitivas, 
evidência na inteligência; 
 
119 
 
 
 
 Sociocríticas: Sociologia crítica do currículo; Teoria histórico-cultural; 
Teoria sociocultural; Teoria sociocognitiva; Teoria da ação comunicativa; 
 
 “Holísticas”: Holismo Teoria da Complexidade; Teoria naturalista do 
conhecimento; Ecopedagogia; Conhecimento em rede; 
 
 “Pós-modernas”: Pós-estruturalismo; Neo-pragmatismo. 
 
A corrente racional-tecnológica 
Essa corrente obedece à compreensão que tem sido assinalada de 
neotecnicismo e está integrada a uma pedagogia a serviço da formação para o 
sistema produtivo. Implica a formulação de objetivos e conteúdos, padrões de 
desempenho, competências e habilidades com base em critérios científicos e 
técnicos. Diferente da pedagogia tradicional, a corrente racional-tecnológica 
procura seu embasamento na racionalidade técnica e instrumental, 
ambicionando desenvolver habilidades e treinamentos para formar o técnico. 
Metodologicamente, diferenciam-se pela entrada de técnicas mais apuradas de 
comunicação de conhecimentos, contendo os computadores, as mídias. Uma 
origem dessa concepção é o currículo por competências, na expectativa 
economicista, em que a organização curricular brota de objetivos acertados em 
habilidades e treinamentos a serem dominados pelos estudantes no percurso 
de formação. Mostra-se sob duas modalidades: 
 Ensino de excelência, para formar para o sistema produtivo a elite 
intelectual e técnica; 
 
 Ensino para formação de mão-de-obra intermediária, centrada na 
educação formadora para o mercado. 
 
120 
 
Outras linhas dessa corrente: centralização no conhecimento em 
função da sociedade tecnológica, transformação da educação em ciência 
(racionalidade científica), produção do estudante como um ser tecnológico 
(versão tecnicista do ―aprender a aprender‖), utilização mais ativa dos meios de 
comunicação e informação e do aparato tecnológico. 
 
A corrente neocognitivista 
 Nesta qualificação estão compreendidas correntes que adentram 
novas contribuições ao estudo da aprendizagem, do desenvolvimento, da 
cognição e da inteligência. 
Construtivismo pós-piagetianismo: o construtivismo, no campo da 
educação, refere-se a uma teoria em que a aprendizagem é consequência de 
uma edificação mental realizada pelos sujeitos com base na sua ação sobre o 
mundo e no intercâmbio com outros. O indivíduo tem um potencial para 
aprender a pensar que pode ser desenvolvida porque a faculdade de pensar 
não é inata e nem é fornecida de fora. O construtivismo pós-piagetiano aciona 
reforços de outras fontes tais como, o lugar do desejo e do outro na 
aprendizagem, o predomínio da linguagem em relação à razão, o papel do 
intercâmbio social na construção do conhecimento, a singularidade e a 
pluralidade dos sujeitos (Grossi; Bordin,1993). 
 Nessa mesma expectativa, o socioconstrutivismo alimenta o papel da 
ação e da experiência do sujeito no desenvolvimento cognitivo, mas adentra 
com mais força o componente social na aprendizagem, tornando claro o papel 
decisivo das definições sociais e das interações sociais na construção de 
conhecimentos. 
Instrumentos cognitivos empregados pelas crianças são, também, 
reestruturações de representações sociais melhoradas nas interações sociais. 
Uma das noções-chave desse paradigma é o conflito sociocognitivo, que surge 
em situações de interação, nas quais estão também invadidas experiências 
sociais e culturais que intervêm nas aprendizagens (Garnier; Bednarz; 
Ulanovskaya, 1996). 
 
121 
 
Ciências cognitivas: a abordagem cognitiva acena aos estudos 
pautados ao desenvolvimento da ciência cognitiva agregada à utilização de 
computadores. Seu objetivo é buscar novos modelos e referências para 
avançar na investigação sobre os processos psicológicos e a cognição. A partir 
da psicolinguística, da teoria da comunicação e da cibernética (ciência dos 
computadores), surgem duas variantes: a psicologia cognitiva, que estuda o 
comportamento inteligente de sujeitos humanos, isto é, o ser humano como 
processador de informações, e a ciência cognitiva, que aprofunda as relações 
entre mente e computador, visando à construção de modelos computacionais 
para entender a cognição humana. Seu empenho é a construção de programas 
de inteligência artificial que realizam tarefas que implicam um comportamento 
inteligente (Eysenk; Keane, 1994). Há estudos da abordagem do 
processamento da informação ao construtivismo piagetiano.Teorias Sociocríticas 
 
A denominação ―sociocrática‖ está sendo usada para ampliar o sentido 
de ―crítica‖ e envolver teorias e correntes que se desenvolvem a partir de 
referenciais marxistas ou neomarxistas e mesmo de inspiração marxista e que 
são, a cada passo, divergentes entre si, especialmente quanto as premissas 
epistemológicas. As abordagens sociocríticas divergem na concepção de 
educação como compreensão da realidade para transformá-la, visando à 
construção de novas relações sociais para superação de desigualdades sociais 
e econômicas. 
Em razão disso, considera especialmente os efeitos do currículo oculto 
e do contexto da ação educativa nos métodos de ensino e aprendizagem, 
inclusive para dominar os conteúdos a uma análise ideológica e política. 
Algumas dão mais destaque às questões políticas do processo de formação, 
outras colocam a relação pedagógica como intervenção da formação social e 
política. Nesse segundo caso, a educação tem a função de difusão cultural, 
mas também é responsável em ajudar o estudante no desenvolvimento de 
 
