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1 TEORIA DA EDUCAÇÃO 2 3 Rita de Cássia Marques Costa Marcos Adriano Barbosa de Novaes Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca TEORIA DA EDUCAÇÃO 4 5 Sumário Apresentação do Professor Sobre o autor Trocando ideias com os autores Problematizando Unidade de Estudo I: A História e o pensamento pedagógico Uma cronologia das ideais dos pensadores: Evolução da Educação versus Evolução da Sociedade. O Pensamento Pedagógico Oriental: Lao – Tsé e Talmude O Pensamento Greco: Sócrates, Platão e Aristóteles O Pensamento Romano Principais Educadores Romanos Pensamento Medieval Pensamento Renascentista Pensamento Moderno Pensamento Iluminista Pensamento Positivista Pensamento Socialista O Pensamento Escolanovista (A Escola Nova) O Pensamento Antiautoritário O Pensamento Crítico Unidade de Estudo II: O Pensamento Pedagógico do terceiro mundo: novas possibilidades na educação 6 O Pensamento Pedagógico Brasileiro A Educação Permanente Unidade de Estudo III: A Pluralidade dos modos de conhecimento: Democratizando a ciência Unidade de Estudo IV: Uma análise sobre as Teorias da Educação Conceituando as Teorias da Educação Espaço formativo no contexto da Educação contemporânea O surgimento da pedagogia Pontos de destaque Tendências Pedagógicas Abordagem Tradicional Abordagem Comportamentalista Abordagem Humanista Abordagem Cognitivista Abordagem Sociocultural Síntese: as concepções e Tendências da Educação Unidade de Estudo V: A interface entre as Teorias Modernas, Contemporâneas e Pós-Modernas A Pedagogia e suas exigências em o mundo de mudanças. Teorias Pedagógicas Modernas e Pós-Modernas O contexto ―Pós- Moderno‖ e os impactos na Educação Um esboço das teorias e correntes pedagógicas contemporâneas A corrente racional-tecnológica A corrente neocognitivista 7 Teorias Sociocríticas Correntes ―holísticas‖ Correntes ―Pós-Modernas‖ Explicando melhor com a pesquisa Leitura Obrigatória Pesquisando na Internet Saiba mais Vendo com os olhos de ver Revisando Autoavaliação Bibliografia Bibliografia Web Vídeos 8 9 Apresentação do Professor Olá, sejam bem-vindos! A Teoria da Educação abrange as concepções dos espaços formativos que permeiam o cotidiano de nossas escolas. No cenário educacional vem se fazendo confusão entre os termos ―ciências da educação‖ e ―Pedagogia‖. Mas do ponto de vista epistemológicos são diferentes. Cabanas (2002) diz o que chamamos de ―Teoria da Educação‖ é a ―Pedagogia‖ enquanto ciência. Como a educação tem sido por algum tempo centrada no professor denominada educação tradicionalista, houve a necessidade de uma pedagogia nova, capaz de tornar a prática da educação mais dinâmica e eficaz, trazendo a exigência de maior sistematização de conhecimento, esboçando uma nova maneira de interpretar a educação. Este material irá trazer variados pensamentos pedagógicos do primeiro e terceiro mundo bem como suas teorias e as possibilidades na Educação, você terá uma visão sobre a pluralidade educacional na atualidade, realizando uma análise comparativa entre a modernidade e pós-modernidade no aspecto democrático da ciência. A disciplina propiciará a você um aprendizado prazeroso; nela serão abordados temas relacionados ao conhecimento e às formulações das teorias construídas em diversas épocas históricas. Abordaremos as Teorias da Educação, analisando e conceituando os diversos pensamentos de autores que participaram e contribuíram para o formato da educação no país. Você terá a oportunidade de estudar sobre as tendências pedagógicas e seus pressupostos de aprendizagem. Para tanto, devemos revelar a multidimensionalidade que envolve o fenômeno educativo, as diversas abordagens e tendências pedagógicas. 10 Este material lhe mostrará os estudos em Pedagogia na modernidade, e você entenderá como os fatores socioculturais e institucionais se desenvolvem nos processos de crescimento e de transformação dos indivíduos. E em que condições esse sujeito aprende melhor nessa atualidade rica em contradições socioeconômicas. Os autores fundamentais para a realização desse estudo sobre docência e conhecimento foram: Luckesi (1983), Saviani (1985); a partir dos diversos estudos que avaliam e conferem as abordagens do processo de ensino e aprendizagem, podemos enfatizar os trabalhos de Bordenave (1984), Libâneo (1982), Saviani (1984) e Mizukami (1986). Os autores! 11 Sobre o autor Rita de Cássia Marques Costa, mestre em Educação Brasileira, na linha de Movimentos Sociais, Educação Popular e Escola, no Eixo de Estudos Sócio-antropológicos e Políticos da Educação, pela Universidade Federal do Ceará-UFC (2009). Graduada em Pedagogia pela UVA/ Sobral - (2004). Com experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Popular e Extensão Rural, Extensão Social, Educação Ambiental, Desenvolvimento Sustentável, Mobilização Social, Educação e Saúde. Atualmente, está como Assessora Pedagógica da Pró-diretoria de Ensino e Graduação, Coordenadora do SEAD-PRODEG e Presidente da CPA do Centro Universitário – UNINTA. Marcos Adriano Barbosa de Novaes, mestre em Educação e Ensino pelo Mestrado Acadêmico da Universidade Estadual do Ceará (MAIE/FAFIDAM/FECLESC), possui graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) (2013), especialista em Gestão de organizações Sociais. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Política Educacional, atuando principalmente nos seguintes temas: Reforma do Estado e da Educação, Democratização, Educação Superior. Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca, Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias-ULHT. Especialista em Ciências da Educação. Especialista em Educação a Distância. Graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará-UECE. Atualmente atua como Coordenadora Pedagógica da Proedu do Centro Universitário – UNINTA. 12 13 Ambientação à disciplina Caro estudante, Vamos conhecer a disciplina Teoria da Educação I, para que você possa compreender melhor os caminhos que irão percorrer para aprimoramento dessa disciplina. Apresentar através dos períodos históricos e suas tendências considerando as condições sócio -políticas de cada época nos países desenvolvidos. O estudo sobre as Teorias da Educação exige em um primeiro momento o entendimento sobre o que é a teoria da educação. O fato é que temos aquelas teorias que entendem ser a educação um aparelho de alinhamento social, de superação dos problemas da sociedade. Podemos iniciar o estudo compreendendo a sociedade e a educação brasileira a partir do pensamento de Anísio Teixeira. Ele teceu sua compreensão da sociedade e da educação no Brasil, no movimento que ficou conhecido como Escola Nova que o colocou em contato com a cultura erudita. E em um constante diálogo com alguns dos maiores intelectuais brasileiros da época. Dedicou quase meio século de sua vida a pesquisa sobre a gestão de ensino. Naquela ocasião sua vida pública foi movida, por um sonho de materializar um projeto de educação popular. Por este sonho Anísio Teixeira, estudou, escreveu, viajou com o intuito de conhecer outras experiências pedagógicas, debateu no Congresso e em associações diversas as suas propostas de uma educação para todos osbrasileiros. Como as teorias da educação se posicionam perante o fenômeno da escolarização, em pleno século XXI, ainda, é fator determinante de exclusão social? 14 Não pretendia promover apenas uma campanha de ensinar a ler e a escrever, mas compreendia que era urgente promover educação para toda população para o trabalho em que o uso das artes escolares fosse indispensável, bem como para uma forma de governo que exigisse participação consciente, senso crítico, aptidão para julgar e para escolher. A crítica de Anísio Teixeira, por volta do ano de 1958, sobre a seletividade da escola no Brasil, torna-se motivo de reflexão sobre a realidade da educação atual e a sociedade contemporânea. Ainda, existe esta situação na sociedade atual? Para que possamos encontrar respostas é imprescindível se ter esperteza para perceber quais as ideias que estão subjacentes às Teorias da Educação na sociedade do século XXI. A intenção de começamos a partir da reflexão foi resgatar o pensamento de Anísio Teixeira que teve suas bases teóricas construídas a partir do pensamento de John Dewey. O pensador defendia que a concepção de democracia e de mudança social encontra-se situada na criança, mas especificamente na primeira infância. O que culminou na criação do termo pragmatismo. No final da década de 1930, Dewey, lembra aos educadores que a teoria social é um guia metodológico de investigação e de planejamento. Essa prática é o entendimento de múltiplos e simultâneos movimentos de reforma. Esse problema é essencialmente intelectual. Quando se trata de estruturas e de situações específicas de interação que exigem averiguações peculiares e que permita direcionar a nossa compreensão dos problemas, o resultado desse esforço reforça a ligação que há entre a democracia e o pensamento racional. Finalizando, as reflexões iniciais sobre o pensamento de Anísio Teixeira percebemos que as ideias de Dewey forneceram uma leitura da sociedade e da educação e que estas ideias estão ancoradas na própria categoria de reconstrução, isto, permitiu que o educador Anísio Teixeira constituísse sua síntese e entrasse no campo de crítica filosófica moderna. A partir do pensamento de Dewey, Anísio fez uma viagem no mundo de suas concepções para reintegrar o velho e o novo por meio de uma crítica capaz de distinguir, selecionar os elementos fundamentais do momento histórico vivido. 15 Por fim, queremos deixar um pensamento para servir de reflexão durante todos os estudos. A conjuntura da educação contemporânea não é um problema dos que não têm o direito a educação, mas de todos, sobretudo dos próprios profissionais de educação como afirma o autor: “A pedagogia atua apenas sobre o humano. A ela interessa constituir aquele grupo humano com o qual qualquer projeto futuro pode contar.” (GONZAGA TEIXEIRA, 2000, p. 106). 16 Trocando ideias com os autores Caro estudante, agora é o momento em que você vai trocar ideias com os autores das obras indicadas. Sugerimos que leiam a obra Saberes Docentes e Formação Profissional, de Maurice Tardif. O livro apresenta os saberes que fundamentam o trabalho do professor em sala de aula. TARDIF, Maurice. Saberes Docentes e Formação Profissional. 5ª edição. Sugerimos que leia a obra Professores e Professauros: reflexões sobre a sala de aula e as diversas práticas pedagógicas de Celso Antunes. Nesse livro Antunes critica e satiriza o conservadorismo que segundo ele impede uma educação com grandeza. Nos oferecendo sugestões de como os professores podem atuar em sala de aula visando uma aprendizagem consciente. ANTUNES, Celso. Professores e professauros: reflexões sobre a sala e práticas pedagógicas diversas. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2010. Guia de Estudo Após a leitura das obras, esquematize uma comparação entre o pensamento dos autores destacando as teses que eles defendem. 17 Problematizando A prática do professor em sala de aula é influenciada pela experiência de vida deste e pelo discurso pedagógico que ele constrói e utiliza na relação direta com o estudante para transmissão de saberes. Na didática e na comunicação direta com o educando, os educadores, perpassam também, as teorias do conhecimento, da história e da filosofia da educação combinado com a psicologia da educação. E você caro estudante, o que percebe em relação às Teorias da Educação? O ensino de hoje prepara o educando para o mundo? Como trabalhar os saberes no ambiente escolar? Será que existe possibilidade de desenvolver diálogo nos espaços escolares? E os discursos pedagógicos? Estamos usando esses discursos para provocar o processo de ensino e aprendizagem? Guia de Estudo Com base nos questionamentos acima, reflita e discuta com os seus colegas as questões apresentadas. Registre em um texto as opiniões expostas na discussão. 18 19 A História e o pensamento pedagógico 1 20 21 Uma cronologia das ideais dos pensadores: Evolução da Educação versus Evolução da Sociedade. Alguns autores aceitam que a reflexão filosófica auxilia na descoberta de antropologias, ideologias de sistemas educacionais, às inovações, às concepções e práticas pedagógicas. Acredita-se que a educação tem um grande papel no processo de humanização do homem e na transformação social. A teoria educacional visa à formação do homem absoluto. Através dos estudos teóricos dos grandes pensadores da educação podemos entender e enfrentar as possibilidades e os limites educacionais. Segue agora, a explicação dos mais variados e ricos pensamentos pedagógicos para estudo. O Pensamento Pedagógico Oriental: Lao – Tsé e Talmude A prática pedagógica vem antes ao pensamento pedagógico. Este por sua vez nasceu com a meditação sobre a prática educativa, no intuito de sistematizá-la e organizá-la para seus fins educativos. O oriente garantiu os valores da memória, não-violência, da reflexão. Ligou-se a religião na qual enfatizamos: taoísmo, budismo, hinduísmo, judaísmo. A educação primitiva era prática, assinalada por rituais de iniciação e baseada pela visão animista, na qual as coisas tinham alma idêntica a do homem. A educação era natural, não-intencional, aprimorada na oralidade e restringida ao presente próximo. Outra visão é o totemismo religioso, compreensão de mundo que toma qualquer ser, homem, animal, planta como divino e criador do grupo. A este ajuntamento social chamamos de clã. O princípio pedagógico mais antigo foi o taoísmo, que foi uma condição de panteísmo, cujos princípios são abalizados em vida saudável, tranquila, sossegada, quieta. ―Baseando-se no taoísmo, CONFUCIO (551-479 a.C) criou 22 o aparelho moral que acirrava a tradição e o culto aos mortos‖ (GADOTTI, 2005,p.22). A primeira filosofia de vida: A partir daí, o confucionismo modificou- se em religião do Estado até a Revolução Cultural, originada na China por Mao Tsé-Tung, no século XX. O domínio dos pais sobre os filhos era indefinido, o pai representava o próprio imperador em sua casa. Criou-se um sistema de ensino dogmatizado e memorizado, acabou por fossilizar a inteligência e a criatividade. A educação chinesa tradicional visava à cópia de hierarquias, sujeição e submissão ao poder dos mandarins. Ainda, nos dias de hoje, existe uma intenção em resgatar a essência do taoísmo, que é a procura da harmonia e do equilíbrio nesse tempo de desordem e de desumanização. A educação hinduísta também amparava a contemplação e a imitação das castas - classes hereditárias, acirrando o espírito e repudiando o corpo. Os párias e as mulheresnão tinham direito a educação. Os egípcios foram os primeiros a ter consciência da importância da arte de ensinar e foram eles os autores do uso de bibliotecas. Criaram casa de instrução, leitura e escrita, história dos cultos, astronomia, música e medicina. Mas foram os hebreus que mais mantiveram as informações sobre a história, por isso que herdaram ao mundo um conjunto de princípios e tradições que ainda hoje são adotados. A educação hebraica era rigorosa, desde a infância, pregava medo a Deus e submissão aos pais. O método era aprimorado na repetição e revisão do catecismo. A cultura ocidental foi influenciada pelos métodos dos hebreus. Nesse contexto, a educação primitiva ocorreu com características parecidas, conforme Gadotti, assinalada pela tradição de culto aos velhos, ―Esse tradicionalismo pedagógico, foi guiado por tendências religiosas diferentes: o panteísmo do extremo oriente, o teocratismo hebreu, o misticismo hindu, o magicismo babilônico‖ ( 2005, p. 22). Essas doutrinas se estruturaram e desenvolveram em função da sociedade de classes, e a escola como instituição formal, surgiu como resposta 23 à divisão social do trabalho e ao nascimento do Estado, da família e da propriedade privada. Com a divisão social do trabalho, onde muitos trabalham e poucos se favoreceram do trabalho de muitos, brotam as particularidades: funcionários, sacerdotes, médicos, magos... E a escola passa a não ser mais a aldeia e a vida, funcionando como um lugar especializado onde uns aprendem e outros ensinam. A escola que temos hoje apareceu com a hierarquização e a desigualdade econômica, e a história da educação constituiu-se desse alongamento da história das desigualdades econômicas. Nesse sentido o sistema educacional é resultado de um processo histórico, que tem em seu cerne as relações sociais e de produção, que organizaram e organizam a sociedade em grupos econômicos caracterizados e, ainda mais, estabelece uma relação entre classes sociais antagônicas. Dessa maneira, o sistema educacional concretizou-se a partir do momento em que a sociedade se estruturou em classes sociais antagônicas, com o fim da chamada sociedade primitiva. Os interesses e as necessidades da classe social dominante passaram a delimitar o campo da Educação na medida em que passou a servir para a dominação social de poucos sobre muitos, ―Existe entre povos que submetem e dominam outros povos, usando a educação como recurso a mais de sua dominância [...]‖ (BRANDÃO, 2007, p.10). Analisando a origem da escola enquanto instituição, notamos que, ela surge a partir do fato de que a dominação militar e política não surtiam mais os efeitos desejados em uma sociedade, que se tornava cada vez mais complexa e multifacetada. Nesse contexto a escola serve como um aparato de dominação ideológica e intelectual. A educação primitiva tinha atitude solidária, era unitária e integral, única e igual para todos. Com a divisão social do trabalho surge à desigualdade das educações: uma para exploradores e outra para explorados, reprimidos e explorados. [...] A necessidade de se apropriar da atividade intelectual e das técnicas refinadas de produção passou a compor o rol da divisão social do trabalho e, neste sentido, a classe dominante passou a 24 compreender a Educação como elemento fundamental para a manutenção da desigualdade social, uma vez que os conhecimentos científicos e tecnológicos passaram a ser compreendidos como, cada vez mais necessários para o desenvolvimento do sistema produtivo (SOARES, 2004; TONET, 2005 apud GUIZO; EUSÉBIOS FILHO 2005). Então a educação sistemática segundo Guzzo; Euzebios Filho (2005) acaba assumindo como função primordial a manutenção, alienação e promove a alienação social do trabalho, uma vez que a escola serve como espaço estratégico de convivência social, que tem em seu cerne a reprodução da dinâmica da sociedade capitalista e conferindo um saber dogmatizado a partir de um ser elevado e todo-poderoso, causando medo e terror. A educação hebraica, o que prevalecia nessa educação era o idealismo religioso, onde os estudos fundamentavam-se na Bíblia. Todas as matérias estudadas se pautavam com textos bíblicos e das normas morais. O principal manual era a Tora, também chamada de Pentateuco, porque acumulava os cinco livros de Moisés. Este por sua vez, era um homem religioso e líder do êxodo do Egito, que exerceu influência na mentalidade judaica. Quanto ao ensino, era oral e repetitivo por meio do estudo do Talmude, outro livro sagrado de princípio judaico, dirigido no século II, representando o código religioso e civil dos judeus, que não acolhiam Cristo. Para o Talmude, a criança deve ser castigada com uma mão e acarinhada por outra, já a Bíblia dizia que a vara, a recriminação e a punição dão sabedoria a criança. 25 O Pensamento Pedagógico Greco: Sócrates, Platão e Aristóteles A Grécia foi lugar de origem da cultura, da civilização e da educação ocidental devido sua conjuntura geográfica que provocava o comércio, por ter uma sociedade estratificada e amparada por colônias. Os gregos tinham visão universal. Ser um homem livre para eles significava não ter inquietações materiais ou com o comércio e a guerra. Atividades privadas às classes sociais inferiores. O caráter de classe de educação grega surgia na reclamação de que o ensino excitasse a competição, para afirmar a elevação militar sobre as classes domadas e as regiões tomadas. O homem bem educado careceria ser capaz de comandar e ser correspondido (GADOTTI, 2005). Só entre os gregos livres que existiam diálogo e liberdade de ensino. A Paideia é um termo do grego antigo, empregado para sintetizar a noção de educação na sociedade grega clássica. A palavra é derivada de paidos (paidós) = criança, significa criação dos meninos, referindo-se à educação familiar pautada nos bons modos e princípios morais. A paideia é o modelo ideal de educação da Grécia clássica, com o passar do tempo esse modelo passou designar o resultado do processo educativo que acompanha o ser humano por toda vida, indo além dos muros escolares. Nos dias atuais esse ideário é exercido praticamente todo o mundo, como um perfeito entendimento de formação social do ser humano. O dia a dia do educando baseado no modelo de educação da paideia era organizada de forma que a rotina do aluno era respeitar os preceitos da paideia, como: Acordar logo ao amanhecer, e com a ajuda do pedagogo, o jovem lavava-se e vestia-se; 26 Refeição matinal e logo após, ida à palestra, para as aulas de música e ginástica; Banho e regresso à casa para o almoço; Retorno à palestra à tarde, para lições de leitura e escrita; Ida para casa, sempre na companhia do pedagogo; estudo das lições, trabalhos de casa, jantar e enfim repouso. Não havia finais de semana ou férias, exceto pelos festivais religiosos ou cívicos; Nesse sentido a Paideia concebeu um ideal mais adiantado de educação da antiguidade. Uma educação integral, que advinha na conexão entre cultura e sociedade e a criação individual. Criaram uma pedagogia de ação individual, de convívio social e político. Os gregos obtiveram a fusão entre educação e cultura, dando valor a arte, literatura, ciências e filosofia. A formação de homem integral acontecia na formação do corpo pela ginástica, na mente pela filosofia e ciências, na moral e sentimentos pela música e pelas artes. A cultura Grega foi responsável pelo surgimento da cultura, da civilização e da educação Ocidental. A educação era reservada aos homens livres, que exigia que o ensino os preparasse para competição, estimulassem virtudes guerreiras que serviria para assegurar a superioridade militar sobre as classes submetidas e as regiões conquistadas. Nessa educação o homem era formadopara ser capaz de mandar e fazer-se obedecer. Vale ressaltar que nem todos tinham acesso a esse modelo de educação, essa educação era destinada apenas aos gregos livre. Buscava-se ofertar uma educação integral, capaz de integrar cultura e sociedade, pautada numa pedagogia da eficiência individual, simultaneamente da liberdade e de convivência social e política. A relação paralela entre educação e a cultura, possibilitava a valorização da arte, da literatura, da ciência e da filosofia, que consistia na formação do corpo pela ginástica, da mente pela filosofia e pela ciência e na da moral e dos sentimentos pela música e pelas artes. 