122 
 
suas próprias competências de aprender e na sua admissão crítica e 
participativa na sociedade em função da formação da cidadania. 
Diferenças na determinação dos objetivos da educação e do ensino 
induzem a distintas opções metodológicas que vão desde a visão do ensino 
como transmissão cultural, até a uma ideia de escola mais informal centrada na 
valorização de experiências, da convivência social, minimizando ou até 
recusando um currículo formal. 
 A teoria curricular crítica: com características neomarxistas, acentua 
os fatores sociais e culturais na construção do conhecimento, lidando com 
temas como cultura, ideologia, currículo oculto, linguagem, poder e 
multiculturalismo (Moreira; Silva, 1994). 
Tem origem na Sociologia Crítica inglesa e norte-americana. A teoria 
curricular crítica, questiona como são construídos os saberes escolares, 
recomenda analisar o saber particular de cada agrupamento de estudantes, 
porque esse saber expressa certas maneiras de agir, de sentir, de falar e de 
ver o mundo. 
Na visão da Sociologia Crítica não há uma cultura unitária, homogênea; 
a cultura é um terreno contraditório onde se afrontam diferentes concepções de 
vida social e onde surgem a diversidade cultural e a diferença. O currículo, 
nesse sentido, não tem uma relação com a seleção e organização de 
conteúdos, mas com as experiências socioculturais que fazem da escola um 
ambiente de disputa para se criar e produzir cultura. Quando se pensa um 
currículo, é preciso começar apreendendo as ―significações‖ que os sujeitos 
fazem de si mesmos e dos outros através das experiências compartilhadas de 
vivências, abrindo espaço para o currículo multicultural, currículo em rede etc. 
No domínio dos sistemas de ensino, leva as políticas de integração de 
minorias sociais, étnicas e culturais ao processo de escolarização, opondo-se à 
definição de currículos nacionais. 
 
 
123 
 
Teoria histórico-cultural: os alicerces teóricos da teoria histórico-
social apoiam-se em Vygotsky e seguidores. Nessa direção, a aprendizagem 
resulta da interação sujeito-objeto, em que a ação do sujeito sobre o meio é 
socialmente mediada, conferindo peso significativo à cultura e às relações 
sociais. A atividade do sujeito supõe a ação entre sujeitos, no sentido de uma 
relação do sujeito com o outro. As funções mentais superiores (linguagem, 
atenção voluntária, memória, abstração, percepção, capacidade de comparar, 
diferenciar etc.) são ações interiorizadas de algo socialmente mediado, a partir 
da cultura constituída. Essa abordagem está focalizada na estrutura do 
funcionamento cognitivo em suas interações com as mediações culturais 
(Daniels, 2003). Nos últimos anos, dentro dessa mesma orientação, tem se 
destacado a teoria histórico-cultural da atividade. 
Teoria sociocultural: nesta teoria também se remete a Vygotsky, mas 
coloca destaque na explicação da atividade humana enquanto processo e 
resultado das vivências em atividades socioculturais compartilhadas, mais do 
que nas questões do conhecimento e da apropriação da cultura social. Abrange 
as práticas de aprendizagem como atividade sem situar diretamente em um 
contexto de cultura, de relações, de conhecimento (DANIELS, 2003). 
 
Teoria sociocognitiva: são assentadas em importância as condições 
culturais e sociais da aprendizagem, visando ao desenvolvimento da 
sociabilidade por meio de processos socioculturais. A questão importante da 
escola não é o funcionamento psíquico ou os conteúdos de ensino, mas um 
ambiente educativo organizado, solidário com relações comunicativas, com 
base nas experiências cotidianas, nas revelações da cultura popular. Um 
projeto de escola nessa perspectiva incidiria em criar situações pedagógicas 
interativas para propiciar uma formação democrática e inclusiva, 
(comportamentos solidários, de justiça, de vida comunitária etc.), com 
características mais informais em que se apreciam mais experiências 
socioculturais do que o currículo formal (BERTRAND, 1991). 
 
 
124 
 
Teoria da ação comunicativa: a teoria da ação comunicativa, 
formulada por Habermas está agregada à teoria crítica da educação gerada 
dos trabalhos da Escola de Frankfurt. No agir pedagógico realça a ação 
comunicativa, onde há interação entre sujeitos por meio do diálogo para se 
chegar a um entendimento e cooperação entre as pessoas. Estabelece, assim, 
numa teoria da educação propícia ao diálogo e na participação, visando à 
emancipação dos sujeitos. Encontra pontos de ligação com o pensamento de 
Paulo Freire que exerceu forte influência em autores da Sociologia crítica do 
currículo de procedência norte-americana, como Giroux e Apple. 
 
Correntes “holísticas” 
Tem como denominador comum uma visão ―holística‖ da realidade, isto 
é, a realidade como uma totalidade de integração entre o todo e as partes, mas 
abrangendo diversamente a dinâmica e os processos dessa integração. 
O holismo propriamente dito, do ponto de vista filosófico, compreende a 
realidade como totalidade, em que as partes associam o todo. As partes são 
como unidades que formam o todo, numa unidade orgânica. A visão holística 
significa ter o sentido de total, de conjunto, de inteiro (holos, do grego), em que 
o universo é considerado como uma totalidade formada por dimensões 
interpenetrantes: as pessoas, as comunidades, unidas no meio biofísico. Há 
indistinção entre sujeito observador e o objeto. Para Bertrand e Valois (1994), a 
pessoa une-se a todas as outras pessoas, a todas as consciências, para 
constituir um ―nós‖, no sentido de simbiose. 
 Disso resulta uma ação em comum, em que as forças criativas de 
cada um e de todos tendem na ação. A consciência de uma totalidade cósmica 
leva os holistas a buscarem um equilíbrio dinâmico entre o Homem e o seu 
meio biofísico, a convivência entre as pessoas, a preservação ambiental e a 
denúncia de todas as formas de destruição da natureza, a união das pessoas e 
da natureza no todo. O projeto educativo visa conscientizar de que as pessoas 
pertencem ao universo e que o desenvolvimento da espécie humana depende 
de um projeto mundial de preservação da vida. A educação holística não rejeita 
 