27 Houve desacordos entre a educação espartana e a ateniense; entre os espartanos preponderava a ginástica e a educação moral domada ao poder do Estado. Já os atenienses, mesmo dando valor ao esporte, ofereceram mais atenção à elaboração teórica para o exercício da política. Platão chegou a dispor um currículo para seus alunos se tornarem reis, ele mesmo queria ser rei. O mundo grego foi rico em intenções pedagógicas: Pitágoras estudou a matemática e sua afinidade com o universo; Sócrates dedicou-se a retórica e na linguagem; Xenofontes foi a primeira a refletir a educação para mulheres, apesar de restrita a conhecimentos caseiros e de importância do esposo. Partia da imaginação da decência humana, segundo ensinou Sócrates. Os três, Sócrates, Platão e Aristóteles desempenharam grandes influências ao mundo grego. Os gregos eram educados através de textos de Homero, o modelo homérico de educação era pautado na preparação de pessoas destinadas ao heroísmo, para a defesa e honra da pátria da qual faziam parte, nesse modelo ganhava importância a busca do belo, do honrado e da reputação que ensinavam virtudes guerreiras, cavalheirismo, amor à glória, à honra, à força e a valentia. Ensinavam a superioridade e por isso imitavam os heróis. Essa educação totalitária sacrificava em Esparta, todos os interesses aos interesses do Estado. O Humanismo ateniense pautava-se na superioridade de outros valores, as contestações eram intelectuais, nas quais procuravam o conhecimento da verdade, do belo e do bem. Platão imaginava com uma República democrática, e pra ele a educação apresentava papel principal. Amparava uma educação municipal para evitar as pretensões totalitárias, e então o ensino seria controlado mais próximo da comunidade. Para ele, todo ensino deveria ser público. O ideal da cultura aristocrática grega não abarcava a formação para o trabalho, o espírito deveria continuar livre para criar. Platão defendia que conhecer é lembrar, e que o homem, ao encontrar o objeto do saber, tem condições de reconhecê-lo, uma vez que ele já está impresso em sua alma. Platão preconizava uma formação básica consistente, a 28 qual gradualmente vai atingindo estágios mais elevados, até resultar em pesquisas filosóficas, a esta etapa só chegariam os seres particularmente talentosos. Platão denomina esta fase de educação preparatória, onde os educandos possuem condições de aperfeiçoar de maneira harmoniosa o espírito e o corpo. Para ele o ensino deveria ser função do Estado e não de instituições privadas. Os educadores teriam que ser escolhidos por Atenas e supervisionados por cidadãos que possuíssem poderes judiciais, nomeados para atuar na campo educacional. Ele ainda projetava um modelo pedagógico igual para homens e mulheres até que eles completassem seis anos de idade. Daí em diante estes aprendizes seriam divididos em classes e professores distintos. A educação do cidadão, para o filósofo, teria uma duração de 50 anos, organizados em cinco períodos: Dos 3 aos 6 anos: Prática do pentatlo (Nome coletivo de cinco exercícios que constituíam os jogos da Grécia, em que entravam os atletas: salto, carreira, luta, pugilato e disco. Dança e música para ambos os sexos); Dos 7 aos 13 anos: Introdução paulatina da cultura intelectual e acentuação dos exercícios físicos. A partir dos 10 anos, aprendizagem da leitura e escrita e cálculo por processos práticos. Afasta-se assim dos costumes atenienses que começavam a educação intelectual antes dos 10 anos; Dos 13 aos 16 anos: Período da educação musical. O programa é dividido em duas secções: uma literária, compreendendo gramática e aritmética; outra musical, compreendendo poesia e música. Ensina-se a tocar a cítara e prefere-se a música dórica, enérgica e viril; 29 Dos 17 aos 20 anos: Período da educação militar. Os jovens deverão adquirir resistência e uma saúde a toda a prova. Será preciso harmonizar a música à ginástica, faziam-se os homens ferozes. Somente com a música, produzir-se-iam os afeminados; Dos 21 anos em diante: Apenas os jovens mais capazes devem continuar a educação já com carácter superior e baseada na Matemática e Filosofia. Entre eles, selecionam-se os futuros governantes, prosseguindo sua educação até os 50 anos. Essa educação pode ser distribuída da seguinte forma: Dos 21 aos 30 anos: estuda-se com profundidade: Aritmética, Geometria e Astronomia; Dos 31 aos 35 anos: predomínio da formação filosófica e dialética, sem prejuízo dos estudos matemáticos; Dos 35 aos 50 anos: O magistrado será incumbido de uma função pública e empregará os seus talentos para a prosperidade do Estado. Ninguém será admitido ao governo, antes dos 50 anos de idade. Dessa maneira os educandos prosseguiam, passando em um estágio adiantado, por diversas disciplinas como Ciências Matemática, Astronomia, entre outras disciplinas, até completar os cinquenta anos, o ápice dessa formação era alcançado com o resgate do conceito eterno e puro do bem, quando estaria preparado para exercer a gestão do estado, fazendo parte do restrito círculo dos governantes, formado tão somente por filósofos. Sócrates, filósofo grego nascido em Atenas, foi considerado o mais espantoso fenômeno pedagógico da história ocidental. Acreditava que o autoconhecimento é o inicio da abertura do verdadeiro saber. Defensor de um diálogo vivo e amigo com seus discípulos. Sócrates realizou uma reviravolta na história humana. A filosofia se preocupava em explicar o mundo com base na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. Ele se 30 preocupou em levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem. Para Sócrates o homem é concebido como um composto de dois princípios, alma (ou espírito) e corpo. De seu pensamento surgiram duas vertentes da filosofia que, em linhas gerais, podem ser consideradas como as grandes tendências do pensamento ocidental. Uma é a idealista, que partiu de Platão (427-347 a.C.), seguidor de Sócrates. Ao distinguir o mundo concreto do mundo das ideias, deu a estes status de realidade; e a outra é a realista, partindo de Aristóteles (384-322 a.C.), que submeteu as ideias, às quais se chega pelo espírito, ao mundo real. Sócrates buscava o ensino pelo diálogo, defendia o diálogo como método de educação, considerava muito importante o contato direto com os interlocutores. Para Sócrates, ninguém adquire a capacidade de conduzir-se, e muito menos de conduzir os demais, se não possuir a capacidade de autodomínio. Para Sócrates o papel do educador é ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por si próprio "iluminar" sua inteligência e sua consciência. Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus argumentos da mesma forma que contesta os argumentos dos alunos. Para o filósofo, só a troca de ideais dá liberdade ao pensamento e a sua expressão - condições imprescindíveispara o aperfeiçoamento do ser humano. Aristóteles, discípulo de Platão, fixou de maneira realista que as ideias estão nas coisas, como sua própria essência. Foi realista em sua intuição educacional, e defendeu três fatores principais que originaram o 31 desenvolvimento espiritual do homem; disposição inata, hábito e ensino. Logo, mostrou-se adepto a medidas educacionais condicionantes. . Aristóteles acreditava que a educação era o caminho para uma vida pública, cabendo a ela a formação do caráter do aluno. Via virtude como modo de educar para viver bem prazerosamente. Tinha o Estado como o único responsável pelo ensino. Defendia a ideia de que a criança aprende com o ato de imitar os bons hábitos do adulto. Para ele o ser humano só será feliz se der sua melhor contribuição ao mundo, se desfrutar suas condições necessárias para desenvolver os talentos. A virtude, para Aristóteles, é uma prática e não um dado da natureza de cada um, tampouco o mero conhecimento do que é virtuoso, como para Platão. Para ser praticada constantemente, a virtude precisa se tornar um hábito. Embora não se conheça nenhum estudo de Aristóteles sobre o assunto, é possível concluir que o hábito da virtude deve ser adquirido na escola. Abaixo acompanhe um quadro resumo sobre os principais educadores gregos: EDUCADOR PRESSUPOSTO MÉTODO SÓCRATES Autoconhecimento do educando. Diálogo crítico, dividido em duas etapas: ironia e maiêutica. PLATÃO Elevação do ―espírito‖ do educando. Dialético a partir de etapas precisas para o processo educacional. ARISTÓTELES Hábitos virtuosos e orientação racional para os alunos. Lógico, partindo da percepção do objeto, memorização do percebido e inter-relação entre os mesmos. 32 O Pensamento Pedagógico Romano A sociedade romana era misturada de grandes proprietários, os patrícios que abarcavam o poder e de plebeus, pequenos proprietários, que mesmo sendo livres eram eliminados do poder. Já os escravos não tinham ensino e eram tratados como objetos. Na ocasião de ouro do império, existiu um sistema de educação com três graus clássicos de ensino: as escolas de ludi-magister que forneciam a educação principal; as escolas do gramático, que hoje são as mesmas do ensino secundário; e os estabelecimentos da educação superior, que estreavam com a retórica e seguida do Direito e Filosofia, se fundavam em uma condição de Universidade. Aos poucos a classe aristocrática foi abdicando lugar para comerciantes e pequenos artesãos e para uma pequena classe de burocratas, e daí careceu de escolas que preparassem administradores. Pela primeira vez na história, o estado assumiu diretamente a educação e formou seu quadro, treinando os supervisores-professores. Assim a educação romana abrange a ideia de se tornar utilitária e militarista constituída pela justiça e disciplina. Uma educação para a pátria, onde apreendia a paz só com vitórias e escravidão para os vencidos e aos rebeldes a pena capital. Os romanos não valorizavam o trabalho manual, seus estudos eram essencialmente humanistas. O que viria a ser humanistas? Roma desenvolveu a concepção de império formado de vários povos, sem discriminar os vencidos e ainda lhe dando o direito a cidadania romana, em troca do pagamento de impostos. Humanitas: é pensar uma cultura universalizada. Equivale à Paideia grega, distingue-se dela por se tratar de uma cultura predominantemente humanística e, sobretudo cosmopolita e universal, buscando aquilo que caracteriza o homem, em todos os tempos e lugares. É uma concepção que não se restringe ao ideal de homem sábio, mas se estende à formação do homem virtuoso, como ser moral, político e literário. 33 As humanistas, dada na escola romana, seguia as seguintes fases: Ditado de um fragmento do texto, a título de exercício ortográfico; memorização do fragmento; tradução do verso em prosa e vice-versa; expressão de uma mesma ideia em diversas construções; análise das palavras nas frases; composição literária. Assim era instruída a elite romana. Enquanto os gregos e sua pedagogia enfatizavam a visão filosófica ou o predomínio da retórica, Roma, por sua vez, adotava uma postura mais gramática, voltada para o cotidiano, para a ação política. É o domínio da retórica sobre a filosofia. A agricultura, a guerra, a política constituía o programa que um romano nobre deveria realizar. Os escravos aprendiam as artes e os ofícios nas casas onde serviam. No apogeu do Império Romano, ou seja, no auge de suas conquistas, os enormes tentáculos do império necessitavam de escolas que viessem a preparar os futuros administradores. Quando os romanos impuseram o latim a numerosas províncias, o sistema educacional romano dividia-se em três graus: Ludi-magister: educação elementar; Gramático: que corresponde ao que hoje chamamos de ensino secundário; A educação superior romana seria a retórica, o ensino do direito e da filosofia. Direitos e deveres, eis o que ensinavam os romanos: Direito do pai sobre o filho (pater potestas). No lar o pai infligia sobre os filhos, e nas escolas os castigos podiam ser severos, incluindo açoites; Direito do marido sobre a esposa (manus); Direito do senhor sobre os escravos (patestas dominica); Direito do homem livre sobre um outro que a lei lhe dava por contrato ou por condenação judiciária (manus capare); 34 Direito sobre a propriedade (dominiun). Todas as cidades e regiões conquistadas, apesar de se serem consideradas aliadas de Roma, eram submetidas aos mesmos hábitos e costumes, à mesma administração. Dessa forma os romanos conseguiram atingir um fenômeno, que é chamando por muitos autores, de ―romanização‖, obra que foi terminada pelo cristianismo. Roma teve vários teóricos da educação dentre os quais podemos destacar: Catão, ―o antigo‖ (234-149 a.C.): preconizava a formação do caráter, defendendo o retorno às raízes romanas, a tradição contra a influência helênica. Principais Educadores Romanos Marco Terêncio Varrão (116 - 27 a.C.): partidário de uma cultura romano-helênica, com base na ―virtus‖ romana: pietas, honestitas, austeritas. Escreveu uma enciclopédia didática, onde discutia o ensino da gramática. Compôs sátiras, que viriam a orientar os jovens na ―virtus‖, com máximas edificantes. Marco Túlio Cícero (106 - 43 a.C.): ampliou o vocabulário latino, apoiado na experiência com o mundo grego e na erudição. Valorizou a fundamentação filosófica do discurso, tornando-se um dos mais claros representantes da humanitas romana. Compreendia que a educação integral do orador requer: cultura geral, formação jurídica, aprendizagem da argumentação filosófica, bem como o desenvolvimento de habilidades literárias e até teatrais, igualmente importante para o exercício da persuasão. Cícero será inclusive um dos principais modelos dos pedagogos para os renascentistas. Orador e político romano, nascido numa região próxima a Roma. Estudou literatura grega, literatura latina e retórica com os melhores mestres da época, aprofundou-se no estudo das leis e nas doutrinas filosóficas. 35 Valorizava a fundamentação teórica e filosófica do discurso, apaixonado defensor da educação integral, afirmava que o orador deveria ter erudição, conhecer a cultura geral, aprofundar-se na formação jurídica, na argumentação filosófica e, conhecer e desenvolver habilidades literárias e teatrais. Seus textos não se ocupam apenas da filosofia, mas também de temas sociais. Não só pela extensão, mas pela originalidade e variedade de sua obra, Cícero é considerado o maior dos escritores romanos e o que mais influenciou os oradores modernos, foi também, o mestre das letras mais completo de toda a Antiguidade Ocidental. Sêneca (por volta de 4 a.C. – 65): insiste na educação paraa vida e para a individualidade. Concebe a filosofia como um instrumento capaz de orientar o homem para o bem viver. A filosofia teria a função de ensinar a verdadeira vida humana, que não se confunde com o gozo dos prazeres, voltada que está para o domínio das paixões, já que a felicidade consiste na tranquilidade da alma. Enfatizado a educação moral, dando menos importância à retórica, Sêneca parte da premissa que a educação deveria ser prática e vivificada pelo exemplo. Plutarco (por volta de 46 – depois de 119): dava ênfase em uma educação que procurasse mostrar a biografia dos grandes homens, para que assim servissem de exemplos vivos de virtude e de caráter. Reconhece a importância da música e da beleza na educação. Marco Fábio Quintiliano (por volta de 35 – depois de 96): Foi um dos mais respeitado pedagogo romano. Defendia que o estudo devia dar-se num espaço de alegria (schola), onde o ensino da leitura e da escrita devia ser oferecido pelo mestre do brinquedo (ludi-magister), Marco Fábio peconizava: 36 Distancia-se da filosofia, preferindo os aspectos técnicos da educação, sobretudo da formação do orador; Valoriza a psicologia como instrumento para conhecer a individualidade do aluno; Sugere para iniciação às letras, o ensino simultâneo da leitura e da escrita, criticando as formas vigentes por dificultar a aprendizagem; Recomenda alternar trabalho e recreação para que a atividade escolar seja menos árdua e mais proveitosa; Considera importante que a criança aprenda em grupo, por favorecer a competição, de natureza altamente saudável e estimulante; Recomenda a prática dos exercícios físicos, realizada sem exageros; Valoriza a busca da clareza, a correção, a elegância e os clássicos como Homero e Virgílio no estudo de gramática, reconhecendo os aspectos estético, espiritual e ético. Marco Fábio Quintiliano nasceu na Espanha. Estudou retórica com os maiores mestres de seu tempo e lecionou em Roma durante vinte anos. É considerado um dos pedagogos mais brilhantes do mundo antigo. Sua mais significativa obra foi ―De institutione‖ oratória (escrita no ano de 95), publicada em 12 volumes, nessa obra, o autor apresentou diretrizes para a formação cultural dos romanos, desde a infância até a maturidade. Defendia muito a necessidade de dominar os aspectos técnicos da educação, sobretudo a formação do orador. Dizia que o ideal educacional da eloquência (falar com o público de maneira convincente) associada à sabedoria seria a fórmula perfeita para educar uma pessoa. Valorizava também a psicologia como instrumento para se conhecer a individualidade do aluno. Pelo que pudemos ver até então, Quintiliano, não se prendia apenas às discussões teóricas, pelo contrário, defendia o uso de técnicas de diversas ciências para a melhoria da educação. Por falar em melhoria educacional, um aspecto que não se pode esquecer é que ele também defendia o lúdico no processo ensino-aprendizagem, dizendo que 37 intercalando recreação com as atividades didáticas, o ensino seria mais prazeroso. Achava o estudo em grupo fundamental para o favorecimento da emulação (busca pelos melhores postos na escola e na sociedade) e no estímulo intelectual dos alunos. Incluiu na sua pedagogia exercícios físicos moderados. Por outro lado não se esqueceu da formação intelectual vigorosa, pois para ele, o estudo da gramática devia estimular nos alunos uma escrita clara e elegante. O trabalho de Quintiliano atravessou as barreiras do tempo e das fronteiras, fazendo com que sua obra retornasse com vigor na época do Renascimento em diversos países de língua latina. O Pensamento Pedagógico Medieval Com o declínio do império romano e as invenções dos chamados bárbaros, foi abrigado o limite da influência da cultura Greco-romana. E a igreja cristã brota como uma nova força espiritual. Do ponto de vista pedagógico, Cristo havia sido um grande educador popular e bem sucedido. A sua pedagogia era para a vida, e sua linguagem erudita sabia tocar o povo mais humilde. A patrística é o nome dado à filosofia cristã dos primeiros sete séculos, elaborada pelos Padres da Igreja, que são os primeiros estudiosos da Escritura e os mais antigos testemunhos da fé da Igreja e da vida cristã. A ponte que une a Tradição Apostólica às gerações cristãs posteriores ocorreu no século I ao VII depois de Cristo, acordou a fé cristã com doutrinas greco-romanas e disseminou escolas catequéticas para todo império. E em seguida, surgiu a concentração do ensino por parte do Estado cristão. A partir de Constantino (século IV), o império seguiu o cristianismo como religião oficial e pela primeira vez, a escola tornou-se um aparelho 38 ideológico do Estado. Na educação elementar, o intento da escola estava em instruir as massas camponesas, mantendo-as doces e resignadas, através das escolas paroquiais por sacerdotes. Na educação secundária, eram fornecidas nas escolas monásticas, ou seja, conventos; e na educação superior, munidas nas escolas imperiais onde eram organizados os funcionários do império. Nos séculos VI e VII, forma-se o império árabe. Maomé funda a nova religião, o Islamismo (islã=salvação), seus seguidores ganham a designação de mulçumanos ou maometanos. A doutrina de Maomé esta dominada no Alcorão ( livro sagrado dos mulçumanos). Ao contrário dos cristãos, os árabes não almejavam truncar a cultura grega, e então se inicia um novo tipo de vida intelectual, chamada escolástica que busca harmonizar a razão histórica com a fé cristã. Quem mais se destacou foi São Tomas de Aquino. Defendeu que a educação habitua o educando a brotar todas as suas potencialidades. Mas ele foi incriminado de abusar do princípio da autoridade. Reformador de programas de ensino, criador de escolas superiores, mas acima de tudo professor. Defendeu que deveríamos impedir a aversão pelo tédio e acordar a disposição de admirar e perguntar, como inicio do autêntico ensino. Ao lado do clero, a nobreza realizava sua própria educação. Defendia uma formação do perfeito cavaleiro com formação musical e guerreira, focando apenas na guerra. As classes trabalhadoras só legavam a cultura da luta pela sobrevivência. Na Idade Média, já no século XVIII, com o desenvolvimento das escolas monásticas, houve a disposição gremial da sociedade e o vigor da ciência apresentada pelos árabes, constituindo a primeira organização liberal da Idade Media. As Universidades desenvolveram três métodos que se arrolavam entre si: as lições, repetições e as disputas. Conceberam até hoje uma grande força nas mãos de classes dirigentes. Para muitos historiadores, a Idade Média não foi uma idade das trevas e da ignorância, como os ideólogos do Renascimento fixaram. Ao contrário, foi 39 fecunda em lutas pela autonomia, com greves e debates livres. Discutiam sobre a gratuidade do ensino e pagamento dos professores. As escolas medievais não possuíam o formato das escolas que conhecemos hoje, as aulas podiam ser ministradas ao ar livre e a maioria esmagadora delas era ligada á Igreja Católica (escolas monacais e catedralícias). E o que se ensinava nessas escolas? O conteúdo do ensino era o estudo clássico, isto é, as ―artes do homem livre‖, bem diferente das ―artes mecânicas do homem servil‖. Essas artes eram baseadas em algumas disciplinas, que vinham desde os tempos dos sofistas gregos. Na Idade Média elas constituíram o trivium e o quadrivium. O trivium (gramática, retórica e dialética), corresponderia atualmente ao ensino médio era mais comum e de caráter mais popular, encontrava-se abaixo do quadrivium (geometria, aritmética, astronomia e música) que seria uma categoria superior de ensino. Assim o conteúdo de ensino passou a ser chamado de ―as sete arte liberais e dividiam-se em o trivium eo quadrivium, que estão brevemente resumidos na tabela abaixo: TRIVIUM QUADRIVIUM Estudo de gramática, retórica e dialética corresponderia atualmente ao ensino médio era mais comum e de caráter mais popular, menos complexo que o quadrivium. Estudo de geometria, aritmética, astronomia e música, eram consideradas como uma categoria superior de ensino. Geralmente só a elite econômica tinha acesso ao mesmo. Apesar de fortemente ligadas ao catolicismo, as escolas monacais e catedralícias, de início, educavam os burgueses, mas em seguida estes procuraram uma educação que atendesse aos objetivos da vida prática. Alterações importantes no sistema educacional só vão ocorrer por volta do 40 século XI, com o fortalecimento do comércio, isso resulta em algumas coisas importantes para a educação. Uma delas foi o surgimento das escolas seculares. Com efeito, o desenvolvimento do comércio faz brotar novamente a necessidade de se aprender a ler, escrever e calcular. Nessas escolas burguesas, acontece uma forte contestação à Igreja, pois as mesmas se opunham ao ensino puramente religioso. Na verdade essas escolas queriam uma proposta ativa, que atendesse aos interesses da classe burguesa. A educação medieval vai sofrer mudança novamente por volta do século XII, pois a sociedade vai ficando cada vez mais complexa. Assim houve ampliação dos estudos (Filosofia, Teologia, Leis e Medicina); surgimento de mestres especializados; exigência de provas para a aquisição dos títulos de bacharel, licenciado e doutor e por fim o surgimento das universidades. Por outro lado, na época medieval a maior parte das mulheres não tinha acesso à educação formal. Apesar de trabalharem arduamente ao lado do marido, continuariam analfabetas. As meninas nobres aprendiam alguma coisa em seu próprio castelo, ocasião em que recebiam aulas de artes domésticas. Quando surgiram as escolas seculares, as meninas burguesas começaram a ter acesso à educação. Porém nos mosteiros (alunas internas) e nos educandários (alunas externas) as meninas aprendem a ler, escrever, fazer artes da miniatura, executar cópia de manuscritos (raramente). Já que somos educadores ou futuros educadores, é bom nos perguntar quem eram esses mestres medievais? Os pedagogos – no sentido exato da palavra – não aparecem na época medieval. As questões pedagógicas eram objeto de reflexão de qualquer pessoa que se dedicasse à interpretação dos textos sagrados, na preservação dos princípios religiosos, no combate à heresia e na conversão dos infiéis. A principal função da educação era a salvação da alma e a vida eterna. Por conseguinte, no final do período medieval, com a ampliação do comércio e por influência da burguesia, começam a haver transformações que irá determinar os novos rumos da ciência, da literatura, da educação. 41 O Pensamento Pedagógico Renascentista Renascimento, Renascença ou Renascentismo são os termos usados para identificar o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIV e inicio do século XVII. O Renascimento foi um importante movimento de ordem artística, cultural e científica que se deflagrou na passagem da Idade Média para a Moderna. Em um quadro de sensíveis transformações que não mais correspondiam ao conjunto de valores apregoados pelo pensamento medieval, o renascimento apresentou um novo conjunto de temas e interesses aos meios científicos e culturais de sua época. Ao contrário do que possa parecer, o renascimento não pode ser visto como uma radical ruptura com o mundo medieval. Caracterizou-se por uma revalorização da cultura greco-romana, influenciando a educação tornando-a mais prática, compreendendo a cultura do corpo e procurando suprir processos mecânicos por métodos mais afáveis. O renascimento pedagógico estava unido a alguns fatores do próprio progresso histórico. As grandes navegações do século XIV que produziram origem ao capitalismo comercial, a invenção da imprensa alcançada pelo alemão Gutenberg que disseminou o saber e a revolta, o achado da bússola que permitiu as grandes navegações. Todos esses achados beneficiaram um crédito ao individualismo, pioneirismo e aventura. Beneficiou a arte da guerra com o achado da pólvora. A educação renascentista organizou a formação do homem burguês e a educação não atingiu as massas populares. Caracterizava-se pelo elitismo, aristocratismo, individualismo liberal. Abrangia principalmente, o clero, a nobreza e a burguesia. Os principais educadores renascentistas foram: Vittorino da Feltre (1378-1446); Erasmo Desidério (1467-1536); Juan Luís Vives (1492-1540); Fraçois Rabelais (por volta de 1483-1553); e Michel de Montaigne (1533-1592). 