125 
 
o conhecimento racional e outras formas de conhecimento, mas insiste em 
considerar a vida como uma totalidade em que o todo se encontra na parte, 
cada parte é um todo, porque o todo está nela. Daí que a consciência da 
pessoa só pode ser comunitária, ecológica e cósmica (BERTRAND; VALOIS, 
1994). 
O pensamento complexo (teoria da complexidade): é uma 
abordagem metodológica dos fatos em que se apreende a complexidade das 
situações educativas, em aversão ao pensamento simplificador. A 
inteligibilidade complexa, ou o pensar mediante a complexidade, significa 
apreender a totalidade complexa, abrindo um diálogo entre diferentes modelos 
de análise, diversasvisões das coisas. Isso leva à cooperação interdisciplinar, 
ao intercâmbio de alteridades, mas a procura de inter-relações não significa 
classificar a realidade. Denota buscar a desordem, a incongruência e incerteza. 
Coloca dúvidas sobre o que é a verdade, o que é a realidade empírica, de 
maneira a considerar os vários lados da situação. 
 Segundo Morin (2005), nos informa que a teoria científica não é o 
espelho do real, é uma edificação do espírito que se encoraja para apreender o 
real. As teorias científicas são fabricações do espírito, são percepções do real, 
são sociais, surgem de uma cultura. Elas carregam a incerteza, o imprevisto. 
Essas ideias nos põem frente a uma prática pedagógica nada prescritiva, nada 
disciplinar. Já que não existe nada que seja definitivamente científico, seguro, 
precisamos dialogar com a dúvida, com o imprevisto. Pensar por complexidade 
é usar nossa racionalidade para juntar coisas separadas, para aumentar nossa 
liberdade de fazer o bem e evitar o mal. Aplicado à pedagogia, o pensamento 
complexo implica a integração no ato pedagógico de múltiplas dimensões, o 
que requer o diálogo com várias orientações de pensamento, reconhecendo 
que nenhuma teoria pedagógica é capaz, isoladamente, de atender as 
necessidades educativas sociais e individuais. 
A teoria naturalista do conhecimento: essa teoria, desenvolvida por 
autores como Varela e Maturana, e por brasileiros como Hugo Assmann, 
entende que o conhecimento humano está ligado ao plano biológico, 
bioindividual e biossocial. Essa teoria se contrapõe a uma visão mentalista do 
 
126 
 
sujeito e da consciência, assegurando a mediação corporal dos processos de 
conhecimento. Nossa consciência não é dominadora, não somos donos do 
nosso destino, pois há ―mediações auto organizativas da corporeidade 
individual e das mediações sócio organizativas‖ que fogem de nossas 
intenções conscientes. 
Por isso, segundo Assmann (1996), a pedagogia dos saberes pré-
fixados deve ser suprida por uma pedagogia da pergunta, do melhoramento 
das perguntas e do acesso de informações, por uma pedagogia da 
complexidade, que saiba trabalhar assuntos transversais, acessíveis para o 
inesperado. A teoria da corporeidade, desenvolvida por esse autor, propõe uma 
visão nova do conhecimento em que a partida é a intensa identidade entre 
processos vitais e processos de conhecimento. 
Ecopedagogia: é uma pedagogia que promove a aprendizagem a 
partir da vida cotidiana; é no diário que se constrói a cultura da 
sustentabilidade, a cultura que valoriza a vida, que promove a estabilização 
dinâmica entre seres viventes e não viventes (Gutiérrez, 1999). Os princípios 
da ecopedagogia acentuam a unidade de tudo o que existe, a inter-relação e 
auto-organização dos diferentes ecossistemas, a importância do global e do 
local, na perspectiva de uma cidadania planetária, a centralidade do ser 
humano no processo educativo e a intersubjetividade, a educação voltada para 
a vida cotidiana. 
O conhecimento em rede: a ideia fundamental da corrente do 
conhecimento em rede é de que os conhecimentos disciplinares, assentados 
na visão moderna de razão, devem abdicar lugar aos conhecimentos tecidos 
em redes relacionadas à ação diária. O conhecimento se constrói socialmente, 
não no sentido de absorção da cultura anteriormente acumulada, mas no 
sentido de que ele insurge nas ações cotidianas, rompendo-se com a 
separação entre conhecimento científico e conhecimento cotidiano. Há um 
atrelamento do conhecimento com a prática social, que se diferencia pela 
multiplicidade e complexidade de relações em meio das quais se criam e se 
trocam conhecimentos numa constante interação. O conhecimento surge, 
então, das redes de relações em que as pessoas dividem significados. Com 
 
127 
 
isso, são extintas as fronteiras entre ciência e senso comum, entre 
conhecimento válido e conhecimento cotidiano. A escola é um espaço e tempo 
de semelhanças múltiplas entre múltiplos sujeitos com saberes múltiplos, que 
aprendem e ensinam o tempo todo, múltiplos conteúdos de múltiplas maneiras 
(Alves, 2001). 
 
Correntes “Pós-Modernas” 
As correntes ―pós-modernas‖ não se sentem confortáveis em se 
autodenominar como pedagogias, assim, como recusam as classificações. 
Contudo, figuram aqui porque boa parte das publicações de autores brasileiros 
tem sido brotadas a partir do campo da educação e devido ao fato de serem 
acolhidas pelo campo científico da educação. Por essa razão, as correntes 
pós-críticas podem ser abrangidas como uma ―pedagogia‖ já que influenciam 
as práticas docentes, mesmo pela sua negação. Elas se formam a partir das 
críticas às concepções globalizantes do destino humano e da sociedade, isto é, 
assentadas na razão, na ciência, no progresso, na autonomia individual. 
Atualmente não existem aquelas crenças na transformação social, 
baseados na formação da consciência política, na ideia de que a história tem 
uma finalidade, que caminhamos para uma sociedade mais justa etc., tudo isso 
não tem mais muito embasamento, porque foi dessas ideias que nasceram os 
problemas mais excessivos da nossa época como a perda do poder do sujeito, 
a docilidade às estruturas, a exploração do trabalho, a deterioração ambiental 
etc. Não há direitos universais abstratos, mas direitos e vozes de cada grupo 
cultural, de cada comunidade. Hoje, existe muitas linguagens reservadas que 
são as que interessam: a cultura local, o feminismo, o pacifismo, a ecologia, o 
negro, o homossexual. Ou seja, não há mais uma consciência unitária, não há 
uma referência moral, teórica, na qual se repouse o desenvolvimento da 
consciência. 
O pós-estruturalismo: a influência do pós-estruturalismo na educação 
nasce principalmente pela exposição do pensamento de Michel Foucault sobre 
as relações entre o saber e o poder nas instituições educativas. O sistema 
 
128 
 
educativo enquanto força cria um saber que exerce um controle sobre as 
pessoas, já que sua ação é formar o sujeito da modernidade, isto é, o sujeito 
dependente, disciplinado, contido ao poder do outro. O saber está afetado com 
o poder, sendo que essas relações de poder estão onipresentes, cumpridas 
nas mais variadas instâncias como a família, a escola, a sala de aula. Sendo 
assim, a pedagogia será desconstrutiva dos discursos e não construtiva. 
O papel do professor muda, ele não pode mais ser aquele que forma a 
consciência crítica, que manuseia as subjetividades dos estudantes. A partir de 
temas centrais como o poder, a linguagem e a cultura, o pós-estruturalismo 
debate questões como a identidade/diferença, a subjetividade, os significados e 
as práticas discursivas, as relações gênero-raça-etnia-sexualidade, o 
multiculturalismo, os estudos culturais e os estudos feministas (Silva, 2004). É 
com base em averiguações e análises ligadas a esses temas que as correntes 
pós-críticas aparecem nas estratégias pedagógico-didáticas nas escolas. 
O neopragmatismo: está associada à virada linguística: pragmática 
iniciada por filósofos ligados à Filosofia Analítica, seu principal representante é 
Rorty. Em oposição à tradição positivista do conhecimento, valoriza no 
processo educativo as experiências pessoais do indivíduo, a interação 
dialógica em uma conversa aberta, contínua, duradoura. Doll Jr. (1997) escreve 
com base em Rorty que, ao contrário de uma busca de fundamentos, devemos 
avaliar os aspectos particulares das situações, nas quais não há nenhum início 
e nenhum fim constituído. Não se trata de buscar a verdade estabelecida, mas 
de criar significados nas interações dialógicas pessoais com os outros, com as 
histórias e textos. 
O diálogo com outros é nossa única fonte de orientação, ele é o 
contexto básico para compreender o conhecimento. É, através da experiência, 
pela conversação, que os participantes fazem escolhas lógicas, que são 
pessoais, históricas, ligadas a uma situação concreta.O mesmo Doll Jr. 
denomina essa atitude de epistemologia experiencial, em que o currículo é 
entendido como processo, em que os sujeitos criam e recriam a si próprios e a 
sua cultura, em contextos de conversação, de troca de narrativas, de forma a 
 
129 
 
compreender como os outros constroem seus significados a partir de sua 
vivência em contextos culturais, linguísticos, interpretativos. 
Um agir pedagógico apontado nessa corrente abandona imposições, 
apreciando as atitudes dos professores em suas ações e interações baseadas 
no diálogo; o currículo como processo que propicia a transformação pessoal, 
com base na experiência que o estudante vivencia ao aprender, ao transformar 
e ao ser transformado; indica a discussão de problemas humanos ―edificantes‖, 
envolvendo a solidariedade, a diferença, visando experiências transformativas 
nas pessoas. 
Em síntese, o neopragmatismo apresenta uma visão de conhecimento 
e de construção humana em que se supera uma visão individualista, estática, 
substituída por outra de caráter dialógico, comunicativo, de compartilhamento 
com os outros, alcançada no mundo prático onde o conhecimento é produzido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
130 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
131 
 
Explicando melhor com a pesquisa 
 
Caro estudante, convidamos você a obter mais conhecimento 
realizando a leitura dos artigos abaixo: 
 
O presente artigo “Althusser: A Escola como aparelho ideológico 
de Estado‖ desenvolve uma reflexão sobre a escola como o aparelho 
ideológico de Estado capitalista, que influência nas formações sociais 
modernas. 
 
O artigo ―O Pensamento Pedagógico Moderno: algumas reflexões 
sobre a educação, a ciência do Homem laico e universal‖, tem o objetivo de 
demonstrar as relações históricas sociais do pensamento pedagógico moderno, 
pois a história das ideias pedagógicas associa-se a ideia de progresso pela 
educação como fator de desenvolvimento social dando ênfase a inclusão dos 
indivíduos. 
 