42 Michel Montaigne (1533-1592), que abandonou a cultura obscura e a disciplina escolástica, defendeu que os professores deveriam ter a cabeça antes melhor que fornecida de ciência. Engels apreciou a Reforma Protestante como a primeira grande revolução burguesa. Foi iniciada por Martinho Lutero (1483-1546), como consagração do livre-arbítrio. A principal decorrência da Reforma foi a mudança da escola para o controle do Estado, nos países protestantes. Incidia em uma escola pública religiosa. Mas não consistia ainda em uma escola pública, leiga, obrigatória, universal e gratuita, como é entendida atualmente. Era uma escola pública religiosa. A igreja católica reagiu a Reforma Protestante por meio do Concílio de Trento que inventou o índice dos livros proibidos e da Companhia de Jesus. Organizou a inquisição para combater o protestantismo. Dentre os reformadores cristãos, destaca-se João Calvino (1509-1564) que deu ao protestantismo suíço e ao francês sua doutrina e organização. Os jesuítas tinham como objetivo converter os hereges e alimentar os cristãos vacilantes. A educação jesuíta encaminhou-se para a formação do homem burguês. Seu fundador foi Inácio de Loyola (1491-1556). Nesta educação tudo estava previsto, incluindo a posição das mãos e o modo de levantar os olhos. Tinha como lema a obediência ao papa até a morte. Os jesuítas desprezaram a educação popular, para o povo sobrou apenas o ensino dos princípios da religião cristã. A educação jesuítica conduziu a educação do homem burguês, e desapoiou a formação das classes populares. Por força das ocasiões, tinham de agir no mundo colonial em duas frentes: a formação da burguesia dos dirigentes e a formação catequética das populações indígenas. A ciência do governo para uns e a catequese e a servidão para outros. 43 O Pensamento Pedagógico Moderno Nos séculos XVI e XVII começou a concepção de uma nova classe em oposição a produção feudal. Com os novos meios de produção estreou o sistema de cooperação antecessor do trabalho em série do século XX. A produção passa para de um esforço isolado para um esforço coletivo. Aparece o método indutivo de investigação, opondo-o ao método aristotélico de dedução. Bacon foi avaliado o fundador do método cientifico moderno. René Descartes escreveu sobre os passos para o estudo e a pesquisa, recriminou o ensino humanista e propôs a matemática como modelo de ciência perfeita. Descarte, pai do racionalismo e da filosofia moderna, acordou em posição dualista a questão ontológica da filosofia, a relação entre o pensamento e o ser. Estudou sobre a razão humana e inventou um novo método científico de conhecimento do mundo, substituindo a fé pela razão. Compôs a religião e a ciência, sofrendo grande influência da ideologia burguesa do século XVIII, influenciado pelas tendências progressistas da classe em ascensão na França. Descartes escreveu sobre o Discurso do Método, e ofereceu os seguintes princípios em seus estudos: nunca acolher alguma coisa como verdade que não conhecesse evidentemente como tal, poupando o ímpeto; dividir cada uma das dificuldadesque examinasse em tantas parcelas quantas possíveis e quantas imperativas fossem para melhor resolve-las; dirigir ordem nos pensamentos do mais simples ao mais composto; fazer em toda parte enumerações tão completas e revisões tão gerais que apresentasse a certeza de nada omitir. Ele escreveu sua principal obra a língua popular, possibilitando acesso ao maior número de pessoas. O século XVI assistiu a uma grande revolução linguística, na qual se exigia dos educadores o bilinguismo, o latim como língua culta e o vernáculo como língua popular. A igreja alcançou a importância desse tumulto e logo forneceu através do Concílio de Trento (1562), que as pregações acontecessem em vernáculo. 44 Após vinte anos, depois da publicação do Discurso do método, João Amos Comênio (1592-1670), escreveu a Didática Magna (1657), considerada como método pedagógico para ensinar com rapidez, economia de tempo e sem fadiga. Ele amparava que a escola era para ensinar o conhecimento das coisas. Assim o pensamento pedagógico moderno caracterizou-se pelo realismo. John Locke (1632-1704) começou a investigar de que valia o estudo do latim para os homens trabalhadores nas fábricas. Achava melhor que ensinassem à mecânica e o cálculo. Mesmo assim, permanecia o ensino bilíngue e a educação ainda era para a nobreza e o clero. Locke combateu a origem dos sentidos. A pedagogia realista aparece contra o formalismo humanista, aderente a superioridade do domínio do mundo exterior sobre o domínio do mundo interior, a superioridade das coisas sobre as palavras. Desencadeou a paixão pela razão (Descartes) e o estudo da natureza (Bacon). De humanista a educação torna-se cientifica. O conhecimento só tinha valor se preparasse para a vida e para ação. Bacon divide as ciências em: ciência da memória ou ciência histórica; ciência da imaginação, ou poética; ciência da razão ou filosófica. Já Locke defende que a criança ao nascer, é uma tabula rasa, um papel em branco sobre o qual o professor podia tudo escrever. João Amos Comênio foi respeitado como grande educador e pedagogo moderno e um dos maiores reformadores sociais de sua época. Foi o primeiro a sugerir o sistema articulado de ensino e defendeu que a educação deveria ser permanente, acontecer durante toda a vida do homem. Além disso, defendeu que o sistema educacional deveria abarcar 24 anos com quatro tipos de escolas: a escola materna de 0 a 6 anos; a escola elementar ou vernácula, dos 6 a 12 anos; a escola latina ou o ginásio, de 12 aos 18 anos e a academia ou universidade, dos 18 aos 24 anos. Defendeu que em cada família, deveria existir a escola materna, em cada município ou aldeia uma escola primária, em cada cidade um ginásio e 45 em cada capital uma universidade. O ensino deveria ser unificado com todas as escolas articuladas. Mas apesar dos progressos, a educação das classes populares e a democratização do ensino ainda não se depositavam como questão central. Aceitavam facilmente, a divisão entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, resultado da divisão social. No século XVII, aparece a luta das camadas populares pelo acesso a escola, estimulada pelos novos intelectuais iluministas e novas ordens religiosas, a classe trabalhadora em formação, podia e devia ter um papel na mudança social. Criava-se uma cultura de resistência. Ao contrário da ordem dos jesuítas, apareceram várias ordens religiosas católicas que se consagravam à educação popular, que apresentavam ensino gratuito em forma de internato, como uma educação filantrópica e assistencialista. O Pensamento Pedagógico Iluminista O Iluminismo foi um movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, que defendia o uso da razão (luz) contra o antigo regime (trevas) e pregava maior liberdade econômica e política. Este movimento promoveu mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. O Iluminismo tinha o apoio da burguesia, pois os pensadores e os burgueses tinham interesses comuns. As críticas do movimento ao Antigo Regime eram em vários aspectos como: mercantilismo; absolutismo monárquico e o poder da igreja e as verdades reveladas pela fé. Com base nos três pontos acima, podemos afirmar que o Iluminismo defendia: a liberdade econômica, ou seja, sem a intervenção do Estado na economia; o antropocentrismo, ou seja, o avanço da ciência e da razão e o predomínio da burguesia e seus ideais. 46 As ideias liberais do Iluminismo se disseminaram rapidamente pela população. Alguns reis absolutistas, com medo de perder o governo ou mesmo a cabeça, passaram a aceitar algumas ideias desse movimento. Estes reis eram denominados Déspotas Esclarecidos, pois tentavam conciliar o jeito de governar absolutista com as ideias de progresso iluministas. Alguns representantes do despotismo esclarecido foram: Frederico II, da Prússia; Catarina II, da Rússia; e Marquês de Pombal, de Portugal. O clero e a nobreza reuniram poder no período da Idade Moderna, através do regime absolutista. A revolução Francesa produziu o fim dessa situação, que através dos iluministas, influenciados pelas ideias liberais condenaram a prepotência do governo e o obscurantismo da igreja. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) se destacou, implantando uma nova era da história da educação. Desempenhou a relação entre educação e política e destaca, pela primeira vez, o tema da infância na educação. O século XVIII torna-se político pedagógico por excelência. Rousseau resgata a relação entre a educação e a política. A partir dele, a criança não seria mais considerada um adulto em miniatura, mas sim como um ser que vive em seu mundo próprio; a criança nasce boa, o adulto, com sua falsa concepção da vida, é que perverte a criança. O iluminismo tentou emancipar o pensamento da repressão dos monarcas terrenos e do despotismo do clero. Aguçou a movimento pela liberdade individual. A ideia de volta ao estado natural do homem é comprovada no espaço de Rousseau, através dos estudos sobre a sociedade dos homens primitivos. A educação não deveria apenas ensinar, mas permitir que a natureza germinasse na criança. Não deveria dominar e modelar, só os instintos e os interesses naturais deveria direcionar, acabava sendo uma educação racionalista restringindo a experiência. 47 Rousseau dividiu a educação em três momentos: da infância, da adolescência e da maturidade. Nessa situação, houve a passagem do controle da educação da igreja para o Estado. A Revolução Francesa baseou-se nas reclamações populares de um sistema educacional. A Assembleia Constituinte de 1789 organizou vários projetos de reforma escolar e de educação nacional. O mais importante foi o projeto de Condorcet (1743-1794), que sugeriu o ensino universal como meio de acabar com a desigualdade. A partir da Revolução Francesa, tentou-se plasmar o educando de um acordo de classe, centro do conteúdo programático. A burguesia queria da educação, trabalhadores com formação de participes de uma nova sociedade liberal e democrática. Os pedagogos revolucionários foram os primeiros políticos da educação. Froebel (1782-1852) foi o idealizador dos jardins da infância, defendendo que o desenvolvimento da criança dependia de uma atividade espontânea e construtiva (jogos, trabalhos manuais), estudo da natureza, expressão corporal, desenhos, linguagem, etc. Além de Rousseau, outro grande teórico que se destacou foi o alemão Kant (1724-1804). Descartes sustentava que todo conhecimento era inato e Locke que todo saber era alcançado pela experiência. Kant suplantou essa contradição, defendendo que o homem é o que a educação faz dele através da disciplina, da didática, da formação moral e da cultura (aculturação, socialização e personalização). Espaço, tempo, causalidade e outras relações.Sendo assim, Rousseau foi o antecessor da escola nova, que inicia no século XIX e ganhou êxito na primeira metade do século XX, sendo ainda hoje valorizada. Influenciaram educadores como Pestalozzi, Herbart e Froebel. Pestalozzi (1746-1827) queria a reforma da sociedade através da educação das classes populares. Amparava que a educação geral deveria anteceder a profissional. 48 Herbart (1776-1841) foi professor universitário, mais teórico do que prático, respeitado como um dos pioneiros da psicologia cientifica, defendendo que o processo de ensino deveria seguir quatro passos formais: clareza na apresentação do conteúdo-demonstração do objeto; associação do conteúdo com outro assimilado anteriormente pelo aluno–etapa da comparação; ordenação e sistematização dos conteúdo–etapa da generalização e aplicação a situações concretas dos conhecimentos adquiridos –etapa de aplicação. A burguesia ascendeu sob os ideais de liberdade, liberalismo, no período de passagem do feudalismo para o capitalismo. Estimulada pela Reforma Protestante que estimula o livre pensamento no setor religioso, juntou- se ao movimento racionalista, que embutia a liberdade de normas de conduta dos indivíduos. Mas para a burguesia nascente a liberdade servia para ouro fim, a acumulação de riquezas. A igualdade social seria nociva, pois atentaria a padronização e uniformização entre os indivíduos sendo considerado um desrespeito a individualidade. O principio principal da educação burguesa ministrou uma educação distinta para cada classe: classe dirigente e classe trabalhadora, numa concepção dualista de educação, que no século XIX foi sistematizada pelo pensamento positivista. O Pensamento Pedagógico Positivista O positivismo foi uma corrente filosófica iniciada por Auguste Comte, onde as ideias de percepção humanas são baseadas na observação, exatidão, deixando de lado teorias e especulações da Teologia e Metafísica. Segundo Comte, as ciências que são positivistas são a Matemática, Física, Astronomia, Química, Biologia e a recém-criada Sociologia, que se baseia em dados estatísticos. Os positivistas acreditam que a ciência é cumulativa, transcultural (não interessa em qual cultura surgiu, serve para toda a humanidade). Novas ideias podem surgir sem ser continuação de conceitos velhos, como ―entidades de um 49 tipo podem ser redutíveis a entidades de outro‖, por exemplo, o que se passa na cabeça de uma pessoa pode ser explicado pelas reações químicas no cérebro. Existiam duas forças adversas, uma era o movimento popular e socialista e outra o movimento elitista burguês. Essas duas correntes opostas são representadas pelo marxismo e pelo positivismo. Imaginadas por dois expoentes: Augusto Comte (1798-1857) e Karl Marx (1818-1883). Comte seguiu direção para os estudos das ciências sociais e as ideias de que os fenômenos sociais como os físicos podem ser diminuídos a leis e que todo conhecimento cientifico e filosófico deve ter por finalidade o aperfeiçoamento moral e político da humanidade. Uma verdadeira ciência para Comte deveria avaliar os fatos sociais, carecia ser uma ciência positiva afastando dos preceitos ideológicos e apontando uma ciência neutra. O positivismo concretiza uma ordem pública através da paciência ao seu status quo. Nada de doutrinas criticas revolucionária, como as do iluminismo ou do socialismo. Já Marx buscava a liberdade e a igualdade, mas não poderia ser realizado enquanto não mudasse o sistema econômico que instaurava a desigualdade na base da sociedade. Da Lei dos três estados concluiu o sistema educacional: o estado teológico em que o homem explicava a natureza por agentes sobrenaturais; o estado metafísico, no qual se explicava através de noções abstratas como essência, causalidade e o estado positivo, onde se procuram as leis cientificas. A tendência cientificista ganhou força na educação como desenvolvimento da sociologia em geral, e da sociologia da educação. Um dos principais teóricos da sociologia da educação foi Emile Durkheim (1858-1917). Considerado pai do realismo sociológico, explica o social pelo social, como realidade autônoma. Tratou em especial dos problemas morais. Finalizou que a moral começa ao mesmo tempo em que a vinculação com um grupo. Entendia a educação como esforço contínuo para preparar as crianças para 50 vida em comum. Por isso, era forçoso impor as mesmas maneiras adequadas de ver, sentir, agir. Para ele, a sociologia produz os fins da educação. A pedagogia e a educação representam mais do que um anexo ou apêndice da sociedade e da sociologia, deveriam existir sem autonomia. Levantar na criança através da educação certo número de estados físicos, intelectuais e morais, estabelecidos na sociedade política. Considerava a educação como imagem e reflexo da sociedade, compreendendo a pedagogia como uma teoria da prática social. Foi o verdadeiro mestre da sociologia positivista moderna. Considerou os fatos sociais em coisas. A intenção positivista concebeu um caráter conservador e reacionário das ideias pedagógicas. Tornou-se uma ideologia de ordem, de paciência e estagnação social. Nasceu como filosofia, mas ao dar uma resposta ao social, afirmou-se como ideologia. OBSERVAÇÃO: A Educação para Durkheim é um fato fundamentalmente social, imagem e reflexo da sociedade. Portanto, o ato educacional é uma ação exercida pelas gerações adultas em relação às mais jovens, que deveriam ser tutoradas em seu ingresso na vida social. No Brasil, o positivismo infundiu a Velha República e o Golpe Militar de 1964. Segundo essa ideologia, o país não seria mais governado pelas paixões políticas, mas pela racionalidade dos cientistas, os tecnocratas, preocupados apenas com os fatos sociais. Essa doutrina serviu muito a elite brasileira quando sentiram seus privilégios advertidos pela organização crescente da classe trabalhadora. A teoria educacional de Durkheim opõe-se diretamente a de Rousseau. Enquanto este, afirmava que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe, Durkheim declarava que o homem nasce egoísta e só a sociedade através da educação pode torná-lo solidário. O pensamento positivista na pedagogia andou para o pragmatismo, que considerava a formação empregada para a vida imediata. 51 No Brasil, o valor o positivismo influenciou o primeiro projeto de formação do educador. O valor dado à ciência no processo pedagógico relevaria maior atenção ao pensamento positivista. Não podemos negar sua ajuda no estudo cientifico da educação. O Pensamento Pedagógico Socialista Formou-se no seio do movimento popular, pela democratização do ensino, empenhados com a transformação social. Sugere uma educação igual para todos. Platão já havia provado manifestações do comunismo imaginário, pois ligava educação à política. Mas foi Thomas Morus (1478-1535) que fez critica a sociedade individualista e propôs a diminuição da jornada de trabalho para seis horas diárias, a educação laica e a coeducação. Os princípios da educação pública socialista foram proclamados por Marx (1818-1883) e Engels (1820-1924) e desenvolvidos por Lênin (1870-1924). Os dois escreveram o Manifesto do Partido Comunista em 1947 e 1948, onde protegem a educação pública e gratuita para todas as crianças a partir dos princípios: Eliminação do trabalho delas nas fábricas; Da associação entre educação e produção material; Da educação politécnica que leva a formação do homem unilateral, abrangendo os aspectos, mental, físico e técnico; Da inseparabilidade da política e da educação, portanto, da totalidade social (estudo, trabalho e lazer). 52 Já Lênin, atribuiu a importância da educação no processo de transformação social, como primeiro revolucionário a admitir o controle do governo, pode na sua prática disseminar as ideias socialistasna educação. Defendeu que a educação pública deveria ser de modo eminente, política. Outro histórico defensor da escola socialista, foi Antônio Gramsci (1891-1937), chamava a escola única de escola unitária, evocando a ideia de unidade e centralização democrática. Seguindo a concepção Leninista, também colocou o trabalho como começo antropológico e educativo básico a formação. Criticou a escola tradicional que dividia o ensino em clássico e profissional. E propôs a superação dessa divisão de classes, defendendo uma escola critica e criativa deve ser ao mesmo tempo clássica, intelectual e profissional. Uma escola unitária significa uma relação entre trabalho intelectual e trabalho industrial em toda vida social e não apenas na escola, ou seja, em todos os organismos da cultura. O novo intelectual orgânico, para ele, representava uma organização do conhecimento do mundo moderno a partir da educação técnica ligada ao trabalho industrial. O trabalho como modalidade da prática. Já para Makarenko (1888-1939), o verdadeiro processo educativo se faz pelo próprio coletivo e não pelo individuo que se chama educador. Foi respeitado como um dos maiores pedagogos soviéticos da historia da educação socialista. Defendeu a ideia do trabalho coletivo como principio pedagógico. O Pensamento Pedagógico Escolanovista (A Escola Nova) Movimento que valorizou a autoformação e a atividade espontânea da criança. Uma educação que fosse instigadora da mudança social. Tanto a 53 psicologia educacional como a sociologia educacional contribuíram para a formação da escola nova. John Dewey (1859-1952) foi o primeiro norte-americano a formular o novo ideal pedagógico, afirmando que o ensino deveria ser pela ação e não pela instrução, por uma experiência ativa, concreta e produtiva. A educação era essencialmente pragmática e instrumentalista, buscando a convivência democrática sem por em questão a sociedade de classes. Para ele só o aluno poderia ser autor das suas experiências, aluno como centro (paidocentrismo) da Escola Nova. Desenvolveu-se o método de projetos centrado na atividade prática do aluno. Jean Piaget (1896-1980) pesquisou a natureza do desenvolvimento da inteligência na criança. Estudou como a criança organiza o real. Criticou a escola tradicional que ensina a copiar e decorar e a não pensar. E para obter bons resultados no aprendizado da criança, o professor deveria respeitar as fases de desenvolvimento da criança. Compreendia que aprendizagem é um conceito psicológico. A epistemologia genética também não é uma ciência entre outras, mas uma matéria interdisciplinar que se ocupa com todas as ciências. A gênese do conhecimento foi o maior interesse de estudo de Piaget, onde analisou as relações entre conhecimento e vida orgânica. Buscou conhecer como o ser humano consegue organizar, estruturar e explicar o mundo em que vive. Sua teoria foi importante para explicar a evolução do comportamento cognitivo. Sua teoria epistemológica influenciou outros estudiosos como Emília Ferreiro. O desenvolvimento das tecnologias do ensino deve muito à preocupação escolanovista com os meios e técnicas educacionais. No Brasil existiram as escolas vocacionais, escolas ativas, escolas experimentais, escolas piloto, escolas livres, escolas comunitárias, escolas não-diretivas que adotaram essa filosofia educacional. Os métodos se apuraram e levaram para sala de aula o rádio, o cinema, o vídeo, o computador e as máquinas de ensinar. Inovações que chegam aos educadores e que o fizeram se perderem no meio de tantas 54 propostas inovadoras. Por isso que hoje, os educadores têm a necessidade de analisar mais sobre as sua prática a partir da realidade escolar, sabendo que nada adianta diante de novas técnicas e planos, por mais modernos que sejam. Na segunda metade do século, uma visão critica a respeito da educação escolanovista vem abalar o otimismo dos educadores. Paulo Freire (1921), herdeiro de muitas conquistas da Escola Nova, denunciou o caráter conservador dessa visão pedagógica e observou que a escola podia servir tanto para educação como prática da dominação quanto como pratica para a liberdade. Para ele, a Educação Nova não foi um mal em si, mas representou na história das ideias e práticas pedagógicas, um apreciável avanço. Freire foi o maior defensor da tendência progressiva. Destaca contrastes entre formas de educação que tratam pessoas como objetos em lugar de assuntos e procura entender a educação como ação cultural. O Pensamento Pedagógico Antiautoritário Essa teoria crítica partiu dos liberais e marxistas que afirmavam a liberdade como principio e objetivo da educação. Teve em Freud um de seus sublimes que muito influenciou a educação, embora não fosse pedagogo. Freud acreditava que muitos desajustamentos dos adultos tivessem suas origens nos conflitos e nas frustrações infantis. O educador espanhol, Francisco Ferrer Guardia (1859-1909), foi o fundador da escola moderna, racionalista e libertária, mais destacado critico da escola tradicional, apoiando-se no pensamento iluminista. Acreditava que a educação para contribuir coma revolução, deveria formar homens livres que saberiam como agir na sociedade e para isso, a escola deveria abolir todo instrumento de repressão e coerção. Outra experiência da escola livre foi representada pelos estudos de Alexander S. Neill (1983-1973), na Inglaterra, numa perspectiva liberal, não progressista, mas baseada no principio da afirmação da liberdade sobre a 55 autoridade. O objetivo da educação seria de que a criança viva a sua vida e não a do adulto. Seu principio básico seria liberdade interior e individual. Já o educador Carl R. Rogers (1902-1987), foi o pai da não-diretividade, defendendo que o clima de liberdade favorecia o pleno desenvolvimento do individuo. Apreciava a empatia e autenticidade. Todo processo educativo deveria ser centrado na criança e não no professor. O professor seria o facilitador dessa aprendizagem. O papel do educador era de cooperação para com os alunos, aperfeiçoando a vida comunitária de sua escola. Ao lado de Freinet, outro pensador marca o pensamento antiautoritário, Henry Wallon (1879-1962), afirmando que o meio fundamental da criança era o meio físico e meio social. Considerava a criança como ser social e com a personalidade em desenvolvimento. Defendeu que o desenvolvimento intelectual envolve não só o cérebro, mas também a emoção. Por meio das emoções que o aluno exterioriza seus desejos e suas vontades. Em sua teoria, Wallon, propunha uma educação integral, intelectual, afetiva e social, indo desde a pré-escola até a universidade. Sua teoria é centrada na psicogênese da pessoa completa. O Pensamento Pedagógico Crítico Entre os maiores críticos encontramos o filosofo francês, Louis Althusser -1969 (os aparelhos ideológicos do Estado), e os sociólogos Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron -1970, influenciando o pensamento pedagógico brasileiro da década de 70. Foram chamados de críticos reprodutivistas, por demonstrarem que a educação reflete a sociedade. Formularam as seguintes teorias: Althusser, a teoria da escola enquanto aparelho ideológico do Estado, Bourdieu e Passeron, a teoria da escola enquanto violência simbólica, Baudelot e Establet, a teoria da escola dualista. 