O presente artigo ―O Iluminismo Pedagógico de Rousseau” aborda 
alguns traços do pensamento de Rousseau no contexto iluminista e também 
aborda como ele se insere no movimento iluminista de sua época e que tipo de 
iluminista sustenta. 
 
Também sugerimos que faça a leitura da CARTA DA 
TRANSDISCIPLINARIDADE, que foi elaborada no Primeiro Congresso 
Mundial da Transdisciplinaridade em Portugal, e reflita a partir da desta, a sua 
compreensão sobre educação e a possibilidade de realizá-la nessa 
perspectiva. 
http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2007/anaisEvento/arquivos/CI-204-05.pdf
http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2007/anaisEvento/arquivos/CI-204-05.pdf
http://www.ia.ufrrj.br/ppgea/conteudo/conteudo-2008-2/2SF/Lia/Pensamento%20Pedag%F3gico.pdf
http://www.ia.ufrrj.br/ppgea/conteudo/conteudo-2008-2/2SF/Lia/Pensamento%20Pedag%F3gico.pdf
http://rousseaustudies.free.fr/articleailluminismopedagogico.pdf
http://forumeja.org.br/df/files/carta.trans_.pdf
http://forumeja.org.br/df/files/carta.trans_.pdf
 
132 
 
Leitura Obrigatória 
 
Sugerimos que você leia a obra de Tardif e Lessard cujo tema é “O 
trabalho docente: elementos de uma teoria da docência 
como profissionais de interações humanas”. Para os 
autores dessa obra o processo educacional depende 
essencialmente da interação entre os envolvidos, seus 
trabalhos e seus respectivos papéis neste contexto que 
constituem a perspectiva de eficiência de ensino. 
 
TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude. O trabalho docente: elementos de 
uma teoria da docência como profissionais de interações humanas. 5.Ed. 
Petrópolis: Vozes, 2009. 317 p. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
133 
 
Pesquisando na Internet 
 
Prezado estudante, você é convidado a buscar na Internet uma 
investigação referente o assunto estudado nesta disciplina para ampliar 
seu conhecimento. Faça uma pesquisa norteada pela seguinte 
pergunta: O que vem a ser multiculturalismo progressista? 
 
Guia de Estudo: 
Após a sua pesquisa faça uma síntese do assunto e discuta com seus 
colegas. 
 
Caríssimo estudante, pesquise sobre a Didática na relação professor e 
estudante, destacando as tendências e atitudes, traçando um paralelo entre as 
tendências educacionais. 
A teoria do conhecimento de Jean Piaget sustenta-se na tese de que o 
conhecimento é um produto da atividade e, só pode ser concebido como 
conhecimento de uma pessoa, ou seja, cada pessoa constrói o seu próprio 
conhecimento, isso constitui a principal base para a pedagogia denominada 
construtivismo. Faça uma pesquisa baseada no Construtivismo, pós-
modernidade e decadência ideológica. 
 
Guia de Estudo: 
Após a pesquisa, reflita como você percebe a questão metodológica do 
professor a partir da abordagem construtivista. E como o professor pode 
provocar no estudante a capacidade de autonomia e construção do 
conhecimento? Após a pesquisa disponibilize no Ambiente Virtual de 
Aprendizagem – AVA. 
 
134 
 
Saiba mais 
 
Vamos Refletir na Prática. São trechos da entrevista que a educadora 
portuguesa Isabel Alarcão concedeu a Nova Escola, em São Paulo, onde a 
educadora confirma que o questionamento deve ser à base do trabalho de 
todos os professores. 
O tema chama a atenção de Isabel Alarcão desde o início da década de 
1990, quando conheceu os estudos do americano Donald Schön. Ele defende 
que os profissionais façam o questionamento sobre situações práticas como 
base de sua formação. "Só assim, nos tornamos capazes de enfrentar 
situações novas e de tomar decisões apropriadas." Vale a pena conferir! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://docs.google.com/document/d/15sk0z0iKvo9MtJwbKFMBAqi7bdlquMQOg50NlleYaZY/edit?hl=pt_BR&pli=1
 
135 
 
Vendo com os olhos de ver 
 
Sugerimos que assista ao vídeo Portal Cameraweb CCUEC Aula 7 
Escola como Aparelho Ideológico do Estado Luuis Althusser. 
 
Assista também ao vídeo História da Educação Romana, você irá 
entender a divisão da Educação Romana em três períodos, o primeiro período 
desde a Fundação de Roma à conquista da Grécia, o segundo período que vai 
desde à conquista da Grécia ao reinado de Adriano e o terceiro período greco-
romano que vai do reinado de Adriano ao ano 200 d.c. 
 
Propomos que assista ao vídeo “O Positivismo”, no qual Comte em 
sua teoria denominado Positivismo pretendeu realizar por meio da ciência uma 
reforma social afirmando que a sociologia é a única ciência capaz de reformar 
a sociedade. 
 
Propomos também que assista ao vídeo “Escola Nova”, neste você 
observará a partir das ideias de Dewey que a Escola Nova renovou o 
pensamento sobre a educação e sua prática, estabelecendo as bases 
filosóficas e que reformulou uma ideia do que é educação. 
 