56 A violência simbólica para Bourdieu e Passeron, era a obrigação por um poder arbitrário, a cultura dominante, baseada na divisão da sociedade de classes. A ação pedagógica tende a reprodução cultural e social respectivamente. Esse poder arbitrário necessita ser escondido de duas formas; a autoridade pedagógica e a autonomia relativa da escola. A autoridade pedagógica disfarça o poder arbitrário, como ação psicológica. Implica o trabalho pedagógico como processo de inculcação, criando nas criançasda classe dominada sistema de princípios interiorizados e duráveis. A ação pedagógica da escola seria antecedida pela ação pedagógica primária no aparelho ideológico que é a família. A partir do capital cultural, a criança da classe dominada, a escola e a aprendizagem se torna uma verdadeira conquista, já para classe dominante, a criança tem a aprendizagem como uma continuação. Em fim, para Bourdieu e Passeron, a origem social marca a maneira infalível a carreira escolar e depois a profissional dos indivíduos. Essa origem social produz primeiro, o fenômeno de seleção. Para aos dois, a cultura das classes superiores estaria tão junta da cultura da escola que a criança originária de um meio social inferior, não poderia adquirir senão a formação cultural que é dada aos filhos da classe culta. Assim sendo, para uns, a aprendizagem da cultura escolar é uma conquista arduamente obtida; para outros, é um legado normal, que inclui a reprodução das normas. 57 Avance com foco no seu aprendizado Estamos disponibilizando neste espaço de aprendizagem as videoaulas, um recurso tecnológico, com a intenção de contribuir com sua aprendizagem sobre os temas referente às unidades de estudo da disciplina. Guiando o estudo com as videoaulas Leia o cada unidade de estudo e ao final assista as videoaulas para ampliar seu estudo e ou dirimir as dúvidas sobre o tema. https://vimeo.com/136000647 58 59 O Pensamento Pedagógico do terceiro mundo: novas possibilidades na Educação. 2 60 61 O Pensamento Pedagógico do terceiro mundo: novas possibilidades na Educação. A teoria pedagógica erguida nos países de terceiro mundo foi originada pelo processo de lutas e pela busca de emancipação. Hoje, esse pensamento tem influência não apenas nos países de origem, mas também no mundo dos educadores do chamado primeiro mundo, como mostra a divulgação das obras de Paulo Freire, Emília Ferreiro e outros. Os países da América Latina tiveram seu desenvolvimento restrito. Primeiro, pelas políticas das metrópoles e depois da independência. Os colonizadores condenaram a educação e a cultura nativa, impondo seus hábitos, costumes e religião. Pode-se dizer que no período de 1930 a 1960, predominou na América Latina a teoria da Modernização desenvolvimentista. E a partir da década de 60, com as lutas de libertação, aparece a teoria da dependência que negava a teoria anterior. Uma educação de censura radical a escola, do aparato ideológico e das desigualdades sociais. Essa teoria foi dominante na primeira metade da década de 70, com forte presença do autoritarismo do Estado e dos militares. Já na década de 80, não apresentou teorias e modelos pedagógicos dominantes. Houve um crescente desenvolvimento de pós-graduação em educação e aumento de organizações não-governamentais. Representou um limite do esgotamento do modelo teórico critico em função do distanciamento da prática. A prática de enfrentamento da crise parece juntar duas fortes correntes: de um lado os defensores da escola pública e de outro, os educadores ligados aos movimentos sociais, pela chamada educação popular. Uma educação empenhada com o fortalecimento da organização popular e pela luta da libertação dos povos. 62 A pedagogia originária do terceiro mundo é política e não especulativa, mais prática, visando à ação entre homens. É o que Paulo Freire chama de pedagogia do oprimido. O Pensamento Pedagógico Brasileiro A criação da Associação Brasileira de Educação (ABE), em 1924, foi fruto do projeto liberal de educação, representando o otimismo pedagógico, na esperança de restaurar a sociedade através da educação. O ensino libertário fornecido pelas escolas modernas foi marcado por tensões em 1919, entre anarquistas e autoridades. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova seria o primeiro legado político e doutrinário de 10 anos de luta da ABE em favor do Plano Nacional de Educação. Outro acontecimento da década de 30 para a teoria educacional foi a fundação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos – INEP, em 1937. Depois da ditadura de Getúlio Vargas (1937-1945), abre-se o período de redemocratização no país interrompido com o golpe militar. O movimento educacional adquiriu um novo impulso dando origem a dois movimentos: por uma educação pública e por uma educação popular. A contribuição maior de Paulo Freire foi através da alfabetização de jovens e adultos e em outros campos como a pesquisa participante e os métodos de ensinar. O pensamento pedagógico contemporâneo situa-se entre os pedagogos humanistas e críticos que contribuíram para a concepção dialética da educação. Os educadores e teóricos da educação liberal defendem a liberdade de ensino. De pensamento e de pesquisa, os métodos novos baseados na natureza da criança. Segundo eles, o Estado deve intervir o mínimo possível na vida de cada cidadão. Existiram defensores da escola pública e defensores da escola privada, mas tem em comum uma filosofia do consenso, restringem o papel da escola ao estritamente pedagógico. Os defensores e teóricos da educação progressista defenderam a implicação da escola na formação de um cidadão 63 critico e participante da mudança social. O pensamento pedagógico brasileiro é muito rico e está em movimento. Aspectos atuais: hoje estamos vivenciando crises de concepções e paradigmas em todos os campos da ciência, cultura e sociedade. A educação nos tempos atuais tornou-se permanente e social. Existe tendência universal, a ideia de que a educação se estende pela vida e que não é neutra. Caminhamos para a mudança da função social da escola. A educação popular é a nova educação, de caráter popular, socialista e democrática. Tanto a educação socialista democrática quanto a educação permanente, se tornaram uma tendência nesse século. Correspondem a novas exigências da sociedade de massas e da classe trabalhadora organizada. Parece que o melhor caminho de superação da crise educacional é evidenciar suas contradições. Como a crise da educação e da sociedade são inseparáveis, o desenvolvimento das contradições escolares e a sua transformação também são inseparáveis do desenvolvimento e da superação das contradições sociais. A Educação Permanente A ideia de uma educação internacionalizada já existia desde 1899. No inicio do século XX (1917), foi criada a disciplina nova, pedagogia comparada, caracterizada pelo estudo comparado das teorias, práticas e sistemas educacionais. No Brasil essa prática foi iniciada pela educação nova. Vista de forma acrítica, a educação comparada se prestou ao transplante cultural. Em 1968, a UNESCO analisou a crise da educação, e propôs uma nova orientação chamada educação permanente, seguindo o princípio que o homem se forma e se educa durante a vida inteira. Na segunda metade do século XX, na América Latina, fez-se um grande esforço para expandir a educação. Mas o atraso educacional era verificável pelos altos índices de analfabetos associados à pobreza generalizada. 64 Observando o desenvolvimento educacional do século XX, podemos afirmar que os países socialistas alcançaram um alto grau de desenvolvimento educacional e os países capitalistas estão em crise na educação. As alternativas educacionais populares serão o resultado de uma luta pela organização do poder popular. A informatização da educação, educação a distância, parece despertar esperança de desenvolvimento da educação nos países latino-americanos. A educação no pós-modernismo é marcada pelo avanço da tecnologia eletrônica, da automação e da informação, que causam a perda de identidade nosindivíduos ou até a desintegração. Caracteriza-se pela crise de paradigmas e de referenciais. Portanto, a educação pós-moderna seria aquela que leva em conta a diversidade cultural, portanto, a educação multicultural. Essa representa um movimento histórico-social com ambiguidades. Uma educação que respeita as minorias étnicas, a pluralidade de princípios, os direitos humanos, ampliando conhecimentos e visões de mundo. Ligada à cultura, mostra-se cultural e permanente, priorizando o processo do conhecimento e sua finalidade. O pós-modernismo da educação trabalha mais com o significado do que com o conteúdo, mais com a intersubjetividade e a pluralidade do que com a igualdade e a unidade. Trabalha com os conteúdos e com o seu significado. Valoriza o afetivo, envolvimento, solidariedade, autogestão. A educação moderna trabalha com conceito chave da igualdade, buscando eliminar as diferenças. E a educação pós- moderna, trabalha o conceito chave da equidade, buscando a igualdade sem eliminar as diferenças. O pressuposto básico da educação moderna é a hegemonia, universalização de uma visão de mundo. O da pós-moderna é a autonomia, capacidade de autogoverno de cada cidadão. Logo, tenta manter o equilíbrio entre a cultura local e regional. A autonomia passou a ser tema fundamental dessa educação. Escola autônoma significa ousadia, curiosidade e diálogo com todas as culturas (pluralismo). 65 Avance com foco no seu aprendizado Estamos disponibilizando neste espaço de aprendizagem as videoaulas, um recurso tecnológico, com a intenção de contribuir com sua aprendizagem sobre os temas referente às unidades de estudo da disciplina. Guiando o estudo com as videoaulas Leia o cada unidade de estudo e ao final assista as videoaulas para ampliar seu estudo e ou dirimir as dúvidas sobre o tema. A Educação proibida https://vimeo.com/136000645 https://vimeo.com/136000645 66 67 A Pluralidade dos modos de conhecimento: Democratizando a Ciência 3 68 69 A Pluralidade dos modos de conhecimento: Democratizando a Ciência A nova frente critica no ponto de vista multicultural, tem aparecido para o prestígio de sistemas de saberes plurais, alternativos a ciência moderna articulando com novas conformações de conhecimentos. A abertura a uma pluralidade de modos de conhecimentos e novas formas de relacionamento entre estes e a ciência tem sido conduzida, com resultados saudáveis e proveitosos, especialmente nas áreas periféricas, onde o encontro dos saberes hegemônicos e não hegemônicos é mais desigual e violento. Nesse sentido, Boaventura de Sousa Santos (2005), indaga porque os conhecimentos não-científicos são considerados locais, tradicionais, alternativos ou periféricos? Explica que as mudanças na hierarquia entre científico e não-cientifico tem sido variadas, incluindo a dicotomia monocultural-multicultural, moderno-tradicional; global-local; desenvolvido- subdesenvolvido; avançado-atrasado. Cada uma delas tem confessado uma extensão de dominação. A dicotomia entre saber moderno e saber tradicional, contrata a ideia de que o conhecimento tradicional é prático, coletivo, disseminado no local, expressando experiências exóticas. A atual organização global da economia capitalista garante entre outras coisas, a produção continua de uma diferença epistemológica, que não reconhece a existência, em pé de igualdade, de outros saberes, e por isso, se constitui em hierarquia epistemológica, geradora da marginalidade, silenciamentos, exclusões de outros conhecimentos. Essas diferenças epistemológicas incluem outras diferenças: a diferença capitalista, a colonial, a sexista, mesmo não se esgotando nelas. Sendo assim, estamos perante de uma luta cultural, entre a cultura cosmopolita e a pós-colonial, apostando na reinvenção de outras culturas, para além da homogeneização imposta pela globalização hegemônica. 70 O multiculturalismo emancipatório parte do reconhecimento da pluralidade de conhecimentos e de concepções distintas sobre a dignidade humana e sobre o mundo. Ao longo dos séculos, as constelações de saberes foram desenvolvendo formas de articulações entre si, construindo um modo dialógico de engajamento permanente, entre os saberes modernos, científicos, ocidental às formações nativas, locais, tradicionais de conhecimento. O grande desafio é lutarmos contra uma monocultura do saber, não só na teoria, mas em sua prática constante, através de estudo e da pesquisa- ação. Permear o futuro na ligação das relações dos saberes e das tecnologias. Os conhecimentos são contextuais e por isso a heterogeneidade epistêmica do mundo é infinita, não existindo nem conhecimentos puros, nem conhecimentos completos. Boaventura (2005) assinala que nós estamos vivenciando um aumento da participação dos cidadãos nos debates científicos e isso tem aproximado as fronteiras entre o técnico e o não técnico. Essa diferença deixa de existir à medida que os cidadãos emergem como atores dos debates sobre os impactos sociais das decisões técnicas. Quando as soluções técnicas se chocam com o conhecimento prático e a experiência sociocultural dos cidadãos e este choque é politizado via mobilização organizada desses cidadãos. Estamos falando da relativização do técnico, a ideia de que para problemas complexos, existe mais do que uma solução técnica, e que a opção entre elas, é mais do que técnica, e também, política, social, econômica e cultural. Esta é a democratização da ciência que propõe cada vez mais o diálogo entre cientistas e cidadãos, não eliminando as diferenças existentes entre o técnico e o não técnico, mas compreendendo que a fronteira entre o técnico e o social, é móvel e deve ser redefinida em função da situação e do problema, através das decisões de todos envolvidos com as consequências das decisões que forem tomadas. Uma participação cidadã no campo da ciência requer uma institucionalização de mecanismos que possibilitem aos cidadãos um 71 conhecimento mais profundo das questões técnico- cientificas e aos cientistas e técnicos um conhecimento mais atento das aspirações dos cidadãos, da história e das condições sociais e culturais em seus contextos, atuando em uma abertura de pluralidade em suas soluções técnicas e não-técnicos para a ciência moderna, chamadas de tecnologias populares. Hoje como em nosso passado, adotam uma aplicação simplista do conhecimento local e isso faz perpetuar a polarização para opor a racionalidade da ciência à irracionalidade do conhecimento local. A ciência se constituiu objetivamente através dos diferentes sistemas de reprodução e difusão do saber, com vetor central de exclusão social, da diferenciação e da incivilização. É necessário compreendermos a ciência como uma atividade que é parte da cultura e que tem uma história que deve ser considerada para dar sentido às ações desenvolvidas pelos pesquisadores. A passagem do conhecimento à intervenção transformadora do mundo se faz nessas condições: reduzindo tudo que é relevante ao que pode ser conhecido através do modelo científico. O resultado é o que designamos em geral, como colonialismo, a concepção de um mundo que permanece caótico e desordenado sem uma intervenção criadora e disciplinadora de ordem do conhecimento científico. e o que não cabe nessa ordem é descartado e eliminado, subordinado tanto pela violência física ( através de meios militares e repressivos) ou simbólica (através de instituições culturais e cientificas, da educação, da aculturação). Como reação a essas tendências imperialmente hegemônicas, vários investigadores têm interrogado sobre os limites da ciência e as possibilidadesde outros conhecimentos. Quando se fala de limites da ciência, não significa a rejeição incondicional da ciência moderna, mas implica uma concepção alargada de pôr a ciência em cultura (SANTOS 2005). Significa restaurar as ciências a sua profundidade cultural e histórica, readquirir a sua história e interrogar suas implicações na sociedade e no mundo. 72 Avance com foco no seu aprendizado Estamos disponibilizando neste espaço de aprendizagem as videoaulas, um recurso tecnológico, com a intenção de contribuir com sua aprendizagem sobre os temas referente às unidades de estudo da disciplina. Guiando o estudo com as videoaulas Leia o cada unidade de estudo e ao final assista as videoaulas para ampliar seu estudo e ou dirimir as dúvidas sobre o tema. Moléculas da aprendizagem https://vimeo.com/136000646 https://vimeo.com/136000646 73 74 75 Uma análise sobre as Teorias da Educação 4 76 77 Conceituando Teorias da Educação O enfoque desse tema são as Teorias da Educação. Qual o significado de Teoria? Para Moreira (2011), muitas vezes o vocábulo ―teoria‖ é usado sem muita exatidão; no entendimento genérico, teoria é uma forma de sistematizar um campo da ciência, um modo particular de ver as coisas, de elucidar, de antever as observações e resolver problemas. Quando se discute a teoria da aprendizagem, se diz que se trata de uma construção humana para explicar metodicamente a área de conhecimento chamada de aprendizagem, uma maneira particular de ver as coisas, de esclarecer o ponto de vista de um autor ou de um pesquisador sobre como interpretar um tema de aprendizagem, sobre quais são as variáveis independentes, dependentes e intervenientes e explicar o que é aprendizagem e como funciona. A Teoria da Educação é a ciência que pesquisa o valor e os limites da educação como processo de edificação e de libertação do ser humano, deseja explicar o verdadeiro sentido e sua dimensão, conceitual e fidedigno do processo educativo do indivíduo. Assim pode-se dizer que as Teorias da Educação são constituídas por ―concepções pedagógicas‖, as quais são correspondentes de ―ideias pedagógicas‖. As Teorias da Educação são entendidas, não em si mesmas, mas na forma como se entrelaçam no movimento real da educação orientando e constituindo a própria substância da prática educativa. Segundo Cabanas (2002), as Teorias da Educação, são constituídas por concepções educacionais, de um modo geral, envolvem três níveis: • nível da filosofia: educação que, sobre a base de uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto sobre a problemática educativa, busca explicitar as 78 finalidades, os valores que expressam, uma visão geral de Homem, de mundo e de sociedade, com vistas a orientar a compreensão do fenômeno educativo; • nível sociológico: procura sistematizar os conhecimentos disponíveis sobre os vários aspectos envolvidos na questão educacional que permitam compreender o lugar e o papel da educação na sociedade. Busca identificação com a pedagogia, e passa a compreender o lugar e o papel da educação na sociedade; • nível pedagógico: é o modo como é organizado e realizado o ato educativo. Portanto, em termos concisos, podemos entender a expressão ―concepções pedagógicas‖ como as diferentes maneiras pelas quais a educação é compreendida, teorizada e praticada. Quando o debate é teoria da educação, qual será a diferença? A teoria da educação é um fenômeno epistêmico que emana da experiência humana. Pode-se dizer que o olhar do pesquisador vai se entrelaçando com as teorias historicamente construídas e assim, vão embasando a construção das práticas pedagógicas que constitui a educação escolar, e talvez a constituição de novas teorias. Esse processo de construção é histórico e social, ao mesmo tempo, que é constitutivo de identidades. O professor enquanto pessoa se constitui na interação que tem com o seu meio e, das mediações por ele propiciadas. Essas mediações vão imprimindo crenças e desejos que refletem em atitudes pedagógicas. Nesse sentido, as teorias da educação são constitutivas das pessoas e de sua forma de ser e estar no mundo. Portanto, é de grande responsabilidade dos educadores realizarem escolhas em relação às teorias que embasam suas práticas. 79 Para isto, é necessário acreditar, que a educação escolar possa ―se voltar para o Homem‖ (STOBÃUSE E MOSQUERA, 199, 47), numa concepção de educação humanizadora, capaz de extinguir a escola do silencioso, onde há uma aglomeração de pessoas inativas, que se adaptam como receptores do conhecimento dos mestres. E assim, construir uma escola do diálogo, onde todos são reconhecidos, em sua unicidade. Uma escola que promova a escuta, o pensar, o participar. Como afirma Fazenda ―[...] além do que os livros já falam, além das possibilidades que lhe são oferecidas, além dos problemas mais conhecidos‖ (FAZENDA, 1989, p.19). Como instituir esse espaço formativo no contexto da Educação contemporânea Na perspectiva da educação contemporânea, buscamos em Vygotsky(1982), algumas contribuições. A cultura foi o tema foco de suas observações. Para Vygotsky (1982), a cultura amoldava as ideias de um grupo, ele, mostra-se adepto da linha materialista. Constatamos em seus conceitos, enunciados e em suas obras, que as condições materiais influenciavam nas relações sociais como o motor da história. Vygotsky (1982), surge afirmando que o meio social é determinante do desenvolvimento humano e que isso, acontece basicamente pela aprendizagem da linguagem, ocorrendo por imitação. Assim, concebe o Homem como um ser histórico e produto de um conjunto de relações sociais. Sendo, base de seus estudos as crianças e os jovens abandonados, órfãos ou pessoas que se perderam da família. Em sua concepção o desenvolvimento e a aprendizagem andavam juntos, uma ocorria através da outra, por isso, ele defendia uma aprendizagem que não existe contextos pré-definidos. Aprendizagem pode ser adquirida na escola, fora da escola e pela vivência, nesse sentido todas as aprendizagens se interligam. 80 Nesse sentido destaca-se a ideia de interdisciplinaridade, valorizar os tipos de conhecimento e à importância de se articular a educação escolar com a extraescolar. Também, contribuiu com a ideia do professor ser um mediador, isto, reforça que o educador é mediador entre o conhecimento e o educando, promovendo situações que incentivem a aprendizagem. Sobre a mediação, Vygotsky, assegura que a linguagem é um ícone mediador por excelência, é também um veículo de comunicação dos pensamentos, e, que a linguagem é um modo de anunciar as ideias. Essa concepção foi crucial para os educadores no sentido de avaliar melhor as posturas de linguagens e adapta-las aos contextos exigidos. Elencamos como sua contribuição, a teoria sobre a zona de desenvolvimento proximal, que define por ser a distância entre o conhecimento adquirido de modo autônomo e o conhecimento obtido com o auxílio de outros meios de seu grupo social, neste caso a escola seria a intermediadora desses conhecimentos. Essa teoria destaca a obrigação do professor em conciliar os conceitos do cotidiano com o científico, mais uma vez a questão do desenvolvimento atrelado à aprendizagem. Conforme Vygotsky, podemos concluir que: Na educação [...] não existe nada de passivo, de inativo. Até as coisas mortas, quando se incorporam ao círculoda educação, quando se lhes atribui papel educativo, adquirem caráter ativo e se tornam participantes ativos desse processo. (VYGOTSKY, 2001, p. 70). É necessário, que se analise o pensamento vygotskiano, na perspectiva que suas ideias envolvem diversas outras ações que interferem excessivamente no desenvolvimento das funções psicológicas superiores que são características dos seres humanos em procedimento de socialização e que a educação, quando abalizada em fundamentos teóricos consistentes. O pode ser o momento adequado para o ser humano entrar em contato com as ferramentas sociais que permitam seu pleno desenvolvimento. 81 O surgimento da pedagogia O reconhecimento da Pedagogia como Ciência ocorreu por volta dos séculos XVIII e XIX, alicerçada em pesquisas focadas nos aspectos atualizados da educação. No Brasil o conceito da Pedagogia como ciência surgiu em 1939. Nos estudos sobre as ideais de diversos autores verificou-se que a educação era situada no professor, mas com as mutações da Pedagogia, o estudante torna-se o núcleo do ensino e da aprendizagem. Surgindo, assim, outra versão para o trabalho do pedagogo, que é valer-se de valores humanistas para impregnar estes valores na educação, promovendo sempre uma educação para voltada para a ética, cujo grande compromisso era a formação de pessoas preenchidas de dignidade humana. Para você entender melhor! Vamos olhar um pouco para o passado. A concepção sobre o surgimento da Pedagogia demanda um olhar ao passado, onde estão os elementos para se entender a origem da Pedagogia como ciência da educação. Alguns pesquisadores abordam a pedagogia como a ciência que se trata de uma única ciência no âmbito de outras ciências. Não seria correto se usássemos a pluralização do termo, pois isso dificultaria o entendimento da Pedagogia. A generalização pela qual tem passado o termo nos últimos anos e os usos frequentes têm feito com que o termo perca um pouco do seu significado essencial. Passando a ser entendida como algo genérico, sem especificidade na área do conhecimento, isto é, no campo da investigação a pedagogia não é tratada como uma ciência. Segundo Genovesi (apud SAVIANI, 2007, p.102) é uma ciência que caminha com suas próprias pernas nas palavras do teórico: 82 A Pedagogia é ciência autônoma porque tem uma linguagem própria, tendo consciência de usá-la segundo um método próprio e segundo os próprios fins e por meio dela, gera um corpo de conhecimentos, uma série de experimentações e de técnicas sem o que lhe seria impossível qualquer construção de modelos educativos (GENOVESI, 1999, p. 79-80 apud SAVIANI, 2007, p. 102). As contestações sobre ―as ciências‖, e, ―a ciência‖, nos parece estranho, mas estas afirmações devem ser levadas a sério porque o efeito subliminar, à medida que se invade o imaginário das pessoas, faz confusão entre a Pedagogia e as áreas que se conectam entre si como: a Didática, a Metodologia. Nomeadamente em relação à Didática, que se considera como sinônimo da Pedagogia. Dessa forma, as consequências dessa confusão semântica interferem na prática dos profissionais de educação. A Pedagogia tem a educação como objeto central, esse acontecimento humano, social, político, cultural, epistemológico, antropológico, filosófico, psicológico, que, para ser estudado, exige esforços conjugados de ciências diferentes associadas as Ciências Humanas. No âmbito da Pedagogia; os subsídios teórico-metodológicos indicados para os estudos incluem outras ciências, porém solicitadas a partir do ponto de vista da Pedagogia. É essa a concepção a ser resgatada. Pois, conforme Marques (1990, p. 24), a Pedagogia ―[...] não pode se limitar ao entendimento de como se dão as inserções educativas como episódio e à afirmação de diretrizes gerais para a educação nos horizontes ampliados da emancipação humana e da maioridade dos sujeitos‖. Marques ressalta que a esta ciência, cabe [...] presidir a organização e condução da instituição educativa, no sentido de como se vão dar as relações internas do poder, mediadas pela infraestrutura de recursos e controles e de como vão se relacionar a gestão institucional, a dinâmica das relações interpessoais e a produção e circulação dos conhecimentos. (MARQUES, 1990, p. 24). 83 O espaço da Pedagogia no âmbito de ciência está presente em todo contexto social, não unicamente na escola. Mas, se percebe a Pedagogia mediada pelas tecnologias, gerando ações pedagógicas em muitos outros espaços sociais ampliados. A Pedagogia é elemento cultural, além de contribuir para sua socialização. Podemos entender que ―[...] o educativo (e o escolar) fazem parte de uma complexa engrenagem cultural e social‖ (SOLÀ, 1995, págs. 215-216). Em um contexto social os meios de comunicação, de modo geral, disseminam a ideia que está ocorrendo uma crise da educação e da escola apontando todos os elementos referentes à escola, ao conhecimento, ao currículo, às políticas públicas educacionais, à gestão da educação e, sobretudo, à Pedagogia. Em presença dessas afirmações, Franco (2008, p. 361) contra argumenta, se a Pedagogia é entendida como apenas tecnologia, ela só pode produzir conhecimentos referentes à técnica; mas se a Pedagogia é avaliada em sua obliquidade metodológica, ela germinará conhecimentos sobre métodos; se, a Pedagogia é concebida como ciência da ação com reflexão, com retorno, ou seja, a práxis educativa, ela poderá produzir conhecimentos que fundamentam a prática, delineados a partir dos saberes pedagógicos, construídos pelos docentes. É nessa terceira perspectiva que se afirma a necessária dissociabilidade entre Didática e Pedagogia. Assim, a Legislação atual em conformidade com as Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia, subsidiada pela Resolução CNE/CP nº 1, de 15 de maio de 2006, enfatiza a criação da identidade profissional do pedagogo. O documento foi baseado na atuação da docência de acordo com os autores como: Libâneo, Franco, Pimenta sem predominar uma discussão de anos que destaca a Pedagogia como a ciência da educação. A base de um curso de Pedagogia não pode ser a docência. A base de um curso de Pedagogia é o estudo do fenômeno educativo, em sua complexidade, em sua amplitude. Parafraseando Libâneo, 2006, podemos 84 dizer que: todo trabalho docente é trabalho pedagógico, mas nem todo trabalho pedagógico é trabalho docente. Pontos que merecem destaque 1. Pedagogia, assumi a concepção de Ciência, libertando-se dos pressupostos positivistas e a sua sujeição a epistemologia das ciências acessórias. 2. Ratificar o verdadeiro papel da Pedagogia nos textos da Legislação (Diretrizes Curriculares), que a mesma contemple toda a complexidade e amplitude. Ressaltando que a Legislação atual ―não fundamentou nem definiu o campo conceitual da Pedagogia, fragmentou sua articulação disciplinar e desprezou os saberes historicamente construídos‖ (FRANCO, LIBÂNEO, PIMENTA, 2007, p.70). 3. Os profissionais de educação assumam a Pedagogia como ciência e abandone a fila daqueles que somente teoriza sobre os fenômenos educativos, mas transforme em ações estruturais e produzam novas condições de exercer o ato pedagógico, sempre com o intuito da emancipação da sociedade e da pessoa. E ainda se deve reforçar o pensamento de Franco (2008, p. 77), quando insiste que a Pedagogia seja a Ciência da Educação, a partir de decisões eficazes: Demarcação do objeto de estudo da Pedagogia; Alargamento do significado de ciência, acolhendo os pressupostos epistêmicos, compatíveis com o elemento educativo delimitado como objeto. 85 Coordenar e organizar as hipóteses metodológicas que comportem a apreciação lógica do autêntico, solicitando o acesso aos significados que os sujeitos construíram e estão construindoem seu fazer social, adaptando condições de reinterpretação desse real, reconfigurando e ampliando a rede de significados com vistas a uma ação cada vez mais emancipatória. Estas considerações são imperativas para que a pedagogia se torne uma ciência alicerçada no campo cientifico, dedicada ao estudo da Educação. A estrutura teórica existente deve ―olhar com olhos de ver‖ e fazer outra leitura sobre a formação de professores e, nomeadamente, ao curso de Pedagogia, que é designado para formar os professores para a Educação Básica. É necessário olhar o cenário problematizado em que vivemos um momento de transitoriedade do conhecimento em todos cenários: econômico, político, social e cultural, isto é um sinal de um mundo de múltiplas faces, um momento que as noções de espaço e de tempo admitem diversas implicações para o nosso entorno. A Pedagogia tem que ampliar as discussões para um campo que envolva as fronteiras e desobedeça à ordem constituída, e se preciso for pedir ajuda a outros campos do saber, tomar de empréstimo de outros campos disciplinares, pois como afirma Costa: Estou convencida de que da efetividade de nossa participação dependerá, em alguma proporção, quem terá o direito de falar no próximo milênio. Se não contarmos nossas histórias a partir do lugar em que nos encontramos, elas serão narradas desde outros lugares, aprisionando-nos em posições, territórios e significados que poderão comprometer amplamente nossas possibilidades de desconstruir os saberes que justificam o controle, da regulação e o governo das pessoas que não habitam espaços hegemônicos. (COSTA, 2007, p. 91). 86 Tendências Pedagógicas Abordaremos diferentes linhas pedagógicas ou tendências no ensino brasileiro, denominadas de abordagens ou diretrizes a ação docente. A partir dos diversos estudos que analisam e comparam as abordagens do processo de ensino e aprendizagem, podemos destacar os trabalhos de Bordenave (1984), Libâneo (1982), Saviani(1984) e Mizukami (1986), nos quais classificam as correntes teóricas em critérios diferenciados. Bordenave (1984), pesquisou sobre as diferentes ações pedagógicas segundo os fatores educativos que elas mais valorizam. Libâneo (1982), defende que as teorias adotam uma relação às finalidades sociais da escola. Saviani (1984), por sua vez, toma como critério de classificação a criticidade da teoria em relação ao meio social e de seus determinantes sociais. Importante lembrar: Bordenave (1984), com o estudo da pedagogia da transmissão, da moldagem e da problematização; Libaneo (1982), com estudos sobre as teorias da pedagogia liberal com suas versões conservadora, renovada progressista e renovada não- diretiva. Pedagogia progressista em suas versões libertadora, libertária e de conteúdo; Saviani (1984), com as teorias não – criticas (pedagogia tradicional, pedagogia nova e pedagogia tecnicista). Teorias crítico-reprodutivistas; sistema de ensino enquanto violência simbólica. Escola enquanto aparelho ideológico do Estado e escola dualista; Mizukami (1986), abordagem tradicional, comportamentalista, humanista e cognitivista. 87 Como existe diversidade de critérios e diferenças relativas aos principais componentes que explicam o processo educativo, no decorrer deste estudo, resolvemos adotar os conceitos expostos por Mizukami (1986), com algumas adaptações para efeito comparativo. O enfoque desta unidade concentra-se nas situações concretas de ensino e aprendizagem, por meio da instituição formal de ensino, no caso a escola, envolvendo professores e estudantes diante dos conteúdos de ensino. É importante ressaltar que um dos pontos a serem analisados, consiste na identificação das correntes teóricas sobre o comportamento do professor em situações de ensino e aprendizagem, principalmente em sala de aula. Abordagem Tradicional Fonte: http://casanaviagem.com/tag/inkiri/ Compreende-se por abordagem tradicional a prática caracterizada pela transferência dos conhecimentos acumulados pela humanidade ao longo dos tempos. Essa missão do professor, segundo Mizukami (1986, p. 17) é considerada ―[...] catequética e unificadora da escola; [...] envolve [...] programas minuciosos, rígidos e coercitivos. Exames seletivos, investidos de caráter sacramental‖. O ensino tradicional tem como características: Homem como receptor passivo, o mundo externo ao indivíduo, o conhecimento através do ensino dedutivo, a educação vista como produto, a escola compreendida como lugar 88 de cerimônia, o ensino e aprendizagem constituídos de forma mecânica, na relação professor – estudante com poder decisório e individual do professor, a metodologia reprodutivista e avaliação realizada de forma quantitativa, onde, apenas o professor é capaz de avaliar o desenvolvimento cognitivo, através provas individuais, rigorosas, com exames escritos e orais. A concepção de educação, nessa abordagem, deve corrigir a natureza corrompida do Homem, exigindo, por meio de uma vigilância constante, esforço e disciplina rigorosa. Referências ao ensino tradicional, também, são feitas por Bordenave (1984, p. 41), que a denomina ―pedagogia da transmissão‖. Assim, dentro do ensino tradicional a opção pedagógica valoriza, sobretudo, os conteúdos educativos, isto é, os conhecimentos e valores a serem transmitidos. Estes vão caracterizar um tipo de educação tradicional que chamaremos Pedagogia da Transmissão. A análise das consequências sociais decorrentes desta pedagogia, ―forma alunos passivos, produz cidadãos obedientes e prepara o campo para o Ditador Paternalista. A sociedade é marcada pelo individualismo, e não pela solidariedade‖ (BORDENAVE, 1984, p. 41). Vamos analisar! Características do Processo Didático do Ensino Tradicional Características da Aprendizagem Colaborativa O professor é o único responsável pela aprendizagem. O estudante é responsável pela aprendizagem O ensino é um processo de instrução. O ensino e a aprendizagem são um processo de construção do saber. Os estudantes são passivos. Os estudantes são ativos. O professor instrui e dá aulas expositivas. O professor facilita e aconselha. 89 O estudante trabalha com material apenas escrito, gravado ou televisionado. O estudante tem possibilidade de ter acesso a um número grande de informações por meio das novas tecnologias educacionais. O estudante recebe a informação. O estudante é uma pessoa criativa que resolve problemas e usa a informação. Projetos e conquistas são individuais. Trabalho é colaborativo. Por outro lado, Libâneo (1982), aproxima essa abordagem como pedagogia liberal em sua versão conservadora, destacando o papel da escola de formação intelectual e moral dos estudantes, para que estes possam assumir o seu papel na sociedade. Na versão conservadora, a pedagogia liberal se caracteriza por acentuar o ensino humanístico, de cultura geral, no qual o aluno é educado para atingir, pelo próprio esforço, sua plena realização como pessoa. Os conteúdos, os procedimentos didáticos, a relação professor-aluno não tem relação alguma com o cotidiano do aluno e muito menos com as realidades sociais. (LIBÂNEO, 1982, págs. 12-13) Abordagem Comportamentalista A abordagem comportamentalista, também, se caracteriza pela ênfase no objeto. O Homem é considerado como produto do meio; consequentemente, pode-se manipulá-lo e controlá-lo por meio da transmissão dos conhecimentos decididos pela sociedade ou por seus dirigentes. Assim, o professor utiliza-se de toda uma ―engenharia comportamental e social‖ (Santos, 2005, p.19), para moldar o comportamento do estudante através da moldagem do meio. 90 Bordenave (1984), denomina essa abordagem de pedagogia da moldagem do comportamento, descrevendo:se o fator é o efeito ou resultado obtido pela educação – quer dizer, as mudanças de conduta conseguidas no indivíduo, isto, definiria o tipo de educação denominado Pedagogia da Moldagem do Comportamento ou Pedagogia Condutista‖ (BORDENAVE,1984, p.41). Libâneo (1982) identifica essa abordagem como parte da pedagogia liberal, em sua versão renovada progressista, dando atenção ao movimento da ―tecnologia educacional‖. (LIBÂNEO 1982, págs. 12-14). A tecnologia educacional foi-se introduzindo nos sistemas públicos de ensino a partir da tradição progressista que privilegia o ensino sob o ângulo dos aspectos metodológicos, em contraposição à ênfase no conteúdo das matérias. Assim, os recursos fornecidos pela tecnologia da educação (instrução programada, planejamento sistêmico, operacionalização de objetivos comportamentais, análise comportamental e sequência instrucional) foram incorporados à prática escolar. Segundo Saviani (1984), essa abordagem é identificada como pedagogia tecnicista, onde a escola é a modeladora do comportamento humano através das técnicas específicas e a atividade baseada no desempenho. Para realização dessa moldagem do comportamento, o ensino deve utilizar-se de reforços e recompensas para, por meio do treinamento, atingir objetivos preestabelecidos. Portanto, o ensino necessita de tecnologias derivadas da aplicação de pesquisas científicas, tais como ―máquinas de ensinar‖, isto é, instruções programadas; computadores; manuais; tutoriais de treinamento. Nessa postura, os conhecimentos decorrem da ciência objetiva excluindo a subjetividade, pois se ensina apenas o que é redutível ao conhecimento observável e mensurável. Em relação ao professor e ao 91 estudante, valoriza-se a hierarquia, a ordem, a impessoalidade, as normas fixas e precisas, a uniformidade e obediência. O professor é um especialista, um transmissor do saber, e o estudante, o receptor das informações. O principal representante da análise funcional do comportamento foi Skinner (1972). Ele não se preocupou em justificar porque o estudante aprende, mas sim em fornecer uma tecnologia que seja capaz de explicar como fazer o estudante, estudar com eficiência na produção de mudanças comportamentais. A motivação da aprendizagem só pode ser extrínseca: as recompensas ou esforços são essenciais à aprendizagem e definem ou modificam novos comportamentos. Segundo Pavlov a aprendizagem depende de estímulos, de condições, externas ao organismo. As crianças recebem recompensas quando tem respostas desejáveis, resultando em condicionamento de reações. Em relação a resposta condicionada ao condicionamento de respostas produz efeitos de longo alcance. Uma criança condicionada pode desenvolver medos, bloqueios, causando restrições à ação e a construção do pensamento ao longo de sua vida. Toda aprendizagem dessa natureza é explicada pelos resultados dos condicionamentos ocasionados pelos estímulos repetitivos. Abordagem Humanista Na abordagem humanista, existem tendências encontradas no sujeito relacionado com o desenvolvimento humano e com o conhecimento. Carl Rogers (1972), enfatiza as relações interpessoais e o crescimento que delas resultam, dando ênfase a personalidade e a conduta no processo de construção nos indivíduos. Nesse sentido o professor deve ser um facilitador da aprendizagem. Por outro lado, verifica-se na obra de Rogers (1972) e na abordagem humanista a carência de uma teoria de instrução que forneça bases e diretrizes sólidas para a prática educativa. 92 O Homem é a pessoa situada no mundo em processo continuo de descoberta de seu próprio ser. Não nasce com um fim determinado, mas goza de liberdade plena e se apresenta como um projeto pronto e inacabado. O Homem é o arquiteto de si mesmo, sabe que um ser tem transformação, e que este é um agente transformador da realidade. A educação, então, assume significado amplo, tratando a educação do indivíduo e não apenas a pessoa em fase escolar, já que essa abordagem é caracterizada pelo primado do sujeito, onde, o ensino e a aprendizagem compreendidos podem dirigir a pessoa à sua própria experiência, para estruturar-se e agir em um método não diretivo, e sim aprendizagem significativa, pois envolve toda a pessoa. No trabalho de Bordenave (1984, págs. 42-43), não se identifica de forma explícita à abordagem humanista, com base nos pressupostos de Rogers (1972). No entanto, é feita uma aproximação, somente em alguns aspectos, por meio daquilo que este denomina ―pedagogia da problematização‖. Ele faz a seguinte afirmação: o docente facilita a identificação de ‗problemas‘ pelo grupo, sua análise e teorização, bem como a busca de soluções alternativas[...] incentivam a aprendizagem[...] a solidariedade com o grupo com o qual se trabalha [...] sua percepção do professor não é autoritária, pois o papel do professor não é de autoridade superior, mas de facilitador de uma aprendizagem em que ele também é aprendiz.‖ (BORDENAVE, 1984, págs. 42-43) Libâneo (1982, p. 12), identifica essa abordagem à pedagogia liberal, em sua versão renovada não-diretiva. Sobre isso, diz: ―em termos pedagógicos, a escola renovada propõe a autoeducação — o aluno como sujeito do conhecimento —, de onde se extrai a ideia do processo educativo como desenvolvimento da natureza infantil: a ênfase na aquisição de processos de conhecimentos em oposição aos conteúdos‖. (LIBÂNEO, 1982, p. 12) 93 Por outro lado, Saviani (1984) não explicita o trabalho de Rogers (1972), mas, em função das características observadas de não-diretividade do ensino e o primado do sujeito, podemos enquadrar a abordagem humanista dentro do que Saviani (1984), chama de a Pedagogia Nova, que é considerada o marco inicial para o surgimento das tendências não-diretivas e antiautoritárias. Merriam e Caffarella (1991) descrevem as orientações de aprendizagem: ORIENTAÇÕES DE APRENDIZAGEM Diferentes Aspectos Behaviorista Cognitivista Humanista Aprendizagem Social Teóricos de aprendizagem . Thorndik Skinner. Lewin Piaget. Maslow Rogers. Bandura Rotter. Visão do processo de aprendizagem. Mudanças no comportamento. Processo mental interno (incluindo insight, processamen to de informações, memória e percepção). Um ato pessoal para realizar potencial. Interação e observação dos outros em um contexto social. Locus da aprendizagem. Estímulo no ambiente externo Estrutura cognitiva interna. Necessidade s cognitivas e afetivas. Interação de pessoa, comportamento e ambiente. 94 Abordagem Cognitivista Na abordagem cognitivista a utilização do termo ―cognitivista‖ visa identificar os psicólogos que pesquisaram pelos chamados ―processos centrais‖ do indivíduo, tais como organização do conhecimento, processamento de informações, estilos de pensamento, estilos de comportamento. Os principais pesquisadores nessa área são: Jean Piaget, biólogo e filósofo (suíço) e Jerome Bruner (americano). Essa abordagem é também conhecida como piagetiana, devido à sua grande difusão e influência na pedagogia em geral. Nesse enfoque, encontramos o caráter interacionista entre sujeito e objeto, acontecendo o aprendizado decorrente da assimilação do conhecimento pelo sujeito e também da modificação de estruturas mentais já existentes. Propósito da educação. Produzir mudança de comportamento em direção desejada Objetivo behavisoristas Desenvolver capacidade e habilidade para aprender melhor: Inteligência aprendizage m e memória como função da idade; Aprendendo como aprender. Tornar-se auto atualizado e autônomo. Andragogia Aprendiza gem autodireciona da. Modelar novos papéis e comportamento Socialização Papéis sociais Relação com mentor Locus de controle. Manifestação na aprendizagem de alunos. Desenvolvimento e treinamento de habilidades. 95 Pela assimilação o indivíduo descobre o ambiente, transformando-o e incorporando-o a si. Dessa forma, o pensamento é a base da aprendizagem, que se constitui de um conjunto de mecanismos que o indivíduo movimenta para se adaptar ao meio ambiente. Nesse ponto o conhecimento é obtido por intermédio de uma construção dinâmica e contínua, onde o ensino deve visar o desenvolvimento da inteligência por meio do ―construtivismo interacionista‖, que em essência, parte do princípio no qual é assimilada uma estrutura mental anterior, criando uma nova estrutura em seguida. Nesse sentido, a concepção piagetiana implica a interdependência do indivíduo em relação ao meio em que vive na sociedade, sua cultura, seus valores e seus objetos. No trabalho de Bordenave (1984), não se encontra referências explícitas à abordagem cognitivista, mas podemos identificá-la em parte na pedagogia da problematização, na qual este nos ensina que: a opção valoriza o próprio processo de transformação do aluno enquanto agente transformador da sua realidade[...] o aluno sente-se protagonista de um processo de transformação da realidade e desenvolve um sentido de responsabilidade social e uma atitude de entusiasmo construtivo. (BORDENAVE, 1984, págs. 41- 42). Libâneo (1982) faz menção à abordagem piagetiana e a de outros pensadores e seguidores da ―Escola Nova‖, classificando-os na pedagogia liberal, em sua versão renovada progressista, e dizendo que ―[...] a ideia de ‗aprender fazendo‘ está sempre presente. Estimulam tentativas experimentais, a pesquisa, a descoberta, o estudo do meio natural e social, e o método de solução de problemas‖ (LIBÂNEO, 1982, págs. 12-14). O trabalho de Saviani (1984), faz referência à abordagem cognitivista. Essas referências podem ser encontradas indiretamente no que ele identifica como a ―Pedagogia Nova‖. Entende-se: 96 que essa maneira de entender a educação, por referência a pedagogia tradicional tenha deslocado o eixo da questão pedagógica do intelecto para o sentimento: do aspecto lógico para o psicológico; ... de uma pedagogia de inspiração filosófica centrada na ciência da lógica para uma pedagogia de inspiração experimental baseada principalmente nas contribuições da biologia e da psicologia. Trata-se de uma teoria pedagógica que considera que o importante não é aprender, mas aprender a aprender. (SAVIANI, 1984, págs. 11-15). O Homem e o mundo Dentro desta perspectiva o Homem e o mundo são analisados conjuntamente, pois o conhecimento se dá pela interação entre eles (sujeito e objeto). Em Piaget, encontra-se a noção de desenvolvimento do ser humano por fases que se inter-relacionam e se sucedem até que atingem o estágio formal que lhe dá maior mobilidade e estabilidade. As características dessas fases, segundo Furth (1974) são: Cada estágio envolve um período de formação (gênese) e um período de realização, caracterizada pela progressiva organização composta de operações mentais. Cada estrutura constitui ao mesmo tempo a realização de um estágio e o começo do seguinte, início de um novo processo de evolução. A ordem do decurso dos estágios é constante. Os tempos ou periodos de realização podem variar dentro de certos limites, em função de fatores tais como: motivos, exercício, meio cultural e outros. A transição de um estágio anterior ao seguinte segue a lei da integração. As estruturas anteriores tornam-se parte das posteriores. 