Para fixar as ideias presentes nas unidades de estudo, 
indicamos os filmes abaixo, pois refletem o testemunho do 
tempo ao qual se reporta, como documento de grande 
importância na análise histórica. 
Escritores da Liberdade, nas páginas de diários de 
estudantes que vivem em meio ao caos urbano, por causa 
da discriminação racial e preconceitos, uma professora idealista, Erin Gruwell 
https://www.youtube.com/watch?v=cZJw_EEOqg8
https://www.youtube.com/watch?v=M1AL8nGFDRk
https://www.youtube.com/watch?v=WJrFGrVQjf4
https://www.youtube.com/watch?v=Lr5xe2LXoqs
 
136 
 
(Hilary Swank), tenta mudar o ambiente na sala-de-aula, não ensinando 
somente o conteúdo de uma matéria específica, mas também tenta lecionar 
lições de vida a seus estudantes, que aprendem ser cidadão. Para concretizar 
seus planos, Erin Gruwell, terá que revolucionar o ambiente escolar, e para 
isso, passará por cima da burocrática e conservadora diretora da escola, 
Margaret Campbell (Imelda Staunton) e abrirá mão de sua vida pessoal para 
com seu marido Scott Casey (Patrick Dempsey). O filme é baseado na história 
real dos estudantes e da Professora Erin Gruwell, relatados no aclamado best-
seller, “ODiário dos Escritores da Liberdade”. 
Escritores da Liberdade. Direção e Roteiro: Richard LaGravenese. Alemanha 
e Estados Unidos. Duração: 122 min. Gênero: Drama. Dublado, 2007. 
 
Sociedade dos Poetas Mortos, em 1959, na Welton 
Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-
aluno (Robin Williams), se torna o novo professor de 
literatura, mas logo seus métodos de incentivar os 
estudantes a pensarem por si mesmos, cria um choque 
com a ortodoxa direção do colégio, principalmente 
quando ele fala aos seus estudantes sobre a 
"Sociedade dos Poetas Mortos". 
 
Sociedade dos Poetas Mortos. Direção: Peter Weir. Roteiro: Tom Schulman. 
Estados Unidos. Duração: 2h 9min. Gênero: Drama. Dublado, 1989. 
 
Estudo Guiado 
Elabore um quadro resumo com os processos pedagógicos abordados nos 
filmes “Escritores da Liberdade” e “Sociedade dos poetas mortos”, 
comparando aos processos pedagógicos da pedagogia tradicional. Justifique o 
êxito de tais processos relatados nos filmes. 
 
137 
 
Revisando 
Vimos no decorrer de nossa primeira unidade de estudo os 
pensamentos pedagógicos: Greco, Romano, Medieval, Renascentista, 
Moderno, Iluminista, Positivista, Socialista, Escolanovista Antiautoritário e 
Crítico. 
O mundo grego foi rico em intenções pedagógicas, Pitágoras estudou a 
matemática e sua afinidade com o universo; Sócrates dedicou-se a retórica e 
na linguagem; Xenofontes foi a primeira a refletir a educação para mulheres, 
apesar de restrita a conhecimentos caseiros e de importância do esposo. 
Platão defendia que conhecer é lembrar, e que o homem, ao encontrar 
o objeto do saber, tem condições de reconhecê-lo, uma vez que ele já está 
impresso em sua alma. 
Sócrates acreditava que o autoconhecimento é o inicio da abertura do 
verdadeiro saber. Defensor de um diálogo vivo e amigo com seus discípulos. 
Ele realizou uma reviravolta na história humana. A filosofia se preocupava em 
explicar o mundo com base na observação das forças da natureza. Com 
Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. Ele se preocupou em levar 
as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem. 
Sócrates defendia o diálogo como método de educação, considerava 
muito importante o contato direto com os interlocutores. Para ele o papel do 
educador é ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua 
cooperação para que ele consiga por si próprio "iluminar" sua inteligência e sua 
consciência. 
Aristóteles acreditava que a educação era o caminho para uma vida 
pública, cabendo a ela a formação do caráter do aluno. Via virtude como modo 
de educar para viver bem prazerosamente. Tinha o Estado como o único 
responsável pelo ensino. Defendia a ideia de que a criança aprende com o ato 
de imitar os bons hábitos do adulto. Para ele o ser humano só será feliz se der 
sua melhor contribuição ao mundo, se desfrutar suas condições necessárias 
para desenvolver os talentos. 
Em relação ao pensamento pedagógico romano o trabalho manual era 
desvalorizado enquanto o trabalho intelectual era valorizado. Os educadores 
 
138 
 
procuravam formar o cidadão capaz de pensar corretamente e se expressar 
com convicção. O homem era formado para servir a Pátria e as mulheres aos 
afazeres do lar. 
 
No pensamento pedagógico Medieval vimos que ao contrário dos 
cristãos, os árabes não almejavam truncar a cultura grega, e então se inicia 
um novo tipo de vida intelectual, chamada escolástica que busca harmonizar a 
razão histórica com a fé cristã. 
No pensamento pedagógico Renascentista a educação organizou a 
formação do homem burguês e a educação não atingiu as massas populares. 
Caracterizava-se pelo elitismo, aristocratismo, individualismo liberal. Abrangia 
principalmente, o clero, a nobreza e a burguesia. 
Quanto ao pensamento pedagógico Moderno René Descartes 
escreveu sobre os passos para o estudo e a pesquisa e recriminou o ensino. 
Comênio foi respeitado como grande educador moderno e um dos maiores 
reformadores sociais da época. Foi o primeiro a sugerir o sistema articulado de 
ensino e defendeu que a educação deveria ser permanente, acontecer durante 
toda a vida do homem. 
O pensamento pedagógico Iluminista Jean Jacques Rousseau 
desempenhou a relação entre educação e política com o tema na infância na 
educação. Sempre defendendo o desenvolvimento da criança e sendo o 
criador do jardim da infância. 
No pensamento pedagógico Positivista Augusto Comte e Karl Marx 
foram dois expoentes, a tendência cientificista ganhou força na educação como 
desenvolvimento da sociologia em geral, e da sociologia da educação. Um dos 
principais teóricos da sociologia da educação foi Emile Durkheim. 
No pensamento pedagógico Socialista os princípios da educação 
pública socialista foram proclamadas por Marx e Engels e desenvolvidos por 
Lênin. 
No pensamento pedagógico Escolanovista John Dewey foi o primeiro 
norte-americano a formular o novo ideal pedagógico, afirmando que o ensino 
 