97 O ser humano progride de estágios mais primitivos (período sensório – motor), em direção ao hipotético – dedutivo, onde adquire instrumentos de adaptação que irão possibilitar qualquer perturbação do meio, podendo usar a sua descoberta e invenção como instrumentos de adaptação às suas necessidades. À medida que a criança vai construindo seu conhecimento e, portanto, ―reinventando o mundo‖, desenvolve sua inteligência. Um fenômeno básico do desenvolvimento infantil é caracterizado pela possibilidade de associar o mundo simbólico ao mundo real (período simbólico – intuitivo), o que lhe possibilita colocar o pensamento a serviço da ação. Toda ação da criança sugere na agregação entre inteligência e afetividade. O desenvolvimento da inteligência provoca o desenvolvimento afetivo. A afetividade e a inteligência são interdependentes não havendo autonomia de uma sobre a outra. Sociedade e Cultura O desenvolvimento social deve caminhar no sentido da democracia e compete a escola e ao professor propiciar a socialização que implica na decisão em comum acordo na corresponsabilidade pelas regras que as crianças seguirão. Entre os fatos sociais compartilhados na escola estão: regras, valores, normas que variam de grupo para grupo, de comunidade para comunidade, de acordo com a realidade local onde vivem e convivem. Segundo Piaget (1980) o ser humano passa pelas seguintes fases durante o seu desenvolvimento em qualquer cultura: Anomia: etapa própria do egocentrismo onde a criança tem a ilusão que tudo é feito pelo adulto a quem ela tem grande admiração. Por exemplo: ―a árvore foi feita pelo meu pai.‖ Heteronomia: etapa onde a criança aceita normas; copia as condutas do adulto que mais admira. 98 Autonomia: o ser humano atinge quando chega ao período das abstrações tendo participação ativa na elaboração de regras comuns para o grupo. Conhecimento O conhecimento no ser humano é essencialmente ativo. Conhecer um objeto é agir sobre ele e transformá-lo é assimilar o real às estruturas de transformações e elas são elaboradas pela inteligência enquanto prolongamento da ação. (Piaget,1970.p.30) Quanto à aquisição do conhecimento, Piaget admite duas fases: Fase exógena: fase da cópia, da repetição. Fase endógena: etapa da apreensão das relações, das combinações. Educação Para Piaget (1970), a educação é um todo indissociável, considerando- se dois elementos fundamentais: o intelectual e o moral. A educação é condição formadora necessária ao desenvolvimento natural do ser humano. O conjunto de inclusões em sintonia e cooperação moral e racional, raramente é garantido pela autoridade do professor ou pelas lições, mas pela vida social entre as próprias crianças. O respeito mútuo irá aos poucos substituindo a heteronomia característica de um respeito unilateral, por uma autonomia, considerando-se como dos pontos de vista e ações entre os membros do grupo. Uma educação assim concebida é a que procurará levar as crianças buscar novos recursos, criar situações que determinem o máximo de exploração por parte deles e estimulem as novas táticas de compreensão da realidade. (Piaget,1970). 99 Escola A escola deve dar oportunidade a criança de construir seu conhecimento, de investigação individual, de ação motora, verbal e intelectual que possa, posteriormente, intervir no processo sócio-cultural possibilitando-lhe todas as tentativas oferecendo-lhe liberdade de ação em estágio operatório em um processo de equilíbrio – desequilíbrio.(Piaget,1970) Ensino e Aprendizagem A concepção piagetiana de aprendizagem tem caráter de inúmeras possibilidades de novas indagações. Aprender insinua assimilar o objeto a esquemas mentais. Esse conceito inclui num processo mais aberto de estruturas mentais, construindo a sua Teoria denominada Epistemologia Genética. A aprendizagem verdadeira se dá quando a criança elabora seu conhecimento relacionado com as informações no decorrer do seu desenvolvimento. A inteligência é ferramenta de aprendizagem indispensável. O ensino, portanto, consiste na organização dos dados da experiência, de forma a gerar um nível almejado de aprendizagem. Quanto à relação aluno e professor cabe ao professor criar situaçõesque estabeleçam reciprocidade intelectual e cooperação ao mesmo tempo moral e racional para os estudantes. Evitando a rotina, fixação de respostas prontas, o professor colaborará para que as crianças levantem hipóteses diante de situações novas sem ensinar-lhes soluções. Nesta proposta ele (professor) provoca desequilíbrios, desafios, orienta a criança e lhe concede ampla margem de autocontrole e possibilidade de chegar à autonomia. A criança deve assumir o papel de investigadora, pesquisadora e o professor o papel de coordenador, orientador, levando-a a ―trabalhar‖, o mais independente possível. 100 Abordagem Sociocultural Origina-se do trabalho de Paulo Freire e no movimento de cultura popular, com ênfase principalmente na alfabetização de adultos. Podemos caracterizá-la como abordagem interacionista entre o sujeito e o objeto de conhecimento, embora com foco no sujeito como elaborador e criador do conhecimento. Nessa abordagem, o fenômeno educativo não se restringe à educação formal, pela escola, mas a um processo amplo de ensino e aprendizagem, inserido na sociedade. A educação é vista como um ato político, que deve criar condições para que se desenvolva uma atitude de reflexão crítica, comprometida com a sociedade e sua cultura. Desse modo, deve levar o indivíduo a uma consciência crítica de sua realidade, transformando-a e melhorando-a. Assim, o aspecto formal da educação faz parte de um processo sociocultural, que não pode ser visto isoladamente, nem tampouco priorizado. Identificam-se no texto de Bordenave (1984), referências a essa abordagem, denominada ―pedagogia da problematização‖ ou ―educação libertadora‖. O teórico assim pronuncia-se: [...]a situação preferida é quando o aluno enfrenta, em situação de grupo, problemas concretos de sua própria realidade. A aprendizagem realimenta-se constantemente pelo confronto direto do grupo de alunos com a realidade objetiva ou com a realidade mediatizada[...]. O aluno desenvolve sua consciência crítica e seu sentido de responsabilidade democrática baseada na participação. (BORDENAVE, 1984, págs. 41-44) Libâneo (1982) classifica essa abordagem como pedagogia progressista. Em sua versão libertadora expressa que: 101 A pedagogia progressista tem-se manifestado em três versões: libertadora, mais conhecida como pedagogia de Paulo Freire; a libertária, que reúne os defensores da autogestão pedagógica; a crítico-social dos conteúdos que, diferentemente das anteriores, acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais‖. (LIBÂNEO, 1982, págs. 12-5). Na obra de Saviani (1984), não existem referências diretas ou indiretas detalhadas a essa abordagem. Apenas podemos inferir que, como este estava preocupado com a relação entre educação e o problema da marginalidade, esse enfoque teórico poderia ter algumas similaridades com as teorias crítico- reprodutivistas, que percebem a educação como instrumento de discriminação social. O teórico afirma que: As teorias são críticas, uma vez que exigem não ser possível compreender a educação senão a partir dos seus condicionantes sociais. Há, pois, nessas teorias uma cabal percepção da dependência da educação em relação à sociedade. Contudo, chegam à conclusão de que a função da educação consiste na reprodução da sociedade em que ela se insere, com a denominação de ‗teorias crítico-reprodutivistas. (SAVIANI, 1984, ps. 19- 20). Como se pode observar pela análise comparativa dos trabalhos de Bordenave (1984), Libâneo (1982), Saviani (1984) e Mizukami (1986), as diversas teorias que procuram explicar o processo de ensino e aprendizagem podem ser agrupadas e sistematizadas por inúmeras formas, dependendo do foco do seu teórico. Vale relembrar que Bordenave (1984), classifica e distingue as opções pedagógicas, segundo o fator educativo que elas mais valorizam. Libâneo (1982), utiliza como critério a relação das teorias aos fins sociais da escola. Saviani (1984) toma como critério de classificação a criticidade da teoria em relação à sociedade e o grau de percepção da teoria dos 102 determinantes sociais. Finalmente, Mizukami (1986), procura explicar o fenômeno educativo em sua multidimensionalidade. Foram discutidas algumas considerações relevantes das diferentes abordagens teóricas do processo de ensino e aprendizagem. Naturalmente, não se esgotou o assunto, devido à complexidade do tema e à necessidade de uma maior profundidade em pesquisas teóricas e investigações empíricas sobre as controvérsias existentes. 103 Síntese - As Concepções e Tendências da Educação Nome da Tendência Pedagógica Papel da Escola Conteúdos Métodos Professor x aluno Aprendizage m Manifestaçõe s Pedagogia Liberal Tradicional Preparação intelectual e moral dos alunos para assumir seu papel na sociedade São conhecimento e valores sociais acumulados através dos tempos e repassados aos alunos como verdades absolutas Exposição e demonstração verbal da matéria ou por meios de modelos Autoridade do professor que exige atitude receptiva do aluno A aprendizagem é receptiva e mecânica, sem se considerar as características próprias de cada idade Nas escolas que adotam filosofias humanistas clássicas ou científicas Tendência Liberal Renovadora Progressiva A escola deve adequar as necessidades individuais ao meio social Os conteúdos são estabelecidos a partir das experiências vividas pelos alunos frente às situações problemas Por meio de experiências, pesquisas e método de solução de problemas O professor é auxiliador no desenvolvimento livre da criança É baseada na motivação e na estimulação de problemas Maria Montessori, Ovide Decroly, John Dewey, Jean Piaget e Lauro de Oliveira Lima Tendência Liberal Renovadora não-diretiva (Escola Nova) Formação de atitudes. Baseia-se na busca dos conhecimentos pelos próprios alunos. Método baseado na facilitação da aprendizagem . Educação centralizada no aluno e o professor é quem garantirá um relacionamento de respeito. Aprender é modificar as percepções da realidade. Carl Rogers e Alexander Sutherland Neill Tendência Liberal Tecnicista. É modeladora do comportament o humano através de técnicas específicas. São informações ordenadas numa sequência lógica e psicológica. Procedimento s e técnicas para a transmissão e recepção de informações. Relação objetiva onde o professor transmite informações e o aluno vai fixá- las. Aprendizagem baseada no desempenho. Lei: 5.540/68 Lei: 5.692/71 Tendência Progressista Libertadora Não atua em escolas, porém visa levar professores e alunos a atingir Temas geradores. Grupos de discussão. A relação é de igual para igual, horizontalmente Resolução da situação problema. Paulo Freire 104 Fonte: http://wikiescolarizando.blogspot.com.br/2013/03/as-tendencias-pedagogicas.html um nível de consciência da realidade em que vivem na busca da transformação social. Tendência Progressista Libertária. Transformação da personalidade em um sentido libertário e autogestionário . As matérias são colocadas, mas não exigidas. Vivência grupal na forma de auto-gestão. É não diretiva, o professor é orientador e os alunos livres. Aprendizagem informal, via grupo. Celestin Freinet e Miguel Gonzales Arroyo Tendência Progressista "crítico social dos conteúdos ou "histórico- crítica" Difusão dos conteúdos. Conteúdos culturais universais que são incorporadospela humanidade frente à realidade social. O método parte de uma relação direta da experiência do aluno confrontada com o saber sistematizado . Papel do aluno como participador e do professor como mediador entre o saber e o aluno. Baseadas nas estruturas cognitivas já estruturadas nos alunos. Anton Makarenko, Bernard Charlot, Bogman Suchodoski, Mario Alighiero Manacorda, Georges Snyders e Demerval Saviani http://wikiescolarizando.blogspot.com.br/2013/03/as-tendencias-pedagogicas.html 105 106 107 A interface entre as Teorias Modernas, Contemporâneas e Pós-Modernas 5 108 109 A Pedagogia e suas exigências em o mundo de mudanças. Esse texto trará aos estudantes algumas reflexões a partir das produções de Libâneo sobre o pensamento moderno e pós-moderno relacionando-os às teorias pedagógicas. Os estudos em Pedagogia na modernidade tentam entender como os fatores socioculturais e institucionais se desenvolvem nos processos de crescimento e transformação dos indivíduos e em que condições esse sujeito aprende na atualidade rica em contradições socioeconômicas. A escola e a sala de aula têm contribuído pouco para a superação dessas contradições e sua falha não se apresenta no alcance de sua maior missão, que é promover o desenvolvimento cognitivo dos estudantes e contribuir para o aumento da inclusão social. Conforme Libâneo (1995), essa situação pode ser demonstrada por algumas circunstâncias atuais como: a eliminação da organização curricular em séries, a elevação espontânea, a conexão de estudantes portadores de necessidades especiais, a flexibilização da avaliação escolar, a modificação da escola em mero espaço de existência de experiências socioculturais. Percebe-se que nenhum educador prático poderá evadir-se da pedagogia, pois quando educamos pessoas estamos efetivando práticas pedagógicas que irão constituir sujeitos e identidades. Por sua vez, sujeitos e identidades se compõem enquanto mensageiros das extensões física, cognitiva, afetiva, social, ética, estética, colocados em contextos socioculturais, históricos e institucionais (LIBÂNEO, 1995). Para atuarmos em um posicionamento pedagógico favorável a construção do conhecimento e desenvolvimento humano precisamos investigar as condições escolares atuais considerando a subjetividade e identidade dos 110 estudantes e a realidade onde estão inseridos. Conforme Libâneo (1995, p.17), não ocorrerá mudanças reais enquanto, a elite intelectual do campo científico da educação e os profissionais da educação não se derem conta de algo muito simples: escola existe para formar sujeitos organizados para sobreviverem nesta sociedade e, para isso, precisa da ciência, da cultura, saber resolver conflitos, ter autonomia e responsabilidade, saber dos seus direitos e deveres, edificar sua dignidade humana, ter uma autoimagem positiva, ampliar capacidades cognitivas para se ajustar criticamente aos benefícios da ciência e da tecnologia em favor do seu trabalho, da sua vida cotidiana, do seu crescimento pessoal. Mesmo sabendo-se que essas aprendizagens implicam em saberes originados nas relações cotidianas e experiências socioculturais, isto é, a cultura da vida cotidiana. O referido autor explica que, práticas pedagógicas sugerem basicamente disposições e ações que abrangem o destino humano das pessoas, e solicita projetos educativos que forneçam direção de sentido da ação educativa e formas evidentes do agir pedagógico. A pedagogia lida com valores, com objetivos políticos, morais, ideológicos. Outro ponto que o autor destaca em relação ao agir pedagógico para a modernidade é que será necessário agregar os meios educativos, os instrumentos de mediação que são os dispositivos e métodos de educação e ensino, ou seja, a didática e o fazer pedagógico tem a natureza da dialética e, portanto deve ser pautada a partir da subjetivação, da socialização, da diferenciação e, portanto, como atividade complexa já que é determinada por múltiplas relações. A pedagogia há que se abrir para toda contribuição que ajude a explicitar as peculiaridades do fenômeno educativo e do ato de educar num mundo em mudanças. Fundamenta-se como campo de verificação exclusivo, cuja fonte é a própria prática educativa e os portes teóricos providos pelas demais ciências da educação e cuja tarefa é o entendimento global e intencionalmente dirigido dos problemas educativos. [...] (Libâneo, 2002) Percebe-se que o ato educativo é multifacetado, complexo e relacional, e isso nos leva a compreensão de que educamos para a subjetivação, 111 socialização, para a autonomia, integração social, para as necessidades sociais, necessidades individuais, para a reprodução, apropriação ativa de saberes, para a inserção nas normas sociais e culturais crítica e produção de estratégias inovadoras. Isso exige análises e uma integração dos conceitos vindos de várias fontes; culturais, psicológicas, econômicas, antropológicas, simbólicas, de contradições e, contudo pautada na humanização de práticas educativas. Conforme Charlot (2000), a educação é, assim, ―um triplo processo de humanização, de socialização e de singularização. Esse triplo processo é possível apenas mediante a apropriação de um patrimônio humano‖ (CHARLOT, 2000 Apud LIBÂNEO, 2005, p. 23. Compreende a educação como cultura, em três sentidos que não podem ser dissociados. Conforme Libâneo (2005), existem três tarefas mais visíveis do agir pedagógico como condição de inclusão ou exclusão social, e podem ser sintetizadas nestes objetivos: Solicitação de interferências culturais para a ampliação da razão crítica, ou seja, conhecimento teórico-científico, aptidões cognitivas e modos de atuação; Desenvolvimento da subjetividade, da identidade pessoal e acolhimento a diversidade social e cultural dos estudantes; Formação para a cidadania em direção à preparação para atuação na realidade. Teorias Pedagógicas Modernas e Pós-Modernas Sem desejar retomar as abordagens teóricas que derivam nas disposições de teorias pedagógicas, são modernas a pedagogia tradicional, a pedagogia renovada, o tecnicismo educacional, e todas as pedagogias críticas movidas na tradição moderna, como a pedagogia libertária, a pedagogia libertadora, a pedagogia crítico-social. 112 Conforme Libâneo (2009), estudos sobre as práticas pedagógicas correntes nas escolas no Brasil mostra que tais tendências continuam ativas e estáveis, mantendo seu núcleo teórico forte, ainda que as pesquisas dos últimos anos venham mostrando outras formas de aplicabilidade pedagógica. Isso não significa que não se apontem novas tendências, algumas já experimentadas em nível operacional, outras ainda restritas ao mundo acadêmico. Esquematicamente, essas teorias apresentam como características em comum: Elevação da força da razão, isto é, da agilidade lógica, científica, tecnológica, enquanto objeto de conhecimento que leva as pessoas a pensarem com autonomia e objetividade contra todas as formas de ignorância e arbitrariedade. Conhecimentos e atitudes de atuação, deduzidos de uma tradição universal objetiva, precisam ser comunicados às novas gerações e recriados em desempenho da sequência dessa cultura. Os seres humanos possuem uma natureza humana básica, postulando-se a partir dos direitos básicos universais. Os educadores são representantes legítimos dessa cultura e cabe-lhes ajudar os estudantes a internalizarem valores universais, tais como racionalidade, autoconsciência, autonomia, liberdade, seja pela intervenção pedagógica direta sejapelo esclarecimento de valores em âmbito pessoal. A partir dessas ideais, as pedagogias modernas, adquirem suas características, formulando diferentes entendimentos sobre as formas de conhecimento, função da ciência, conceito de liberdade etc., sem abandonar à ideia de criar uma sociedade racional. Um legado dessas teorias, vista pelos críticos como negativa, é que em nome da razão e da ciência se perdem o 113 sentimento, a imaginação, a subjetividade e, até, a liberdade, à medida que a razão institui-se como instrumento de dominação sobre os seres humanos. Nesse sentido, a questão problemática na racionalidade instrumental é a separação entre razão e sujeito, entre o mundo científico e tecnológico e o mundo da subjetividade. Outra questão problemática refere-se às consequências da grande acumulação de conhecimentos científicos e técnicos produzidos pela modernidade. Entre elas, a mais peculiar foi a constituição de campos disciplinares isolados, fragmentados, ignorando o conjunto de que faz parte e a perda de significação. Com isso, a própria sociedade reproduz essa fragmentação, dissociando a cultura, a economia, a política, o sistema de valores, a personalidade. O começo do século XX é caracterizado por claros embates ideológicos em consequência da luta de classes do proletariado e do aparecimento de correntes socialistas no seu interior. A expansão da industrialização e do trabalho livre em troca de um salário visou a necessidade da expansão da escolarização que já vinha ocorrendo desde o século anterior nos países capitalistas centrais. E esse novo problema do capitalismo irá se refletir no plano ideológico com o aparecimento de pedagogias que buscam responder à necessidade de instruir os filhos dos trabalhadores formando novas gerações de operários, porém dentro dos limites de acordo com os interesses das elites econômicas. O movimento Escola Nova surge nesse contexto e responde a ele na perspectiva do liberalismo. O principal expoente do movimento escolanovista é o filósofo estadunidense John Dewey que sistematizou em sua produção intelectual a filosofia da educação nova com um forte destaque para o pragmatismo, ou seja, para os resultados práticos da educação escolar. A formação do cidadão centrado no exercício, dos deveres em prol da harmonia social era dito por Dewey há cem anos, hoje uma fórmula liberal em moda. As pedagogias renovadoras assinalam exatamente a abertura em cena da psicologia em prejuízo da filosofia. Jean Piaget é apontado por alguns historiadores da educação como um escolanovista justamente por pautar sua teoria do conhecimento e da formação da inteligência pela determinação do 114 elemento psicológico sobre o social. Os métodos ativos, tão exaltados pelos escolanovistas, em Piaget estão fundamentados na ciência da psicologia genética. A teoria do conhecimento de Jean Piaget defende que o conhecimento é um produto da atividade particular, ou seja, cada pessoa constrói o seu próprio conhecimento, isso constitui a principal base para a pedagogia. Na última década do século XX, o construtivismo foi reelaborado e incorporado pela pedagogia das competências que tem em Phillip Perrenoud sua principal expressão pública. Nessa nova versão a pedagogia construtivista nos aparece mais pragmática, pois coloca claramente a preocupação com a adaptação do estudante à nova realidade do capitalismo globalizado. Nesse sentido, a preocupação não é a assimilação do conhecimento em si, mas a forma como o indivíduo irá utilizar esses conhecimentos na vida prática. Diante disso, torna-se explicável a valorização da metodologia em perda dos fundamentos históricos, filosóficos, sociológicos e econômicos nos cursos de formação de professores. Portanto, cabe à educação apreciar as diferenças como a um patrimônio cultural a ser conservado, diferenças que usualmente são oferecidas como culturais, mas, como sabemos são determinadas pelo processo histórico que, por sua vez, é determinado pela luta de classes resultantes das diferenças de acesso aos meios de produção e ao produto social. O contexto “Pós- Moderno” e os impactos na Educação Determinadas correntes modernas da educação procuram rearticular seus discursos face às modificações que apontam a contemporaneidade. O período histórico presente tem recebido vários nomes: sociedade pós-moderna, pós-industrial ou pós-mercantil, sociedade do conhecimento. Para os objetivos deste texto, Libâneo utilizou-se da expressão ―pensamento pós-moderno‖. Apesar de nosso tempo seja marcado por uma ruptura com a modernidade, o 115 autor crê que existe um conjunto de espécies sociais, culturais, econômicas típicas que dissimulam todas as instâncias da vida social, de modo a ser admissível afirmar que vivemos numa condição pós-moderna. Vamos pontuar alguns traços gerais que caracterizam a condição pós- moderna, resumindo sugestões de vários autores (Giroux, McLaren, Giddens, Silva, Rouanet). Transformações no processo de produção industrial, atreladas aos avanços científicos e tecnológicos, mudanças no aspecto no entusiasmo de trabalho, intelectualização do processo produtivo; Novas tecnologias da comunicação e informação, aumento e propagação da informação, novas formas de produção, circulação e consumo da cultura, colapso da divisão entre realidade e imagem, arte e vida; Modificações nas formas de fazer política: descrédito nas formas mais convencionais e emergência de novos movimentos e sujeitos sociais, novas identidades sociais e culturais; Mudanças nos paradigmas do conhecimento, sustentando a união entre sujeito e objeto, a construção social do conhecimento, o caráter não- absolutizado da ciência, a acentuação da linguagem; Rejeição dos grandes sistemas teóricos de alusão e de ideias formuladas na tradição filosófica ocidental tais como a natureza humana essencial, a ideia de um destino humano coletivo e de que podemos ter ideais que justificam nossa ação, a ideia de conjunto social. Em troca, o que há são ações específicas de sujeitos individuais ou grupos particulares. Embora apresentados sumariamente, esses traços dão uma ideia de como afetam o pensamento e as práticas educacionais. 116 Menciono alguns aspectos que o pensamento e a condição pós- moderna trazem para a educação escolar, em contraposição aos que foram mencionados como traços da pedagogia moderna: Relativização do conhecimento sistematizado, sobretudo do poder da ciência, destacando o caráter instável de todo conhecimento, aguçando a ideia dos sujeitos como elaboradores de conhecimento dentro de sua cultura, capazes de anseio e ideia, de assumir seu papel de ator principal na construção da sociedade e do conhecimento; Os sujeitos são edificados socialmente e vão constituindo sua identidade, de modo a recobrar sua condição de construtores de sua vida pessoal e de seu papel transformador, isto é, sujeito pessoal e sujeito social. Os educadores precisam auxiliar os estudantes a elevarem seus próprios quadros valorativos a partir do conjunto de suas próprias culturas, não havendo valores com sentido universal. Os valores a serem aperfeiçoados dentro de grupos particulares são a diversidade, a tolerância, a liberdade, a criatividade, as emoções, a intuição. Essas qualidades confrontam-se abertamente com vários princípios das teorias pedagógicas modernas, mas ao mesmo tempo, aprovam uma reavaliação crítica desses princípios. Giroux (1993), sugere que a crítica pós- moderna precisa ser examinada pelos educadores e que ela pode dar uma importante contribuição à pedagogia crítica. McLaren (1993) indica três contribuições do pensamento pós-moderno para uma Pedagogia Crítica: Uma sistemática, uma arrumação, das explicações de fatos novos que surgem na sociedade: o espetáculo, o efêmero,o modismo, a cultura do consumo, a manifestação de novos sujeitos sociais; 117 Um mapeamento das transformações que vão ocorrendo no mundo contemporâneo, que caracterizam a chamada ―condição pós- moderna‖ para aguçar a consciência dos que se propõem a se manter com criticidade; Uma reavaliação dos paradigmas teóricos de referência que até os dias de hoje tem orientado a produção do conhecimento, especialmente ao que foi herdado da tradição iluminista. Um esboço das teorias e correntes pedagógicas contemporâneas Existem tendências contemporâneas no ensino influenciadas pelo pensamento pós-moderno? A resposta é sim. Sim, elas existem e aos poucos vão ocupando espaços na prática de professores com fortes traços de reducionismo ou modismo. Determinadas correntes são esforços teóricos de releitura das teorias modernas, outras afiliam-se explicitamente ao pensamento pós- moderno enfocadas na escola e no trabalho dos professores, enquanto outras utilizam-se do discurso pós-moderno sem se importar em chegar a propostas reais para a sala de aula e para o trabalho de professor, ao contrário, propõem- se a derrubar as propostas existentes. Há evidentes oposições à tentativa de classificação das teorias pedagógicas. Múltiplos intelectuais que se colocam no âmbito do pensamento pós-moderno podem afirmar, dentro de seus quadros de referência, que as classificações seguem o figurino da modernidade, da classificação de 118 conhecimentos, do fechamento em campos disciplinares. Nesse caso, as classificações seriam, portanto, reducionismos, simplificações, fragmentações. Em outra direção, pronuncia-se que os campos científicos em geral, apoiam-se muito por conta de legitimação das compreensões por meio de contestação de poder. Há ainda posições que deliberadamente defendem o hibridismo cultural. Apesar das críticas que lhes são feitas, as classificações sempre existiram, elas pertencem a certa tradição da racionalidade científica. Mas, com base no argumento de que os campos se definem por relações de poder, seria injusto e desigual que o professor desconhecesse a existência desses campos, de suas disputas e de seus conflitos. Mesmo porque, seriam presas fáceis de persuasão de um ou outro grupo ou seriam manipulados pelo mercado editorial que também disputa espaços de poder com comércio. Outro fator a favor das classificações, os formadores de professores, os pesquisadores, os estudiosos das teorias educacionais e das metodologias de pesquisa, os especialistas de várias áreas necessitam conhecer as teorias educacionais, as clássicas e as contemporâneas, para poderem se situar enquanto sujeitos envolvidos em marco sociais, culturais, institucionais. Outra razão forte em favor das classificações decorre de um posicionamento teórico segundo o qual as teorias, os conteúdos, os métodos constituem-se em mediações culturais já constituídas na prática e na teoria e que fazem parte da atividade sócio-histórica do campo pedagógico. Tais interferências são instrumentos simbólicos e culturais que participam na formação intelectual e profissional. As categorizações de teorias são, pois, instrumentos de mediação que aprovam a formação de esquemas mentais. Uma breve caracterização de cada uma das correntes: Racional-tecnológica: Ensino tecnológico; Neocognivistas: Construtivismo pós-piagetiano, ciências cognitivas, evidência na inteligência; 119 Sociocríticas: Sociologia crítica do currículo; Teoria histórico-cultural; Teoria sociocultural; Teoria sociocognitiva; Teoria da ação comunicativa; “Holísticas”: Holismo Teoria da Complexidade; Teoria naturalista do conhecimento; Ecopedagogia; Conhecimento em rede; “Pós-modernas”: Pós-estruturalismo; Neo-pragmatismo. A corrente racional-tecnológica Essa corrente obedece à compreensão que tem sido assinalada de neotecnicismo e está integrada a uma pedagogia a serviço da formação para o sistema produtivo. Implica a formulação de objetivos e conteúdos, padrões de desempenho, competências e habilidades com base em critérios científicos e técnicos. Diferente da pedagogia tradicional, a corrente racional-tecnológica procura seu embasamento na racionalidade técnica e instrumental, ambicionando desenvolver habilidades e treinamentos para formar o técnico. Metodologicamente, diferenciam-se pela entrada de técnicas mais apuradas de comunicação de conhecimentos, contendo os computadores, as mídias. Uma origem dessa concepção é o currículo por competências, na expectativa economicista, em que a organização curricular brota de objetivos acertados em habilidades e treinamentos a serem dominados pelos estudantes no percurso de formação. Mostra-se sob duas modalidades: Ensino de excelência, para formar para o sistema produtivo a elite intelectual e técnica; Ensino para formação de mão-de-obra intermediária, centrada na educação formadora para o mercado. 120 Outras linhas dessa corrente: centralização no conhecimento em função da sociedade tecnológica, transformação da educação em ciência (racionalidade científica), produção do estudante como um ser tecnológico (versão tecnicista do ―aprender a aprender‖), utilização mais ativa dos meios de comunicação e informação e do aparato tecnológico. A corrente neocognitivista Nesta qualificação estão compreendidas correntes que adentram novas contribuições ao estudo da aprendizagem, do desenvolvimento, da cognição e da inteligência. Construtivismo pós-piagetianismo: o construtivismo, no campo da educação, refere-se a uma teoria em que a aprendizagem é consequência de uma edificação mental realizada pelos sujeitos com base na sua ação sobre o mundo e no intercâmbio com outros. O indivíduo tem um potencial para aprender a pensar que pode ser desenvolvida porque a faculdade de pensar não é inata e nem é fornecida de fora. O construtivismo pós-piagetiano aciona reforços de outras fontes tais como, o lugar do desejo e do outro na aprendizagem, o predomínio da linguagem em relação à razão, o papel do intercâmbio social na construção do conhecimento, a singularidade e a pluralidade dos sujeitos (Grossi; Bordin,1993). Nessa mesma expectativa, o socioconstrutivismo alimenta o papel da ação e da experiência do sujeito no desenvolvimento cognitivo, mas adentra com mais força o componente social na aprendizagem, tornando claro o papel decisivo das definições sociais e das interações sociais na construção de conhecimentos. Instrumentos cognitivos empregados pelas crianças são, também, reestruturações de representações sociais melhoradas nas interações sociais. Uma das noções-chave desse paradigma é o conflito sociocognitivo, que surge em situações de interação, nas quais estão também invadidas experiências sociais e culturais que intervêm nas aprendizagens (Garnier; Bednarz; Ulanovskaya, 1996). 121 Ciências cognitivas: a abordagem cognitiva acena aos estudos pautados ao desenvolvimento da ciência cognitiva agregada à utilização de computadores. Seu objetivo é buscar novos modelos e referências para avançar na investigação sobre os processos psicológicos e a cognição. A partir da psicolinguística, da teoria da comunicação e da cibernética (ciência dos computadores), surgem duas variantes: a psicologia cognitiva, que estuda o comportamento inteligente de sujeitos humanos, isto é, o ser humano como processador de informações, e a ciência cognitiva, que aprofunda as relações entre mente e computador, visando à construção de modelos computacionais para entender a cognição humana. Seu empenho é a construção de programas de inteligência artificial que realizam tarefas que implicam um comportamento inteligente (Eysenk; Keane, 1994). Há estudos da abordagem do processamento da informação ao construtivismo piagetiano.Teorias Sociocríticas A denominação ―sociocrática‖ está sendo usada para ampliar o sentido de ―crítica‖ e envolver teorias e correntes que se desenvolvem a partir de referenciais marxistas ou neomarxistas e mesmo de inspiração marxista e que são, a cada passo, divergentes entre si, especialmente quanto as premissas epistemológicas. As abordagens sociocríticas divergem na concepção de educação como compreensão da realidade para transformá-la, visando à construção de novas relações sociais para superação de desigualdades sociais e econômicas. Em razão disso, considera especialmente os efeitos do currículo oculto e do contexto da ação educativa nos métodos de ensino e aprendizagem, inclusive para dominar os conteúdos a uma análise ideológica e política. Algumas dão mais destaque às questões políticas do processo de formação, outras colocam a relação pedagógica como intervenção da formação social e política. Nesse segundo caso, a educação tem a função de difusão cultural, mas também é responsável em ajudar o estudante no desenvolvimento de 122 suas próprias competências de aprender e na sua admissão crítica e participativa na sociedade em função da formação da cidadania. Diferenças na determinação dos objetivos da educação e do ensino induzem a distintas opções metodológicas que vão desde a visão do ensino como transmissão cultural, até a uma ideia de escola mais informal centrada na valorização de experiências, da convivência social, minimizando ou até recusando um currículo formal. A teoria curricular crítica: com características neomarxistas, acentua os fatores sociais e culturais na construção do conhecimento, lidando com temas como cultura, ideologia, currículo oculto, linguagem, poder e multiculturalismo (Moreira; Silva, 1994). Tem origem na Sociologia Crítica inglesa e norte-americana. A teoria curricular crítica, questiona como são construídos os saberes escolares, recomenda analisar o saber particular de cada agrupamento de estudantes, porque esse saber expressa certas maneiras de agir, de sentir, de falar e de ver o mundo. Na visão da Sociologia Crítica não há uma cultura unitária, homogênea; a cultura é um terreno contraditório onde se afrontam diferentes concepções de vida social e onde surgem a diversidade cultural e a diferença. O currículo, nesse sentido, não tem uma relação com a seleção e organização de conteúdos, mas com as experiências socioculturais que fazem da escola um ambiente de disputa para se criar e produzir cultura. Quando se pensa um currículo, é preciso começar apreendendo as ―significações‖ que os sujeitos fazem de si mesmos e dos outros através das experiências compartilhadas de vivências, abrindo espaço para o currículo multicultural, currículo em rede etc. No domínio dos sistemas de ensino, leva as políticas de integração de minorias sociais, étnicas e culturais ao processo de escolarização, opondo-se à definição de currículos nacionais. 123 Teoria histórico-cultural: os alicerces teóricos da teoria histórico- social apoiam-se em Vygotsky e seguidores. Nessa direção, a aprendizagem resulta da interação sujeito-objeto, em que a ação do sujeito sobre o meio é socialmente mediada, conferindo peso significativo à cultura e às relações sociais. A atividade do sujeito supõe a ação entre sujeitos, no sentido de uma relação do sujeito com o outro. As funções mentais superiores (linguagem, atenção voluntária, memória, abstração, percepção, capacidade de comparar, diferenciar etc.) são ações interiorizadas de algo socialmente mediado, a partir da cultura constituída. Essa abordagem está focalizada na estrutura do funcionamento cognitivo em suas interações com as mediações culturais (Daniels, 2003). Nos últimos anos, dentro dessa mesma orientação, tem se destacado a teoria histórico-cultural da atividade. Teoria sociocultural: nesta teoria também se remete a Vygotsky, mas coloca destaque na explicação da atividade humana enquanto processo e resultado das vivências em atividades socioculturais compartilhadas, mais do que nas questões do conhecimento e da apropriação da cultura social. Abrange as práticas de aprendizagem como atividade sem situar diretamente em um contexto de cultura, de relações, de conhecimento (DANIELS, 2003). Teoria sociocognitiva: são assentadas em importância as condições culturais e sociais da aprendizagem, visando ao desenvolvimento da sociabilidade por meio de processos socioculturais. A questão importante da escola não é o funcionamento psíquico ou os conteúdos de ensino, mas um ambiente educativo organizado, solidário com relações comunicativas, com base nas experiências cotidianas, nas revelações da cultura popular. Um projeto de escola nessa perspectiva incidiria em criar situações pedagógicas interativas para propiciar uma formação democrática e inclusiva, (comportamentos solidários, de justiça, de vida comunitária etc.), com características mais informais em que se apreciam mais experiências socioculturais do que o currículo formal (BERTRAND, 1991). 124 Teoria da ação comunicativa: a teoria da ação comunicativa, formulada por Habermas está agregada à teoria crítica da educação gerada dos trabalhos da Escola de Frankfurt. No agir pedagógico realça a ação comunicativa, onde há interação entre sujeitos por meio do diálogo para se chegar a um entendimento e cooperação entre as pessoas. Estabelece, assim, numa teoria da educação propícia ao diálogo e na participação, visando à emancipação dos sujeitos. Encontra pontos de ligação com o pensamento de Paulo Freire que exerceu forte influência em autores da Sociologia crítica do currículo de procedência norte-americana, como Giroux e Apple. Correntes “holísticas” Tem como denominador comum uma visão ―holística‖ da realidade, isto é, a realidade como uma totalidade de integração entre o todo e as partes, mas abrangendo diversamente a dinâmica e os processos dessa integração. O holismo propriamente dito, do ponto de vista filosófico, compreende a realidade como totalidade, em que as partes associam o todo. As partes são como unidades que formam o todo, numa unidade orgânica. A visão holística significa ter o sentido de total, de conjunto, de inteiro (holos, do grego), em que o universo é considerado como uma totalidade formada por dimensões interpenetrantes: as pessoas, as comunidades, unidas no meio biofísico. Há indistinção entre sujeito observador e o objeto. Para Bertrand e Valois (1994), a pessoa une-se a todas as outras pessoas, a todas as consciências, para constituir um ―nós‖, no sentido de simbiose. Disso resulta uma ação em comum, em que as forças criativas de cada um e de todos tendem na ação. A consciência de uma totalidade cósmica leva os holistas a buscarem um equilíbrio dinâmico entre o Homem e o seu meio biofísico, a convivência entre as pessoas, a preservação ambiental e a denúncia de todas as formas de destruição da natureza, a união das pessoas e da natureza no todo. O projeto educativo visa conscientizar de que as pessoas pertencem ao universo e que o desenvolvimento da espécie humana depende de um projeto mundial de preservação da vida. A educação holística não rejeita 125 o conhecimento racional e outras formas de conhecimento, mas insiste em considerar a vida como uma totalidade em que o todo se encontra na parte, cada parte é um todo, porque o todo está nela. Daí que a consciência da pessoa só pode ser comunitária, ecológica e cósmica (BERTRAND; VALOIS, 1994). O pensamento complexo (teoria da complexidade): é uma abordagem metodológica dos fatos em que se apreende a complexidade das situações educativas, em aversão ao pensamento simplificador. A inteligibilidade complexa, ou o pensar mediante a complexidade, significa apreender a totalidade complexa, abrindo um diálogo entre diferentes modelos de análise, diversasvisões das coisas. Isso leva à cooperação interdisciplinar, ao intercâmbio de alteridades, mas a procura de inter-relações não significa classificar a realidade. Denota buscar a desordem, a incongruência e incerteza. Coloca dúvidas sobre o que é a verdade, o que é a realidade empírica, de maneira a considerar os vários lados da situação. Segundo Morin (2005), nos informa que a teoria científica não é o espelho do real, é uma edificação do espírito que se encoraja para apreender o real. As teorias científicas são fabricações do espírito, são percepções do real, são sociais, surgem de uma cultura. Elas carregam a incerteza, o imprevisto. Essas ideias nos põem frente a uma prática pedagógica nada prescritiva, nada disciplinar. Já que não existe nada que seja definitivamente científico, seguro, precisamos dialogar com a dúvida, com o imprevisto. Pensar por complexidade é usar nossa racionalidade para juntar coisas separadas, para aumentar nossa liberdade de fazer o bem e evitar o mal. Aplicado à pedagogia, o pensamento complexo implica a integração no ato pedagógico de múltiplas dimensões, o que requer o diálogo com várias orientações de pensamento, reconhecendo que nenhuma teoria pedagógica é capaz, isoladamente, de atender as necessidades educativas sociais e individuais. A teoria naturalista do conhecimento: essa teoria, desenvolvida por autores como Varela e Maturana, e por brasileiros como Hugo Assmann, entende que o conhecimento humano está ligado ao plano biológico, bioindividual e biossocial. Essa teoria se contrapõe a uma visão mentalista do 126 sujeito e da consciência, assegurando a mediação corporal dos processos de conhecimento. Nossa consciência não é dominadora, não somos donos do nosso destino, pois há ―mediações auto organizativas da corporeidade individual e das mediações sócio organizativas‖ que fogem de nossas intenções conscientes. Por isso, segundo Assmann (1996), a pedagogia dos saberes pré- fixados deve ser suprida por uma pedagogia da pergunta, do melhoramento das perguntas e do acesso de informações, por uma pedagogia da complexidade, que saiba trabalhar assuntos transversais, acessíveis para o inesperado. A teoria da corporeidade, desenvolvida por esse autor, propõe uma visão nova do conhecimento em que a partida é a intensa identidade entre processos vitais e processos de conhecimento. Ecopedagogia: é uma pedagogia que promove a aprendizagem a partir da vida cotidiana; é no diário que se constrói a cultura da sustentabilidade, a cultura que valoriza a vida, que promove a estabilização dinâmica entre seres viventes e não viventes (Gutiérrez, 1999). Os princípios da ecopedagogia acentuam a unidade de tudo o que existe, a inter-relação e auto-organização dos diferentes ecossistemas, a importância do global e do local, na perspectiva de uma cidadania planetária, a centralidade do ser humano no processo educativo e a intersubjetividade, a educação voltada para a vida cotidiana. O conhecimento em rede: a ideia fundamental da corrente do conhecimento em rede é de que os conhecimentos disciplinares, assentados na visão moderna de razão, devem abdicar lugar aos conhecimentos tecidos em redes relacionadas à ação diária. O conhecimento se constrói socialmente, não no sentido de absorção da cultura anteriormente acumulada, mas no sentido de que ele insurge nas ações cotidianas, rompendo-se com a separação entre conhecimento científico e conhecimento cotidiano. Há um atrelamento do conhecimento com a prática social, que se diferencia pela multiplicidade e complexidade de relações em meio das quais se criam e se trocam conhecimentos numa constante interação. O conhecimento surge, então, das redes de relações em que as pessoas dividem significados. Com 127 isso, são extintas as fronteiras entre ciência e senso comum, entre conhecimento válido e conhecimento cotidiano. A escola é um espaço e tempo de semelhanças múltiplas entre múltiplos sujeitos com saberes múltiplos, que aprendem e ensinam o tempo todo, múltiplos conteúdos de múltiplas maneiras (Alves, 2001). Correntes “Pós-Modernas” As correntes ―pós-modernas‖ não se sentem confortáveis em se autodenominar como pedagogias, assim, como recusam as classificações. Contudo, figuram aqui porque boa parte das publicações de autores brasileiros tem sido brotadas a partir do campo da educação e devido ao fato de serem acolhidas pelo campo científico da educação. Por essa razão, as correntes pós-críticas podem ser abrangidas como uma ―pedagogia‖ já que influenciam as práticas docentes, mesmo pela sua negação. Elas se formam a partir das críticas às concepções globalizantes do destino humano e da sociedade, isto é, assentadas na razão, na ciência, no progresso, na autonomia individual. Atualmente não existem aquelas crenças na transformação social, baseados na formação da consciência política, na ideia de que a história tem uma finalidade, que caminhamos para uma sociedade mais justa etc., tudo isso não tem mais muito embasamento, porque foi dessas ideias que nasceram os problemas mais excessivos da nossa época como a perda do poder do sujeito, a docilidade às estruturas, a exploração do trabalho, a deterioração ambiental etc. Não há direitos universais abstratos, mas direitos e vozes de cada grupo cultural, de cada comunidade. Hoje, existe muitas linguagens reservadas que são as que interessam: a cultura local, o feminismo, o pacifismo, a ecologia, o negro, o homossexual. Ou seja, não há mais uma consciência unitária, não há uma referência moral, teórica, na qual se repouse o desenvolvimento da consciência. O pós-estruturalismo: a influência do pós-estruturalismo na educação nasce principalmente pela exposição do pensamento de Michel Foucault sobre as relações entre o saber e o poder nas instituições educativas. O sistema 128 educativo enquanto força cria um saber que exerce um controle sobre as pessoas, já que sua ação é formar o sujeito da modernidade, isto é, o sujeito dependente, disciplinado, contido ao poder do outro. O saber está afetado com o poder, sendo que essas relações de poder estão onipresentes, cumpridas nas mais variadas instâncias como a família, a escola, a sala de aula. Sendo assim, a pedagogia será desconstrutiva dos discursos e não construtiva. O papel do professor muda, ele não pode mais ser aquele que forma a consciência crítica, que manuseia as subjetividades dos estudantes. A partir de temas centrais como o poder, a linguagem e a cultura, o pós-estruturalismo debate questões como a identidade/diferença, a subjetividade, os significados e as práticas discursivas, as relações gênero-raça-etnia-sexualidade, o multiculturalismo, os estudos culturais e os estudos feministas (Silva, 2004). É com base em averiguações e análises ligadas a esses temas que as correntes pós-críticas aparecem nas estratégias pedagógico-didáticas nas escolas. O neopragmatismo: está associada à virada linguística: pragmática iniciada por filósofos ligados à Filosofia Analítica, seu principal representante é Rorty. Em oposição à tradição positivista do conhecimento, valoriza no processo educativo as experiências pessoais do indivíduo, a interação dialógica em uma conversa aberta, contínua, duradoura. Doll Jr. (1997) escreve com base em Rorty que, ao contrário de uma busca de fundamentos, devemos avaliar os aspectos particulares das situações, nas quais não há nenhum início e nenhum fim constituído. Não se trata de buscar a verdade estabelecida, mas de criar significados nas interações dialógicas pessoais com os outros, com as histórias e textos. O diálogo com outros é nossa única fonte de orientação, ele é o contexto básico para compreender o conhecimento. É, através da experiência, pela conversação, que os participantes fazem escolhas lógicas, que são pessoais, históricas, ligadas a uma situação concreta.O mesmo Doll Jr. denomina essa atitude de epistemologia experiencial, em que o currículo é entendido como processo, em que os sujeitos criam e recriam a si próprios e a sua cultura, em contextos de conversação, de troca de narrativas, de forma a 129 compreender como os outros constroem seus significados a partir de sua vivência em contextos culturais, linguísticos, interpretativos. Um agir pedagógico apontado nessa corrente abandona imposições, apreciando as atitudes dos professores em suas ações e interações baseadas no diálogo; o currículo como processo que propicia a transformação pessoal, com base na experiência que o estudante vivencia ao aprender, ao transformar e ao ser transformado; indica a discussão de problemas humanos ―edificantes‖, envolvendo a solidariedade, a diferença, visando experiências transformativas nas pessoas. Em síntese, o neopragmatismo apresenta uma visão de conhecimento e de construção humana em que se supera uma visão individualista, estática, substituída por outra de caráter dialógico, comunicativo, de compartilhamento com os outros, alcançada no mundo prático onde o conhecimento é produzido. 