139 
 
deveria ser pela ação e não pela instrução, por uma experiência ativa, concreta 
e produtiva. 
No pensamento pedagógico Antiautoritário o educador espanhol Ferrer 
Guardia foi fundador da escola moderna, racionalista e libertária, crítico da 
escola tradicional e apoiador do pensamento iluminista. 
No pensamento pedagógico crítico destacarão o teórico Louis 
Althusser e os sociólogos Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron 
influenciadores do pensamento pedagógico brasileiro na década de 70. Foram 
chamados de críticos reprodutivistas, por demonstrarem que a educação reflete 
a sociedade. Formularam as seguintes teorias: Althusser, a teoria da escola 
enquanto aparelho ideológico do Estado; Bourdieu e Passeron, a teoria da 
escola enquanto violência simbólica. 
Na segunda unidade de estudo vimos que o pensamento pedagógico 
brasileiro foi perpassado por movimentos de lutas políticas em busca da 
educação pública de qualidade, de novo métodos, da luta pela 
redemocratização da educação, pela busca da valorização da educação 
popular. 
O pensamento pedagógico contemporâneo foi representado por 
pedagogos humanistas e críticos que defendiam uma concepção dialética da 
educação. Já os defensores da educação progressista defenderam a formação 
de um cidadão crítico e participante da mudança social. 
Na atualidade, estamos vivenciando crises de paradigmas em todos os 
campos da ciência, cultura e sociedade, tornando a educação permanente. A 
educação pós-modernismo é marcada pelo avanço da tecnologia eletrônica, da 
automação e da informação, que causam a perda de identidade nos indivíduos 
ou até a desintegração. 
Na terceira unidade de estudo vimos que atualmente, vivemos em 
intenso desafio à lógica disciplinar e sistematização dos conteúdos. Faz-se 
necessário o diálogo para construção de saberes docentes e discentes. A 
sociedade é complexa e a escola mostra-se como locais onde vários 
 
140 
 
fenômenos sociais e diversas maneiras e concepções de mundo são 
vivenciados e trabalhados. 
A nova tendência em educação é transformar o sistema educacional 
monocultural em multicultural. Nesse sentido a interdisciplinaridade poderá 
contribuir para a interligação dos saberes. 
A escola deve trabalhar no sentido de buscar a formação de 
identidades abertas à pluralidade cultural, na perspectiva de uma educação 
para cidadania, respeitando as relações interpessoais, as diferenças. 
No entanto, deve considerar os diversos saberes científicos e não-
científicos e criar diálogos entre eles, para que possamos construir novos 
saberes que possam ser mais bem compreendidos e praticados. 
Para darmos respostas a formação do novo cidadão desse século, a 
escola deve estar comprometida em propiciar diversas linguagens e 
manifestações culturais. 
Segundo Boa Ventura, a dicotomia entre o saber moderno e o saber 
tradicional, explica as mudanças na hierarquia entre saber científico e não-
científico,onde cada uma delas tem expressado uma extensão de dominação, 
uma diferença epistemológica que não reconhece em pé de igualdade e 
favorece a marginalidade e situações de exclusões sociais. 
Na quarta unidade de estudo aprendemos que a Teoria da Educação é 
uma ciência que busca os valores e os limites da educação, como processo de 
edificação e de libertação do ser humano. Nesse contexto, as teorias da 
educação são formadas por concepções pedagógicas, que segundo Cabanas 
(2002), envolvem três níveis: filosófico, sociológico e pedagógico. 
Nos estudos sobre a pedagogia, verificou-se que a educação era situada 
no professor, porém, com as transformações ocorridas, o estudante torna-se o 
núcleo do ensino e da aprendizagem. 
Contudo, o espaço da Pedagogia no âmbito de ciência está presente em 
todo contexto social, não unicamente na escola. 
 
141 
 
Nesse cenário de mudanças e evolução na educação deu-se origem a 
didática, como disciplina dos cursos de formação de professores a nível 
superior. 
O enfoque da Didática teve importante contribuição, pois, foi a partir dos 
pressupostos da pedagogia crítica, que se trabalhou para ir além, dos métodos 
e técnicas, procurando associar escola e sociedade, teoria e prática, conteúdo 
e forma, técnico e político, ensino e pesquisa, professor e estudantes. 
Durante o estudo das unidades, percebemos que a prática pedagógica 
do professor está vinculada ao modo do mesmo perceber e atuar em sala de 
aula e de sua compreensão de mundo. 
Alguns autores citados acreditam que o conhecimento pode e vem da 
prática, mas não tem como situá-lo unicamente nisto. Dizer que o professor 
deve ser reflexivo não é mais novidade. Devemos elevar a discussão ao campo 
da práxis, onde teoria e prática constituem processos indissociáveis na qual a 
reflexão é de fundamental importância para o aprimoramento da ação 
pedagógica do professor. Ser reflexivo é ir para além, da descrição do que se 
fez em sala de aula. É ter a capacidade de questionamento sobre a sua própria 
ação em sala. 
Outro ponto importante discutido nas unidades foi sobre a análise das 
tendências a partir da formação dos professores no tempo histórico, entre os 
anos 1930 a 1980. Daí, percebemos o quanto as relações econômicas e 
políticas determinaram os caminhos pedagógicos na história da educação. 
Assim, a compreensão das concepções e abordagens de aprendizagem 
se constitui em importante ferramenta para intervenções que ajudam os 
estudantes a aprender significativamente. Essas concepções de aprendizagem 
podem ser definidas como os significados que os fenômenos da aprendizagem 
possuem para os estudantes. 
As abordagens de aprendizagem são compostas por concepções de 
motivações e de estratégias utilizadas por educandos para realização do 
estudo. Podem ser definidas como uma forma de se relacionar com os 
processos e produtos de uma aprendizagem. 
 