130 131 Explicando melhor com a pesquisa Caro estudante, convidamos você a obter mais conhecimento realizando a leitura dos artigos abaixo: O presente artigo “Althusser: A Escola como aparelho ideológico de Estado‖ desenvolve uma reflexão sobre a escola como o aparelho ideológico de Estado capitalista, que influência nas formações sociais modernas. O artigo ―O Pensamento Pedagógico Moderno: algumas reflexões sobre a educação, a ciência do Homem laico e universal‖, tem o objetivo de demonstrar as relações históricas sociais do pensamento pedagógico moderno, pois a história das ideias pedagógicas associa-se a ideia de progresso pela educação como fator de desenvolvimento social dando ênfase a inclusão dos indivíduos. O presente artigo ―O Iluminismo Pedagógico de Rousseau” aborda alguns traços do pensamento de Rousseau no contexto iluminista e também aborda como ele se insere no movimento iluminista de sua época e que tipo de iluminista sustenta. Também sugerimos que faça a leitura da CARTA DA TRANSDISCIPLINARIDADE, que foi elaborada no Primeiro Congresso Mundial da Transdisciplinaridade em Portugal, e reflita a partir da desta, a sua compreensão sobre educação e a possibilidade de realizá-la nessa perspectiva. http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2007/anaisEvento/arquivos/CI-204-05.pdf http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2007/anaisEvento/arquivos/CI-204-05.pdf http://www.ia.ufrrj.br/ppgea/conteudo/conteudo-2008-2/2SF/Lia/Pensamento%20Pedag%F3gico.pdf http://www.ia.ufrrj.br/ppgea/conteudo/conteudo-2008-2/2SF/Lia/Pensamento%20Pedag%F3gico.pdf http://rousseaustudies.free.fr/articleailluminismopedagogico.pdf http://forumeja.org.br/df/files/carta.trans_.pdf http://forumeja.org.br/df/files/carta.trans_.pdf 132 Leitura Obrigatória Sugerimos que você leia a obra de Tardif e Lessard cujo tema é “O trabalho docente: elementos de uma teoria da docência como profissionais de interações humanas”. Para os autores dessa obra o processo educacional depende essencialmente da interação entre os envolvidos, seus trabalhos e seus respectivos papéis neste contexto que constituem a perspectiva de eficiência de ensino. TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude. O trabalho docente: elementos de uma teoria da docência como profissionais de interações humanas. 5.Ed. Petrópolis: Vozes, 2009. 317 p. 133 Pesquisando na Internet Prezado estudante, você é convidado a buscar na Internet uma investigação referente o assunto estudado nesta disciplina para ampliar seu conhecimento. Faça uma pesquisa norteada pela seguinte pergunta: O que vem a ser multiculturalismo progressista? Guia de Estudo: Após a sua pesquisa faça uma síntese do assunto e discuta com seus colegas. Caríssimo estudante, pesquise sobre a Didática na relação professor e estudante, destacando as tendências e atitudes, traçando um paralelo entre as tendências educacionais. A teoria do conhecimento de Jean Piaget sustenta-se na tese de que o conhecimento é um produto da atividade e, só pode ser concebido como conhecimento de uma pessoa, ou seja, cada pessoa constrói o seu próprio conhecimento, isso constitui a principal base para a pedagogia denominada construtivismo. Faça uma pesquisa baseada no Construtivismo, pós- modernidade e decadência ideológica. Guia de Estudo: Após a pesquisa, reflita como você percebe a questão metodológica do professor a partir da abordagem construtivista. E como o professor pode provocar no estudante a capacidade de autonomia e construção do conhecimento? Após a pesquisa disponibilize no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. 134 Saiba mais Vamos Refletir na Prática. São trechos da entrevista que a educadora portuguesa Isabel Alarcão concedeu a Nova Escola, em São Paulo, onde a educadora confirma que o questionamento deve ser à base do trabalho de todos os professores. O tema chama a atenção de Isabel Alarcão desde o início da década de 1990, quando conheceu os estudos do americano Donald Schön. Ele defende que os profissionais façam o questionamento sobre situações práticas como base de sua formação. "Só assim, nos tornamos capazes de enfrentar situações novas e de tomar decisões apropriadas." Vale a pena conferir! https://docs.google.com/document/d/15sk0z0iKvo9MtJwbKFMBAqi7bdlquMQOg50NlleYaZY/edit?hl=pt_BR&pli=1 135 Vendo com os olhos de ver Sugerimos que assista ao vídeo Portal Cameraweb CCUEC Aula 7 Escola como Aparelho Ideológico do Estado Luuis Althusser. Assista também ao vídeo História da Educação Romana, você irá entender a divisão da Educação Romana em três períodos, o primeiro período desde a Fundação de Roma à conquista da Grécia, o segundo período que vai desde à conquista da Grécia ao reinado de Adriano e o terceiro período greco- romano que vai do reinado de Adriano ao ano 200 d.c. Propomos que assista ao vídeo “O Positivismo”, no qual Comte em sua teoria denominado Positivismo pretendeu realizar por meio da ciência uma reforma social afirmando que a sociologia é a única ciência capaz de reformar a sociedade. Propomos também que assista ao vídeo “Escola Nova”, neste você observará a partir das ideias de Dewey que a Escola Nova renovou o pensamento sobre a educação e sua prática, estabelecendo as bases filosóficas e que reformulou uma ideia do que é educação. Para fixar as ideias presentes nas unidades de estudo, indicamos os filmes abaixo, pois refletem o testemunho do tempo ao qual se reporta, como documento de grande importância na análise histórica. Escritores da Liberdade, nas páginas de diários de estudantes que vivem em meio ao caos urbano, por causa da discriminação racial e preconceitos, uma professora idealista, Erin Gruwell https://www.youtube.com/watch?v=cZJw_EEOqg8 https://www.youtube.com/watch?v=M1AL8nGFDRk https://www.youtube.com/watch?v=WJrFGrVQjf4 https://www.youtube.com/watch?v=Lr5xe2LXoqs 136 (Hilary Swank), tenta mudar o ambiente na sala-de-aula, não ensinando somente o conteúdo de uma matéria específica, mas também tenta lecionar lições de vida a seus estudantes, que aprendem ser cidadão. Para concretizar seus planos, Erin Gruwell, terá que revolucionar o ambiente escolar, e para isso, passará por cima da burocrática e conservadora diretora da escola, Margaret Campbell (Imelda Staunton) e abrirá mão de sua vida pessoal para com seu marido Scott Casey (Patrick Dempsey). O filme é baseado na história real dos estudantes e da Professora Erin Gruwell, relatados no aclamado best- seller, “ODiário dos Escritores da Liberdade”. Escritores da Liberdade. Direção e Roteiro: Richard LaGravenese. Alemanha e Estados Unidos. Duração: 122 min. Gênero: Drama. Dublado, 2007. Sociedade dos Poetas Mortos, em 1959, na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex- aluno (Robin Williams), se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os estudantes a pensarem por si mesmos, cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus estudantes sobre a "Sociedade dos Poetas Mortos". Sociedade dos Poetas Mortos. Direção: Peter Weir. Roteiro: Tom Schulman. Estados Unidos. Duração: 2h 9min. Gênero: Drama. Dublado, 1989. Estudo Guiado Elabore um quadro resumo com os processos pedagógicos abordados nos filmes “Escritores da Liberdade” e “Sociedade dos poetas mortos”, comparando aos processos pedagógicos da pedagogia tradicional. Justifique o êxito de tais processos relatados nos filmes. 137 Revisando Vimos no decorrer de nossa primeira unidade de estudo os pensamentos pedagógicos: Greco, Romano, Medieval, Renascentista, Moderno, Iluminista, Positivista, Socialista, Escolanovista Antiautoritário e Crítico. O mundo grego foi rico em intenções pedagógicas, Pitágoras estudou a matemática e sua afinidade com o universo; Sócrates dedicou-se a retórica e na linguagem; Xenofontes foi a primeira a refletir a educação para mulheres, apesar de restrita a conhecimentos caseiros e de importância do esposo. Platão defendia que conhecer é lembrar, e que o homem, ao encontrar o objeto do saber, tem condições de reconhecê-lo, uma vez que ele já está impresso em sua alma. Sócrates acreditava que o autoconhecimento é o inicio da abertura do verdadeiro saber. Defensor de um diálogo vivo e amigo com seus discípulos. Ele realizou uma reviravolta na história humana. A filosofia se preocupava em explicar o mundo com base na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. Ele se preocupou em levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem. Sócrates defendia o diálogo como método de educação, considerava muito importante o contato direto com os interlocutores. Para ele o papel do educador é ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por si próprio "iluminar" sua inteligência e sua consciência. Aristóteles acreditava que a educação era o caminho para uma vida pública, cabendo a ela a formação do caráter do aluno. Via virtude como modo de educar para viver bem prazerosamente. Tinha o Estado como o único responsável pelo ensino. Defendia a ideia de que a criança aprende com o ato de imitar os bons hábitos do adulto. Para ele o ser humano só será feliz se der sua melhor contribuição ao mundo, se desfrutar suas condições necessárias para desenvolver os talentos. Em relação ao pensamento pedagógico romano o trabalho manual era desvalorizado enquanto o trabalho intelectual era valorizado. Os educadores 138 procuravam formar o cidadão capaz de pensar corretamente e se expressar com convicção. O homem era formado para servir a Pátria e as mulheres aos afazeres do lar. No pensamento pedagógico Medieval vimos que ao contrário dos cristãos, os árabes não almejavam truncar a cultura grega, e então se inicia um novo tipo de vida intelectual, chamada escolástica que busca harmonizar a razão histórica com a fé cristã. No pensamento pedagógico Renascentista a educação organizou a formação do homem burguês e a educação não atingiu as massas populares. Caracterizava-se pelo elitismo, aristocratismo, individualismo liberal. Abrangia principalmente, o clero, a nobreza e a burguesia. Quanto ao pensamento pedagógico Moderno René Descartes escreveu sobre os passos para o estudo e a pesquisa e recriminou o ensino. Comênio foi respeitado como grande educador moderno e um dos maiores reformadores sociais da época. Foi o primeiro a sugerir o sistema articulado de ensino e defendeu que a educação deveria ser permanente, acontecer durante toda a vida do homem. O pensamento pedagógico Iluminista Jean Jacques Rousseau desempenhou a relação entre educação e política com o tema na infância na educação. Sempre defendendo o desenvolvimento da criança e sendo o criador do jardim da infância. No pensamento pedagógico Positivista Augusto Comte e Karl Marx foram dois expoentes, a tendência cientificista ganhou força na educação como desenvolvimento da sociologia em geral, e da sociologia da educação. Um dos principais teóricos da sociologia da educação foi Emile Durkheim. No pensamento pedagógico Socialista os princípios da educação pública socialista foram proclamadas por Marx e Engels e desenvolvidos por Lênin. No pensamento pedagógico Escolanovista John Dewey foi o primeiro norte-americano a formular o novo ideal pedagógico, afirmando que o ensino 139 deveria ser pela ação e não pela instrução, por uma experiência ativa, concreta e produtiva. No pensamento pedagógico Antiautoritário o educador espanhol Ferrer Guardia foi fundador da escola moderna, racionalista e libertária, crítico da escola tradicional e apoiador do pensamento iluminista. No pensamento pedagógico crítico destacarão o teórico Louis Althusser e os sociólogos Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron influenciadores do pensamento pedagógico brasileiro na década de 70. Foram chamados de críticos reprodutivistas, por demonstrarem que a educação reflete a sociedade. Formularam as seguintes teorias: Althusser, a teoria da escola enquanto aparelho ideológico do Estado; Bourdieu e Passeron, a teoria da escola enquanto violência simbólica. Na segunda unidade de estudo vimos que o pensamento pedagógico brasileiro foi perpassado por movimentos de lutas políticas em busca da educação pública de qualidade, de novo métodos, da luta pela redemocratização da educação, pela busca da valorização da educação popular. O pensamento pedagógico contemporâneo foi representado por pedagogos humanistas e críticos que defendiam uma concepção dialética da educação. Já os defensores da educação progressista defenderam a formação de um cidadão crítico e participante da mudança social. Na atualidade, estamos vivenciando crises de paradigmas em todos os campos da ciência, cultura e sociedade, tornando a educação permanente. A educação pós-modernismo é marcada pelo avanço da tecnologia eletrônica, da automação e da informação, que causam a perda de identidade nos indivíduos ou até a desintegração. Na terceira unidade de estudo vimos que atualmente, vivemos em intenso desafio à lógica disciplinar e sistematização dos conteúdos. Faz-se necessário o diálogo para construção de saberes docentes e discentes. A sociedade é complexa e a escola mostra-se como locais onde vários 140 fenômenos sociais e diversas maneiras e concepções de mundo são vivenciados e trabalhados. A nova tendência em educação é transformar o sistema educacional monocultural em multicultural. Nesse sentido a interdisciplinaridade poderá contribuir para a interligação dos saberes. A escola deve trabalhar no sentido de buscar a formação de identidades abertas à pluralidade cultural, na perspectiva de uma educação para cidadania, respeitando as relações interpessoais, as diferenças. No entanto, deve considerar os diversos saberes científicos e não- científicos e criar diálogos entre eles, para que possamos construir novos saberes que possam ser mais bem compreendidos e praticados. Para darmos respostas a formação do novo cidadão desse século, a escola deve estar comprometida em propiciar diversas linguagens e manifestações culturais. Segundo Boa Ventura, a dicotomia entre o saber moderno e o saber tradicional, explica as mudanças na hierarquia entre saber científico e não- científico,onde cada uma delas tem expressado uma extensão de dominação, uma diferença epistemológica que não reconhece em pé de igualdade e favorece a marginalidade e situações de exclusões sociais. Na quarta unidade de estudo aprendemos que a Teoria da Educação é uma ciência que busca os valores e os limites da educação, como processo de edificação e de libertação do ser humano. Nesse contexto, as teorias da educação são formadas por concepções pedagógicas, que segundo Cabanas (2002), envolvem três níveis: filosófico, sociológico e pedagógico. Nos estudos sobre a pedagogia, verificou-se que a educação era situada no professor, porém, com as transformações ocorridas, o estudante torna-se o núcleo do ensino e da aprendizagem. Contudo, o espaço da Pedagogia no âmbito de ciência está presente em todo contexto social, não unicamente na escola. 141 Nesse cenário de mudanças e evolução na educação deu-se origem a didática, como disciplina dos cursos de formação de professores a nível superior. O enfoque da Didática teve importante contribuição, pois, foi a partir dos pressupostos da pedagogia crítica, que se trabalhou para ir além, dos métodos e técnicas, procurando associar escola e sociedade, teoria e prática, conteúdo e forma, técnico e político, ensino e pesquisa, professor e estudantes. Durante o estudo das unidades, percebemos que a prática pedagógica do professor está vinculada ao modo do mesmo perceber e atuar em sala de aula e de sua compreensão de mundo. Alguns autores citados acreditam que o conhecimento pode e vem da prática, mas não tem como situá-lo unicamente nisto. Dizer que o professor deve ser reflexivo não é mais novidade. Devemos elevar a discussão ao campo da práxis, onde teoria e prática constituem processos indissociáveis na qual a reflexão é de fundamental importância para o aprimoramento da ação pedagógica do professor. Ser reflexivo é ir para além, da descrição do que se fez em sala de aula. É ter a capacidade de questionamento sobre a sua própria ação em sala. Outro ponto importante discutido nas unidades foi sobre a análise das tendências a partir da formação dos professores no tempo histórico, entre os anos 1930 a 1980. Daí, percebemos o quanto as relações econômicas e políticas determinaram os caminhos pedagógicos na história da educação. Assim, a compreensão das concepções e abordagens de aprendizagem se constitui em importante ferramenta para intervenções que ajudam os estudantes a aprender significativamente. Essas concepções de aprendizagem podem ser definidas como os significados que os fenômenos da aprendizagem possuem para os estudantes. As abordagens de aprendizagem são compostas por concepções de motivações e de estratégias utilizadas por educandos para realização do estudo. Podem ser definidas como uma forma de se relacionar com os processos e produtos de uma aprendizagem. 142 Não poderíamos deixar de considerar o quanto os efeitos de sentidos produzidos pela formação técnico-científica têm contribuído na redefinição de processos de identificação no processo de ensino-aprendizagem. A nova forma de ensino, não presencial, nos dá certa indefinição como novos processos de identificação presentes nessa modalidade funcionarão com seus significados nos processos formativos do estudante. Dessa forma, foram discutidas algumas considerações relevantes das diferentes abordagens teóricas do processo de ensino e aprendizagem. 143 Autoavaliação 1. Ler o artigo no link abaixo para discussão das questões a seguir e responda as questões abaixo: Introdução: Para ampliar o cânone da ciência: a diversidade epistemológica do mundo. <http://www.ces.uc.pt/publicacoes/res/pdfs/IntrodBioPort.pdf>. a) O que é epistemicídio? b) Explique a crise epistemológica da ciência moderna. c) O que vem a ser multiculturalismo progressista? d) Explique de que forma os europeus (ciência moderna) construíram a natureza como algo exterior à sociedade. e) A partir do texto de Boaventura, você concorda que a ciência não seja neutra? ―A formulação das hipóteses, a seleção das abordagens, as linguagens e imagens utilizadas para a realização e interpretação dos resultados da investigação são inseparáveis das influências culturais que os cientistas incorporam e que as instituições e políticas científicas contribuem para reproduzir ou transformar‖. f) A partir do texto de Boaventura, você consegue relacionar Direito, ciência moderna, poder e dominação? 2. Aristóteles acreditava que educar para a virtude era também um modo de educar para viver bem – e isso queria dizer, entre outras coisas, viver uma vida prazerosa. No mundo atual, nem sempre se vê compatibilidade entre a virtude e o prazer. Ainda assim, você acredita que seja possível desenvolver em seus alunos uma consciência ética e, ao mesmo tempo, a capacidade de apreciar as coisas boas da vida? 3. Ao eleger o diálogo como método de investigação, Sócrates foi o primeiro filósofo a se preocupar não só com a verdade mas com o modo como se pode chegar a ela. Eis por que ele é considerado por muitos o modelo clássico de http://www.ces.uc.pt/publicacoes/res/pdfs/IntrodBioPort.pdf 144 professor. Quando você prepara suas aulas, costuma levar em conta a necessidade de ajudar seus alunos a desenvolver procedimentos para que possam pensar por si mesmos? 4. Platão acreditava que, por meio do conhecimento, seria possível controlar os instintos, a ganância e a violência. O acesso aos valores da civilização, portanto, funcionaria como antídoto para todo o mal cometido pelos seres humanos contra seus semelhantes. Hoje poucos concordam com isso; a causa principal foram as atrocidades cometidas pelos regimes totalitários do século 20, que prosperaram até em países cultos e desenvolvidos, como a Alemanha. Por outro lado, não há educação consistente sem valores éticos. Você já refletiu sobre essas questões? Até que ponto considera a educação um instrumento para a formação de homens sábios e virtuosos? 5. Qual a sua concepção de educação permanente nesta atualidade? Porque ela surgiu? 6. Você consegue relacionar teorias pedagógicas com a didática do professor? Explique. 7. De que forma a cultura influência na prática pedagógica do professor e na aprendizagem do aluno em sala de aula? 8. Qual a importância da interdisciplinaridade para o aprendizado do aluno? 9. Analise a ação pedagógica da professora no filme “Escritores da Liberdade”, a partir dos estudos teóricos dessas unidades de estudo. 10. Desenvolva criativamente uma apresentação lúdica, expondo a profissão do professor em sua didática e envolvendo as características fundamentais em sua prática docente, como possibilidade de construção de saberes significativos. 145 11. Qual a importância do diálogo e da reflexão na prática docente? Faça uma análise do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. 12. Descreva os tipos de abordagens pedagógicas que você conheceu no estudo desta unidade, cite os autores que aprofundaram o assunto e relate o tipo que você mais identifica na realidade do ensino em nosso país. 13. Construa, de forma criativa, uma situação entre professor e educando. Respeitando os pilares da educação e utilizando um tipo de abordagem educacional discutida no decorrer deste livro. 14. Construir um mapa conceitual de cada Unidade de Estudo. 146 147 Bibliografia ANTUNES, CELSO. 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