142 
 
Não poderíamos deixar de considerar o quanto os efeitos de sentidos 
produzidos pela formação técnico-científica têm contribuído na redefinição de 
processos de identificação no processo de ensino-aprendizagem. A nova forma 
de ensino, não presencial, nos dá certa indefinição como novos processos de 
identificação presentes nessa modalidade funcionarão com seus significados 
nos processos formativos do estudante. Dessa forma, foram discutidas 
algumas considerações relevantes das diferentes abordagens teóricas do 
processo de ensino e aprendizagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
143 
 
Autoavaliação 
 
1. Ler o artigo no link abaixo para discussão das questões a seguir e responda 
as questões abaixo: 
Introdução: Para ampliar o cânone da ciência: a diversidade epistemológica do 
mundo. <http://www.ces.uc.pt/publicacoes/res/pdfs/IntrodBioPort.pdf>. 
a) O que é epistemicídio? 
b) Explique a crise epistemológica da ciência moderna. 
c) O que vem a ser multiculturalismo progressista? 
d) Explique de que forma os europeus (ciência moderna) construíram a 
natureza como algo exterior à sociedade. 
e) A partir do texto de Boaventura, você concorda que a ciência não seja 
neutra? ―A formulação das hipóteses, a seleção das abordagens, as 
linguagens e imagens utilizadas para a realização e interpretação dos 
resultados da investigação são inseparáveis das influências culturais 
que os cientistas incorporam e que as instituições e políticas científicas 
contribuem para reproduzir ou transformar‖. 
f) A partir do texto de Boaventura, você consegue relacionar Direito, 
ciência moderna, poder e dominação? 
 
2. Aristóteles acreditava que educar para a virtude era também um modo de 
educar para viver bem – e isso queria dizer, entre outras coisas, viver uma 
vida prazerosa. No mundo atual, nem sempre se vê compatibilidade entre a 
virtude e o prazer. Ainda assim, você acredita que seja possível 
desenvolver em seus alunos uma consciência ética e, ao mesmo tempo, a 
capacidade de apreciar as coisas boas da vida? 
 
3. Ao eleger o diálogo como método de investigação, Sócrates foi o primeiro 
filósofo a se preocupar não só com a verdade mas com o modo como se pode 
chegar a ela. Eis por que ele é considerado por muitos o modelo clássico de 
http://www.ces.uc.pt/publicacoes/res/pdfs/IntrodBioPort.pdf
 
144 
 
professor. Quando você prepara suas aulas, costuma levar em conta a 
necessidade de ajudar seus alunos a desenvolver procedimentos para que 
possam pensar por si mesmos? 
 
4. Platão acreditava que, por meio do conhecimento, seria possível controlar os 
instintos, a ganância e a violência. O acesso aos valores da civilização, 
portanto, funcionaria como antídoto para todo o mal cometido pelos seres 
humanos contra seus semelhantes. Hoje poucos concordam com isso; a causa 
principal foram as atrocidades cometidas pelos regimes totalitários do século 
20, que prosperaram até em países cultos e desenvolvidos, como a Alemanha. 
Por outro lado, não há educação consistente sem valores éticos. Você já 
refletiu sobre essas questões? Até que ponto considera a educação um 
instrumento para a formação de homens sábios e virtuosos? 
 
5. Qual a sua concepção de educação permanente nesta atualidade? Porque ela 
surgiu? 
 
6. Você consegue relacionar teorias pedagógicas com a didática do professor? 
Explique. 
 
7. De que forma a cultura influência na prática pedagógica do professor e na 
aprendizagem do aluno em sala de aula? 
 
8. Qual a importância da interdisciplinaridade para o aprendizado do aluno? 
 
9. Analise a ação pedagógica da professora no filme “Escritores da Liberdade”, 
a partir dos estudos teóricos dessas unidades de estudo. 
 
10. Desenvolva criativamente uma apresentação lúdica, expondo a profissão do 
professor em sua didática e envolvendo as características fundamentais em 
sua prática docente, como possibilidade de construção de saberes 
significativos. 
 
 
145 
 
 
11. Qual a importância do diálogo e da reflexão na prática docente? Faça uma 
análise do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. 
 
12. Descreva os tipos de abordagens pedagógicas que você conheceu no estudo 
desta unidade, cite os autores que aprofundaram o assunto e relate o tipo que 
você mais identifica na realidade do ensino em nosso país. 
 
13. Construa, de forma criativa, uma situação entre professor e educando. 
Respeitando os pilares da educação e utilizando um tipo de abordagem 
educacional discutida no decorrer deste livro. 
 
14. Construir um mapa conceitual de cada Unidade de Estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
146 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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